Senhor dos Misterios (NOVEL) - Volume 1
Oi, pessoal, aqui é o Lucas, editor do Mangas Brasuka, como sabemos, Senhor dos Misterios é, assim como qualquer outra novel, ridicularmente gigante, nós não conseguimos upar capitulos separadamente em cada livro, pois isso seria humanamente impossivel, ou no minimo demoraria 1 ano fazendo isso, não sei vocês, mas eu tenho mais o que fazer, o que isso quer dizer? Quero dizer que a navegação dos capitulos pode ser meio complicada, pois você não vai controlar facilmente onde para a sua leitura, e é exatamente por esse motivo que estou falando com você agora, pra te dar uma dica ouro!! Se você estiver lendo pelo pc, basta apertar as teclas: “Ctrl+F”, e digitar o número do capítulo que você parou e voltar a ler tranquilamente, o mesmo pode ser feito pelo caso você esteja lendo pelo celular, basta clicar nos três pontos no canto inferior direito e ir na opção: “buscar na pagina”, daí basta colocar o número do capitulo e continuar sua leitura, facil né?. Espero ter ajudado, aproveite sua leitura, antensiosamente… Mangas Brasuka.
Capítulo 1 Capítulo 1 – Carmesim
Que dor!
Muita dor!
Minha cabeça dói muito!
Um mundo de sonhos exagerados e deslumbrantes, cheio de murmúrios instantaneamente destruídos. Zhou Mingrui, que estava em sono profundo, sentiu uma dor latejante anormal em sua cabeça, como se alguém o atacasse impiedosamente com uma vara. Não, era mais como se um objeto afiado tivesse perfurado suas têmporas, seguido por uma torção!
Ai… — em seu estupor, Zhou Mingrui tentou se virar, olhar para cima e sentar-se. No entanto, era completamente incapaz de mover seus membros, como se tivesse perdido o controle sobre seu corpo.
Pelo que parece, ainda não estou acordado, ainda estou em um sonho… Quem sabe, talvez a próxima cena será de eu pensando que já estou acordado, mas na verdade, ainda estou dormindo…
Zhou Mingrui, que não estava familiarizado com tais situações, tentou seu melhor para se concentrar, a fim de escapar das correntes colocadas sobre ele pela escuridão e confusão.
No entanto, enquanto ainda em seu devaneio, o que podia convocar era etéreo como um nevoeiro fugaz. Ele encontrou seus pensamentos difíceis de controlar e compreender. Não importava o quanto tentasse, ainda perdia o foco enquanto pensamentos aleatórios surgiam em sua mente.
Por que eu teria uma dor de cabeça tão excruciante de repente no meio da noite?
E dói muito!
Poderia ser algo como uma hemorragia cerebral?
Porra, não me diga que eu vou morrer jovem?
Eu preciso acordar! Agora!
Eh? Por que não parece mais doer tanto quanto antes? Mas por que ainda parece que uma faca está cortando meu cérebro…?
Pelo que parece, é impossível dormir. Como vou aparecer para trabalhar amanhã?
Por que ainda estou pensando em trabalho? Isso é uma dor de cabeça autêntica. Claro que tenho que tirar uma folga! Assim não tenho que me preocupar com os resmungos do meu gerente!
Ei, colocando dessa maneira, não parece tão ruim. Hehe, eu posso acabar tendo algum tempo livre para mim!
Uma dor latejante inundou Zhou Mingrui, permitindo que ele lentamente acumulasse uma força imaterial até que finalmente conseguiu mover as costas e abrir os olhos, se libertando de seu devaneio.
Sua visão ficou turva antes de ser inundada por um fraco vermelho carmesim. Tudo o que podia ver era uma mesa de estudos de madeira em sua frente. Bem no meio estava um caderno aberto com páginas amarelas e grosseiras. O título foi escrito com letras estranhas, profundas e pretas.
À esquerda do caderno, havia uma pilha de livros bem organizados, totalizando cerca de oito. A parede à sua direita estava embutida com tubos brancos acinzentados com lâmpadas de parede ligadas a eles.
A lâmpada tinha um estilo ocidental clássico. Tinha cerca de metade do tamanho da cabeça de um adulto, com uma camada interna de vidro transparente e uma grade exterior de metal preto.
Na diagonal, sob a lâmpada, havia uma garrafa de tinta preta envolta em um pálido brilho vermelho. Sua superfície em relevo formava um padrão embaçado de anjo.
Na frente do frasco de tinta e à direita do caderno, havia uma caneta de cor escura com um corpo totalmente circular. Sua ponta brilhava com um leve brilho enquanto a tampa descansava ao lado de um revólver de bronze.
Uma arma? Um revólver? — Zhou Mingrui ficou completamente surpreso. As coisas colocadas diante dele eram bastante estranhas. Não se parecia em nada com seu quarto!
Enquanto se sentia chocado e confuso, descobriu que a escrivaninha, o caderno, a garrafa de tinta e o revólver estavam cobertos por uma camada de véu carmesim, resultado da luz que brilhava da janela.
Subconscientemente, ele olhou para cima e deslocou o olhar para o alto, pouco a pouco.
No ar, uma lua carmesim pairava sobre o pano de fundo de uma “cortina de veludo negro”, brilhando em silêncio.
Isso é… — Zhou Mingrui se sentiu inexplicavelmente horrorizado quando se levantou de repente. No entanto, antes de conseguir se levantar, seu cérebro protestou com uma dor latejante. Isso o fez perder temporariamente a força e cair incontrolavelmente. Suas nádegas bateram pesadamente na cadeira de madeira.
Pa!
A dor não ajudou. Zhou Mingrui levantou-se novamente, se apoiando. Ele se virou, confuso, quando começou a avaliar o ambiente em que estava.
O quarto não era muito grande, com uma porta marrom em cada lado da sala. Perto de uma parede oposta havia uma cama baixa de madeira.
Entre a cama e a porta esquerda havia um armário. Suas duas portas estavam abertas e em baixo havia cinco gavetas.
Ao lado do armário, havia o mesmo cano branco acinzentado na parede, da altura de uma pessoa. No entanto, estava conectado a um dispositivo mecânico estranho com engrenagens expostas e rolamentos em vários pontos.
Itens parecidos com fogões a carvão estavam no canto direito do quarto perto da mesa, junto com panelas de sopa, de ferro e outros utensílios de cozinha.
Do outro lado da porta direita havia um espelho de corpo inteiro com duas rachaduras. Seu fundo era feito de madeira e os padrões eram simples e claros.
De relance, Zhou Mingrui notou a si mesmo no espelho: o ele de agora.
Cabelos pretos, olhos castanhos, camisa de linho, silhueta magra, aparência mediana e de perfil sério…
Quem… — Zhou Mingrui imediatamente soltou um suspiro quando muitas hipóteses indefesas e confusas surgiram em sua mente.
O revólver no estilo europeu antigo e a lua carmesim que parecia diferente da lua da Terra só podiam significar uma coisa!
Se-será que eu transmigrei? — Zhou Mingrui ficou de boca aberta.
Ele havia crescido lendo webnovels e havia imaginado muitas vezes essas cenas. No entanto, momentaneamente achou difícil aceitar essa situação quando se viu nela.
Era isso o que significava amar uma fantasia? — em um minuto, Zhou Mingrui já havia se amaldiçoado ao tentar tirar o melhor proveito de sua situação adversa.
Se não fosse pela dor de cabeça ainda latejante que deixava seus pensamentos tensos, mas claros, definitivamente suspeitaria que estivesse sonhando.
Acalme-se, acalme-se, acalme-se… — após respirar fundo algumas vezes, Zhou Mingrui trabalhou arduamente para não entrar em pânico.
Naquele momento, enquanto sua mente e corpo se acalmavam, as lembranças começaram a inundá-lo enquanto lentamente apareciam em sua mente!
Klein Moretti, cidadão do Reino Loen do Continente Norte, Condado de Awwa, Cidade de Tingen. Ele também é um recente graduado do
Departamento de História da Universidade de Khoy…
Seu pai era um sargento do Exército Real que se sacrificou durante um conflito colonial com o Continente Sul. A pensão deu a Klein a oportunidade de estudar em uma escola particular de idiomas e deu as bases para sua admissão na universidade…
Sua mãe era uma devota da Deusa da Noite Eterna. Ela faleceu no ano em que Klein passou nos exames de admissão para a Universidade de Khoy…
Ele também tinha um irmão mais velho e uma irmã mais nova, e eles ficavam juntos em um apartamento de dois quartos…
Sua família não era rica e sua situação poderia até ser descrita como um pouco a desejar. Atualmente, a família era apoiada unicamente pelo irmão mais velho que trabalhava em uma empresa de importação e exportação como balconista…
Como graduado em história, Klein aprendeu o conhecimento da antiga língua Feysac, considerada a origem de todos os idiomas do Continente Norte, bem como a linguagem Hermes, que frequentemente aparecia em mausoléus antigos, e também em textos sobre rituais de sacrifício e orações…
Linguagem Hermes? — A mente de Zhou Mingrui se agitou quando estendeu a mão para esfregar as têmporas latejantes. Ele lançou seu olhar para a mesa, para o caderno aberto. Notou que o texto no papel amarelado mudou de estranho para obscuro, antes de se tornar algo familiar, finalmente se transformando em algo legível.
Era um texto escrito em Hermes!
A tinta escura descrevia o seguinte:
“Todos vão morrer, inclusive eu.”
Tsc! — Zhou Mingrui sentiu-se inexplicavelmente horrorizado. Instintivamente recostou-se na tentativa de aumentar a distância entre ele e o caderno, assim como o texto nele.
Estando muito fraco, ele quase caiu, mas conseguiu estender as mãos em pânico para segurar na borda da mesa. Sentiu que o ar ao redor estava turbulento, como se houvesse fracos murmúrios ressoando. O sentimento era semelhante a ouvir histórias de terror sendo contadas pelos anciãos quando era jovem.
Ele balançou a cabeça, acreditando que tudo era uma ilusão, e então encontrou o equilíbrio e desviou o olhar do caderno enquanto respirava.
Desta vez, seu olhar pousou no revólver de bronze cintilante. De repente, teve uma pergunta sobre ele.
Com a situação familiar de Klein, como eles podem ter dinheiro ou meios para comprar um revólver?
Zhou Mingrui não pôde deixar de franzir a testa.
Enquanto pensava profundamente, de repente descobriu uma marca vermelha na lateral da mesa. Sua cor era mais profunda que a luz da lua e muito mais grossa que o “véu”.
Era uma marca sangrenta de mão!
— Marca sangrenta de uma mão? — Zhou Mingrui subconscientemente virou a mão direita que estava segurando a borda da mesa. Olhando para baixo, viu que a palma e os dedos estavam cobertos de sangue.
Ao mesmo tempo, a dor latejante em sua cabeça continuou. Embora tenha enfraquecido um pouco, continuou incessantemente.
Eu abri um buraco na minha cabeça? — Pensou Klein quando se virou, caminhando em direção ao espelho rachado.
Alguns passos depois, uma figura de cabelos negros, de constituição mediana e olhos castanhos apareceu claramente à sua frente. A pessoa tinha um distinto ar acadêmico.
Este é o eu atual? Klein Moretti?
Zhou Mingrui ficou atordoado momentaneamente. Como não havia iluminação suficiente à noite, não conseguiu ver claramente. Ele continuou caminhando até que estivesse a apenas um passo de colidir com o espelho.
Usando o luar carmesim como iluminação, ele virou a cabeça e examinou o canto da testa.
Um reflexo claro apareceu no espelho. Sua têmpora tinha uma ferida grotesca com marcas de queimaduras ao redor. O sangue manchava os arredores da ferida e havia gosmas cerebrais brancoacinzentadas que se contorciam lentamente.
Capítulo 2
Capítulo 2 – Situação
Tap! Tap! Tap!
Zhou Mingrui recuou de medo diante do que viu. Era como se a pessoa no espelho não fosse ele mesmo, mas um cadáver dissecado.
Como poderia uma pessoa com feridas tão graves ainda estar viva?
Ele virou novamente a cabeça em descrença e checou o outro lado. Embora estivesse distante e a iluminação fosse fraca, ainda podia ver a ferida profunda e manchas vermelhas de sangue.
Mas o quê…
Zhou Mingrui respirou fundo enquanto tentava se acalmar.
Ele estendeu a mão para pressionar o peito esquerdo e sentiu seu coração acelerado, exalando imensa vitalidade.
Então tocou sua pele exposta, e sentiu que sob a ligeira frieza fluía calor.
Quando se agachou, depois de verificar que conseguia dobrar seus joelhos, Zhou Mingrui levantou novamente e se acalmou.
— O que está acontecendo? — murmurou com uma carranca. Ele planejou inspecionar sua lesão na cabeça seriamente mais uma vez.
Ele deu dois passos para frente e de repente parou. O luar da lua carmesim era relativamente escuro, portanto era insuficiente para sua “inspeção séria”.
Um fragmento de memória apareceu quando Zhou Mingrui virou a cabeça para olhar os canos brancos acinzentados e a lâmpada de metal na parede ao lado da mesa de estudos.
Esta era a lâmpada a gás mais comum atualmente. Sua chama era estável e sua capacidade de iluminação era excelente.
Com a situação familiar de Klein Moretti, até uma lâmpada de querosene era um sonho, quiçá uma lâmpada a gás. A utilização de velas era mais apropriada para a sua posição e status. No entanto, quatro anos atrás, quando varava as noites para ser admitido na Universidade de Khoy, seu irmão mais velho, Benson, sentiu que era uma questão importante da qual o futuro de sua família dependia. Portanto, ele insistiu em criar condições de estudo condizentes para Klein, mesmo que isso significasse assumir dívidas.
Naturalmente, Benson, que era alfabetizado e trabalhou por vários anos, não era uma pessoa imprudente que não pensava nas consequências. Ele tinha alguns truques na manga. Argumentou com o senhorio para “elevar os padrões do apartamento, instalando tubos de gás para melhorar a probabilidade de aluguéis no futuro”. O senhorio, convencido, forneceu o dinheiro para concluir as modificações básicas. Então, usando a conveniência de trabalhar em uma empresa de importação e exportação, comprou uma nova lâmpada a gás que estava quase a preço de custo. No final, ele apenas usou suas economias e não precisou pedir dinheiro emprestado.
Depois que o fragmento de memória apareceu em sua mente, Zhou Mingrui foi até a mesa, girou a válvula no cano e começou a girar o interruptor da lâmpada de gás.
Com um som estridente, uma faísca de fricção soou. A luz não desceu sobre Zhou Mingrui como esperava.
Ele girou o interruptor mais algumas vezes, mas tudo o que a lâmpada fez foi crepitar e permanecer escura.
— Hmm… — retraindo a mão e pressionando a têmpora esquerda, Zhou Mingrui procurou o motivo vasculhando seus fragmentos de memória.
Após alguns segundos, ele se virou e caminhou em direção à porta, chegando à instalação da máquina, que estava igualmente inserida na parede e tinha tubos brancos acinzentados ligados a ela.
Era um medidor de gás!
Depois de ver as engrenagens e rolamentos expostos, Zhou Mingrui pegou uma moeda do bolso da calça.
Era amarelo-escura e tinha um brilho bronze. A frente da moeda estava gravada com um retrato de um homem que usava uma coroa, e havia um “1” sobre um ramo de trigo na parte de trás.
Zhou Mingrui sabia que esta era a moeda mais básica do Reino Loen. Era chamado um centavo de cobre. O valor de um centavo era de aproximadamente três a quatro yuans antes de sua transmigração. Essas moedas tinham outras denominações, como cinco centavos, meio centavo e um quarto de centavo. Apesar dos três tipos, as denominações não estavam em unidades suficientemente pequenas. Na vida cotidiana, era preciso comprar várias coisas diferentes apenas para gastar uma única moeda de tempos em tempos.
Depois de virar a moeda, que só foi cunhada e circulou depois que o Rei George III subiu ao trono, Zhou Mingrui a inseriu na fina boca vertical do medidor de gás.
Clink! Clang!
Após a moeda cair no fundo do medidor, o som das engrenagens soou imediatamente, produzindo um ritmo mecânico curto, mas melodioso.
Zhou Mingrui olhou para o medidor por alguns segundos antes de voltar para a escrivaninha de madeira. Então estendeu a mão para girar o interruptor da lâmpada a gás.
Depois de crepitar, houve um som agudo!
Uma pluma de fogo se acendeu e cresceu rapidamente. A luz brilhante primeiro ocupou os interiores da lâmpada de parede antes de penetrar no vidro transparente, cobrindo a sala com um brilho morno.
A escuridão rapidamente diminuiu enquanto a luz carmesim recuava pela janela. Zhou Mingrui sentiu-se aliviado por um motivo desconcertante quando chegou rapidamente à frente do espelho.
Desta vez, ele inspecionou seriamente sua têmpora e não perdeu um único detalhe.
Após algumas rodadas de inspeção, percebeu que, além da mancha de sangue original, não havia mais líquido saindo da ferida grotesca. Parecia que tinha recebido a melhor hemóstase e bandagem. Quanto ao cérebro branco-acinzentado que pulsava e o crescimento discernível de carne e sangue ao redor da ferida, significava que poderia levar de trinta a quarenta minutos, ou talvez de duas a três horas antes de deixar apenas uma leve cicatriz.
— Efeitos restaurativos causados pela transmigração? — Zhou Mingrui levantou o canto direito de sua boca enquanto murmurava silenciosamente.
Depois disso, ele soltou um longo suspiro. Independentemente da situação, ele ainda estava vivo!
Depois de se decidir, abriu uma gaveta e tirou um pequeno pedaço de sabão. Ele pegou uma das toalhas velhas e esfarrapadas penduradas ao lado do armário e abriu a porta, e então caminhou até o banheiro público que era compartilhado pelos inquilinos no segundo andar.
Sim, eu deveria limpar as manchas de sangue na minha cabeça, ou vou continuar parecendo uma cena de crime. Tudo bem me assustar, mas se fosse assustar minha irmã, Melissa, quando ela acordasse cedo amanhã de manhã, seria bem problemático!
O corredor do lado de fora estava escuro como breu. As silhuetas mal eram acentuadas pelo luar carmesim da janela no fim do corredor. Eles pareciam um par de olhos monstruosos que silenciosamente observavam a vida até tarde da noite.
Zhou Mingrui acalmou seus passos enquanto caminhava em direção ao banheiro comunitário com um medo arrepiante.
Quando entrou, havia ainda mais luz da lua, permitindo que ele visse tudo claramente. Zhou Mingrui ficou na frente de um lavatório e girou a maçaneta da torneira.
Ao ouvir o som de água jorrando, de repente lembrou de seu senhorio, o Sr. Franky.
Como a água estava incluída no aluguel, esse cavalheiro baixo e magro, que usava uma cartola, um colete e um terno preto, sempre inspecionava o banheiro para anotar qualquer som de água corrente.
Se a água jorrasse muito alto, o sr. Franky ignoraria todos os traços cavalheirescos agitando a bengala e batendo na porta do banheiro, gritando coisas como “ladrão maldito”, “o desperdício é um assunto sem vergonha”, “vou lembrar de você”’, “se eu ver isso acontecer novamente, suma junto com a sua bagagem imunda”, “marque minhas palavras, este é o apartamento mais econômico de Tingen. Você não encontrará um senhorio mais gentil em nenhum outro lugar!”.
Deixando de lado esses pensamentos, Zhou Mingrui usou uma toalha úmida para limpar as manchas de sangue de seu rosto repetidamente.
Depois de verificar a si mesmo usando o espelho do banheiro e observando que tudo o que restava era uma ferida medonha e um rosto pálido, Zhou Mingrui relaxou. Então, tirou a camisa de linho e usou uma barra de sabão para lavar as manchas de sangue.
Naquele momento, ele franziu as sobrancelhas e lembrou de um possível problema.
A ferida era muito exagerada e havia muito sangue. Além de seu corpo, seu quarto provavelmente ainda tinha sinais de seu ferimento!
Quando terminou de limpar sua camisa de linho alguns minutos depois, ele rapidamente voltou ao seu apartamento com uma toalha úmida. Primeiro limpou a marca de sangue na mesa e, em seguida, usando a iluminação da lâmpada a gás, procurou manchas que deixou passar.
Ele imediatamente descobriu que uma quantidade substancial de sangue havia se espalhado pelo chão embaixo da mesa. E havia um projétil amarelo no lado esquerdo da parede.
Um tiro de revólver na têmpora? — Depois de misturar e combinar as pistas de antes, Zhou Mingrui teve uma ideia aproximada de como Klein havia morrido.
Ele não estava com pressa para verificar seu palpite. Em vez disso, tirou as manchas de sangue e limpou a “cena”. Depois, pegou o projétil e voltou para o lado de sua mesa. Ele abriu o cilindro do revólver e despejou as munições para fora.
Havia um total de cinco cartuchos e um cartucho vazio, com um lustre bronze.
— De fato… — Zhou Mingrui olhou para o cartucho vazio em sua frente e colocou a munição de volta no cilindro enquanto balançava a cabeça.
Ele desviou o olhar para a esquerda e pousou nas palavras do caderno:
“Todos vão morrer, inclusive eu.” Depois disso, mais perguntas surgiram.
De onde veio a arma?
Foi suicídio ou um suicídio falso?
Que tipo de problema um graduado em história de origens humildes poderia ter?
Por que tal método de suicídio deixaria tão pouco sangue? Foi porque transmigrei na hora certa e isso veio com benefícios de cura?
Depois de pensar por um momento, Zhou Mingrui trocou sua camisa par uma limpa de linho. Ele sentou-se na cadeira e começou a ponderar sobre assuntos mais importantes.
A experiência de Klein não era algo que ele precisava se preocupar. O verdadeiro problema era descobrir o motivo de sua transmigração e se ele poderia voltar!
Seus pais, parentes, melhores amigos e colegas. O mundo fascinante da internet e todos os tipos de deliciosas iguarias… Estas eram as razões para sua vontade de voltar!
Clic. Clic. Clic…
A mão direita de Zhou Mingrui estava subconscientemente puxando o cilindro do revólver e batendo de novo no lugar, repetidamente.
Sim, não há muita diferença para mim entre este período de tempo e o passado. Eu fui apenas um pouco azarado, mas por que iria transmigrar sem nenhuma razão?
Má sorte… Sim, eu até mesmo tentei fazer um ritual para melhorar a sorte hoje antes do jantar!
Um pensamento surgiu na mente de Zhou Mingrui, iluminando as memórias que estavam escondidas por uma névoa de confusão.
Sendo um sabichão qualificado de política, de história, economia, biologia e até mesmo folclore, ele sempre se considerou como “conhecedor de um pouco de tudo”. É claro que seu melhor amigo muitas vezes zombava dele como “sabe-tudo, especialista de nada”.
E uma das coisas que Zhou Mingrui conhecia era adivinhação chinesa.
Quando visitou sua cidade natal ano passado, ele descobriu um livro encadernado à mão intitulado “Adivinhação Quintessencial e Artes Arcanas da Dinastia Qin e Han” em uma antiga livraria. Parecia muito interessante e poderia ajudá-lo nas discussões acaloradas na internet, então ele o comprou. Infelizmente, seu interesse foi de curta duração. A caligrafia vertical usada tornava a experiência de leitura horrível. Tudo o que fez foi folhear as páginas iniciais antes de jogá-lo em um canto.
Ele havia experimentado uma onda de má sorte no último mês, perdendo seu celular, clientes fugindo depois de traí-lo e erros no trabalho. Só então de repente se lembrou do ritual para melhorar a sorte escrito no início da “Adivinhação Quintessencial e Artes Arcanas”. Além disso, os requisitos eram extremamente simples, nada muito requintado.
Tudo o que precisava era pegar quatro porções de alimentos básicos e colocá-las nos quatro cantos do seu quarto, podendo ser colocados em móveis como mesas e armários. Então, de pé no meio da sala, ele teria que dar quatro passos no sentido anti-horário, formando um “quadrado”. O primeiro passo exigia que entoasse com sinceridade “Bênçãos Originárias do Senhor Imortal do Céu e da Terra”. O segundo passo, entoar silenciosamente “Bênçãos Originárias do Senhor do Paraíso do Céu e da Terra”. O terceiro passo era entoar “Bênçãos Originárias do Exaltado Soberano do Céu e da Terra”, e o quarto passo entoar “Bênçãos Originárias do Celestial Digno do Céu e da Terra”. Depois dos quatro passos, ele precisava fechar os olhos e esperar cinco minutos em seu local original. Só então o ritual seria considerado completo.
Como não lhe custava nada, ele encontrou o livro, seguiu o que estava estipulado e o fez antes do jantar. No entanto… nada aconteceu.
Quem teria imaginado que ele iria realmente transmigrar no meio da noite!
Transmigração!
Há uma possibilidade distinta de que seja devido a esse ritual de melhoria da sorte… Sim, eu deveria tentar aqui amanhã. Se for realmente por causa disso, tenho uma chance de transmigrar de volta! — Zhou Mingrui parou de girar o cilindro do revólver e subitamente se sentou.
Independentemente, ele tinha que tentar!
Ele tinha que tentar uma Ave Maria!
Capítulo 3
Capítulo 3 – Melissa
Depois de confirmar seu plano, Zhou Mingrui imediatamente sentiu que tinha uma muleta mental. Seu medo e desconforto foram todos varridos para um canto de sua mente.
Só então ele teve vontade de estudar cuidadosamente os fragmentos de memória de Klein.
Zhou Mingrui se levantou como de hábito antes de desligar a válvula do tubo. Ele viu a lâmpada da parede gradualmente escurecer até a chama se apagar antes de se sentar novamente. Enquanto subconscientemente mexia no cilindro de bronze do revólver, ele pressionou o lado da cabeça, lentamente recordando suas memórias na escuridão tingida de vermelho, como se fosse o espectador mais atento de um cinema.
Talvez como resultado de uma bala ter passado por sua cabeça, as memórias de Klein eram como vidro estilhaçado; além de não serem contíguas, havia muitos pontos que estavam claramente faltando. Por exemplo, memórias referentes a como o revólver requintado apareceu em sua posse, se ele tinha cometido suicídio, ou foi morto, bem como o significado das palavras “Todos vão morrer, inclusive eu” no caderno, ou se participou em algo estranho dois dias antes do incidente.
Não só estas memórias em particular se fragmentaram, como também faltavam pedaços. Era o mesmo até para o conhecimento que ele deveria saber. À luz da situação atual, Zhou Mingrui acreditava que se Klein retornasse à universidade, era improvável que ele pudesse se graduar. Isso apesar de ele ter saído do campus há poucos dias sem relaxar nem um pouco.
Ele precisa participar da entrevista do Departamento de História da Universidade de Tingen em dois dias…
Os graduados do Reino Loen não têm a tradição de ficar em sua alma mater… Seu mentor havia lhe dado uma carta de recomendação para a Universidade de Tingen e a Universidade de Backlund…
Através da janela, Zhou Mingrui observou silenciosamente o pôr da lua vermelha ao oeste. A descida gradual da lua continuou até que uma luz fraca brilhou do leste, tingindo o horizonte de dourado.
Naquele momento, houve uma comoção dentro do apartamento. Logo, som de passos se aproximou de sua porta.
Melissa já acordou… pontual como sempre. — Zhou Mingrui sorriu. Devido às memórias de Klein, ver Melissa o fez sentir como se ela fosse realmente sua irmã mais nova.
No entanto, não tenho uma irmã mais nova… — ele imediatamente se contradisse.
Melissa era diferente de Benson e Klein. Sua educação rudimentar não havia sido concluída nas aulas da escola dominical oferecidas pela Igreja da Deusa da Noite Eterna. Quando ela chegou à idade escolar, o Reino Loen havia decretado a “Lei de Educação Básica”. Um Comitê de Educação Primária e Secundária foi estabelecido, e especialmente provido de fundos, aumentando o investimento do reino em educação.
Em menos de três anos, sob a premissa de que numerosas escolas da Igreja seriam incorporadas, muitas escolas primárias públicas foram estabelecidas para manter estritamente o princípio da neutralidade religiosa. Isto foi feito para evitar que a educação se envolvesse nos conflitos entre o Senhor das Tempestades, Deusa da Noite Eterna, e o Deus do Vapor e da Maquinaria.
Em comparação com a escola dominical que custava apenas um centavo de cobre por semana, o custo de três centavos por semana de uma escola primária pública parecia bastante caro. No entanto, a primeira só oferecia aulas aos domingos, enquanto a segunda oferecia aulas seis dias por semana. Em conclusão, o preço era tão baixo que era quase de graça.
Melissa era diferente da maioria das garotas. Desde jovem, ela gostava de coisas como engrenagens, molas e rolamentos. Sua ambição era ser uma mecânica de vapor.
Tendo sofrido com a falta de cultura, Benson, que conhecia a importância da educação, apoiou os sonhos de sua irmã, assim como apoiou a educação universitária de Klein. Afinal, a Escola Técnica de Tingen oferecia o ensino médio. Não havia necessidade de ela frequentar a escola de idiomas ou uma escola pública para mais conhecimento.
Em julho do ano passado, Melissa, com quinze anos, passou nos exames de admissão e realizou o seu sonho de se tornar estudante no departamento de máquinas a vapor da Escola Técnica de Tingen. Como tal, suas taxas escolares semanais aumentaram para nove centavos.
Enquanto isso, a empresa de Benson foi afetada pela situação no Continente Sul. Houve uma queda drástica tanto no lucro como nas transações comerciais. Mais de um terço dos empregados foram demitidos. A fim de manter seu emprego e manter seu sustento, Benson só podia aceitar tarefas mais árduas. Ele teve que fazer mais horas extras ou ir para lugares com ambientes de trabalho mais árduos. Era com isso que estava ocupado nos últimos dias.
Não era que Klein não pensasse em ajudar a compartilhar o fardo de seu irmão mais velho, mas tendo nascido como um plebeu e admitido em uma escola de idiomas comum, ele sentia um forte senso de inadequação quando se matriculou na universidade. Por exemplo, como a origem de todas as línguas no Continente Norte, o antigo idioma Feysac era algo que todos os filhos de nobres e da classe rica aprendiam desde jovem. Em contraste, ele só teve o primeiro contato com ela na universidade.
Klein enfrentou muitos aspectos semelhantes durante sua carreira escolar. Ele dava quase tudo de si e muitas vezes ficava acordado até tarde da noite, mesmo acordando cedo, antes de conseguir alcançar os outros, o que, eventualmente, permitiu que ele se formasse com resultados medianos.
As memórias sobre seu irmão mais velho e irmã mais nova permaneceram ativas na mente de Zhou Mingrui até que ele girou a maçaneta. Só então acordou e lembrou-se que segurava um revólver na mão.
Era um item semi-regulado!
Iria assustá-la!
E ainda há a ferida na minha cabeça!
Com Melissa chegando a qualquer momento, Zhou Mingrui pressionou sua têmpora e rapidamente abriu uma gaveta da escrivaninha e jogou o revólver dentro antes de fechá-la
— O que aconteceu? — Melissa olhou curiosamente quando ouviu a comoção.
Ela ainda estava no auge da sua juventude. Mesmo que não se alimentasse de muitos alimentos nutritivos, tornando seu rosto magro e ligeiramente pálido, a pele de Melissa permanecia brilhante enquanto exalava as vibrações de uma jovem garota.
Quando Zhou Mingrui viu os olhos castanhos de sua irmã fitando-o, ele se recompôs à força e pegou um item ao lado de sua mão antes de calmamente fechar a gaveta para esconder a existência do revólver. Ele colocou sua outra mão em sua têmpora, a textura confirmando que sua ferida já estava curada!
Ele pegou um relógio de bolso de folhas de videira de prata e pressionou a parte de cima suavemente, fazendo com que a tampa se abrisse.
Era uma fotografia do pai dos três irmãos. Era o item mais valioso que o sargento do Exército Real deixou para trás, mas sendo um item de segunda mão, costumava falhar de vez em quando nos últimos anos, mesmo sendo levado a um relojoeiro para consertá-lo. Havia envergonhado Benson, que gostava de carregá-lo para elevar seu status, muitas vezes, então foi deixado em casa no final.
Tinha que ser dito que talvez Melissa tivesse talento em maquinaria. Depois de entender os princípios por trás do relógio, ela pegou emprestadas as ferramentas de sua Escola Técnica para brincar com o relógio de bolso. Recentemente, ela até alegou tê-lo consertado!
Zhou Mingrui olhou para a tampa aberta do relógio e viu que o segundo ponteiro não estava se movendo. Subconscientemente, ele girou o marcador superior para dar corda no relógio de bolso.
No entanto, apesar de rodar algumas vezes, ele não ouviu o som de molas tensas. O segundo ponteiro permaneceu imóvel.
— Parece que está quebrado novamente — ele olhou para sua irmã enquanto tentava encontrar um tópico de conversa.
Melissa lançou-lhe um olhar inexpressivo e rapidamente se aproximou para pegar o relógio.
Ela ficou em seu lugar e puxou o botão no topo do relógio. Com alguns giros simples, o tique-taque do ponteiro dos segundos soou.
Puxar o botão não é para ajustar a hora… — Zhou Mingrui ficou imediatamente atônito.
Naquele momento, um sino soou de uma catedral distante. Soou seis vezes, parecendo distante e etéreo.
Melissa inclinou a cabeça para ouvi-lo e puxou o botão novamente. Depois disso, ela o virou para sincronizar a hora.
— Está tudo certo agora — disse sem emoção. Ela então apertou o botão de cima e devolveu o relógio de bolso a Zhou Mingrui.
Zhou Mingrui retribuiu com um sorriso educado, embaraçado.
Melissa deu a seu irmão mais velho um olhar penetrante antes de se virar para ir até o armário. Pegou seus artigos de higiene e uma toalha antes de abrir a porta e sair, se dirigindo ao banheiro comunitário.
Por que sua expressão tinha um ar de depreciação e resignação?
É um olhar de amor e preocupação por um irmão retardado?
Zhou Mingrui abaixou a cabeça e riu. Fechou a tampa do relógio de bolso com um clique antes de abri-lo novamente.
Ele repetiu esta ação enquanto seus pensamentos ociosos focavam em uma questão.
Klein cometeu suicídio sem silenciador. Bem, vou considerar isso como suicídio por enquanto. Seu suicídio deveria ter causado uma grande comoção. No entanto, Melissa, que estava apenas a uma parede de distância, não percebeu nada.
Estava dormindo muito profundamente? Ou o suicídio do Klein está envolto em mistério, para começar?
Click! O relógio de bolso abriu. Clack! O relógio de bolso fechou… Melissa retornou do banheiro e viu o ato subconsciente de seu irmão constantemente abrindo e fechando o relógio de bolso.
Seu olhar estava mais uma vez vidrado com exasperação quando ela disse com uma voz doce:
— Klein, pegue todo o pão restante, lembre-se de comprar uns frescos hoje. Compre também carne e ervilhas. Sua entrevista é em breve, eu vou fazer carne de carneiro estufado com ervilhas para você.
Enquanto falava, ela foi até um fogão que estava em um canto. Com carvão, ferveu uma panela de água quente.
Antes da água ferver, ela abriu a gaveta mais baixa do armário e tirou o que parecia um tesouro: uma lata de folhas de chá barato. Jogou cerca de dez folhas na panela e fingiu que era chá de verdade.
Melissa serviu duas xícaras de chá enquanto compartilhava dois pedaços de pão de centeio com Zhou Mingrui, tomando chá.
Não há serragem ou glúten excessivo misturado, mas não é apetecível… — Zhou Mingrui ainda se sentia fraco e faminto. Se esforçou para engolir o pão com o chá enquanto se queixava interiormente.
Melissa terminou de comer após alguns minutos. Depois de ajeitar o cabelo preto que cobria o colete, olhou para Zhou Mingrui e disse:
— Lembre-se de comprar pão fresco. Só precisamos de 8 libras. O tempo está quente, então o pão vai estragar rapidamente. Além disso, compre a carne de carneiro e as ervilhas. Não se esqueça de comprá-los!
Na verdade, ela estava demonstrando preocupação por seu irmão lento. Teve até que repetir para enfatizar outra vez… — Zhou Mingrui acenou com um sorriso.
— Tudo bem.
Em relação à libra do Reino Loen, Zhou Mingrui combinou a memória de Klein com a dele. Acreditava que era quase meio quilo do que estava acostumado.
Melissa não disse mais nada. Se levantou e arrumou a mesa. Depois de guardar o último pedaço de pão para o almoço, vestiu um véu esfarrapado que sua mãe deixou para trás, pegou uma sacola costurada à mão para carregar seus livros e outros materiais escolares e se preparou para sair.
Não era domingo, então tinha um dia inteiro de aulas para assistir.
A caminhada de seu apartamento até a Escola Técnica de Tingen levava cerca de 50 minutos. Havia carruagens públicas que custavam um centavo por quilômetro com um limite de quatro centavos na cidade e seis centavos na periferia da cidade, mas, a fim de economizar, Melissa saía mais cedo e caminhava até a escola.
Momentos depois de abrir a porta principal, ela parou seus passos e virou seu corpo a meio caminho, dizendo:
— Klein, não compre muita carne ou ervilhas. Benson pode voltar no domingo. Ah, e lembre-se de que precisamos apenas de oito libras de pão.
— Tudo bem. Claro — respondeu Zhou Mingrui exasperado.
Simultaneamente, repetiu a palavra “domingo” algumas vezes em sua cabeça.
No Continente Norte, um ano era similarmente dividido em doze meses. Todos os anos, havia 365 ou 366 dias. Uma semana era similarmente dividida em sete dias.
A divisão de meses foi o resultado de observações astronômicas. Isso fez Zhou Mingrui suspeitar se ele estava em um mundo paralelo. Quanto à divisão dos dias, um resultado de religião. Isto porque o Continente Norte tinha sete deuses ortodoxos: o Eterno Sol Ardente, o Senhor das Tempestades, o Deus do Conhecimento e da Sabedoria, a Deusa da Noite Eterna, a Mãe Terra, o Deus da Guerra, e o Deus do Vapor e da Maquinaria.
Observando sua irmã fechar a porta e sair, Zhou Mingrui de repente suspirou. Logo, seus pensamentos se concentraram no ritual de aprimoramento de sorte.
Desculpe, mas eu realmente gostaria de voltar para casa…
Capítulo 4
Capítulo 4 – Adivinhação
Voltando novamente à sua cadeira, ele ouviu os sinos da distante Catedral novamente. Ele tocou sete vezes antes de Zhou Mingrui se levantar sem pressa. Ele então foi até o armário e pegou suas roupas.
Um colete preto com um terno combinando, calças que se agarravam firmemente às suas pernas, uma meia cartola e seu leve ar acadêmico fizeram Zhou Mingrui sentir como se estivesse assistindo a um drama inglês ambientado na era vitoriana.
Ele de repente murmurou suavemente enquanto balançava a cabeça com um sorriso irônico:
— Eu não vou para uma entrevista. Tudo o que vou fazer é comprar alguns ingredientes para preparar o meu ritual de melhoria de sorte…
Klein estava tão preocupado com a sua iminente entrevista que se tornou instinto: quando não estava focado o suficiente, ele habitualmente usava seu único conjunto decente de roupas.
Depois de respirar, Zhou Mingrui tirou o terno e o colete, mudando para um casaco amarelo-acastanhado. Também mudou para um chapéu de feltro com uma borda arredondada da mesma cor.
Com sua roupa pronta, ele caminhou para o lado da cama e levantou uma almofada quadrada. Enfiou a mão em um buraco imperceptível por baixo e remexeu antes de encontrar uma camada intermediária.
Quando retirou sua mão, havia um rolo de notas em sua palma. Havia cerca de oito notas de cor verde-escuro.
Estas eram todas as economias que Benson tinha no momento. Incluía até as despesas dos próximos três dias. Duas delas eram notas de cinco soli e as restantes eram notas de um soli.
No sistema monetário do Reino Loen, soli fica em segundo lugar, originava-se de antigas moedas de prata. Um soli era equivalente a doze centavos de cobre. Elas tinham denominações de um e cinco soli.
No topo do sistema monetário estava a libra de ouro. Elas também eram baseadas em papel, mas eram garantidos por ouro e fixados diretamente. Uma libra de ouro era equivalente a vinte soli. Elas tinham denominações de um, cinco e dez libras de ouro.
Zhou Mingrui abriu uma nota e sentiu o cheiro fraco e distinto da tinta.
Este era o cheiro de dinheiro.
Talvez como resultado dos fragmentos de memória de Klein ou seu desejo constante por dinheiro, Zhou Mingrui sentiu-se imediatamente apaixonado por essas notas.
Veja, seus desenhos são tão lindos. Faz com que o severo e antiquado George III e seus dois bigodes pareçam especialmente adoráveis…
Olhe só, a marca d’água que pode ser vista quando a nota é colocada contra a luz do sol é tão atraente. O design requintado para o rótulo anti-falsificação faz com que seja completamente diferente daquelas cópias falsas e malfeitas!
Zhou Mingrui admirou as notas por quase um minuto antes de retirar duas notas de um soli. Enrolou então as notas restantes e as colocou de volta na camada escondida da almofada.
Depois de ajeitar e achatar o pano em volta do buraco, Zhou Mingrui dobrou as duas notas que havia pego com cuidado e colocou-as no bolso esquerdo do paletó amarelo-acastanhado. Ele separou as notas das poucas moedas que tinha no bolso da calça.
Com tudo isso feito, colocou uma chave em seu bolso direito e trouxe um saco de papel castanho escuro junto com ele e rapidamente caminhou em direção à porta.
Seus passos embaralhados desaceleraram até que ele finalmente parou.
Zhou Mingrui estava ao lado da porta e não tinha certeza de quando havia começado a franzir a testa.
O suicídio de Klein estava repleto de peculiaridades. Encontraria algum “acidente” se saísse assim?
Depois de pensar profundamente, Zhou Mingrui voltou para sua mesa e abriu a gaveta. Tirou então o cintilante revólver de bronze.
Esta era a única arma defensiva que podia achar, e era a única arma com poder suficiente!
Embora ele nunca tivesse atirado antes com uma arma, apenas puxar um revólver com certeza iria assustar qualquer um!
Ele acariciou o metal frio do revólver antes de colocá-lo no bolso onde estavam as notas. Ele segurou o dinheiro na palma da mão enquanto seus dedos pressionavam o punho da arma. Estava perfeitamente escondido.
Sentindo-se seguro, ele, que sabia um pouco de tudo, de repente teve uma preocupação.
E se eu acabar atirando sem querer?
Sendo inundado por tal pensamento, Zhou Mingrui rapidamente pensou em uma solução. Ele sacou o revólver e soltou o tambor. Ele então alinhou a câmara vazia que foi o resultado do “suicídio” ao longo da orelha do cão antes de fechá-lo.
Dessa forma, mesmo que houvesse um disparo, ele descarregaria um cartucho vazio!
Depois de colocar o revólver de volta em seu bolso, Zhou Mingrui manteve a mão esquerda ali.
Ele pressionou o chapéu com a mão direita e abriu a porta antes de sair.
O corredor durante o dia permanecia escuro porque a luz do sol brilhava da janela situada no final do corredor. Zhou Mingrui rapidamente desceu as escadas e saiu do apartamento antes de contemplar o brilho e o calor do sol.
Embora fosse quase julho, ainda era considerado o meio do verão. No entanto, Tingen estava situada ao norte do Reino Loen, por isso tinha características climáticas únicas. A temperatura anual mais alta não chegava a 30 °C na terra, com manhãs ainda mais frias. No entanto, as ruas estavam cheias de água suja e lixo espalhado. Das memórias de Klein, esta não era uma visão rara em comunidades de baixa renda, mesmo que houvesse esgotos. Afinal, havia muita gente e as pessoas precisavam sobreviver.
— Venha provar o nosso delicioso peixe assado!!
— Sopa de ostra quente e fresca. Beba uma tigela de manhã e sinta-se revigorado o dia todo!
— Peixe fresco do porto por apenas cinco centavos cada!
— Muffins e sopa de enguia são a combinação perfeita!
— Concha! Concha! Concha!
— Vegetais recém colhidos de fazendas fora da cidade. Barato e fresco!
Os vendedores ambulantes que vendiam vegetais, frutas e comida gritavam ao longo das ruas enquanto acenavam aos pedestres apressados. Alguns deles paravam e examinavam cuidadosamente antes de comprar. Outros acenavam com impaciência enquanto ainda não tinham trabalho para o dia.
Zhou Mingrui tomou uma lufada de ar que misturava aromas nocivos e perfumados. Enquanto apertava firmemente o revólver na mão esquerda, ele segurou as notas com força. Ele pressionou o chapéu com a mão direita enquanto passava pela rua movimentada, curvando-se um pouco.
Estava destinado a haver ladrões em áreas povoadas. Além disso, nesta rua não faltava cidadãos pobres que trabalhavam meio período depois de terem perdido seus empregos anteriores. Havia também crianças famintas que eram exploradas por adultos para trabalhar.
Ele prosseguiu até chegar a um ponto em que a aglomeração em torno dele voltava ao normal. Endireitando as costas, ele levantou a cabeça para olhar pela rua.
Havia um acordeonista vagabundo fazendo uma apresentação. A melodia às vezes era agradável, às vezes fervorosa.
Ao seu lado havia várias crianças em roupas esfarrapadas, com pele pálida devido à desnutrição.
Eles ouviam a música e seguiam o ritmo, dançando coreografias feitas por eles mesmos. Seus rostos estavam cheios de alegria como se fossem um príncipe ou um anjo.
Uma mulher impassível passou, sua saia suja e sua pele sem brilho.
Seu olhar parecia aborrecido e lento. Somente quando ela olhou para o bando de crianças, um brilho fraco passou de relance em seu rosto. Era como se ela tivesse se visto há três décadas.
Zhou Mingrui ultrapassou-a e virou em outra rua antes de parar na Padaria Smyrin.
A dona da padaria era uma avó de mais de setenta anos chamada Wendy Smyrin. Seu cabelo era completamente branco-acinzentado e ela sempre tinha um sorriso cordial. Desde o início das memórias de Klein ela estava aqui a vender pão e doces.
Ah, os biscoitos Tingen e os bolos de limão que ela assa são muito deliciosos…
Zhou Mingrui engoliu um bocado de saliva e sorriu.
— Sra. Smyrin, oito libras de pão de centeio.
— Oh. Caro Klein, onde está Benson? Ele não voltou? — perguntou Wendy sorrindo.
— Mais alguns dias — respondeu vagamente Zhou Mingrui.
Quando Wendy pegou o pão de centeio, ela suspirou e disse:
— Ele com certeza é um rapaz trabalhador. Terá uma boa esposa.
Ao dizer isso, os cantos de seus lábios curvaram quando ela disse brincando:
— Mas tudo está bem agora. Você já se formou, agora é um graduado em história pela Universidade de Khoy… Ah, você logo poderá ganhar dinheiro. Vocês não deveriam ficar no apartamento em que estavam morando… no mínimo, deveriam ter um banheiro que podem chamar de seu.
— Sra. Smyrin, você parece ser uma mulher jovem e enérgica hoje — tudo o que Zhou Mingrui pôde fazer foi responder com um sorriso seco.
Se Klein fosse passar com sucesso em sua entrevista e se tornasse professor na Universidade de Tingen, era verdade que sua família seria imediatamente elevada para um status socioeconômico mais alto!
Em seus fragmentos de memória, ele, certa vez, havia imaginado alugar um bangalô nos subúrbios. Haveria cinco ou seis quartos, dois banheiros, uma enorme varanda no andar de cima, dois quartos, uma sala de jantar, uma sala de estar, uma cozinha, um banheiro e um depósito subterrâneo no primeiro andar.
Não era um sonho desejoso. Até mesmo um professor em experiência da Universidade de Tingen teria um salário semanal de duas libras de ouro. Após o período probatório, o salário seria aumentado para três libras e dez soli. Tendo em mente que, apesar de trabalhar por tantos anos, Benson, irmão de Klein, só tinha um salário semanal de uma libra e dez soli. Os trabalhadores comuns de uma fábrica nem sequer recebiam uma libra, na melhor das hipóteses recebiam só um pouco mais que isso. E o aluguel de um bangalô era cerca de dezenove soli a uma libra e dezoito soli.
— Esta é a diferença entre ganhar de três a quatro mil yuan e ganhar de quatorze a quinze mil yuan por mês… — murmurou Zhou Mingrui para si mesmo.
No entanto, tudo isso era sob a premissa de que ele passaria na entrevista da Universidade de Tingen ou da Universidade de Backlund.
Não havia muitas outras oportunidades. Pessoas sem conexões não conseguiam obter recomendações para se tornarem funcionários públicos. E aqueles que estudaram história eram mais limitados em oportunidades de trabalho. Não havia muita demanda por consultores privados de aristocratas, bancos ou magnatas industriais.
Levando em conta que o conhecimento que Klein compreendia era fragmentado e incompleto, Zhou Mingrui se sentiu desconfortável e culpado pelas expectativas que a Sra. Smyrin tinha por ele.
— Não, eu sempre fui jovem — respondeu Wendy, bem humorada.
Enquanto falava, empacotou os dezesseis pães de centeio que havia pesado no saco de papel pardo que Zhou Mingrui trouxe consigo. Estendendo a mão direita, ela disse:
— Nove centavos.
Cada pão de centeio pesava cerca de meia libra, já que diferenças eram inevitáveis.
— Nove centavos? Não era onze centavos há dois dias? — pensou Zhou Mingrui subconscientemente.
Custava 15 centavos dois meses atrás.
— Devia agradecer às pessoas que protestaram nas ruas pela revogação do “Ato de grãos”. — disse Wendy enquanto dava de ombros.
Zhou Mingrui acenou com a cabeça em vago reconhecimento. As memórias de Klein sobre isso estavam incompletas. Tudo o que lembrou foi que o princípio fundamental da Lei de Grãos era proteger os preços dos produtos agrícolas domésticos. Uma vez que os preços subiram para um certo nível, as importações de grãos de países do sul como Feynapotter, Masin e Lenburg foram interrompidas.
Por que as pessoas protestariam contra o ato?
Sem dizer muito, Zhou Mingrui, com medo de acabar puxando o revólver, cuidadosamente pegou suas notas e entregou uma delas para a Sra. Smyrin.
Recebeu três moedas de um centavo em troca. Colocando-as no bolso da calça, pegou o saco de papel que continha o pão e dirigiuse ao mercado “Alface e Carnes”, do outro lado da rua. Ele estava trabalhando duro para a carne de carneiro estufada com ervilhas que sua irmã havia exortado.
Havia uma praça municipal no cruzamento da rua Cruz de Ferro com a rua Narciso. Muitas barracas foram erguidas ali, e palhaços vestidos com trajes estranhos e engraçados distribuíam panfletos.
— Há uma performance de circo amanhã à noite? — Zhou Mingrui olhou para os panfletos na mão de algumas pessoas enquanto lia seu conteúdo em voz baixa.
Melissa definitivamente gostaria de ir. No entanto, quanto é a taxa de entrada?
Com esse pensamento, Zhou Mingrui se aproximou.
Quando estava prestes a perguntar a um palhaço com um rosto pintado de vermelho e amarelo, a voz rouca de uma mulher soou ao seu lado.
— Gostaria de tentar uma divinação?
Zhou Mingrui subconscientemente virou a cabeça e viu uma mulher usando um chapéu pontudo e um longo vestido preto em frente a uma pequena tenda.
Seu rosto estava manchado de tinta vermelha e amarela e seus olhos eram de um profundo azul-acinzentado.
— Não — Zhou Mingrui balançou a cabeça em resposta. Ele não tinha dinheiro sobrando para divinação.
A mulher riu e disse:
— Minha divinação de tarô é muito precisa.
— Tarô… — Zhou Mingrui ficou instantaneamente perplexo.
Essa pronúncia era quase idêntica às cartas de tarô da Terra!
E cartas de tarô da Terra eram um conjunto de cartas usadas para divinação. As cartas tinham gráficos que representavam diferentes presságios.
Espere… — de repente, ele lembrou as origens da divinação de tarô neste mundo.
Não se originou dos sete deuses ortodoxos nem foi um legado antigo. Em vez disso, foi criado pelo cônsul da República Intis daquela época, Roselle Gustav, há mais de 170 anos.
Este Sr. Roselle inventou a máquina a vapor, melhorou o barco à vela, derrubou o governo imperial do Reino Intis e foi reconhecido pelo Deus das Artes. Ele também se tornou o Primeiro Cônsul da República Intis.
Mais tarde, ele invadiu outras nações e colocou Lenburg e outras nações sob sua proteção. Fez o Reino Loen, Feynapotter, Império Feysac e outras poderosas nações do Continente Norte curvaremse à República Intis. Depois disso, a república foi então transformada em um império e ele se tornou o auto-proclamado “Imperador César”.
Foi durante o reinado de Roselle que a Igreja das Artes recebeu sua primeira revelação pública desde a Quinta Época. Desde então, o Deus das Artes foi mudado para Deus do Vapor e da Maquinaria.
Roselle também inventou a divinação de tarô. Estabeleceu o sistema contemporâneo de cartas baseadas em papel e seus estilos de jogo. Havia muitos estilos com os quais Zhou Mingrui estava familiarizado, como Upgrade, Guerra contra o Proprietário, Pôquer de Texas e Quint…
Além disso, as frotas marinhas que ele enviou descobriram uma rota marítima que levou ao Continente Sul através de mares tempestuosos e turbulentos. Isto também deu início à era do colonialismo.
Infelizmente, foi traído na velhice. No ano de 1198 da Quinta Época, ele foi assassinado pelas forças combinadas da Igreja do Eterno Sol Ardente, a antiga família real Intis, a família Sauron, e outros aristocratas. Ele eventualmente morreu no Palácio de Bordo Branco.
Isso é… — relembrar esse conhecimento geral de repente o deixou atônito.
Será que Roselle era um transmigrador?
Com isso em mente, Zhou Mingrui ficou intrigado ao ver como eram as cartas de tarô. Portanto, ele acenou para a mulher de chapéu pontudo com o rosto pintado e disse:
— Se o… bem… se o preço for razoável, eu poderia tentar.
A mulher imediatamente disse com uma risada:
— Senhor, você é o primeiro aqui hoje, então é por conta da casa.
Capítulo 5
Capítulo 5 – Ritual
De graça? Coisas gratuitas custam mais ainda!
Zhou Mingrui silenciosamente resmungou e decidiu que não iria comprar serviços adicionais, quaisquer que fossem. Ele recusaria firmemente todos eles.
Se você é realmente capaz, tente adivinhar que transmigrei aqui!
Com isso em mente, Zhou Mingrui seguiu a mulher cujo rosto estava pintado de vermelho e amarelo, abaixando-se para entrar na tenda.
O interior da tenda era extremamente escuro, iluminado apenas por vários feixes de luz que conseguiam penetrar no interior. Uma mesa coberta com cartas de papel podia ser vagamente vista pela iluminação fraca.
A mulher com o chapéu pontudo não foi nem um pouco afetada por isso. Seu longo vestido preto deslizava como se estivesse se movendo sobre a água enquanto ela se aproximava da mesa. Ela sentou no lado oposto e acendeu uma vela.
A fraca luz amarela cintilou, fazendo com que o interior da tenda parecesse brilhante e escuro ao mesmo tempo, imediatamente adicionando uma sensação muito mais misteriosa à atmosfera.
Zhou Mingrui sentou-se em silêncio, seu olhar passando pelas cartas de tarô sobre a mesa, onde descobriu cartas familiares como “O Mago”, “O Imperador”, “O Enforcado”, “Temperança”, etc.
Poderia Roselle ter sido um “sênior”… Me pergunto se ele também era um compatriota meu… — murmurou Zhou Mingrui para si mesmo.
Antes que ele pudesse terminar de olhar para as cartas abertas na mesa, a mulher que alegava ter divinações precisas já havia estendido as mãos para juntar todas as cartas. Ela as empilhou em um baralho, que empurrou em frente a ele.
— Embaralhe as cartas primeiro e corte o baralho — disse a cartomante do circo em voz baixa.
— Eu? Embaralhar? — perguntou Zhou Mingrui reflexivamente.
A tinta amarela e vermelha no rosto da cartomante contraiu quando ela revelou um leve sorriso, dizendo:
— É claro, o destino de todos só pode ser desvendado por eles mesmos. Eu só sirvo como leitora.
Zhou Mingrui imediatamente questionou-a cautelosamente:
— Esta leitura não requer taxas adicionais, certo?
Como um conhecedor de um pouco de tudo, já vi muitos desses truques!
A cartomante ficou visivelmente surpresa antes de finalmente dizer:
— É de graça.
Zhou Mingrui, aliviado, colocou o revólver ainda mais fundo no bolso. Depois disso, ele calmamente estendeu suas mãos para embaralhar e cortar o baralho habilmente.
— Feito! — ele colocou as cartas de tarô já embaralhadas no meio da mesa.
A cartomante segurou as cartas com ambas as mãos e observou-as cuidadosamente por um tempo. Então, de repente, ela abriu a boca e disse:
— Desculpe, esqueci de perguntar, mas o que você gostaria de saber?
Quando ele estava cortejando seu primeiro amor, Zhou Mingrui também fez pesquisas sobre cartas de tarô. Ele perguntou sem hesitar:
— Passado, presente e futuro.
Este era um tipo de divinação como parte da interpretação das cartas: três cartas, quando abertas sequencialmente, simbolizavam o passado, o presente e o futuro de alguém.
A cartomante assentiu, e em seguida curvou os lábios para revelar um sorriso, dizendo:
— Então, por favor, embaralhe novamente. Você só pode realmente obter as cartas que você quer se você souber o que gostaria de perguntar.
Estava me enganando? Precisa ser tão mesquinha assim? Eu não perguntei algumas vezes se isto seria um serviço gratuito? — as bochechas de Zhou Mingrui se contorceram um pouco. Ele respirou fundo e pegou o baralho de tarô de volta para embaralhá-lo e cortálo.
— Não haverá nenhum problema desta vez, certo? — ele colocou o baralho já cortado de volta na mesa.
— Sem problemas. — a cartomante estendeu os dedos e pegou uma carta do topo do baralho, colocando-a no lado esquerdo de Zhou Mingrui. Sua voz estava ficando cada vez mais baixa enquanto falava:
— Esta carta simboliza o seu passado. Esta carta simboliza o seu presente — a cartomante colocou a segunda carta bem na frente de Zhou Mingrui. Então, pegou a terceira carta e colocou no lado direito de Zhou Mingrui. — Esta carta simboliza o futuro. Muito bem, que carta gostaria de ver primeiro? — a cartomante levantou a cabeça depois de completar a colocação das cartas e olhou profundamente para Zhou Mingrui com seus olhos azul-acinzentados.
— Vou dar uma olhada no “presente” primeiro — disse Zhou Mingrui depois de pensar um pouco.
A cartomante assentiu lentamente e virou a carta de tarô que estava diretamente na frente de Zhou Mingrui.
Um personagem vestido de forma colorida era retratado nesta carta, usando um chapéu esfarrapado com uma bengala por cima do ombro. Havia uma amarra pendurada no final do bastão e um filhote de cachorro seguia atrás dele. Era numerado “0”.
— O Louco — a cartomante leu o nome da carta com os olhos azuis acinzentados fixados em Zhou Mingrui.
O Louco? A carta “0” do tarô? Um começo? Um novo começo com todos os tipos de possibilidades? — Zhou Mingrui nem sequer era considerado um entusiasta amador de tarô, então só podia fazer uma interpretação aproximada baseada em suas próprias impressões das cartas.
Assim que a cartomante estava prestes a dizer alguma coisa, as cortinas de tecido da barraca se abriram de repente. O raio de sol que brilhava era tão ofuscante que fez com que Zhou Mingrui, de costas, instintivamente estreitasse os olhos.
— Por que você está assumindo meu papel de novo?! É meu trabalho lidar com divinações! — a voz de uma mulher rosnou de raiva.
— Volte ao seu posto rapidamente! Deve lembrar que é apenas uma treinadora de animais!
Uma treinadora de animais? — os olhos de Zhou Mingrui já haviam adaptado à luz. Ele viu uma mulher de aparência semelhante que também usava um chapéu pontudo em um vestido preto, com o rosto pintado em vermelho e amarelo. A única diferença era que ela era mais alta e tinha um físico mais magro.
A mulher que estava sentada em frente a ele imediatamente se levantou e disse descontente:
— Não se preocupe, eu apenas gosto de fazer isso. Mas tenho que dizer, minha divinação e interpretação podem ser realmente precisa às vezes. Estou falando sério…
Ela falou e levantou o vestido indo ao redor da mesa antes de sair rapidamente da tenda.
— Senhor, gostaria que eu interpretasse as cartas para você? — a verdadeira cartomante olhou para Zhou Mingrui e perguntou com um sorriso.
Os lábios de Zhou Mingrui se contraíram e ele perguntou com sinceridade:
— É de graça?
— Não — respondeu a verdadeira cartomante.
— Então esquece — Zhou Mingrui puxou as mãos para trás e colocou-as nos bolsos. Ele agarrou seu revólver e dinheiro antes de se abaixar novamente para sair da tenda.
Droga! Eu realmente arranjei uma treinadora de animais para ser minha cartomante?
Uma treinadora de animais que queria ser cartomante… não é uma boa palhaça?
Zhou Mingrui rapidamente deixou este assunto para trás. Ele gastou sete centavos no mercado de “Alface e Carne” por uma libra de carneiro não muito grande. Em seguida, também comprou algumas favas, repolho, cebolas, batatas e outros alimentos. Juntamente com o pão que comprou anteriormente, gastou um total de 25 centavos, que se converteram em dois soli e um centavo.
— Realmente, não há o suficiente para sair gastando. Pobre Benson… — Zhou Mingrui não só gastou as duas notas que havia trazido consigo, mas também foi necessário que ele completasse com o único centavo que tinha em seu bolso.
Ele apenas suspirou e não pensou mais nisso enquanto corria de volta para casa.
Agora com os alimentos, poderia realizar o ritual de aprimoramento de sorte!
Depois que os inquilinos do segundo andar gradualmente saíram, Zhou Mingrui ainda não estava com pressa para realizar o ritual. Em vez disso, ele traduziu as “Bênçãos Originárias do Senhor Imortal do Céu e da Terra” e frases relacionadas para o idioma Feysac antigo, bem como para o idioma Loen. Ele pretendia tentar novamente o ritual no dia seguinte, naqueles idiomas locais, se o encantamento original não tivesse efeito!
Afinal, ele tinha que levar em consideração as diferenças entre os dois mundos. Em Roma, faça como os romanos!
Quanto a traduzi-lo em um antigo ritual que usava o idioma Hermes, Zhou Mingrui teve dificuldade em completá-la devido à sua falta de vocabulário.
Depois de preparar tudo, ele finalmente pegou quatro pães de centeio. Ele colocou um no canto onde o fogão de carvão estava, um no lado inferior do espelho, um no topo do armário onde duas paredes se encontravam, e um no lado direito da mesa de estudo onde vários itens ficavam.
Respirando fundo, Zhou Mingrui chegou ao centro da sala e esperou alguns minutos para se acalmar. Em seguida, deu um passo solene para a frente e andou em sentido anti-horário na forma de um quadrado.
Quando deu o primeiro passo, ele entoou com sinceridade:
— Bênçãos Originárias do Senhor Imortal do Céu e da Terra.
No segundo passo, ele entoou em um sussurro baixo:
— Bênçãos Originárias do Senhor do Paraíso do Céu e da Terra.
No terceiro passo, Zhou Mingrui respirou e sussurrou:
— Bênçãos Originárias do Exaltado do Céu e da Terra.
No quarto passo ele disse, concentrado:
— Bênçãos Originárias do Celestial Digno do Céu e da Terra.
Quando ele voltou para o local original, Zhou Mingrui fechou os olhos e esperou, parado, por um resultado. Ele estava um pouco ansioso, com algum desconforto, um pouquinho de esperança, e com um pouco de medo.
Poderei voltar?
Haverá algum efeito?
Poderia haver alguma situação inesperada?
O desconhecido à sua frente estava contaminado pela luz carmesim de esperança. Os pensamentos de Zhou Mingrui estavam girando em sua cabeça e ele estava achando difícil reprimi-los.
Foi nessa hora que ele sentiu de repente que o ar ao redor parecia parar, tornando-se espesso e misterioso.
Imediatamente depois, um sussurro podia ser ouvido ao lado de suas orelhas, que às vezes soava real, às vezes agudo, às vezes imaginário, às vezes sedutor, às vezes maníaco e às vezes louco.
Ele claramente não entendia o murmúrio contínuo, mas Zhou Mingrui não conseguiu evitar de querer ouvir e distinguir o que estava sendo dito.
Sua cabeça começou a doer novamente, doía tanto que parecia que alguém havia enfiado uma broca de aço nela.
Zhou Mingrui apenas sentiu que sua cabeça ia explodir. Seus pensamentos foram preenchidos por uma psicodelia de cores.
Ele sabia que algo estava errado e tentou abrir os olhos. No entanto, não foi capaz de completar essa ação tão simples.
Seu corpo inteiro estava ficando cada vez mais apertado e parecia que ele poderia quebrar a qualquer momento. Neste instante, um pensamento bem humorado surgiu na mente de Zhou Mingrui.
Se não procurasse a morte, não morreria…
Ele não conseguia mais aguentar. Assim que sua mente estava prestes quebrar, o murmúrio de vozes desapareceu e o ambiente ficou muito quieto, e o clima estava instável.
Não era apenas o clima, Zhou Mingrui sentiu seu próprio corpo passando pelas mesmas sensações.
Ele tentou mais uma vez abrir os olhos, desta vez uma tarefa extremamente fácil.
Uma névoa cinzenta apareceu sobre seus olhos, nebulosa, vaga e interminável.
— O que está acontecendo? — Zhou Mingrui, de repente, olhou à sua volta e, em seguida, abaixou a cabeça para descobrir que ele estava flutuando à beira de um nevoeiro sem fim.
O nevoeiro estava fluindo como água e estava pontilhado com várias “estrelas carmesins”. Algumas eram enormes, enquanto outras eram pequenas; dando a sensação de que elas estavam escondidas nas profundezas, enquanto outras flutuavam sobre a superfície da neblina.
Olhando para a visão aparentemente holográfica, Zhou Mingrui estendeu a mão direita de uma maneira meio confusa e meio exploradora para tentar tocar uma “estrela” que estava aparentemente flutuando na superfície. Ele estava procurando uma maneira de sair deste lugar.
Quando sua mão tocou a superfície daquela estrela, uma marca d’água apareceu de repente de dentro de seu corpo e agitou as estrelas em uma explosão “carmesim”. Parecia o queimar de chamas em um sonho.
Zhou Mingrui se assustou com isso. Ele retraiu a mão direita em pânico, mas acidentalmente tocou em outra estrela carmesim. Como resultado, esta estrela também explodiu com uma luz esplêndida.
Por sua vez, Zhou Mingrui sentiu sua mente vazia e seu espírito se dissipou.
Na capital do Reino Loen, Backlund. Dentro de uma luxuosa vila no distrito real.
Audrey Hall estava sentada em frente a uma cômoda, onde havia um espelho de bronze rachado na superfície.
— Espelho, espelho, desperte… Em nome da família Hall, eu ordeno que você desperte!
…
Ela mudou entre muitos provérbios diferentes, mas não houve reação alguma do espelho.
Depois de mais de 10 minutos, ela finalmente decidiu desistir e fez uma careta. Ela disse, murmurando:
— O pai estava de fato mentindo para mim. Ele sempre me disse que esse espelho era o tesouro do Imperador das Trevas do Império Romano, e que é um item extraordinário…
Sua voz sumiu. O espelho de bronze que repousava sobre a cômoda de repente brilhou com uma luz vermelha que a cobriu completamente.
No Mar Sonia, um veleiro de três mastros, que parecia uma relíquia, navegava através de uma tempestade.
Alger Wilson estava no convés, seu corpo ondulando com as correntes no mar, mantendo o equilíbrio com bastante facilidade.
Ele usava um roupão bordado com desenhos de raios, e em sua mão havia uma garrafa de vidro de formato peculiar. Por vezes, bolhas subiam dentro da garrafa, geada se transformava em neve e, por vezes, sinais de vento forte podiam ser vistos.
— Ainda falta o sangue de Tubarão Fantasma… — murmurou Alger.
Então, neste momento, uma explosão carmesim apareceu no espaço entre a garrafa de vidro e a superfície de sua palma, e, em um instante, também envolveu seus arredores.
No nevoeiro cinzento, Audrey Hall recuperou a visão. Ela começou a avaliar a situação em um estado de horror e confusão quando notou a imagem desfocada de um homem oposto a ela fazendo o mesmo.
Imediatamente depois, ambos descobriram outra pessoa misteriosa não muito longe deles, envolta em uma espessa névoa cinzenta.
A “pessoa misteriosa” era ninguém menos que Zhou Mingrui. Ele estava igualmente perplexo.
— Senhor, onde estamos?
Audrey e Alger ficaram assustados a princípio, silenciando-se no processo. Então, eles imediatamente começaram a falar em uníssono.
— O que está planejando fazer?
Capítulo 6
Capítulo 6 – Beyonder
Não só falavam o mesmo idioma Loen, como também compartilhavam as mesmas vibrações tensas e sombrias.
Onde estou? O que planejo fazer aqui? Também gostaria de saber… — acalmando-se, Zhou Mingrui silenciosamente repetiu as perguntas feitas pelos dois.
O que deixou a mais profunda impressão não foram as frases formadas por palavras nem os significados por trás delas, mas a exibição de perplexidade, vigilância, pânico e reverência do casal!
Por alguma razão desconcertante, duas pessoas foram misteriosamente arrastadas para este mundo, cercado pela névoa cinza como perpetrador. Zhou Mingrui já estava se sentindo anormalmente assustado e surpreso, quanto mais o casal que foi puxado para dentro dessa bagunça de modo passivo!
Para eles, tais eventos e encontros podem já estar além de sua imaginação, certo?
Momentaneamente, Zhou Mingrui pensou em duas opções: a primeira opção era se fingir de vítima para esconder sua verdadeira identidade e, por sua vez, ganhar uma quantidade considerável de confiança. Ele poderia, então, adotar uma abordagem de “esperar para ver” e aproveitar suas circunstâncias, quando necessário. A outra opção era manter sua misteriosa identidade aos olhos do casal. Ele poderia, então, afetar o desenvolvimento subsequente enquanto coletava informações valiosas deles.
Sem o luxo do tempo para deliberar sobre a situação, ele agarrou o pensamento que passou por sua mente. Ele tomou uma decisão imediata para tentar a segunda ideia.
Explore o estado psicológico dos outros para obter a maior vantagem para si mesmo!
Após alguns segundos de silêncio no nevoeiro, Zhou Mingrui riu. Com um tom baixo, mas não pesado, ele calmamente falou como se estivesse respondendo às saudações educadas dos visitantes:
— Uma tentativa.
Uma tentativa… uma tentativa? — Audrey Hall olhou para o sujeito misterioso velado no nevoeiro branco-acinzentado, e o único pensamento foi que o que quer que estivesse acontecendo era absurdo, engraçado, horripilante e estranho.
Ela estava na penteadeira dentro de seu quarto apenas momentos atrás. Mas ao se virar, ela tinha “entrado” neste lugar que estava cheio de névoa cinza!
Inconcebível!
Audrey respirou fundo, revelando um sorriso cortês e impecável. Ela perguntou de um modo um tanto perturbado:
— Senhor, a tentativa acabou? Pode permitir nosso retorno?
Alger Wilson também teve a intenção de sondar Zhou Mingrui de maneira semelhante, mas sua rica experiência o tornou mais imponente. Ele reteve o impulso e assumiu apenas o papel de espectador silencioso.
Zhou Mingrui olhou para quem perguntou. Olhando através da neblina, ele podia ver a silhueta da pessoa em questão. Era uma garota alta de cabelo loiro e liso, mas seu rosto exato não podia ser visto claramente.
Ele não se apressou em responder a pergunta da menina, mas se virou para olhar para o homem. Ele tinha cabelo azul-escuro bagunçado, bem como uma estatura média que não era considerada robusta.
Zhou Mingrui de repente percebeu algo. Quando ele se tornasse mais forte ou tivesse uma compreensão mais profunda do mundo nebuloso, talvez fosse possível ver através do nevoeiro e discernir a garota e o homem.
Nesta situação, eles são os visitantes, e eu, o mestre!
Depois de tomar sua decisão, Zhou Mingrui imediatamente percebeu detalhes que havia negligenciado anteriormente.
A garota com uma voz melodiosa e o homem maduro e reservado pareciam consideravelmente incorpóreos. Assombrados por um fraco vermelho carmesim, eles pareciam uma imagem projetada das duas “estrelas” vermelho-carmesim além da névoa cinza.
Essa projeção baseava-se na conexão entre o vermelho carmesim e ele próprio, uma conexão intangível que só ele poderia apreender de maneira realista.
A projeção desapareceria assim que a conexão fosse cortada, e o casal retornaria… Zhou Mingrui acenou com a cabeça suavemente e olhou para a loira, rindo:
— Claro, se você fizer um pedido formal, você pode retornar neste exato momento.
Quando ela não identificou nenhuma má intenção em seu tom, Audrey soltou um suspiro de alívio. Ela acreditava que, uma vez que um cavalheiro que era capaz de tais coisas milagrosas tinha dado a sua palavra, ele definitivamente iria respeitá-la rigorosamente.
Com a mente um pouco abalada, surpreendentemente não teve pressa em pedir sua saída. Ela revirou seus olhos verde esmeralda, que brilhavam com um brilho anormal, para a esquerda e para a direita.
Ela disse de uma maneira ansiosa, antecipada e tentadora:
— Esta é uma experiência maravilhosa… Sim, sempre esperei que algo assim acontecesse. Quero dizer, eu gosto de mistérios e milagres sobrenaturais. Não, o que quero é, o que quero dizer é que, senhor, o que posso fazer para me tornar um Beyonder?
Ela ficou mais animada enquanto falava, tanto que estava atrapalhada com as palavras. O sonho que brotou nela como resultado de ouvir fantasias emocionantes contadas por seus anciões finalmente viu a possibilidade de se materializar.
No entanto, com apenas algumas palavras, ela já tinha esquecido todos os seus medos e horrores anteriores.
Boa pergunta! Também gostaria de saber a resposta… — Zhou Mingrui reclamou internamente.
Ele começou a refletir sobre uma resposta à pergunta para manter sua imagem insondável.
Ao mesmo tempo, ele sentiu que era muito impróprio para ele falar em pé. Não deveria estar em um palácio, sentado à cabeceira de uma longa mesa, em uma misteriosa cadeira de encosto alto gravada com desenhos antigos, enquanto silenciosamente observava seus visitantes?
Assim que esse pensamento surgiu, a névoa cinzenta começou a se agitar, dando a Audrey e Alger um choque.
Em um instante, eles viram uma série de pilares de pedra ao seu redor. Acima deles havia uma enorme abóbada que os encapsulava.
Todo este edifício parecia magnífico, grandioso e elevado, como um palácio lendário para gigantes.
Diretamente sob a cúpula, onde a neblina cinzenta se juntava, uma longa mesa de bronze apareceu com dez cadeiras altas de ambos os lados em um arranjo simétrico, junto com uma cadeira nas outras duas extremidades da mesa. Brilhava fracamente em vermelho carmesim, desenhando os contornos de estranhas constelações que diferiam da realidade.
Audrey e Alger sentaram-se cara a cara, ao lado do assento de honra.
A menina olhou para os lados e não pôde deixar de murmurar:
— Que fascinante…
É certamente fascinante… — Zhou Mingrui estendeu a mão direita e acariciou um pouco a borda da mesa de bronze, mantendo uma expressão imperturbável.
Alger inspecionou os arredores e, depois de alguns segundos de silêncio, abriu de repente a boca e respondeu à pergunta de Audrey no lugar de Zhou Mingrui:
— Você é de Loen? Se você quiser se tornar um Beyonder, junte-se às igrejas da Deusa da Noite Eterna, do Senhor das Tempestades, ou do Deus do Vapor e da Maquinaria. A maioria de nós não vai encontrar um Beyonder em nossas vidas inteiras. Isso fez com que as igrejas, e até alguns clérigos dentro de algumas das maiores igrejas, suspeitassem o mesmo. Embora seja esse o caso, eu estou certo em dizer que Beyonders ainda existem em cortes, tribunais e agências de execução. Eles ainda estão lutando contra os perigos que crescem no escuro, apenas que seus números são muito menores em comparação com antes e durante os primeiros dias da Idade do Ferro.
Zhou Mingrui ouviu atentamente, mas tentou o seu melhor para se apresentar como se prestasse pouca atenção às palavras de Alger, muito parecido como quando estava ouvindo crianças contando histórias.
Baseando-se no conhecimento geral fragmentado da história de Klein, Zhou Mingrui sabia claramente que a “Idade do Ferro” se referia à época atual, que era a Quinta Época que começou há 1349 anos.
Audrey silenciosamente ouviu Alger terminar sua frase antes de suspirar:
— Senhor, eu sei tudo sobre o que você acabou de dizer. Eu até sei mais do que isso, incluindo os Falcões da Noite, Punidores Mandatados e a Consciência Coletiva das Máquinas, mas eu não quero perder minha liberdade.
Alger deu uma baixa risada, e disse vagamente:
— Não se pode tornar-se um Beyonder sem sacrifícios. Se não considera juntar-se às igrejas e aceitar seus desafios, só pode procurar as famílias reais e os poucos nobres com histórias familiares de mais de mil anos. Se não, você pode confiar em sua sorte e procurar organizações malignas clandestinas.
Audrey estufou as bochechas subconscientemente e olhou em volta, confusa. Depois de confirmar que tanto o “homem misterioso” quanto Alger não notaram seu tique, ela pressionou:
— Não há outras soluções?
Alger ficou em silêncio. Cerca de meio minuto depois, ele se virou para olhar o “homem misterioso”, que estava observando os dois em silêncio.
Percebendo que Zhou Mingrui não tinha planos de fazer qualquer comentário, ele olhou para Audrey e disse com deliberação:
— Eu tenho dois conjuntos de fórmulas de Poção Sequência 9.
Sequência 9? — Zhou Mingrui murmurou para si mesmo.
— Sério? Quais conjuntos? — Audrey sabia claramente o que fórmulas de Poção Sequência 9 significava.
Alger recostou-se ligeiramente e respondeu sem pressa:
— Como sabem, a humanidade só pode depender de poções para se tornarem verdadeiros Beyonders, enquanto os nomes das poções vêm da “Ardósia da Blasfêmia”. Depois de constantes traduções para Jotun, Élfico, Hermes antigo e moderno e Feysac antigo, eles sofreram mudanças para coincidir com o dia e idade daquela época. A essência não está em seus nomes, mas retratam as “características centrais” das poções. Eu tenho uma Poção Sequência 9 chamada “Marinheiro”. Ela permite que você tenha excelentes capacidades de equilíbrio. Mesmo se estivesse em um barco em meio a uma tempestade, você seria capaz de andar livremente como se estivesse em terra. Você também ganhará imensa força e escamas ilusórias sob sua pele, elas permitirão que você nade como um peixe e seja difícil de pegar. Você se moverá agilmente debaixo d’água como animais marinhos. Mesmo sem nenhum equipamento, você será capaz de submergir facilmente debaixo d’água por pelo menos dez minutos.
— Parece ótimo… os “Guardiães dos Mares” do Senhor das Tempestades?
— Foi chamado por esse nome no passado. — disse Alger sem parar. — O segundo conjunto de Poção Sequência 9 é chamado de “Espectador”, embora não tenha certeza de como era chamado no passado. Este conjunto de poções permite que você tenha uma mente excepcionalmente afiada com habilidades observacionais agudas. Acredito que você possa entender o que “Espectador” significa ao assistir óperas e peças de teatro. Assim como um público, os espectadores julgam os “atores” no mundo secular, tendo um vislumbre dos pensamentos reais deles por meio de suas emoções, condutas e mantras.
Neste ponto, Alger enfatizou:
— Deve se lembrar, independentemente de estar em um banquete extravagante ou em uma rua movimentada, os espectadores só podem ser espectadores, e o serão para sempre.
Os olhos de Audrey brilharam enquanto ela ouvia e falou depois de um longo tempo:
— Por quê? Tudo bem, essa é uma pergunta de acompanhamento.
Acho que me apaixonei por esse sentimento, de ser um “espectador”. Como posso obter a fórmula desta poção? O que posso usar para trocá-la?
Alger parecia que já estava preparado quando disse em voz profunda:
— O sangue de Tubarões Fantasmas, pelo menos 100 mililitros.
Audrey, animada, acenou com a cabeça, mas depois perguntou preocupada:
— Se eu conseguir, e estou dizendo se, como eu entrego a você? Como pode me prometer que irá me dar a fórmula da poção em troca do sangue de Tubarão Fantasma, bem como a autenticidade da fórmula?
Alger disse calmamente:
— Vou te dar um endereço. Mandarei a fórmula para você, ou lhe direi diretamente aqui, assim que receber o sangue de Tubarão Fantasma. Quanto às promessas, acho que você e eu podemos nos sentir seguros sob o testemunho do misterioso senhor.
Quando disse isso, Alger olhou para Zhou Mingrui, que estava sentado diretamente no assento de honra, e disse:
— Senhor, o fato de que você nos trouxe aqui mostra que tem uma tremenda força inimaginável para nós. Nenhum de nós ousaria violar uma promessa com você como testemunha.
— Isso mesmo! — os olhos de Audrey brilharam e concordaram com entusiasmo.
De sua perspectiva, o misterioso cavalheiro que tinha habilidades inimagináveis era definitivamente uma testemunha “autoritária”.
Como eu ou o cara em frente a mim poderíamos enganá-lo?! — Audrey se virou e olhou para Zhou Mingrui com sinceridade.
— Senhor, por favor, seja a testemunha da nossa troca.
Naquele momento, ela então percebeu que fora muito indelicada, tendo esquecido dele o tempo todo para fazer uma pergunta em particular. Ela perguntou apressadamente:
— Senhor, como deveríamos nos dirigir a você?
Alger assentiu levemente e repetiu a mesma pergunta com seriedade:
— Senhor, como deveríamos nos dirigir a você?
Zhou Mingrui ficou surpreso. Ele gentilmente bateu os dedos na mesa de bronze. O conteúdo da divinação anterior passou por sua mente de repente.
Recostou-se, retirou a mão direita e cruzou os dez dedos, colocando-os sob o queixo. Ele deu à dupla um leve sorriso.
— Podem me chamar de…
Ao dizer isso, ele parou por um momento, e disse amável e calmamente:
— O Louco.
Capítulo 7 Capítulo 7 – Codinome
— Podem me chamar de O Louco.
A simples resposta logo emanou através do grande salão e se dissipou no nevoeiro. Porém, a voz continuou ressoando nos corações de Audrey e Alger, agitando uma ondulação após a outra.
Eles nunca esperavam por tal designação, mas sentiam que ele merecia tal codinome. Essa designação encarnava perfeitamente sua imagem de alguém misterioso, poderoso e bizarro!
Após alguns segundos de silêncio, Audrey ficou de pé, levantou ligeiramente sua saia e dobrou os joelhos, fazendo uma reverência para Zhou Mingrui.
— Honorável Sr. Louco, você permitiria que eu tomasse a liberdade de pedir que você fosse a testemunha de nosso acordo?
— Sem problema. — a mente de Zhou Mingrui zunia quando ele respondeu de uma maneira que correspondia ao seu status.
— A honra é nossa, sr. Louco. — Alger também se levantou. Ele dobrou levemente as costas com sua palma direita sobre seu peito.
Zhou Mingrui abaixou sua mão direita e sorriu.
— Continuem, vocês dois.
Alger consentiu e sentou-se de volta antes de olhar para Audrey.
— Se você puder obter o sangue de Tubarão Fantasma, consiga alguém para mandá-lo para o Bar Guerreiro & Mar, na rua Pelicano, no Burgo da Rosa Branca do Porto Pritz. Diga para o chefe, Williams, que é o que o “Capitão” quer. Assim que eu confirmar o conteúdo, você vai me passar um endereço para enviar a fórmula da poção ou prefere que eu diga aqui diretamente a você?
Audrey pensou por um momento antes de dizer, com um sorriso:
— Eu vou escolher o meio mais seguro. Vamos fazer isso aqui, embora seja um teste à minha memória.
Uma vez que o sr. Louco aceitou ser testemunha para o acordo, também indicou que haveria uma ‘reunião’ similar na próxima vez. Com isso em mente, ela subitamente virou a cabeça enquanto olhava para Zhou Mingrui com brilho nos olhos. Com um tom de interesse, ela sugeriu:
— Sr. Louco, você se importaria em fazer mais algumas “tentativas” como esta?
Alger escutou sua sugestão com calma, ele também estava tentado por ela. Ele rapidamente repetiu a pergunta:
— Sr. Louco, você não acha tais “reuniões” interessantes? Embora seus poderes excedam nossa imaginação, deve haver certos domínios que você não compreenda nem se destaque. A pessoa à minha frente é obviamente uma jovem dama de nobre estatura. Eu também possuo meu conjunto único de experiências, observações, suportes e recursos. Talvez chegue um dia em que nós dois poderemos ajudá-lo a concluir algo trivial que possa ser inconveniente para você.
Do seu ponto de vista, o fato de ele ter sido puxado para este espaço sem qualquer aviso ou chance de resistir significava que o misterioso sr. Louco estava no controle. Participar das “reuniões” não era necessariamente algo que ele poderia recusar. Portanto, era melhor colher os benefícios desse encontro tanto quanto pudessem para compensar seu estado passivo e desfavorecido.
O trio da longa mesa tinha diferentes origens, recursos, canais de informação e compreensão do domínio místico. Se eles interagissem e desfrutassem de alguma cooperação mesmo que limitada, poderiam produzir efeitos imprevisíveis e imensuráveis!
O acordo de recursos que havia acabado de ser negociado era um exemplo. Outro exemplo seria se ele desejasse matar alguém. Ele poderia facilmente pedir ajuda aos membros do encontro, que não aparentavam estar relacionados com ele tanto superficialmente quanto na realidade. Ele poderia perfeitamente enganar qualquer investigador.
Uma jovem dama de nobre estatura. Meu comportamento e sotaque foram muito óbvios? — Audrey olhou inexpressiva, ligeiramente boquiaberta, mas logo voltou aos seus sentidos e acenou com a cabeça sem qualquer hesitação.
— Sr. Louco, eu acho que é uma ótima sugestão. Desde que estas reuniões se tornem regulares, você pode deixar certas coisas que são inconvenientes para você por nossa conta. Mas é claro que tem que ser algo dentro de nossas capacidades.
Desde o momento que ele escutou a sugestão, Zhou Mingrui já estava avaliando os prós e os contras. Mais reuniões definitivamente permitiriam que ele ganhasse mais conhecimento sobre os segredos dos Beyonders ou de outros mistérios, o que seria um benefício para sua transmigração de volta. Por exemplo, era provável que a fórmula da poção aparecesse na próxima reunião por causa dos “espectadores”. Da mesma forma, a informação que ele ganhou estava destinada a ser útil para sua vida atual.
No entanto, mais reuniões significava que era mais fácil de ser exposto!
De fato, independentemente do mundo, não existe coisas como almoço grátis… — Zhou Mingrui estendeu sua mão direita novamente enquanto batia suavemente com seus dedos na lateral da longa mesa.
Considerando o fato de que ele estava no controle da convocação e demissão dos encontros, qualquer ameaça de exposição estava dentro dos limites de seu controle. Os prós claramente excediam os contras, então Zhou Mingrui rapidamente tomou uma decisão.
Ele parou de bater os dedos na mesa enquanto sorria para os olhares antecipados e perturbados da dupla.
— Sou uma pessoa que gosta de uma troca justa e equivalente. Sua ajuda não ficará sem recompensa. Toda segunda-feira, às três da tarde, tentem seu melhor para estarem sozinhos. Depois de realizar mais algumas tentativas e descobrir certas coisas, talvez vocês possam solicitar uma licença de ausência com antecedência. Vocês não mais precisarão se preocupar em estar no meio de situações inapropriadas.
Esta foi uma forma de concordar com as sugestões de Alger e Audrey.
Audrey acabara de fazer dezessete anos. Tendo sido cuidada por toda sua vida, ela tinha a personalidade de uma jovem garota. Portanto, ela não pôde deixar de cerrar o punho e gradualmente batê-lo na frente de seu peito quando ouviu a resposta de Louco.
Sem esperar que Alger dissesse uma palavra, Audrey disse entusiasmada, seus olhos brilhando:
— Então, devemos escolher também um codinome para nós? Afinal, não podemos usar nossos nomes verdadeiros para conversarmos.
Embora eu possa não ser capaz de enganar o Sr. Louco quanto à minha verdadeira identidade, a pessoa à minha frente apresenta algum perigo. Não posso deixá-lo saber quem eu sou!
— Boa ideia — respondeu Zhou Mingrui de maneira simples e tranquila.
A mente de Audrey imediatamente começou a zunir enquanto ela transmitia seus pensamentos assim que eles vinham para ela.
— Você é o sr. Louco, que é derivado das cartas de tarô. Então, como um “Encontro” fixo a longo prazo, e secreto, deveríamos ser uniformes em nossas designações. Sim, eu também escolherei um nome das cartas de tarô.
Seu tom lentamente se tornou alegre.
— Eu decidi. Minha designação será “Justiça”!
Era uma das vinte e duas cartas de tarô pertencentes aos Arcanos Maiores.
— E você, senhor? — Audrey sorriu atrevidamente para o seu “parceiro” sentado à frente.
Alger franziu levemente a testa antes de relaxa-la novamente.
— O Enforcado.
Era outra carta dos Arcanos Maiores.
— Tudo bem, então podemos ser considerados os membros fundadores do Clube de Tarô! — Audrey foi a primeira a dizer isso alegremente, apenas para olhar com medo para Zhou Mingrui, que estava encoberto pelo nevoeiro: — Pode ser, sr. Louco?
Zhou Mingrui balançou sua cabeça, entretido.
— Vocês podem decidir esses assuntos triviais por si mesmos.
— Obrigada! — Audrey estava claramente empolgada. Depois disso, ela olhou para Alger. — Sr. Enforcado, poderia repetir o endereço mais uma vez? Tenho medo de minha memória falhar.
— Sem problemas — Alger ficou muito satisfeito com a seriedade de Audrey enquanto repetia o endereço mais uma vez.
Depois de repetir silenciosamente para si mesma três vezes, ela disse novamente, animada:
— Ouvi dizer que as cartas de tarô foram inventadas pelo imperador Roselle como um jogo. Na verdade, elas não vêm equipadas com o poder de adivinhar o futuro?
— Não. Na maioria das vezes, a divinação deriva de si mesmo. Todos têm algo de espiritual em si, permitindo-lhes sintonizar com o mundo espiritual e conectar-se a informações sobre si em um nível ainda mais alto. No entanto, as pessoas comuns são incapazes de perceber isso, e muito menos capazes de interpretar os “sinais” que recebem. Esta informação irá apresentar-se com a ajuda de ferramentas divinatórias. Deixe-me dar um simples exemplo, sonhos e intérpretes de sonhos. — disse Alger olhando para Zhou Mingrui e, sem ver nenhuma resposta dele, refutou a hipótese de Audrey: — Cartas de tarô são, na verdade, uma ferramenta desse tipo. Elas usam mais simbolismo e elementos lógicos para nos ajudar a interpretar os sinais de maneira conveniente e precisa.
Embora Zhou Mingrui parecesse indiferente, na verdade ele estava ouvindo atentamente. Foi só nesse momento que sua mente vazia lentamente se tornou pesada, quando sua cabeça começou a sentir uma dor latejante.
— Entendi — Audrey acenou com a cabeça, concordando. Em seguida, ela enfatizou: — Não foi isso que eu quis dizer. Eu não estou duvidando das cartas de tarô, mas ouvi dizer que o Imperador Roselle tinha, na verdade, criado outro conjunto de cartas, secretas e misteriosas. Eles eram cartas de papel que simbolizavam um poder desconhecido em particular. Havia um total de vinte e duas cartas completas por ele. Mais tarde na vida, ele as usou como referencia para criar as vinte e duas cartas de tarô Arcana Maior que são usadas como ferramenta de jogo. Está correto o que eu disse?
Ela olhou para Zhou Mingrui como se estivesse tentando obter uma resposta do misterioso sr. Louco.
Tudo o que Zhou Mingrui fez foi sorrir sem dizer uma única palavra. Ele lançou seu olhar para o Enforcado como se estivesse testandoo.
Alger subconscientemente endireitou as costas e disse em uma voz profunda:
— Isso mesmo. Dizem que o Imperador Roselle viu a Ardósia da Blasfêmia e esse conjunto de cartas contém os profundos mistérios dos vinte e dois caminhos do divino.
— Vinte e dois caminhos do divino… — repetiu Audrey com um tom de saudade.
Naquele momento, a dor de cabeça de Zhou Mingrui se intensificou. Ele sentiu que sua conexão invisível com as estrelas vermelhocarmesin e com o nevoeiro branco-acinzentado estava começando a falhar.
— Muito bem, isso é tudo para a reunião de hoje — disse ele em voz profunda depois de imediatamente tomar a decisão.
— Como quiser — Alger curvou sua cabeça respeitosamente.
— Como quiser — Audrey imitou o Enforcado.
Ela ainda tinha muitas perguntas e pensamentos, logo, estava relutante em terminar tão cedo.
Quando Zhou Mingrui rompeu a conexão, ele disse com um sorriso:
— Vamos esperar ansiosamente pelo próximo encontro.
As “estrelas” brilharam mais uma vez quando a luz vermelhocarmesin recuou como água. Assim que Audrey e Alger ouviram as palavras do Sr. Louco, suas figuras se tornaram um borrão à medida em que se afastavam.
Em um segundo, a “projeção” se quebrou enquanto o nevoeiro restaurou seu silêncio.
Quanto a Zhou Mingrui, ele se sentiu ficando rapidamente pesado. Seus arredores se tornaram fugazes quando seus olhos encontraram a escuridão, antes de se transformar em ofuscante luz do sol.
Ele ainda estava em pé no meio de seu apartamento.
— Foi como um sonho… O que diabos foi esse mundo de nevoeiros… Quem ou que tipo de poder criou os eventos que acabaram de acontecer… — Zhou Mingrui suspirou levemente. Ele ficou completamente confuso enquanto caminhava em direção à mesa de estudos, como se suas pernas estivessem cheias de chumbo.
Ele pegou o relógio de bolso que estava guardado para determinar quanto tempo havia passado.
— O tempo fluiu no mesmo ritmo — Zhou Mingrui fez um julgamento aproximado.
Depois de guardar seu relógio de bolso, ele se viu incapaz de aguentar a lancinante dor de cabeça. Sentou-se na cadeira e baixou a cabeça, usando o polegar esquerdo e o dedo médio para massagear suas têmporas.
Depois de um longo tempo, ele repentinamente soltou um suspiro e disse em mandarim:
— Pelo que parece, não vou poder voltar tão cedo…
Somente os ignorantes podiam ser destemidos. Depois de testemunhar um evento tão fascinante e aprender a situação em relação a Beyonders e ao mundo misterioso, Zhou Mingrui não mais se atreveria a imprudentemente tentar o ritual de melhoria de sorte usando o antigo idioma Feysac ou Loen.
Quem saberia que outros tipos de situações poderiam acontecer? Talvez, seria mais bizarro, horrendo ou até mesmo um inferno!
— No mínimo, eu deveria tentar apenas quando eu possuir profundo domínio do misticismo — pensou Zhou Mingrui, impotente.
Felizmente, a chamada “Reunião” poderia ajudá-lo.
Depois de outro surto de silêncio, ele murmurou para si mesmo com um tom de desgosto, decepção, agonia e angústia:
— A partir deste momento, eu sou Klein.
Klein tentou ao máximo se concentrar novamente em suas soluções e planos de modo a purgar suas emoções negativas.
Talvez ele pudesse aprender a fórmula da poção para “Espectador” secretamente…
A Reunião que acabou de acontecer é de fato fascinante. Pessoas que residem em diferentes lugares do mundo podem reduzir centenas de quilômetros por apenas alguns centímetros e discutir cara a cara enquanto suprem as necessidades uns dos outros. Uh, por falar nisso, isso soa um pouco familiar …
Klein ficou atordoado por alguns segundos antes de romper em gargalhadas. Pressionando contra sua têmpora, ele zombou sob sua respiração, não era uma plataforma de rede social?
Capítulo 8
Capítulo 8 – Uma Nova Era
Whoosh!
O vento uivante acompanhava uma chuva torrencial. O veleiro de três-mastros foi jogado ao redor pelas cristas e vales das ondas que chegavam, como se fosse o brinquedo de um gigante.
O brilho carmesim nos olhos de Alger Wilson desapareceu. Ele ainda estava no convés e nada parecia ter mudado.
Quase imediatamente, a peculiar garrafa de vidro em sua palma quebrou e o gelo se derreteu na chuva. Em segundos, não havia mais vestígios que sugerissem a existência da maravilhosa antiguidade.
Um floco de neve de cristal hexagonal emergiu na palma de sua mão, e então desapareceu rapidamente até que foi aparentemente absorvido pela carne, sumindo. Alger acenou com a cabeça de maneira quase imperceptível, como se estivesse pensando em alguma coisa. Ele permaneceu quieto e em silêncio por um total de cinco minutos.
Ele se virou e foi para a cabine. Quando ele estava prestes a entrar, um homem que usava um roupão semelhante, bordado com desenhos de raios, emergiu de dentro.
Tal pessoa, que tinha cabelos loiros claros, parou e olhou para Alger. Ele segurou o punho direito contra o peito e disse:
— Que a Tempestade esteja com você.
Alger respondeu com as mesmas palavras e gestos. Não havia emoções em seu rosto áspero de estrutura bem definida.
Alger entrou após a saudação e seguiu para a cabine do capitão situada no outro extremo do corredor.
Surpreendentemente, não encontrou nenhum marinheiro no caminho. O lugar todo estava tão quieto quanto um cemitério.
Atrás da porta da cabine do capitão, um tapete marrom macio cobria o chão. Uma estante de livros e uma prateleira de vinhos ocupavam as paredes laterais opostas da sala. Os livros com suas capas amareladas e garrafas de vinho de cor vermelho-escuro pareciam peculiares sob a luz bruxuleante de uma vela.
Sobre a mesa com a vela, havia uma garrafa de tinta, uma pena, um par de telescópio metálico preto e um sextante feito de latão.
Atrás da mesa, havia um homem pálido de meia-idade usando um chapéu de capitão com uma caveira. Quando Alger se aproximou, ele disse ameaçadoramente:
— Eu não vou ceder!
— Eu acredito que você é capaz disso — disse Alger calmamente, tão tranquilo que parecia que ele estava comentando sobre o tempo.
— Você… — o homem pareceu estar atordoado com a resposta inesperada.
Nesse exato momento, Alger se inclinou para frente e de repente correu pela sala até que só estavam separados pela mesa.
Pa!
Alger tensionou seu ombro e estendeu a mão direita para sufocar o homem.
Escamas ilusórias de peixe apareceram nas costas de sua mão enquanto ele loucamente reunia mais força para sufocar o homem, não lhe dando tempo para responder.
Crack!
Em meio ao estalo, os olhos do homem se arregalaram quando seu corpo foi levantado.
Suas pernas se contorceram furiosamente antes de logo se tornarem imóveis. Suas pupilas começaram a se alargar enquanto ele olhava sem rumo. Havia um fedor entre suas pernas enquanto suas calças se tornavam úmidas.
Enquanto levantava o homem, Alger se abaixou e caminhou em direção à parede.
Bang! Ele usou o homem como um escudo e bateu na parede. Seu braço extremamente musculoso era monstruoso.
Um buraco se abriu na parede de madeira e a chuva entrou, acompanhada pelo cheiro do oceano.
Alger jogou o homem para fora da cabine, direto para as ondas gigantes que pareciam montanhas.
O vento continuava a uivar no escuro enquanto a natureza onipotente devorava tudo.
Alger pegou um lenço branco e limpou a mão direita com cuidado antes de também jogá-lo no mar.
Ele recuou e esperou pacientemente por companhia.
Em menos de dez segundos, o homem loiro de antes entrou correndo e perguntou:
— O que aconteceu?
— O “capitão” escapou — respondeu Alger, irritado, enquanto ofegava. — Eu não sabia que ele ainda tinha alguns de seus poderes de Beyonder.
— Droga! — o loiro amaldiçoou suavemente.
O loiro foi até a abertura e olhou para a distância. No entanto, nada era visível, exceto pelas ondas e pela chuva.
— Esqueça, ele era apenas dinheiro extra — o homem loiro disse, acenando. — Nós ainda seremos recompensados por encontrar este navio fantasma da Era Tudor.
Mesmo que ele fosse um Guardião do Mar, ele não mergulharia apressadamente sob essa condição climática.
— O “capitão” não sobreviverá por muito mais tempo se a tempestade continuar — disse Alger, enquanto assentia em aprovação. A parede de madeira estava se reparando a uma velocidade discernível.
Ele olhou para a parede e virou a cabeça subconscientemente para o leme e a vela.
Estava perfeitamente ciente do que estava acontecendo por trás de todas as tábuas de madeira.
O imediato, o segundo imediato, a tripulação e os marinheiros não estavam presentes. Não havia uma pessoa viva a bordo!
Em meio a todo o vazio, o leme e a vela moviam-se misteriosamente sozinhos.
Alger novamente imaginou “O Louco”, coberto pelo nevoeiro e suspirou.
Ele se virou para trás e olhou para fora, para as poderosas ondas, e falou como se estivesse em um devaneio, cheio de antecipação e temor:
— Uma nova era começou…
Burgo Imperatriz, Backlund, capital do Reino Loen.
Audrey Hall beliscou as bochechas em descrença em seu encontro há pouco.
Na penteadeira à sua frente, o antigo espelho de bronze se despedaçou.
Audrey olhou para baixo e viu o redemoinho “carmesim” no dorso da mão, era como uma tatuagem representando uma estrela.
O “carmesim” enfraqueceu gradualmente e desapareceu de sua pele.
Somente neste momento Audrey teve certeza de que não fora um sonho.
Seus olhos brilharam quando ela sorriu. Ela não pôde deixar de se levantar antes de se abaixar para levantar a barra do vestido.
Ela fez uma reverência para o ar e começou a dançar animadamente. Era a “Dança dos Elfos Antigos”, a dança mais popular entre a realeza no momento.
Ela tinha um sorriso brilhante em seu rosto enquanto se movia graciosamente.
Toc! Toc! Alguém de repente bateu na porta de seu quarto.
— Quem é? — Audrey imediatamente parou sua dança e perguntou enquanto arrumava seu vestido para parecer mais elegante.
— Minha Senhora, posso entrar? Deve começar a se preparar para a cerimônia. — a criada de Audrey perguntou do lado de fora da porta.
Audrey olhou para o espelho da penteadeira e rapidamente limpou o sorriso do rosto, deixando apenas um leve sorriso.
Ela respondeu gentilmente depois de ter assegurado que tudo estava apresentável:
— Entre.
A maçaneta girou e Annie, sua criada, entrou.
— Ah, quebrou. — disse Annie instantaneamente ao ver o velho espelho de bronze.
Audrey piscou e disse lentamente:
— Erm, sim! Susie esteve aqui há pouco. Tenho certeza que você sabe que ela gosta de fazer estragos!
Susie era uma golden retriever, mas não era de puro-sangue. Foi um presente dado ao seu pai, o Conde Hall, quando ele comprou um foxhound. No entanto, Audrey adorou.
— Você deve treiná-la bem — disse Annie, enquanto pegava as peças do espelho de bronze habilmente e com cuidado, para evitar machucar sua senhora.
Quando terminou de arrumar, ela perguntou a Audrey com um sorriso:
— Qual vestido você quer usar?
Audrey pensou por um tempo e respondeu:
— Eu gosto do vestido desenhado pela Sra. Guinea para o meu aniversário de 17 anos.
— Não, não pode usar o mesmo vestido duas vezes para uma cerimônia formal, ou os outros vão fofocar e questionar a capacidade financeira da família Hall — disse Annie, balançando a cabeça em desacordo.
— Mas eu realmente gosto dele! — insistiu Audrey gentilmente.
— Você pode usá-lo em casa ou quando participar de um evento que não seja tão formal — disse Annie com firmeza, sugerindo que não era negociável.
— Então terá que ser aquele com o desenho de lótus nas mangas dado pelo Sr. Sades dois dias atrás — disse Audrey enquanto suspirava discretamente, mantendo seu doce sorriso.
— Você sempre tem um gosto tão bom — disse Annie enquanto deu um passo para trás e gritou em direção à porta: — O sexto provador! Ah, esqueça, vou buscá-lo eu mesma.
As criadas começaram a trabalhar. O vestido, acessórios, calçados, chapéu, maquiagem e penteado, precisavam cuidar de tudo.
Quando estava quase pronto, Conde Hall apareceu na porta usando um colete marrom escuro.
Tinha um chapéu da mesma cor que suas roupas e um belo bigode. Seus olhos azuis estavam cheios de alegria, mas seus músculos soltos, cintura larga e rugas estavam obviamente destruindo sua bela juventude.
— Tesouro mais precioso de Backlund, é hora da nossa partida — disse Conde Hall, batendo na porta duas vezes.
— Pai! Pare de me chamar assim — protestou Audrey, levantandose com a ajuda das servas.
— Bem, então, é hora de partir, minha linda princesinha — disse Conde Hall enquanto ele abaixava o braço esquerdo, sinalizando para Audrey segurar seu braço.
Audrey balançou a cabeça ligeiramente e disse:
— Este é para minha mãe, a Sra. Hall, a Condessa.
— Então, este lado — Conde Hall inclinou o braço direito com um sorriso e disse: — Este é para você, meu maior orgulho.
Base da Marinha Real, Porto Pritz, Ilha Carvalho.
Quando Audrey pegou o braço do pai e desceu da carruagem, de repente ela ficou chocada com o juggernaut que viu em sua frente.
No porto militar, não muito longe, havia um imenso navio cintilando com reflexos metálicos. Não tinha vela, deixando apenas um convés de observatório, duas enormes chaminés e duas torres nas extremidades do navio.
Era tão majestoso e grande que a frota de velas próximas era como anões recém-nascidos se agrupando em torno de um gigante.
— Santo Senhor das Tempestades…
— Oh, meu senhor.
— Um navio de guerra de ferro!
…
Em meio ao furor, Audrey também ficou chocada com esse milagre sem precedentes criado pela humanidade. Era um milagre do oceano que ninguém havia visto antes!
Demorou um pouco para os aristocratas, ministros e membros do parlamento se recomporem. Então, uma mancha preta no céu começou a crescer em tamanho até ocupar um terço do céu e entrar na visão de todos. A atmosfera de repente ficou solene.
Era uma gigantesca máquina voadora com um belo design aerodinâmico pairando no ar. A máquina azul-escura tinha airbags feitos de algodão apoiados por estruturas de liga que eram fortes, mas leves. O fundo da estrutura da liga possuía aberturas montadas com metralhadoras, lançadores de projéteis e canos de armas. O zumbido exagerado da ignição do motor a vapor e das lâminas da cauda produziu uma sinfonia que deixou todos admirados.
A família do Rei chegou em sua aeronave, exalando autoridade elevada e indiscutível.
Duas espadas, cada uma com uma coroa de rubi no punho, apontavam verticalmente para baixo e refletiam a luz do sol em ambos os lados da cabine. Era o emblema da “Espada do
Julgamento”, que simbolizava a família Augustus, que foi transmitida da época anterior.
Audrey ainda não tinha dezoito anos, por isso não compareceu à “cerimônia introdutória”, que era um evento liderado pela Imperatriz que marcava sua estréia na cena social de Backlund, para anunciar seu status de adulta. Portanto, ela não poderia estar mais perto da aeronave e teve que permanecer em silêncio na parte de trás para assistir a todo o evento.
No entanto, não importava para ela. Na verdade, ficou aliviada por não precisar lidar com os príncipes.
O “milagre” que a humanidade usou para conquistar o céu pousou suavemente. Os primeiros a descer as escadas eram os belos e jovens guardas vestindo uniformes cerimoniais vermelhos com calças brancas. Decorado com medalhas, formaram duas linhas com fuzis nas mãos. Eles estavam aguardando as aparições do Rei George III, sua rainha, o príncipe e a princesa.
Audrey não era novata em conhecer pessoas importantes, por isso não demonstrou interesse algum. Em vez disso, tinha sua atenção nos dois cavaleiros negros blindados, parecendo estátuas, que flanqueavam o rei.
Nesta era de ferro, vapor e canhões, era surpreendente que ainda houvesse alguém que suportasse usar armadura completa.
O brilho metálico frio e o capacete preto e fosco transmitiam solenidade e autoridade.
— Poderiam ser os Paladinos Disciplinares de ordem superior… — Audrey lembrou trechos de uma conversa casual entre adultos. Ela estava curiosa, mas não se atreveu a aproximar-se.
A cerimônia começou com a chegada da família do Rei. O primeiroministro em exercício, Lorde Aguesid Negan, foi para a frente.
Ele era um membro do Partido Conservador e o segundo nãoaristocrata a se tornar Primeiro Ministro até hoje. Ele recebeu o título de Lorde por suas grandes contribuições.
Claro, Audrey sabia mais. O principal defensor do Partido Conservador era o atual Duque de Negan, Pallas Negan, que era irmão de Aguesid!
Aguesid era um homem esguio e quase careca de mais de cinquenta anos com um olhar penetrante. Ele inspecionou a área antes de falar:
— Senhoras e senhores, creio que sejam testemunhas deste navio de guerra de aparência histórica. Tem dimensões de 101 por 21 metros. Um surpreendente design de bombordo a estibordo. O casco tem 457 milímetros de espessura. O deslocamento é de 10.060 toneladas. Quatro canhões principais de 305 milímetros, seis canhões de disparo rápido, 12 canhões de seis libras, 18 metralhadoras de seis canos e quatro lança-torpedos. Pode atingir uma velocidade de 16 nós! Será o verdadeiro hegemon! Conquistará os mares!
A multidão foi despertada. As meras descrições eram suficientes para incutir imagens de medo, sem falar do fato de que a coisa real estava bem na frente deles.
Aguesid sorriu e falou mais algumas linhas antes de saudar o rei e pediu:
— Sua Majestade, por favor, dê um nome a ele!
— Como partirá do porto de Pritz, deveria ser chamado de “O Pritz” — respondeu George III. Sua expressão mostrava sua satisfação.
— O Pritz!
— O Pritz!
…
As palavras se espalharam do Ministro da Marinha e do Almirante da Marinha Real para todos os soldados e oficiais no convés. Todos exclamaram em uníssono:
— O Pritz!
George III ordenou ao Pritz que partisse para um julgamento em meio a salvas de tiros e da atmosfera comemorativa.
Fom! Fom!
Fumaça densa saiu das chaminés. O som da máquina podia ser ouvido levemente sob o som da buzina do navio.
O juggernaut partiu do Porto. Todos ficaram chocados quando os dois canhões principais na proa do navio dispararam contra uma ilha desabitada em seu caminho.
Boom! Boom! Boom!
O chão tremeu enquanto a poeira subiu para o céu. Ondas de choque se espalharam, produzindo ondas no mar.
Satisfeito, Aguesid voltou para a multidão e anunciou:
— A partir deste dia, o juízo final cairá sobre os sete piratas que se auto-intitulam Almirantes e os quatro que se auto-intitulam Reis. Eles só poderão tremer de medo!
— É o fim de sua era. Apenas o navio de guerra de ferro vai percorrer os mares, não importa se os piratas têm os poderes de Beyonders, navios fantasmas ou navios amaldiçoados.
O secretário-chefe de Aguesid perguntou deliberadamente:
— Eles não podem construir seus próprios navios de guerra?
Alguns nobres e membros do Parlamento concordaram, sentindo que tal possibilidade não poderia ser eliminada.
Aguesid imediatamente sorriu e balançou a cabeça lentamente enquanto respondia:
— Impossível! Nunca será possível! Construir nosso navio de guerra exigiu três grandes amalgamadores de carvão e aço, uma escala de mais de vinte fábricas de aço, sessenta cientistas e engenheiros seniores da Academia de Canhões de Backlund e da Academia Náutica de Pritz, dois estaleiros reais, quase cem fábricas de peças sobressalentes, um Almirantado, um comitê de construção naval, um Gabinete, um Rei determinado com excelente planejamento e um grande país com uma produção anual de aço de doze milhões de toneladas! Os piratas nunca conseguirão.
Dito isso, ele fez uma pausa e levantou os braços antes de gritar em excitação:
— Senhoras e senhores, a era dos canhões e navios de guerra está sobre nós!
Capítulo 9
Capítulo 9 – O Caderno
Após meia hora de descanso, Zhou Mingrui, que agora se via como Klein, finalmente se recuperou. Enquanto isso, ele descobriu que havia quatro pontos pretos no dorso de sua mão, que por acaso formavam um pequeno quadrado.
Esses quatro pontos pretos enfraqueceram e desapareceram rapidamente, mas Klein sabia que ainda estavam escondidos em seu corpo, esperando serem despertados.
Quatro pontos formando um quadrado, é em correspondência com os quatro pedaços de alimento básico nos quatro cantos da sala? Isso significa que, no futuro, eu não preciso preparar a comida e fazer o ritual e os cantos imediatamente? — pensou Klein.
Isto pode parecer bom, mas o surgimento dos pontos era sinistro, e “coisas” que ele não compreendia eram sempre assustadoras.
O fato de que aquelas inexplicáveis Divinações Chinesas da Terra poderiam produzir efeitos aqui, a estranha transmigração em seu sono, os misteriosos murmúrios que quase o enlouqueceram durante o ritual, e o misterioso e desordenado mundo cinzento cujo significado ele não fazia ideia, fizeram Klein estremecer no clima quente de junho.
“A emoção mais antiga e forte da humanidade é o medo, e o medo mais antigo e forte é o medo do desconhecido.”
Ele relembrou este ditado ao sentir agudamente o medo do desconhecido.
Havia nele uma necessidade sem precedentes e irresistível de entrar em contato com o misterioso domínio, aprender mais e explorar o desconhecido. Havia também uma mentalidade contraditória de fuga dentro dele, obrigando-o a fingir que nada havia acontecido.
A intensa luz do sol brilhava através da janela sobre a mesa. Era como se houvesse grãos de ouro espalhados ali. Klein olhou para a mesa, sentindo como se tivesse entrado em contato com calor e esperança.
Ele relaxou um pouco e uma forte sensação de cansaço tomou conta dele.
Suas pálpebras estavam tão pesadas quanto chumbo, enquanto se fechavam. Deve ter sido o efeito combinado da noite sem dormir e do cansativo encontro.
Klein balançou a cabeça e se levantou com a ajuda da escrivaninha. Ele tropeçou na beliche, ignorando completamente o pão de centeio colocado nos quatro cantos da sala. Ele adormeceu imediatamente depois que se deitou.
Blurg! Blurg!
Klein foi acordado por dores de fome. Quando abriu os olhos, sentiu-se rejuvenescido.
Ainda estou com uma ligeira dor de cabeça. — ele esfregou as têmporas e sentou-se. Estava com tanta fome que ele poderia comer um cavalo!
Ele voltou para a mesa enquanto endireitava sua camisa. Pegou o relógio de bolso de folha de videira prateado.
Pa!
A tampa do relógio de bolso se abriu e o ponteiro dos segundos estava se movendo.
— Meio dia e meia. Dormi por três horas… — Klein colocou o relógio de volta no bolso da camisa de linho enquanto engolia.
No Continente do Norte, havia 24 horas em um dia, 60 minutos em uma hora, e 60 segundos em um minuto. Se cada segundo passava no mesmo ritmo aqui em comparação com a Terra, ainda era desconhecido para Klein.
Neste momento, ele não conseguia nem pensar em termos como misticismo, rituais ou o mundo acinzentado. Sua mente estava ocupada por uma coisa: comida!
Ele deixaria o pensamento para depois de suas refeições! Só então ele poderia trabalhar!
Klein pegou os pães de centeio dos quatro cantos e limpou as minúsculas partículas de poeira sem hesitar. Ele planejava fazer de um deles seu almoço.
Ele decidiu comer as oferendas, porque ele só tinha cinco centavos com ele e havia uma tradição de comer as oferendas em sua cidade natal. Afinal, não houve nenhuma mudança observável no pão. Era melhor ser frugal.
É claro que a memória e os hábitos deixados pelo Klein original também desempenharam um papel.
Foi um enorme desperdício usar o gás caro apenas para iluminar a sala. Então, Klein pegou o forno e ferveu água depois de adicionar carvão. Andou de um lado para o outro enquanto esperava.
Qualquer um sufocaria comendo pães de centeio sem água.
Credo. A vida com carne só para o jantar vai ser terrível… Não, espera, isso já é uma exceção. Melissa só permitia que as nossas refeições tivessem carne duas vezes por semana, se não fosse por minha entrevista… — pensou Klein, olhando em volta, com fome. Ele não tinha nada melhor para fazer.
Seus olhos pareciam se tornar avarentos quando ele pôs os olhos na libra de carne de carneiro no armário.
Não, preciso esperar Melissa para comermos juntos — pensou enquanto balançava a cabeça e rejeitava a ideia de cozinhar metade agora.
Embora muitas vezes comesse fora, ele ainda desenvolveu alguma habilidade culinária básica, devido a sua vida em uma cidade grande sozinho. Seus pratos não eram deliciosos, mas eram pelo menos comestíveis.
Klein virou as costas para que o carneiro não o “seduzisse”. Então, de repente, percebeu que também comprara ervilhas e batatas pela manhã.
Batatas! — Klein imediatamente teve uma ideia. Ele rapidamente voltou para o armário e pegou duas batatas de uma pequena pilha.
Primeiro limpou as batatas no banheiro público e as colocou em uma panela para que fossem fervidas com água.
Depois de um tempo, ele colocou uma pitada de sal grosso amarelo do recipiente de especiarias que encontrou dentro do armário.
Esperou pacientemente por alguns minutos antes de levantar a panela e derramar a “sopa” em algumas xícaras e uma tigela. Tirou as batatas com um garfo e colocou-as na mesa.
Ffffffff!
Ele soprou a batata enquanto descascava pouco a pouco. O aroma de batata cozida difundia pelo ar, um cheiro bem apetitoso.
Ele salivou loucamente, o calor não podia mais detê-lo. Klein deu uma mordida, apesar de ter apenas metade da batata descascada.
Que cheiroso! — tinha uma textura em pó e um sabor doce enquanto mastigava. Ele estava instantaneamente cheio de emoções e devorou as duas batatas. Até comeu um pouco da pele.
Então, levantou a tigela e apreciou a “sopa”. A pitada de sal na água ajudando a matar a sede.
Eu realmente gostava de comer batatas desta maneira quando era jovem… — satisfeito, Klein exclamou em sua mente. Enquanto isso, arrancou um pequeno pedaço de pão e mergulhou na “sopa” para comê-lo amolecido.
Talvez o ritual fosse muito cansativo. Klein comeu dois pães que equivaliam a uma libra inteira.
Klein sentiu que finalmente estava rejuvenescido. Ele desfrutou da alegria da vida depois de tomar a “sopa”, antes de limpar tudo. Então, ele apreciou o brilho do sol alegremente.
Sentou-se à mesa e começou a pensar.
— Não posso escapar. Devo pensar em uma maneira de entrar em contato com misticismo e me tornar um Beyonder, como mencionado por Justiça e O Enforcado. Preciso superar o medo do desconhecido. A única maneira agora é esperar pela próxima
“reunião”. Preciso tentar ouvir a fórmula da poção “Espectador” ou outras coisas relacionadas ao misticismo. Faltam quatro dias para segunda-feira. Antes disso, preciso descobrir o problema com Klein. Por que cometeu suicídio? O que aconteceu com ele?
Incapaz de transmigrar de volta e abandonar todos estes problemas, Klein pegou o caderno que estava na mesa. Ele queria encontrar pistas que o ajudassem a recuperar seus fragmentos de memória perdidos.
O Klein original obviamente tinha o hábito de fazer anotações. Ele também gostava de escrever diários.
Klein estava plenamente ciente de que o gabinete que suportava a mesa à direita armazenava toda uma pilha de cadernos completos.
O livro em sua mão começava no dia 10 de Maio. Assuntos relativos à sua escola e mentor, bem como conteúdo referente ao conhecimento, estavam no início.
“12 de Maio. Sr. Azik mencionou que o idioma comum usado pelo Império Balam no Continente do Sul também se desenvolveu a partir do Antigo Feysac, uma ramificação do Jotun. Por que é assim? Isso significa que todo ser vivo senciente uma vez falou a mesma língua? Não, tem que haver um erro. De acordo com “A Revelação da Noite Eterna” e “O Livro das Tempestades”, os gigantes não eram os únicos seres poderosos do mundo em tempos primordiais. Havia também elfos, mutantes e dragões. De qualquer forma, são apenas mitos e fantasias.
16 de maio. Professor Associado Sênior Cohen e Sr. Azik discutiram a inevitabilidade da Era do Vapor. Sr. Azik opinou que era apenas uma coincidência, porque se não fosse pelo Imperador Roselle, o Continente do Norte ainda estaria empunhando espadas como o Continente do Sul. Mentor argumentou que o Sr. Azik havia colocado muita ênfase na contribuição de um indivíduo. Ele acredita que, com o progresso, mesmo que não houvesse um Imperador Roselle, haveria um Imperador Robert. Portanto, a Era do Vapor pode chegar tarde, mas eventualmente chegará. Encontrei pouco significado em sua discussão. Prefiro descobrir coisas novas e desvendar o passado oculto. Talvez eu seja mais adequado para estudar arqueologia do que história.
29 de maio. Welch me encontrou e disse que tinha adquirido um caderno da Quarta Época. Oh, minha Deusa! Um caderno da Quarta Época! Ele não queria pedir ajuda aos estudantes do departamento de arqueologia, então ele veio até Naya e eu para ajudá-lo a decodificar o conteúdo. Como posso recusar? Claro, só posso fazêlo depois da minha defesa de formatura. Não posso me dar ao luxo de desviar minha atenção nesse estágio.”
Isso chamou a atenção de Klein. Em comparação com as anotações sobre história e pontos de vista discordantes, o surgimento de um caderno da Quarta Época poderia ter levado ao suicídio de Klein.
A Quarta Época era a época anterior à atual “Idade do Ferro”. Sua história era misteriosa e incompleta. Devido ao fato de que muito poucos túmulos, cidades antigas e registros haviam sido encontrados, arqueólogos e historiadores só podiam se referir aos registros ambíguos fornecidos pelas sete principais Igrejas centradas em torno de seus ensinamentos religiosos para formar aproximadamente a imagem “original”. Eles sabiam da existência do Império Salomão, da Dinastia Tudor e do Império Trunsoest.
Tendo decidido a resolver o mistério e restaurar a história, Klein não teve muito interesse nas três primeiras eras, cujas raízes estavam mais próximas de lendas. Estava mais interessado na Quarta Época, também conhecida como a Era dos Deuses.
— Hmm, então Klein estava preocupado com sua carreira futura e, portanto, focado na entrevista. Mas foi tudo em vão… — Klein não resistiu em exclamar.
As universidades ainda eram muito escassas e a maioria dos estudantes era de famílias nobres ou ricas. Enquanto ele não tivesse uma postura extrema, um plebeu que tivesse sido admitido na universidade teria sido capaz de construir preciosas conexões sociais por meio de discussões em grupo e eventos, apesar do preconceito e da exclusão enraizados nos círculos sociais.
O muito generoso Welch McGovern era um exemplo. Ele era filho de um banqueiro da cidade de Constant, Midseashire, Reino de Loen. Estava acostumado a pedir ajuda a Naya e Klein porque eles estavam sempre no mesmo grupo para o trabalho.
Sem pensar mais, Klein continuou lendo o caderno.
“18 de junho. Eu me formei. Adeus, Universidade de Khoy!
- de junho. Eu vi o caderno. Ao comparar estruturas de frases epalavras-raiz, descobri que é uma forma modificada do antigo Feysac. Mais precisamente, ao longo de sua história de mil anos, o idioma Feysac mudara constantemente, um pouco de cada vez.
- de junho. Deciframos o conteúdo da primeira página. O autor eramembro de uma família chamada Antigonus.
- de junho. Ele mencionou o Imperador das Trevas. Isso é anacrônico com relação ao tempo que este caderno é deduzido a ser escrito. O Professor está errado? “Imperador das Trevas” é um título comum para cada Imperador do Império Salomão?
- de junho. A família Antigonus aparentemente tinha uma posiçãomuito alta no Império Salomão. O autor menciona que ele estava fazendo uma transação secreta com uma pessoa chamada Tudor. Tudor? Está relacionado com a Dinastia Tudor?
- de junho. Estou tentando me impedir de pensar no caderno e ir àcasa de Welch. Preciso me preparar para a entrevista! É muito importante!
- de junho. Naya disse que encontraram algo novo. Acho que preciso dar uma olhada.
- de junho. A partir do novo conteúdo decifrado, o autor aceitouuma missão para visitar a “Nação da Noite Eterna”, situada no cume do pico mais alto da cordilheira Hornacis. Oh, minha Deusa! Como pode uma nação existir no cume do pico que está a mais de 6.000 metros acima do nível do mar? Como sobrevivem?
- de junho. Estas coisas estranhas são reais?”
O texto terminou neste ponto. Zhou Mingrui transmigrou na madrugada do dia 28.
— Que significa que houve uma entrada para 27 de junho, que é aquela linha… Todos vão morrer, inclusive eu… — Klein virou para a página que ele viu pela primeira vez quando chegou, sentindo arrepios enquanto fazia a dedução.
A fim de resolver o mistério do suicídio do Klein original, ele pensou que deveria visitar Welch e dar uma olhada no caderno antigo. No entanto, com muita experiência de romances, filmes e séries de TV, ele suspeitava que se eles fossem realmente relacionados, essa visita seria muito perigosa. Aqueles que foram investigar castelos, apesar de saberem que eram assombrados, serviram como aviso!
No entanto, ele tinha que ir, uma vez que escapar nunca resolveria o problema. Só pioraria as coisas, até que transbordasse e o afogasse completamente!
Talvez chamar a polícia? Mas alegar ter cometido suicídio seria uma tolice, certo…
Toc!
Toc, toc!
Houve uma série de batidas rápidas e fortes.
Klein se endireitou e escutou.
Toc!
Toc, toc!
As batidas ecoaram pelo corredor vazio.
Capítulo 10 Capítulo 10 – A Norma
— Quem é?
Klein estava pensando no misterioso suicídio do dono original deste corpo e no perigo desconhecido que poderia encontrar quando ouviu a batida repentina na porta. Ele subconscientemente abriu a gaveta, pegou o revólver e perguntou com cautela.
A pessoa ficou quieta por dois segundos, antes que uma voz clara, no sotaque de Awwa, respondesse:
— Sou eu, Mountbatten, Bitsch Mountbatten — A voz parou por um momento antes de acrescentar: — Polícia.
Bitsch Mountbatten… — Quando Klein ouviu esse nome, imediatamente pensou no dono do nome.
Ele era o policial encarregado da rua onde o apartamento estava localizado. Ele era um homem rude, brutal e prático. Mas talvez, apenas um homem assim pudesse ser um impedimento para alcoólatras, ladrões, ladrões de meio período, vilões e arruaceiros.
E sua voz única era uma de suas marcas registradas.
— Okay, estou indo! — respondeu Klein em voz alta.
Ele havia planejado colocar o revólver de volta na gaveta, mas pensando que não tinha ideia do motivo da polícia estar lá fora e que eles poderiam revistar o quarto a sala ou fazer outras coisas, ele correu com cuidado para o fogão, onde as chamas já haviam sido apagadas e colocou o revólver dentro.
Pegou então a cesta de carvão, pegou alguns pedaços, cobriu a arma e finalmente colocou a chaleira sobre o fogão para esconder tudo.
Depois de fazer tudo isso, arrumou suas roupas e rapidamente se aproximou da porta e murmurou:
— Desculpe, eu estava cochilando.
Do lado de fora da porta havia quatro policiais em uniformes xadrez preto e branco com quepes. Bitsch Mountbatten, o de barba castanha, tossiu e disse a Klein:
— Estes três inspetores têm algo a lhe perguntar.
Inspetores? — Klein olhou para os emblemas nos ombros dos outros três por reflexo e descobriu que dois deles tinham três hexágonos de prata e um tinha dois, ambos os quais pareciam superiores a Bitsch Mountbatten, que tinha apenas três chevrons.
Como estudante de história, Klein fez pouca ou nenhuma pesquisa sobre os ranks de dragonas da polícia, exceto que Bitsch Mountbatten costumava gabar-se de ser um sargento sênior.
Estes três são Inspetores? — influenciado por conversas com Benson, Welch e seus colegas de classe, Klein teve o bom senso de abrir caminho e apontar para a sala.
— Entrem, por favor. Como posso ajudá-los?
O líder dos três inspetores era um homem de meia-idade com olhos afiados. Parecia ser capaz de ler a mente de uma pessoa e intimidála. Seus olhos estavam enrugados e a borda do chapéu revelava cabelos castanho-claros. Ele olhou ao redor da sala e perguntou em voz profunda:
— Você conhece Welch McGovern?
— Algo de errado com ele? — Klein estremeceu e deixou escapar.
— Eu que faço as perguntas — O digno inspetor policial de meiaidade tinha um olhar severo em seus olhos.
O inspetor ao seu lado, também possuindo três hexágonos prateados, olhou para Klein e sorriu gentilmente.
— Não fique nervoso. É apenas um interrogatório de rotina.
Este policial tinha trinta e poucos anos, nariz reto e olhos cinzas que, como um lago numa floresta antiga que ninguém visitava, davam-lhe uma sensação indescritível de profundidade.
Klein respirou fundo e organizou suas palavras.
— Se você se refere a Welch McGovern, graduado da Universidade de Khoy de Constant, então tenho certeza que o conheço. Somos colegas de classe com o mesmo mentor, professor associado sênior Quentin Cohen.
No Reino Loen, “Professor” não era apenas um título profissional, mas também uma posição, assim como a combinação de professores e reitores de departamento na Terra. Isso significava que só poderia haver um professor no departamento de uma universidade. Se um professor associado queria se tornar professor, eles precisavam esperar que seu superior se aposentasse ou, com suas habilidades, forçá-lo a sair.
Como os talentos precisavam ser mantidos, a Comissão de Ensino Superior do reino havia acrescentado professores associados sênior no sistema de três níveis de professores, professores associados e professores após anos de observação. Este título era dado a qualquer pessoa com altas realizações acadêmicas ou com senioridade suficiente, mas que não chegou ao cargo de professor.
Nesse momento, Klein olhou nos olhos do inspetor de meia-idade e pensou por um segundo.
— Para ser honesto, nosso relacionamento é muito bom. Durante este período, encontrei com ele e Naya com frequência para interpretar e discutir o caderno da Quarta Época que lhe pertencia.
Inspetores, aconteceu alguma coisa com ele?
Em vez de responder, o inspetor de meia-idade olhou de lado para o colega de olhos cinzas.
O inspetor com quepe e aparência ordinária respondeu suavemente: — Sinto muito, o senhor Welch faleceu.
— O QUÊ? — Apesar de ter alguns palpites, Klein não pôde deixar de gritar de espanto.
Welch morreu justamente como o dono original deste corpo?
Isso é um pouco assustador!
— E a Naya? — Klein perguntou apressadamente.
— A Sra. Naya também faleceu — disse o inspetor policial de olhos cinzas calmamente.
— Ambos morreram na casa do Sr. Welch.
— Assassinado? — Klein teve um vago palpite.
Talvez tenha sido suicídio…
O inspetor de olhos cinzas balançou a cabeça.
— Não, a cena sugere que eles cometeram suicídio. O Sr. Welch bateu com a cabeça na parede muitas vezes, cobrindo a parede com sangue. Naya afogou-se em uma bacia. Sim, o tipo usado para lavar o rosto.
— Isso é impossível… — Os cabelos de Klein se arrepiaram enquanto ele parecia capaz de imaginar a estranha cena.
Uma menina ajoelhada em uma cadeira mergulhando o rosto em uma bacia cheia de água. Seus cabelos castanhos macios balançando ao vento, mas toda a sua pessoa imóvel. Welch caindo no chão e olhando fixamente para o teto. Sua testa uma bagunça sangrenta, enquanto os traços do impacto na parede eram evidentes com o gotejamento de sangue…
O inspetor de olhos cinzas continuou:
— Também achamos isso, mas os resultados da autópsia e a situação no local excluem fatores como drogas e forças externas. Eles – Welch e Naya – não mostraram sinais de luta.
Antes que Klein pudesse falar novamente, ele entrou no quarto e perguntou, fingindo ser casual:
— Quando foi a última vez que você viu o Sr. Welch ou a Sra. Naya?
Enquanto falava, gesticulou com os olhos para o colega com dois hexágonos de prata.
Ele era um jovem inspetor policial e parecia ter a mesma idade de Klein. Com costeletas pretas e pupilas verdes, ele era bonito e tinha um temperamento romântico de poeta.
Quando ouviu a pergunta, Klein pensou e respondeu pensativo:
— Deve ser dia 26 de junho, estávamos lendo um novo capítulo nas anotações. Depois, fui para casa me preparar para a entrevista em 30 de junho. Uh, a entrevista é para o Departamento de História da Universidade de Tingen.
Tingen era conhecida como a cidade das universidades. Havia duas universidades, Tingen e Khoy, além de escolas técnicas, faculdades de direito e faculdades de negócios. Ficava atrás somente de Backlund, a capital.
Assim que terminou, viu o jovem inspetor policial caminhar até a escrivaninha pelo canto do olho e pegar as anotações que pareciam um diário.
Droga! Esqueci de esconder!
— Ei! — Klein chamou.
O jovem Inspetor sorriu de volta, mas não parou de folhear suas notas, enquanto o inspetor de olhos cinzentos explicou:
— Este é um procedimento necessário.
Neste momento, Bitsch Mountbatten e os dignos inspetores policiais de meia-idade estavam apenas observando sem interromper ou ajudar na busca.
Onde estão os seus mandados de busca? — Klein pretendia questioná-los, mas, pensando bem, o sistema judicial do Reino Loen não parecia ter mandados de busca. Pelo menos ele não sabia se havia um. Afinal, a força policial só havia sido estabelecida por quinze ou dezesseis anos.
Quando o original dono desse corpo ainda era criança, eles ainda eram chamados de Agentes de Segurança Pública.
Klein não podia impedi-lo. Ele viu o jovem inspetor folhear suas anotações, mas o inspetor de olhos cinzas não fez nenhuma pergunta.
— O que é esta coisa estranha? — O inspetor jovem folheou para o final das notas e, de repente, perguntou:
— E o que isso significa? “Todos vão morrer, inclusive eu”…
Não é senso comum que todos morrem, exceto divindades? — Klein estava preparado para discutir, mas de repente ocorreu-lhe que tinha planejado “se conectar” com a polícia em caso de possível perigo, mas não tinha motivos nem desculpas.
Ele tomou uma decisão em menos de um segundo. Colocando a mão sobre a testa, ele respondeu dolorosamente:
— Não faço ideia. Eu realmente não faço ideia … Quando acordei esta manhã, senti que havia algo errado, como se tivesse esquecido alguma coisa. É verdade, especialmente para o que aconteceu recentemente. Nem sei por que escrevi uma frase dessa.
Às vezes, ser franco era a melhor maneira de resolver um problema. Claro, isso exigia habilidades. Havia coisas que podiam ser ditas e que não podiam ser ditas, e a ordem do que foi dito primeiro importava.
Como um especialista em teclado, Klein também era bom em sofismo.
— Isso é ridículo! Acha que somos tolos? — Bitsch Mountbatten não pôde deixar de intervir com raiva.
É uma mentira tão ruim que insulta a inteligência dele e de seus colegas!
É melhor fingir estar mentalmente doente do que fingir ser um amnésico!
— Estou falando a verdade — respondeu Klein francamente, olhando nos olhos de Mountbatten e dos inspetores.
Realmente, não podia ser mais verdade.
— Talvez esteja — disse o inspector policial de olhos cinzas.
O quê? Ele realmente acreditou? Klein se surpreendeu.
O inspetor de olhos cinzas sorriu e disse:
— Uma especialista virá em dois dias e, acredite em mim, ela deve ser capaz de ajudá-lo a lembrar de suas memórias perdidas.
Especialista? Me ajudar a lembrar minhas memórias? No campo da psicologia? Klein franziu a testa.
Hey, e se suas memórias da Terra fossem expostas? — de repente, sentiu como “facepalming” em si mesmo.
O jovem inspetor policial devolveu suas anotações e examinou a mesa e o quarto. Felizmente, ele se concentrou nos livros em vez de levantar a chaleira.
— Bem, Sr. Klein, obrigado pela sua cooperação. Aconselhamos que não saia de Tingen nos próximos dias. Se for necessário, por favor notifique o inspetor Mountbatten, ou se tornará um fugitivo — avisou o inspetor de olhos cinzas.
Só isso? É tudo por hoje? Nenhuma outra pergunta com investigações mais profundas? Ou me levar de volta à delegacia de polícia para me torturar por informações? — Klein estava perdido.
No entanto, ele também queria resolver a estranha reviravolta de eventos provocada por Welch. Então ele assentiu.
— Isso não será um problema.
Os inspetores saíram do quarto um a um, e o jovem no final deu um tapinha no ombro de Klein.
— É muito bom. Que sorte.
— O quê? — O rosto de Klein estava confuso.
O inspetor de polícia de olhos verdes com temperamento de poeta sorriu e disse:
— Em geral, a norma é que todas as partes envolvidas morram em tal evento. Estamos muito contentes e felizes por você ainda estar vivo.
Depois disso, ele saiu do quarto e fechou a porta atrás dele de maneira bem-educada.
A norma é que todos morram juntos? Muito feliz por eu ainda estar vivo? Contente que ainda estou vivo?
Nesta tarde de junho, Klein estava todo arrepiado.
Capítulo 11
Capítulo 11 – Habilidades Culinárias Reais
A norma é que todos morram juntos? Muito feliz por eu ainda estar vivo? Contente que ainda estou vivo?
Klein tremeu e rapidamente correu para a porta, tentando alcançar os policiais e pedir proteção.
Mas assim que alcançou a maçaneta, ele parou de repente.
Aquele policial falou tão horrivelmente sobre isso, por que eles não me protegeram, uma testemunha importante ou pista chave?
Isso não é muito descuidado?
Estavam apenas me sondando? Ou talvez seja uma isca?
Todos os tipos de pensamentos invadiram a mente de Klein; ele suspeitou que a polícia ainda estivesse secretamente “observando” ele, observando sua reação.
Ele se sentiu muito mais calmo depois de pensar nisso e não estava mais em pânico. Ele lentamente abriu a porta, deliberadamente gritando com uma voz trêmula na escadaria:
— Vocês vão me proteger, certo?
Tap, tap, tap… Não houve resposta dos policiais, nem mudança no ritmo do contato entre os sapatos de couro e as escadas de madeira.
— Eu sei! Vocês farão isso! — gritou novamente em um tom de convicção fingida, tentando agir como uma pessoa normal em perigo.
O som de passos gradualmente enfraqueceu e desapareceu no piso inferior do apartamento.
Klein bufou e riu:
— Essa resposta não é muito falsa? Suas habilidades de atuação não estão à altura!
Ele não correu atrás deles. Em vez disso, ele voltou para o quarto e fechou a porta atrás dele.
Nas horas seguintes, Klein expressou plenamente o que chamavam no Império dos Amantes de Comida na China de inquietação, nervosismo, agitação, desatenção e palavras sussurradas sem sentido. Ele não parou só porque não havia ninguém por perto.
Isto é chamado de auto-cultivo de um ator! — ele riu de si mesmo em seu coração.
Quando o sol se moveu para o oeste, as nuvens no horizonte pareciam ser laranja-avermelhadas. Inquilinos do apartamento chegaram em casa um após o outro; Klein mudou seu foco para outro lugar.
— Melissa está quase acabando de estudar… — Ele olhou para o fogão, levantou a chaleira, tirou o carvão e o revólver.
Sem pausa ou atraso, ele alcançou a parte de trás do quadro sob a beliche onde mais de dez tiras de madeira foram arrancadas.
Depois de prender a roda esquerda entre uma tira de madeira e um pedaço da tábua de madeira, Klein se endireitou e esperou desconfortável, temendo que a polícia abrisse a porta e corresse para a sala com armas em mãos.
Se fosse a Era do Vapor, estava certo de que ele não seria visto por ninguém quando fizesse isso. No entanto, havia poderes extraordinários aqui, poderes que ele havia provado por meio de suas próprias experiências.
Depois de esperar por alguns minutos, não houve qualquer movimento na porta. Havia apenas a conversa entre dois inquilinos que se dirigiam ao Bar Coração Selvagem na rua Cruz de Ferro.
— Ufa — exalou Klein, sentindo-se seguro.
Tudo o que ele precisava fazer era esperar pelo retorno de Melissa e cozinhar o guisado de carneiro com ervilhas tenras!
Quando a ideia veio à mente de Klein, sua boca parecia provar o sabor rico do molho; lembrou-se de como Melissa cozinhava o guisado de carneiro com ervilhas tenras.
Primeiro, ela ferveu a água e fritou a carne. Em seguida, acrescentou cebola, sal, um pouco de pimenta e água. Após um período específico de tempo, as ervilhas e batatas foram adicionadas, e o guisado cozido por mais quarenta ou cinquenta minutos com a tampa.
— É de fato uma maneira simples e grosseira de fazê-lo… Dependendo puramente dos sabores da própria carne! — Klein balançou a cabeça.
Mas não havia outra maneira. Era difícil plebeus possuírem muitos tipos de condimentos e vários métodos culinários. Eles só podiam seguir métodos simples, práticos e econômicos. Enquanto a carne não estivesse queimada ou estragada, não tinha problema para as pessoas que só podiam comer carne uma ou duas vezes por semana.
Klein não era um cozinheiro muito bom e pedia comida para viagem a maior parte do tempo. Mas, cozinhando três ou quatro vezes por semana, depois de muitas semanas de prática acumulada, ele adquiriu habilidades decentes e sentia que não decepcionaria com o guisado de carneiro.
— Quando Melissa voltar para cozinhar, já será passadas 19h30. Ela estaria morrendo de fome até lá… Está na hora de ela ver o que é cozinhar de verdade! — Klein arranjou uma desculpa para si mesmo. Primeiro, acendeu o fogo novamente, foi ao banheiro pegar água e lavou a carne de carneiro. Então ele pegou as tábuas e facas antes de cortar o carneiro em pequenos pedaços.
Quanto à explicação para suas repentinas habilidades culinárias, ele decidiu culpar Welch McGovern, morto, que não só contratou um chef que era bom no sabor Midseashire, mas que também criava suas próprias iguarias e convidava pessoas para experimentá-las.
Bem, os mortos não podem me refutar!
No entanto, tsk, este é um mundo com Beyonders; os mortos não são necessariamente incapazes de falar. — Com isso em mente, Klein estava com a consciência um pouco pesada.
Deixou de lado seus pensamentos confusos e colocou a carne na tigela de sopa. Em seguida pegou a caixa de condimentos e adicionou uma colher cheia de sal bruto, metade do qual tinha começado a amarelar. Além disso, ele cuidadosamente pegou alguns grãos de pimenta preta de uma pequena garrafa especial, misturando e marinando-os junto.
Ele colocou a panela no fogão e, enquanto esperava que esquentasse, procurou as cenouras de ontem e as cortou em pedaços com as cebolas que comprou hoje.
Quando terminou seus preparativos, ele tirou uma pequena lata do armário e a abriu. Não havia muito banha sobrando.
Klein pegou uma colherada, colocou na frigideira e a derreteu. Ele acrescentou as cenouras e as cebolas e mexeu por um tempo.
Quando a fragrância começou a permear, Klein despejou todo o carneiro na panela e o fritou com cuidado por um tempo.
Ele deveria ter adicionado vinho no processo, ou vinho tinto, pelo menos. No entanto, a família Moretti não tinha esses luxos e só podia beber um copo de cerveja por semana. Klein teve que se contentar com o que estava disponível colocando água fervida.
Depois de cozinhar por cerca de vinte minutos, ele tirou a tampa, colocou as ervilhas e batatas cortadas, e adicionou uma xícara de água quente e duas colheres de sal.
Fechou a tampa, abaixou o fogo e exalou satisfeito, esperando que sua irmã chegasse em casa.
À medida que os segundos se transformaram em minutos, a fragrância na sala se intensificou. Havia o fascínio da carne, o rico cheiro de batatas e o refrescante aroma das cebolas.
O cheiro gradualmente se misturou, e Klein engoliu saliva de vez em quando, acompanhando o tempo com o relógio de bolso.
Depois de mais de quarenta minutos, alguns passos não tão rápidos, mas rítmicos, se aproximaram. Uma chave foi inserida, a maçaneta foi virada e a porta aberta.
Antes de Melissa entrar, ela sussurrou em dúvida:
— Que cheiro bom…
Com a bolsa ainda na mão, ela entrou e olhou para o fogão.
— Você fez isto? — Melissa tirou seu casquete e sua mão parou no ar, olhando para Klein com espanto.
Ela mexeu o nariz e inalou mais da fragrância. Seus olhos rapidamente se abrandaram e ela pareceu encontrar alguma confiança.
— Você fez isto? — perguntou novamente.
— Você tem medo que eu desperdice o carneiro? — Klein sorriu e respondeu com uma pergunta. Sem esperar por uma resposta, ele disse para si mesmo:— Não se preocupe, eu pedi a Welch que me ensinasse a cozinhar este prato. Você sabe que ele tem um bom cozinheiro.
— Primeira vez? — as sobrancelhas de Melissa se franziram subconscientemente, mas foram suavizadas pela fragrância.
— Parece que tenho talento — disse Klein rindo. — Está quase pronto. Coloque seus livros e casquete em algum lugar. Vá ao banheiro e lave suas mãos, e então prepare-se para prová-lo. Estou bem confiante.
Quando ouviu os arranjos ordenados de seu irmão e viu seu sorriso gentil e calmo, Melissa ficou enraizada na porta e não respondeu em seu torpor.
— Prefere que o carneiro seja cozido por mais tempo? — Klein incitou com uma risada.
— Ah, tudo bem, tudo bem! — Melissa retornou a seus sentidos. Com a bolsa e o casquete em mãos, ela correu para o quarto rapidamente.
Quando a tampa da panela foi aberta, uma súbita explosão de vapor apareceu diante dos olhos de Klein. Dois pedaços de pão de centeio tinham sido colocados ao lado do carneiro e ervilhas tenras, permitindo-lhes absorver a fragrância e o calor, tornando-se macios.
Quando Melissa terminou de arrumar suas coisas, lavar as mãos e o rosto e voltar, um prato de guisado de carneiro cozido com ervilhas tenras, batatas, cenouras e cebolas já estava na mesa. Dois pedaços de pão de centeio, coloridos por um leve mergulho no molho, estavam em seus pratos.
— Vamos lá, experimente. — Klein apontou para o garfo e a colher de madeira ao lado do prato.
Melissa ainda estava um pouco confusa, mas não recusou; ela pegou uma batata com o garfo, colocou na boca e mordeu levemente.
O gosto da batata, devido ao amido, e a fragrância de molho inundaram sua boca. Sua secreção de saliva enlouqueceu quando engoliu a batata em alguns bocados.
— Experimente o carneiro. — Klein gesticulou para o prato com o queixo.
Ele tinha provado agora mesmo e pensou que mal estava dentro dos padrões, mas era o suficiente para uma garota que era inexperiente com o que o mundo tinha a oferecer. Afinal, ela só comia carne ocasionalmente.
Os olhos de Melissa estavam cheios de antecipação enquanto ela cuidadosamente pegava um pedaço de carneiro.
Estava muito macio e, assim que entrou em sua boca, quase derreteu. A fragrância da carne explodiu em sua boca, enchendo-a de deliciosos sucos de carne.
Era uma sensação sem precedentes e isso fez com que Melissa não parasse de comer.
Quando percebeu, já tinha comido vários pedaços de carne de carneiro.
— Eu… Eu… Klein, isso deveria ser preparado para você…— Melissa corou e gaguejou.
— Eu mordisquei um pouco da comida agora pouco. É o privilégio do cozinheiro. — Klein sorriu e acalmou sua irmã enquanto pegava o garfo e a colher. Às vezes, ele comia um pedaço de carne e, às vezes, enchia a boca com ervilhas. Em outros momentos, ele abaixava os utensílios, cortava e mergulhava um pedaço de pão de centeio no molho.
Melissa relaxou e ficou imersa novamente na delicadeza do comportamento normal de Klein.
— Está realmente delicioso. Não parece que é a primeira vez que você faz isso. — Melissa olhou para o prato vazio e elogiou-o de todo o coração. Até o molho tinha acabado.
— Ainda estou longe de ser um cozinheiro como Welch. Quando eu for rico, vou levar você e Benson para um restaurante e ter uma refeição melhor! — disse Klein. Ele estava começando a ficar ansioso por isso.
— Sua entrevista… Burp… — Melissa não terminou suas palavras porquê de repente ela soltou um som de satisfação involuntária.
Ela pôs a mão sobre a boca com pressa e pareceu envergonhada.
A culpa é da carne de carneiro cozida com ervilhas tenras! Estava deliciosa demais.
Klein riu secretamente e decidiu não tirar sarro de sua irmã. Ele apontou para o prato e disse:
— Esta é a sua missão.
— Tudo bem! — Melissa imediatamente se levantou, pegou a bacia e saiu pela porta, correndo.
Quando voltou, ela abriu o armário para verificar a caixa de condimentos e outros itens como sempre.
— Você os usou? — Melissa ficou surpresa e virou-se para Klein, segurando a garrafa de pimenta preta e a lata de banha.
Klein deu de ombros e riu.
— Só um pouco. É o preço de uma iguaria.
Os olhos de Melissa brilharam, sua expressão mudando por alguns momentos, antes que finalmente disse:
— Me deixe cozinhar no futuro. Hum… Você tem que se apressar e se preparar para a entrevista. Tem que pensar sobre o seu trabalho.
Capítulo 12
Capítulo 12 – Aqui De Novo
Melissa, poderia não esfregar isso em minha cara… — Klein resmungou interiormente. Ele sentiu uma dor latejante em sua cabeça.
A quantidade de conteúdo que Klein havia esquecido não era considerada muito, mas também não era insignificante. A entrevista é em dois dias, como eu poderia encontrar tempo para compensar isso…?
Além disso, ele estava envolvido em uma estranha atividade paranormal, como seria possível que tivesse vontade de revisar?
Klein deu uma resposta superficial à sua irmã e começou a estudar. Melissa moveu uma cadeira para se sentar ao seu lado. Com a luz da lâmpada de gás brilhando, ela começou a trabalhar em suas tarefas.
A atmosfera era serena. Quando eram quase onze horas, os irmãos se deram boa noite e foram para a cama.
Toc!
Toc! Toc!
Batidas na porta despertaram Klein de seus sonhos.
Ele olhou pela janela para ver o primeiro vislumbre do amanhecer. Num transe, ele se virou e sentou.
— Quem é?
Olhe a hora! Por que Melissa não me acordou?
— Sou eu. Dunn Smith — um homem com uma voz profunda do outro lado da porta respondeu.
Dunn Smith? Não o conheço… — Klein saiu da cama e balançou a cabeça enquanto caminhava em direção à porta.
Ele abriu a porta para ver o inspetor de polícia de olhos cinzentos que havia encontrado no dia anterior em sua frente.
Alarmado, Klein perguntou:
— Algo errado?
O policial respondeu com um olhar severo:
— Encontramos um motorista de carruagem. Ele testemunhou que você tinha ido à casa do Sr. Welch no dia 27, o dia em que o Sr. Welch e a Sra. Naya morreram. Além disso, foi o Sr. Welch quem pagou por suas taxas de transporte.
Klein ficou assustado. Ele não sentiu o tom de medo ou culpa que alguém esperaria por ter suas mentiras expostas.
Era porque ele não estava mentindo. Na verdade, ele ficou surpreso com as evidências fornecidas por Dunn Smith.
No dia 27 de junho, o antigo Klein tinha realmente ido à casa do Sr. Welch. Na noite em que voltou, ele se matou da mesma maneira que Welch e Naya!
Klein deu um sorriso forçado e disse:
— Isto é evidência insuficiente. Isso não prova que estou associado diretamente à morte de Welch e Naya. Honestamente, também estou muito curioso sobre todo o incidente. Quero saber o que aconteceu exatamente aos meus dois pobres amigos. Mas… mas… Eu realmente não consigo lembrar, na verdade eu esqueci quase completamente o que tinha feito no dia 27. Você pode achar difícil de acreditar, mas eu confiei completamente nos diários que escrevi para fazer uma suposição de que eu tinha ido à casa de Welch no dia 27.
— Você com certeza tem grande força mental — disse Dunn Smith enquanto acenava. Ele não mostrou nenhum sinal de raiva, mas também não estava sorrindo.
— Você deve ser capaz de perceber a minha sinceridade — Klein olhou-o diretamente nos olhos e disse.
Estou dizendo a verdade! Claro, só uma parte!
Dunn Smith não deu uma resposta imediata. Ele varreu a sala com o olhar antes de dizer devagar:
— O senhor Welch perdeu um revólver. Acho que… Devo conseguir encontrá-lo aqui. Certo? Sr. Klein?
Realmente… — Klein finalmente entendeu de onde o revólver tinha vindo. Um pensamento passou por sua mente e ele chegou ao veredicto final num instante.
Ele levantou as mãos um pouco e recuou, deixando um caminho aberto. Depois, ele sinalizou para o beliche com o queixo.
— Atrás do estrado da cama.
Ele não mencionou especificamente que era a cama de baixo, já que ninguém normalmente esconderia as coisas na parte de trás da cama de cima. Isso seria óbvio demais para os convidados notarem de relance.
Dunn Smith não avançou. Os cantos de sua boca se contorceram enquanto perguntou:
— Nada a acrescentar?
Sem hesitar, Klein respondeu:
— Há, sim! Ontem, quando acordei no meio da noite, percebi que estava deitado em minha escrivaninha com um revólver ao meu lado. Havia uma bala no canto da sala. Era como se eu tivesse cometido suicídio, mas devido à falta de experiência por nunca ter usado uma arma, ou talvez eu estivesse muito assustado no momento final… De qualquer forma, a bala não conseguiu o resultado desejado, minha cabeça ainda está em seu lugar. Ainda estou vivo. E desde então, perdi algumas memórias, incluindo o que vi e fiz na casa do Welch no dia 27. Não estou mentindo. Eu realmente não consigo me lembrar.
Por questão de ser eliminado como suspeito. Para se livrar de todos esses estranhos eventos ao seu redor, Klein explicou quase tudo o que havia acontecido. Exceto a transmigração e “reunião”.
Além disso, Klein foi cuidadoso com suas palavras, permitindo que cada frase fosse passível de ser tratada. Tal como, não revelando o fato de que a bala atingiu seu cérebro, mas apenas mencionando que não alcançou o resultado desejado, e que sua cabeça ainda estava em seu lugar.
Para outros, essas duas afirmações podem parecer exatamente as mesmas, mas na realidade eram como alhos e bugalhos.
Dunn Smith escutou calmamente, então disse:
— Isso corresponde com o que eu supus. Também corresponde à lógica oculta de incidentes semelhantes no passado. Claro, não tenho ideia de como você conseguiu sobreviver.
— Fico feliz que você acredite em mim. Também não sei como sobrevivi —Klein soltou um pequeno suspiro de alívio.
— Mas…— Dunn deitou uma conjunção — Não adianta eu acreditar em você. Você é atualmente o principal suspeito. Tem que ser confirmado por um ‘especialista’ que você realmente esqueceu o que passou, ou que realmente não tem nada a ver com as mortes do Sr. Welch e Sra Naya.
Ele tossiu, sua expressão se tornando séria.
— Sr. Klein, eu procuro sua cooperação em vir comigo à delegacia de polícia para a investigação. Isso deve levar cerca de dois ou três dias, se for confirmado que não há problemas com você.
— O especialista está aqui? — Klein perguntou de volta inexpressivo.
Não disseram que levaria mais dois dias?
— Ela veio mais cedo do que o esperado — Dunn virou de lado, sinalizando para Klein sair.
— Permita-me deixar um bilhete — pediu Klein.
Benson ainda estava fora e Melissa tinha ido para a escola. Ele só podia deixar uma nota para informá-los de que estava envolvido em um incidente associado a Welch, para que não se preocupassem com ele.
Dunn assentiu, mal se importando.
— Tudo bem.
Klein voltou para a escrivaninha. Enquanto procurava por papel, começou a pensar sobre o que estava prestes a ocorrer.
Honestamente falando, ele não queria conhecer a ‘especialista’. Afinal, ele tinha um segredo maior.
Em um lugar onde havia sete grandes igrejas, sob a premissa de que o imperador Roselle, que era suspeito de ser um antecessor transmigrador, foi assassinado, uma coisa como ‘transmigração’ geralmente significava ir a tribunal e ser julgado!
Mas, sem armas, habilidades de combate ou superpoderes, ele não era páreo para um policial profissional. Além disso, alguns subordinados do Dunn estavam no escuro lá fora.
Assim que sacassem suas armas e atirasem em mim, eu estaria acabado!
Ugh, vou dar um passo de cada vez. — Klein deixou o bilhete, pegou as chaves e seguiu Dunn para fora.
Ao longo do escuro corredor, quatro policiais em uniformes xadrez preto e branco dividiram-se em pares e os guardaram em ambos os lados. Eles estavam muito alertas.
Tap. Tap. Tap. Klein seguiu ao lado de Dunn enquanto desciam as escadas de madeira que ocasionalmente rangiam em protesto.
Fora do apartamento, havia uma carruagem de quatro rodas. No lado da carruagem, havia o emblema da polícia “duas espadas cruzadas e uma coroa”. Seus arredores estavam lotados e cheios de barulho, como de costume.
— Vá em frente — Dunn pediu para Klein ir primeiro.
Klein estava prestes a dar um passo à frente quando um vendedor de ostras de repente agarrou um cliente e alegou que ele era um ladrão.
Ambas as partes lutaram e provocaram uma resposta dos cavalos, causando um grande caos.
Uma oportunidade!
Não havia muito tempo para Klein pensar; ele se inclinou para frente e correu em direção à multidão.
Empurrando ou esquivando, ele escapou freneticamente para o outro lado da rua.
Neste momento, para não “conhecer” a especialista, ele só poderia prosseguir indo ao cais fora da cidade, pegando um barco pelo rio Tussock e fugindo para a capital, Backlund. A população lá era maior, sendo mais fácil se esconder.
Claro, ele também poderia pegar um trem a vapor, ir para o leste até o porto Enmatt mais próximo e pegar a rota marítima para Pritz, depois para Backlund.
Pouco tempo depois, Klein chegou a uma rua e entrou na rua Cruz de Ferro. Havia várias carruagens que poderiam ser contratadas.
— Para o cais fora da cidade. — Klein estendeu a mão e pulou em uma das carruagens.
Ele havia pensado claramente nas coisas. Em primeiro lugar, ele teve que enganar a polícia que estava vindo atras dele. Uma vez que a carruagem estivesse a uma distância adequada deles, ele saltaria para fora imediatamente!
— Tudo bem — o condutor puxou as rédeas.
Clop! Clop! Clop… A carruagem saiu da rua Cruz de Ferro.
Assim que Klein estava prestes a pular da carruagem, percebeu que havia virado em outra rua. Não estava saindo da cidade!
— Onde está indo? — Klein deixou escapar seu torpor momentâneo.
— Para a Casa do Welch…— o condutor da carruagem respondeu monótono.
O quê!? — Klein estava sem palavras. O condutor da carruagem virou-se, expondo seus olhos frios e cinzentos. Era Dunn Smith, o policial de olhos cinzentos!
— Você! — Klein ficou confuso. Tudo de repente se tornou um borrão como se o mundo girasse em torno dele quando imediatamente se sentou.
Sentei? — Klein olhou em volta, confuso. Notou a lua carmesim do lado de fora da janela e a sala sendo coberta por um véu vermelho.
Ele estendeu a mão para sentir sua testa. Tudo estava úmido e frio. Suor frio. Suas costas estavam exatamente iguais.
Foi um pesadelo… — Klein soltou um suspiro. — Está tudo bem… Está tudo bem…
Ele achou estranho. Foi bastante claro em seu sonho, ele foi capaz de pensar com calma!
Depois de se acalmar, Klein olhou para o relógio de bolso. Eram apenas duas da manhã. Ele levantou-se da cama em silêncio e planejou ir ao banheiro, onde poderia lavar o rosto e esvaziar a bexiga.
Abriu a porta e caminhou pelo corredor escuro. Sob o luar sombrio, ele caminhou levemente em direção ao banheiro.
De repente, ele notou uma silhueta do lado de fora da janela no final do corredor.
Aquela silhueta usava um blusão preto que era mais curto que um casaco, mas mais comprido que uma jaqueta.
A silhueta estava parcialmente camuflada na escuridão, banhandose no luar carmesim.
A silhueta se virou lentamente. Seus olhos profundos, cinzentos e frios.
Dunn Smith!
Capítulo 13
Capítulo 13 – Falcão Noturno
Plop!
Klein não pôde deixar de dar um passo para trás. Por um momento ele não teve certeza se estava acordado ou ainda em seus sonhos.
A silhueta tirou sua cartola preta e curvou-se um pouco quando disse, com um sorriso:
— Me apresentando novamente, Falcão Noturno, Dunn Smith.
Falcão Noturno? Um dos codinomes das equipes de Beyonders da Igreja da Deusa da Noite Eterna, que a ‘Justiça’ e ‘O Enforcado’ mencionaram antes? — Klein de repente percebeu algo e exclamou, depois de entender a relação:
— Você pode controlar sonhos? Você acabou de me fazer sonhar com aquilo?
Falcão Noturno Dunn Smith colocou novamente seu chapéu preto, escondendo as ligeiras entradas em seus cabelos. Com profundos olhos cinzentos, ele disse:
— Não, eu só entrei em seu sonho e fiz as orientações necessárias.
Sua voz era profunda e tranquilizante; ela reverberou pelo corredor mal iluminado sem perturbar os doces sonhos dos outros.
— Nos sonhos, embora muitas de suas emoções geralmente reprimidas e vários de seus pensamentos sombrios sejam amplificados, fazendo tudo parecer caótico, absurdo e maluco, todos eles estão enraizados na realidade, já que a realidade existe. Para veteranos como eu, tudo é claro como água. Comparado com o você acordado, eu acredito mais no você de seus sonhos.
Este… Que ser humano normal poderia controlar sonhos? Se eu tivesse sonhado com algo da Terra, Dunn Smith não teria percebido? — Klein ficou petrificado com o que aconteceu no sonho.
No entanto, ele rapidamente achou bizarro. Ele se lembrava de estar muito sóbrio e racional, sabendo o que dizer e o que não dizer.
Simplificando, não parecia nem um pouco ter sido um sonho!
Então Dunn Smith “viu” somente o que eu queria que ele visse?
A mente de Klein rodopiou quando ele ganhou um vislumbre de compreensão.
Esta é uma vantagem que resultou da transmigração? Como ter um corpo e uma alma especiais? Ou foram os efeitos daquele ritual de aprimoramento de sorte?
— Então, Sr. Smith, você acredita que eu realmente perdi minha memória? — Klein organizou seus pensamentos e perguntou, em resposta.
Dunn Smith não respondeu diretamente. Em vez disso, o olhou intensamente.
— Você realmente não está surpreso com o rumo dos acontecimentos? Eu conheci pessoas que não acreditariam no poder dos Beyonders, e eles prefeririam acreditar que não acordaram de fato.
Klein sucintamente reconheceu enquanto disse:
— Talvez eu sempre estive orando, com esperanças de que houvesse tal poder para me ajudar.
— Uma interessante linha de pensamento… Talvez tenha sobrevivido não apenas porque teve sorte. — Dunn assentiu, inexpressivo. — Agora posso confirmar que você realmente perdeu parte de suas memórias devido ao incidente, especialmente aquelas relacionadas a ele.
— Então já posso voltar? — Klein soltou um longo suspiro de alívio em seu coração enquanto sondava.
Dunn colocou uma mão em seu bolso e caminhou lentamente em direção a Klein, a escuridão ao redor tornando-se tranquila e gentil.
— Não, você ainda precisa vir comigo para ver a especialista — ele sorriu educadamente e disse.
—Por quê? — Klein deixou escapar, depois acrescentou: — Você não acredita nas descobertas feitas em meu sonho?
Você deve estar brincando, se esse “especialista” é especialista em hipnose ou leitura de pensamentos e coisas do tipo, então meu maior segredo não seria exposto?
As consequências seriam além da imaginação!
— Eu sou bem humilde normalmente, mas ainda assim sou confiante para coisas relacionadas a sonhos. — Dunn respondeu, calmamente, — No entanto, para assuntos importantes, não há problema em confirmar novamente. Além disso, nossas especialidades são de áreas diferentes. Talvez ela possa ajudá-lo a recuperar algumas de suas memórias.
Não esperando que Klein respondesse, sua voz ficou mais profunda.
— Afinal, você está conectado ao paradeiro daquele caderno da família Antigonus.
— O quê? — Klein congelou.
Dunn parou em sua frente, fixando seus olhos cinzentos nos olhos de Klein, e disse:
— Na cena do suicídio, não havia nem um único rastro daquele caderno da Quarta Época. Welch está morto, Naya está morta, você é a nossa única pista.
—… Muito bem. — Klein ficou em silêncio por um momento antes de expirar.
Um caderno desaparecido… agora sim, isso é realmente peculiar!
Como que eu não pensei sobre o paradeiro daquele caderno da Quarta Época!?
Dunn acenou levemente com a cabeça enquanto passava por Klein, e disse:
— Tranque sua porta e venha comigo para o apartamento de Welch, o especialista está nos esperando por lá.
Klein respirou, silenciosamente. Seu coração estava batendo descontroladamente enquanto ele se sentia desconfortável.
Ele queria recusar e até tinha a intenção de fugir. No entanto, ele acreditava que, depois do que tinha acontecido em seu sonho, Dunn Smith teria definitivamente aumentado seu estado de alerta. E com a diferença de força entre um humano normal e um Beyonder, havia pouca chance de sucesso usando força.
Ele também deve ter um revólver consigo… e também deve ter praticado o uso do revólver…
Muitos pensamentos passaram por sua mente, e eventualmente Klein escolheu aceitar a realidade.
— Tudo bem.
Whew, eu só posso dar um passo de cada vez e ver como os eventos se desenvolvem, talvez aquele poder miraculoso em meu sonho tenha efeito novamente…
— Então vamos — disse Dunn num tom indiferente.
Klein se virou e o seguiu. Depois de andar dois passos, ele parou repentinamente e disse:
— Sr. Smith, eu… Eu gostaria de usar o banheiro primeiro.
Originalmente, eu vim pelo banheiro…
Dunn não o impediu. Em vez disso, ele olhou-o intensamente e respondeu:
— Sem problema, Klein. Acredite, eu sou bem mais poderoso do que você pode imaginar na escuridão da noite.
Na escuridão da noite… — Klein silenciosamente repetiu esta frase.
Ele não fez nenhuma tentativa imprudente de escapar e se aliviou honestamente. Ele então lavou o rosto com água fria, se acalmando completamente.
Klein trocou de roupa e fechou a porta de seu apartamento. Com passos leves, seguiu Dunn enquanto descia pelas escadas e caminhou em direção à entrada do prédio.
Em um ambiente tão tranquilo, Dunn Smith abriu a boca e disse, de repente:
— No final do sonho, por que você tentou escapar? Do que você estava com medo?
Klein imediatamente pensou em uma resposta, e respondeu:
— Eu não me lembro do que fiz na casa de Welch, nem me lembro se estava diretamente envolvido nas mortes de Welch e Naya. Eu estava com medo de que, se fosse realmente provado que tenha sido obra minha, preferiria arriscar e escapar. Eu poderia então começar do zero no Continente Sul.
— Eu teria feito o mesmo se fosse você — disse Dunn enquanto empurrava a porta do prédio, deixando entrar a brisa fresca da meia-noite para dispersar o calor sufocante de dentro.
Ele não estava com medo de Klein fugir enquanto entrava na carruagem. Era exatamente igual ao que Klein havia sonhado: uma carruagem de quatro rodas puxada por um único cavalo e o motorista da carruagem. Havia também o emblema policial de duas espadas cruzadas com uma coroa agregada gravado na lateral da carruagem.
Klein seguiu para dentro da carruagem. No interior, havia um carpete espesso disposto no piso e o lugar estava preenchido por um aroma suave.
Tendo se sentado, ele procurou por um tópico para sondar por mais informações.
— Sr. Smith, e se, quer dizer, e se a “especialista” confirmar que eu realmente me esqueci de parte de minhas memórias? E que não há nenhuma outra evidência que aponte para mim como criminoso ou vítima, isso terminaria?
— Em teoria, sim. Vamos tentar procurar o caderno por outros meios. Enquanto existir, ele pode ser encontrado. Mas é claro, antes disso teremos que ter certeza que você não está amaldiçoado ou tem algum rastro de cacodemonios, e que não há problemas psicológicos remanescentes. Devemos garantir que possa abraçar o resto de sua vida de forma pacífica e saudável. — Dunn Smith tinha um sorriso no rosto, um sorriso bastante incomum.
Klein percebeu esse ponto com atenção e prontamente perguntou:
— Em teoria?
— Sim, apenas em teoria. Nesse ramo de trabalho, há sempre coisas distorcidas, não ortodoxas e inexplicáveis acontecendo. — Dunn olhou Klein nos olhos e continuou — Sua continuação ou fim não são como podemos prever ou controlar às vezes.
— Por exemplo? — Klein realmente ficou assustado por um momento.
A carruagem atravessou uma rua quase vazia. Dunn pegou seu cachimbo de tabaco e cheirou-o, dizendo:
— Quando acreditamos que as coisas chegaram ao fim, com tudo voltando ao normal, isso ressurgiria de uma forma aterrorizante e arrepiante. Alguns anos atrás, lidamos com um caso relativo a um culto maligno. Eles faziam sacrifícios vivos para agradar a um deus do mal, fazendo com que os seguidores cometessem suicídio. Quando um dos seguidores foi escolhido, seus instintos de sobrevivência triunfaram sobre sua tolice, crenças distorcidas e drogas psicodélicas. Ele secretamente escapou e relatou à polícia. O caso foi entregue a nós. Foi uma missão muito curta, já que não havia Beyonders naquele culto. A divindade que eles adoravam era, na verdade, inventada aleatoriamente pelo seu líder apenas por causa de dinheiro e satisfação. Eles perderam a humanidade. Nós só usamos dois membros, juntamente com o apoio da polícia, para suprimir esse culto. Ninguém escapou impune. Para aquele delator, também confirmamos que não havia nenhum rastro demoníaco remanescente nele. Não foi amaldiçoado e não sofreu nenhum transtorno mental, e não teve nenhum problema de personalidade ou qualquer outra irregularidade, nada. Mais tarde, ele conseguiu um avanço decente em sua carreira, casou-se com uma esposa muito boa, teve um filho e uma filha. Seu passado sombrio parecia distante dele. O horror e derramamento de sangue pareciam ter desaparecido completamente.
Neste ponto, Dunn Smith riu e disse:
— Ainda em março deste ano, apesar de estar em boa situação financeira e ter uma esposa afetuosa e filhos adoráveis… ele se estrangulou até a morte em seu próprio escritório.
O luar carmesim do lado de fora da janela da carruagem brilhou sobre Dunn Smith.
Nesse momento, seu sorriso aparentemente sarcástico fez Klein se sentir indescritivelmente horrorizado.
— Se estrangulou até a morte… — Klein soltou um suspiro silenciosamente, como se estivesse vendo seu próprio fim trágico.
Mesmo tendo escapado uma vez, pode ser apenas temporário?
Existe alguma maneira de resolver isso por completo?
Se tornar um Beyonder para lutar contra isso?
A carruagem voltou ao silêncio. Inúmeros pensamentos surgiram na mente de Klein.
Sob um silêncio constrangedor, a carruagem viajou por um longo tempo em alta velocidade.
Assim que Klein decidiu consultar Dunn Smith em busca de alguma solução, a carruagem parou.
— Sr. Smith, chegamos ao apartamento de Welch. — A voz do motorista da carruagem foi ouvida.
— Vamos descer. — Dunn endireitou seu casaco preto que chegava à altura dos joelhos.
— Ah, deixe-me apresentar de antemão, o disfarce oficial da “especialista” é a mais famosa médium espírita do condado de Awwa.
Klein reprimiu seus outros pensamentos e perguntou, curioso:
— Então, qual é a verdadeira identidade dela?
Dunn se virou e olhou para trás, com seus olhos cinzentos e indistintos, ele disse:
— Uma verdadeira Médium Espiritual.
Capítulo 14
Capítulo 14 – A Médium
Uma verdadeira médium… — Klein repetiu esta descrição interiormente e não voltou a falar. Ele seguiu Dunn Smith pela carruagem.
A casa de Welch em Tingen era separada com um jardim. A estrada fora dos portões de metal oco permitia que quatro carruagens passassem ao mesmo tempo. Lâmpadas de rua se alinhavam às laterais da estrada a cada cinquenta metros. Elas pareciam diferentes das que Klein havia visto em sua vida anterior, eram lâmpadas de gás e a altura de cada lâmpada era aproximadamente a de um homem adulto, sendo conveniente para acendê-las.
O metal preto estava pressionado ao vidro, formando um padrão xadrez, projetando “ilustrações” semelhantes a lanternas de papel. Frio e calor estavam entrelaçados, enquanto a escuridão e a luz coexistiam.
Andando ao longo do caminho coberto por raios do pôr-do-sol, Klein e Dunn Smith entraram na casa alugada de Welch através do portão de metal entreaberto.
De frente para a entrada principal, havia uma rua cimentada que levava diretamente a um bangalô de dois andares. Duas carruagens poderiam passar de uma só vez.
Havia um jardim à esquerda e um gramado à direita. A fragrância fraca e agradável das flores misturada com o aroma da grama fresca fazia as pessoas sentirem-se felizes e relaxadas.
Assim que entrou, Klein tremeu e olhou ao redor.
Sentiu que, no jardim, em algum lugar no gramado, no telhado, atrás do balanço, em algum lugar em um canto escuro, pares de olhos estavam observando-o!
Não havia ninguém ali; contudo, Klein sentia como se estivesse em uma rua movimentada.
Este contraste estranho — este sentimento peculiar o deixou tenso. Um calafrio correu por sua espinha.
— Algo está errado! — ele não pôde deixar de exclamar a Dunn.
A expressão de Dunn permaneceu inalterada enquanto caminhava ao seu lado e respondia calmamente:
— Apenas os ignore.
Uma vez que o “Falcão Noturno” havia dito isso, Klein tolerou a sensação arrepiante de não ser capaz de perceber o agressor, apesar de ser seguido, espionado e observado. Passo a passo, ele chegou à entrada principal do bangalô.
Se isso continuar, ficarei louco… — Quando Dunn estendeu a mão para bater na porta, Klein rapidamente se virou. Flores balançavam ao vento, sem uma pessoa à vista.
— Entrem, cavalheiros. — Uma voz aparentemente etérea veio de dentro da casa.
Dunn virou a maçaneta, empurrou a porta e disse a uma mulher no sofá:
— Daly, algum resultado?
O lustre da sala de estar estava apagado. Um conjunto de dois sofás de couro rodeava uma mesa de centro de mármore.
Sobre a mesa havia uma vela acesa, mas a luz emitia um brilho azul-cobalto que cobria a sala de estar semi-fechada, a sala de jantar e a cozinha em um tom estranho e misterioso.
No meio do sofá estava uma senhora com um manto preto com capuz que usava sombra azul e blush. Uma pulseira de prata exposta com um pendente de cristal branco pendurado era usada ao redor do pulso.
À primeira vista, Klein teve uma sensação inexplicável. Ela estava vestida como uma verdadeira médium…
Ela estava se estereotipando?
Daly, a “médium” de beleza estranha, olhou rapidamente para Klein com seus brilhantes olhos esmeraldas, então olhou para Dunn Smith e disse:
— Os espíritos originais desapareceram, inclusive os de Welch e Naya. Agora, todos estes patifes não sabem absolutamente nada.
Espíritos? Médium Espiritual… Todas as coisas invisíveis que estavam espionando anteriormente eram espíritos? Havia tantos deles? — Klein tirou o chapéu e colocou-o no peito, curvando-se ligeiramente ao dizer:
— Boa noite, Madame.
Dunn Smith suspirou.
— Isso é complicado… Daly, este é Klein Moretti. Veja se consegue tirar alguma coisa dele.
A médium, Daly, imediatamente desviou o olhar para Klein. Apontou para uma poltrona e disse:
— Por favor, sente-se.
— Obrigado. — Klein assentiu, deu alguns passos e sentou-se obedientemente. Seu coração disparou incontrolavelmente.
Se eu sobreviver, se eu passar por isto com sucesso ou se meus segredos forem revelados, tudo dependerá do que acontecer a seguir!
E a coisa que o fez se sentir mais desamparado foi que ele não tinha nada em que confiar. Ele só podia colocar suas esperanças em sua especialidade inerente…
Este sentimento realmente é uma droga… — pensou Klein amargamente.
Em seguida, Dunn sentou-se no sofá de dois lugares em frente a Klein. Daly tirou duas garrafas de vidro do tamanho de um polegar da sua bolsa de cintura.
Seus olhos esmeraldas sorriram para Klein enquanto ela dizia:
— Eu preciso de um pouco de ajuda aqui. Afinal, você não é um inimigo, não posso tratá-lo rudemente. Isso pode deixá-lo desconfortável ou causar dor. Pode até deixer alguns efeitos secundários sérios em você. Lhe darei algumas fragrâncias, fazendo se sentir suave e calmo, o que permitirá que se solte pouco a pouco para que possa realmente se entregar a esses sentimentos.
Isso soou tão errado… — Klein ficou boquiaberto enquanto seus olhos se encheram de choque.
Sentado à sua frente, Dunn riu e disse:
— Não se assuste, somos diferentes do pessoal da Igreja do Senhor das Tempestades. Aqui, as mulheres também podem provocar verbalmente os homens. A este respeito, você deve ser capaz de entender, sua mãe era uma crente devota da Deusa. Você e seu irmão frequentavam a escola dominical na Igreja.
— Eu entendo. É que eu nunca pensei que ela seria tão… tão… — Klein gesticulou, pois não conseguia encontrar as palavras certas. Ele quase deixou escapar outra palavra para “mulher experiente”.
Dunn curvou os cantos da boca e disse:
— Não se preocupe. Na verdade, Daly raramente faz isso. Só quer usar estes métodos para te acalmar, ela prefere cadáveres a homens.
— Você me faz parecer pervertida— interveio Daly com um sorriso.
Ela abriu um dos pequenos frascos e pingou algumas gotas na brilhante chama azul da vela.
— Baunilha da noite, flor do sono e camomila, tudo destilado e extraído para formar essa essência floral aromática. Eu chamo de “Amantha”; significa tranquilidade no idioma Hermes. Seu cheiro é realmente incrível.
Enquanto conversavam, a chama da vela cintilou, evaporando a essência floral e enchendo a sala com seu aroma.
Um aroma maravilhosamente encantador entrou nas narinas de Klein. Ele não se sentia mais tenso, ficou imediatamente calmo como se estivesse olhando para a escuridão da noite silenciosa.
— Este frasco é chamada Olho do Espírito. Cascas e folhas de dragoeiro e álamo são secadas ao sol por sete dias e feita sua decocção três vezes. Então, elas são imersas em vinho Lanti. Claro, haveria vários encantamentos enquanto estamos… — Enquanto Daly descrevia o líquido, a substância âmbar pingou na chama azulcobalto da vela.
Ao cheirar o aroma etéreo do vinho aromático, Klein notou que a chama da vela estava dançando descontroladamente. O lustre da sombra azul e do blush de Daly brilhavam estranhamente, a ponto que ele via em dobro.
— É de grande ajuda para a mediunidade. É também uma essência floral que é suficientemente encantadora… — Enquanto Daly explicava continuamente, Klein sentiu como se sua voz estivesse vindo de todos os lados.
Perplexo, Klein olhou em volta e percebeu que tudo estava balançando e em um borrão. Sentiu como se estivesse envolto por camadas e camadas de neblina. Até mesmo seu corpo balançava enquanto se afastava antes de começar a flutuar e depois perder o equilíbrio.
Cores se misturavam como uma pintura impressionista, os vermelhos eram mais vermelhos, os azuis mais azuis, e os pretos mais pretos, parecendo mais definidos do que o normal. Era indefinido, e nebuloso como um sonho. Murmúrios distintos dos arredores soaram como se centenas e milhares de pessoas que não podiam ser vistas estivessem debatendo.
Isto é parecido com o ritual de aprimoramento de sorte que fiz antes, mas sem o tipo de loucura que faz sentir como se minha cabeça fosse explodir… — Klein olhou em volta e pensou, curioso.
Neste momento, sua visão estava presa em um par de olhos que eram cristalinos como esmeralda. Em um “sofá” embaçado estava Daly em um manto negro. Excentricamente, seu olhar se concentrou no topo da cabeça de Klein. Ela sorriu e, com uma voz gentil, disse:
— Deixe eu me apresentar apropriadamente. Eu sou a Médium
Espiritual, Daly.
Ainda posso… ter pensamentos racionais… É como quando estava no ritual de aprimoramento de sorte e na reunião… — O pensamento cruzou a mente de Klein enquanto ele intencionalmente se comportava confuso e disse:
— Olá…
— Os mundos mentais dos humanos são extremamente vastos. Muitos segredos estão escondidos dentro da mente. Olhe para o oceano, o que sabemos sobre ele é tudo no nível superficial. Mas, na realidade, no fundo do oceano, há uma porção maior que não vemos. Além das ilhas, existe todo o oceano. Há o céu sem limites que simboliza o mundo espiritual… Você é o espírito do seu corpo. Não só você sabe das ilhas acima, mas também sabe das coisas escondidas sob o mar, assim como todo o oceano… Qualquer coisa que exista deixa alguns vestígios para trás. As memórias superficiais das ilhas podem ser eliminadas, mas o que resta sob o mar e todo o oceano definitivamente terá uma projeção correspondente deixada nele…
Daly continuou a falar sem parar, enfeitiçando Klein. Os vagos ventos e sombras ao redor assumiram formas semelhantes. É como se o espírito de Klein estivesse totalmente exposto na forma de um oceano, esperando por ele para procurar e descobrir.
Klein observava pacientemente, enquanto “agitava” o oceano ocasionalmente. Em seguida, em um sussurro, ele respondeu:
— Não… Não consigo lembrar… Eu esqueci…
Ele expressou sua agonia no nível certo.
Daly tentou guiá-lo mais uma vez, mas o lúcido Klein não foi afetado.
— Ok. Vamos terminar aqui. Você pode sair.
— Sair.
— Sair…
O sussurro permaneceu e Daly desapareceu. O vento e as sombras começaram a se acalmar à medida que o cheiro etéreo e o aroma sutil do vinho aromático se tornaram novamente mais distintos.
As cores retornaram ao seu estado normal e a sensação difusa não estava mais por perto. O corpo de Klein tremeu e ele encontrou o equilíbrio novamente.
Ele abriu os olhos, que não tinha nenhuma lembrança de ter fechado, e notou que a vela com a chama azul brilhante ainda estava diante dele. Dunn Smith ainda descansava confortavelmente no sofá, da mesma forma como Daly com seu manto de capuz negro.
— Por que usou a teoria que pertence àquele bando de loucos maléficos, os Alquimistas da Psicologia? — Dunn franziu as sobrancelhas e olhou para Daly.
Enquanto guardava as duas pequenas garrafas, ela respondeu calmamente:
— Eu acho que é bastante preciso. Pelo menos, corresponde a algumas das coisas que fiz contato antes…
Sem esperar pela resposta de Dunn, Daly deu de ombros e disse:
— Este malandro não deixou nenhum rastro para trás.
Ao ouvir isso, Klein soltou um enorme suspiro de alívio. Pretensiosamente, ele perguntou:
— Oh, acabou? O que aconteceu? Senti como se tivesse tirado um cochilo…
Isso foi um passe, certo?
Felizmente, tive o “ritual de aprimoramento de sorte” como ensaio!
— Aceite como tal. — Dunn o interrompeu e olhou para Daly. — Já examinou os corpos de Welch e Naya?
— Os cadáveres podem nos dizer muito mais do que você imagina. É uma pena que Welch e Naya tenham de fato cometido suicídio. Então, a força que os levou a isso deve ser temida. Nenhum rastro foi deixado para trás. — Daly se levantou e apontou para a vela. — Preciso descansar um pouco.
O brilho azul-cobalto desapareceu, e a casa foi instantaneamente inundada por um tom vermelho embaçado.
……..
— Parabéns. Você pode voltar para casa agora. Mas lembre-se, não revele esse incidente para seus entes queridos. Tem que prometer isso. — Disse Dunn enquanto conduzia Klein até a porta.
Surpreso, Klein perguntou:
— Não há necessidade de examinar as maldições ou os rastros deixados pelos espíritos malignos?
— Daly não mencionou nada sobre isso, então não há necessidade — respondeu Dunn simplesmente.
Klein se acalmou. Quando o pensamento de suas preocupações anteriores veio à mente, ele perguntou apressadamente:
— Como posso ter certeza de que estarei livre de problemas a partir de agora?
— Não se preocupe — Dunn contorceu os lábios e disse. — Com base em estatísticas de incidentes semelhantes no passado, oitenta por cento dos sobreviventes do incidente não tiveram nenhuma horrível sequela. Sim… Isto é baseado no que eu sei… aproximadamente… mais ou menos…
— Então… ainda há um quinto dessas pobres almas… — Klein não se atreveu a tentar sua sorte.
— Então você pode considerar juntar-se a nós como um membro civil. Dessa forma, mesmo que haja algo, podemos descobrir a tempo — disse Dunn casualmente enquanto se aproximava da carruagem. — Ou simplesmente torne-se um Beyonder. Afinal, não somos babás. Não podemos cuidar de você o dia inteiro e nem mesmo ver o que você faz com mulheres.
— Eu posso? — Klein questionou a declaração.
Claro, ele não esperava muito. Afinal, como era possível ser uma parte dos Falcões Noturnos tão facilmente e obter o poder de Beyonders?
Esse era o poder dos Beyonders!
Dunn parou e virou a cabeça para olhar para ele.
— Não é que não pode… Depende…
O quê? — A transição em suas palavras chocou Klein. Ele olhou inexpressivamente para o lado da carruagem antes de responder:
— Sério?
Quem você quer enganar? É tão fácil se tornar um Beyonder?
Dunn riu levemente; seus olhos cinzentos estavam escondidos na sombra da carruagem.
— Não acredita em mim, né? Na verdade, quando você se torna um Falcão Noturno você perde muito. Por exemplo, liberdade. Mesmo que não falemos sobre isso agora, há outro problema. Em primeiro lugar, você não é membro do clero, nem um devoto. Não pode escolher o que quiser ou a abordagem mais segura. E em segundo lugar… — Dunn segurou a maçaneta e pulou na carruagem enquanto continuava. — Entre os casos em que nós, os Punidores Mandatados, a Consciência Coletiva das Máquinas e outros Judiciários, temos que lidar anualmente, um quarto deles é resultado de Beyonders que perderam o controle.
Um quarto… Beyonders que perderam o controle… — Klein ficou estupefato.
Nesse momento, Dunn virou-se ligeiramente. Seus olhos cinzentos eram profundos. Sem sinal de sorriso, ele continuou:
— E dentro desse quarto de casos, um grande número deles são nossos companheiros de equipe.
Capítulo 15
Capítulo 15 – O Convite
Uma onda de emoções tumultuadas surgiu no coração de Klein quando ouviu Dunn. Instintivamente, ele perguntou:
— Por quê?
Os Beyonders têm sérios perigos ocultos? Tanto que o Judiciário interno da Igreja e os Beyonders, que lidam com fenômenos bizarros, também são propensos a problemas?
Dunn entrou na carruagem e sentou em seu assento. Sua expressão e tom permaneciam os mesmos.
— Não é algo que você precisa entender. Nem é algo que você possa entender, a menos que se torne um de nós.
Klein ficou mudo por um momento, depois do qual ele se sentou e questionou em um tom que era meio duvidoso e meio brincando.
— Se eu não entender, como é possível que tome a decisão de me juntar?
E não se juntar significaria que Klein não poderia entender. Isto acabaria em um impasse…
Dunn Smith pegou o cachimbo mais uma vez, colocou-o contra o nariz e cheirou.
— Você provavelmente entendeu errado; um membro civil da equipe também é um de nós.
— Em outras palavras, enquanto eu me tornar um de seus funcionários civis, poderei entender os segredos relevantes, descobrir os perigos ocultos que afligem os Beyonders, e os perigos que podem ser encontrados, bem como considerar se quero me tornar um Beyonder futuramente? — Klein reorganizou seus pensamentos e parafraseou o que Dunn lhe contou.
Dunn sorriu e disse:
— Sim, esse é o caso, exceto por um ponto. Você não pode simplesmente se tornar um Beyonder só porque você quer, porque toda igreja será igualmente rigorosa neste aspecto.
Seria estranho se as igrejas não fossem rigorosas… — Klein satirizou silenciosamente, acrescentando que com um tom mais intenso associado a uma linguagem corporal mais forte:
— E os membros civis da equipe? Também deve ser muito rigoroso, certo?
— Não deve haver nenhum problema se for você — disse Dunn com as pálpebras meio fechadas enquanto soprava o cachimbo com um semblante parcialmente relaxado. No entanto, ele não o acendeu.
— Por quê? — Klein perguntou enquanto mais uma vez se debatia com dúvida.
Ao mesmo tempo, ele brincou internamente.
Então minha singularidade e halo como um transmigrador são semelhantes aos vaga-lumes à noite, sempre tão brilhantes e notáveis?
Dunn abriu suas pálpebras meio fechadas, seus olhos prateados refletindo a mesma tranquilidade de antes.
— Em primeiro lugar, você conseguiu sobreviver sem a nossa ajuda em tal situação. Certas qualidades excepcionais não estão presentes em outros. Por exemplo, sorte. Pessoas de sorte são frequentemente bem-vindas.
Vendo que a expressão de Klein havia ficado em branco, Dunn sorriu levemente.
— Tudo bem, apenas trate isso como uma declaração humorística. Em segundo lugar, você é um graduado do departamento de história da Universidade de Khoy; isso é algo que precisamos urgentemente. Embora um crente do Senhor das Tempestades, Leumi, pense em mulheres de uma forma repugnante, seus pontos de vista em relação à sociedade, humanidades, economia e política permanecem incisivos. Ele disse antes que talentos são fundamentais para manter uma vantagem competitiva e desenvolvimento positivo, um ponto que eu concordo plenamente.
Notando que Klein estava franzindo levemente as sobrancelhas, Dunn casualmente explicou:
— Você deve ser capaz de imaginar que muitas vezes encontramos documentos e objetos da Quarta Época ou de antes. Muitos cultos e hereges tentaram obter poder dessas coisas. Às vezes, eles podem levar a coisas estranhas e terríveis. Exceto pelos Beyonders em campos especiais, a maioria de nós não é boa com estudos, ou já passou dessa idade.
Dito isso, Dunn Smith apontou para a própria cabeça, e o canto da boca subiu um pouco como se estivesse zombando de si mesmo. Então disse:
— Aquele conhecimento seco e entediante sempre nos coloca a dormir. Até mesmo os Sem Sono não conseguem evitar. No passado, cooperávamos com historiadores ou arqueólogos, mas isso representava o risco de expor segredos e acidentes poderiam acontecer com esses professores e professores associados de outro modo não envolvidos. Assim, a adição de um profissional em nossa equipe é difícil de recusar.
Klein assentiu de leve e aceitou a explicação de Dunn. Com seus pensamentos em todo o lugar, ele perguntou:
— Então por que vocês não, diretamente, hum, treinam um?
Dunn continuou:
— Isso me leva ao terceiro ponto, que é também o último e mais importante ponto. Você já passou por uma provação semelhante, então convida-lo não viola a cláusula de confidencialidade. No que diz respeito ao desenvolvimento de outros, eu assumirei a responsabilidade se falhar. A maioria dos membros da nossa equipe e os funcionários civis da nossa equipe, vêm de dentro da Igreja.
Depois que Klein terminou de escutar em silêncio, ele perguntou curioso:
— Por que você é tão rigoroso em manter a confidencialidade? Espalhar as notícias publicamente para mais pessoas e aumentar a conscientização não diminuiria as chances de um erro semelhante acontecer novamente? O maior medo deriva do medo do desconhecido; podemos fazer o desconhecido se tornar conhecido.
— Não, a estupidez da humanidade vai além de sua imaginação. Na verdade, isso leva a mais pessoas emulando esses atos, criando mais caos e incidentes mais graves — Dunn Smith balançou a cabeça e respondeu.
Klein concordou e esclareceu:
— A única lição que os humanos podem aprender com a história é que os humanos não recebem lições da história, e estão sempre repetindo as mesmas tragédias.
— Essa famosa citação do imperador Roselle é de fato cheia de significado filosófico — concordou Dunn.
…Imperador Roselle disse isso? Este transmigrador sênior realmente não dava aos próximos qualquer chance… — Klein não sabia como dar seguimento às palavras de Dunn.
Dunn virou a cabeça e olhou para fora da carruagem. A fraca luz amarelada das lâmpadas da rua se entrelaçava para mostrar o esplendor da civilização.
—… Há um discurso similar dentro do judiciário das grandes igrejas. Esta pode ser a principal razão para a estrita confidencialidade e a proibição do conhecimento para pessoas comuns.
— Que é…? — Klein perguntou com seu interesse despertado, satisfeito em parecer estar espiando em segredos.
Dunn virou a cabeça; seus músculos faciais se puxaram tão levemente que quase não era visível.
— Fé e medo trazem problemas. Mais fé e mais medo trazem mais problemas, até que tudo seja destruído. — depois de dizer isso, Dunn suspirou:
— Além de orar por bênçãos e ajuda dos deuses, os humanos não podem resolver seus verdadeiros grandes problemas.
— Fé e medo trazem problemas. Mais fé e mais medo trazem mais problemas… — Klein recitou em silêncio, mas não conseguiu entender completamente.
O que se seguiu foi o medo da incerteza que veio do desconhecido. Era como as sombras escuras formadas pelas luzes da rua lá fora. Na escuridão sem luz, parecia que havia pares de olhos de aparência insensível e bocas totalmente abertas.
Enquanto o cavalo galopava vigorosa e agilmente e as rodas da carruagem puxavam o cavalo à frente, com a rua Cruz de Ferro à vista, Dunn quebrou o silêncio de repente e convidou formalmente Klein.
— Gostaria de se juntar a nós como um membro civil da equipe?
Na mente de Klein, surgiram vários pensamentos, tornando-o indeciso. Ele contemplou e perguntou:
— Posso ter algum tempo para pensar?
Como esse assunto tinha sérias implicações, ele não podia tomar a decisão apressada e imprudentemente.
— Sem problema, apenas me dê uma resposta antes de domingo — Dunn assentiu e acrescentou. — Claro, lembre-se de manter isso em segredo e não divulgue as informações sobre Welch a ninguém, incluindo seu irmão e sua irmã. Uma vez que isso seja violado, isso não só os trará problemas, mas você também terá que participar de um tribunal especial.
— Ok — respondeu Klein gravemente.
A carruagem foi novamente mergulhada em silêncio.
Vendo que eles estavam se aproximando da rua Cruz de Ferro e que ele estava quase chegando em casa, Klein de repente pensou em uma pergunta. Ele hesitou por alguns segundos antes de perguntar:
— Sr. Smith, que tipo de salário e benefícios um membro civil recebe?
Esta era uma pergunta séria…
Surpreso momentaneamente, Dunn sorriu instantaneamente e respondeu:
— Não há necessidade de se preocupar com isso. Nossos fundos são garantidos pela Igreja e pelo departamento de polícia. Para membros civis recém-registrados, os salários semanais são duas libras e dez soli. Dez soli adicional como compensação pelo risco e pela confidencialidade. O que soma um total de três libras, o que não é pior do que um professor universitário confirmado. Depois disso, seu salário aumentará gradualmente de acordo com sua experiência e contribuições. Quanto aos funcionários civis, o contrato é geralmente de cinco anos. Depois de cinco anos, pode sair normalmente se não quiser mais ficar. Só precisa assinar um contrato de confidencialidade vitalício e não pode sair de Tingen até que seja dada autorização. Se quiser se mudar para outra cidade, a primeira coisa que deve fazer é se registrar com os Falcões Noturnos local. A propósito, não há fins de semana e você só pode trabalhar em turnos. A todo momento, deve haver três funcionários civis em serviço e se você quiser ir para o sul ou à Baía Desi para férias, vai precisar organizá-lo com seus colegas.
Assim que Dunn terminou de falar, a carruagem parou e o prédio residencial onde Klein e seus irmãos residiam apareceu ao lado.
— Entendi — Klein se virou e desceu da carruagem. Ele parou ao lado e perguntou:
— A propósito, Sr. Smith, onde o encontro depois de tomar minha decisão?
Dunn deu uma gargalhada profunda e baixa antes de dizer:
— Vá até o ‘Bar Cão de Caça’ na rua Besik e encontre seu chefe, Wright. Diga a ele que você quer contratar um pequeno esquadrão de mercenários para uma missão.
— Huh? — Klein perguntou confuso.
— Nossa localização também é confidencial. Antes de concordar em se tornar um de nós, não posso lhe contar diretamente. Certo, Sr.
Klein Moretti, desejo-lhe um bom sonho esta noite também — Dunn sorriu ao dizer.
Klein tirou o chapéu e o saudou, observando como o ritmo da carruagem partindo gradualmente acelerava.
Ele pegou seu relógio de bolso.
Click! Ele abriu e viu que era apenas um pouco depois das quatro da manhã. A rua estava cheia de uma brisa fresca e relaxante. A luz fraca e amarela das lâmpadas da rua iluminava os arredores.
Klein respirou fundo e observou o silêncio profundo da noite à sua volta.
O distrito mais movimentado e barulhento do dia podia ser tão sem vida e tranquilo à noite. Isto estava em contraste gritante com as observações silenciosas e a sessão da médium na residência de Welch.
Foi só então que Klein percebeu que a parte de trás de sua camisa de linho estava encharcada de suor, fria e úmida, sem seu conhecimento.
Capítulo 16
Capítulo 16 – Caçando Ratos Com Cães
Ufa, finalmente passei o round com a médium…
Klein soltou um suspiro. Lentamente se virou e aproveitou a brisa fresca e a tranquilidade da noite enquanto caminhava cada vez mais perto da porta do prédio.
Ele pegou suas chaves, inseriu a chave correta e a girou suavemente, permitindo que a escuridão carmesim se expandisse com o rangido da porta abrindo.
Andando na escadaria sem uma única pessoa à vista e respirando o ar frio, Klein teve uma sensação inexplicável e surpreendente. Parecia que ele tinha algumas horas a mais que outros. Isso fez com que ele acelerasse seu ritmo.
Em um estado de espírito semelhante, ele abriu a porta do seu quarto e, antes mesmo de entrar, viu uma silhueta sentada em silêncio diante de sua escrivaninha. Tinha cabelos negros avermelhados, olhos castanhos brilhantes e um rosto delicado e bonito. Sem dúvida, ela era Melissa Moretti!
— Klein, onde você foi? — perguntou Melissa curiosa enquanto relaxava as sobrancelhas.
Sem esperar pela resposta de Klein, ela acrescentou:
— Agora mesmo, eu me levantei para ir ao banheiro e percebi que você não estava em casa. — Era como se ela quisesse saber tudo claramente, das causas e efeitos da questão à lógica subjacente.
Com grande experiência em mentir para seus pais, o cérebro de Klein deu uma volta antes de dar um sorriso amargo e responder claramente:
— Eu não consegui dormir novamente depois que acordei. Em vez de perder tempo, decidi que deveria treinar meu corpo. Então eu saí para correr um pouco. Olhe para o meu suor!
Ele tirou o casaco e virou de lado, apontando para as costas.
Melissa levantou-se, deu uma olhada sem entusiasmo e pensou por alguns momentos antes de dizer:
—Honestamente, Klein, você não precisa se estressar. Tenho certeza de que consegue passar na entrevista para a Universidade de Tingen. Mesmo se não conseguir, err, quero dizer, se… bem, você ainda pode encontrar melhores.
Eu nem sequer pensei na entrevista… — Klein assentiu com a cabeça e disse:
— Entendi.
Ele não mencionou a “oferta” que havia obtido porque não havia decidido se queria se juntar a eles ou não.
Olhando intensamente para Klein, Melissa de repente se virou e entrou no interior da casa. Ela pegou um objeto que parecia uma tartaruga. Era composto de itens como engrenagens, ferro enferrujado, molas de torção e molas comuns.
Depois de apertar rapidamente a mola de torção, Melissa colocou o objeto sobre a mesa.
Ka! Ka! Ka!
Dum! Dum! Dum!
A “tartaruga” se moveu e pulou com um ritmo que poderia atrair a atenção de qualquer um.
— Sempre que me sinto irritada, fico muito melhor vendo ele se mover. Tenho feito isso com muita frequência recentemente e é muito eficaz! Klein, experimente! — convidou Melissa enquanto seus olhos brilhavam.
Klein não recusou a boa vontade de sua irmã. Ele se aproximou da “tartaruga” e esperou que ela parasse antes de rir. Ele disse:
— Simplicidade e regularidade podem de fato ajudar a relaxar.
Sem esperar pela resposta de Melissa, Klein apontou para a “tartaruga” e casualmente perguntou:
— Você fez isso sozinha? Quando fez isto? Por que eu não estava ciente disto?
— Eu usei sobras de materiais da escola e coisas retiradas das ruas para fazer isso. Só foi concluído há dois dias — disse Melissa em seu tom habitual, o lado de seus lábios inclinou mais alguns graus.
— É impressionante — elogiou Klein sinceramente.
Como um menino com pouca habilidade na montagem de máquinas, ele encontrou grandes dificuldades até mesmo para montar um carro de brinquedo de quatro rodas quando criança.
Com o queixo ligeiramente levantado e os olhos levemente curvados, Melissa respondeu calmamente:
— É razoável.
— Ser excessivamente humilde é uma característica ruim — Klein sorriu levemente e continuou: — Isto é uma tartaruga, certo?
Instantaneamente, a atmosfera na sala deu um grande mergulho, deixando para trás um ar de gravidade por um tempo. Então, Melissa respondeu fracamente com uma voz que parecia enigmática como o véu carmesim:
— É um boneco.
Boneco…
Klein deu um sorriso desajeitado e tentou explicar:
— O problema está nos materiais, eles são muito rudimentares. — Depois disso, ele tentou mudar de assunto e perguntou :
— Por que você iria ao banheiro no meio da noite? Não há um toalete aqui? Você não dorme até o amanhecer?
Melissa ficou momentaneamente surpresa.
Apenas após alguns segundos que abriu a boca, preparada para explicar.
Naquele momento, um som intenso de digestão soou de sua área toracoabdominal.
— E-eu vou dormir mais um pouco!
Bang! Ela agarrou seu “boneco” em forma de tartaruga, trotou para o interior de seu quarto e fechou a porta.
O jantar da noite passada foi muito bom, ela comeu demais e agora seu estômago está tendo problemas para digeri-lo… — Klein balançou a cabeça enquanto sorria, caminhando lentamente em direção à sua escrivaninha. Sentou-se silenciosamente, ponderando quieto sobre o convite de Dunn Smith enquanto a lua carmesim surgia de trás das nuvens escuras.
Ser um membro civil dos Falcões Noturnos tinha suas aparentes desvantagens.
Sendo um transmigrador, “O Louco”, iniciador do misterioso Encontro, e os múltiplos segredos que tenho, será arriscado ficar sob os narizes da equipe da Igreja da Deusa da Noite Eterna, que é especializada em lidar com assuntos relacionados a Beyonders.
Contanto que eu me junte a Dunn Smith e sua equipe, certamente pretendo me tornar um Beyonder. Eu poderia então encobrir os benefícios obtidos pelo Encontro.
No entanto, me tornar um membro formal implicaria muitas restrições à minha liberdade, como quando um membro civil tem que relatar sua saída de Tingen. Eu não seria mais capaz de ir aonde quisesse ou fazer o que quisesse. Perderia muitas oportunidades.
Os Falcões Noturnos são uma organização rígida. Uma vez que uma missão é dada, só poderei esperar pelos arranjos e aceitar as ordens. Não há chance de rejeição.
Os Beyonders correm o risco de perder o controle.
…
Tendo todas as desvantagens listadas uma a uma, Klein passou a considerar as necessidades e vantagens:
A julgar pela situação do ritual de aprimoramento de sorte, não sou um dos oitenta por cento das pessoas de sorte. No futuro, haverá algum evento bizarro acontecendo comigo, aumentando os perigos que enfrento.
Somente me tornando um dos Beyonders ou me unindo aos Falcões Noturnos, posso estar equipado com a capacidade de resistir.
O desejo de se tornar um Beyonder não pode depender apenas do Encontro. A fórmula da poção não é um grande problema, mas onde posso encontrar os materiais correspondentes? Como posso obter e criá-las?
Não esquecendo o bom senso da prática diária, enfrento sérios obstáculos! Simplesmente não é possível consultar Justiça e O Enforcado em todos os assuntos e trocar todos os objetos com eles. Isso não apenas prejudicaria a imagem do Louco e despertaria suas suspeitas, mas também o momento seria inadequado para se comunicar sobre questões tão triviais.
Da mesma forma, não consigo produzir nada que possa despertar seu interesse.
Além disso, mais materiais deixariam, mais facilmente, o rastro de minha verdadeira identidade. Então, “disputas on-line” seriam efetivamente transformadas em “conflitos offline”, causando imensos problemas.
Me unindo aos Falcões Noturnos, definitivamente haveria contato com o conhecimento comum do mundo misterioso e dos canais relevantes. Isto pode acumular o suficiente em um círculo social correspondente e ser usado como vantagem. Só então posso iniciar o Encontro e, por sua vez, obter os maiores benefícios da Justiça e do Enforcado. Os ganhos podem se transformar em realidade, permitindo-me obter mais recursos e formar um ciclo virtuoso.
Claro, eu também poderia ir a uma organização que é suprimida pelas várias Igrejas, como os Alquimistas da Psicologia, mencionados por Dunn, e me juntar a eles.
Porém, também perderei minha liberdade e estarei em estado de constante medo e ansiedade. No entanto, mais importante, não tenho ideia de onde encontrá-los. Mesmo que consiga obter tal informação do Enforcado, esse contato precipitado com eles pode pôr minha vida em risco.
Tornar-se um funcionário civil deixa a oportunidade de moderar e sair.
O recluso inferior esconde-se na selva; o superior na multidão. Talvez a identidade de Falcão Noturno possa ser uma cobertura melhor.
No futuro, quando me tornar uma das principais autoridades do tribunal, quem imaginaria que eu sou um herege, o chefe da organização secreta que está trabalhando nos bastidores?
Quando os primeiros raios do sol da manhã brilharam, o carmesim desapareceu. Observando a luz dourada no horizonte, Klein se decidiu.
Ele encontraria Dunn Smith hoje e se tornaria um membro civil dos Falcões Noturnos!
Neste momento, Melissa, que havia levantado da cama novamente, abriu a porta do quarto. Ela ficou surpresa ao ver seu irmão se alongando de uma maneira sem glamour.
— Você não dormiu?
— Estava pensando em algumas coisas. — Klein sorriu, sentindo-se relaxado.
Melissa pensou por um momento e disse:
— Sempre que me deparo com problemas, listo os prós e contras, um a um, e os comparo. Depois disso, poderei ter uma ideia do que fazer a seguir.
— É um bom hábito. Eu também fiz isso — respondeu Klein, sorrindo.
O semblante de Melissa estava relaxado e ela não acrescentou mais nada. Segurando uma folha amarelada de papel e seus artigos de higiene, ela foi para o banheiro.
Sem pressa de sair depois que terminou o café da manhã e após a partida de sua irmã, Klein tirou um bom cochilo. Com base no que sabia, quase todos os pubs estavam fechados pela manhã.
Às duas horas da tarde, alisou as pregas de seu chapéu de seda e do lenço com uma pequena escova. Ele também removeu a sujeira para restabelecer a limpeza.
Depois disso, vestiu uma roupa formal, como se estivesse indo a uma entrevista.
A rua Besik estava um pouco longe, e Klein temia que fosse perder as “horas de trabalho” dos Falcões Noturnos. Portanto, não andou até lá, esperou pela carruagem pública na rua Cruz de Ferro.
No Reino Loen, carruagens públicas eram alocadas em duas categorias: sem pista e com pista.
A primeira consistia em uma carruagem puxada por dois cavalos e podia acomodar aproximadamente 20 pessoas sentadas, levando em conta o topo da carruagem. Existia apenas uma rota geral, sem estações específicas. Tinha operações flexíveis e poderia ser pega em qualquer lugar, a menos que estivesse cheia.
A segunda era operada pela Empresa Orbital de Transporte. Primeiro, um dispositivo de serviço ferroviário foi colocado na rua principal. Os cavalos se moviam na pista interna enquanto as rodas corriam nos trilhos, o tornando mais fácil e econômico. Poderia, assim, puxar uma carruagem de dois andares que acomodava quase cinquenta passageiros.
No entanto, o único problema era que a rota e as estações eram fixas, tornando muitos lugares inacessíveis.
Depois de dez minutos, o som das rodas atingindo os trilhos aproximou-se à distância. Uma carruagem de dois andares parou em frente à estação da rua Cruz de Ferro.
— Para a rua Besik — disse Klein ao motorista da carruagem.
— Você terá que se transferir na rua Champagne, mas quando chegar lá, leva cerca de dez minutos para caminhar até a rua Besik — explicou o motorista da carruagem a Klein, a respeito da rota.
— Para a rua Champagne então. — assentiu Klein em aprovação.
— São mais de quatro quilômetros, quatro centavos — disse um jovem de feição limpa e bonita, enquanto estendia a mão.
Era um trabalhador responsável pela coleta de dinheiro.
— OK. — Klein tirou quatro moedas de cobre do bolso e entregou para o jovem.
Ele andou até a carruagem e descobriu que não havia muitos passageiros. Mesmo no primeiro andar, havia alguns lugares vazios.
— Só tenho três centavos agora, então terei que voltar a pé… — Klein pressionou seu chapéu e sentou-se.
Neste andar, os homens e mulheres estavam, em maioria, bem vestidos, embora houvesse alguns usando suas roupas de trabalho, lendo jornais de lazer. Quase ninguém falava, e estava bem quieto.
Klein fechou os olhos e recarregou sua energia, indiferente ao ir e vir dos passageiros ao seu redor.
Ele passou de estação após estação até finalmente ouvir as poucas palavras “Rua Champagne”.
Depois de descer da carruagem, ele perguntou ao longo do caminho e logo chegou à rua Besik, onde viu o pub com o logo de cão amarelo acastanhado.
Klein estendeu a mão direita e deu um forte empurrão. A pesada porta se abriu gradualmente, inundando-o com uma onda de ruídos barulhentos e uma impetuosa onda de calor.
Embora ainda fosse tarde, já havia muitos clientes no pub. Alguns eram trabalhadores temporários, procurando oportunidades, esperando para serem contratados. Outros estavam simplesmente à toa, entorpecendo-se com álcool.
Além disso, o pub estava mal iluminado. No centro, havia duas grandes jaulas de ferro, com um terço de seu fundo afundando no chão sem nenhuma lacuna.
Pessoas seguravam xícaras de madeira com vinho e as rodeavam, às vezes discutindo alto enquanto riam, às vezes xingando.
Olhando curiosamente, Klein encontrou dois cães enjaulados dentro. Um era preto e branco, semelhante ao husky siberiano da Terra. O outro era totalmente preto, com pelo brilhante, deixando sua aparência saudável e feroz.
— Quer apostar? Doug ganhou oito jogos seguidos! — disse um homenzinho de boina marrom, aproximando-se de Klein e apontando para o cachorro preto.
Apostar? — Apanhado de surpresa no início, Klein recuperou os sentidos imediatamente.
— Rinha de cães?
Quando estava na Universidade de Khoy, aqueles estudantes aristocráticos e ricos sempre perguntavam, com desdém e curiosidade, se os trabalhadores grosseiros e os arruaceiros desempregados gostavam de participar de boxe e jogos de azar nos pubs.
Além de poder apostar em jogos de boxe e cartas, não incluía também atividades cruéis e sangrentas como rinha de galos, rinha de cães e outras?
O homem baixo sorriu.
— Senhor, somos pessoas civilizadas. Não nos envolvemos em atividades tão desagradáveis.
Dito isto, ele sussurrou:
— Além disso, foram introduzidas leis para proibir essas coisas ano passado…
— Então, em que estão apostando? — perguntou Klein curiosamente.
— O melhor caçador. — Assim que o homem baixo terminou sua frase, uma alta cacofonia soou.
Ele virou a cabeça, acenou com as mãos animadamente, e disse:
— Você não pode fazer uma aposta para esta rodada, já que ela começou, então espere a próxima.
Ao ouvir isso, Klein ficou na ponta dos pés, ergueu a cabeça e olhou o mais longe que pôde.
Viu dois homens fortes cada um arrastando um saco, chegando ao lado da jaula de ferro e abrindo a “porta da prisão”. Eles então despejaram o conteúdo do saco na jaula.
Havia animais cinzentos e repugnantes!
Klein tentou identificá-los com cuidado antes de perceber que eram ratos. Centenas de ratos!
Como a jaula estava enterrada no subsolo, sem quaisquer aberturas, os ratos se moviam em todas as direções, mas não conseguiam encontrar uma saída.
Naquele momento, assim que a porta da jaula foi fechada, a corrente dos dois cães foi desatada.
Woof! — O cão preto atacou e matou um rato em uma mordida.
O cão preto e branco ficou atordoado no início antes de começar a brincar animadamente com os ratos.
As pessoas ao redor ou levantaram suas xícaras de vinho e intensificaram o olhar ou gritaram alto:
— Morda! Matem!
— Doug, Doug!
Rinha com cães e ratos… — Klein recuperou os sentidos e o canto de sua boca se contorceu incessantemente.
O objetivo do jogo é determinar qual cão pode pegar mais ratos…
Talvez possa até apostar no número específico de ratos capturados…
Não é de admirar que havia pessoas comprando ratos vivos na rua
Cruz de Ferro…
Isso é realmente único…
Klein balançou a cabeça, rindo enquanto recuava, circulou ao longo da borda dos clientes alcoólatras e chegou à frente do bar.
— Novo por aqui? — disse o barman quando viu Klein enquanto limpava as xícaras. Ele continuou:
— Um copo de cerveja de centeio é um centavo. Cerveja Enmat, custa dois centavos. Quatro centavos para cerveja Southville, ou você quer um copo de puro malte Lanti?
— Eu vim aqui pelo Sr. Wright — disse Klein diretamente e sem rodeios.
O barman assobiou e gritou para o lado:
— Velhote, alguém está procurando por você.
— Oh, quem?… — uma voz vaga soou, e um velho embriagado levantou-se de trás do bar.
Ele esfregou os olhos, olhou para Klein e perguntou:
— Rapaz, você estava procurando por mim?
— Sr. Wright, eu gostaria de contratar um pequeno esquadrão mercenário para uma missão — respondeu Klein, de acordo com o que Dunn havia instruído.
— Um pequeno esquadrão mercenário? Está vivendo uma história de aventura? Isso não existe há muito tempo! — o barman interrompeu e sorriu.
Wright ficou em silêncio por alguns segundos antes de dizer:
— Quem te disse para procurar aqui?
— Dunn. Dunn Smith— respondeu Klein com toda a honestidade.
Instantaneamente, Wright soltou uma risada e respondeu:
— Entendo. Na verdade, o pequeno esquadrão mercenário ainda existe. Está apenas de outra forma, com um nome mais contemporâneo. Você pode encontrá-lo no segundo andar da rua Zouteland, nº 36.
— Obrigado — agradeceu Klein sinceramente antes de se virar e sair do pub.
Antes de sair do pub, os clientes alcoólatras que o rodeavam subitamente se acalmaram, enquanto murmuravam:
— Doug foi derrotado…
— Derrotado…
Klein sorriu e balançou a cabeça. Então saiu rapidamente e encontrou o caminho para a rua Zouteland depois de perguntar ao redor.
— 30, 32, 34… Aqui — ele contou os números da casa e entrou na escadaria.
Contornando a esquina e subindo devagar as escadas, viu a placa vertical com o nome atual do chamado pequeno grupo mercenário. — Companhia de Segurança Blackthorn.
Capítulo 17
Capítulo 17 – Departamento de Operações Especiais
— Companhia de Segurança Blackthorn.
Ao ver a placa, Klein ficou surpreso, mas achou razoável.
Cara… o que eu digo sobre isso… — Ele balançou a cabeça e riu antes de subir os degraus e bater gentilmente na porta entreaberta com sua mão direita.
Toc! Toc! Toc!
O som ecoou lento, mas ritmicamente, porém não houve resposta, apenas um fraco som de crepitar podia ser ouvido.
Toc! Toc! Toc!
Klein repetiu, apenas para ser recebido com o mesmo resultado.
Ele passou a empurrar a porta, aumentando a fresta enquanto olhava para dentro: um sofá clássico que poderia servir para atender aos hóspedes, uma poltrona de tecido macio e uma mesa de centro de madeira robusta. Havia uma garota de cabelos castanhos atrás de uma mesa logo em frente, com a cabeça caída.
Mesmo que “Companhia de Segurança” seja apenas um disfarce, isso não é muito… impróprio? Há quanto tempo esse lugar está fora de negócios? Certo, vocês não precisam de nenhum negócio… — Klein se aproximou enquanto reclamava silenciosamente e bateu na mesa logo ao lado da orelha da garota.
Toc! Toc!
A menina de cabelos castanhos sentou-se imediatamente e rapidamente levou o jornal à sua frente, cobrindo seu rosto.
Jornal Honesto da Cidade de Tingen… Belo nome… — Klein leu em silêncio o título da página em sua frente.
— O serviço de trem a vapor “Expresso Ascendente” que chega diretamente a Cidade de Constância, está iniciando suas operações hoje… Ah, vamos lá, quando haverá um que vá direto para a Baía de Brindisi. Eu realmente não quero pegar o navio por lá novamente, é péssimo, realmente horrível… Ei, quem é você? — a garota de cabelos castanhos leu pretensiosamente e deu sua opinião. Enquanto falava, abaixou o jornal e revelou sua testa brilhante e olhos castanho-claros, olhando para Klein com um olhar adulador e surpreso.
— Olá, eu sou Klein Moretti, e estou aqui a convite de Dunn Smith — disse Klein enquanto abaixava seu chapéu contra o peito e se curvava ligeiramente.
A garota de cabelos castanhos parecia ter vinte e poucos anos. Ela usava um vestido verde claro, típico de Loen, que era realçado por belas rendas nas mangas, gola e busto.
— O capitão… Tudo bem, espere aqui por um momento. Eu vou buscá-lo. — a garota se apressou e entrou na sala ao lado dela.
Ela não serviu nem mesmo um copo de água… O nível de profissionalismo é preocupante… — Klein sorriu levemente enquanto esperava em seu lugar.
Depois de dois ou três minutos, a garota de cabelos castanhos abriu a porta e saiu da sala. Ela disse com um sorriso doce:
— Sr. Moretti, por favor, siga-me. O capitão está de vigia no “Portão Chanis” e não pode sair no momento.
— Okay. — disse Klein e rapidamente a seguiu. Em sua mente, ele ponderou consigo mesmo.
Portão Chanis, o que poderia ser isso?
Passando pela divisória, a primeira coisa que viu foi um pequeno corredor, com apenas três escritórios em cada lado.
Alguns desses escritórios estavam trancados, enquanto alguns estavam abertos, revelando alguém no interior que digitava sem parar em uma pesada máquina de escrever.
De relance, Klein notou uma figura familiar: o jovem oficial que investigou seu apartamento, o de cabelos negros e olhos azuis e de aura romântica como um poeta.
Ele não estava usando uniforme; sua camisa branca de colarinho não estava colocada por dentro, deixando-o com uma aparência um tanto quanto indisciplinada.
Talvez ele realmente seja um poeta… — Klein acenou com a cabeça em saudação e foi respondido com um sorriso.
A menina de cabelos castanhos empurrou a porta do escritório à esquerda no final da sala e apontou para dentro, dizendo em um tom agudo:
— Nós ainda temos que descer alguns andares.
Este escritório não tinha móveis, apenas uma escadaria de pedra branca acinzentada que se estendia para baixo.
Os dois lados da escadaria estavam iluminados por lâmpadas a gás. O brilho estável dissipava a escuridão e dava uma sensação de harmonia.
A menina de cabelos castanhos foi na frente, olhando para seus pés enquanto caminhava com cuidado.
— Embora eu venha aqui muitas vezes, ainda tenho medo de cair e sair rolando como um barril. Você não sabe, Leonard fez tal tolice. No primeiro dia após ter se tornado um “Sem Sono”, no primeiro dia em que não havia dominado seus novos poderes, ele tentou descer correndo o lance de escadas e… e ele se tornou uma roda de carroça. Haha, foi hilário se você pensar nisso. Ah sim, foi o cara que te cumprimentou agora a pouco. Isso foi há cerca de três anos. Por falar nisso, estou com os Falcões Noturnos há cinco anos; eu tinha apenas dezessete anos quando me juntei…
A garota observava seus passos enquanto falava. De repente, ela bateu em sua testa e disse:
— Esqueci de me apresentar! Eu sou a Rozanne. Meu pai era um membro dos Falcões Noturnos, que se sacrificou em um acidente há cinco anos. Suponho que a partir de agora seremos colegas. Err, sim “colega” é a palavra certa… nós não somos colegas de equipe, já que não somos Beyonders.
— Espero ter a honra, mas ainda depende do que o Sr. Smith tem a dizer — disse Klein enquanto avaliava o ambiente fechado. Ele sentiu que estavam indo para o subsolo, pois a umidade escapava das paredes de pedra, dissipando o calor do verão.
— Não se preocupe, o fato de você ter chegado tão longe significa que o Capitão concordou. Eu sempre tive um pouco de medo dele, mesmo que ele seja amável, uma figura paternal. Eu não sei porque, mas ainda tenho medo. — disse Rozanne como se houvesse um pedaço de doce em sua garganta.
Klein respondeu bem-humorado:
— Ter medo de um pai não é normal?
— Verdade. — Rozanne disse enquanto se apoiava na a parede ao redor da curva.
Enquanto falavam, os dois terminaram de descer as escadas e chegaram a um piso de pedra.
Era um longo corredor; ambos os lados das paredes estavam equipados com lâmpadas a gás cercadas por grades de metal. As sombras de Klein e Rozanne foram alongadas sob a iluminação.
Klein percebeu que havia um “Emblema Sagrado das Trevas” a cada poucos metros, o símbolo da Deusa da Noite Eterna. Um fundo preto profundo pontilhado de adornos cintilantes, enquanto se agrupavam precisamente à metade da lua carmesim.
Esses emblemas não pareciam especiais, mas caminhar entre eles deu a Klein uma sensação de serenidade. Rozanne também parou de falar, ao contrário de seu estado anterior.
Em pouco tempo, um cruzamento apareceu à frente. Rozanne apresentou brevemente:
— O caminho da esquerda leva à Catedral de Santa Selena; à direita estão o arsenal, o depósito e os acervos. E logo em frente está o Portão Chanis.
Catedral de Santa Selena? Então, a rua Zouteland fica logo atrás da rua Luar Vermelho? — Klein ficou um pouco atordoado.
A Catedral de Santa Selena da rua Luar Vermelho era a sede da Igreja da Deusa da Noite Eterna em Tingen, um local sagrado onde os seguidores locais ansiavam por visitar. Juntamente com a “Catedral dos Números Sagrados” da Igreja do Deus do Vapor e da Maquinaria nos subúrbios, e a “Catedral do Rio e do Mar” da Igreja do Senhor das Tempestades no Norte de Tingen, eles sustentavam os círculos religiosos na cidade de Tingen e suas cidades e aldeias afiliadas.
Consciente de que seu status tornava-o impróprio para perguntar mais, Klein apenas ouviu em silêncio.
Eles passaram pelo cruzamento e seguiram em frente. Em menos de um minuto, um portão de ferro preto esculpido com sete emblemas sagrados foi visto.
Estava ali, pesado, frio e dominador, como um gigante protetor na escuridão.
— Portão Chanis — disse Rozanne lembrando-o e apontou para a sala ao lado dele — O capitão está lá dentro. Entre sozinho.
— Tudo bem, obrigado. — respondeu Klein educadamente.
A sala a que Rozanne se referia ficava logo em frente ao “Portão Chanis”. As janelas estavam abertas, revelando o interior da sala iluminada. Klein respirou fundo para se acalmar.
Toc! Toc! Toc!
— Entre. — ele ouviu a voz profunda e amável de Dunn Smith.
Klein abriu gentilmente a porta destrancada. Havia apenas uma mesa e quatro cadeiras no interior. Dunn Smith, com suas entradas capilares, usando o casaco preto da noite anterior e uma corrente com um relógio de ouro em volta do peito, estava lendo o jornal sossegadamente.
— Venha e sente-se. Você decidiu? Tem certeza de que quer se juntar a nós? — perguntou Dunn e sorriu enquanto abaixava o jornal.
Klein tirou seu chapéu e fez uma reverência, depois sentou-se ao lado da mesa e disse:
— Sim, tenho certeza.
— Então dê uma olhada nessa escritura, he he. As pessoas gostam de chamar isso de contrato agora. — Dunn puxou a gaveta da mesa e tirou duas cópias do contrato.
Não havia muitas cláusulas, e a maioria delas havia sido mencionada por Dunn Smith. A ênfase estava na cláusula de confidência. Violadores eram julgados nas cortes do tribunal da Igreja da Deusa da Noite Eterna em vez dos tribunais do reino. Era semelhante a como soldados e oficiais eram enviados para a corte marcial para julgamentos.
Um contrato de cinco anos… Duas libras e dez soli como salário semanal, dez soli como compensação pelo risco e confidencialidade… — Klein leu e respondeu com determinação:
— Não tenho nenhum problema com isso.
— Então assine — disse Dunn quando apontou para a caneta tinteiro vermelha escura e para a tinta.
Klein usou um pedaço de papel de rascunho para experimentar a caneta antes de respirar. Ele assinou em ambos os contratos com o seu nome: Klein Moretti.
Como ele ainda não tinha carimbo, só podia usar sua impressão digital.
Dunn recebeu o contrato, tirou um carimbo da gaveta e carimbou no final do contrato e em algumas partes importantes.
Feito isso, ele se levantou e devolveu um dos contratos com uma mão e esticou a outra para Klein, dizendo:
— Bem-vindo, de agora em diante você é um de nós e, por favor, não se esqueça de que o contrato também é confidencial.
Klein também se levantou, recebeu o contrato, apertou a mão dele e disse:
— Então, devo me dirigir a você como capitão?
— Sim. — os olhos acinzentados de Dunn pareciam especialmente profundos no ambiente escuro.
Depois de apertar as mãos, eles se sentaram. Klein olhou para o carimbo do contrato, que dizia: “Esquadrão dos Falcões Noturnos, Cidade de Tingen, Condado de Awwa, Reino de Loen.”
— Eu não acredito que vocês usariam o nome “Companhia de Segurança Blackthorn” como um disfarce — ele riu e disse.
— Na verdade, temos outras placas. — Dunn tirou um pedaço de papel da gaveta.
Era carimbado com os carimbos do governo da cidade e do departamento de polícia. O conteúdo era o seguinte: “Sétima Unidade, Departamento de Operações Especiais, Polícia do Condado de Awwa, Reino de Loen.”
— As primeiras quatro unidades são os policiais regulares responsáveis pela segurança geral, como a Unidade de Proteção VIP e a Unidade de Proteção de Instalações Essenciais. E da unidade cinco em diante são os que lidam com incidentes sobrenaturais em cada cidade. Nossa unidade é responsável por incidentes relacionados aos seguidores da Deusa da Noite Eterna em Tingen. Se houver diferentes tipos de seguidores, então dividimos a área de acordo; estamos principalmente encarregados de lugares como o norte, o oeste e a região do Golden Indus. —
Dunn apresentou brevemente. — A Unidade Seis do Esquadrão dos Punidores Mandatados sob a Igreja do Senhor das Tempestades está encarregada da região do cais, do leste e do sul. A área da universidade e os subúrbios estão sob a Unidade Cinco, que é o esquadrão da Consciência Coletiva das Máquinas em Tingen.
— Certo. — Klein não tinha dúvidas sobre isso. Então riu. — O que acontece se alguém realmente vier aqui devido à placa da “Companhia de Segurança Blackthorn” e solicitar nossos serviços?
— Nós aceitamos esses pedidos, por que não? Contanto que isso não afete nossas operações diárias — disse Dunn devagar e bemhumorado. — Qualquer ganho a mais seria considerado bônus adicional, então nossos membros estão sempre dispostos a aceitar esses trabalhos. De qualquer forma, o mercado para assuntos triviais e incômodos, como encontrar cães e gatos, foi monopolizado por detetives particulares.
— Então, quantas pessoas fazem parte deste esquadrão dos Falcões Noturnos? — Klein perguntou já que eles estavam neste tópico.
— Não há muitos incidentes sobrenaturais, então há ainda menos Beyonders. Há apenas seis membros formais dos Falcões Noturnos em toda a cidade de Tingen, incluindo eu. He he, quanto a equipe civil, há seis, incluindo você.
Klein acenou com a cabeça e eventualmente fez a pergunta que mais lhe preocupava:
— Então, capitão, o que você quer dizer com Beyonders perdendo o controle? Por que isso acontece?
Capítulo 18
Capítulo 18 – Origem e Causa
Ao ouvir a pergunta de Klein, Dunn olhou pela janela em direção ao corredor que levava ao Portão Chanis. Pegou o cachimbo, encheu-o com um pouco de tabaco e folhas de hortelã, e segurou-o próximo ao nariz. Ele respirou fundo enquanto sua voz se tornava reflexiva e flutuante.
— Só em casa posso apreciar os belos sabores do tabaco misturados com folhas de hortelã sem nenhuma preocupação… Klein, você conhece o mito da criação?
— É claro, quando recebi educação primária durante a escola dominical, aprendemos a ler usando A Revelação da Noite Eterna. Entre eles, o Livro da Sabedoria e as Cartas dos Santos mencionaram o mito da criação. — Klein tentou lembrar através dos fragmentos de memória do Klein original. Diminuiu o ritmo e continuou — O Criador acordou do Caos e quebrou a escuridão, criando o primeiro raio de luz. Ele então se fundiu completamente com o universo e criou toda a existência. Seu corpo se tornou a terra e as estrelas. Um de seus olhos tornou-se o sol, enquanto o outro se tornou a lua carmesim. Parte de seu sangue correu para os mares e rios, nutrindo e alimentando vidas…
Klein subconscientemente fez uma pausa quando disse isso. Parcialmente, porque as memórias relevantes eram um borrão e também porque o mito da criação era muito semelhante ao mito da criação chinesa de Pangu.
A imaginação de pessoas de diferentes mundos compartilhava algo em comum em seus mitos e lendas!
Percebendo que Klein estava tendo “problemas”, Dunn sorriu e acrescentou:
— Seus pulmões se transformaram nos elfos; seu coração se transformou nos gigantes; seu fígado nos entes; seu cérebro nos dragões; seus rins nas serpentes emplumadas; seus cabelos se transformaram em fênix, seus ouvidos em lobos demoníacos, sua boca e dentes em mutantes, e seus fluidos corporais restantes se transformaram em monstros marinhos, dos quais o principal era a Naga. Seu estômago, seus pequenos e grandes intestinos e as partes malignas de seu corpo se transformaram em demônios, espíritos malignos e vários tipos de existências maléficas desconhecidas. Seu espírito se tornou o Eterno Sol Ardente, o Senhor das Tempestades, e o Deus do Conhecimento e Sabedoria…
— Sua sabedoria deu origem à humanidade. Essa foi a primeira Época, a Época do Caos. — Klein terminou a última frase para Dunn, mas achou engraçado e ridículo.
Como um ávido participantes de fóruns e redes sociais antes de transmigrar, foi a primeira vez que ele entrou em contato com um mito da criação “organizado” com tantos detalhes. Era tão detalhado que quase todas as raças proeminentes correspondiam a uma parte específica do corpo do Criador.
É como uma canção infantil com crianças sentadas em fila comendo frutas…
Além disso, a história não fora mencionada apenas no mito da
Deusa da Noite Eterna. As Igrejas do Senhor das Tempestades e do Deus do Vapor e da Maquinaria também tinham descrições semelhantes. Nenhum deles se rebaixava nem desvalorizava os outros deuses…
Isto quer dizer que o mito da criação é real ou sugere que as poucas igrejas passaram por um longo período de conflito antes de se comprometerem antes da Quinta Época…
Com isso em mente, Klein de repente teve outra dúvida. Ele perguntou com uma careta:
— Parece questionável. Por que o Eterno Sol Ardente, o Senhor das Tempestades e o Deus do Conhecimento e da Sabedoria nasceram diretamente do espírito do Criador, enquanto a Deusa não?
Nos registros pré-históricos da Revelação da Noite Eterna, a Deusa da Noite Eterna acordou apenas no final da Segunda Época. Junto com o Senhor das Tempestades, Eterno Sol Ardente e outros deuses, ela abençoou e ajudou a humanidade a sobreviver ao Cataclismo. Também conhecida como a Terceira Época, a época do cataclismo.
Foi durante esse tempo que a Mãe Terra e o Deus da Guerra apareceram. Quanto ao Deus do Vapor e da Maquinaria, cujo nome original era o Deus do Artesanato, nasceu apenas na Quarta Época.
Nesse sentido, a posição entre os deuses parecia evidente.
Os mais antigos eram mais ortodoxos. Era extremamente claro!
Isto também perturbava os crentes da Deusa da Noite Eterna.
Dunn Smith segurou seu cachimbo com a outra mão e, em vez de responder, ele retornou com uma pergunta:
— Repita o título completo da Deusa.
Klein imediatamente sentiu como se tivesse se esfaqueado. Ele esforçou seu cérebro e tentou o seu melhor para recordar.
— A Deusa da Noite Eterna é mais nobre que as estrelas e mais eterna que a eternidade. Ela também é a Dama Carmesim, a Mãe dos Segredos, a Imperatriz do Desastre e do Horror, Senhora da Calma e do Silêncio.
Felizmente, a mãe de Klein era uma crente devota da Deusa da
Noite Eterna. Quando ainda estava viva, ela recitava isso todas as noites no jantar. Embora as memórias do Klein original tivessem se fragmentado, nem tudo estava perdido.
— O que a Dama Carmesim simboliza? — perguntou Dunn com um tom de orientação.
— A Lua Carmesim. — No momento em que respondeu, ele imediatamente entendeu.
— Então de qual parte do Criador veio a Lua Carmesim? — perguntou Dunn com um sorriso.
— Um olho! — Klein e Dunn sorriram um para o outro.
Isto não era menos impressionante do que o Senhor das Tempestades que foi formado a partir de um terço do espírito do Criador!
Quanto às igrejas da Mãe Terra e do Deus da Guerra, provavelmente tinham explicações semelhantes. Entretanto, o Deus do Vapor e da Maquinaria tinha nascido demasiadamente tarde para encontrar uma razão; assim, sua igreja tinha sido fraca nos últimos mil anos. Foi somente com a invenção da máquina a vapor que eles aproveitaram a oportunidade para realmente o igualar aos outros deuses.
Dunn acariciou seu cachimbo gentilmente.
— A humanidade nasceu da sabedoria do Criador, por isso temos cérebros inteligentes e extraordinários, porém não temos poderes mágicos. No entanto, a partir do mito da criação, podemos formar uma conclusão simples, mas clara. Tudo deriva da mesma origem.
— Deriva da mesma origem… — Klein repetiu as últimas palavras.
— De acordo com esta conclusão, os humanos que são protegidos pelos deuses foram capazes de resistir aos gigantes, demônios e mutantes. Gradualmente, eles descobriram meios para obter o poder de Beyonders. Isto é, usando as partes correspondentes de espíritos malignos, dragões, monstros, árvores mágicas, flores ou cristais e combinando-os com outros materiais para formar poções. Ao consumir e absorver a poção, ganhamos poderes diferentes. Isso é de conhecimento comum entre os estudos de misticismo.
Dunn não elaborou detalhadamente e apenas deu uma breve introdução.
— Nesse processo, nossos ancestrais confiaram em dolorosas lições para descobrir que, se consumissem poções de alto grau ou extraordinárias, levaria facilmente a consequências trágicas. Há três resultados possíveis.
— Quais? — pressionou Klein curiosamente.
— Primeiro, a morte mental e o colapso completo de um corpo. Cada pedaço de carne se tornaria um monstro aterrorizante. Segundo, sua personalidade será alterada pelos poderes contidos na poção. Tornar-se-ão frios, sensíveis, irascíveis, cruéis e indiferentes. Terceiro, bem… — Dunn abaixou o cachimbo e pegou uma xícara de porcelana e tomou um gole. — O café Fermo do Vale do Rio Paz é amargo, mas muito aromático. Deixa um esplêndido sabor residual. Quer um?
— Prefiro café do Planalto de Feynapotter. Claro, eu só bebi algumas vezes na casa de Welch. — Klein recusou educadamente. — Qual é o terceiro resultado?
— Transtorno mental. Ficando louco na hora, se tornando mais diabólico do que o diabo. É isso o que significa perder o controle. — Dunn enfatizou as palavras “perder o controle”.
Sem esperar Klein dizer uma palavra, ele abaixou sua xícara de café e continuou:
— Após um longo período de experimentação e exploração, juntamente com o nascimento da Ardósia da Blasfêmia, os seres humanos finalmente aperfeiçoaram o sistema de poções. Formamos um sistema hierárquico que se une em caminhos de progressão estáveis conhecidos como Sequências, quanto menor o número em uma sequência, mais alto o grau da poção. Neste ponto, as sete principais igrejas controlam pelo menos uma sequência completa. Além disso, há também “caminhos” incompletos que eles reuniram ao longo das últimas centenas ou milhares de anos.
— Ardósia da Blasfêmia? — Klein notou claramente o termo.
No Encontro, O Enforcado também mencionou isso!
De acordo com O Enforcado, a Ardósia da Blasfêmia foi o fator mais crítico na formação e finalização do sistema de uma poção!
Isso parecia contradizer o que Dunn acabara de dizer.
— Foram coisas criadas por alguns deuses malignos. Quanto em que Era apareceu, o que contém ou o que há de tão especial nisso, também não tenho certeza. Se descobrir alguma pista, deve reportar imediatamente a mim. Merece o mais alto nível de resposta — disse Dunn vagamente — eu mencionei um dos tipos de perda de controle. Agora vou contar os quatro restantes.
— Tudo bem. — Klein empurrou a questão da Ardósia da Blasfêmia para o fundo de sua mente e ouviu atentamente.
— Embora os humanos tenham mentes inteligentes, eles não têm poderes extraordinários, mas isso não é absoluto. Há sempre alguns sortudos; talvez deva chamá-los de azarados. Eles nascem com percepção relativamente mais elevada. Bem, também significa a capacidade de sentir espíritos. Podem ouvir vozes que os outros não conseguem e ver coisas que outros não podem. Eles têm características parciais de Beyonders.
Enquanto Dunn falava, ele olhou para o ar vazio ao seu redor e viu Klein tremer de medo.
— Em outras palavras, seriam Beyonder de meia Sequência 9 e têm características fixas… Oh, Sequência 9 é grau mais baixo da
“cadeia”… Em suma, eles só podem escolher um caminho de Sequência fixo e correspondente. Se consumirem outras poções, os efeitos podem variar de transtornos mentais a perda de controle, ou pior ainda, a morte.
— Entendi. — Klein assentiu lentamente.
— O terceiro tipo é semelhante ao segundo tipo. Uma vez que você escolher uma cadeia de sequência, você será forçado a seguir esse caminho. Não haverá espaço para o arrependimento. Se você consumir poções da sequência correspondente de outros
“caminhos”, haverá uma alta probabilidade de obter poderes mistos, incomuns e distorcidos. Mas é quase certo que você estaria em um estado de semi-desequilíbrio; sensível e irascível, cruel e sanguinário, e silencioso e melancólico. E há apenas uma oportunidade. Depois disso, independentemente de você consumir as poções do caminho original ou poções da Sequência atual, o único resultado é a perda de controle. O resultado poderia ser a morte mental; alternativamente, o corpo se transforma em um monstro ou até mesmo em um espírito maligno — enquanto Dunn falava, ele levantou a xícara de café para tomar um gole.
Klein, que ficou alarmado e com medo depois de ouvir isso, ficou em silêncio por alguns segundos antes de perguntar:
— E quanto ao quarto tipo?
— O quarto tipo, he he. Esse é o problema mais comum. Quando consumimos poções para ganhar poderes que originalmente pertencem a seres extraordinários, passamos por uma transformação não natural. Portanto, seríamos mais ou menos afetados pelos poderes espirituais remanescentes. Embora os sintomas possam ou não se manifestar e serem indetectáveis para os outros, definitivamente ficarão à espreita. Se a pessoa se apressar a consumir a poção correspondente seguinte da Sequência antes de compreender os poderes extraordinários que a poção traz e eliminar os traços sutis, a loucura se acumulará, aumentando as chances de perder o controle… — de repente, Dunn ficou em silêncio.
Depois de uma breve pausa, ele disse com um suspiro:
— De acordo com as regras internas dos Falcões Noturnos, mesmo que um colega de equipe fizesse uma grande contribuição, ele precisa ter consumido a última poção há três anos e ser examinado antes de poder ser promovido. Mesmo assim, ainda há muitos que perdem o controle todo ano.
Que aterrorizante… — Klein soltou um suspiro e perguntou:
— Então, qual é tipo final?
Apesar dos lábios curvos de Dunn, não havia nenhum vestígio de sorriso presente.
— O quinto tipo é a razão mais comum para uma perda de controle. Para Beyonders, a percepção espiritual de uma pessoa aumentaria mais ou menos. Quanto menor o número na sequência, mais aprimorada sua percepção. Portanto, eles ouviriam o que outros não podem ouvir, ver o que outros não podem ver, e encontrariam coisas que outros não encontrariam. Eles são constantemente confrontados com uma misteriosa sedução e feitiços ilusórios. Uma vez que sejam super estimulados ou tenham desejos gananciosos, eles irão lentamente pelo caminho da perda de controle.
Enquanto falava, Dunn olhou diretamente para Klein, suas pupilas cinzas refletindo sua figura.
Seu tom se tornou sombrio quando ele disse:
— O fundador dos Falcões Noturnos, o arcebispo Chanis, disse uma vez: “Somos guardiões, mas também um bando de infelizes miseráveis que lutam constantemente contra perigos e contra a própria loucura”.
Capítulo 19
Capítulo 19 – Artefatos Selados
— Somos guardiões, mas também um bando de infelizes miseráveis que lutam constantemente contra perigos e loucura.
O corredor do lado de fora da janela estava selado, suas paredes geladas. A sala estava iluminada com luzes amarelas brilhantes. A voz de Dunn Smith ecoou, enviando golpe após golpe ao coração de Klein. E o deixou temporariamente sem palavras.
Dunn balançou a cabeça e sorriu ao ver Klein em silêncio.
— Está muito desapontado? Beyonders não são como o que você imaginava. Estamos sempre andando ao lado do perigo.
— Há sempre um preço a pagar. — Klein se recuperou de seu choque e respondeu com uma voz trêmula.
Era verdade que nunca imaginou que a auréola, excepcional, e os aspectos incomuns de um Beyonder teriam tais ameaças ocultas. Talvez apenas porque estivesse ouvindo uma descrição sem testemunhá-la em primeira mão e que havia sido sugado para o vórtice com um incidente peculiar que já estava acontecendo. Klein logo pôs seu medo, inquietação, preocupação e apreensão sob controle.
É claro que a ideia de voltar atrás era inevitável; ela se arrastava e se recusava a sair.
— Nada mal. Muito maduro e racional… — Dunn terminou o último gole de café e acrescentou: — Além disso, os Beyonders não são tão poderosos quanto você imagina, especialmente um Beyonder de Sequência baixa. He, por que usaríamos 1 para representar a nota mais alta e 9 a mais baixa? Não vai contra a intuição e a lógica? A sequência baixa que, muitas vezes mencionamos, refere-se a um baixo grau ou um número alto. Eles são o ponto de partida da cadeia Sequencial. Muito bem, onde eu estava mesmo? Sim, Beyonders não são tão poderosos quanto imagina. O poder de um Beyonder de baixa Sequência não é páreo para armas, muito menos canhões. São apenas mais fascinantes e indefensíveis do que armas de fogo. Se tiver a chance de se tornar um Beyonder no futuro, você deve considerar o que eu disse hoje com cuidado. Não tome uma decisão precipitada.
Klein deu um sorriso autodepreciativo.
— Nem sei quando terei a chance.
Ele sentiu que não perderia a oportunidade se ela se apresentasse. Consumir a poção errada ou uma poção mais alta na Sequência podia ser evitado. O maior perigo potencial eram as sutis influências que as poções tinham e o que ele experimentaria por ter as percepções auditivas e visuais elevadas.
Para o primeiro, ele poderia se basear nas experiências de gerações de seus antecessores. Desde que não estivesse com pressa de avançar e pacientemente dominasse o controle sobre seus poderes, as chances de perder o controle eram relativamente baixas. Além disso, ainda precisava resolver o problema potencial que enfrentava atualmente. Ele tinha que entender a essência do misticismo e procurar uma maneira de transmigrar de volta. Estas eram as razões subjacentes para dar o primeiro passo. Ele não tinha como objetivo as poções mais altas, se fosse fácil perder o controle, ele poderia simplesmente não avançar, permanecer em sua Sequência original e confiar no conhecimento para planejar um caminho para “casa”.
Era desnecessário elaborar sobre os riscos potenciais. Quando Klein realizou o ritual de aprimoramento de sorte, ele quase ficou louco, os murmúrios que quase explodiram sua cabeça ainda estavam frescos em sua mente. Eles seriam inevitáveis se ele não se tornasse um Beyonder; portanto, era melhor ganhar poder que lhe permitisse se defender.
Com isso em mente, Klein sentiu que os prós claramente superavam os contras. Isso fez com que seus pensamentos de recusar quase desaparecessem.
Dunn pegou seu cachimbo novamente enquanto seus olhos cinzentos mantinham um traço de sorriso.
— Não posso te dar uma resposta precisa sobre isso. Para se tornar um Beyonder, em primeiro lugar, você deve realizar contribuições suficientes. Talvez amanhã ou depois de amanhã, você possa interpretar documentos antigos críticos. Talvez possa nos dar ideias valiosas para um de nossos casos? Em segundo lugar, depende dos arranjos dos superiores. Ninguém pode ter a certeza. Bem, eu acredito que agora você deve saber um pouco sobre os Beyonders. No futuro, não tome uma decisão precipitada. Agora, eu vou apresentá-lo aos trabalhadores civis do nosso time dos Falcões Noturnos.
Dunn se levantou e foi até a porta. Ele apontou na direção oposta do Portão Chanis e disse:
—Temos um contador e outra pessoa encarregada de adquirir as necessidades básicas e coletar suprimentos entregues pela Igreja e pelo departamento de polícia, enquanto é condutor de carruagens. Eles são profissionais e não precisam de turnos, para que possam descansar nos fins de semana. Os outros três funcionários civis são Rozanne, Bredt e Velho Neil. Seus trabalhos incluem: atender aos visitantes, limpar os quartos e preencher os arquivos de casos e listas de registro de inventário. Eles também guardam o arsenal, a despensa e os arquivos, aplicando estritamente o registro, caso alguém deseje entrar, retirar ou devolver um item. Cada um tem um dia de folga por semana, além dos domingos. Eles negociam entre si sobre o arranjo de turnos noturnos e dias de descanso.
— Então, minha área de trabalho é a mesma que Rozanne e o resto? — Klein deixou de lado seus pensamentos sobre Beyonders e tentou esclarecer suas responsabilidades no trabalho.
— Não, não há necessidade. Você é um profissional — disse Dunn com um sorriso. — Você atualmente tem duas tarefas. Primeiro, toda manhã ou tarde, vá dar um passeio lá fora. Concentre-se nas várias ruas que levam da casa de Welch para a sua.
— O quê? — Klein ficou perplexo.
Que tipo de trabalho é esse?
Isso é profissional?
Dunn colocou as mãos nos bolsos do blusão preto e disse:
— Depois de confirmar que perdeu suas memórias, encerraremos o caso de Welch e Naya. Da mesma forma, aquele diário da família Antígono desapareceu completamente. Suspeitamos que o trouxe consigo. Você pode tê-lo escondido no caminho para casa, e pode ser por isso que não encontramos nenhuma pista em sua casa. Também é provável que esta é a razão pela qual você não estava com eles e tenha escolhido se suicidar em casa. Embora você tenha sido misteriosamente influenciado e tenha esquecido essa memória, o espírito e cérebro humanos são muito fascinantes, então pode haver vestígios residuais. Daly pode não ser capaz de obtê-los por meio de seus métodos como uma médium, mas isso não significa que não existam. Talvez você sinta uma sensação de déjà vu em um ponto familiar e crítico. É isso que desejamos obter.
— Entendi. — disse Klein elucidado.
A dedução dos Falcões Noturnos sobre a localização do diário era de fato razoável.
Ele era o único vivo entre as pessoas envolvidas. Só ele tinha tempo e motivo para pegar e esconder o diário no caminho de volta!
— Se puder encontrar o diário desta maneira, provavelmente terá contribuído o suficiente para se tornar um Beyonder — encorajou Dunn, indiretamente revelando a importância do diário.
— Espero. — Klein assentiu.
Dunn mudou de assunto novamente.
— Em segundo lugar, você tem um dia de folga a cada semana. Pode decidir qual dia é por enquanto. Quando não estiver lá fora, vá ao nosso arsenal e leia a literatura e os livros canônicos. Este é um trabalho para um historiador profissional. Quando terminá-los todos, terá que começar a pegar turnos com Velho Neil e o resto.
— Tudo bem, sem problema. — Klein soltou um suspiro de alívio.
Isso não é muito difícil…
Nesse momento, Dunn se virou e apontou para os portões negros que abriam para fora, esculpidos com sete emblemas sagrados.
— Este é o Portão Chanis. Foi nomeado em homenagem ao criador do moderno sistema dos Falcões Noturnos, Arcebispo Chanis. Há um sob a catedral central de todas as grandes cidades. É guardado por membros formais dos Falcões Noturnos em rotação. No interior, há pelo menos dois “Guardiões” que são enviados pela Igreja, bem como inúmeras armadilhas. Não deve se aproximar sob nenhuma circunstância; caso contrário, infortúnio cairá sobre você.
— Parece assustador — Klein expressou seus sentimentos.
— O interior é dividido em algumas zonas. São armazenadas certas fórmulas de poções para certas Sequências e outros materiais mágicos. Também é usado para manter temporariamente hereges, mutantes, cultistas e membros de organizações secretas. He he, eles eventualmente são enviado para a Santa Catedral — introduziu Dunn de passagem.
Santa Catedral? A sede da Igreja da Deusa da Noite Eterna localizada no Condado de Inverno ao norte do reino, Catedral da Serenidade? — Klein assentiu levemente, como se estivesse refletindo sobre o assunto.
— Além disso, há todos os tipos de documentos e registros confidenciais. Quando obter uma autorização mais alta, pode ter a chance de lê-los. — Dunn hesitou por um momento antes de acrescentar: — Atrás do Portão Chanis, também há Artefatos Selados no porão.
— Artefatos Selados? — Klein ruminou nos termos.
Parecia um termo especializado.
— Alguns dos itens extraordinários que coletamos e recuperamos são muito importantes e mágicos. Se caíssem nas mãos erradas, causariam imensa destruição. Portanto, temos que mantê-los estritamente confidenciais e observá-los com cuidado. Mesmo nós só podemos usá-los em circunstâncias especiais. Além disso… — Dito isso, Dunn parou por um momento antes de continuar. — Além disso, há algumas coisas lá dentro que são muito especiais. Possuem certas características “vivas” que podem atrair os Guardiões. Influenciar os arredores, tentar escapar, e causar resultados catastróficos. Eles têm que ser estritamente controlados.
— Que fascinante — comentou Klein melancolicamente.
— O quartel general dos Falcões Noturnos classificou esses Artefatos Selados em quatro graus. Grau 0 representa Extremamente Perigoso. Eles são da mais alta importância e confidencialidade. Não devem ser investigados, disseminados, descritos ou espiados. Eles só podem ser selados no porão da Santa Catedral — descreveu Dunn em detalhes. — Grau 1 é Altamente Perigoso. Eles podem ser usados de forma limitada. Sua autorização de segurança é limitada a bispos diocesanos ou Falcões Noturnos, diáconos e acima. A sede central da catedral de diocese, como Backlund, pode armazenar de um a dois artefatos. O resto é entregue à Santa Catedral. Grau 2 é Perigoso. Podem ser usados com cuidado e moderação. A autorização de segurança exige que um seja bispo ou um capitão de equipe dos Falcões Noturnos. As catedrais centrais das várias cidades podem armazenar de três a cinco artefatos. O resto é entregue à Santa Catedral ou à sede da diocese. Grau 3 é Consideravelmente Perigoso. Têm que ser usado com cuidado. Só pode ser aplicado em operações que requeiram três ou mais pessoas. A autorização de segurança exige que um seja um membro formal dos Falcões Noturnos. No futuro, você verá os documentos correspondentes. Através dos números, pode entender o que eles representam. Por exemplo, 2-125 significa um artefato de nº 125 selado de categoria Perigosa.
Enquanto Dunn falava, ele de repente se virou e voltou para seu lugar, e tirou um pedaço de papel do fundo de uma gaveta.
— A propósito, dê uma olhada nisso. Três anos atrás, um arcebispo recém-nomeado perdeu o controle. Por alguma razão desconhecida, ele invadiu os vários níveis de proteção e desapareceu misteriosamente com um Artefato Selado de Grau 0. Memorize esta foto. Se o descobrir, não o alerte nem perturbe. Volte e relate isso imediatamente ou a chance de você morrer no cumprimento do dever é de mil por cento.
— O quê? — Klein recebeu o pedaço de papel. Não havia título, apenas uma foto em preto e branco com algumas linhas de palavras.
“Ince Zangwill. Sexo masculino. Quarenta anos de idade. Exarcebispo. Um Guardião dos Portões que falhou em sua promoção e foi seduzido pelo diabo e corrompido. Ele fugiu com o Artefato Selado 0-08. Particularidades são…”
A foto mostrava Ince Zangwill vestindo um manto de clérigo todo preto com botões em ambos os lados e uma boina. Seu cabelo era louro escuro e suas pupilas tão azuis que eram quase pretas. Tinha um nariz empinado e seus lábios estavam bem cerrados. Suas características faciais eram como uma escultura clássica sem rugas. A característica mais marcante era que ele era cego de um olho.
— A descrição do corrompido é tão detalhada, mas a única coisa sobre o Artefato Selado é seu codinome… — Klein honestamente ofereceu sua primeira impressão.
— É por isso que está ao mais alto nível de segurança. A busca pelo Artefato Selado nº. 0-08 é descrita apenas verbalmente e nunca escrita em palavras. Mesmo assim, a descrição será breve — disse Dunn com um suspiro. — 0-08 parece ser uma pena comum, mas não precisa de tinta para escrever. Isso é tudo.
Dunn não aprofundou o assunto. Ele puxou a corrente de ouro em seu blusão preto e tirou um lindo relógio de bolso da mesma cor, o abriu e deu uma olhada antes de apontar para fora.
— Eu disse tudo o que você precisa saber. Vá ao arsenal encontrar o Velho Neil e consiga que ele organize os documentos que você precisa ler. Ele não é um funcionário civil comum. Já foi um membro formal, mas devido a sua idade avançada, ele não conseguiu ser promovido. Sua saúde está mal, por isso não é mais adequado para ele lidar com casos. Além disso, ele não deseja se tornar um Guardião interno ou descansar em casa. Tudo que ele deseja é ser acompanhado por documentos e registros.
Capítulo 20
Capítulo 20 – O Esquecido Dunn
— Ok. — Klein curvou-se ligeiramente enquanto colocava sua cartola novamente. No entanto, sua mente estava preocupada com a aparência do Artefato Selado 0-08.
Parece ser apenas uma pena comum?
Escreve sem tinta?
Então qual é o seu uso real? O que o faz ser classificado como sendo do mais alto nível de confidencialidade, que é considerado como Extremamente Perigoso?
Pode ser uma caneta que mata qualquer um cujo nome é escrito?
Não, isso seria muito apelão. Ince Zangwill não precisaria fugir e se esconder se fosse esse o caso…
Assim que Klein se virou para sair, Dunn de repente gritou:
— Espere aí. Eu esqueci algo.
— O quê? — Klein virou a cabeça, seus olhos intrigados.
Dunn guardou seu relógio de bolso e disse com um sorriso:
— Mais tarde, lembre-se de visitar a contadora, a sra. Orianna, e receber um adiantamento de quatro semanas, um total de doze libras. Depois disso, você ganhará metade do seu salário toda semana até que a diferença seja coberta.
— Isso é demais. Não há necessidade disso, a quantia pode ser reduzida — disse Klein subconscientemente.
Ele não tinha objeção a um pagamento adiantado. Afinal de contas, ele nem sequer tinha o dinheiro necessário para pagar a viagem de carruagem pública para casa. No entanto, receber doze libras de uma só vez o deixou um pouco receoso.
— Não, é necessário — disse Dunn enquanto balançava a cabeça e sorria. — Pense bem, você ainda deseja continuar vivendo em seu apartamento atual? Onde precisa compartilhar um banheiro com tantos outros inquilinos? Mesmo que você não esteja se considerando, pense na jovem dama. Além disso…
Ele parou quando viu Klein concordar com a cabeça. Ele sorriu e avaliou os trajes de Klein e disse, sugerindo:
— Além disso, você precisa de uma bengala e deveria comprar um terno novo.
Klein ficou surpreso por um momento antes de voltar à realidade. Seu rosto imediatamente queimou de vergonha, já que o terno que ele estava usando era barato e de qualidade inferior.
Normalmente, uma cartola era feita de seda, custando de cinco a seis soli. A gravata-borboleta era três soli, uma bengala de prata era de sete a oito soli, uma camisa era três soli, enquanto calças, colete e um smoking custavam cerca de sete libras no total. Botas de couro eram de nove a dez soli. No total, um terno completo custava mais de oito libras e sete soli. Naturalmente, para ser um cavalheiro apresentável, era preciso uma corrente de relógio, um relógio de bolso e uma carteira.
Naquela época, o Klein original e Benson economizaram e economizaram antes de conseguir juntar uma quantia considerável. Quando eles foram a uma loja de roupas para verificar os preços, acabaram fugindo sem nem se incomodar em tentar pechinchar. Cada um deles comprou um conjunto em uma loja de pechinchas perto da rua Cruz de Ferro por um total de menos de duas libras.
Foi também por causa desse incidente que o Klein original ficou com uma impressão profunda sobre os valores das roupas.
— O-okay — gaguejou Klein em resposta.
Ele era como o Klein original. Era alguém que se importava com sua aparência.
Dunn pegou o relógio de bolso novamente e abriu-o para dar uma olhada no horário.
— Talvez você devesse encontrar a Sra. Orianna primeiro? Eu sei que você passará algum tempo com o Velho Neil, enquanto a Sra.
Orianna provavelmente voltará para casa em breve.
— Tudo bem. — Klein estava ciente de seu estado de pobreza e não se opôs a isso.
Dunn voltou para o lado da mesa e puxou algumas cordas penduradas enquanto disse:
— Vou chamar Rozanne para levá-lo até lá.
As cordas começaram suas atividades enquanto as engrenagens rangiam, produzindo um toque de campainha na área de recepção da Companhia de Segurança Blackthorn. Quando Rozanne ouviu, se levantou apressadamente e desceu com cuidado.
Não demorou muito para que ela aparecesse na frente de Klein novamente.
Dunn disse, bem-humorado:
— Eu não perturbei seu descanso, certo? Ah, leve o Moretti para a sra. Orianna.
Rozanne secretamente fez cara de desgosto, deu um meio sorriso e respondeu “animadamente”:
— Tudo bem, capitão.
— Isso é tudo? — naquele momento, Klein deixou escapar, surpreso.
Para obter o pagamento antecipado do financeiro, não há necessidade de pegar uma carta de aprovação do capitão? Você não deveria escrever alguma coisa?
— Sim? — Dunn respondeu, perguntando.
— Quero dizer, não preciso da sua assinatura para requerer um adiantamento da sra. Orianna? — Klein tentou ao máximo usar uma linguagem simples.
— Ah não. Não há necessidade. Rozanne é prova suficiente. — Dunn apontou para a garota de cabelos castanhos e respondeu.
Capitão, parece que não há quase nenhum gerenciamento de nossas finanças… — Klein resistiu sua vontade de fazer um comentário sarcástico antes de se virar para sair da sala com Rozanne.
Naquele momento, ele ouviu Dunn gritar novamente.
— Espere aí. Ainda há outra coisa.
Podemos terminar tudo de uma vez? — Klein voltou-se com um sorriso no rosto.
— Sim?
Dunn pressionou sua têmpora e disse:
— Quando você encontrar o Velho Neil, lembre-se de coletar dez balas antidemônios.
— Eu? Balas antidemônio? — Klein respondeu, espantado.
— O revólver de Welch ainda está com você, certo? Não há necessidade de entregá-lo. — Dunn colocou uma única mão no bolso e continuou: — Com as balas antidemônio, se você enfrentar um perigo paranormal será capaz de se proteger. Uh, vai te dar um pouco de coragem, pelo menos.
Não havia necessidade de você adicionar a sentença final… — como Klein estava incomodado com o problema, ele respondeu sem qualquer hesitação:
— Tudo bem. Vou me lembrar de fazer isso!
— Isso, sim, exigirá que eu escreva um documento formal. Espere um momento. — Dunn sentou-se e pegou a caneta tinteiro vermelha escura. Ele rabiscou uma “nota”, assinou e carimbou.
— Obrigado, capitão — recebeu Klein, agradecido.
Ele lentamente voltou antes de se virar.
— Espere aí.
Dunn gritou mais uma vez.
…Capitão, você parece estar na casa dos trinta. Por que tem os sintomas da demência? — Klein forçou um sorriso e virou-se para perguntar:
— Mais alguma coisa?
— Eu esqueci que você não é treinado para atirar, então pegar balas antidemônio seria inútil. Vamos fazer assim: pegue trinta balas normais todos os dias. Aproveite a oportunidade quando estiver fora para ir à esquina da rua, o campo de tiro subterrâneo na rua Zouteland, número 3. A maior parte pertence ao departamento de polícia, mas há uma que é especialmente para nós, Falcões Noturnos. Ah, sim, você também precisa receber um distintivo do Velho Neil. Caso contrário, você não poderá entrar no campo de tiro. — Dunn bateu em sua testa e pegou de volta o bilhete de Klein. Ele então adicionou a informação e carimbou-o com outro carimbo. — Um bom atirador é treinado gastando balas. Não se esqueça disso. — Dunn devolveu a Klein o bilhete modificado.
— Entendido. — Klein, que tinha medo do perigo, ansiava por visitar o campo de tiro naquele mesmo dia.
Ele deu dois passos em direção à saída antes de se virar cuidadosamente para trás. Ele deliberou antes de perguntar:
— Capitão, há mais alguma coisa?
— Não. — Dunn negou com firmeza.
Klein soltou um suspiro de alívio e andou direto para a porta. Enquanto caminhava, ele teve uma forte vontade de se virar para perguntar novamente, “Tem certeza de que não há mais nada?”
Ele resistiu o desejo e finalmente deixou a sala de Guarda com sucesso.
— O Capitão sempre foi assim. Ele frequentemente se esquece das coisas — enquanto Rozanne caminhava ao seu lado, ela delicadamente criticou o capitão. — Até minha avó tem uma memória melhor que a dele. Mas claro, ele só esquece as coisas triviais. Sim, coisas triviais. Klein, eu te chamarei de Klein no futuro. A sra. Orianna é uma pessoa muito afável. É fácil se dar bem com ela. O pai dela é um relojoeiro de excelente habilidade…
Enquanto Klein ouvia a menina de cabelos castanhos, ele voltou para o andar de cima usando as escadarias. Encontrou a sra. Orianna no escritório mais afastado, do lado direito.
Ela era uma mulher de cabelos negros usando um vestido de babados de renda. Ela parecia estar na casa dos trinta anos e tinha belos cabelos cacheados. Seus olhos verdes eram claro e sorridentes, e ela parecia refinada e elegante.
Depois que Orianna ouviu Rozanne repetir as instruções de Dunn Smith, ela pegou um papel e escreveu um recibo de pagamento adiantado.
— Assine aqui. Você tem um carimbo? Se não, você pode deixar uma impressão digital.
— Tudo bem. — agora familiarizado com os procedimentos, Klein completou as formalidades.
Orianna pegou uma chave de cobre e abriu o cofre que estava na sala. Enquanto contava as libras, ela disse com um sorriso:
—Você tem sorte. Nós temos dinheiro suficiente hoje. A propósito, Klein, você foi convidado pelo capitão porque estava envolvido em uma atividade paranormal e o fato de você ter uma especialidade?
— Sim, você tem uma intuição impecável. — Klein não foi mesquinho com seus elogios.
Orianna tirou quatro notas de fundo cinza-claro com padrões de um preto profundo impressos nelas. Depois de trancar o cofre, ela se virou e sorriu.
— Isso porque eu também tive uma experiência semelhante.
— Mesmo? — Klein mostrou um nível apropriado de surpresa.
— Você sabe sobre o serial killer que deixou a Cidade de Tingen em um frenesi dezesseis anos atrás? — Orianna entregou as quatro libras de ouro a Klein.
—…Sim! É o que teve cinco meninas mortas consecutivamente. Algumas tiveram seus corações e estômagos removidos por aquele Açougueiro Sanguinário. Minha mãe costumava usar essa história para assustar minha irmã quando éramos pequenos — disse Klein enquanto pensava nisso.
Ele recebeu as notas e descobriu que duas delas eram de cinco libras e duas eram de uma libra. Todas tinham um fundo cinza e estavam pintadas de preto. Os quatro cantos tinham padrões complicados e tinta especial para evitar falsificação.
As notas anteriores eram um pouco maiores e no meio delas estava o quinto rei do Reino Loen, o ancestral direto de George III, Henry Augustus I. Ele usava uma faixa de cabelo branco acima de seu rosto rechonchudo. Seus olhos eram alongados e ele tinha uma expressão anormalmente séria. No entanto, Klein sentiu uma indescritível sensação de proximidade com ele.
Esta é uma nota de cinco libras!
É quase igual a quatro semanas do salário de Benson!
No meio da nota de uma libra estava o pai de George III, o rei anterior, William Augustus VI. Esta figura poderosa tinha um bigode grosso e um olhar firme. Enquanto estava no poder, ele libertou o Reino Loen dos grilhões da antiga ordem, permitindo que sua nação recuperasse seu auge.
Todos eles eram “bons reis”… — Klein podia sentir um leve cheiro da tinta das notas que o animava e revigorava.
— Sim, se os Falcões Noturnos não tivessem chegado a tempo, eu teria sido a sexta vítima. — o tom da Sra. Orianna ainda insinuava uma sensação de medo, apesar do incidente ter acontecido há mais de dez anos.
— Ouvi dizer que o serial killer, não… o Açougueiro era um Beyonder? — Klein cuidadosamente dobrou as notas de papel e colocou-as no bolso interno de seu terno. Ele deu então um tapinha na área algumas vezes para confirmar que estavam lá.
— Sim. — a sra. Orianna assentiu com firmeza. — Ele matou ainda mais antes disso. A razão pela qual foi capturado foi porque ele estava preparando um ritual para o demônio.
— Não é de se espantar que ele queria diferentes órgãos… Desculpe, Sra. Orianna, por fazer você se recordar de lembranças tão desagradáveis — disse Klein sinceramente.
Orianna sorriu.
— Eu não tenho mais medo… Eu estava estudando contabilidade na escola de negócios na época. Estou aqui desde então. Tudo bem, vou parar de te impedir de fazer o que deveria. Você ainda precisa ir ver o Velho Neil.
— Até mais, sra. Orianna. — Klein tirou o chapéu e fez uma reverência antes de sair do escritório. Antes de descer, não pôde deixar de dar um tapinha em seu bolso interno para se certificar de que as doze libras ainda estavam lá.
Ele virou num cruzamento e se dirigiu para a direita. Não levou muito tempo para ver uma porta de ferro entreaberta.
Toc! Toc! Toc!
Enquanto bateu, uma voz envelhecida soou de dentro.
— Entre.
Klein abriu a porta de metal e descobriu uma sala apertada que permitia apenas uma mesa e duas cadeiras.
Havia uma porta de ferro bem trancada dentro da sala e atrás da mesa havia um velho de cabelos grisalhos vestido com um requintado manto preto. Ele estava lendo algumas páginas amareladas de um livro com a iluminação de uma lâmpada a gás.
Ele levantou a cabeça e olhou para a porta.
— Você é Klein Moretti? Rozanne disse que você foi muito educado quando ela veio aqui há um tempo atrás.
— Srta. Rozanne é realmente uma pessoa amigável. Boa tarde, Sr. Neil. — Klein tirou o chapéu como gesto de respeito.
— Sente-se. — Neil apontou para a lata de prata com ilustrações florais complexas sobre a mesa. — Você gostaria de uma xícara de café moído a mão?
As rugas na borda dos olhos e da boca eram profundas. Suas íris vermelho-escuras pareciam ligeiramente turvas.
— Não parece que você toma café…? — Klein notou que o copo de porcelana de Neil estava cheio de água.
— Haha, é um hábito meu. Não tomo café depois das três da tarde — explicou Neil com uma risada.
— Por quê? — perguntou Klein.
Neil conteve seu sorriso enquanto olhava nos olhos de Klein e disse:
— Receio que isso afetaria meu sono à noite. Isso me faria ouvir os murmúrios da existência desconhecida.
Klein foi momentaneamente incapaz de responder quando mudou de assunto.
— Sr. Neil, que documentos e livros eu devo ler?
Enquanto falava, ele pegou o bilhete escrito por Dunn.
— Qualquer coisa que tenha a ver com história ou que seja complicada e esteja incompleto. Para ser honesto, sempre tentei aprender, mas tudo o que consigo é ter uma compreensão rudimentar. O que é muito problemático para outros materiais como diários pessoais, livros contemporâneos, epitáfios, etc… — lamentou Neil. — Por exemplo, as coisas que tenho aqui exigem registros históricos mais detalhados para determinar o conteúdo exato.
— Por quê? — Klein ficou confuso.
Neil apontou para algumas páginas amareladas à sua frente.
— Estas são do diário perdido de Roselle Gustav antes de sua morte. Para manter as coisas em segredo, ele usou símbolos estranhos que inventou para fazer registros.
Imperador Roselle? O transmigrador sênior? — Klein ficou surpreso enquanto ouvia atentamente.
— Muitas pessoas acreditam que ele não morreu de verdade, mas se tornou um deus oculto. Portanto, os cultos que o reverenciam sempre realizaram vários rituais para tentar ganhar poder. Ocasionalmente encontramos tais incidentes e obtemos algumas cópias ou originais do diário dele — disse Neil, balançando a cabeça. — Até hoje, ninguém foi capaz de decifrar o verdadeiro significado dos símbolos especiais. Portanto, a Santa Catedral nos permitiu manter cópias para pesquisa, esperando que isso lhes traga uma agradável surpresa.
Com isso dito, Neil revelou um sorriso de satisfação.
— Eu já decifrei alguns símbolos e confirmei que eles representam números. Olhe o que eu descobri. Na verdade é um diário! Sim, desejo usar a história de diferentes períodos, especialmente eventos que giravam em torno do imperador. Ao comparar esses registros com aqueles registrados no diário no dia correspondente, posso tentar interpretar mais símbolos. Essa é a mente de um gênio, não é? — o velho cavalheiro de cabelos brancos e rugas profundas olhou para Klein com olhos brilhantes.
Klein concordou com a cabeça.
— Sim.
— Haha, você também pode dar uma olhada nessas páginas. Amanhã você terá que me ajudar com este diário. — Neil empurrou as poucas páginas amareladas para Klein.
Klein virou-as e deu uma olhada, mas ficou imediatamente surpreso!
Embora os “símbolos” tivessem sido copiados de uma maneira terrivelmente feia, a ponto de parecerem um pouco distorcidos, não havia como ele estar enganado…
Isso porque eram palavras com as quais ele estava muito familiarizado.
Chinês!
Isso é chinês simplificado, porra!
Capítulo 21
Capítulo 21 – Um Velho Amigo Num Mundo Diferente
Naquele instante, Klein até acreditava que havia transmigrado de volta. No entanto, a elegante lâmpada a gás, cercada por grades de latão e a lata incrustada de prata, que o Velho Neil mantinha guardado seu café moído à mão, fez com que reconhecesse a realidade em que se encontrava.
O transmigrador, Imperador Roselle, é mesmo um compatriota meu? Ele estava usando chinês simplificado, que não existe neste mundo, para registrar segredos? — com o sentimento indescritível de identificar um velho amigo em um mundo diferente, Klein leu rapidamente as três páginas.
“18 de novembro. Realmente um assunto fascinante. A experimentação sem objetivo concreto e um erro casual me fizeram descobrir o sujeito patético perdido e preso na escuridão profunda em meio às tempestades. Ele só pode se aproximar da realidade deste mundo no dia de lua cheia todo mês; no entanto, ele é incapaz de transmitir seus gritos. Ele tem sorte de ter me conhecido, o protagonista dessa época.”
“Depois de ler o parágrafo que escrevi acima, de repente me senti um pouco para baixo. Até meu chinês é escrito como uma tradução. Quatro décadas se passaram em um piscar de olhos. Minhas lembranças do passado parecem mais um sonho.”
“1 de Janeiro de 1184. Na grande festa de gala de Ano Novo, Lady
Florena estava realmente esplêndida.”
“2 de Janeiro. Meus diplomatas são todos idiotas!”
“3 de Janeiro. Fiz uma escolha precipitada naquela época. Em retrospectiva, eu deveria ter escolhido o Aprendiz, o Vidente ou o Saqueador. Infelizmente, não há como refazê-la.”
“4 de Janeiro. Por que meus filhos são tão estúpidos? Eu repeti tantas vezes. Não se deixe enganar por esses charlatões! O mais importante sobre poções não é controlá-las, mas digeri-las! Não se trata de usar poderes, mas de atuar! E o nome de uma poção não é apenas simbólico em sua essência, mas uma imagem concreta e a ‘chave’ da digestão!”
“9 de setembro. Foi estabelecida uma aliança me opondo. Feysac do Norte, Loen do leste, Feynapotter do Sul. Meus inimigos finalmente uniram forças, mas não tenho medo. Usarei fatos para ensiná-los que as gerações de armas e conhecimento não podem ser compensadas por meros números e Sequenciadores de baixo grau. Além disso, não é como se eu não tivesse subordinados.
Quanto aos de graus mais altos, heh heh. Esqueceram quem eu sou?”
“23 de setembro. Perdi as comunicações com o navio em busca da Terra Abandonada pelos Deuses. Eu deveria considerar inventar telégrafos sem fio. Espero que não seja afetado pela tempestade.”
“24 de setembro. Senhorita Ithaca é mais hipnotizante que a Senhora Florena. Talvez, esteja apenas sentindo saudades da minha juventude.”
Devido à complexidade dos caracteres em Chinês Simplificado, a fonte era ligeiramente maior que o normal, levando a um menor conteúdo em cada página. Além disso, para fins de preservação e pesquisa, o verso de cada página foi deixado vazio. Mesmo assim, Klein ainda sentiu uma onda de emoções ao ler o diário. Em particular, a descrição do imperador Roselle sobre o ponto crucial das poções fez com que sentisse que encontrou o caminho para a solução. Ele ficou emocionado por ter aprendido um segredo inestimável.
Talvez, isto será um guia para o meu caminho futuro como um Beyonder! Bem, as três páginas pertencem a registros em momentos diferentes. Parece que o imperador Roselle só escreve o ano no primeiro registro de cada ano. Não é possível determinar a que ano as duas páginas com setembro e novembro pertencem… Quem é o patético companheiro que ele descobriu?
O que realmente significa “digerir” e “atuar”?
Onde está a Terra Abandonada pelos deuses…?
Essas perguntas borbulharam na cabeça de Klein. Isso o deixou ansioso para reunir imediatamente todo o diário do Imperador Roselle e lê-lo de capa a capa!
— Klein? — nesse momento, o Velho Neil perguntou confuso ao seu lado.
Klein acordou enquanto deu apressadamente uma risada. — Eu pensei que seria o mais especial. Estava tentando decifrar e interpretá-lo.
— Você é jovem, realmente. — Velho Neil acenou, rindo. — Eu acreditava também que era o mais especial.
Klein folheou as três páginas em sua mão e depois de confirmar que não havia perdido nada, entregou-as a Velho Neil e, sem pensar, perguntou:
— Temos apenas essas poucas páginas?
Quero ver mais do Diário do Imperador Roselle!
— Você achou que haveria muitas? — Velho Neil acariciou os manuscritos enquanto suas rugas se aprofundavam em sua zombaria. — Para começar, não há muitos incidentes por ano que envolvam Beyonders e mistérios. Ah…, o principal motivo é a extinção gradual de espécies extraordinárias em nosso Continente Norte. Sem eles, não haverá muitas poções, fazendo com que o número de Beyonders diminua com o tempo. Ah…, ao longo dos últimos séculos, dragões, gigantes e elfos tornaram-se simplesmente registros em livros. Mesmo as pessoas do mar não são mais vistas perto das águas costeiras.
Ao ouvir isso, Klein de repente pensou em um meme e imediatamente disse com um sorriso:
— Acho que é hora de estabelecer uma Associação de Proteção a Dragões e Gigantes.
Velho Neil parecia confuso quando ouviu isso. Demorou algum tempo para perceber o que significava. Depois de descobrir seu significado, ele bateu na mesa e riu de uma forma não tão cavalheiresca.
— Haha, Klein, você realmente é bem-humorado. Esta é uma tradição do nosso Reino Loen. É bom que os jovens tenham senso de humor. Acredito que não deveríamos nos limitar. Por que estamos apenas protegendo dragões e gigantes? Devia se chamar “Associação de Proteção de Animais Fantásticos”.
— Não, não, não. Como podemos esquecer aquelas pobres plantas? — Klein balançou a cabeça.
Eles se olharam e proclamaram em uníssono:
— Associação de Proteção de Organismos Fantásticos!
Ambos riram em consentimento. O constrangimento e a falta de familiaridade da atmosfera entre eles se dissiparam consideravelmente.
— Há menos jovens interessantes como você hoje em dia… Onde eu estava? — as rugas do velho Neil continham um sorriso enquanto ele disse:
— Lembrei. Não há muitos incidentes por ano que envolvam Beyonders e mistérios para começar. Os retardados que reverenciam o imperador Roselle são a minoria da minoria. Já é muito bom que conseguimos obter três manuscritos… Bem, as outras catedrais ou dioceses maiores podem ter mais…
Depois de murmurar algumas palavras, ele pegou o bilhete de aprovação que Klein havia colocado na mesa mais cedo e deu uma olhada.
— São balas de pistola, de rifle, ou balas de pressão a vapor?
— É um revólver — respondeu Klein honestamente.
— Tudo bem. Vou buscá-las. Ahem, você tem um coldre de axila? Como um cavalheiro, não podemos deixar que você tenha um volume abaixo da sua cintura em público. — Velho Neil fez uma piada que todos os homens entenderiam.
— Heh, não. Preciso que o capitão o inclua no pedido? — Klein sorriu cooperativamente.
Velho Neil levantou-se e disse:
— Não há necessidade. Só preciso fazer um registro. É um item acessório. Repita depois de mim: item acessório.
— Você era professor no passado? — brincou Klein.
— Passei algum tempo na escola dominical da Igreja e nas escolas gratuitas. — Velho Neil acenou com o bilhete e tirou uma chave da gaveta. Ele então abriu a porta de ferro que levava a uma câmara interna.
Os Beyonders não parecem muito diferentes dos plebeus… — Klein murmurou em silêncio antes de lançar seu olhar sobre a mesa onde estavam as três páginas do diário.
Imperador Roselle está realmente envolvido no reino do mistério…
Seu diário é inestimável… Para outros, são apenas pedaços de papel. Não se sabe quando serão decifrados, mas são um tesouro valioso para mim! Me pergunto onde as partes restantes do diário estão…
Eu tenho que pensar em maneiras de conseguir mais… — a mente de Klein passou por reviravoltas, e mal conseguia se acalmar. Isso continuou até que Velho Neil voltou e fechou a porta de ferro.
— Dez balas antidemônio, trinta balas de revólver. Um coldre de axila e um distintivo do Departamento de Operações Especiais. Por favor, conte-os e os experimente. Lembre-se de assinar o livro de registro. — Velho Neil colocou os itens na mesa.
As balas de revólver estavam dispostas ordenadamente em uma caixa de papel dividida em três camadas. As balas brilhavam com um brilho amarelo como as balas de seu mundo original, mas pareciam mais estreitas.
Quanto às balas antidemônio, foram guardadas em uma pequena caixa de ferro. A forma era idêntica a balas de revólver normais, mas sua superfície era prateada. Após um exame cuidadoso, havia padrões complicados e deslumbrantes com minúsculos emblemas sagrados – um fundo preto pontilhado de estrelas e uma meia lua carmesim gravada na parte inferior.
O coldre de couro de boi parecia forte e veio com um cinto e uma fivela. Ao lado estava um distintivo do tamanho de meia palma. Tinha um fundo metálico com “Departamento de Polícia do Condado de Awwa” e “Sétima Unidade, Departamento de Operações
Especiais” inscrito prata. Formavam quase dois círculos selados e cercavam o emblema de “duas espadas cruzadas e uma coroa” da polícia.
— Infelizmente, não é um distintivo dos Falcões Noturnos — disse Klein um pouco desejoso e sondando.
Velho Neil sorriu e pediu que Klein testasse o coldre da axila.
Depois que tirou a jaqueta, Klein fez um grande esforço para amarrar o coldre, perto de sua axila esquerda.
— Nada mal. — voltou a vestir a jaqueta.
Velho Neil avaliou-o e acenou em satisfação.
— Combina com você. Meu julgamento está tão preciso quanto de costume.
Depois de guardar os outros itens nos bolsos e assinar o livro, Klein teve uma conversa curta e casual com o Velho Neil antes de sair.
No meio do caminho, ele de repente deu um tapa na testa.
Eu esqueci de aprender mais sobre as Sequências e poções. É tudo culpa do diário do Imperador Roselle…
Neste ponto, ele ainda não sabia qual era a primeira Sequência completa que a Igreja da Deusa da Noite Eterna possuía. Tudo o que sabia era que começava com a Sequência 9.
Rozanne tinha aparentemente mencionado algo… Os Sem Sono? — assim que Klein caminhava lentamente para as escadas, uma pessoa desceu.
Ele usava calças apertadas que facilitavam o movimento. Sua camisa branca não estava dentro da calça e ele tinha claramente um temperamento romântico de poeta. Não era outro senão o inspetor de polícia de cabelos escuros e olhos verdes que veio vasculhar a casa de Klein antes. Eles tinham se encontrado no andar de cima antes, mas não haviam trocado palavras.
— Boa tarde — cumprimentou o jovem poeta Falcão Noturno com um sorriso.
— Boa tarde. Acredito que não preciso de me apresentar — respondeu Klein com humor.
— Não há necessidade. Tenho uma profunda impressão de você. — O jovem Falcão Noturno estendeu a mão direita e disse:
— Leonard Mitchell. Poeta da meia-noite, Sequência 8.
Sequência 8… Ele é realmente um poeta… — Klein balançou a mão sorrindo enquanto respondia com uma pergunta:
— Você tem uma impressão profunda de mim?
Os olhos verdes de Leonard Mitchell eram profundos quando ele respondeu com um sorriso fraco:
— Você tem uma disposição especial.
Ele parece e soa tão gay… — os cantos da boca de Klein se moveram um pouco quando ele mal disse com um sorriso:
— Eu não penso assim.
— Depois de encontrar um acidente como esse, você permaneceu vivo apesar de não receber nossa proteção imediatamente. Isso faz com que seja especial o suficiente. — Leonard apontou para a frente. — Tenho que substituir o capitão. Até amanhã.
— Até amanhã. — Klein se virou para abrir caminho ao Falcão Noturno.
Enquanto caminhava até os degraus da escada, Leonard Mitchell de repente se virou e olhou para o chão pavimentado de pedra que estava iluminado pelo pôr do sol amarelo. Ele murmurou para o ar suavemente:
— Você conseguiu notar alguma coisa…
…
— Realmente, não há nada de especial sobre ele…
Capítulo 22
Capítulo 22 – Sequência Inicial
Depois que subiu as escadas e voltou para o salão de recepção, Klein estava prestes a se despedir de Rozanne quando ouviu a garota de cabelos castanhos dizer rapidamente:
— O capitão disse que você pode vir na segunda-feira. Ele quer que você resolva seus assuntos domésticos primeiro.
— …Tudo bem. — Klein nunca esperou que a administração dos Falcões Noturnos fosse tão humana e complacente. Isso o fez se sentir um pouco grato.
Ele planejava acordar cedo na manhã seguinte e aproveitar a oportunidade de “passear” para visitar a Universidade de Tingen. Planejou também, informar ao pessoal encarregado da seleção que não estaria participando das próximas entrevistas. Afinal, ele havia originalmente obtido a oportunidade de fazer a entrevista por causa da carta de recomendação de seu professor. De qualquer forma, era cortesia básica ter um encerramento formal, mesmo que não fosse por si mesmo, ele tinha que respeitar os esforços de seu mentor.
E em um mundo sem telefones, onde os telegramas eram cobrados por caractere, e o fato de que seria tarde demais para enviar uma carta, ele achava que pegar a carruagem pública para a universidade era a solução mais econômica e adequada.
Tendo recebido a aprovação especial do capitão, Klein não precisaria se cansar, ele poderia acordar tarde e ainda chegar lá a tempo.
Klein estava prestes a tirar o chapéu para se despedir de Rozanne quando de repente pensou em algo. Ele olhou ao redor e, suprimindo sua voz, disse:
— Rozanne, você sabe qual é o ponto de partida da Sequência completa da Igreja?
Klein havia esquecido de perguntar ao Velho Neil.
Os olhos de Rozanne se arregalaram quando ela olhou para Klein atônita.
— Deseja se tornar um Beyonder?
Era tão óbvio? — a linguagem corporal de Klein o traiu quando ele respondeu embaraçado:
— Tendo aprendido que poderes extraordinários e misteriosos existem no mundo, é inevitável que eu tenha alguns desejos.
— Oh, minha Deusa. Você sabe o quanto é perigoso? O capitão não te contou? Os inimigos dos Beyonders não são apenas cultistas ou bruxos das trevas, mas eles mesmos! Pessoas perdem o controle quase todo ano. Algumas até acabam se sacrificando! Não vai considerar como sua família se sentirá? — os gestos de mão de Rozanne amplificaram seu tom quando sua reação pareceu excessivamente agitada.
— Klein, acho que a melhor escolha é ser um funcionário civil. Quase não há perigo, e nosso salário aumenta a cada ano. Depois de alguns anos de trabalho, você terá economizado muito dinheiro, permitindo que alugue um bangalô no Distrito Norte ou nos subúrbios. Você pode então se casar com uma senhora rica e encantadora e ter uma família maravilhosa, e ter anjinhos adoráveis e impertinentes…
— Rozanne, espere! — Klein apressadamente a parou, irritado, quando percebeu que ela estava mudando de assunto. — Eu só quero… quero, bem, entender o básico por enquanto.
— Tudo bem… — Rozanne ficou em silêncio por alguns segundos enquanto baixava o olhar, sentindo um pouco de pena. — Devido ao que aconteceu ao meu pai, sempre que enfrento problemas semelhantes, eu costumo ficar… bem, você sabe, um pouco agitada. No entanto, sendo honesta, tenho muito respeito por qualquer homem ou mulher que de bom grado deseja ser um Falcão Noturno.
— Eu entendo, eu entendo — repetiu Klein.
Rozanne piscou seus olhos castanhos claros e acrescentou:
— Meu pai uma vez disse que nunca se deve pensar que podemos resolver riscos ocultos ou combater o perigo simplesmente nos tornando mais poderosos ou de Sequência superior. Na verdade, é o oposto. Encontrarão assuntos mais aterrorizantes. Ao enfrentar o desconhecido ou uma existência aterrorizante, a morte e a insanidade são os únicos resultados. Heh, ele acabou se sacrificando duas semanas depois de dizer isso… Klein, não olhe para mim com pena. Minha vida está ótima agora, realmente boa! É justo sentir medo em relação a esses assuntos!
— Só quero saber o básico… —repetiu Klein sua resposta anterior, sem saber se deveria rir ou chorar.
O Capitão explicou mais claramente do que você. E mesmo se não me tornar um Beyonder, já encontrei algo extraordinário…
— Tudo bem. — disse Rozanne. — Já ouvi a conversa do Capitão e Velho Neil. Como criaturas extraordinárias estão declinando ou se extinguindo, poucos de Sequência alta existem nesta era. Já é muito impressionante se tornar um Beyonder! Combinando nossa cidade de Tingen e os subúrbios, há centenas de milhares de pessoas, talvez até mais. No entanto, há apenas cerca de trinta Beyonders. Bem, é apenas meu palpite… Não estou contando cultistas e bruxos das trevas que se escondem nas sombras…
Sem esperar pela resposta de Klein, ela pareceu recuperar sua energia quando cerrou o punho e o levou ao peito.
— E entre esses mais de trinta Beyonders, a maioria deles está na
Sequencia 9! Uh, parece que desviei do assunto…
— Tudo bem. Era algo que eu também queria saber. — Klein desejava que Rozanne pudesse ser como de costume, revelando mais informações enquanto divagava.
— De qualquer forma, já é muito, muito impressionante se tornar um Beyonder! — repetiu Rozanne. — A Sequência inicial da Sequência completa da nossa Igreja é Sem Sono: Sequência 9, Sem Sono!
Realmente… — Klein assentiu enquanto observava Rozanne se esforçar para se impedir de descrever em detalhes.
— Deve ser capaz de adivinhar pelo nome. Um Sem Sono é alguém que não precisa dormir à noite. Três a quatro horas de descanso por dia é suficiente. Cara, tenho tanta inveja… Não, não mesmo! O sono é um presente dado a nós pela Deusa. É a verdadeira felicidade!
— Onde estava? Ah, certo. Um Sem Sono pode ver através da escuridão mesmo sem nenhuma luz. Quanto mais tarde na noite, mais poderosos eles se tornam. Quero dizer, mais poderosos nos aspectos da sua força física, sua intuição e suas capacidades mentais. No entanto, embora possam detectar perigos desconhecidos que se escondem no escuro, eles ainda dependem de balas antidemonio e outros itens para lidar com monstros que são incapazes de lidar via meios normais. Meu pai já foi um Sem Sono.
Sem esperar que Klein falasse, Rozanne continuou:
— Depois é o Poeta da Meia Noite de Sequência 8, e um nível acima é o Pesadelo de Sequência 7.
Pesadelo? — Klein lembrou instantaneamente que Dunn Smith havia guiado seus sonhos. Ele perguntou como confirmação:
— O Capitão?
— Você sabe? — a boca de Rozanne quase se transformou em forma de “O”.
— O capitão uma vez entrou no meu sonho… — Klein olhou ao redor enquanto baixava a voz mais uma vez.
— Entendi… — Rozanne foi iluminada enquanto respondeu com um sussurro.
Ela pegou uma xícara de café ao lado e tomou um gole antes de dizer melancolicamente:
— Há apenas dois Beyonders de Sequência 7 na Igreja da cidade de Tingen. É provável que o capitão seja um deles. Mesmo que vá para uma grande diocese como Backlund, ele ainda será uma figura impressionante. Alguns diáconos podem nem ser mais fortes do que ele!
— O Capitão é mesmo impressionante. — Klein ecoou com um sorriso.
Francamente, a aparição de Dunn Smith na noite passada deixou uma profunda impressão. Ele basicamente acreditava que Dunn era um Beyonder extremamente poderoso.
— Claro! — Rozanne orgulhosamente endireitou as costas.
Em instantes, ela disse com uma expressão aborrecida:
— Quanto ao que está acima da Sequência 7, não faço ideia. Entre todos os Falcões Noturnos, talvez apenas o Capitão saiba.
— E sobre as outras Sequências iniciais? As que não estão completas? — Klein ficou satisfeito ao mudar de assunto.
Tinha que ser dito que a descrição de Rozanne de Sem Sono combinava com suas imaginações e expectativas de Beyonders. No entanto, não era do tipo que ele queria se tornar. A Sequência 9 perfeita era provavelmente aquela que poderia estudar e compreender mais sobre os mistérios. Ao fazê-lo, ele poderia aproveitar para descobrir o motivo de sua transmigração e estabelecer as bases de sua futura transmigração de volta.
Rozanne pensou por um momento antes de dizer com um suspiro:
— Eu não sou tão interessada neste aspecto. Só sei que temos mais que outras igrejas. Afinal, a Deusa é a Mãe dos Segredos… Bem, deve haver duas ou três. Alguns de nossos colegas de equipe são frios e distantes, o que me faz temê-los. Eles também têm um cheiro estranho. Alguns membros… bem, quero dizer que você deveria falar com o Velho Neil. Ele sabe muito, bem como muitos rituais mágicos interessantes. Deixe-me pensar. Uma vez ele mencionou seu título Sequência 9, que também é o nome da fórmula da poção… Ah, sim, é chamado Espreitador de Mistérios.
Um grande número de rituais mágicos interessantes? Espreitador de Mistérios soa muito perto do que eu quero… — Klein ficou ligeiramente satisfeito.
— Além disso, também sei o nome de uma sequência 7, do tipo incompleta! — Rozanne disse com um tom de ostentação. Tinha acabado de pensar nisso enquanto tentava lembrar.
— Que é? — Klein estava anormalmente curioso.
Em um mundo onde Sequências altas eram escassas a ponto de possivelmente não existirem, a Sequência 7 provavelmente era considerada uma força bastante poderosa na Igreja.
Rozanne revelou um sorriso doce quando respondeu presunçosamente:
— Médium Espiritual!
— Mme. Daly? — perguntou Klein subconscientemente.
Após sua surpresa inicial, percebeu que não era nada inesperado. Apenas um Beyonder Sequência 7 poderia alcançar um desempenho tão impressionante como uma médium!
Os olhos de Rozanne se arregalaram mais uma vez quando ela disse, incrédula:
— C-como sabe disso também?
— Conheci a Mme. Daly. — Klein não escondeu o assunto.
— Tudo bem. — disse Rozanne com um tom invejoso. — Se eu puder me tornar um Médium Espiritual, assim como Mme. Daly, então estarei disposta a ser um Beyonder. Não, eu vou considerar cuidadosamente, por dez minutos…
— Sim, Mme. Daly cumpre tudo o que imagino de um Beyonder — repetiu Klein de uma maneira um pouco exagerada.
Tendo cumprido seus objetivos, conversou com Rozanne por alguns minutos até perceber que não estava recebendo nenhuma informação nova. Ele tirou o chapéu e se curvou antes de sair.
Ao descer as escadas, Klein parou de repente depois de dar alguns passos. Estendeu a mão para guardar as notas em seu bolso interno.
Imediatamente depois, ele tirou doze notas de uma libra e apertou firmemente na palma da mão esquerda. Então, colocou a mão no bolso e se recusou a soltá-las ou retirá-las novamente. Sem perceber, um sorriso apareceu em seu rosto.
De acordo com os costumes do Império dos Amantes de Comida, China, deveria haver comemoração depois de ganhar dinheiro!
É hora de dar um presente à Melissa hoje à noite!
Capítulo 23
Capítulo 23 – Arma Secundária
Enquanto Klein caminhava por Zouteland e, ao mesmo tempo, absorvia a brisa quente e úmida, de repente percebeu algo.
Ele só tinha três centavos de trocado. Se voltasse para a rua Cruz de Ferro através de transporte público, lhe custaria quatro centavos. Se entregasse uma nota de uma libra de ouro, seria como usar um touro de cem dólares para comprar uma garrafa de água mineral barata na Terra. Não havia nada de errado nisso, mas era muito estranho fazê-lo.
Devo usar três centavos para percorrer três quilômetros e andar o resto do caminho? — Klein colocou uma mão no bolso enquanto diminuía o ritmo, considerando outras soluções.
Isso não! — logo, ele rejeitou a ideia.
Levaria um tempo para andar o resto do caminho. Considerando que ele estava carregando doze libras – uma enorme fortuna – não era seguro!
Além disso, ele deliberadamente não trouxe o revólver com ele, com medo que os Falcões Noturnos o confiscassem. Se ele encontrasse o perigo que instigou a morte de Welch, não haveria como ele se defender!
Trocar o dinheiro em um banco próximo? Não, nem pensar! Há uma taxa de processamento de 0,5%. Isso é muito extravagante! — Klein balançou a cabeça silenciosamente. Apenas pensar nas taxas envolvidas doía seu coração!
Tendo descartado uma solução após a outra, os olhos de Klein de repente se iluminaram quando ele viu uma loja de roupas à sua frente!
Isso mesmo! O normal não seria comprar algo com preço apropriado para obter alguns trocados? — Um terno formal, camisa, colete, calças, botas de couro e uma bengala estavam todos dentro do orçamento. Eles teriam que ser comprados mais cedo ou mais tarde!
Oh, é muito problemático quando se experimenta roupas. Além disso, Benson sabe mais sobre isso do que eu e ele é melhor em barganhas. Deveria considerar isso só depois que ele voltar… Então é melhor comprar uma bengala? Isso mesmo! Como diz o ditado, uma bengala é a melhor escolha de defesa de um cavalheiro. É quase tão boa quanto um pé de cabra. Uma arma em uma mão e uma bengala na outra é o estilo de combate de uma pessoa civilizada! — depois de debater internamente, Klein se decidiu. Ele se virou e entrou na loja de roupas “Roupas e Chapéus Wilker”.
O layout da loja de roupas era semelhante as lojas de roupas da Terra. A parede da esquerda estava cheia de fileiras de trajes formais. As fileiras do meio estavam enfeitadas de peças como camisas, calças, coletes e gravatas. À direita, estavam sapatos e botas de couro colocadas dentro de armários de vidro.
— Senhor, posso ajudá-lo? — um vendedor vestido de camisa branca e colete vermelho aproximou-se e perguntou educadamente.
No Reino Loen, os ricos e poderosos cavalheiros de alto nível gostavam de usar ternos pretos com camisas brancas combinadas com coletes e calças pretas. Suas cores eram relativamente monótonas, de modo que exigiam que seus servos, vendedores e assistentes de serviço se vestissem de modo mais brilhante e colorido, a fim de se distinguirem de seus mestres.
Em contraste, senhoritas e senhoras usavam vestidos de todos os tipos em modas glamorosas, e empregadas vestiam preto e branco.
Klein pensou por um momento antes de responder à pergunta do vendedor:
— Uma bengala. Algo que seja mais pesado e resistente.
Do tipo que pode rachar o crânio dos outros! — o vendedor de colete vermelho avaliou Klein furtivamente antes de levá-lo à loja.
Ele então apontou para uma fileira de bengalas no canto.
— Aquela bengala incrustada com ouro é feita de madeira Ironheart. É muito pesada e resistente, e custa 11 soli e 7 centavos. Quer experimentar?
Onze soli e sete centavos? Por que você não vai roubar um banco! Grande coisa a incrustação de ouro! — Klein ficou chocado com o preço.
Com uma expressão imperturbável, ele acenou gentilmente.
— Tudo bem.
O vendedor pegou a bengala e entregou-a cuidadosamente a Klein, aparentemente com medo de que Klein derrubasse e quebrasse a mercadoria.
Klein pegou a bengala e achou pesada. Ele tentou se mover com ela e descobriu que não podia manejá-lo como queria.
— É muito pesada. — Klein balançou a cabeça em alívio.
Isto não é uma desculpa! — o vendedor pegou de volta a bengala e apontou para outras três bengalas.
— Esta é feita de madeira de nogueira, criado pelo artesão de bengalas mais famoso de Tingen, Sr. Hayes. Tem um preço de dez soli e três centavos… Esta é feita de madeira de ébano e incrustada com prata. É dura como ferro, custando sete soli e seis centavos… Esta é feita do núcleo de uma arvore boli e também incrustada com prata, custando sete soli e dez centavos…
Klein experimentou cada uma delas e descobriu que tinham peso adequado. Ele então bateu com os dedos para entender suas durezas. Finalmente, ele escolheu a mais barata.
— Vou levar a de madeira de ébano. — Klein apontou para a bengala com a incrustação de prata que o vendedor estava segurando.
— Sem problema, Senhor. Por favor, siga-me para prosseguir com o pagamento. No futuro, se esta bengala estiver desgastada ou manchada, pode traze-la para nós que a trataremos gratuitamente. — disse o vendedor levando Klein ao balcão.
Klein aproveitou a oportunidade para soltar as quatro notas de libra que estava espremendo em seu punho.
— Bom dia, Senhor. São sete soli e seis centavos — o caixa atrás do balcão saudou com um sorriso.
Klein estava planejando manter sua imagem cavalheiresca, mas quando estendeu a mão com a nota de uma libra de ouro, não pôde deixar de perguntar:
— Posso conseguir um desconto?
— Senhor, tudo o que temos é feito à mão, por isso os nossos valores são mais elevados — o vendedor ao seu lado respondeu. — Como nosso chefe não está aqui, não podemos baixar os preços.
O caixa atrás do balcão acrescentou:
— Senhor, desculpe por isso.
— Tudo bem. — Klein entregou a nota e recebeu a bengala preta incrustada de prata.
Enquanto esperava o troco, ele deu alguns passos para trás e se distanciou deles. Ele girou a bengala com o braço como um teste.
Whoosh! Whoosh! Whoosh!
O vento soou pesado quando a bengala cortou o ar. Klein acenou com a cabeça em satisfação.
Ele olhou para a frente novamente, preparado para ver notas e moedas, mas ficou chocado ao ver o vendedor vestido de vermelho recuando para longe. O caixa atrás do balcão havia recuado para um canto, inclinando-se perto de uma espingarda de cano duplo pendurada na parede.
O Reino Loen tinha uma política semi-regulada sobre armas de fogo. Para possuir uma arma de fogo, é necessário solicitar um certificado de uso de armas para todos os propósitos ou uma licença de caçador. Independentemente do tipo, ainda não se podia possuir armas de fogo militares restritas, como semi-automáticas, armas de pressão a vapor ou metralhadoras de seis canos.
Um certificado de uso de armas para todos os propósitos poderia ser usado para comprar ou armazenar qualquer tipo de arma de fogo civil, mas conseguir o certificado era extremamente problemático. Mesmo os comerciantes de posição substancial podem não ser aprovados. A licença do caçador era relativamente fácil, até os agricultores dos subúrbios poderiam receber aprovação. No entanto, a licença era limitada a armas de caça com números restritos. Pessoas com recursos consideráveis tendem a se candidatar a uma para usá-la em legítima defesa e em situações de emergência, como agora…
Klein olhou para os dois vendedores desconfiados enquanto os cantos de sua boca se contorciam E riu secamente.
— Nada mal. Esta bengala é perfeita para balançar. Estou muito satisfeito.
Percebendo que não tinha intenção de atacá-los, o caixa atrás do balcão relaxou. Ele entregou as notas e moedas que tinha com as duas mãos.
Klein deu uma olhada no que recebeu e viu duas notas de cinco soli, duas notas de um soli, uma moeda de cinco centavos e uma moeda de um centavo. Não pôde deixar de assentir interiormente.
Depois de uma pausa de dois segundos, ele ignorou a forma como os vendedores o olhavam e desdobrou as quatro notas em direção à luz para garantir que as marcas d’água anti falsificação estavam presentes e guardou as notas e moedas quando terminou. Com a bengala na mão, ele inclinou o chapéu e saiu da “Roupas e Chapéus Wilker”. Ele gastou extravagantemente seis centavos pegando uma carruagem de curta distância e uma transferência antes de chegar em casa são e salvo.
Depois de fechar a porta, contou as onze libras e doze notas de soli três vezes antes de colocá-las na gaveta da escrivaninha. Ele então encontrou o revólver de bronze com o punho de madeira.
Clink! Clang! Cinco balas de latão caíram sobre a mesa quando Klein inseriu as balas antidemônio de prata que tinham padrões complicados e o emblema sagrado escuro no cilindro do revólver.
Como antes, ele só inseriu cinco balas e deixou um lugar vazio para evitar disparos. As balas restantes foram colocadas juntamente com as cinco balas normais numa pequena caixa de ferro.
Pa! Ele fechou o cilindro, dando uma sensação de segurança.
Ele animadamente colocou o revólver no coldre em sua axila e apertou-o com firmeza. Então, praticou repetidamente liberar e sacar a arma. Ele descansava sempre que seus braços doíam, e continuou até o pôr-do-sol, quando ouviu os sons dos inquilinos andando ao longo do corredor de fora.
Ufa! Klein respirou fundo antes de colocar o revólver no coldre.
Só então ele tirou seu terno formal e colete. Vestiu o habitual casaco marrom amarelado e balançou os braços para relaxá-los.
Tap. Tap. Tap. Ele ouviu o som de passos se aproximando seguido do som de uma chave sendo inserida.
Melissa com seu macio cabelo preto entrou. Seu nariz se contraiu um pouco enquanto ela olhava para o fogão apagado. O brilho em seus olhos diminuiu ligeiramente.
— Klein, vou aquecer as sobras da noite passada. Benson provavelmente chegará amanhã. — disse Melissa quando se virou para olhar o irmão.
Klein estava com as mãos nos bolsos enquanto se apoiava na borda da mesa. Ele sorriu e disse:
— Não, vamos comer fora.
— Comer fora? — Melissa perguntou, surpresa.
— Que tal o Restaurante Coroa de Prata na rua Narciso? Ouvi dizer que servem uma comida deliciosa — sugeriu Klein.
— M-mas… — Melissa ainda estava confusa.
Klein sorriu e disse:
— Para celebrar o meu novo emprego.
— Você encontrou um emprego? — a voz de Melissa se elevou, sem saber — Mas, a entrevista da Universidade de Tingen não é amanhã?
— Outro emprego. — Klein deu um leve sorriso antes de pegar as notas empilhadas da gaveta. — Eles até me deram um adiantamento de quatro semanas de pagamento.
Melissa olhou para as libras de ouro e soli enquanto arregalava os olhos.
— Deusa… Você – eles- que emprego você conseguiu?
Isso… — a expressão de Klein congelou enquanto ele considerava o que dizer.
— Uma empresa de segurança cuja missão é buscar, colecionar e proteger relíquias antigas. Precisavam de um consultor profissional. É um contrato de cinco anos, que me dá três libras por semana.
— Estava aborrecido com isto ontem à noite? — perguntou Melissa depois de um momento de silêncio.
Klein assentiu.
— Sim, embora ser um acadêmico na Universidade de Tingen seja respeitável, eu prefiro este trabalho.
— Bem, também não é ruim. — Melissa deu um sorriso encorajador e perguntou meio desconfiada e meio curiosa:
— Por que lhe dariam um adiantamento de quatro semanas inteiras?
— Porque precisamos nos mudar. Precisamos de um lugar com mais quartos e um banheiro que nos pertença — disse Klein, sorrindo e encolhendo os ombros.
Ele sentiu que seu sorriso era impecável, tirando a palavra:
— Surpresa?
Melissa ficou atordoada momentaneamente antes de falar de repente:
— Klein, estamos vivendo muito bem agora. Meus resmungos ocasionais de não ter um banheiro pessoal são apenas um hábito. Você se lembra de Jenny? Ela era nossa vizinha, mas desde que seu pai se feriu e perdeu o emprego, eles não tiveram escolha a não ser mudar-se para a rua de Baixo. A família de cinco acabou ficando em um quarto, com três deles dormindo em um beliche e dois deles dormindo no chão, e ainda querem alugar o local vazio restante para alguém…
— Comparado com eles, temos muita sorte. Não desperdice seu salário nisso. Além disso, eu amo a padaria da Sra. Smyrin.
Mana, por que sua reação é completamente diferente da versão em minha mente…? — A expressão de Klein ficou em branco quando ele ouviu sua irmã.
Capítulo 24
Capítulo 24 – Mão de Vaca
O céu foi gradualmente tingido de ouro enquanto Klein olhava nos olhos de Melissa. Ele ficou momentaneamente sem palavras; nenhuma das respostas que ele preparou poderia ser usada.
Ele tossiu levemente duas vezes enquanto tentou pensar em algo rapidamente.
— Melissa, isso não é um desperdício de salário. No futuro, meus colegas, bem como os colegas de Benson, podem vir nos visitar. Nós vamos hospedá-los em um lugar desses? Quando Benson e eu nos casarmos e tivermos esposas, ainda vamos dormir em beliches?
— Nenhum de vocês tem noiva ainda, certo? Nós podemos esperar um pouco e economizar mais dinheiro enquanto isso — respondeu Melissa de maneira lógica e concisa.
— Não, Melissa. Essa é uma regra social. — Klein ficou perplexo e só podia contar com princípios gerais. — Como ganho três libras por semana, preciso parecer que estou ganhando três libras por semana.
Para ser honesto, sendo experiente em dividir um apartamento alugado com outras pessoas, as atuais condições como Klein não eram estranhas para Zhou Mingrui. Ele estava bem acostumado com isso, mas foi por causa de sua experiência passada que ele sabia o quão inconveniente tal ambiente era para uma garota. Além disso, seu objetivo era tornar-se um Beyonder e estudar o misticismo para encontrar o caminho de casa. No futuro, ele estava destinado a realizar rituais mágicos em casa, e é mais propenso acidentes ocorrerem quando há muitas pessoas no mesmo prédio.
Klein viu que Melissa estava prestes a continuar discutindo e acrescentou rapidamente:
— Não se preocupe. Não estou planejando alugar um bangalô, mas provavelmente uma casa geminada. Basicamente, tem que ter um banheiro que podemos chamar de nosso. Além disso, também gosto do pão da Sra. Smyrin, biscoitos de Tingen e bolos de limão. Podemos primeiro considerar lugares próximos a rua Cruz de Ferro e rua Narciso.
Melissa fez beicinho e ficou em silêncio por um momento antes de assentir lentamente.
— Além disso, não estou com pressa de me mudar também. Temos que esperar até que Benson retorne — disse Klein, rindo. — Não podemos assustá-lo quando ele abrir a porta e não encontrar nada, não é mesmo? Imagine-o dizendo com espanto: “Onde estão minhas coisas? Onde estão meus irmãos? Onde é minha casa?
Esta é minha casa? Estou enganado? Deusa, acorde-me se isso for um sonho. Por que minha casa se foi depois de alguns dias de ausência!?”
Sua imitação da voz de Benson fez Melissa sorrir involuntariamente enquanto seus olhos se apertavam e revelavam suas covinhas rasas.
— Não, o Sr. Franky definitivamente estaria esperando na porta para que Benson entregasse as chaves do apartamento. Benson nem seria capaz de subir — a garota menosprezou o senhorio miserável.
Na Família dos Moretti, todos gostavam de fazer do Sr. Franky o alvo de suas piadas para cada assunto trivial ou importante. Foi tudo graças a Benson, que iniciou esta prática.
— Certo, claro que ele não trocaria as fechaduras para os próximos inquilinos — Klein repetiu com um sorriso. Ele apontou para a porta e disse, brincando:
— Senhorita Melissa, vamos para o Restaurante Coroa Dourada para celebrar?
Melissa suspirou gentilmente e disse:
— Klein, você conhece a Selena? Minha colega de classe e minha ótima amiga?
Selena? — uma imagem de uma menina com cabelo ruivo-vinho e olhos castanhos profundos surgiu na mente de Klein. Seus pais eram seguidores da Deusa da Noite Eterna. Eles a nomearam em homenagem a St. Selena, como uma bênção. Ela ainda não tinha dezesseis anos e era meio ano mais nova que Melissa. Era uma jovem feliz, alegre e extrovertida.
— Sim. — Klein assentiu em afirmação.
— Seu irmão mais velho, Chris, é um advogado. Ele atualmente ganha cerca de três libras por semana também. Sua noiva trabalha meio período como datilógrafa — descreveu Melissa. — Eles estão comprometidos há mais de quatro anos. Para garantir uma vida decente e estável após o casamento, ainda estão economizando dinheiro até hoje. Eles ainda têm que andar pelo corredor da igreja e planejam esperar pelo menos mais um ano. Segundo Selena, há muitas pessoas como o irmão dela. Eles normalmente se casam depois dos vinte e oito. Você tem que se preparar de antemão e economizar. Não desperdice seu dinheiro.
É só uma refeição num restaurante. Tem mesmo necessidade de me dar sermão…? — Klein ficou sem saber se devia rir ou chorar. Após alguns segundos de reflexão, ele disse:
— Melissa, já estou ganhando três libras por semana, e terei incrementos a cada ano. Não há necessidade de você se preocupar. — Mas precisamos economizar algum dinheiro no caso de emergências. Por exemplo, e se essa empresa de segurança fechar subitamente? Eu tenho um colega de escola cuja companhia do pai foi à falência. Ele teve que encontrar trabalho temporário no cais e suas condições de vida se tornaram terríveis instantaneamente. Ele não teve escolha senão abandonar a escola — aconselhou Melissa com uma expressão séria.
— …
Klein estendeu a mão para cobrir seu rosto.
— A-aquela empresa de segurança e o governo… Sim, ela tem algumas conexões com o governo. Não fechará assim tão facilmente.
— Mas até o governo não é estável. Após cada eleição, se o partido que estiver no poder mudar, muitas pessoas terão suas posições retiradas. Isso se transforma em uma bagunça. — Melissa retrucou de maneira inflexível.
Mana, você com certeza sabe muito… — Klein encontrou humor em sua irritação enquanto balançava a cabeça. — Tudo bem então…
— Então eu vou ferver um pouco de sopa com as sobras de ontem. Compre um pouco de peixe frito, uma fatia de carne com pimentado-reino, uma pequena garrafa de manteiga e uma garrafa de cerveja de malte para mim. De qualquer forma, ainda deve haver alguma celebração.
Eram itens comumente vendidos por vendedores ambulantes na rua Cruz de Ferro. Um pedaço de peixe frito era de seis a oito centavos; um pedaço não tão grande de carne com pimenta-do-reino era cinco centavos; uma garrafa de cerveja de malte era um centavo; e uma garrafa de manteiga pesando cerca de um quarto de libra era quatro centavos, mas comprar uma libra de manteiga custaria apenas um soli e três centavos.
O Klein original era responsável pela compra dos ingredientes durante as férias, por isso os preços não eram estranhos a ele. Ele fez uma estimativa mental de que Melissa precisaria de cerca de um soli e seis centavos. Portanto, ele tirou duas notas de um soli.
— Tudo bem. — Melissa não se opôs à proposta de Klein. Ela largou a mochila com os materiais escolares e pegou as notas.
Quando ele viu sua irmã pegando uma pequena garrafa para a manteiga e panelas para o restante dos ingredientes antes de caminhar rapidamente para a porta, Klein pensou por um momento e gritou para ela:
— Melissa, use o dinheiro restante para comprar algumas frutas.
Havia muitos vendedores ambulantes na rua Cruz de Ferro que comprariam frutas de baixa qualidade ou prestes a vencer de outros lugares. Os moradores não ficavam indignados com isso porque os preços eram extremamente baixos. Eles podiam saborear as frutas depois de remover as partes podres, por isso era um prazer barato.
Dito isso, Klein deu alguns passos para frente e tirou as moedas de cobre restantes do bolso e enfiou na palma da sua irmã.
— Ah? — os olhos castanhos de Melissa olharam para o irmão em confusão.
Klein deu dois passos para trás e sorriu.
— Lembre-se de passar na Sra. Smyrin e comprar um pequeno bolo para você, para comemorarmos.
— … — A boca de Melissa se alargou enquanto ela piscava. Finalmente, ela disse uma única palavra:
— Ok.
Então rapidamente se virou, abriu a porta e correu em direção à escadaria.
Um rio dividia a região, com cedros e plátanos revestindo as margens; o ar era tão fresco que chegava a ser inebriante.
Klein, que estava aqui para pôr um fim em sua entrevista, tinha seu revólver consigo. Ele segurou sua bengala e pagou seis centavos pela carruagem pública. Andou por um caminho cimentado e se aproximou de um prédio de pedra de três andares que estava sombreado por vegetação. Era o bloco administrativo da Universidade de Tingen.
— É realmente digno de ser uma das duas principais universidades do Reino Loen… — sendo esta sua primeira vez aqui, Klein suspirou enquanto caminhava.
Em comparação com a Universidade de Tingen, a Universidade de Khoy, do outro lado do rio, só podia ser descrita como pobre.
— Um, dois!
— Um, dois!
Vozes se aproximaram lentamente enquanto dois barcos a remo iam rio acima pelo Rio Khoy. Os remos estavam sendo remados de maneira ordenada e rítmica.
Este era um esporte que era popular entre todas as universidades no Reino Loen. Com Klein precisando de uma bolsa de estudos para financiar seus estudos universitários, ele, Welch e os outros haviam se juntado ao clube de remo da Universidade de Khoy e eram muito bons nisso.
— Isso sim é juventude… — Klein parou e olhou para a distância antes de suspirar melancolicamente.
Tais coisas não seriam mais vistas em uma semana, já que a escola entraria no recesso de verão.
Enquanto seguia por uma estrada rodeada por árvores, Klein parou num prédio de pedra de três andares. Ele entrou depois de registrarse e facilmente encontrou o caminho para o escritório do responsável que o ajudou na outra vez.
Toc! Toc! Toc! Ele bateu levemente na porta entreaberta.
— Entre. — uma voz masculina soou de dentro.
Um instrutor de meia-idade, vestindo uma camisa branca e smoking preto, franziu a testa ao ver Klein entrar.
— Ainda falta uma hora até a entrevista.
— Sr. Stone, você ainda se lembra de mim? Sou estudante do professor associado sênior Cohen, Klein Moretti. Você leu minha carta de recomendação antes. — Klein sorriu enquanto tirava o chapéu.
Harvin Stone acariciou a barba preta e perguntou, intrigado:
— Há algo de errado? Eu não sou o responsável pelas entrevistas.
— A situação é a seguinte, eu já encontrei um emprego, então não participarei da entrevista hoje. — Klein explicou o motivo pela sua visita adiantada.
— Entendo… — quando Harvin Stone soube do motivo, ele se levantou e estendeu a mão direita. — Parabéns, você é realmente um rapaz educado. Eu informarei o professor e os professores sêniores associados.
Klein apertou a mão de Harvin e planejou conversar um pouco antes de se despedir quando ouviu uma voz familiar atrás de si.
— Moretti, você encontrou outro emprego?
Klein se virou e viu um senhor de idade com cabelos grisalhos que deixava uma impressão profunda em sua silhueta. Seus intensos olhos azuis eram profundamente afundados em seu rosto e ele tinha poucas rugas. O homem parecia importante em seu smoking preto.
— Boa tarde, Mentor. Sr. Azik — ele apressadamente cumprimentou. — Por que vocês dois estão aqui?
O senhor de idade não era outro senão professor associado sênior do departamento de história da Universidade de Khoy, que também era seu mentor, Quentin Cohen. Ao lado de Cohen, havia um homem de meia-idade com pele cor de bronze e de constituição mediana. Ele não tinha pelos faciais e segurava um jornal na mão. Seus cabelos eram pretos e suas pupilas, castanhas. Suas feições faciais eram delicadas enquanto seus olhos revelavam uma indescritível sensação de cansaço como se tivesse visto as vicissitudes da vida. Sob sua orelha direita, havia uma pinta negra que só podia ser vista se olhasse com cuidado.
Klein o reconheceu já que ele era o professor do departamento de história da Universidade de Khoy, o Sr. Azik, que muitas vezes ajudou o Klein original. Ele gostava de debater com seu mentor, o professor associado, sênior Cohen. Muitas vezes eles tinham um contraste de opiniões, mas mesmo assim eram melhores amigos; caso contrário não teriam se encontrado para desfrutar de um batepapo.
Cohen assentiu com a cabeça e disse em um tom relaxado:
— Azik e eu estamos aqui para participar de uma conferência acadêmica. Que tipo de trabalho você conseguiu?
— É uma companhia de segurança que busca, coleta e protege relíquias antigas. Eles precisavam de um consultor profissional e estão me pagando três libras por semana. — Klein repetiu o que ele disse a sua irmã ontem. Depois disso, explicou:
— Como você sabe, prefiro explorar a história, em vez de resumi-la.
Cohen assentiu com a cabeça e disse:
— Todo mundo tem suas próprias escolhas. Fico muito feliz por você se incomodar em vir à Universidade de Tingen para informálos, em vez de simplesmente não aparecer.
Naquele momento, Azik interveio:
— Klein, você sabe o que aconteceu com Welch e Naya? Eu li nos jornais que eles foram mortos por ladrões.
O incidente tornou-se um caso de roubo armado? E por que isso já está nos jornais? — Klein foi pego de surpresa enquanto pensava em suas próximas palavras.
— Eu não estou por dentro dos detalhes também. Welch havia obtido um diário da família Antigonus do Império Salomão da Quarta Época. Minha ajuda na interpretação foi procurada. Eu os ajudei nos primeiros dias, mas depois me ocupei com a procura de emprego. A polícia até veio me procurar dois dias atrás.
Ele deliberadamente divulgou o assunto sobre o Império Salomão e a família Antigonus na esperança de obter qualquer informação dos dois professores de história.
— A Quarta Época… — murmurou Cohen com uma carranca.
Os olhos castanhos e cansados de Azik ficaram vazios antes de ele suspirar. Esfregou sua têmpora com a mão esquerda que estava segurando o jornal e disse:
— Antigonus… Soa familiar… Mas por que não consigo me lembrar…?
Capítulo 25
Capítulo 25 – Catedral
Enquanto Azik murmurava para si mesmo, ele subconscientemente lançou um olhar para Quentin Cohen, aparentemente esperando por dicas para despertar suas memórias.
Cohen, com seus profundos olhos azuis, sacudiu a cabeça sem hesitar.
— Não me lembra nada.
—…Tudo bem. Talvez, apenas compartilhe uma palavra raiz. — Azik abaixou a mão esquerda e deu uma risada autodepreciativa.
Klein ficou bastante desapontado com o resultado e não pôde deixar de acrescentar:
— Mentor, Sr. Azik, como vocês dois sabem, estou muito interessado em explorar e restaurar a história da Quarta Época. Se vocês se lembrarem de alguma coisa ou obterem informações relevantes, poderiam escrever para mim?
— Sem problemas. — como resultado das ações de Klein hoje, o Professor Associado Sênior de cabelos grisalhos ficou bastante satisfeito com ele.
Azik também assentiu e disse:
— Seu endereço ainda é o mesmo de antes?
— Por enquanto, mas eu vou me mudar em breve. Vou escrever uma carta para informá-los quando chegar a hora— respondeu Klein de maneira respeitosa.
Cohen sacudiu sua bengala preta e disse:
— Realmente, é hora de você se mudar para um lugar com um ambiente melhor.
Naquele momento, Klein viu o jornal na mão de Azik. Ele deliberou sobre suas palavras antes de dizer:
— Mentor, Sr. Azik, o que os jornais disseram sobre Welch e Naya? Eu só ouvi um pouco dos policiais que estavam encarregados das investigações.
Azik estava prestes a responder quando Cohen de repente tirou o relógio de bolso que estava preso ao seu smoking preto por uma corrente de ouro.
Clic! Ele abriu o relógio de bolso e bateu a Bengala.
— A reunião está prestes a começar. Azik, não podemos nos atrasar mais. Dê o jornal a Moretti.
— Tudo bem. — Azik entregou o jornal a Klein. — Vamos subir. Lembre-se de escrever uma carta. Nosso endereço ainda não mudou, ainda é o escritório do Departamento de História da Universidade de Khoy. Haha.
Ele riu quando se virou e saiu da sala com Cohen.
Klein tirou o chapéu e curvou-se. Depois de assistir os dois senhores saírem, despediu-se do dono do escritório, Harvin Stone. Ele atravessou o corredor e saiu lentamente do edifício cinza de três andares.
De costas para o sol, ele levantou a bengala, desdobrou o jornal e viu o título: “Jornal Matinal de Tingen”.
Tingen certamente tem todos os tipos de jornais e revistas… Há o Jornal Matinal, o Jornal da Noite, o Jornal Honesto, Tribuna Diária de Backlund, Notícias de Tussock, revistas de família e resenhas de livros… — Klein lembrou casualmente os vários nomes que surgiram em sua mente. Claro, alguns deles não eram locais. Eles eram distribuídos através de locomotivas a vapor.
Agora que as indústrias de fabricação de papel e impressão estavam ficando mais avançadas, o custo de um jornal já diminuiu para o preço de um centavo. O público atingido também cresceu mais e mais.
Klein não examinou os detalhes do jornal, voltando rapidamente para a seção de notícias com o relatório “Homicídio em Roubo Armado”.
“…De acordo com o departamento de polícia, a cena na casa do Sr. Welch era uma visão horrível. Faltavam ouro, joias e dinheiro, além de qualquer coisa valiosa que pudesse ser facilmente carregada. Nem um centavo foi deixado para trás. Há razões para acreditar que isso foi feito por um grupo impiedoso de criminosos que não hesitariam em matar inocentes, como Senhor Welch e Madame Naya, se seus rostos fossem vistos”.
“Isto é um total desprezo pelas leis do nosso reino! Este é um desafio para a segurança pública! Ninguém deseja ter tal encontro! Claro, uma boa notícia é que a polícia localizou o assassino e capturou o principal culpado. Faremos o nosso melhor para fornecer notícias sobre qualquer acompanhamento.”
“Repórter: John Browning.”
O assunto foi tratado e encoberto… — Quando Klein atravessou a avenida, ele assentiu de maneira quase imperceptível.
Folheou o jornal enquanto percorria o caminho, lendo os outros artigos de notícias e folhetins no processo.
De repente, ele sentiu os pelos da nuca se arrepiarem, como se agulhas estivessem o pinicando.
Alguém está me vigiando? Me observando? Me monitorando? — vários pensamentos surgiram quando Klein teve uma fraca percepção.
Na Terra, ele uma vez sentiu um olhar invisível antes de finalmente descobrir a fonte do olhar. No entanto, nunca se sentiu tão claro como o que ele estava experimentando agora!
Isso foi o mesmo nos fragmentos originais da memória de Klein!
Foi a transmigração ou o misterioso ritual de aprimoramento de sorte que aumentou meu sexto sentido? — Klein lutou contra o desejo de procurar o observador. Usando seu conhecimento de ler romances e assistir a filmes, ele diminuiu o ritmo e guardou o jornal antes de olhar para o Rio Khoy.
Depois disso, ele agiu como se estivesse admirando o cenário, lentamente virando sua cabeça em diferentes direções. Ele agiu naturalmente quando se virou, absorvendo tudo.
Além das árvores, das planícies cobertas de grama e dos estudantes que passavam a distância, não havia mais ninguém.
Mas Klein estava certo de que alguém o estava observando!
Isso… — O coração de Klein disparou e seu sangue subiu por seu corpo com a batida intensa.
Ele desdobrou os papéis e cobriu metade do rosto, com medo de que alguém descobrisse algo de errado com sua expressão.
Enquanto isso, ele apertou a bengala e se preparou para sacar sua arma.
Um passo. Dois passos. Três passos. Klein prosseguiu lentamente.
A sensação de ser observado permaneceu, mas não houve repentina explosão de perigo.
Ele caminhou pela avenida de uma forma meio rígida e chegou ao ponto de espera para carruagens públicas quando uma parou por coincidência.
— Ferro… Zoute… Não, rua Champagne. — Klein continuamente descartou seus pensamentos.
Ele originalmente planejava ir para casa imediatamente, mas estava com medo de levar o observador de motivos desconhecidos para seu apartamento. Depois disso, pensou em ir para a rua Zouteland para pedir ajuda aos Falcões Noturnos ou seus colegas. No entanto, ele pensava o contrário, com medo de acabar alertando seu inimigo e expor os Falcões Noturnos. Portanto, casualmente escolheu outro lugar.
— Seis centavos — o cobrador respondeu rotineiramente.
Klein não trouxe nenhuma libra de ouro com ele hoje. Ele havia escondido o dinheiro no lugar de costume e só tinha pego duas notas de soli. E antes de vir, ele tinha gasto a mesma quantidade de dinheiro, deixando-o com um soli e seis centavos. Portanto, ele pegou todas as moedas e entregou ao cobrador.
Ele encontrou um lugar depois de embarcar na carruagem e, finalmente, com o fechamento das portas, Klein sentiu o desconforto de ser observado desaparecer!
Ele exalou lentamente quando sentiu seus membros formigarem levemente.
O que eu faço? O que eu devo fazer a seguir? — Klein olhou para fora da carruagem enquanto tentava encontrar uma solução.
Até descobrir as intenções da pessoa que o observava, Klein assumiria que havia uma intenção maliciosa!
Muitos pensamentos surgiram em sua mente, mas ele os dispensou. Nunca havia experimentado um evento como esse e teve que usar alguns minutos para organizar seus pensamentos..
Ele precisava notificar os Falcões Noturnos; só eles poderiam realmente se livrar dessa ameaça!
Mas não posso ir diretamente para lá ou posso expô-los. Talvez seja esse seu objetivo…
Seguindo essa linha de pensamento, Klein imaginou, grosseiramente, várias possibilidades, à medida que seus pensamentos se tornavam mais claros.
Ffffffff! Ele exalou enquanto recuperava sua compostura. Olhou seriamente para a paisagem do lado de fora passando por ele.
Não houve acidentes no caminho para a rua Champagne, mas quando Klein abriu a porta e saiu do carro, ele imediatamente teve a sensação desconfortável de estar sendo observado novamente!
Ele agiu como se não tivesse sentido nada. Pegou o jornal e a bengala, indo lentamente na direção da rua Zouteland.
Mas não entrou naquela rua. Em vez disso, ele tomou outro caminho para a rua do Luar Vermelho. Havia uma linda praça branca ali, bem como uma grande catedral com um telhado pontudo!
Catedral de Santa Selena!
A sede de Tingen da Igreja da Deusa da Noite Eterna!
Como crente, não havia nada de estranho em participar da missa ou orar em seu dia de folga.
A catedral exibia um desenho semelhante ao estilo gótico da Terra. Também tinha uma alta torre de relógio, preta e imponente, situada entre janelas quadriculadas azuis e vermelhas.
Klein entrou na catedral e seguiu por um corredor até o salão de orações. Ao longo do caminho, as janelas manchadas eram compostas de padrões de vidro vermelho e azul que permitiam que a luz colorida brilhasse no salão. O azul estava mais próximo do preto, o vermelho da mesma cor da lua carmesim. Isso fez com que o ambiente parecesse estranhamente escuro e misterioso.
A sensação de estar sendo observado desapareceu. Klein agiu sem se incomodar enquanto caminhava em direção ao salão de orações aberto.
Não havia janelas altas aqui. A escuridão profunda foi enfatizada, mas por trás do altar sagrado em forma de arco, na parede em frente à porta, havia cerca de vinte buracos redondos do tamanho de punhos que permitiam a entrada da luz do sol no salão.
Era semelhante a pedestres que viam o céu estrelado quando de repente olhavam para a noite escura para ver as estrelas cintilantes em toda a sua nobreza, pureza e santidade.
Embora Klein sempre acreditasse que os deuses podiam ser analisados e entendidos, ele não podia deixar de baixar a cabeça aqui.
O bispo estava pregando em um tom gentil enquanto Klein caminhava silenciosamente pelo corredor que dividia os bancos em duas colunas. Ele procurou por uma área vazia perto da passagem antes de se sentar lentamente.
Apoiando a bengala na parte de trás do banco à sua frente, Klein tirou o chapéu e colocou-o no colo, junto com o jornal. Então, juntou as mãos e abaixou a cabeça.
Todo o processo foi feito devagar e rotineiramente como se estivesse realmente ali para orar.
Klein fechou os olhos enquanto ouvia silenciosamente a voz do bispo na escuridão.
— Sem roupas e comida, não têm cobertura no frio.
— Eles estão encharcados pelas chuvas e se amontoam nas rochas por falta de abrigo.
— Eles são órfãos arrancados do peito, esperança neles perdida; eles são os pobres que foram forçados a sair do caminho correto.
— A Noite Eterna não os abandonou, deu-lhes amor.
…
Ecos eram amplificados quando entravam em seu ouvido. Klein viu uma mancha de escuridão à sua frente enquanto sentia seu espírito e mente limpos.
Ele calmamente ouviu até que o bispo acabou suas pregações e terminou a missa.
Depois disso, o bispo abriu uma porta confessional ao seu lado, e homens e mulheres começaram a fazer fila.
Klein abriu os olhos e vestiu o chapéu mais uma vez. Com sua bengala e jornal, ele se levantou e encontrou seu lugar na fila.
Após mais de vinte minutos, sua vez chegou.
Ele entrou e fechou a porta. Havia escuridão à frente dele.
— Meu filho, o que deseja dizer? — a voz do bispo soou por trás da tela de madeira.
Klein tirou do bolso o distintivo da “Sétima Unidade, Departamento de Operações Especiais” e entregou-o ao bispo por meio de uma abertura.
— Alguém está me seguindo. Desejo encontrar Dunn Smith — como se tivesse sido infectado pela escuridão silenciosa, seu tom também ficou mais suave.
O bispo pegou o distintivo e depois de alguns segundos de silêncio, ele disse:
— Vire à direita da cabine de confissão e caminhe até o final. Haverá uma porta secreta ao lado. Alguém guiará o caminho depois que você entrar.
Enquanto falava, ele puxou uma corda dentro da cabine, fazendo com que um padre em particular ouvisse um sino.
Klein pegou o distintivo, tirou o chapéu e o apertou contra o peito. Ele deu uma leve reverência antes de se virar e sair.
Depois de confirmar que a sensação de estar sendo observado se foi, ele colocou sua meia cartola. Sem emoções excessivas, ele segurou a bengala e virou à direita, até chegar a um altar arqueado, e encontrou a porta secreta na parede voltada para seu lado. Ele a abriu em silêncio antes de entrar rapidamente.
A porta secreta fechou-se silenciosamente enquanto um padre de meia-idade, vestido de preto, apareceu sob a iluminação de lâmpadas a gás.
— O que aconteceu? — perguntou o padre concisamente.
Klein mostrou seu distintivo e repetiu o que disse ao bispo.
O padre de meia-idade não fez mais perguntas. Ele se virou e seguiu em frente em silêncio.
Klein acenou e tirou o chapéu. Com sua bengala preta, ele o seguiu silenciosamente.
Rozanne havia mencionado uma vez que a saída da encruzilhada para o Portão de Chanis chegaria à Catedral de Santa Selena.
Capítulo 26
Capítulo 26 – Prática
Tap! Tap! Tap! O som de passos ecoou pelo corredor escuro e estreito, que normalmente era silencioso.
Klein manteve as costas retas enquanto acompanhava o ritmo do padre. Ele não fez perguntas nem conversou ociosamente, permanecendo em silêncio como um corpo de água sem vento.
Depois de passar pela passagem fortemente vigiada, o padre abriu uma porta secreta com uma chave e apontou para uma escadaria feita de pedra, dizendo:
— Vire à esquerda no cruzamento para chegar ao Portão Chanis.
— Que a deusa te abençoe. — Klein gesticulou o sinal da lua carmesim no peito.
Os plebeus praticavam a etiqueta, enquanto os religiosos participavam de rituais de bênçãos.
— Louvada seja a Senhora. — o padre retornou com o mesmo gesto.
Klein não falou mais enquanto descia a escadaria de pedra escura com a ajuda das lâmpadas a gás de ambos os lados da parede.
No meio do caminho, ele subconscientemente se virou e viu o padre parado na entrada. Ele estava nas sombras e parecia uma estátua de cera imóvel.
Klein desviou o olhar e continuou a descer. Não demorou muito para chegar no chão com lajes de pedra geladas. Isso o levou ao cruzamento.
Ele não se virou para o Portão Chanis porque Dunn Smith, que acabara de terminar seu turno, definitivamente não estaria lá.
Ele virou à direita e viu o caminho familiar. Klein subiu outro lance de escadas e apareceu dentro da Companhia de Segurança
Blackthorn.
Vendo portas que estavam bem fechadas, ele não se apressou em entrar. Em vez disso, foi até a recepção e viu uma garota de cabelos castanhos focada em uma revista com um sorriso doce.
— Olá, Rozanne. — Klein veio para seu lado e deliberadamente bateu na mesa.
Toc! Rozanne levantou-se subitamente, derrubou uma cadeira e disse, afobada:
— Oi, bom tempo hoje. Vo-você, Klein, por que está aqui?
Ela deu um tapinha no peito e soltou alguns suspiros de alívio. Era como uma jovem com medo de que seu pai a tivesse apanhado.
— Preciso encontrar o capitão — respondeu Klein.
—… Você me deu um susto. Pensei que o capitão tinha chegado. — Rozanne olhou para o Klein. — Você não sabe bater!? Hmph, deveria ser grato que eu sou uma mulher tolerante e gentil. Bem, eu prefiro o termo dama… Há alguma razão para estar à procura do Capitão? Ele está na sala em frente à Sra. Orianna.
Apesar de se sentir tenso, Klein se divertiu tanto com Rozanne que sorriu. Ele ponderou por um momento antes de dizer:
— Segredo.
“…” Os olhos de Rozanne se arregalaram e enquanto ela cambaleava em descrença, Klein fez uma ligeira reverência antes de se despedir.
Ele passou pela divisória da recepção e bateu na porta do primeiro escritório à direita.
— Entre. — a voz profunda e gentil de Dunn Smith soou.
Klein abriu a porta, entrou e fechou a porta atrás de si. Tirou o chapéu e se curvou.
— Bom dia, Capitão.
— Bom dia, como posso ajudá-lo? — o blusão e o chapéu pretos de Dunn estavam pendurados em um cabide ao seu lado. Ele estava vestido com uma camisa branca e colete preto. Apesar de sua “entrada” do cabelo ser bastante alta, seus olhos cinzentos eram profundos e ele parecia muito mais fresco.
— Alguém está me seguindo — Klein respondeu honestamente sem qualquer embelezamento.
Dunn recostou-se e juntou as mãos. Seus profundos olhos cinzentos olhavam silenciosamente para os olhos de Klein. Ele não deu seguimento ao assunto de ser seguido e, em vez disso, perguntou:
— Você veio da catedral?
— Sim. — respondeu Klein.
Dunn assentiu gentilmente. Ele não comentou sobre seus méritos ou deméritos quando mudou de assunto.
— Pode ser que o pai de Welch não acredite na causa da morte que reportamos e tenha contratado um investigador particular da Cidade do Vento para investigar o assunto.
A Cidade de Constant, em Midseashire, também era conhecida como Cidade do Vento. Era uma região com indústrias de carvão e aço extremamente avançadas. Era uma das três principais cidades do Reino Loen.
Antes de esperar que Klein desse sua opinião, Dunn continuou:
— Também, pode ser resultado desse caderno. Heh, nós estávamos investigando onde Welch conseguiu o caderno da família Antigonus.
Claro, não podemos eliminar outras pessoas ou organizações que possam estar à procura deste caderno.
— O que devo fazer? — Klein perguntou com uma voz séria.
Sem dúvida, ele tinha esperança que fosse o primeiro.
Dunn não respondeu imediatamente. Ele levantou a caneca de café e tomou um gole, seus olhos não mostrando nem um pouco de emoção.
— Volte por onde veio, então faça o que quiser.
— O que quiser? — Klein retornou uma pergunta.
— Qualquer coisa. — Dunn assentiu com certeza. — Claro, não os assuste nem viole a lei.
— Tudo bem. — Klein respirou fundo e se despediu. Ele saiu da sala e voltou ao subsolo.
Virou à esquerda no cruzamento e, banhado pela luz das lâmpadas a gás nas duas paredes, chegou silenciosamente à passagem vazia, escura e fria.
O som de seus passos ecoou, fazendo-o soar mais sozinho e aterrorizado.
Logo, Klein chegou às escadas. Ele seguiu em frente e viu uma sombra parada, o padre de meia-idade.
Os dois não disseram uma palavra quando se encontraram. O padre virou-se em silêncio e abriu caminho.
Ele prosseguiu em silêncio antes de retornar ao salão de orações. Os buracos circulares atrás do altar arqueado ainda estavam puros e brilhantes, enquanto a escuridão e o silêncio permaneciam do interior do prédio. Ainda havia homens e mulheres do lado de fora do confessionário, mas muito menos do que antes.
Depois de esperar por um momento, Klein saiu lentamente da sala de orações com a bengala e o jornal como se nada tivesse acontecido, saindo da Catedral de Santa Selena.
No momento em que saiu, viu o sol ardente. Ele imediatamente recuperou a sensação familiar de ser observado. Sentiu como se estivesse sendo vigiado por um falcão.
De repente, surgiu uma pergunta em sua mente.
Por que o “observador” não me seguiu até a catedral? Embora eu pudesse ter usado o ambiente escuro e o padre para esconder meu desaparecimento temporário, seria difícil para ele continuar me monitorando fingindo orar? Se ele não tivesse feito algo errado, não haveria problema em entrar de maneira aberta e honesta, certo? — A menos que a pessoa tenha alguma história sombria, fazendo com que tenha medo da Igreja ou tema o bispo, sabendo que ele pode ter os poderes de um Beyonder.
Nesse caso, a chance de ser um investigador particular é muito pequena… — Klein exalou e não agiu mais tão nervoso quanto antes. Ele deu um passeio casual antes de voltar para a rua Zouteland.
Ele parou em um prédio de estilo antigo com paredes manchadas. O endereço na porta era “3”. Seu nome era Clube de Tiro Zouteland.
Parte do campo de tiro subterrâneo do departamento de polícia era aberto ao público como forma de ganhar alguns fundos adicionais.
Klein entrou e a sensação de ser observado desapareceu instantaneamente. Ele aproveitou a oportunidade para entregar seu distintivo do Departamento de Operações Especiais ao atendente.
Após uma pequena verificação, ele foi levado ao subsolo para um pequeno campo de tiro.
— Alvo de dez metros. —disse Klein ao funcionário. Em seguida, pegou o revólver do coldre da axila e a caixa de balas de latão do bolso.
A sensação de ser um alvo de repente fez com que seu desejo de se proteger vencesse sua procrastinação. Portanto, ele não podia esperar para vir praticar seu tiro.
Pa! Depois que o atendente saiu, ele abriu o tambor e removeu as balas antidemônio. Em seguida, encheu o tambor com balas de latão normais.
Desta vez, ele não deixou um vazio para evitar disparo, nem tirou o traje formal e a meia cartola. Ele planejava praticar em sua roupa habitual, afinal, era impossível para ele gritar “espere um minuto, deixe-me mudar para algo mais confortável” depois de encontrar um inimigo ou perigo.
Clic! Klein fechou o tambor e o girou com o polegar.
De repente, ele segurou a arma com as duas mãos, levantou-a em linha reta e apontou para o alvo a mais de dez metros de distância.
No entanto, ele não estava com pressa de atirar. Em vez disso, relembrou sua experiência no treinamento militar, como formar uma linha com as miras de ferro e conhecimento sobre o recuo de uma arma.
Ruff! Ruff! Enquanto suas roupas farfalhavam, Klein repetiu sua pontaria e sua posição de tiro. Estava tão sério quanto um estudante de ensino médio fazendo um exame. (LOL)
Depois de repetir várias vezes, ele recuou para a parede e sentouse em um banco longo e macio. Colocou o revólver para o lado, começou a massagear seus braços e descansou por um bom tempo.
Ficou alguns minutos recordando sua prática antes de pegar o revólver com o cabo de madeira e o cilindro de bronze. Entrou então em uma posição de tiro padrão e puxou o gatilho.
Bang! Seu braço tremeu e seu corpo se moveu devido ao recuo. A bala errou o alvo.
Bang! Bang! Bang! Com base na experiência que ganhou, ele atirou de novo e de novo até atirar todas as seis balas.
Estou começando a acertar o alvo… — Klein recuou e sentou-se novamente enquanto exalava.
Clic! Ele balançou o tambor e permitiu que os seis cartuchos caíssem no chão. Então, sem mudança de expressão, ele inseriu os cartuchos restantes.
Depois de relaxar o braço, Klein levantou-se novamente e voltou para a posição de tiro.
Bang! Bang! Bang! Tiros ecoavam enquanto o alvo tremia. Klein praticou e descansou repetidamente. Ele gastou todas os trinta cartuchos normais e os cinco restantes de antes, gradualmente atingindo o alvo e começando então a mirar no centro.
Ele balançou os ombros doloridos e jogou fora os cinco últimos cartuchos. Abaixou a cabeça e inseriu as balas antidemônio com os padrões complicados de volta na arma, deixando um vazio para evitar disparos acidentais.
Depois de colocar o revólver de volta em seu coldre de axila, Klein afagou a poeira de seu corpo e saiu do campo de tiro, retornando às ruas.
A sensação de ser observado surgiu novamente. Klein sentiu-se mais calmo do que antes, enquanto caminhava lentamente para a rua Champagne. Ele gastou quatro centavos em uma carruagem com trilhos para retornar à rua Cruz de Ferro antes de voltar para seu próprio apartamento.
A sensação de ser observado desapareceu sem deixar vestígios. Klein pegou as chaves e abriu a porta e viu um homem de cabelos curtos perto dos trinta e vestindo uma camisa de linho sentado à escrivaninha.
Seu coração ficou tenso antes de relaxar imediatamente. Klein cumprimentou com um sorriso:
— Boa tarde, Benson.
Este homem não era outro senão o irmão mais velho de Klein e Melissa, Benson Moretti. Ele tinha apenas vinte e cinco anos este ano, mas a queda de cabelo e sua aparência decrépita fez com que ele parecesse ter quase trinta.
Ele tinha cabelos negros e olhos castanhos, parecendo um pouco com Klein, mas não tinha o fraco ar acadêmico que Klein possuía.
— Boa tarde, Klein. Como foi a entrevista? — Benson se levantou e sorriu.
Seu casaco preto e meia cartola estavam pendurados em uma protuberância do beliche.
— Horrível— respondeu Klein de maneira inexpressiva.
Quando viu Benson atordoado, Klein riu e acrescentou:
— Na verdade, eu nem participei da entrevista. Encontrei um emprego antes dela que paga três libras por semana…
Ele repetiu novamente o que disse a Melissa.
A expressão de Benson se acalmou e ele balançou a cabeça com uma risada.
— Parece que estou vendo uma criança crescer… Bem, este trabalho é muito bom.
Ele suspirou e disse:
— É ótimo que a primeira coisa que ouvi seja uma notícia tão boa depois de estar longe a trabalho. Vamos celebrar hoje à noite e comprar um pouco de carne?
Klein sorriu.
— Claro, mas acredito que Melissa vai sentir o aperto. Vamos comprar alguns ingredientes mais tarde? Vamos trazer pelo menos três soli? Bem, para ser honesto, uma libra é trocada por vinte soli, e um soli por doze centavos. Há até mesmo denominações como a meio centavo e um quarto de centavo. Tal sistema de moedas simplesmente vai contra a lógica. É tão problemático. Acho que deve ser um dos sistemas de moedas mais tolos do mundo.
Quando disse isso, viu a expressão de Benson ficar séria. Sentindo um pouco de desconforto, ele se perguntou se havia dito algo errado.
Será que, nos fragmentos da memória perdida do Klein original, Benson era um nacionalista radical que não demonstrava tolerância por qualquer negatividade? — Benson deu alguns passos e refutouo com uma expressão séria.
— Não, não é um dos, mas o sistema de moedas mais tolo.
Não é um dos! — Klein foi pego de surpresa, mas ele rapidamente voltou aos seus sentidos. Ele olhou seu irmão nos olhos e riu.
De fato, Benson era ótimo em fazer piadas.
Benson ergueu os cantos dos lábios e disse com toda a seriedade:
— Você deve entender que, para instituir um sistema de moedas razoável e simples, é preciso saber contar e compreender o sistema decimal. Infelizmente, há muito poucos talentos entre aquelas figuras importantes.
Capítulo 27
Capítulo 27 – Jantar de Irmãos
É simplesmente afiada e incisiva… — Klein desatou a rir. Usando a rica experiência que teve em sua encarnação anterior, ele acrescentou outro insulto:
— Na verdade, não há evidências de que essas figuras importantes tenham algum cérebro.
— Boa! Muito bom! — Benson soltou uma gargalhada e fez um sinal de positivo com a mão. — Klein, você está muito mais engraçado do que antes.
Depois de respirar, ele continuou:
— Tenho que ir ao cais à tarde. Só estou de folga do trabalho amanhã. Depois disso terei tempo para ir para Companhia de Aprimoramento Residencial da Cidade de Tingen com vocês dois. Vamos ver se eles têm casas geminadas baratas e boas para alugar. Além disso, preciso fazer uma visita ao Sr. Franky.
— Nosso senhorio? — Klein perguntou, perplexo.
Nosso atual senhorio tem alguma casa geminada em bons bairros sob o seu nome?
Benson lançou um olhar ao irmão e disse, se divertindo:
— Você esqueceu sobre contrato de aluguel de um ano que temos com ele? Passaram-se apenas seis meses.
Ahhh… Klein imediatamente soltou um suspiro.
Ele realmente tinha se esquecido disso!
Embora o aluguel fosse pago uma vez por semana, o contrato durava um ano. Se eles se mudassem agora, equivaleria a uma quebra de contrato. Se fossem levados ao tribunal, teriam que pagar uma grande soma de dinheiro!
— Você ainda está carente de experiência social. — Benson tocou a entrada de seus cabelos pretos e disse melancolicamente.
— Essa foi uma cláusula que eu lutei tanto naquela época, se não o Sr. Franky só estaria disposto a alugá-lo para nós por três meses por contrato. Para aqueles com dinheiro, os proprietários assinariam contratos por um ano, dois anos ou até três anos para obter renda estável. Mas para nós – o passado nós – e nossos vizinhos, os proprietários teriam que estar constantemente preocupados que algo de ruim pudesse acontecer, privando-os dos lucros dos alugueis. Portanto, eles só assinariam contratos de curto prazo.
— Nesse caso, eles poderiam oferecer para aumentar os preços de acordo com a situação. — Klein resumiu e acrescentou, usando suas memórias do Klein original e sua própria experiência como inquilino.
Benson suspirou e disse:
— Esta é a realidade cruel da sociedade de hoje. Tudo bem, você não precisa se preocupar, o problema com o contrato pode ser facilmente resolvido. Para ser franco, mesmo que lhe devêssemos uma semana de aluguel, o Sr. Franky teria imediatamente nos enxotado e confiscado quaisquer itens valiosos que tivéssemos. Afinal de contas, sua inteligência está abaixo da de um macaco. Não há como ele compreender assuntos excessivamente complicados.
Ao ouvir isso, Klein de repente se lembrou um meme em particular de Sir Humphrey. Ele balançou a cabeça e disse seriamente:
— Não, Benson. Você está errado.
— Por quê? — perguntou Benson intrigado.
— A inteligência do Sr. Franky ainda é um pouco maior que a de um macaco — respondeu Klein com toda a seriedade. Assim que Benson pareceu começar a sorrir em resposta, ele acrescentou:
— Se ele estiver em boa forma.
— Haha — Benson deu uma gargalhada.
Depois de uma série de risadas arrebatadoras, ele apontou para Klein, momentaneamente incapaz de colocar seus pensamentos em palavras. Só então retornou ao tópico em questão.
— É claro que, como cavalheiros, não podemos empregar essas táticas desavergonhadas. Vou discutir isso com o Sr. Franky amanhã. Acredite em mim, ele é facilmente convencido, facilmente.
Klein não tinha dúvidas sobre o argumento de Benson. A existência dos canos de gás era uma prova excelente.
Depois de mais alguma conversa entre os irmãos, os restos de peixe frito da noite anterior foram transformados em sopa com alguns vegetais. Durante o processo de ebulição, o vapor umedeceu o pão de centeio.
Passando um pouco de manteiga no pão, Klein e Benson tiveram uma refeição simples, mas ficaram muito satisfeitos. Afinal, a fragrância e a doçura da manteiga combinados com a comida proporcionou uma refeição muito saborosa.
Depois que Benson saiu, Klein foi ao mercado de vegetais e carnes com três notas de um soli e alguns centavos de reserva. Ele gastou seis centavos em um quilo de carne e sete centavos em um peixe fresco e suculento com poucos ossos. Além disso, ele comprou batatas, ervilhas, rabanetes, ruibarbo, alface e nabos, além de especiarias, como alecrim, manjericão, cominho e óleos para cozinhar.
Durante todo esse tempo, ele continuou sentindo que estava sendo observado, mas não havia interação física.
Depois de passar algum tempo na Padaria Smyrin, Klein voltou para casa e começou a levantar pesos com itens mais pesados, como livros, para treinar a força de seus braços.
Ele havia planejado se exercitar com boxe militar, que aprendeu com sua experiência militar obrigatória para os estudantes. No entanto, já havia esquecido as rotinas de exercícios da escola, ainda mais boxe, que foi ensinado apenas durante os períodos militares. Exasperado, ele só podia fazer algo mais simples.
Klein não se esforçou demais, já que isso levaria à fadiga e, portanto, o colocaria em maior perigo. Ele fez uma pausa apropriada e começou a ler as anotações e o material de estudo do Klein original. Ele queria ler qualquer coisa sobre a Quarta Época novamente.
À noite, Benson e Melissa sentaram-se à mesa, onde a comida fora colocada ordenadamente, como para crianças na escola primária.
As fragrâncias dos pratos eram compostas de uma rica melodia de aromas, a cativante fragrância da carne cozida, as batatas obviamente tenras, a doçura da espessa sopa de ervilha, os sabores aveludados do ruibarbo cozido e a doçura do pão de centeio amanteigado.
Benson engoliu saliva enquanto se virava para ver Klein colocando um peixe crocante num prato. Ele sentiu a fragrância do óleo entrar nas suas narinas e passar por sua garganta e depois para seu estômago.
Groan! Seu estômago fez um protesto distinto.
Klein arregaçou as mangas e segurou um prato de peixe frito antes de colocá-lo no meio da mesa arrumada. A seguir, voltou ao armário e pegou dois copos grandes de cerveja de gengibre e as colocou onde ele e Benson se sentavam.
Ele sorriu para Melissa e pegou um pudim de limão como se estivesse fazendo um truque de mágica.
— Nós vamos tomar cerveja, enquanto você come isso.
— …Obrigada. — disse Melissa pegando o pudim de limão.
Quando Benson viu isso, ele ergueu o copo com calma e disse com um sorriso:
— Isto é para celebrar Klein ter encontrado um trabalho decente.
Klein ergueu o copo e bateu com o de Benson antes de tilintar com o pudim de limão de Melissa.
— Louvada seja a Senhora!
Gulp… Ele inclinou a cabeça para trás e bebeu. O sabor picante aqueceu sua garganta, trazendo-lhe deliciosos sabores.
Apesar de seu nome, a cerveja de gengibre não continha álcool. Era uma mistura do gosto picante do gengibre e da acidez do limão que a deixava com gosto parecido com o de cerveja. Era um tipo de bebida que tanto mulheres como crianças consideravam aceitável. Porém, Melissa não gostava do sabor.
— Louvada seja a Senhora! — Benson também bebeu um bocado enquanto Melissa mordiscava o pudim de limão. Ela mastigou repetidamente antes de engoli-lo relutantemente.
— Experimentem. — Klein colocou o copo na mesa, pegou o garfo e colher e apontou para a mesa cheia de comida.
Ele estava mais pessimista sobre sua sopa grossa de ervilha. Afinal, nunca havia comido algo tão estranho na Terra. Tudo o que conseguiu fazer foi adaptar a receita a partir dos fragmentos da memória do Klein original.
Como o irmão mais velho, Benson não fez cerimônia enquanto enterrou uma colherada no purê de batatas e enfiou-a na boca.
As batatas batidas foram bem cozidas e misturadas com o leve sabor da banha e apenas o suficiente de sal. Isso aguçou seu apetite e o fez salivar.
— Não está… ruim… Nada mal — elogiou Benson vagamente. — É muito mais gostoso do que o que eu comi no trabalho. Eles só usavam manteiga.
Esta é uma das minhas especialidades afinal de contas… — Klein aceitou o elogio. — É tudo graças aos ensinamentos do chef da casa de Welch.
Melissa olhou para a sopa de carne. As folhas verdes de manjericão, as cabeças de alface verde e os rabanetes estavam submersos na sopa incolor, cobrindo a carne tenra. A sopa estava clara e sua fragrância era tentadora.
Ela “garfou” um pedaço de carne e colocou em sua boca para mastigar. A carne reteve um pouco de macieza, apesar de ter sido bem cozida. A mistura de sal, o sabor adocicado dos rabanetes e o tempero das folhas de manjericão complementavam o sabor da carne.
— … — Melissa parecia dar sua aprovação, mas não conseguia parar de mastigar.
Klein provou e sentiu que, embora estivesse delicioso, ainda estava longe de seu padrão habitual. Afinal, ele estava carente de certos condimentos e só podia usar substitutos. Não era de admirar que tivesse um gosto diferente.
É claro que, mesmo com os melhores padrões, só se podia se contentar com os pratos que eles cozinhavam por si mesmos.
De repente, seu coração doeu por Benson e Melissa, que estavam presos em sua visão desse mundo.
Depois de engolir um pedaço de carne, Klein pegou um pedaço de peixe Tussock frito, que foi polvilhado com cominho e alecrim. Era crocante por fora e macio por dentro. A casquinha era de um perfeito castanho-dourado e o sabor salgado e a fragrância do óleo eram entrelaçados como um só.
Assentindo levemente, Klein experimentou um pedaço de ruibarbo cozido e achou que era palatável, e ainda o livrou do gosto da carne.
Finalmente, ele reuniu coragem e pegou uma tigela da grossa sopa de ervilha.
Muito doce e muito azedo… — Klein não pôde deixar de franzir a testa.
No entanto, depois de ver Benson e Melissa parecendo satisfeitos depois prová-la, ele começou a suspeitar de seus gostos. Não conseguiu evitar em encher a boca de cerveja de gengibre para limpar o paladar.
Os irmãos estavam estufados ao final da refeição. Eles ficaram caídos nas cadeiras por um bom tempo.
— Vamos louvar à Senhora mais uma vez! — Benson levantou o copo de cerveja de gengibre, que tinha apenas um bocado restante, enquanto dizia em satisfação.
— Louvada seja a Senhora! — Klein bebeu o restante de sua bebida.
— Louvada seja a Senhora. — Melissa finalmente colocou o último pedaço de pudim de limão em sua boca e apreciou os sabores passando por sua boca.
Quando Klein viu isso, ele se aproveitou de sua leve embriaguez e sorriu.
— Melissa, isso não está certo. Você deveria comer a coisa que mais acha deliciosa no começo, dessa forma, você pode apreciar plenamente seus aspectos mais deliciosos. Prová-lo quando você está cheia e saciada não fará justiça à comida.
— Não, ainda é tão delicioso quanto pode ser — respondeu Melissa com firmeza e teimosia.
Os irmãos conversaram alegremente e depois de digerir suas refeições, limparam os pratos, os talheres e guardaram o óleo que foi usado para fritar os peixes.
Depois de ocupar-se, era hora da revisão. Um revisou seu conhecimento contábil enquanto outro continuou lendo seu material de estudo e anotações. O tempo foi aproveitado ao máximo.
Às onze horas, os irmãos apagaram a lâmpada a gás e foram para a cama depois de lavar a louça.
Klein sentiu-se grogue enquanto olhava para a escuridão à sua frente. Uma figura vestindo um casaco corta-vento preto e uma meia cartola apareceu de repente em sua visão. Era Dunn Smith.
— Capitão! — Klein acordou repentinamente e percebeu que estava sonhando.
Os olhos cinzentos de Dunn permaneceram calmos, como se ele estivesse mencionando algo trivial.
— Alguém entrou no seu quarto. Pegue seu revólver e force-o para o corredor. Deixe o resto conosco.
Alguém entrou no meu quarto? O observador finalmente entrou em ação? — Klein pulou de susto, mas não se atreveu a perguntar mais. Tudo o que ele fez foi acenar e dizer:
— Tudo bem!
A cena diante de seus olhos mudou imediatamente quando uma faixa de cores apareceu como o estouro de bolhas.
Os olhos de Klein se abriram enquanto ele virava a cabeça cuidadosamente. Ele olhou para a janela e viu uma silhueta magra, mas desconhecida, em pé à sua escrivaninha, procurando algo em silêncio.
Capítulo 28
Capítulo 28 – Ordem Secreta
Badump! Badump! Badump!
O coração de Klein começou a bater rapidamente, se encolhendo antes de se expandir de repente. Isso fez seu corpo tremer levemente.
Houve um momento em que ele quase se esqueceu o que tinha de fazer, até que a figura à espreita parou de repente. A figura mexeu ligeiramente as orelhas, como se estivesse ouvindo alguma coisa.
Seu sangue fluiu de volta ao seu cérebro e Klein recuperou suas habilidades cognitivas básicas. Ele alcançou o cabo do revólver debaixo do travesseiro.
Sentiu o cabo de madeira firme, mas de textura suave, enquanto se acalmava rapidamente. Silenciosamente e lentamente pegou o revólver e apontou para a cabeça do invasor.
Para ser honesto, ele não tinha confiança em acertar o intruso. Embora já fosse capaz de acertar um alvo fixo durante o treino, uma pessoa em movimento e um alvo fixo eram coisas completamente diferentes, e ele não era arrogante o suficiente para confundir os dois.
No entanto, se lembrava vagamente de algo de sua vida anterior; a ideia geral era que uma arma nuclear possuía a maior força antes de seu lançamento.
Esse princípio funcionava em sua atual situação. A maior intimidação era antes de atirar!
Ao não puxar o gatilho ou atirar às cegas, o intruso era incapaz de determinar se era ou não um novato completo que tinha uma chance extremamente alta de errar o alvo. Suas preocupações e medos o faziam deliberar mais, resultando em ele se conter!
Em um instante, outro pensamento veio à sua mente. Isso imediatamente fez Klein se decidir. Ele não era o tipo de pessoa que ficava mais calmo quando se deparava com perigo; em vez disso, já havia imaginado a situação quando enfrentou o observador, usando intimidação em vez de atacar.
O Império dos Amantes de Comida tinha uma expressão: “Onde há precaução, não haverá perigo”!
Quando Klein apontou a arma para o intruso, o homem magro congelou de repente, como se tivesse sentido alguma coisa.
Depois disso, ele ouviu uma voz que escondia uma risada.
— Boa noite, Senhor.
O homem magricela juntou as duas mãos e seu corpo pareceu tenso. Klein sentou-se no beliche inferior, apontou para a cabeça dele com o revólver e tentou falar o mais vagarosa e naturalmente que pôde.
— Por favor, levante as mãos e vire-se. Tente fazer isso devagar. Para ser franco, sou muito tímido e fico nervoso facilmente, então se você se mover rápido demais, posso ficar com medo, e não posso garantir que não será uma situação em que eu puxe o gatilho. Sim, isso mesmo.
O homem magricela ergueu ambas as mãos e segurou-as perto da cabeça antes de virar o corpo pouco a pouco. A primeira coisa que pode ser vista foi um terno preto e apertado com botões limpos. Em seguida, viu um par de sobrancelhas castanhas que eram grossas e afiadas.
Os profundos olhos azuis do intruso não refletiam medo, mas encaravam Klein com a intensidade de uma besta feroz. Parecia que, se Klein fosse descuidado por um segundo, a outra pessoa saltaria para a frente e o despedaçaria.
Ele apertou o punho com força enquanto tentava ao máximo parecer calmo e indiferente.
Foi só quando o homem magro o encarou completamente que Klein acenou com o queixo para a porta. E disse suave e gentilmente:
— Senhor, vamos continuar lá fora. Não perturbe os belos sonhos dos outros. Ah, mantenha seus movimentos lentos. Suavize seus passos um pouco também. É uma cortesia básica para um cavalheiro.
As pupilas frias do homem magro rolaram quando ele olhou para Klein. Ele continuou levantando as mãos enquanto caminhava lentamente até a porta.
Sob a mira do revólver, ele girou a maçaneta e lentamente abriu a porta.
Quando a porta estava entreaberta, ele de repente se abaixou e rolou para a frente. A porta foi puxada por um forte vento e fechou com uma pancada.
— Uh… — Benson, que estava no beliche de cima, se moveu. Ele quase acordou em transe.
Naquele momento, uma melodia tranquila e serena entrou do lado de fora. A voz pesada e confortável começou a cantar.
— Oh, a ameaça de horror, a esperança de choros carmesim!
— Pelo menos uma coisa é certa, que esta vida voa;
— Uma coisa é certa, e o resto são mentiras;
— A flor que uma vez floresceu, sempre morre…
O poema parecia possuir o poder de acalmar e relaxar os outros. Benson, que estava no beliche de cima, e Melissa, que estava em outro quarto, novamente adormeceram em meio à sonolência.
O corpo e a mente de Klein também estavam pacíficos e calmos. Ele quase bocejou.
A maneira com que o homem magro tinha fugido era tão ágil que ele não conseguiu reagir a tempo.
Olhando para a porta fechada, ele sorriu e murmurou para si mesmo:
— Você pode não acreditar, mas puxar o gatilho não atiraria uma bala.
A câmara vazia para evitar disparos acidentais!
Depois disso, Klein ouviu o poema da meia-noite enquanto aguardava pacientemente que a batalha do lado de fora acabasse.
Em um minuto, a melodia tranquila que lembrava o reflexo da luz da lua na superfície de um lago parou, e a noite escura retomou seu profundo silêncio.
Klein girou silenciosamente o tambor e moveu a câmara vazia enquanto aguardava o resultado.
Ele esperou ansiosamente por dez minutos. Assim que se perguntou se deveria investigar, ouviu a voz séria e aconchegante de Dunn Smith da porta.
— Está resolvido.
Ufa… exalou Klein. Ele segurou o revólver e pegou a chave. Descalço, cuidadosamente se aproximou da porta antes de silenciosamente abri-la para ver o corta vento preto e a meia cartola. Dunn Smith estava parado com seus olhos cinzas profundos e calmos.
Ele fechou a porta após sair e seguiu Dunn até o fim do corredor, parando ao meio do fraco luar carmesim.
— Demorei algum tempo para entrar no sonho dele — disse Dunn calmamente enquanto olhava para a lua vermelha do lado de fora da janela.
— Você conhece a origem dele? — Klein sentiu-se muito mais aliviado.
Dunn concordou com a cabeça e disse:
— Uma antiga organização conhecida como a Ordem Secreta. Foi estabelecida na Quarta Época e está relacionada ao Império Salomão e uma série de aristocratas caídos daquele período. Heh, o diário da família Antígonus veio deles. Devido à negligência de um membro, o diário entrou no mercado de antiguidades e foi obtido por Welch. Eles não tiveram escolha a não ser enviar pessoas para achá-lo.
Sem esperar pela pergunta de Klein, ele fez uma pausa antes de continuar.
— Vamos capturar os membros restantes de acordo com as pistas. Bem, isso pode acabar não muito bem. Esses caras são tão bons em se esconder quanto ratos nos esgotos. Mas, no mínimo, eles provavelmente acreditam que nós obtivemos o caderno da família Antígonus ou que obtivemos uma pista crítica. Nesse caso, desde que não seja algo extremamente crucial ou importante, eles abandonariam a operação. Essa é a sua filosofia em sobreviver.
— …E se o caderno for extremamente crucial e importante? — perguntou Klein preocupado.
Dunn sorriu sem resposta. Em vez disso, ele disse:
— Sabemos muito pouco da Ordem Secreta. Nosso sucesso desta vez é tudo graças à sua inteligência afiada. Esta contribuição é toda tua. À luz da possibilidade de perigos ocultos e de como percepção aumentada ajudaria a encontrar o caderno, você tem a chance de escolher.
— Uma chance de escolher? — Klein vagamente adivinhou algo e sua respiração subconscientemente ficou pesada.
Dunn limpou o sorriso de seu rosto enquanto dizia com toda a seriedade:
— Você quer se tornar um Beyonder? Você só pode escolher a Sequência inicial de uma Sequência incompleta.
— Claro, você pode desistir dessa chance e escolher acumular o mérito que obteve. Então, tudo o que tem a fazer é esperar até que haja espaço suficiente para você se tornar um Sem Sono, que é a primeira Sequência completa que a Deusa concedeu aos Falcões Noturnos.
Realmente… — Klein ficou encantado e não teve nenhuma emoção hesitante. Ele tomou a iniciativa de perguntar:
— Então, qual Sequência 9 posso escolher?
Eu tenho que ter informações detalhadas para decidir se devo desistir ou aceitar, assim como qual escolher!
Dunn se virou e pareceu estar encoberto pelo véu carmesim que brilhava sobre ele. Olhando nos olhos de Klein, ele disse lentamente:
— Além da Sem Sono, a Igreja tem três fórmulas de poção Sequência 9. Um deles é Espreitador de Mistérios, que também é o poder que o Velho Neil controla. Heh, Rozanne provavelmente mencionou. Ela nunca consegue segurar a língua.
Klein sorriu sem jeito, não sabendo como responder. Felizmente, Dunn não se importou e continuou.
— Nossa fórmula de poção de Espreitador de Mistérios e as sequências posteriores que não estão diretamente ligadas foram obtidas da Ordem Ascética de Moisés. Naquela época, dizia-se que eles ainda não tinham caído em corrupção. Eles persistiram em sua moral e preceitos, determinados em sua busca por conhecimento. Mantiveram seus segredos estritamente confidenciais. Qualquer um que entrasse na ordem seria impedido de falar por cinco anos depois de se tornar um Espreitador de Mistérios. Eles aprenderiam a manter o silêncio, a fim de cultivar e melhorar seu foco. O lema da Ordem Ascética de Moisés – faça o que quiser, mas não faça mal – veio deles.
— Espreitadores de Mistérios têm compreensão e domínio abrangentes e rudimentares de magia, feitiçaria, astrologia e outros conhecimentos místicos. Eles também conhecem um grande número de rituais mágicos, mas podem facilmente sentir certos seres que se escondem. Portanto, eles têm que ser cuidadosos e mostrar respeito aos seus poderes como Beyonder.
— Nos falta uma grande parte desta Sequência, fazendo com que seja uma cadeia incompleta. Por exemplo, a sua sequência 8. Claro, talvez a Santa Catedral a tenha.
Isso praticamente satisfaz todos os meus requisitos… — Klein assentiu levemente, a ponto de ter o desejo de escolher.
Felizmente, ele ainda se lembrava de certas coisas.
— E as outras duas?
— A segunda é chamada Coletor de Cadáveres. Um grande número de cultistas que cultuam a Morte no Continente Sul a escolhem. Depois de consumir a poção, espíritos mortos não inteligentes os confundem com um de seus semelhantes e não os atacam, e ganham resistência ao frio, decadência e corrosividade das auras cadavéricas. Eles são capazes de ver diretamente uma porção de espíritos malignos e ver as características e fraquezas das criaturas mortas-vivas, bem como ganhar certas melhorias de atributos. Temos a Sequência 8 e a Sequência 7 que a segue. Heh heh, você provavelmente pode adivinhar a Sequência 7: Médium Espiritual! Foi escolhida por Daly naquela época — descreveu Dunn detalhadamente.
A Médium Espiritual parece misteriosa e legal, mas o que eu mais quero é compreender o conhecimento do misticismo… — Klein não interveio; tudo o que fez foi ouvir calmamente.
Dunn Smith olhou de lado para a lua carmesim e disse:
—Nós só temos a Sequência 9 da terceira. Não tenho certeza se a Catedral Sagrada a possui. Chama-se Vidente.
Vidente? — As pupilas de Klein se contraíram ao relembrar o arrependimento que o imperador Roselle deixara em seu diário: Ele se arrependeu por não ter escolhido Aprendiz, Saqueador ou Vidente!
Capítulo 29
Capítulo 29 – “Empregos” e Aluguéis são Negócios Sérios
Klein tentou ao máximo manter-se em seu estado emocional habitual, perguntando com genuíno interesse:
— Que habilidades os Videntes têm?
— Sua pergunta é imprecisa, na verdade, a pergunta deveria ser: “Que habilidades consumir a poção Vidente dá”? — Dunn Smith balançou a cabeça e riu. Suas pupilas cinzas e seu rosto se afastaram da lua enquanto suas feições se escondiam nas sombras. — Há muitos tipos de coisas envolvidas como, por exemplo, astromancia, cartomancia, pêndulos espirituais e vidência. Claro, isso não significa que consumir a poção permitirá que você imediatamente compreenda todas elas. A poção só lhe dá as qualificações e a capacidade de aprendê-las.
— Como eles não têm meios diretos de lutar contra inimigos, heh. Você provavelmente pode imaginar que a criação de um ritual mágico requer muita preparação, não sendo adequado para combate. Portanto, em termos de conhecimento de misticismo, um Vidente será mais instruído e profissional do que um Espreitador de Mistérios.
Parece que corresponde aos os meus requisitos também… No entanto, a falta de meios para lidar diretamente com os inimigos é um grande dilema… Além disso, a Igreja da Deusa da Noite Eterna provavelmente não tem as Sequências subsequentes… A Santa Catedral provavelmente se refere à sede, a Catedral da Serenidade… Os meios disponíveis para os Beyonders de baixa sequência contra seus inimigos podem não ser comparáveis às armas de fogo… — Klein mergulhou em profundo pensamento enquanto se atormentava com a escolha e continuou indeciso entre Espreitador de Mistérios e Vidente. Ele não mais considerava Coletor de Cadáveres.
Dunn Smith sorriu quando viu isso.
— Você não precisa se apressar para tomar uma decisão. Diga-me sua resposta na segunda-feira de manhã. Independentemente de escolher uma Sequência ou desistir desta oportunidade, nenhum de nós Falcões Noturnos terá qualquer opinião sobre o assunto.
— Acalme-se e pergunte ao seu coração.
Com isso dito, Dunn tirou o chapéu e se curvou ligeiramente. Ele caminhou lentamente por Klein e se dirigiu para a escadaria.
Klein não disse uma palavra e não respondeu de imediato. Ele silenciosamente se curvou e observou enquanto Dunn ia embora.
Embora estivesse constantemente esperando se tornar um Beyonder anteriormente, ele foi lançado em um dilema quando a oportunidade surgiu; as subsequentes Sequências que faltavam, Beyonders correndo o risco de perder o controle, a credibilidade dos diários do imperador Roselle e os murmúrios ilusórios que poderiam corromper as pessoas levando-as à loucura, tudo se misturou, formando um fosso que obstruía seu avanço.
Ele respirou fundo e lentamente expirou.
— Não importa o quão ruim seja, não pode ser pior do que fazer um estudante de dezoito anos do ensino médio decidir sua futura carreira… — Klein deu uma risada auto depreciativa. Reunindo seus pensamentos dispersos, ele abriu a porta suavemente e deitou-se na cama.
Ele ficou lá com os olhos abertos, olhando silenciosamente para o fundo do beliche de cima que estava tingido com o sutil carmesim da lua.
Um bêbado cambaleou do lado de fora da janela enquanto uma carruagem corria pelas ruas vazias. Esses ruídos não quebraram a serenidade da noite, mas, em vez disso, tornaram-na ainda mais sombria e distante.
Suas emoções se acalmaram quando ele recordou seu passado na Terra. Ele se lembrou como gostava de se exercitar, seu pai que sempre falava alto, sua mãe que gostava de se ocupar apesar de ter uma doença crônica, seus amigos que cresceram com ele, passando de esportes como futebol e basquete a jogos e mahjong, além da pessoa para qual ele fizera uma fracassada declaração… Estes eram como um rio silencioso; não tinha muitas ondulações nem sentimentos profundos, mas silenciosamente afogavam seu coração.
Talvez só se aprenda a apreciar as coisas depois de tê-las perdido. — Klein pensou. Quando o carmesim recuou e o céu se tornou dourado-amarelo por causa do sol nascente, Klein fez sua escolha.
…
Ele saiu da cama e foi para o banheiro público lavar o rosto para acordar. Então, levou uma nota de um soli para a loja da Sra. Wendy para comprar oito libras de pão de centeio com nove centavos, reabastecendo o alimento básico que havia sido consumido na noite anterior.
O preço do pão começou a estabilizar… — comentou Klein depois do café da manhã enquanto Benson se trocava.
Era domingo, então ele e Melissa finalmente tiveram a chance de descansar.
Klein, que já estava usando um traje adequado, estava sentado em uma cadeira e folheava os jornais antigos que trouxe ontem. Ele disse, surpreso:
— Há uma casa para alugar aqui: rua Wendel nº3 no Burgo Norte, um bangalô com dois andares. Há seis quartos, três banheiros e duas grandes varandas no andar de cima. Embaixo, há um refeitório, uma sala de estar, uma cozinha, dois banheiros e dois quartos de hóspedes, bem como uma adega subterrânea… Na frente da casa há dois hectares de terra privada e há um pequeno jardim na parte de trás. Pode ser alugado por um, dois ou três anos, com um aluguel semanal de uma libra e seis soli. Os interessados podem dirigir-se à rua Champagne e procurar o Sr. Gusev.
— Esse é o nosso objetivo para o futuro. — Benson colocou sua meia cartola preta enquanto sorria ao dizer:
— O aluguel dos lugares nos jornais é geralmente um pouco caro. A Companhia de Aprimoramento Residencial da Cidade de Tingen tem opções que não perdem em comparação com as mais baratas.
— Por que não estamos procurando na Associação de
Aprimoramento de Moradias de Tingen para a classe trabalhadora? — perguntou Melissa saindo do quarto segurando um casquete. Ela havia se trocado para um vestido longo branco acinzentado que havia sido remendado várias vezes.
Ela era silenciosa e introvertida, mas isso não podia mascarar sua juventude.
Benson riu.
— Onde você ficou sabendo da Associação de Aprimoramento de Moradias de Tingen para a classe trabalhadora? Jenny? Sra. Rochelle? Ou foi da sua boa amiga Selena?
Melissa olhou para o lado e sussurrou uma resposta.
— Sra. Rochelle… Enquanto me lavava ontem à noite, aconteceu de eu a encontrar. Ela me perguntou sobre a entrevista de Klein e eu contei resumidamente o que aconteceu. Então, ela sugeriu que eu encontrasse a Associação de Aprimoramento de Moradias de Tingen para a classe trabalhadora.
Benson notou a expressão confusa de Klein e balançou a cabeça, se divertindo.
— Eles são direcionados para os pobres. Bem, uma descrição precisa é que eles são uma associação de moradias para as camadas mais baixas da sociedade. Eles constroem e renovam casas que basicamente têm banheiros comunitários. Eles fornecem apenas três opções – um quarto individual, duplo ou triplo. Você deseja continuar vivendo em tal ambiente?
— A Companhia de Aprimoramento Residencial da Cidade de Tingen compartilha negócios semelhantes aos deles, mas também oferece opções para a classe média-baixa. Para ser honesto, somos um pouco melhores que a classe média-baixa, mas ainda estamos bem piores do que as verdadeiras famílias de classe média. Não é uma questão de salário; é só que não tivemos tempo para economizar.
Klein chegou a uma conclusão enquanto guardava o jornal. Pegando sua cartola, ele se levantou.
— Então, vamos lá.
— Eu me lembro que a Companhia de Aprimoramento Residencial da Cidade de Tingen fica na rua Narciso — disse Benson ao abrir a porta. — Eles são como a Associação de Aprimoramento de Moradias de Tingen para a classe trabalhadora, conhecida como Caridades dos Cinco Porcento. Você sabe por quê?
— Eu não sei. — Klein levantou a bengala e caminhou para o lado de Melissa.
A garota de cabelos negros que chegavam em suas costas assentiu.
Benson saiu e disse:
— Esses tipos de associações ou empresas de melhoramento habitacional foram estabelecidas como resultado de Backlund. Elas são financiadas de três maneiras: Um, solicitando doações de fundações de caridade. Dois, através de propostas de financiamento; eles recebem doações da comissão do governo a uma taxa especial de 4%. Em terceiro lugar, através de investimentos. Ao pegar uma parte do aluguel recebido, eles darão a seus investidores um retorno de 5%. É por isso que eles são chamados de Caridades dos Cinco Porcento.
Os irmãos desceram as escadas e caminharam lentamente em direção à rua Narciso. Eles decidiram escolher uma casa antes de falar com seu atual proprietário, Sr. Franky. Eles não queriam estar em uma situação onde seriam forçados a se mudar enquanto ainda não tinham onde ficar.
— Eu ouvi de Selena que há empresas de melhoria habitacional que são administradas puramente como instituições de caridade? — Melissa perguntou, pensando.
Benson riu.
— Existem, como o Fundo Deweyville, que Sir Deweyville doou dinheiro para estabelecer. Ele constrói apartamentos voltados para a classe trabalhadora. Ele também fornece pessoal exclusivo para a gestão de imóveis, enquanto cobra apenas um aluguel bem baixo. No entanto, os critérios de inscrição são muito rigorosos.
— Parece que você não gosta da ideia? — Klein teve essa impressão quando perguntou com um sorriso.
— Não, eu respeito muito Sir Deweyville, mas tenho certeza de que ele não sabe o que é a verdadeira pobreza. Ficar em seu apartamento é como um padre pregando esperança. Não é muito pragmático. Por exemplo, os inquilinos têm que receber as principais vacinas e precisam se revezar na limpeza do banheiro.
Eles são incapazes de sublocar seus apartamentos ou usá-los para atividades comerciais. Não é permitido jogar seu lixo de maneira irresponsável e as crianças são impedidas de brincar nos corredores. Deusa, ele deseja fazer de todos damas e cavalheiros? — Benson respondeu em seu tom habitual.
Klein franziu as sobrancelhas em dúvida.
— Não parece problemático. Esses são todos critérios bem razoáveis.
— Sim. — Melissa assentiu em consentimento.
Benson inclinou a cabeça e olhou para eles antes de rir.
— Talvez eu tenha protegido tanto vocês dois que vocês não tenham visto o que realmente é pobreza. Você acha que eles teriam dinheiro para as principais vacinas? A linha de organização de caridade gratuita os atrasa por três meses.
— Você acha que o trabalho deles é estável e não temporário? Se eles não podem sublocar partes de seu apartamento para receber alguma renda extra, eles devem sair quando perderem seus empregos? Além disso, muitas senhoras consertam roupas ou fazem caixas de fósforos em casa para manter seu sustento, porém essas são consideradas como atividades comerciais. Você vai expulsar todos eles?
— A maioria dos pobres usam todas suas forças para sobreviver. Você acha que eles têm tempo para disciplinar seus filhos e impedilos de correr pelos corredores? Talvez eles só possam ser trancados em casa até que tenham idade suficiente, e então enviá-los para lugares que aceitem trabalho infantil quando tiverem entre sete e oito anos de idade.
Ben não usou muitos adjetivos para descrever o assunto; isso fez com que Klein estremecesse um pouco.
Era assim que pessoas de classes socioeconômicas baixas viviam?
Ao lado dele, Melissa ficou em silêncio. Demorou um bom tempo até que ela disse em um tom etéreo.
— Jenny não queria mais que eu a visitasse depois que ela se mudou para a rua de Baixo.
— Vamos torcer para que o pai dela se recomponha depois da lesão e encontre um emprego estável. No entanto, tenho visto muitos alcoólatras usarem álcool para se anestesiarem… — Benson riu com um tom sombrio.
Klein estava sem palavras. Melissa parecia estar no mesmo estado.
Sendo assim, os irmãos caminharam silenciosamente pela rua Narciso e encontraram a Companhia de Aprimoramento Residencial da Cidade de Tingen.
A pessoa que os servia era um homem de meia-idade com um sorriso amável. Ele não estava usando um traje formal ou um chapéu, mas usava uma camisa branca e um colete preto.
— Podem me chamar de Scarter. Posso saber que tipo de casa vocês têm em mente? — quando ele deu uma olhada na bengala incrustada de prata de Klein, seu sorriso se alargou.
Klein olhou para Benson, que era melhor com as palavras, e gesticulou para que ele respondesse.
Benson respondeu diretamente:
— Uma casa geminada.
Scarter folheou os arquivos e documentos em sua mão antes de sorrir.
— Atualmente há cinco propriedades que não foram alugadas. Para ser honesto, somos mais orientados a servir os clientestrabalhadores e seus filhos que têm dificuldades de moradia onde seis, oito ou até dez ou doze pessoas se espremem em uma casa. Não há muitas casas geminadas. Há uma na rua Narciso nº2, uma no Burgo Norte, uma no Burgo Leste… O aluguel semanal vai de 12 a 16 soli. Você pode dar uma olhada nos mostruários detalhados aqui.
Ele entregou um documento para Benson, Klein e Melissa.
Depois de lerem, os irmãos trocaram olhares e apontaram para o mesmo lugar no pedaço de papel ao mesmo tempo.
— Vamos dar uma olhada primeiro na rua Narciso nº2 — disse Benson. Klein e Melissa assentiram em resposta.
Este lugar era um distrito com o qual eles estavam familiarizados.
Capítulo 30
Capítulo 30 – Novo Começo
Rua Narciso nº 2, 4 e 6 eram casas geminadas com telhados de quadril multifacetados. Seus exteriores eram pintados de azul acinzentado e haviam três chaminés erguidas.
As casas obviamente não tinham gramados, jardins ou grandes varandas, e suas entradas ficavam diretamente de frente para a rua.
Scarter, da Companhia de Aprimoramento Residencial da Cidade de Tingen, pegou um monte de chaves e, ao abrir a porta, introduziu:
— Nossas casas geminadas não têm foyers, então você entra diretamente na sala de estar. Há uma janela de sacada de frente para a rua Narciso, então é bem iluminada…
Klein, Benson e Melissa foram recebidos por um sofá de tecido banhando-se nos raios dourados do sol e uma área mais espaçosa do que o apartamento de dois quartos anterior.
— Esta sala pode ser usada como um salão de hóspedes. À sua direita está a sala de jantar e à esquerda uma lareira que irá mantêlos aquecidos durante o inverno. — Scarter apontou com grande familiaridade.
Klein olhou em volta e confirmou que era um conceito simples e aberto. A sala de jantar e a sala de estar não estavam separadas por divisórias, mas também estavam longe da janela de sacada, o que as tornavam um pouco escuras.
Havia uma mesa retangular de madeira vermelha cercada por seis cadeiras de madeira de lei com almofadas macias. A lareira na parede da esquerda parecia exatamente com a de filmes estrangeiros e séries de TV que Klein costumava assistir.
— Atrás da sala de jantar é a cozinha, mas nós não fornecemos quaisquer utensílios domésticos. Em frente à sala de estar há um pequeno quarto de hóspedes e um banheiro… — Scarter andou ao redor e descreveu o layout restante da casa.
O banheiro era separado em duas partes, dividido por uma porta sanfonada. A área externa era onde se lavava o rosto e escovava os dentes, enquanto a área interna era o banheiro. O quarto de hóspedes era descrito como pequeno, mas era tão grande quanto o quarto em que Melissa ficava. Ela ficou atordoada com a visão.
Depois de olhar ao redor do primeiro andar, Scarter levou os três irmãos para a escada ao lado do banheiro.
— Lá embaixo está a adega. É bem abafado por lá, então devem se lembrar de deixar circular um pouco de ar fresco antes de entrar.
Benson assentiu casualmente e seguiu Scarter até o segundo andar.
— À minha esquerda, há um banheiro. Do mesmo lado, há mais dois quartos. É o mesmo layout à minha direita, mas o banheiro deste lado fica ao lado da varanda.
Enquanto falava, Scarter abriu a porta do banheiro e ficou de lado para não obstruir Klein, Benson e Melissa de olhar para dentro.
O banheiro tinha uma banheira extra. Assim como o outro banheiro, havia uma porta sanfonada ao lado do banheiro. Embora um pouco empoeirado, não era sujo, fedorento ou apertado.
Melissa ficou atordoada até Scarter ir para o quarto ao lado. Só então ela parou de olhar e seguiu os outros devagar.
Ela deu mais alguns passos antes de olhar para trás.
Klein, que era experiente na vida, também ficou encantado e empolgado. Mesmo que o senhorio muitas vezes supervisionasse a limpeza do banheiro, ainda não estava limpo o suficiente. Estava muitas vezes imundo, tirando o fato que encontrariam facilmente uma fila quando precisassem se aliviar.
O outro banheiro era parecido. Um dos quatro quartos era um pouco maior e estava mobiliado com uma estante de livros. O resto era do mesmo tamanho que o outro e tinham cama, mesa e guarda-roupa.
— A varanda é muito pequena, então não poderá secar muitas roupas ao sol de uma só vez. — Scarter ficou no final do corredor e apontou para um lugar com uma porta e uma fechadura. — Há drenagem subterrânea completa, tubulação de gás, medidor, e outras instalações. É muito adequado para cavalheiros e uma dama como vocês. Só requer treze soli de aluguel e cinco centavos para uso dos móveis semanalmente. Além disso, há um depósito que equivale a quatro semanas de aluguel.
Sem esperar que Benson dissesse uma palavra, Klein olhou em volta e perguntou, curioso:
— Aproximadamente quanto custaria comprar a casa?
Como um transmigrador do Império dos Amantes de Comida, o desejo de comprar a propriedade ainda existia dentro dele.
Ao ouvir essa pergunta, Benson e Melissa ficaram chocados. Eles olharam para Klein como se estivessem vendo um monstro. Scarter respondeu com calma e firmeza:
— Comprar? Não, nós não vendemos propriedades. Apenas fornecemos propriedades para aluguel.
— Estou apenas tentando ter uma noção geral dos preços. — Klein explicou sem jeito.
Scarter hesitou por alguns segundos antes de dizer:
— No mês passado, o proprietário do nº 11 na rua Narciso vendeu uma escritura de terra de período limitado com uma propriedade semelhante no topo do terreno. 300 libras por quinze anos. É muito mais barato do que alugar diretamente, mas nem todos podem desembolsar uma quantia tão grande de dinheiro. Se alguém quiser comprá-lo completamente, o preço do proprietário é de 850 libras.
850 libras? — pensou Klein rapidamente fazendo cálculos mentais.
Meu pagamento semanal é de três libras, do Benson uma libra e dez soli… O aluguel é treze soli e se nós comermos bem todos os dias, gastaríamos quase duas libras por semana. Além disso, há despesas como roupas, transporte, gastos sociais, e assim por diante. Só poderemos economizar menos de vinte soli por semana. Um ano totaliza cerca de 35 libras. 850 Libras exigiriam mais de vinte anos. Mesmo que comprássemos a terra por um período limitado por 300 libras, isso nos levaria pelo menos oito ou nove anos… Isso não inclui casar, viver de maneira independente, criar filhos, viajar e assim por diante…
Em um mundo sem empréstimos habitacionais individuais, a maioria das pessoas optam pelo aluguel…
Percebendo isso, ele deu um passo para trás e olhou para Benson, chamando-o para falar com Scarter sobre o aluguel.
Quanto às intenções de Melissa, eram óbvias pelos seus olhos brilhantes!
Benson bateu sua bengala simples e olhou em volta antes de dizer:
— Deveríamos dar uma olhada em outras casas. A iluminação da sala de jantar não é boa, e a varanda é muito pequena. Veja, só aquele quarto tem uma lareira, e a mobília é muito velha. Se nos mudarmos, teremos que trocar pelo menos metade…
Ele apontou falhas em um tom apressado, gastando dez minutos para persuadir Scarter a reduzir o aluguel para doze soli e a taxa de uso de móveis para três centavos, enquanto arrematava o depósito para duas libras.
Sem mais delongas, os irmãos voltaram com Scarter para a Companhia de Aprimoramento Residencial da Cidade de Tingen e assinaram duas cópias do contrato. Eles então dirigiram-se ao cartório da cidade de Tingen para firmar o contrato.
Depois de pagar o depósito e o aluguel da primeira semana, o dinheiro restante de Klein e Benson somava nove libras, dois soli e oito centavos.
Diante da casa nº2 da rua Narciso, cada um deles segurava um punhado de chaves de cobre. Eles foram momentaneamente incapazes de desviar o olhar; suas emoções se agitando dentro deles.
— Parece um sonho… — disse Melissa com uma voz baixa e instável, depois de um tempo, ela levantou a cabeça para olhar para a futura “Residência Moretti”. Benson soltou um suspiro e sorriu.
— Então, não acorde.
Klein não estava tão emotivo quanto eles. Ele acenou e disse:
— Precisamos trocar as fechaduras da porta principal e da porta da varanda o mais rápido possível.
— Não há pressa. A reputação da Companhia de Aprimoramento Residencial da Cidade de Tingen é muito boa. O resto do dinheiro é para o seu terno formal. No entanto, antes disso, precisamos fazer uma visita ao Sr. Franky. — Benson apontou na direção do apartamento.
Os irmãos comeram pão de centeio em casa antes de irem para um apartamento no terraço da rua Cruz de Ferro. Quando bateram à porta do senhorio, o sr. Franky declarou de modo imponente, enquanto seu corpo pequeno empoleirava-se num sofá:
— Você conhece minhas regras. Ninguém pode atrasar o aluguel!
Benson se inclinou para frente e sorriu.
Sr. Franky, estamos aqui para desistir do nosso contrato.
— Assim tão direto? Negociar assim funcionaria? — ao lado de Benson, Klein ficou chocado ao ouvi-lo.
No caminho até aqui, Benson dissera que seu limite era uma compensação de doze soli.
— Desistir do contrato? Não! Temos um contrato, e ainda resta meio ano! — Franky olhou para Benson enquanto agitava os braços.
Benson olhou para ele seriamente e esperou por um momento antes de dizer calmamente:
— Sr. Franky, o senhor deveria entender que poderia ter ganhado muito mais dinheiro.
— Ganhado muito mais? — perguntou Franky com interesse, tocando seu rosto magro.
Benson endireitou-se e explicou com um sorriso:
— O apartamento de dois quartos foi alugado a nós três por cinco soli e seis centavos. Mas se fosse alugá-lo para uma família de cinco ou seis pessoas, com dois ou três trabalhando e ganhando dinheiro, acho que eles estariam dispostos a pagar mais para ficar lá, em vez de ficar na rua de baixo, onde está cheio de crimes. Acho que cinco soli e dez centavos ou seis soli seria um preço razoável.
Os olhos de Franky brilharam e sua garganta se moveu enquanto Benson continuava a dizer:
— Além disso, você certamente está ciente de que os preços dos aluguéis vêm aumentando nos últimos anos. Quanto mais ficarmos, mais você irá perder.
— Mas… Preciso de tempo para procurar um novo inquilino. — Sr. Franky, que herdara o prédio, obviamente gostou da ideia.
— Eu acredito que você pode encontrar um muito rapidamente, já que você tem a habilidade e os recursos para tal. Em dois dias, talvez três… Pagaremos pelas perdas que você tiver durante este tempo. Que tal o depósito de três soli que pagamos? É muito razoável! — Benson imediatamente decidiu por Franky.
Franky assentiu em satisfação.
— Benson é um jovem tão meticuloso e honesto. Tudo bem então, vamos assinar a rescisão do contrato.
Klein ficou espantado ao ver isso acontecer. Ele percebeu como era fácil “convencer” o Sr. Franky.
É fácil demais…
Com o problema do contrato anterior resolvido, os três irmãos primeiro ajudaram Klein a comprar sua roupa formal e então se ocuparam com a mudança de casa.
Eles não tinham nada pesado ou volumoso, pois os itens mais volumosos pertenciam ao proprietário. Assim, Benson e Melissa rejeitaram a ideia de Klein de alugar uma carruagem e, em vez disso, levaram as coisas por conta própria. Andaram de um lado para o outro entre a rua Narciso e a rua Cruz de Ferro.
O sol quente do lado de fora da janela se punha no oeste, e os raios dourados brilhavam através da janela da sacada, espalhando-se pela superfície da mesa. Klein olhou para a prateleira que tinha livros e cadernos arrumados antes de colocar um frasco de tinta e uma caneta-tinteiro sobre a mesa, que havia limpado mais cedo.
Finalmente acabou… — ele soltou um suspiro de alívio e ouviu seu estômago roncar. Ele afrouxou as mangas arregaçadas enquanto caminhava em direção à porta.
Ele tinha uma cama que lhe pertencia. O lençol e cobertor eram brancos e velhos, mas limpos.
Klein girou a maçaneta e saiu do quarto. Assim que estava se preparando para dizer algo, ele viu as duas portas do lado oposto abertas enquanto Benson e Melissa entravam em sua visão.
Olhando para as marcas de poeira e sujeira em seus rostos, Klein e Benson de repente explodiram em gargalhadas, soando anormalmente alegres.
Melissa mordeu os lábios levemente, mas a risada era contagiante. Ela eventualmente soltou uma leve risada.
Na manhã seguinte.
Klein estava diante de um espelho de corpo inteiro, sem rachaduras, arrumando seriamente o colarinho e as mangas da camisa.
O traje incluía uma camisa branca, smoking preto, cartola de seda, colete preto, conjunto de calças, botas e gravata-borboleta. Ele sentiu o aperto de pagar oito libras no total.
No entanto, o efeito foi ótimo. Klein sentiu que seu reflexo no espelho exibia maiores qualidades acadêmicas e o fazia parecer mais bonito.
Click!
Fechou o relógio de bolso e colocou no bolso interno, pegou então sua bengala e escondeu o revólver. Pegou a carruagem pública e chegou à rua Zouteland.
No momento em que entrou na Companhia de Segurança
Blackthorn, ele percebeu que estava tão acostumado ao estilo de vida anterior que havia esquecido de dar dinheiro extra a Melissa, fazendo com que ela caminhasse para a escola.
Balançando a cabeça, ele tomou nota antes de entrar. Viu a garota de cabelos castanhos, Rozanne, fazendo café. Um aroma rico permeou todo o escritório.
— Bom dia, Klein. O tempo está ótimo hoje — cumprimentou Rozanne com um sorriso. — Para ser franca, sempre tive curiosidade. Nesse clima, vocês não se sentem quentes vestindo esses ternos formais? Eu sei que o verão de Tingen não é tão quente quanto o do Sul, mas ainda assim é verão.
— É o preço do estilo — respondeu Klein com humor. — Bom dia, senhorita Rozanne. Onde está o Capitão?
— No lugar de sempre. — Rozanne apontou para dentro.
Klein assentiu, atravessou a divisória e bateu na porta do escritório de Dunn Smith.
— Entre. — a voz de Dunn era profunda e suave como de costume.
Quando viu Klein, que parecia bem diferente em um belo traje formal, assentiu e seus olhos cinzentos sorriram.
— Já decidiu? — ele perguntou.
Klein respirou fundo e respondeu seriamente:
— Sim, eu me decidi.
Dunn sentou-se devagar. Sua expressão ficou solene, mas os profundos recessos de seus olhos cinzentos permaneceram os mesmos.
— Diga-me sua resposta.
Klein respondeu sem hesitar:
— Vidente!
Capítulo 31
Capítulo 31 – Poção
Dunn Smith encarou Klein com seus olhos cinzentos por um minuto inteiro sem dizer nenhuma palavra.
Klein não se intimidou sob a pressão do silêncio e de seu olhar. Ele continuou olhando de volta nos olhos de Dunn.
— Você deve entender que uma vez que você consuma a poção, não haverá lugar para arrependimento — finalmente, Dunn falou com uma voz profunda e sem emoção.
Klein sorriu e disse:
— Eu sei, mas respeito a minha voz interna.
Primeiro, Sem Sono não atende aos meus requisitos — foi o mesmo para Espectador, que ouviu no Clube de Tarô, baseado na descrição. Ele não tinha certeza quando entraria em contato com outros caminhos de Beyonder. Um remédio lento não poderia funcionar para uma situação urgente; portanto, não havia necessidade de esperar. Pela mesma lógica, o Coletor de
Cadáveres também foi eliminado, deixando duas opções,
Espreitador de Mistérios e Vidente.
Sob a premissa de que poções da mesma Sequência eram igualmente perigosas e que ele era incapaz de obter mais informações, bem como o fato de que tanto Espreitador de Mistérios quanto Vidente atendiam suas exigências, então independentemente de o Imperador Roselle estar fazendo uma observação passageira ou se realmente lamentou não escolher Aprendiz, Saqueador nem Vidente, foi o suficiente para mover a balança em seu coração.
Além disso, ele poderia dizer pelo diário que, desde que descobrisse a verdadeira essência da digestão e da atuação, ele seria capaz de evitar os efeitos negativos que a poção traria de forma significativa. Quanto aos murmúrios e tentações ilusórias que poderiam levar as pessoas à corrupção e à loucura, ele já havia encontrado isso mesmo sem ser um Beyonder!
— Tudo bem! — Dunn se levantou e pegou sua meia cartola, e disse enquanto a colocava — Siga-me.
Klein assentiu e fez uma reverência como a de um cavalheiro em gratidão.
Tap Tap Tap. Os dois se aventuraram caminho abaixo, seus passos ecoando pela silenciosa e vasta escadaria e passagem.
De repente, Klein sentiu-se tomado pela ansiedade enquanto tentava encontrar um tópico para conversarem.
— Capitão, você mencionou que tomar a poção não me daria diretamente o conhecimento correspondente sobre o misticismo, que eu só teria as qualificações para aprender. Então, de onde vem o conhecimento básico do misticismo? Nossos antecessores arriscaram a vida por isso ou conseguiram por outros meios?
Toda vez que ele ia para o subsolo, achava o ar especialmente fresco. Claramente, a ventilação era excelente. No entanto, a rajada ocasional de vento o arrepiava.
Dunn olhou para ele, a escuridão em seus olhos cinzentos parecia anormalmente profunda.
Ele respondeu calmamente:
— Um deles é como você disse, experimentação, resumo e aprimoramento. Segundo, sendo concedido pelos deuses. Terceiro, he. Os perigosos murmúrios que os outros não conseguem ouvir não só rosnam e rugem coisas sem sentido, às vezes, eles descrevem alguns assuntos relacionados ao misticismo. Mas de acordo com o que eu sei, pessoas que realmente ouvem os murmúrios a longo prazo enlouqueceram sem exceção. Ou caíram em corrupção e se tornaram monstros. Claro, devemos agradecêlos, pois os cadernos que eles deixaram são tesouros preciosos no campo do misticismo.
Ratos de laboratório humanos? — A umidade fria da passagem subterrânea fez Klein estremecer de repente.
Então, o meu ritual de aprimoramento de sorte que se transformou em “Mágica de Rede Social” eventualmente levaria a efeitos semelhantes devido aos murmúrios enlouquecedores e horríveis? —
Klein refletiu.
No cruzamento, Dunn não avançou em direção ao Portão Chanis, nem se voltou para o arsenal, depósito e arquivos. Em vez disso, levou Klein para a esquerda e se aproximou da Catedral de Santa Selena.
Ele parou no meio do caminho. Não ficou claro o que ele tocou, mas uma porta secreta se abriu.
— Este é o quarto de alquimia do nosso time dos Falcões Noturnos. Vou pedir ao Velho Neil para pegar a fórmula da poção de Vidente e os materiais correspondentes do interior do Portão Chanis. Heh, você tem muita sorte. A Deusa te abençoou com seu favor. Ainda devemos ter os materiais necessários para duas poções de Vidente. Se não, você teria que esperar muito tempo. — Dunn apontou para o quarto atrás da porta. — Espere aqui. Mais tarde, observe Velho Neil preparar a poção. É a parte mais básica dos estudos sobre misticismo. Ah, e não toque aleatoriamente as coisas ali. Elas são muito perigosas, caras ou ambos.
Com isso dito, Dunn acrescentou, como anteriormente:
— Ah certo, eu esqueci algo outra vez. Você se tornar um Beyonder é o resultado de ter que enfrentar perigos e a necessidade de encontrar o caderno. O ato meritório foi apenas uma parte; portanto, você não será um membro de nossa equipe por enquanto, ainda será um funcionário civil com um salário correspondente, e ainda fará o que eu lhe instruí a fazer anteriormente. Uma coisa adicional é aprender mais sobre o misticismo com o Velho Neil. Você pode organizar o horário com ele.
— Tudo bem! — com a exceção de se sentir um pouco insatisfeito com a falta de um aumento salarial, Klein concordava totalmente com o resto.
Segundo Dunn, ainda havia o processo de aprender e dominar os novos poderes depois de consumir a poção. Se ele se tornasse um membro formal imediatamente e participasse de missões paranormais, sua morte seria certa.
Dunn se virou e deu dois passos em direção ao cruzamento quando de repente se virou.
— Outra coisa.
Eu sabia… — Klein já estava acostumado com o “estilo” de seu capitão.
— Descobrimos algo sobre as ações da Ordem Secreta — disse Dunn com sua expressão habitual. — É improvável que eles o provoquem em um futuro próximo, mas não seja descuidado. Tem a ver com eles estando temporariamente incapazes de confirmar se o caderno da família Antigonus é importante para eles. Pelo que descobrimos, eles preservaram alguns dos costumes antigos e podemos confirmar que eles estão relacionados com o Império Salomão e os nobres corruptos daquele período.
— Entendi. Obrigado, capitão — disse Klein enquanto exalava.
Essa também era uma das razões pelas quais ele não queria esperar, agarrando a chance de se tornar um Beyonder com tanta pressa!
Enquanto observava Dunn ir embora e depois de confirmar que ele não viraria a cabeça para dizer mais nada, Klein entrou lentamente na sala de alquimia.
Haviam longas mesas na sala. Havia tubos de ensaio, pipetas, balanças e cadinhos. Parecia um laboratório de química de sua vida anterior. Era apenas mais espartano e antigo.
Fora isso, havia um enorme caldeirão, uma concha de madeira escura, uma bola de cristal translúcida e outros itens. O Emblema Sagrado das Trevas e outros emblemas estranhos eram visíveis por todos os lados. Eles davam à sala um ar de mistério.
Klein olhou em volta com interesse, mas não era estúpido o suficiente para encostar nas coisas.
Depois de um tempo, ele ouviu passos. Velho Neil carregava um minúsculo baú prateado com desenhos complicados. Ele ainda estava usando seu peculiar manto preto clássico que parecia anacrônico, combinado com um chapéu de feltro com uma borda arredondada de mesma cor.
— Rapaz, eu nunca esperei que você escolhesse Vidente — velho Neil abaixou o baú e usou seus olhos vermelhos e levemente turvos para avaliar Klein. — Sua personalidade é como a minha quando era jovem. Você simplesmente não quer seguir as massas. Não é ruim. Acenda essas poucas lâmpadas a gás e feche a porta.
— Tudo bem! — Klein tentou ao máximo não tremer enquanto acendia cada lamparina a gás na sala de alquimia. Ele fez a luz fraca dominar o lugar mais uma vez.
Tac! Tac! Tac! A porta secreta estava fechada. Ele se virou para ver o Velho Neil, com seus cabelos brancos e rugas profundas, usando um monte de galhos estranhos de árvores amarrados para esfregar o caldeirão preto.
— A preparação de uma poção de Sequência é extremamente simples, pelo menos para as Sequências 7 e abaixo. Não há necessidade de uma chama especial ou qualquer ritual adicional, muito menos encantamento. Não há necessidade de alguém participar espiritualmente. Tudo o que se precisa fazer é ir de acordo com as etapas da fórmula, adicionar as quantidades precisas e misturá-las. Isso é tudo — as rugas do Velho Neil pareciam florescer quando sorriu.
— Sério? — perguntou Klein, surpreso.
Isso soa tão simples quanto o meu ritual de aprimoramento de sorte…
Cara, é bem assustador quando você para para pensar nisso…
— Talvez seja um presente dos deuses. Louvada seja a Dama — Velho Neil desenhou um círculo aleatório sobre o peito.
Depois disso, ele abriu o baú de prata e tirou um pergaminho de pele de cabra que exalava um ar de antiguidade.
A pele de cabra marrom-amarelada desdobrou polegada a polegada, revelando palavras. Klein olhou de longe e percebeu que estava escrito em Hermes, um idioma que ele conhecia muito bem.
Estava escrito em uma tinta que se assemelhava a sangue, parecendo ainda ter sua fluidez intacta. Mas, além disso, não parecia de modo algum extraordinário.
— Vidente: 100 mililitros de água pura, 13 gotas de fluído de baunilha noturna, 7 folhas de hortelã dourada… — Klein recitou silenciosamente o conteúdo da fórmula, mas o resto estava bloqueado pelo pulso do Velho Neil, impedindo-o de lê-lo.
— Água pura é água que é repetidamente destilada. Felizmente, eu fiz um pouco anteriormente, então não há necessidade de perder tempo com isso — enquanto Velho Neil dava a introdução, ele pegou da mesa uma grande garrafa lacrada de vidro com grande familiaridade, tirou a tampa e colocou cerca de 100 mililitros de água pura no caldeirão sem pensar muito.
Klein não se atreveu a perguntar, temendo que afetasse a preparação do Velho Neil. Afinal, seria ele que beberia a poção.
— 13 gotas de fluído de baunilha noturna. Isso pode ser extraído e armazenado como um óleo essencial com antecedência — Velho Neil tirou um pequeno frasco marrom do baú de prata e, com uma pipeta, pingou 13 gotas no caldeirão de maneira relaxada.
Uma leve, mas tranquilizante, fragrância emanava, fazendo com que Klein sentisse uma sensação anormal de paz.
— 7 folhas de hortelã dourada… — Velho Neil pegou uma lata de prata e tirou a tampa. Com as mãos, pegou algumas folhas e as espalhou no caldeirão. Ele sentiu um cheiro fresco e estimulante.
— 4, 5, 6, 7. Perfeito. — Velho Neil riu e olhou para a fórmula da poção na pele de cabra — 3 gotas de cicuta venenosa. Isso não é algo que você deva beber aleatoriamente. Pode fazer com que todo o seu corpo fique dormente até a ponto de morrer. Em tempos antigos, provou ser a melhor opção para cometer suicídio.
Não é como se eu fosse bobo… — Klein pensou, zombando.
O Velho Neil trocou de pipeta e pingou a cicuta venenosa no caldeirão. A mistura produziu um aroma estranho que refrescava a mente.
— 9 gramas de pó de erva de sangue de dragão — Velho Neil lentamente colocou a mão no baú de prata e tirou um tubo de ensaio transparente. Havia um pó preto-profundo em seu interior.
Ele usou um copo e uma balança para medir 9 gramas do pó e despejou no caldeirão, e então mexeu a mistura duas vezes com a concha de madeira escura. O processo descontraído de preparar a mistura fez Klein se preocupar um pouco.
— Na verdade, os materiais de antes eram apenas suplementares. A quantidade exata não afeta realmente o resultado final. Devo colocar um pouco mais? — Velho Neil fez uma piada.
— Os dois últimos são cruciais. A quantidade pode ser ligeiramente reduzida, mas não pode estar muito longe do exigido, ou o seu ‘aprimoramento’ pode falhar. Ah, a quantidade não pode ser a mais, nem mesmo um pouco. Se for, você terá que ser tratado por problemas mentais. Não é impossível morrer imediatamente também.
Klein imediatamente ficou tenso ao ver o Velho Neil tirar um frasco de vidro preto do baú de prata.
— Sangue de Lula Lavos, 10 mililitros. Este tipo de lula é considerado uma espécie biológica extraordinária. É claramente uma espécie mutante, está encoberta em mistérios. Seu sangue se romperá rapidamente sob a luz do sol e perderá suas qualidades únicas. Tem que ser armazenado em material opaco — o tom do Velho Neil não parecia mais estar relaxado. Ele rapidamente e cuidadosamente extraiu 10 mililitros do sangue com um tubo de ensaio.
O sangue era azul como o céu. De tempos em tempos, produzia bolhas ilusórias como se estivesse ligado ao mundo espiritual.
— Depois de colocar o sangue dentro do tubo de ensaio, as gotas restantes são ignoradas como precaução — sussurrou Velho Neil.
No momento em que o sangue azul entrou no caldeirão e fez contato com o líquido anterior, produziu sons borbulhantes. A luz ao redor foi tingida com um tom azul-claro, fazendo Klein sentir uma estranha sensação de distância, mas também de familiaridade.
Parecia como a sensação de estar no ventre de uma mãe. Elevava a alma humana.
— O item final. Extrato de Cristal Estelar, 50 gramas. — a voz do Velho Neil soou nos ouvidos de Klein, acordando-o enquanto olhava para a mesa.
Na mão do velho cavalheiro havia um pedaço de cristal extremamente puro. Além disso, o cristal parecia gelatinoso, como se fosse geleia da Terra. Faltou dureza.
Sob a iluminação da luz azul, refletia pedaços de luz que pareciam conter um vazio resplandecente de estrelas no interior.
— Este é um excelente material para a criação de cristais de divinação… Apenas um pouco menos em consideração a quaisquer erros — enquanto Velho Neil media, ele usou uma pequena lâmina de prata com desenhos para extrair o cristal.
— Água pura, baunilha noturna, folhas de hortelã dourada, suco de cicuta venenosa, erva de sangue de dragão, sangue de Lula Lavos e Extrato de Cristal Estelar formam um Vidente… — naquele momento, Klein não pôde deixar de lembrar a fórmula.
Com tudo pronto, Velho Neil despejou alguns pedaços de Extrato de Cristal Estelar no caldeirão.
Chiiii, a poção soltou um chiado.
Uma névoa ilusória instantaneamente lançou-se do caldeirão, transformando a sala de alquimia em um borrão.
Klein parecia ver uma vasta gama de estrelas em meio à neblina e sentia como se estivesse sendo observado por uma existência invisível.
Alguns segundos depois, a névoa se dissipou. Velho Neil usou a concha de madeira e pegou um líquido pegajoso azul-escuro. Tinha características estranhas, era pegajoso e inseparável. Nem uma gota foi deixada no caldeirão.
O líquido azul-escuro foi derramado em um copo opaco antes que Velho Neil apontasse para ele.
— Está pronta, sua poção de Vidente.
Capítulo 32
Capítulo 32 – Visão Espiritual
Klein olhou para o líquido gelatinoso azul-escuro, achando difícil descrevê-lo como um bloco ou mesmo como uma xícara de líquido. Ele engoliu sua saliva e disse com grande dificuldade:
— Eu devo beber o líquido dessa maneira? Não há necessidade de outras preparações? Como um ritual, um encantamento ou uma oração?
O Velho Neil entendeu rapidamente antes de dizer:
— Preparação? Há sim. Pegue uma xícara de vinho de uva Intis Aurmir, fume um Charuto Desi, assobie uma melodia relaxante e dance uma alegre dança da corte. Você pode fazer um sapateado se preferir. Finalmente, jogue uma rodada de cartas de Gwent…
Quando viu a expressão perplexa de Klein, Velho Neil riu e resumiu o que havia acabado de dizer.
— Se você se sentir nervoso.
…Você é bem-humorado, não é…? — os cantos da boca de Klein se contorceram enquanto ele resistia ao impulso de sacar sua arma.
Ele colocou a bengala no chão e estendeu a mão direita. Como se segurasse algo pesado, ele levantou o copo opaco. O cheiro da poção era fraco e aparentemente etéreo.
— Rapaz, não hesite. Quanto mais você hesitar, mais nervoso e com medo você ficará. Isso só afetará a absorção que se segue — disse Velho Neil, de costas para Klein. Era como se ele tivesse dito isso casualmente.
Klein não percebeu quando ele chegou perto da bacia de água próxima dele. Ele abriu a torneira e lavou as mãos.
Klein assentiu silenciosamente e respirou fundo. Assim como fazia quando era criança, ele tampou o nariz e bebeu a poção como se fosse remédio. Ele levou a xícara opaca até sua boca e inclinou a cabeça, bebendo-a em um gole.
Uma sensação suave e fria rapidamente encheu sua cavidade oral. Então fluiu através de sua garganta e para seu estômago.
O líquido pegajoso azul-escuro parecia como tentáculos finos e compridos, trazendo estímulo e frieza para todas as células do corpo de Klein.
Ele não pôde deixar de convulsionar quando sua visão rapidamente se tornou um borrão. Todas as cores pareciam se saturar. Os vermelhos eram mais vermelhos, os azuis mais azuis e os negros, mais negros. As cores vibrantes se misturavam como uma pintura impressionista.
Klein já havia visto uma cena assim antes. Foi quando ele foi questionado pela Médium Espiritual, Daly.
Naquele momento, sua visão se tornou um borrão e, embora sua mente estivesse leve, seus pensamentos estavam claros. Ele se sentiu como um náufrago flutuando no mar.
Lentamente, o ambiente ao seu redor se tornou perceptível. Uma névoa acinzentada e embaçada emanava enquanto todas as cores retornavam ao seu original
Em volta dele havia corpos que eram difíceis de descrever; eram objetos transparentes que não pareciam existir. No fundo, havia aglomerados claros de luz de diferentes cores, que pareciam possuir vida ou conter um imenso conhecimento.
Isso é um pouco parecido com o que eu vi durante o ritual de aprimoramento de sorte… — quando Klein instintivamente olhou para baixo, percebeu que “ele” ainda estava em seu local original, seu corpo convulsionando.
De repente, chegou a uma conclusão, fazendo com que sua consciência afundasse abruptamente e se fundisse com ele.
Boom!
O nevoeiro dissipou-se rapidamente enquanto as cores voltavam ao normal. A aura clara e brilhante e os objetos inexistentes desapareceram instantaneamente.
A cena na sala de alquimia voltou ao normal, mas Klein sentiu sua cabeça inchar, como se estivesse sendo arrancada. Tudo o que viu teve incontáveis imagens residuais e suas orelhas foram inundadas por um murmúrio etéreo.
Hornacis… Flegrea… Hornacis… Flegrea… Hornacis… Flegrea…
Klein sentiu uma pontada de dor na testa ao mesmo tempo em que surgiam pensamentos repentinos de causar destruição para aliviar seu desconforto.
Ele franziu a testa e sacudiu a cabeça apressadamente.
— Sua visão está anormal? Também está ouvindo coisas que você não costumava ouvir? — perguntou Velho Neil, que estava ao seu lado com um sorriso escondido.
— Sim, Sr. Neil, o que devo fazer? — Klein tolerou a intensa vontade e perguntou.
O Velho Neil riu.
— Esta é a infiltração resultante da energia da poção. Você não tem meios para controlá-la. Tudo bem, faça o que eu disser. Pense em algum objeto em sua mente, algo comum. Que seja simples e fácil.
Klein se concentrou rapidamente enquanto imaginava sua meia cartola, feita de seda preta. Ele recordou a sensação ao toque e sua forma exata.
— Coloque todo o seu foco nisso. Continue repetindo isso enquanto cria os contornos. Está um pouco melhor? — a voz do velho Neil penetrou em sua mente como uma canção serena.
Klein voltou seu foco pouco a pouco para a cartola imaginada. Ele sentiu os murmúrios diminuírem para um sussurro, antes de desaparecerem. As imagens remanescentes também voltaram ao normal, não parecendo mais um borrão.
— Muito melhor — disse Klein depois de ter respirado fundo e acalmado sua mente das emoções caóticas.
Ele olhou para seu corpo e descobriu que nada anormal havia acontecido. Moveu seus membros e meio ansioso e meio duvidoso, perguntou:
— Eu consegui? Eu sou considerado agora um Vidente?
O Velho Neil puxou uma placa espelhada de mercúrio e empurrou-a para frente dele.
— Olhe para os seus olhos.
Klein focou seu olhar e viu que ele estava usando uma cartola preta. Seu contorno se destacava e suas características faciais pareciam normais. Além de ter o rosto coberto de suor, ele não parecia diferente de forma alguma.
Ele seguiu as instruções do Velho Neil e cuidadosamente olhou para seus próprios olhos. Só então descobriu que seus olhos castanhos haviam escurecido significativamente. Estavam tão profundos que pareciam a noite, em completa escuridão; pareciam tão profundos que poderiam absorver as almas dos outros.
Normalmente, pupilas marrons escuras são facilmente reconhecidas como negras. Sem olhar com muito cuidado, nem o próprio Klein teria notado.
— Esta é uma manifestação física dos poderes da poção. Quando você aprender Cogitação e como convergir seu poder, seus olhos voltarão ao normal. — Velho Neil sorriu ao estender a mão direita. — Parabéns ao nosso novo Beyonder, nosso Vidente.
— Obrigado. — Klein estendeu a mão e apertou-a. — Sr. Neil, quando posso aprender a Cogitar?
— Você pode aprender agora mesmo. Os passos iniciais da Cogitação são relativamente simples. É ainda mais simples para Beyonders — disse o Velho Neil com um sorriso. — Agora a pouco, produzir um objeto em sua mente para desviar sua atenção e transformar a infiltração de energia para seu interior é, na verdade, o primeiro passo para a Cogitação. Tente fazer isso de novo.
Klein fechou seus olhos e, mais uma vez, sua mente retratou a meia cartola.
Sua concentração parecia ser mais facilmente focada do que antes. Logo, pensamentos aleatórios que surgiam desapareciam rapidamente, deixando o contorno do chapéu.
— Deixe seu cérebro ficar um pouco vazio. Troque o objeto que você imaginou. Use algo que não existe neste mundo, algo que você imagine completamente do nada.
— Você tem que seguir esta regra. Só assim você pode entrar em Cogitação, só então você pode exceder o conceito de ‘eu’. O ilimitado ‘eu’ se tornará um com o universo, dando a você a habilidade de ver e entender a verdade. Você obterá conhecimento que só você mesmo pode entender. No domínio dos estudos de misticismo, é chamado de Experiência Mística — disse o Velho Neil usando um tom pacificador. — Você só precisa ouvir as descrições que eu direi mais tarde. O mais importante é entrar em Cogitação.
Algo que não existe neste mundo. Imagine algo completamente do nada… Será que as coisas da Terra contam? — Klein tentou usar um míssil intercontinental verde-terra que viu na televisão. Ele substituiu então a meia cartola com esse longo e grosso míssil.
No entanto, independentemente de como ele delineava ou imaginava, acabou apenas focando sua atenção.
Parece que não vai dar certo… — Klein não teve escolha a não ser deixar a imaginação correr livre. Ele delineou uma esfera de luz e, em seguida, muitos objetos semelhantes, reunindo-os.
As esferas de luz se empilharam umas sobre as outras. Parecia um objeto de fantasia. Os pensamentos de Klein gradualmente se tornaram etéreos e flutuantes.
Seu corpo e mente se acalmaram. Os objetos que pareciam não existir, o nevoeiro com os brilhantes aglomerados conglomerados de luz e as cores complexas apareceram mais uma vez, flutuando no céu ao seu alcance.
Ele estendeu sua espiritualidade centímetro por centímetro enquanto olhava para eles em silêncio. Ele sentiu e as acolheu.
— Muito bom. Como esperado de um Vidente, você entrou em Cogitação bem suavemente. Você é apenas um pouco pior do que eu naquela época, mas bem pouco — disse Velho Neil com uma risada. — Nesse caso, vou começar a ensinar-lhe a habilidade mais comum, a mais fácil de compreender e mais útil no futuro do misticismo, Visão Espiritual!
Ele desligou as lâmpadas a gás uma após a outra, mas abriu a porta da sala de alquimia. Isso fez com que a sala em que estavam escurecesse, mas não a ponto de não conseguir distinguir as silhuetas dos objetos.
— Tudo bem. Em seu estado atual, levante suas mãos e coloque-as diante de seus olhos. Seus dedos indicadores precisam ficar de frente um para o outro, mas não devem se tocar.
— Abra seus olhos e mantenha-os abertos até que você esteja acostumado com a escuridão.
Klein completou cada passo de acordo com a descrição de Velho Neil. Ele viu as silhuetas de seus dedos e os objetos ao redor.
— Na verdade, você deveria estar deitado para deixar seu corpo relaxado. Mas já que o efeito da sua Cogitação não é ruim, vamos continuar. — Velho Neil riu. — Concentre seu olhar em um ponto atrás de suas mãos. Tem que ser algo trás. Em seguida, mova lentamente os dedos e mantenha a mesma pose, sem que se toquem. Além disso, não os tire da sua vista.
Klein escutou com calma e olhou para um ponto vazio atrás de suas palmas. Ele então moveu lentamente os dedos indicadores dentro de sua visão.
Uma vez, duas, três vezes… — De repente, Klein viu uma cor vermelho-fogo entre os dedos.
— Hã…? — exclamou, surpreso.
— Você vê cores? Está certo. Esse é o passo inicial para a Visão Espiritual. A cor que você vê é a sua aura — disse Velho Neil com uma risada. — Sem pressa. Faça isso mais algumas vezes. Depois de estabilizá-la, procure outro lugar. Vou aproveitar esta oportunidade para explicar-lhe também os diferentes significados das diferentes cores.
— Tudo bem. — Klein moveu os dedos para trás e para a frente enquanto treinava sua visão no vermelho-fogo.
Velho Neil pensou por um momento antes de dizer:
— Simplificando, o principal caminho do misticismo é dividir as partes não físicas de um humano em quatro níveis. Em seu núcleo está o Corpo Espiritual, que é também a espiritualidade básica de todos. Existe uma escola de pensamentos que acredita que todas as criaturas biológicas têm espiritualidade e possuem um Corpo Espiritual.
— Não tenho certeza sobre qualquer outra coisa, mas para os Espreitadores de Mistérios, o objetivo da Cogitação e o método para aumentar nosso poder é direcionado para o Corpo Espiritual.
— Fora do corpo espiritual está a Projeção Astral. É o meio para o Corpo Espiritual se comunicar com o mundo espiritual e com o espaço estelar. É considerado a manifestação externa do Corpo Espiritual. Além disso, estará diretamente relacionado à sua ambição pessoal e às suas emoções predominantes… As cenas que você vê depois de consumir a poção são cenas que sua Projeção Astral vê quando vagueia pelo mundo espiritual. Esse mundo não obedece às leis do mundo físico. Isso envolve exceder o conceito de “eu”, o ilimitado “eu” e o “eu” do Universo. O passado, o presente e o futuro podem estar empilhados uns sobre os outros e essa é a fonte da divinação.
— No mundo espiritual, o que você vê é apenas uma imagem, um símbolo. Você tem que interpretar para entender o significado real.
— Divinação e muitos feitiços mágicos são lançados através da
Projeção Astral. Não confunda seu relacionamento e diferenças com um Corpo Espiritual.
Um é apenas um corpo e o outro é para a forma… — Klein continuou olhando para a aura entre as pontas dos dedos e fez a simples conclusão.
— Mais longe está o Corpo do Coração e da Mente. A partir daí, combinará com o corpo físico… Isso envolve seu cérebro e é uma manifestação geral de suas habilidades inferenciais, suas habilidades analíticas, suas habilidades de observação e habilidades de identificação. Algumas poções aumentarão principalmente isso. Um grande número de magias também são direcionadas nisso. — Velho Neil explicou com grandes detalhes.
— A camada mais externa é o Corpo Etéreo. É uma manifestação de suas energias vitais e forma física.
— A cor da aura que você vê é um fenômeno externo do seu Corpo Etéreo. Em outras palavras, além dos corpos espirituais, fantasmas e espectros que você pode ver diretamente com a Visão Espiritual, também é possível ver certas existências que não devem ser vistas. Você também pode ver os Corpos Etéreos ou as auras dos outros, e a partir da espessura, brilho e cor, é possível determinar sua saúde e estado emocional.
— Quando sua Visão Espiritual melhorar e você entender mais sobre conhecimento do misticismo, poderá descobrir ainda mais detalhes. É possível até mesmo determinar o tempo de vida dos outros.
— A propósito, o estado emocional que mencionei também se manifesta por causa de sua Projeção Astral. Quando você subir mais em sua Sequência, sua Visão Espiritual alcançará um estágio relativamente alto, podendo até mesmo ser capaz de ver a Projeção Astral de outra pessoa. Dessa forma, você aprenderá ainda mais coisas. Este é um nível que somente os Videntes e os Espreitadores de Mistérios podem alcançar.
— Alguns sujeitos afirmam que a forma mais forte da Visão Espiritual permite que se veja qualquer coisa em qualquer lugar, incluindo o passado e o futuro. No entanto, sou cético sobre isso.
Parece bem poderoso… — Klein estava quase ficando ansioso.
O velho Neil tossiu e continuou:
— Vamos voltar ao Corpo Etéreo e às cores das auras. Seus membros e partes que são necessários para se movimentar aparecerão vermelhos. Sua cabeça e a superfície do cérebro aparecerão como roxas. Pontos que excretam resíduos aparecem laranja. O sistema de digestão aparecerá como amarelo. O coração e outros sistemas reguladores aparecerão na cor verde. Sua garganta e outras partes do sistema nervoso aparecerão azuis. Um corpo totalmente equilibrado será encoberto em branco… Isso é um símbolo de saúde.
— Quando escurece ou a espessura se afina, a cor muda. Isso indica que o ponto correspondente se tornou problemático, e que está em estado de exaustão ou doença.
— Além disso, a camada interna da Projeção Astral representa as emoções predominantes. Vermelho significa paixão e animação. Laranja significa calor e satisfação. Amarelo significa felicidade e extroversão. Verde significa calma e paz. Azul significa frieza e quietude de quem está em pensamentos. Branco significa brilho, uma ânsia de melhorar. Cores escuras significam preocupação, tristeza e silêncio. Roxo significa que a espiritualidade está tomando o controle da liderança, frieza e distanciamento…
Klein silenciosamente memorizou a informação e estabilizou sua visão Espiritual inicial.
— Muito bom, você pode olhar para outros objetos. — Velho Neil não falou mais nada enquanto assentia.
Klein lentamente virou a cabeça e olhou para o Velho Neil. De fato, ele viu cores diferentes em diferentes partes de seu corpo. A aura era grossa e fina em diferentes pontos. A cor roxa em sua cabeça era mais brilhante e a vermelhidão de seus membros era relativamente escura. A brancura geral de seu corpo também estava um pouco desbotada.
De fato, ele está envelhecendo… — Klein fez um comentário silencioso para si mesmo.
Apenas com o que viu já sentiu que havia se tornado um Beyonder!
— Agora eu sou um Beyonder!
Ele desviou o olhar e avaliou cuidadosamente o Velho Neil quando de repente ele viu um par translúcido de olhos frios e implacáveis sem nenhuma sobrancelha no vazio atrás dele!
Estes olhos quase ilusórios estavam olhando para o Velho Neil atentamente, assim como para ele!
Isso… — Klein estremeceu quando ele abriu a boca e disse:
— Você tem um par de olhos atrás de você!
Velho Neil ficou surpreso antes de forçar um sorriso.
— Ignore-os.
Capítulo 33
Capítulo 33 – Interruptor
No momento em que Velho Neil terminou sua frase, o par ilusório de olhos que espreitava na escuridão atrás dele desapareceu. Mesmo em seu estado de Visão Espiritual, Klein não era mais capaz de identificar os traços de sua existência.
— Isso é uma característica da magia ritualística — explicou o Velho Neil com uma risada.
Fascinante… A Visão Espiritual é uma versão aprimorada dos olhos de Yin-Yang? — Klein se sentiu como uma criança que recebeu um novo brinquedo. Animado, ele virou o olhar e começou a observar todos os cantos da sala. Ele queria ver as diferenças da sala de alquimia com e sem a Visão Espiritual.
Os contornos dos objetos no escuro, como as mesas, tubos de ensaio, balanças, copos e armários, não pareciam diferentes de como parecia sem a Visão Espiritual. Eles não emitiam luzes nem cores.
Objetos sem vida não possuem espiritualidade? — Klein murmurou para si mesmo enquanto olhava para o baú prateado.
De repente, ele viu uma vibração de cores. As cores eram tão azuis quanto o céu, tão resplandecentes quanto as estrelas, ou vermelhocarmesim como chamas ardentes!
— Materiais de seres extraordinários ainda têm alguma vida neles, e uh… ainda estão ativos? Mesmo que a fonte já esteja morta? — Klein escolheu bem suas palavras enquanto procurava a ajuda do Velho Neil.
— Uma descrição precisa é que eles têm espiritualidade remanescente. É um dos pontos cruciais para uma mistura de poções bem sucedida. Essa é também uma das razões pelas quais os Beyonders perdem o controle. Dunn já deveria tê-lo informado — explicou o Velho Neil francamente.
De repente, ele riu, recordando algo.
— Eu me lembro que a fórmula do Coletor de Cadáveres requer um sapo de manchas negras maduro e dessecado. Consumir essa poção exige muita coragem.
Klein tentou imaginar um pouco e achou nojento. Ele não repetiu as palavras de Velho Neil e voltou seu olhar para uma área escura. No entanto, não havia corpos espirituais nem fantasmas, os quais ele esperava ver.
— Não é dito que o mundo dos espíritos está em toda parte? — ele perguntou por curiosidade.
O Velho Neil riu rispidamente antes de dizer:
— Punk, repita depois de mim.
— Esta é a sede de um esquadrão dos Falcões Noturnos. Este é o chão abaixo da Igreja da Deusa da Noite Eterna. Há muitos Beyonders aqui!
— Você acha que vamos permitir que espíritos e almas vagueiem por aqui? Além disso, mundo espiritual e espírito são dois conceitos diferentes.
Klein sentiu-se um pouco envergonhado e virou a cabeça, fingindo olhar para a luz fraca das lâmpadas a gás na entrada.
— Entendi.
Enquanto falava, a área entre as sobrancelhas começou a se contrair.
O que está acontecendo? — assim que Klein se virou para perguntar, de repente viu uma figura parada em silêncio, ao lado da porta na periferia da luz. Parecia humano, embora as cores de sua aura e a escuridão se misturassem perfeitamente, tornando impossível discernir.
Hiss!
Klein sentiu um espasmo doloroso em sua glabela. Sua visão se tornou caótica enquanto ele concentrava sua atenção novamente, mas não havia mais a figura “sem forma”!
Estranho… — ele se virou, perguntando:
— Sr. Neil, o ponto entre minhas sobrancelhas está um pouco doloroso por causa dos espasmos.
— Haha, isso é muito comum. Você é um novo Beyonder. A Visão Espiritual coloca um grande fardo sobre o seu Corpo Espiritual. Além disso, drena você constantemente. Os efeitos físicos podem ser espasmos na glabela, dores de cabeça, hipersensibilidade e pequenos surtos de alucinações. E enquanto visualiza as coisas com a Visão Espiritual, é muito fácil sentir-se desconfortável como resultado do ambiente desconhecido. Também é muito fácil ter suas emoções afetadas por outras pessoas. Essas são coisas que exigem que você preste atenção. Você pode se acostumar e eliminá-los com a prática. Além disso, use-a com moderação e termine em tempo hábil — respondeu o velho Neil com um sorriso.
Por que você se sente encantado com isso… — Klein apressadamente pediu por conselhos — Então, como eu saio do estado de Visão Espiritual?
Ele planejou mencionar a figura invisível que havia visto, mas quando ouviu falar dos pequenos surtos de alucinação entre os sintomas, colocou esse pensamento de lado.
A partir dos espasmos da glabela e da dor de cabeça, ele podia adivinhar completamente a resposta de Velho Neil!
— Como antes, pense em um item para desviar sua atenção. Isso te tirará do estado de Cogitação. Feche os olhos e controle sua espiritualidade, e repetidamente diga para terminar. Quando você abrir os olhos novamente, descobrirá que a Visão Espiritual terminou.
O Velho Neil descreveu sem pressa e, quando terminou, acrescentou:
— É claro que esse é o método mais trivial e desajeitado. Podemos repetidamente nos sugerir em Cogitação, com a prática, para afetar nossa espiritualidade. Dessa forma, você terá um simples interruptor. Por exemplo, tocar sua glabela duas vezes levemente permitirá que você ative facilmente a Visão Espiritual. Mais dois toques simplesmente a terminarão. Quanto a como você configura, depende de seus hábitos e preferências.
— Entendi. — Klein pensou por um momento e planejou imitar o Velho Neil para usar sua glabela duas vezes como um interruptor para a Visão Espiritual.
Bater uma vez pode ser facilmente confundido como uma batida instintiva em sua cabeça e batendo três vezes pode ser um desperdício de tempo valioso em situações perigosas. Quanto a atos como estalar dedos, chamariam muita atenção.
Ele aliviou seu foco e imaginou as esferas empilhadas de luz e reentrou em um estado de Cogitação.
Sob a orientação de Velho Neil, após repetidas dicas e prática, ele finalmente “configurou” seu “interruptor”.
Ele cerrou um pouco o punho e usou a articulação do dedo indicador para tocar em sua glabela duas vezes. Imediatamente, havia auras brilhantes de diferentes espessuras e cores aparecendo diante de seus olhos.
Depois de mais dois toques, tudo voltou ao normal.
— Eu finalmente compreendi… — ele suspirou contente.
Só então ele percebeu como estava exausto, sentindo que poderia adormecer a qualquer momento. Sua mente doía como se não tivesse dormido por três noites.
Velho Neil disse com uma risada:
— Não somos como os Sem Sono. Em cada exercício e toda vez que a Visão Espiritual é usada excessivamente, você precisará dormir um pouco. Agora pode voltar e ter um bom descanso. À tarde, vá até a rua Cruz de Ferro, onde fica a casa de Welch, e caminhe por lá. Tente o seu melhor para encontrar pistas sobre o caderno da família Antigonus o mais rápido possível. Amanhã continuarei ensinando sobre o misticismo. Claro, não se esqueça de ler os documentos históricos.
— Tudo bem. — Klein estava de acordo com os arranjos de Velho
Neil.
Ele pegou sua bengala, saiu da sala de alquimia e observou a porta se fechar enquanto Velho Neil voltava para o arsenal. Klein massageou sua glabela e suas têmporas e, com a ajuda de sua bengala, subiu a escada.
Naquele momento, Dunn Smith veio de trás dele com um leve sorriso nos lábios. Com um olhar profundo, disse:
— Eu ouvi do Velho Neil que você é um candidato muito adequado. Mesmo sem Cogitação, você foi capaz de usar a Visão Espiritual.
— Talvez seja uma característica única de Vidente — respondeu Klein humildemente.
Klein supôs que Dunn estivesse vigiando o arsenal no lugar do Velho Neil.
Dunn diminuiu a velocidade e foi um pouco à frente de Klein. Depois de alguns segundos de silêncio, ele se virou e disse:
— Você tem que lembrar que a curiosidade matou o gato. E também pode matar Beyonders. Não tente sondar os murmúrios que você não deveria estar ouvindo ou ver existências que você não deveria ver.
— Tudo bem. — Klein sabia que isso era outro lembrete de como Beyonders perdiam o controle.
Depois de entrar na Companhia de Segurança Blackthorn, ele cumprimentou Rozanne, que obviamente não sabia que ele havia se tornado um Beyonder, e saiu devagar pela porta chegando à rua, onde pegou uma carruagem sem trilho até a rua Narciso. Ele quase adormeceu em sua jornada de volta.
Ainda era de manhã e a temperatura era de cerca de vinte e seis graus Celsius. Klein tirou uma chave de cobre da cintura e abriu a porta de sua casa.
Ainda havia muitos itens faltando em sua casa. A sala de estar e o refeitório ainda estavam vazios. Benson e Melissa tinham trabalho ou escola, então os dois saíram de manhã cedo.
Klein não tinha a capacidade de se preocupar com mais nada. Ele fechou a porta, foi rapidamente para o segundo andar e entrou no quarto equipado com a estante de livros que lhe pertencia.
Depois de tirar o smoking e pendurá-lo em um cabideiro, ele ansiosamente se jogou na cama. No momento em que sua cabeça bateu no travesseiro, ele adormeceu.
Klein foi acordado pela brilhante luz do sol. Ele virou a cabeça e lentamente abriu os olhos, descobrindo o sol ardente do lado de fora.
— Que horas são? Eu perdi a sessão do Clube de Tarô à tarde? — ele lutou para se levantar e caminhou até o cabideiro para tirar seu relógio de bolso do bolso do forro interno do smoking.
Não apenas se esquecera do assunto, como se esquecera de fechar a porta do quarto e fechar as cortinas da janela de sacada de vidro.
Pa!
Klein puxou o relógio de bolso e imediatamente se sentiu aliviado ao abri-lo.
Era apenas um pouco depois do meio-dia. Ainda havia muito tempo até a reunião marcada, às três da tarde.
Era segunda-feira, o dia em que ele teria a reunião com o Enforcado e a Justiça.
Klein começou a pensar enquanto tocava sua glabela duas vezes. A cena diante dele mudou mais uma vez quando viu que seu corpo havia restaurado seu brilho.
Ele tocou duas vezes novamente e parou sua Visão Espiritual. Descontraído, ele foi ao primeiro andar e ferveu uma chaleira de água, colocou algumas folhas de chá de baixa qualidade e mastigou um pouco de pão de centeio passado em um pouco de manteiga.
Depois, Klein folheou os materiais históricos e o diário do Klein original. Ele começou a “revisar” e consolidar seu conhecimento.
…
Às 14h57, Klein fechou o livro e tampou sua caneta tinteiro antes de fechar as cortinas.
Imediatamente depois disso, ele trancou a porta do quarto, tornando a sala anormalmente escura.
Ele tocou em sua glabela duas vezes e ativou a Visão Espiritual para inspecionar seus arredores.
Depois de confirmar que não havia corpos espirituais invisíveis em seu quarto, Klein parou a Visão Espiritual e pegou seu relógio de bolso para verificar a hora.
Tic-toc. Tic-toc.
Um minuto antes das três, ele diminuiu o ritmo e, como antes, andou quatro passos no sentido anti-horário, em um quadrado. Ele recitou em chinês, suavemente.
Só que desta vez, ele não preparou nenhum alimento.
Klein fechou os olhos ao sentir as costas de suas mãos coçando. Parecia que os pontos negros formando um quadrado estavam se salientando e projetando algo.
Gritos histéricos e murmúrios atraentes começaram a ressoar, mas Klein percebeu que a dor de cabeça não era tão ruim quanto na primeira vez.
Não era que ele não fosse afetado, mas ele estava fazendo o melhor que podia para não ouvir.
Como um Beyonder, ele tinha que ter mais autocontrole em tal ambiente.
Logo, seu corpo ficou leve enquanto flutuava. Ele viu a névoa cinzenta-esbranquiçada e turva que emanava, e então viu “estrelas vermelhas”. Duas delas tinham uma conexão minúscula com ele e um senso anormal de familiaridade.
Klein olhou para o seu eu fora de foco e murmurou em confusão:
— A projeção astral que o Velho Neil mencionou?
Ele permaneceu calmo por alguns segundos e novamente invocou o opulento palácio divino com a alta mesa de bronze sob o teto abobadado, assim como as vinte e duas cadeiras de encosto alto que correspondiam às diferentes constelações.
Klein caminhou calmamente para o assento de honra e fez seu corpo e rosto ficarem imersos em uma névoa cinza mais espessa. Então estendeu a mão direita e tocou em duas familiares estrelas vermelhas, e criou uma conexão milagrosa com elas.
Capítulo 34
Capítulo 34 – Pagamento Antecipado
Em um porão subterrâneo sem janelas, o corpulento Alger Wilson estava sentado ao lado de uma mesa comprida com vários aparatos e pergaminhos de pele de cabra.
Na frente dele havia uma vela já um pouco consumida. A luz bruxuleante, fraca e amarelada da chama fez as sombras dos objetos e da mesa se moverem como uma miragem.
O cabelo de Alger estava desordenado como algas marinhas, em um azul profundo que lembrava preto, e ele usava um manto com padrões de relâmpago bordados. Ele juntou as mãos com os polegares um em frente ao outro enquanto se concentrava em uma garrafa de líquido preto à esquerda da vela.
Whoosh! Whoosh! Whoosh!
Splash! Splash! Splash!
O som de ventos tempestuosos ou o barulho das ondas do mar se quebrando uivavam de dentro da garrafa lacrada. E em pontos onde a tinta preta não afundava, uma névoa fraca rodopiava. Era como se tivesse crescido olhos e uma boca.
Alger inclinou a cabeça para olhar o relógio pendurado na parede e observou o ponteiro chegar ao três.
Ele pressionou sua têmpora enquanto seus olhos ficavam escuros. Cores fascinantes surgiram dos vários itens da mesa.
Naquele momento, ele descobriu uma luz vermelha-profunda que parecia uma onda gigantesca vinda do nada, afogando-o instantaneamente!
Backlund, Burgo Imperatriz, dentro da luxuosa mansão da família Hall.
Depois de dispensar sua professora de dança, Audrey trancou a porta e sentou-se em frente à penteadeira.
O sol lá fora era brilhante e lindo. Havia um caderno marrom claro feito de pele de cabra requintada. Estava aberto, revelando que estava em branco. À sua direita, havia uma caneta-tinteiro de bico dourado e rubis embutidos.
Audrey fez um teste e certificou-se de que poderia pegar a canetatinteiro e anotar a fórmula no momento em que saísse da Reunião.
— Estou tão ansiosa por isso… — ela respirou fundo para reprimir sua empolgação enquanto olhava para o espelho com os lábios enrugados.
No entanto, ela não se viu refletida nele, em vez disso, um feixe vermelho e ilusório explodiu de seu corpo!
Acima do nevoeiro cinza havia um majestoso salão divino que parecia a residência de um gigante.
Cores vermelho-escuras floresciam dos dois lados da mesa de bronze. Elas subiam como em uma fonte antes de descerem tamborilando. Elas ‘esculpiram’ duas figuras embaçadas que se sentaram nos mesmos lugares de antes.
Audrey, com seus cabelos loiros e macios e de estatura alta e magra, olhou instintivamente para o Assento de Honra. Ela viu a figura recostada, imersa na espessa névoa cinzenta. Uma mão estava aberta, tocando o lado da mesa, enquanto a outra mão acariciava seu queixo.
— Boa tarde, Sr. Louco~! — gritou Audrey animadamente.
Depois disso, ela virou a cabeça e olhou para a pessoa a sua frente. Com o mesmo tom, ela disse:
— Boa tarde, Sr. Enforcado~!
Esta dama certamente não é sofisticada. Ela tem tanta certeza de que eu sou uma boa pessoa? Por que não há medo nenhum nela? Ela é uma nobre dama que é bem protegida? — Klein sorriu e manteve sua imagem insondável.
— Boa tarde, senhorita Justiça.
Enquanto falava, ele abaixou a cabeça ligeiramente, moveu a mão esquerda e tocou sua glabela duas vezes.
Sua visão mudou instantaneamente. Ele viu Justiça e o Enforcado emitirem as cores de suas auras!
Mas o nevoeiro cinza ao redor e as estrelas vermelhas escuras permaneceram as mesmas. Nada que aparentemente não existisse ou brilhos reluzentes que possuíssem vida foram vistos.
Ele desviou o olhar e viu que a aura de Justiça combinava perfeitamente com as cores que o Velho Neil descreveu. O que deveria ser vermelho, roxo, azul ou branco eram suas respectivas cores. Além disso, elas eram de um brilho reluzente e de espessura adequada. Era fácil dizer que ela era uma jovem vibrante.
As cores de suas emoções são vermelhas e amarelas. Isso é alegria, zelo e empolgação… — Klein fez um julgamento antes de lançar sua atenção para o Enforcado.
Como a Justiça, não havia nada de especial nas cores da aura do Enforcado. Suas emoções eram azuis misturadas com um pouco de laranja.
Calmo, pensativo, cuidadoso e um pouco satisfeito? — com esta sendo sua primeira tentativa, Klein fez uma conclusão sem muita confiança.
Assim que ele desviou o olhar, de repente percebeu algo estranho.
A aura da camada mais interna do Enforcado era quase da mesma cor!
Klein se concentrou e deu outra olhada cuidadosa. Ele podia ver vagamente que o interior do corpo Etéreo do Enforcado era de um azul profundo, semelhante ao mar. Parecia uma tempestade de maré.
Sua Projeção Astral? Ou devo dizer a superfície de sua Projeção Astral? Pelo que parece, ele é realmente um Beyonder, e aparentemente mais forte que o Velho Neil. — Klein analisou enquanto sua mente estava cheia de perguntas. — Não necessariamente. Pode ter a ver com este sendo um ambiente único. É só porque este é ‘meu território’ que sou capaz de ver essas coisas que o Velho Neil não manifestou.
Ele então voltou a cabeça para a Justiça novamente e confirmou que era uma característica que só os Beyonders possuíam.
Naquele momento, Alger também completou suas saudações.
Audrey soltou um leve suspiro quando perguntou em antecipação:
— Sr. Enforcado, você recebeu a caixa de sangue de Tubarão Fantasma?
Alger olhou para Klein e o viu batendo em sua glabela como se estivesse considerando outros assuntos.
— Muito obrigado. Atendeu perfeitamente às minhas expectativas. Eu nunca esperei que você me enviasse tão rapidamente. O Tubarão Fantasma não é uma típica criatura extraordinária — disse Alger francamente.
Audrey sorriu humildemente e disse:
— Estou muito feliz em ver esse resultado.
Como amava qualquer coisa que tivesse a ver com mistérios desde a mais tenra idade, ela fez amizade com pessoas de círculos aristocráticos com interesses semelhantes. Eles trocavam informações, livros e artefatos raros entre si. Mas antes disso, nenhum deles jamais obteve qualquer poder sobrenatural para se tornar um verdadeiro Beyonder. Em vez disso, havia alguns príncipes que sugeriam que eles poderiam oferecer a ela o que ela queria, se ela se tornasse sua princesa consorte.
No entanto, ela obteve o sangue do Tubarão Fantasma diretamente do cofre de sua família. Afinal de contas, o inventário diz apenas “uma garrafa grande”, sem mencionar quantos mililitros ou quão cheia ela tinha de ser, ela acreditava que pegar um pouco passaria despercebido. Mesmo se houvesse um acidente e o assunto fosse exposto, os pais dela provavelmente não iriam dar continuidade ao assunto.
Alger olhou profundamente para o Louco, que estava envolto em nevoeiro antes de virar a cabeça para trás com um sorriso.
— Conforme o nosso acordo, vou dizer-lhe a fórmula para a poção, Espectador.
— Deixe-me me preparar. Tudo bem, comece. — Audrey respirou fundo enquanto concentrava toda a sua atenção.
— Poções de baixa sequência são muito fáceis de preparar. Apenas siga a ordem que eu lhe fornecerei. Lembre-se de que pode haver quantidades menores dos ingredientes, mas não a mais, isso causaria grandes problemas. Você deve ter ouvido falar sobre as notícias de Beyonders perdendo o controle. Eu acredito que não há necessidade de repetir isso? — Alger primeiro mencionou algumas observações a serem lembradas.
Audrey assentiu gentilmente e disse:
— Eu entendo completamente.
Enquanto falava, ela virou a cabeça para olhar para o Sr. Louco. Ela queria saber se o perito em mistérios tinha algo a acrescentar; infelizmente, o Louco estava sentado em silêncio como uma estátua.
Alger pensou por um momento antes de dizer:
— Ter quantidades menores não significa que pode se desviar demais… Se você não tiver um assistente, sugiro que passe algum tempo se familiarizando com experimentos químicos.
— Eu tenho um professor particular para esses assuntos — respondeu Audrey sem se preocupar.
Depois que Alger mencionou a extensão mais distante do desvio, ele recitou com grande fluência:
— Espectador. Poção de Sequência 9. 80 mililitros de água pura. 5 gotas de essência de açafrão de outono. 13 gramas de pó paeonol de dentes de vaca. 7 pétalas de flores elfas. Um globo ocular de peixe Manhal maturado. Adicione 35 mililitros de sangue de peixe preto com chifres de cabra.
— Os dois últimos itens são os ingredientes principais, são criaturas extraordinárias do mar. Você tem que ter cuidado.
— Tudo bem. — Audrey recordou e repetiu:
— 80 mililitros de água pura. 5 gotas de essência de açafrão de outono, 13 gramas de pó paeonol…
— De dentes de vaca — lembrou Alger.
Com a ajuda dele, Audrey memorizou de forma gradual e precisa a ordem da fórmula. No entanto, ela parecia preocupada enquanto murmurava de novo e de novo.
— Você sabe sobre Cogitação? — Quando Alger viu Justiça consentindo, ele continuou:
— Eu não sei o quanto você sabe sobre Cogitação. Deixe-me descrever uma vez… Depois de consumir a poção, comece rapidamente a Cogitação para controlar sua espiritualidade e energia… Certifique-se de praticar todos os dias para realmente compreender os poderes da poção. Descubra o significado que ela simboliza e ainda mais dos seus mistérios. Dessa forma, você pode evitar o perigo de perder o controle ao máximo. E o significado de uma poção está principalmente em seu nome, como em Espectador!
Klein ouviu a conversa em silêncio e não tinha planos de interromper. Tudo o que ele fez foi secretamente memorizar e estudar, mas quando ouviu isso, de repente um pensamento veio à mente.
Audrey ouvia atentamente as explicações do Enforcado, e quando ela estava prestes a perguntar sobre algo em mais detalhes, de repente ouviu o som de toques na mesa.
Ela e Alger viraram a cabeça e olharam para o Louco. Eles perceberam que a figura misteriosa e poderosa estava batendo suavemente com os dedos. Ele disse em uma voz profunda:
— Não é sobre compreendê-la, mas sim digeri-la.
— Não se trata de descoberta, mas sim de atuar.
— O nome de uma poção não é apenas simbólico, é também uma imagem. É a chave para a digestão.
Audrey ficou aturdida e confusa ao ouvir isso. Ela não entendeu muito bem sobre o que o Sr. Louco estava tentando expressar.
Ela subconscientemente olhou de soslaio para o Enforcado para uma reação e ficou surpresa ao vê-lo pular em surpresa. Era como se uma pessoa comum tivesse ouvido um estrondo alto e súbito de um trovão.
— Digerir, atuar… Digerir, atuar… Digerir, atuar, chave… — Alger repetiu várias vezes, como se tivesse captado um conceito-chave ou tivesse sucumbido a uma estranha maldição.
Depois de um tempo, ele levantou a cabeça e disse com uma voz rouca:
— Obrigado, Sr. Louco. Sua dica é tão valiosa quanto a minha vida. Isso foi muito esclarecedor. Claro, acredito que ainda preciso compreender ou entender completamente.
Klein manteve sua imagem misteriosa e insondável dizendo com um sorriso:
— Isso foi um pagamento adiantado.
De fato, ele não entendia verdadeiramente o significado exato do que foi dito. Mas tinha certeza de que o Imperador Roselle era mais poderoso que o típico Beyonder, e mais forte que o Enforcado.
Pagamento adiantado… — Audrey olhou para a reação do
Enforcado e sabia que a dica anterior era preciosa. Enquanto refletia sobre isso, ela perguntou:
— Sr. Louco, o que você deseja que façamos?
Em frente a ela, Alger disse com um aceno de cabeça:
— Que assunto você gostaria de nos confiar?
Klein recostou-se levemente enquanto olhava para os dois antes de dizer em voz suave e agradável:
— Colete o diário secreto de Roselle Gustav em meu lugar, mesmo que seja apenas uma única página.
Capítulo 35
Capítulo 35 – Troca de Informações
O diário secreto de Roselle Gustav?
Imperador Roselle?
Realmente, apenas esses assuntos merecem a atenção de uma figura poderosa como o Sr. Louco… — Audrey ficou surpresa antes de perceber que não era nada surpreendente.
Havia rumores de que o Imperador Roselle viu uma vez a Ardósia da Blasfêmia. Era dito que as cartas secretas que ele criou escondiam os vinte e dois caminhos do divino. Isto era algo que todos os Beyonders de alta sequência definitivamente prestariam atenção!
— Diário? É um diário? — Alger franziu um pouco a testa ao notar este termo.
O artigo que Roselle Gustav deixou para trás foi descrito pelo Sr. Louco como um diário!
Como ele sabia?
Como ele determinou isso?
Será que ele sabe como decifrar o texto enigmático de Roselle?
Diante da pergunta do Enforcado e tendo obtido o efeito desejado, Klein recostou-se na cadeira e entrelaçou as mãos. Ele respondeu de uma forma relaxada:
— Por enquanto vamos trata-lo como um diário. — Ele não negou nem confirmou.
Audrey tinha ouvido os filhos de outros nobres mencionarem o assunto, no entanto, ela nunca tinha aprendido muito sobre. Com sua curiosidade despertada, ela perguntou:
— Dizem que o, bem, diário do Imperador Roselle foi escrito em uma linguagem enigmática ou em símbolos que ele inventou.
— Sim — respondeu Alger simplesmente. — Algumas pessoas acreditam que é um conjunto único de símbolos do misticismo. Outros acreditam que é um hieróglifo. Mas até hoje, ninguém encontrou a maneira correta de decifrá-los. Pelo menos, isso é tudo o que sei.
Dito isso, ele virou a cabeça para Klein em uma tentativa de obter alguma confirmação ou mostrar suas suspeitas.
São textos que foram passados por gerações, portanto não estão mais em seu estado original. De acordo com sua linha de pensamento, como podem ser decifrados… — Klein manteve sua calma enquanto secretamente dava uma risada autodepreciativa.
Quanto a como lidar com os símbolos do misticismo, ele imediatamente pensou em uma cena ridícula e engraçada.
Vestido com um chapéu de ponta preto e um longo manto, um mago malvado levanta a manga para revelar um símbolo tatuado em seu braço. Era dito que este era um símbolo com poder misterioso deixado para trás pelo Imperador Roselle. Foram escritos em dois caracteres chineses simplificados:
“Palhaço Retardado”!
Os cantos da boca de Klein curvaram-se lentamente enquanto ele se viu de bom humor.
Depois de ouvir a descrição do Enforcado, Audrey disse de uma maneira perplexa:
— Não podemos entender os símbolos ou as palavras… Então, como vamos passar a informação para você, Sr. Louco? Ou vamos enviá-la por correio?
Esta é uma questão muito importante… Não tenho meios para aceitar um item secretamente… — Klein não teve pressa em responder. Ele repetidamente soltou os polegares de suas mãos entrelaçadas antes de colocá-los de volta novamente.
Logo, pensou em uma solução.
Já que posso criar um palácio e uma mesa divinos de acordo com meus desejos, seria possível projetar o conteúdo das mentes dos outros aqui?
Vamos tentar…
Naquele momento, Audrey e Alger viram o Sr. Louco se endireitar lentamente em meio à espessa neblina cinzenta.
— Senhorita Justiça, vamos experimentar. Imagine um parágrafo de texto e dê a ele a emoção de escrevê-lo com urgência. Sim, pegue a caneta-tinteiro ao seu lado e escreva no pedaço de papel — antes de Klein terminar sua frase, Audrey viu um pedaço de pergaminho de pele de cabra marrom-amarelada e uma caneta-tinteiro vermelha escura em sua frente.
Ela pegou a caneta-tinteiro com curiosidade e dúvida. De acordo com as instruções, ela imaginou um poema que o Imperador Roselle escreveu certa vez:
“Se o inverno chegar, poderá a primavera muito longe estar?”
Depois de examinar o texto, ela pegou sua caneta-tinteiro e imbuiuas com o desejo de projetá-los.
Klein sentiu as emoções e, usando a caneta-tinteiro como médium, guiou-a.
No momento em que Audrey pousou a caneta-tinteiro, viu uma linha aparecer no pergaminho de pele de cabra.
“Se o inverno chegar, poderá a primavera muito longe estar?”
— Deusa, que fascinante! — Audrey exclamou em espanto enquanto se sentia magoada.
Depois disso, ela olhou para Klein com um pouco de medo.
— Sr. Louco, consegue ler o que estou pensando?
— Não, só estou te guiando. Simplifiquei o processo de escrever para você e fiz com que se tornasse uma impressão. Se você não quisesse expressá-lo, nada apareceria. — Klein a acalmou com um tom baixo.
— É assim… Então podemos apenas memorizar os símbolos ou a forma como o texto enigmático se parece. Então, podemos apresentá-lo diretamente como quisermos? — Audrey deu um suspiro de alívio quando perguntou em esclarecimento.
— Sim. — respondeu Klein.
— Não é um mau método. Senhorita Justiça, não duvide de sua memória. Depois de se tornar um Espectador, você receberá imensa melhoria neste aspecto. — Alger assistiu o experimento ao lado, percebendo que o Louco era mais poderoso e misterioso do que imaginava.
Quanto à sua memória, acreditava que o próximo avanço a melhoraria o suficiente.
Quanto a isto, Audrey assentiu satisfeita.
— Você me encantou com este lembrete. Sr. Enforcado, tem alguma outra orientação sobre espectadores? — dito isso, ela olhou para o assento de honra.
— Sr. Louco, vou trabalhar duro para completar a sua missão. Farei o meu melhor para reunir mais do diário secreto do Imperador Roselle.
— Mencionei anteriormente que sou uma pessoa que gosta de uma troca justa e igual. O pagamento adiantado que eu dei é apenas equivalente a duas páginas do diário para cada pessoa. Se houver mais, vou dar algo adicional em troca — Klein disse com calma, como se fosse um adulto que não se aproveitava de crianças.
De onde o pagamento adicional poderia vir, naturalmente das recém-adquiridas páginas do diário do Imperador Roselle, formando um ciclo virtuoso.
— Você é realmente um cavalheiro generoso. — Alger ficou em silêncio por alguns segundos antes de curvar-se levemente com mão junto ao peito.
Depois disso, ele se virou para Justiça e disse:
— Deixe-me enfatizar mais uma vez. Um Espectador será sempre um espectador.
Eu sei que muitos espectadores gostam de se imaginar como o protagonista ou algum outro personagem. Como resultado, eles investem muitos sentimentos, ao ponto de chorar, rir, se enfurecer, e ficar triste por causa do drama. No entanto, não é isso que um espectador deve fazer.
Enfrentando os vários dramas da sociedade e das figuras que, consciente ou inconscientemente, desempenham o papel de personagens particulares, você precisa manter a atitude de um espectador absoluto. Só então pode observá-los com calma e objetividade. Você descobrirá seus hábitos, seus tiques de mentir, ou seu cheiro de nervosismo. A partir dessas pequenas pistas, poderá entender seus verdadeiros pensamentos.
Acredite em mim, todos são diferentes por causa de suas emoções. Vão secretar diferentes “coisas” e cheiros. No entanto, apenas um verdadeiro Espectador pode farejá-los.
Uma vez que você invista muitas de suas emoções, sua observação será influenciada. Sua sensibilidade em relação às emoções dos outros irá se desviar. — Audrey ouviu atentamente enquanto seus olhos se iluminavam gradualmente.
— Parece realmente muito interessante!
O coração de Klein se agitou quando ouviu isso.
A exigência da poção do Espectador quando resumida parecia ser “um espectador absolutamente objetivo e neutro”.
Em um sentido era equivalente a atuar…
Atuar?
Era esta a “atuação” a que o Imperador Roselle se referia?
Então, terei de agir como vidente, e a partir daí, digerir a poção pouco a pouco?
Assim como Klein estava imerso em pensamentos, Alger terminou de explicar as exigências que sabia de um Espectador, e suspirou antes de dizer:
— Parece que acabamos?
— Talvez possamos ter uma conversa casual. Podemos conversar sobre coisas que acontecem à nossa volta. Talvez seja algo muito normal para você, mas, aos olhos dos outros, pode ser uma pista muito importante.
— Certo. — Klein disse e assentiu levemente.
Ele já estava planejando tentar agir como um Vidente. Afinal, não parecia haver nenhum efeito negativo ao fazê-lo.
— Então, vamos começar com você, Sr. Enforcado? — Audrey concordou em excitação.
Alger pensou por um momento antes de dizer:
— O infame pirata auto-entitulado Tenente General Deweyville começou sua viagem para explorar novamente o extremo leste do Mar Sônia.
— Oh? O dono do Tulipa Negra? — retrucou Audrey com uma pergunta depois de algum pensamento.
— Sim — respondeu Alger com um aceno.
Nem sequer sei quem é… — Klein escutou em silêncio enquanto ponderava sobre as notícias que planejava compartilhar. Tinha que ser algo que não o expusesse enquanto também lhe permitiria obter feedback.
Logo, se decidiu. Manteve sua imagem insondável como o Louco e acariciou o lado da mesa de bronze com seus dedos.
— De acordo com o que sei, a ordem secreta perdeu um caderno da família Antigonus — esta notícia não era conhecida apenas pelos Falcões Noturnos da cidade de Tingen. A Ordem Secreta, bem como Beyonders com laços com eles também sabiam.
— Um caderno da família Antigonus? — Alger repetiu antes de sorrir balançando a cabeça. — Estou realmente curioso sobre a reação que a Igreja da Deusa da Noite Eterna terá se souberem disso.
Por que ele mencionaria a Igreja da Deusa da Noite Eterna? — Klein descobriu um problema, mas não era apropriado que perguntasse.
Isso destruiria sua imagem como o misterioso e profundo Louco.
Naquele momento, Audrey perguntou por curiosidade:
— Por que está curioso? Que tipo de reação especial a igreja da Deusa teria?
Alger sorriu e disse:
— A família Antigonus foi destruída pela Igreja da Deusa da Noite Eterna.
Não tenho certeza se aconteceu no final da Quarta Época ou nos estágios iniciais da época atual.
Isso… — as pupilas de Klein se contraíram quando de repente sentiu um calafrio.
Pelo que parece, o valor que os Falcões Noturnos colocaram neste caderno excede em muito minha imaginação!
A razão pela qual eles me nomearam como um Beyonder – tendo alguma contribuição e para evitar perigo para mim são provavelmente razões insignificantes – o que eles desejam é que eu aumente a minha sensibilidade espiritual para ajudá-los a encontrar o caderno.
Isto não foi escondido de mim pelo Capitão. Ele havia mencionado, mas eu não dei muita atenção…
Depois de ouvir a explicação do Enforcado, Audrey disse com profundo interesse:
— Eu nunca imaginei que tal coisa aconteceria…
— Muito bem, é a minha vez. Deixe-me pensar no que tenho para compartilhar.
Ela inclinou a cabeça e a apoiou na mão antes de rir.
— Ontem, o meu professor de etiqueta me ensinou a desmaiar, a desmaiar elegantemente sem qualquer falha. É uma habilidade prática usada em eventos sociais para evitar situações embaraçosas ou tipos desagradáveis… Heh heh. Estava apenas organizando meus pensamentos. O que eu realmente queria dizer é que desde o fracasso da batalha na costa leste de Balam, o rei, o primeiro-ministro e os cavalheiros estão sob imenso estresse. Eles desejam ansiosamente mudar.
Capítulo 36
Capítulo 36 – Uma Pergunta Simples
Enquanto Audrey recordava a conversa entre o pai e o irmão mais velho sobre a situação, ela colocou o assunto em suas próprias palavras:
— Eles acreditam que a estrutura do governo é muito caótica. Em toda eleição, se houver a mudança do partido no poder, há uma mudança de pessoal de cima para baixo, e isso torna as coisas uma bagunça e reduz tremendamente a eficiência. Não só atrapalha com as batalhas, como também traz grandes transtornos para os civis.
Klein sabia muito bem que, como não havia nenhum exemplo como referência, o Reino Loen ainda tinha que evoluir para um sistema que examinasse os funcionários públicos. A situação política ainda estava em seus estágios preliminares; portanto, após cada vitória eleitoral, muitos dos chamados cargos seriam concedidos a membros e apoiadores.
Hmm, o Imperador Roselle não estabelecer uma instituição como essa em Intis não combina com sua personalidade… Será que ele desviou seu foco para outras coisas mais tarde em sua vida?
Quando o Enforcado, Alger, ouviu isso ele interrompeu com uma risada suave:
— Eles acreditam? Então suas crenças são um pouco lentas. Talvez eles sintam a coceira apenas um ano depois de serem picados por mosquitos pretos.
Os mosquitos pretos eram um tipo de criatura que residia no sul do Reino Loen. Eram extremamente venenosos, e seu veneno fazia com que as vítimas tivessem compulsão por rasgar sua pele.
Audrey estendeu a palma da mão e cobriu a boca, e ignorando o deboche do Enforcado expressou a informação central do que dizia:
— Infelizmente, eles estão temporariamente impossibilitados de encontrar uma boa solução para substituir esse sistema.
Klein ouviu atentamente e sentiu que o assunto estava no domínio de sua especialidade. Ele sorriu fracamente e disse:
— Este é um problema simples.
O Império dos Amantes de Comida e os países decadentes que estudaram tal Império tiveram experiências muito avançadas com sucesso.
— Simples? — Audrey respondeu com uma pergunta, intrigada.
Embora sua educação não incluísse política, ela ouvia frequentemente das discussões de seu pai, irmão e pessoas ao seu redor e tinha uma compreensão suficiente de assuntos semelhantes.
Klein sentiu como se tivesse voltado aos fóruns do passado. Sereno, disse:
— Um exame, assim como um exame de admissão para a faculdade. Realize um exame aberto ao público. Pode ser dividido em duas ou três fases, use o método mais objetivo para selecionar a elite.
— Mas… — Audrey sabia que tipo de objeção isso implicaria.
Antes de ter a chance de organizar seus pensamentos, Klein continuou:
— Depois disso, use essas elites para preencher as posições do Gabinete, do governo do condado, do governo da cidade e das várias cidadelas. Sim, as posições que estão lidando diretamente com os assuntos, como o Secretário do Gabinete.
— Posições diferentes devem receber requisitos diferentes. A segunda ou terceira fase pode ser testada com base na localidade e região. Questões profissionais devem ser deixadas para os profissionais.
— Quanto a posições políticas como ministros, governadores ou prefeitos, eles serão deixados para os partidos que vencerem as eleições. Essa é a fatia de bolo que eles merecem.
Alger, que não tinha interesse em tais assuntos, sem saber, virou a cabeça e ouviu atentamente. Audrey franziu a testa ligeiramente e mergulhou em pensamentos profundos.
— Não há pressa em substituir todos de uma vez. O gabinete e várias agências de função pública serão aleijados se isso acontecer. Você pode fazer um exame todos os anos ou a cada três anos. Eles podem ser gradualmente substituídos. Finalmente, à luz da expansão do reino e das renúncias dos funcionários públicos assalariados que abrirão vagas, você pode sistematicamente colocar vagas. — Klein expressou plenamente seu talento como um “político de teclado”. Ele então encarou a palma da mão e continuou:
— Tal projeto pode trazer as elites perspicazes do reino para o governo. Independentemente do partido no poder ou quem é o ministro, o serviço civil permitirá que o reino mantenha suas operações básicas e eficazes.
Claro, um efeito colateral seria o nascimento do demônio eterno que era a burocracia
Enquanto considerava a sugestão, Audrey perguntou em dúvida:
— Você está insinuando que, mesmo que esses ministros se tornem macacos, os efeitos seriam insignificantes?
—Não — interveio Alger de repente. — Eu acredito que os macacos são uma escolha melhor do que os ministros atuais.
Ele fez uma pausa antes de acrescentar:
— Afinal de contas, os macacos só precisam comer, dormir e acasalar. Eles não teriam ideias idiotas e insistiriam em projetos desmiolados.
Sr. Enforcado, parece que você tem um péssimo superior… — Klein sentou-se em seu assento de honra e balançou a cabeça em silenciosa diversão.
Audrey refletiu sobre a sugestão que o Sr. Louco tinha oferecido e depois de um tempo, disse, surpresa: — Parece que realmente poderia funcionar…
— É uma solução muito simples, mas eficaz!
Ela olhou para Klein e disse, sinceramente e maravilhada:
— Sr. Louco, você deve ser uma pessoa idosa com uma inteligência extraordinária e muito experiente na vida!
… Os cantos da boca de Klein se contraíram um pouco quando ele olhou em silêncio para o Enforcado e a Justiça por alguns segundos.
— Vamos terminar a reunião de hoje aqui.
Se a Srta. Justiça for capaz de influenciar sua família e efetuar mudanças sobre esse assunto, posso orientar Benson antes e dar a ele a chance de se tornar um funcionário público.
Pensando bem, Benson era de fato adequado para tal carreira.
No entanto, é improvável que a Justiça tome a iniciativa de fazê-lo. Isso porque o Enforcado e eu podemos facilmente descobrir qual nobre sugeriu e basicamente adivinhar sua identidade.
Claro, ela poderia fazê-lo através de uma maneira indireta.
— Como queira. — Audrey e Alger se levantaram juntos.
Klein recostou-se ligeiramente e encerrou a conexão. Ele viu figuras ilusórias e borradas de Justiça e do Enforcado instantaneamente se quebrarem e se dissiparem.
Acima do nevoeiro cinzento, no opulento palácio onde os deuses aparentemente viviam, ele era o único sentado silenciosamente à cabeceira da mesa de bronze.
Klein não mergulhou na névoa cinzenta como na outra vez para sair de lá. Isso porque sua mente ainda estava enérgica o suficiente depois de se tornar um Beyonder.
A razão pela qual ele havia terminado o Clube do Tarô mais cedo foi porque ele aprendeu a verdadeira atitude dos Falcões Noturnos em relação ao caderno Antigonus. Ele decidiu que tinha que procurar por ele seriamente e não dormir pelo restante do dia. Isso faria com que Dunn Smith suspeitasse de suas atividades em casa.
Além disso, ele havia se beneficiado bastante dessa vez.
Klein sentou-se na cadeira de encosto alto na cabeceira da mesa de bronze, seus braços se apoiaram no braço da cadeira enquanto ele cruzava os dedos e observava a névoa cinza sem limites cuidadosamente. Ele achou o lugar sereno, como se ninguém tivesse entrado nele por dez milhões de anos.
Quando ele estabeleceu a conexão para convocar o Enforcado e a Justiça, ele notou algo.
Era o fato de que, como um Beyonder, ele tinha a habilidade de tocar outra estrela vermelha-escura!
— Isso significa que eu posso convocar mais um? — Klein recordou o sentimento e murmurou em confirmação.
No entanto, ele não teve o desejo de fazer uma tentativa, uma vez que não sabia qual seria a identidade do recém-chegado ou que tipo de atitude ele teria. Afinal, nem todo mundo era como a Justiça ou o Enforcado, que tinham personalidades únicas que se misturavam facilmente e faziam o que precisavam. Eles até pareciam dispostos a esconder certos assuntos. Se ele puxasse alguém como Dunn Smith, então a misteriosa organização que ele acabara de estabelecer seria imediatamente colocada sob o controle da igreja.
Como chefe de uma organização “maligna”, seu futuro seria preocupante.
Klein sabia que a névoa cinzenta era especial. Ele sabia que não era algo que um Beyonder na Sequência de Dunn Smith pudesse enxergar. Mas o problema era que, como ele tinha os poderes de um Beyonder, precisava considerar a existência dos deuses.
Klein havia escolhido cuidadosamente acreditar que os sete deuses ortodoxos existiam na realidade. É claro, ele era mais inclinado a acreditar de que esses deuses eram apenas seres mais poderosos do que Beyonders de alta sequência. Além disso, estavam sob limitações estritas, no mínimo, desde a Quinta Época, com exceção de alguns oráculos, eles não apareceram novamente.
— Heh, convocar as pessoas aqui a força não é uma coisa boa. Ninguém gostaria de ser puxado para o mistério por alguma razão desconcertante… Vamos esperar e ver como as coisas se desenrolam no futuro… — Klein suspirou e se levantou.
Ele liberou sua espiritualidade e sentiu a existência de seu corpo. Então, começou a imitar a sensação pesada de mergulhar rapidamente.
As cenas na frente dele mudaram. A névoa cinzenta e o vermelho escuro instantaneamente se afastaram. Klein sentiu como se tivesse atravessado infinitas membranas de água antes de finalmente ver o mundo real, seu quarto na escuridão.
Desta vez, ele estava totalmente acordado e levou a sério toda a experiência.
— Estranho… Existem algumas diferenças entre o nevoeiro cinzento e o mundo espiritual… — Klein moveu seus membros e sentiu a existência de seu corpo.
Depois de pensar seriamente na experiência, ele balançou a cabeça, foi até a mesa e abriu as cortinas.
Whoosh!
As cortinas foram abertas, e a luz do sol entrou, iluminando a sala.
Quando olhou para a rua do lado de fora da janela de sacada e os pedestres indo e vindo, Klein respirou fundo e murmurou em silêncio:
— É hora de sair e trabalhar.
— Como devo agir como um vidente?
— Não posso ser apressado… Tudo o que posso fazer é usar a
Visão Espiritual por hora…
Backlund, Burgo Imperatriz.
Audrey Hall se olhou no espelho. Ela viu suas bochechas vermelhas de empolgação e seus olhos, tão brilhantes que teriam assustado qualquer um só de olhar para eles.
Ela não percebeu nada disso enquanto recordava rapidamente. Ela pegou a caneta-tinteiro cravejada de rubi e escreveu a fórmula para a poção Espectador no requintado pergaminho de pele de cabra.
80 mililitros de água pura. 5 gotas de essência de açafrão de outono, 13 gramas de pó paeonol de dentes de vaca, 7 pétalas de flores de élfas. Um globo ocular de peixe Manhal maturado, 35 mililitros de sangue de peixe preto com chifres de cabra.
Ufa… Audrey soltou um suspiro de alívio quando leu algumas vezes para confirmar que não havia cometido nenhum erro.
Ela teve o desejo de dançar novamente, mas lembrou a si mesma de permanecer contida.
Depois de pensar um pouco, ela começou a escrever vários nomes químicos e complicadas e confusas fórmulas químicas ao redor da fórmula da poção para disfarçar a página.
Sim, desde que não se leia atentamente, uma pessoa que folhear aleatoriamente não descobrirá os detalhes que escondi aqui… Excelente! — Audrey elogiou e voltou seu foco para a aquisição dos materiais.
— Vou procurar primeiro nos poucos cofres que temos. Vou então tentar trocar as partes que faltam com outras pessoas…
— Se eu ainda não puder reunir todos eles, só posso procurar ajuda do Enforcado ou do Louco… O que posso oferecer como pagamento?
Depois de pensar um pouco, Audrey fechou o caderno e colocou-o em uma pequena estante. Depois disso, caminhou rapidamente até a porta e a abriu.
Um golden retriever estava sentado obedientemente do lado de fora.
Os cantos da boca de Audrey se curvaram e ela revelou um sorriso radiante.
— Susie, você completou a missão perfeitamente!
— Nas histórias serializadas nos jornais, os detetives costumavam ter um assistente capaz. Eu acho que deveria haver um enorme cachorro apoiando um verdadeiro Espectador~
Em um porão subterrâneo iluminado apenas por uma vela bruxuleante, Alger Wilson levantou a palma da mão e olhou para ela com cuidado.
Depois de um longo tempo, ele soltou um suspiro.
— Ainda é assim tão milagroso. Eu não consegui descobrir nenhum detalhe específico…
Apesar de ter feito preparações suficientes, ele não conseguiu entender como o Louco tinha completado a convocação…
Ele moveu o olhar para baixo e olhou para o pergaminho de pele de cabra na mesa à sua frente.
No título do título do pergaminho marrom-amarelado, havia uma frase em Hermes escrita em tinta azul escura.
— 7. Navegante.
Capítulo 37
Capítulo 37 – O Clube
Sob o sol escaldante da tarde, Klein saiu de casa.
Já que precisava andar todo o caminho da rua Cruz de Ferro até a casa de Welch, ele estava com uma camisa de linho em vez de seu traje formal de cartola e botas de couro. Ele usava um casaco marrom combinando com um chapéu de feltro redondo e um par de sapatos velhos de couro. Dessa forma, ele não precisava se preocupar que o cheiro de seu suor contaminasse o terno caro.
Ao descer pela rua Narciso, ele caminhou em direção à rua Cruz de Ferro. Quando passou pela praça ao virar a esquina, ele subconscientemente deu uma olhada.
As tendas já haviam desaparecido. A trupe de circo de antes saiu depois de terminar sua performance.
Klein originalmente imaginou que a treinadora de animais que o ajudou a ler sua sorte era uma especialista oculta. Ele acreditava que ela parecia propositalmente guiá-lo depois de descobrir algo único sobre ele e que ela iria encontrá-lo e fornecer dicas para o futuro. No entanto, nada disso aconteceu. Ela partiu para a próxima parada da turnê com a trupe de circo.
Como podem haver tantos clichês… — Klein balançou a cabeça enquanto fazia uma careta. Ele se virou na direção da rua Cruz de Ferro.
A rua Cruz de Ferro não se caracterizava por apenas uma única rua; como o nome sugeria, era formada por duas estradas que se cruzavam.
Com o cruzamento em seu núcleo, era dividida em rua Esquerda, rua Direita, rua de Cima e rua de Baixo. Klein, Benson e Melissa moravam anteriormente na rua de Baixo.
No entanto, os moradores que viviam em seu antigo apartamento e nos arredores não pensavam na área como a rua de Baixo, em vez disso, criaram o termo rua do Meio. Ao fazê-lo, eles deixaram clara a diferença entre os que ali estavam e os pobres que viviam a duzentos metros de distância para baixo da rua.
Lá, um quarto era ocupado por cinco ou seis pessoas e, às vezes, até dez.
Klein caminhou ao longo da periferia da rua Esquerda enquanto ele deixava sua mente vagar. Ele se lembrou do caderno da família Antigonus e como estava perdido. Pensou em sua importância para os Falcões Noturnos e nas mortes que resultaram.
Seu coração lentamente se tornou pesado e seu rosto ficou pálido.
Naquele momento, uma voz familiar soou.
— Rapaz.
Oh… — Klein virou a cabeça curiosamente e encontrou-se na entrada da Padaria Smyrin. A Sra. Wendy, de cabelo grisalho, estava cumprimentando-o com um aceno e um sorriso caloroso.
— Você não me parece … muito feliz? — perguntou Wendy cordialmente.
Klein esfregou o rosto e disse:
— Um pouco.
— Independentemente das suas preocupações, o amanhã sempre chegará — disse a sra. Wendy com um sorriso. — Aqui, experimente meu recém-criado chá gelado adoçado. Não tenho certeza se combina com o paladar dos habitantes locais.
— Locais? Você não é uma, Sra. Smyrin? — Klein balançou a cabeça entretido.
Experimentar algo significa que é de graça, certo? — Wendy Smyrin levantou um pouco o queixo e disse:
— Você acertou. Na verdade, sou sulista. Vim para Tingen com meu marido, mas isso foi há mais de quarenta anos atrás. Heh heh, naquela época, Benson ainda não havia nascido. Seus pais nem se conheciam.
— Eu sempre fui um pouco desacostumada com as preferências alimentares dos nortistas e sempre sinto falta da comida da minha cidade natal. Sinto falta de linguiças de porco, pão de batata, panquecas assadas, legumes fritos em banha e carne assada com molhos especiais.
— Ah, e também sinto falta do chá gelado…
Klein sorriu quando ouviu isso.
— Sra. Smyrin, este com certeza é um assunto que me deixa com fome… Mas me sinto muito melhor. Muito obrigado.
— As iguarias podem sempre curar a tristeza. — Wendy entregou a ele uma xícara de líquido vermelho acastanhado. — Este é um chá gelado adoçado que fiz de acordo com minhas memórias, experimente e me diga o que acha.
Depois de agradecê-la, Klein tomou um gole e descobriu que ele lembrava o chá gelado da Terra. No entanto, não era tão estimulante, o sabor do chá era mais forte e refrescante. Ele imediatamente expulsou o calor trazido pelo sol ardente.
— É excelente! — ele admirou.
— Isso me deixa sossegada. — Wendy sorriu com olhos semicerrados enquanto assistia ele terminar a xícara de chá de maneira jovial.
Depois de conversar com a Sra. Smyrin sobre sua mudança, Klein voltou para a rua com a qual estava mais familiarizado.
Havia muito menos vendedores ambulantes à tarde. Eles se reuniam novamente depois das cinco e meia. Os que ficavam para trás pareciam sonolentos e indiferentes.
No momento em que entrou na área, o coração de Klein de repente se sentiu inundado pela escuridão. Seu coração parecia pesado, triste e sombrio por uma razão inexplicável.
O que está acontecendo? — Ele sentiu algo errado sobre si mesmo. Ele imediatamente parou e observou seus arredores, mas não viu nada de estranho.
Depois de pensar um pouco, Klein levantou a mão e tocou sua glabela como se estivesse pensando.
A extensão de sua visão imediatamente se transformou. As auras dos vendedores ambulantes e pedestres apareceram.
Antes que pudesse observar as cores de sua saúde, sua atenção foi tomada pelas cores que representavam tristeza.
Ele foi incapaz de determinar os pensamentos exatos do observado, mas a impressão desanimada, apática e sombria estava profundamente gravada em seu coração.
Ao inspecionar a área, ele percebeu que até o sol não conseguia dispersar aquelas cores escuras.
Era uma sensação de melancolia que os contaminou por anos de repressão.
Ao ver isso, Klein imediatamente entendeu o motivo.
Assim como o Velho Neil disse, ativar sua Visão Espiritual facilmente o puxou para ambientes estranhos e o fez se sentir desconfortável. Também era fácil ser afetado pelas emoções alheias.
Um princípio similar poderia ser usado em uma habilidade como a percepção. Esta era uma habilidade que ele obteve sem prática adicional depois de se tornar um Vidente. Era uma sensação passiva que não podia ser recusada, permitindo que ele sentisse diretamente a existência de algo anormal.
Estava destinado a haver um nível de interação ao perceber coisas; portanto, nos olhos Beyonder de um Médium Espiritual, a intensidade da percepção é clara. É como um fogo à noite. Portanto, pessoas com alta perceptividade eram naturalmente afetadas pela atmosfera intensa de qualquer coisa anormal. Apenas praticado repetidamente era possível compreender, controlar e adaptar-se a tais cenários.
— Tal cor reprimida é provavelmente formada por um longo período de tempo, certo? — Klein suspirou e balançou a cabeça, sentindose um pouco afetado.
Ele tocou sua glabela duas vezes novamente e se esforçou para convergir sua espiritualidade.
Tap. Tap. Tap. Klein andou em direção ao apartamento atento à qualquer existência anormal ou pequenas conexões enquanto procurava o caderno da família Antigonus que “ele” havia escondido.
As ruas eram as mesmas de sempre. Havia água imunda e lixo nas ruas. Só ficou mais limpo quando ele chegou à entrada do apartamento.
Klein abriu a porta entreaberta e andou pelo primeiro andar na escuridão que a luz do sol não conseguia alcançar.
As escadas de madeira rangiam constantemente enquanto ele subia.
O segundo andar estava tão escuro quanto sempre. Klein liberou sua percepção e olhou para a escuridão.
No entanto, ele não apenas não descobriu nenhuma pista sobre o seu caderno, mas também não conseguiu ver nenhum corpo espiritual invisível.
— Se fosse tão fácil encontrá-los, a maioria das pessoas comuns já teria percebido a existência de coisas extraordinárias… — Klein suspirou em reflexão.
Ele já havia entendido que a maioria dos “espíritos” não existia na forma de corpos espirituais, mas sim na de espiritualidade. Apenas um Médium Espiritual poderia comunicar-se com eles de forma eficaz.
Depois de percorrer o terceiro andar uma vez, Klein saiu do apartamento e refez os passos de sua memória em direção à casa de Welch.
Ele caminhou por uma hora inteira, mas não descobriu nada ao longo do caminho.
Do lado de fora do bangalô jardinado, Klein olhou para a casa através dos portões de ferro trancados e murmurou para si mesmo:
— Não há necessidade de eu procurar na casa do Welch, certo? Capitão e Madame Daly devem ter procurado no local…
— Além disso, não tenho a chave. Eles não podem esperar que eu suba as paredes, certo…?
— Vou tentar outro caminho amanhã…
— Eu andei tanto hoje, pena que não existe contador de passos…
Enquanto zombava, Klein retornou ao distrito vizinho. Ele planejava pegar uma carruagem pública para a Companhia de Segurança Blackthorn para coletar sua alocação diária de trinta balas. Ele precisava aproveitar seu tempo e praticar.
A falta de meios ofensivos rápidos e eficazes de um Vidente só poderia ser compensada com seu revólver e sua bengala!
O distrito ao redor da casa de Welch era relativamente limpo. Lojas com janelas limpas e brilhantes percorriam ambos os lados da rua.
Na curva da rua, Klein estava prestes a procurar a parada da carruagem quando seu olhar passou por algumas placas no segundo andar.
“Loja de departamento Harrods.”
“Refeitório De Veteranos Militares.”
“Clube De Divinação.”
…
Clube De Divinação… — Klein repetiu o nome em silêncio e lembrou que ele tinha que “agir” como um Vidente.
Sim, eu deveria dar uma olhada… e procurar por novas ideias… — Em meio a seus pensamentos confusos, Klein atravessou a rua e foi para o segundo andar. Ele entrou no foyer principal para ver uma linda atendente.
A mulher de cabelo castanho-amarelado avaliou Klein antes de dizer com um sorriso:
— Senhor, deseja ler sua fortuna ou deseja se juntar ao nosso clube?
— Quais são as condições para se juntar? — perguntou Klein casualmente.
A mulher explicou com grande familiaridade:
— Preencha seus dados e pague uma taxa de associação anual. O primeiro ano é de cinco libras e os anos seguintes serão de uma libra por ano. Não se preocupe, não somos como clubes políticos ou de negócios que permitem entrada através de recomendações de membros formais.
— Os membros podem usar livremente a sala de reuniões do clube e outras várias salas, e também têm acesso à ferramentas para divinação. Eles podem desfrutar do café e chá que fornecemos e ler os jornais e revistas que assinamos gratuitamente. Podem comprar almoço, jantar e bebidas alcoólicas a preço de custo, bem como materiais de educação e materiais necessários para divinação.
— Além disso, convidamos pelo menos um especialista em divinação famoso para dar palestras todo mês e responder a quaisquer perguntas.
— Mais importante, você pode encontrar um monte de amigos com os mesmos hobbies e fazer negócios com eles.
Parece muito bom, mas… eu não tenho o dinheiro… — Klein deu um sorriso autodepreciativo antes de perguntar:
— E se eu quiser ler minha sorte?
Capítulo 38
Capítulo 38 – Novato Amador
Ao ouvir a pergunta de Klein, a bela dama, de cabelos amareloamarronzados elegantemente presos, pareceu perder a paciência. No entanto, ela manteve o sorriso e disse:
— Nossos membros são livres para fazer divinação para os outros no clube. Eles também têm seus preços e nós pegamos uma pequena parte como taxa. Se você deseja ter sua fortuna lida, pode dar uma olhada neste catálogo. Aqui tem introduções e as respectivas taxas dos membros que estão dispostos a fazer divinação para os outros.
— No entanto, é segunda-feira à tarde, então a maioria dos nossos membros estão ocupados no trabalho. Somente cinco estão aqui hoje…
Enquanto apresentava o clube, ela convidou Klein a sentar-se no sofá ao lado de uma janela no saguão de recepção. Então, ela folheou um álbum e apontou os membros presentes.
— Hanass Vincent. Famoso cartomante de Tingen. O mentor interno do clube em, bom, várias formas de divinação. Ele cobra quatro soli por cada divinação.
É muito caro… Isso é o suficiente para alimentar Benson, Melissa e eu em dois jantares ostensivos… — Klein clicou a língua em silêncio e não respondeu.
Quando a mulher viu isso, continuou a folhear as páginas e a apresentar um membro após o outro.
— … E por último, Glacis, um membro que se juntou ao clube este ano. Ele é habilidoso em leitura de tarô, e cobra dois centavos.
— Senhor, quem você planeja escolher?
— Sr. Glacis. — respondeu Klein sem fazer cerimônia.
— … — a funcionária ficou em silêncio por dois segundos antes de dizer:
— Senhor, tenho que lembrá-lo de que o Sr. Glacis é considerado apenas um novato.
— Compreendo. Eu serei responsável pela minha própria decisão. — Klein assentiu com um sorriso.
— … Então, por favor, me siga — a mulher se levantou e conduziu Klein através de uma porta ao lado da sala de recepção.
Não era um corredor muito longo, e havia uma sala de reuniões ao seu final com iluminação solar suficiente, e estava equipada com mesas e cadeiras. Havia jornais, revistas e cartões de papel também. Um fraco aroma de café passou por ele.
Cerca de dois cômodos de distância da sala de reuniões, a atendente fez um gesto para que Klein parasse. Ela acelerou o passo, entrou na sala, e gritou gentilmente:
— Sr. Glacis, alguém deseja sua divinação.
— Minha? — uma voz cheia de surpresa e dúvida soou imediatamente. Depois disso, ouviu-se o som de uma cadeira em movimento.
— Sim, qual sala você gostaria de usar? — respondeu a dama sem qualquer emoção.
— Sala Topázio. Eu gosto de topázio. — Glacis apareceu na porta da sala de reuniões e olhou com curiosidade para Klein, que esperava não muito longe.
Ele era um homem na casa dos trinta; sua pele era levemente escura e suas pupilas eram de um tom verde escuro. Sob seus macios cabelos loiro claros, ele vestia uma camisa branca e colete preto. Um monóculo pendia de seu peito e ele parecia ter uma boa disposição.
A atendente não disse mais nada quando abriu a porta da sala Topázio, que ficava ao lado da sala de reuniões.
As cortinas da sala estavam bem fechadas, tornando-a escura. Parecia que somente fazendo isso alguém teria revelações dos deuses e espíritos para obter um resultado preciso da divinação.
— Olá, eu sou Glacis. Nunca esperei que você me escolhesse para ler sua sorte. — Glacis curvou-se como um cavalheiro, entrou rapidamente na sala e sentou-se atrás de uma mesa comprida.
— Francamente, estou apenas tentando ler a sorte para outros e não tenho muita experiência. Por enquanto, não sou um bom cartomante. Você ainda tem tempo para se arrepender.
Depois que Klein devolveu o cumprimento, ele entrou e fechou a porta atrás de si.
Pela luz que entrava pelas cortinas, ele disse com um sorriso:
— Você é um homem realmente honesto, mas eu sou alguém muito firme em minhas escolhas.
— Por favor sente-se. — Glacis apontou para o assento em frente a ele e pensou por alguns segundos. — Divinação é meu hobby. Heh heh. Na vida, muitas vezes recebemos orientações do divino, mas as pessoas comuns são incapazes de entender com precisão o significado. Esta é a razão pela qual a divinação existe e também o motivo pelo qual me juntei a este clube. Neste aspecto, ainda me falta confiança. Vamos fazer a divinação que segue uma troca, uma troca livre. O que acha da minha sugestão? Eu cobrirei as taxas que o clube exige. É apenas um quarto de centavo.
Klein não concordou nem sacudiu a cabeça. Em vez disso, ele sorriu.
— Pelo que parece, você tem um trabalho bem remunerado e decente.
Enquanto ele dizia isso, se inclinou ligeiramente para a frente. Ele segurou a testa com o punho direito e tocou duas vezes.
— Mas isso não aumenta a precisão da minha divinação — respondeu Glacis com humor. — Sua cabeça dói? Você quer divinar problemas em relação à saúde?
— Um pouco. Eu desejo saber onde um item está. — Klein já havia pensado em uma desculpa enquanto se recostava devagar.
A seus olhos, a aura de Glacis se apresentava claramente. As cores laranja de seus pulmões eram escuras e esparsas. Elas até influenciavam o brilho de outras áreas.
Isso não é um sintoma de exaustão… — Klein assentiu de maneira indiscernível.
— Você está procurando por um item perdido? — Glacis pensou por alguns segundos antes de dizer:
— Então vamos fazer uma simples determinação.
Ele empurrou as cartas de tarô empilhadas na mesa preta em direção a Klein.
— Acalme-se. Pense nesse item e pergunte a si mesmo “ele ainda pode ser encontrado?”. Enquanto isso, embaralhe e corte o baralho. — Tudo bem. — Klein, na verdade, não lembrava como era o antigo caderno. Tudo o que ele podia fazer era repetir a pergunta para si mesmo: O caderno da família Antigonus ainda pode ser encontrado?
Enquanto repetia o pensamento, ele habilmente embaralhou e cortou o baralho.
Glacis pegou a carta de cima e a empurrou-a para a frente de Klein, ela estava virada para baixo horizontalmente.
— Gire-a no sentido horário até que ela fique na vertical. Em seguida, vire-a. Se a carta estiver invertida, o que significa que a imagem da carta não está voltada para você, indica que o item não pode ser encontrado. Se a carta estiver de frente para você, poderemos continuar a divinação e procurar sua localização real.
Klein seguiu as instruções e virou a carta horizontal na vertical.
Ele apertou a ponta da carta de tarô e virou-a.
Era uma carta invertida.
— Que pena. — Glacis suspirou.
Klein não respondeu porque sua atenção estava concentrada na carta de tarô à sua frente.
A imagem da carta invertida estava vestida com roupas coloridas e usava um esplêndido enfeito na cabeça: O Louco!
É o Louco de novo? Não pode ser tanta coincidência, certo…? De acordo com o Enforcado e o Velho Neil, a divinação é o resultado da comunicação da espiritualidade e do mundo espiritual com um “eu” de dimensão superior. As cartas de tarô são apenas uma ferramenta conveniente para ler o que a verdade simboliza. Em teoria, não importa qual item de divinação for usado, pois isso não afeta o resultado… — Klein franziu a testa ao pensar por um momento.
— Pode-se saber se o item já está nas mãos de outros?
— Claro. Siga o mesmo procedimento e faça novamente. — Glacis assentiu com grande interesse.
Klein embaralhou e cortou o baralho enquanto pensava em sua pergunta.
Ele pegou uma carta e colocou-a na horizontal antes de girá-la no sentido horário. Ele terminou todos os preparativos com uma expressão séria.
Respirando fundo, Klein estendeu a mão e virou a carta de tarô.
Por favor, não seja o louco de novo…
Enquanto orava, ele repentinamente relaxou porque a carta era a Estrela e estava invertida!
— Pelo que parece, o item ainda não foi usado por outros — interpretou Glacis com um sorriso.
Klein assentiu e levantou a mão direita. Ele tocou em sua glabela, parecendo profundamente pensativo. Então, ele pegou dois centavos com um brilho acobreado escuro do bolso e empurrou-o para Glacis.
— Eu não disse que era grátis? — Glacis disse com uma carranca.
Klein riu e se levantou.
— Este é o respeito que a divinação merece.
— Tudo bem, obrigado pela sua generosidade. — Glacis se levantou e estendeu a mão.
Depois do aperto de mãos, Klein deu dois passos para trás e se virou, caminhou até a porta e virou a maçaneta.
Assim que estava prestes a sair, ele de repente virou a cabeça e fez um som conciso.
— Sr. Glacis, sugiro que você consulte um médico o mais rápido possível. Concentre-se em seus pulmões.
— Por quê? — perguntou Glacis, surpreso.
Você está me amaldiçoando porque não ficou satisfeito com os resultados da divinação?
Klein pensou por um momento antes de dizer:
— É um sintoma baseado na cor de seu rosto. Você, bem… sua glabela parece escura.
— Glabela parece escura… — foi a primeira vez que Glacis ouviu essa descrição.
Klein não explicou mais nada, e saiu da sala com um sorriso. Ele fechou a porta de madeira atrás dele.
— Ele é um médico sem licença ou um herbalista? — Glacis balançou a cabeça, entretido com o pensamento. Ele então pegou seu monóculo para a leitura de sorte.
Com um olhar cuidadoso, ele percebeu que sua glabela estava realmente escura.
Mas isso era um problema do ambiente. Na escuridão devido às cortinas fechadas, não só a glabela estava escura, todo o seu rosto estava envolto em escuridão!
— Não é uma piada muito simpática. — Glacis murmurou.
Ele então, preocupadamente, leu sua própria sorte para se certificar de que estava tudo bem em relação à sua saúde.
Depois de deixar o Clube de Divinação, Klein tinha um plano futuro adicional.
Que era o de economizar o máximo possível para pagar a taxa anual para se tornar um membro do clube. Depois disso, ele poderia começar a agir como um Vidente.
Quanto ao motivo pelo qual não escolheu fazê-lo de forma independente, era porque temporariamente não tinha os recursos ou contatos. Ele não conseguiria se colocar nas ruas como leitor de sorte ambulante, já que se importava com a sua reputação.
Alguns minutos depois, a carruagem pública chegou. Klein gastou dois centavos e chegou à rua Zouteland, que não ficava muito longe.
Ele abriu a porta da Companhia de Segurança Blackthorn, mas não viu a familiar garota de cabelos castanhos. Só viu Leonard Mitchell, de cabelos negros e olhos verdes, com seu porte poético atrás do balcão da recepção.
— Boa tarde. Onde está Rozanne? — Klein perguntou depois de tirar o chapéu e se curvar em cumprimento.
Leonard sorriu e apontou para a divisória.
— É o turno dela hoje à noite no arsenal.
Sem esperar que Klein fizesse outra pergunta, Leonard disse, como se estivesse ponderando sobre um assunto:
— Klein, tenho uma pergunta que sempre me intrigou.
— O que seria? — Klein ficou intrigado.
Leonard levantou-se e, sorridente, disse com um tom descontraído:
— Por que Welch e Naya cometeram suicídio no local enquanto você voltava para casa?
— Provavelmente tem a ver com como a existência desconhecida me levou a levar o caderno da família Antígonus para escondê-lo — respondeu Klein com a suposição oficial.
Leonard andou de um lado para o outro antes de virar para olhar diretamente nos olhos de Klein.
— Se o seu suicídio foi feito para silenciá-lo e acabar com quaisquer pistas, por que você não foi obrigado a destruir o caderno lá mesmo?
Capítulo 39
Capítulo 39 – Truque Interessante
Na verdade, eu não sei se o caderno foi destruído ou escondido… mas usando raciocínio retrógrado, se é para ser destruído, poderia ter sido feito no local. Não havia necessidade de levá-lo para outro local a fim de dar cabo à destruição…
Ao ouvir a pergunta de Leonard, Klein entrou instantaneamente no modo de “detetive de teclado” e disse com um suspiro:
— Talvez quando Welch, Naya e eu fizemos contato com a existência desconhecida, tal existência gostou do sacrifício de uma vida ou desejou que situações semelhantes continuassem. Com o suicídio definitivamente fácil de ser descoberto, fui levado a carregar o caderno comigo para escondê-lo, a fim de me preparar para a segunda rodada de entretenimento da existência. No entanto, algum acidente aconteceu durante o processo e eu não consegui ter sucesso no meu suicídio.
Este foi um argumento fundamentado que Klein fez a partir de sua experiência em romances, filmes e dramas de TV que envolviam sacrifícios à cultos.
Quanto ao acidente que aconteceu no meio do caminho, ele sabia muito bem que era devido à variável inesperada de ele ser um transmigrador.
— É uma boa explicação, mas acredito que possa haver outras possibilidades. O sacrifício suicida de Welch e Naya poderia ter possibilitado que a existência desconhecida descesse sobre este mundo. Então, esse caderno é um recipiente ou um terreno fértil para o mal. Isso fez com que você o tirasse de lá para escondê-lo, preocupado que o destruíssemos se descobríssemos seu nascimento, antes que ele se tornasse forte. — Leonard Mitchell sugeriu outra possibilidade.
Dito isso, ele olhou nos olhos de Klein e sorriu levemente.
— Claro, talvez o caderno tenha sido destruído. O objetivo é esconder o seu conteúdo, esconder o recipiente ou a ninhada do mal. Dessa forma, há uma razão suficiente para o seu suicídio falho.
O que ele quer dizer? Ele está suspeitando de mim? Ele está suspeitando que o corpo do Klein original é um receptáculo ou usado para a ninhada do mal? Não, é para um transmigrador que ele está sendo um recipiente… Na verdade, “ninhada” não é um termo correto. — Klein ficou surpreso. Enquanto secretamente criticava a ideia, ele pesou suas palavras.
— Eu não tentarei me defender desde que perdi as memórias daquele período. Seja o Capitão ou a Madame Daly, eles já confirmaram que estou bem. Sua piada não é engraçada.
— Estou apenas considerando uma possibilidade. Isso não elimina o impacto que a existência desconhecida encontrou quando desceu, o que fez com que seu suicídio falhasse. Acreditamos que a Deusa acabará por nos abençoar. — Leonard riu enquanto mudava de assunto. — Você descobriu alguma coisa à tarde?
Depois da conversa e dos encontros anteriores, Klein estava muito desconfiado de Leonard. Ele respondeu com compostura:
— Não. Eu planejo tentar uma rota diferente amanhã à tarde.
Ele apontou para a divisória e disse:
— Preciso ir ao arsenal pegar as balas.
O Clube de Tiro fica aberto até as nove da noite. Afinal, sua disponibilidade aumentava apenas após que seus muitos membros saíssem do trabalho.
— Que a Deusa te abençoe. — Leonard sorriu ao fazer o sinal da lua carmesim no peito.
Ele observou Klein passar pela divisória e escutou seus passos descendo as escadas. O sorriso de Leonard desapareceu gradualmente e um olhar de dúvida apareceu em seus olhos verdes.
Ele sussurrou algo com um tom descontente.
…
Descendo as escadas, Klein seguiu o corredor iluminado por lâmpadas a gás até o arsenal e os arquivos.
A porta de ferro estava aberta e Rozanne, com seus cabelos castanhos, estava em frente à mesa conversando com um homem de cartola de meia-idade e de barba grossa e preta.
— Boa tarde, não, boa noite. É sempre noite aqui. Klein, ouvi do Velho Neil que você se tornou um Beyonder? Se chama Vidente? — Rozanne virou a cabeça e inundou-o com suas perguntas.
Ela não escondeu sua curiosidade e preocupação.
Klein assentiu com um sorriso.
— Boa tarde, senhorita Rozanne. Na verdade, é sempre noite aqui, mas nos passa uma sensação de serenidade. A descrição que você deu não foi precisa o suficiente. Deve ser dito que a poção de Sequência que eu consumi tem o nome de Vidente.
— Você ainda escolheu se tornar um Beyonder no final das contas… — Rozanne disse com um suspiro se perdendo em seus pensamentos.
Klein olhou para o homem de meia-idade ao lado dela e perguntou educadamente:
— Você é?
Outro membro dos Falcões Noturnos ou um dos outros dois funcionários civis que eu não conheci?
Rozanne franziu os lábios e disse:
— Bredt. Nosso colega. Ele deseja trocar de lugar comigo para liberar a noite depois de amanhã. Ele planeja ir ao teatro no Distrito Norte com sua esposa para assistir The Prideful One. É para comemorar seu aniversário de quinze anos de casamento. Ele é verdadeiramente um cavalheiro romântico.
Bredt sorriu ao estender a mão e dizer:
— Com a senhorita Rozanne por perto, não há nada que exija repetição. Olá Klein. Eu nunca esperei que você se tornasse um Beyonder tão rapidamente. Quanto a mim, heh, talvez eu nunca tenha coragem.
— Talvez seja como diz o ditado, o ignorante não conhece o medo — disse Klein de maneira autodepreciativa, enquanto estendia a mão para apertar a de Bredt.
— Eu não ter coragem não é algo ruim — disse Bredt com um aceno de cabeça. — Um Beyonder me disse uma vez antes de sua morte para nunca investigar os assuntos estranhos e perigosos. Quanto menos você souber, mais viverá.
Nesse momento, Rozanne interveio:
— Klein, não precisa se importar. Eu ouvi do Velho Neil que, como um Vidente, seu papel é de suporte. É relativamente seguro desde que você não tente se comunicar com existências desconhecidas. E por que você está vestido dessa maneira? É tão impróprio para um cavalheiro! Por que você está aqui?
— Estou aqui para pegar minhas trinta balas. — Klein não respondeu à primeira pergunta de Rozanne.
Ele acreditava que a senhorita rapidamente esqueceria o assunto.
— Tudo bem. — Rozanne apontou para a mesa e disse:
— Bredt, é todo seu. Você deve saber onde estão as chaves e as balas. Oh, o Velho Neil é realmente mesquinho. Ele nem mesmo deixou o café moído a mão para trás. Ele me prometeu que eu poderia beber o quanto quisesse hoje…
Ela tagarelou enquanto Klein recebia as balas.
A dupla partiu e seguiu caminhos separados na rua Zouteland. Um pegou uma carruagem pública para casa enquanto o outro entrou no Clube de Tiro.
Bang! Bang! Bang!
Klein repetiu o processo, segurando a arma, levantando os braços, disparando, soltando o cilindro, ejetando os cartuchos vazios e colocando as munições – de novo e de novo. Ele se familiarizou com o processo e o incorporou em sua memória muscular.
Claro, ele teve alguns intervalos entre revisar e corrigir o processo.
Depois de terminar seu treino, Klein usou o terreno para fazer vários exercícios, como flexões. Ele trabalhou duro para treinar seu corpo para melhorar seu físico.
Depois que tudo acabou, se sentou em uma carruagem e foi para casa. Só então ele percebeu que era quase sete e o céu já estava escuro.
Bem quando Klein estava planejando ir ao mercado ou às ruas para comprar os ingredientes para o jantar, a porta foi aberta. Melissa voltou com sua bolsa cheia de itens de materiais escolares.
Além disso, ela estava carregando muitos alimentos.
— …Eu pensei que você e Benson chegariam em casa mais tarde. Esta manhã tirei um soli do lugar onde você esconde o dinheiro. — Ao ver o olhar interrogativo de seu irmão, Melissa explicou em sua maneira séria habitual.
— Já que você pegou o dinheiro, por que você não usou a carruagem pública para ir à escola? — Klein havia se lembrado do assunto da manhã.
Melissa disse com uma careta:
— Por que eu deveria pegar uma carruagem pública? Custa quatro centavos para chegar à escola. Com a viagem de retorno, significa oito centavos. Contando com Benson e você, estaremos gastando vinte e quatro centavos no transporte diariamente. Isso é um soli inteiro! Em uma semana, sim, sem contar o domingo, ainda são doze soli. É quase igual ao nosso aluguel.
Pare, pare, pare! Não ostente sua destreza matemática… — Klein baixou a mão de uma maneira divertida.
Melissa primeiro parou antes de acrescentar:
— É muito bom andar para a escola. Nosso professor disse que todos devem se exercitar com frequência. Além disso, posso escolher alguns componentes danificados no caminho.
Klein riu e disse:
— Então vamos fazer as contas novamente. O transporte público custa doze soli. O aluguel é doze soli e três centavos. É um total de uma libra, quatro soli e três centavos. O salário de Benson é suficiente para pagar e ainda há uns trocados de sobra. Sim, ele recebeu o salário da semana passada… Quanto a mim, ainda posso ganhar uma libra e dez soli toda semana. Mesmo se comermos carne todos os dias e contando despesas como gás, carvão, madeira e condimentos, ainda teremos um pouco sobrando se formos frugais com o almoço. Podemos até mesmo assinar os jornais da manhã por apenas um centavo.
— Em dois meses, quando eu compensar o pagamento adiantado, posso economizar dinheiro para você e Benson. Nós podemos comprar roupas novas.
— Mas…! Mas temos que pensar em possíveis acidentes. — Melissa manteve-se firme.
Klein sorriu para ela e disse:
— Então podemos comer menos carne. Você não acha que gastar cinquenta, não, cem minutos no caminho é uma perda de tempo? Você pode usar esse tempo para ler mais e pensar sobre problemas e melhorar seus resultados.
— Dessa forma, Melissa, você vai se formar com excelentes notas. Você será capaz de encontrar um emprego com um bom salário. Quando isso acontecer, o que há para se preocupar?
— …
Ele exibiu sua experiência adquirida por debates em fóruns e finalmente convenceu Melissa. Ela concordou em pegar a carruagem pública para a escola.
— Ufa, eu finalmente a manipulei. Não, como posso chamar isso de manipular, isso é chamado de convencer. — Klein zombou antes de pegar os alimentos que Melissa havia comprado. Ele disse com um suspiro:
— Lembre-se de comprar carne ou alguma coisa como carne de carneiro e frango… Coma até estar satisfeita e divirta-se. Só então você estará equipada com um corpo saudável e um cérebro inteligente para atender aos exigentes requisitos necessários para seus estudos.
Apenas de pensar nisso me faz salivar…
Melissa franziu os lábios e depois de alguns segundos de silêncio, disse:
— Tudo bem.
Na manhã seguinte, depois de garantir que Melissa havia pego uma carruagem pública, Klein e Benson se separaram e foram para suas respectivas empresas.
No momento em que Klein entrou pela porta, viu o Velho Neil e Rozanne conversando na recepção. O primeiro ainda estava em seu manto negro clássico, sem qualquer preocupação com os olhares dos outros. E ela havia mudado para um vestido casual de cor creme.
— Bom dia, senhor Neil, senhorita Rozanne — cumprimentou Klein ao tirar o chapéu.
O Velho Neil deu-lhe um olhar travesso.
— Bom dia, você não ouviu nada que não deveria ter ouvido ontem à noite, certo?
— Não, eu dormi muito bem. — Klein também ficou bastante intrigado com isso.
Ele só poderia culpar a sua percepção inadequada…
— Haha, não se importe com isso. Na verdade, não é tão fácil de ouvir. — Velho Neil apontou para a divisória e disse:
— Vá para o arsenal. Continuaremos com as lições de misticismo esta manhã.
Klein assentiu com a cabeça e seguiu o Velho Neil pelas escadas e chegou ao arsenal para substituir Bredt, que ficou de plantão a noite inteira.
— O que vamos aprender hoje? — perguntou Klein curiosamente.
Velho Neil respondeu depois de um tempo:
— O conhecimento complicado e básico. Mas antes disso, deixe-me ensinar-lhe um truque interessante.
Ele apontou para a corrente de prata em seu pulso. Havia uma pedra pura da lua pendurada na corrente.
Capítulo 40
Capítulo 40 – Currículo de Misticismo
— Um truque interessante? — perguntou Klein com extrema curiosidade.
Velho Neil riu e disse:
— Vou completar minha patrulha do arsenal, depósito e arquivos. Use as duas xícaras na mesa para fazer duas xícaras de café. Em uma das xícaras, coloque algo desagradável. Quanto ao que é, você pode decidir por si mesmo, use sua imaginação. Meu único pedido é que não desperdice muito café em pó, são grãos de café cultivados no planalto de Feynapotter e moídos à mão por mim!
— Tudo bem. — embora Klein não tivesse certeza o que Velho Neil estava aprontando, ele concordou alegremente.
Ele o observou abrir os portões de ferro para o arsenal com uma chave de cobre e depois ouviu os passos ecoando de dentro. Lentamente, pegou as xícaras e confirmou que ainda havia água quente na chaleira.
Ele tirou a tampa da lata de prata e, usando uma pequena colher com um brilho metálico, Klein colocou uma colherada do rico e aromático pó de café em cada uma das xícaras, colocou a água quente e mexeu.
Como um transmigrador que veio de uma era abundante em recursos, ele não era estranho ao café. No entanto, era limitado apenas ao café instantâneo.
Depois de terminar a tarefa, Klein ponderou por um momento e sentou-se. Ele cruzou a perna direita e pegou um pouco da lama que estava grudada no fundo de suas botas de couro e a colocou no copo esquerdo.
Então, ele cuidadosamente mexeu o líquido novamente até que as cores e os cheiros das duas xícaras de café fossem praticamente indistinguíveis.
Alguns minutos depois, Velho Neil saiu do arsenal enquanto balançava as chaves. Ele então fechou os portões de ferro com um clang.
— Já terminou? — Ele virou seus olhos vermelhos escuros ligeiramente turvos e olhou para Klein do outro lado da mesa.
— Sim — respondeu Klein com um aceno.
Velho Neil riu, removeu a corrente de prata em volta do pulso e se sentou.
Sua expressão rapidamente se tornou serena. Ele estendeu a mão esquerda que segurava a corrente e deixou-a pendurada sobre a xícara de café à sua direita. A pedra da lua quase tocou o líquido.
Em meio à relaxante calma, a pedra da lua tremeu de repente e começou a girar a corrente no sentido anti-horário.
— Esta xícara é a que tem a coisa desagradável — disse Velho Neil com certeza.
Sem esperar que Klein confirmasse, guardou a corrente de prata, pegou a outra xícara de café e tomou um gole.
— Você gosta de café amargo? Estou acostumado a colocar uma colher de sopa de açúcar e uma de leite.
Klein não respondeu, em vez disso, perguntou com interesse:
— Sua divinação realmente é precisa. Foi por causa da pedra da lua? Era pedra da lua, certo?
— Isto é conhecido como radiestesia em divinação. Também é chamado de radiestesia espiritual. Depende da conexão da sua própria Projeção Astral com o mundo espiritual e espaço para se comunicar com a inteligência espiritual através da ajuda de materiais naturais como cristais, pedras preciosas ou metais especiais. O bem e o mal das coisas podem ser divinados… Vamos falar sobre as duas xícaras de café. O movimento anti-horário implica ruim, enquanto um movimento no sentido horário é bom. Se não se mover, não é nem bom nem ruim. Pode escrever a declaração num pedaço de papel. Mas tome cuidado, é uma declaração e não uma pergunta. — Velho Neil largou a xícara de café e explicou em detalhes.
Klein perguntou como se estivesse pensando:
— Isso significa que se deve usar frases questionadoras?
— Sim, você não pode usar “fulana está disposta a ser minha noiva?”, mas sim usar “fulana está disposta a ser minha noiva”. Então, use a sua mão dominante para segurar a corrente do pêndulo. Atenção, use a mão dominante — disse Velho Neil com uma risada. — Ao fazê-lo, mantenha o braço esticado. Ajuste o comprimento da corrente e faça a pedra da lua ficar um pouco acima do pedaço de papel a ponto de quase tocar o que escrevemos. Então, feche os olhos e repita a frase sete vezes em sua mente. Abra os olhos quando terminar e veja se o pêndulo espiritual gira ou não. Se não se mover, feche os olhos novamente e repita o processo até que ele se mova.
Klein assentiu levemente e perguntou:
— Sentido anti-horário significa “não” e sentido horário significa “sim”?
— Também pode ser interpretado como sucesso ou fracasso — corrigiu Velho Neil. Ele ensinou a Klein os outros usos e detalhes da divinação do pêndulo espiritual.
Klein ponderou sobre o assunto e descobriu que era um truque de divinação muito útil. Por exemplo, ele poderia usá-lo rapidamente em um ambiente desconhecido para determinar se a comida oferecida era venenosa ou não. Ele não precisava de nenhum conhecimento adicional de biologia de campo.
Claro, tais métodos de divinação eram excessivamente simples. As respostas que poderia receber estavam limitadas a duas ou três. Não havia como investigar ou interpretar mais profundamente. Por exemplo, embora algo possa ser prejudicial para o corpo, pode se tornar muito benéfico após processamento. Um exemplo seria certos alimentos que se consumidos realmente danificam o corpo, mas nada grave; porém, se alguém estivesse morrendo de fome, comer não seria um grande problema. São estes tipos de coisas que a radiestesia espiritual não pode determinar.
— Vou ter que economizar dinheiro rapidamente para comprar cristais ou prata pura para criar um pêndulo espiritual… — Suspirou Klein.
Velho Neil olhou para ele, perplexo.
— Você pode solicitar um. Este é um item padrão para Beyonders, especialmente Beyonders como nós, que assumem um papel de suporte. Ainda há um pêndulo de topázio e prata pura no arsenal.
— Mas eu ainda não sou um membro formal da equipe… — O coração de Klein palpitou em excitação, mas ele se sentiu um pouco hesitante.
Velho Neil deu uma risada e disse:
— Para Beyonders, independentemente de serem ou não membros formais, eles precisam ter vantagens em outras áreas, já que não há aumento salarial.
— Talvez a palavra “privilégio” seja mais adequada. Vou solicitar com o Capitão mais tarde! — Klein cerrou os punhos em segredo enquanto se decidia.
Como saberei se o capitão aprovaria meu pedido sem tentar?
— Tudo bem. — disse Velho Neil com um sorriso. — Podemos começar oficialmente nosso currículo de misticismo. O básico consiste em simbolismo. Você sabe o que significa simbolismo?
Klein recordou os fragmentos que havia ouvido e as coisas que ouviu e viu em seu mundo espiritual e do nevoeiro cinzento. Ele ponderou e disse:
— Independentemente do mundo espiritual ou do espaço estelar ilusório, bem como os reinos desconhecidos, eles estão além do nosso mundo sensorial. Não é algo que possa ser descrito com precisão pelas informações que nossos ouvidos, nariz e olhos obtêm, o que obtemos são simplesmente experiências indescritíveis e revelações diretas. Eles também aparecem como formas abstratas ou símbolos pictóricos. Esses símbolos representam itens e significados diferentes.
— Muito preciso. Como esperado de um vidente. — Velho Neil acenou solenemente.
— Somente ao captar a habilidade de interpretar os símbolos poderá realmente dar o próximo passo no mundo do misticismo. Sim, as imagens nas cartas de tarô e cada um dos elementos nas figuras são símbolos. Eles são símbolos feitos pelo homem que nos ajudam a compreender e interpretar revelações primordiais
Ele pegou um pedaço de papel e uma caneta-tinteiro ao seu lado, e desenhou uma curva curta, e, depois disso, adicionou algumas linhas verticais abaixo da curva. Ele olhou para Klein e perguntou:
— Você sabe o que este símbolo representa?
Klein olhou por um bom tempo antes de dizer, hesitante:
— Cílios?
— … — Velho Neil exalou, continuando — Este é o símbolo da constelação da Farta Colheita. Esta é a constelação Trovejante, e esta é a constelação da Geada…
Ele casualmente desenhou mais alguns símbolos.
Enquanto Klein os memorizava, ele não pôde deixar de comentar:
— Os nomes dessas constelações são realmente… especialmente nada sofisticados. Sim, sem sofisticação!
Que brega e primitivo…
Velho Neil revelou um sorriso.
— O Imperador Roselle pensava o mesmo naquela época. Ele sempre teve a intenção de mudar os nomes das constelações para coisas como Virgem, Câncer e Escorpião. Infelizmente, não tinha forças para ir contra a tradição. No mínimo, os nomes antigos destas constelações e as datas correspondentes representam um guia para agricultura e colheitas.
— Tenho que admitir que o Imperador Roselle é uma pessoa com ideias. — Klein estava sem palavras.
Sim, o Imperador Roselle era provavelmente uma pessoa decente quando estava vivo…
Velho Neil não conseguiu entender o humor de Klein enquanto continuava explicando os vários símbolos básicos, como as várias constelações, o sol, a lua carmesim, a estrela marrom, a estrela vermelha e a estrela azul.
Enquanto conversava sobre isso, ele ensinou Klein como desenhar o astrolábio de divinação e indicou em que coisas prestar atenção. Ele também ensinou sobre os materiais e a criação de uma bola de cristal e a escolha de encantamentos. Os ensinamentos sobrecarregaram Klein.
Se não fosse por sua descoberta de que a poção Vidente melhorou um pouco sua memória, ele pediria a Velho Neil que parasse para ajudar na digestão das informações.
— Isso é tudo para a aula de misticismo de hoje. Reflita você mesmo e pergunte se tiver alguma dúvida. — Velho Neil pegou um relógio de bolso de ouro e abriu-o com um piscar de olhos para verificar a hora. — Não se esqueça de ler os documentos históricos que preparei para você. Para ser franco, sinto medo de vê-los.
— Tudo bem. — Klein pegou os pedaços de papel que foram esboçados com símbolos de Velho Neil. Ele rapidamente passou pelo conhecimento de misticismo que aprendeu hoje para evitar esquecê-lo.
Velho Neil tomou um gole de uma xícara de café recém-preparada e disse:
— Memorizar não é suficiente. Você precisa usá-lo com frequência. Dessa forma, você pode tornar o conhecimento instintivo. Além disso, a Cogitação deve ser praticada todos os dias. Somente mais prática e uso permitirão que você compreenda o poder da poção, explorando os mistérios que esconde e removendo seus efeitos negativos.
Com essa informação, Klein lembrou de atuar e do Clube de Divinação. Ele sondou:
— As habilidades da minha poção estão relacionadas à divinação. Praticar sozinho não funcionará. Preciso entrar em contato com muitas pessoas e ler suas sortes para compreender rapidamente. Eu pretendo entrar para o Clube de Divinação depois de ter algum dinheiro sobrando, aquele na rua Howes, no Burgo Norte, para me tornar um verdadeiro Vidente
Isso não era algo que ele pudesse esconder dos Falcões Noturnos no futuro. Era melhor prepará-los.
— Sua ideia é muito parecida com a de Daly. Ela sempre dizia ser uma verdadeira Médium Espiritual. — Velho Neil balançou a cabeça e riu. — Mas por que você deve esperar até que tenha dinheiro sobrando? Você pode solicitar com Dunn para aprovar as despesas!
— Organizações como um Clube de Divinação também podem ter cultistas ou membros de organizações malignas nelas. Como um membro da equipe civil dos Falcões Noturnos e um Beyonder padrão, sua afiliação torna fácil para nós monitorá-los. Faz parte do trabalho! Gostaríamos de monitorar regularmente esses lugares, mas, como falta mão-de-obra, não podemos vigiá-los por muito tempo. Agora, você pode cuidar disso.
Eu posso fazer isso? — Ao olhar para a expressão séria de Velho Neil, Klein ficou perplexo.
Estaria fazendo um pedido de despesas para assuntos privados!
Eu não sei nada sobre tais assuntos…
Na verdade, sou apenas um sabichão de teclado…
— Você deseja usar seu próprio dinheiro para isso? — Velho Neil sorriu e acrescentou quando viu a expressão de Klein.
Klein balançou a cabeça imediatamente, respondendo com firmeza:
— Eu planejo reportar isso ao Capitão!
Velho Neil assentiu satisfeito e olhou para a xícara de café contendo a coisa desagradável, que ainda não fora jogado fora.
— O que você colocou ali?
Klein sorriu embaraçado.
— É somente a sujeira debaixo das minhas botas. Sua cor e a do pó de café parecem quase iguais.
Velho Neil ficou surpreso e de repente gritou:
— Por que você não jogou fora!?
Capítulo 41
Capítulo 41 – Audrey e Sua Susie
Depois de jogar o café fora e voltar ao arsenal para pegar a pilha grossa de materiais históricos e transcrições explicativas do Velho Neil, Klein seguiu a parede de luzes pela escada acima até a Companhia de Segurança Blackthorn.
Tap Tap Tap… Seus passos ecoaram no porão quieto e selado.
Depois que Klein deixou a escada em espiral, ele abriu a porta e observou o novo ambiente antes de se dirigir ao segundo escritório à sua frente.
Depois de se familiarizar por dois dias, ele teve uma compreensão geral do layout da Companhia de Segurança Blackthorn.
A entrada levava os visitantes a um enorme salão de recepção com sofás e mesas. Através da partição, havia uma região interna. À esquerda do corredor havia três cômodos. Do mais próximo ao mais distante, primeiramente era a sala do financeiro da sra. Orianna, depois uma sala de descanso com alguns sofás-cama, e por último, a escada que levava ao subsolo.
À direita, havia três salas. Da mais próxima à mais distante, o escritório do capitão Dunn Smith, um escritório civil com uma máquina de escrever e a sala de entretenimento para membros formais da equipe dos Falcões Noturnos.
Klein já havia visto Leonard Mitchell jogando cartas com outros dois companheiros de equipe na sala de entretenimento. Ele imaginou que eles estavam jogando Lutando contra o Senhorio. Claro, o Imperador Roselle já havia dado a ele um novo nome: Lutando contra o Mal. No entanto, o modo como era jogado era idêntico ao que Klein conhecia.
Bredt tinha direito a um dia de descanso depois de seu turno noturno. Rozanne estava na recepção. O motorista da carruagem, encarregado de suprir as necessidades e coletar suprimentos, Cesare Francis, estava fora como de costume. Quando Klein abriu a porta do escritório da equipe civil, as três escrivaninhas estavam vazias, apenas a máquina de escrever estava lá, em silêncio.
— Máquina de Escrever Modelo Akerson 1346… — Klein, que tinha visto objetos semelhantes no escritório de seu mentor e na casa de Welch, murmurou. Ele sentiu que os complicados mecanismos internos estavam cheios de beleza maquinária.
Ele caminhou até a mesa com a máquina de escrever. Depois de se preparar, tentou digitar algo no ar.
No começo, acabou convertendo muitas vezes a língua local para o chinês ‘pinyin’ instintivamente.
Tap! Tap! Tap!
Só depois de familiarizado que ele “digeriu” o fragmento de memória correspondente do Klein original e não mais cometeu erros. Sob essa melodia, Klein rapidamente digitou o pedido de despesas.
No entanto, ele não tinha pressa em encontrar Dunn Smith. Em vez disso, ele se concentrou e leu seriamente os materiais fornecidos pelo Velho Neil. Foi uma revisão, mas também havia novos materiais.
Quando já era quase meio-dia, ele esticou o pescoço e guardou os documentos. Ele então leu e consolidou o que havia aprendido sobre o misticismo pela manhã.
Só depois de tudo isso ele levou seu pedido para o escritório ao lado e bateu na porta suavemente.
Dunn estava esperando o almoço ser entregue. Quando viu Klein entregar-lhe o documento, os cantos de sua boca se curvaram.
— O Velho Neil te ensinou isso?
— Sim. — Klein não hesitou em trair Velho Neil.
Dunn pegou sua caneta vermelha escura e assinou.
— Eu estou solicitando fundos para os meses de julho, agosto e setembro da Igreja e do departamento de polícia. Eu adicionarei o seu também. Quando for aprovado, pegue o dinheiro com a Sra.
Orianna. Você pode retirar o pêndulo espiritual à tarde.
— Tudo bem — respondeu Klein com simplicidade e vigor.
Seu tom e seus olhos estavam obviamente cheios de alegria.
Antes de se despedir de Dunn, ele perguntou casualmente:
— O orçamento para julho, agosto e setembro não deve ser aplicado até junho?
Por que você está solicitando o orçamento de julho apenas em julho?
Dunn ficou em silêncio por alguns segundos antes de tomar seu café.
— Tivemos três casos em junho. Eu estava tão ocupado que me esqueci disso.
Como esperado do capitão e sua memória fraca… — Klein sabia que ele tinha perguntado algo que não deveria. Ele deu uma risada antes de sair imediatamente.
Com isso, ele começou um estilo de vida simples, mas regular. Ele gastava meia hora no início da manhã em Cogitação. Tinha duas horas de lições de misticismo pela manhã e uma hora e meia para estudar os documentos históricos. Depois do almoço, ele tirava uma rápida soneca na sala de descanso para recuperar sua energia.
Depois disso, ele retirava as balas e se dirigia ao Clube de Tiro. Depois de terminar sua prática, ele passeava até a casa de Welch, que não era longe. Ele então mudava de rota e voltava para a rua Cruz de Ferro. Dessa forma, ele podia economizar o valor do transporte. Se tivesse tempo, também praticava sua Visão Espiritual e sua Radiestesia. No caminho, ele comprava mantimentos.
Em um laboratório particular de química equipado com aparelhos e itens.
Uma Audrey alta e loira olhava para o copo em sua mão. Havia inúmeras bolhas, que proporcionavam um clima sereno.
Finalmente, o líquido no copo precipitou-se em uma substância prateada pegajosa.
— Haha, eu sou de fato talentosa em misticismo. Consegui em uma única tentativa! Eu estava preocupada em fracassar e preparei dois conjuntos de materiais! — a garota murmurou para si mesma, encantada.
Ela guardou os itens que tirou do cofre da família ou que conseguira trocar com outros. Respirando fundo, se preparou para fechar os olhos e beber a poção de Espectador.
Naquele momento, latidos soaram do lado de fora do laboratório. Audrey franziu a testa instantaneamente.
Ela escondeu o copo com líquido de prata em um canto escuro, e dirigiu-se para a porta.
— Susie, quem é? — Audrey virou a maçaneta e perguntou ao golden retriever sentado em frente à porta.
Susie abanou o rabo de uma maneira obsequiosa. Sua criada pessoal, Annie, havia aparecido no corredor ali perto.
Audrey saiu do laboratório e fechou a porta. Ela olhou para Annie e disse:
— Eu já não avisei? Não me incomode enquanto estou fazendo experimentos químicos.
— Mas há um convite da Duquesa, Duquesa Della. – Annie respondeu.
— A esposa do duque Negan? — Audrey deu alguns passos para frente e perguntou a Annie.
— Sim. Ela conseguiu contratar os serviços da padeira do palácio, Madame Vivi, e planeja convidar você e Madame para o chá da tarde — Annie contou sobre o convite.
Audrey bateu de leve em suas bochechas e disse:
— Diga à minha mãe que estou com dor de cabeça. Talvez eu esteja um pouco desidratada por causa do sol escaldante. Por favor, peça ela que expresse minhas desculpas à Madame Della.
Enquanto falava, ela agiu de maneira frágil.
— Senhorita, não é só o chá da tarde, mas um salão de literatura — acrescentou Annie.
— Mas isso não vai tratar a minha tontura. Eu preciso de descanso — rejeitou Audrey com firmeza.
Ao mesmo tempo, ela murmurou para si mesma:
Se eles insistirem, eu vou desmaiar para todos vocês verem. O professor de etiqueta disse que eu posso fazer isso de maneira perfeita… Acho que ouvi alguma coisa?
— Tudo bem — Annie exalou e disse. — Você precisa de ajuda para voltar ao quarto?
— Não há necessidade. Vou limpar o laboratório primeiro. — Audrey estava ansiosa para voltar imediatamente e consumir a poção.
No entanto, ela suprimiu sua impaciência e só voltou para a entrada do laboratório quando viu Annie sair.
De repente, ela descobriu que a golden retriever, Susie, que estava esperando do lado de fora, havia sumido. Além disso, a porta do laboratório estava meio aberta.
— Eu esqueci que a Susie pode abrir portas com alças… O que foi esse som? Não me parece coisa boa! — Audrey ouviu sons nítidos vindo de dentro. De repente, ela chegou a uma conclusão enquanto entrava no laboratório.
Tudo o que podia ver era os copos quebrados no chão. Susie estava lambendo a última gota de líquido prateado.
Audrey ficou parada na entrada como uma estátua.
Susie sentou-se imediatamente e olhou inocentemente para sua dona enquanto abanava o rabo.
Nos mares além do Porto Pritz, havia uma ilha eternamente envolta em tempestades. Um veleiro antigo estava ancorado em seu porto.
Um homem loiro vestido com uma túnica com padrões de relâmpago estava olhando para Alger Wilson à sua frente. Ele perguntou, perplexo:
— Alger, você poderia ter retornado ao reino e se tornado capitão de uma equipe do Punidores Mandatados ou um bispo respeitável. Por que você escolheu viajar pelos mares e se tornar o capitão do Justiceiro Azul?
Alger tinha uma expressão estoica em seu rosto áspero. Ele respondeu solenemente:
— O mar pertence à tempestade. Este é o Reino do Senhor. Estou disposto a cumprir a vontade do Senhor e monitorar esta área do Seu reino.
— Tudo bem. — o homem de cabelos loiros cerrou o punho e atingiu o peito. — Que a tempestade esteja com você.
— Que a tempestade esteja com você. — Alger respondeu com a mesma saudação padrão.
Ele ficou no convés com alguns marinheiros e observou seus companheiros saírem do barco, caminhando na para longe.
— Sainz, você não entende porque você não sabe o suficiente… — Alger murmurou em silêncio.
Enquanto isso, Audrey terminou de preparar sua segunda poção em um estado de pânico.
Vendo que a poção de prata não parecia nada diferente da de antes, ela quase foi levada às lágrimas.
Gulp… Ela rapidamente bebeu a poção de Espectador.
Sexta-feira. Uma tempestade assolava Tingen. A chuva pesada batia nas janelas de todos os lares.
Dentro da Companhia de Segurança Blackthorn, Klein, Rozanne e Bredt sentavam-se no sofá da recepção e desfrutavam do almoço.
Como só havia uma chaleira para ferver água, não havia maneira de esquentar as sobras. Klein não podia comer pão de centeio ou pegar a carruagem para casa todos os dias. Se fizesse isso, teria que andar da rua Cruz de Ferro até a casa de Welch à tarde e pensar em pegar uma carruagem de volta. Era um desperdício de dinheiro; portanto, ele começou a se juntar a Rozanne e seus colegas e comer as chamadas “rações de escritório”.
O Restaurante Velho Wills que ficava ali perto enviava um garçom pontualmente às dez e meia todos os dias. Ele perguntava por seus pedidos e, depois de determinar a quantidade, ele as enviava ao meio-dia e meio. A comida era contida no que se assemelhava à recipientes de marmita. Às três, ele voltava para pegar os pedidos para o jantar e pegar de volta os utensílios.
As ‘rações’ incluíam carne, legumes e pão. Embora a quantidade não fosse grande, mal era suficiente para encher uma pessoa. O custo de uma refeição variava de sete a dez centavos, dependendo dos diferentes níveis de qualidade.
Klein sempre se preparava mentalmente e pedia a refeição que custava sete centavos. Tipicamente, havia meia libra de pão de trigo, um pedacinho de carne cozida de diferentes maneiras, uma concha de sopa grossa com legumes, e pedacinhos de manteiga ou margarina.
— Nós na verdade só temos um Falcão Noturno aqui hoje… — Rozanne disse ao colocar uma colherada de sopa grossa na boca.
— Ouvi dizer que um caso com elementos cultistas está acontecendo em Golden Indus. Portanto, o departamento de polícia pediu dois Falcões Noturnos… — Bredt disse enquanto abaixava o pão.
Klein usou o restante do pão de trigo para passar no restante do caldo da carne antes de colocá-lo em sua boca. Ele não disse uma palavra.
Sob sua manga esquerda, havia uma corrente de prata com um topázio pendurado.
Naquele momento, batidas soaram do lado de fora da porta principal entreaberta.
— …Por favor entre. — Rozanne ficou surpresa ao pousar a colher. Ela rapidamente usou um lenço para limpar a boca e se levantou.
A porta foi aberta, e um homem usando uma meia cartola entrou. O ombro esquerdo de seu terno preto formal estava encharcado.
As laterais de seus cabelos eram grisalhas. Ele guardou o guardachuva e disse a Klein e companhia:
— Esse é o antigo pequeno esquadrão de mercenários?
— Pode-se dizer que sim — respondeu Rozanne como de costume.
O homem magro tossiu e disse:
— Eu tenho um pedido para uma missão.
Capítulo 42
Capítulo 42 – Mordomo Klee
Um pedido para uma missão… você provavelmente veio ao lugar errado… o letreiro desta empresa de segurança não passa de uma fachada…
Klein imediatamente reprimiu sua vontade de satirizar quando ouviu o visitante. Como desejava que nesse momento houvesse um “fórum” e uma tela para compartilhar seus pensamentos.
Mas logo percebeu que já havia feito uma pergunta semelhante. A resposta do capitão era que eles poderiam aceitar trabalhos se estivessem livres. O dinheiro ganho poderia ser usado como financiamento para a pequena conta em caixa da equipe e bônus para os participantes.
Os olhos de Rozanne se moveram rapidamente enquanto ela pensou por um momento antes de dizer:
— Nossos seguranças estão todos em missões. O mais rápido para eles voltarem é uma hora. Se o assunto não for urgente, pode considerar os nossos serviços.
Entre os seis membros formais dos Falcões Noturnos, capitão Dunn
Smith havia sido convidado para a catedral pelo bispo para alguma discussão desconhecida, então Leonard Mitchell estava guardando o Portão Chanis em seu lugar.
O Coletor de Cadáveres Frye e a Sem Sono Royale Reideen já tinham ido para o Burgo Golden Indus para ajudar a polícia na investigação de um caso de roubo com suspeita de cultistas. Sem Sono Kenley White estava de licença, enquanto a Poeta da Meia Noite Seeka Tron tinha ido ao Cemitério Raphael, no subúrbio norte, para uma patrulha diária.
Quanto aos dois Beyonders restantes, Velho Neil era frágil e avançado demais em idade; há muito tempo que ele não fazia missões, e Klein ainda era um novato e inadequado em vários aspectos.
— Estão todos fora… — com uma mão segurando seu guardachuva, a expressão do homem magro ficou sombria enquanto tirava seu chapéu. Ele se curvou e disse:
— Desculpe a intromissão. Adeus.
Ele se virou e saiu. Desceu as escadas e saiu da rua Zouteland, em meio aos respingos da chuva e ventos uivantes.
— Que pena. — Rozanne observou o homem sair e suspirou com pesar.
Embora não fosse ganhar nenhuma parte da comissão, ela definitivamente teria sido capaz de participar de uma refeição sumptuosa.
— Não há nada que possamos fazer. O Portão Chanis precisa de alguém para vigiá-lo o tempo todo. — Klein abaixou seus talheres em satisfação. Mesmo que não gostasse da mistura de sopa de nabos e legumes, ele bebeu tudo. — Não me diga que você quer que Bredt aceite a missão? Ou você?
Rozanne virou os olhos e deu uma risadinha.
— O Bredt não serve, mas você pode. Nosso senhor Vidente…
No momento em que terminou a frase, ela percebeu imediatamente o que acabara de dizer. Ela cobriu a boca em choque porque a porta não estava totalmente fechada. Se alguém passasse do lado de fora ou ouvisse algo sobre Beyonders, seria considerado um vazamento.
— Felizmente o capitão não está por perto… — Rozanne olhou pela porta e secretamente mostrou a língua. — Ou teria que confessar novamente!
Bredt e Klein riram em uníssono enquanto trocavam olhares antes de começar a arrumar os talheres.
Depois de tudo feito, Klein, que não trouxe seu guarda-chuva, decidiu ficar na Companhia de Segurança Blackthorn devido à chuva contínua.
Ele pegou alguns jornais e sentou-se no sofá macio e começou a “pausa da tarde”.
“A rota aérea de Backlund para a Baía de Desi está agora em serviço…”
“A antologia completa do Grande Detetive Manseng será publicada em breve…”
“Um anúncio para Armas Lagolas? Um revólver modelo padrão portando seis balas custa três libras e dez soli, uma arma de cano duplo custa duas libras…”
…
Klein folheou o Jornal Honesto da Cidade de Tingen quando uma notícia específica de repente chamou sua atenção.
“…o suspeito responsável por matar o Sr. Welch e a Srta. Naya foi preso. Acreditamos que é um alívio muito necessário do horror que tomou o Burgo Norte, Burgo Golden Indus e Burgo Leste… O pai de Welch, Sr. McGovern, que é um banqueiro, escoltou o cadáver de seu filho mais novo para Cidade de Constante, onde um grande enterro será realizado…”
Depois de ler algumas vezes, Klein de repente suspirou.
Pelo que parece, o pai de Welch acreditou nas explicações da polícia e não contratou um investigador particular para investigar o ocorrido.…
Sua dor de perder seu filho mais novo não pode ser maior do que a dos meus pais que perderam seu único filho… — De mau humor, Klein ficou sentado imóvel por muito tempo.
Ele não achou estranho que não fosse convidado para os enterros de Welch e Naya, nem se sentiu deprimido.
Assim que tudo se acalmar, vou encontrar uma chance de oferecer um buquê de flores para suas sepulturas... — Klein estava prestes a tirar um cochilo na sala de descanso quando ouviu novamente uma batida da porta da sala de recepção.
— Entre, por favor. — Rozanne, que estava cochilando, de repente acordou.
A porta entreaberta foi novamente aberta. O homem magro de antes entrou novamente.
— Posso esperar aqui? Seus mercenários, não… os seguranças devem voltar em breve, certo? — Ele perguntou sinceramente, tentando o seu melhor para esconder sua expressão ansiosa.
— Claro. Por favor, sente-se. — Rozanne apontou para o sofá próximo.
Klein perguntou por curiosidade:
— Onde você ficou sabendo sobre nossa empresa de segurança? Quem te apresentou aqui?
Ele fez duas viagens apesar da pesada tempestade da tarde enquanto ainda estava disposto a esperar?
Sim. Os Falcões Noturnos devem ter facilmente resolvido missões que podem parecer muito difíceis para os outros. Devem ter acumulado uma boa reputação…
O homem deixou o guarda-chuva do lado de fora da porta e, enquanto caminhava até o sofá, respondeu com um sorriso triste:
— Eu andei pelas ruas próximas e fiz uma visita a todos os mercenários, uh… empresas de segurança e investigadores particulares. Vocês são minha única esperança. Os outros não têm a mão-de-obra para aceitar missões adicionais… Para ser franco, se não fosse pelo garçom que entrega as refeições, eu realmente não imaginava que houvesse outra empresa de segurança aqui.
…É completamente diferente do que eu imaginei… — Klein ficou atordoado.
Rozanne interveio com uma pergunta:
— Eles estão muito ocupados? Há tantas missões assim?
O homem sentou-se e suspirou.
— Vocês são uma equipe de mercenários, não… uma companhia de segurança. Creio que já devem ter ouvido do homicídio de roubo armado na rua Howes?
Rua Howes… homicídio de roubo armado… Tudo bem, infelizmente, sou uma das pessoas envolvidas… — Klein assentiu com o coração um pouco pesado.
— Sim.
— Devido à presença de um criminoso feroz e cruel, os homens ricos que vivem nas ruas vizinhas, e até mesmo em toda a cidade de Tingen, estão aterrorizados. Além de aumentar sua equipe de segurança, eles também contrataram muito mais pessoal de segurança e detectives particulares. Isso resultou em uma escassez de oferta em sua linha de trabalho — explicou claramente o homem alto e magro.
Uma reação em cadeia padrão… — Klein e Rozanne trocaram olhares e viram o sorriso autodepreciativo do rosto um do outro.
O setor de segurança entrou em uma era de ouro. No entanto, a Companhia de Segurança Blackthorn não foi afetada de forma alguma. Era aparente o quão mal a empresa era administrada.
É claro que, até certo ponto, também provou o sucesso dos Falcões Noturnos em se esconderem.
Depois de esperar por mais vinte minutos, Klein se preparou para partir, já que a chuva estava chegando ao fim. Ele planeava praticar no clube de tiro.
Naquele momento, Leonard Mitchell, de cabelos negros e olhos verdes, saiu da divisória. Ele olhou curioso para o sofá.
— Este é?
— Um cliente. O Capitão já voltou? — Rozanne perguntou, animada.
— Voltou? — O homem magro ficou surpreso quando ouviu isso.
Ele estava sentado, olhando para a porta. Como é que ele não viu alguém voltando?
A expressão de Rozanne congelou imediatamente e ela riu.
— Como empresa de segurança, não usamos apenas a porta da frente.
— Entendi. — O homem magro assentiu em compreensão.
Ele também não ficou surpreso com o termo “capitão”. As empresas de segurança eram equipes mercenárias ou corporações mercenárias de pequena escala. Era normal que “capitão” fosse usado.
Leonard não ajeitou sua camisa branca. Seu colete preto também foi vestido casualmente. Ele olhou para o homem magro quando de repente estalou os dedos e disse:
— Sou membro da equipe de segurança Blackthorn. Como posso me dirigir a você? Como posso ajudá-lo?
Talvez porque ele tinha ouvido falar sobre as características desenfreadas de mercenários que não sentiu raiva de ser humilhado. Em vez disso, ele soltou um suspiro de alívio.
Ele observou Leonard se sentar e organizou suas palavras.
— Meu nome é Klee, um mordomo do Sr. Vickroy, um comerciante de tabaco. Seu único filho, o pequeno Elliott, foi sequestrado esta manhã. Já informamos a polícia e o assunto recebeu alta prioridade. No entanto, Sr. Vickroy continua preocupado. Ele deseja usar os canais que os mercenários, uh… equipes de segurança possuem, e sua compreensão de Tingen, para investigar o caso de um ângulo diferente e garantir que o pequeno Elliott seja resgatado com segurança.
— Se conseguirem descobrir onde os sequestradores estão escondidos, o Sr. Vickroy estará disposto a pagar 100 libras. Se possuir os meios para salvar o Jovem Mestre Elliott, ele está disposto a pagar o dobro. 200 libras.
Leonard Mitchell sorriu sem pressa.
— O Sr. Vickroy parece querer apenas que encontremos o esconderijo dos sequestradores? Se não, ele não pensaria que seu único filho vale 100 libras. Um comerciante de tabaco que tem laços com as plantações do Sul não ofereceria apenas 200 libras.
— Não, o Sr. Vickroy é apenas um comerciante comum, não é considerado rico. Além disso, ele acredita que a polícia será mais profissional quando se trata de resgatar seu filho — respondeu Klee francamente.
— Tudo bem. Sem problema. — Leonard estalou os dedos novamente.
Seus olhos verdes se voltaram para Rozanne.
— Minha linda senhorita, por favor, escreva um contrato.
— Não aja sempre como um poeta. Na verdade, tudo o que você faz é recitar as obras dos outros. — Tendo esquecido a presença do cliente, Rozanne brincou. Ela estava acostumada a brincar com Leonard.
Naturalmente, a Companhia de Segurança Blackthorn não se importava muito com seus clientes. Era ótimo tê-los, mas também era bom não tê-los.
Rozanne saiu do balcão da recepção e entrou no escritório da equipe. Logo, havia sons de digitação saindo do escritório.
Os cantos da boca de Klein se contorceram um pouco. Ele os achou muito pouco profissionais.
Não há um modelo padrão para um contrato!
Isso realmente é trágico…
E mais triste é o fato de que estou trabalhando em uma empresa tão pouco profissional…
No momento em que esses pensamentos surgiram, Rozanne completou um contrato simples que tinha apenas algumas cláusulas. Então, Klee e Leonard Mitchell o assinaram.
Depois que Klee o carimbou, ela aceitou o contrato e voltou para a sala de contabilidade, fazendo com que a sra. Orianna o carimbasse com o logotipo da Companhia de Segurança Blackthorn, algo que, na verdade, era inútil. Dunn costumava entregá-lo a Orianna por precaução. No domingo, seria passado para Rozanne e companhia.
— Vou esperar por suas boas notícias. — Depois de receber uma cópia do contrato, Klee se levantou e curvou-se segurando o chapéu.
Leonard não respondeu. Ele parecia estar pensando profundamente.
Ele de repente virou a cabeça para Klein e revelou um sorriso.
— Preciso de sua ajuda.
— Ah? — Klein ficou surpreso.
— Quero dizer que você e eu podemos completar esta missão juntos. — Os cantos da boca de Leonard se curvaram ligeiramente enquanto ele explicava:
— Sou bom em combate, tiro, escalar, percepção e recitar poemas, e também em alguns papéis de suporte. Mas nada disso inclui procurar por pessoas. Você não espera que o Velho Neil saia em tal tempo, certo?
Quando ele disse “percepção”, sua voz se reduziu para um murmúrio que Klein mal pôde ouvir.
— Tudo bem. — Klein teve vontade de tentar suas novas “habilidades”, enquanto também se sentia um pouco cauteloso em relação a Leonard Mitchell.
Ufa. Vamos torcer para que seja completada com sucesso… Eu me pergunto o quão úteis serão minhas habilidades de Vidente… — Ele se tentou imaginar em antecipação.
Capítulo 43
Capítulo 43 – Procura
Enquanto olhava para Klein, Leonard sorriu e assentiu.
— Então, você precisa de alguma coisa dele?
Ele havia cooperado com o Velho Neil e companhia inúmeras vezes, então naturalmente sabia que a divinação requeria um meio, especialmente quando a pessoa a ser divinada não estava presente. Klein pensou por um momento antes de dizer a Klee:
— Eu preciso de algumas roupas que Elliott tenha usado recentemente, e que não foram lavadas ou engomadas. Seria melhor se você tivesse algum acessório que ele costumava usar também.
Ele tentou escolher meios de divinação comuns, não algo que normalmente levantaria suspeitas.
Mesmo assim, Klee ficou perplexo.
— Por quê?
Após a pergunta, ele acrescentou:
— Eu tenho uma foto do Jovem Mestre Elliott comigo.
Por quê? Porque estamos divinando sua localização… — Klein estava momentaneamente sem resposta.
Se ele respondesse com sinceridade, ignorando o fato de que estaria violando a cláusula de confidencialidade, Klee provavelmente iria sair imediatamente e rasgar o contrato enquanto xingava, “Esse bando de trapaceiros! Se isso funciona, por que não encontro o mais famoso médium no condado de Awwa!”
Ao lado, Leonard Mitchell riu e disse:
— Sr. Klee, meu parceiro, hmm, colega, cria um animal de estimação único. Seu olfato é mais aguçado do que o de um cão de caça. É por isso que precisamos de roupas que o pequeno Elliott usava e acessórios que ele costumava carregar consigo para nos ajudar a encontrá-lo. Como você sabe, as pistas geralmente levam à uma região geral.
— Quanto a foto, precisaríamos também. Nós dois precisamos saber como o pequeno Elliott se parece.
Klee concordou com o motivo balançando a cabeça lentamente.
— Você ficará esperando aqui, ou irá comigo para a residência da cidade do Sr. Vickroy?
— Vamos juntos. Isso economiza tempo — respondeu Klein simplesmente.
Ele não só estava ansioso para experimentar suas habilidades como um Beyonder, como também queria salvar a criança.
— Tudo bem, a carruagem está lá embaixo. — Enquanto Klee falava, ele pegou uma fotografia em preto e branco e entregou a Leonard. Era uma foto de Elliott Vickroy, sozinho. Ele tinha cerca de dez anos de idade, com cabelo um tanto quanto longo que quase cobria seus olhos. Havia sardas em seu rosto e ele não parecia ser do tipo que chamava atenção.
Leonard deu uma olhada na foto e a entregou a Klein.
Klein a olhou atentamente e colocou a fotografia no bolso. Depois ele pegou sua bengala e colocou sua cartola. Seguindo os dois, Klein saiu da Companhia de Segurança Blackthorn e entrou na carruagem.
O interior da carruagem era bastante espaçoso, havia uma pequena mesa para colocar suas coisas e o piso era forrado com tapete grosso.
Como Klee estava por perto, Klein e Leonard não disseram uma palavra. Eles calmamente apreciaram a experiência de percorrer as estradas centrais em uma carruagem.
— O motorista da carruagem é muito bom. — Leonard quebrou o silêncio depois de algum tempo com um elogio e um sorriso.
— Sim. — respondeu Klein superficialmente.
Klee forçou um sorriso e disse:
— Seus elogios são sua honra. Nós chegaremos logo…
Como eles estavam com medo de alertar os sequestradores, a carruagem não parou na residência dos Vickroy. Em vez disso, parou ao lado de uma rua próxima.
Klee segurou um guarda-chuva e voltou para a casa. Depois de esperar por algum tempo, Leonard falou com Klein novamente.
— Minha suposição na última vez não foi sem um objetivo. Eu estava apenas tentando te dizer que o caderno definitivamente aparecerá outra vez. Talvez em breve.
— Aquilo realmente não foi uma suposição feliz. — Klein usou o queixo para apontar para o motorista do lado de fora, indicando que ele não queria discutir esse tipo de assunto com estranhos ao redor.
Leonard assobiou e virou a cabeça para olhar pela janela. Ele viu gotas de chuva se espalharem pelo vidro, deixando marcas embaçadas. Elas transformavam o mundo de fora em um borrão por completo.
Depois de algum tempo, Klee voltou carregando uma sacola com os objetos. Como ele andou depressa, a barra de sua calça estava suja e a parte de frente da camisa estava um pouco molhada.
— Estas são as roupas que o Jovem Mestre Elliot usou ontem, e este é o Amuleto da Tempestade que ele costumava usar.
Klein pegou e olhou para ele, e descobriu que era um terno formal em miniatura: uma camisa pequena, colete, gravata borboleta, etc. E o Amuleto da Tempestade era feito de bronze, esculpido com símbolos representando ventos e ondas do mar, mas não provocavam a percepção de Klein.
— Eu vou contar em detalhes os incidentes que levaram ao sequestro do jovem mestre Elliott. Com sorte, vai fazer com que vocês o encontrem mais facilmente… — Klee sentou-se e descreveu o pesadelo que aconteceu de manhã, esperando que os ajudantes, que ele passou por grandes problemas para contratar, seriam de ajuda.
Klein e Leonard não tinham interesse nos detalhes. Tudo o que importavam era o número de sequestradores, se algo incomum tivesse acontecido, ou se eles tivessem portando qualquer tipo de arma.
“Três”, “normal”, “armado com armas de fogo”…, depois de obter as informações desejadas, despediram-se de Klee e contrataram uma carruagem de duas rodas.
Ao contrário das carruagens públicas, as carruagens privadas tinham quatro ou duas rodas e cobravam por tempo ou distância. O último cobrava quatro centavos por quilômetro na cidade, e oito centavos o quilômetro fora do centro. O anterior custava dois soli por hora ou parte disso. Após a primeira hora, havia o custo adicional de seis centavos a cada quinze minutos. Em tempo rigoroso ou se o cliente precisasse ir mais rápido, a tarifa poderia ser ainda maior. Klein tinha ouvido de Azik que na capital, Backlund, esses motoristas de carruagens eram famosos por cobrar valores exorbitantes.
Para ele, pegar uma carruagem particular era um luxo e tanto. No entanto, ele não precisava se preocupar com isso no momento, já que Leonard tinha jogado duas notas de um soli para o motorista.
— Cobre por tempo — depois que Leonard deu suas instruções, ele fechou a porta da carruagem.
— Onde você vai? — O motorista da carruagem ficou encantado e intrigado enquanto segurava as duas notas.
— Espere um momento. — Leonard olhou para Klein.
Klein assentiu levemente e pegou as roupas de Elliott. Espalhou-as no piso da carruagem e, em seguida, enrolou o Amuleto da Tempestade em torno do cabo de sua bengala.
Segurando a bengala preta incrustada de prata e suspendendo-a na vertical sobre as roupas de Elliott, ele reuniu as esferas de luz em sua mente enquanto seus pensamentos rapidamente pararam. Seus olhos castanhos rapidamente se tornaram mais profundos quando ele entrou em um estado de meia-Cogitação.
Ele sentiu o “espírito” de seu corpo ficar leve, vagamente vendo o mundo dos espíritos por todo o lugar. Ele silenciosamente disse:
— A localização de Elliott.
Depois de repetir sete vezes, soltou a bengala preta, mas ela não caiu no chão. Ela permaneceu em pé na frente dele mesmo com a carruagem balançando!
Mínimos, mas invisíveis movimentos aconteceram em torno de Klein e ele sentiu como se pares de olhos estivessem olhando para ele.
Nos últimos dias, Klein sentiu essa sensação ocasionalmente quando estava no estado de Cogitação ou Visão Espiritual.
Com um pouco de medo, ele olhou para a bengala com seus profundos olhos negros e recitou mais uma vez em seu coração, “a localização de Elliott”, “a localização de Elliott”.
Depois que terminou de dizer isso, a bengala caiu e apontou para a frente.
— Em linha reta. — Klein segurou a bengala e disse em uma voz profunda.
Sua voz soava um pouco etérea como se pudesse penetrar no desconhecido mundo.
Essa era uma das habilidades de divinação que ele havia aprendido. Era chamada de “Bastão Radiestésico de Procura”. A ferramenta de escolha tinha que ser de madeira, metálica ou de uma mistura de ambos.
Em circunstâncias normais, ele precisaria de duas varetas próprias. Varetas de radiestesia tinham a forma de dois fios de metal retos grudados a uma ponta. Ele seguraria no lado mais curto e giraria para determinar a direção correta. Mas sendo um Vidente, Klein percebeu que através da prática, poderia procurar pessoas diretamente usando este método, como também poderia usar sua bengala como um substituto para as varas radiestésicas. A direção em que a bengala caísse seria a direção do objeto que estava procurando.
Quanto ao caderno da família Antígonus, Klein não conseguia se lembrar de nada. Sem a menor impressão, não havia como encontrá-lo.
— Siga em frente. — Leonard instruiu o motorista da carruagem em voz alta. — Nós diremos a você quando houver a necessidade de virar.
O motorista da carruagem não entendeu por que isso era necessário, mas as notas em seu bolso e a disposição de seus passageiros para entregar o dinheiro manteve-o quieto. Ele escolheu seguir as instruções estranhas.
A carruagem prosseguiu devagar, passando por uma rua após a outra.
No meio do caminho, Klein usava a técnica do Bastão Radiestésico de Procura, buscando corrigir a direção da carruagem.
Depois que a carruagem circulou por completo um prédio, ele finalmente determinou que Elliott estava dentro. Fazia apenas trinta minutos desde que se despediram de Klee.
Depois de usar a bengala, Klein não continuou usando as roupas de Elliott. Em vez disso, colocou a bengala, entrelaçada com o Amuleto das Tempestades, diretamente no chão.
Seus olhos ficaram escuros mais uma vez quando as gotas de chuva ao seu redor de repente giraram no lugar.
A bengala caiu para a frente com uma inclinação. Klein apontou para a escada e disse:
— Lá.
— Às vezes, eu realmente tenho inveja do Velho Neil. Da mesma forma, eu invejo você agora — ao ver esta cena, Leonard sorriu com um suspiro.
Klein lançou-lhe um olhar e respondeu com um tom calmo:
— Isso não é nada difícil. Se você está disposto a aprender, definitivamente seria capaz de dominar essa técnica… A sua perceptividade deve ser muito alta, certo?
Leonard assentiu e riu.
— Isso não é algo bom. — Ele acelerou o passo e entrou no prédio em meio à chuva.
Klein estava com medo de encharcar seu traje formal, então ele correu para entrar. O prédio só tinha três andares. Era semelhante a um bloco de apartamentos da Terra.
A entrada de cada andar ficava ao longo do lance de escadas. Havia apenas dois apartamentos por andar. Klein usou Bastão Radiestésico de Procura no primeiro e segundo andar, mas a bengala permaneceu imóvel enquanto apontava para cima.
Os dois acalmaram seus passos e chegaram ao terceiro andar. Klein mais uma vez colocou a bengala preta no chão.
Whoosh!
Uma brisa soprou pelas escadas enquanto suas pupilas mudavam de cor. A escuridão parecia que poderia sugar as almas das pessoas.
Whoosh! Whoosh! Whoosh!
Soluços pareciam soar ao redor deles.
Klein relaxou a palma da mão enquanto a bengala com o Amuleto das Tempestades entrelaçado magicamente ficou na vertical.
Ele silenciosamente recitou “localização de Elliott” novamente, e assistiu enquanto sua bengala silenciosamente caiu e apontou para o quarto certo.
— Eles devem estar lá. — Enquanto Klein pegava sua bengala, tocou sua glabela duas vezes.
Várias cores saturaram quando ele olhou para a sala certa. Ele viu todos os tipos de auras dentro.
— Um, dois, três, quatro… Três sequestradores e um refém. Os números batem… Uma de suas auras é curta. É provável que seja Elliott… o Sr. Klee disse que eles têm dois rifles de caça e um revólver… — Klein sussurrou.
Leonard riu.
— Deixe-me recitar um poema para eles.
— Por que ser um sequestrador? Por que você não pode simplesmente ser uma pessoa feliz e civilizada?
Ele largou a sacola com as roupas de Elliott e deu dois passos para frente. Sua expressão de repente se tornou serena e melancólica.
Sua voz magnética e profunda soou gradualmente.
— Oh, a ameaça de horror, a esperança de choros carmesim!
— Pelo menos uma coisa é certa, que esta Vida voa;
— Uma coisa é certa, e o resto são mentiras;
— A flor que uma vez floresceu, sempre morre…
Capítulo 44
Capítulo 44 – Destino
O canto de Leonard soou como uma canção de ninar, enquanto ressoava levemente pelas portas e entrava na sinuosa escada de madeira.
A mente de Klein ficou imediatamente entorpecida. Ele sentiu como se visse um luar silencioso e um sereno lago ondulante.
Suas pálpebras rapidamente ficaram pesadas, como se ele estivesse prestes a adormecer de pé.
Em meio a essas sensações indistintas, ele também sentiu um olhar estranho, sem forma e indiferente nas costas. Parecia que ele estava vagando pelo mundo espiritual.
Uma sensação desconcertante de déjà vu inundou Klein enquanto ele de repente encontrou sua linha de pensamento mais uma vez. Com sua forte percepção espiritual e extrema familiaridade com Cogitação, ele mal escapou da influência do Poema da Meia Noite.
No entanto, ele permaneceu sereno e mal conseguia evocar qualquer emoção.
Logo, Leonard parou de cantar e virou a cabeça com um sorriso.
— Estou pensando em pedir permissão ao capitão para pedir um alaúde de Feynapotter. Como não pode haver um acompanhamento ao cantar?
— Heh heh, eu estou brincando. Eu já posso ouvi-los dormindo.
O Falcão Noturno de olhos verdes e cabelos negros, com sua vibração poética, deu um passo à frente e caminhou até a porta que os separava dos sequestradores e do refém.
De repente, ele moveu o ombro e deu um soco na fechadura da porta.
Crack!
A tábua de madeira ao redor da fechadura estilhaçou-se de maneira abafada.
— Isso requer controle preciso. — Leonard virou a cabeça e sorriu. Ele então enfiou a mão pelo buraco e abriu a porta.
Klein, que havia recuperado a consciência, não estava tão confiante quanto Leonard. Ele enfiou a mão debaixo da axila, sacou o revólver e girou o cilindro, certificando-se de que poderia atirar a qualquer momento.
Quando a porta se abriu, ele viu um homem dormindo em uma mesa, com uma arma a seus pés. Outro homem estava esfregando seus olhos, atordoado, enquanto tentava se levantar.
Bam!
Leonard deslizou para a frente e atingiu o quase desperto sequestrador inconsciente.
Klein também planejou entrar quando de repente sentiu algo. Ele se virou abruptamente e encarou a escada.
Tap. Tap. Tap. Passos se aproximavam de baixo. Ficou claro que esse “algo” era um homem sem chapéu, com um casaco marrom circulando a escada em direção ao terceiro andar, enquanto abraçava um saco de papel.
De repente, ele parou. Ele viu o cano de uma arma apontando para ele com um brilho metálico.
Suas pupilas refletiam um jovem usando uma meia cartola e um terno formal preto com uma gravata borboleta da mesma cor. Também refletia a bengala que repousava ao longo do corrimão e o perigoso revólver.
— Não se mexa. Levante as mãos. Três, dois, um… — o tom de Klein era profundo, mas relaxado.
Ele segurou o revólver com as duas mãos enquanto tentava imaginar o homem como alvo de sua prática.
No meio da atmosfera tensa, o homem de casaco marrom soltou o saco de pão e, lentamente, levantou as mãos.
— Senhor, isso é uma espécie de piada? Houve algum malentendido? — ele olhou fixamente para o dedo que Klein colocou no gatilho enquanto forçava um sorriso.
Klein estava incapaz de determinar se ele era cúmplice ou vizinho no momento, mas ele não revelou nenhuma anormalidade. Ele disse em voz profunda:
— Não tente resistir. Alguém vai determinar se é um mal-entendido daqui a pouco.
Naquele momento, Leonard, que terminara de lidar com os sequestradores, saiu e notou o homem na escada. Ele disse vagarosamente:
— Então os sequestradores têm outro cúmplice responsável por comprar e entregar comida?
Ao ouvir isso, as pupilas do homem se contraíram e de repente ele levantou o pé e chutou o saco de pão para tentar bloquear a visão de Klein.
Aparentemente não afetado, Klein friamente puxou o gatilho como fazia em seu treinamento habitual.
Bang!
Sangue jorrou do ombro esquerdo do homem.
Ele caiu no chão e tentou escapar do segundo andar; no entanto, Leonard já havia alcançado a mão em direção ao corrimão antes de se alavancar para pular.
Com um baque surdo, Leonard caiu em cima do homem.
O homem desmaiou enquanto Leonard limpava um pouco do sangue que havia respingado nele; ele então olhou para Klein e riu.
— Bom tiro.
Eu estava tentando acertar suas pernas… — o canto da boca de Klein se contraiu de uma maneira indiscernível quando sentiu o cheiro de sangue.
Ele descobriu que, apesar de não ter quaisquer melhorias em seus sentidos visual, auditivo ou tátil depois de consumir a poção Vidente, ele ainda podia “ver” objetos obstruídos e “ouvir” passos leves, permitindo que tivesse um julgamento preventivo.
Isso estava no escopo da percepção espiritual? — Klein assentiu em pensamento enquanto observava Leonard encontrar uma adaga afiada no cúmplice e “arrastá-lo” para o quarto.
Com uma arma e uma bengala em cada mão, Klein entrou no quarto do sequestrador. Eles viram Elliott Vickroy totalmente desperto pelo tiro enquanto endireitava o corpo e sentava lentamente de uma posição encolhida.
Leonard havia amarrado firmemente os três sequestradores com a corda que usaram contra Elliott. Juntos, eles foram jogados em um canto. A falta de corda foi compensada por pedaços de suas roupas.
O homem inconsciente que havia sido baleado no ombro estava enfaixado, mas Leonard desdenhava sujar as mãos, então ele não o ajudou a extrair a bala.
— Qu-quem são vocês? — Elliott gaguejou de prazer quando viu a cena diante dele.
— Sim, você adivinhou certo. Muito preciso. — O poético Leonard respondeu casualmente.
Eu nunca esperei que esse maldito tivesse algumas células de humor nele… — Klein abaixou o revólver e disse a Elliott:
— Somos mercenários contratados por seu pai. Você também pode nos chamar de equipe de segurança.
— Ufa, de verdade? Eu fui salvo? — Elliott disse alegremente sem ousar se mover.
Era evidente que ele havia sofrido bastante nas poucas horas sendo a vítima do sequestro. Ele não tinha o tipo de imprudência que alguém de sua idade normalmente teria.
Leonard levantou-se e disse a Klein:
— Desça e encontre alguns policiais em patrulha. Peça que informem ao comerciante de tabaco. Eu não quero sair com uma criança e quatro idiotas como um sequestrador.
Klein, que estava se perguntando sobre as consequências, assentiu. Ele guardou o revólver, pegou a bengala e caminhou até a escada.
Enquanto descia as escadas, ele teve a sensação incômoda de que havia esquecido alguma coisa. Além disso, ouviu Leonard dizer a
Elliott:
— Não fique nervoso. Você logo verá seu pai, mãe e seu velho mordomo, Klee. Por que não jogamos uma rodada de Quint?
…
Klein reprimiu a risada e saiu para as ruas. Com a ajuda dos pedestres, ele encontrou dois policiais de patrulha.
Ele não usou seu crachá e identificação do Departamento de Operações Especiais; em vez disso, usou sua identidade como funcionário de uma empresa de segurança profissional e relatou os acontecimentos de maneira factual.
Quanto a estar segurando uma arma, ele não estava nem um pouco preocupado, pois havia recebido um certificado de uso de armas para todos os propósitos anteontem. Sua aplicação foi acelerada, passando por contatos internos.
Os dois policiais trocaram olhares e um deles saiu para reunir reforços e informar a família Vickroy. O outro policial seguiu Klein até o quarto dos sequestradores.
Depois de esperar por mais de quarenta minutos, Leonard fez um sinal para Klein enquanto o policial não estava prestando atenção. Era para Klein ‘escapar’ do quarto com ele.
— Confie em mim, ir para a delegacia de polícia é uma extrema perda de tempo. Vamos indo na frente — o Falcão Noturno com o porte poético explicou com um olhar relaxado.
Como Leonard deixou claro que assumiria qualquer responsabilidade por qualquer repercussão, Klein não retrucou e o seguiu.
Quase cinco minutos depois, algumas carruagens correram para o prédio onde estavam os sequestradores. O velho mordomo, Klee, desembarcou com seu mestre corpulento, Vickroy.
Até esse momento, ele ainda estava atordoado. Ele achou incrédulo que as notícias chegariam tão rapidamente. Parecia um sonho.
De repente, ele ouviu um estalo nítido e se virou.
Uma carruagem de duas rodas passou por ele com as janelas abertas. Leonard, de cabelos negros e olhos verdes, havia estalado os dedos novamente.
Depois de passar pela carruagem de Vickroy, Leonard fechou a janela, virou-se e olhou para Klein.
Ele estendeu a mão direita e sorriu.
— Foi um prazer trabalhar com você!
Eu não acho que estamos em bons termos… — Klein balançou a cabeça educadamente.
Ele não esperava que o caso de sequestro fosse resolvido tão rapidamente. Tudo o que ele pôde fazer foi maravilhar-se com as capacidades dos Beyonders. Mesmo que ele fosse apenas um Beyonder meia-boca de Sequência 9, foi capaz de fazer muitas coisas inconcebíveis.
— Este é um gesto comemorativo de paz entre os aristocratas depois de um choque de espadas — explicou Leonard com um sorriso.
— Eu sei. — Klein tinha muitos colegas de classe aristocrática.
Ele olhou para fora da janela e disse com uma carranca:
— Não deveríamos confirmar com o Sr. Klee? Se ele acreditar que a polícia resgatou Elliott, nossa comissão será reduzida pela metade.
Um total de 100 libras!
Não havia dúvidas sobre o fornecimento da localização dos sequestradores a partir de sua “reunião” de antes.
— Não se preocupe. Para nós, o dinheiro não é tão importante — disse Leonard dando de ombros.
… É muito importante para mim!
Klein forçou um sorriso educado e disse:
— Muitos poetas morreram cedo por pobreza.
Leonard riu.
— Acredito que Elliott não mentiria sobre este assunto. Eu posso dizer que ainda há alguma inocência nele. No entanto, você não receberá muito da comissão de 200 libras.
— Quanto eu ganharia? — perguntou Klein imediatamente.
— Como a regra tácita sempre foi, metade da comissão seria entregue à Sra. Orianna como financiamento adicional para a equipe. O restante seria dividido entre os membros. Uma pena que você não seja um membro formal; você só receberá cerca de dez por cento da metade restante.
10 libras? Isso também não é nada ruim… — Klein fingiu sentir o aperto quando perguntou:
— Você não está preocupado que os sequestradores podem perceber que estavam sob a influência dos poderes de um Beyonder depois que acordarem?
— Eles não suspeitarão de nada. Eles só vão acreditar que o tempo estava bom e muito propício para dormir, levando-os a cochilar. Eles vão até acreditar que a música existia apenas em seus sonhos. Isso é algo que já verificamos antes — respondeu Leonard com muita confiança. — Em vez disso, são suas balas anti-demônio que podem despertar suspeitas. Claro, você sendo um estranho que gosta de misticismo seria uma explicação perfeitamente razoável.
— Entendo. — Klein ficou aliviado. Ele apenas tinha a sensação de que havia esquecido ou deixado passar alguma coisa.
Depois de voltar para a rua Zouteland, Klein não esperou a chegada de Klee. Ele caminhou até a casa de Welch e tomou um caminho diferente para casa. No caminho, ele comprou um pouco de carne e azeitonas para o jantar.
A refeição foi agradável, como sempre, com os mesmos três irmãos conversando à toa. No entanto, houve um visitante adicional.
Ele era um trabalhador responsável por coletar um centavo para o medidor de gás.
A noite estava escura quando os irmãos se despediram e voltaram para seus quartos.
Klein estava dormindo profundamente quando de repente foi acordado por algo familiar do lado de fora. Ele abriu a porta, intrigado, e parou do lado de fora do quarto em que ninguém ficava.
Ele empurrou a porta manchada e viu uma mesa cinza.
Havia um caderno na mesa e sua capa era de papel duro. Era completamente preto.
Uma sensação desconcertante de déjà vu surgiu nele quando se aproximou e abriu o caderno.
A página que ele abriu foi de uma foto, uma foto de alguém vestido com roupas lindas e usando um cocar esplêndido – O Louco!
Abaixo do Louco estava uma linha escrita em Hermes.
— Todos vão morrer, inclusive eu.
Horror agarrou o coração de Klein quando ele de repente percebeu que o canto da boca do Louco estava se curvando!
Fffffff!
Ele sentou-se em choque quando viu o luar carmesim penetrar pelas cortinas. Vendo sua estante de livros e sua mesa e a silhueta de seu próprio quarto, percebeu que teve um pesadelo.
Como Vidente, sabia o que os sonhos costumavam representar. Portanto, ele começou a procurar seriamente através de suas memórias.
Klein congelou quando o fez, porque sabia o que tinha deixado passar hoje!
Enquanto estava imerso no canto de Leonard, ele sentiu um foco sem forma e indiferente em suas costas.
A sensação de ser observado parecia diferente da habitual
Cogitação ou da experiência que ele tinha ao usar a Visão Espiritual. Foi isso que deu a ele uma sensação de déjà vu!
De acordo com o capitão Dunn, uma vez que um sentimento de déjà vu surgir, provavelmente significaria…
De repente, Klein sentou-se e confirmou o sentimento.
Sim, é o caderno! O caderno da família Antigonus!
Capítulo 45
Capítulo 45 – Retornando
O caderno Antigonus está no apartamento em frente ao dos sequestradores!
Embora tenha sido coincidência, Klein acreditava que sua intuição estava correta.
Ele imediatamente saiu da cama e rapidamente trocou as roupas velhas que normalmente usava para dormir, pegou uma camisa branca ao seu lado e colocou-a, rapidamente abotoando de cima para baixo.
Um, dois, três… De repente, ele percebeu que estava “trocando” os botões. Os lados esquerdo e direito não pareciam coincidir.
Olhando com cuidado, Klein percebeu que havia errado a casa do primeiro botão, fazendo com que a camisa entortasse.
Ele balançou a cabeça, impotente, antes de respirar fundo e expirar lentamente, usando algumas de suas técnicas de Cogitação para restaurar sua calma.
Depois de colocar a camisa branca e a calça preta, ele mal conseguiu colocar o coldre da axila com firmeza. Ele puxou o revólver que escondeu debaixo de seu travesseiro macio e colocou no coldre.
Sem tempo para colocar uma gravata borboleta, vestiu seu terno formal e com um chapéu e uma bengala em cada mão, ele caminhou até a porta. Depois de colocar sua meia cartola, Klein gentilmente girou a maçaneta e entrou no corredor.
Ele fechou cuidadosamente a porta de madeira do quarto e desceu as escadas como um ladrão, então usou uma caneta-tinteiro e papel na sala de estar para deixar um bilhete, informando seus irmãos que havia se esquecido de mencionar que precisava chegar cedo ao trabalho hoje.
No momento em que saiu pela porta, Klein sentiu uma brisa fresca e todo o seu ser se acalmou.
A rua à sua frente estava escura e silenciosa, sem nenhum pedestre. Apenas as lâmpadas a gás iluminavam as ruas.
Klein pegou o relógio de bolso e o abriu. Eram apenas seis da manhã e o luar carmesim ainda não havia desaparecido por completo. No entanto, havia um tom do nascer do sol no horizonte.
Ele estava prestes a procurar uma carruagem cara de aluguel quando viu uma carruagem sem trilhos de dois cavalos e quatro rodas aproximando-se dele.
— Há carruagens públicas no início da manhã? — Klein ficou perplexo enquanto andava e acenou para que parasse.
— Bom dia senhor — o motorista da carruagem parou os cavalos habilmente.
O cobrador ao lado dele tinha a mão na boca enquanto bocejava.
— Para a rua Zouteland. — Klein tirou dois centavos do bolso e quatro meio centavos.
— Quatro centavos — respondeu o cobrador sem qualquer hesitação.
Depois de pagar a viagem, Klein entrou na carruagem, que estava vazia. Ela exalava uma clara solidão em meio à noite escura.
— Você é o primeiro — disse o motorista da carruagem com um sorriso.
Os dois cavalos marrons aumentaram os passos enquanto avançavam rapidamente.
— Para ser honesto, nunca imaginei que houvesse uma carruagem pública tão cedo de manhã. — Klein sentou-se perto do motorista e fez conversa fiada para desviar sua atenção e relaxar sua mente tensa.
O motorista da carruagem disse de uma maneira autodepreciativa: — Das seis da manhã às nove da noite, mas tudo que ganho é uma libra por semana.
— Não há pausas? — perguntou Klein, intrigado.
— Nós temos turnos para descansar uma vez por semana — o tom do motorista da carruagem ficou pesado.
O cobrador ao seu lado acrescentou:
— Somos responsáveis por dirigir pelas ruas das seis às onze da manhã. Depois disso, almoçamos e descansamos à tarde. Perto da hora do jantar, às seis horas da noite, substituímos nossos colegas… Mesmo que não precisemos de descanso, os dois cavalos precisam.
— Era bem diferente antigamente. Houve um acidente que não deveria ter acontecido. Devido à fadiga, um motorista de carruagem perdeu o controle e ela tombou. E isso resultou em nossos turnos… Senão aqueles sanguessugas nunca seriam gentis dessa maneira tão de repente! — O motorista da carruagem zombou.
Sob a iluminação do amanhecer, a carruagem dirigiu-se para a rua Zouteland e pegou sete a oito passageiros no caminho.
Depois que Klein ficou menos tenso, ele não conversou mais; fechou os olhos e recordou as experiências de ontem, esperando perceber se havia esquecido alguma coisa.
Quando o céu já estava claro e o sol completamente à vista, a carruagem finalmente chegou à rua Zouteland.
Klein apertou o chapéu com a mão esquerda e pulou bruscamente da carruagem.
Ele rapidamente entrou na rua Zouteland, número 36, e chegou à Companhia de Segurança Blackthorn depois de subir o lance de escadas.
A porta estava fechada e ainda tinha que ser aberta.
Klein tirou o molho de chaves da cintura e encontrou a chave de latão correspondente, introduziu-a no buraco da fechadura e a virou.
Ele a empurrou para frente e a porta lentamente se abriu. Ele viu Leonard Mitchell, de cabelo preto e olhos verdes, fumando um cigarro recentemente popular.
— Para ser honesto, eu prefiro charutos… Você parece estar com pressa? — O Falcão Noturno que parecia um poeta perguntou de maneira relaxada e acolhedora.
— Onde está o capitão? — perguntou Klein em vez de responder.
Leonard apontou para a divisória.
— Ele está no escritório. Como um Sem Sono avançado, ele só precisa de duas horas de sono durante o dia. Eu acredito que é a poção que os donos de fábricas ou banqueiros mais gostariam.
Klein assentiu e passou rapidamente pela divisória. Ele viu que Dunn Smith havia aberto a porta do escritório e estava em pé na entrada.
— Qual é o problema? — Vestido em seu blusão preto, ele segurava uma bengala incrustada de ouro com uma expressão solene e séria.
— A sensação de déjà vu veio para mim. Deve ser o Caderno, o caderno da família Antigonus. — Klein esforçou-se para tornar sua resposta clara e lógica.
— Onde foi isso? — A expressão de Dunn Smith não teve nenhuma mudança óbvia.
No entanto, a intuição de Klein lhe disse que uma tênue e invisível agitação havia ocorrido nele. Este foi possivelmente um lampejo de seu espírito ou uma mudança em suas emoções.
— É no lugar onde Leonard e eu salvamos o refém ontem. Em frente ao quarto dos sequestradores. Eu não percebi isso até que tive um sonho e recebi uma revelação — Klein não escondeu nada.
— Pelo que parece, perdi de fazer grandes contribuições. —
Leonard, que foi até a divisória, riu.
Dunn acenou com a cabeça levemente enquanto ele instruía com uma expressão solene:
— Faça Kenley substituir o turno no arsenal do Velho Neil. Deixe que o Velho Neil e Frye venham conosco.
Leonard parou de agir frívolo e imediatamente informou Kenley e Frye, que estavam na sala de recreação dos Falcões Noturnos. Um deles era um Sem Sono e o outro era um Coletor de Cadáveres.
Cinco minutos depois, a carruagem de duas rodas que estava sob a jurisdição dos Falcões Noturnos começou a andar pelas esparsas ruas pela manhã.
Leonard usava um chapéu de penas, uma camisa e um colete. Ele era o motorista da carruagem, chicoteando o cavalo de vez em quando, com um estalo nítido.
Dentro da carruagem, Klein e o Velho Neil estavam sentados em um lado. À frente deles estavam Dunn Smith e Frye.
A pele do Coletor de Cadáveres era tão branca que parecia que não ficava sob o sol há muito tempo ou que ele tinha uma grave deficiência de sangue. Ele parecia estar em seus trinta anos, com cabelos negros e olhos azuis, seu nariz tinha uma ponte alta e seus lábios eram bem finos. Ele tinha um comportamento frio e escuro e um leve cheiro por muitas vezes tocar os cadáveres.
— Repita a situação novamente em detalhes. — Dunn ajustou o colarinho de seu blusão preto.
Klein acariciou o topázio pendurado em sua manga enquanto começava do pedido da missão até seu sonho. Ao lado, o Velho Neil riu.
— Seu destino parece estar entrelaçado com o caderno da família Antigonus. Eu nunca esperei que você o encontrasse dessa maneira.
Realmente. Não é muita coincidência? Felizmente, Leonard acabou de mencionar que não havia indicação de grupos ocultos de poderes misteriosos em jogo nas investigações preliminares do sequestro de Elliott. Foi apenas um crime motivado por dinheiro. Caso contrário, eu realmente suspeitaria que alguém tivesse deliberadamente providenciado para que isso acontecesse… — Klein achou a situação bastante curiosa.
Era muita coincidência!
Dunn não expressou suas ideias enquanto pensava profundamente. Da mesma forma, o Coletor de Cadáveres, Frye, manteve seu silêncio em seu blusão preto.
O silêncio somente foi quebrado quando a carruagem parou no prédio mencionado por Klein.
— Vamos subir. Klein, você e o Velho Neil andem atrás. Tenha cuidado, muito cuidado. — Dunn saiu da carruagem, pegou um revólver estranho com um barril claramente longo e grosso e o colocou no bolso direito.
— Tudo bem. — Klein não se atreveu a assumir o comando.
Depois que Leonard encontrou alguém para vigiar a carruagem, os cinco Beyonders entraram ordenadamente no prédio. Com passos muito leves, chegaram ao terceiro andar.
— É este o lugar? — Leonard apontou para o apartamento em frente ao dos sequestradores.
Klein tocou sua glabela duas vezes e ativou sua Visão Espiritual.
Nesse estado, sua percepção espiritual foi ampliada novamente. Ele achou a porta familiar como se já tivesse entrado antes.
— Sim. — Ele assentiu em afirmação.
Velho Neil também ativou sua percepção espiritual e depois de observar cuidadosamente, disse:
— Não há ninguém dentro, nem há qualquer brilho espiritual de magia.
O Coletor de Cadáveres, Frye, acrescentou com sua voz rouca:
— Não há espíritos malignos.
Ele podia ver muitos corpos espirituais, incluindo espíritos malignos e aparições inquietas, mesmo sem ativar sua Visão Espiritual.
Leonard deu um passo à frente e, como ontem, deu um soco na fechadura da porta.
Desta vez, não só a madeira ao redor quebrou, mas a fechadura da porta voou e caiu ruidosamente no chão.
Klein pareceu sentir que um selo invisível desapareceu instantaneamente. Imediatamente depois disso, ele sentiu um cheiro intenso de fedor.
— Cadáver, um cadáver apodrecido — Frye descreveu friamente.
Ele não pareceu sofrer de náusea.
Dunn estendeu a mão direita, de luva preta, e abriu a porta devagar. A primeira coisa que viram foi uma chaminé. Para o início de julho, havia um calor anormal emanando da sala.
Na frente da chaminé havia uma cadeira de balanço. Sentada sobre ela havia uma velha vestida de preto e branco. Sua cabeça estava caída.
Seu corpo era anormalmente grande. Sua pele estava verde-escura e inchada, parecia que ela iria explodir com uma simples cutucada, lançando um fedor podre de dentro. Enquanto larvas e outros parasitas se agitavam entre sua carne, sangue e sucos podres, ou roupas e rugas, eles apareciam como pontos de luz na Visão Espiritual. Eles pareciam se agarrar a uma escuridão extinta.
Pa! Pa!
Os globos oculares da velha caíram no chão e rolaram algumas vezes, deixando um rastro marrom-amarelado.
Klein sentiu-se enojado e incapaz de tolerar o fedor podre por mais tempo, inclinou-se e vomitou.
Capítulo 46
Capítulo 46 – Retrato
Eugh! Eugh!
Klein se agachou, vomitando involuntariamente, mas logo acabou de vomitar, já que não havia comido café da manhã.
Naquele momento, um frasco quadrado de cor de estanho que parecia uma caixa de cigarro apareceu em sua frente.
A boca que estava sem tampa emitiu uma mistura de cheiros parecendo com tabaco, desinfetante e folhas de hortelã que limpou o olfato de Klein e o rejuvenesceu.
O cheiro pungente permaneceu, mas Klein já não sentia náusea, e logo parou de vomitar.
Ele olhou para o pequeno frasco e viu uma mão pálida que não parecia pertencer a um membro dos vivos, a boca da manga de um casaco negro e o Coletor de Cadáveres Frye com sua postura fria e escura.
— Obrigado. — Klein se recuperou completamente e com as mãos nos joelhos, se levantou.
Frye assentiu sem qualquer expressão.
— Vai ficar melhor quando você estiver acostumado.
Ele tampou o frasco, colocou-o no bolso e se virou, caminhando até o cadáver em estado avançado de decomposição. Sem luvas, ele começou a examinar a velha. Quanto a Dunn Smith e Leonard Mitchell, eles caminhavam lentamente pela sala, ocasionalmente tocando a superfície da mesa ou os jornais.
Velho Neil tampou o nariz e ficou do lado de fora da porta, resmungando com uma voz abafada:
— Que nojo. Vou pedir um pagamento adicional este mês!
Dunn virou a cabeça e tocou a parede ao lado da chaminé com a mão direita usando uma luva. Enquanto isso, ele perguntou a Klein:
— Esse lugar lhe parece familiar?
Klein segurou a respiração e construiu o relógio de bolso de prata em sua mente para se acalmar.
Como já estava no estado de Visão Espiritual, ele imediatamente se sentiu diferente. Uma cena que veio dos recessos mais profundos de suas memórias passou por sua mente.
Chaminé, cadeira de balanço, mesa, jornais, os pregos enferrujados na porta, as latas incrustadas com prata…
As cenas eram escuras e sem graça, como um documentário da Terra. No entanto, era ainda mais embaçado e ilusório.
A cena se sobrepôs rapidamente sobre o que Klein estava vendo. Os sentimentos de déjà vu e de ter estado aqui antes se apresentaram claramente. Um grito ilusório e etéreo parecia passar por paredes invisíveis:
“Hornacis… Flegrea… Hornacis… Flegrea… Hornacis… Flegrea…”
— Parece um pouco familiar — respondeu Klein honestamente enquanto sentia uma dor aguda em seu cérebro. Felizmente, ele rapidamente tocou sua glabela duas vezes.
Hornacis… A cordilheira de Hornacis que apareceu no diário do Klein original?
Esse é o conteúdo decifrado do caderno da família Antigonus.…
Os murmúrios eram muito parecidos com um dos anteriores. Envolvia a palavra “Hornacis”. Isso é uma forma de sedução? — Klein foi tomado pelo choque e não se atreveu a pensar mais no assunto, com medo de se colocar na trajetória de perda de controle.
Dunn acenou ligeiramente e caminhou para um armário. Ele de repente estendeu a mão e abriu a porta de madeira.
O pão dentro estava mofado e havia cerca de sete ratos mortos e rígidos.
— Leonard, desça e encontre policiais em patrulha e explique a situação — instruiu Dunn.
— Tudo bem. — Leonard se virou e saiu do apartamento.
Depois disso, Dunn abriu a porta para dois outros quartos e fez uma busca cuidadosa.
Depois de ter certeza de que não havia pistas, além de qualquer sinal do caderno da família Antigonus, Frye também se levantou. Ele limpou as mãos com um lenço branco que trouxe consigo e disse:
— A hora da morte foi há mais de cinco dias. Não há lesões externas, nem há sinais claros de que foi resultado de poderes de Beyonder. A exata causa da morte exigirá uma autópsia.
— Descobriram alguma coisa? — Dunn se virou para Velho Neil e Klein.
Os dois que não estavam mais no estado de Visão Espiritual balançaram suas cabeças em uníssono.
— Tirando o cadáver, todo o resto está normal. Na verdade, não, havia uma energia invisível que selava o apartamento no começo. Como sabe, geralmente há processos similares quando usamos magia ritualística — pensou Velho Neil por alguns segundos antes de adicionar.
Dunn estava prestes a dizer alguma coisa quando olhou para fora da porta. Alguns segundos depois, Klein e Velho Neil sentiram algo e se viraram para a escada.
Alguns segundos depois, passos leves ficaram mais altos e Leonard se aproximou com um policial.
A expressão do policial mudou quando sentiu o cheiro repugnante. Ele imediatamente cooperou com seu “colega” do Departamento de Operações Especiais e começou a bater nas portas dos moradores do segundo andar para entender melhor a situação no terceiro andar.
Momentos depois, o cabo com seus dois chevrons de prata olhou para o cadáver na cadeira de balanço.
— Katy Stefania Bieber. Entre 55 e 60 anos. Viúva. Alugou este apartamento com seu filho, Ray Bieber, por mais de dez anos.
— Seu marido era um artesão de pedras preciosas. Seu filho tem cerca de trinta anos e é solteiro. Ele herdou o comércio de seu pai e ganha cerca de uma libra e quinze soli por semana. Segundo seus vizinhos, eles não os veem há mais de uma semana.
Antes do policial continuar, Klein já sabia o ponto crítico que resultava.
Desaparecido. Para ser mais preciso, não se sabia para onde Ray Bieber tinha ido!
O caderno antigo poderia muito bem estar com ele!
— Você tem uma foto de Ray Bieber? — Dunn olhou para o policial.
Ele estava atuando com o papel de um inspetor de alto escalão.
No entanto, não estava realmente atuando já que ele era realmente um inspetor de alto escalão do departamento de polícia. Seu salário e vários subsídios também eram pagos de acordo com seu rank. Claro que não incluía o seu salário da Igreja.
O policial balançou a cabeça nervosamente e disse:
— Não tenho certeza… terei que voltar à delegacia para procurar. Não é típico termos fotos de todas as pessoas.
— Entendido. Continue questionando os moradores no primeiro andar. Pergunte a eles em detalhes. — Dunn deu a ordem.
Enquanto observava o policial sair, fechou a porta e se virou para o Velho Neil.
— Deixo o resto para você. Se não, teremos que fazer todos os residentes dormirem e obter a aparência de Ray Bieber. É, eu realmente não confio em esboços baseados em descrições verbais.
Velho Neil assentiu. Ele tirou algumas garrafas do tamanho de um polegar do bolso de seu manto preto clássico e espalhou os líquidos em uma ordem específica.
Imediatamente após isso, ele pegou um pouco de pó e espalhou-o em um círculo ao seu redor.
Estranhamente, um cheiro penetrante se espalhou e não foi influenciado pelos cheiros repugnantes na sala. Klein também notou de repente que havia um campo de força invisível ao redor dele, separando-o do meio ambiente e de todos os outros. Era como se o quarto estivesse em seu estado anterior.
Velho Neil fechou os olhos enquanto seus lábios murmuravam um encantamento suave e indiscernível. Sem estar preparado, Klein ouviu vagamente as palavras “Deusa, me dê força”, “Estamos ansiosos pela proteção da Noite…”.
Hum! Um vento repentino atravessou as janelas e levantou o pó.
O coração de Klein tremeu de repente e ele sentiu arrepios por todo o corpo. Ele achou difícil descrever. Um “cheiro” aterrorizante que o deixou com medo de olhar diretamente se espalhou rapidamente.
Ele estava confuso e ficou tenso, incapaz de relaxar. Era como se ele tivesse entrado em um estado semelhante ao que alguém teria depois de trabalhar em um problema matemático altamente avançado.
De repente, os olhos de Velho Neil se abriram, seus olhos negros.
Ele pegou uma caneta do bolso e começou a desenhar num pedaço de papel na mesa. Desenhava tão rápido que todo o seu corpo tremia.
Klein focou seu olhar e viu um rosto com olhos recuados e um nariz de ponte alta rapidamente aparecer.
Quando o cabelo natural encaracolado e curto foi terminado, Velho Neil escreveu uma única linha abaixo do retrato.
— Cabelo preto, olhos azuis profundos e escuros. Possui um implante dentário totalmente cerâmico na parte esquerda da boca.
Pada!
A caneta-tinteiro na mão do Velho Neil caiu sobre o papel e seu corpo convulsionou algumas vezes.
— Esta é a aparência de Ray Bieber de acordo com o que resta na sala. — Velho Neil sussurrou enquanto a cor de seus olhos se recuperava rapidamente.
Ele então voltou para o seu local original e circulou-o lentamente. O campo de força invisível que isolava os arredores imediatamente se dissipou na forma de uma brisa.
— Louvada seja a Senhora. — Velho Neil tocou seu peito em quatro pontos, formando a forma da lua carmesim.
Os nervos tensos de Klein relaxaram e ele fez observações mais agudas. Ele descobriu que não havia nada de especial nas características faciais de Ray Bieber. Ele tinha um porte relativamente suave. A única coisa era que seu filtro labial era claramente fundo.
— Vou tentar usar a Técnica Radiestésica de Procura. — Ele pegou o retrato e encontrou roupas masculinas no quarto e as espalhou pelo chão.
Dunn, Leonard e Velho Neil não o impediram e observaram ele colocar a bengala preta por cima das roupas e do retrato. Frye estava tão silencioso como sempre.
Os olhos de Klein se transformaram de castanho para preto quando ele terminou seu encantamento, e soltou a bengala.
A bengala preta ficou em silêncio como se estivesse embutida no chão.
— A localização de Ray Bieber. — repetiu Klein silenciosamente para si mesmo novamente.
Com o som do vento zumbindo, a bengala caiu, mas continuou mudando de direção ao cair. Finalmente, começou a girar em pequenos círculos.
Sem ajuda externa, a bengala preta ficou novamente estável.
Klein repetiu algumas vezes com o mesmo resultado. Tudo o que podia fazer era balançar a cabeça para Dunn e Velho Neil. Um poder estranho estava interferindo com sua “divinação”…
Dunn tirou a luva preta e disse a Leonard e Klein:
— Peguem o retrato de Ray Bieber e perguntem aos moradores para uma confirmação final. Depois disso, emitiremos um mandado de prisão contra ele pelo assassinato de sua mãe.
— Tudo bem. — Klein segurou a bengala e se abaixou para pegar o retrato.
Depois que os vizinhos confirmaram que o retrato era de fato Ray Bieber, Dunn instruiu Leonard e o policial para terminar os procedimentos na delegacia. Ele e Frye foram para alguns bares na cidade de Tingen para procurar ajuda por outros meios.
Klein e Velho Neil voltaram para a Companhia de Segurança Blackthorn em uma carruagem pública. Não eram nem oito quando chegaram; Rozanne ainda não havia chegado.
Depois de fechar a porta, Klein inclinou a cabeça para Velho Neil e, na esperança de aprender e responder às suas perguntas, perguntou-lhe:
— Por que eu mandaria o caderno da família Antigonus para a casa de Ray Bieber?
Isso era em uma direção completamente diferente da rua Cruz de Ferro, onde Welch morava.
O velho Neil caminhou até o sofá e riu.
— Não é óbvio? Quem sabe que poderes dentro do caderno você invocou; talvez você tenha feito algum ritual descrito por curiosidade e acabou provocando uma estranha existência que não deveria. O motivo dessa existência era mandar o caderno para Ray Bieber e cortar todas as pistas, para impedir que alguém a descobrisse.
— Portanto, além de você que foi selecionado, Welch e Naya se suicidaram; quanto a você… Para ser franco, eu ainda não tenho ideia de como você sobreviveu.
— Eu também gostaria de saber… — Klein se sentou e deliberadamente respondeu com um sorriso irônico. — Eu também pensei nas suposições que você fez sobre os procedimentos, no entanto, há uma coisa que não entendo. Porque tive que entregar o caderno para Ray Bieber?
Velho Neil deu de ombros e disse:
— Talvez o Número do Caminho da Vida dele corresponda aos requisitos, ou talvez ele seja um dos últimos descendentes remanescentes da família Antigonus. Em suma, há muitas possibilidades… e por que o caderno foi vendido à cidade de Tingen deve ter razões semelhantes.
— Não acho que é porque ele é um descendente. — Klein de repente se sentiu iluminado antes de suspirar. — Infelizmente, não descobri imediatamente que Ray Bieber e o caderno desapareceram.
Velho Neil riu.
— Isso é algo que Dunn tem que se preocupar. Quanto para você, é algo bom.
— Porque diz isso? — Klein franziu a testa, perplexo.
[1] Número de Caminho de Vida foi proposto por Pitágoras, e é estabelecido a partir da data de nascimento e descreve a natureza da sua jornada através da vida.
Capítulo 47
Capítulo 47 – A Falta de Dinheiro do Velho Neil
Velho Neil massageou as têmporas e disse:
— Acredito que temos uma ideia geral de por que vocês três se envolveram em um suicídio em massa. Esse caderno agora está supostamente nas mãos de Ray Bieber, além disso, o assunto já foi exposto. Você estando vivo ou morto dificilmente influenciará qualquer desenvolvimento subsequente. Acho que, não, acredito que a existência oculta ou o poder misterioso que causou tudo isso não lhe dará nenhuma atenção especial. É como se você não prestasse atenção às formigas no chão. Heh heh, contanto que você não tente fazê-lo lembrar de você.
— E nosso mandado de prisão para Ray Bieber chegará rapidamente à Ordem Secreta. Eles também poderão adivinhar que está relacionado ao caderno da família Antigonus. Acredite, para uma organização secreta que existe há mais de mil anos, eles tem muitos canais de informação, portanto, seu foco será desviado para o paradeiro de Ray Bieber, em uma tentativa de encontrar o caderno antes de nós. Eles não vão, e nem é possível que assediem, persigam ou lidem com você.
— Rapaz, parabéns por sair das sombras do passado. O que se segue será uma nova jornada cheia de luz.
Klein acenou com a cabeça quando ouviu isso, e disse de maneira feliz e aliviada:
— Espero que sim.
Tendo transmigrado para cá, ele havia sido envolvido por incertezas. Agora, parecia que elas finalmente se dissiparam…
No entanto, Klein ainda se sentia inseguro porque o caderno parecia estar ligado a ele de uma certa maneira. Chegando ao ponto dele esbarrar por coincidência em pistas remanescentes em uma missão ordinária de resgate a um refém.
Ele temia que chegasse o dia em que um entregador lhe enviasse um pacote, apenas para perceber que era o caderno da família Antigonus depois de abri-lo!
Vamos esperar que tudo ocorra como Velho Neil disse… — ele orou silenciosamente.
Quando Velho Neil ouviu sua resposta, ele imediatamente zombou.
— Você não parece ser um crente devoto da Deusa. Neste momento, você não deveria estar desenhando o sinal da lua carmesim em seu peito e dizendo “que a Deusa nos abençoe”?
— Sr. Neil, você não parece ser um também. Um verdadeiro devoto não diria “o que se segue será uma nova jornada cheia de luz”. — Tendo estudado misticismo com o Velho Neil, Klein havia estabelecido uma amizade decente com ele, então não fez cerimônia em retribuir um comentário sarcástico.
Ambos se olharam e riram com grande harmonia. Ao mesmo tempo, eles bateram no peito quatro vezes.
— Louvado seja a Deusa!
Naquele momento, eles ouviram os sons rangentes de engrenagens quando a porta principal da Companhia de Segurança Blackthorn foi aberta.
A elegante sra. Orianna, com seu cabelo elegantemente encaracolado, entrou no salão de recepção com um vestido verdeclaro.
— Bom dia, Sr. Neil. Bom dia, Klein. — Ela segurava uma pequena bolsa de couro enquanto os cumprimentava com um sorriso. — Hoje é mais um dia fabuloso. Um dia muito bom.
— Bom dia, Orianna. Você ainda é tão bonita quanto a dez anos atrás — respondeu Velho Neil com uma risada.
Os olhos de Orianna se fecharam em fendas quando ela virou o rosto.
— Sr. Neil, o jeito que você elogia ainda é tão enfurecedor quanto há dez anos.
Ela enunciou as palavras “dez anos”.
— É mesmo? — Velho Neil olhou para Klein, confuso. Ele estava com um olhar perplexo.
Nunca mencione nada que possa lembrar as senhoras de sua idade… — Como um ‘guerreiro de teclado’ que sabia um pouco de tudo, Klein instantaneamente entendeu o que havia incomodado a sra. Orianna. Ele sorriu levemente e disse:
— Bom dia, senhora Orianna. Você está tão linda como sempre.
— Obrigada, nosso excelente graduado da Universidade de Khoy. — Orianna sorriu com um aceno de cabeça antes de dizer:
— Aquele velho mordomo já pagou a comissão da missão. De acordo com as regras do capitão, metade dele será usada como fundos adicionais, enquanto a outra metade será dividida entre você e Leonard. Mas já que você não é um membro formal, só pode pegar dez por cento da metade. Venha mais tarde para assinar e retirar sua parte.
— Quanto ele pagou? — Klein perguntou alegremente enquanto também sentia o aperto.
— 200 libras. Foi o que ele disse naquela hora, “Senhor, estimada Tempestade! Eu nunca imaginei ou acreditei que isso seria resolvido assim! Isso é ainda mais difícil do que termos um sonho! Por que sua empresa de segurança é tão desconhecida? É um insulto a toda a indústria!” — a sra. Orianna disse, imitando o sotaque sulista do velho mordomo.
Klein pensou seriamente por alguns segundos antes de dizer com humor:
— Isso é muito injusto para os sequestradores.
Dois Beyonders resolveram o problema rapidamente usando métodos que poderiam ser descritos como fáceis e agradáveis… Isto é como um adulto intimidando algumas crianças, usando trajes de combate…
— Eles foram muito azarados. Eles devem ter perdido sua proteção divina — disse Orianna com uma risada suave. — Eu disse ao mordomo que só tivemos sorte. Um de nossos informantes viu os sequestradores levando a criança para o esconderijo. Portanto, não tenha muita esperança para nós. Somos apenas uma empresa bem comum de segurança.
Tipicamente falando, quanto mais você enfatiza que algo é comum, mais extraordinário ele é… — Klein satirizou com um sorriso. Ele observou a sra. Orianna atravessar a divisória e entrar na sala de contabilidade.
Velho Neil franziu os lábios ao lado e disse com inveja:
— Você é mesmo um rapaz de sorte. Não faz muito tempo desde que se juntou a nós e já encontrou uma missão no valor de 200 libras.
— Isso é raro? — Klein perguntou intrigado.
Antes disso, ele estava estudando história ou misticismo, ou vagando sem rumo, na esperança de encontrar pistas com sua percepção espiritual.
— De acordo com os relatos de Orianna, podemos não encontrar uma única missão por uma semana inteira. E a maioria das missões vale menos que vinte libras. — Velho Neil acariciou a pedra da lua em seu pulso e suspirou.
Depois disso, ele olhou para Klein com antecipação.
— Se você encontrar alguma missão similar no futuro, lembre-se de me informar.
Ao ouvir as palavras de Velho Neil, Klein de repente sentiu um estranho sentimento surgir nele. Portanto, ele perguntou diretamente:
— Sr. Neil, parece que você está com falta de dinheiro. Quanto você recebe por semana? Se você não se sentir confortável em me dizer, ignore a minha pergunta.
Velho Neil recostou-se no sofá e riu.
— Isso não é algo que precisa ser escondido. Eu estou por aqui fazem muitos anos. No momento, recebo salários da Igreja e do departamento de polícia toda semana; um total de doze libras.
— Um salário semanal de doze libras? — Klein deixou escapar em surpresa.
Um salário semanal de doze libras com cinquenta e duas semanas por ano, o que significava mais de 600 libras por ano!
Quando leu o Jornal Matinal e o Jornal Honesto de Tingen, eles mencionaram que os advogados de alto nível ganhavam apenas entre 800 e 1000 libras por ano. E aqueles eram os melhores advogados!
Quanto aos gerentes da empresa comercial de Benson, eles só ganhavam seis libras por semana. Isso já era um trabalho bastante decente.
— Sim, esse salário é realmente muito generoso e não precisamos pagar impostos — acrescentou Velho Neil com um sorriso.
Klein ouvira de Benson que era preciso pagar impostos do tipo E quando seus salários semanais ultrapassavam uma libra. Em outras palavras, o governo e os funcionários das corporações tinham de pagar 3% em impostos se ganhassem de uma a duas libras, 5% de duas a cinco libras, 10% de cinco a dez libras e 15% de dez a vinte libras, sendo o máximo 20% para aqueles acima de vinte libras.
Além disso, ele também leu que havia quatro outros tipos de impostos nos jornais. Um tipo era relacionado à terrenos, moradia e outros ganhos de itens materiais. Incluía propriedade e aluguel. O tipo B era um imposto pago pelos agricultores. O tipo C era um imposto sobre os lucros de títulos, fundos e ações. O tipo D era renda comercial, financeira ou profissional.
— É algo admirável. — Klein repetiu.
— No entanto… — O Velho Neil balançou a cabeça. — Tal salário é insuficiente para Beyonders como nós, que frequentemente estudam os mistérios ocultos, praticam e tentam executar rituais.
— Os materiais não podem ser obtidos via pedido? — perguntou Klein perplexo.
Velho Neil zombou.
— Há um limite para isso. Às vezes, temos que dar um motivo legítimo o suficiente. Se você quer aprender mais e experimentar no campo do misticismo, você só pode gastar de seu próprio bolso para comprar materiais. Pode ser comprado internamente ou em mercados clandestinos.
Klein ficou surpreso, e perguntou imediatamente:
— Existem materiais Beyonder vendidos nos mercados clandestinos? Eu pensei que as Igrejas não permitiriam sua existência?
Ele não tinha meios para obter materiais!
Tendo uma misteriosa organização em seus estágios iniciais, ele nem sempre poderia tê-los resolvido através dos Falcões Noturnos, certo?
— Não há como controlar esses assuntos. Sim, do ponto de vista do misticismo, todos os seres são sencientes com seus espíritos e originam-se da mesma fonte. Os materiais que usamos não estão limitados a essas criaturas extraordinárias. Também vem de animais comuns, plantas e minerais. Por exemplo, a cicuta venenosa, as folhas de hortelã e a baunilha noturna na garrafa da poção Vidente, eles são itens que podemos encontrar com frequência em nossas vidas diárias. Eles podem não ter características extraordinárias, mas possuem características especiais. Através de decocção e mistura, eles irão derivar certos efeitos. Portanto, este não é um comércio que a Igreja pode proibir — explicou Velho Neil em detalhes.
Sem esperar que Klein dissesse uma palavra, ele continuou:
— Além disso, não é apenas o núcleo de seres extraordinários que são úteis. Por exemplo, a Lula Lavos. Além de seu sangue, seus globos oculares, pele e tentáculos são materiais muito bons. A menos que a Igreja a capture inteiramente com sua própria mão de obra, controlar completamente qualquer fluxo de saída seria um tremendo fardo financeiro. Quanto menor o grau do material extraordinário, mais é assim. Eles só podem fazer o seu melhor para evitar que os materiais mais especiais fluam para fora.
Velho Neil de repente riu.
— Há outro motivo importante. É melhor saber de um mercado clandestino do que não saber que existe. Sob a premissa de que as organizações secretas não foram totalmente eliminadas, essa é uma estratégia muito boa. Além disso, pode nos ajudar a obter materiais que nos faltam. Naturalmente, com a existência de tais mercados, aparecerão itens de contrabando. Contanto que não seja algo ridículo ou excessivamente perigoso, vamos deixar passar. No máximo, nós os usaríamos para enriquecer nossos cofres.
— Será porque as poucas grandes Igrejas se colocam no lugar, para que ninguém possa tomar medidas excessivas? — Klein supôs.
Velho Neil reconheceu de maneira concisa, mas não elaborou.
— Eu sou um vidente. No futuro, eu definitivamente precisarei praticar e vou precisar então de mais materiais. Sr. Neil, você pode me levar ao mercado clandestino para dar uma olhada? — Klein pediu com um motivo válido.
Velho Neil parecia estar em uma posição difícil.
— Na verdade, esses caras que são ativos nesses lugares em geral não são Beyonders. Alguns deles podem ser aristocratas que gostam de mistérios ou pessoas ricas que têm inclinações para o misticismo… Uh, tudo bem. Eu tenho uma conta de trinta libras que precisa ser paga em breve. Não seria conveniente para mim ir lá por enquanto.
— Tudo bem… — Klein nunca esperava que o motivo fosse o Velho Neil dever dinheiro.
Momentos depois, ele disse com deliberação:
— Sr. Neil, você precisa que eu lhe empreste dinheiro? Acabei de ganhar uma comissão de dez libras.
— Haha, não há necessidade. Eu serei capaz de resolver isso. — Velho Neil deu um tapinha no sofá e levantou-se devagar. — Sigh… A idade é realmente um inimigo que as criaturas biológicas não podem lutar contra. Estou exausto da vigia da noite passada. Sim, revise o que eu te ensinei esta manhã, e leia mais documentos. Amanhã, eu vou te ensinar os fundamentos da magia ritualística.
— Tudo bem. — Klein se levantou e se despediu dele tirando o chapéu.
Quando o Capitão Dunn não retornou ao meio-dia, Klein fingiu que ainda estava procurando o caderno enquanto percorria as ruas novamente.
Tendo ganho dez libras, ele não precisava mais esperar pelo próximo desembolso dos fundos. Ele poderia ir diretamente para o Clube de Divinação!
Cogitação e Visão Espiritual têm ocasionalmente produzido murmúrios e ilusões. Isso o deixou ansioso para começar a “atuar”.
Capítulo 48
Capítulo 48 – Hanass Vincent
No clube de divinação situado no segundo andar na rua Howes número 13, Burgo Norte da cidade de Tingen.
Klein viu a bela dama que atendia os visitantes mais uma vez.
Ela ainda estava com o cabelo longo castanho-amarelado enrolado, fazendo-a parecer madura e elegante. Era difícil dizer sua idade.
— Olá, o Sr. Glacis não está aqui hoje. Gostaria de escolher outra pessoa para fazer sua divinação? — disse a bela dama com um sorriso.
Ao ouvir isso, Klein, que acabara de tirar o chapéu de seda e colocá-lo de volta, ficou imediatamente surpreso.
— Ainda lembra de mim?
Já se passaram cinco dias!
A mulher deu um sorriso.
— Você é o primeiro cliente que procurou os serviços do Sr. Glacis. E até hoje ainda é o único. É difícil para mim não ter uma impressão profunda de você.
Era a imagem de ele ser pão duro? — Klein zombou ao deliberar sobre a questão.
— Quando foi a última vez que o Sr. Glacis veio ao clube?
A dama lançou um olhar para ele e respondeu aparentemente recordando:
— Para ser honesta, é difícil saber quando nossos membros vêm e vão. Eles têm seu livre-arbítrio e assuntos pessoais para cuidar. Bem, acredito que o Sr. Glacis não veio ao clube desde que ele leu a sua sorte naquele dia.
Desejo-lhe boa sorte. Que a Deusa o abençoe… — Klein rezou e não perguntou mais nada. Em vez disso, perguntou com um sorriso:
— Eu não estou aqui para os serviços de divinação desta vez. Eu pretendo me juntar ao clube.
— Sério? O prazer é nosso. — A dama expressou um olhar oportuno de prazer e surpresa. — Para o primeiro ano como membro, a taxa de adesão é de cinco libras. Será uma libra por ano depois disso. Acredito que não há necessidade de descrever novamente os detalhes?
Klein pegou uma nota de cinco libras que recebeu recentemente e viu o retrato de Henry Augustus I partir.
Depois de verificar seriamente a marca d’água de antifalsificação, a mulher guardou a nota gravemente e entregou um formulário a Klein.
— Por favor, preencha suas informações detalhadas. Deixa-me preparar o recibo.
Há um recibo? Eu deveria cobrar isso na Companhia de Segurança Blackthorn… — Klein se divertiu com seus próprios pensamentos enquanto pegava uma caneta-tinteiro na mesa. Com a tinta azulescura, ele preencheu seu nome, idade, endereço e informações da companhia.
No entanto, ele havia intencionalmente deixado sua data de nascimento vazia. Para um Vidente, seu Número de Caminho da Vida fornecia mistérios profundos sobre seu corpo.
Depois de receber o recibo e terminar seu registro como membro, a dama estendeu a mão direita.
— Parabéns por se juntar ao Clube de Divinação de Tingen. Sou Angelica Barrehart, secretária do clube. Estas são suas abotoaduras de membro. Há inscrições especiais que o identificarão como membro.
— Olá, Madame Angélica. — Klein apertou sua mão e pegou as abotoaduras de ouro negro.
Ele percebeu que a inscrição especial foi escrita com a palavra raiz para “divinação” em Hermes.
Angélica retraiu a mão direita e pensou por alguns segundos.
— Eu poderia perguntar com que artes de divinação você está mais familiarizado? Ou prefere aprender alguns métodos de divinação do clube? Vamos considerar convidar especialistas em divinação famosos do domínio correspondente para dar aulas. Também apresentaremos a você membros com similares experiência para que você possa se divertir interagindo com eles.
— Eu conheço um pouco de várias artes divinatórias. Não há necessidade de me dar consideração especial — respondeu Klein com alguns enfeites. Além disso, ele perguntou:
— Posso começar a fazer divinação para os outros? Não sou um total novato.
Ele estava aqui para agir como um Vidente e não para aprender os métodos de divinação que as pessoas comuns poderiam aprender.
Angélica manteve um sorriso educado ao dizer:
— Você pode ler a sorte das pessoas a qualquer momento no clube. No entanto, antes de confirmarmos suas habilidades, não o promoveremos quando nossos clientes perguntarem. Quanto planeja cobrar pela sua divinação?
— Dois centavos. — Klein decidiu ganhar vantagem com o preço enquanto ainda era desconhecido.
— Vamos seguir o padrão de cobrar um oitavo, então estaremos cobrando um quarto de centavo em taxas… — Angélica repetiu as várias regras antes de escrever as informações de Klein no álbum de videntes, do qual os clientes podiam escolher.
Depois de terminar tudo, ela apontou para a sala de reuniões no final do corredor com um sorriso.
— Sr. Hanass Vincent está atualmente explicando sobre divinação astrolábica. Você pode encontrar um local tranquilo para ouvir. Também pode fazer perguntas se houver alguma dúvida.
— Tudo bem. — Klein andou até a sala de reuniões com seu interesse despertado. Ele queria saber as diferenças entre o que Hanass Vincent e Velho Neil diziam.
Naquele momento, Angélica se aproximou e sussurrou:
— Sr. Moretti, você prefere café ou chá? Fornecemos chá preto de Sibe, café Southville e café de Desi.
Klein, que lia jornais regularmente, sabia que esses cafés e chá preto eram considerados uma das variedades inferiores, mas também sabia que eram definitivamente de melhor qualidade do que os que ele tinha em casa. Depois de pensar um pouco, ele disse:
— Uma xícara de café Southville. Três colheres de chá de açúcar sem leite, por favor.
Southville do Reino Loen era famosa por sua cerveja e vinho tinto; muitas figuras importantes gostavam deles. No entanto, seu café era relativamente desconhecido.
— Tudo bem, chegará daqui a pouco. — Angélica apontou para a sala de reuniões.
Klein caminhou lentamente até a porta entreaberta e ouviu uma voz com um sotaque grosso de Awwa explicando:
— A divinação de Astrolabio é relativamente mais complexa entre as artes da divinação…
Mas isso é apenas para pessoas comuns… — Klein silenciosamente marcou uma frase para o orador. Ele viu cerca de cinco mesas colocadas em um círculo dentro da sala de reuniões, rodeando um homem de meia-idade com um manto clássico preto, Hanass Vincent.
O cavalheiro tinha olheiras óbvias. Seu cabelo castanho era grosso e duro; cada fio era firme como os espinhos de um porco-espinho.
Além disso, não havia nada de especial nele.
Ao ver Klein entrar, Hanass Vincent assentiu gentilmente sem parar a aula. Ele apenas desacelerou seu discurso.
Klein tinha uma mão no bolso enquanto a outra segurava a bengala. Ele encontrou um assento ao lado e se sentou, recostando-se confortavelmente no processo e examinou o círculo de seis membros. Havia quatro homens e duas mulheres.
Alguns deles estavam atentos, tomando notas, sussurrando ou devolvendo a Klein um sorriso arrependido.
Depois de colocar a bengala no chão, Klein ajustou sua cartola e tocou sua glabela duas vezes no processo.
Ele olhou para Hanass e viu as diferentes cores, brilho e espessura de sua aura.
Vermelho escuro. Ele está um pouco preocupado… Na verdade, todas as outras partes de seu corpo são saudáveis, exceto essa parte. Me pergunto o que está errado… — Klein ouviu a classe enquanto murmurava para si mesmo.
Naquele momento, ele fez um punho com a mão direita e cobriu a boca para evitar que o riso soasse. De repente, sentiu que era um charlatão.
Ele estava bastante satisfeito com sua habilidade de Visão Espiritual. Embora pudesse apenas fazer um julgamento geral e não os detalhes, era o suficiente para obter muitas informações úteis.
Depois de examinar seus arredores, ele tocou a glabela duas vezes novamente, como se estivesse refletindo sobre o que Hanass acabara de dizer.
A divinação de astrolábio era um dos métodos de astromancia. No entanto, as pessoas comuns também poderiam tentar interpretar as coisas. Por exemplo, o horóscopo de nascimento mais básico era para determinar o destino de alguém, a partir das posições do sol, da lua, das estrelas azuis e vermelhas no nascimento, os pontos correspondentes no céu, comparando os símbolos representativos com o astrolábio e as correspondentes situações das diferentes constelações.
Isso exigia que o responsável pela divinação pudesse calcular os estados dos planetas e constelações, o que era bastante complicado. Claro, havia publicações que ajudavam as pessoas a procurar os valores. Alguns até simplificaram, fazendo uma leitura vaga apenas com as constelações.
Klein ouviu silenciosamente sem interromper ou fazer perguntas. De vez em quando, acariciava o topázio pendurado na manga ou tomava um gole do café Southville que Angélica trouxera.
Depois de algum tempo, Hanass esfregou a glabela e disse:
— Talvez vocês precisem tentar criar seus próprios astrolábios. Perguntem-me se tiver alguma dúvida. Estarei na sala Pedra da Lua.
Depois que ele saiu, um jovem de camisa branca e colete preto levantou-se com um sorriso e caminhou para o lado de Klein.
— Prazer em conhecê-lo. Sou Edward Steve.
— O prazer é meu. Sou Klein Moretti. — Klein se levantou e devolveu a reverência.
— Astrolábios são muito complicados. Toda vez que ouço sobre isso, não posso deixar de cochilar — disse Edward, em desaprovação.
Klein sorriu e disse:
— Isso é porque o Sr. Vincent não pode deixar de passar o conhecimento que domina para nós. É como nos dar um banquete
Intis. É indigestível.
— Eu seria capaz de terminar o banquete Intis. Eles geralmente usam um prato enorme para servir pequenos pedaços de comida. — Edward riu e se sentou. Ele perguntou por curiosidade:
— Você é novo? Não o vi nos dois anos em que estive aqui.
— Entrei para o clube hoje — respondeu Klein francamente.
— Em que você é bom? Sou o melhor em divinação de tarô e pôquer — perguntou Edward casualmente.
— Eu conheço um pouco de tudo, mas só um pouco. — Klein deu uma descrição que costumava dar de si mesmo.
Ele não estava sendo modesto, pois havia muito conhecimento misterioso que ele não havia compreendido no domínio da divinação.
Assim quando os outros membros estavam pensando em falar sobre divinação de horóscopo, Angélica entrou na sala de reuniões.
— Sr. Steve, alguém está procurando por sua divinação.
— Tudo bem. — Edward se levantou com um sorriso.
— Posso dizer que você é excelente em divinação — disse Klein ao olhar para ele.
— Não, é porque o meu preço é mais adequado — disse Edward com uma risada suave. — Quando as pessoas comuns vêm para ter sua sorte lida, elas absolutamente não escolhem os mais caros. E a menos que não batessem bem da cabeça, elas definitivamente não escolheriam os mais baratos. É mais fácil ganhar oportunidades se você estiver no meio.
Eu sou um daqueles que não batem bem da cabeça… — Quando viu Edward sair, Klein de repente balançou a cabeça com um sorriso irônico.
Parece que o preço que estabeleci é problemático…
Ele se levantou, pegou a bengala, saiu da sala de reuniões e encontrou Angélica novamente.
— Eu desejo mudar os preços de minha divinação. Uh, mude para oito centavos.
Angélica olhou-o profundamente e disse:
— Vamos satisfazer seu pedido, mas também diremos aos clientes que você entrou recentemente no clube.
— Sem problemas. — Klein não se importou e assentiu.
Às vezes, o mistério também era um elemento importante para um Vidente atrair clientes.
Depois de mudar seus detalhes, Klein voltou para a sala de reuniões.
Naquele momento, ele viu Hanass Vincent sair da sala Pedra da Lua. Ele segurava um espelho revestido de prata.
Este famoso divinador disse aos cinco membros na sala de reuniões:
— Aprendi recentemente uma nova arte de divinatória. Divinação de espelho mágico. Alguém quer aprender?
Divinação de espelho mágico? Isso não é seguro… — Klein parou do lado de fora da sala de reuniões e franziu a testa.
Capítulo 49
Capítulo 49 – A Arte da Adivinhação
Como um Vidente que havia acabado de começar sua jornada no misticismo, Klein não se atrevia a afirmar que sabia muito. No entanto, tinha certeza que sabia mais do que pessoas comuns. Ele estava ciente de que os vários tipos de artes divinatórias poderiam ser divididas em três categorias baseadas em padrões particulares.
E esse padrão era baseado na fonte da revelação!
A primeira categoria de divinação incluía tarô, pôquer, pêndulos, bastões de radiestesia e sonhos. Usando a própria espiritualidade do investigador e sua comunicação com o mundo espiritual para obter uma revelação, uma resposta poderia ser interpretada. No entanto, pêndulos espirituais e bastões radiestésicos exigiam muito da espiritualidade, Corpo Espiritual e Projeção Astral. NãoBeyonders eram incapazes de obter revelações precisas ou mesmo claras. A divinação por cartas oferecia um simbolismo fixo, apresentando até mesmo uma leve revelação de uma pessoa ordinária. Os sonhos estavam em algum lugar entre as outras formas.
A segunda categoria incluía Numerologia Espiritual e Astromancia, bem como suas formas derivadas. O responsável pela divinação usava os detalhes pessoais do investigador, ou mudanças na natureza antes de usar cálculos, inferência e interpretação para responder às suas perguntas. Com este método, a iniciativa não estava no investigador, mas sim no responsável pela divinação.
A terceira categoria usava uma terceira pessoa além do investigador e do responsável pela divinação. As tábuas Ouija que Klein conhecia de sua vida anterior pertenciam a essa categoria. Eles usavam rituais para pedir uma resposta direta do desconhecido ou do sobrenatural. Embora houvesse uma grande chance de que uma pessoa comum não conseguisse com sucesso, houve casos em que eles conseguiram se comunicar com espíritos ou entidades malintencionadas que os levaram à insanidade. Esses métodos de divinação geralmente levavam a tragédias.
A divinação de espelho mágico que Hanass Vincent mencionou pertencia à terceira categoria. No misticismo, os espelhos eram relacionados ao desconhecido e ao mistério, como se fossem portas do mundo espiritual. Assim sendo, Klein parou do lado de fora da sala de reunião, com a intenção de aprender como o famoso especialista “em divinação” explicaria a divinação. Klein queria verificar se precisaria informar o capitão ou não, abordando-o à noite.
Claro, havia uma maneira segura de fazer a divinação de espelho mágico, pode-se pedir respostas para as sete divindades ortodoxas. Mesmo que fosse muito difícil para uma pessoa comum receber qualquer tipo de revelação real, tal indivíduo não estaria em perigo nem sofreria consequências posteriormente.
As divinações de espelho mágico que eram estritamente controladas pelos Falcões Noturnos e Punidores a Mandatado eram aquelas que pediam ajuda a deuses malignos ou existências misteriosas. Além disso, o responsável pela divinação não poderia inventar coisas aleatoriamente. Algumas frases ou naturezas tinham o potencial de atrair a atenção de entidades desconhecidas.
No mundo onde os poderes dos Beyonders existem, tais divinações poderiam frequentemente levar à tragédia. Klein suspeitava que o Klein original, Welch e Naya haviam cometido tal divinação proibida seguindo as instruções do caderno da família Antigonus.
Naquele momento, Hanass também explicou o princípio por trás da divinação de espelho mágico e descreveu o processo real.
— Primeiro, você escolhe uma data e hora adequados de acordo com a divindade em que acredita. Você pode decidir isso usando o Manual de Astromancia. Por exemplo, todos sabemos que domingos simbolizam a Deusa da Noite Eterna, já que domingo é a personificação do descanso. Das duas às três do início da manhã, das nove às dez da manhã, das quatro às cinco da tarde, e das onze à meia-noite são relacionados à lua, portanto, são controladas pela Deusa da Noite Eterna. Portanto, os responsáveis pela divinação que rezam à Deusa da Noite Eterna podem usar a divinação de espelho mágico durante esses horários em um domingo.
Um bom fundamento… — Klein assentiu levemente enquanto usava a porta entreaberta da sala de reunião para se esconder.
Tinha que ser dito que, com as sete grandes igrejas se mantendo sob controle mutuamente, certo conhecimento de misticismo havia realmente vazado. Por exemplo, muitos dos significados por trás do simbolismo poderiam ser encontrados no Manual de Astromancia. No entanto, sem as poções ou poderes Beyonder, pessoas comuns eram incapazes de obter os efeitos desejados.
— Segundo, devemos examinar cuidadosamente o espelho. Deve ser um espelho revestido de prata. Coloca-se então o espelho na posição que representa a lua… — Hanass demonstrou com o suporte em sua mão.
Não, o que ele precisa agora é de radiestesia espiritual. Primeiro, escolha uma posição e recite a frase “Este lugar é adequado para a divinação de espelho mágico” sete vezes em sua cabeça, e depois veja em qual direção o pêndulo se movimenta. Sentido horário para verdadeiro, sentido anti-horário para falso… Claro, se você estiver pedindo respostas para uma entidade sobrenatural maliciosa, a posição não teria importância. Em vez disso, dependeria se a entidade estaria interessada em responder suas perguntas… — Klein silenciosamente o corrigiu.
Nesse momento, ele se sentiu como um professor ouvindo uma lição…
Hanass Vincent não podia ouvir os pensamentos de Klein enquanto descrevia os preparativos em detalhes em um tom normal.
Quando os membros terminaram de tomar notas, ele continuou a explicação:
— Depois de tomar banho, assegurem-se de ter fechado todas as cortinas e trancado suas portas. Depois disso, acenda uma vela e coloque-a na frente do espelho antes de orar sinceramente para a divindade em que acredita. Tente manter suas perguntas simples, pois não há necessidade de frases extravagantes… Depois de orar sete vezes, pegue seu espelho e jogue-o suavemente no chão. Certifique-se de jogá-lo delicadamente… Lembre-se de como ele se despedaça, pois isso é uma revelação dos deuses… Eu direi a vocês os principais simbolismos em um segundo.
Ufa, isso é divinação ortodoxa de espelho mágico. — Klein soltou um suspiro de alívio enquanto entrava na sala de reuniões e sentava-se em seu lugar anterior. Ele terminou o resto de seu café de Southville em um só gole.
A chamada divinação “ortodoxa” significava que era possível obter revelações, mas era impossível interpretá-las de verdade.
E para os Beyonders que alcançassem essa etapa, eles poderiam olhar diretamente para o espelho para obter informações claras se recebessem uma resposta!
Como havia muitos possíveis simbolismos após a quebra do espelho, Hanass lecionou durante um longo tempo. Ele não havia terminado mesmo quando Edward Steve retornou à sala depois de terminar sua divinação.
Klein não perguntou o que Edward fez em sua divinação ou que métodos usou, já que era uma regra implícita entre os que praticavam tal arte. Enquanto atuava como um Vidente, ele naturalmente tinha que respeitar estritamente tal regra a menos que a outro lado mencionasse algo.
— Descobri que, muitas vezes, nossa interpretação é muito vaga, como se estivesse respondendo diferentes perguntas, permitindo que pessoas diferentes encontrassem uma descrição de si mesmas a partir da interpretação. — Edward bebeu um gole do chá preto de Sibe e disse com um leve suspiro:
— Por exemplo, aqueles que enfrentam adversidades e calamidades acabarão por ver a luz da esperança. Heh heh, mas ninguém sabe quando virá. Por exemplo, uma viagem pode não ser muito tranquila, mas você definitivamente chegará vivo. Hehe, os mortos não vão me retrucar.
Como ele não ouviu desde o começo, ignorou a aula de divinação de espelho mágico de Hanass.
— Viés de sobrevivência — acrescentou Klein com um sorriso.
Viés de sobrevivência significava que muitas estatísticas incluiriam apenas aqueles que estavam vivos e tinham sorte. Os dados ignorariam os mortos; portanto, os resultados seriam claramente tendenciosos.
— Certo. O imperador Roselle era realmente um filósofo. — Maravilhou-se Edward.
— …. — Sem palavras, Klein levantou a taça vazia e fingiu tomar um gole.
Os membros estavam totalmente imersos no estudo de horóscopos e divinação de espelhos mágicos durante toda a tarde. Ocasionalmente, também discutiam com Klein e Edward.
Enquanto isso acontecia, Klein tentava ao máximo cumprir seu dever como membro informal dos Falcões Noturnos. Ele se esforçou para desviar o assunto de qualquer coisa relacionada a Beyonders ou ideias perigosas.
No entanto, ele falhou no assunto que mais lhe interessava. Alguns interessados vieram, mas nenhum deles o escolheu para fazer sua divinação.
Talvez eu tenha que ser mais proativo em entretê-los. Deveria usar algumas frases como “você está afetado com má sorte”, “você está tendo uma onda de azar recentemente” ou “nada que você faça acontece sem problemas?” Não, isso não seria como um Vidente… — Com isso em mente, Klein não pôde deixar de balançar a cabeça em desaprovação.
Ele pegou sua bengala, levantou-se e saiu depois de se despedir de todos.
Às cinco e meia, Edward Steve vestiu seu casaco e estava pronto para sair do Clube de Divinação, quando de repente viu uma figura familiar.
— Boa tarde, Glacis. Há quanto tempo. — Cumprimentou Edward com um sorriso. Ele viu seu amigo de interesses semelhantes ao seu usando um terno formal usual com uma gravata borboleta preta. Na frente de seu peito pendia um monóculo.
Imediatamente depois disso, ele notou que seu amigo não parecia muito bem. Mesmo seu cabelo loiro e macio parecia seco.
— Boa tarde, Edward… Cof — Glacis, com seu chapéu na mão, subitamente usou o punho para cobrir a boca enquanto tossia algumas vezes.
Edward perguntou, preocupado:
— Você parece estar doente?
— E é bem sério. Até se transformou em pneumonia. Se minha esposa não tivesse encontrado um excelente boticário e me dado um remédio mágico, você provavelmente teria que me visitar no cemitério. — O tom de Glacis estava repleto de medo e alegria persistentes.
— Senhor, não posso acreditar. Você estava tão saudável antes. Olhe para você, você parece tão frágil agora! Eu me lembro quando divinei para você, não havia nenhum sinal que indicasse que você teria uma doença séria. — Edward acenou com a bengala e disse com um suspiro espantado.
— Minha própria divinação teve o mesmo resultado que a sua. Talvez não sejamos especialistas em divinação qualificados. Além disso… — Glacis de repente lembrou os acontecimentos da segunda-feira e sua expressão se tornou anormalmente séria.
Naquele momento, a bela dama, Angélica, aproximou-se e curvouse com um sorriso agradável.
Depois de trocar cumprimentos, ela primeiro mostrou preocupação pela saúde de Glacis e forneceu algumas sugestões. Então, ela mencionou de passagem:
— Sr. Glacis, o Sr. Moretti, que solicitou seus serviços de divinação anteriormente, também se juntou ao nosso clube.
— Aquele que me fez fazer uma divinação para ele? — Os olhos de Glacis se iluminaram imediatamente. — Senhor?! Onde ele está?
— Ele acabou de ir embora. — Angélica e Edward foram incapazes de compreender a reação anormal de Glacis.
Glacis deu dois passos, agitado e disse:
— Da próxima vez que ele vier, por favor, pergunte quando ele virá se eu não estiver por perto!
— Glacis, o que aconteceu? Aquele Sr. Klein Moretti fez alguma coisa para você? — Edward perguntou, curioso.
Glacis levantou o braço e olhou diretamente para os olhares curiosos de Edward e Angelica. Ele disse com emoção:
— Ele é um Doutor, muito, muito, muito…
Ele abaixou o braço e disse depois de usar “muito” três vezes:
— Mágico!
Capítulo 50
Capítulo 50 – Métodos de Pagamento do Velho Neil
Às sete e meia da noite, ao redor da mesa de jantar da família Moretti.
— Klein, por que você precisa estar no trabalho tão cedo como um consultor? As situações de emergência na empresa de segurança são perigosas? — Benson pegou uma batata de um prato de carne ensopada com batata enquanto perguntava preocupado.
Klein cuspiu cuidadosamente as espinhas de um peixe frito e deu sua resposta preparada.
— Um lote de documentos históricos precisava ser enviado imediatamente para Backlund. Eu tinha que estar presente para lidar com a entrega e ter certeza de que não havia nada faltando. Como pode imaginar, o bando de brutos miseráveis não sabem nada de Feysac.
Ao ouvir sua resposta, Benson, que havia terminado de mastigar sua comida, não pôde deixar de suspirar.
— Conhecimento é realmente importante.
Aproveitando essa oportunidade, Klein pegou a nota restante de cinco libras e a entregou a Benson.
— Este é o pagamento adicional que recebi hoje. Está na hora de você também comprar roupas decentes.
— Cinco libras? — disseram Benson e a Melissa juntos.
Benson pegou a nota e olhou para ela repetidamente. Ele disse em choque e dúvida:
— Esta empresa de segurança com certeza é generosa…
Seu salário semanal era de uma libra e dez soli, o que somava seis libras a cada quatro semanas. Ele só ganhava uma libra a mais que esse pagamento adicional!
E com esse salário, ele conseguiu sustentar seus irmãos, dandolhes um lugar decente para morar e permitindo que comessem carne duas a três vezes por semana. Todo ano eles poderiam comprar algumas roupas novas!
— Está duvidando de mim? — respondeu Klein intencionalmente com uma pergunta.
Benson riu.
— Eu duvido que você tenha a habilidade e a coragem de roubar um banco.
— Você não é bom em mentir — respondeu Melissa seriamente depois de baixar o garfo e a faca.
Agora eu sou alguém acostumado a mentir… — Klein imediatamente se sentiu um pouco envergonhado.
Embora fosse resultado das circunstâncias de sua realidade, a crença de sua irmã nele o deixou melancólico.
— Foi relativamente urgente e importante hoje. Também desempenhei um papel crucial… por isso as cinco libras — explicou Klein.
De certa forma, o que ele disse era verdade.
Quanto às cinco libras com que seria reembolsado – as que usou para se juntar ao Clube de Divinação – ele planejou não contar. Em primeiro lugar, se trouxesse cinco libras para casa novamente, ele realmente assustaria seus irmãos, fazendo-os suspeitar que ele estava fazendo algo ilegal. Em segundo lugar, tinha que economizar para comprar materiais adicionais para praticar ser um Vidente e compreender mais sobre o conhecimento de misticismo.
Benson mordeu o pão de trigo com satisfação e pensou por mais de dez segundos.
— O trabalho em que estou não precisa de roupas decentes. Bem, para ser preciso, as roupas que tenho em casa são suficientes.
Sem esperar que Klein o persuadisse, ele sugeriu:
— Com essa renda adicional, teríamos uma poupança de verdade. Estou pensando em comprar alguns livros sobre contabilidade e estudar. Klein, Melissa, não quero que meu salário semanal permaneça abaixo de duas libras em cinco anos. Heh, como vocês sabem, meu chefe e gerente tem merda na cabeça. Suas bocas fedem no momento em que as abrem.
— Excelente ideia — concordou Klein. Ele também aproveitou a oportunidade para orientar a conversa. — Por que você não lê alguns dos livros de gramática no meu quarto? Para ser verdadeiramente digno e ganhar um bom salário, isso é algo bastante importante.
Talvez no futuro, exames para funcionários públicos surjam no reino
Loen. Preparar-se antes do tempo lhe daria a vantagem…
Os olhos de Benson se iluminaram quando ele ouviu isso.
— Eu realmente me esqueci disso. Vamos brindar a um belo futuro.
Ele não bebeu cerveja de centeio. Em vez disso, colocou a sopa de ostras em três xícaras e tilintou a xícara com as de seus irmãos.
Depois de beber a sopa clara, ele olhou para sua irmã que estava lutando com o peixe frito. Ele riu e disse:
— Além dos livros de Benson, acho que Melissa também precisa de um vestido novo.
Melissa olhou para cima e balançou a cabeça incessantemente.
— Não, eu acho que é melhor…
— Economizar — Klein terminou a frase para ela.
— Sim — concordou Melissa.
— Na verdade, se você não procurar os melhores tecidos e os mais novos modelos, não seria muito caro. Podemos guardar o dinheiro restante — disse Klein de uma maneira que não a permitia discordar.
Benson acrescentou:
— Melissa, você está planejando usar o vestido velho de novo para a festa de aniversário de 16 anos da Selena?
Selena Wood era colega de classe e boa amiga de Melissa. Ela tinha uma boa família. Seu irmão mais velho era um procurador praticante e seu pai um funcionário sênior da filial de Tingen do Banco Backlund.
No entanto, a festa era apenas um convite para um jantar para os amigos, onde eles conversavam e jogavam cartas.
— Tudo bem. — Melissa baixou a cabeça e murmurou uma resposta. Então, ela impiedosamente garfou um pedaço de carne cozida.
Depois de um breve silêncio, ela de repente lembrou de algo e olhou para cima de repente.
— Sra. Shaud, nossa vizinha, pediu que sua criada nos entregasse uma carta. Ela deseja fazer uma visita formal amanhã, domingo, às quatro da tarde. Ela quer conhecer seus novos vizinhos.
— Sra. Shaud? — Klein olhou para os irmãos, confuso.
Benson bateu na lateral da mesa com os dedos e pareceu estar pensando.
— Sra. Shaud do número 4? Eu conheci seu marido antes. É um procurador sênior.
— Procurador sênior… talvez conheça o irmão da Selena — disse Melissa com tom de prazer.
Estamos na rua Narciso número 2… — Klein acenou com a cabeça ligeiramente.
— É imperativo conhecermos os nossos vizinhos, mas como sabem, ainda tenho de estar na empresa no domingo. Só tenho folga na segunda-feira. Por favor, passe minhas desculpas para a Sra. Shaud.
Com isso dito, ele de repente lembrou os vizinhos de sua antiga vida quando era jovem, bem como os vizinhos no apartamento da rua Cruz de Ferro. Ele recordou e suspirou levemente.
— Ter visitas formais… Os vizinhos não deveriam se conhecer através de interações naturais?
— Haha, Klein, isso é porque você não sabe. Você leu muitos jornais recentemente, mas não abordou as revistas dirigidas a famílias e mulheres de meia-idade. Eles colocaram famílias com uma renda anual de cem a mil libras como classe média. Promoveram isso como a estrutura de todo o reino e elogiaram como a classe média não tem a arrogância dos aristocratas e dos ricos, nem são tão grosseiros quanto a classe de baixa renda.
Benson explicou de forma leviana e feliz:
— Essas revistas transmitem muitas cerimônias simplificadas que os aristocratas praticam em suas interações. Como tal, torna-se um alvo da classe média. Isso resulta nas diferenças entre visitas íntimas, semi-formais, e formais.
Enquanto falava, ele balançou a cabeça e riu.
Normalmente, cavalheiros, madames e senhoritas que se veem nesta classe são muito particulares sobre detalhes. Eles visitarão seus vizinhos e amigos das duas às seis da tarde. É conhecido como visita matinal.
— Visita matinal? Por que uma visita das duas às seis da tarde é uma visita matinal? — perguntaram Klein e Melissa surpresos.
Benson baixou o garfo e a faca, jogou as mãos para o alto e sorriu.
— Também não sei o porquê. Tudo que eu fiz foi ler as revistas que minha colega trouxe. Sim, talvez seja porque eles usam seus trajes da manhã para fazer a visita…
Trajes da manhã era uma forma de traje formal usado durante a missa ou reuniões. Mais tarde, foi considerado como traje formal para o dia, diferente do traje formal para funções noturnas.
— Tudo bem. Lembre-se de comprar um bom café em pó e folhas de chá à tarde. Compre alguns bolinhos e tortas de limão da Sra. Smyrin. Não devemos maltratar nossos vizinhos. — Klein riu enquanto mergulhava o restante do pão no molho da carne, pegava um pouco de batata e colocava na boca.
A manhã seguinte era de um domingo.
Klein terminou a última porção do chá de qualidade inferior, guardou os jornais e vestiu a meia cartola. Pegando a bengala preta incrustada de prata, ele saiu pela porta e pegou uma carruagem pública para a rua Zouteland.
Ele cumprimentou Rozanne, que estava planejando dormir na sala de descanso depois de terminar o turno noturno. Depois disso, desceu até o porão.
Depois de virar uma esquina, ele encontrou um membro dos Falcões Noturnos, a Sem Sono Royale Reideen.
Ela parecia uma dama fria. Suas sobrancelhas eram longas e esbeltas, posicionadas acima de grandes olhos. Seu cabelo era preto, liso e sedoso.
— Bom dia, Madame Reideen — Klein cumprimentou com um sorriso.
Royale usou seus olhos azuis profundos para olhar para ele e assentiu em retorno com um olhar indiscernível .
Os dois rapidamente passaram um pelo outro quando Royale parou e disse olhando para frente:
— Magia ritualística é uma coisa muito perigosa.
Ah… — Klein ficou surpreso. No momento em que ele se virou, tudo o que viu foi suas costas.
— Obrigado. — Ele franziu a testa e gritou para as costas de Royale Reideen.
Depois de virar à esquerda, ele rapidamente encontrou Velho Neil dentro do arsenal, e também Bredt, que não deveria estar lá.
— Vamos para minha casa. Eu já recebi os materiais correspondentes. Bredt concordou em guardar o arsenal para mim — disse Velho Neil com uma risada.
Klein ficou imediatamente surpreso.
— Não vamos fazer aqui?
Velho Neil, que segurava um baú de prata, disse com desdém.
— Não há espaço aqui para praticar magia ritualística.
Klein não perguntou mais nada. Ele seguiu o Velho Neil até as ruas e tomou uma carruagem pública para os subúrbios do Burgo Norte.
A casa de Neil era um bangalô. O jardim em frente estava cheio de rosas, hortelã dourada e outros “materiais”.
No momento em que entrou, ele viu um foyer acarpetado com duas cadeiras altas e um porta guarda-chuva.
Através do foyer havia uma ampla sala de estar. As paredes estavam cobertas com papel de parede de cor clara. O piso era de cor marrom-escura. No meio da sala havia um pequeno tapete com desenhos florais no qual uma pesada mesa redonda ficava.
Ao redor da mesa havia bancos compridos e confortáveis, bancos individuais e um piano.
— Minha falecida esposa amava música. — Velho Neil apontou para o piano e mencionou de passagem:
— O sofá e a mesa de centro estão nos quartos… Vamos fazer a magia ritualística na sala de estar.
— Tudo bem — respondeu Klein com cautela.
Depois que Velho Neil abaixou o baú de prata, ele riu e disse:
— Deixe-me demonstrar a magia ritualística. Certifique-se de observar e lembrar o ritual.
Enquanto falava, ele pegou um pergaminho de pele de cabra falsa do baú. Ele foi feito especialmente e tinha imagens estranhas desenhadas com tinta preta que exalava uma fragrância serena.
Klein continuou observando e finalmente descobriu que Velho Neil estava, aparentemente, provavelmente, possivelmente escrevendo uma nota promissória!
Quando o Velho Neil preencheu o campo correspondente com o número “30” e o símbolo “£” correspondente, Klein não pôde deixar de perguntar perplexo e confuso:
— Sr. Neil, que tipo de magia ritualística você está fazendo?
Velho Neil tossiu e respondeu com muita seriedade:
— Vou usar magia para liquidar essa dívida de trinta libras hoje.
É possível mesmo fazer isso? — Os olhos de Klein se arregalaram e sua boca ficou boquiaberta.
[1] As descrições de cartões de visita e visitas matinais são fatos sobre a socialização na Era Vitoriana.
Capítulo 51
Capítulo 51 – A Magia Ritualística Fundamentada
Usar magia para liquidar uma Nota Promissória?
Ele está tentando amaldiçoar seu credor até a morte ou criar notas falsas?
“Eu posso não ter uma solução para o problema, mas posso acabar com você em vez disso”?
…
Todos os tipos de pensamentos passaram pela mente de Klein e ele olhou para Velho Neil estranhamente.
Ele considerou seriamente a possibilidade de chamar a polícia, não, de informar os Falcões Noturnos.
Velho Neil lançou um olhar para ele e disse irritado:
— Eu posso ver a ignorância, a tolice, e a descrença fraca e descarada em seus olhos. Dunn não lhe disse a máxima dos Espreitadores de Mistérios? Faça como quiser, mas não faça mal.
Embora essa máxima tenha se originado da secreta e maligna Ordem Ascética de Moisés, os Beyonders que escolheram o caminho da Ordem provaram que ela é verdadeira através de suas próprias experiências. Contanto que a pessoa cumpra rigorosamente e mostre o medo e a reverência necessários, o risco de perder o controle será minimizado. O contrário foi igualmente estabelecido.
— Sua suspeita em relação a mim é um insulto aos Espreitadores de Mistérios!
— Desculpa. — Klein não hesitou em se desculpar.
Ele realmente havia se esquecido de que Dunn Smith tinha mencionado a máxima.
Velho Neil não estava realmente zangado. Em um piscar de olhos, ele riu.
— Uma pena. Muito poucos Beyonders escolhem ser Videntes. Não há uma máxima correspondente para ajudá-lo.
Mas eu tenho os diários do Imperador Roselle… Sim, obedecer estritamente à máxima tem uma sugestão ao “agir”… — Klein de repente chegou a esse pensamento enquanto assentia como se estivesse pensando profundamente.
Velho Neil não continuou. Ele removeu os vasos e outros itens da mesa redonda e os colocou em um canto.
Imediatamente depois disso, ele pegou uma vela vermelha e uma preta do baú de prata e explicou:
— Se pessoas comuns tentarem a magia ritualística, precisam seguir os resultados da astromancia ou ler os manuais correspondentes. Elas têm que escolher datas e horários adequados. Por exemplo, o dia representando a Deusa, o período em que Ela governa a lua. Mas para nós, Beyonders, especialmente os Beyonders bons neste domínio, não há necessidade disso. A nossa percepção espiritual aguçada e as projeções astrais poderosas são a chave.
— É claro que, se você não estiver confiante sobre a magia ritualística que está tentando, é melhor escolher uma data e horário adequados. Isso pode aumentar a probabilidade de sucesso.
— Ah, certo. Isto é baseado em uma premissa. Lembre-se de cumprir cuidadosamente e rigorosamente as regras!
Velho Neil colocou as duas velas, virou para o lado e olhou para Klein, dizendo muito solenemente:
— Beyonders de baixa sequência não são fortes o suficiente. Quase toda magia ritualística que eles podem executar é em busca de poderes e ajuda externos. Portanto, você pode apenas considerar as divindades ortodoxas como a Deusa ou o Senhor das Tempestades. Absolutamente – absolutamente, não tente se comunicar com as existências desconhecidas ou imprevisíveis, mesmo que as pessoas acreditem nelas ou as promessas registradas estejam repletas de tentações!
— Acredite em mim, não se arrisque. Contanto que você tente uma só vez, vai cair em um declive escorregadio para um abismo sem retorno. Qualquer trabalho ou resistência só vai atrasá-lo, sem nenhuma maneira de mudar a trajetória.
— Me lembrarei! — disse Klein com uma voz profunda. No entanto, ele sentiu um pouco de medo.
Meu ritual de aprimoramento de sorte aparentemente buscou o poder de uma existência desconhecida e imprevisível…
Além disso, eu ganhei poderes capazes de puxar as pessoas para a névoa que até mesmo um Beyonder sênior como o Enforcado acha inacreditável. Bem… Pelo menos eu acho que ele é um Beyonder sênior…
Felizmente, não enlouqueci nem tenho sinais de perder o controle…
Enquanto se preocupava com isso, ele mudou proativamente o assunto.
— Então os Falcões Noturnos deveriam procurar a ajuda da Deusa?
— Ninguém vai impedi-lo se você rezar para o Senhor das Tempestades. No entanto, somos incapazes de dizer a partir de nossa magia ritualística se Ele responderia com intenção maliciosa ou não. O resultado seria distorcido de formas imprevisíveis. — Velho Neil fez Klein desistir da ideia de maneira brincalhona.
Não havia o chamado “melhor”, apenas o “necessário!”
Depois de suas exortações, Velho Neil pegou uma vela vermelha carmesim e disse:
— Usando velas feitas de flores da lua e madeira de sândalo vermelho escuro, para representar a identidade da Deusa como Senhora do Carmesim na magia ritualística.
Ele apontou para as velas negras e disse:
— Velas feitas de baunilha noturna e flores do sono representam a noite.
Enquanto falava, colocou a vela preta no canto superior esquerdo da mesa redonda, enquanto que a vela vermelha foi colocada no canto superior direito.
— Por que simbolizamos a Deusa com apenas duas velas? Ela também é a Mãe dos Segredos, Imperatriz do Desastre e do Horror, e Senhora da Calma e do Silêncio. — Velho Neil riu.
— Isso mesmo. Isso é algo que eu queria que você perguntasse.
— Antes de sua queda, a Ordem Ascética de Moisés tinha um relacionamento muito bom com a Igreja. Suas crenças e resultados em magia ritualística nos influenciaram muito.
— Eles acreditam que todos os objetos são numéricos. Cada número tem uma espiritualidade e na magia ritualística, 0 representa o desconhecido ou o Caos e simboliza o estado do universo antes dele nascer. 1 representa um começo, o primeiro Criador. 2 representa o mundo e várias divindades que foram produzidos a partir de Seu corpo. 3 representa o contato entre divindades e objetos materiais para criar todas as coisas. Aqui, as duas velas representam a Deusa enquanto a terceira vela é para você.
— Quais das duas velas e quais dos dois símbolos dependem dos efeitos pretendidos da magia ritualística?
Três gera todas as coisas? Todas as coisas derivam de três? — Klein não pôde deixar de recordar certas coisas de sua vida anterior.
Ao ver Klein ouvir atentamente, Velho Neil pegou uma terceira vela e disse:
— Esta é a vela que representa o “eu”. É uma vela muito comum com só um pouco de hortelã adicionada. Tome nota que plantas como rosas, limões, hortelã, flor da lua, baunilha noturna e flor do sono são amadas e estimadas pela Deusa.
— Visualizando de outro ângulo, as três velas representam os corpos, espiritualidades e divindade de cada pessoa.
Depois de terminar a descrição, Velho Neil colocou a terceira vela no meio da mesa redonda.
Ele então pegou uma garrafa de “Óleo de Essência da Lua Cheia”, um enorme caldeirão gravado com o Emblema Sagrado das Trevas, uma faca de prata com lindos padrões, uma xícara de água e um pires de sal grosso.
— Para Beyonders que não são bons em magia ritualística, há a necessidade de sinos, bolas de cristal, taças de prata, incenso ou outros itens complementares. No entanto, Espreitadores de Mistérios e Videntes não precisam disso. Esses artefatos já são suficientes.
Velho Neil colocou o pergaminho falso de pele de cabra com a Nota Promissória logo abaixo do caldeirão e usou uma pena especial para segurar um dos cantos.
Ele então se virou para Klein e disse:
— A magia ritualística precisa de um ambiente espiritual limpo, onde você não seja perturbado. E isso requer que criemos tal espaço. Os passos são primeiro entrar em Cogitação. Concentre sua mente e com os itens suplementares, reúna nossa força, e a construa em torno de nós. Por exemplo, na casa de Ray Bieber foi usado Pó da Noite Sagrada, enquanto agora, eu vou estar usando uma faca ritualística de prata.
— Ao longo de todo o processo, temos que ir de acordo com o resultado que desejamos para confirmar o simbolismo e o encantamento correspondente. Encantamentos são feitos melhor em Hermes porque o antigo Hermes derivava da natureza. É semelhante ao antigo Dragonês e antigo Élfico. Os efeitos são bem diretos, sem o encobrimento e proteção necessários, o que faz com que a pessoa que fez o encantamento fique em perigo. Por isso foi modificado, porém, é mais efetivo.
— Certo, eu tenho que focar na magia ritualística. Eu não vou explicar as coisas ainda mais. Assista e ouça com atenção. Lembrese de qualquer problema e me pergunte quando tudo estiver feito.
— Tudo bem. — Klein deu dois passos para trás e focou o olhar no Velho Neil.
Os olhos de Velho Neil escureceram rapidamente enquanto um vento invisível soprou em volta dele.
Ele ficou em silêncio por um momento, indo da esquerda para a direita, depois de cima para baixo, usando sua psique para causar atrito e acender consecutivamente as três velas.
Depois disso, ele pegou o punhal de prata e esfaqueou o sal grosso. Então, ele recitou em Hermes:
— Eu te santifico, lâmina de pura prata!
— Eu te limpo e purifico, permitindo que você me sirva neste ritual!
…
— Em nome da Deusa da Noite Eterna, a Dama do Carmesim…
— Você foi santificado!
Depois de uma sílaba curta, mas poderosa, o Velho Neil pegou uma faca de prata e a inseriu em um copo de água limpa. Então, levantou e apontou para o espaço além da mesa redonda.
Ele apontou a ponta da lâmina na periferia e deu um passo à frente, circundando a mesa redonda. Cada passo que ele dava fazia Klein sentir uma energia invisível saindo da faca de prata. Estava cheia de espiritualidade enquanto se conectava com o ar, formando uma parede completamente selada.
Depois de dar uma volta, o altar estava completamente isolado do seu entorno.
Velho Neil ficou em frente à mesa redonda e colocou a faca de prata no chão. Ele pegou a garrafa de Óleo de Essência da Lua Cheia e pingou três gotas nas velas preta, vermelha escura e na comum.
Sizzle!
Uma fina névoa emanou enquanto tudo parecia se tornar velado em mistério.
Velho Neil largou a garrafa de vidro e olhou para o pergaminho de pele falsa de cabra em silêncio por dois minutos. Então, ele pegou a pena e desenhou uma marca que ele controlava – um quadrado que emoldurava todo o conteúdo, indicando que ele estava no controle da dívida.
Depois disso, ele desenhou outra “cruz”, indicando que havia sido cancelada.
Ao alcançar este passo, ele pegou o pergaminho com uma mão e tocou sua glabela com a outra para ativar sua Visão Espiritual.
Outra energia invisível e exuberante floresceu enquanto Velho Neil sussurrava um canto:
— Eu rezo para o poder da noite escura.
— Eu rezo para o poder do carmesim.
— Eu rezo para a graça amorosa da Deusa.
— Por favor, me forneça os fundos para pagar essa nota promissória.
— Baunilha noturna, uma erva que pertence à lua vermelha, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento!
— Flor da lua, erva que pertence à lua vermelha, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento!
…
Klein ficou completamente perplexo enquanto ouvia ao lado. Vários tipos de pensamentos surgiram.
Tal encantamento pode funcionar?
Embora tenha sido recitado em Hermes escrito…
Isso não é muito simples e realista?
A Deusa não ficaria zangada e acabaria multiplicando a dívida?
Naquele momento, a vela se acendeu de repente!
Depois que Velho Neil terminou seu encantamento e fechou os olhos por dois minutos, ele pegou o Óleo de Essência da Lua Cheia e pingou uma gota em cada uma das três velas.
Imediatamente após, ele pegou o pergaminho e o aproximou da vela que representava o “eu”. Quando acendeu, ele imediatamente o jogou no caldeirão.
Velho Neil fechou os olhos novamente quando pareceu sentir que a nota de nota promissória havia sido queimada.
Ele abriu os olhos depois de um momento e olhou para o emblema sagrado preto no caldeirão. O pergaminho já estava completamente incinerado.
— Louvada seja a dama! — Velho Neil tocou seu peito em quatro pontos, formando a forma da lua carmesim. Então ele apagou as velas na ordem contrária de quando as acendeu.
Depois de terminar tudo, ele usou a faca de prata para rasgar a parede invisível ao seu redor.
Um forte vento se agitou imediatamente quando Velho Neil soltou um suspiro de alívio.
— Está feito.
— É isso? — perguntou Klein em transe. — A nota de nota promissória foi liquidada? Como?
— Eu também não sei. De qualquer forma, será resolvido de uma maneira razoável — disse Velho Neil com um sorriso enquanto levantava as mãos.
— Isso… — Klein não sabia qual expressão ou palavras usar como resposta.
Isso não é meio duvidoso?
Este é um provérbio Taoista, “O Tao gera o um, o um gera o dois, o dois gera o três, o três gera todas as coisas.”
Capítulo 52
Capítulo 52 – Espectadora
— Pare de pensar sobre a maldita nota promissória. Vamos conversar sobre magia ritualística. — Velho Neil guardou as velas, o caldeirão, a faca de prata e outros itens com uma expressão relaxada.
Klein realmente queria dar de ombros como os americanos em sua vida anterior, mas no final não conseguiu fazer algo que não fosse cavalheiresco.
Ele voltou seu foco para a magia ritualística e fez perguntas detalhadas que o intrigavam, recebendo as respostas adequadas. Por exemplo, os encantamentos tinham um formato particular. Enquanto satisfizessem o significado fundamental e fosse expresso em Hermes, o resto poderia ser deixado para a criatividade do indivíduo. É claro que blasfêmia ou descrições desrespeitosas eram absolutamente proibidas.
A aula de misticismo durou até o meio-dia, antes que Velho Neil tossisse duas vezes.
— Temos que voltar para a rua Zouteland.
Com isso dito, ele resmungou de uma maneira indistinta:
— Para pegar esses malditos materiais, perdi meu amado café da manhã.
Klein olhou em volta, se divertindo, e intrigado.
— Sr. Neil, você tem um chef? Ou uma criada encarregada de cozinhar?
Um salário semanal de doze libras poderia contratar vários criados!
De acordo com os jornais, com alimentação e alojamento fornecidos, a contratação de um chef comum custava entre doze e quinze soli por semana. Não precisava nem sequer de uma libra. Uma empregada para fazer diversas tarefas era ainda mais barato. Seus salários semanais variavam de três soli e seis centavos a seis soli. Mas é claro que não se podia esperar que eles tivessem qualquer habilidade culinária.
Uh, é mesmo. Com a dívida de trinta libras do Sr. Neil, é normal que ele não contrate nenhum cozinheiro ou empregada…
Parece que fiz outra pergunta que não deveria ter feito…
Enquanto Klein lamentava sua pergunta, Velho Neil balançou a cabeça sem se importar e disse:
— Costumo tentar magia ritualística, pesquisar itens extraordinários e ler documentos correspondentes em casa, então não é possível contratar pessoas comuns como chefs, mordomos ou empregadas. Só contrato alguém para limpar a casa regularmente. E se não forem pessoas comuns, você acha que estariam dispostos a fazer tais trabalhos?
— Parece que fiz uma pergunta idiota. Possivelmente porque eu não faria nada que envolva misticismo em casa — explicou Klein em desaprovação.
Velho Neil havia se levantado há um tempo, e usando seu chapéu redondo de feltro caminhava porta afora, enquanto continuava a tagarelar.
— Parece que eu sinto o cheiro de foie gras frito… Assim que a nota promissória esteja completamente liquidada, eu definitivamente vou comer um prato! Para o almoço, com certeza vou comer lombo com molho de maçã. Não, isso não é suficiente. Eu devo ter uma salsicha com purê de batatas…
Você está me deixando com fome… — Klein engoliu sua saliva enquanto alcançava Velho Neil e se dirigia para a parada de transporte público mais próxima.
Depois de voltar para a rua Zouteland, Velho Neil grunhiu subitamente depois de descer da carruagem.
— O que estou vendo? Deusa, o que eu estou vendo?
De repente, ele foi tão ágil quanto um rapaz de dezessete ou dezoito anos. Ele rapidamente chegou à beira da estrada e pegou algo.
Klein se aproximou por curiosidade e olhou com atenção. Ele percebeu que era uma carteira de fino acabamento.
Com a falta de experiência, mal sabia dizer se a carteira marromescura era feita de pele de búfalo ou de carneiro, mas notou um pequeno logo azul-claro bordado na lateral da carteira – uma pomba branca abrindo as asas como se estivesse pronta para voar.
Essa foi a primeira impressão de Klein. A segunda coisa que ele notou foi o bloco de notas de papel na carteira volumosa.
Havia mais de vinte notas cinzentas imprimidas com tinta preta – libras de ouro!
Velho Neil abriu a carteira e tirou as notas. Quando olhou para elas com cuidado, ele imediatamente riu.
— Notas de dez libras. O honorável Fundador e Protetor, William I. Uau, Deusa, há um total de trinta notas. Há também algumas notas de cinco libras, notas de uma libra e cinco soli.
Mais de trezentas libras? Isso é uma quantia enorme de dinheiro em todos os significados da palavra! Eu talvez não ganhe tanto nem em dez anos… — A respiração de Klein ficou pesada involuntariamente.
Como a quantidade de libras de ouro era imensa, pegar uma carteira dessas equivalia a pegar uma maleta de notas em sua vida anterior.
— Me pergunto qual cavalheiro a deixou cair… Ele não pode ser alguém comum — Klein analisou calmamente.
Tal carteira claramente não era feminina.
— Não há necessidade de se importar com quem ele é — disse Velho Neil com uma risada. — Não é como se nós tentássemos adivinhar e pegar dinheiro que não nos pertence. Devemos esperar aqui por um momento. Acredito que o cavalheiro em breve voltará para procurá-la. Não é algo que pode ser abandonado, não importa quem seja.
Klein soltou um suspiro de alívio. Ele tinha um novo entendimento da moral de Velho Neil.
Klein estava bastante preocupado que ele teria usado a doação da Deusa como uma desculpa para pagar sua dívida. Ele ainda estava se perguntando como evitar tal situação e convencê-lo do contrário.
Isso é “faça o que quiser, mas não faça mal?” — De repente, Klein aprendeu algo novo.
A dupla não esperou mais que um minuto nas ruas quando uma luxuosa carruagem de quatro rodas se aproximou. Seu lado tinha um logotipo azul claro com uma pomba abrindo as asas.
A carruagem parou e um homem de meia-idade, vestido com um terno preto formal e uma gravata borboleta da mesma cor, pousou.
Ele olhou para a carteira, tirou o chapéu e disse educadamente:
— Senhores, essa deve ser a carteira do meu mestre.
— Seu logotipo é a prova de tudo, mas eu preciso fazer verificações adicionais. Isso é para ser responsável por ambas as partes. Posso perguntar quanto dinheiro tem na carteira? — respondeu Velho Neil educadamente.
O homem de meia-idade foi pego de surpresa e disse, se repreendendo, quase imediatamente:
— Como mordomo, não sei quanto dinheiro meu Mestre tinha em sua carteira. Desculpe. Por favor, permita-me perguntar.
— Como quiser. — Velho Neil gesticulou para que ele fizesse o que quisesse.
O homem de meia-idade foi até o lado da carruagem e, pela janela, conversou com a pessoa que estava lá dentro.
Ele se aproximou de Klein e Velho Neil novamente e sorriu.
— Mais de 300 libras, mas menos de 350 libras. Meu mestre não se lembra do número exato.
Não se lembra… Isso é realmente um cara podre de rico. Se eu tivesse tanto dinheiro comigo, definitivamente o estaria contando de novo e de novo… — Klein estava cheio de inveja.
Velho Neil assentiu e entregou a carteira de volta.
— Que a Deusa esteja de prova, isso pertence a você.
O homem de meia-idade pegou a carteira e fez uma estimativa antes de retirar três notas de dez libras.
— Meu mestre é Sir Deweyville. Ele deseja elogiar sua integridade. Isso é o que uma pessoa honesta merece receber, por favor, não rejeite.
Sir Deweyville? O responsável por estabelecer o Fundo Deweyville? O Sir Deweyville que forneceu apartamentos de aluguel baratos para a classe trabalhadora? — Klein imediatamente se lembrou do nome.
Ele era um cavaleiro que seu irmão respeitava, mas não acreditava que fosse fundamentado na realidade.
— Obrigado, senhor Deweyville. Ele é um gentil e generoso cavalheiro. — Velho Neil não fez cerimônia e recebeu as três notas.
Depois de ver a carruagem de Sir Deweyville partir, ele se virou para Klein e percebeu que não havia ninguém por perto. Ele sacudiu as notas e riu.
— Trinta libras. A nota promissória está liquidada.
— Não disse que seria resolvido de uma maneira razoável?
— Este é o poder da magia.
…Santo poder da magia! Isso realmente funciona!? — Klein foi mais uma vez surpreendido.
Alguns minutos depois, ele entrou na escadaria do prédio e, enquanto se dirigia para a empresa de segurança, perguntou confuso:
— Sr. Neil, por que você não pediu mais dinheiro?
— Não seja ganancioso. É preciso ter cuidado para não ser ganancioso ao fazer magia ritualística. O equilíbrio é um traço crítico e necessário para todo Espreitador de Mistérios se quiser viver muito tempo — explicou Velho Neil alegremente.
Em um enorme salão de baile, velas queimavam em alguns candelabros, emitindo um aroma que acalmava a mente. Considerando o grande número de velas, elas produziam uma luz de maneira alguma inferior à das lâmpadas a gás.
Havia mesas compridas com foie gras fritos, bife grelhado, frango assado, lingueirão frito, ostras de Desi, ensopado de carneiro, sopa cremosa e outras iguarias. Além disso, havia garrafas de Mist Champagne, vinho de uvas Aurmir e vinho tinto Southville. Todos reluziam com um brilho tentador sob a luz.
Servos de colete vermelho carregavam bandejas com taças de cristal, que transportavam entre cavalheiros e damas vestidos elegantemente.
Audrey Hall usava um vestido branco-pálido de cintura alta com engageantes. Seu espartilho estava bem justo, enquanto suas volumosas camadas estavam perfeitamente cheias sustentadas com uma crinolina.
Seu longo cabelo loiro estava enrolado em um elegante coque, os brincos, colar e anéis que ela usava cintilavam brilhantemente e em seus pés havia um par de sapatos brancos de dança com rosas e diamantes costurados neles.
Quantas anáguas estou usando? Cinco? Seis? — Usando luvas brancas de seda, Audrey acariciou delicadamente a crinolina com sua mão direita.
Sua mão esquerda segurava uma taça de champanhe.
Audrey não se parecia em nada com seu eu usual, geralmente se colocando no centro do palco em banquetes e se fazendo o centro da atenção. Em vez disso, evitou a agitação e ficou em silêncio nas sombras das cortinas penduradas junto às janelas francesas.
Ela tomou um gole de champanhe enquanto observava a multidão, como se não pertencesse à ocasião.
O filho mais novo do Conde Wolf está conversando com a filha do visconde Conrad. Ele gosta de mover o antebraço para reforçar o que diz. Hmm, quanto maior o movimento do antebraço, mais inacreditáveis são as palavras dele. Isso é algo aprendido com a experiência… Ele não consegue parar de tentar se elevar colocando as pessoas para baixo. No entanto, não pode deixar de se sentir culpado. Pode ser visto pela maneira como ele fala e pela sua linguagem corporal…
Duquesa Della repetidamente cobriu a boca enquanto ria com a mão esquerda hoje. Ah, entendi. Ela está exibindo sua pura safira azul oceano…
Seu marido, Duke Negan, está discutindo a situação atual com alguns nobres conservadores. Desde que o banquete começou, ele procurou a duquesa Della uma única vez…
Eles quase não fizeram contato visual. Talvez não estejam tão apaixonados quanto fingem estar…
O barão Larry fez a Madame Parnes rir sete vezes. Isso é bem normal, não há nada de estranho nisso, mas por que ela olha para o marido com olhos cheios de culpa? Oh, eles seguiram caminhos separados… Isso não está certo, as direções que estão indo levam ao jardim…
…
No extravagante banquete, Audrey percebeu muitos detalhes que nunca havia notado no passado.
Houve um instante em que ela quase acreditou estar assistindo a uma ópera.
Todos são bons atores de ópera… — Ela suspirou silenciosamente enquanto seus olhos permaneciam límpidos.
Naquele momento, ela de repente sentiu algo, virou a cabeça e olhou para um canto escuro na grande sacada do lado de fora.
Nas sombras havia um enorme golden retriever sentado em silêncio. Ela estava olhando para dentro, para Audrey, enquanto metade do seu corpo estava escondido na escuridão.
Susie… — Os cantos da boca de Audrey se contorceram e sua expressão mudou instantaneamente. Ela não pôde mais manter seu estado de Espectadora.
Capítulo 53
Capítulo 53 – Ouvinte
Um antigo veleiro de três mastros navegava através de uma tumultuosa tempestade no mar.
Não era rápido e seu deslocamento estava lento. Com o tempo e o mar parecendo uma cena cataclísmica, o veleiro era como uma folha ressequida separada de sua árvore. No entanto, independentemente de como os tufões irrompiam ou quão aterradoras fossem as ondas, continuava navegando pacificamente sem quaisquer sinais de virar.
Alger Wilson estava no convés vazio enquanto olhava para as ondas enormes que pareciam montanhas. Seus pensamentos eram um mistério.
Vai ser segunda-feira novamente… — Ele murmurou silenciosamente para si mesmo.
Era o dia pertencente à Mãe Terra, o começo de uma série de crescer e minguar.
No entanto, significava algo diferente para Alger. Pertencia a uma misteriosa existência para sempre envolta em um nevoeiro brancoacinzentado.
Pelo menos não fui reduzido a um louco… — Ele parou de olhar em volta e deu uma risada, zombando.
Neste momento, um dos poucos marinheiros que ele tinha se aproximou e perguntou com reverência:
—Capitão, para onde estamos indo desta vez?
Alger inspecionou os arredores e disse com uma voz calma:
— Persiga o Ouvinte da Ordem Aurora.
A tempestade diminuiu enquanto a névoa emanava. Em um estranho veleiro com canhões a bordo, um menino de oito ou nove anos, com cabelo amarelo-claro, olhava com medo para os piratas a seu redor. Eles estavam desordenados – alguns desfrutavam de barris de cerveja, alguns se balançavam com cordas, outros zombavam uns dos outros, e alguns até brigavam com os punhos.
Ele se virou para olhar para um homem vestido de preto parado nas sombras. Ele suprimiu a voz e perguntou:
— Pai, para onde estamos indo?
Cinco dias atrás, viu seu pai pela primeira vez, um pai que proclamava ser um aventureiro.
Se não fosse pela pintura a óleo que sua falecida mãe lhe deixara que confirmava a identidade de seu pai e o fato de que o orfanato lhe abriu as portas, ele não estaria disposto a deixar sua cidade natal e seguir seu único parente, que também era quase um estranho.
O homem nas sombras abaixou a cabeça e olhou para o filho. Com uma expressão agradável, ele respondeu:
— Jack, eu estou levando você para um lugar sagrado, uma residência sagrada onde o Criador uma vez viveu.
— É o Reino de Deus? Nós mortais só podemos entrar ganhando Sua graça… — Jack tinha sido bem educado por sua mãe e sabia pelo menos disso. Ele estava surpreso e com medo do assunto.
Nas sombras, o homem tinha um queixo inesquecível como se ele fosse uma escultura esculpida pelo melhor artesão.
Ele colocou a mão próxima à orelha e fez uma pose de escuta e respondeu em um tom que soava como se estivesse falando enquanto dormia — Jack, mortais é um conceito errado. O Criador criou este mundo e Ele está em toda parte. Ele existe em todos os seres vivos. Portanto, todos os seres têm divindade. Uma vez que a divindade atinge um nível específico, eles podem se tornar um anjo. Os sete falsos deuses no presente são apenas anjos poderosos.
— Veja, agora eu posso ouvir os ensinamentos do Criador. Ah, quão extraordinária é essa revelação! A vida é apenas um passeio do espírito. Quando o espírito é suficientemente potente e resiliente, podemos obter nossa divindade e nos fundir com ainda mais divindades…
Jack não conseguia entender a descrição complicada. Ele balançou a cabeça e fez outra pergunta que anteriormente não teve a chance de fazer.
— Pai, ouvi da mãe que depois do Criador criar este mundo, Ele se dividiu em todos os seres e não existe na realidade. Então, por que Sua santa residência existe?
Como uma criança de sete a oito anos, ele era lógico.
O homem com o rosto esculpido ficou surpreso. Ele virou a cabeça, como se estivesse ouvindo mais murmúrios.
De repente, ele caiu de joelhos no convés. Sua pele exposta projetava cacos negros que saiam de sua pele exposta.
Ele segurou a cabeça com as duas mãos enquanto sua expressão se contorceu e ele gritou em extrema dor:
— Eles estão mentindo!
Depois do almoço, tendo Velho Neil prometido a ele que o levaria ao mercado clandestino na próxima vez que fosse, Klein retornou lentamente à Companhia de Segurança Blackthorn. Ele decidiu ler os documentos no escritório da equipe e, depois, escolheria entre praticar suas habilidades ou aproveitar a oportunidade para sair e atuar como Vidente no Clube de Divinação.
No entanto, antes que ele pudesse se decidir, viu Dunn Smith entrar.
Ele estava vestido com o costumeiro blusão preto e meia cartola.
— Capitão, alguma novidade? — Klein pensou no paradeiro do caderno da família Antigonus, perguntando com preocupação.
Sem mostrar quaisquer sinal de fadiga em seus olhos cinzentos, Dunn disse:
— Os fatos corroboram que o caderno da família Antigonus está nas mãos de Ray Bieber. No entanto, ele desapareceu completamente.
— Já informei as várias equipes dos Falcões Noturnos sobre este assunto através de um telegrama. Eles foram solicitados a prestar atenção aos vários cais e estações de locomotivas a vapor. O primeiro lote de retratos impressos foi enviado ontem à tarde e será impresso em vários jornais importantes.
Como seria bom se houvesse telefones, aparelhos de fax, câmeras de vigilância e grandes volumes de dados… Que pena. Eu sei como usar todos eles e até mesmo entender um pouco da lógica por trás…— Klein exalou silenciosamente.
— Mas, independentemente disso, podemos considerar como tendo encontrado o caderno. E tudo isso graças a você. É claro que ainda precisa de mais uma rodada de confirmações. Já enviei um telegrama à diocese de Backlund, solicitando que escoltem o Artefato Selado 2-049 aqui. Era um item perigoso da família Antigonus. Pode nos ajudar a saber se Ray Bieber é descendente da família Antigonus.
Um Artefato Selado Grau 2… Perigoso… Eles podem ser usados com cuidado e moderação.
Inicialmente, Klein queria perguntar sobre o Artefato Selado, suas habilidades especiais e o perigo que representava por curiosidade, mas ele instantaneamente lembrou que não tinha a autorização necessária. Ele não teve escolha a não ser desistir.
— Que a Deusa nos abençoe. — Klein tocou quatro pontos no peito, formando o sinal da lua cheia.
Dunn abriu a porta do escritório e disse com um ligeiro aceno de cabeça:
— A Deusa sempre esteve nos protegendo. Klein, se não tivesse escolhido Vidente, você seria um membro formal após esse assunto ser verificado. Você poderia ter escolhido Sem Sono, que pena… Para ser sincero, ainda estou confuso sobre a sua escolha. Embora Coletor de Cadáveres seja bastante desconcertante, você também viu Daly. Deve saber que os Médiuns Espirituais variam em força. Quanto a Espreitadores de Mistérios, também são uma boa escolha. No mínimo, você tem Velho Neil como modelo, então ele vai garantir que o risco de perder o controle seja minimizado.
Em relação a esta pergunta, Klein tinha preparado uma resposta desde o início, mas simplesmente nunca teve a chance de usá-la já que Dunn não havia perguntado. Ele só foi capaz de responder de passagem. Organizando suas palavras, ele disse:
— Minhas considerações derivam do fato de Videntes e Espreitadores de Mistérios serem considerados Beyonders com um papel de suporte. Eles nem sempre precisam enfrentar inimigos, o que é muito perigoso. E tanto você quanto Velho Neil disseram que no domínio do mistério e de Beyonders, curiosidade e experimentação geralmente trazem resultados aterrorizantes. Descrever Espreitadores de Mistérios como bisbilhoteiros de mistérios me deixou preocupado, então… como sabe, eu era apenas um graduado comum há não muito tempo atrás. A falta de coragem foi a única razão pela qual fiz tal escolha.
— Tenho que dizer que esta é uma resposta muito razoável que vai além das minhas expectativas. — Dunn massageou as têmporas e riu.
Ele se virou um pouco enquanto seus olhos cinzentos avaliavam Klein.
— Continue buscando por enquanto. Não se limite aos caminhos que levam da casa Welch à rua Cruz de Ferro. Talvez você possa sentir o caderno e nos ajudar a confirmar a localização de Ray Bieber.
— Tudo bem. — Klein percebeu que ele não precisava mais estar em um dilema.
Ele se despediu de Dunn e se virou, seu coração começando a contar.
Três, dois…
— Espere — gritou Dunn.
Klein virou a cabeça e sorriu.
— Capitão, mais alguma coisa?
Dunn tossiu ligeiramente e disse:
— Bem, Beyonders de suporte tem que lutar contra seus inimigos de tempos em tempos. Embora Videntes pareçam capazes de evitar tais batalhas, elas não devem ser ignoradas. Você tem que manter suas habilidades de tiro e trabalhar para aumentar sua força.
— É para isso que estou trabalhando duro. — Klein apontou para fora. — Estou saindo.
— Tudo bem.
— Uh, espere um momento. — Dunn gritou mais uma vez.
Enquanto ponderava, ele disse:
— Talvez eu tenha que considerar a contratar um treinador de combate para você. É claro, isso sob a premissa de que você se torne um membro formal.
Klein respondeu sucintamente antes de perguntar cuidadosamente:
— Capitão, mais alguma coisa?
— Não. — Vendo os olhos incrédulos de Klein, Dunn balançou a cabeça e sorriu. Ele enfatizou novamente:
— Realmente, nada.
Só então Klein passou pela divisória. Ele se despediu de Rozanne e da Sra. Orianna e foi para o Clube de Tiro para praticar.
Com tudo isso feito, ele foi até o Clube de Divinação e viu a bela Angélica sentada lendo revistas de lazer.
Casa… — Klein leu em silêncio. Com a bengala na mão, ele se aproximou e a cumprimentou com um sorriso.
— Boa tarde, Madame Angélica.
— Boa tarde, Sr. Moretti. — Sem pressa, Angélica abaixou a revista. Ela se levantou e disse:
— Não muito tempo depois de você sair ontem, o Sr. Glacis veio. Ele acabou de se recuperar de uma doença grave.
Klein soltou um suspiro de alívio ao sorrir.
— Isso com certeza é algo para comemorar.
Ao ouvir isso, Angélica, que estava o observando secretamente, baixou a voz e perguntou, por curiosidade:
— Sr. Glacis disse que você é um doutor muito, muito, muito mágico. Você é mesmo?
O quê? — Klein olhou para a dama à sua frente, suspeitando que estava ouvindo coisas.
O que o fez pensar que sou um doutor?
Mesmo eu não sei…
Capítulo 54
Capítulo 54 – Primeiro Pedido de Adivinhação
Ao ver a expressão estranha de Klein, Angélica começou a duvidar do que havia escutado.
— É mesmo? Sr. Glacis mencionou que você foi capaz de perceber uma doença em seus pulmões simplesmente por observação…
Sua voz diminuiu até que ela finalmente ficou quieta.
Observação? Uma glabela escura? — Klein foi instantaneamente iluminado e balançou a cabeça com um risinho.
— Acredito que o Sr. Glacis se enganou.
Ele estava planejando ser superficial, mas depois de lembrar que ninguém procurou seus serviços divinatórios durante toda a tarde de ontem, ele mudou de ideia. Já que isso afetava seu objetivo de agir como um Vidente, ele então explicou:
— É simplesmente uma forma de divinação.
— Divinação? Mas o Sr. Glacis apenas mencionou que você observou seu rosto. Isso também é considerado divinação? — perguntou Angélica, com choque e dúvida.
Klein sorriu, tranquilo.
— Como um membro do Clube de Divinação, você sabe sobre leitura de palma, certo?
A leitura de palma não foi patenteada pela populosa China. Mesmo na Terra, a Índia e a velha Europa desenvolveram princípios semelhantes, imagine então em um mundo com poderes Beyonder.
— Eu sei sobre isso, mas parece que você não leu a palma dele. Você estava o observando em segredo? — perguntou Angélica, curiosa.
— Sim, estava. Na verdade, fiz uma leitura de seu rosto. — Klein inventou uma mentira. — Seus princípios não são muito diferentes da leitura das mãos em um nível fundamental.
— Sério? — Os olhos de Angélica estavam cheios de descrença.
Para desenvolver sua carreira como Vidente, Klein riu. Ele fingiu estar pensando e tocou sua glabela duas vezes.
Ele focou seus olhos e a aura de Angélica se apresentou. Sua cabeça era roxa, seus membros estavam vermelhos, sua garganta estava azul… Não havia problemas com sua saúde, exceto por algumas cores serem mais opacas. No entanto, isso era uma manifestação comum de fadiga.
Klein então olhou para suas emoções e viu laranja misturado com vermelho e azul, significando afeto juntamente com alguma excitação e estado de pensamento.
Felizmente… — Depois de perceber que não havia nada anormal sobre ela, Klein planejava desativar sua Visão Espiritual. Mas foi nesse momento que ele de repente viu uma grande escuridão escondida nas profundezas de suas cores emocionais.
Além disso, falta-lhe um pouco de branco, uma ânsia de melhorar… — Klein assentiu enquanto pensava.
— Sr. Moretti, você estava lendo meu rosto? — Vendo o jovem cavalheiro de preto em sua frente se calar abruptamente enquanto a avaliava com seriedade, Angélica notou algo. Ela perguntou de maneira meio curiosa e meio preocupada.
Klein não respondeu imediatamente. Em vez disso, ele tocou sua glabela levemente enquanto usava um olhar de análise.
Como Angélica estava se sentindo desconfortável, ele disse calorosamente:
— Madame Angélica, há certas tristezas e dores que você não deveria selar em seu coração.
Os olhos de Angélica se arregalaram e ela ficou boquiaberta. No entanto, ela não disse uma única palavra.
Ela olhou para Klein com sua meia cartola com uma aparente postura acadêmica e o ouviu usar uma voz profunda, reconfortante e calorosa para dizer:
— Você precisa escalar montanhas, jogar tênis ou atuar em uma peça trágica para exaurir seu corpo por exercício. Deixe suas lágrimas escorrerem desinibidas, depois chore e grite, expresse todas essas emoções.
— Isso será muito útil para a sua saúde.
No momento em que essas palavras entraram em seus ouvidos, Angélica sentiu como se tivesse se transformado em uma estátua. Ela ficou parada, imóvel.
Ela tentou arduamente piscar, e, abaixando a cabeça, disse profundamente:
— Obrigada pela sugestão…
— Parece que há muitos membros aqui hoje? — Klein não continuou. Como se não tivesse feito nenhuma divinação antes, virou-se para o lado e olhou para a sala de reuniões no final do corredor.
— Domingo à tarde… pelo menos cinquenta membros… — A voz de Angélica soou um pouco rouca. Ela mencionou apenas os termos-chave.
Ela fez uma pausa e seu ritmo vocal gradualmente voltou ao normal.
— Você quer chá ou café?
— Chá preto de Sibe. — Klein assentiu levemente. Ele educadamente tirou seu chapéu e caminhou sem pressa até a sala de reuniões.
Somente quando ele desapareceu por trás da porta Angélica expirou devagar.
…
A sala de reuniões do Clube de Divinação era bem grande, quase o dobro do tamanho da sala de aula do ensino médio de Klein.
No passado, apenas cinco ou seis membros estariam presentes, fazendo com que parecesse extremamente vazia. Mas agora, havia dezenas de praticantes de divinação sentados em lugares diferentes. Eles preenchiam a maior parte da sala.
A luz do sol entrava na sala através das poucas janelas estreitas. Os membros estavam discutindo suavemente entre si ou fazendo perguntas a Hanass Vincent. Caso contrário, estavam praticando e tentando divinação ou tomando café e lendo jornais por si mesmos.
Tal cena fez Klein sentir como se estivesse de volta aos seus dias de escola na Terra. A diferença era que era mais barulhenta e turbulenta naquela época, sem a tranquilidade da sala de reuniões.
Ele olhou em volta, mas não viu rostos familiares como Glacis ou Edward Steve. Então, ele casualmente pegou um livro de divinação, encontrou um canto e começou a folheá-lo sem pressa.
Logo, Angélica chegou com uma xícara de chá e deixou-a na mesa ao lado de Klein.
Enquanto saía em silêncio, de repente viu o Sr. Moretti tirar uma corrente de prata de aparência requintada da manga esquerda. Havia um pedaço de topázio puro pendurado na corrente de prata.
O que ele está fazendo? — Angélica diminuiu a velocidade subconscientemente e se concentrou em Klein.
Klein segurou a corrente de prata com a mão esquerda e permitiu que o topázio ficasse sobre o chá preto de Sibe, quase tocando a superfície do líquido.
Com uma expressão serena, ele meio que fechou os olhos e a atmosfera ao seu redor de repente ficou quieta.
O topázio começou a se mover levemente, junto com a corrente de prata de aparência especial, em sentido horário.
Ao ver isso, Angélica achou o Sr. Moretti extremamente misterioso.
— O chá preto que você fornece é ótimo — disse Klein suavemente depois de abrir os olhos com um sorriso.
Suas ações foram intencionais, feitas para Angélica ver!
Se ele quisesse que as pessoas o escolhessem para os serviços de divinação, a recomendação de Angélica era um fator crucial!
Já que ele queria atuar como Vidente, Klein não tinha mais nenhuma reserva. Ele personificou completamente a identidade.
— Sim, o Sr. Hannas é muito exigente quanto à qualidade do chá — disse Angélica, atordoada.
Klein guardou seu pêndulo espiritual enrolando-o corretamente e pegou a xícara de porcelana branca com desenhos florais. Com um sorriso, ele fez um gesto educado para ela com sua xícara.
…
Angélica retornou ao saguão de recepção, mas não estava mais com vontade de ler revistas. Ela sentou-se ali, olhando para a distância. Não se sabia sobre o que estava pensando.
Isso continuou até que houve batidas na porta. Ela acordou e olhou apressadamente para a entrada, apenas para ver uma senhora usando um vestido azul claro.
A senhora tirou seu chapéu velado com uma fita azul. Ela parecia calma e melancólica.
— Boa tarde, estimada senhora. Gostaria de se juntar ao Clube de Divinação, ou está procurando uma divinação? — perguntou Angélica como de costume.
— Eu quero uma divinação. — A dama tinha um lindo par de olhos escondidos em tristeza, e ela mordeu o lábio inferior enquanto falava.
Angélica conduziu-a até o sofá e explicou-lhe em detalhes como o Clube de Divinação funcionava.
Ela pegou um álbum e entregou à dama.
— Você pode escolher qualquer um.
Em seu baixo astral, a senhora folheou o álbum com atenção. Como havia muitos membros do clube naquele dia, havia muitas escolhas. Isso a deixou bastante chateada.
— Você poderia recomendar alguém? A partir dessas poucas páginas. — Ela apontou para a seção intermediária do álbum, omitindo os cartomantes com preços acima de dois soli e aqueles abaixo de quatro centavos.
Angélica pegou o álbum e olhou por alguns minutos. Ela deliberou suas palavras antes de dizer:
— Eu sugiro este cavalheiro.
A senhora que parecia desconfortável deu uma olhada e percebeu que era um especialista em divinação chamado “Klein Moretti”.
— O Sr. Moretti acabou de entrar no clube… Sua divinação é confiável? — ela perguntou, preocupada.
Angélica assentiu, afirmando sem hesitar.
— Outro membro do clube e eu estamos certos de que o Sr. Moretti é excelente em divinação. Se não fosse por ter acabado de se juntar ao clube, ele não aceitaria um preço tão baixo.
— Compreendo. — A senhora deprimida assentiu. — Eu vou escolher o Sr. Moretti para uma divinação então.
— Tudo bem, por favor espere por um segundo. — Angélica pegou o álbum e caminhou em direção à sala de reuniões.
Ela chegou ao lado de Klein e disse com uma voz reprimida:
— Sr. Moretti, alguém quer que você divine para ela. Qual sala você gostaria de usar?
Isso foi eficaz. Meu primeiro “negócio” está aqui. — Klein baixou a xícara de chá e acenou com a cabeça calmamente ao dizer:
— Sala Topázio.
— Tudo bem. — Angélica caminhou lentamente à frente e o levou à sala Topázio antes de abrir a porta de madeira.
Klein sentou-se atrás da mesa onde havia várias ferramentas de divinação. Ele esperou menos de um minuto antes de ver uma mulher em um vestido azul claro entrar. Ela parecia triste e melancólica.
Aproveitando a oportunidade quando ela estava fechando a porta, ele tocou sua glabela duas vezes.
A cor amarela em seu estômago parece um pouco opaca… A cor escura de suas emoções está bem pesada, principalmente por preocupação e ansiedade. — Klein a olhou com cuidado e se inclinou para trás. Ele então levantou a mão para cessar sua Visão Espiritual.
— Boa tarde, Sr. Moretti. — A mulher de vestido azul-claro sentouse.
— Boa tarde, como posso me dirigir a você? — perguntou Klein educadamente, sem muita esperança de obter uma resposta.
Como um ‘sabichão de teclado’, ele sabia que muitas pessoas não estavam dispostas a usar seus nomes verdadeiros durante uma divinação.
— Pode me chamar de Anna. — A mulher colocou o chapéu velado ao lado. Ela olhou para Klein com antecipação e dúvida, e disse:
— Eu gostaria de divinar sobre a situação do meu noivo. Ele viajou para o Continente Sul em março para um acordo de negócios. Ele enviou para sua família e a mim um telegrama no mês passado, dia três, dizendo que já iria zarpar e voltar, mas depois de vinte dias ele ainda não havia retornado. No início, acreditei que seu atraso se devia a condições meteorológicas do Mar Berserk, mas, a partir de hoje, faz mais de um mês. O navio que ele pegou, o Alfalfa, ainda não chegou ao porto de Enmat.
O oceano que separava o continente Norte e Sul era chamado de Mar Berserk. Era bem conhecido por calamidades naturais e suas inúmeras correntes perigosas. Se não fosse pelo imperador Roselle, que mandou descobrirem algumas rotas de navegação mais seguras, os países do continente setentrional ainda não teriam entrado na era da colonização, quanto mais colocar um cabo submarino para completar um telégrafo transoceânico.
Klein olhou para o primeiro cliente de sua carreira de Vidente e perguntou cuidadosamente:
— Qual método de divinação deseja usar?
Capítulo 55
Capítulo 55 – Revelação
Anna, com seus belos olhos, ficou indecisa por mais de dez segundos.
— Você pode escolher qualquer tipo que acredite ser preciso. Você é o especialista em divinação, não eu. É claro que, além de cartas, também tentei estudá-los em casa, incluindo o tarô. Sempre senti que eram mais como brinquedos ou um jogo.
Klein pensou por um momento, seus pulsos apoiados na beira da mesa. Ele então juntou as mãos diante do rosto, com o olhar calmo, e disse suavemente:
— Então vamos usar o astrolábio.
Ele apontou para uma caneta-tinteiro e uma pilha de papel branco sobre a mesa e disse:
— Anote o nome do seu noivo, bem como suas características faciais, endereço e data de nascimento. Seria ainda melhor se você se lembrasse do horário específico em que ele nasceu.
Considerando suas roupas, maquiagem e comportamento, Klein acreditava que ela não fosse analfabeta.
Anna não respondeu. ela estendeu a mão e pegou um pedaço de papel, levantou a caneta e mergulhou-a em um pouco de tinta. Ela começou a escrever, parando ocasionalmente para pensar.
Dois minutos depois, ela empurrou o papel na direção de Klein.
Klein recebeu e, virando-o, leu as informações escritas, que diziam: “Joyce Meyer, 15 de setembro de 1323, 14:00. Cidade de Tingen, Burgo Leste, rua Stevens nº8. Cabelo loiro curto, nariz aquilino…”
Com um breve olhar, Klein calculou rapidamente o número espiritual dele:
1+5 = 6
No estudo da Numerologia Espiritual no misticismo, somar os números do dia em que a pessoa nasceu era chamado Número do Caminho do Dia de Nascimento, afetando a vida da pessoa antes dos 27. Número do Caminho do Mês de Nascimento (calculado a partir da soma dos números do mês do nascimento) afetava a vida dos 27 aos 54 anos, enquanto que o Número do Caminho do Ano de Nascimento (somando os números no ano de nascimento) afetava a vida a partir dos 54 anos de idade.
Era julho de 1349, então Joyce ainda não tinha 27 anos; sendo assim, Klein calculou imediatamente o Número do Caminho do Dia do Nascimento.
O número seis representava uma vida equilibrada e harmoniosa, com um coração bondoso e um casamento ou noivado nada mal.
Depois disso, ele rapidamente calculou o Número do Caminho do Ano de Joyce.
O chamado Número do Caminho do Ano era calculado substituindo o ano de nascimento pelo ano atual. Os dígitos foram então adicionados com seu Número de Caminho do Dia do Nascimento e Número do Caminho do Mês de Nascimento para obter uma compreensão geral da sorte da pessoa para o ano.
1+3+4+9 = 17, 1+7 = 8; 8+9 (Número do Caminho do Mês de Nascimento) +6 (Número do Caminho do Dia de Nascimento) = 23; 2+3 = 5; seu Número do Caminho do Ano é 5, significando que ele se encontraria com mudanças e acidentes. Ele seria obrigado a assumir certos riscos… — Klein fez um julgamento silencioso depois de consolidar os fatos. Ele também confirmou que as informações que Anna deu estavam corretas.
Ele desviou seu olhar do papel e virou-o para Anna.
— Sr. Meyer partiu em sua jornada no dia 3 de junho?
— Se ele não mentiu, esse é realmente o caso. — Anna mordeu os lábios.
— Tudo bem — Klein pegou a caneta-tinteiro e anotou isso.
Ele olhou para Anna com seus olhos castanhos escuros e disse gentilmente:
— Vou começar a fazer o astrolábio agora. Vou precisar de um certo tempo e de silêncio absoluto; você se importa de esperar do lado de fora? Angélica lhe dará uma xícara de chá ou café.
— Tudo bem — Anna sabia que alguns especialistas em divinação tinham suas excentricidades, então ela não se surpreendeu. Ela pegou seu chapéu com a fita azul clara e saiu da sala Topázio.
Klein trancou a porta e voltou para a mesa. Ele seguiu as informações e montou o astrolábio, incluindo elementos como seu horóscopo e localizações dos planetas e estrelas correspondentes.
Durante todo o processo, ele não abriu o Manual de Astromancia nem uma vez, completando o processo e montagem baseado em sua memória.
Nos últimos dias de seus estudos de misticismo, Klein percebeu que podia facilmente memorizar e compreender qualquer coisa sobre divinação, transformando-o rapidamente em instinto.
Talvez seja essa a habilidade de um Vidente… — Ele completou o astrolábio e se sentiu satisfeito, como se seu corpo, coração e alma tivessem relaxado consideravelmente.
Ao olhar para o resultado, ele seguiu o caminho a partir do horóscopo e dos planetas, bem como outros detalhes de apoio, para deduzir aproximadamente que Joyce Meyer havia se deparado com um acidente, mas acabaria sobrevivendo.
Neste ponto, a divinação estava tecnicamente completa. Mas Klein queria dar bastante atenção à sua primeira transação comercial, já que ele esperava construir uma boa reputação para ajudar na demanda de futuras divinações. Ele então pegou a caneta e escreveu uma frase em Hermes: A situação atual de Joyce Meyer.
Ele leu a frase silenciosamente e memorizou as informações no pedaço de papel, repetindo-a várias vezes.
Depois de sete vezes, Klein pegou o pedaço de papel e recostou-se na cadeira.
Ele imaginou a esfera de luz, e seus olhos se tornaram mais escuros, permitindo-lhe entrar rapidamente em estado de Cogitação.
Os arredores assumiram uma qualidade etérea. Um nevoeiro sem forma e sem limites se estendia acima dele.
Klein recordou o conteúdo do pedaço de papel e então relaxou, caindo em sono profundo nesse estado.
Ele estava usando uma técnica de divinação de sonhos!
Repetir a pergunta, lembrar os detalhes e depois permitir que sua Projeção Astral percorra o mundo espiritual em sonho permitiria que ele conseguisse certas revelações!
Pessoas comuns também tinham esse tipo de experiência às vezes, mas era difícil para elas lembrarem, pois os sinais em seus sonhos eram mais complicados e confusos. Um Vidente não teria esse problema, pois ele consegue ver as imagens diretamente.
O ambiente começou a ficar nebuloso, e então Klein entrou num sono leve.
Na fantasia distorcida, ele viu um jovem loiro com um nariz aquilino. Ele estava nadando freneticamente em um mar de sangue, quase engolido pelas ondas. Mas no final, ele conseguiu escapar para a costa.
A imagem se estilhaçou e então mudou. Klein viu uma casa azul com um moinho de brinquedo na porta. Aquele jovem loiro entrava lentamente na casa, aparentemente cheio de alegria.
Neste momento, a imagem mudou novamente. Klein percebeu que ele estava dentro de um magnífico palácio.
As paredes estavam destruídas e danificadas sem chances de conserto. Musgos e ervas daninhas cresciam em vários lugares. Através dos buracos nas paredes, ele podia ver o pico de uma montanha e as nuvens que se agarravam perto do lado de fora.
No alto do palácio havia um enorme trono esculpido em pedra, adornado com grandes pedras preciosas e ouro. Parecia não ter sido feito para um humano.
Este trono gigante estava vazio e manchado, como se houvesse sido lavado pela idade.
Klein olhou em volta, confuso. Ele não entendeu por que estava sonhando com tal cena.
Sua mente turva ficou alerta quando subconscientemente saiu do palácio em uma tentativa de verificar onde estava.
De repente, ele sentiu um olhar cair sobre si. Era uma presença vindo de trás!
De repente, Klein se virou e olhou para o gigantesco trono de pedra, apenas para ver uma cena de incontáveis larvas transparentes se contraindo e crescendo lentamente.
Ofegando, Klein abriu os olhos e acordou de seu sonho.
Bolas de cristal, cartas de tarô e o astrolábio preparado entraram em sua visão. A realidade rapidamente substituiu a fantasia.
O sonho inicial foi o resultado da divinação, mas sobre o que foi o último sonho? Parecia ser direcionado a mim? — Klein colocou o pedaço de papel na mesa. Ele esfregou as têmporas e começou a pensar.
Ele podia confirmar que não era seu medo se projetando na forma de um sonho, pois ele mesmo estava fazendo a divinação.
Um palácio que não era para humanos no pico de uma montanha… O olhar silencioso… A cena contorcida e esquisita dos vermes… — Klein especulou silenciosamente de acordo com o que lembrava.
O ritual de aprimoramento de sorte se comunicou com essa existência? Ou é resultado do caderno da família Antigonus…? Certo, o caderno mencionou a Nação da Noite Eterna na cordilheira de Hornacis! O palácio no sonho ficava no pico de uma montanha!
Ele fez uma dedução simples e ficou aliviado por ter escolhido a sequência de Vidente. De acordo com Velho Neil, Espreitadores de Mistérios também são capazes de divagar através dos sonhos, mas não são tão eficientes quanto um Vidente.
Sigh, com certeza esse caderno não está me deixando em paz… Tudo que posso esperar é a captura rápida de Ray Bieber… — Klein se recompôs e pegou o pedaço de papel com o diagrama do astrolábio e caminhou lentamente em direção à porta.
Ele abriu a porta e se dirigiu para a área da recepção e viu Anna olhando pela janela, ignorando completamente sua xícara de chá preto.
— Ah, Sr. Moretti, há algum resultado? — Ela viu Klein em sua visão periférica e levantou-se rapidamente.
Klein não respondeu imediatamente. Em vez disso, perguntou de acordo com a revelação que recebeu do sonho:
— Sua casa, ou a casa do Sr. Meyer, tem um moinho de brinquedo?
Os olhos de Anna se arregalaram, chocados em silêncio.
Depois de um tempo, ela murmurou:
— Esse foi um presente que ele me deu. Fica na porta de minha casa. Como você sabia disso…?
— I-isso pode ser divinado?
Klein sorriu e falou em um tom gentil:
— Parabéns, Srta. Anna, o Sr. Joyce Meyer é atualmente um hóspede em sua casa. Se você voltar correndo, ainda deve poder vê-lo. Ele acabou de passar por uma tragédia, uma jornada inimaginavelmente dolorosa. O que ele precisa agora não são perguntas, mas consolo e um caloroso abraço.
— Verdade? — perguntou Anna em descrença.
As divinações que ela teve até o momento nunca tiveram resultados com tanta certeza ou davam conclusões tão firmes.
— Você saberá se voltar imediatamente — respondeu Klein com um tom gentil, sorrindo.
— Oh, Senhor das Tempestades, isso é verdade? Meu pobre Joyce voltou? Você tem certeza? Não, eu não posso acreditar… — Anna congelou por um momento e disse algumas palavras delirantes.
Ela tirou uma nota de um soli de sua bolsa e não esperou que Klein lhe desse o troco. Ela saiu quase que correndo do Clube de Divinação, e pegou uma carruagem de volta para casa.
— Isso inclui minha gorjeta? — Klein olhou para a nota e balançou a cabeça com uma risada.
Uma carruagem de duas rodas passou rapidamente pelas ruas e entrou em Burgo Leste.
Anna observou as ruas passando por ela, sentindo uma mistura de desconforto, antecipação e medo. Não demorou muito para que o moinho de brinquedo entrasse em seu campo de visão.
Ela desceu da carruagem, não demonstrando nenhum cuidado com seu comportamento, e, cambaleando rapidamente em direção à porta, tocou a campainha.
A porta se abriu, revelando um jovem loiro usando um terno formal preto. Ele estava abatido, mas seus olhos carregavam um brilho de alegria. Ele tinha um nariz aquilino.
— Eu pensei que não te encontraria hoje — disse Joyce com um sorriso.
— …Oh Santa Tempestade, você realmente está de volta! — Anna esfregou os olhos, exclamando em agradável surpresa.
A divinação realmente estava correta!
Não, ele era um verdadeiro vidente!
Simplesmente fascinante!
Pensamentos brotaram em sua mente e Anna se lançou para frente com lágrimas nos olhos e deu a seu noivo um caloroso abraço.
Os dois se abraçaram silenciosamente do lado de fora da casa azulacinzentada. O moinho de brinquedo girava lentamente, aparentemente arremessando todas as suas dificuldades para longe.
Capítulo 56
Capítulo 56 – Fuga do Mar
Em uma sala bastante espaçosa, Anna e Joyce estavam sentados em sofás diferentes, separadas pelos pais de Anna.
Joyce suspirou com uma expressão satisfeita e disse:
— Exaltado Vapor, tenho muita sorte de voltar vivo, de poder ver Anna de novo.
— Meu pobre Joyce, o que aconteceu? — Anna não pôde deixar de perguntar com preocupação.
Joyce deu uma olhada em sua noiva, e sua expressão ficou grave.
— Ainda me sinto apavorado até hoje. Eu continuo acordando dos meus sonhos de novo e de novo. Cinco dias depois que o Alfalfa deixou Píer Caesar, encontramos piratas, piratas assustadores. A única sorte foi que o nome de seu líder era Nast.
— O pirata que se autodenomina Rei dos Cinco Mares? — O pai de Anna, Sr. Wayne, perguntou em estado de choque.
Embora Joyce já estivesse lá por meia hora, ele não deu detalhes sobre sua provação. Ele parecia estar com medo, perturbado e inquieto. Foi só depois que Anna voltou e o abraçou que ele enfim pareceu deixar se acalmar.
— Sim, devido à sua declaração de ser descendente do Império Salomão, o Rei dos Cinco Mares, Nast, não acreditava em matar cativos. Assim, fomos apenas roubados e não perdemos nossas vidas. Seus subordinados até nos deram comida o suficiente — disse Joyce ao relembrar a provação.
Seu corpo começou a tremer, mas ele continuou a descrever seu pesadelo mais profundo e assustador.
— Não perdi muito da minha riqueza. Achei que meu infortúnio tinha acabado, mas enquanto continuávamos em direção ao nosso destino, um conflito acalorado irrompeu entre os passageiros e a tripulação do Alfalfa. De desentendimentos a brigas, sacando revólveres e erguendo espadas para matar uns aos outros… Não vi nada além de sangue durante esse período. Uma após a outra, as pessoas ao meu lado caíram com os olhos abertos, para nunca mais serem fechados. Seus membros, corações e intestinos ficaram espalhados pelo chão.
— Aqueles de nós que não estavam dispostos a se transformar em bestas selvagens, o grupo racional, não tinham onde se esconder e escapar. Estávamos cercados por profundas ondas azuis e o oceano sem limites… Alguns lamentaram, alguns imploraram por misericórdia, alguns venderam seus corpos, mas suas cabeças foram penduradas no mastro de qualquer maneira.
— Anna, eu cambaleei em desespero nessa época. Achei que nunca mais te veria. Por sorte, em tal pesadelo, ainda havia um herói. O capitão nos levou para nos escondermos na robusta quilha do navio[1], e contamos com a água e a comida armazenadas ali até que os maníacos chegassem ao limite. O Sr. Tris nos encorajou, liderando-nos com coragem em um ataque contra aqueles assassinos…
— Depois de uma batalha sangrenta inesquecível, sobrevivemos. Mas o Alfalfa se desviou do curso e apenas um terço dos marinheiros originais permaneceu.
…
Ao retratar o lado mais horrível e sombrio da psique humana, Joyce não pode deixar de lembrar do herói, o homem que se autodenominava Tris. Ele tinha um rosto redondo e amável. Era tímido como uma menina[2] e gostava de ficar em um canto. Apenas as pessoas com quem ele estava familiarizado sabiam que ele era um bom conversador.
Mas era um garoto tão comum que ficava na frente de todos com determinação nos piores dias.
— Oh, Exaltado Vapor, meu pobre Joyce, você passou por uma provação tão dolorosa. Graças a Deus, louvado seja Deus, Ele nos impediu da separação eterna — Lágrimas brotaram dos olhos de Anna enquanto ela pontilhava constantemente três pontos para formar um triângulo, o Emblema Sagrado do Vapor e da Maquinaria. Joyce revelou um leve sorriso pálido.
— Esta é a recompensa pela nossa fé. O Alfalfa então passou por tempestades, perdeu o rumo e, após superar um desafio após o outro, chegou ao porto de Enmat.
— Devido ao banho de sangue ocorrido no barco, aqueles de nós que sobreviveram foram mantidos em cativeiro pela polícia e interrogados separadamente. Não tivemos a chance de enviar telegramas para casa para atualizar nossos entes queridos. Quando eles nos liberaram esta manhã, imediatamente pedi dinheiro emprestado a um amigo e peguei a locomotiva a vapor de volta. Agradeço a Deus por me deixar pisar na terra de Tingen mais uma vez, permitindo-me ver todos vocês de novo.
Então, ele olhou para sua noiva em confusão.
— Anna, quando você me viu, pude sentir sua felicidade e surpresa, mas não consegui entender porque você correu para a porta com tanto entusiasmo assim que saiu da carruagem. Heh, eu tinha planejado te dar uma grande surpresa.
Anna pensou no que tinha acontecido antes e continuou incrédula:
— Não tenho nada a esconder, Joyce. Como estava preocupada com você, fui ao único clube de adivinhação na Cidade de Tingen hoje para tentar descobrir a sua situação. Aquele adivinho, não, o vidente me disse: Seu noivo voltou; ele está na casa com um moinho de vento.
— O que? — O casal Wayne e Joyce exclamaram ao mesmo tempo.
Anna cobriu o rosto e balançou a cabeça.
— Também mal posso acreditar, mas aconteceu. Exaltado Vapor, talvez existam mesmo milagres neste mundo.
— Joyce, aquele vidente me perguntou seu nome, características, endereço e data de nascimento. Ele me disse que ia fazer uma adivinhação com astrolábio. Então, ele me perguntou se a casa com um moinho de vento de brinquedo era sua ou minha. Quando confirmei que era a minha, ele disse: Parabéns, Srta. Anna, o Sr. Joyce Meyer é atualmente um convidado em sua casa. O que ele precisa agora não são perguntas, mas consolo e um abraço caloroso.
— Deus… — Joyce achou inacreditável e incompreensível. — Ele me conhece? Alguém lhe enviou um telegrama? Será que ele conhece a polícia no Porto de Enmat? Não, isso ainda não explica. Como ele sabia que eu vim para sua casa? Como ele poderia saber que você buscaria uma adivinhação? Você marcou uma consulta?
— Não, eu escolhi no último minuto — Anna respondeu com uma expressão vazia.
— Talvez um bom vidente precise controlar grandes quantidades de informações, mesmo que não possam ser usadas tão cedo. Talvez esse seja o aspecto fascinante da adivinhação — O Sr. Wayne, pai de Anna, suspirou e concluiu. — Na história conhecida de mais de mil anos e na incerta Quarta Época, a adivinhação existiu e ainda não desapareceu. Acho que deve haver uma razão para isso.
Joyce balançou a cabeça de leve e perguntou:
— Qual é o nome desse vidente?
Anna pensou e disse:
— Klein Moretti.
…
No saguão de recepção do Clube de Adivinhação.
Como Klein tinha falado baixinho, Angélica sabia que não devia chegar perto. Portanto, ela apenas viu Anna sair como se tivesse perdido sua alma, com choque e confusão em seu rosto.
Angélica caminhou com pressa até o sofá e perguntou por curiosidade:
— O resultado foi bom?
Ela não ousou perguntar o resultado real, com medo de violar a regra tácita dos adivinhos.
— Sim — Klein assentiu e tirou três moedas de cobre do bolso. — Um oitavo de um soli é um centavo e meio, certo?
— Sim — Angélica olhou para as moedas de cobre e percebeu que uma delas era um centavo e duas eram de meio centavo. Ela logo as segurou e disse:
— Há meio centavo a mais.
Klein sorriu de leve e disse:
— Obrigado por cuidar da minha cliente. Ela me deu uma gorjeta, então é justo que eu lhe dê uma também.
“É também para agradecer por me recomendar…” Ele acrescentou em seu coração.
— Tudo bem — Angélica sentiu um medo desconhecido de Klein, mas como o motivo era apropriado, não recusou a oferta.
Klein voltou para a sala de reuniões, acreditando que haveria mais pessoas solicitando suas adivinhações.
No entanto, ele não recebeu um segundo cliente ao final da tarde.
Não porque os negócios do Clube de Adivinhação fossem ruins, mas porque a maioria das pessoas já tinha escolhido um adivinho.
“Eles provavelmente foram recomendados por outros e há muito tempo determinaram quais serviços contratar… Resumindo, ainda não tenho reputação…” Klein riu de si mesmo por usar a terminologia de jogo.
Ele terminou sua terceira xícara de chá preto Sibe, pegou sua cartola e a bengala de borda prateada e saiu com calma da sala de reuniões.
Angélica de repente se lembrou das instruções de Glacis e logo se moveu para interceptá-lo.
— Sr. Moretti, quando você voltará a visitar o clube? O Sr. Glacis gostaria de agradecer pessoalmente.
— Eu virei sempre que estiver livre. Se o destino permitir, ele com certeza vai me encontrar — respondeu Klein, usando o tom de um charlatão psíquico, como se estivesse no personagem.
Então, ele deixou o clube antes que Angélica pudesse responder e pegou uma carruagem pública para casa.
Quando entrou pela porta, Klein encontrou Benson lendo o jornal e Melissa juntando peças e pedaços de engrenagens, rolamentos e molas à luz do sol da tarde.
— Boa tarde. A Sra. Shaud visitou? — Klein perguntou casualmente.
Benson não largou o jornal; em vez disso, ele levantou a cabeça.
— A visita da Sra. Shaud durou quinze minutos. Ela trouxe alguns presentes e ficou muito feliz com os muffins e o bolo de limão que preparamos. Ela também nos convidou para uma visita sempre que estivermos disponíveis. Ela é uma senhora simpática e bemeducada, que sabe conduzir uma conversa muito bem.
— O único problema é a crença deles no Senhor das Tempestades. Eles acreditam que as meninas não deveriam ir à escola, mas deveriam ser educadas em casa — reclamou Melissa.
Era óbvio que ela estava muito chateada com isso.
— Não se importe com isso. Contanto que ela não nos perturbe, ainda será uma boa vizinha — Klein confortou sua irmã, sorrindo.
O Reino Loen era uma nação multi-religiosa, ao contrário do Império Feysac[3] no norte que só acreditava no Deus do Combate ou no Reino Feynapotter no sul que apenas adorava a Mãe Terra. Era inevitável que as congregações das igrejas do Senhor das Tempestades, da Deusa da Noite Eterna e do Deus do Vapor e da Maquinaria tivessem conflitos de crenças e costumes. Depois de mil anos assim, eles se restringiram, tornando a coexistência possível.
— Ok — Melissa franziu os lábios e redirecionou seu foco para a pilha de peças mais uma vez.
Depois do jantar, Klein continuou revisando a história. Somente quando Melissa e Benson tomaram banho e voltaram para seus quartos, ele se lavou, entrou em seu quarto e trancou a porta.
Ele precisava organizar e resumir o que tinha aprendido e focar nos problemas que encontrou para evitar esquecer ou perder pontos críticos. Só assim seria capaz de responder aos desenvolvimentos subsequentes no futuro com uma linha de pensamento clara.
Klein abriu o caderno, pegou a caneta e começou a escrever em mandarim.
— Por que a chave para digerir poções é atuar?
Notas:
- parte inferior
- spoiler é meio femboy, vocês vão entender no futuro, kkkk
- estava Frosac no lugar, mas como já li essa webnovel antes,acho que está errado
Capítulo 57
Capítulo 57 – Organização e Resumo
Após uma pausa momentânea, Klein continuou escrevendo.
“A essência para resolver os problemas com poções é através da digestão, não apenas do controle. Isso pode ser entendido de uma maneira bem simples.”
“O controle sozinho faz com que o poder das poções seja uma ferramenta externa. Uma fera domesticada, não importa o quão bem controlada, não faz parte de uma pessoa. O risco de se virar contra o usuário está sempre presente. Quanto à digestão, faz a poção ingerida parte dele. Ele pode quebrá-la, fundir-se com ela, absorvêla e formar um sistema geral.”
“No momento, estou certo deste ponto. O que é mais importante é como atuar ajuda na digestão.”
“De acordo com minha experiência como Vidente hoje, posso fazer duas hipóteses. Elas podem ser verificadas no futuro.”
“Um: Atuar com base no nome da poção muda o estado do corpo, coração e alma de uma pessoa, tornando-os mais próximos da psique teimosa remanescente do núcleo da poção. Isso resulta em uma ressonância que permite assimilação e absorção gradual.” “Dois: O espírito da psique teimosa remanescente da poção pode ser como um computador com mecanismos de defesa completos. Se alguém deseja atacá-lo e quebrá-lo, precisará encontrar um bug, falha de segurança ou chave. O nome da poção fornece uma pista correspondente; assim, podemos disfarçar nosso corpo, coração e alma como parte do sistema por meio da atuação e, assim, enganar as defesas do sistema. Essa linha de pensamento é semelhante à descrição do imperador Roselle.”
“Não importa qual palpite esteja certo, não há como escapar do corpo, coração e alma, pois eles são a única ponte entre a atuação e o poder das poções.”
Klein pousou a caneta e examinou o parágrafo do texto. Por um momento, ele até quis agradecer a educação que recebeu do Império de Amantes de Comida.
Independente de ter escolhido ciência ou engenharia para sua educação, ele estava equipado com os fundamentos do pensamento lógico. Caso contrário, ele não se tornaria um guerreiro do teclado, nem seria capaz de analisar sua situação atual.
“A atuação pode ter um efeito, mas teremos que esperar para ver os detalhes.” Adivinhou Klein.
Depois disso, ele escreveu sua segunda questão.
“Por que um Vidente, sendo mais instruído e profissional no domínio do misticismo, carece de meios quando se trata de combate direto?
Ser mais instruído e profissional não tornaria um Vidente ainda mais poderoso, dando-lhe a capacidade de descobrir uma maneira de derrotar seus inimigos?”
“As razões podem ser…”
“Primeira, assim como nas webnovels que li no passado, transmigrei para um mundo de jogo que se tornou realidade. Assim, diferentes classes vêm com diferentes especialidades que devem ser equilibradas umas com as outras. Mas até este ponto, não houve sinal de que este mundo seja um jogo, nem há sinais de desenvolvimentos semelhantes a missões. Vou colocar esse motivo em espera, mas é muito improvável.”
“Segunda, a lei fundamental deste mundo é o equilíbrio. O Criador fez este mundo com a ideia central de equilíbrio.”
“Terceira, poções no mesmo nível de Sequência têm o mesmo nível de poder. É o estado ideal com base no que nossos antepassados descobriram e resumiram. Exceder esse nível de poder tornaria mais fácil que alguém entrasse em colapso e perdesse o controle. Abaixo desse nível de poder, seria impossível obter os poderes Beyonder desejados. Assim, na situação de um nível de poder equilibrado, ser mais forte em uma área naturalmente indica que alguém é mais fraco em outra área.”
“Quarta, tudo neste mundo se originou da mesma fonte; as coisas são formadas pelos remanescentes do Criador. Assim, tudo neste mundo é tecnicamente fragmentos do Criador, e o fato de que devem se complementar significa que existem deficiências inerentes a um indivíduo.”
“Inclino-me para a terceira e quarta razões, mas esta última parte de um mito não confirmado e só pode servir de guia.”
“Assim, usarei a terceira razão como um guia e tentarei averiguá-la usando meu conhecimento atual e estudos futuros.”
A essa altura, Klein já tinha escrito duas páginas inteiras, mas não parou. Em vez disso, ele escreveu uma nova questão.
“Pelo que aprendi hoje, meu ritual de aumento de sorte é classificado como uma magia ritualística clássica.”
“Tipos semelhantes de magia ritualística podem ser divididos em três partes, sendo a primeira um sacrifício que desperta o interesse de uma existência correspondente. A segunda é composta de encantamentos que descrevem a existência específica em questão. A terceira usa símbolos simples para transmitir o que se está pedindo.”
“Usando isso como referência para analisar o ritual de aumento da sorte, há um problema óbvio. Não há terceira parte!”
“Tem o aspecto do sacrifício na colocação dos alimentos básicos e nos quatro passos no sentido anti-horário. Há também uma indicação clara de para quem é o encantamento, como a frase Bênçãos Provenientes do Senhor Imortal do Céu e da Terra.”
“Mas tudo o que fiz depois foi fechar os olhos e esperar. Não havia nada no ritual que descrevesse o objetivo de aumentar minha sorte.”
“Em outras palavras, a existência correspondente não tem como saber o que o chamado ritual de aumento da sorte está pedindo, e só pode fazer o que achar melhor… Fazer o que achar melhor…”
“Que troll! Essa maldita Adivinhação Quintessencial e Artes Arcanas da Dinastia Qin e Han não é muito troll?”
“Eu devia ter pedras na cabeça naquela época por tentar…”
Klein parou de escrever e respirou fundo duas vezes, tentando se acalmar.
Ele soltou um hálito fétido e continuou escrevendo.
“Posso pensar em redesenhar o ritual, tornando-o mais completo. O objetivo do ritual será retornar à Terra, de volta ao meu mundo com meus pais e amigos.”
“Aí vem a pergunta: a entidade estava mesmo agindo por capricho? Ou há um significado mais profundo nisso?”
“Além disso, a entidade para a qual os encantamentos descritivos apontam neste mundo é a mesma da Terra?”
“Se assim for, a diferença nos resultados entre o primeiro e o segundo ritual pode ser explicada como a entidade fazendo o que deseja. Mas os resultados de eu aparecer acima da névoa cinza durante a segunda e terceira vez, ao mesmo tempo em que consigo me conectar à Justiça e ao Enforcado, basicamente não têm diferenças. Por quê?”
“Se o quarto ritual amanhã à tarde me mostrar os mesmos resultados estáveis, isso significa que os efeitos são consistentes. Indica que a entidade desconhecida tem uma agenda que desconheço. Se for esse o caso, adicionar novas descrições e solicitações não me dará uma resposta clara. Na verdade, pode complicar o ritual e resultar em efeitos adversos.”
“Será que a diferença entre o primeiro ritual e os rituais subsequentes — sob a premissa de que a entidade que convoquei é a mesma — revela que os resultados são diferentes dependendo do mundo em que estou? É como se eu estivesse usando uma interface diferente…”
“Então, como posso projetá-lo para obter o resultado desejado?”
“Se eu pensar que as entidades por trás do primeiro e dos rituais subsequentes são diferentes, algumas das perguntas podem ser perfeitamente respondidas. Mas, da mesma forma, a estabilidade dos resultados no segundo e terceiro rituais denotam que a entidade para a qual estou orando tem uma certa agenda, e não há como mudar isso por enquanto.”
“A questão mais importante é a identidade da entidade para a qual o ritual é dirigido. Onde Ela está e por que Ela não me dá nenhuma pista ou orientação?”
“Ela poderia estar nas profundezas do mundo da névoa?”
“Hmm, posso tratá-la como uma entidade adormecida que dá respostas fixas se eu lhe der um certo estímulo, mas que não interferirá no que eu faço além disso?”
“Então posso introduzir um ritual diferente como estímulo e concluir se a resposta que recebo é regular. Dessa forma, posso encontrar o método correto de retorno.”
“Mas o problema está na possibilidade de Ela não estar adormecida. Nesse caso, tais testes podem resultar em resultados terríveis. Pode ser perigoso de verdade.”
“A primeira tentativa deve ser conduzida com extrema cautela. O design não deve irritar o ser…”
“Que dor de cabeça. Preciso de mais conhecimento.”
Klein suspirou e fez um resumo.
Por fim, ele anotou outros itens diversos.
“Sempre há vozes sem forma ressoando em meus ouvidos, gritando
Hornacis e… uh, Frygrea ou Feygrea?”
“Hornacis é a cordilheira que divide o Reino Loen e a República Intis. Seu pico principal está a seis mil metros acima do nível do mar.”
“De acordo com os registros no diário da família Antigonus, uma Nação da Noite Eterna existiu na Quarta Época. A Nação da Noite Eterna está relacionada com a Deusa da Noite Eterna — há alguma conexão entre as duas? São aliadas ou inimigas? A família Antigonus foi obliterada pela Igreja da Deusa da Noite Eterna devido à Nação da Noite Eterna?”
“Será que ouvi murmúrios vindos do diário, dos uivos da família
Antigonus que perduram milênios?”
“Então o que significa Frygrea, uh-Flegrea?”
“Uma pergunta interessante. A capacidade de deixar para trás tal diário bem como o Artefato Selado 2-049 implica que a família Antigonus possuía um poder Beyonder relativamente poderoso. Se for assim, que Sequência ela possuía? Estava completa ou incompleta?”
“Minha percepção de que o diário está nas mãos de Ray Bieber foi uma coincidência, mas sem qualquer indicação de que foi arranjado, meu destino pode mesmo estar ligado a esse diário?”
…
Suas idéias foram escritas nos pedaços de papel. Klein fez o possível para escrever os eventos que experimentou e suas suposições sobre o significado deles.
Ele escreveu um total de quatro páginas em ambos os lados de cada folha.
Rip!
Klein de repente arrancou as quatro páginas e as leu de cima a baixo, às vezes marcando certas seções com a caneta, às vezes acrescentando algumas frases.
O tempo voou rápido. A lua carmesim foi temporariamente coberta por nuvens escuras. Klein pegou o relógio de bolso sobre a mesa, abriu-o e olhou as horas.
Ele largou o relógio e tirou uma caixa de fósforos da gaveta. Acendeu um e aproximou-o das quatro páginas de anotações.
A chama laranja acendeu as bordas do papel e se espalhou rapidamente.
Klein colocou as notas em cima da lata de lixo de madeira e observou as cinzas caírem.
Ele então soltou os dedos, permitindo que os papéis caíssem. Em apenas dez segundos, tudo tinha desaparecido. Tudo o que restou foram as cinzas ainda girando e o fundo carbonizado da lata de lixo.
Devido a presença do diário secreto do Imperador Roselle neste mundo, Klein não ousou deixar para trás nenhuma evidência de que sabia escrever chinês — se o Velho Neil e o resto descobrissem os quatro pedaços de papel que escreveu, ele não teria ideia de como se explicar.
E enquanto escrevia as questões confidenciais, Klein estava preocupado que aquele que prestasse atenção aos seus sonhos pudesse ver e decifrar o conteúdo, não importando o idioma que ele usasse, fosse Loen, antigo Feysac ou Hermes. Portanto, ele só poderia escrever notas em chinês para organizar e resumir. Depois de terminar a tarefa, ele queimaria as anotações para não deixar vestígios.
E justamente porque não tinha como economizar, ele traçou um plano para si mesmo. Ele faria esse resumo uma vez por semana, caso se esquecesse de alguma coisa.
Enquanto observava as cinzas caírem, Klein puxou um pedaço de papel branco. Ele escreveu o título: “Ao meu respeitado mentor”.
Ele queria escrever para o professor associado sênior Quentin Cohen, perguntando se ele tinha alguma informação histórica relevante sobre o pico principal da cordilheira Hornacis.
Capítulo 58
Capítulo 58 – Uma Linha de Pensamento
No dia seguinte, uma segunda-feira de manhã.
Klein, que estava de folga, não saiu de casa. Em vez disso, ele deu a Melissa sua carta dirigida ao Mentor Quentin Cohen e dinheiro mais do que suficiente para comprar selos. Ele confiou a ela a tarefa de enviar a carta na agência dos correios perto da Escola Técnica de Tingen, onde ela estudava.
Depois do café da manhã, ele dormia para compensar a falta de sono causada pelo trabalho da noite anterior. Só acordou por causa dos roncos do estômago perto do meio-dia.
Ele esquentou algumas sobras da noite anterior e as comeu com um pão de centeio. Klein pegou um jornal e entrou no banheiro do segundo andar.
Sempre que fazia isso, não conseguia deixar de suspirar pela falta de um telefone celular.
Após cerca de sete ou oito minutos, deixou o banheiro revigorado e lavou as mãos. Ele então voltou para seu quarto e trancou a porta.
Klein fechou as cortinas, acendeu o lampião a gás e cogitou por meia hora. Depois de praticar sua Visão Espiritual, radiestesia espiritual e vara radiestésica por meia hora, ele passou outra hora revendo em sua mente o conhecimento místico que tinha adquirido recentemente.
Depois de fazer isso, ele rasgou o jornal velho e o amassou em algumas bolas. Ele escreveu nelas, Vela da Flor Lunar, Óleo da Essência da Lua Cheia e outros nomes de materiais. Ele seguiu os passos prescritos da magia ritualística em sua cabeça para dominar cada pequeno detalhe. Até que estivesse totalmente familiarizado com isso, ele não pretendia praticar a magia ritualística porque era um desperdício de materiais e também correria o risco de atrair perigo.
Ele repetiu várias vezes até que pegou seu relógio de bolso de prata estampado com folhas de videira e deu uma olhada. Ele percebeu que eram 2h45.
Ele pensou por alguns segundos e trouxe os pedaços de jornal velho para a cozinha no primeiro andar para queimá-los. Ao fazer isso, se certificou de que estava em um ótimo estado de espírito enquanto se preparava para o Reunião de Tarô.
Trancando a porta do quarto mais uma vez, Klein não esperou que o relógio batesse três horas. Ele planejou entrar na área acima da névoa cinza com antecedência.
Ele queria aproveitar a oportunidade para explorar o local em detalhes!
Quando Klein parou em um local vazio em seu quarto e começou a andar no sentido anti-horário, ele de repente se preocupou com o fato da Justiça e do Enforcado ainda não terem entrado em um ambiente adequado. Ele pensou em um assunto específico.
“Eles serão perturbados ou descobertos?”
Ele tinha mencionado antes que permitiria que a Justiça e o Enforcado solicitassem uma licença prévia se precisassem se ausentar da Reunião por algum motivo, como incapacidade de encontrar tempo sozinho ou circunstâncias inesperadas.
Teria sido um problema quase insolúvel para Klein no passado. Não havia como ele construir uma Internet inteira baseada em servidor à mão em um mundo diferente, certo? Qualquer tecnologia além do telegrama pode expô-lo.
Mas agora, de repente, ele encontrou inspiração na magia ritualística.
“A magia ritualística toma emprestado os poderes dos outros buscando a ajuda de diferentes existências. Encantamentos semelhantes deixariam claro para quem é direcionado no começo, como a Deusa da Noite Eterna ou a Dama do Carmesim. Seria uma descrição das existências desconhecidas e ocultas.”
“Então, posso corrigir o canto e redirecionar o início do encantamento para mim?”
“Dirigir a mim…”
“Dessa forma, mesmo que a Justiça e o Enforcado conduzissem o ritual em locais diferentes, eu receberia suas mensagens.”
Klein de repente teve uma nova percepção quando começou a analisar a probabilidade de o método funcionar.
“Há dois problemas. Primeiro, não sou nem um Beyonder de Alta Sequência, nem muito forte. Mesmo que a descrição do encantamento fosse dirigida a mim, eu não poderia receber o pedido.”
“Segundo, como posso garantir que a descrição do canto seja direcionada a mim com precisão e não se desvie e atinja alguma outra existência desconhecida que se encaixe na descrição? Isso seria muito perigoso.”
Klein andava de um lado para o outro, pensando profundamente em uma possível solução viável.
Ele andava em círculos com passos silenciosos. Então, naturalmente ligou o assunto com o misterioso mundo da névoa cinza.
“Mesmo que eu não consiga receber a mensagem, isso não significa que a névoa cinza não possa. Sua conexão com as estrelas carmesins pode arrastar uma pessoa direto para este espaço, independente de onde ela esteja no mundo físico.”
“Eu poderia considerar me amarrar ao espaço misterioso durante a descrição dirigida…”
“De acordo com essa linha de pensamento, mesmo que eu não receba o pedido de imediato quando a outra parte estiver realizando o ritual, ainda poderei ver as mensagens correspondentes sempre que entrar na névoa cinza.”
“Para simplificar, é a diferença entre estar online e offline em um sistema de mensagens instantâneas.”
Klein ficava mais excitado quanto mais pensava. Ele sentiu que sua ideia valia a pena tentar.
“Hmm, que tipo de descrição poderia ser usada para direcionar uma mensagem para mim e para o mundo da névoa cinza com precisão?” Ele começou a pensar nos detalhes reais.
Na verdade, ele tinha um encantamento que com certeza funcionaria. Não era outro senão a tradução em Loen de Bênçãos Provenientes do Celestial Digno do Céu e da Terra. Mas aí está o problema: ele perderia o controle da névoa cinzenta e perderia seu papel de protagonista. Ele só poderia excluí-lo.
“Louco de um mundo alternativo? Sem chance. É bastante preciso e quase não há outra existência que se encaixe nos critérios, mas exporia meu maior segredo…” Klein pensou em um encantamento após o outro, mas riscou cada um.
Depois de cerca de sete a oito minutos, ele enfim decidiu a descrição do primeiro parágrafo que se dirigia a ele.
— O Louco que não pertence a esta era.
Obviamente, não era preciso o suficiente; portanto, Klein acrescentou logo:
— O governante misterioso acima da névoa cinza.
A combinação das duas linhas quase o limitava. Além disso, ele tinha amarrado a névoa cinza a ele.
“Ainda é um pouco curto. Não posso eliminar a possibilidade de que existam vários espaços e governantes acima da névoa cinza. Não posso eliminar o fato de que a descrição pode ser direcionada ao mundo espiritual…” Klein franziu as sobrancelhas e planejou tornálo mais certo.
“Hmm…” Ele pensou por um minuto inteiro e por fim se decidiu pela última parte da descrição.
— O Rei do Amarelo e Preto que traz boa sorte!
Compartilhava um significado semelhante a Bênçãos Provenientes do Exaltado Senhor Supremo do Céu e da Terra[1]. Se o encantamento dependesse apenas dessa parte da descrição, poderia acabar sendo direcionado e provocando existências perigosas desconhecidas. Mas com as duas primeiras linhas como limitação e sua experiência de chegar acima da névoa por meio de um encantamento semelhante, ele acreditava que a descrição do alvo poderia resultar em um bloqueio perfeito.
Klein não tinha certeza se lançar a magia ritualística com essas três descrições seria eficaz, mas ele estava certo de que não atrairia a atenção de outra existência e de que não colocaria a Justiça e o Enforcado em perigo.
Klein soltou um longo suspiro e recitou o encantamento que tinha decidido.
— O Louco que não pertence a esta era, você é o governante misterioso acima da névoa cinza; você é o Rei do Amarelo e do Preto que traz boa sorte…
Ele acenou com a cabeça de leve e tirou o relógio de bolso para confirmar a hora.
“Já são 2h58…” Sem pensar mais, Klein guardou o relógio e entrou em Cogitação. Logo ele cantou e deu quatro passos no sentido antihorário para formar um quadrado.
Os ruídos ferozes e rugidos comoventes foram ouvidos mais uma vez. Ele sentiu uma dor de cabeça que era ainda mais difícil de lidar do que a dor de consumir a poção de Vidente.
A dor não era uma dor aguda que atravessava sua cabeça. Era uma dor latejante que o tornava maníaco e irracional. Foi uma dor que o deixou em uma confusão caótica.
Klein se controlou usando a Cogitação e se esforçou para ignorar as vozes.
Os murmúrios e sussurros diminuíram como as marés. Seu corpo tornou-se etéreo, junto com sua espiritualidade. Tudo parecia flutuar.
A névoa cinza sem limites apareceu diante de sua visão, as estrelas carmesins a distâncias variadas dele, assim como pares de olhos.
Acima da névoa cinzenta erguia-se o palácio, alto e imponente como a casa de um gigante. Era como se estivesse ali há milhões de anos.
Tudo o que Klein fez foi desejar e desapareceu de onde estava, reaparecendo no Assento de Honra na longa mesa de bronze com vinte e duas cadeiras de espaldar alto.
— O efeito do ritual com certeza foi corrigido… — Klein murmurou. Ele bateu suavemente na glabela e permitiu que a névoa o envolvesse, mais espessa do que antes. Segundo a descrição do Enforcado, se Justiça tivesse se tornado uma Espectadora, seria melhor não revelar nenhum de seus tiques diante dela.
Sem tempo para explorar, Klein estendeu a mão direita e formou uma conexão invisível, conectando-o às duas estrelas vermelhas familiares.
…
Nas ondas azuis estrondosas do Mar Sonia, um antigo veleiro navegava com o vento.
Alger Wilson trancou-se na cabine do capitão e fez com que o navio fantasma lhe desse a melhor proteção.
Abriu o relógio de bolso à sua frente e colocou-o ao lado do sextante de latão. O relógio corria sem alegria, pois exalava nervosismo.
Quando o ponteiro das horas, o ponteiro dos minutos e o ponteiro dos segundos se alinharam, houve uma explosão carmesim diante de Alger Wilson. Ela ignorou as várias camadas de proteção que ele colocou sobre si mesmo.
— Sigh… — Seu suspiro reverberou pela sala do capitão.
…
Backlund, Burgo Imperatriz.
Audrey Hall deitou-se contra um travesseiro de penas e olhou para o papel amarelo em sua mão. Seus olhos como pedras preciosas pareciam ter duas almas espiralando lentamente neles.
Seu olhar era calmo e frio, como se esperasse o início de uma peça.
Quando o vermelho carmesim entrou em erupção, ela olhou para si mesma sendo engolida com total distanciamento.
…
Acima da névoa cinza, no palácio magnífico, na longa mesa de bronze antiga e manchada.
Klein, que já tinha ativado sua Visão Espiritual, olhou quando a figura de Audrey Hall começou a se formar. Ele não ficou surpreso ao ver que as cores profundas em sua aura se misturaram. Tornaram-se puras e serenas, como um lago claro e reflexivo.
“Ela de fato se tornou uma Beyonder…” Klein estava prestes a desviar o olhar quando de repente viu a cadeira pertencente à Srta. Justiça mudar.
As estrelas brilhantes nas costas da cadeira se moviam rapidamente, formando uma constelação ilusória que não pertencia à realidade.
Essa constelação era familiar para Klein porque era um dos símbolos do misticismo.
Era um símbolo que representava o Dragão Gigante!
“Espectador… Dragão Gigante…” Klein conteve-se para não balançar a cabeça e olhou para as costas da cadeira do Enforcado.
Normalmente falando, era impossível que ele visse a parte de trás da cadeira de seu ângulo, mas ele estava no controle. Tudo se apresentou de acordo com a sua vontade.
A constelação nas costas da cadeira não tinha mudado, mas desde que Klein compreendeu os fundamentos do misticismo, ele não era tão ignorante quanto antes. Ele podia reconhecer que era o símbolo de Tempestade de Vento.
“Marinheiro… Guardião do Mar… Vento… Isso é razoável. A cor profunda na aura do Enforcado é muito mais pura do que antes… Ele subiu de nível? Ah sim, e o símbolo atrás da minha cadeira?”
Klein reprimiu seu impulso de olhar, bateu três vezes na beirada da longa mesa como antes e sorriu ao dizer:
— Parabéns, Srta. Justiça, você é uma Beyonder agora.
“Ele descobriu de imediato?” Audrey ficou atordoada e sorriu levemente.
— Obrigada, Sr. Louco, e obrigada, Sr. Enforcado.
— Isso foi muito mais rápido do que eu pensava — disse Alger Wilson honestamente.
Klein não continuou o assunto, mas tocou sua glabela e disse com um sorriso:
— Senhorita, senhor, algum de vocês encontrou o diário de Roselle?
Notas:
[1] Amarelo = Céu, Preto = Terra
Capítulo 59
Capítulo 59 – Origens de Roselle
Ao ouvir a pergunta do Louco, Audrey não respondeu de imediato como no passado. Em vez disso, ela arregalou seus olhos cristalinos e olhou para o Enforcado com uma atitude escrutinadora.
Alger diminuiu os movimentos de seu corpo por instinto. Após alguns segundos de silêncio, ele disse:
— Encontrei duas páginas do diário do Imperador Roselle e memorizei seu conteúdo.
— Tenho uma página — disse Audrey, cuja visão estava obscurecida pela névoa, como se tivesse sido removida da conversa.
— Muito bom — Klein não permitiu que sua alegria ou decepção transparecessem em sua voz.
Ele sentiu alegria porque havia três páginas inteiras, mas também desapontamento porque eram apenas três páginas. A busca inicial pelo diário com certeza era mais fácil, pois tudo o que precisavam fazer era perguntar por meio de suas conexões e canais que já conheciam. A coleta das páginas se tornaria cada vez mais difícil com o passar do tempo, pois envolveria cada vez mais elementos.
— Devemos expressá-los agora? — Audrey perguntou com um tom calmo.
— Sim — Klein assentiu.
Ele manteve sua postura sem nenhuma mudança. Ele tinha que ser cauteloso na frente de uma Espectadora.
Quando terminou sua frase, pedaços de pergaminho de pele de cabra marrom-amarelado e canetas-tinteiro vermelho-escuras apareceram na frente de Audrey e Alger.
Os dois pegaram suas canetas e começaram a relembrar os símbolos que tinham visto. Eles também infundiram as emoções aos expressá-los.
Sem fazer barulho, linhas de texto apareceram na pele de cabra. Algumas delas pareciam formais, algumas delicadas, outras inclinadas.
Em apenas um minuto, o conteúdo que Alger e Audrey memorizaram à força foi todo escrito.
Klein reuniu os três pedaços de pergaminho em suas mãos.
Ele deu uma olhada superficial nas páginas e percebeu que parte da gramática estava errada. Também havia palavras ausentes e erradas no conteúdo.
Mas a experimentação provou que a sequência incorreta de palavras até certo ponto não afetava a compreensão geral do chinês. Klein também não tinha medo de palavras ausentes, pois costumava ler webnovels cheias de erros e abreviações.
“8 de abril. Fiquei na proa do Black King[1] e estiquei os braços, dizendo a Grimm e Edwards: Minha fortuna é de vocês, mas vocês terão que encontrá-la primeiro. Deixei tudo o que possuo nas extremidades do Mar da Névoa! Eles não entenderam nada do meu humor e até perguntaram se eu tinha mesmo outros tesouros. Que chato. Vocês não podem ser meus Quatro Cavaleiros do Apocalipse se continuarem assim!”
“11 de abril. Eu descobri uma ilha sem nome que não está em uma rota marítima segura. Há um bom número de animais extraordinários nela, não — prefiro chamá-los de seres extraordinários; parece mais impressionante. Fora isso, existem várias criaturas estranhas na ilha. Acredito que se Darwin tivesse transmigrado para lá, não teria escrito sua Teoria da Evolução.”
“15 de abril. Grimm de repente ficou um pouco estranho. Ele foi infectado por alguma coisa?”
“Quando o Imperador Roselle, que nasceu no Império Intis, partiu em uma viagem? O Mar da Névoa deveria ser o mar a oeste da República Intis… Sim, preciso usar informações históricas da biblioteca para fazer referência a isso…” Klein rapidamente terminou de ler uma página, lançando seu olhar para o verso do pedaço de papel.
Nesse ponto, ele não escondia mais o fato de que podia decifrar os símbolos secretos do Imperador Roselle, já que essa habilidade se encaixava na personalidade e no status do Louco. Audrey e Alger não falaram. Eles esperaram em silêncio, como se não estivessem surpresos com tal revelação. Na verdade, eles até acreditavam que era o certo.
“2 de outubro. Eles queriam que eu casasse com a Matilda da família Abel sem nem me consultar antes! Céus, eu nem a conheci! Não, devo recusar! Mesmo que eu fuja de casa, sobreviva por conta própria e sofra as vicissitudes da vida, devo lutar contra esse casamento!”
“5 de outubro. A Srta. Matilda é muito bonita.”
“6 de outubro. Sua personalidade e seu comportamento são exatamente o meu tipo. Estou começando a ansiar pelo casamento.”
“Ei, Imperador, onde está sua integridade?” Klein recostou-se em seu assento, não permitindo que suas emoções passassem pela névoa.
Ele percebeu no começo que Gustav não escrevia em seu diário todos os dias. Na maioria das vezes, ele só escrevia no diário quando havia certos eventos que precisava satirizar, registrar ou desabafar suas emoções.
Ele desviou o olhar para baixo. Klein olhou para a última frase desta página.
“9 de outubro. Eles me chamam de Filho do Vapor. Eu gosto muito disso.”
Klein ficou um pouco desapontado com o pouco valor das informações contidas nas duas primeiras páginas.
Mas ele não ficou mal-humorado. Ele moveu a terceira página para o topo. Esta página tinha conteúdo escrito em ambos os lados do papel.
“21 de maio. A Igreja do Deus do Artesanato me deu duas escolhas, duas Sequências iniciais. Uma delas é a de Erudito. É a Sequência completa que a Igreja possui. A outra é a de Espreitador de Mistérios, que ela obtive da Ordem Ascética de Moisés, mas é uma Sequência incompleta.
“22 de maio. Minha escolha foi fácil: Erudito! O Erudito tem uma Sequência completa! Embora ter mais informações sobre misticismo possa ajudar no meu retorno para casa, o problema é que, se eu não for forte o suficiente, haverá necessidade de adquirir ajuda externa para a transmigração. E não sei se essa entidade externa será boa ou má, benevolente ou maliciosa. Não posso controlá-la e, portanto, pode ser muito perigosa. Nesse caso, por que não me fortalecer e voltar contando com meus próprios poderes? Assim, a Sequência completa foi o fator mais importante em minhas considerações!”
“23 de maio. Eu me tornei um Erudito. Com o poder da poção, na verdade, lembrei-me de todo o conhecimento que aprendi no passado, como física, química, etc…”
“Não só relembrei o conhecimento, como o compreendo mais profundamente, bem como suas possíveis aplicações e implicações. Haha, essa é uma classe feita especialmente para um transmigrador como eu de um reino alternativo. Serei capaz de expressar minha vantagem ao máximo! Devo dizer que, se eu voltasse no meu estado atual para o terceiro ano do ensino médio, com certeza me tornaria o melhor aluno. Se eu pudesse me especializar ainda mais em uma área, nem seria tão difícil para mim me tornar um cientista.”
“26 de maio. Estou gostando do meu status de Erudito. Algo estranho que vale a pena mencionar. Quando me dirijo a um Erudito, fazendo coisas que estão de acordo com esse papel, os murmúrios que me enlouquecem tornam-se consideravelmente mais suaves. Também consegui controlar minhas ocasionais explosões de raiva. Lembrei-me também do assunto do diário.”
“É esta a atuação que o misterioso Sr. Zaratul mencionou? Ela pode ser a chave para resolver os efeitos colaterais das poções.”
Ao ler a página do diário, Klein percebeu profundamente que havia uma diferença fundamental entre como ele e o Imperador Roselle faziam as coisas.
Por exemplo, na questão de voltar para casa, Klein cogitou aprofundar o conhecimento do misticismo para evitar riscos e atingir seu objetivo, enquanto o Imperador Roselle preferiu confiar em si mesmo e enfrentar o risco.
“Devo dizer que às vezes invejo pessoas assim. Talvez todos anseiem por algo que não possuem… Claro, também tenho que pensar em me fortalecer; ambos são importantes.” Klein pensou, suspirando um pouco.
A descrição fornecida pelo Imperador Roselle sobre atuação incutiu em Klein a confiança de que a conclusão que ele fez sobre atuação ontem era mais ou menos correta.
Ele largou as três páginas do diário, ergueu os olhos para a Justiça e o Enforcado. Ele sorriu e disse:
— Minhas desculpas, eu estava muito absorto em lê-las.
Audrey acalmou a inveja em seu coração e sorriu de leve.
— Eu posso entender. Espero um dia poder trocar informações sobre o conteúdo do diário.
— Isso exigirá um preço — Klein sorriu e olhou para a Justiça, depois desviou o olhar para o silencioso Enforcado.
Audrey juntou as palmas das mãos e as colocou à sua frente.
— Sr. Louco, Sr. Enforcado, tenho três perguntas a fazer. Se vocês acham que as respostas merecem um preço alto, digam-me o que desejam, farei o possível para atendê-los.
— Sem problemas — Alger respondeu sucintamente.
Klein assentiu e recostou-se ainda mais, ficando confortável.
Audrey pensou por alguns segundos e disse:
— A primeira pergunta é: o que atuar de fato significa? Percebo que a psique remanescente na poção tem efeitos mínimos em mim; é porque eu tenho atuado como Espectadora todo esse tempo?
Alger não falou; em vez disso, olhou para o Louco, como se esperasse que ele desse uma resposta.
Klein esfregou o dedo na borda da mesa e disse em um tom relaxado:
— Deixe-me explicar isso com uma analogia. Imagine os poderes centrais de sua poção como um castelo fortemente guardado. Os resquícios da psique que podem causar uma chicotada residem dentro desse castelo. Nosso objetivo é se livrar dele e se tornar o verdadeiro mestre do castelo.
— Há duas maneiras de fazermos isso. A primeira é invadir o castelo à força. Não há garantia de que isso funcionará e você com certeza se machucará, a menos que possa reprimi-lo com poder absoluto. Mas é claro que não estamos preparados para isso.
— A segunda maneira é fazer com que o dono do castelo faça um convite. Este convite pode nos permitir escapar do escrutínio dos guardas e nos infiltrar no castelo. Podemos então facilmente acabar com os inimigos. Mas o problema reside no fato de que este convite especifica os traços faciais e as características do convidado. Assim, temos que nos disfarçar e agir como o convidado, entendeu?
Alger perguntou de imediato, como se tivesse antecipado essa resposta:
— Então o convite acima mencionado é o nome da poção da Sequência?
— Isso mesmo — respondeu Klein com resolução.
Audrey congelou por um momento, tendo a sensação repentina de que ela entendia completamente o que atuar significava.
Audrey saiu de imediato de seu estado de Espectadora devido à sua excitação. Ela elogiou com alegria:
— Que método excepcional, eu acho… acho que se encaixa no seu título. Seu estilo é muito compatível com o Louco… Eu nunca teria acreditado que atuar teria tal efeito. Por sorte, tenho atuado como Espectadora nos últimos dias.
Ela fez uma pausa antes de dizer:
— Acho que esta é uma resposta muito valiosa; meu coração não está à vontade aceitando isso por nada. Sr. Louco, o que você precisa em troca? Claro, ainda me lembro que devo a você uma página do diário do Imperador Roselle.
— Mais páginas do diário de Roselle, ou… — Klein parou por um momento.
Ele queria obter informações sobre a Sequência do Vidente, mas sentiu que um pedido de nível tão baixo arruinaria a imagem mística do Louco. Assim, ele optou por desistir e planejou perguntar discretamente algum outro dia.
“Eu apenas avancei há pouco tempo e ainda não digeri por completo a poção de Vidente…” Ele se consolou e acrescentou sem expressão:
— Qualquer coisa sobre a família Antigonus, mesmo que eu já a conheça.
Alger permaneceu em silêncio por alguns segundos. Ele olhou para o topo da longa mesa de bronze por um momento antes de abrir a boca lentamente.
— Sr. Louco… acredito que posso pagá-lo de volta imediatamente com as informações que você solicitou agora.
Notas:
[1] decidi deixar em inglês mesmo, senão mais pra frente vocês podem confundir com nome de poção
Capítulo 60
Capítulo 60 – Segunda Ardósia da Blasfêmia
— Sem problemas — Klein tentou manter seu tom grave imutável.
Ele apoiou o cotovelo esquerdo no braço da cadeira e sustentou a testa de leve com os dedos, fingindo estar ouvindo com calma.
Alger refletiu sobre suas palavras e disse:
— Os Antigonus são uma família antiga. Sua história pode ser rastreada até a Época do Cataclismo antes da Quarta Época e está relacionada à segunda Ardósia da Blasfêmia.
“A segunda Ardósia da Blasfêmia? Há uma segunda Ardósia da Blasfêmia? Quantas?” As pupilas de Klein encolheram e ele quase mudou de postura.
“De acordo com o que o Enforcado e a Justiça disseram antes, a Ardósia da Blasfêmia continha os mistérios profundos dos vinte e dois caminhos do divino!”
“Há dois desses itens importantes, ou até mais?”
“Vinte e dois caminhos do divino… Sequências e caminhos… Esses dois nomes poderiam significar a mesma coisa? Cada caminho de Sequência completo leva direto ao trono do divino?”
Nesse instante, a descrição da segunda Ardósia da Blasfêmia deu a Klein muitos pensamentos. Ele acreditava que, se não fosse pela espessa névoa branco-acinzentada que o escondia, sua reação emocional provavelmente teria sido descoberta pela Srta. Espectadora.
Quanto às palavras Época do Cataclismo, ele não era estranho a esse termo como historiador. Era o nome da Terceira Época.
Após sua recente revisão, Klein até sabia que a Terceira Época foi separada em duas eras: a Era Gloriosa e a Era do Cataclismo.
— Uma segunda Ardósia da Blasfêmia? — Audrey revelou claramente sua ignorância sobre o assunto.
Antes de acalmar suas emoções, ela voltou ao seu estado de Espectadora.
“Boa pergunta!” Klein elogiou secretamente a Srta. Justiça.
Era uma pergunta inconveniente para ele fazer como o Louco.
Alger lançou um olhar furtivo para o Louco e notou que sua postura permanecia a mesma, e ele não emitia nenhum som. Por isso, ele pensou e respondeu:
— A primeira Ardósia da Blasfêmia apareceu na Época das Trevas, que é a Segunda Época em que nós, humanos, lutamos para sobreviver sob a proteção dos deuses. A segunda Ardósia da Blasfêmia apareceu no final da Terceira Época. Pode-se até dizer que sua aparição simbolizou o fim da Época do Cataclismo.
— O conteúdo das duas Ardósias da Blasfêmia[1] é mantido em segredo pelas sete principais igrejas. Eu só conheço pedaços dela. Eu só sei que elas envolvem os caminhos para a divindade, mas não tenho certeza das diferenças entre elas.
— A Ardósia da Blasfêmia que o Imperador Roselle viu foi a primeira ou a segunda? — Audrey perguntou com curiosidade.
Ao ouvir isso, Klein lembrou o que Alger disse sobre os nomes das poções durante a primeira Reunião. Ele disse que os nomes das poções de Sequência foram derivados da Ardósia da Blasfêmia!
“Da mesma forma, o Capitão também mencionou que a formação e conclusão do sistema de poções foi graças ao nascimento da Ardósia da Blasfêmia… Isso indiretamente confirma que os caminhos para a divindade são os caminho de Sequência!” Klein respondeu à sua pergunta anterior em silêncio.
Então Alger apenas respondeu:
— A segunda.
O brilho nos olhos de Audrey diminuiu e ela voltou ao estado de Espectadora. Ela não continuou fazendo perguntas; em vez disso, tudo o que ela fez foi focar o olhar no Enforcado.
Era óbvio que seu escrutínio deixou Alger desconfortável, mas ele reprimiu as emoções dentro dele. Ele baixou a voz e continuou:
— Durante a Dinastia Solomon na Quarta Época, embora a família Antigonus fosse considerada uma parte ilustre da aristocracia, eles não fizeram nada muito memorável até apoiarem o estabelecimento do Império Tudor. Eles então ficaram bem no meio do palco do Continente Norte.
— Nesse período, Antigonus, Amon, Abraham, Jacob e outros eram nomes ilustres do reino humano. No entanto, após a Guerra dos Quatro Soberanos, o Imperador de Sangue do Império Tudor pereceu. Eles caíram do topo de seu pedestal e agora são caçados pelos sete deuses.
— Não tenho certeza sobre o processo real, mas sei que a família Antigonus foi destruída pelas mãos da Igreja da Deusa da Noite Eterna. Sr. Louco, se você quiser saber mais, receio que você só possa obter as informações da Igreja da Deusa da Noite Eterna ou de algumas organizações secretas antigas. Você sabe a quais poucas me refiro.
“Eu não sei…” Klein assentiu enquanto se sentia amargo por dentro. — Ok.
“A Ordem Secreta é uma. O Capitão e o Velho Neil mencionaram a Ordem Ascética de Moisés. Eu me pergunto se os Alquimistas da
Psicologia contam…”
Enquanto verificava os candidatos em sua mente, Alger forneceulhe as últimas informações.
— Da mesma forma, não tenho ideia de quais caminhos de Sequência a família Antigonus possuía. Há apenas dois adjetivos que aparecem várias vezes nas descrições da família Antigonus, e esses são estranhos e aterrorizantes.
“Estranhos e aterrorizantes… Pensando no caderno, no Klein original, em seus colegas de classe e no que aconteceu com a mãe de Ray Bieber, é uma boa descrição…” Klein bateu continuamente na borda da longa mesa com a ponta do dedo algumas vezes .
Então, ele lentamente começou a falar.
— Muito bem, estou satisfeito com o pagamento.
A razão pela qual ele batia continuamente na longa mesa de leve com os dedos era para enfatizar a ação, para fazer a Justiça e o Enforcado acreditarem que ele tinha o hábito de bater para esconder o fato de que o mesmo movimento era usado para ativar e desativar sua Visão Espiritual.
— O prazer é meu — Alger não disse mais nada.
Audrey deu uma olhada no Enforcado e depois no Louco. Ela sorriu de leve e disse:
— Então, farei a segunda pergunta: qual é o nome da poção subsequente para Espectador? Onde posso encontrar as pistas?
“Eu também gostaria de perguntar diretamente, mas isso levaria a outros problemas…” Klein não falou, mas lançou seu olhar para o Enforcado.
Alger permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de dizer:
— Vou responder à pergunta de graça porque eu a guiei por este caminho.
— A Sequência subsequente para Espectador é a Sequência 8 Telepata. O nome antigo da Sequência 7 é Analista de Psique, mas agora é chamado de Psiquiatra. Isso é o que eu descobri de um membro dos Alquimistas da Psicologia. Eu acho que eles devem ter um grande número de fórmulas de poções para este caminho.
“Alquimistas da Psicologia… A Médium Espiritual Daly aprovou boa parte da teoria deles, mas o Capitão pensava neles como malvados e loucos…” Klein ouviu enquanto pensava profundamente.
— Você sabe o paradeiro daquele membro específico dos Alquimistas da Psicologia? — perguntou Audrey enquanto seus olhos brilhavam de alegria.
Seja Telepata ou Psiquiatra, ambos os nomes apelavam para sua estética.
Alger deu uma risada rara.
— Eu sei. Ele está imerso nos mares ao redor da Ilha Sonia. Eu o afundei com minhas próprias mãos.
— Se você quiser procurar os Alquimistas da Psicologia, devo me desculpar, pois cortei as pistas.
Ele não estava preocupado que a Justiça encontrasse sua identidade por meio de sua descrição, pois ele fez isso sozinho, longe dos olhos do público.
— Afundou… — Audrey não sabia como responder ou que expressão usar.
Ela respirou fundo e de repente falhou em manter seu estado de Espectadora. Ela perguntou com timidez:
— A terceira pergunta. Se, e estou dizendo se, um animal normal bebesse uma poção de Sequência 9, o que aconteceria?
“Que tipo de pergunta é essa?” Klein bateu de forma discreta na glabela com o dedo que apoiava a testa.
Logo, ele viu as mudanças de cor e notou que as emoções de Audrey se tornaram frenéticas, nervosas e um pouco envergonhadas.
“Ela poderia ter feito algo tão estúpido?” Klein ficou surpreso, mas não estranhou.
Após as duas últimas Reuniões, ele estava certo de que a Srta.
Justiça era uma cabeça de vento.
O Enforcado, Alger, também estava obviamente pasmo. Ele demorou a responder.
— Os animais normais não têm o cérebro dos humanos. Eles não são capazes de aprender Cogitação em tempo hábil. Portanto, provavelmente leva à morte imediata ou a um colapso em um monstro. No entanto, se sobreviverem à ingestão inicial da poção, devem se tornar uma criatura extraordinária. Se a poção tiver a capacidade de aumentar a inteligência deles, eles podem até ficar mais espertos.
— Tudo bem — Audrey deu um suspiro silencioso e acenou com a cabeça enquanto dizia com um tom relaxado. — Não tenho outras perguntas.
Alger considerou por um momento e não mencionou assuntos relacionados à Ordem Aurora ou ao Ouvinte. Da mesma forma, ele balançou a cabeça e disse:
— Nem eu.
— Eu tenho algo — Klein não mudou sua postura, mas disse com um sorriso:
— Isso exigirá a cooperação de vocês.
Ele ainda não tinha desligado sua Visão Espiritual e viu de imediato que o Enforcado estava mostrando sinais de nervosismo, enquanto a Srta. Justiça era muito simplória para mostrar medo ou cautela.
Antes que pudessem responder, Klein os confortou:
— Não se preocupem. É banal. Se for bem-sucedido, será benéfico para vocês, então não pagarei uma remuneração extra.
— Vá em frente — Audrey entrou no estado de Espectadora por instinto, mas não conseguia ver através da espessa névoa cinza que engolfava o Louco.
— Como quiser — Alger respondeu, firmando-se.
Klein moveu os dedos e sorriu quando disse:
— Há um tempo atrás, eu disse que faríamos alguns experimentos para permitir que vocês pedissem uma licença. Dessa forma, vocês não precisarão se preocupar se tiverem que estar em algum lugar inapropriado em uma tarde de segunda-feira.
— Esse é o nosso desejo — Audrey soltou as sobrancelhas bem unidas.
Alger pensou e disse:
— O que você precisa que façamos?
— Vocês podem experimentar um pouco de magia ritualística durante seu tempo livre. Não precisa ser muito formal. Desde que vocês estejam em um ambiente que não será perturbado… Coloquem quatro velas novas em um altar, posicionadas em quatro cantos respectivamente. É melhor que sejam velas com cheiro de sândalo. Arranjem um pão branco perto da vela no canto superior esquerdo, uma tigela de macarrão Feynapotter perto da vela no canto superior direito, paella perto da vela no canto inferior esquerdo e uma torta Desi perto da vela no canto inferior direito… Usem uma faca de prata para fazer um ambiente espiritual selado…
Klein descreveu sua versão modificada do ritual de aumento da sorte e ensinou a Srta. Justiça a criar um ambiente espiritual de graça.
Para ser franco, como o ritual era direcionado a ele mesmo, Klein acreditava que a parte anterior, que pretendia atrair o interesse de uma entidade, poderia ser omitida por completo. No entanto, ele ainda trabalhou duro para fazer o procedimento parecer importante. Claro, isso não estava de acordo com o que o Velho Neil ensinava sobre os deuses serem o segundo e nós mesmos sermos o terceiro.
— … Misturem flores da lua, menta dourada, flores do sono, cidra com dedos e jara. Depois destilem. Extraiam o óleo essencial e despejem uma gota em cada vela…
Audrey ouviu com grande interesse enquanto registrava tudo o que ele dizia. Quando terminou, ela perguntou:
— E o encantamento? Sr. Louco, qual é o encantamento correspondente?
Alger também parou de escrever com a caneta-tinteiro na mão. Ele virou a cabeça para olhar para o Louco.
Klein, que estava imerso na névoa cinza, bateu de leve com o dedo na borda da longa mesa e disse de forma calma e monótona em Hermes:
— O Louco que não pertence a esta era, você é o governante misterioso acima da névoa cinza ; você é o Rei do Amarelo e Preto que traz boa sorte…
Notas:
[1] Uma explicação aqui, não sei se isso é considerado spoiler ou não, mas seguinte: Ardósia é um tipo de pedra, então o que krls seria Pedra da Blasfêmia? Bem outras opções de tradução foram Tábua, Quadro-Negro e Registro, mas escolhi Ardósia porque é mais legal, e por motivos futuros também. Mas enfim, a Ardósia da Blasfêmia tem registrado nela os 22 dois caminhos do divino, é isso, acho que não tem spoiler.
Capítulo 61
Capítulo 61 – Símbolo Estranho
— O Louco que não pertence a esta era… o misterioso governante acima da névoa cinza… O Rei do Amarelo e Preto que trás boa sorte… — Audrey Hall recitou as três descrições para si mesma em silêncio. De repente, ela sentiu uma onda tumultuada de emoção passar por seu corpo, impedindo-a de manter seu estado de Espectadora.
Como uma aficionada do misticismo, ela aprendeu a linguagem Hermes que era usada em rituais e testou os ritos que outros nobres aficionados mencionaram em reuniões privadas antes de ser puxada para a névoa cinza ou fazer contato formal com os poderes Beyonder.
Nenhum desses rituais surtiu efeito, mas deram a Audrey uma compreensão básica da estrutura dos encantamentos.
Assim, ela sabia claramente o que esses três encantamentos descreviam e significavam.
As descrições geralmente descreviam um dos sete deuses que cuidavam deste mundo!
Assim, o encantamento do Louco reivindicava status igual ao da Dama do Carmesim, Mãe dos Segredos e Imperatriz do Desastre e do Horror![1]
“O Sr. Louco é a entidade desconhecida, misteriosa, poderosa e divina de que Glaint falou? A fonte de perigo que devemos evitar nos rituais?” Audrey logo se lembrou dos comentários feitos durante os estranhos rituais que ela e seus amigos não ousavam tentar naquela época. Ela ficou sem palavras por um momento.
Alger Wilson, que sabia e compreendia muito mais do que Audrey, estremeceu do fundo do coração.
“Se a magia ritualística que o Sr. Louco projetou de fato permitir que ele aceite nossos pedidos, teríamos que nos dirigir a ele com Ele. Ele deve ser tratado na terceira pessoa, tratamento reservado aos deuses…”
“Que sorte, que inteligente eu fui por agir de acordo com ele e não fazer nenhuma tolice. Mesmo quando o estava testando, não ultrapassei os limites da normalidade…”[2]
“Ele pode ser uma existência antiga, misteriosa e horripilante, só que não aparece diante de nós em sua verdadeira forma e nome… Será a Demônia Primordial, o Sábio Oculto ou o verdadeiro Criador que muitas igrejas misteriosas acreditam?”
Alger entendeu que o Louco que ele estava olhando agora pode não ser sua verdadeira forma. Ele pode até não ter um gênero ou não ser uma criatura humanóide.
Klein apoiou a testa com uma das mãos e bateu na mesa com a outra. Ele notou agudamente as mudanças acontecendo com o Enforcado e com a Justiça.
Mas ele agia como se nada tivesse acontecido, como se tudo estivesse dentro de suas expectativas. Ele continuou sem nenhuma cautela.
— Eu rezo por sua ajuda.
— Eu oro por sua graça amorosa.
— Eu rezo para que você me dê um bom sonho.
— Flor da lua, uma erva que pertence à lua vermelha, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento!
— Cidra com dedos, uma erva que pertence ao sol, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento.
…
Ele terminou descrevendo os encantamentos que pertenciam a outro tipo de ritual. Depois que terminou, ele sorriu.
— Senhorita, senhor, vocês memorizaram?
— Ah… — Audrey exalou. Ela logo cobriu a boca e retomou sua postura.
Com sua memória aprimorada como Espectadora, ela rapidamente processou as informações e repetiu os encantamentos como forma de confirmação.
Alger agiu com mais normalidade. Sua caneta não parou por um momento, independente de seus pensamentos.
Depois que Klein confirmou que Audrey estava certa, ele sorriu e disse:
— Se este teste for bem-sucedido, modificaremos o ritual da próxima vez para alcançar o que queremos fazer.
— Espero que vocês tenham tempo para completar o ritual até quarta-feira.
Ele pretendia vir aqui de novo na noite de quinta-feira para verificar se a magia ritualística foi bem-sucedida.
Quanto ao motivo pelo qual não permitiu que o Enforcado e a Justiça solicitassem diretamente uma licença, Klein estava preocupado em não conseguir discernir se os resultados eram deles pedindo licença ou apenas o resultado de uma tentativa da magia ritualística. Ele deveria puxá-los para a Reunião se isso acontecesse?
— Por sua vontade — Audrey e Alger responderam com respeito, se recompondo.
— De acordo com a sugestão do Enforcado na semana passada, teremos um tempo para uma conversa casual, agora que todas as questões oficiais forem discutidas. Quem deve começar? — Klein fez um gesto com a mão sinalizando para alguém começar.
Audrey suspirou e disse:
— Sr. Louco, a sugestão que você fez sobre o exame de seleção e a separação entre assuntos civis e políticos tem recebido a aprovação de muitos parlamentares. Talvez isso possa se tornar realidade. Claro que, com a eficiência deste governo, o projeto de lei só sairá daqui a meio ano, no mínimo.
Ela não estava preocupada que o Enforcado a rastreasse usando essa informação. Ela intencionalmente e intermitentemente deu dicas e levou aquelas esposas orgulhosas a pensar que elas haviam concebido a ideia. Essas senhoras correram para contar a seus maridos, pais e irmãos.
Naquele momento, Audrey sentiu como se estivesse observando um bando de pavões dourados exibindo as penas de suas caudas.
Ela acreditava que aquelas mulheres iriam imaginar que tiveram a ideia para reivindicar a glória para si mesmas. Elas logo esqueceriam qual era o papel de Audrey no assunto, brigando entre si para ver quem pensou na sugestão primeiro.
Usar essa maneira notável de mudar o sistema de um reino deu a
Audrey uma estranha sensação de satisfação, como se ela tivesse encontrado uma maneira de um Espectador influenciar o enredo de uma peça.
— Espero que sim — Alger respondeu com sarcasmo.
Ele parou por alguns segundos, então olhou para o Louco. Ele refletiu antes de dizer:
— Nas últimas décadas, a quantidade de atividades das várias organizações secretas teve uma tendência ascendente. Na verdade, até novas organizações secretas estão surgindo, algumas delas tendo atingido uma escala considerável com um bom número de Beyonders.
“Você está tentando me perguntar o motivo? Eu nem mesmo tenho acesso a informações sobre organizações ilegais…” Klein apenas sorriu sem comentar as notícias do Enforcado. Ele mudou de assunto e disse vagamente:
— Um antigo poder está prestes a acordar de seu sono.
“Por exemplo, o poder representado pelo diário da família Antigonus…”
— É mesmo… — Alger murmurou baixinho para si mesmo, como se lembrasse de algo.
Klein desviou o olhar para o Enforcado, depois passou pela Justiça e disse com um sorriso:
— Se não há mais nada para compartilhar, então vamos encerrar a reunião de hoje aqui.
— Por sua vontade — Audrey e Alger levantaram-se juntos.
Klein moveu o dedo e cortou sua conexão com as estrelas vermelhas escuras. Ele observou as duas figuras desaparecerem do magnífico palácio.
Ele levantou e virou para sua própria cadeira, que também ficava atrás da posição do Assento de Honra na mesa de bronze. Ele olhou para o seu símbolo.
Estrelas radiantes formavam um estranho símbolo. Não era um símbolo que se encaixasse na compreensão atual de misticismo de Klein.
Ele o observou de perto antes de identificar o Olho Sem Pupila, um símbolo que representava segredo. Ele também viu linhas contorcidas que representavam mudança. Cada um dos símbolos tinha uma parte ausente e foram sobrepostos uns aos outros, criando um novo símbolo.
“Um segredo incompleto e uma mudança incompleta… O que obtemos quando os juntamos?” Klein franziu as sobrancelhas e murmurou para si mesmo, incapaz de encontrar uma resposta.
Ele retraiu o olhar e caminhou ao longo do antigo e magnífico palácio. Seus olhos examinaram todos os cantos do palácio. “Quando eu casualmente imaginei este lugar, era apenas um conceito grosseiro. Não descrevi a forma do palácio, da mesa ou das cadeiras… De onde vem esse design? A melhor escolha? O primeiro protótipo? Ou são um reflexo da realidade?” Klein de repente teve uma dúvida que negligenciou antes enquanto olhava para o palácio.
“Sigh, devo dizer que, embora seja um guerreiro do teclado, sinto falta de experiência em muitas áreas. Também não sou observador o suficiente, a ponto de só perceber essa questão agora…” Com tal auto-reflexão, Klein fez um esforço sério para examinar todos os cantos do palácio, mas não encontrou nenhum outro ser vivo ou nada estranho.
Klein não se atreveu a se aventurar mais fundo, no que parecia ser uma terra ilusória sem limites. Ele estava com medo de acabar completamente perdido.
“Uau, esse lugar é mesmo cheio de mistérios… Quem sabe se haverá alguma mudança nessa área quando eu ficar mais poderoso…” Klein suspirou. Ele liberou sua espiritualidade e envolveu-se por dentro, fazendo-o sentir a rápida onda de despencar.
Tudo passou voando rapidamente. Todos os tipos de ilusões se desfizeram. Ele rasgou a névoa branco-acinzentada e viu a realidade. Ele viu a mesa, as cortinas e o cabideiro de seu quarto.
…
Backlund, Burgo Imperatriz.
Audrey viu a pintura a óleo pendurada na parede. Ela sentiu a maciez que o travesseiro de penas sob sua cabeça proporcionava.
Ela não levantou de imediato; em vez disso, lembrou seriamente do que tinha acontecido durante a reunião, como se estivesse assistindo a uma peça repetida.
— Sr. Louco tinha uma certa confiança em seu tom quando ele nos disse para tentar o ritual e nos deu as descrições do misterioso governante, do Rei do Amarelo e Preto… Confiança… — Audrey exalou enquanto analisava isso em silêncio, seu corpo estremecendo de leve.
“Esqueça, já que não posso lutar contra isso, não há necessidade de pensar muito sobre isso… O Sr. Louco sempre se mostrou amigável; ele deve ser uma entidade que respeita a ordem…” O humor de Audrey melhorou rapidamente. Ela pensou em sua atuação e na reação enfraquecida da poção.
Audrey cantarolou uma melodia alegre e saiu da cama. Ela caminhou em direção à porta e ajustou seu estado de espírito, assumindo seu estado de Espectadora.
Ao abrir a porta do quarto, ela viu uma empregada passando. Percebeu os velhos calos em suas mãos, as marcas em seu rosto e outros detalhes semelhantes. Ela poderia deduzir muitas coisas dessas observações.
Nesse ponto, Audrey teve uma sensação estranha. Ela logo se virou para olhar para o canto sombreado da sacada.
Ela viu sua golden retriever Susie sentada ali, observando-a em silêncio, assim como ela observou a empregada.
“Minha deusa…” Os lábios de Audrey se contraíram enquanto ela suspirava. Ela queria tanto esconder o rosto.
…
No Mar Sonia, nos aposentos do capitão altamente protegidos.
Alger acordou e percebeu que nada tinha mudado ao seu redor. Era como se nada tivesse acontecido.
“Uma existência antiga?” Ele pensou consigo mesmo e suspirou.
…
Klein, que tinha saído do ritual, abriu as cortinas. Ele pegou seu caderno e começou a escrever mais uma vez.
Ele relembrou o conteúdo do diário do Imperador Roselle, na esperança de reforçar a memória por meio da escrita e evitar esquecê-la no futuro.
Klein releu as notas várias vezes depois de terminar de escrever. Por fim, ele rasgou as notas e as incinerou.
“Não devo esquecer os pontos mais importantes se fizer isso uma vez por semana. Mas com o tempo e a crescente complexidade das minhas missões… Que pena, não tenho ideias melhores por enquanto. Não aprendi nenhuma criptografia…” Klein se recompôs e esticou o pescoço. Ele planejava ir para o Clube de Adivinhação.
Um Vidente era definido de forma diferente por pessoas diferentes. Ninguém poderia dizer que os métodos de outra pessoa estavam errados. Assim, Klein, que não sabia que tipo de Vidente se encaixava nos requisitos da poção, só poderia corrigi-los enquanto experimentava para determinar quais eram os mais adequados!
Notas:
- Deusa da Noite Eterna
- Parece que Alger não considera mentalmente Klein como umdeus, por isso a falta de letras maiúsculas em pronomes
Capítulo 62
Capítulo 62 – A Sugestão do Vidente
Antes de sair de casa, Klein reservou um tempo para limpar meticulosamente o terno e a cartola com uma escovinha e um lenço. Então, lavou sua camisa branca, trocando por uma camisa de linho semelhante junto com o único casaco barato decente que tinha. Ele então caminhou para a rua com passos rápidos.
“Primeiro, o vestido da Melissa. Então, o terno de Benson. Só então posso considerar um segundo casaco para mim. Dinheiro nunca é suficiente… Além disso, precisamos juntar dinheiro para comprar louças de porcelana para receber nossos convidados… Também tenho que economizar dinheiro para comprar uma variedade de materiais relacionados ao misticismo…” Klein sentou na carruagem pública e tomou nota do estado das finanças em casa. Quanto mais fazia as contas, mais balançava a cabeça.
Ele calculou que precisava de pelo menos um ano para permitir que ele, seu irmão e sua irmã vivessem como uma família de classe média.
Claro, isso sem levar em consideração promoções e aumentos salariais.
A carruagem pública passou pelas ruas e parou em frente ao Clube de Adivinhação na Rua Howes.
Klein apertou sua cartola preta e saltou da carruagem. Ele caminhou pela rua familiar e entrou no clube localizado no segundo andar. Ele então viu a bela mulher com cabelos escuros, Angélica.
Havia um toque de vermelhidão em seus olhos, mas ela parecia muito relaxada.
Klein levantou a mão para bater de leve em sua glabela e examinoua com cuidado. Ele descobriu que o cinza profundo nas cores emocionais de Angélica tinha se dispersado bastante. Tinha sido substituído por uma brancura semelhante à luz do sol.
Depois de dar uma olhada, Klein se aproximou, tirou o chapéu e sorriu.
— Madame Angélica, hoje é um lindo dia, não é?
Angélica levantou a cabeça e ficou brevemente chocada. Ela então sorriu e disse:
— Você é como o gato do Sr. Vincent. Você não faz barulho enquanto caminha, não é? Você percebeu? Hehe, eu esqueci que você é um adivinho habilidoso em leitura facial…
Ela fez uma pausa, então gentilmente mordeu o lábio antes de se curvar.
— Obrigada. Obrigada por sua sugestão de ontem. Eu me sinto muito melhor. Há um ano não me sinto tão relaxada, feliz e contente.
Ao ouvi-la mostrar sua sincera gratidão, Klein foi contagiado por sua alegria e felicidade. O canto de seus lábios se levantou e ele disse:
— O prazer é meu.
Enquanto falava, ele podia sentir sua espiritualidade relaxar e ficar mais viva.
“É isso que a poção Vidente quer? Um Vidente que pode ajudar o indagador[1] de verdade?” Klein beliscou sua glabela como se estivesse pensando antes de bater secretamente duas vezes.
Deve-se dizer que ele achou a ação de ativar e desativar sua Visão Espiritual na prática não imperceptível o suficiente. No entanto, o problema era que ele ainda não tinha pensado em uma solução melhor. Como ele tinha acabado de se tornar um Vidente, sua espiritualidade ainda não atingiu seu limite, e o mesmo foi aplicado à sua maestria. Portanto, não parecia haver muitos locais adequados para um botão de ativação para sua Visão Espiritual. A glabela era de longe a melhor opção.
“Quando eu me tornar um verdadeiro Vidente depois de digerir toda a poção, devo ser capaz de projetar um movimento de ativação mais discreto…” Klein assentiu de forma discreta e caminhou em direção à sala de reuniões entreaberta.
— Café ou chá? — Angélica perguntou com pressa.
— Café Desi — Klein respondeu. Ele planejava experimentar todas as bebidas que o Clube de Adivinhação tinha a oferecer.
Então, ele viu que havia seis ou sete membros presentes, mas não Hanass Vincent, que quase sempre estava.
— Sr. Vincent não está aqui? — Klein parou de repente e fez uma pergunta passageira.
Angélica ficou surpresa ao dizer:
— Sr. Vincent não vem todos os dias. Ele aceitou um convite para dar uma palestra para uma organização de adivinhação no Porto de Enmat. Você está procurando por ele?
— Não. Eu só estava curioso. Afinal, eu o vi todas as vezes que vim aqui — Klein balançou a cabeça com um sorriso.
Enquanto isso, ele percebeu que havia um rosto familiar entre os sete membros presentes.
Glacis, que tinha adivinhado para ele antes, estava presente!
Glacis estava lendo algumas informações sobre a mesa com seu monóculo quando de repente sentiu alguém olhando-o. Ele ergueu a cabeça e lançou seu olhar.
Alegria óbvia inundou seu rosto quando ele se apoiou com as duas mãos e levantou. Ele correu em direção a Klein e parou diante dele.
— Boa tarde, Sr. Moretti. Eu estive pensando se você viria hoje.
— Eu ouvi de Angélica que você não é um médico, mas um adivinho que é bom em ler rostos?
Klein sorriu.
— Essa não é a única coisa em que sou bom, Sr. Glacis. Você não parece mais atormentado por sua doença?
Ele beliscou a testa e bateu duas vezes na glabela. Ele notou que as cores de saúde de Glacis voltaram ao normal.
— Sim, eu fiquei muito arrependido por não aceitar sua sugestão naquela época. Por sorte, há um boticário incrível perto da minha casa. Ele deu à minha esposa um remédio mágico que me livrou da morte — disse Glacis emocionado.
Como um quase membro dos Falcões Noturnos, Klein perguntou por interesse ocupacional:
— Boticário[2] incrível? Um remédio muito mágico?
“Mágico? Quão mágico? Está dentro do alcance dos Beyonders?”
— Ele disse que era uma espécie de remédio popular de Lenburg. Resumindo, ajudou muito no tratamento da minha doença — respondeu Glacis, sem notar nada de anormal na pergunta.
“Boticário de medicina popular?” Klein bateu na glabela como se estivesse pensando.
— Qual o nome dele? Onde ele está? Como você sabe, mesmo um adivinho não pode garantir que eles permanecerão saudáveis o tempo todo. Talvez eu precise comprar algum medicamento dele no futuro.
Klein aprendeu com seu professor e colegas que o atual sistema de saúde do mundo estava em um estado incipiente. Quase não havia cura para muitas doenças, então os remédios mágicos e boticários milagrosos ainda controlavam o mercado. Não havia mal em saber mais, pois um dia poderia ser útil.
Glacis respondeu honestamente:
— O nome dele é Lawson Darkwade. Ele tem uma pequena loja na Rua Vlad, 18, no Burgo Leste, chamada Loja de Ervas Populares de Lawson.
— Obrigado — Klein lembrou-se disso e falou com sinceridade.
Glacis se virou e o convidou a se sentar ao lado dele. Nesse momento Angélica aproximou-se para servir o café que preparou.
“Comparado ao café Southville, o café Desi é mais perfumado, mas tem um sabor bem inferior…” Klein tomou um gole e o saboreou por um momento.
Glacis deliberou com pressa suas palavras quando viu Klein pousar sua xícara de porcelana branca.
— Sr. Moretti, posso pedir uma adivinhação sua? Eu pagarei de acordo com o preço que você estabeleceu.
— Oito centavos é suficiente. Não vou aumentar o preço do nada — Klein esperava que alguém solicitasse seus serviços de adivinhação. — Você precisa de uma sala de adivinhação?
— Tudo bem. Topázio — Glacis liderou o caminho com muito mais familiaridade.
Depois de entrar na sala de adivinhação e trancar a porta, Klein sentou-se atrás da longa mesa. Ele perguntou com uma voz séria:
— Sr. Glacis, sobre o que você gostaria que fosse a adivinhação?
— Tenho uma oportunidade de investimento, mas o valor envolvido é enorme. Se falhar, minha família e eu sofreremos um forte golpe. Gostaria de saber se será um investimento bem-sucedido — Glacis ofereceu a informação. — Eu já adivinhei usando cartas de tarô antes. Hmm, uma adivinhação depois de purificar minha alma. O resultado foi muito bom. Sim, eu mesmo fiz a interpretação, mas não violei os princípios desses símbolos.
Klein pensou e perguntou com curiosidade:
— Será ótimo se você puder descrever toda a situação mais uma vez e me passar suas informações de novo. Será melhor se você também tiver as informações da outra parte. Faremos uma adivinhação com astrolábio.
— Tudo bem — Glacis organizou suas palavras e disse:
— Quando o Sr. Lanevus examinou a cordilheira Hornacis, ele descobriu uma gigantesca mina rica em minério de ferro de alta qualidade. Ele despejou todas as suas economias para comprar aquele terreno e contratou uma empresa profissional para fazer o levantamento. O resultado foi animador.
— Ele não tem recursos para os empreendimentos posteriores, por isso formou uma siderúrgica e pretende fazer um empréstimo no banco com o projeto. Ao mesmo tempo, ele também emitirá um número correspondente de ações para aumentar seu capital inicial. O plano ainda está em fase de preparação e promete retornos gordos.
Klein, que leu os jornais recentes e também era um especialista em história, sabia que havia ações neste mundo. Ele também sabia que o conceito de ações foi derivado do Imperador Roselle. Sim, ele de novo.
Durante a colonização do Continente Sul, ele montou a empresa Siberon e resolveu com sucesso as questões fiduciárias da nação, levantando fundos do público por meio da emissão de ações. Como tal, ele teve a vantagem da colonização pioneira.
Como os retornos foram ótimos, esse desenvolvimento continuou. Por exemplo, havia ações ferroviárias, ações de mineração, ações de desenvolvimento de vapor e assim por diante. Houve algumas que tiveram sucesso e houve algumas que falharam. Assim, catalisou a formação de organizações como a Corretora de Ações de Backlund.
Além disso, o Imperador Roselle criou títulos nacionais, fundos de investimento e outros produtos financeiros. O primeiro tinha se tornado a forma de investimento mais estável, com um retorno de quatro a seis por cento de juros.
Klein lembrou-se de que Benson certa vez dissera que, se pudesse herdar três mil libras, não haveria necessidade de trabalhar mais. Os juros anuais estáveis de cerca de cinco por cento resultariam em um retorno de renda fixa anual de 150 libras, quase equivalente à renda anual de Klein no momento.
“Isso é conhecido como capitalismo rentista…” Klein suspirou e perguntou com cuidado:
— Tem certeza de que não há nada de errado nisso? Lanevus é confiável?
— Eu vi os papéis de sua propriedade e o relatório de inspeção. Há o selo do governo do condado de Sivellaus e um endosso de uma empresa profissional. Além disso, dentro do escritório do Sr.
Lanevus há uma foto em grupo dele com Sir Deweyville e o prefeito — Glacis assentiu em resposta.
“Foto em grupo? Isso não quer dizer nada…” Klein, que nasceu em uma era de explosão da informação, já presenciou muitos incidentes semelhantes. Ele não comprou a história por causa disso.
No entanto, não importava se acreditava ou não. Ele só podia pegar uma caneta e desenhar um astrolábio correspondente de acordo com o tempo crucial e as informações que Glacis lhe dera.
Depois de um longo tempo, Klein apontou para o astrolábio e disse:
— Você deve saber que este será um esforço muito mal sucedido. Abaixo da superfície florescente há um penhasco, um abismo. Minhas sugestões de adivinhação giram em torno disso, para evitálo.
— … — Glacis caiu em silêncio, sua boca se abrindo algumas vezes antes de fechá-la.
Alguns minutos depois, ele disse com um sorriso triste:
— Vou pensar nisso com cuidado quando voltar.
Ao ouvir essa resposta, Klein só conseguiu balançar a cabeça com um suspiro silencioso. Ele percebeu o desamparo de um Vidente.
Um Vidente só poderia dar sugestões e não tomar a decisão pelos outros.
Assim que os dois deixaram a sala Topázio, Angélica se aproximou e disse:
— Sr. Moretti, alguém deseja sua adivinhação.
Quando ela disse isso, acrescentou com um sussurro:
— Ele não pediu minhas recomendações. Ele também não viu o álbum.
“Minha reputação se espalhou?” Klein virou-se para o salão de recepção em perplexidade.
Notas:
- quem solicita a adivinhação
- sinônimo de farmacêutico
Capítulo 63
Capítulo 63 – Interpretação de Sonhos
Klein avançou alguns passos e viu o cliente. Ele estava vestido com um terno preto formal e uma meia cartola. Ele segurava uma bengala de madeira incrustada com ouro e seu cabelo loiro curto esvoaçava nas laterais. Seu nariz era aquilino como o bico de um falcão.
“O noivo de Anna… O Joyce Meyer que passou por uma terrível provação.” Klein, que o vira em seu sonho de adivinhação, o cumprimentou de imediato com um sorriso:
— Boa tarde, Sr. Meyer.
— Boa tarde, Sr. Moretti — Joyce tirou o chapéu e curvou-se em saudação. — Obrigado pelo conselho que você deu a Anna. Ela não consegue parar de elogiar o quão milagroso você é.
Klein riu e disse:
— Eu não mudei nada. Você deveria estar se agradecendo. Sem a sua determinação e esperança de um amanhã melhor, você não teria conseguido superar tal provação.
Após a troca de gentilezas, Klein não pôde deixar de satirizar por dentro.
“Isso conta como elogio profissional mútuo?”
— Com toda a honestidade, ainda considero voltar vivo um sonho. Ainda não consigo acreditar que sobrevivi onda após onda de terríveis provações — Joyce balançou a cabeça com melancolia.
Sem esperar pela resposta de Klein, ele perguntou com curiosidade:
— Você sabia quem eu era no momento em que me viu. Isso foi por causa do meu nariz único ou porque você adivinhou que eu iria visitá-lo?
— Eu tinha suas informações detalhadas. Isso é o suficiente para um vidente — Klein respondeu vagamente, comportando-se como um charlatão.
Joyce ficou atordoado. Mais de dez segundos depois, ele espremeu um sorriso.
— Sr. Moretti, desejo pedir-lhe uma adivinhação.
No momento em que terminou sua frase, ele de repente percebeu algo.
O Sr. Klein Moretti tinha se referido a si mesmo como um vidente, não um adivinho. Um vidente!
— Certo, vamos para o quarto Topázio — Klein gesticulou.
Nesse momento, ele sentiu que deveria usar um longo manto preto. Ele tentou manter suas palavras no mínimo para acentuar a mística de um vidente.
Joyce Meyer trancou a porta atrás de si depois de entrar na sala de adivinhação. Enquanto observava os arredores, Klein aproveitou a oportunidade para bater duas vezes em sua glabela e ativar sua Visão Espiritual.
Joyce sentou-se e colocou a bengala ao lado dele. Ele ajeitou a gravata borboleta preta e disse com uma voz rouca:
— Sr. Moretti, desejo que você interprete meus sonhos.
— Interpretar seus sonhos? — Klein agiu como se estivesse dentro de suas expectativas, mas apenas pedindo uma confirmação.
Ele viu que as cores que representavam a saúde de Joyce eram opacas, mas nenhuma delas significava uma doença iminente. As cores que simbolizavam suas emoções eram predominantemente azuis, e sua escuridão mostrava que ele estava bem tenso.
Joyce assentiu com seriedade.
— Tenho o mesmo sonho horrível todas as noites desde que o Alfalfa chegou ao Porto de Enmat. Sei que isso pode estar associado ao trauma da provação e que devo procurar um psiquiatra, mas desconfio que não seja um sonho comum. Um sonho normal com certeza teria alguns detalhes que são diferentes, mesmo que se repitam todas as noites, mas esse sonho é, no mínimo, constante nas partes que me lembro.
— Para um vidente, esses tipos de sonhos são vistos como revelações dadas pelo divino — disse Klein, meio consolador e meio explicativo. — Você pode descrever o sonho para mim?
Joyce cerrou os punhos e ergueu os dele. Ele pensou profundamente por um momento antes de dizer:
— Sonhei que estava caindo do Alfalfa no oceano. O oceano era vermelho escuro, como se estivesse cheio de sangue podre.
— Ao cair, fui agarrado por uma pessoa no barco. Não consegui identificá-lo, mas sei que ele era muito forte.
— E eu também estava segurando alguém na tentativa de salvá-lo de cair no mar. Eu o conheço. Ele era um passageiro do Alfalfa, Younis Kim.
— Por causa de seu peso e sua luta, eu não consegui puxá-lo e só pude soltar minhas mãos e vê-lo ser devorado pelo mar de sangue.
— Nesse momento, a pessoa acima de mim também soltou a mão. Agitei os braços, esperando agarrar alguma coisa, mas não havia nada. Eu apenas despenquei rapidamente.
— Então eu acordo horrorizado, com suor cobrindo minhas costas e testa.
Klein segurou sua testa e bateu suavemente como se estivesse pensando. Ele então organizou suas palavras e disse:
— Sr. Meyer, pesadelos, pesadelos semelhantes e pesadelos repetidos, são todos problemas psicológicos e têm uma fonte correspondente. O mesmo pesadelo recorrente é um lembrete de sua espiritualidade. É também uma revelação dada a você pelo divino.
Ao ver Joyce parecendo confuso, ele elaborou:
— Não tenha dúvidas, a espiritualidade de uma pessoa comum também é capaz de dar lembretes.
— Não sei exatamente o que aconteceu no Alfalfa, mas posso ver que foi uma tragédia de sangue e aço. Isso deixou um trauma profundo em você.
Vendo Joyce acenar de leve com a cabeça, Klein continuou:
— Você deve ter ficado muito horrorizado, com muito medo no navio. É fácil para uma pessoa perder suas habilidades de observação quando dominada por emoções tão intensas; perdendo assim sinais que não deveriam ser perdidos. Isso não significa que você não viu esses sinais, mas os desconsiderou, entende? Desconsiderou.
— Em seu subconsciente, em sua espiritualidade, os detalhes que você perdeu ainda estão presentes. Se a coisa para a qual o detalhe está apontando for importante o suficiente, então sua espiritualidade o lembrará na forma de um sonho.
“Antes, tive um caso semelhante de desconsideração de um sentimento, para depois perceber que o diário estava com Ray Bieber… Mas eu sou mais sensível e tenho uma espiritualidade mais forte. Eu também tenho mais conhecimento sobre misticismo e, portanto, pude fazer uma dedução mais rapidamente…” Klein parou por alguns segundos e olhou nos olhos de Joyce Meyer.
— O Sr. Younis Kim, que você deixou cair no mar de sangue, pediu algo a você no barco, mas acabou sendo incapaz de escapar de seu destino?
Joyce mexeu seu corpo de maneira não natural. Ele abriu a boca várias vezes antes de responder:
— Sim, mas não tenho pena dele. Talvez daqui a alguns dias ou uma semana, você verá nos jornais como ele era cruel e mau. Ele estuprou e assassinou pelo menos três mulheres e jogou um bebê no mar revolto. Ele também liderou um bando de selvagens que perderam a razão e massacrou brutalmente os passageiros e a tripulação do barco.
— Ele era conspirador, forte e mau. Eu não ousei, nem pude detê-lo. Eu só teria perdido minha vida.
— Não estou duvidando do que você fez — disse Klein, deixando clara sua posição. Então ele explicou:
— Mas seu sonho está me dizendo que você está arrependido e sente culpa. Você acredita que não deveria ter soltado sua mão naquela época. Já que você acredita que matá-lo foi um ato de justiça, então por que você sente arrependimento e culpa por isso, tanto que você tem sonhos recorrentes sobre soltar sua mão?
— Eu também não sei… — Joyce balançou a cabeça, confuso.
Klein cruzou as mãos e colocou-as sob o queixo. Ele tentou analisar a situação.
— Incorporando o que acabei de descrever, parece que você perdeu alguns detalhes. Por exemplo, qualquer coisa que Younis Kim mencionou, o conteúdo de seu apelo, a maneira como ele se apresentou, etc. Não consigo me lembrar do incidente para você, então, por favor, pense sobre isso com cuidado.
— Não há nada… Tudo o que ele pôde dizer naquela época era: me poupe, eu me rendo… — Joyce murmurou confuso.
Klein não sabia exatamente o que aconteceu, então ele só poderia orientá-lo com base no que entendeu do sonho.
— Talvez você tenha sentido que Younis Kim era mais útil vivo, que ele poderia provar algo ou explicar algo?
Joyce franziu as sobrancelhas. Demorou um pouco antes que ele dissesse:
— Talvez… eu ainda ache que o conflito que surgiu no Alfalfa aconteceu muito de repente e se tornou intenso muito rápido. Era como se o mal passivo no coração de todos explodisse sem controle… Foi muito anormal, muito anormal… Talvez… talvez eu deseje interrogar Younis Kim para perguntar porque ele agiu como se estivesse possuído pelo demônio em primeiro lugar…
Klein de repente teve um golpe de inspiração depois de ouvir a descrição sonhadora de Joyce. Ele falou misteriosamente com um tom único de charlatão.
— Não, essa não é a única razão.
— O quê? — Joyce ficou chocado.
Klein cruzou as mãos e ergueu o queixo. Ele olhou diretamente nos olhos de Joyce e disse com um tom lento, mas enérgico:
— Você não apenas achou o assunto anormal, mas também viu algumas coisas que desconsiderou. E juntar essas coisas que você desconsiderou resulta em uma conclusão assustadora.
— Sua espiritualidade está lhe dizendo que há alguém que deveria estar sob a maior suspeita. E essa pessoa é aquela que o agarrou, mas no fim soltou sua mão no sonho. Você não suspeita dele inconscientemente e, portanto, não consegue identificá-lo. Ele é seu parceiro. Ele já teve controle sobre o seu destino, ou talvez, até mesmo salvou você antes!
Joyce se recostou de repente, batendo no espaldar da cadeira com um baque surdo.
Sua testa lentamente ficou coberta de suor, seus olhos cheios de confusão.
— Eu… eu entendo…
Joyce de repente se levantou ruidosamente, fazendo com que sua cadeira balançasse e quase caísse.
— Sr. Tris… — Ele usou toda a energia nele para pronunciar o nome.
“Ele era um menino amigável e tímido com um rosto redondo. Ele foi o herói que salvou os sobreviventes…”
Klein não interrompeu os pensamentos de Joyce. Ele se inclinou um pouco para trás e esperou.
A expressão de Joyce mudou várias vezes, por fim voltando ao normal, um normal que tinha um pouco de palidez.
Ele revelou um sorriso triste.
— Eu entendo agora. Obrigado por interpretar meu sonho. Talvez seja hora de eu ir até a delegacia de polícia.
Ele tirou a carteira de couro e pegou uma nota de um soli.
— Não acho que o dinheiro possa representar totalmente o seu valor e só posso lhe dar o preço que você pediu. Isto é para você — Joyce empurrou a nota para Klein.
“Eu não teria me importado se você me desse 10 libras… Um soli, você com certeza é como sua noiva…” Klein manteve sua vibe misteriosa de charlatão e não disse nada, sorrindo enquanto pressionava a nota.
Joyce respirou fundo, colocou o chapéu e virou para a porta.
Ao destrancar a porta, ele de repente se virou e disse com sinceridade:
— Obrigado, Mestre Moretti.
“Mestre?” Klein riu para si mesmo. Ele observou Joyce deixar a sala de adivinhação.
“O que quer que tenha acontecido no Alfalfa parece extraordinário… Se ao menos o Capitão estivesse aqui. Ele seria capaz de entender tudo o que aconteceu nos sonhos de Joyce Meyer…”
…
Terça-feira de manhã. Backlund, Burgo Imperatriz.
Audrey, que acordou mais cedo, chamou sua golden retriever Susie.
Ela disse com um tom sério:
— Susie, você também é uma Beyonder agora. Somos do mesmo tipo, ugh… não, o que quero dizer é que temos que nos ajudar. Guarde a porta mais tarde e não deixe ninguém me perturbar. Eu tenho que realizar um ritual.
Susie olhou para sua dona e balançou o rabo exasperada.
Capítulo 64
Capítulo 64 – Instigador
Depois de instruir sua golden retriever, Susie, Audrey andou de um lado para o outro, com aparente preocupação. Ela também não tinha certeza se a magia ritualística resultaria em algo estranho.
— Vamos fazer isso… — Seus olhos ficaram calmos enquanto ela usava seu estado como Espectadora para visualizar o processo. Logo, ela chegou a um novo arranjo.
Audrey destrancou a porta de seu quarto e disse a Susie:
— Susie, sente-se aqui. Se Annie e o resto tentarem entrar, vá imediatamente ao banheiro para me informar.
Para evitar acidentes, sua criada pessoal tinha a chave para destrancar a porta.
Susie olhou para ela enigmaticamente e abanou o rabo três vezes.
— Muito bem. Vou deixar você escolher o que quiser para o almoço de hoje! — Audrey balançou o punho de leve.
Depois de incentivar Susie, ela entrou no banheiro. Havia uma banheira quadrada com três a quatro metros de cada lado. Água clara ondulava suavemente com vapor saindo dela. Era uma visão bastante sonhadora.
Audrey arrumou uma mesa retangular com muitas garrafas colocadas sobre ela. Então, ela voltou e moveu velas, itens de sacrifício e uma túnica branca.
Logo depois, ela fechou a porta do banheiro.
Com tudo feito, Audrey soltou um suspiro de alívio e pegou um frasco azul claro translúcido ao lado das quatro velas.
A garrafa cilíndrica brilhava sob a luz de uma forma encantadora. Nela estavam os óleos essenciais que ela tinha destilado de uma mistura ontem. Aficionada por misticismo, não lhe faltavam pesquisas sobre tais itens. Ela tinha muitos tipos diferentes de orvalho puro, essência floral, perfume, óleos essenciais e incenso que ela mesma preparou em casa. Como tal, já tinha terminado os preparativos iniciais de acordo com as instruções do Louco.
— Flores da lua, menta dourada, flores do sono, cidra e jara… Que mistura estranha… — Audrey murmurou baixinho. — Oh, é preciso limpar o corpo e acalmar a mente antes de se envolver em magia ritualística. Esta é uma forma de reverência ao divino, uh, ao alvo.
Enquanto repassava mentalmente todo o processo, ela colocou o óleo essencial do ritual ao lado da banheira. Em seguida, estendeu a mão e começou a tirar o que usava em casa.
Pedaços de suas roupas de seda caíram no cesto de roupa suja um após o outro. Audrey prendeu o cabelo em um coque e testou a temperatura da água com a mão. Então, ela entrou na banheira com cuidado, permitindo que seu corpo afundasse aos poucos no abraço quente da água.
— Phew… — Audrey exalou confortavelmente, encontrando calor por toda parte. Ela sentiu um relaxamento anormal.
“Eu não quero nem mover um único dedo…” Audrey bombeou-se com força enquanto pegava a garrafa azul-clara translúcida ao lado dela e pingava algumas gotas na água.
Uma lufada de fragrância se espalhou, enchendo o silêncio com um cheiro refrescante. Audrey respirou algumas vezes e assentiu com satisfação.
— Nada mal. Cheira muito bem.
— Tão relaxante. Tão confortável…
— Eu não quero me mexer de jeito nenhum. Tudo que eu desejo é ficar aqui em silêncio…
— Silêncio, em silêncio… si… silêncio…
Depois de perder a noção do tempo, Audrey de repente ouviu latidos.
Audrey abriu os olhos em estado de choque, olhando para os lados em transe. Ela não tinha ideia de quando Susie abriu a porta e entrou. A golden retriever estava agachada do lado de fora da banheira, olhando para ela com um olhar exasperado.
Enquanto esfregava os cantos dos olhos, Audrey sentiu que a água tinha esfriado bastante.
“Eu adormeci?” Ela se perguntou por instinto.
Susie olhou para ela sem latir ou abanar o rabo.
— Haha, os efeitos daquele frasco de óleo essencial ritual com certeza são ótimos. Sim, muito bons! — Audrey riu secamente enquanto explicava com um tom alegre.
Ela se levantou, pegou uma toalha e, enquanto enrolava e enxugava o corpo, disse à golden retriever ao seu lado:
— Susie, continue vigiando. Não deixe Annie e o resto entrarem!
Somente quando a golden retriever saiu, ela secretamente mostrou a língua. Ela jogou a toalha de lado e vestiu um roupão branco limpo.
Depois de fechar a porta do banheiro, Audrey relembrou o ritual que tinha memorizado.
Ela pegou quatro velas e as colocou nos quatro cantos da mesa. !Um pedaço de pão branco no canto superior esquerdo, uma tigela de macarrão Feynapotter no canto superior direito. Cheira muito bem, mas está um pouco frio… Não! Não é hora de pensar nisso! Paella no canto inferior esquerdo e torta Desi no canto inferior direito…” Audrey montou o altar de acordo com as descrições do Louco, balançando a cabeça duas vezes durante o processo.
Depois que terminou a preparação, ela deixou suas quatro velas acesas. Ela pegou uma faca de prata e a cravou em uma pilha de sal grosso.
Depois de narrar o encantamento sagrado em Hermes, Audrey levantou a faca com belos padrões e a colocou em um copo cheio de água limpa.
Depois de focar sua mente, ela puxou a lâmina sagrada de prata, cogitando sua espiritualidade para sair e se espalhar em sua lâmina.
A energia invisível foi expelida quando Audrey segurou a faca e circulou o altar uma vez. Quando sentiu que uma parede espiritual estava totalmente erguida ao seu redor, ela expulsou toda a sujeira e distrações para fora.
Mantendo seu estado de Espectadora, ela evitou que sua excitação e alegria afetassem o ritual.
Ela largou a faca de prata e pegou o minúsculo frasco cristalino azul-claro e pingou uma gota em cada vela.
Sizz!
Uma leve fragrância emanou quando o corpo, o coração e a alma de Audrey pareciam atingir a tranquilidade.
Ela respirou fundo enquanto abaixava a cabeça em reverência e começava a entoar o encantamento em Hermes.
— O Louco que não pertence a esta era.
— Você é o governante misterioso acima da névoa cinza.
— Você é o Rei do Amarelo e Preto que traz boa sorte.
— Eu oro por sua ajuda.
— Eu oro por sua graça amorosa.
— Eu oro para que você me dê um bom sonho.
— Flor da lua, uma erva que pertence à lua vermelha, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento!
— Cidra com dedos, uma erva que pertence ao sol, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento!
…
Logo depois que Audrey entoou o encantamento e esperava cogitar o conteúdo de seu apelo, ela sentiu que havia uma agitação dentro da parede da espiritualidade. Ela viu uma estrela vermelha escura girando nas costas de sua mão.
Seu coração saltou quando ela fechou os olhos com pressa e acalmou seu coração para implorar com sinceridade.
Quando tudo acabou, ela examinou os arredores maravilhada, mas não encontrou nada de estranho.
— Isso é tudo? — Audrey franziu ligeiramente as sobrancelhas enquanto sussurrava.
…
“O Rei do Amarelo e Preto que traz boa sorte… O Louco que não pertence a esta era…” Na cabine do capitão do Vingador Azul, Alger Wilson em seu manto de tempestade recitava em silêncio as três linhas de descrição que ouvira à tarde. Ele parecia tentar encontrar pistas da identidade da pessoa através delas.
Ele balançou a cabeça e levantou de uma maneira claramente irritada, mas no final não fez nada.
Alger não se sentia à vontade dentro do Vingador Azul, um antigo navio que era uma relíquia da Dinastia Tudor. Embora ele já estivesse no controle do navio, tinha um pressentimento de que ainda havia muitos segredos escondidos, assim como o Imperador de Sangue.
Portanto, ele planejava usar o navio para testar os poderes do Louco, mas não queria tentar a magia ritualística desconhecida no navio.
Alger refletiu por alguns minutos antes de deixar a cabine do capitão e ir para o convés. Ele disse aos poucos marinheiros:
— Em breve chegaremos ao Arquipélago de Rorsted. Estaremos ancorando lá por um dia.
Os marinheiros imediatamente aplaudiram enquanto gritavam em uníssono:
— Obrigado, Vossa Graça!
Como o navio fantasma não precisava de marinheiros, havia poucos deles a bordo. Não havia necessidade de se preocupar com seus suprimentos, podendo desfrutar de alimentos frescos e água limpa. No entanto, dia após dia de viagens no mar e as vistas quase intermináveis os exauriram física e mentalmente. Parecia que eles estavam sempre reprimidos e tolerando algo até perderem o controle.
Quanto ao Arquipélago de Rorsted, era uma famosa colônia no Mar Sonia. Seus negócios estavam crescendo e ele tinha todos os tipos de indústrias.
— Eu mal posso esperar! — Um membro da tripulação girou os quadris e deu uma risada significativa que todos os homens entenderiam.
…
Na carruagem pública em direção à Rua Zouteland, Klein, que lia os jornais sem pressa, de repente deu um pulo. Ele parecia ouvir uma voz etérea chamando por ele.
Murmúrios disformes ressoavam em sua mente enquanto sua testa latejava de forma incontrolável.
O conteúdo do chamado que não pôde ser ouvido saiu tão rápido quanto veio. Em apenas dez segundos, ele se foi. Klein beliscou sua testa e resistiu à dor latejante no fundo de seu cérebro.
“São os murmúrios de existências desconhecidas que o Velho Neil mencionou? Um resultado de ter uma percepção espiritual aprimorada?” Pensamentos passaram pela mente de Klein quando ele de repente viu quatro pontos pretos aparecerem nas costas de sua mão direita. Eles eram como pequenas toupeiras imperceptíveis.
Os quatro pontos pretos que resultaram do ritual de aumento da sorte logo afundaram, escureceram e desapareceram.
Klein olhou para eles surpreso e teve um palpite adicional sobre o que acabara de acontecer.
“A Justiça ou o Enforcado tentaram a magia ritualística que eu dei a eles?”
“Minha linha de pensamento estava certa?”
“Essas três descrições apontaram para mim com precisão através do espaço misterioso acima da névoa cinza?”
“Mas estou longe de ser poderoso o suficiente. Não consigo ouvir o conteúdo de seus pedidos… Será que a informação está armazenada acima da névoa cinza…”
“Sim, devo confirmar entrando hoje à noite.”
Klein sentiu-se um pouco perturbado e agitado. Ele rapidamente ergueu o jornal e escondeu o rosto, impedindo que alguém visse as mudanças em sua expressão.
Logo, ele chegou à Rua Zouteland e entrou na Companhia de Segurança Espinho Negro.
Antes que pudesse cumprimentar Rozanne, Klein viu o Capitão Dunn Smith sair. Ele segurava um pedaço de papel com um retrato nele.
— Dê uma olhada neste mandado de prisão interno. Um Beyonder muito cruel e perverso entrou em Tingen — Vestido com seu blusão preto, o Dunn sem chapéu varreu seu olhar e entregou o pedaço de papel de passagem.
Klein recebeu e a primeira coisa que entrou em sua visão foi um esboço de retrato.
O desenho era de um menino de rosto redondo. Ele parecia amável com uma pequena pitada de timidez e era bastante jovem, provavelmente com dezoito ou dezenove anos.
— Tris, suspeito de ser um Beyonder. A estimativa inicial é que ele é um Instigador de Sequência 8 e não estamos eliminando a possibilidade de que a Ordem da Teosofia esteja por trás disso. O culpado por trás do massacre do Alfalfa… De acordo com o depoimento de uma testemunha, ele veio para Tingen depois de deixar o Porto de Enmat. Seu paradeiro atual é desconhecido…
“Tris… Alfalfa… Na verdade é um crime cometido por um Beyonder?” Klein de repente lembrou-se da interpretação do sonho da tarde anterior e da descrição de Joyce Meyer. Ele disse de imediato:
— Capitão, eu conheço uma das testemunhas. Ele pode muito bem ser uma testemunha importante.
— Eu sei. Joyce Meyer. Minha ajuda foi solicitada pela Mente
Coletiva da Maquinaria ontem à noite. Eu vi você no sonho de Joyce. Muitos detalhes levaram à confirmação de que a tragédia do Alfalfa foi causada por Tris — Os olhos cinzentos de Dunn pareciam imperturbáveis enquanto ele ria.
“Que desinteressante. Capitão… por sorte era meu dia de descanso ontem e não eu não estava atuando como Vidente durante o horário de trabalho…” Klein satirizou. Ele quase não perdeu o horror de ser pego faltando ao trabalho por seu superior direto.
Em vez disso, ele perguntou:
— O Instigador é de qual caminho de Sequência? Que tipo de organização é a Ordem da Teosofia?
“Instigar os outros a se matarem era o método que Tris usava para eliminar os efeitos colaterais da poção ou era um requisito necessário para avançar?”
Dunn pensou por alguns segundos e disse:
— Por coincidência, é hora de você aprender as informações relevantes sobre os Beyonders e as organizações misteriosas. Você não deveria receber ordens do Velho Neil para continuar lendo os documentos históricos o tempo todo.
“Capitão, ser seu especialista em história não era a razão para me recrutar?” Klein não ousou apontar o problema enquanto assentia sério.
— Certo.
Capítulo 65
Capítulo 65 – Informação de Beyonder
Com um documento assinado por Dunn, Klein foi para o subsolo e entrou no arsenal.
— Dunn está certo. É hora de você entender os diferentes Beyonders e as várias organizações secretas — Vestido com um roupão preto clássico, o Velho Neil leu o bilhete sem estranhar. Em vez disso, ele apoiou a decisão do Capitão.
Ele então acrescentou de imediato com um sorriso:
— Afinal, você estará indo para o mercado negro comigo amanhã à noite.
— Amanhã à noite? — Klein não escondeu sua agradável surpresa ao pedir confirmação.
O Velho Neil assentiu e disse com um suspiro:
— Sou uma pessoa que não consegue dormir com dívidas. Eu sempre desejo resolvê-las o mais rápido possível.
“Você não parecia agir assim antes. Você deixou para o último momento antes de usar a magia ritualística para resolver o problema… Então, não sou o único que sofre de procrastinação… Peraí, há necessidade de eufemizar medo de gastar dinheiro para pagar um empréstimo?” Klein não expôs o Velho Neil e, em vez disso, insistiu:
— Sr. Neil, vou incomodá-lo para recuperar as informações correspondentes do Portão Chanis.
O arsenal guardava principalmente documentos arqueológicos e históricos. Havia documentos envolvendo Beyonders e organizações misteriosas, mas poucos em número. Além disso, eles eram em sua maioria conhecimentos básicos.
O Velho Neil tomou lentamente um gole de seu café moído à mão e estalou os lábios. Ele então saiu do arsenal com o documento assinado e carimbado. Klein vigiava o lugar em seu nome.
Cerca de dez minutos depois, o Velho Neil voltou com uma enorme pilha de documentos.
— Eles só podem ser lidos aqui. Eles não devem ser retirados — Ele alertou enquanto colocava as informações sobre a mesa.
— Tudo bem — Klein deu um aceno firme. Ele estendeu as mãos, rapidamente folheou as páginas e fez uma leitura geral.
“Muito detalhado… Como esperado dos documentos internos dos Falcões Noturnos… Como esperado de uma Igreja com quatro mil anos de história ou até mais…” Klein suspirou por dentro enquanto olhava os documentos.
Os documentos não apenas apresentavam as várias organizações secretas, mas também listavam muitos dos caminhos de Sequência. Eram muito completos. Alguns deles apenas apresentavam o nome da poção da Sequência correspondente, enquanto outros só descreviam as habilidades do Beyonder da Sequência correspondente. Certas Sequências estavam completamente ausentes e deixadas em branco.
Enquanto segurava sua empolgação, Klein encontrou o caminho de Sequência do Vidente.
Ele folheou as páginas e logo encontrou uma palavra familiar.
Então, sua expressão encantada logo congelou porque não havia nenhum nome das poções correspondentes das Sequências 7 e 8 do caminho do Vidente!
“Por sorte, as habilidades das próximas duas poções da Sequência estão presentes…” Klein exalou em silêncio enquanto acalmava sua mente e lia a descrição com seriedade.
“Sequência 8: Nome da poção desconhecido. O Beyonder
correspondente é bom em lutar com truques e muito astuto.”
“Bom em lutar com truques? Este é o próximo avanço do Vidente? Por que parece estranho… Não sou um caçador… Vou me tornar um mago corpo a corpo? O que significa astuto? Minha inteligência é aprimorada, tornando-me bom em enganar o inimigo?” Klein ficou atordoado. Ele até suspeitou que as informações dos Falcões Noturnos estavam erradas.
Havia estudos de caso correspondentes anexados, mas ele não conseguiu encontrar uma explicação razoável, apesar de lê-los várias vezes.
Ele lançou seu olhar mais baixo quando a descrição da Sequência 7 entrou em seus olhos.
“Nome da poção desconhecido. O Beyonder correspondente é bom em muitos feitiços que podem ser lançados rapidamente. Mistura a habilidade do corpo e os poderes sobrenaturais como um.”
“É mais assim! É assim que um avanço de um Vidente deve soar!” Klein soltou um suspiro de alívio.
Depois de ver os estudos de caso da Sequência 7, ele lançou seus olhos para a descrição geral do caminho.
“Este caminho de Sequência foi estabelecido pela família Zaratul do Império Solomon. Durante os conflitos da Quarta Época, a família não foi totalmente destruída. O nome da família às vezes foi ouvido na história da Quinta Época… Suspeita-se que esteja ligado à antiga Ordem Secreta.”
“Zaratul?” Ao ver esse nome, os olhos de Klein se estreitaram.
Ele tinha acabado de ver esse nome aparecer nas páginas remanescentes do diário do Imperador Roselle ontem à tarde!
A atuação de Roselle veio de um lembrete da figura misteriosa conhecida como Zaratul!
“Por causa daquele misterioso Zaratul, o Imperador Roselle se arrependeu de não ter escolhido se tornar um Vidente? Portanto, fui indiretamente influenciado, tornando-me um Vidente. Faz a atuação retornar ao abraço do Vidente…[1] Parece que tudo foi predestinado.” Klein franziu as sobrancelhas e sentiu que as coisas eram um pouco diferentes.
Apenas pela lógica, ele não sentiu que havia algo errado em nenhum aspecto. No entanto, no domínio do misticismo, o destino muitas vezes manifestava coisas e envolvia novos problemas.
“Além disso, a transmigração é um assunto bastante desconcertante… É apenas confuso… E o cara que eu possuí tentou se suicidar por causa do caderno perdido da Ordem Secreta…” Klein pensou por um bom tempo e formulou muitos palpites, mas não tinha informações necessárias para prová-los.
Few…
Depois de reler as informações várias vezes, ele acabou suprimindo suas ideias e leu os outros registros.
Ele primeiro encontrou a Sequência do Marinheiro e descobriu que ela de fato pertencia ao Senhor das Tempestades.
Para um velho oponente que eles não enfrentaram por talvez mais de dois ou três mil anos, os registros internos dos Falcões Noturnos eram bastante detalhados.
“Sequência 8: Raivoso. Nome antigo: Guardião da Tempestade. O Beyonder correspondente pode liberar vários ataques que excedem os limites comuns quando enfurecido. Sua força e velocidade são bastante aprimoradas… Enfrentá-los é como enfrentar uma tempestade…”
“Sequência 7: Navegador. Nome antigo: Sacerdote da Tempestade. O Beyonder correspondente também é um estudioso de astronomia e geografia. Ele possui uma compreensão intuitiva de campos magnéticos, correntes oceânicas, direção do vento e nuvens… Um barco com um Navegador nunca se perderá no mar… Eles são ainda mais queridos pelos oceanos e ganham melhorias em todos os aspectos no mar…”
“Eles são amigos da água. Podem agir livremente debaixo d’água por mais de meia hora… São capazes de lançar um número limitado de feitiços relacionados à água. Alguns são resultado de suas próprias capacidades e alguns são uma dádiva do Senhor das Tempestades, por exemplo…”
“Um Sequência 7 Navegador é muito poderoso…” Klein assentiu enquanto pensava bastante.
Ele suspeitava que o Enforcado era um Guardião da Tempestade, ou até um Navegador. Devido ao seu avanço recente, era mais provável que ele fosse o último.
Isso também indicava que o Enforcado era um membro do Punidores Mandatários ou um pirata que tinha sido secretamente absorvido pela Igreja do Senhor das Tempestades.
“Impressionante. Impressionante…” Klein voltou algumas páginas e encontrou o avanço do Espectador. Ele descobriu que a descrição era idêntica ao que o Enforcado tinha dito.
O Beyonder de Sequência 9 Espectador era como um Vidente. Ele carecia de meios de combate direto e só podia observar um alvo para obter informações, reunindo os verdadeiros pensamentos do alvo. Ao fazer isso, poderia fornecer influências e orientações sutis para fazer com que as situações se desenvolvessem da maneira que desejassem.
O Beyonder de Sequência 8 Telepata era o avanço do Espectador. A observação dele não se limitava apenas a detalhes superficiais, mas também mais profundamente na aura, no Corpo Etérico ou em outros domínios misteriosos. A combinação dos dois permitia que um Telepata entendesse com precisão os pensamentos de uma pessoa como se pudesse ler sua mente. Na frente de um deles, era difícil ter segredos.
O Beyonder de Sequência 7 Psiquiatra que também era conhecido como Analista de Psique, ganhava outros aprimoramentos acima dos fundamentos da Sequência 8. Ele pode começar a influenciar diretamente um alvo. Por exemplo, pode tratar os problemas mentais de um alvo ou, do contrário, fazer com que ele desenvolva tais problemas e perca a razão.
“Um Beyonder que é muito difícil de ser notado…” Após ler a descrição, Klein fez um julgamento fundamentado.
Depois de entender as informações relevantes sobre os membros da Reunião, ele foi para a Igreja do Deus do Vapor e da Maquinaria. Isso porque o Imperador Roselle tinha escolhido a Sequência do Erudito.
“Sequência 9: Erudito. O Beyonder correspondente acredita que conhecimento é poder. Ele tem uma compreensão aproximada do sobrenatural, mas tem mais conhecimento sobre água régia, nitroglicerina, parafusos e engrenagens complicadas. Ele parece saber tudo.”
“Não é de admirar que o Imperador Roselle tenha dito que esta poção lhe convinha perfeitamente, permitindo que ele aproveitasse sua vantagem ao máximo…” Klein entendeu tudo quando ele baixou os olhos.
Depois de vários estudos de caso, a Sequência 8 correspondente enfim apareceu na visão de Klein.
“Arqueólogo. Ele possui uma boa compreensão de história e sobrevivência ao ar livre, bem como conhecimento de ruínas proibidas. Ele tem um corpo forte o suficiente e capacidade de enfrentar tudo…”
“Sequência 7: Avaliador. Ele pode entender intuitivamente os poderes e problemas da maioria dos itens extraordinários e pode usá-los enquanto mantém o perigo em seu nível mais baixo…”
Como a autorização de segurança de Klein era insuficiente, ele só tinha acesso até aos caminhos de Sequência 7. Isso o deixou um pouco frustrado, mas não poderia contornar isso. Ele apenas desejava que Backlund enviasse logo o Artefato Selado 2-049 para determinar se Ray Bieber era descendente da família Antigonus.
Dessa forma, ele teria a chance de se tornar um membro formal e obter uma habilitação de segurança mais alta.
Recompondo-se, Klein leu o material seriamente de capa a capa. Ele sabia que os avanços do Colecionador de Cadáveres eram Coveiro e Médium Espiritual. Ele também sabia que não havia informações sobre a Sequência 8 do caminho de Espreitador de Mistérios. Não só não havia nome para a poção, mas até mesmo a descrição foi deixada em branco. Havia um nome para a Sequência 7 desse caminho: Feiticeiro!
“Parece impressionante…” Klein lentamente virou a página e viu
Aprendiz e Saqueador, sobre os quais o Imperador Roselle tinha pensamentos persistentes. Seus registros atingiram apenas a Sequência 8 e nada mais.
“Sequência 9: Aprendiz. Suas habilidades são bastante estranhas. Só pode ser confirmado que este é o caminho originário de um mago. Ele raramente fica preso e é muito difícil de ser parado. No geral, é capaz de escapar e passar por obstáculos todas as vezes…”
“Sequência 8: Mestre dos Truques. Usa todos os tipos de feitiços estranhos, mas não são fortes…”
“Sequência 9: Saqueador. É difícil separar esse Beyonder de bandidos ou ladrões comuns. Talvez os meios disponíveis para ele sejam mais impressionantes, mas seu objetivo de roubar riquezas não é para diversão ou sobrevivência. É mais como atender a um chamado…”
“Sequência 8: Trapaceiro. Também descobrimos vestígios desse tipo de Beyonder em investigações de fraude. Ele se diverte com a trapaça…”
“Se divertem com a trapaça… Isso é atuação de uma forma diferente, não é? Se eu pudesse escolher, poderia ter escolhido Aprendiz…” Klein disse em silêncio para si mesmo. De repente, ele descobriu a poção de Sequência correspondente do culpado da tragédia do Alfalfa, o Instigador Tris.
Notas:
[1] Sei que tá estranho, mas a frase em inglês também está estranha
Capítulo 66
Capítulo 66 – Seita Demoníaca
“Sequência 8: Instigador. É um Beyonder hábil em desencadear desejos malignos no fundo do coração das pessoas, causando contradições e incitando conflitos, resultando em massacres sangrentos…”
“A descrição não é detalhada o suficiente. Pelo que parece, os Falcões Noturnos não entendem bem as capacidades desta poção… Mas ela combina com as características da tragédia do Alfalfa…” Klein ergueu o olhar e leu a Sequência 9 correspondente para o Instigador.
“Sequência 9: Assassino. Pode transformar seu corpo em um curto período de tempo e tornar-se leve como uma pena. Ele também pode utilizar a visão igual à de uma águia. Todo Assassino é perito em se esconder nas sombras. Ele tem passos hábeis e a capacidade de liberar toda a sua força em um golpe…”
Depois de ler a descrição, Klein ficou completamente confuso.
“Assassino… O avanço de Assassino é Instigador?”
“Esse avanço é tão estranho quanto o modo como um Vidente avança para uma classe que é boa em lutar com truques…”
“Alguns caminhos de Sequência avançam de maneira muito comum, como o do Espectador. No entanto, há caminhos de Sequência que parecem violar a intuição e a lógica?”
“Bem, isso pode não ser toda a verdade. Talvez eu apenas não tenha descoberto alguns dos pontos comuns ocultos…”
“Por exemplo, Assassinos e Instigadores podem trazer catástrofes para os outros…”
“Mas não consigo entender o avanço do Vidente! Ei! Poderia ser da linhagem Gandalf[1]? Depois de adicionar alguma magia de suporte, os outros pontos de atributo são despejados em força e técnicas?”
Enquanto satirizava sem palavras, Klein balançou a cabeça em silêncio. Ele virou para a seção sobre as organizações secretas, especificamente a Ordem da Teosofia que envolvia Instigadores.
“Ordem da Teosofia. Uma organização secreta que apareceu na Quinta Época, que é o início da era atual. Seus membros acreditam que a mente é fundamental para uma pessoa, enquanto a carne física é uma gaiola que restringe a mente. A razão pela qual os humanos praticam o mal é resultado da influência do corpo físico. É preciso usar sua espiritualidade para obter conhecimento, permitindo que a mente se desprenda aos poucos do corpo. Então, através das provações das estrelas, eles acabarão se separando do mundo material, retornando aos seus eus mais puros e verdadeiros, obtendo a redenção eterna.”
“Portanto, muitos membros extremistas da Ordem da Teosofia terão como objetivo destruir os corpos dos outros, o que levou a muitos massacres sangrentos… É de conhecimento comum que eles possuem dois caminhos de Sequência. O primeiro apresenta as poções mais comuns entre seus membros, as de Aprendiz e Mestre dos Truques. A outra Sequência composta por Assassino e Instigador raramente aparece… No momento não há evidências que indiquem que a Ordem da Teosofia possua poções de Sequência 7 ou superiores.”
“Não se sabe como a Ordem da Teosofia se estabeleceu. Suas possíveis origens só podem ser analisadas usando os dois caminhos de Sequência. Em primeiro lugar, as Sequências do Aprendiz e do Saqueador lembram facilmente as pessoas da família Abraham da Dinastia Tudor na Quarta Época. A família Tamara, ligada à família Abraham por meio do casamento por longos períodos de tempo, também não pode ser eliminada. Em segundo lugar, Assassino e Instigador apontam para a Seita Demoníaca.”
“As famílias Abraham, Tamara, Antigonus e Zaratul, o Imperador das Trevas do Império Solomon, o Imperador do Sangue da Dinastia Tudor, o Império Trunsoest e as famílias Jacob e Amon que o Enforcado mencionou… Há muitos segredos enterrados na história da Quarta Época. Pode haver muitos fatos também…” Klein ficou surpreso com o que leu. Ele tinha um profundo apreço por como a história da Quarta Época era nublada pela névoa.
O contorno que ele podia ver através da névoa o deixou estremecendo involuntariamente. Era como se ele pudesse imaginar uma era próspera de Beyonders, uma época com sangue e estranheza em uma dança coordenada ou com horror e distorção em sincronia.
Klein deu um suspiro silencioso e folheou o livro, mas não descobriu nenhuma descrição correspondente da Seita Demoníaca.
Klein olhou para cima e viu o Velho Neil lutando com um papel de filtro com seu café moído à mão. Ele perguntou sinceramente:
— Sr. Neil, que organização é a Seita Demoníaca? Não consigo encontrar nenhuma introdução sobre ela nos documentos.
O Velho Neil não tinha pressa em responder. Depois de lutar com seu café, ele riu e disse:
— Seu certificado de segurança não é alto o suficiente. Mesmo com a permissão de Dunn, você não conseguiria ler as informações relevantes. Também posso dizer que muitas das informações estão disponíveis apenas na Catedral Sagrada e não armazenadas atrás do Portão Chanis da Cidade de Tingen. Talvez espere até o dia em que você se torne um capitão dos Falcões Noturnos. Você será enviado para a Catedral Sagrada para treinamento e então seria capaz de acessá-las.
— Eu não entendo muito sobre a Seita Demoníaca. Tudo o que sei é que seus membros adoram a Demônia Primordial. Eles acreditam que esta existência secreta é a verdadeira herdeira do Criador. Que ela nasceu do Caos e foi a primeira a nascer do corpo do Criador. Que ela também é o Fim definitivo que acaba com tudo.
— Seus caminhos de Sequência estão relacionados a isso porque, para obter o favor da Demônia Primordial e abordar essa existência secreta, os escalões superiores são todos femininos. É também por isso que eles são chamados de Seita Demoníaca[2].
— Qualquer outra coisa não é algo que um membro formal como eu saiba. Ouvi dizer que as demônias têm como missão espalhar catástrofes.
“Espalhar catástrofes… Isso combina com a semelhança oculta entre Assassino e Instigador… Mas o futuro desse Sr. Tris parece sombrio. As poções subsequentes parecem ser mais adequadas para mulheres…” Klein assentiu de leve antes de continuar lendo as informações.
Após terminar a leitura, percebeu que haviam muito mais organizações secretas do que ele imaginava. Mas, pensando bem, ele achou muito comum. Afinal, este mundo tinha tantos anos de história subjacentes. Houve uma época em que os poderes Beyonder eram bastante ativos.
De acordo com as informações fornecidas, Klein categorizou as organizações secretas em três tipos com base na época.
O primeiro englobava as antigas organizações nascidas na Quarta Época. Elas incluíam, mas não estavam limitadas, a Ordem Ascética de Moisés, a Ordem Secreta e a Seita Santificada de Sangue, que eram seguidores do Diabo. No entanto, as informações apenas mencionavam a Seita Demoníaca.
O segundo apresentava organizações secretas do início da Quinta
Época, a atual Época. Por exemplo, a Ordem da Teosofia ou o Episcopado Numinoso que adorava a Morte. Havia também a Escola de Pensamento da Vida, que empregava uma herança mestre-discípulo, e a Escola de Pensamento Rosa, conhecida entre os Beyonders por seus sacrifícios sangrentos.
A terceira categoria incluía as novas organizações que surgiram nos últimos um ou dois séculos. Elas compreendiam a Ordem Aurora, a Ordem da Cruz de Ferro e Sangue, a Aurora Elemental e os Alquimistas da Psicologia, sobre os quais Klein aprendeu muito antes.
Além deles, havia outras organizações sem importância.
— Benson e Melissa nunca devem ter imaginado que o mundo é tão perigoso… não se limita apenas às guerras… — Klein balançou a cabeça com um sorriso irônico. Ele empilhou com cuidado os documentos confidenciais antes de entregá-los ao Velho Neil.
Enquanto isso, ele acrescentou em silêncio em seu coração.
“Por favor, não deixe meu Clube do Tarô entrar na lista…”
O Velho Neil nunca suspeitou que um líder de uma organização secreta estava sentado à sua frente. Ele riu, pegou os documentos e se dirigiu para o Portão Chanis.
Klein sentou-se e se perguntou se deveria adivinhar a localização do Instigador Tris. Mas ele abandonou o pensamento depois de menos de vinte segundos. Afinal, ele só tinha uma vaga ideia da aparência de Tris e não sabia se o nome era verdadeiro. Se pudesse descobrir sua localização com isso, ele não seria um Vidente, mas um Profeta!
Quando o Velho Neil voltou, Klein já tinha endireitado seus processos de pensamento e continuado sua revisão dos estudos de misticismo para compreender mais formas de magia ritualística.
Klein passou o dia estudando e revisando. Ele não participou da operação conjunta necessária para capturar o Instigador Tris. Ele ouviu que a entrega do Artefato Selado 2-049 de Backlund foi adiada por algum motivo ou outro. A hora real de chegada ainda estava pendente.
Como ele havia ganhado quase dois solis com a adivinhação de ontem, Klein gastou dez centavos para comprar um barril de dois litros de Cerveja Enmat para Benson no caminho de casa. Ele também comprou alguns bolos de limão recém-saídos do forno para Melissa.
— Klein, sei que você se importa muito conosco, mas não há necessidade. Não há necessidade de continuar gastando dinheiro com essas coisas — disse Benson depois de ver o minúsculo barril de cerveja e refletir sobre suas palavras.
Melissa ficou ao lado dele e assentiu de leve.
“Provavelmente é assim que nossos hábitos de consumo diferem…” Klein suspirou divertido.
— Benson, Melissa, não se preocupem. Isso foi comprado com meu reembolso adicional. Sim, ganho de dois a quatro solis a mais por semana.
“Não posso dizer a eles que esses são os ganhos que recebi fazendo adivinhações para os outros, certo…” Ele acrescentou por dentro.
— … Esse seu trabalho é muito melhor do que eu imaginava — Benson ficou surpreso ao fazer uma avaliação objetiva.
“Isso mesmo. Eu até aprendi adivinhação nele…” Klein meditou em silêncio antes de virar para a cozinha.
Sob os esforços combinados do trio de irmãos, um suntuoso jantar estava pronto para servir.
Depois de se fartarem, Klein, Benson e Melissa ficaram caídos na sala de estar. Levaram um bom tempo até se levantarem para limpar, conversar e estudar.
“Quando Benson e Melissa adormecerem, irei acima da névoa cinza para ver os efeitos do ritual…” Enquanto revisava seus livros de história, Klein lançou um olhar para seus irmãos.
…
Burgo Oeste. Rua Cruz de Ferro Inferior.
Um apartamento de três andares estava imerso na escuridão. Não havia lâmpadas de rua ou qualquer luz adicional.
De repente, uma figura saltou de uma janela do terceiro andar. Aterrissou suavemente no chão como uma pena sem causar nem um rebuliço.
Seu corpo se agachou e de repente desapareceu como se ele tivesse se misturado às sombras. Tudo o que podia ser visto era o contorno de seu corpo.
Enquanto viajava rapidamente, a figura chegou ao porto. Dirigiu-se para um canto onde não havia nada, exceto uma pilha de mercadorias.
Ela observou seriamente por um momento, circulando a área duas vezes antes de sair da escuridão e entrar no canto.
Podia-se ver seu rosto redondo e amável. Era o Instigador Tris, que sozinho causou a tragédia do Alfalfa.
— Como é? — Uma figura misteriosa vestindo um manto preto com capuz saiu das sombras. A voz rouca obviamente pertencia a uma mulher.
Tris revelou um sorriso amigável e satisfeito.
— Me sinto ótimo. Era uma cena que eu sonhava e ansiava. Acho que concluí a missão de forma adequada e fiz os preparativos necessários para o avanço.
A mulher vestida de preto assentiu de maneira imperceptível e disse:
— Muito bem. De acordo com a promessa, vou entregar a você a fórmula da Sequência 7 e os três ingredientes principais. Você terá que juntar o resto sozinho.
— Sem problemas — Tris respondeu, parecendo preparado.
A mulher misteriosa levantou a mão e entregou um objeto semelhante a um livro para Tris.
O livro tinha uma capa externa de bronze antigo manchado e apresentava uma estranha fechadura em forma de estrela na lateral.
Tris sabia que dentro do livro estavam a fórmula e os ingredientes. Ele ficou emocionado no mesmo instante.
Ele se esforçou para se recompor enquanto olhava com curiosidade para o nome da poção na capa externa de bronze.
— Bruxa! — Tris exclamou. Ele achou inacreditável que a palavra escrita no antigo Hermes fosse Bruxa.
“Bruxa? Vou avançar para me tornar uma Bruxa? Que piada!”
A mulher misteriosa cobriu a boca e soltou uma gargalhada. Demorou um pouco até ela responder:
— Você não foi sempre curioso? Curioso para saber porque todos os nossos escalões superiores são mulheres… — Essa é a resposta.
Notas:
- Referência a quem? Quem será? Kkk
- Poderia ter traduzido para Seita da Demônia, mas achei meiopaia e deixei Demoníaca msm
Capítulo 67
Capítulo 67 – Resposta
A lua carmesim no alto do céu pairava silenciosamente na escuridão. Ela iluminava a Cidade de Tingen, a cidade das universidades, enquanto aos poucos se silenciava.
Klein parou na frente de sua mesa e olhou através de suas janelas salientes para ver a Rua Daffodil vazia. Ele ouvia o som de carruagens galopando rapidamente para longe sem causar barulho.
Ele pegou seu relógio de bolso prateado com estampa de folha de videira e o abriu. Deu uma olhada e fechou as cortinas, fazendo com que as luzes amareladas do lampião a gás refletissem no quarto.
Klein virou-se a uma velocidade adequada, trancou seu quarto e desligou a válvula de gás.
A sala foi coberta pela escuridão de imediato. Apenas uma lasca de luar vermelho penetrava nas cortinas. Deu origem a uma atmosfera perfeita para muitos contos folclóricos noturnos.
Klein pegou a faca de prata que tinha pedido. Ele imaginou uma luz esférica e entrou em um estado de semi-Cogitação.
Ele concentrou sua mente de acordo com sua prática anterior, permitindo que sua espiritualidade saísse da ponta de sua lâmina. Então, deixou que seu movimento se fundisse milagrosamente com o ambiente, isolando a sala.
Ele estava fazendo isso para evitar qualquer movimento anormal que pudesse acordar Benson e Melissa.
Em seguida, Klein largou a faca e deu quatro passos no sentido anti-horário. Cada passo foi acompanhado pelo encantamento da Terra.
Os rugidos e murmúrios imutáveis o inundaram. Com a mesma mania e dor infligidas, ele fez o possível para se controlar e resistiu ao estágio mais cansativo e perigoso em seu estado semiconsciente.
A névoa branco-acinzentada era interminável. As estrelas vermelhas escuras estavam a distâncias variadas dele. O imponente palácio divino permanecia ereto como um gigante morto. Nada parecia ter mudado. O silêncio e a antiguidade acumulados ao longo de milhares de anos o cercavam.
— Não, há uma mudança! — Klein murmurou para si mesmo em voz baixa. Seu olhar se fixou em uma estrela vermelha escura perto dele.
Essa era a estrela que simbolizava a Justiça!
A profunda vermelhidão da estrela começou a pulsar com amplitude média, mas não parou.
Klein espalhou sua espiritualidade com cuidado em direção ao vermelho profundo.
No momento em que os dois fizeram contato, ele sentiu um zumbido na cabeça. Ele viu uma cena borrada e distorcida e ouviu uma voz ilusória empilhada de orações.
— O Louco que não pertence a esta era;
— Você é o governante misterioso acima da névoa cinza;
— Você é o Rei do Amarelo e Preto que traz boa sorte;
— Eu oro por sua ajuda.
— Eu oro por sua graça amorosa.
— Eu oropara que você me dê um bom sonho.
…
— Eu oro para que você me dê um bom sonho.
…
— Eu oro para que você me dê um bom sonho.
…
A voz feminina ressoava constantemente de forma intermitente. A psique de Klein tornou-se mais irritável e caótica. Era como ouvir alguém no andar de cima batendo no chão quando acabava de adormecer.
Ele reprimiu suas emoções e usou a Cogitação para acalmar o desejo. Discerniu com cuidado a cena borrada que apareceu diante dele.
Era uma garota vestida com vestes brancas. Ela tinha lindos cabelos dourados e estava de pé diante de quatro chamas bruxuleantes, com a cabeça abaixada enquanto continuava orando.
Pela imagem distorcida, Klein mal a reconheceu como a Srta. Justiça!
Nesse ponto, ele confirmou que o encantamento ritual que tinha criado poderia apontar com precisão para a névoa cinza, para ele!
Isso deu a ele uma enorme sensação de realização, passando do nada para ter algo.
“Não vou me elogiar por ser incrível…” O humor de Klein mudou para melhor. Ele sentiu que a voz suplicante que ecoava em seus ouvidos como uma mosca zumbindo agora era aceitável.
Com um pensamento, ele tentou criar uma resposta em sua mente, transferindo-a através da intrincada conexão com a estrela vermelha escura.
— Estou ciente.
…
A camada cinza emanava diante dele. Uma figura distorcida e embaçada estava em suas profundezas.
O local onde seus olhos deveriam estar girava com uma profunda vermelhidão enquanto sua voz ressoava várias vezes no vasto e vazio mundo.
— Estou ciente.
— Estou ciente.
— Estou ciente.
…
Audrey Hall acordou de repente. Ela sentou com o cobertor enrolado em volta dela enquanto sua mente estava totalmente ocupada com as cenas que viu em seu sonho.
Ela sabia muito bem que tinha sonhado com o Louco, o ser misterioso que vivia acima da névoa!
— Isso é uma resposta às minhas orações matinais? — Audrey, que logo entrou em seu estado de Espectadora, se acalmou e analisou.
Embora ela não entendesse porque o Louco respondeu à noite e não na hora, ela ainda ficou chocada com o fato de a magia ritualística ser eficaz com as poucas linhas de encantamento.
No passado, ela rezou para a Deusa da Noite Eterna, mas nunca recebeu nenhuma resposta!
“Mesmo que o Sr. Louco não seja um deus, ele provavelmente não está longe de ser um…” Audrey inalou lentamente antes de exalar aos poucos.
Como ele era uma existência poderosa à qual ela não tinha meios de resistir, ela logo deixou de lado suas preocupações e começou a considerar o que fazer a seguir.
“Primeiro, tenho que digerir completamente a poção de Espectador… Minha atuação ainda é muito boa.”
“Depois, tenho que procurar os Alquimistas da Psicologia.”
“Em seguida, devo tentar obter a fórmula da poção de Telepata do Sr. Louco ou pistas sobre os Alquimistas da Psicologia em outro lugar.”
“No entanto, toda existência divina deve ter um caminho de Sequência completo que pertence a ela. Ela pode não conhecer as fórmulas de outros caminhos de Sequência… Uma nova organização Beyonder como os Alquimistas da Psicologia pode não ser capaz de atrair a atenção do Sr. Louco…”
…
Com a conexão cortada, Klein sentou-se no assento de honra da mesa de bronze de bom humor.
Ele estava todo coberto por uma névoa cinza. Ele se inclinou para trás e cerrou o punho para cobrir a boca, relembrando e analisando o processo.
Nesse momento, ele era o único ser vivo no mundo da névoa cinza. Além disso, havia apenas o silêncio absoluto.
“Parece que só posso passar informações e sou incapaz de usar os poderes aqui… Pelo que parece, minha ideia de manipulação não funcionaria.” Klein continuou cutucando sua boca enquanto tirava uma conclusão em silêncio.
Ele originalmente planejou tentar ligar seu corpo com o mundo da névoa cinza da mesma maneira se o encantamento e o ritual se mostrassem eficazes. Como tal, ele poderia então aproveitar todo o poder deste espaço misterioso.
Se isso acontecesse, ele poderia orar para si mesmo e, de maneira tão manipuladora, contornar as limitações, os mistérios e o perigo, permitindo-lhe usar plenamente o mundo da névoa cinza.
Por exemplo, Klein poderia primeiro conduzir um ritual e rezar por feitiços para si mesmo. Depois disso, poderia vir acima da névoa cinza e responder ao seu próprio pedido e concedê-lo.
“Ao que parece, eu estava sendo muito idealista… Minha compreensão e controle do mundo da névoa cinza não atingiram esse nível…” Klein balançou a cabeça de maneira autodepreciativa e planejou ir embora.
Nesse momento, Klein viu a estrela vermelha escura que representava o Enforcado começar a pulsar. Ele ouviu uma voz etérea e sem forma se espalhar.
“Eu me deparei com o ritual do Enforcado por coincidência?” Klein assentiu pensativo.
Ele sentou-se no assento de honra da longa mesa de bronze e estendeu a mão para bater na estrela.
Sua espiritualidade se espalhou ao tocar a pulsante vermelhidão profunda.
Ele ouviu as orações pesadas e repetidas do Enforcado junto com uma cena borrada.
O Enforcado estava envolto em um manto preto puro na cena. Ele ficou na frente de quatro plumas de fogo. A espiritualidade circundante formou um muro, isolando-o de qualquer influência externa.
Klein não respondeu de imediato. Tudo o que fez foi observar e ouvir em silêncio.
— … Você é o Rei do Amarelo e Preto que traz boa sorte.
— Eu oro por sua ajuda.
…
Depois que terminou sua oração, o Enforcado esperou um pouco. Vendo que não havia resposta, ele começou a desmontar a parede de espiritualidade, apagou as velas e arrumou o altar.
Por fim, ele passou a mão estendida enquanto a luz aquosa se espalhava, fazendo a mesa do altar parecer nova.
“Feitiço à base de água… A concessão da Tempestade… O Enforcado é de fato pelo menos um Navegador…” Klein assentiu ligeiramente. Antes que a cena desaparecesse, ele respondeu pelo método que imaginou, transmitindo-o através da bolha de vermelho escuro.
…
Alger Wilson estava situado na Cidade da Generosidade do Arquipélago de Rorsted.
Ele não tinha ido com os marinheiros ao famoso Cabaré Vermelho. Em vez disso, ficou dentro do hotel e trancou as portas e janelas para tentar o ritual que o Louco tinha descrito.
Depois de terminar familiarmente a oração, Alger esperou com paciência por um momento, mas não obteve resposta.
— Parece que esta tentativa não é muito bem-sucedida… O Sr. Louco precisa mudar de método… — Ele estava muito feliz, mas também um pouco desapontado.
Depois que tudo foi feito, Alger planejou descer para tomar uma garrafa de Langsky Proof — álcool que poderia ajudar um Raivoso a liberar seus poderes. Os Punidores Mandatários do Senhor das Tempestades gostavam bastante desse tipo de bebida.
Abrindo a porta, Alger estava prestes a sair quando sua visão ficou turva. Ele viu a névoa cinza ondular no corredor junto com uma figura humana nebulosa sentada nas profundezas da névoa, como se estivesse em um trono alto.
— Estou ciente — A familiar voz profunda reverberou nos ouvidos de Alger, fazendo-o congelar onde estava enquanto sua cabeça latejava levemente de dor.
Os olhos de Alger de repente ficaram escuros. Ele olhou em volta, mas percebeu que nada tinha mudado. Ainda eram a mesma tábua rangente, os mesmos candelabros envelhecidos na parede e o mesmo corredor sujo.
“Estou ciente…” A voz ainda ressoava nos ouvidos de Alger.
Sua expressão afundou quando ele bateu de leve no peito com o punho, mas não disse nenhuma palavra de respeito ao Senhor das Tempestades.
Depois de um longo silêncio, a expressão de Alger voltou ao normal, mas seu olhar parecia mais profundo.
…
Klein não passou muito tempo acima da névoa cinza. Quando todas as vozes remanescentes voltaram ao normal, ele se envolveu em sua espiritualidade e mergulhou na névoa cinza, voltando ao mundo material.
As luzes à sua frente voavam rapidamente, como as cenas de um filme reproduzido a uma velocidade dezenas de vezes mais rápida do que o normal. Depois que sentiu a sensação de cair, Klein viu cortinas que deixavam passar o luar vermelho junto com os contornos borrados da escrivaninha e da estante.
Ele pegou a faca de prata de novo e removeu a parede espiritual da sala. Então, uma súbita rajada de vento abriu a porta e atravessou o corredor.
Ele ficou completamente aliviado quando viu que não havia movimento nos quartos de Benson ou de Melissa.
“Este ritual de aumento de sorte é mesmo indispensável para viajar… É oculto e místico…” Klein refletiu e fechou a porta mais uma vez, caminhando em direção a sua cama.
Sua missão amanhã era ir ao mercado negro para comprar itens de Beyonder com o Velho Neil.
Capítulo 68
Capítulo 68 – Monstro
Ao entardecer, o sol poente projetava longas sombras nas carruagens e cavalos.
Tendo informado a Benson e Melissa que jantaria na Companhia de Segurança Espinho Negro, Klein dirigiu-se ao porto com o Velho Neil em uma carruagem pública.
Ele estava vestido com um traje formal barato, com medo de que um conflito pudesse estourar em um local tão complicado — se estragasse seu smoking, do qual zelava com cuidado, provavelmente choraria muito.
Quando a luz do sol pareceu ficar ardente, a carruagem parou. O Velho Neil, em seu habitual manto preto clássico e chapéu preto de feltro com borda arredondada, ignorou os olhares dos outros e caminhou na diagonal para o Bar do Dragão Maligno à frente deles.
Embora o bar estivesse um pouco distante e as portas pesadas estivessem bem fechadas, Klein ainda ouvia onda após onda de gritos arrebatadores. Eles pareciam estar torcendo por um herói.
Quando se aproximou, de repente sentiu algo. Ele virou a cabeça em direção ao armazém em frente ao bar. Ele viu um homem atarracado vestido com um uniforme parado em um canto escondido no telhado.
O homem carregava uma enorme caixa mecânica branca acinzentada e segurava um rifle grosso na mão.
A caixa mecânica branca acinzentada estava obviamente conectada ao rifle da mesma cor por meio de uma tubulação.
— Rifle de pressão à vapor? — Klein murmurou em choque. Ele olhou para o Velho Neil e disse:
— Este bar pode mesmo obter essas armas?
Esse era um item controlado pelos militares!
Embora usasse flogisto extraído[1], o tamanho e o peso da mochila a vapor ainda eram chocantes, algo que apenas um verdadeiro guerreiro de sangue e ferro poderia suportar. O rifle tinha uma velocidade de saída de projétil muito alta e um poder destrutivo chocante.
Combinado com um escopo adequado, era quase equivalente a um rifle de precisão inferior.
— O quê? — O Velho Neil semicerrou os olhos enquanto olhava, parecendo confuso também. — Aconteceu alguma coisa aqui?
“Algo aconteceu?” Klein examinou os arredores e descobriu mais alguns homens segurando rifles de repetição que procuravam alguma coisa.
— O que aconteceu? — O Velho Neil aproximou-se do bar e perguntou ao homem musculoso que guardava a porta do lado de fora.
O homem musculoso obviamente conhecia o Velho Neil e sorriu com ironia.
— O bar quase foi destruído.
— Parece que um homem procurado estava aqui tentando comprar materiais e foi reconhecido. E foi nisso que resultou. Oh Senhor, o que ele fez, e quão perigoso ele era para receber tal tratamento? Minhas pernas ficaram moles vendo todas aquelas armas de fogo, mais moles do que depois de passar uma noite inteira com Ginger Sunny!
Ele não sabia a identidade do homem procurado, quem dirá que algumas das pessoas que vinham comprar materiais eram Beyonders.
— Homem procurado? Você sabe o nome dele? — O Velho Neil perguntou com interesse.
— Acho que era Tris ou algo assim — O homem musculoso respondeu incerto.
“Instigador Tris?” Klein acenou com a cabeça em esclarecimento, tendo entendido o que estava acontecendo.
Tris não sabia que Joyce Meyer lançara suas suspeitas sobre ele; portanto, ele tinha entrado no mercado para comprar materiais sem prestar atenção. Provavelmente foi reconhecido por um informante da Mente Coletiva da Maquinaria ou dos Falcões Noturnos, resultando em um confronto intenso.
— Ele foi pego? — Klein bateu em sua bengala preta incrustada com prata.
“Com base na situação ao redor, provavelmente não…”
O homem musculoso balançou a cabeça de leve e apontou com o queixo para o telhado do armazém em frente a ele.
— Ele saiu correndo antes que aqueles caras assustadores chegassem. Caramba, nunca vi um homem correr mais rápido do que ele!
“Você não viu as verdadeiras habilidades de um Assassino, ou pode ser levado para algum lugar indescritível para uma reeducação posterior…” Klein pensou.
— O mercado ainda está aberto? — O Velho Neil mudou de assunto e perguntou.
— Acabou de restaurar as operações — respondeu o homem musculoso em afirmação.
— Isso é ótimo — O Velho Neil apressou o passo e estendeu a mão direita, abrindo a pesada porta.
Klein o seguiu de perto e entrou. Ele quase desmaiou com o abafamento e o cheiro de álcool que o inundaram.
No meio do Bar do Dragão Maligno havia um ringue de boxe. Dois homens seminus travavam uma briga intensa e ao seu redor dezenas de clientes gritavam e torciam pelo lado que apoiavam sem falta de vulgaridades.
O Velho Neil os ignorou, conduziu Klein ao redor do ringue de boxe e entrou em uma sala de bilhar nos fundos.
Na sala de bilhar, havia duas pessoas segurando tacos, conversando com casualidade. Quando viram o Velho Neil entrar, ficaram em silêncio por alguns segundos.
Depois de confirmar a identidade do visitante, eles se afastaram e deixaram o Velho Neil e Klein passarem pela porta secreta atrás deles.
Depois de passar por algumas salas, a visão diante dos olhos de Klein se abriu. Ele viu um lugar que era do tamanho de uma sala de aula de sua vida anterior.
Alguns vendedores montaram barracas de beira de estrada com garrafas e latas por toda parte. Os transeuntes passavam por elas, examinando suas mercadorias, conversando ou comparando preços.
— Eles dão cinco por cento de seus lucros para Swain. Ah, ele é o chefe do Bar do Dragão Maligno, ex-capitão de um esquadrão de Punidores Mandatários e mais velho do que eu. Ele é alguém que deseja beber até morrer — explicou o Velho Neil de maneira tagarela.
Klein pensou e fez uma avaliação honesta.
— Um negócio bastante lucrativo.
Afinal, sua única despesa era a de providenciar o local e proteção.
— Se algum item chamar sua atenção, mas você não tiver dinheiro, poderá pedir emprestado a Swain. Mas é claro que ele cobra juros altíssimos… — O Velho Neil parou de falar enquanto rangia os dentes.
“Como esperado, é como administrar um cassino, eles fornecem usuras[2]…” Klein segurou sua bengala e olhou em volta enquanto perguntava com curiosidade:
— Sr. Swain é um Navegador?
O capitão de um esquadrão de Punidores Mandatários provavelmente era um Sequência 7.
— Não, ele é apenas um Raivoso. Tingen não é uma cidade costeira, então a Igreja da Deusa é muito mais poderosa do que a do Senhor das Tempestades aqui — zombou o Velho Neil. — Na verdade, Swain teve a chance de se tornar um Navegador, mas ficou com medo de perder o controle, então optou por desistir.
No momento em que Klein estava prestes a perguntar se o chefe do bar tinha alguma experiência de quase perder o controle, ele de repente sentiu um fenômeno estranho acontecer à sua esquerda.
Parecia haver algo escondido ali, murmurando e contando.
Klein virou a cabeça e viu um jovem pálido. Ele estava vestindo uma velha camisa de linho e jeans azul que a classe trabalhadora normalmente usava. Seus olhos pareciam desmoralizados com uma pitada de loucura, e ele estava sempre resmungando.
— Sua percepção espiritual é muito alta… ou talvez, distorcida? — Klein franziu as sobrancelhas e murmurou.
Era a percepção espiritual do jovem que desencadeou sua própria percepção espiritual!
De um modo geral, a percepção espiritual ativa causaria alguma interação. Era quase impossível escondê-la dos outros, mas outros se referia a Médiuns Espirituais que usavam suas habilidades, bem como figuras poderosas com características especiais semelhantes. Um Beyonder como Klein teria muita dificuldade em detectar, descobrindo apenas se a percepção espiritual de alguém atingisse um certo nível elevado ou se uma distorção anormal acontecesse.
Eles fizeram contato visual e o jovem pálido com cabelos pretos bagunçados caminhou em sua direção com uma expressão que parecia meio sonâmbula e meio louca.
Ele parou diante de Klein e o encarou.
De repente, ele deu uma gargalhada.
— Haha, é o cheiro da morte, morte… Ah!
Antes que terminasse de falar, ele de repente gritou tragicamente. Seus olhos fecharam com força enquanto um líquido com a cor do sangue escorria.
— Ah! Droga! — O jovem cobriu os olhos e abraçou a cabeça. Ele lutou no chão e só se acalmou depois de um tempo. Ele então ficou lá ofegante.
Durante todo o processo, nem um único cliente ou vendedor olhou.
Klein baixou a meia cartola e olhou para o Velho Neil. A boca de Klein estava aberta em estado de choque, usando suas ações para demonstrar sua surpresa e pedir conselhos.
— Não ligue para ele. Ele é Ademisaul, um órfão, apelidado de monstro. Ele nasceu com alta percepção espiritual e sempre foi capaz de ver coisas que não deveria, ouvir vozes que não deveria. Por isso, está sempre delirando e muitas vezes se machucando — O Velho Neil balançou a cabeça enquanto explicava.
“Ele poderia dizer que meu corpo já foi morto?” Klein franziu as sobrancelhas e baixou a voz enquanto perguntava em dúvida:
— Os Falcões Noturnos, Punidores Mandatários ou a Mente Coletiva da Maquinaria nunca pensaram em acolhê-lo?
— Não, nós não temos a poção da Sequência que combina com ele — disse o Velho Neil com um suspiro.
“Certo, ele nasceu com o ponto de partida de meia Sequência…” Klein perguntou de novo curioso:
— Qual caminho de Sequência combina com ele?
— A Sequência 9 que combina com ele chama-se Monstro. Seu apelido veio daí. É uma pena que apenas a Escola de Pensamento da Vida tenha controle sobre o início do caminho da Sequência — O Velho Neil respondeu suavemente.
Ele tentou manter a conversa entre ele e Klein longe das pessoas ao seu redor para evitar o vazamento de informações para os aficionados do misticismo.
“Escola de Pensamento da Vida?” Klein relembrou as informações que tinha lido antes.
Essa organização secreta apareceu no início da época atual. Suas origens reais eram desconhecidas, mas o ensino era principalmente por meio de mestre e discípulo.
Suas teorias e crenças eram pouco conhecidas. Klein sabia apenas que eles separavam o mundo em três camadas: o mundo racional definido, também conhecido como o mundo da verdade absoluta, o mundo dos espíritos e o mundo material.
“Dizem que a organização secreta uma vez produziu um Oráculo… Não é um caminho de Sequência que corresponde a Vidente? Confuso, bem confuso…” Klein balançou a cabeça e viu Ademisaul se esforçar para se levantar e depois se afastar para outro canto.
Ele reorganizou seus pensamentos e seguiu atrás do Velho Neil. Eles passaram por uma barraca após a outra. Havia plantas como flor da lua, cidra com dedos, baunilha noturna e recursos minerais como prata, topázio, rubi e assim por diante.
— É mesmo muito bem equipado… — Klein murmurou baixinho.
Os aficionados do misticismo de todas as idades e gêneros ao seu redor paravam, examinavam os itens ou conversavam. Deu um ar movimentado à área.
— Dê uma olhada por aí. Vou pagar minha conta — O Velho Neil apontou para uma das duas salas no final.
— Certo — Klein assentiu sem pensar.
Ele caminhou com sua bengala preta e se deparou com uma barraca que vendia amuletos caseiros. Ele deu uma olhada cuidadosa por um tempo.
No momento em que Klein se preparava para falar com o vendedor, de repente ouviu alguém perguntando na barraca atrás dele:
— Este pó foi moído dos dentes de vaca paeonol?
“Dentes de vaca paeonol? Esse não é um dos ingredientes suplementares da poção de Espectador?” Klein pensou, então se virou para olhar o indagador.
Justiça tinha repetido a fórmula da poção várias vezes, então Klein ficou com uma impressão forte dos ingredientes.
Notas:
- material inflamável, combustível
- empréstimo com juros infinitos
Capítulo 69
Capítulo 69 – Amuleto de Proteção
Klein olhou e viu a pessoa que perguntou sobre o paeonol de dentes de vaca.
O homem estava a menos de um metro dele. Ele vestia um terno preto e uma cartola da mesma cor. Tinha uma bengala adornada com prata na mão e um par de óculos de armação de ouro no rosto. Ele demonstrava um porte refinado.
— Sim, você precisa disso? Isso aqui custa três solis — O dono da barraca vestia um longo manto preto, cheio de traços de misticismo.
O indagador cujas costeletas eram amarelas pálidas pensou por um momento antes de dizer:
— Pode ser mais barato? Ainda preciso comprar outros ingredientes também. Por exemplo, esta garrafa de pétalas de girassol com bordas brancas.
O dono da barraca pensou por alguns segundos antes de responder de má vontade:
— Dois solis e seis centavos. Eu não acho que você pode encontrar um preço mais barato do que isso.
Klein sentiu de imediato que estava pensando demais nas coisas depois de ver como o homem de óculos comprou outros ingredientes além do pó de dentes de vaca paeonol.
No entanto, ele ainda bateu duas vezes na glabela como um ato de cautela. Ele varreu o homem com sua Visão Espiritual.
“Sem problemas. Ele parece muito saudável. Suas emoções também estão bem. Senhor, você precisa continuar assim…” Klein retraiu o olhar, virou-se e olhou para a barraca que vendia amuletos caseiros mais uma vez.
Os amuletos estavam dispostos com cuidado diante dele. Alguns deles eram feitos de prata pura, alguns de aço, outros forjados de ouro.
Mas apenas alguns dos amuletos tinham uma aura fraca emanando deles, algumas carmesim, algumas brancas pálidas, algumas douradas.
Isso significava que alguns deles tinham traços fracos de espiritualidade e eram de fato eficazes até certo ponto!
Klein olhou os amuletos com atenção e confirmou que o dono da barraca que fazia os amuletos tinha algum fundamento no misticismo.
O dono da barraca não cometeu nenhum erro ao combinar as diferentes fontes de energia com os diferentes encantamentos. Ele também foi muito preciso na escolha dos materiais que correspondiam às diferentes fontes de energia.
Claro, um mero aficionado do misticismo com certeza cometeria alguns erros. Klein notou que o dono da barraca não entendia totalmente os encantamentos. Não se poderia criar um encantamento apenas traduzindo o conteúdo da oração para Hermes. Os encantamentos tinham que seguir um certo formato que seguia regras únicas.
O outro problema era que o dono da barraca cometeu erros de vários graus ao escolher um símbolo adequado para as fontes de energia. Isso explicava porque havia apenas dois ou três amuletos liberando a luz fraca das dezenas que estavam diante dele.
Quanto ao efeito que os dois ou três amuletos teriam, Klein só poderia dizer que era melhor do que nada.
Um amuleto verdadeiramente equipado com efeitos óbvios precisava que o artesão liberasse sua espiritualidade de uma lâmina enquanto esculpia os encantamentos e símbolos!
Se alguém quisesse resultados ainda melhores, teria que complementá-lo com magia ritualística.
E essas duas coisas não eram algo que uma pessoa comum poderia alcançar.
Klein bateu duas vezes em sua glabela, depois apontou para o canto superior esquerdo da barraca com sua bengala preta.
— Quanto custam esses dois?
Ele não perguntou sobre os amuletos que tinham uma aura colorida rudimentar, mas itens incompletos. Além da forma externa, eles não foram esculpidos com encantamentos ou símbolos.
Para Klein, não havia razão para comprar os amuletos que tinham efeitos fracos. O que ele queria fazer era transformar os amuletos inacabados em verdadeiros amuletos.
“Hmm, vou fazer amuletos que podem proteger uma pessoa do perigo, um para Benson e outro para Melissa. Quanto ao meu, posso pedir aos Falcões Noturnos que me forneçam os ingredientes… Cara, devo ter sido influenciado pelo Velho Neil. Não sinto nenhuma culpa ao fazer algo assim…” A mente de Klein divagou enquanto ele observava o dono da barraca pegar os amuletos de prata inacabados.
O primeiro amuleto de prata era alongado e tinha uma cavidade no meio. Ao redor havia padrões de penas de anjo. O artesanato era intrincado e muito bonito. O outro era simples, quase completamente desprovido de quaisquer decorações ou entalhes adicionais. Tinha uma linha vertical representando a noite e um círculo representando a lua carmesim.
Klein, que prestava muita atenção às aparências, gostou deles de imediato.
— Este custa seis solis — disse o dono da barraca de meia-idade, apontando para o intrincado amuleto. Ele era um homem de poucas palavras.
Depois de uma pausa, ele esfregou a peça mais simples e disse:
— Este é cinco solis e três centavos.
— Isso é muito caro. Eles ainda estão longe de ser um amuleto — Klein foi lentamente influenciado por Benson e Melissa, então começou a cultivar o hábito de pechinchar.
Depois de uma batalha de palavras, ele comprou os dois acessórios de prata por dez solis e três centavos.
“Sim, por enquanto só podem ser considerados acessórios de prata…” Klein tinha isso em mente.
Os dez solis e três centavos foram deduzidos do reembolso que ele recebeu por sua associação ao Clube de Adivinhação.
Klein recebeu os dois acessórios de prata e os colocou no bolso. Ele estava prestes a ir para outro estande quando ouviu uma voz gentil.
— Senhor, por que você não comprou um amuleto completo?
Klein virou a cabeça e encontrou uma adolescente fazendo a pergunta. Ela tinha cerca de quinze anos e usava um vestido amarelo rendado enquanto segurava um chapéu velado com uma fita.
— É porque pretendo fazer meus próprios amuletos. Como você já sabe, esse é o desejo de todo aficionado do misticismo — Klein mediu as palavras e respondeu.
Ele não queria que o dono da barraca pensasse que ele estava tentando roubar seu negócio, embora tivesse pensado em usar sua habilidade para ganhar dinheiro rápido.
A adolescente tinha cabelos castanhos naturalmente cacheados e seu rosto era adorável devido à gordura de bebê. Ela olhou para Klein com seus olhos azuis claros e perguntou com sinceridade:
— Posso pedir seu conselho sobre como escolher um amuleto? Bem, fui apresentada aqui por uma amiga. Já estive aqui várias vezes e tenho um profundo interesse em misticismo. Mas ainda não sei muito sobre isso, e ela, minha amiga, vai fazer dezesseis anos em breve. Desejo selecionar um amuleto como presente para ela. Não a trouxe comigo porque queria que fosse uma surpresa… Eu já pedi o conselho dela, mas não consigo me lembrar de muitos pontos críticos.
Klein deu um sorriso cavalheiresco.
— Que tipo de amuletos de proteção você está procurando? Algo para evitar desastres? Algo para evitar doenças? Algo que dá fortuna? Requisitos diferentes exigem fontes de energia diferentes, o que significa que eles devem apontar para deuses diferentes. Deuses diferentes têm constelações correspondentes únicas, e constelações únicas indicam que materiais diferentes devem ser usados.
— Por exemplo, o encantamento para evitar desastres pertence à Imperatriz do Desastre e do Horror, que é a Deusa da Noite Eterna. Como aficionados do misticismo, todos nós sabemos que o símbolo da Deusa da Noite Eterna é a lua. O metal correspondente será, portanto, prata pura.
— Portanto, se esperamos evitar desastres, é melhor escolhermos um amuleto feito de prata pura e com os encantamentos correspondentes.
“Também teríamos que garantir que os encantamentos tenham o idioma e o formato corretos. O símbolo correspondente da Imperatriz do Desastre e do Horror significa que o Número do Caminho, a característica do feitiço e as posições relativas dos símbolos, etc, também devem estar corretos… Mas isso é muito complicado e não há necessidade de eu explicar isso para você…” Klein acrescentou por dentro.
Os olhos da garota brilharam. Ela perguntou com um pouco de dúvida:
— Um seguidor da Deusa pode usar um amuleto pertencente a outro deus?
— Sem problemas. Os deuses não se importam com coisas tão pequenas — Klein a consolou.
Não era um problema para a pessoa que usava o amuleto, mas a pessoa que criava o amuleto tinha que ter cuidado. Se um crente do Senhor das Tempestades forjasse um amuleto do Eterno Sol Ardente, provavelmente receberia algo malicioso.
Claro, eles se referiam a amuletos que requeriam o auxílio de magia ritualística. O artesão não precisa prestar muita atenção a isso de outra forma.
A adolescente soltou um suspiro de alívio.
— Espero conseguir para ela um amuleto para uma boa saúde; qual divindade devo escolher? O Eterno Sol Ardente, a Mãe Terra ou o Deus do Conhecimento e da Sabedoria?
— Não deve haver nenhum problema com o Eterno Sol Ardente e a Mãe Terra. O primeiro é representado pelo sol, enquanto a última é representada pela Estrela Marrom — Klein disse sorrindo. — O material do sol é o ouro, enquanto o metal que simboliza a Estrela Marrom é o chumbo. Eu sugeriria o sol, mas não sei se você trouxe dinheiro suficiente com você.
A razão de sua sugestão foi porque ele notou que entre os três amuletos com um brilho espiritual rudimentar, um deles era um amuleto de saúde que estava sob o domínio do sol.
— Isso não é… — Antes que a adolescente terminasse sua frase, ela parou e olhou com cautela para o dono da barraca que esperava em silêncio.
Ela pensou por um momento antes de perguntar:
— Depois de decidir sobre o material, como devo distinguir o encantamento e os símbolos correspondentes?
— Você conhece Hermes? — Klein perguntou em vez disso.
— Eu só comecei a aprender — respondeu a adolescente, um pouco envergonhada.
— Então deixe-me escolher para você — Klein apontou para o amuleto de saúde feito de ouro e disse:
— Este não tem problemas, seja nos encantamentos ou no símbolo que o representa.
A adolescente levantou as pontas do vestido e se agachou diante do amuleto. Ela pegou o amuleto de saúde com desenhos dos raios do sol nas bordas e sentiu uma energia positiva, fazendo-a sentir-se completamente relaxada.
— Obrigada, obrigada — Ela se levantou e fez uma reverência em gratidão.
Klein riu e disse:
— Vou deixar o resto para você e o dono da barraca. Tenho outras coisas para cuidar.
Ele olhou para o dono da barraca enquanto falava e notou que o homem tinha um olhar estranho, como se estivesse decidindo se deveria dar uma parte do lucro para Klein.
Com um sorriso, Klein não se incomodou mais com o assunto. Ele continuou a percorrer o mercado negro, mas não notou nenhum material extraordinário de verdade.
A essa altura, o Velho Neil já tinha quitado sua dívida. Ele segurava uma caixa de madeira escura em suas mãos.
Ele apontou para a outra sala atrás e disse, depois de notar o olhar de dúvida de Klein:
— Vá lá se quiser comprar ou vender materiais extraordinários. Afinal, ninguém deseja que os outros saibam quais itens extraordinários estão comprando.
— Entendo — Klein assentiu como se pensasse.
Não havia necessidade de ele ir para lá por enquanto. Ele se dirigiu para a saída do mercado negro junto com o Velho Neil.
— Quanto custam essas flores élficas?
Uma pergunta de repente entrou nos ouvidos de Klein.
“Flores élficas… Isso também é um ingrediente para a poção de Espectador…” Klein pensou enquanto olhava de soslaio. Ele mais uma vez viu o homem refinado de óculos.
— Qual é o problema? — O Velho Neil perguntou curioso.
— Praticamente nada — Klein retraiu o olhar.
Embora fosse um quase membro dos Falcões Noturnos, ele não achava que todos os Beyonders deveriam ser absorvidos pelas Igrejas ou presos. Ele acreditava que dependia da situação. Os Espectadores com certeza representavam pouco perigo para a sociedade ou para o reino, e as chances de perder o controle como um Sequência 9 eram muito pequenas.
…
Depois de deixar Bar do Dragão Maligno, Klein e o Velho Neil pegaram uma carruagem pública e deixaram o porto. Eles então se separaram no Burgo Norte e voltaram para suas respectivas casas.
O transporte público entrou na Rua Daffodil e parou no acostamento. Klein estava prestes a descer da carruagem quando de repente viu uma jovem usando um vestido branco acinzentado prestes a embarcar na carruagem.
Esta mulher tinha cabelos pretos lisos, com um rosto um pouco redondo. Ela tinha olhos finos e feições despretensiosas. Mas emparelhados juntos, ela passava a sensação de que era doce e gentil.
Klein a notou não por sua beleza, mas porque descobriu que seu corpo estremecia de leve. Foi um estremecimento antinatural.
— Senhorita, você está bem? — Klein perguntou preocupado.
A jovem balançou a cabeça abruptamente.
— Não, estou muito cansada.
As pessoas atrás de Klein insistiram que ele descesse, então Klein só pôde sair da carruagem.
Quando encontrou o equilíbrio, ele prestou atenção à situação anterior de novo. Ele beliscou sua glabela duas vezes, planejando determinar se a mulher estava mesmo bem.
Ele tinha a intenção de mandá-la para o hospital se ela tivesse uma doença grave que iria acometê-la em breve.
Ativando sua visão espiritual, as cores das auras começaram a surgir. Klein se virou e se preparou para olhar para a jovem doce e gentil.
Capítulo 70
Capítulo 70 – Chegada do 2-049
Clip-clop. Clip-clop.
Os cavalos aumentaram seus passos quando as rodas começaram a rolar a reboque. Apesar de ativar sua Visão Espiritual e se virar, esperando observar a refinada e doce jovem, Klein não teve seus desejos realizados. Tudo o que seus olhos refletiam eram figuras marrons.
Enquanto isso, os passageiros da parada já tinham embarcado no vagão. A porta da carruagem era fechada à medida que ela partia aos poucos.
Dentro da carruagem, vinte a trinta pessoas estavam próximas umas das outras, seus campos de energia se sobrepondo e protegendo uns aos outros. Portanto, foi uma explosão de cores na visão de Klein, dificultando sua diferenciação.
Ele balançou a cabeça em silêncio e levantou o dedo para tocar sua glabela para desativar sua Visão Espiritual.
Para ele, era apenas uma ajuda que poderia fornecer se por acaso a encontrasse. No entanto, se perdesse, e a situação não fosse muito clara, não havia sentido em levar isso a sério e em adiar seus próprios assuntos.
Enquanto se banhava no luar carmesim, Klein voltou para casa na ainda movimentada Rua Daffodil. Ele voltou para ver Melissa sentada ao lado da mesa de jantar. Ela estava ocupada fazendo sua lição de casa sob uma lâmpada de gás brilhante.
Ela mordeu a caneta-tinteiro e franziu a testa, parecendo imersa em pensamentos.
— Onde está Benson? — Klein perguntou casualmente.
— Ah… — Melissa olhou para cima. Ela apagou por alguns segundos antes de dizer:
— Ele disse que andou por alguns bairros hoje e estava coberto de suor. Ele está tomando um bom banho relaxante.
— Bom — Klein riu. De repente, ele percebeu que ela estava usando um vestido que nunca tinha visto antes.
Era inteiro de cor bege. Tinha mangas da moda. A gola e as bordas de sua blusa apresentavam babados finos. Além disso, era um design bastante simples, do tipo que se usava como roupa casual diária. Isso acentuou totalmente a juventude de uma garota de dezesseis ou dezessete anos.
— Vestido novo? — Klein perguntou com um sorriso.
Foi uma compra que ele e Benson insistiram.
Melissa respondeu em afirmação.
— Acabei de pegar de volta da Sra. Rochelle. Eu estava pensando que, já que teria que lavá-lo mais tarde, poderia experimentá-lo primeiro.
Klein ficou bastante intrigado quando ouviu isso.
— Sra. Rochelle?
“Ela não é nossa ex-vizinha?”
Melissa assentiu e explicou com toda a seriedade:
— Sra. Rochelle é na verdade uma costureira, mas ela teve bastante azar. Ela não teve escolha a não ser costurar e consertar roupas para outras pessoas em casa. Ela leva uma vida bastante difícil. Eu sabia que ela tinha uma habilidade muito boa e o preço que ela cobrou é mais barato do que o de uma loja de roupas femininas. Além disso, está muito bem ajustado à minha figura, então encomendei uma saia nova dela. Custou apenas nove solis e cinco centavos, demorando apenas alguns dias para ficar pronto. Um vestido de estilo semelhante custaria três libras e meia na Loja de Departamentos Harrods!
“Que garota frugal… Irmã, eu sei que pelo menos metade do motivo é devido à sua pena da Sra. Rochelle…” Klein não censurou Melissa por decidir as coisas por si mesma. Em vez disso, ele disse com um sorriso:
— Quando você foi para a Harrods?
Ela ficava na Rua Howes, perto do Clube de Adivinhação. Era um lugar onde a classe média fazia compras.
— … — Melissa ficou sem palavras por um momento. Levou um longo tempo antes de ela dizer:
— Fui com Selena e Elizabeth. Elas insistiram que eu as acompanhasse. Na verdade, bem, na verdade, prefiro mais as engrenagens. Eu gosto de lugares com vapor e máquinas. Sim.
— É muito, bem… bom para uma garota às vezes fazer compras em uma loja de departamentos — Klein riu enquanto confortava sua irmã.
Depois de alguma conversa fiada, ele caminhou rapidamente para o segundo andar, na esperança de lavar os cheiros repulsivos misturados do bar.
Quando estava prestes a voltar para o quarto para trocar de roupa, de repente ouviu sons vindos do banheiro perto da varanda.
Alguns segundos depois, Benson saiu enquanto enxugava a linha do cabelo que estava recuando aos poucos[1].
— Como foi? Você elogiou o vestido novo de Melissa? — Ele lançou um olhar para Klein e perguntou com um sorriso.
— Acho que esqueci. Tudo o que fiz foi perguntar onde foi feito… — Klein pensou por um momento enquanto dizia.
Benson riu de imediato e balançou a cabeça.
— Que impróprio para um irmão mais velho. Quando Melissa recebeu o vestido, não quis largá-lo. Depois de correr para cozinhar e lavar a louça, ela imediatamente vestiu o vestido e se recusou a tirá-lo desde então.
“… Ela não estava planejando se trocar depois do banho? Ela pode lavar e engomar as roupas enquanto faz isso…” Klein refutou a explicação que Melissa tinha dado em seu subconsciente.
— Tsk — Benson suspirou. — Os últimos dias foram muito quentes. Ela ficou muito tempo ocupada na cozinha, então acredito que ela se sentiria muito melhor fazendo o dever de casa depois do banho.
“Isso mesmo…” Klein de repente se iluminou ao dar a seu irmão um sorriso conhecedor.
“Então esse é o tipo de pessoa que você é, Melissa… Não há nada de errado em uma garota se importar com sua aparência. Não há necessidade de encontrar desculpas…” Os cantos de sua boca se curvaram quando ele balançou a cabeça suavemente antes de entrar em seu quarto.
Enquanto tomava banho, Klein ouviu baixinho batidas no andar de baixo. Ele logo começou a se perguntar.
“O trabalhador encarregado de coletar moedas para o medidor de gás não vem apenas uma vez a cada duas semanas?”
“Poderia ser a Sra. Shaud da casa ao lado? Isso não pode ser. Dizem que esta senhora segue com rigor a etiqueta da sociedade de classe média. Ela não iria fazer uma visita em um momento inapropriado.”
Em sua perplexidade, Klein enxugou seu corpo. Vestindo uma camisa e calças velhas, mas confortáveis, desceu as escadas.
Ele examinou a área, mas não notou nenhum estranho. Ele perguntou:
— Alguém estava na porta agora há pouco?
Benson, que lia os jornais casualmente, disse com um sorriso:
— Era Bitsch Mountbatten, um dos policiais encarregados da Rua Cruz de Ferro. Perguntou se conhecíamos um rapaz de dezoito ou dezenove anos de rosto redondo. Heh, ele até nos deu um esboço para identificação. Infelizmente, nenhum de nós o viu, ou teríamos recebido uma recompensa. E você?
— Não — Klein tinha uma ideia geral do que estava acontecendo.
O Instigador Tris tinha escapado com sucesso do Bar do Dragão Maligno no porto. Ele fugiu para algum lugar próximo à Rua Cruz de Ferro e à Rua Daffodil; portanto, a polícia estava fazendo visitas de porta em porta.
E ir tão longe deixou claro que a operação de prender o Instigador falhou por completo!
Klein não se incomodou com a situação. Ele ainda não tinha começado o treinamento de combate. Ele só tinha domínio básico de tiro, então considerar lidar com um Assassino natural era o equivalente a suicídio.
Ele não dormiu bem nessa noite. Ele continuou preocupado que o Instigador se infiltrasse em sua casa para se esconder, causando outro massacre.
Por sorte, a Rua Daffodil ficou quieta a noite toda, com os raios do sol da manhã dispersando toda a névoa.
O relaxado Klein vestiu um traje formal, colocou sua cartola, segurou sua bengala e foi até a Rua Zouteland. Ele cumprimentou Rozanne no salão de recepção.
— Bom dia, Klein — respondeu Rozanne com alegria. Ela suprimiu a voz e disse:
— Ouvi dizer que a grande operação da noite passada falhou?
— A operação para prender o Instigador Tris? — Klein perguntou com curiosidade.
— Sim! — Rozanne assentiu pesadamente. Ela lançou um olhar para a divisória e disse:
— Ao que parece, um informante dos Punidores Mandatários descobriu o Instigador no porto… Eles estavam planejando esperar pela chegada de Beyonders adicionais e outro esquadrão de Operações Especiais da polícia antes de iniciar a operação para não alarmar as pessoas comuns. Infelizmente, esse Instigador foi muito perspicaz. Ele saiu do cerco quando notou algo errado, escapando com sucesso como resultado.
— Nesses momentos, eles precisam de um Beyonder com habilidades de rastreamento, como eu — Klein fez uma piada.
— Naquele momento não faltavam rastreadores — A voz de Dunn Smith soou de repente.
Rozanne virou a cabeça de repente e viu o Capitão vestindo seu blusão preto. Ele estava olhando direto para ela com seu profundo par de olhos cinzentos enquanto se inclinava contra a moldura da divisória.
Ela logo levantou as mãos para cobrir a boca. Então, ela balançou a cabeça sem parar, expressando sua inocência fútil.
Dunn voltou seu olhar para Klein e depois de pensar um pouco, ele disse:
— Havia um total de seis Beyonders dos Punidores Mandatários, da Mente Coletiva da Maquinaria e de nós, Falcões Noturnos. Seguimos o Tris ferido até a Rua Cruz de Ferro Inferior. Encontramos sua residência temporária, mas as pistas pararam por aí. Sejam métodos Beyonder ou investigações comuns, nada funcionou. Era como se ele tivesse evaporado no ar, desaparecendo por completo.
— Você precisa da minha ajuda com adivinhação? — Klein perguntou.
Dunn balançou a cabeça suavemente.
— A Mente Coletiva da Maquinaria tinha um adivinho. Ele é um Beyonder sênior tão bom quanto o Velho Neil. Eu até suspeito que ele já esteja na Sequência 8. Só não sei qual é o nome da poção correspondente.
— A herança da Ordem da Teosofia deve ter algo especial — consolou Klein.
Pelo resto da manhã, ele continuou seu currículo de misticismo, leu as informações e documentos históricos e praticou várias técnicas como sempre.
Com a hora do almoço quase se aproximando, a mente de Klein começou a divagar.
Mais alguns minutos depois, ele guardou os documentos, tendo ouvido a convocação de seu estômago.
Nesse momento, Dunn Smith entrou na secretaria. Ele disse de uma maneira profunda, mas suave:
— Klein, siga-me até o Portão Chanis. O Artefato Selado 2-049 chegou. A operação subsequente pode exigir que você perceba aquele caderno.
— … Tudo bem — Klein levantou e respondeu.
Seus pensamentos ficaram confusos. Ele imaginou como era o item selado ou se a operação seria perigosa.
Enquanto estava nesse silêncio bastante tenso, ele seguiu Dunn escada abaixo e entrou no túnel.
Depois de seguir direto no cruzamento, Dunn parou de repente e virou a cabeça, dizendo severamente:
— Faça esta ação comigo. Continue fazendo isso e absolutamente não pare. Lembre-se, absolutamente não pare. Isso é para sua própria segurança!
Enquanto falava, Dunn dobrou o braço e o estendeu. Ele repetiu essa ação sem parar.
Klein olhou para a demonstração do Capitão de maneira confusa. De repente iluminado, ele perguntou:
— Isso tem a ver com a singularidade do Artefato Selado?
— Sim — Dunn assentiu com uma seriedade anormal. — Repetir tal ação nos permitirá descobrir se alguma coisa acontece com você de imediato. Salvá-lo a tempo não resultará em nenhum perigo com risco à vida.
— Ok — Klein não hesitou mais ao iniciar a ação repetida de dobrar e estender o braço.
— Se seu braço estiver dolorido, use o outro — Dunn acrescentou.
“Artefato Selado 2-049 com certeza é estranho… Qual o significado dessa ação? Parece muito perigoso…” Esses pensamentos passaram pela mente de Klein enquanto ele olhava solenemente para o capitão.
— Tudo bem.
Ele tinha muitas perguntas em mente, mas como o Portão Chanis estava à vista, ele não teve escolha a não ser segurá-las.
“Além disso, com meu certificado de segurança, provavelmente não saberei dos detalhes. Só posso fazer o que me ordenam…” Klein suspirou enquanto seguia o Capitão Dunn até a sala do Guardião fora do Portão Chanis.
Notas:
[1] Klein é um Beyonder, deveria pedir um remédio pra calvície da
Catedral Sagrada
Capítulo 71
Capítulo 71 – Lentidão
Klein dobrou e estendeu repetidamente o braço enquanto observava Dunn abrir a sala do Guardião com o corpo de lado.
O cuidado e o alto estado de alerta do Capitão, bem como as ridículas e risíveis ações protetoras, o deixaram em uma tensão anormal. A sensação era idêntica à que ele sentiu ao fazer testes de coragem que exigiam que caminhasse por cemitérios assustadores à noite em sua juventude.
“Um Artefato Selado de Grau 2. Perigoso. Para ser usado com cuidado e moderação… É algo que mesmo um membro formal dos Falcões Noturnos não conhece os detalhes… Não se sabe o quão perigoso é…” Em meio ao seu nervosismo, Klein achou impossível conter-se de pensar demais.
Nesse momento, seu cérebro de repente ficou dormente, como se um interruptor tivesse sido desligado.
Tudo na visão de Klein ficou lento. Até as ações de seus braços tiveram o mesmo destino.
Ele viu o Capitão Dunn parar em seu caminho. Ele se aproximou dele como se estivesse em câmera lenta, estendendo a palma da mão lentamente antes de empurrá-lo no ombro.
De repente, os processos de pensamento e visão de Klein foram restaurados ao normal ao mesmo tempo. Era como se tudo de antes fosse apenas uma ilusão.
— O que aconteceu? — Klein sussurrou em meio ao seu medo e confusão.
Dunn balançou a cabeça e disse com uma voz profunda:
— Observe com atenção.
No momento em que terminou a frase, ele se virou e entrou na sala do Guardião. Klein seguiu logo atrás e viu outras quatro pessoas na sala; eles estavam sentados ou em pé.
Um deles era o Poeta da Meia-Noite, Leonard. Os outros três eram pessoas que Klein nunca conhecera antes. No entanto, todos eles compartilhavam uma característica comum. Eles estavam todos fazendo o exercício de estender e dobrar o braço com a maior seriedade.
— Klein Moretti tem uma conexão milagrosa com o caderno da família Antigonus — Dunn fez uma breve introdução.
Então, ele apontou para os outros três estranhos e disse:
— Essa senhora e senhores são colegas da diocese de Backlund. Eles escoltaram o Artefato Selado 2-049 até aqui. Esta é Madame Lorotta, Coveira de Sequência 8. Ela é uma mestra atiradora de elite.
Nesse momento, a mulher de cabelos pretos que parecia ter cerca de trinta anos acenou para Klein de maneira amigável.
Ela era bem bonita. Ela não usava chapéu e estava vestida com o que parecia ser um traje masculino — um casaco preto com uma camisa branca, calças pretas justas e botas de couro pretas. Os cantos de sua boca estavam um pouco curvados para cima.
Depois que Klein trocou cumprimentos, Dunn apontou para um homem sentado atrás da mesa.
— Aiur Harson, alguém como eu.
Antes de terminar sua frase, Klein viu o Sr. Aiur Harson em seu blusão cinza ficar lento com o movimento do braço. Era como se uma engrenagem tivesse perdido o lubrificante ou uma junta enferrujada.
“O que há de errado…” Em meio ao torpor de Klein, ele viu Lorotta empurrar Aiur Harson. Só então as ações do cavalheiro voltaram ao normal.
“Eu fiquei assim antes?” Klein foi pego de surpresa antes de chegar à conclusão.
Isso indicava os perigos que o Artefato Selado 02-49 continha!
“O que aconteceria se alguém não fosse acordado a tempo?”
“Ele se tornaria um zumbi?”
Cheio de perguntas, Klein cumprimentou o charmoso Aiur Harson, de meia-idade.
— Bórgia — disse Dunn enquanto apontava para o último Falcão Noturno.
Borgia era um homem frio com uma cicatriz de faca na lateral do rosto. Seus penetrantes olhos castanhos eram como os de uma águia. Ele estava sempre observando todos na sala.
— Vamos partir. Quanto mais rápido acabarmos com isso, mais rápido poderemos selar 2-049 — O belo Aiur Harson disse enquanto se levantava, seus olhos revelando algumas rugas.
“Então, onde está 2-049?” Klein examinou os arredores com curiosidade, mas não notou nenhum vestígio do Artefato Selado. Claro, ele não podia ver as áreas obscurecidas pela mesa sem ativar sua Visão Espiritual.
— Tudo bem — Dunn se virou e olhou para Leonard Mitchell. — Você vai se encarregar de dirigir. É melhor não envolver Cesare em assuntos como este.
Cesare era o balconista encarregado de adquirir e coletar suprimentos para os Falcões Noturnos de Tingen enquanto trabalhava como motorista de carruagem. Foi ele quem levou Klein à casa de Welch para conhecer a Médium Espiritual Daly.
— Sem problemas — Leonard parou de agir frívolo e assentiu sério.
Nesse momento, Klein viu Aiur Harson curvar-se. Ele pegou um baú de metal preto que estava escondido pela mesa.
O baú foi esculpido com estrelas resplandecentes e a lua cheia carmesim. Era como se houvesse uma barreira informe ao redor dele.
“O Artefato Selado está aí dentro? Eu me pergunto como é o 2049…” Klein observou o baú com curiosidade.
Tum! Tum! Tum!
Sons violentos de batidas irromperam do baú negro de repente. Até a superfície do baú inchou uma e outra vez.
Tum! Tum! Tum!
Era como se algo horripilante tivesse despertado dentro do baú e latejasse sem controle. O som da batida atingiu os corações de todos os presentes.
“Está vivo?” Assim que teve um pensamento, Klein viu os exercícios de braço do Capitão Dunn ficando lentos, como se suas juntas estivessem cobertas de cola.
Borgia, o Falcão Noturno de Backlund, empurrou o ombro de Dunn, permitindo que ele se recuperasse.
“Quem é afetado por 2-049 faz uma espécie de dança do robô… Se todos nós estivéssemos sob sua influência, não seríamos um esquadrão de dança desajeitado… Por sorte, 2-049 parece capaz de influenciar apenas uma pessoa de cada vez…” Klein satirizou para relaxar seus nervos tensos. Ele não ousava interromper seus exercícios de braço.
Ele seguiu o exemplo de Dunn e deixou sua bengala para trás. Ele então foi atrás dos cinco Falcões Noturnos pelo túnel e subiu as escadas até o segundo andar da Companhia de Segurança Espinho Negro.
Leonard foi em frente e notificou todos na frente dos prédios, então Rozanne e o resto foram para o terceiro andar. Esses incidentes raramente os envolviam, mas não eram completamente estranhos para eles. Outro Falcão Noturno, Kenley, substituiu Dunn em seu turno no Portão Chanis.
Klein soltou um suspiro de alívio quando chegou à carruagem. Ele olhou desconfiado pela janela e disse:
— O 2-049 não afetará as pessoas comuns nas ruas?
Desde sua jornada subterrânea até a carruagem, o Artefato Selado 2-049 já tinha causado seis incidentes de lentidão, dois dos quais foram direcionados a ele. Ele foi acordado pelo capitão Dunn e Leonard Mitchell, respectivamente. A taxa do efeito de lentidão era bastante alarmante!
— Não se preocupe, 2-049 terá como alvo criaturas humanoides a cinco metros dele primeiro. Quanto mais próximo você estiver dele, maior será a chance de você ser escolhido. Enquanto houver três pessoas ao seu redor, as pessoas que estiverem por perto quando a carruagem passar não serão afetadas — explicou a bela Lorotta de cabelos negros com um tom preguiçoso.
“Que estranho Artefato Selado…” Klein pensou enquanto continuava seus exercícios de braço.
Dunn e o resto dos Falcões Noturnos não conversaram durante a viagem para a casa de Ray Bieber. Eles estavam prestando muita atenção à condição um do outro. Apenas Lorotta tinha um olhar indiferente. Às vezes, ela observava as ruas não tão limpas de Tingen e, outras vezes, elogiava o sistema de água subterrâneo de Backlund.
Logo depois, o edifício familiar enfim entrou na linha de visão de Klein. O grupo de seis fez o seu caminho para o terceiro andar enquanto observavam uns aos outros.
A porta da casa de Ray Bieber estava marcada com o símbolo do Departamento de Polícia de Tingen, indicando que a entrada era proibida a pessoas não autorizadas.
Enquanto fazia seus exercícios de alongamento, Dunn pegou uma chave. Ele abriu a fechadura recém-trocada, então se virou, permitindo que Aiur Harson, que carregava o baú preto, entrasse primeiro.
Tum! Tum! Tum!
O Artefato Selado no baú preto bateu violentamente mais uma vez, ainda mais violento do que antes. Isso fez o braço de Aiur Harson oscilar sem controle de um lado para o outro. Até fez Klein suspeitar que o baú abriria.
Tum! Tum! Tum!
Klein percebeu rapidamente que os movimentos do Capitão Dunn estavam ficando lentos. Ele estava prestes a acordá-lo quando um zumbido soou em seu cérebro. Seu cérebro ficou entorpecido, as cenas diante de seus olhos passavam como se estivessem em câmera lenta.
“Eles não disseram que… que afeta apenas uma… pessoa de cada vez…” Os pensamentos de Klein logo ficaram preguiçosos.
Nesse momento, os preparados Lorotta e Borgia acordaram cada um deles, respectivamente, empurrando-os.
Tendo seus processos de pensamento e visão restaurados, Klein olhou em volta com medo persistente. Ele deixou escapar:
— Vocês não disseram que 2-049 só pode afetar uma pessoa por vez?
Por sorte, não parei meus alongamentos!
— Quando o Artefato Selado 2-049 entra em seu modo berserk, ele pode afetar até duas pessoas ao mesmo tempo. Podemos confirmar que Ray Bieber é de fato um descendente da família Antigonus — disse Aiur Harson com um tom mecânico.
Lorota soltou uma risada fraca. Ela olhou para Klein e disse:
— 2-049 fica muito agitado quando encontra um descendente da família Antigonus, mesmo que seja apenas o cheiro. Suas habilidades também aumentam de forma considerável. Eu acredito que você seria capaz de entender seus sentimentos.
“Bem, eu não…” Klein perguntou com curiosidade:
— Então, é uma criatura viva?
Lorotta sorriu, mas não respondeu diretamente.
— Você saberá daqui a pouco. Contanto que Ray Bieber não tenha escapado de Tingen, 2-049 nos levará até ele.
Klein só pôde colocar suas outras perguntas em espera enquanto caminhava pela sala com os Falcões Noturnos.
Em meio às batidas fortes e violentas do báu, eles trancaram a porta, desceram as escadas e voltaram para a carruagem.
Aiur Harson olhou pela janela várias vezes e confirmou que não havia pedestres em um raio de cinco metros. Ele então colocou o baú preto no chão e girou o interruptor mecânico para liberar suas restrições espirituais.
As batidas violentas pararam de repente, deixando toda a carruagem em silêncio. Nem mesmo as respirações dos Falcões Noturnos podiam ser ouvidas.
Klein prendeu a respiração quando o baú negro se abriu lentamente. Um rangido agudo que machucou seus ouvidos pôde ser ouvido.
Creak!
O baú caiu quando um braço marrom esguio se estendeu para fora dele. Tinha mais ou menos o comprimento do dedo de uma criança.
Dois braços pressionaram para a frente, um após o outro, enquanto um objeto do tamanho da palma da mão de um ser humano normal aparecia pouco a pouco na frente de Klein e companhia.
Tinha articulações claras do cotovelo, dos dedos e do joelho. Coberto com um pano marrom manchado de óleo, seu rosto estava pintado com as cores de um palhaço — vermelho e amarelo.
Era um boneco de madeira com uma aparência estranha!
2-049 levantou a cabeça e olhou para Klein com seus olhos negros puros.
Sua boca rígida se abriu lentamente para revelar um sorriso de palhaço.
Capítulo 72
Capítulo 72 – Rastreamento
O rosto do boneco de madeira foi pintado de vermelho e amarelo como um palhaço comum. Os cantos de sua boca estavam voltados para cima, revelando um sorriso cômico e anormal.
Seus lábios se abriram para revelar uma boca escura e profunda. Klein, que fixou seu olhar nela, sentiu seus cabelos se arrepiarem quando um horror intenso saltou de seu coração de uma maneira incontrolável.
Tudo diante de seus olhos ficou opaco, como se ele estivesse olhando o mundo através de um pedaço de vidro marrom grosso.
Os pensamentos de Klein diminuíram gradualmente e ele quis pedir ajuda por instinto, mas seu pescoço parecia estar preso por uma corda. Ele não conseguia emitir um único som, e a palavra ficou presa no silêncio.
Só então, Dunn percebeu que seus exercícios de braço estavam ficando lentos e o empurrou com força.
O vidro marrom diante dos olhos de Klein quebrou em um instante. Ele deixou escapar a palavra ajuda que permaneceu adormecida em sua garganta e reverberou dentro da carruagem, com pânico agudo.
— Está ficando mais forte — Klein falou em um tom muito certo.
Estar ao lado de um estranho Artefato Selado como o 2-049 os colocaria em perigo terrível se não fossem cuidadosos. Não, era totalmente impossível se proteger contra ele. Só poderia ser gerenciado através de outros métodos!
— É normal — Aiur Harson disse com firmeza, balançando a cabeça.
Lorotta riu.
— Parece gostar de você? Não se preocupe. É um Artefato Selado de Grau 2 relativamente menos perigoso.
Acompanhando sua voz naturalmente lânguida[1], a marionete cujas juntas refletiam bem as de um humano se levantou. Começou a cambalear para a esquerda.
Sua ação era incompreensível, como uma máquina a vapor que enferrujou por falta de óleo lubrificante.
“Dança do robô…” Essas poucas palavras surgiram na cabeça de Klein em chinês de repente. Ele teve um novo palpite sobre o perigo que o 2-049 representava.
“Ele assimila os seres vivos dos quais se apodera?”
“Se eu não fosse acordado a tempo pelos outros, teria me tornado uma marionete de tamanho humano, uma boneca Barbie da vida real[2]?”
Assim que esses pensamentos inundaram Klein, Aiur Harson foi acordado por Dunn. Ele estendeu e dobrou os braços enquanto apontava na direção para a qual o boneco caminhava lentamente. Ele disse a Leonard, que dirigia a carruagem:
— Por aí!
Leonard não conseguiu fazer a carruagem passar pelo prédio, então teve que desviar. Durante o desvio, o 2-049 ajustou constantemente a direção para a qual estava voltado. Agia como uma bússola que apontava para a família Antigonus.
Ao ver a cena, Klein, que sempre exercitava os braços, quase caiu na gargalhada com a tensão.
“Ouvi dizer que 2-049 foi criado pela família Antigonus… Isso é um ato de lealdade ou o exemplo perfeito de estragar tudo?”
Leonard conduzia a carruagem de acordo com as instruções ocasionais de Aiur Harson.
Sempre que o estranho boneco 2-049 caminhava até a beirada da carruagem, Aiur Harson o puxava de volta e começava tudo de novo.
Cada vez que isso acontecia, sua boca se abria e duas pessoas ficavam sob sua influência ao mesmo tempo.
Os sentimentos tensos de Klein aos poucos começaram a relaxar. Ele percebeu que o Artefato Selado 2-049 não era mais tão assustador. Contanto que houvesse mais de três pessoas presentes e eles sempre mantivessem seus movimentos de braço, se acordassem seus parceiros a tempo, 2-049 era apenas uma marionete com características um pouco únicas.
A carruagem viajou em alta velocidade e chegou rapidamente ao porto, onde os armazéns estavam agrupados.
Depois de circular algumas vezes, eles confirmaram que 2-049 pretendia entrar no armazém branco acinzentado mais interno. A expressão de Aiur Harson tornou-se solene. Ele pegou o boneco com cuidado e o enfiou de volta no baú preto.
Tum! Tum! Tum!
Sob constantes batidas ferozes, Aiur foi acordado repetidamente com a ajuda de Borgia e Lorotta enquanto ligava o mecanismo com grande esforço. Ele então injetou sua espiritualidade e ativou os símbolos estrela e carmesim no peito.
Com o reaparecimento do selo sem forma, Aiur Harson soltou um suspiro longo e pesado.
— Vamos descer — disse Dunn Smith com uma voz baixa e suave. — Leonard, amarre o cavalo aqui.
Vestidos com blusões, ternos ou camisas, os seis deixaram a carruagem e entraram no armazém mais interno. Enquanto caminhavam, esticavam e dobravam os braços de forma uniforme.
Isso acrescentou uma vibração cômica e ridícula à situação bastante tensa.
“O Esquadrão de Dança Desajeitada dos Falcões Noturnos…” Klein só podia reclamar por dentro para aliviar tal sentimento.
No entanto, não havia outra maneira de contornar isso. De acordo com suas observações, 2-049 afetava primeiro a parte superior do corpo. Portanto, para detectar sua ação a tempo de evitar que uma situação mais perigosa se desenvolvesse, eles só tinham a opção de estender e dobrar os braços, sacudir o pescoço ou o corpo. No entanto, os dois últimos apenas fariam com que parecessem bandidos.
Quanto a ações como piscar os olhos e bater as sobrancelhas, elas foram facilmente ignoradas por serem muito simples ou demorarem. Nenhuma das duas era uma boa opção.
“Este estranho esquadrão de dança é melhor do que os membros da tríade Causeway Bay[3]…” Klein suspirou resignado e seguiu o Capitão Dunn Smith e companhia.
Quanto mais se aproximavam da porta do armazém, mais profunda se tornava sua ansiedade e preocupação.
Ninguém sabia que tipo de efeito o caderno causou em Ray Bieber!
Se algo terrível acontecesse, Klein não ousaria depositar suas esperanças em transmigrar de novo.
Além disso, ele descobriu que ainda poderia se machucar e sangrar enquanto cortava os ingredientes para o jantar. A velocidade com que ele se recuperava também era normal. Ele não era algum tipo de monstro imune ao combate ou à morte.
Enquanto caminhavam, Dunn baixou a mão imóvel de repente e fez um gesto de pressão para fazer todos pararem a dez metros da porta do armazém.
— Klein, adivinhe se há algum perigo no armazém. Será melhor se você puder dizer o nível de perigo — disse Dunn enquanto virava a cabeça para Klein.
Seus olhos cinzentos pareciam profundos como sempre; não demonstravam medo.
Klein deu um aceno imperceptível e parou o exercício de mão. Ele estendeu a mão direita para o punho esquerdo e removeu a corrente de prata que tinha um pedaço de topázio pendurado.
Como ele ainda estava movendo os braços, Dunn percebeu suas ações lentas a tempo e o acordou com uma cutucada.
Klein segurou a corrente de prata com a mão esquerda e permitiu que o topázio caísse naturalmente. Ao mesmo tempo, ele moveu o braço direito, mas com uma amplitude de movimento muito menor.
Quando o topázio se estabilizou, ele semicerrou os olhos, imaginou uma luz esférica e entrou em Cogitação. Ele então murmurou:
— Há perigo no armazém.
— Há perigo no armazém.
…
Depois de sete vezes, ele abriu os olhos e viu o topázio pendurado girando lentamente em círculos no sentido horário.
Ele girou cada vez mais rápido e, no final, Klein sentiu como se estivesse puxando sua mão esquerda.
— Há perigo, grande perigo — Klein respondeu honestamente.
Sentido horário significava afirmação para a declaração cantada, enquanto sentido anti-horário significava negação.
Para outros Beyonders, até mesmo para um Espreitador de Mistérios, o uso de radiestesia espiritual só poderia determinar se havia perigo, mas era incapaz de obter informações sobre o nível de perigo.
No entanto, Klein descobriu que, quando usava a radiestesia espiritual, o pêndulo girava em velocidades diferentes, revelando o grau da resposta.
Embora não fosse muito preciso e bastante vago, permitia uma avaliação aproximada da situação real.
“Como esperado de uma poção de Vidente…” Klein ficou bastante feliz com o resultado.
Quando estava prestes a guardar o pêndulo de topázio, Leonard Mitchell, que estava em silêncio, falou de repente.
— Adivinhe se há perigo ao nosso redor também.
Dunn concordou com a cabeça:
— Sim, estou preocupado que a Ordem Secreta não tenha desistido, colocando a casa de Ray Bieber sob vigilância constante. Eles podem ter nos seguido até aqui e podem causar problemas em um momento crítico.
Klein respirou fundo e entrou em um estado etéreo e calmo mais uma vez.
Quando a corrente de prata ficou estável mais uma vez, ele recitou em seu coração:
— Há perigo nos cercando.
…
— Há perigo nos cercando.
…
Depois de repetir a afirmação, Klein abriu os olhos e olhou para a corrente de prata.
Em seus olhos castanhos escuros, o pêndulo de topázio primeiro se moveu no sentido anti-horário com dificuldade. Então, de repente, parou e começou a se mover no sentido horário.
— Há perigo nos cercando — Klein sentiu um puxão nas cordas do coração enquanto falava com cuidado.
Além disso, alguém tentou interceptar sua adivinhação, mas perdeu para ele na luta invisível!
Assim que ele falou, uma bola de fogo amarelo-alaranjada do tamanho de um punho voou em direção a eles.
Ela veio em direção ao meio do grupo em alta velocidade.
Dunn Smith, que já tinha sacado seu revólver de cano longo antes de Klein fazer sua adivinhação, ergueu a mão de imediato, apontou e puxou o gatilho.
Bang!
A bola de fogo não pareceu ser afetada pelo tiro, mas continuou sua trajetória original, como se estivesse forçando todos a se esquivar.
Klein originalmente não pensou nada sobre o encrenqueiro que estava os seguindo[4]. Afinal, havia seis Beyonders presentes. Eles não tinham falta de especialistas em Sequência 8 e Sequência 7. Era uma escalação quase imparável em uma cidade pequena como Tingen.
Mas quando a bola de fogo caiu, ele percebeu de repente.
Para eles, o inimigo mais perigoso não era o rastreador nem o encrenqueiro, nem mesmo Ray Bieber que estava no depósito em um estado desconhecido, mas sim o Artefato Selado 2-049!
Uma vez que eles se dispersassem e a batalha começasse, não seriam capazes de acordar um ao outro a tempo. Então, eles se transformariam em marionetes da vida real, um após o outro!
Enquanto esses pensamentos caóticos o bombardeavam, Klein foi puxado por Leonard para o lado para desviar da bola de fogo.
Sem tempo para sentir angústia por suas roupas, ele viu os Falcões Noturnos se dividirem em dois grupos enquanto se esquivavam. Foi feito de forma muito ordenada.
Puf!
A bola de fogo amarelo-alaranjada pousou no chão, mas não levantou nem um pouco de poeira. Desapareceu como se nada tivesse acontecido.
“Uma ilusão?” No momento em que esse pensamento lhe ocorreu, Klein viu Aiur Harson erguer o baú negro e arremessá-lo a pelo menos dez metros de distância.
— Fiquem longe do baú! Cuidem dele! — Aiur gritou.
Antes que ele terminasse seu grito, Leonard e Borgia o abordaram separadamente. Eles ficaram a pelo menos sete metros do baú para evitar que alguém se aproximasse.
Quanto a Dunn e Lorotta, cada um deles segurava armas. Eles ficaram ao lado de Aiur Harson, que tinha desembainhado uma fina espada de prata, e assumiram uma formação semelhante a uma crescente[5] enquanto avançavam em direção às origens da bola de fogo e observavam as regiões periféricas.
Ao ver essa cena, Klein, que precisava fazer os exercícios de braço sem a bengala, imediatamente soltou um suspiro de alívio. Ele percebeu que tinha esquecido um assunto importante.
2-049 tinha um alcance limitado de influência. Contanto que estivessem a uma distância suficiente dele, não precisavam se preocupar com o perigo.
Klein rolou e se levantou. Ele enfiou o pêndulo de topázio no bolso com uma das mãos enquanto procurava o revólver no coldre com a outra.
Notas:
- a voz de Lorotta
- Resposta: Não, ele seria um Ken kkkk
- Um lugar em Hong Kong
- Primeira menção, não é erro de tradução
- Lua crescente, eu acho
Capítulo 73
Capítulo 73 – Primeira Batalha
Sob a iluminação do sol da tarde, Klein em suas roupas empoeiradas rapidamente torceu o cano do revólver para remover sua segurança auto-imposta. Ele ficou em posição de tiro, permitindo que a luz refletisse no corpo de bronze da arma.
Ele segurava o revólver com uma das mãos e movia o outro braço, prestando atenção com cautela a qualquer coisa que pudesse acontecer ao seu redor.
Ao mesmo tempo, ele estava um pouco preocupado com o Capitão Dunn e o Sr. Aiur Harson. Afinal, ambos eram Beyonders do tipo Pesadelo especializados em influenciar o inimigo das sombras. Ele não sabia se eles eram adeptos do combate direto.
No momento em que Klein estava tendo essas considerações, Aiur Harson desacelerou, sua expressão tornando-se serena e pacífica.
Ele abriu a boca e recitou um poema calmo, que parecia colocar uma pessoa na noite.
— Quando o sol se põe no oeste.
— E gotas de orvalho perolam o seio da tarde.
— Quase tão pálido quanto os raios da lua.
— Ou sua estrela companheira.
— A prímula se abre de novo.
— Suas flores delicadas ao orvalho.
— E, como eremita, evita a luz.
…
O recital reverberou ao redor deles. Klein quase perdeu seus sentimentos tensos e relaxou por completo.
Ele teve sorte de ter experimentado algo semelhante antes e não ter que enfrentar Aiur Harson. Assim, ele rapidamente se recompôs e entrou em um estado de semi-Cogitação para combater a influência do poema.
Few…
Ele soltou um suspiro de alívio. Ele não tinha mais dúvidas sobre as habilidades de combate direto de Dunn e Aiur.
Como ele tinha avançado recentemente e ainda não possuía um conhecimento profundo das poções de Sequência, Klein esquecera que a Sequência 7 Pesadelo era o avanço da Sequência 8 Poeta da Meia-Noite. Eles poderiam manter quaisquer habilidades que tivessem antes e, de fato, desfrutar de um pequeno aumento nelas.
A impressão que Klein tinha de Poetas da Meia-Noite veio de Leonard Mitchell. Ele sabia que esta classe herdou as características únicas de um Sem Sono. Os Beyonders desse tipo eram bons em combate, tiro, escalada e detecção. Eles também eram hábeis em influenciar as criaturas vivas ao seu redor por meio do uso de vários poemas. Em termos mais simples, eles eram poetas violentos.
Enquanto Aiur recitava seu poema, os grandes caixotes de madeira empilhados ao redor deles pareciam subitamente ondular como água. Um homem vestindo um smoking preto e meia cartola apareceu.
Mas o rosto desse homem foi pintado em três cores pastéis: vermelho, amarelo e branco. Os cantos de seus lábios estavam arqueados como um palhaço, formando um contraste ridículo com seu traje formal adequado para participar de um banquete noturno.
Tud! Tud! Tud!
Lorotta, que foi apresentada como uma atiradora de elite, avançou rapidamente. Ela tinha uma arma em uma mão e cerrou a outra em um punho, chegando perto do palhaço de terno em poucos passos.
O palhaço de terno parecia afetado pelo poema de Aiur Harson. Seu corpo estava balançando e ele tinha uma expressão pacífica em seus olhos. Ele não tinha nenhum desejo de retaliar.
Lorotta inclinou o corpo com uma manobra de boxe enquanto puxava o punho para trás e socava o rosto do palhaço de terno.
Bang!
O ar estalou quando o palhaço de terno se estilhaçou de repente como um espelho enquanto seus pedaços evaporavam e desapareciam rapidamente no ar.
Nesse momento, o palhaço de terno apareceu mais uma vez nas sombras dos caixotes de madeira a alguns passos de distância. O contorno da figura do palhaço de terno surgiu de repente de novo.
A pessoa sob a influência do poema era apenas uma ilusão! Era uma atuação!
O palhaço de terno sorriu mais uma vez. Ele apresentava uma aparência cômica enquanto apertava sua meia cartola com uma mão e apontava uma arma de dedo com a outra.
Bang!
O som de um tiro soou da arma de dedo. Lorotta caiu para a esquerda e rolou no chão, desviando do ataque.
Mas nada aconteceu, exceto pelo tiro falso.
Bang! Bang! Bang!
Dunn e Aiur levantaram suas armas e dispararam várias vezes. O palhaço de terno esquivou-se habilmente, ora para a direita e para a esquerda, ora rolando no chão. Era como se ele fosse um acrobata em um circo.
De repente, Lorotta avançou de novo de forma surpreendente. Apesar de ser chamada de atiradora de elite, ela ainda usava os punhos.
Bam!
O palhaço de terno não conseguiu desviar do ataque a tempo e só conseguiu erguer o braço esquerdo para bloquear o punho.
Ao ver o palhaço parar, Dunn e Aiur não hesitaram em mirar e apertar o gatilho.
Neste momento, o braço que o palhaço de terno usou para bloquear o punho de Lorotta se acendeu com uma chama amareloalaranjada.
Em um instante, a chama envolveu o palhaço de terno e se espalhou em direção a Lorotta.
Bang! Bang!
Dunn e Aiur dispararam seus revólveres, atingindo a bola de fogo.
As chamas queimaram rapidamente e logo, tudo o que restou foram cinzas negras flutuando no céu. Mas o palhaço de terno apareceu mais uma vez atrás da pilha de caixotes de madeira ali perto.
Ele levantou a mão direita e apontou uma arma de dedo mais uma vez.
Bang!
Em meio ao tiro ilusório, Lorotta parou de repente. Ela não avançou. A lama espirrou na frente dela quando uma bala apareceu.
O ataque palhaço de terno não era mais uma ilusão!
Era difícil discernir o real do falso, a realidade da ilusão.
Bang! Bang! Bang!
O palhaço de terno atirou em Dunn e Aiur várias vezes enquanto se escondia e aparecia em momentos aleatórios.
Ao ver isso, Lorotta semicerrou os olhos e ergueu o revólver de ouro fosco na mão esquerda.
Bang!
O palhaço de terno de repente se agachou, evitando o tiro fatal. Sua meia cartola voou para trás, caindo no chão. A bala tinha deixado uma marca de queimadura visível no chapéu.
Depois de rolar algumas vezes no chão, o palhaço de terno escalou as pilhas de caixotes de madeira com a agilidade de um macaco.
Ele atirou balas de ar de sua arma de dedo do terreno elevado.
Aiur Hanson deu alguns passos para trás e baixou a arma. Ele começou seu recital mais uma vez.
— Desperdiça sua bela flor durante a noite.
— Quem, vendado às suas carícias afetuosas.
— Não conhece a beleza que possui.[1]
…
O palhaço de terno pulou repetidamente entre as caixas. De repente, levantou a mão para coçar as orelhas e olhou para Aiur com um sorriso cômico.
“Ele tapou as orelhas? A poção de Sequência que a Ordem Secreta possui com certeza é estranha…” Klein observou a luta de longe enquanto fazia suposições silenciosas.
Assim que esses pensamentos passaram por Klein, ele de repente viu uma figura aparecer no topo de um armazém ao lado dele. Além disso, ela corria direto para o local onde Ray Bieber estava escondido.
Essa figura estava vestida com um uniforme branco acinzentado, que os trabalhadores das docas usavam. Seu rosto também parecia pintado de vermelho, amarelo e branco.
“O palhaço de terno é responsável por distrair o Capitão e o resto enquanto a outra pessoa recupera o diário?” Klein levantou a mão direita por instinto e atirou na figura no telhado.
Ele tinha acabado de mirar quando a figura de repente se agachou, passando de correr para rolar no chão.
Bang!
Klein não parou de puxar o gatilho. Ele viu a figura parar de repente, com sangue brotando em um jorro.
A figura olhou para ele em estado de choque. Enquanto suportava a dor, continuou entrando no armazém.
“Parece um tiro de sorte…” Klein contraiu os lábios e puxou o gatilho mais uma vez. Desta vez, a bala atingiu o telhado de madeira ao lado da figura.
Bang! Bang! Bang!
Leonard e Borgia também atiraram, mas não acertaram a figura.[2]
Klein queria criticar as habilidades de tiro terríveis se comparadas às dele quando parou de puxar o gatilho de repente.
“Isso mesmo! Por que devemos detê-lo?”
“Não adivinhei que há um grave perigo no armazém agora mesmo? Não seria ótimo se deixássemos aquele cara ser a vanguarda e pisar na mina por nós?”
“Leonard e o Sr. Borgia devem ter tido a mesma ideia…”
Com esse pensamento, Klein ergueu o cano de seu revólver e atirou para o céu.
Bang! Bang! Bang!
Enquanto os tiros soavam, a figura conseguiu alcançar a região mais interna do armazém desobstruída.
O homem se lançou para baixo, batendo no teto enquanto caía com o telhado desabando.
Logo após a comoção, os olhos de Lorotta de repente ficaram pretos. Sua mão esquerda começou a fazer uma estranha ação de puxar.
As ações de salto do palhaço de terno pararam de repente enquanto seu tornozelo parecia ser agarrado com força por uma mão invisível.
Dunn não atirou de imediato e, em vez disso, apontou o revólver para baixo.
Ele abriu a boca e apenas usando sua espiritualidade para ressoar com o ar ao seu redor, produziu uma voz estranha, fraca e etérea sem o uso de sua garganta.
— Assim floresce quando a noite chega.
— Quando o dia aparecer com olhos abertos.
— Espancado pelo olhar que não pode evitar.
— Desmaia, murcha e desaparece.
…
O palhaço de terno de repente ficou flácido, como se tivesse perdido a vontade de viver.
Aiur Harson levantou sua arma e mirou, com seu dedo puxando o gatilho de imediato.
Nessa fração de segundo, um lamento anormal e trágico veio do armazém.
— Ah!
O grito continha um medo imenso, como se seu perpetrador tivesse encontrado um assunto inimaginável e aterrorizante.
Os pelos do corpo de Klein se arrepiaram. Os gritos trágicos pararam de repente enquanto o silêncio era restaurado nas partes mais profundas do armazém. Era um silêncio de arrepiar o corpo.
Bang!
Atormentado pelo grito, Aiur só conseguiu acertar um tiro na barriga do palhaço de terno.
Haaa… Haaa… Haaa!
O silêncio foi mais uma vez quebrado das profundezas do armazém. O que deveria ter sido uma respiração suave soou. Chegou a um crescendo que apertou os nervos de todos.
Tum! Tum! Tum! Tum! Tum! Tum!
Dentro do baú preto, 2-049 atingiu um estado frenético.
Notas:
- O poema tá ruim pq tá traduzido
- Parecem Stormtroopers
Capítulo 74
Capítulo 74 – Ray Bieber
Haa! Haa! Haa!
Tum! Tum! Tum!
A respiração ofegante e as batidas intensas se alternaram primeiro antes de ressoarem juntas. Isso deixou Klein e companhia muito nervosos, como se estivessem ouvindo algum murmúrio maligno.
Aproveitando o momento em que Aiur, Dunn e Lorotta tiveram suas atenções redirecionadas, o palhaço de terno de repente puxou um longo pedaço de papel do bolso.
Pá!
Ele o jogou com a mão direita enquanto o pedaço de papel se incendiava em um chicote de fogo preto. Então, o chicoteou na lateral do próprio tornozelo.
Um grito fugaz, mas trágico, soou quando o palhaço de terno escapou das algemas invisíveis e deu uma cambalhota para trás.
Bang! Bang! Bang!
Dunn, Aiur e Lorotta atiraram, mas suas balas acabaram acertando os caixotes de madeira.
O palhaço de terno não ficou mais tempo enquanto pressionava o ferimento com a mão direita e escapava na direção oposta ao armazém.
Ele era tão rápido que, em um piscar de olhos, tudo o que restava era uma sugestão de suas costas.
E antes que ele desaparecesse, sua mão direita que pressionava seu abdômen moveu-se em direção ao seu braço esquerdo. A ferida em seu estômago já tinha desaparecido, parecendo totalmente curada.
O local em seu braço esquerdo que ele tocou com a mão direita de repente ficou muito mutilado e uma bala de prata apareceu na carne dilacerada.
Dunn e o resto não o perseguiram porque a respiração ofegante do armazém mais interno era tão alta que os deixava nervosos e inseguros.
Bang!
A porta do armazém mais interno explodiu de repente e voou em todas as direções.
Então, algo embrulhado em um pano rasgado voou e pousou não muito longe de Klein.
Quando Klein lançou seu olhar, percebeu que era um braço. Sua carne ensanguentada tinha sido mastigada e seus ossos brancos estavam rachados de forma irregular enquanto se projetavam para fora.
Pá! Pá! Pá!
Um item após o outro voou para fora. Primeiro foi um jato de sangue, seguido por um olho dilatado e uma orelha que foram brutalmente arrancados. Por fim, saíram um coração meio batendo e intestinos cheios de objetos marrom-amarelados.
Se Klein não tivesse visto o cadáver gigante em um estado mais horrível na casa de Ray Bieber, provavelmente teria vomitado ali mesmo.
Seus nervos estavam à beira de um colapso. Depois de muito esforço para conter sua vontade de atirar na entrada escura como breu, ele ejetou os cartuchos vazios de seu revólver e recarregou com novas balas de antidemônios.
Bang!
Dunn se aproximou enquanto disparava de forma estável para o armazém.
No entanto, sua bala foi como um tiro no mar. Não houve resposta audível.
Haa! Haa! Haa!
A respiração ofegante se acelerou quando cores brancoacinzentadas preencheram a porta aberta.
Com mais dois tiros fortes, as balas de Aiur Harson e Borgia rasgaram a brancura, mas não conseguiram evitar que a cor se espalhasse. Não deixou nenhuma ferida ou fez com que o líquido vazasse.
Klein prendeu a respiração e se conteve para não atirar às cegas. Ele observou enquanto a brancura lentamente revelava um contorno completo.
Era uma criatura humanóide com mais de dois metros de altura. As articulações de seus membros estavam todas torcidas de forma não natural. Era como se tivessem sido agarrados por alguém com força.
Ossos brancos se projetavam sob sua pele enquanto toda a superfície branco-acinzentada estava cheia de fissuras, como um cérebro humano que foi arrancado de sua casca.
O monstro tinha um líquido branco-acinzentado, podre e pegajoso fluindo sobre ele. Sua cabeça parecia relativamente normal, com rugas profundas e pele pálida.
Ao abrir e fechar a boca, Klein pôde ver um dente falso de porcelana que parecia prestes a cair, alguns fios de saliva ensanguentada e ossos e carne picados.
“É… Ray Bieber ainda é humano?” Klein deu um suspiro silencioso quando sentiu seu coração bater mais rápido.
Bang!
A bala antidemônios de Leonard atingiu a testa de Ray Bieber e a atravessou, deixando para trás um buraco profundo.
Um líquido branco-acinzentado fluiu e pingou no chão. O líquido se contorceu e se transformou em vermes gordos de cor creme.
Mas o monstro pareceu não ser afetado. Não foi rápido nem lento quando atacou Borgia, que estava mais próximo dele. Seu alvo real parecia ser o baú preto que continha o Artefato Selado 2-049.
— Perda de controle dos poderes Beyonder… — Dunn gritou com uma voz profunda. — Lorotta, parece uma alma morta, então procure logo por sua fraqueza!
— Certo — Lorotta não falou mais enquanto levantava as mãos para pressionar os olhos.
Suas pupilas ficaram cinza e depois incolores, como se ela tivesse entrado no mundo dos espíritos e em um reino de almas mortas. Ela olhou para o inimigo de um ponto de vista superior enquanto procurava por um nó[1].
Klein viu que tiros normais eram ineficazes, então não se preocupou em desperdiçar mais balas. Ele levantou a mão para bater em sua glabela para ativar sua Visão Espiritual. Ele planejava ajudar a Coveira Lorotta.
De sua visão, o Monstro Bieber só tinha um tipo de brilho espiritual sobrando. Era puramente branco-acinzentado, uma brancura cheia de loucura.
Além disso, Klein não viu mais nada.
Nesse momento, Aiur Harson e Leonard Mitchell cantaram ao mesmo tempo.
— Oh, a ameaça de horror, a esperança de gritos vermelhos!
— Uma coisa pelo menos é certa: que esta vida voa.
— Uma coisa é certa e o resto são mentiras.
— A flor que uma vez floresceu morre eternamente…
…
O poder que fazia alguém entrar em um sono tranquilo se espalhou. O monstro retorcido branco-acinzentado aos poucos desacelerou como se não pudesse lutar contra o encanto do poema.
Então, abriu a boca e soltou um grito estridente que deixaria as pessoas comuns surdas.
— Ah!!!
…
Bang!
Klein sentiu uma dor aguda na cabeça ao sair automaticamente de seu estado de Visão Espiritual.
Ele sentiu um líquido quente escorrendo de seu nariz e, quando o limpou por instinto com a mão, descobriu que suas costas da mão estavam cobertas de sangue.
Aiur e Leonard caíram no chão ao mesmo tempo. Eles tinham manchas de sangue nos cantos dos lábios, narizes e olhos.
Borgia, Dunn e Lorotta deram um ou dois passos para trás, a cor de seus rostos se esvaindo.
Aquele monstro gritou apenas uma vez, mas parecia exceder o que os seis Beyonders podiam suportar. Eles ficaram muito fracos no mesmo instante.
Bam!
Ele se aproximou de Borgia e de repente balançou sua junta torcida. Bang! Bang! Bang! Bang!
Borgia e Dunn atiraram duas vezes cada, mas não causaram nenhum dano ao Monstro Bieber.
Bang!
Um golpe fez Borgia voar enquanto seu revólver de cano longo caía no chão.
Ele tentou se levantar algumas vezes, mas não conseguiu.
O canto da boca do Monstro Bieber escorria um líquido pegajoso que descia em direção ao baú negro.
Bang!
Nesse momento crucial, Aiur Harson atirou na caixa para jogá-la a uma certa distância, impedindo que Monstro Bieber a agarrasse. Seu impulso a empurrou por mais dez metros.
O baú negro rachou e, à medida que as batidas internas se tornavam mais intensas, ficavam mais óbvias.
— Encontrei! — Lorotta enfim falou. — Preciso que vocês parem isso por pelo menos três segundos.
— Tudo bem — Dunn não demorou mais. Ele estendeu a mão para bater na glabela e fechou os olhos.
Ele pareceu adormecer enquanto ondas disformes apareciam lentamente uma após a outra.
Nesse instante, Monstro Bieber parou e a loucura em seus olhos rapidamente diminuiu. Suas finas pálpebras transparentes também começaram a fechar sem controle.
O corpo de Dunn começou a tremer e algo apareceu sob sua roupa e se contorceu no local. Era como se ele escondesse cobras escorregadias e sem escamas em seu interior.
Lorotta correu e com um rolamento, chegou embaixo do Monstro Bieber.
Ela se apoiou com uma mão enquanto levantava o punho cerrado, socando a virilha do Monstro Bieber com a potência de um canhão.
Puf!
Lorotta ignorou a dor corrosiva e se apoiou no chão, direcionando mais força de novo. Ela subiu um pouco mais à medida que seu punho perfurava mais fundo.
Rip!
Lorotta puxou o antebraço enquanto arrastava um intestino cheio de manchas de sangue amarelo-acastanhado.
No intestino, havia um caderno antigo.
— Ah!
Monstro Bieber soltou um grito de gelar o sangue, e seu corpo de repente se iluminou como se estivesse derretendo.
— Abaixem-se!
Assim que o grito apressado de Aiur Harson foi ouvido, Klein viu Monstro Bieber crescer do nada.
Boom!
Em meio a uma forte explosão, o distante Klein foi lançado no ar pela onda de choque e caiu com força.
Ele lutou para resistir a uma dor de cabeça terrível e viu Monstro Bieber se transformar em uma pilha de carne podre e nojenta. Então ele viu Dunn e Lorotta, que estavam a uma dúzia de metros de distância, aparentemente nocauteados.
Aiur Harson, Borgia e Leonard Mitchell também estavam no chão. Alguns gemendo de dor, alguns lutando para se levantar, mas falhando.
Klein estava prestes a relaxar quando de repente viu um objeto familiar a cerca de dois ou três metros dele.
O baú preto tinha parado de rolar e sua superfície rachada estava voltada para o céu.
Um braço marrom magro se estendeu.
“Artefato Selado… 2-049… Merda!” O coração de Klein ficou tenso enquanto ele imediatamente saltava na direção oposta em uma tentativa de escapar do alcance efetivo de 2-049.
A explosão de antes jogou o baú preto perto dele!
E nesse momento, a cabeça de Klein de repente zumbiu enquanto seus pensamentos se tornavam lentos.
Notas:
[1] Deve ser um tipo de fraqueza
Capítulo 75
Capítulo 75 – Salvando a Si Mesmo
“Merda! Estou sendo controlado pela marionete!”
“O Capitão e os outros estão inconscientes… ou ainda não se recuperaram. Eles não podem nem se levantar… Não vão conseguir… me acordar a tempo…”
“Não… eu tenho que… me salvar!”
Tudo diante dos olhos de Klein acontecia em câmera lenta. Todas as suas juntas e seu cérebro pareciam ter sido cobertos por uma camada cada vez mais espessa de cola.
Ele não tinha interesse em se tornar uma marionete humana, então aproveitou a oportunidade de não ser totalmente controlado tentando ao máximo encontrar uma maneira de se salvar.
“Eu com certeza não posso… me bater… Deve haver uma… força externa…”
“Força externa… Vou tentar… Não há tempo a perder…” Sem o luxo de ter tempo para pensar nas coisas, Klein teve uma ideia em menos de três segundos. Ele moveu a articulação enferrujada do joelho e deu um passo no sentido anti-horário.
Ao mesmo tempo, ele não tentou escapar da corda invisível que pendurava sua garganta. Tudo o que fez foi recitar por dentro.
“Bênçãos Provenientes… Do… Senhor Imortal do… Céu e da Terra…”
Ele queria usar o mundo misterioso acima da névoa cinza para despertá-lo e escapar da assimilação do Artefato Selado 2-049!
Creak! Creak! Creak!
Os joelhos e tornozelos de Klein emitiram um som envolvente e penetrante. Com os pés lentos e contorcidos, ele deu outro passo no sentido anti-horário.
“Bênçãos Provenientes… Do Senhor Celestial… do Céu e da Terra.”
Os pensamentos de Klein tornavam-se cada vez mais lentos à medida que ele se sentia como se fosse um computador com todos os tipos de bloatware[1] e softwares de antivírus instalados. Ele ergueu o pé esquerdo com espasmos enquanto dava outro passo no local desejado.
“Bênçãos Provenientes… Da… Exaltado Senhor Supremo…”
Os processos de pensamento de Klein tornavam-se cada vez mais rígidos e lentos. Ele deu o passo final por puro instinto.
Nesse ponto, ele sabia que estava sob controle quase total da marionete. Mesmo que Aiur Harson pudesse se levantar a tempo de salvá-lo, ele provavelmente não poderia ser acordado.
Mas seu forte desejo de viver o fez entoar a última linha do encantamento.
“Bênçãos… Provenientes… Do… Celestial… Digno…”
Assim que ele terminou seu encantamento, ouviu gritos e murmúrios muito caóticos e histéricos. Eles rapidamente tomaram conta de todos os cantos dos pensamentos preguiçosos de Klein, estilhaçando-os no processo e reduzindo-os a ideias aleatórias.
O cérebro de Klein tornou-se uma panela fervente de pot-pourri[2] enquanto seu corpo rígido se tornava leve e sua espiritualidade se elevava.
A névoa branco-acinzentada sem fim e as estrelas vermelhas escuras a diferentes distâncias apareceram mais uma vez diante de seus olhos. O local era vasto, misterioso, vago e embaçado.
A mente confusa de Klein logo se acalmou quando ele enfim recuperou sua capacidade de pensar, apenas para ver o magnífico palácio.
— Ufa… Ainda bem que funcionou — Klein sussurrou com um medo persistente.
De acordo com suas observações anteriores, ele sabia que uma vez que alguém caísse sob o controle do Artefato Selado 2-049, isso seria equivalente à morte. No geral, não havia remédio que pudesse salvar a vítima.
Por sorte, seu ritual de aumento de sorte e o mundo misterioso acima da névoa cinza eram extraordinários!
Depois de andar algumas vezes, Klein começou a considerar a situação em que se encontrava.
“Eu não posso ficar aqui o tempo todo, certo?”
“Quando o Capitão e companhia acordarem e se reunirem, não poderei explicar a situação…”
“Como as coisas estão agora, só tenho a casca do meu corpo, muito semelhante a um zumbi…”
“Mas se eu arriscar e voltar, não terei como garantir minha segurança… E se eu for controlado pelo 2-049 de novo?”
…
Enquanto sofria com seu dilema, Klein de repente deu um tapa na própria testa e não pôde deixar de rir baixinho.
— Parece que não me acostumei com meu status de Vidente!
Antes de terminar sua frase, ele apareceu no Assento de Honra em frente à longa mesa de bronze, sentado na cadeira de espaldar alto com o estranho símbolo.
Klein estendeu a mão quando uma caneta-tinteiro apareceu do nada.
Ele rabiscou uma frase em um pedaço de papel ilusório.
— Voltar ao mundo real é muito seguro.
Logo depois, Klein puxou uma projeção de um pêndulo espiritual de seu pacote. Depois de algumas Reuniões, ele descobriu que os itens que ele trouxe podiam ser projetados acima da névoa cinza, mas eram meio ilusórios.
Klein segurou a corrente de prata com a mão esquerda enquanto permitia que o topázio quase tocasse o papel.
Ele acalmou a respiração e semicerrou os olhos. Com calma, repetiu as palavras no pedaço de papel.
— Voltar ao mundo real é muito seguro.
…
— Voltar ao mundo real é muito seguro.
…
Depois de repetir a frase sete vezes, Klein completou a adivinhação com a radiestesia espiritual.
Ele abriu os olhos e viu o topázio oscilando lentamente, guiando a corrente de prata em um giro no sentido horário.
“Sentido horário é uma afirmação, enquanto anti-horário é negativo… Retornar ao mundo real é muito seguro…” Klein soltou um suspiro de alívio ao guardar a corrente habitualmente. Então, ele liberou sua espiritualidade e envolveu seu corpo enquanto simulava um estado de queda.
A neblina e as estrelas vermelhas profundas tornaram-se etéreas e ascenderam. Klein logo se viu ainda atordoado em sua posição original. Ele viu o boneco marrom, meio fora do baú. Ele também notou que o Artefato Selado parecia ter perdido todo o movimento.
Seus sentidos físicos alcançaram seu cérebro e quando ele estava prestes a tentar mover o braço para determinar sua condição, de repente ouviu uma voz escondida no vento.
— Você deseja ser despertado? Você pode ser salvo desde que me prometa uma coisa.
— Essa coisa é me ajudar a pegar aquele caderno da família Antigonus.
— Acene se você concorda. Eu sei que você ainda é capaz de completar essa ação.
“Quem é esse? Sim… 2-049 não parece estar tentando me controlar… Isso mesmo. Não influenciará repetidamente a mesma pessoa. Haverá uma pausa…” Klein ficou chocado, mas não demonstrou isso em seu rosto.
Nesse momento, a voz acrescentou com pressa:
— Você pode obter recompensas adicionais se concluir este assunto. Eu sei que você é um Vidente. Eu também sei que a Igreja da Deusa da Noite Eterna não tem a Sequência 8 que sucede a Sequência 9. Mas nossa Ordem Secreta pode dar a você.
— Heh, para ser honesto, eu era um Vidente antes. Se não, não teria ousado voltar. Para mostrar minha sinceridade, agora posso dizer que a Sequência 8 do caminho do Vidente é o Palhaço.
“Palhaço? Ordem Secreta…” Klein quase não manteve seu estado de marionete.
Ele nunca fez a conexão entre Vidente e Palhaço.
“Eles eram membros de um circo?”
— Tudo bem, faça sua escolha. Acredite em mim, você não tem muito mais tempo a perder — A voz soou com o vento de novo. Os distantes Dunn e Lorotta ainda estavam inconscientes. Borgia parecia gravemente ferido enquanto gemia sem se mexer. Aiur Harson e Leonard Mitchell estavam relativamente em boa forma enquanto tentavam se sentar.
“Por que eu? A Ordem Secreta… É aquele palhaço de terno de antes? Depois que escapou, ele voltou em segredo em uma tentativa de pescar em águas turbulentas…” Ao ouvir a voz, todos os tipos de dúvidas passaram pela mente de Klein por um instante.
Como a pessoa disse que já foi um Vidente, Klein tentou usar os processos de pensamento de um Vidente para analisar a situação.
“Ele ousou voltar porque adivinhou a esperança. Ele acreditava que
Monstro Bieber seria destruído e que sofreríamos um grande revés.”
“Ele não pegou o caderno sozinho nem cuidou de nós direto porque provavelmente adivinhou que isso representaria um risco imenso. Portanto, ele está suspeita que o Capitão e Madame Lorotta estão fingindo estar inconscientes, ou que esta é uma armadilha armada para ele.”
“Ele não fez mais adivinhações para determinar meu estado atual, em parte porque, em primeiro lugar, pode não ter tempo. Se esperasse mais, o Sr. Aiur Harson e companhia teriam recuperado parte de sua força de combate. Em segundo lugar, ele me menospreza e me acha desnecessário.”
“Ele entende muito bem um Vidente e está confiante de que sou incapaz de escapar do controle da marionete… Ele está me usando como bucha de canhão para sondar qualquer armadilha…”
“De outro ângulo, isso também significa que o ritual de aumento de sorte não causa aparições anormais…”
Com seu cérebro não mais lento, Klein sentiu que sua linha de raciocínio estava clara. Ele tinha bastante confiança nos pensamentos e objetivos do palhaço de terno.
Quanto à promessa do palhaço, ele não acreditou em nada. Bucha de canhão não tinha direitos humanos!
Enquanto os pensamentos passavam por sua cabeça, Klein controlou seu pescoço e assentiu com dificuldade.
Ao fazer essa ação, ele confirmou que tinha escapado do controle do Artefato Selado 2-049.
Logo depois que ele acenou com a cabeça, uma cortina transparente se moveu de dois a três metros ao seu lado. Revelou o palhaço de terno que tinha o rosto pintado com cores pastéis de palhaço. Não era outro senão o membro da Ordem Secreta que tinha fugido antes.
Nesse momento, como Klein já tinha se virado na tentativa de pular para fora do alcance efetivo de 2-049, suas costas estavam voltadas para o baú preto e o boneco. O palhaço de terno estava à sua frente. Primeiro, era para ficar longe do Artefato Selado e segundo, para evitar o cano de seu revólver. Ficou claro que ele era muito cuidadoso.
O palhaço de terno tirou um longo pedaço de papel do bolso e o sacudiu bastante até que ficasse reto como um bastão de madeira.
Ele segurou o bastão de madeira e, a uma distância de dois a três metros, deu uma cutucada no ombro de Klein na tentativa de acordá-lo.
“Este sujeito conhece 2-049 muito bem. Ele sabe que se o cheiro de um descendente da família Antigonus estiver presente, a marionete entrará em modo berserk e controlará dois de cada vez… Ele também sabe que jogar uma pedra não parece eficaz. No mínimo, vi o Capitão e companhia tentarem meios semelhantes…” Embora Klein não soubesse porque 2-049 não o assimilou de novo, não ousou ficar a menos de cinco metros dele por mais tempo. Portanto, ele esperou enquanto prendia a respiração.
No momento em que o bastão de madeira estava prestes a tocar seu ombro, Klein de repente ergueu a mão esquerda, agarrou a ponta da estaca e puxou-a para trás.
O palhaço de terno foi pego de surpresa quando seu corpo foi puxado para frente. Ele cambaleou alguns passos à frente enquanto a distância entre ele e Klein diminuía mais uma vez. Ele estava agora a menos de dois metros de distância.
Ao mesmo tempo, o preparado Klein apertou o dedo direito no gatilho do revólver.
Bang! Bang!
Ele atirou duas vezes, mas não mirou no palhaço de terno. Em vez disso, ele mirou atrás dele, atirando para o lado do Artefato Selado 2-049!
Antes do tiro soar, o palhaço de terno tomou a iniciativa de rolar de seu estado cambaleante. Ele recuou por instinto.
Klein soltou a mão que tinha agarrado o bastão de madeira enquanto dava vários passos para longe com rapidez e saía correndo da zona de perigo.
Assim que o palhaço de terno rolou duas vezes e estava prestes a pular para trás, sua cabeça ficou atordoada enquanto seus pensamentos rapidamente se tornavam lentos.
“Nada bom!”
“Ele me obrigou a… desviar na direção da marionete Antigonus!”
“Estou a… cinco metros…”
“Como ele pode… não estar… controlado pela… marionete…
Antigonus…”
…
O palhaço de terno parou de rolar enquanto tentava rastejar para fora com suas juntas aparentemente enferrujadas.
Nesse momento, Klein já tinha se virado. Ele segurou o revólver com as duas mãos enquanto apontava para o alvo que se movia lentamente.
Para ele, isso equivalia a atirar em um alvo fixo.
Tendo visto a batalha do palhaço de terno com Dunn, Aiur e Lorotta,
Klein sabia que ele era ágil e bom em rolar. Portanto, mesmo quando estavam a apenas um ou dois metros de distância, agiu com cautela e desistiu de atirar direto. Em vez disso, ele forçou o palhaço a desviar para a zona de morte — os arredores do Artefato Selado 2-049!
Se a marionete não agisse, o palhaço de terno teria determinado que ele tinha caído em uma armadilha. Ele então escaparia pulando para trás e não representaria nenhuma ameaça significativa.
Bang!
Refletido nos olhos incrédulos do palhaço de terno, o Klein de terno preto puxou o gatilho com calma.
[3]
Notas:
- Bloatware é todo software utilitário pré-instalado em dispostivosque pode reduzir o tempo de vida de uma bateria ou até mesmo o espaço útil, em memória flash ou disco, que poderia ser usado por uma outra aplicação de maior interesse do usuário.
- mistura de diversos elementos diferentes
- Vem muitas lutas por aí, bem melhores, inclusive.
Capítulo 76
Capítulo 76 – Lidando Com As Consequências
Bang!
A bala de prata percorreu alguns metros antes de atingir com precisão o pescoço do palhaço de terno. Grandes quantidades de sangue foram expelidas, tingindo a pele e gravata borboleta dele de vermelho.
O palhaço de terno não conseguiu soltar um grito, pois sua garganta parecia produzir sons de gorgolejo. Ele quis levantar o braço para desviar o ferimento fatal, mas suas juntas pareciam estar cheias de cola. Seus movimentos eram lentos e espasmódicos.
Bang!
Tendo entrado em um estado de semi-Cogitação, Klein não ficou atordoado com o aparecimento de sangue. Ele puxou o gatilho mais uma vez com calma, como se fosse sua prática diária habitual.
Um buraco horrível apareceu na testa do palhaço de terno, jorrando vermelho carmesim. O brilho em seus olhos diminuiu enquanto Klein pensava que o intrincado poder do revólver era muito maior do que imaginava.
O palhaço de terno caiu gradualmente no chão quando seus joelhos dobraram e seus braços amoleceram. Seus olhos estavam congelados com um olhar atordoado.
Seu corpo convulsionou algumas vezes antes de relaxar lentamente e parar de se mover.
Depois de dar um tiro na cabeça, Klein se virou de maneira fria. Ele girou o revólver e permitiu que as cápsulas vazias caíssem.
Então, vestido com seu terno formal preto e meia cartola, caminhou em direção a Aiur Harson. Ele tirou a última bala prateada antidemônio em seu bolso e a inseriu na câmara do revólver.
A razão pela qual ele não voltou a olhar para o destino trágico do palhaço de terno foi apenas por causa de seu desconforto com sua primeira morte. No entanto, era necessário. Ele não sabia o que aconteceria se o palhaço de terno estivesse sob o controle total do boneco.
Além disso, ele não ousou arriscar entrar no alcance efetivo do Artefato Selado 2-049. Afinal, ninguém sabia se algo estranho aconteceria, impedindo-o de realizar seu ritual de aumento de sorte.
Quanto aos itens do palhaço de terno, Klein só se importava se havia a chamada fórmula da poção de Palhaço ou as pistas relevantes. No entanto, isso não era algo que ele estava com pressa de realizar. Em pouco tempo, poderia fazer isso junto com Dunn, Aiur e companhia. Se os Falcões Noturnos a tivessem, também significava praticamente que ele a tinha. Eles com certeza compartilhariam a fórmula da poção de Sequência 8. No máximo, ele seria obrigado a acumular suas contribuições ao longo do tempo. Afinal, ele tinha se tornado um Vidente há pouco tempo; ainda levaria muito tempo até que digerisse a poção por completo.
Enquanto seus pensamentos se agitavam, Klein caminhou com pressa para o lado de Aiur Harson. O cavalheiro em seu blusão cinza lutou para se sentar, mas falhou em todas as tentativas. Ele estava coberto de poeira e lama da queda.
— Sr. Harson, o que você precisa que eu faça? — Klein perguntou, agachando-se. Ele apontou o revólver em sua mão para o chão, em caso de um tiro acidental.
Aiur respirou fundo e suspirou.
— O monstro era muito forte; se não fosse por sua fraqueza…
Então, ele apontou para uma garrafa de metal azul-celeste ao lado dele e disse com uma risada autodepreciativa:
— Eu estava tentando tomar um remédio, mas minha mão tremeu…
A garrafa azul-celeste tinha mais ou menos o tamanho do dedo de Klein. Não tinha mais de cinco centímetros de comprimento e uma tampa que escondia padrões em espiral tinha caído para o lado.
Todo o líquido foi derramado.
Klein estendeu a mão para pegar a garrafa. Enquanto olhava para ela com os olhos semicerrados, respondeu impotente:
— Sr. Harson, restam apenas algumas gotas no frasco.
— Vá para… Borgia e reviste o corpo dele. Nos bolsos internos — Aiur disse enquanto ofegava.
— Tudo bem — Klein se levantou e perguntou casualmente:
— Isso é um remédio restaurador?
“Um item do misticismo?”
— Não, só tem certos efeitos restauradores. O objetivo principal dele é estimular nossas mentes e espremer o potencial… de nossos corpos. Permite manter um estado decente por um curto período de tempo até retornarmos a um local onde possamos receber tratamento — Aiur tentou sentar-se apenas para falhar de novo. — Seu nome é Olhar da Deusa… Lembre-se de deixar Borgia beber meia garrafa.
Klein não demorou mais ao se virar. Ele rapidamente chegou a Borgia, que gemia de dor, e encontrou a garrafa de metal azulceleste no bolso do Falcão Noturno.
Após retirar a tampa, segurou com cuidado a garrafa na boca de Borgia.
Tendo percebido isso, Borgia se esforçou para abrir os lábios.
A garrafa foi levantada quando um líquido vermelho escuro escorreu da boca de Borgia.
Klein estimou a quantidade e parou bem a tempo. Ele então enroscou a tampa de volta.
O remédio foi bastante eficaz. Levou apenas alguns segundos para Borgia recuperar o espírito em seus olhos. Depois disso, ele sussurrou:
— Obrigado.
Com isso dito, ele pressionou o chão enquanto se sentava lentamente. Ele primeiro lidou com seus ferimentos antes de caminhar até os inconscientes Lorotta e Dunn. Então, ele recuperou o Olhar da Deusa do bolso interno do último.
Klein voltou para o lado de Aiur e deu-lhe a meia garrafa restante.
Depois que Aiur ofegou algumas vezes, suas ações de repente se tornaram mais ágeis. Ele se levantou como se nunca tivesse se machucado.
— Eu vou ajudar Borgia. Ajude o seu parceiro — O cavalheiro com o charme de um homem de meia-idade apontou para Leonard
Mitchell.
Klein não fez objeções a isso. Ele se virou e correu até o poeta, Leonard.
— Não há necessidade. Posso beber sozinho — Leonard, com os cabelos desgrenhados, sorriu ao erguer a garrafa azul-celeste.
Ao ver Leonard levantar-se agilmente empurrando-o com uma das mãos, Klein, que queria satirizar, ficou atordoado de repente.
“As lesões de Leonard são mais leves do que eu esperava…”
“Ele tinha a capacidade de consumir o remédio desde o início!”
“Isso também significa que ele pôde me ver andando no sentido anti-horário enquanto eu fazia o ritual de aumento de sorte!”
“Não, ainda está tudo bem. Eu cantei por dentro e o ritual de aumento de sorte não parece nenhum pouco estranho, ou o palhaço de terno não teria caído…”
“Mas, mesmo assim, Leonard, que há muito se recuperou e optou por assistir de fora, viu bastante. Coisas como eu não ser afetado por 2-049 e meu ataque furtivo no palhaço de terno…”
Assim que os olhos de Klein se estreitaram um pouco, Leonard, que estava caminhando em sua direção, parou ao lado dele e riu baixinho.
— Na verdade, eu quis salvá-lo, mas descobri que você não precisava.
— Não se importe. Há muitas pessoas especiais neste mundo que sempre podem fazer coisas que os outros não podem, como você… — …e eu — Leonard sorriu ao passar por Klein e caminhar até o despertar de Dunn e Lorotta.
“Narcisista…” Klein pensou em silêncio enquanto se sentia muito mais relaxado.
“Pelo que parece, Leonard Mitchell esconde muitos segredos…” Enquanto se reagrupava com o resto e pensava, Klein viu o Capitão Dunn colocar um pano e pegar o caderno da família Antigonus que estava coberto de manchas de sangue marrom-amareladas.
A capa do caderno era toda feita de papel grosso preto. Ele passava uma aura de um tempo antigo e distante sem quaisquer sinais de amolecimento ou apodrecimento. Era quase idêntico ao que Klein viu em seu sonho. Ele até suspeitava que abri-lo só o faria ver o Louco usando um esplêndido adorno de cabeça.
No entanto, ele logo percebeu que estava pensando demais nas coisas desde que Dunn abriu o caderno para fazer uma confirmação final.
Klein não conseguiu discernir as palavras devido ao seu ângulo ruim, mas tinha certeza de que não havia nenhum desenho do Louco com suas roupas lindas e seu adorno de cabeça.
— Aham. Não há nada de errado com isso — Dunn fechou o caderno e segurou-o com firmeza. Então, ele olhou para Aiur e companhia. — Vamos guardar este caderno e o Artefato Selado 2049 atrás do Portão Chanis de Tingen. Podemos esperar até que todos vocês estejam recuperados ou que Backlund envie alguém.
Ao ouvir isso, Klein se sentiu um pouco desapontado mais uma vez, mas também feliz. Ele desejava ver o caderno da família Antigonus mais uma vez e descobrir o motivo da morte dos Klein, Welch e Naya originais. No entanto, ele também sentiu que o item antigo era cercado por infortúnio. Trazia catástrofes com frequência, então ele não ousava tocá-lo.
“Entregá-lo à sede da Igreja e lacrá-lo é considerado a melhor escolha…” Klein soltou um suspiro de alívio em segredo.
— Tudo bem — Aiur Harson, Borgia e Lorotta assentiram em uníssono. Eles então se viraram e chegaram ao lado do Artefato Selado 2-049.
Eles acordaram um ao outro e prenderam a marionete que tinha voltado a se mover no baú preto com uma abertura enquanto a monitoravam rigorosamente.
— Tudo está de volta ao normal — Aiur parecia um pouco mais relaxado.
Dentro do baú preto mal iluminado, a marionete envolta em pano manchado de óleo virou com o corpo rangendo enquanto alinhava o rosto pintado de palhaço com a fonte de luz.
No rosto assustador, sob os olhos negros sem pupila, duas rachaduras carmesim quase imperceptíveis apareceram.
Enquanto isso, Dunn, Leonard e Klein, que reuniram coragem, começaram a revistar o cadáver do palhaço de terno. Eles encontraram flores de papel, lenços, cartas de pôquer, pedaços de vidro e todo tipo de itens estranhos.
No entanto, além disso, ele não parecia carregar nada de valor ou pistas em potencial.
“Hmm, além da carteira com setenta a oitenta libras e mais dez solis…” Klein suspirou secretamente.
Com dinheiro em mente, ele olhou para baixo de imediato e se inspecionou. Seu rosto quase caiu.
Seu terno formal, que valia várias libras, rasgou-se em cinco a seis pontos que precisavam ser consertados devido ao fato de ele ter rolado no chão. Além disso, estava coberto de poeira e manchas de sujeira.
Dunn lançou-lhe um olhar enquanto o canto de seus lábios se curvava.
— As perdas durante uma missão podem ser reembolsadas.
“Reembolsadas…” Ao ouvir o termo inventado pelo Imperador Roselle, Klein se sentiu melhor de imediato.
“Sim. Este traje só precisa de uma limpeza e conserto adequados antes de poder ser usado de novo. Ainda estará apresentável…”
“Quando chegar o reembolso, posso comprar outro conjunto e me revezar em usá-los!”
“Hmm, eu não sou o tipo de pessoa que usa um reembolso para algo diferente do que foi planejado…”
“No entanto, eu deveria considerar comprar um conjunto de roupas para combate no futuro, como um blusão preto como o Capitão… Roupas com um material um pouco inferior serão muito mais baratas do que um smoking… Tsk, essa deve ser a razão pela qual o bastardo, Leonard, não gosta de usar ternos formais…”
— Deixe Frye cuidar do cadáver. Vamos ver se ele pode encontrar a aparência original do homem ou encontrar alguma pista relevante — Dunn tocou a pintura facial do palhaço de terno com as luvas.
Então, eles vasculharam o armazém mais interno e viram que havia manchas de carne ensanguentada que pareciam ter sido esmagadas por pedras. Eles também viram um osso branco após o outro espalhados por toda parte.
— Ray Bieber estava absorvendo o poder do caderno por meio de um ritual antigo, assim como o consumo de uma poção de
Sequência de nível superior. Um ritual como esse é cheio de perigo. Deveria ser realizado em um ambiente isolado de todas as perturbações, e o ritual exigiria que ele entrasse em sono profundo por um determinado período de tempo. Provavelmente foi por isso que ele ainda não tinha saído de Tingen — Dunn adivinhou as possibilidades depois de inspecionar o armazém.
Ao ouvir tal descrição, Lorotta riu. Seu cabelo preto contrastava nitidamente com seu rosto pálido.
— Que pena, nós o acordamos antes do tempo. Sua raiva por ter sido acordado deixou mesmo uma profunda impressão em nós.
— Isso é uma espécie de perda de controle — Dunn olhou para Klein e disse a ele, como uma explicação e um ensinamento.
— Por que ele só não deixou Tingen e tentou absorvê-lo em outro lugar? — perguntou Klein perplexo.
Aiur riu e apontou para sua cabeça.
— Pessoas influenciadas por poderes malignos antigos geralmente falham nesse departamento.
Nesse momento, Dunn inalou e disse enquanto escondia sua dor:
— Leonard, você ainda está em boas condições. Fique aqui e não permita que pessoas comuns se aproximem… O resto de nós irá imediatamente procurar itens entre os restos mortais de Ray Bieber. Voltaremos com eles e o Artefato Selado, assim como o caderno da família Antigonus. Em seguida, faremos com que Frye, Royale e a polícia venham aqui.
Capítulo 77
Capítulo 77 – Itens Restantes
— Certo — respondeu Leonard com uma expressão relaxada ao ouvir a sugestão de Dunn.
Depois disso, todos saíram do armazém e chegaram perto de onde o Monstro Bieber tinha se autodestruído. Com ele na origem, eles começaram a procurar ao seu redor.
— Capitão, o que estamos procurando? — Klein olhou para a carne e o sangue apodrecidos espalhados por toda parte. Ele conteve a vontade de vomitar enquanto olhava para Dunn Smith ao lado dele pensativamente.
Dunn não ergueu os olhos. Em vez disso, ele usou seus profundos olhos cinza para varrer o chão.
— Despertar antes do tempo, perder o controle e se tornar um monstro. Isso significa que Ray Bieber não absorveu totalmente os poderes do Beyonder fornecidos pelo caderno. Isso também significa que uma parte de seu corpo é considerada extraordinária, tornando-a matéria-prima.
— Se você encontrar algo semelhante, certifique-se de não deixar de fazer uma pesquisa. Pode ser um item importante.
“Então esse é o caso…” Klein assentiu de leve em esclarecimento.
Num piscar de olhos, ele pensou em outro assunto.
“Se a parte em que Monstro Bieber concentrou os poderes Beyonder fosse uma parte indescritível, não seria estranho… Não seria muito nojento transformá-lo em uma poção?”
Assim que a mente de Klein vagou, Borgia com seus olhos afiados de águia de repente gritou.
— Encontrei. Aham.
Dunn e companhia se viraram e se aproximaram de imediato. Impulsionado por sua curiosidade, Klein caminhou até Borgia com um passo acelerado.
Logo, ele viu o item diante de Borgia. Era um item branco acinzentado do tamanho de um punho. Sua superfície estava cheia de ravinas e parecia macia, mas dúctil. Parecia um cérebro extraído de um ser vivo.
Embora Klein não fosse capaz de distinguir a extraordinariedade da mancha branca acinzentada, ele tinha certeza de que Borgia não cometeu um erro, pois a coisa permaneceu intacta apesar da violenta explosão que sofrera.
Dunn o observou com cuidado e se agachou. Ao estender e dobrar o braço direito, ele usou a mão esquerda enluvada para agarrar o item branco acinzentado com cautela.
No momento em que foi tocada, a gosma branco acinzentada imediatamente espalhou um líquido muito pegajoso.
Nesse momento, Aiur Harson tirou um maço quadrado cor de estanho, retirou os cigarros e os guardou no bolso.
Então, ele entregou a caixa quadrada para Dunn e sorriu.
— Eu sei, você só gosta de cachimbos.
Dunn riu e pegou a caixa quadrada. Em seguida, ele derramou o líquido pegajoso branco-acinzentado no maço para armazenamento temporário.
Depois de guardá-lo, todos fizeram uma varredura superficial da área.
Após confirmarem que não tinham perdido nada, foram embora. Quando saíram, viram os cavalos cravando os cascos no chão, claramente assustados e nervosos. Eles quase escaparam de suas rédeas.
— Eu vou dirigir — Borgia cobriu a boca com a mão e tossiu baixinho.
— Eu sei que você é bom em apaziguar os animais — disse Aiur com um aceno sorridente.
Depois de embarcar na carruagem, Dunn, Lorotta, Aiur Harson e
Klein, que continuaram seus exercícios de braço, não tinham nada a dizer e ficaram em silêncio por um tempo.
Quando o trote dos cavalos soou com a partida da carruagem, Dunn olhou para Klein e refletiu sobre suas palavras antes de dizer:
— Eu sei que você está cheio de curiosidade sobre o caderno da família Antigonus. Você deseja entender o que aconteceu.
“Não, de jeito nenhum…” Klein negou em seu inconsciente.
Era uma relíquia antiga cheia de infortúnio!
Sem lhe dar tempo para responder, Dunn continuou e disse:
— No entanto, primeiro tenho que relatar isso à Catedral Sagrada. Somente depois que eles determinarem o nível de confidencialidade do caderno, poderemos considerar se isso pode ser mostrado a você.
— Sem problemas — Klein deu uma resposta curta e simples.
Dunn continuou seus exercícios de braço enquanto pensava antes de dizer:
— Uma vez prometi que você pode se tornar um membro formal dos Falcões Noturnos quando confirmarmos que Ray Bieber é um descendente da família Antigonus. Agora, não apenas determinamos a identidade de Ray Bieber, como também eliminamos o monstro e estragamos a conspiração da Ordem Secreta.
— Em todo esse processo, seu desempenho foi excelente. Você matou pessoalmente um membro de uma organização maligna. Portanto, cumprirei minha promessa e farei um pedido à Santa Catedral de imediato. Vamos aguardar a aprovação deles.
— Certo, esqueci algo importante. Eu ainda preciso perguntar se você concorda com isso.
— Sr. Klein Moretti, você está disposto a ingressar formalmente nos Falcões Noturnos de Tingen como um de seus membros? Seu salário aumentará várias vezes, chegando a seis libras por semana. Além disso, você receberá um aumento a cada ano.
— Seu salário será pago igualmente pela Igreja e pelo Departamento de Polícia do Condado de Awwa. Você também obterá a identidade de um inspetor estagiário. Será muito útil às vezes.
— Como um Beyonder do tipo suporte, você nem sempre precisa enfrentar inimigos, mas terá que proteger o Portão Chanis uma vez por semana…
— Sem a permissão do esquadrão, você não deverá deixar Tingen.
Além disso, você tem que manter isso em segredo de sua família…
…
Quando Dunn terminou de listar as restrições e benefícios, Klein já estava pensando profundamente por mais de dez segundos.
— Eu desejo me tornar um Falcão Noturno formal.
Só assim ele poderia continuar a ter mais acesso ao mistério, como a situação em relação à Ordem Secreta!
Depois de ler os diários reunidos de Roselle, Klein mudou alguns de seus pensamentos sobre si mesmo. Ser hábil no conhecimento do misticismo para buscar o caminho de casa era um objetivo imutável dele. Aumentar ainda mais sua força para fazer com que o misterioso espaço acima da névoa cinza cumpra suas ordens antes de usá-lo para voltar para casa foi uma nova adição aos seus objetivos.
Assim como o Imperador Roselle disse, confiar apenas em poderes externos era muito perigoso!
Além disso, depois de se tornar um Vidente e obter poderes Beyonder, Klein sentiu que tinha uma melhor compreensão do espaço misterioso. Por exemplo, ele poderia atrair outra pessoa para a Reunião.
Isso o forçou a considerar quais mudanças benéficas possivelmente aconteceriam no espaço misterioso acima da névoa cinza quando ele alcançasse a Sequência 8, a Sequência 7 ou uma Sequência ainda maior.
Claro, Klein sabia muito bem que isso foi construído com base na premissa de que ele lidou com todos os efeitos colaterais da poção de Vidente. Ele não podia se apressar ou ser imprudente.
— Muito bem. Assim que a Catedral Sagrada aprovar, você se tornará um de nós — Os olhos cinzentos de Dunn estavam tingidos com uma pitada de alegria.
Nesse momento, Aiur Harson, que estava ouvindo, interrompeu:
— Klein, não se importe que eu o chame de Klein. Seu desempenho hoje foi realmente excelente. Você conseguiu matar um Beyonder da Ordem Secreta. Eu até suspeito que ele tenha atingido a Sequência 7. Como você fez isso? Eu achei isso impressionante.
“A questão foi enfim levantada…” Depois de muito se preparar para isso, Klein agiu como se estivesse organizando seus pensamentos.
Ele sabia que era mesmo incrível e enigmático ter matado um Beyonder que lutou com Dunn, Aiur e Lorotta ao mesmo tempo. Aiur e companhia não eram cegos ou burros, então era uma questão de tempo até que eles indagassem sobre o processo. No entanto, ele nunca esperou que eles esperassem até este momento.
“Isso mesmo. O Capitão e o Sr. Harson foram feridos antes e sua situação poderia piorar a qualquer momento. Naquela hora, qualquer assunto que pudesse resultar em conflito tinha que ser colocado em espera. Era para me impedir de agir com desespero por causa do meu segredo exposto. Só depois que expressei minha atitude e mostrei que estava disposto a ser um Falcão Noturno é que eles ficaram à vontade para perguntar… Que astúcia. Eles não tinham nenhuma comunicação óbvia entre si, mas tomaram a mesma decisão tácita…”
Klein respondeu como se estivesse pensando:
— É um evento de muita sorte. O palhaço de terno cometeu um erro de julgamento fatal.
— Naquela hora, o Artefato Selado 2-049 foi jogado perto de mim como resultado da explosão. Parecia estar a cerca de cinco a seis metros de mim, mas era apenas uma observação grosseira. Foi muito fácil chegar à conclusão de que eu estava dentro da área de influência do Artefato Selado.
— E nesse momento, eu estava me sentindo fraco por causa da explosão. Minhas ações ficaram lentas e parecia que eu estava sendo controlado.
— Não sei quando aquele palhaço de terno se aproximou de mim em um estado invisível. Ele tentou me seduzir oferecendo-se para me salvar e a correspondente Sequência 8, Palhaço, da poção de Vidente. Ele queria que eu o ajudasse a recuperar o caderno da família Antigonus. Certo, ele disse que a Ordem Secreta está no controle do caminho de Sequência correspondente da poção de Vidente e que ele já foi um Vidente.
…
Klein contou a situação naquele momento em detalhes. Ele até descreveu as teorias que tinha na época, inclusive como acreditava que o palhaço de terno adivinhara que pegar o caderno seria uma empreitada muito arriscada; assim, ele tinha mudado seus planos.
Claro, todas as verdades foram usadas para esconder a mentira feita no começo — que ele não foi controlado pelo Artefato Selado 2-049.
— Adivinhou que era muito arriscado recuperar o caderno? Sim, é mesmo muito arriscado. No entanto, o risco era você — disse Lorotta com uma risada enquanto cobria a boca. — A adivinhação dele estava certa, mas o levou a uma situação fatal. Com certeza é um relato interessante.
Klein foi pego de surpresa antes de assentir seriamente.
— De fato. A adivinhação nunca é clara. E essa imprecisão significa apenas que uma interpretação pode estar errada.
“Sim, tenho que tomar nota disso!”
— Como você acabou com ele depois disso? — perguntou Dunn enquanto fazia seus exercícios para os braços e recostava-se.
Klein sorriu.
— Eu fingi concordar com ele e fiz ele me acordar. No entanto, ele não ousou entrar no alcance efetivo do Artefato Selado. Ele ficou de dois a três metros de distância e usou um estranho pedaço de papel na tentativa de me empurrar.
— Aproveitei a oportunidade e puxei seu papel, fazendo com que ele fosse jogado no alcance efetivo de 2-049. Eu então complementei com tiros repetidos e completei meu objetivo. Heh, é um assunto bastante embaraçoso para mim. Eu nem tinha confiança para acertá-lo, apesar de estar a apenas dois ou três metros de distância dele.
Aiur assentiu de leve.
— Com suas habilidades evasivas, uma distância de dois a três metros não é uma garantia absoluta. Você poderia acertá-lo, mas talvez não em um ponto vital. Isso só pioraria as coisas… Sua escolha nessa hora foi impecável. Pode-se até dizer que foi excelente. Se eu estivesse no seu lugar, talvez não fosse capaz de fazer isso melhor do que você.
Ele não perguntou mais nada. Afinal, a entrada do palhaço de terno na área de influência do Artefato Selado 2-049 basicamente selou seu destino. Ele se tornou um alvo vivo.
— A Sequência subsequente de Vidente é Palhaço… Que estranho… — Dunn disse de repente com um suspiro.
Capítulo 78
Capítulo 78 – Trauma
Aiur Harson acrescentou:
— Exatamente, é difícil imaginar que a Sequência subsequente de Vidente é Palhaço. De acordo com a lógica normal, ninguém faria essa conexão.
— Isso é estranho? Eu lembro que um bom número de Sequências também parecem não ter semelhanças entre seus diferentes níveis. — Lorotta cobriu a boca enquanto bocejava. Era óbvio que seus ferimentos eram mais graves. Nem mesmo o Olhar da Deusa poderia ajudá-la a manter sua energia vibrante.
— Não, Lorotta. Isso é completamente diferente. Mesmo que outras poções Sequênciais não tenham uma conexão, também podemos encontrar pontos comuns se vistos de ângulos diferentes. No entanto, não consigo ver o mesmo para Vidente e Palhaço — disse Aiur Harson ao balançar a cabeça e suspirar.
Klein ouviu a discussão deles e riu.
— Não, ainda há um ponto em comum.
— Qual? — perguntou Aiur curiosamente. Até mesmo os exercícios de braço de Dunn diminuíram visivelmente.
Klein respondeu sem hesitação:
— Seja um Vidente ou um Palhaço, ambos podem ser encontrados no circo.
— … — Aiur, Dunn, e Lorotta ficaram estupefatos.
— Pfft… Que resposta boa. Eu gosto de jovens como você! —
Lorotta foi a primeira a voltar a seus sentidos e começou a rir.
Aiur também sorriu e balançou a cabeça.
— Nesta época, o número de cavalheiros equipados com o espírito de autodepreciação está diminuindo. Felizmente, encontramos um hoje.
Você acha que eu gosto de me autodepreciar… Não é como se eu tivesse descoberto alguma semelhança entre os dois… — reclamou Klein internamente e respondeu com um sorriso irônico:
— Só gostaria que as poções do caminho da Sequência não tenham nomes como Domador de Feras, Acrobata ou Mágico. Isso realmente formaria um circo.
Além disso, um circo de um homem só…
— Haha — Dunn e companhia ficaram imediatamente mais animados, e, rindo, encheram a carruagem com uma atmosfera alegre.
A carruagem seguiu direto para a rua Zouteland. Klein, que não foi ferido, foi o primeiro a entrar na Companhia de Segurança Blackthorn.
— Deusa! O que aconteceu com você? Por que está assim? — exclamou Rozanne quando o viu.
Klein olhou para seu terno sujo e esfarrapado. Ele respondeu com o coração partido:
— Sempre há todos os tipos de acidentes durante uma missão. Felizmente, a Deusa nos abençoou e tudo terminou maravilhosamente bem.
— Louvado seja a Dama! — Rozanne devotamente desenhou a lua carmesim sobre o peito.
Antes de esperar que Klein continuasse, ela perguntou:
— Precisa que nos escondamos no terceiro andar de novo? O Artefato Selado é mesmo tão perigoso?
— Confie em mim. É muito mais perigoso do que você pode imaginar — respondeu Klein com um medo remanescente.
Se não fosse pelo seu ritual ainda mais misterioso de melhoria de sorte, ele teria perecido sob as proverbiais mãos de 2-049!
— Deusa… — Os lábios de Rozanne estremeceram como se ela ainda tivesse um milhão de coisas para dizer ou perguntas a fazer, mas em consideração com o capitão que estava esperando lá embaixo, ela reprimiu sua compulsão. Ela informou a Sra. Orianna e companhia para subir as escadas até o terceiro andar. Os vizinhos da Companhia de Segurança Blackthorn eram propriedades da Igreja, ou clérigos devotos que sabiam vagamente da situação.
Quando toda a equipe civil se dispersou, Klein não correu para a sala de recreação para informar os outros Falcões Noturnos. Ele imediatamente retornou e ajudou o capitão e o resto a escoltarem o Artefato Selado 2-049, os restos de Monstro Bieber, e o caderno da família Antigonus para o segundo andar.
Através da divisória, Dunn abriu a porta da sala de recreação e disse para os dois Falcões Noturnos que estavam jogando Gwent:
— Frye, Royale, vocês dois devem ir imediatamente ao Armazém Tyrell do porto e ajudar Leonard a lidar com as consequências.
— Tudo bem. — Royale com seu cabelo preto e expressão fria foi a primeira a levantar.
Coletor de Cadáveres Frye, com seus cabelos negros, olhos azuis e pele clara, levantou-se em seguida.
Eles soltaram as cartas de Gwent e saíram da sala de recreação e, quando passaram pela divisória, pararam.
— Esperem — gritou Dunn, sem desapontar suas expectativas.
— Algo mais? — Sem Sono Royale virou para trás e perguntou sem expressão.
— Lembrem-se de informar a polícia. Faça com que selem a estrada. Não deixe que ninguém se aproxime até que vocês terminem com a cena e tragam o cadáver de volta — disse Dunn, batendo na testa.
— Tudo bem. — Royale se virou e deu dois passos antes de parar mais uma vez.
Ela virou a cabeça, piscou e confirmou friamente:
— Capitão, nada mais?
— Não — respondeu Dunn categoricamente.
Royale assentiu imperceptivelmente e caminhou em direção à entrada.
Quanto ao Coletor de Cadáveres Frye, que exalava frieza e escuridão, ele manteve um ritmo adequado.
Naquele momento, Dunn acrescentou:
— Lembre-se de dizer à Rozanne, sra. Orianna e companhia que eles podem descer.
— Sem problemas. — Frye respondeu calmamente como se nenhuma emoção se agitasse nele.
Klein viu quando os dois Falcões Noturnos saíram pela porta e subiram as escadas antes de soltar um suspiro de alívio em segredo. Ele seguiu o capitão e o resto ao subsolo, indo direto para o Portão Chanis.
Enquanto Dunn gesticulava ao Sem Sono Kenley para abrir o Portão Chanis, ele instruiu Klein:
— Vá ao arsenal e traga Velho Neil aqui. Precisamos de sua mágica ritualística para nos curarmos.
Assim que os efeitos do medicamento começaram a desaparecer, seu estado mental diminuiu gradualmente.
— Tudo bem. — Klein não esperou que o capitão continuasse, e acrescentou:
— Vou vigiar o arsenal no lugar do Velho Neil. Também pedirei pelo menos vinte balas anti-demônios e também aguardarei a aprovação da Catedral Sagrada, retendo minha curiosidade sobre o caderno da família Antigonus.
— … — Dunn ficou imediatamente sem palavras.
— Capitão, mais alguma coisa? — perguntou Klein com um sorriso depois de ser mais rápido que Dunn.
Dunn balançou a cabeça e permaneceu sem palavras.
Ele pegou sua bengala e se virou. Depois de caminhar certa distância, Klein chegou no arsenal e resumiu os acontecimentos ao Velho Neil, que estava bebendo água.
— Ele se tornou um monstro que perdeu o controle… Você até matou um Beyonder? — Velho Neil rapidamente arrumou sua escrivaninha. — É como se estivesse ouvindo o roteiro de uma peça.
Ele murmurou enquanto circulava ao redor da escrivaninha e caminhava direto para o corredor sem esperar pela resposta de Klein.
Klein perguntou por curiosidade:
— Sr. Neil, a Igreja não tem medicina restauradora verdadeira? Por que magia ritualística seria necessária?
— Nenhum medicamento feito com ingredientes comuns pode fornecer os efeitos restauradores permanentes de um ritual. Ingredientes extraordinários são muito raros, e a maioria deles não é adequada para medicina restaurativa — explicou Velho Neil casualmente. — Você sabe sobre o Olhar da Deusa, certo? Quando o medicamento é feito pela primeira vez através de um ritual, seria um remédio restaurador real padrão. Mas a cada minuto após sua conclusão, seu efeito evapora até que resta pouco de sua eficácia.
— Entendo… — Klein assentiu decepcionado.
Como um ex-“guerreiro de teclado” e ávido jogador, era um hábito ansiar por um medicamento com propriedades mágicas curativas.
Ele assistiu Velho Neil sair e se sentou, absorvendo a tranquilidade que não teve em muito tempo.
Em meio a sua paz, ele lembrou a trágica morte do palhaço de smoking. Ele lembrou de ter atirado friamente, a ferida horrível e o sangue fresco sendo expelido.
Klein sentiu desconforto e seu corpo estremeceu. Ele primeiro se levantou, depois sentou-se e depois repetiu lentamente o processo. Ele também andou alguns passos de um lado para o outro.
Ufa… Ele soltou um suspiro e decidiu se ocupar com algo para que pudesse parar de pensar nessas imagens negativas.
Klein tirou seu chapéu de seda e o traje formal. Ele então pegou um lenço e uma escova para limpar a sujeira e a lama.
Depois de uma quantidade incerta de tempo, ele ouviu os passos familiares de Velho Neil. A marcha dele envolvia andar sobre seus calcanhares, e isso fazia um barulho característico quando caminhava pelo corredor.
— Que cansativo… — reclamou Velho Neil enquanto entrava na sala. — Diga ao resto que ninguém deve vir aqui na próxima hora. Eu preciso descansar — ele instruiu casualmente, olhando para Klein.
— Por que você não descansa no andar de cima e eu fico de vigia aqui? — Klein sugeriu por gentileza.
Velho Neil balançou a cabeça.
— É muito barulhento lá em cima. Rozanne é uma dama que simplesmente não consegue parar de falar.
— Tudo bem. — Klein não insistiu. Vestiu o casaco e o chapéu, pegou a bengala e voltou ao corredor. Então, ele deixou a porta do arsenal entreaberta.
Tap. Tap. Tap.
Ele caminhava lentamente pelo corredor vazio quando de repente viu muitas salas ao lado que nunca havia visto antes.
— Há uma porta secreta aqui… — Klein parou num ponto em uma curva enquanto olhava para a sala.
Ele descobriu que o Coletor de Cadáveres Frye já havia retornado.
Ele estava examinando cuidadosamente um cadáver completamente dissecado.
Um cadáver? — O coração de Klein se agitou enquanto ele reunia coragem e se aproximava da sala. Ele bateu levemente na porta entreaberta.
Toc! Toc! Toc!
Frye parou suas ações e se virou, olhando com seus olhos azuis, mas frios.
— Desculpe por incomodar. Eu só queria saber se este é o cadáver de um Beyonder — Klein perguntou enquanto controlava seu tom.
— Sim. — Os lábios de Frye abriram e fecharam, mas só falaram uma única palavra.
O olhar de Klein passou por ele e pousou no cadáver. E ele descobriu a ferida familiar e horrível na testa.
É aquele palhaço de smoking… — Klein exalou secretamente e disse:
— Alguma descoberta?
— Não — respondeu Frye de uma maneira anormalmente simples.
O clima instantaneamente se tornou estranho. Assim que Klein estava prestes a se despedir, Frye tomou a iniciativa ao dizer:
— Se você se sentir desconfortável, pode entrar para dar uma olhada. Descobrirá que é apenas um cadáver.
Com receio que eu fique traumatizado? — Klein assentiu, pensando. — Tudo bem.
Ele entrou na sala e chegou na frente da longa mesa branca enquanto olhava para o cadáver.
A tinta vermelha, amarela e branca do palhaço foi removida, revelando um rosto desconhecido que não tinha nada de especial. Ele tinha trinta e poucos anos e tinha cabelos negros e uma ponte alta no nariz.
Naquele momento, Frye foi até uma mesa quadrada no canto da parede e pegou um lápis e um pedaço de papel.
Ele retornou ao cadáver, colocou o papel no chão e começou a desenhar com o lápis.
Klein olhou com curiosidade e descobriu que Frye estava fazendo um esboço da cabeça do palhaço.
Não demorou muito para que Frye parasse de mover o lápis. No pedaço de papel, havia um retrato realista. Comparado ao cadáver, a única diferença era a falta de uma ferida e do azul dos olhos.
Que gênio talentoso… — Klein ficou maravilhado de surpresa.
— Eu nunca pensei que você fosse tão bom em esboçar.
— Meu sonho era me tornar um artista antes de me tornar um Falcão Noturno. — O tom de Frye estava completamente calmo.
— Então por que não cumpre seus sonhos? — perguntou Klein curiosamente.
Frye pousou o lápis e disse com o retrato do palhaço na mão:
— Meu pai era um sacerdote da Deusa. Ele desejava que me tornasse um sacerdote. É um trabalho apresentável.
— Você se tornou sacerdote? — Klein perguntou, surpreso.
Ele achou inimaginável que Frye poderia se tornar um sacerdote com sua personalidade e a vibe que emanava.
— Sim, eu até que fiz um bom trabalho. — Frye tinha uma expressão fria enquanto os cantos de sua boca se curvavam um pouco quando respondia. — Mais tarde, encontrei e passei por algumas coisas e acabei me tornando um Falcão Noturno.
Klein não planejava infringir sua privacidade, então perguntou:
— Você já foi um sacerdote da Deusa, então por que não escolheu ser um Sem Sono?
— Uma razão pessoal — respondeu Frye francamente. — Além disso, Madame Daly é um ótimo exemplo.
Klein assentiu e justo quando estava prestes a mudar de assunto, ouviu Frye dizer:
— Me ajude e vigie esta sala. Tenho que entregar imediatamente o esboço para o Capitão… Fechar uma porta secreta dá muito trabalho..
— Tudo bem. — Embora Klein estivesse com um pouco de medo de enfrentar o cadáver sozinho, ele enfrentou seu medo e concordou.
Sem Frye, a sala ficou quieta. O cadáver estava ali e o coração de Klein ficou pesado.
Ele respirou algumas vezes e, em uma tentativa de derrotar seus medos, se aproximou da longa mesa.
O palhaço estava em silêncio com seu rosto pálido. Seus olhos estavam bem fechados e ele não tinha nenhum sinal de respiração. Além da horrível ferida, ele emitia a frieza única de um homem morto.
Klein observou por um momento enquanto suas emoções gradualmente estabilizavam enquanto ele se acalmava.
Ele passou o olhar e descobriu uma marca estranha no pulso do palhaço. Reunindo sua coragem, ele estendeu a mão para tocá-la, na esperança de virá-lo para ver mais claramente.
Assim que o toque gelado chegou das pontas dos dedos de Klein ao cérebro, a palma pálida que havia perdido toda a vibração se mexeu repentinamente, agarrando-o pelo pulso.
Agarrando seu pulso com força!
Capítulo 79
Capítulo 79 – Outro Murmúrio
Klein instantaneamente se arrepiou quando a mão gelada apertou seu pulso. Ele instintivamente puxou a mão para trás em uma tentativa desesperada de escapar.
Uma sensação pesada o atingiu enquanto Klein usava toda sua força para puxar seu braço para escapar.
Bam!
O cadáver pálido e nu foi puxado com tanta força para o lado que caiu da mesa de autópsia.
No entanto, o aperto dos dedos brancos e gelados permaneceu firme no pulso de Klein.
Klein perdeu momentaneamente a capacidade de pensar, sendo a única exceção a ideia de sacar o revólver e encher o cadáver de buracos.
No entanto, não conseguindo retirar sua mão dominante, ele largou a bengala e tentou desesperadamente sacar o revólver do coldre sem sucesso.
Naquele momento, os olhos do cadáver se abriram, revelando um par de olhos azuis e calmos.
Sua boca se moveu enquanto ele murmurava:
— Hornacis… Hornacis… Hornacis…
Depois que essas três palavras foram ditas, Klein ficou completamente agitado quando sentiu que os dedos agarrando seu pulso começaram a afrouxar antes de ficarem flácidos.
Os olhos do palhaço se fecharam mais uma vez, como se nada tivesse acontecido.
Klein teria pensado que havia sido atingido por um feitiço de alucinação se o cadáver pálido não estivesse deitado no chão de pedra.
Ele cambaleou alguns passos para trás e sentiu que a maior parte de seu corpo estava tremendo como resultado do choque e do medo.
Ufa… Phew… — Klein ofegou por ar enquanto lentamente recuperava o controle de suas capacidades mentais. Ele olhou para o cadáver no chão em alarme e medo.
Ele sacou o revólver e retirou-se cuidadosamente da sala, um passo de cada vez. Depois de confirmar que o cadáver estava imóvel, ele deu uma olhada no pulso da mão que segurava o revólver.
Havia cinco marcas profundas e avermelhadas de dedos impressos em seu pulso. Elas silenciosamente descreviam o ocorrido.
Klein se acalmou e vulgaridades encheram sua mente.
Porra! Eu quase morri do susto!
Depois de ofegar por mais de dez segundos, ele começou a organizar as coisas em sua mente para se recompor sem demora.
Ele cuidadosamente recordou tudo o que aconteceu e montou o quebra-cabeça.
Embora não tenha entendido a razão da ressurreição do palhaço de smoking, ele notou um ponto importante: o cadáver havia repetido a palavra “Hornacis”!
Hornacis, novamente… — Klein franziu as sobrancelhas.
O caderno da família Antigonus tem registros de uma Nação da
Noite Eterna na cordilheira de Hornacis. Enquanto em Cogitação ou Visão Espiritual, eu ouvi sons que não deveria ser capaz de ouvir, e entre esses sons está a palavra “Hornacis”… A resposta a todas essas perguntas está na cordilheira de Hornacis? …Pode haver um enorme perigo à espreita por lá. Por exemplo, um deus maligno pode estar selado no interior e está usando várias formas de “atração” para alcançar sua liberdade.
Enquanto considerava isso, Klein entrou cuidadosamente na sala e tocou o cadáver algumas vezes para verificar se estava completamente morto.
Ele não queria que o Coletor de Cadáveres, Frye, o visse bagunçar o lugar, então reuniu sua coragem para mover o corpo de volta para a mesa de autópsia.
Klein ficou com o coração na boca durante todo o processo; o menor movimento poderia romper seus nervos tensos. Além disso, o sentimento gelado dado pelo cadáver era particularmente repugnante.
Depois de terminar a missão com grande dificuldade, ele lembrou a razão pela qual havia se aproximado do cadáver. Portanto, ele se concentrou no pulso do palhaço e olhou para a estranha marca.
Não dava para saber quando a marca caiu, encolhendo-se em uma gota esférica de sangue que tinha um tom azulado.
A bolha esférica de sangue era do tamanho de um polegar, flutuando no ar em silêncio, desafiando as leis da física.
— O que é isso? — Klein resmungou, mas não atreveu a tocá-lo precipitadamente.
Ele não tinha a intenção de esconder a estranha esfera de sangue. Em primeiro lugar, ele não sabia se era uma coisa boa ou ruim, e, em segundo lugar, ele estava certo de que Frye, que havia examinado o cadáver, já teria descoberto a marca no pulso. Era até provável que ele soubesse o que a estranha esfera de sangue era.
E mesmo que Frye não soubesse, reportar isso ao Capitão e deixar os Falcões Noturnos pesquisarem é definitivamente melhor do que eu fazer tentativas aleatórias… — Essa foi a linha de pensamento de Klein.
Estar em uma organização significava que ele tinha que saber como aproveitar ao máximo os poderes disponíveis.
Klein esperou nervosamente por alguns minutos antes de ver Frye, com seus cabelos negros, olhos azuis e lábios finos, retornar.
Ele instantaneamente notou a estranha esfera de sangue e perguntou a Klein o que ele já havia perguntado a si mesmo.
— O que é isso?
— Não faço ideia. — Klein balançou a cabeça honestamente. Ele então contou o que aconteceu sem esconder nada.
— A marca caiu em uma esfera de sangue… — Frye assentiu, aparentemente imerso em pensamentos. — O cadáver de um Beyonder sempre tende a ter algumas transformações estranhas… Ele olhou para cima e disse a Klein:
— Traga o capitão aqui. Informe-o também sobre o que o corpo murmurou.
— Tudo bem. — Klein já estava ansioso para sair.
—Você não precisa voltar com o capitão — Frye acrescentou. — Acredito que não vai gostar de ver o que acontece a seguir.
Enquanto falava, ele pegou uma faca cirúrgica de prata ao seu lado.
Klein assentiu, ainda com medo.
— Eu estava esperando que você dissesse isso.
Pegou sua bengala, colocou o chapéu e caminhou até o Portão Chanis. Na sala dos Guardiões, ele viu o não mais frágil Capitão Dunn.
Depois que Dunn ouviu de Klein o que havia acontecido, ele assentiu, confuso.
— Vou relatar o assunto para os superiores e deixar a Santa Catedral lidar com isso. Talvez eles mandem pessoal para o pico principal da cordilheira de Hornacis para dar uma olhada.
Klein respondeu brevemente em confirmação. Vendo que apenas o Sem Sono, Kenley, e o capitão estavam na sala dos Guardiões, ele casualmente perguntou:
— Sr. Aiur e os outros estão descansando?
Dunn assentiu com a cabeça e disse:
— Aiur e Borgia estão na Catedral de Santa Selena. Lorotta provavelmente está procurando uma cafeteria.
— Cafeteria? Madame Lorotta não se recuperou de seus ferimentos, certo? — perguntou Klein, surpreso.
Dunn massageou a ponte do nariz e disse com uma risada:
— Lorotta tem três hobbies: café, sobremesa e criadas. Ela diz que precisa dessas três coisas para acelerar sua recuperação.
— Criadas? — perguntou Klein, perplexo.
Madame Lorotta tem um fetiche em particular?
Dunn balançou a cabeça, desamparado e disse:
— Ela gosta de criadas. Sim, é isso mesmo. Além disso, ela gosta das com seios grandes.
— …
Ela com certeza é esquisita. — Klein não tinha ideia de que tipo de expressão deveria mostrar em resposta.
Dunn não demorou a sair da sala dos Guardiões. Klein observou suas costas, esperando pacientemente o momento em que Dunn se viraria.
Enquanto isso, notou com o canto do olho que o Sem Sono, Kenley, havia pego seu relógio de bolso e o aberto.
Três, dois, um… — No momento em que Klein terminou a contagem em silêncio, Dunn parou e se virou.
— Outra coisa que esqueci. Klein, você passou por muita coisa hoje. Depois de relaxar, vai se sentir exausto. Não há necessidade de estar aqui à tarde; volte e descanse um pouco. Amanhã vou enviar a aplicação listando os detalhes das perdas.
— Tudo bem. Não se preocupe muito em ter matado um Beyonder. Matá-lo era o equivalente a salvar mais vidas.
— Na verdade, estou me sentindo muito melhor. — Klein exalou silenciosamente.
Dunn balançou a cabeça ligeiramente e, quando se virou, deu um tapa na testa.
— Também entreguei o esboço do Beyonder ao Leonard. Ele e o departamento de polícia estão encarregados das investigações subsequentes. Acredito que o Beyonder deve ter andado em carruagens, tido refeições e um lugar para ficar.
— Onde quer que vá, o que quer que toque, o que quer que ele deixe, mesmo subconscientemente, servirá como testemunha silenciosa contra ele. As palavras do Imperador Roselle são verdadeiramente sensatas.
— … Sim. — respondeu Klein , estupefato.
Depois que o capitão foi embora, Klein saiu da sala dos Guardiões e caminhou lentamente para o segundo andar.
No meio do caminho, ele de repente se lembrou de algo e experimentou um surto adicional de medo.
Esse palhaço de smoking alegou que a Ordem Secreta controlava o caminho de Sequência correspondente dos Videntes… Mesmo se estivesse exagerando e eles não tivessem as fórmulas de poções de Sequência mais altas, eles definitivamente teriam as Sequências mais baixas.
Isso também significa que eles têm um certo número de Videntes.
Então, não divinariam que matei o palhaço e secretamente se vingariam?
Se eles não conseguem lidar com os Falcões Noturnos, não poderiam lidar pelo menos comigo, um Vidente sem nenhum meio direto contra os inimigos?
Klein parou na escada e começou a pensar seriamente no problema. Logo, ele descobriu que estava se preocupando à toa.
Em primeiro lugar, a Ordem Secreta não sabe quem são os membros dos Falcões Noturnos.
Em segundo lugar, mesmo que eles saibam um ou dois, definitivamente não incluiriam um membro da equipe civil, como eu.
Em terceiro lugar, nas circunstâncias atuais, a menos que tenham um Profeta, não há como adivinharem quem é o assassino.
Ele soltou um suspiro de alívio, saiu da Companhia de Segurança Blackthorn e pegou uma carruagem pública de volta à rua Narciso.
Mesmo ainda não tendo almoçado, ele não estava com fome.
Depois de entrar em seu quarto, Klein primeiramente removeu seu terno danificado. Então, tirou sua meia cartola, foi para a cama e tentou dormir.
Sua mente permaneceu ativa como se toda sua existência não pudesse relaxar. Sua mente não estava repetindo a cena dele atirando no palhaço até a morte, mas a cena dele movendo o cadáver, e daquela experiência arrepiante.
Ele já não se sentia desconfortável em matar pela primeira vez, era mais um sentimento de repugnância quando pensava nisso.
Este era provavelmente o objetivo de Frye. Ele esperava que eu me aproximasse do cadáver e o enfrentasse diretamente para superar meu trauma… Mas, mesmo que o trauma de antes tenha desaparecido, fui traumatizado por algo novo… — Klein deu uma risada em desaprovação enquanto gradualmente sentia seus nervos se acalmando.
Ele não tinha ideia de quando havia pego no sono, mas quando acordou, seu estômago estava roncando em protesto.
— Sinto que posso comer um cavalo inteiro! — Klein murmurou enquanto olhava para o sol se pondo no oeste como se o céu estivesse em chamas.
Colocando roupas velhas, mas confortáveis, ele caminhou rapidamente para o primeiro andar. Antes que pudesse pensar no que fazer para o jantar, ouviu a porta se abrir.
Melissa… — Os cantos de sua boca se curvaram com o pensamento.
Desde que começou a pegar a carruagem pública, sua irmã não voltava mais para casa tarde.
A chave girou e a porta se abriu. Melissa entrou com a bolsa que continha seus livros e outros materiais escolares.
Ela olhou para a cozinha e disse:
— Klein, há uma carta para você. É do seu mentor.
Uma carta do Mentor? Certo. Escrevi para ele perguntando sobre a situação histórica relevante do pico principal de Hornacis… — Klein ficou surpreso a princípio antes de se lembrar do assunto.
Capítulo 80
Capítulo 80 – Convite para Banquete
Depois de jantar, Klein, satisfeito, sentou-se casualmente no sofá da sala. Ele usou um pequeno abridor de cartas para abrir o envelope que havia recebido de seu mentor.
Melissa estava sentada à mesa de jantar, trabalhando duro em um problema de sua apostila, com a lâmpada a gás sendo sua iluminação. Benson estava aconchegado numa poltrona, lendo Contabilidade para Iniciantes.
Klein se deparou com uma carta de três páginas, que estava prestes a ler com medo e antecipação.
“…Muito feliz em receber sua carta. Isso me lembra dos bons e velhos tempos nos últimos anos. Infelizmente, Welch e Naya nos deixaram para sempre…”
“Eu assisti aos seus enterros separadamente e pude sentir a angústia de seus pais. Ambos eram jovens adultos que deveriam ter futuros belos e brilhantes à sua frente…”
“O destino é sempre tão imprevisível. Ninguém pode saber o que acontecerá em seguida. Eu fui aprendendo mais à medida em que envelheci, e posso sentir cada vez mais a fraqueza e o desamparo da humanidade.”
“…Em relação à informação histórica que gira em torno do pico principal de Hornacis, lembro-me de que o arqueólogo John Joseph publicou uma monografia detalhando, o que inclui seus relatos do tempo em que passou no pico principal de Hornacis. Ele descobriu alguns edifícios antigos com mais de mil anos de idade.”
“O que envergonha todo historiador e arqueólogo é nossa incapacidade de datar com precisão a época. Só podemos fazer uma estimativa grosseira baseada no estilo da arquitetura, nas características dos murais e em alguns textos que conseguimos decifrar.”
“É inacreditável que um pico de uma montanha tão alta tenha tido humanos vivendo nela. O Sr. Joseph possui ampla evidência para provar que esses humanos desenvolveram uma civilização que podem chamar de própria. Quanto aos detalhes, é difícil descrevêlos completamente nesta carta. Sugiro que você tente pegar emprestado a monografia na Biblioteca Deweyville. Confie em mim, a doação de Sir Deweyville para essa biblioteca fez com que ela tenha mais livros em sua coleção do que a construída pelo governo da cidade.”
“O título da monografia é Pesquisa das Relíquias do Pico Principal de Hornacis. É publicado pela Editora Loen.”
“Além disso, há alguns artigos que discutem assuntos relevantes; eles são publicados nos periódicos: Nova Arqueologia, Resumo da Arqueologia. A questão exata e o volume do periódico são…”
…
Klein leu todas as palavras e repetiu os nomes da monografia e do papel para si mesmo.
Imediatamente depois, ele encontrou um papel e um envelope, além de uma caneta-tinteiro, antes de expressar sua gratitude.
— Melissa, me ajude a enviar esta carta. Aqui está o dinheiro para os selos. — Klein colocou o envelope lacrado e mais do que o suficiente para os selos na mesa de sua irmã.
Melissa sorriu depois de dar uma olhada.
— Klein, selos não custam tanto assim.
— Sim, os selos não, mas uma garota deveria ter alguma mesada. — Klein respondeu com um sorriso. — Acredito que Selena tenha mencionado isso para você.
Percebendo que Melissa estava prestes a protestar, ele rapidamente acrescentou:
— Ele pode ser usado para comprar os materiais e ferramentas que você precisa.
— Ferramentas… — Melissa repetiu suavemente de novo e de novo antes de lançar seu olhar de volta para seus livros.
— Tudo bem — ela respondeu enquanto assentia imperceptivelmente.
Os cantos da boca de Klein imediatamente se curvaram para cima enquanto caminhava rapidamente de volta ao sofá.
— Excelentes habilidades de persuasão. Você identificou com precisão a fraqueza de Melissa. — Benson deu um joinha e disse com uma risada reprimida. Klein limpou a garganta e disse com toda a seriedade:
— Então, como devo convencê-lo? Seu auto-estudo deve enfatizar a linguagem e a literatura antiga. É claro que matemática básica e lógica são igualmente importantes.
Klein estava muito confiante sobre a direção geral na qual os próximos “exames de funcionários públicos” se focalizariam, de acordo com o currículo das escolas públicas e escolas de gramática, bem como o material testado nas admissões em faculdades.
Benson tocou seu couro cabeludo e disse com um sorriso autodepreciativo:
— Me sinto como um babuíno de cabelos encaracolados diante desses livros.
— Mas eles são realmente úteis — refutou Klein com um sorriso determinado.
Naquele momento, Melissa largou a caneta-tinteiro, se levantou e foi até o sofá.
— Benson, Klein. Este domingo é o aniversário da Selena. Ela e seus pais querem convidar todos nós para sua casa, para um jantar. Vocês dois estão livres?
— Sem problemas — respondeu Klein depois de pensar um pouco.
Ele poderia aproveitar a oportunidade para se familiarizar com os amigos de sua irmã, o que poderia permitir que ficasse à par da situação se algo acontecesse com ela.
— Eu também —disse Benson enquanto penteava os cabelos com os dedos. — Parece que teremos que pensar em um presente de aniversário para a senhorita Selena.
Klein sorriu.
— Isso deve ser deixado para Melissa. Ela conhece a senhorita Selena melhor do que nós. Além disso, o que precisamos fazer é o que um cavalheiro deve fazer: pagar por ele.
— Esta é a primeira vez que eu ouço alguém descrever a preguiça de uma maneira tão agradável — disse Benson, balançando a cabeça e rindo.
Klein retornou o sorriso.
— Este é o propósito da linguagem e da literatura antiga.
— … — Benson nunca esperou que Klein retornasse ao assunto em questão, deixando-o momentaneamente sem palavras.
No dia seguinte, Klein usava seu terno formal barato e segurava sua bengala preta incrustada de prata enquanto subia as escadas e chegava à entrada da Companhia de Segurança Blackthorn. Seu smoking já havia sido enviado aos alfaiates.
Klein estava prestes a cumprimentar Rozanne quando viu o capitão Dunn sair da divisória.
— Bom dia Klein. Teve uma boa noite de sono? — perguntou Dunn com preocupação.
Klein respondeu honestamente:
— Melhor do que eu esperava. Eu nem sequer tive pesadelos. Mas ainda me sinto pesado e um pouco enojado quando me lembro.
— Muito bom. Fico sossegado em ouvir isso — respondeu Dunn com um sorriso, assentindo.
Depois de conversar sobre o clima, ele levantou uma questão.
— A Catedral Sagrada respondeu ao meu telegrama. Aiur, Lorotta e companhia escoltaram imediatamente o Artefato Selado 2-049 e o caderno da família Antigonus de volta a Backlund. Eles também enviaram um Falcão Noturno adicional ontem à tarde por uma locomotiva a vapor para ajudar.
— Eu acredito que eles já devem ter partido.
Já partiram? Isso significa que estou completamente livre do caderno traumatizante da família Antigonus? — Klein ficou surpreso. Ele achou a situação atual surreal, como se estivesse sonhando.
Isso é mais relaxante do que eu imaginava…
É improvável que haja alguma consequência posterior, certo?
— Que a Deusa os abençoe e que eles tenham uma jornada tranquila. — Depois de alguns segundos em silêncio, Klein fez o gesto da lua carmesim no peito.
Dunn usava seu chapéu e apontou para a porta.
— Eu tenho que patrulhar o Cemitério de Raphael. Heh, esqueci uma coisa. As investigações de Leonard e do departamento de polícia deram frutos. Eles encontraram o condutor da carruagem que os levou. Confirmamos sua residência temporária na cidade de Tingen, mas eles foram bastante cautelosos; não deixaram para trás nenhuma pista valiosa.
— Como esperado de uma organização secreta antiga — disse Klein melancolicamente.
Dunn assentiu e virou-se para a porta.
Ele parou três segundos depois e virou a cabeça.
— Além disso, a Catedral Sagrada precisa de outros dois ou três dias antes de nos notificarem sobre sua inscrição para se tornar um membro oficial. Heh heh, isso é tratado por um departamento diferente, separado daquele que lida com o caderno da família Antigonus. Eles têm diferentes níveis de eficiência.
— Entendo — respondeu Klein com sinceridade.
Enquanto isso, ele ajudava seu capitão a adicionar internamente.
Lembre-se de enviar o pedido de indenização hoje!
Assistindo Dunn sair, Klein ouviu Rozanne, de cabelos castanhos, exclamar.
— Deusa! Klein, você está se tornando um membro formal? Não faz nem um mês que você se juntou a nós!
Klein sorriu.
— Depois que eu consumi a poção Vidente, era só uma questão de tempo.
— Isso é razoável… — Rozanne caiu em transe por alguns segundos antes de suspirar de repente. — Eu estava rezando para que você terminasse suas lições de misticismo para que pudesse ser adicionado à lista de guarda ao arsenal, mas… Deusa, eu tenho que estar de plantão a cada dois dias. Eu não sou um Sem Sono! Minha pele, meu estado mental. Deusa, me salve!
— Você não deveria estar bem familiarizada com esse estilo de vida? Antes de eu entrar, sempre foi você, Bredt e o Velho Neil que se revezavam, certo? — perguntou Klein, intrigado.
Rozanne balançou a cabeça com um olhar deprimido.
— Não, eram quatro anteriormente, cinco antes disso. Infelizmente, Kenley escolheu se tornar um Sem Sono. Viola escolheu não estender seu contrato no mês passado e se juntou à Companhia Khoy Noel de Maquinaria. Ela é uma garota talentosa quando se trata de criação, só lhe faltava a oportunidade e o dinheiro. Cinco anos como funcionária civil permitiram que juntasse o suficiente.
Dito isso, Rozanne de repente olhou para Klein e riu com a boca coberta.
— Eu pensei em uma boa solução. Klein, case-se o mais cedo possível. Então, acidentalmente exponha o segredo de Beyonders a ela. Isso é considerado um vazamento muito pequeno, então não haverá nenhuma penalidade particularmente pesada. Afinal de contas, quem poderia mentir para a pessoa com quem compartilha a mesma cama por longos períodos de tempo? Você pode apresentála a nós quando isso acontecer e a tornar uma funcionária civil! Mas que plano perfeito!
Os cantos da boca de Klein se contorceram.
— Senhorita Rozanne, você também pode rapidamente encontrar um marido. Deve ser ainda mais fácil. Acredito que você tenha os meios adequados para divulgar o segredo para ele.
Os olhos de Rozanne se arregalaram e ela ficou boquiaberta quando ouviu.
— Como poderia? Casamento é um assunto muito sério. Eu tenho que escolher cuidadosamente e observá-lo durante um período de tempo para garantir que ele seja bom.
Não foi isso que você disse há um segundo atrás… — Klein não se incomodou em se envolver em sofismas com Rozanne. Ele sorriu enquanto se envolvia em uma pequena conversa antes de se despedir e se dirigir ao subterrâneo.
No arsenal, ele viu o Velho Neil lutando com seu café moído à mão. Então, ele se sentou e esperou pacientemente.
— Logo você será um membro oficial, certo? — perguntou Velho Neil casualmente enquanto filtrava o café.
— O capitão disse que outros dois ou três dias são necessários. Ainda é uma questão de saber se a Catedral Sagrada vai aprová-lo — comentou Klein francamente.
— Hehe. —Velho Neil deu uma gargalhada. — A Catedral Sagrada não negará casos como estes, especialmente quando você já é um Beyonder.
Com isso dito, ele virou a cabeça e encarou Klein, dizendo com uma risada:
— Você precisa estar mentalmente preparado. Há um ritual que todo membro oficial dos Falcões Noturnos tem que passar. Eles têm que completar uma missão sozinhos. Claro, Dunn definitivamente escolheria as mais fáceis e simples para um novato. Além disso, você é um Beyonder do tipo suporte.
Capítulo 81
Capítulo 81 – Finalmente se Reunindo
— Eu tenho que completar uma missão de forma independente para me tornar um membro oficial? — Klein ficou surpreso. — Mas talvez nem tenhamos uma missão esta semana, e pode não ser tão simples.
Não significaria que levaria de um a dois meses para me tornar um
Falcão Noturno oficial? Só então terei um aumento salarial…
Velho Neil cheirou o café e lançou um olhar para ele.
— É apenas um ritual entre os Falcões Noturnos. Afinal, estamos no auge do perigo de Beyonders e não queremos que nossos colegas de equipe ajam como crianças que exigem cuidado constante. Isso não afetará o salário que você receberá como membro oficial, ou os privilégios necessários para cumprir seu dever.
Então, é apenas um ritual para obter o reconhecimento dos outros Falcões Noturnos… Mas, Sr. Neil, por que você enfatizou que isso não afetaria meu nível de remuneração como membro oficial… Deixei isso tão óbvio? — Klein tocou seu rosto e deu um sorriso envergonhado antes de perguntar:
— Tem que ser uma missão com envolvimento de Beyonders?
— Esse deveria ser o caso, mas seu desempenho ontem foi realmente impressionante. Você matou um Beyonder, de pelo menos Sequência 8, engenhosamente. Acredito que Frye, Royale e o resto já o reconheceram. Portanto, Dunn pode simplesmente te designar uma missão comum — explicou Velho Neil antes de suspirar de repente. — Você terá um grande aumento em seu salário. Eu nunca mais vou encontrar algo assim novamente em minha vida.
Klein riu enquanto levantava a questão sobre seu caminho de Sequência.
— Sr. Neil, você acha que a Sequência 8 de Vidente é Palhaço?
Na verdade, lembrando da descrição dos documentos confidenciais, isso pareceu fazer sentido.
Bom em lutar com truques…
— Eu não posso lhe dar nenhuma garantia, mas acho que é altamente provável. Em primeiro lugar, combina com o que é dito nos documentos. Seu movimento ágil e estilo de batalha baseado em truques são pontos-chave. Em segundo, outros caminhos de Sequência têm situações semelhantes. Você conhece a sequência correspondente 8 para Espreitador de Mistérios? — perguntou Velho Neil com uma risada.
— Não, não está escrito nas informações fornecidas pela Igreja. — Klein balançou a cabeça honestamente.
Velho Neil riu brevemente antes de dizer:
— Sou amigo íntimo de dois caras antigos do Consciência Coletiva das Máquinas. Eles mencionaram isso de passagem, como uma piada. A poção da Sequência 8 correspondente de Espreitador de Mistérios é Acadêmico Melee. Você ouviu isso? Acadêmico Melee! Deusa, eu não gosto de combates corpo-a-corpo, isso não combina nem um pouco com a imagem de um Espreitador de Mistérios!
— É, posso entender… Espreitador de Mistérios perseguem os mistérios por trás das coisas. Combate corpo a corpo é um desses mistérios — disse Klein depois de pensar um pouco.
Velho Neil terminou seu café moído à mão, e então acrescentou:
— Tudo bem, não vamos perder tempo. Vamos continuar nossos estudos de misticismo. Você ainda tem muita magia ritualística que precisa entender. E também precisa aprender a criar amuletos e talismãs.
— Tudo bem. — Klein sentou-se e planejou sua agenda para o dia.
De manhã vou estudar misticismo e ler todos os tipos de registros históricos. Vou enviar o pedido de compensação. Depois do almoço, praticar no Clube de Tiro. Então, vou para a Biblioteca Deweyville no Burgo Golden Indus ver se posso pegar emprestada a monografia e o diário correspondentes sobre o pico principal de Hornacis. Depois de fazer tudo isso, se tiver tempo, passarei algum tempo no Clube de Divinação. Eu não posso se desleixado com minha “atuação”.
Assim que o pedido de compensação for aprovado e eu receber o dinheiro, poderei comprar um novo terno a caminho de casa.
Sim… Vou pedir os materiais amanhã de manhã e tentar fazer um amuleto protetor para afastar o perigo para Melissa e Benson.
Em um refeitório adornado com um lustre e decorações elegantes.
Alguns amigos estavam parabenizando Joyce Meyer por sua fuga do perigo e seu retorno a Tingen.
— Todos nós lemos as notícias. Apenas a descrição escrita foi suficiente para me assustar — disse um homem com uma barba curta no queixo. — Joyce, eu não posso acreditar que você passou por tal provação. Saúde! A tragédia já acabou, e a luz do sol brilha sobre nós. Exaltado é o Vapor. Exaltado é o Vapor.
Joyce e sua noiva, Anna, levantaram as taças e as tilintaram com os amigos. Então, eles engoliram o pouco champanhe que havia sobrado.
— Anna estava extremamente preocupada na época. Eu suspeito que ela tenha chorado todas as noites. Todas as vezes que eu a convidava para um chá da tarde ela estava sempre distraída. Felizmente, você finalmente está de volta. Caso contrário, acho que ela teria falecido. — Uma jovem senhora, com um nariz pequeno e bonito e cabelo castanho enrolado, disse a Joyce enquanto olhava para Anna.
— Seria o mesmo comigo se Anna experimentasse algo assim; na verdade eu poderia estar em um estado ainda pior. — Joyce, de nariz aquilino, olhou gentilmente para sua noiva, que estava sentada ao lado dele.
Anna não estava acostumada a expressar suas emoções na frente dos outros; ela olhou para o lado oposto da mesa e disse:
— Bogda, por que você está mantendo a cabeça baixa o tempo todo? Eu posso sentir o quão ruim está o seu humor.
A jovem com um nariz delicado respondeu no lugar de Bogda.
— Bogda está doente. O médico disse a ele que há algo seriamente errado com seu fígado. Ele só pode usar remédios para reduzir a dor, mas isso não trata sua doença. Ele precisa se submeter à cirurgia.
— Senhor, quando isso aconteceu? — perguntaram Anna e Joyce, surpresos e preocupados.
Bogda era um jovem de cabelos curtos, mas seu rosto estava pálido. Seus olhos vermelhos normalmente brilhantes foram substituídos por um olhar opaco.
— Aconteceu na semana passada. Como Joyce ainda não tinha voltado, eu disse a Irene para não lhe contar — explicou Bogda com um sorriso pesaroso.
Joyce perguntou calmamente:
— Você decidiu quando vai fazer a cirurgia?
A expressão de Bogda mudou algumas vezes e ele disse:
— Não, eu ainda não decidi. Como sabe, esses cirurgiões são praticamente açougueiros. O paciente é como um pedaço de carne em um bloco de corte, permitindo que eles matem as pessoas como bem entendem! Eu li vários relatórios. Eles até usam um machado para amputação! Senhor, suspeito que eu poderia muito bem morrer na mesa de operações.
— Mas se você adiar ainda mais a cirurgia pode não ser capaz de salvá-lo — disse o homem de barba, numa tentativa de persuadi-lo.
Naquele momento, Anna interveio:
— Bogda, talvez você deva considerar fazer uma divinação. Se a divinação indicar que tudo correrá bem, então proceda com a cirurgia o mais rápido possível. Se o resultado da divinação for ruim, busque outros meios. Procure pela ajuda de um especialista em divinação; eu conheço um verdadeiro e misterioso adivinho. Não, eu deveria me dirigir a ele como um Vidente. Acredito que ele definitivamente possa ajudá-lo.
— Sério? — Bogda retornou com uma pergunta, claramente duvidoso. Seus outros amigos compartilhavam da mesma atitude.
— Sim — Anna assentiu sem hesitar. — Contratei seus serviços de divinação e, depois de divinar a situação de Joyce, ele me disse para voltar para casa. “Seu noivo está em casa esperando por você.” Naquela época, eu era como todos vocês, cheia de dúvidas. Mas quando voltei para casa, realmente vi Joyce. Ele estava mesmo de volta!
— Eu posso testemunhar sobre este ponto — confirmou Joyce.
Ele não mencionou que havia procurado a ajuda de Klein para interpretar seus sonhos. Isso porque a polícia o informou que Tris ainda não havia sido pego. Portanto, ele tinha que manter segredo, a fim de evitar que qualquer vingança contra a ele.
— Senhor, isso é absolutamente inacreditável!
— A divinação é realmente tão mágica?
…
Em meio aos gritos, Bogda pensou profundamente por um momento antes de dizer:
— Talvez eu deva me consultar com um especialista em divinação então. Anna, Joyce, vocês poderiam me dizer o nome e o endereço do Vidente?
Anna deu um suspiro de alívio e disse:
— Você fez uma escolha muito sábia.
— Esse vidente está no Clube de Divinação na rua Howes.
— Seu nome é Klein Moretti.
Burgo de Golden Indus. Biblioteca Deweyville.
Klein usou a nota de introdução da carta de seu mentor para solicitar com êxito um passe de empréstimo.
Enquanto virava o pequeno cartão na mão, ele perguntou a alguns bibliotecários:
— Vocês têm a Pesquisa das Relíquias do Pico Principal de Hornacis aqui? Foi publicada pela Editora Loen.
Um bibliotecário respondeu imediatamente:
— Por favor, aguarde um momento. Deixe-me verificar os registros.
Ele se virou e olhou para as gavetas, abriu então a parte da letra que correspondia a Hornacis e folheou um cartão cheio de palavras em formato de lista que seguiam uma ordem específica.
Após uma inspeção cuidadosa, ele balançou a cabeça e disse:
— Desculpe, senhor. Não temos este livro em nossa coleção.
— Que pena — respondeu Klein, claramente decepcionado.
Pelo que parece, preciso escrever para a Editora Loen ou fazer uma visita à Universidade de Khoy…
Enquanto isso, ele suspirou interiormente enquanto pensava como era obsoleta a administração das bibliotecas deste mundo.
Vocês precisam de um computador. Infelizmente, não posso criar um… — Klein fez um comentário depreciativo para si mesmo e então se virou para perguntar:
— Então, tem as edições do Nova Arqueologia e Resumo da Arqueologia?
— Sim — confirmou o bibliotecário. — Um cavalheiro acabou de devolvê-los.
Ele pegou o cartão correspondente e apontou na direção da estante.
Klein foi até a estante de livros, examinou as edições do periódico e retirou as mencionadas por seu mentor.
Então, ele encontrou aleatoriamente um lugar perto da janela para se sentar. Sob o sol brilhante da tarde, ele começou a ler silenciosamente as informações na biblioteca.
“…Relíquias antigas não existem apenas no pico principal da cordilheira Hornacis. Elas também estão espalhadas pelas florestas circundantes, vales e encostas suaves ao redor do pico principal…”
“…Essas relíquias são formadas por cúpulas elevadas e colunas de pedra gigantescas. Honestamente, elas podem ser descritas como magníficas…”
“…Estou curioso para saber como os moradores originais exploravam e processavam essas rochas? Hipoteticamente, vamos supor que eles tenham realizado sua operação de mineração no local sem precisar enviá-los montanha acima…”
“…Há um padrão estranho em que as relíquias aumentam de tamanho quanto mais perto do pico da montanha se está. Mas, surpreendentemente, não há ruínas no pico. De acordo com nossa hipótese, deveria haver palácios que não se assemelham à edifícios construídos pelo homem, salões divinos usados para sacrifícios…”
Palácios que não parecem ter sido feitos pelo homem… Salões divinos usados para sacrifícios… Seria o que eu vi no meu sonho? — Enquanto Klein ruminava, de repente ouviu passos se aproximando à distância.
Ele olhou para cima e viu um rosto familiar, um rosto que frequentemente aparecia nos jornais.
Ele tinha um rosto quadrado, sobrancelhas grossas, um nariz firme, cabelos loiros escuros e curtos, olhos azuis-celeste e lábios finos. Todas essas características pertenciam a uma certa pessoa famosa da cidade de Tingen, um filantropo, empresário e proprietário desta biblioteca: Sir Deweyville.
Ao lado de Deweyville estava o mordomo de meia-idade que Klein havia conhecido anteriormente.
Por curiosidade, Klein levantou a mão direita e tocou levemente em sua glabela duas vezes enquanto os observava a mais de dez metros de distância.
Capítulo 82
Capítulo 82 – Loja de Ervas
Várias auras e cores surgiram e entraram na visão de Klein. Ele casualmente estudou a condição de Sir Deweyville.
Ele está muito saudável; quase não há problemas… Mas seu estado emocional está horrível. Em meio a monotonia, há fragilidade… Seu estado mental está frágil? Ele tem dificuldade em dormir? Mas a aura púrpura em sua cabeça está completamente bem… — pensou Klein silenciosamente para si mesmo enquanto Sir Deweyville andava até a saída da biblioteca.
Retraindo o olhar, Klein beliscou a testa e suspirou por dentro.
Ser um magnata com certeza não é fácil…
Ele não pensou muito sobre o assunto e voltou seu olhar para as questões do jornal em sua frente.
Klein não encontrou muitas pistas depois de sua leitura. Ele só pôde confirmar algumas coisas.
Primeiramente, existia um antigo reino na cordilheira de Hornacis, bem como em seus arredores. A história desse antigo reino é datada de pelo menos 1500 anos. Em segundo lugar, seu estilo arquitetônico tratava principalmente em ser grandioso. Eles deixaram para trás todos os tipos de murais, dos quais pode-se deduzir que acreditavam que a Noite Eterna protegeria os entes queridos dos que partiram. Finalmente, nas ruínas, haviam símbolos que representavam a Noite Eterna em todos os lugares, mas eram claramente diferentes do Emblema Sagrado da Noite Eterna.
— Se eu tiver uma oportunidade, não, mesmo se tiver, nunca vou lá! — murmurou Klein com os dentes cerrados. Ele jurou não cortejar a morte.
Depois de arrumar os artigos da revista e devolvê-los a seus lugares originais, ele colocou sua meia cartola, ergueu a bengala e saiu da biblioteca Deweyville.
Clube de Divinação.
Bogda olhou para a bela dama encarregada de receber os convidados e disse:
— Gostaria de uma divinação.
Angélica sorriu educadamente quando explicou:
— Você já tem um adivinho em mente? Ou gostaria de folhear o nosso guia de introdução e escolher o mais adequado para você?
Bogda pressionou o lado direito de seu abdômen e ofegou em silêncio para respirar, dizendo:
— Gostaria que o Sr. Klein Moretti divinasse para mim.
— Mas o Sr. Moretti não está aqui hoje — respondeu Angélica com incerteza.
Bogda ficou em silêncio por um momento enquanto andava alguns passos e então perguntou:
— Quando Sr. Moretti estará disponível?
— Ninguém sabe. Ele tem seus próprios assuntos a tratar. Ao que parece, ele geralmente vem nas tardes de segunda-feira — disse Angélica enquanto ponderava sobre o assunto.
— Tudo bem. — O rosto de Bogda ficou sombrio e ele se virou, planejando sair.
— Senhor, você também pode escolher outros adivinhos. Por exemplo, você pode escolher o Sr. Hanass Vincent, que é famoso na cidade de Tingen — Angélica fez o possível para não perder negócios.
Bogda parou e pensou por um momento antes de dizer:
— Não, eu só confio no Sr. Moretti. Bem, posso esperar aqui por um momento? Talvez ele venha depois de resolver seus assuntos.
— Sem problema — respondeu Angelica com um sorriso caloroso.
Bogda foi ao sofá e se sentou. Às vezes acariciava sua bengala; outras vezes olhava pela janela, parecendo claramente impaciente.
Segundos se transformaram em minutos. Quando a mente de Bogda estava uma bagunça, sem saber se deveria continuar esperando ou ir embora, ele ouviu a bela dama exclamar com agradável surpresa:
— Boa tarde, Sr. Moretti!
Klein viu a familiar Angélica e estava prestes a perguntar por que era sempre ela que cuidava dos assuntos do Clube. Ela não precisava descansar ou tirar alguns dias de folga?
No entanto, ele imediatamente considerou que era um Vidente, portanto não era apropriado que fizesse essas perguntas. Em vez disso, tinha que usar o tom de um charlatão e dizer algo como: Como é maravilhoso que o destino permitiu nos encontrarmos mais uma vez, Madame Angélica.
Uh, iria parecer que estou dando em cima ela? — Depois de muito pensar, ele finalmente respondeu com um sorriso:
— Boa tarde, Madame Angélica.
— Um cliente deseja contratá-lo para uma divinação. — Angélica apontou para Bogda, que havia se levantado às pressas do sofá.
Alguém realmente me solicitou? — Klein tirou a meia cartola em agradável surpresa, tocando sua glabela duas vezes enquanto isso. — Boa tarde, senhor… — Ele estava olhando quando sua voz de repente parou.
Em sua visão espiritual, ele viu o fígado do solicitante ficar sombrio. Estava quase preto. Isso estava desequilibrando o resto do corpo, pois sua aura estava fina em vários lugares.
Klein deliberou sobre suas palavras e disse com uma expressão séria:
— Senhor, você deve consultar um médico e não procurar por uma divinação.
Bogda ficou atordoado no local e ficou imediatamente com um olhar de surpresa enquanto murmurava: — Que fascinante…
— Anna não estava mentindo…
…
Ele apressadamente olhou para Klein com seriedade.
— Sr. Moretti, eu já consultei um médico e talvez precise ser operado. No entanto, estou com medo da cirurgia. Gostaria de divinar o resultado.
Cirurgias desta época são realmente repletas de perigos… Embora Imperador Roselle tenha dado o ímpeto, essa era ainda carece da maior parte da tecnologia necessária… — Klein não rejeitou o pedido e assentiu levemente.
— Minha taxa de divinação é de oito centavos. Tudo bem?
— Oito centavos? — Bogda exclamou surpreso. — Está cobrando apenas oito centavos?
De acordo com a descrição de Anna e a performance que o Sr. Moretti acabou de demonstrar, estou disposto a pagar pelo menos uma libra!
Não ouviu falar de pequenas margens com grande volume? — Klein ficou envergonhado por um momento. Depois de pensar por alguns segundos, ele calmamente sorriu e respondeu:
— É o suficiente ser abençoado com a capacidade de receber revelações do divino e ter um vislumbre do destino. Portanto, devemos manter nossa humildade e suprimir nossa ganância. Apenas assim podemos continuar sendo agraciados com nossos dons.
— Você é um verdadeiro vidente. — Bogda segurou seu peito e se curvou, seu tom cheio de sinceridade.
Ao receber o elogio e a confiança de Bogda, a espiritualidade de Klein pareceu relaxar. A descrição de seus “princípios” também lhe deu uma nova visão.
— Senhorita. Angélica, a sala Topázio está disponível? — Ele se virou para a bela dama ao seu lado.
Angélica soltou um suspiro de alívio por Bogda enquanto sorria docemente.
— Sim.
Depois de entrar na sala de divinação, Klein instruiu Bogda a trancar a porta. Então sentou-se atrás da mesa e tocou levemente sua testa.
— Usaremos cartas de tarô para a divinação? — perguntou Klein com um sorriso.
Radiestesia Espiritual só era adequada para determinar assuntos relacionados a ele. Quanto ao desenho de um astrolábio, era muito demorado.
— Deixo por sua escolha. — Bogda não tinha objeções.
Portanto, Klein o ajudou a embaralhar e cortar o baralho antes de colocar as cartas em uma formação Intis.
Graças a sua peculiaridade como Vidente, Klein não virou as outras cartas. Em vez disso, virou diretamente a carta que indicava o resultado final.
— Uma Roda da Fortuna invertida. As coisas vão se desenvolver mal — constatou Klein solenemente enquanto lançava um olhar.
A cor no rosto de Bogda se esvaiu instantaneamente e seus lábios tremeram.
— Não tem jeito?
Klein tentou ao máximo pensar em uma solução, e disse:
— Deixe-me tentar um método de divinação diferente. Por favor, deixe seu anel comigo. Em seguida, escreva sua data de nascimento neste pedaço de papel e então, por favor, espere do lado de fora, em silêncio.
Influenciado por seu tom gentil e reconfortante, Bogda se acalmou e seguiu as instruções, escrevendo as informações e deixando o anel para trás.
Enquanto observava Bogda sair, Klein escreveu uma frase no pedaço de papel.
— Resultado da cirurgia de Bogda Jones.
Ele pegou o anel e o papel e se recostou em seu assento antes de usar uma técnica de divinação de sonhos.
Ele gradualmente se encontrou em um mundo embaçado e distorcido, apenas para ver o cavalheiro entrar em colapso com uma expressão pálida. Ele estava coberto com um pano branco quando foi empurrado para fora da sala de operações.
Desta vez, Klein não encontrou nada estranho. Ele não sentia mais a sensação de estar sendo observado, então rapidamente acordou. Ele franziu as sobrancelhas enquanto considerava como ia informar Bogda sobre o resultado.
A cirurgia pode muito bem levar à morte… Eu posso tentar a magia ritualística restaurativa que aprendi hoje… mas isso exporia a questão de Beyonders. Além disso, teria que pedir a aprovação do capitão primeiro… E talvez não seja capaz de tratar uma doença tão grave… — Klein estava se atormentando quando de repente lembrou de algo.
A doença pulmonar do Sr. Glacis foi tratada por um boticário. Ele disse que o remédio foi extremamente milagroso… Onde era? Certo, Lawson Darkwade, rua Vlad nº 18, no Burgo Leste. Loja de Ervas Tradicionais Lawson! — Klein havia tentado desesperadamente memorizar o endereço naquela época, então conseguiu rapidamente se lembrar dos detalhes.
Ele tocou nos cantos da mesa e rapidamente tomou uma decisão.
Depois de usar Radiestesia Espiritual para determinar rapidamente se era uma ideia boa ou ruim, Klein saiu da sala Topázio. Quando viu Bogda se levantar, ele devolveu o anel e disse calorosamente com um sorriso:
— Encontrei uma esperança para você.
— Verdade? — perguntou Bogda, agradavelmente surpreso.
Klein não respondeu, mas continuou falando.
— Sua esperança está no Burgo Leste, na rua Vlad. Está relacionada ao nome Lawson.
— Se não puder encontrar, volte aqui novamente na segunda-feira às quatro da tarde.
— Bom. Bom. — assentiu Bogda. Ele pegou sua carteira e tirou uma moeda de cinco e três de um centavo, ainda animado.
Ele havia feito de acordo com o que Klein havia dito, sem gorjetas para não corromper um verdadeiro vidente.
Os cantos dos lábios de Klein se contorceram quando recebeu o dinheiro, mas sorriu brilhantemente.
— Espero que encontre sua esperança o mais rápido possível.
Depois que Bogda saiu, ele entregou a comissão como da vez anterior e também deu gorjetas a Angélica, fingindo que tinha recebido um soli.
Burgo Leste. Rua Vlad.
Bogda andou de uma extremidade da rua a outra, repetindo três vezes até seu fígado começar a doer.
Finalmente, ele determinou que havia apenas um lugar que tinha algo a ver com Lawson na rua. Era a Loja de Ervas Tradicionais Lawson, de número 18.
Reunindo sua coragem, entrou e sentiu o cheiro das várias ervas, percebendo que o dono da loja tinha cabelos pretos, mas muito curto. Seu rosto era redondo e ele parecia estar em seus trinta ou quarenta anos.
Seu traje formal lembrava o de um curandeiro de aldeia. Era um manto preto profundo bordado com todos os tipos de símbolos estranhos.
— Olá, você tem algum medicamento que possa tratar minha doença? — Bogda perguntou educadamente.
O dono ergueu a cabeça e, passando seus profundos olhos azuis por Bogda, sorriu.
— Sua doença hepática é muito séria, mas a premissa de tudo é se você tem dinheiro. Você tem dinheiro suficiente para pagar pelo medicamento?
Ele sabe? — De repente, Bogda se sentiu muito mais confiante ao assentir freneticamente.
— Quanto custa o medicamento?
— Dez libras. É um preço muito justo. — O chefe tirou um saco de ervas da parte de baixo do balcão e explicou:
— Adicione água suficiente e ferva. Depois de ferver, adicione dez gotas de sangue de galo fresco e beba imediatamente. Esse saco de ervas pode ser preparado três vezes. Você ficará bem após isso.
Enquanto falava, ele abriu o papel marrom amarelado e jogou todos os tipos de ervas estranhas dentro.
Parece extremamente suspeito… — Bogda engoliu a saliva e disse:
— Só isso?
O dono olhou para ele e sorriu imediatamente.
— Você ainda quer algo mais? Que tal esse saco? Assim que se recuperar da doença do fígado, posso lhe garantir que sua esposa ficará muito satisfeita.
Ele riu enquanto pegava um saco de ervas com papel preto e suprimia sua voz.
— Há pó de múmia dentro… Confie em mim, muitos aristocratas consomem isso. Eles colocam no chá ou fervem como sopa.
— … — Sua confiança no dono da loja oscilou ao ponto dele se sentir enojado.
Eu confio no Sr. Moretti… — Ele respirou fundo, pegou a carteira e tirou as duas maiores notas do pouco que restava de suas libras de ouro.
Capítulo 83
Capítulo 83 – Gravação
Segurando o saco de papel marrom-amarelado cheio de ervas, Bogda saiu cambaleando da Loja de Ervas Tradicionais Lawson.
Enquanto esperava uma carruagem com trilhos, ele de repente se deu conta.
Ele gastou dez libras para comprar um saco de ervas?
Era quase um mês de salário para ele!
Se não fosse por sua confiança em Anna e Joyce, ele não teria trazido tanto dinheiro para o Clube de Divinação!
Será que a razão pela qual o Sr. Moretti aceitou apenas oito centavos por sua divinação teve algo a ver com alguma conspiração com o dono da Loja de Ervas Tradicionais Lawson, para ganhar mais? É um golpe clássico! — Quando Bogda fez essa conexão, ele até começou a suspeitar um pouco de Klein. Também começou a suspeitar de Joyce e Anna.
Quando uma carruagem parou à sua frente, ele olhou para as ervas em sua mão. Incapaz de se fazer voltar atrás, ele entrou na carruagem com o coração pesado.
Dentro da Loja de Ervas Tradicionais Lawson.
Enquanto o dono observava Bogda partir, ele de repente virou a cabeça e gritou para a porta onde havia uma pilha de ervas:
— Scharmaine, pare de comprar ervas a partir de hoje.
— Po-por que, mestre? — Um jovem bonito, de cabelos despenteados, saiu.
O dono sorriu e explicou:
— Este é o décimo sexto cliente que veio por causa da minha fama. Se isso continuar, acredito que os Falcões Noturnos, a Consciência Coletiva das Máquinas e os Punidores a Mandato me notarão. Quando chegar a hora, vou precisa considerar ir para outras cidades.
— Então precisamos sublocar a loja? — Scharmaine assentiu em compreensão, enquanto perguntava com preocupação.
O dono riu.
— Se quiser ficar, pode se tornar o chefe desta loja. Você já é capaz de identificar ervas e misturar medicamentos. Claro, lembre-se de depositar metade dos seus lucros mensais na minha conta anônima no Banco de Backlund.
— Mas eu ainda não aprendi sua especialidade. — Scharmaine já estava cansado de nunca ficar na mesma cidade por mais de um ano, mas também não estava disposto a desistir de aprender as fórmulas mágicas nas quais seu mestre era bom.
O dono balançou-se vagarosamente em seu assento.
— Não é algo que você possa aprender só porque quer…
Um líquido borbulhante verde-escuro apareceu na frente dos olhos de Bogda. Cheirava a meias fedorentas e tinha uma cor capaz de fazer alguém querer vomitar, o que o deixou profundamente desconfiado de tudo o que havia feito hoje.
Quando o sangue de galo foi colocado no remédio, o pai de Bogda olhou preocupado para seu filho e disse:
— Acho que a cirurgia é a melhor opção.
As poucas gotas de sangue de galo borbulharam com o líquido fervente antes de desaparecer. Bogda respirou fundo e disse:
— Se este medicamento for inútil, considerarei a cirurgia.
— O Senhor cuidará de você. — O pai de Bogda gesticulou um emblema sagrado triangular no peito.
Bogda não tinha intenção de desperdiçar as dez libras, então quando o líquido em ebulição esfriou, ele levantou a mão direita e fechou os olhos. Jogando a cabeça para trás, ele engoliu o remédio de uma só vez.
O aroma pungente que tinha um cheiro nocivo de sangue inundou sua boca e ele quase cuspiu tudo o que havia acabado de beber.
Naquela noite, Bogda teve dor de estômago. Ele foi ao banheiro seis vezes, só conseguindo adormecer quando a lua carmesim desapareceu.
Depois de um período desconhecido de tempo, ele acordou, sonhando que estava sendo repreendido por seu chefe no trabalho.
Felizmente, tirei três dias das férias anuais. Não preciso me apressar para ir ao trabalho. — Bogda deu um suspiro de alívio quando descobriu que se sentia muito mais animado.
Isso contrastava com o estado mole em que ele se encontrava nas últimas semanas.
Bogda subconscientemente estendeu a mão e apertou o lado direito do abdômen. Ele notou que a região que antes doía mesmo sob leve pressão, parecia normal. Ele apenas sentiu a dor da pressão comum.
— Não me diga que realmente foi eficaz? Aquele boticário estava claramente me enganando… — Bogda ficou surpreso e duvidoso ao sair da cama. Se espreguiçando, ele sentiu sua saúde retornar.
Ele ficou em silêncio por um longo tempo antes de murmurar:
— De acordo com o boticário, ainda preciso beber duas vezes.
Quando terminar, irei ao hospital para consultar um médico…
— Aquele boticário não me disse quantas vezes posso beber por dia…
— … Ainda acho que ele é uma fraude…
Dentro do escritório civil da Companhia de Segurança Blackthorn.
De acordo com seu pedido anterior, Klein recebeu um espaço onde ninguém o perturbaria.
Ele segurava uma faca de talhar e emitia sua espiritualidade enquanto gravava seriamente os encantamentos e símbolos em dois acessórios de prata.
O encantamento era um pedido para evitar desastres e foi escrito em Hermes. Os dois símbolos do misticismo simbolizavam a Deusa da Noite Eterna, bem como a Imperatriz do Desastre e do Horror.
Klein também adicionou o número do caminho que correspondia à deusa, sete, e a característica mágica.
Além disso, talismãs e amuletos tinham que ser gravados nos dois lados; e os símbolos, encantamentos e características de cada lado, sua localização exata ou formato especial estavam no reino do misticismo. Os que estavam espalhados entre a população comum estavam cheios de erros.
Naquele momento, Klein tinha muitos materiais danificados à sua direita. Através de várias tentativas, e somente depois que havia confirmado que havia praticado o suficiente que teve coragem de começar a criar os amuletos para Benson e Melissa.
Enquanto se acalmava, sua espiritualidade emanava da ponta da lâmina. O número 7 apareceu na superfície dos acessórios de prata.
Ele já havia terminado de gravar os encantamentos e símbolos do outro lado do acessório; tudo o que restava era terminar o lado restante.
Depois de pousar a faca, toda sua espiritualidade ficou presa, e Klein de repente sentiu uma estranha, majestosa e aterrorizante onda de energia por toda a sala.
A comoção desapareceu rapidamente e os encantamentos dos dois lados do acessório se completaram segundo sua Visão Espiritual, passando a emitir uma escuridão serena.
Ele abaixou a lâmina e poliu delicadamente o acessório de prata formado por um círculo e uma peça vertical. Ele sentiu uma pontada de frieza na superfície suave ao toque.
— Acabei! — Ele alegremente colocou o amuleto pronto e outro que já havia terminado no bolso, planejando encontrar uma oportunidade para entregá-los a Benson e Melissa.
Amuletos criados por Beyonders possuíam certo nível de eficácia. Eles permitiam que o usuário evitasse, sem saber, desastres até certo ponto, mas nada muito exagerado. Além disso, sua espiritualidade diminuiria pouco a pouco. A menos que alguém usasse uma magia ritualística de alto nível e criasse um conjunto de orações, um ano era o máximo que seu efeito duraria. Quanto à magia ritualística de alto nível, havia um requisito de espiritualidade assustadoramente alto. Não era algo que Klein pudesse suportar no momento.
Quando chegar a hora, posso usar minha espiritualidade para fazer outro… — pensou Klein, assentindo enquanto começava a arrumar a mesa bagunçada.
Ele não fez um para si no momento, porque um amuleto desse nível teria efeitos limitados sobre ele. Portanto, seu objetivo era obter uma compreensão mais profunda dos encantamentos antes de tentar combiná-los com magia ritualística. Dessa forma, poderia criar alguns amuletos defensivos que poderiam ser ativados especificamente com som.
Depois de terminar, Klein saiu do escritório e se preparou para entregar os materiais danificados, quando viu o capitão Dunn, vestindo seu casaco preto, se aproximar.
Os olhos profundos e cinzentos de Dunn o varreram enquanto sorria.
— Klein, a Catedral Sagrada aprovou. Agora você é um membro oficial.
— Verdade? Isso é ótimo! — Klein expressou sua alegria.
Dunn assentiu e disse com um sorriso:
— Você receberá uma compensação de três libras por essa semana, passando a receber 4,50 libras a cada semana subsequente até que o adiantamento seja todo pago.
— A propósito, já mencionei o ritual dos Falcões Noturnos?
— Todo Falcão Noturno oficial tem que completar uma missão de forma independente. Somente fazendo isso você obterá o reconhecimento de seus parceiros. Considerando o excelente desempenho que mostrou, acredito que posso atribuir uma missão comum a você. Quando a concluir vou apresentá-lo formalmente a todos os Falcões Noturnos da cidade de Tingen.
Klein respondeu sem hesitar:
— Tudo bem!
Três libras mais sua compensação de sete libras. Comprar um novo terno não era mais um problema!
Além disso, ainda teria muito de sobra!
Bem, quem sabe quando minha missão chegará…
Klein esperou até domingo, o dia do banquete de aniversário de Selena.
Vestindo seu traje formal e usando uma escova e um lenço para limpar sua meia cartola, Klein se olhou no espelho antes de caminhar para o primeiro andar, satisfeito.
Naquele momento, Melissa estava avaliando as roupas de Benson.
— Algo errado? — Benson levantou a bengala, sentindo-se um pouco desconfortável devido ao olhar de sua irmã.
Ele sentiu que não havia nada de errado quando ele mesmo se inspecionou, concluindo então que estava bem arrumado.
Melissa parou de encará-lo e disse com uma expressão séria:
— Benson, esse terno que você está vestindo é muito velho.
— Haverá excelentes damas e madames participando do banquete de aniversário de hoje. Acredito que usar isso será um desrespeito a elas.
Klein estava originalmente cheio de perguntas. No entanto, quando ouviu a ênfase de Melissa, imediatamente percebeu o que estava acontecendo. Ele deu uma risada e disse:
— Benson e eu compartilhamos uma constituição semelhante. Ele pode usar meu outro smoking.
Ele já havia informado seus irmãos sobre a compra de um terno novo. Ele explicou dizendo que suas roupas foram rasgadas enquanto inspecionava certos objetos. Portanto, a empresa o recompensou generosamente. Claro, ele ocultou a questão de ser “promovido com um aumento salarial”, com medo de assustá-los, e só planejava contar depois de meio ano.
Tal explicação deixou Benson e Melissa extremamente invejosos. Eles acharam que a Companhia de Segurança Blackthorn era um empregador impecável.
— Não há necessidade, certo? — respondeu Benson, não tendo percebido a gravidade da situação.
— Não, é extremamente importante. — Klein empurrou Benson para as escadas. — Meu smoking está pendurado no cabideiro.
Depois de ver Benson subir as escadas confuso, Klein se virou e sorriu para Melissa.
— Você espera que Benson aproveite a oportunidade oferecida pelo banquete de aniversário da Selena para começar um belo romance?
Ele havia lido muitos jornais e revistas recentemente e sabia que aristocratas e banquetes de classe média eram tipicamente motivos para encontros às cegas.
Melissa assentiu solenemente.
— Sim, Benson deixou de ter muitas coisas por nossa causa.
Mana, você é como uma mãe… — Klein olhou para Melissa quando de repente balançou a cabeça com uma risada exasperada.
Nota:
Decidimos mudar Punidores a Mandatado para Punidores a
Mandato a partir deste capítulo.
Capítulo 84
Capítulo 84 – Elizabeth
Vendo o olhar não convencido de sua irmã, Klein de repente sentiu que era uma boa oportunidade. Avaliando a situação, ele disse com uma expressão solene:
— Melissa, acho que você também não está mostrando respeito suficiente pelo o banquete de hoje.
— O quê? — Melissa tinha um olhar confuso.
Klein apontou para o pescoço dela.
— Como uma Dama, falta um colar para acentuar essa área.
Sem esperar que sua irmã dissesse outra palavra, ele sorriu enquanto pegava um amuleto de prata enfeitado com asas de anjos do bolso.
— Felizmente, eu preparei um para você.
— … — Melissa ficou surpresa antes de perguntar:
— Quanto foi?
Mana, suas preocupações estão no lugar errado… — Klein zombou silenciosamente e explicou com uma risada:
— Na verdade, não foi muito caro. Como estava em um estado incompleto, imitei um item que vi antes e gravei encantamentos de bênçãos e belos desenhos nele.
— Você que gravou? — Melissa estava realmente distraída.
— Como está? O que achou do meu trabalho? — Klein aproveitou a oportunidade para entregar o amuleto à sua irmã.
Melissa o estudou antes de morder suavemente o lábio.
— Eu gosto das penas de anjo ao redor.
Se você acha que os encantamentos e símbolos que gravei são feios, basta dizer. Não há necessidade de medir suas palavras… O valor de um amuleto está em seus efeitos! — O canto da boca de Klein se contorceu. Quando estava prestes a pedir à irmã que o aceitasse, ele viu Melissa colocar o colar com uma expressão forçada no rosto. Ela então ajustou cuidadosamente o posicionamento do amuleto.
— Perfeito. — Klein a avaliou e elogiou exageradamente.
Melissa olhou para ele e depois para o amuleto, dizendo então com indiferença:
— Klein, você nunca foi desse jeito. Agindo assim…
— Talvez seja por causa do meu bom trabalho. Com uma renda decente, me tornei mais confiante. — Klein interrompeu a irmã e deu uma explicação.
Sigh, mesmo tendo recebido os fragmentos de memória originais de Klein e tentando parecer natural nos principais aspectos, certos detalhes ainda são notados. Ainda estou acostumado a apresentar minha verdadeira personalidade… Especialmente quando estou me aproximando e familiarizando mais com Benson e Melissa… — Ele suspirou internamente.
Melissa pareceu aceitar a explicação dele.
— É ótimo que você seja assim… realmente ótimo…
Após os dois conversarem, Benson desceu, tendo trocado de roupa. Ele usava uma camisa branca com um smoking preto. Sua gravataborboleta preta e um par de calças compridas e retas o faziam parecer que havia passado por uma transformação completa. Era como se ele fosse um empresário de sucesso depois de anos de trabalho duro.
O mesmo para as entradas do cabelo… — Klein riu internamente.
— Excelente, Benson. Fica muito bem em você — elogiou ele com um sorriso brilhante enquanto levantava as mãos.
Melissa, ao lado, também acenou de acordo.
— Os fatos mostram que minhas roupas são mais importantes que eu. — Benson fez um comentário irônico.
Klein aproveitou a oportunidade para pegar o amuleto restante e repetiu sua explicação antes de dizer:
— Eu também fiz uma para você.
— Nada mal. Vou levá-lo comigo. — Benson aceitou sem alarde enquanto brincava:
— Klein, eu não acharia estranho, mesmo que de repente você soubesse como pentear seu cabelo, fazer roupas, consertar relógios e alimentar babuínos de cabelos encaracolados.
— A vida é cheia de surpresas — respondeu Klein com um sorriso.
Depois disso, os irmãos se arrumaram e saíam pela porta principal. Eles pegaram uma carruagem pública sem trilhos e chegaram à rua Fania, no Burgo Norte, onde ficava a casa de Selena.
A família Wood também morava em uma casa geminada, mas, ao contrário da casa de Klein, eles tinham uma varanda. E tinham um pequeno gramado na frente, o que fazia com que parecesse muito elegante.
Quando tocaram a campainha, Klein, Benson e Melissa tiveram que esperar cerca de dez segundos antes que pudessem ver a estrela do dia, Selena Wood.
Com a cabeça coberta de cabelos cor vinho, a menina deu um abraço animado em Melissa.
— Eu gosto deste seu vestido. Faz você parecer excepcionalmente bonita.
Ao lado de Selena Wood estava seu pai, Sr. Wood, funcionário sênior da agência de Tingen do Banco de Backlund.
— Bem-vindo, honorável irmão mais velho. Bem-vindo, jovem historiador. — Ele deliberadamente se dirigiu a Benson e Klein de maneira exagerada.
Jovem historiador… Por que não acrescenta a descrição de eu ter consciência?… — retrucou Klein antes de tirar o chapéu e responder com um sorriso:
— Sr. Wood, você parece muito mais animado e mais jovem do que eu imaginava.
Seu estilo de bajulação, sem saber, tinha se inclinado para seu comportamento habitual dos fóruns de sua vida anterior .
Benson estendeu sua mão e apertou a mão de Wood.
— Conheço muitos funcionários do banco, mas todos são igualmente arrogantes e rígidos, como se fossem máquinas. Nenhum deles é tão civilizado quanto você.
— Se me encontrasse no banco, diria a mesma coisa. — Wood riu alegremente.
Depois de trocar gentilezas, Selena, que usava um vestido novo, levou os irmãos para dentro com um salto em seus passos. Às vezes, ela mencionava em seu tom habitual que “Elizabeth já está aqui” e outras, suprimia a voz dizendo:
— Melissa, seus irmãos são mais bonitos do que imaginava.
Ei, eu tenho boa audição… Embora você esteja me elogiando… — Klein olhou impotente para as duas meninas de dezesseis anos andando à sua frente.
Isso não está certo. Ainda estou longe de ser considerado bonito… Tsk, Srta. Selena, quão feio você imaginou que eu e Benson seriamos? Um homem careca, triste e gordo, com uma expressão pálida e olhos sem vida? — Klein tocou sua glabela de passagem enquanto praticava diligentemente sua visão espiritual.
Selena Wood está saudável. Ela está animada e muito feliz… Os pulmões do Sr. Wood não estão muito bem. Certo, vejo o cachimbo dele… — Klein varreu seu olhar através da multidão, estando de bom humor.
— Elizabeth, Melissa está aqui. — Naquele momento, Selena chamou com um tom alegre.
Uma menina vestida com um vestido azul com babados se aproximou. Ela tinha cabelos castanhos naturalmente cacheados e adoráveis bochechas macias de criança.
Klein ficou surpreso quando a viu porque conhecia a garota.
Ele a ajudou a escolher um amuleto no mercado clandestino!
Elizabeth cumprimentou Melissa antes de olhar para Benson e Klein.
Ela ficou atordoada e suas sobrancelhas se franziram levemente, como se estivesse pensando sobre algo.
Logo, Elizabeth sorriu e educadamente os cumprimentou como se nada tivesse acontecido.
Klein também fingiu não reconhecê-la. Sob a liderança de Wood, eles chegaram ao sofá da sala onde foram apresentados a Chris, irmão de Selena Wood, e aos outros convidados.
Enquanto Klein observava Benson conversando alegremente com Chris e os outros advogados sobre seu vizinho, Sr. Shaud, ele não pôde deixar de sentir inveja.
Não tenho essas habilidades de socialização… — Ele pegou um coquetel em uma mesa no canto da sala enquanto ouvia calmamente. Às vezes, ele assentia e respondia com um sorriso.
Não demorou muito para todos os convidados chegassem e o banquete começar oficialmente.
Como muitas pessoas foram convidadas, a mesa de jantar da família Wood não pôde acomodar a todos. Portanto, o banquete foi realizado em forma de buffet. A criada serviu os pratos de bife, frango assado, peixe frito, purê de batatas, etc. e os colocou em diferentes mesas. Os criados eram responsáveis por cortar a carne, permitindo que os convidados pegassem o que queriam.
Klein não pôde deixar de estalar a língua quando viu os elegantes pratos de porcelana e os talheres de prata. Ele achou que os Wood eram extravagantes demais para uma família de classe média.
Já que são tão ricos, por que Chris precisaria de tantos anos para se preparar para seu casamento? Quando ele pensou no que sua irmã havia mencionado anteriormente, ficou perplexo. Sim, provavelmente para economizar dinheiro para comprar esses talheres que, caso contrário, levariam muitos anos para pagar. Para essas famílias, parecer respeitável era uma necessidade!
Entre suas emoções confusas, Klein pegou um prato e caminhou até uma das mesas de jantar e pegou um pedaço de carne assada com mel.
Naquele momento, Elizabeth, com suas adoráveis bochechas, se aproximou. Enquanto olhava para a comida, ela sussurrou:
— Então você é irmão da Melissa… Obrigada. Selena gostou muito do amuleto que eu lhe dei. Ela disse que se sentiu mais saudável no momento em que o colocou.
Selena… Amuleto… — Klein de repente se lembrou do motivo para selecionar um amuleto para a garota ao seu lado.
Era para dar como presente de aniversário a uma amiga que gostava de misticismo!
Aquela amiga era Selena? Selena gostava de itens relacionados ao misticismo? — Klein franziu a testa levemente enquanto sorria educadamente.
— Pode ser semelhante a um efeito placebo.
Depois de dizer isso, ele esperou que ela elogiasse o Imperador Roselle.
No entanto, a reação de Elizabeth foi de confusão.
— O que é um efeito placebo?
— Significa que é completamente psicológico. Às vezes, acreditamos que ficaremos melhor e acabamos realmente ficando melhores — explicou Klein de modo grosseiro.
— Não, ela disse que é diferente dos amuletos que comprou no passado, que parece diferente ao toque também — enfatizou Elizabeth.
Ela inclinou a cabeça, lançou um olhar para Klein e disse com curiosidade:
— Nunca imaginei que o irmão de Melissa fosse especialista em misticismo.
— Como sabe, estudei história, por isso é comum encontrar assuntos semelhantes. — Klein desviou do assunto com habilidade e perguntou:
— Você também está estudando na Escola Técnica de Tingen?
— Não, Selena e eu éramos ex-colegas de escola de Melissa. Então, ela foi para a escola técnica. Eu estudo na Escola Pública Ivos que fica nas proximidades — explicou Elizabeth seriamente.
Uma escola pública não era estabelecida e mantida pelo governo. Em vez disso, era uma escola que aceitava estudantes do público. Foi uma evolução de boas escolas de gramática, cujo objetivo era formar graduados para ingressar na universidade. As escolas eram bastante caras e consideravam o histórico familiar dos alunos. Podia até estar fora do alcance das famílias típicas da classe média.
Ela não falou muito. Depois de escolher sua comida, voltou para o lado de Selena.
Depois de parabenizar a estrela do dia e desejar um feliz aniversário, o banquete gradualmente chegou ao fim. Klein e Benson foram convidados para um jogo de poker. O small blind era meio centavo e o big blind era um centavo. Quanto a Melissa, Elizabeth, Selena e suas amigas, elas foram para o segundo andar. Não se sabia se eles estavam conversando ou jogando.
A sorte de Klein estava muito ruim. Ele jogou cerca de vinte rodadas, mas não recebeu nenhuma boa mão. Tudo o que pôde fazer foi desistir e ser um espectador.
Quando ele virou as pontas das cartas novamente, encontrou um Dois de Copas e um Cinco de Espadas.
Devo tentar blefar uma vez? — Klein considerou por um momento, mas não conseguiu reunir coragem. Ele também resistiu ao desejo de usar divinação para trapacear.
Ele cobriu as cartas e bateu na mesa, indicando que não estava fazendo um call. Então, ele se levantou e deixou a mesa para ir ao banheiro.
Roselle também era uma pessoa com um transtorno obsessivocompulsivo. Ele realmente encontrou um motivo estranho para nomear o estilo de jogo Texas… — Klein balançou a cabeça enquanto andava.
Naquele momento, ele de repente parou enquanto suas pupilas se contraíram.
Sua percepção espiritual lhe dizia que havia uma estranha flutuação no andar de cima!
Capítulo 85
Capítulo 85 – Urgência
A flutuação estranha, distorcida e obscura não durou muito. Pouco depois, Klein até suspeitou que estivesse tendo alucinações.
Se ele não fosse considerado bastante habilidoso em percepção espiritual, era muito provável que não daria importância alguma a tal anormalidade.
Klein franziu as sobrancelhas ao pensar em sua irmã lá em cima. Segurando firmemente sua bengala, ele caminhou do banheiro até a escada da casa dos Wood, e rapidamente subiu as escadas enquanto seguia os traços com sua percepção espiritual antes de chegar à sala de estar ao lado da varanda.
Deve ser aqui… — Klein murmurou enquanto levantava a mão, tocando duas vezes em sua glabela.
Auras penetraram nas paredes e na grande porta de madeira antes de entrar em sua visão. A maioria das cores eram comuns, com um contorno desfocado.
No entanto, uma em particular estava ondulando com uma sinistra cor verde escura sobre sua superfície que lentamente corroía seu interior.
Como pensei, há algo errado. — Klein tinha uma expressão séria quando estendeu a mão direita e removeu a corrente de prata que estava enrolada ao redor do pulso esquerdo.
Ele segurou a corrente de prata na mão esquerda, permitindo que o topázio oscilasse diante dele.
Quando o topázio parou de girar, ele traçou a luz esférica e recitou internamente:
No quarto à minha frente há perigo causado pelo sobrenatural.
Normalmente, a radiestesia espiritual era adequada apenas para divinar algo que estava relacionado a ele ou a circunstâncias específicas em uma pequena região ao seu redor. Como tal, Klein a descreveu de maneira muito específica: o “perigo” poderia afetá-lo e a sala estava bem na sua frente.
…
No quarto à minha frente há perigo causado pelo sobrenatural.
Depois de repetir sete vezes, Klein arregalou os olhos ao ver o topázio girando rapidamente no sentido horário.
Era uma indicação de que realmente havia perigo causado pelo sobrenatural dentro do quarto, e era consideravelmente perigoso!
Selena é uma entusiasta do misticismo. Algo deu muito errado quando estava brincando com algum tipo de ritual? O que devo fazer? — Klein massageou as têmporas e enrolou a corrente no pulso antes de bater na porta.
Toc! Toc! Toc!
Ele bateu na porta três vezes ritmicamente enquanto exibia um sorriso amável no rosto.
A porta se abriu com um rangido e Melissa, que estava usando seu vestido novo, apareceu na frente de Klein.
— Klein, algo errado? — A garota não esperava que seu irmão estivesse aqui, então ficou momentaneamente surpresa.
Klein respondeu com um sorriso, sem nenhum sinal de angústia.
— Eu só estava curioso desde que ouvi vocês, jovens moças, se divertindo.
— Desculpe por incomodar vocês. — Melissa abaixou a cabeça em desculpas, sentindo-se um pouco envergonhada. — Estamos brincando com divinação de espelho mágico. Selena sabe bastante sobre isso, e é muito divertido.
Divinação de espelho mágico… Irmã, por que você não tenta o desafio de Charlie Charlie ou brinca de tabuleiro Ouija? — Klein balançou a cabeça, sentindo-se irritado, mas entretido.
Ele olhou atrás de Melissa, para a sala de estar, e viu Selena com seu sorriso radiante e suas covinhas profundas.
No entanto, em sua Visão Espiritual, a garota de cabelos vermelhos, que estava segurando um espelho revestido de prata, estava sendo invadida pelas sinistras cores verde-escuras.
Enquanto sua mente trabalhava, Klein deliberou sobre suas palavras e disse:
— Heh heh, eu não vou interromper seu jogo. Ah, certo. Onde está Elizabeth? Eu conversei com ela sobre gramática de Feysac. Ela mencionou que queria me perguntar algumas coisas.
— Elizabeth? — Melissa avaliou seu irmão e disse em um tom excêntrico para enfatizar suas palavras. — Ela tem apenas 16 anos.
Ei, não diga bobagens!
Klein explicou imediatamente:
— É uma discussão acadêmica muito normal. Elizabeth tem grande interesse em história e línguas antigas.
Melissa olhou profundamente para o irmão antes de dizer:
— Ela está aqui dentro, vou avisá-la.
— Tudo bem. — Klein deu um passo para trás e se afastou da porta.
Enquanto assistia sua irmã se virar, ele deu um suspiro de alívio. Embora não fosse a melhor das reações, ele estava agradecido por a pessoa em perigo não ser Melissa.
Ele esperou apenas cerca de dez segundos antes de Elizabeth, confusa, sair. Ela perguntou curiosamente:
— Sr. Moretti, qual é o problema? Eu nunca disse que estava interessada em história e línguas antigas…
Naquele momento, sua sentença foi interrompida pela expressão severa e solene de Klein. Ela ficou tensa quando sentiu que havia algo de errado.
Klein deu alguns passos na diagonal como se indicasse para Elizabeth se esconder parcialmente atrás da porta.
A menina foi influenciada pela repentina atmosfera séria, então, sem perceber, o seguiu.
— Como sabe, sou um entusiasta do misticismo. — Klein parou e se virou, indo diretamente ao assunto.
Elizabeth assentiu e respondeu:
— Sim, até acredito que você seja um especialista em misticismo.
— Não, sou apenas um entusiasta, mas isso não me impede de perceber que sua divinação de espelho mágico encontrou um problema — disse Klein com um tom sério.
— Um problema? — Elizabeth quase levantou a voz e apressadamente levantou as mãos para cobrir a boca.
Klein pensou por um momento antes de dizer:
— Eu sei que somente palavras não provarão a situação para você. Volte para a sala e, quando Selena não estiver prestando atenção, dê uma olhada na frente do espelho que ela escondeu de todos vocês.
— Como você sabe que ela escondeu a frente do espelho de nós? — Elizabeth deixou escapar.
De acordo com as informações dos Falcões Noturnos, mais de noventa por cento das vezes, os casos de divinação por espelhos mágicos que envolvem algo perverso compartilham essa semelhança… — Klein sorriu e disse:
— Conhecimento geral.
Quando a duvidosa e assustada Elizabeth voltou ao quarto, seu sorriso sereno desapareceu instantaneamente, seu rosto parecendo preocupado.
Apesar de estar no Burgo Norte, ir da rua Frania para a rua Zouteland levaria pelo menos 15 minutos de carruagem pública. Quando o capitão chegar depois de fazer uma viagem de ida e volta, a situação poderá ter se deteriorado para um estado sem esperança… Se ao menos Benson e Melissa não estivessem aqui… Mas não posso lidar com essas existências ocultas e desconhecidas… Será que tenho algum meio de conter essa situação…? Certo, Selena é uma entusiasta do misticismo. Em seu quarto definitivamente não deve faltar extratos, óleos essenciais, ervas e outros itens…
No momento em que Klein pensava em uma solução, Elizabeth se sentou ao lado de Selena, usando uma desculpa para discutir algo com a aniversariante.
Uma garota sentada à frente de Selena tomou um gole de vinho tinto e, sob os olhares provocadores de todos, e apesar de corar, reuniu coragem para perguntar:
— Você pode me ajudar a divinar quando eu vou conhecer um cavalheiro romântico e bonito?
Selena tossiu levemente duas vezes enquanto esfregava as costas do espelho e disse:
— Espelho, espelho, me diga. Quando o cavalheiro no coração de Yonina aparecerá?
Depois de repetir três vezes, ela pegou o espelho e o levantou em sua frente.
Aproveitando a oportunidade, Elizabeth de repente virou o corpo e esticou a cabeça para dar uma olhada.
De acordo com suas expectativas, ela sentiu que veria o rosto de Selena e metade de seu próprio rosto.
No entanto, a única coisa que viu foi Selena.
O pequeno espelho só refletia Selena, mas seu corpo inteiro estava refletido!
O espelho estava completamente escuro, com Selena de pé no meio com uma expressão fria!
Elizabeth tremeu por inteira, se jogou para trás e se encostou no sofá, momentaneamente se esquecendo de respirar.
Ela involuntariamente tremeu e, sem dar uma desculpa, levantou imediatamente e cambaleou até porta. Ela nem se atreveu a voltar a olhar para a radiante Selena.
— O cavalheiro de Yonina aparecerá no domingo da segunda semana, daqui a meio ano…
Entre risadinhas, Elizabeth abriu a porta e saiu do quarto para ver Klein, que estava parado nas sombras das luminárias, de smoking e meia cartola.
— Sr. Moretti, e… eu… — ela gaguejou atordoada.
Klein sorriu calmamente.
— Não perturbe as meninas e damas lá dentro.
Infectada por seu sorriso, Elizabeth se acalmou significativamente. Ela estendeu a mão e fechou a porta enquanto caminhava rapidamente para o abajur.
— Eu vi… Vi apenas Selena dentro do espelho. Uma Selena parecida com um demônio… — ela sussurrou em voz rouca.
De fato… — A expressão de Klein ficou séria e ele perguntou em uma voz profunda:
— Você sabe qual é o quarto de Selena? Você sabe onde estão os itens de misticismo dela?
— Ali. Os itens de misticismo também estão lá. — Elizabeth não hesitou em apontar para um quarto na diagonal.
Klein segurou sua bengala e se aproximou, abrindo a porta de madeira destrancada. Sob as luzes da rua e a iluminação da lua carmesim, ele girou uma válvula e acendeu uma lâmpada a gás.
Uma luz amarela-pálida brilhou quando ele varreu a área com seu olhar e encontrou garrafas de extratos, essência de flores, caixas de pó de ervas, velas e amuletos.
Esses itens estavam em mesas ou dispostos ordenadamente em uma estante. Seus nomes podiam ser observados em etiquetas autocolantes.
Depois de verificar os itens, Klein disse a Elizabeth, que o havia seguido:
— Você quer salvar Selena?
— Sim! — assentiu Elizabeth inconscientemente antes de perguntar aturdida:
— Será perigoso?
— Um pouco. Afinal, sou apenas um entusiasta em misticismo — respondeu Klein francamente.
— Um pouco perigoso… — Elizabeth pressionou os lábios com força por alguns segundos antes de dizer:
— Há alguma coisa que você precisa que eu faça?
Klein sorriu calorosamente enquanto a confortava:
— Não fique nervosa. Agora, tudo o que você precisa fazer é fingir voltar como se nada tivesse acontecido. Volte para o lado de Selena e, cinco minutos depois, lembre-se, cinco minutos depois, diga a ela que você tem uma agradável surpresa e a traga para mim. Bata na porta suavemente, uma batida longa e duas curtas. Depois disso, bem, deixe comigo.
Elizabeth pensou em silêncio antes de assentir seriamente.
— Tudo bem.
Ao vê-la voltar para o quarto, Klein olhou para seu relógio de bolso. Fechando o quarto de Selena, ele rapidamente limpou a escrivaninha e, depois, pegou os itens necessários e os colocou em uma cadeira.
Imediatamente depois disso, pegou duas velas de aroma suave e as colocou nos cantos superiores esquerdo e direito da escrivaninha.
Elas eram símbolos representando a Dama Carmesim e a Imperatriz do Desastre e do Horror.
Klein planejava realizar um ritual para pegar emprestado os poderes da Deusa da Noite Eterna para afastar a existência misteriosa e desconhecida que estava afetando Selena!
Sendo de sequência 9, a magia ritualística que ele conhecia não era forte o suficiente. Para ter sucesso, precisava que Elizabeth atraísse Selena para um círculo de selamento, bem nas proximidades do altar!
Portanto, ele precisava considerar situações em que Selena pudesse perceber e resistir!
Por esses motivos, Klein planejou usar a magia ritualística no estilo de suspensão.
Notas:
- – Um jogo de comunicação com espíritos, onde, em cima de umafolha, se coloca um lápis em cima do outro formando uma cruz, e nos quadrados adjacentes da folha se escreve “sim” e “não”. Pergunta-se então “Charlie, Charlie, você está aqui?”. Se o lápis equilibrado se mover, o espírito está presente.
- – Quem não sabe o que é um Tabuleiro Ouija?
Capítulo 86
Capítulo 86 – Oração
Magia ritualística no estilo de suspensão se refere ao término de um ritual de acordo com o julgamento de um Beyonder. Eles poderiam terminar outras coisas antes de retornar para continuar o ritual. Mesmo fazendo isso, ainda era possível obter os efeitos desejados.
Essa foi uma técnica produzida ao longo de 1000 anos de desenvolvimento da magia ritualística. Afinal, muitas magias ritualísticas de alto nível exigiam várias etapas, com sua duração variando de uma hora até metade de um dia para seu término. Era difícil garantir que ninguém perturbasse durante todo o processo ou que não houvessem imprevistos.
Depois de obter lições de vários predecessores através de sangue e lágrimas e obtendo feedback a cada falha, poder suspender a magia ritualística tornou-se predominante em níveis mais altos, enquanto também afetava indiretamente os rituais de nível inferior.
No entanto, ser capaz de suspendê-lo não significava que o ritual pudesse ser suspenso a qualquer momento. Era preciso respeitar a parte teórica do misticismo e aprender a técnica correspondente. Caso contrário, o fracasso do ritual seria inevitável, podendo levar a consequências aterrorizantes.
Com base no entendimento de Klein, depois de chamar a atenção de uma divindade específica e a mesma estivesse no aguardo do conteúdo da solicitação, se repentinamente dissesse: “Espere, preciso usar o banheiro”, só poderia ser parabenizado, pois nunca mais precisaria ir ao banheiro novamente.
Ufa… — Klein deu um suspiro de alívio enquanto se recompunha.
Embora tenha realizado muitos rituais de aprimoramento da sorte e até planejado um ritual correspondente que fizesse uma tentativa em relação à Justiça e o Enforcado, essa era sua primeira magia ritualística que obedecia às regras.
Depois de olhar para a bengala incrustada de prata ao lado da cama, Klein pegou a terceira vela e a colocou no meio da mesa para se representar.
Ele colocou a tigela de prata que Selena usava para rituais na frente da terceira vela e substituiu o machado por um emblema sagrado. À esquerda, estavam os extratos e os óleos essenciais de flor da lua, de flor do sono e de outras plantas. À direita, colocou um prato de sal, uma pequena adaga de prata, um pedaço de pele falsa de cabra e uma pena que estava mergulhada em tinta.
Felizmente, Selena tinha um inventário completo; caso contrário, ele não teria como concluir os preparativos. Quanto aos rituais moderadamente rápidos que Velho Neil podia realizar, não eram algo que um Vidente pudesse fazer…
Pelo que parece, Selena era uma entusiasta do misticismo bastante experiente. Se ela não tivesse experiência, não teria se metido em tantos problemas… Ela tinha apenas 16 anos e estava exposta a tudo isso por pelo menos um ano… Quem a guiou? — Ideias passaram por sua mente enquanto pegava uma xícara da cama. Ele derramou água pura e a colocou ao lado do sal grosso.
Ele pegou o relógio de bolso e o abriu, não demorando depois de dar uma olhada, então traçou camadas da luz esférica em sua mente e rapidamente entrou em Cogitação.
A sala, que estava repleta de fragrância floral, foi subitamente sujeita a um redemoinho de vento sem forma. Klein guardou o relógio de bolso e seus olhos de repente ficaram mais escuros, do marrom ao preto, como se pudesse ver através da alma.
Ele estendeu a palma da mão e a colocou contra a vela no canto superior direito e recitou interiormente:
Deusa da Meia-Noite, você é a Dama do Carmesim!
Enquanto recitava, ele estendeu sua espiritualidade e esfregou o pavio da vela. Depois de alguns instantes a vela acendeu de repente, com um azul tranquilo no interior da fraca luz amarelada.
Deusa da Noite Eterna, você é a Imperatriz do Desastre e do Horror!
Assim como fez antes, Klein acendeu com sucesso a segunda vela no canto superior esquerdo.
— Eu sou seu guarda leal; o escudo que protege contra o perigo na noite escura e a longa lança que apunhala o mal no silêncio!
Whoosh!
A terceira vela que simbolizava Klein começou a queimar.
A chama estava quieta. Ele então pegou a adaga de prata e imitou os movimentos do Velho Neil, usando encantamentos, sal grosso e água pura para realizar a purificação.
Então, ele deixou a espiritualidade que havia reunido se projetar da ponta da adaga de prata e, naturalmente, as fundiu como uma só.
Com a adaga de prata na mão, Klein andou pelo quarto, de joelhos quando chegou à cama, e selou a área com uma barreira sem forma.
A luz do poste do lado de fora da janela desapareceu repentinamente, mas a luz vermelha ainda brilhava, em silêncio.
Klein voltou para a mesa de estudos e pegou a pena. Com espiritualidade e tinta, ele desenhou encantamentos e símbolos para afastar o desastre.
Quando tudo isso terminou, ele largou as coisas que estava segurando e pingou uma gota de extrato, essência de flores e óleos essenciais em cada uma das três velas.
Shhhh!
Uma fina neblina encheu a sala que, de repente, possuía um toque de mistério.
Em seguida, ele queimou alguns tipos de ervas ( ͡° ͜ʖ ͡°) antes de se afastar da mistura de fragrâncias e então começou a recitar o encantamento correspondente na magia ritualística de suspensão.
Mais nobre que as estrelas e mais eterna que a eternidade, a Deusa da Noite Eterna.
Eu rezo por sua graça.
Eu rezo para que você mostre sua graça amorosa a um crente devoto.
Eu rezo pelo poder do Carmesim.
Eu rezo pelos poderes do Desastre e do Horror.
Eu rezo para que você limpe sua devota crente, Selena Wood, da corrupção do mal e a retorne à segurança.
Rezo para que você espere um momento, um momento para aquela garota desventurada.
…
Flor da lua, uma erva que pertence à lua vermelha, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento!
Flor do sono, uma erva que pertence à lua vermelha, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento!
…
Depois de recitar o encantamento, Klein fechou os olhos e repetiu sete vezes para si mesmo.
Vendo que não havia nada fora do comum no altar, ele então levantou a adaga de prata novamente e deu alguns passos para trás, para a porta do quarto de Selena.
Ele tocou no peito em quatro pontos, formando a lua carmesim, então se virou e levantou a adaga de prata.
Sua espiritualidade foi projetada da ponta mais uma vez e abriu uma porta na parede sem forma.
Klein sabia que, mesmo se a porta fosse aberta naquele momento, a tranquilidade e a santidade do altar não seriam afetadas.
Ele pegou o relógio de bolso prateado de folha de videira que possuía um padrão complexo, verificou o tempo e estudou o processo que estava prestes a acontecer.
…
Na sala de estar do segundo andar.
O corpo de Elizabeth tremia quando ela levantava a cabeça de vez em quando para verificar o relógio de parede. Ela estava em contagem regressiva em silêncio, sob a iluminação das duas lâmpadas a gás.
— Está quase na hora… — Enquanto falava baixinho, ela olhou de soslaio para a garota animada, com longos cabelos cor de vinho. Suas covinhas eram profundas, seu sorriso era brilhante e ela fofocava bem com todas as amigas ao seu redor.
Mas quanto mais tudo parecia normal, mais aterrorizada Elizabeth se sentia. A fria e horrível Selena no espelho parecia estar em sua cabeça, e ela não conseguia apagar a imagem.
Não consigo mais esperar! Eu tenho que agir agora! — Elizabeth se levantou de repente. Diante dos olhares chocados de todos, ela sorriu e gaguejou:
— Selena, e… eu tenho uma surpresa para você. Siga-me por um momento.
— Sério? Mas você já não me deu um presente de aniversário? — Selena virou o espelho ao contrário e se levantou, surpresa.
— Uma surpresa n… não dá avisos. — Elizabeth sentiu que não tinha talento para atuar.
Sem dizer outra palavra, ela caminhou em direção à porta do quarto.
Selena a seguiu com um sorriso confuso.
Melissa olhou para as duas melhores amigas saindo e inconscientemente franziu as sobrancelhas.
Elizabeth está agindo tão estranhamente hoje…
Ela começou a agir ainda mais estranhamente depois que conheceu Klein…
De repente, ela saiu correndo mais cedo e disse que precisava usar o banheiro, mas por que parecia tão ansiosa?
…
Entrada do quarto de Selena.
Elizabeth respirou fundo e disse à garota que vinha atrás:
— Vamos para o seu quarto.
— Elizabeth, você parece muito nervosa e com medo. Por quê? — Selena pareceu intrigada com sua boa amiga quando notou seu corpo tremendo constantemente.
— Animação! Sim, alegria! — Elizabeth lançou um olhar para o espelho na mão de Selena enquanto girava metade do corpo para bater na porta com uma batida longa seguida por duas breves sucessivas.
— Por que está batendo na porta…? — Selena ficou ainda mais perplexa.
Creak
A porta do quarto se abriu. Vestido com seu smoking preto e sua meia cartola, Klein apareceu na frente das duas meninas.
— Surpresa agradável? Esta é uma surpresa agradável? — Selena ficou de boca aberta, perplexa.
Nesse momento, Klein de repente estendeu a mão e a agarrou pelo pulso, a puxando para dentro do quarto enquanto Elizabeth estava enraizada no chão.
Simultaneamente, a adaga de prata de Klein expeliu sua espiritualidade, que rapidamente reparou a passagem em forma de porta.
A parede invisível de espiritualidade selou a sala, isolando os gritos de Selena.
Bang!
De repente, Klein fechou a porta e, sem sequer olhar para a garota, correu para a escrivaninha.
A garota de cabelos cor de vinho parou de gritar, olhou para cima e examinou a sala.
Seu olhar ficou frio e sua pele ficou pálida enquanto seus dedos rapidamente cresciam unhas afiadas.
E, naquele momento, Klein já havia retornado ao seu estado de Cogitação. Ele colocou uma gota de flor da lua e óleo essencial em cada vela enquanto recitava em voz alta:
— Suprema Senhora do Carmesim, Grande Imperatriz do Desastre e do Horror.
— Eu rezo para que você conceda sua graça.
— Mostre sua graça amorosa ao cordeiro perdido, Selena Wood!
Enquanto recitava, ele pegou a pele falsa de cabra e a empurrou contra a vela que representa o solicitante.
Whoosh!
Ele sentiu um vento frio atrás dele e uma imensa energia assaltou seu corpo.
A pele de cabra pegou fogo e Klein a jogou em uma tigela de prata. Ele então se agachou de acordo com seus preparativos para evitar o ataque letal.
Whoosh! Whoosh! Whoosh!
O vento uivava ferozmente, e Klein sentiu o fluxo descontrolado de sua espiritualidade surgindo como correntes.
Ele viu a pele de cabra queimando na minúscula tigela de prata, na escuridão silenciosa, e ouviu itens pesados caindo no chão atrás dele.
Bam! Bang!
Os dois sons seguiram um após o outro quase sem interrupções. Fios de gases verde-escuros mergulharam na tigela de prata e desapareceram na escuridão ilusória.
Klein rolou para o lado e se levantou, sacando o revólver do coldre de axila. No entanto, viu que a adorável garota ruiva havia caído no chão e o espelho revestido de prata havia se estilhaçado em incontáveis pedaços no carpete.
Os pedaços quebrados não refletiam Selena, apenas o teto e a silhueta de Klein.
Então, através da Visão Espiritual que havia deixado ativa, Klein viu o perverso verde-escuro na aura de Selena desaparecer completamente. Tudo voltou ao normal, mas ela parecia mais frágil.
Ufa… — Ele tinha acabado de relaxar quando sentiu uma dor aguda e latejante em sua glabela e na cabeça.
A dor aguda espalhou-se por todo o corpo e o fez querer rolar no chão de tanta agonia.
Klein apertou firme seus punhos, e as veias nas costas de suas mãos estalaram e ficaram pretas. Pareciam vermes em movimento.
Simultaneamente, ele ouviu gritos silenciosos e os sussurros que rasgavam sua mente.
Levou quase vinte segundos para sobreviver à provação. Sua testa e seu colete estavam encharcados de suor frio.
A magia ritualística que usei sugou toda a minha espiritualidade e me deixou à beira de perder o controle? — Klein tentou supor sua situação.
Isso também o fez perceber que havia digerido bastante da energia restante da poção. Com base em seus cálculos, se ele tivesse a força de quando consumiu a poção, não havia como sobreviver à tal provação. Ele poderia ter se tornado um monstro imediatamente.
“Atuar” é realmente bem eficaz… — Klein tocou em sua glabela e enxugou seu suor.
Virando-se para o altar, ele tocou quatro vezes no peito e disse em voz alta:
— Louvada seja a senhora!
Depois disso, apagou as velas e rapidamente arrumou o altar.
Finalmente, ele colocou os itens de volta na escrivaninha e usou sua adaga de prata para dissipar o selo da barreira de espiritualidade.
Whoosh!
O som de vento ressoou antes de diminuir. Klein soltou um longo suspiro de alívio e sentiu uma sensação de medo persistente.
— Se não tivesse planejado todo o processo de antemão e concluído o ritual com sucesso, as coisas teriam se tornado problemáticas… Além disso, ainda não sei quem é meu oponente ou inimigo… Felizmente, sim, felizmente, a sala estava acarpetada, então não danifiquei minhas roupas enquanto rolava…
Ele balançou a cabeça e estendeu a mão para abrir a porta de madeira do quarto de Selena.
— Como foi? — Elizabeth deu dois passos para trás e perguntou, nervosa.
Klein olhou para sua expressão aterrorizada e tirou a meia cartola antes de dizer com um sorriso simpático:
— Eu já resolvi o erro de sua divinação de espelho mágico. Agora está tudo bem.
Capítulo 87
Capítulo 87 – Exortação
— Foi realmente resolvido? — perguntou Elizabeth, incrédula.
Klein sorriu e assentiu casualmente.
— Sim. Não foi muito difícil.
Essa última parte é mentira… — Ele acrescentou interiormente.
Talvez fosse o fato de Klein ter ficado calmo e racional o tempo todo, ou talvez ele fosse sua única esperança. De qualquer maneira, Elizabeth não duvidava mais dele. Ela deu um tapinha no peito e soltou um suspiro de alívio.
— Obrigada. Você é realmente um cavalheiro de confiança. Eu estava com bastante medo agora há pouco. Como está Selena? Ela está bem?
— Ela pode permanecer inconsciente pelos próximos minutos, mas está completamente bem agora. Oh, dois a três dias de fraqueza são esperados. — De repente, Klein ficou com uma expressão severa no rosto e perguntou:
— Quem ensinou a ela sobre misticismo? Ele não contou sobre os tabus básicos?
Elizabeth se endireitou um pouco, como uma aluna que havia acabado de ser repreendida por seu professor.
Ela pensou por um momento antes de dizer:
— Selena mencionou uma vez que seu professor é Hanass Vincent. Ela o conheceu há um ano no Clube de Divinação, na rua Howes.
Hanass Vincent… Aparentemente, não parecia ensinar nada suspeito sobre divinação de espelhos mágicos, mas estava secretamente ensinando divinação sombria… Se soubesse disso, teria relatado ao capitão e o abordado antes. — Klein sentiu algum arrependimento ao perguntar com uma voz profunda:
— Também foi ele quem ensinou a divinação de espelho mágico para Selena?
Klein ficou com um sentimento persistente de medo, porque esse assunto quase afetou sua irmã, Melissa!
Elizabeth assentiu com cautela.
— Sim, mas Selena tentou divinar com espelho mágico algumas vezes sem sucesso. Ah, hoje ela me disse que tinha dado uma espiada nos encantamentos secretos de seu professor e que não haveria problemas.
Ela era basicamente uma especialista em cortejar a morte… — Klein massageou suas têmporas para aliviar sua dor de cabeça.
— Você ainda se lembra dos encantamentos que ela recitou?
Bem… Embora Hanass Vincent não tenha transmitido voluntariamente o conhecimento perigoso a Selena, é óbvio que ele estava fazendo experiências para estender um convite a uma entidade misteriosa e desconhecida. Isso se tornaria um problema mais cedo ou mais tarde, e precisa ser resolvido rapidamente antes que piore e se torne um problema para outra pessoa…
— Lembro de uma parte… — disse Elizabeth. — Como você sabe, só fui exposta a Hermes recentemente. Tudo o que me lembro é que ela usou os termos “girar”, “espírito”, “Criador” e “graça”.
Criador? O Verdadeiro Criador? Muitos entusiastas do misticismo oculto acreditam nesta entidade antiga reverenciada por muitas organizações secretas… Sim, uma entidade que apareceu há 1000 anos atrás durante os estágios iniciais da Quinta Época! — Klein assentiu em meio a seu pensamento e disse:
— Lembre-se de perguntar a Selena sobre todo o encantamento depois que ela acordar, e encontre uma oportunidade para me contar.
— Tudo bem — respondeu Elizabeth sem reservas.
Mas ela imediatamente perguntou, sentindo-se um pouco confusa:
— Sr. Moretti, por que você mesmo não pergunta a ela?
— Não quero que Melissa saiba que gosto de misticismo. Você pode me ajudar a manter isso em segredo? — Klein perguntou de volta.
Elizabeth mordeu os lábios, seus olhos brilhando.
— Não tem problema. Melissa gosta mais de máquinas do que de mistérios. Ela prefere lógica ao oculto.
Klein colocou o chapéu na frente do peito e curvou-se gentilmente.
— Obrigado pela sua compreensão. Quanto à Selena, você sabe que ela não é alguém que possa manter um segredo.
— Uma descrição mais precisa é que ela gosta de compartilhar segredos com outras pessoas — concordou Elizabeth.
Klein colocou o chapéu e pensou por um momento antes de dizer:
— Não se esqueça de explicar à Selena, depois que acordar, que ela de repente desmaiou e quebrou o espelho. Acho que ela não se lembrará de nada a partir do momento em que começou a divinação de espelho mágico.
Ao ver Elizabeth concordar, ele fez uma expressão severa mais uma vez e disse:
— Lembre-se, sejam divinações ou outros rituais de misticismo, não ore a outras entidades além das sete divindades ortodoxas! Você deve imediatamente queimar esses tipos de encantamentos e ficar bem longe de quem distribui tal material! Se eu não tivesse percebido isso a tempo, Selena teria se transformado em um monstro ou espírito maligno em dez minutos, e todos aqui teriam sido mortos, inclusive eu!
Pensando na Selena fria no espelho, Elizabeth não teve dúvidas sobre o que Klein havia acabado de dizer. Ela suspirou com um medo residual e disse:
— Eu entendo e não vou esquecer. Também vou ficar de olho em Selena.
— Tudo bem, vá e cuide de Selena. — Klein levantou a bengala preta e caminhou em direção à escada.
Enquanto caminhava, seus olhos ficaram mais escuros. Ele pegou um único centavo com a mão direita e o jogou no ar.
— Selena está bem agora.
— Selena está bem agora.
…
Klein repetiu rapidamente a descrição e então pegou a moeda no ar, e viu o rosto de George III voltado para cima.
Isso não era uma simplificação da radiestesia espiritual. Na verdade, era uma simplificação da divinação dos sonhos. Naquele momento,
Klein havia entrado em um estado forçado de sono com a ajuda da Cogitação, a fim de fazer um tour pelo mundo espiritual. A cara e a coroa da moeda eram uma manifestação simbólica.
Cara representava afirmação, enquanto coroa indicava discordância!
Ótimo, está tudo bem agora… — Klein alegremente girou a moeda de bronze com os dedos.
Isso era uma simplificação que apenas um Vidente poderia realizar.
…
Elizabeth estava observando as costas de Klein e viu a moeda voando antes que ele a pegasse.
Somente quando Klein desapareceu escada abaixo que ela se virou para entrar no quarto. Vendo Selena dormindo no chão com pedaços quebrados do espelho ao seu lado, ela prendeu a respiração e entrou no quarto na ponta dos pés enquanto olhava para os fragmentos do espelho. Ela confirmou que a Selena maligna não estava mais presente; em vez disso, os fragmentos refletiam o teto.
Ufa. — Agora completamente tranquila, Elizabeth deu um longo suspiro de alívio.
Mas, apesar de seus esforços, ela não conseguiu mover Selena para a cama. Em vez disso, a cutucou até que acordasse.
— Elizabeth… O que aconteceu comigo? Eu fiquei bêbada? — perguntou Selena fracamente, o brilho em seus olhos se tornando consideravelmente opaco enquanto tinha um olhar confuso.
Elizabeth pensou por um momento e respondeu em um tom sério:
— Não, Selena, algo aconteceu com você. Sua divinação de espelho mágico convidou uma entidade maligna.
— É mesmo? — Selena fracamente conseguiu subir na cama com a ajuda de Elizabeth. Esfregando as têmporas, ela explicou:
— Tudo o que lembro é que comecei a divinação de espelho mágico.
Elizabeth explicou com uma meia-verdade:
— Você era uma pessoa completamente diferente durante o ritual. A ‘você’ no espelho era completamente diferente de você na vida real… Eu estava com muito medo. Usando a desculpa de lhe dar uma surpresa, eu te trouxe até o quarto antes de pegar seu espelho e quebrá-lo no tapete. Depois disso… depois disso, você desmaiou.
— Mas bendita seja a Deusa, você está bem agora!
— E… eu não lembro de nada disso… — murmurou Selena, com o rosto pálido.
Quanto mais Selena tentava se lembrar, mais vazia ficava sua mente e mais medo ela sentia.
Inconscientemente, ela olhou para a escrivaninha e notou que a organização de seus itens de misticismo estava claramente diferente.
Mas o que exatamente foi que aconteceu… — Selena tentou se lembrar, mas a única coisa que vinha à mente era a imagem de um homem de terno e chapéu preto. Ele não era forte nem alto, mas tinha costas retas.
— Selena — disse Elizabeth com seriedade — Conheci um especialista em misticismo quando fui ao mercado subterrâneo comprar o amuleto. Ele disse que não devemos orar a nenhuma outra entidade além das sete divindades ortodoxas. Caso contrário, é um convite certo ao desastre. Me prometa, não tente mais isso. Eu nem sabia se fazendo aquilo poderia realmente salvá-la!
Selena estava bastante assustada. Assentindo atordoada, ela concordou:
— Não, eu nunca mais vou tentar isso de novo!
— E o que exatamente significa os encantamentos que você usou? Se eu tiver outra chance de encontrar o especialista em misticismo novamente, perguntarei a ele por você — perguntou Elizabeth, fingindo indiferença.
Esfregando suas têmporas, ela respondeu:
— Espírito que revolve este mundo, a graça do Verdadeiro Criador, os olhos que olham para o destino
…
Tap! Tap! Tap!
Klein alisou os vincos e limpou a poeira de suas roupas enquanto descia as escadas.
Depois disso, tirou o chapéu e voltou lentamente para a longa mesa de jantar.
— Onde você foi? Já faz quase 10 minutos — perguntou o irmão de Selena, Chris, enquanto cruzava as mãos.
Klein sorriu e respondeu: — Ao banheiro, depois subi para me familiarizar com as damas.
— Agradeço sua honestidade — elogiou Chris rindo.
Ele tinha o cabelo ruivo e a constituição pequena comum em sua família. Ele usava óculos de armação dourada e tinha personalidade forte; ele era um advogado excepcional.
Você não diria isso se soubesse que deixei sua irmã inconsciente no andar de cima… — Klein respondeu humildemente:
— Estávamos apenas envolvidos em discussões acadêmicas.
Na área do misticismo…
Ele pendurou seu chapéu e voltou ao seu lugar. Recebendo suas duas cartas quando a nova rodada começou.
Ele virou o canto das cartas e viu o rei de espadas e o ás de ouros.
Parece que tive mais sorte… Essa é a recompensa por fazer uma boa ação? — Klein pegou uma moeda em preparação para fazer sua aposta.
Como Hanass não revelou intencionalmente o encantamento a Selena, não há necessidade de reportar isso urgentemente ao capitão…
Ele continuou seu estilo de jogo cauteloso nas rodadas seguintes, apostando apenas quando tinha uma boa mão. Ele não teve nenhuma chance de blefar e não ganhou muito. Quando o jogo terminou, às dez e meia, ele havia ganhado seis centavos.
— Ganhei dois soli e oito centavos. — Benson brincou com as notas e moedas na mão.
— Eu não esperava que você fosse especialista em pôquer — elogiou Klein, rindo.
— Não, eu não jogo frequentemente, mas sei que é o mesmo que negociação. Você precisa esconder suas cartas e descobrir as cartas escondidas que as pessoas possuem antes de usar vários meios para assustá-las ou atraí-las… — antes de Benson terminar sua frase ele viu Melissa e o resto descendo do segundo andar.
— É hora de ir para casa — disse Klein, olhando para a irmã e as amigas dela enquanto esfregava as têmporas.
A dor latejante em sua cabeça permaneceu.
Depois disso, Klein foi ao banheiro mais uma vez e aproveitou a oportunidade para passar por Elizabeth e obter o encantamento completo.
Voltando aos irmãos, ele sorriu e disse:
— Ah, claro, de repente me lembrei de algo. Preciso dar uma passada na empresa rapidamente. Vamos à rua Zouteland primeiro?
Será rápido.
Capítulo 88
Capítulo 88 – Relatório
— O que é? — perguntou Benson casualmente.
Melissa olhou para o irmão com uma expressão séria, porque sentiu que o comportamento de Klein naquela noite também havia sido estranho. Na verdade, parecia apenas um pouco mais normal que o comportamento de Elizabeth e, depois, de Selena.
Klein, que havia pensado em uma desculpa há muito tempo, riu e disse:
— Houve um erro em uma das descrições dos documentos, e já informei aos meus colegas que os entregaria quando chegasse cedo à empresa amanhã de manhã. Então, posso corrigi-los agora, já que estamos no caminho, ou acordar pelo menos meia hora mais cedo amanhã de manhã. Sem dúvida, decidi fazer o primeiro.
— Ah, não é de se admirar. Eu tive uma sensação incômoda de que sua mente não estava no jogo, então você estava pensando no trabalho. — Benson sorriu, tendo compreendido. — Não, peço desculpas. Deveria dizer que o jogo de cartas ajudou você a pensar.
— Tudo bem, vamos esperar por você. — Melissa desviou o olhar e alisou os babados de suas roupas.
Como já havia passado o tempo de operação das carruagens públicas, os três irmãos se despediram de seus anfitriões antes de contratar uma carruagem nas proximidades. Custou dois soli por quarenta e cinco minutos.
— Ouvi dizer que todo motorista que aluga sua própria carruagem acrescenta taxas ridículas — reclamou Benson em voz baixa. Ele usou a maior parte do dinheiro que ganhou anteriormente para pagar o condutor.
Klein sorriu e respondeu:
— Eu acho justo. Afinal, são quase onze horas.
— Eu estava brincando. Pensei que poderíamos compartilhar a carruagem com outros convidados. Quarenta e cinco minutos podem nos levar a muitos lugares. — Benson olhou pela janela, para as outras pessoas que estavam contratando carruagens uma após a outra.
É, compartilhando carona… — Klein esfregou a parte superior da bengala de prata e disse:
— Não é um problema para nós, mas pode ser para os outros. Benson, você percebeu que eles se importam muito em ter uma imagem e aparência respeitáveis? Acho que isso pode ser comum entre a classe média.
— Hmm. — Benson assentiu seriamente e disse:
— A família Wood é muito mais extravagante do que eu imaginava. No entanto, o salário semanal de Wood é de apenas quatro libras… Heh, “parecer respeitável” deve ser a maior diferença entre as pessoas da classe média e os babuínos de cabelo encaracolado.
Você tem algo contra babuínos de cabelos encaracolados… — Klein quase caiu na gargalhada.
Melissa não participou da discussão. Ela se sentou e avaliou Klein de tempos em tempos, seu olhar mandando calafrios pela espinha dele.
A carruagem de duas rodas viajava rapidamente pela rua escura e tranquila. Eles chegaram à rua Zouteland em apenas doze minutos.
— Esperem aqui por mim. Cinco minutos, não demorarei mais que cinco minutos — enfatizou Klein. Ele colocou sua cartola, pegou sua bengala e desceu da carruagem.
Como o motorista da carruagem estava cobrando com base no tempo, e não na distância, ele não se importava em esperar.
Subindo as escadas, Klein chegou à Companhia de Segurança Blackthorn e bateu na porta.
Dentro de dez segundos, a porta foi aberta. Leonard Mitchell apareceu diante dele de colete e camisa.
— Você não está de plantão esta noite — ressaltou Leonard, parecendo surpreso ao vê-lo.
Klein só estava de guarda uma vez por semana no portão Chanis. Eles mantinham um horário de trabalho regular pelo resto do tempo. Quanto às emergências que aconteciam à noite, elas seriam tratadas pelos Sem Sono que apreciavam a noite.
No entanto, apenas dormir duas a três horas por dia pode causar calvície e perda de memória… — Sempre que pensava nisso, Klein não podia deixar de ridicularizar mentalmente o Capitão Dunn Smith.
— Tenho algo a relatar — respondeu ele de maneira simples.
— Uma missão? — perguntou Leonard casualmente, se afastando.
Quando Klein entrou no salão de recepção, viu Dunn saindo da repartição, em seu casaco preto. Seus olhos cinzentos estavam escuros como sempre.
— Capitão, me deparei com um incidente envolvendo o sobrenatural.
— Me dê os detalhes — pediu Dunn diretamente.
Klein contou a história do ocorrido e relatou os passos que tomou para lidar com ela.
— … Então, acho que é necessário investigar Hanass Vincent.
Naquela época, ele acreditava que, já que a entidade maligna convidada pela divinação de espelho mágico não havia causado desastre, não havia indicação de que ele estivesse em perigo extremo. Isso significava que a entidade provavelmente ainda precisava de mais tempo ou não queria despertar ou possuir Selena antes do tempo. Portanto, desde que seus objetivos não fossem expostos, a entidade maligna optou por observar a situação. Sob tais circunstâncias, não foi difícil Elizabeth enganar Selena e ir à entrada do quarto.
— Você fez bem. Aproveitou a oportunidade antes que o espírito maligno se materializasse por completo e possuísse completamente o corpo dela. — Dunn levantou a cabeça levemente e disse:
— Vamos cuidar das investigações subsequentes. Pode voltar para casa e descansar.
Klein deu um suspiro de alívio e riu, satisfeito.
— Eu pensei que você faria dessa minha missão de iniciação e faria com que a completasse sozinho.
Segundo o encantamento que Elizabeth forneceu, Hanass Vincent era, com certeza, perigoso…
— Isso é porque já tenho uma missão de iniciação para você. — Leonard riu ao lado.
— O quê? — Klein ficou chocado.
Dunn sorriu e explicou com sua voz suave:
— Por volta das sete da noite, a delegacia nos indicou um caso. De acordo com nossas avaliações iniciais, não parece haver nenhum perigo ou urgência, por isso foi decidido que você iria concluí-lo sozinho amanhã.
— Tudo bem, não pergunte sobre o caso. Descanse bem hoje à noite e mude seu dia de folga para terça ou quarta.
Capitão, isso afeta apenas meu sono… Além disso, segunda-feira à tarde é quando o Encontro de Tarô acontece… Preciso enviar uma notificação de adiamento para Justiça e o Enforcado? — Klein balançou a cabeça e sorriu amargamente. Ele então se despediu e foi embora.
Saindo da escada, ele de repente sentiu algo. Levantando a cabeça para olhar na direção da carruagem que haviam contratado, ele viu apenas Melissa olhando para ele, em silêncio, pela janela.
Quando fizeram contato visual, Melissa subitamente desviou o olhar e se sentou corretamente.
O canto da boca de Klein se contraiu e ele entrou na carruagem, fingindo que nada havia acontecido.
Sob a lua carmesim e o puro céu noturno, a carruagem passou rapidamente uma rua após a outra.
Quando eles voltaram para casa, Klein cedeu o banheiro a Benson para tomar banho, enquanto foi ao quarto de Melissa e bateu duas vezes na porta.
Melissa, que planejava usar o outro banheiro, abriu a porta e olhou para o irmão, desconfiada.
— Melissa, há algo que gostaria de perguntar? Eu sei que sim… — perguntou Klein diretamente.
Não me observe em silêncio…
Os lábios de Melissa tremeram e ela franziu as sobrancelhas enquanto falou:
— Klein, o que você fez com Elizabeth? Ela estava um pouco estranha.
— E, mais tarde, Selena também começou a agir muito estranhamente.
Klein havia preparado sua resposta.
— Você sabe que Elizabeth e Selena são entusiastas de misticismo?
— … Sim, mas eu não gosto. Acredito que não há nada neste mundo que não possa ser explicado — respondeu Melissa seriamente depois de ser momentaneamente surpreendida. — Tudo o que parece inexplicável se deve ao fato de que o conhecimento que dominamos é insuficiente.
— Sim, também acho isso — repetiu Klein, sendo sincero quanto aos seus sentimentos, se sentindo culpado.
Eu pensava assim também, até que cortejei a morte com sucesso… Ele tossiu levemente e continuou:
— O misticismo envolve Hermes, a linguagem usada especificamente para cerimônias de adoração e orações antigas. Elizabeth sabia que eu sou bom nisso. Heh, afinal é parte do domínio de um historiador. Então, ela me perguntou sobre a pronúncia das palavras correspondentes e seus significados reais.
Melissa assentiu levemente, significando que aceitava a explicação de seu irmão. Foi de acordo com sua compreensão de ambas as partes.
— Quanto ao motivo de Elizabeth e Selena se tornarem estranhas mais tarde, não tenho ideia do motivo. — Klein fugiu da situação e depois disse:
— Mas posso tentar adivinhar.
— Você consegue adivinhar? — Melissa deixou escapar em choque. Klein levantou a mão e tocou nos lábios.
— Eu pude adivinhar pelo conteúdo do que Elizabeth perguntou. As poucas palavras em Hermes estavam relacionadas à divinação, bem como à adoração a entidades malignas. Quando Selena fez a divinação de espelho mágico, ela recitou em Hermes?
Ele mencionou isso a fim de lembrar sua irmã para mantê-la em guarda em situações semelhantes. Seria ainda melhor se ela pudesse interromper o contato com Selena e Elizabeth.
— Sim… — respondeu Melissa depois de alguns segundos. — Acho que entendo por que Elizabeth e Selena estavam agindo de forma estranha…
Então, Klein perguntou deliberadamente:
— Como a divinação de espelho mágico de Selena envolvia uma crença perversa e ilegal, talvez Elizabeth tenha encontrado uma oportunidade de criticar e corrigir o erro de Selena depois de esclarecer comigo o significado real do Hermes que Selena havia usado?
— Acho que sim — Melissa não duvidou dessa conclusão porque havia deduzido a mesma coisa.
Klein deixou escapar um suspiro de alívio ao ver que havia dirigido com sucesso o fluxo da conversa.
— No futuro, é melhor você aconselhar Selena a colocar suas crenças no ortodoxo.
Então, ele tocou quatro pontos no peito como um sacerdote.
— Sim, eu vou! — respondeu Melissa, aparentemente determinada.
— E não conte a Elizabeth e Selena sobre nossa dedução ou sobre as coisas que eu disse. Na verdade, prometi a Elizabeth não te contar — enfatizou Klein.
— OK. — Assentiu Melissa levemente.
…
Segunda-feira às oito da manhã, na Companhia de Segurança Blackthorn.
Klein tirou o chapéu e cumprimentou Rozanne e Bredt. Depois de trocar algumas palavras, ele entrou no escritório do capitão Dunn Smith.
Ele abriu a porta e olhou em volta. De repente, ficou chocado, porque o rosto de Dunn estava muito pálido e seus olhos cinzentos pareciam turvos, sem a escuridão habitual.
— O que aconteceu? Hanass Vincent? — Perguntou Klein, preocupado e chocado.
Dunn esfregou a testa, tomou um gole de café e respondeu com um sorriso amargo:
— Hanass Vincent está morto.
— Quem o matou? O que aconteceu? — Klein se sentou diante de Dunn com a bengala na mão.
Dunn não respondeu imediatamente, mas suspirou e disse:
— Leonard e eu fomos procurar Hanass Vincent na noite passada. Como o comportamento habitual dele não mostrava sinais incomuns e não havia nada de estranho em sua casa, decidi entrar nos sonhos dele para procurar pistas.
— Em seu sonho, em seu sonho…
Seus olhos indicaram medo quando Dunn repetiu suas palavras, e então ele continuou:
— Em seu sonho, vi uma cruz, uma cruz enorme, que cobria o céu. Nessa imensa cruz, havia um homem nu pregado a ela com pregos pretos. Seus braços e pernas estavam presos, com os braços estendendo para fora. Ele estava pendurado de cabeça para baixo, sua cabeça como um lustre. Havia faixas de manchas de sangue em seu corpo.
— Ao ver essa cena, perdi a consciência. Sai do sonho de Hanass Vincent e, quando acordei, Leonard me disse que Hanass havia morrido enquanto dormia.
Cruz imensa, pendurada de cabeça para baixo, o homem coberto de manchas de sangue… É semelhante a algumas histórias do Verdadeiro Criador nas quais algumas das organizações ocultas acreditam, mas também existem consideráveis diferenças… — Klein fez uma dedução em dúvida.
As poucas organizações ocultas que acreditavam no Verdadeiro Criador apareceram apenas nos últimos dois ou três séculos, como a Ordem Aurora e a Ordem da Cruz de Ferro e Sangue. No entanto, tais representações semelhantes nunca desapareceram nos últimos mil ou mais anos.
Dunn esfregou a testa novamente.
— Vamos acompanhar isso. Quanto a você, vá em frente e complete sua missão de iniciação.
Capítulo 89
Capítulo 89 – Uma Missão Simples
Klein assentiu e disse:
— Tudo bem, mas eu ainda não sei qual é minha missão.
— Nada perigoso. Pelo menos não vi nenhum sinal de perigo — enfatizou Dunn.
— É um caso que nos foi encaminhado pelo departamento de polícia de Golden Indus. O famoso filantropo Sir Deweyville vem sofrendo assédio incomum desde o mês passado. Seja seus guarda-costas, os seguranças que empregou ou a polícia, nenhum deles foi capaz de encontrar o culpado. Inspetor Tolle, responsável pelo caso, suspeita que o caso envolva poderes de Beyonders e, portanto, nos entregou o caso.
Vi Sir Deweyville na biblioteca outro dia e notei que ele estava se sentindo triste e letárgico. Então, foi causado por assedio… — Klein franziu as sobrancelhas e perguntou:
— Que tipo de assédio é esse?
Ainda não houve nenhum dano físico infligido, então o assédio não é considerado perigoso.
— Sir Deweyville ouve gemidos e choros todas as noites, não importa onde esteja, seja em Tingen ou não. Isso afetou negativamente sua qualidade do sono. — Dunn virou as anotações em suas mãos. — Ele visitou um psiquiatra e perguntou a seus mordomos e servos para confirmar que não era uma ilusão. Depois de confirmar que não é uma alucinação, há suspeita de que alguém o esteja assediando.
Fechando o arquivo, Dunn olhou para Klein.
— Coloque seu uniforme de inspetor probatório na sala de descanso e encontre o inspetor Tolle, que está encarregado deste caso, no Clube de tiro. Ele fornecerá mais detalhes.
— Uniforme de inspetor probatório? — perguntou Klein instintivamente.
Dunn esfregou a testa e sorriu.
— Metade do nosso salário vem do departamento de polícia, e o título de inspetor probatório não está apenas nos registros. Quando você conheceu Leonard e eu pela primeira vez, também estávamos vestindo uniformes. Esta é uma vantagem mantida por membros oficiais. Ou “benefícios”, como o Imperador Roselle chamaria.
Infelizmente, não posso usá-la como roupa casual. Caso contrário, eu teria outra roupa sobressalente para quando minhas roupas estiverem sendo lavadas… — Klein pegou sua bengala e se despediu antes de sair do escritório do capitão.
Ele foi até a sala de descanso e viu um uniforme xadrez preto e branco completo, com botas de couro, sobre a mesa. O quepe do uniforme estava bordado com o logotipo do departamento de polícia: duas espadas cruzadas e uma coroa. No ombro havia uma dragona em preto e branco com uma estrela cintilante de prata.
— Este é um uniforme de inspetor probatório? — Klein olhou para o uniforme e notou uma série de números sob as estrelas prateadas: 06-254.
Ele tinha algum entendimento da estrutura de ranks policiais do Reino Loen. Ele sabia que no topo eram o ministro e o secretário chefe da força policial. Sob eles estavam os respectivos comissários, vice-comissários e assistentes comissários de vários departamentos de polícia. Os do meio eram superintendentes e inspetores, enquanto os inferiores eram sargentos e policiais.
Depois de fechar a porta, Klein tirou o terno e o chapéu antes de vestir o uniforme.
Ele pendurou o terno e saiu da sala. Na recepção ele se olhou usando o espelho de corpo inteiro que Rozanne havia trazido.
O jovem no espelho tinha cabelos pretos com olhos castanhos suaves. O uniforme em seu corpo o acentuava com um espírito heroico.
— Nada mal. — Klein se elogiou narcisisticamente. Ele deixou sua bengala no escritório e saiu da Companhia de Segurança Blackthorn.
Dentro de seus bolsos havia um conjunto completo de equipamentos, que variavam de armas a seu distintivo policial.
…
No salão do Clube de Tiro.
Klein encontrou inspetor Tolle imediatamente, pois ele era o único com uniforme de polícia.
Claro, eu também… — pensou Klein.
Havia duas estrelas de prata nas dragonas do uniforme do inspetor Tolle. Sua barriga fazia com que sua roupa ficasse justa e ele tinha um bigode grosso e loiro. Sua estrutura era alta, mas não imponente. Talvez tenha sido imponente no passado.
— Moretti? Klein Moretti? — Inspetor Tolle notou Klein e o recebeu com um sorriso.
Olá, inspetor Tolle, acredito que você tenha a pessoa certa — respondeu Klein amigavelmente, depois, seguindo suas memórias, levantou o braço direito, manteve os dedos retos e apertados antes de fazer uma continência.
Tolle riu.
— Posso ver que você é um jovem fácil de se dar bem, isso é bom. Vamos para a casa de sir Deweyville?
Embora fosse de rank mais alto que Klein, o tom de sua pergunta era obviamente amigável.
— Sem problemas. — Klein pensou por um momento antes de dizer:
— Você pode me informar sobre os detalhes do caso na carruagem.
— Certo. — Tolle acariciou sua barba grossa e loira e guiou Klein para fora do Clube de Tiro. Eles embarcaram em uma carruagem que estava parada do outro lado da estrada.
Havia o emblema de “duas espadas cruzadas e uma coroa” da polícia na carruagem e um motorista particular de carruagem.
— Sir Deweyville é um crente da Deusa, então encaminhamos o caso para vocês — disse Tolle rapidamente, enquanto se sentava.
— Eu sei. O bom cavalheiro é uma figura comum nas capas de jornais e revistas. — Klein deu um sorriso amigável.
Tolle pegou o arquivo de documentos ao lado dele e removeu o selo antes de retirar os materiais de dentro. Enquanto os folheava, ele explicou:
— De qualquer forma, mesmo que esteja ciente disso, preciso lhe fornecer as informações detalhadas.
— Sir Deweyville é um dos magnatas mais ricos da cidade de Tingen. Ele construiu sua carreira começando com uma fábrica de chumbo e porcelana. Então expandiu para aço, carvão, transporte marítimo, bancos e títulos. Ele também é um grande filantropo elogiado pelo rei, tendo fundado a Fundação de Caridade Deweyville, o Fundo Deweyville e a Biblioteca Deweyville… Ele também foi cavaleiro há cinco anos… Se estivesse disposto a concorrer a prefeito, acho que ninguém em Tingen poderia contestar com ele.
— Mas Backlund é seu objetivo, ele quer se tornar um membro do parlamento. Tínhamos suspeitas de que o assédio pudesse estar relacionado a isso, mas até hoje não temos pistas.
Klein assentiu levemente e disse:
— Não podemos descartar essa possibilidade, mas não há nada para confirmar essa suspeita no momento.
Tolle não se prolongou nesse ponto, e continuou:
— Desde o dia seis do mês passado, Sir Deweyville ouve gemidos dolorosos e arrepiantes todas as noites quando dorme, semelhante a alguém lutando por sua vida. Ele verificou os quartos ao redor várias vezes, mas não encontrou nada fora do normal. Seu mordomo e criados também confirmaram que ouviram tais sons, mas é mais fraco para eles.
— No começo, Sir Deweyville acreditava que passaria rapidamente e não deu muita importância a isso. Mas os gemidos se tornaram cada vez mais frequentes, a ponto de acontecer ocasionalmente durante o dia. Havia até a adição de gritos de partir o coração.
— Isso fez Sir Deweyville perder o sono várias e várias vezes, e não teve escolha a não ser deixar Tingen para sua casa de campo. Mas não adiantou. Os gemidos e os gritos persistiram. Da mesma forma, o fenômeno persistiu mesmo em Backlund, apenas não tão sério.
— Ele contratou seguranças para checar os arredores, mas não encontraram nada. Nossas investigações preliminares também não deram em nada.
— Sir Deweyville, que foi torturado por mais de um mês, está à beira do colapso. Ele visitou psiquiatras várias vezes, mas não conseguiu resolver seu problema. Ele nos disse que se esse problema não fosse resolvido dentro de um mês, ele deixaria Tingen e iria para Backlund. Ele acredita que lá há pessoas que possam ajudá-lo.
Depois de ouvir a explicação de Tolle, Klein analisou rapidamente a situação e apresentou algumas possibilidades.
Ele ofendeu um Beyonder e está sofrendo de uma maldição?
Não, se estivesse sofrendo uma maldição, os mordomos e criados em sua casa não ouviriam as mesmas coisas…
Há um Beyonder com motivos desconhecidos escondido entre seus servos e guarda-costas?
Mas o problema vem do fato de que não houve pedidos feitos a Sir Deweyville no mês passado…
Talvez Sir Deweyville tenha acidentalmente entrado em contato com algum espírito maligno vingativo?
Essa possibilidade não pode ser descartada…
A carruagem entrou no bairro Golden Indus enquanto Klein pensava profundamente, e parou na porta da casa de Sir Deweyville.
Uma cerca de aço cercava um jardim exuberante. Havia duas estátuas ao lado dos portões de metal ocos, uma fonte magnífica que banhava uma escultura de mármore com água, um amplo edifício de dois andares e um caminho suficientemente amplo para acomodar três carruagens.
Até mesmo a casa do cavaleiro tem apenas dois andares de altura… Segundo jornais, Backlund está experimentando construir apartamentos de dez andares… — Klein saiu da carruagem e viu um sargento com três divisas em sua insígnia andando rapidamente.
Ele olhou para Klein e fez uma saudação.
— Bom Dia, senhor!
— Bom Dia. — assentiu Klein com um sorriso.
Tolle sorriu.
— Este é o sargento Gate, você pode procura-lo se precisar de algo.
— Este é o inspetor probatório Moretti, um especialista em história e psicologia do departamento de polícia — Tolle apresentou Klein a Gate.
… Eu não mereço tal título… — Klein ficou um pouco envergonhado.
Após os cumprimentos, Gate apontou para o prédio de dois andares atrás da fonte e disse:
— Sir Deweyville está esperando por nós.
— Tudo bem. — Klein acariciou o revólver em sua cintura.
Era sua melhor defesa contra um inimigo.
Como estava com uniforme de polícia, ele pôde colocar o revólver em um coldre no quadril, facilitando sacá-lo.
Enquanto conversavam, o trio andou pelo caminho, contornou a fonte e chegou à porta, que já havia sido aberta por um criado que estava esperando educadamente ao lado.
Enquanto Klein fingia ajeitar seu chapéu, ele tocou duas vezes na glabela para ativar sua Visão Espiritual antes de entrar na casa.
Sir Deweyville, de rosto quadrado, estava massageando sua testa no corredor, claramente de mau humor. Seus cabelos loiros e olhos azuis estavam secos ou sem brilho, como se tivesse envelhecido consideravelmente por pelo menos cinco anos.
— Bom dia, senhor Deweyville. — Klein, Tolle e Gate se curvaram ao mesmo tempo.
Sir Deweyville se levantou e forçou um sorriso.
— Bom dia, oficiais. Espero que possam resolver o que está me causando sofrimento.
Nesse momento, Klein semicerrou os olhos e franziu ligeiramente as sobrancelhas.
Além de desanimado, Klein não encontrou nenhum outro problema com Sir Deweyville.
Que estranho… — Ele pensou por um momento antes de dizer:
— Senhor, em qual quarto você ouviu os gemidos pela primeira vez?
— No meu quarto. — Sir Deweyville balançou a cabeça.
— Podemos dar uma olhada? — perguntou Klein.
— Vocês já não olharam várias vezes? — interrompeu o mordomo de meia-idade ao lado.
Ficou claro que ele não notou que Klein era o parceiro da alma de bom coração que “não ficou com o dinheiro que encontrou”.
Klein sorriu, composto.
—Meus colegas sim, mas eu ainda não.
— Senhor, este é um especialista enviado pela agência policial — disse Tolle, aproveitando a oportunidade para apresentá-lo.
Deweyville olhou para o jovem especialista e disse:
— Tudo bem, Cullen, leve-o para o meu quarto.
— Senhor, espero que você venha conosco — disse Klein, sério.
Deweyville hesitou por alguns segundos antes de dizer:
— Se isso pode resolver o problema…
Ele pegou sua bengala enquanto falava e caminhou lenta e desanimadamente em direção à escada com o mordomo Cullen e vários guardas ao seu lado, prontos para apoiá-lo caso necessário.
Klein observou os arredores enquanto os seguia em silêncio.
Um passo, dois passos, três passos… Eles chegaram ao segundo andar e entraram no quarto principal.
Os pelos de seu corpo se arrepiaram e ele não teve mais tempo de examinar os arredores.
Este era o feedback de sua percepção espiritual!
Capítulo 90
Capítulo 90 – Descobertas à Vista
O quarto de sir Deweyville era maior que a sala de estar e de jantar da casa de Klein juntas. Ele era dividido em um lugar para a cama, um espaço de lazer, um closet, um banheiro e uma mesa de estudo com estantes de livros. O mobiliário era requintado e os detalhes extravagantes.
Mas para Klein, a luz parecia mais fraca e a temperatura vários graus mais frio que o exterior.
Ao mesmo tempo, parecia ouvir o som de soluços e gemidos, como se alguém estivesse lutando por sua vida.
Klein estava em transe, e tudo de repente voltou ao normal. A luz do sol entrou através da janela e brilhou sobre o quarto inteiro. A temperatura era razoável, nem muito alta nem baixa. Os policiais, guarda-costas e mordomo ao redor estavam calados. Ninguém falou.
Isso… — Ele olhou de soslaio para a cama clássica, mas luxuosa. Ele sentiu que havia pares de olhos embaçados pairando na sombra, como mariposas que ficavam sem medo ao redor de lâmpadas a gás.
Dando alguns passos para perto, Klein perdeu as imagens anteriores sumiram de sua Visão Espiritual.
Não é um espectro comum nem um espírito maligno… O que é exatamente? — Klein franziu as sobrancelhas e relembrou o conhecimento místico que estava aprendendo todo esse tempo.
Pelo que viu, a missão seria fácil se fosse passada para um Coletor de Cadáveres, Cavador de Túmulos ou Médium Espiritual. Obviamente não estava dentro de sua especialização.
Mantendo seu desejo de usar divinação como abordagem investigativa, Klein olhou em volta lentamente buscando outros traços para confirmar as poucas suposições em sua mente.
— Inspetor. — Sir Deweyville hesitou e perguntou:
— Você descobriu alguma coisa?
— Se fosse assim tão fácil, acredito que meus colegas não teriam esperado até agora — respondeu Klein, olhando inconscientemente para o filantropo.
No momento em que planejava desviar o olhar, de repente viu que havia uma fraca figura humana branca refletida no espelho atrás dele.
Não, havia muitas figuras se sobrepondo, resultando em uma figura distorcida em branco!
A figura apareceu e Klein pareceu ouvir choros fracos.
Ufa… — Ele soltou um suspiro para acalmar os nervos, tendo quase sacado a arma por medo.
Minha percepção espiritual elevada somada com a Visão Espiritual um dia me matará de susto… — Klein tentou relaxar seus nervos tensos, brincando, antes de redirecionar seu foco de volta para Sir Deweyville.
Desta vez, ele viu algo diferente.
Agora que estava no quarto, Sir Deweyville tinha uma figura fraca e distorcida brilhando ao seu redor, que até obscurecia a iluminação daquela área.
Todo flash era acompanhado por um grito e gemido ilusório que dificilmente poderiam ser detectados por uma pessoa comum.
Dificilmente audível e detectável por pessoas comuns em circunstâncias comuns? Será por ser de dia? — assentiu Klein enquanto pensava.
Ele tinha um julgamento inicial para este caso.
Era ressentimento que assombrava Sir Deweyville. Era a espiritualidade remanescente que resultou de emoções não resolvidas antes da morte de um humano!
Se esses sentimentos de ressentimento permanecessem neste mundo por um período de tempo, eles se tornariam um espírito vingativo e aterrorizante depois de se tornarem mais fortes.
No entanto, Sir Deweyville era um famoso filantropo. Até Benson, uma pessoa exigente, o admirava. Por que ele ficaria cercado pelo ressentimento dos mortos? Ele tem duas caras? Seria algo de um Beyonder com intenções nefastas? — Klein imaginou as possibilidades em suspeita.
Depois de pensar um pouco, ele olhou para Deweyville e falou: — (Honorável) Senhor, tenho algumas perguntas.
— Por favor pergunte. — Deweyville se sentou, cansado.
Klein organizou seus pensamentos e perguntou:
— Quando você sai daqui para ir a um novo lugar, como a vila ou Backlund, recebe temporariamente pelo menos meia noite de paz antes que a situação recomece e se agrave gradualmente? Mesmo quando dorme durante o dia, você consegue ouvir gemidos e soluços?
Os olhos semifechados de Deweyville subitamente se arregalaram e seus profundos olhos azuis brilharam com esperança.
— Sim, você encontrou a raiz do problema?
Só então ele percebeu que, devido ao seu longo período de insônia e seu mau estado mental, havia esquecido completamente de informar a polícia sobre uma pista tão importante!
Vendo que a pergunta de Klein havia descoberto algo útil, inspetor Tolle relaxou. Ele sabia que o Falcão Noturno havia encontrado uma pista de valor.
Sargento Gate também ficou surpreso e curioso. Ele não pôde deixar de olhar atentamente para o especialista em psicologia, Klein.
Coincidia com as características do entrelaçamento gradual e a característica da acumulação… — Depois de receber o feedback, Klein basicamente confirmou a causa.
Ele tinha duas maneiras de ajudar Sir Deweyville a se livrar do fardo. Uma era montar um altar diretamente ao redor do homem e remover completamente o ressentimento dos mortos usando magia ritualística. A segunda era usar outras medidas de misticismo para encontrar a raiz do problema e resolvê-lo a partir daí.
Levando em consideração a regra de impedir que os plebeus aprendam sobre poderes Beyonder da melhor maneira possível, Klein planejou primeiro tentar o segundo método. Somente se falhasse ele rezaria à Deusa.
— Senhor, a sua é uma doença psicológica, um problema mental — ele falou sem sentido com absoluta seriedade enquanto olhava para Deweyville.
Sir Deweyville franziu as sobrancelhas e perguntou em resposta:
— Você está dizendo que eu sou um paciente mental, que preciso entrar em um asilo?
— Não, nada tão sério. Na verdade, a maioria das pessoas tem problemas psicológicos em um grau ou outro — Klein o confortou casualmente. Por favor, permita que me apresente novamente. Sou um especialista em psicologia da polícia do condado de Awwa.
— Especialista em psicologia? — Deweyville e seu mordomo olharam para o inspetor Tolle com quem estavam familiarizados.
Tolle assentiu seriamente e confirmou que era verdade.
— Tudo bem, o que você precisa de mim para meu tratamento? Além disso, não entendo por que meu mordomo, meus guardacostas e meus criados também ouvem os soluços e gemidos… — Deweyville segurou sua bengala com as duas mãos, parecendo confuso.
Klein respondeu profissionalmente:
— Vou explicar depois que for resolvido.
— Por favor, diga ao seu mordomo, seus servos e seus guardacostas para sair. Inspetor Tolle, sargento Gate, por favor saiam também. Preciso de um ambiente quieto para começar o tratamento inicial.
Um “tratamento” com magia… — Inspetor Tolle acrescentou em seu coração e acenou com a cabeça para Sir Deweyville.
Deweyville ficou em silêncio por mais de dez segundos antes de dizer:
— Cullen, leve-os para a sala de estar no segundo andar.
— Sim senhor. — O mordomo Cullen não respondeu, já que o pedido foi feito por um policial, um inspetor probatório e um especialista em psicologia.
Depois de vê-los sair da sala um após o outro e fechar a porta, Klein olhou para Deweyville, que tinha cabelos loiros escuros e olhos azuis, e disse:
— Senhor, por favor, deite-se na cama. Relaxe e tente dormir.
— … Tudo bem. — Deweyville pendurou seu casaco e chapéu no cabideiro antes de caminhar lentamente para o lado da cama e se deitar.
Klein fechou todas as cortinas, escurecendo a sala.
Ele tirou o pêndulo e rapidamente usou radiestesia espiritual para determinar quaisquer perigos. Em seguida, ele se sentou na cadeira de balanço perto do final da cama, traçou uma luz esférica em sua mente e entrou em Cogitação, permitindo que o mundo da espiritualidade se estendesse diante de seus olhos.
Ele então se encostou nas costas da cadeira e dormiu profundamente, permitindo que sua projeção astral fizesse contato com o mundo externo.
Ele estava usando a técnica de divinação dos sonhos, para se deixar entrar no ambiente espiritual como se estivesse sonhando, para comunicar com todo e qualquer ressentimento que atormentava Sir Deweyville.
Somente comunicação seria capaz de lhe dar uma resposta e resolver o problema!
Whoosh! Whoosh! Whoosh!
Um triste soluço reverberou no ouvido de Klein, e ele “viu” que as figuras translúcidas brancas estavam flutuando ao seu redor.
Um gemido doloroso ecoou quando Klein, que mal recuperou sua capacidade mental, estendeu a mão direita e tocou em um deles.
De repente, as figuras o cercaram como mariposas correndo em direção ao fogo.
A imagem diante dos olhos de Klein de repente ficou embaçada e seu cérebro parecia dividido em dois. Metade de sua mente estava observando calmamente enquanto a outra metade via um “espelho”.
No “espelho”, havia uma jovem garota vestida com roupas de trabalhador. Ela parecia forte e em forma enquanto caminhava em uma fábrica coberta de poeira, enquanto sua cabeça latejava de dor.
Sua visão ocasionalmente ficava embaçada e seu corpo ficava mais magro a cada dia.
Ela parecia ouvir alguém chamando-a de Charlotte, e a voz dizia que ela tinha uma doença histérica.
Doença histérica? Ela olhou na direção do espelho e viu que tinha uma leve linha azul na gengiva.
…
A “visão do espelho” mudou e Klein viu outra garota chamada Mary.
Ela também entrou na fábrica de chumbo, jovem e animada.
De repente, metade de seu rosto começou a tremer, seguido pelo braço e perna do mesmo lado.
— Você tem epilepsia. — Ela ouviu alguém dizer enquanto seu corpo inteiro estava em convulsão.
Enquanto se contorcia e caia, a intensidade aumentou antes que ela finalmente perdesse a consciência.
…
Havia outra garota, que estava deprimida. Ela estava andando pela rua em transe, a ponto de ter um problema de fala.
Ela tinha uma dor de cabeça muito forte e uma linha azul nas gengivas, e também convulsionava de tempos em tempos.
Ela foi a um médico, que a informou:
— Lafayette, isso é resultado de envenenamento por chumbo.
O médico olhou para ela com pena e a viu convulsionar novamente. Ela se contorceu continuamente, e o médico viu que seus olhos haviam perdido toda a luz.
…
Muitas imagens apareceram diante de Klein, e ele permaneceu imerso e observando calmamente.
Ele de repente entendeu a situação das meninas.
As trabalhadoras mantiveram contato prolongado com chumbo branco. Todos eles morreram de envenenamento por chumbo como resultado da exposição prolongada à poeira e ao pó.
Sir Deweyville tinha em seu nome uma fábrica de chumbo e duas fábricas de porcelana. Todas elas contratavam trabalhadoras comparativamente mais baratas!
Klein observou tudo isso em silêncio e sentiu que havia algo que ainda não havia sido esclarecido.
Tal “ressentimento de morte” era insignificante. Eles não poderiam afetar a realidade ou ter quaisquer efeito em Deweyville, mesmo quando acumulados.
A menos que… a menos que haja um ressentimento mais poderoso e teimoso que unido todos juntos.
Nesse momento, ele “viu” outra garota.
A menina não tinha mais de 18 anos, mas estava envernizando porcelana na fábrica.
— Hayley, como você está ultimamente? Ainda está com dor de cabeça? Se ficar muito sério, lembre-se de me informar. Sir Deweyville impôs uma regra em que pessoas com fortes dores de cabeça não podem continuar em contato com o chumbo e devem deixar a fábrica — uma senhora mais velha perguntou com preocupação.
Hayley tocou a testa e respondeu com um sorriso:
— Só um pouco, mas estou bem.
— Me diga amanhã se piorar — disse a senhora idosa.
Hayley concordou. Quando voltou para casa, ela massageou a testa de vez em quando.
Ela viu que seus pais e irmão haviam retornado, mas seus rostos pareciam sem esperança.
— Seu pai e irmão perderam o emprego… — sua mãe disse enquanto enxugava as lágrimas.
O pai e o irmão abaixaram a cabeça e murmuraram:
— Vamos tentar arrumar um trabalho no porto.
— Mas nem sequer temos dinheiro para o pão para depois de amanhã… Talvez tenhamos que mudar para a rua de baixo… — A mãe de Hayley olhou para ela com os olhos avermelhados. — Quando você receberá seu pagamento? São dez soli, certo?
Hayley massageou a testa novamente.
— Sim, sábado. Sábado.
Ela não disse mais nada e permaneceu quieta como de costume. Ela voltou à fábrica no dia seguinte e disse ao supervisor que sua dor de cabeça havia se recuperado e que se sentia bem.
Ela sorria enquanto caminhava cinco quilômetros ida e volta para trabalhar diariamente. Ela massageava a cabeça cada vez mais frequentemente.
— Você não encontrou outro emprego? — Hayley não pôde deixar de perguntar ao pai e ao irmão enquanto observava a sopa fervente com pão preto.
Seu pai disse, frustrado:
— A economia está em recessão. Muitos lugares estão se fazendo cortes. Até os empregos no porto são esporádicos. Só consegui três soli e sete centavos essa semana.
Hayley suspirou e caiu em seu silêncio habitual. No entanto, ela escondeu a mão esquerda que de repente estava tremendo.
No segundo dia, ela andou novamente para o trabalho. O sol estava brilhando intensamente, e a rua ficou cada vez mais movimentada com pedestres.
De repente, seu corpo inteiro começou a convulsionar.
Ela caiu ao lado da estrada, espuma saindo da boca.
Ela olhou para o céu e seu olhar se transformou em um borrão. Ela viu pessoas passando e outras se aproximando. Ela viu uma carruagem com o emblema da família Deweyville com uma pomba branca com as asas abertas passar, como se estivesse pronta para decolar.
Ela tentou abrir a boca, mas não conseguiu emitir som algum.
Então, ela não disse nada, quieta como sempre.
Mas a diferença desta vez era que ela estava morta.
Nota:
1 – A inspiração original para essas meninas vem de “The People of the Abyss”, de Jack London.
Capítulo 91
Capítulo 91 – Solução
O cenário começou a se distorcer, se tornando ilusório, e começou a desaparecer.
Depois que Klein deixou seu estado de sonho, sua visão se adaptou à escuridão da sala.
Ele sabia que, com uma libra e dez soli, que eram trinta soli por semana, não era fácil para Benson sustentar a família de acordo com os padrões de uma família comum.
Ele achava que a maioria dos trabalhadores ganhava vinte soli por semana.
Certa vez, ele ouviu Melissa comentar que a parte de baixo da rua Cruz de Ferro tinha cinco, sete ou até dez famílias se espremendo no mesmo quarto.
Ele também aprendeu com Benson que, como resultado da situação no Continente Sul, a economia do reino estava em recessão nos últimos meses.
Ele sabia que uma empregada, com pensão e hospedagem, podia ganhar de três soli e seis centavos a seis soli por semana.
Klein estendeu a mão e beliscou sua glabela. Ele ficou em silêncio por um longo tempo, até Sir Deweyville perguntar:
— Oficial, você não vai dizer nada? Os psiquiatras que visitei sempre conversavam comigo e faziam perguntas em tal situação.
— No entanto, devo dizer que me sinto em paz. Quase adormeci e ainda não ouvi gemidos ou gritos.
— Como fez isso?
Klein recostou-se na cadeira de balanço. Em vez de dar uma resposta, ele perguntou em um tom gentil:
— Senhor, você sabe sobre envenenamento por chumbo? Conhece os perigos do chumbo?
Deweyville ficou em silêncio por alguns segundos.
— No passado não sabia, mas sei agora. Está me dizendo que minha doença psicológica decorre de minha culpa, minha culpa em relação às operárias das fabricas de chumbo e porcelana?
Sem esperar pela resposta de Klein, ele continuou como sempre, em sua posição de poder durante uma negociação.
— Sim, me senti culpado por isso no passado, mas as compensei. Em minhas fábricas de chumbo e porcelana, os trabalhadores não ganham menos do que outros trabalhadores do mesmo setor. Em Backlund, trabalhadores de chumbo e porcelana não recebem mais de oito soli por semana. Eu pago dez, as vezes até mais.
— Heh, muitas pessoas me criticam por quebrar não colaborar com os outros comerciantes e empregadores, pois dificulta que recrutem trabalhadores. Se não fosse a revogação da Lei de Grãos, que levou muitos agricultores à falência e os enviando para as cidades, eles teriam que aumentar seus salários assim como eu fiz.
— Além disso, também informei o supervisor das fábricas para garantir que aqueles com persistentes dores de cabeça e visão embaçada deixem as áreas onde estão expostos a chumbo. Se a doença é realmente grave, eles podem até pedir ajuda na minha fundação de caridade.
— Acho que já fiz o suficiente.
Klein falou sem tom de emoção em sua voz:
— Senhor, às vezes, você não pode imaginar o quão importante é um salário para uma pessoa pobre. Simplesmente perder o trabalho por uma semana ou duas pode resultar em uma perda irreversível para a família, uma perda que causaria um tremendo pesar.
Ele fez uma pausa antes de dizer:
— Estou curioso, por que uma pessoa gentil como você não instala equipamentos para proteger contra poeira e envenenamento por chumbo em suas fábricas?
Deweyville olhou para o teto e riu tristemente.
— Isso tornaria os custos altos demais para eu suportar, não seria mais capaz de competir com outras empresas de chumbo e porcelana. Já não presto mais muita atenção aos meus lucros nessas áreas dos negócios. Na verdade, estou até disposto a desembolsar algum dinheiro, mas qual é o sentido de manter os negócios se tiver que continuar fazendo isso? Isso só pode ajudar alguns trabalhadores, mas não se tornará um padrão no setor nem causará mudanças em outras fábricas.
— Apenas resultaria em meu dinheiro apoiando os trabalhadores. Ouvi dizer que algumas fábricas contratam secretamente até escravos para minimizar os custos.
Klein cruzou as mãos e disse depois de um momento de silêncio:
— Senhor, a raiz de sua doença psicológica vem do acúmulo de culpa, apesar de você acreditar que a culpa tenha desaparecido com o tempo. Não teria nenhum efeito visível sob circunstâncias normais, mas houve algo que a estimulou e desencadeou todos os problemas de uma só vez.
— Algo que a estimulou? Não estou ciente disso — disse Deweyville intrigado, mas com convicção.
Klein deixou a cadeira balançar suavemente enquanto explicava em seu tom gentil:
— Você adormeceu por alguns minutos agora a pouco e me contou algo.
— Hipnose? — Deweyville deu um palpite, como de costume.
Klein não respondeu e continuou:
— Uma vez você viu uma garota morrendo no caminho para o trabalho enquanto estava em sua carruagem. Ela havia morrido por causa de envenenamento por chumbo. Ela era uma das suas trabalhadoras que envernizava porcelana quando estava viva.
Deweyville massageou as têmporas, sem palavras, antes de dizer com um pouco de dúvida:
— Acho que isso aconteceu uma vez… mas não consigo me lembrar claramente…
Sua insônia prolongada o deixou em um mau estado mental. Ele mal se lembrava de ter visto essa cena.
Ele pensou por um momento, mas desistiu de forçar seu cérebro. Em vez disso, perguntou:
— Qual era o nome dessa trabalhadora?
— Bem, o que eu quis dizer era: o que devo fazer para curar minha doença psicológica?
Klein respondeu imediatamente:
— Duas coisas.
— Em primeiro lugar, a trabalhadora que morreu na beira da estrada se chamava Hayley Walker, foi o que você me disse. Ela foi a causa mais direta, então você precisa encontrar seus pais e dar a devida compensação.
— Segundo, divulgue informações sobre os perigos do chumbo nos jornais e revistas. Permita que sua fundação de caridade ajude mais trabalhadores que sofreram danos. Se você conseguir se tornar um membro do parlamento, faça promessas de leis nesse domínio.
Deweyville se sentou devagar e riu de maneira depreciativa.
— Farei todo o resto, mas promulgar uma lei acho que é impossível, pois ainda existe concorrência de nações além do nosso país. A criação dessa lei apenas colocaria uma crise em toda a indústria do país. As fábricas iriam à falência uma a uma e muitos trabalhadores perderiam o emprego. As organizações que ajudam os pobres não podem salvar tantas pessoas.
Ele lentamente levantou da cama e ajeitou seu colarinho, e então olhou para Klein e disse:
— Hayley Walker, certo? Vou pedir a Cullen para buscar imediatamente informações sobre ela na empresa de porcelana e encontrar seus pais. Oficial, por favor, espere comigo e avalie continuamente meu estado mental.
— Tudo bem. — Klein levantou-se devagar e ajeitou o uniforme policial preto e branco.
…
Às onze da manhã na sala de estar de Deweyville.
Klein sentou no sofá em silêncio enquanto olhava para o homem e a mulher sendo guiados pela casa pelo mordomo Cullen.
Os dois convidados tinham a pele manchada e rugas no rosto. O homem era um pouco corcunda enquanto a mulher tinha uma verruga abaixo da pálpebra.
Eles pareciam quase idênticos ao que Klein viu através de Hayley, apenas mais velhos e mais abatidos. Estavam tão magros que eram quase apenas osso e pele. Suas roupas eram velhas e esfarrapadas. Klein até descobriu que eles não poderiam mais continuar morando na rua de baixo da rua Cruz de Ferro.
Ahh…
Klein sentiu um vento gelado começar a circular através de sua percepção espiritual.
Ele tocou sua glabela e lançou um olhar para Sir Deweyville. Não se sabe quando uma figura pálida, translúcida e distorcida apareceu atrás dele.
— Bom-bom dia, Honorável Senhor. — Os pais de Hayley eram incomumente educados.
Deweyville massageou a testa e perguntou:
— Vocês dois são pais de Hayley Walker? Ela também não tem um irmão e uma irmã de dois anos?
A mãe de Hayley respondeu com medo:
— O ir-irmão dela quebrou a perna no porto algum tempo atrás. Então está cuidando da irmã em casa.
Deweyville permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de suspirar.
Meus pêsames mais profundos pelo que aconteceu com Hayley.
Ao ouvir isso, os olhos dos pais de Hayley ficaram imediatamente vermelhos. Eles abriram a boca e disseram um em uníssono:
— Obr-obrigado pela sua boa vontade.
— A polícia n-nos disse, que Hayley morreu de envenenamento por chumbo. Esse é o termo, certo? Oh, minha pobre criança, ela tinha apenas dezessete anos. Estava sempre tão quieta, tão determinada.
— Você enviou alguém para visitá-la antes e bancou seu enterro.
Ela está enterrada no Cemitério Raphael.
Deweyville olhou para Klein e mudou de postura. Ele se inclinou para frente e disse com um tom sério:
— Isso foi na verdade um equívoco nosso. Eu tenho que me desculpar.
— Acredito que preciso os compensar Hayley. O salário semanal dela era de dez soli, certo? Um ano seria quinhentos e vinte soli, ou vinte e seis libras. Vamos supor que ela poderia ter trabalhado por mais dez anos.
— Cullen, dê aos pais de Hayley trezentas libras.
— Tre-trezentas libras? — Os pais de Hayley ficaram boquiabertos.
Eles nunca tiveram mais de uma libra em poupança, nem mesmo economizando!
Não foram apenas eles que ficaram atordoados. Até as expressões dos guarda-costas e criadas na sala também eram todas de choque e inveja. Até o sargento Gate não pôde deixar de respirar fundo… seu salário semanal era de apenas duas libras e, entre seus subordinados, apenas um policial com um chevron ganhava uma libra por semana.
Em meio ao silêncio, Cullen saiu do escritório segurando um saco cheio.
Ele abriu o saco e revelou pilhas de notas, algumas de uma libra, algumas cinco libras, mas na maior parte composta de um ou cinco soli.
Ficou claro que Deweyville havia feito seus subordinados arrumarem “troco” do banco anteriormente.
— É uma expressão da boa vontade de Sir Deweyville — Cullen entregou o saco aos pais de Hayley depois de receber confirmação de seu mestre.
Os pais de Hayley pegaram o saco e esfregaram os olhos, olhandoo com descrença.
— Não, i-isso é generoso demais, não podemos aceitar — disseram eles, segurando o saco com força.
Deweyville disse em uma voz profunda:
— É isso que Hayley merece.
— Vo-você realmente é um cavaleiro nobre e caridoso! — Os pais de Hayley se curvaram repetidamente em gratidão.
Eles tinham sorrisos no rosto, sorrisos que não podiam reprimir.
Eles elogiaram o cavaleiro várias vezes, repetindo os poucos adjetivos que conheciam. Eles insistiam que Hayley, no céu, seria grata.
— Cullen, leve-os para casa. Oh, leve-os ao banco primeiro. — Deweyville soltou um suspiro de alívio e instruiu seu mordomo.
Os pais de Hayley abraçaram firmemente o saco e foram em direção à porta rapidamente, sem parar.
Klein viu a fraca figura translúcida atrás de Sir Deweyville tentar estender as mãos na direção deles, esperando acompanha-los, mas o sorriso dos pais era anormalmente radiante. Eles não viraram para trás.
A figura ficou mais fraca e logo desapareceu completamente.
Klein também sentiu que a sensação gelada no salão de hóspedes havia retornado instantaneamente ao normal.
Do começo ao fim, tudo o que ele fez foi ficar sentado em silêncio, sem expressar sua opinião.
— Oficial, me sinto muito melhor. Agora pode me dizer por que meu mordomo, criados e guarda-costas também podiam ouvir os gritos e gemidos? Não deveria ser apenas uma doença psicológica minha, certo? — Deweyville olhou para ele com curiosidade.
Inspetor Tolle, que conhecia a verdade subjacente, ficou instantaneamente nervoso.
Klein respondeu sem muita expressão:
— Na psicologia, chamamos esse fenômeno de histeria em massa.
Capítulo 92
Capítulo 92 – Especialista em Psicologia
— Histeria em massa? — Sir Deweyville, que visitou muitos psiquiatras recentemente, refletiu sobre o termo que Klein havia dito.
Apesar da curiosidade, o mordomo, os guarda-costas e os criados não emitiram um único som, pois não receberam permissão.
Quanto a sargento Gate, ele olhou duvidosamente para Klein como se nunca tivesse ouvido falar desse conceito.
Klein controlou o hábito de bater no apoio de braço com as pontas dos dedos e explicou calmamente:
— Humanos podem ser enganados facilmente por seus órgãos sensoriais. histeria em massa é um tipo de doença psicogênica resultante de nervos tensos e outros fatores entre um grupo de indivíduos que influenciam um ao outro.
O jargão que ele soltou confundiu Sir Deweyville, Sargento Gate e o resto, fazendo com que eles subconscientemente optassem por acreditar nele.
— Deixe-me dar um exemplo simples disso; esse foi um dos casos com os quais eu lidei anteriormente, um homem realizou um banquete de jantar e convidou 35 convidados. Durando o banquete, ele de repente sentiu nojo e vomitou. Depois disso, até teve diarreia grave. Depois de algum tempo, ele começou a acreditar que tinha intoxicação alimentar e compartilhou suas especulações com os outros convidados a caminho do hospital.
— Nas duas horas seguintes, havia mais de 30 convidados com diarreia entre os 35, e 26 deles com náusea. Eles inundaram a sala de emergência do hospital.
— Os médicos fizeram um exame detalhado e realizaram verificações cruzadas, e concluíram que o primeiro homem não apresentava intoxicação alimentar. Em vez disso, foi o resultado de uma inflamação do estômago causada pela mudança do clima e do álcool.
— O fato mais surpreendente é que nenhum dos convidados que foi ao hospital teve intoxicação alimentar. Na verdade, nenhum deles estava doente.
— Isso é histeria em massa.
Deweyville assentiu levemente, maravilhado:
— Agora entendo. Humanos mentem para si mesmos com facilidade. Não é de admirar que o Imperador Roselle tenha dito uma vez que uma mentira se tornaria realidade se fosse repetida centenas de vezes.
— Oficial, como devo chamá-lo? Você é o psiquiatra mais profissional que já conheci.
— Inspetor Moretti. — Klein apontou para a dragona e disse:
— Senhor, seus problemas foram resolvidos temporariamente por enquanto. Pode tentar dormir agora enquanto eu determino se existem outros problemas. Se conseguir dormir bem, permita-nos dizer adeus com antecedência, em vez de esperar que você acorde.
— Tudo bem. — Deweyville massageou a testa, pegou a bengala e subiu as escadas indo para o quarto.
Meia hora depois, uma carruagem da polícia deixou a fonte na porta da residência de Deweyville.
Quando o sargento Gate saiu no meio do caminho e voltou à delegacia, inspetor Tolle olhou para Klein. Ele elogiou em tom de brincadeira:
— Até eu acreditei que você era um verdadeiro especialista em psicologia…
Antes de terminar sua frase, ele viu o jovem de uniforme xadrez preto e branco inexpressivo. Seus olhos eram profundos e serenos quando ele forçou um sorriso no rosto e disse:
— Apenas tive alguma experiência com isso no passado.
O inspetor Tolle ficou em silêncio até a carruagem chegar ao lado de fora da rua Zouteland, número 36.
— Obrigado por sua ajuda, permitindo que Sir Deweyville finalmente se livre de seus problemas e consiga voltar a dormir. — Ele estendeu a mão e apertou a mão de Klein. — Agradeça Dunn por mim.
Klein assentiu levemente e disse:
— Tudo bem.
Ele subiu as escadas e entrou na Companhia de Segurança
Blackthorn. Ele bateu e entrou no escritório do capitão.
— Feito? — Dunn estava esperando seu almoço.
— Feito. — Klein massageou a testa e manteve a resposta curta e simples. — A raiz do problema surgiu da fábrica de chumbo e porcelana de Sir Deweyville. Desde o momento em que foram estabelecidas até hoje, muitas mortes foram causadas por envenenamento por chumbo. E todo acidente deixou Sir Deweyville com alguma espiritualidade de ressentimentos.
— Normalmente, isso não traria um problema muito grande. Poderia causar pesadelos, no máximo. — Dunn havia experimentado casos semelhantes com sua infinidade de experiências.
Klein assentiu e disse:
— Sim, esse geralmente é o caso. Mas, infelizmente, Sir Deweyville encontrou uma trabalhadora que morreu de envenenamento por chumbo nas ruas. Ela desmaiou ao lado da rua e teve um vislumbre do emblema da família Deweyville. Ela também nutria intensa indignação, preocupação e desejos. Somente quando Sir Deweyville concedeu a seus pais, irmão e irmã uma compensação de trezentas libras que suas emoções se dissiparam.
— Este é um problema da sociedade. Não é raro na Era do Vapor e Maquinaria. — Dunn pegou seu cachimbo, cheirou o tabaco e suspirou. — Trabalhadores que fazem roupas de linho em ambientes úmidos geralmente são diagnosticados com bronquite e doenças relacionadas às articulações. Quanto às fábricas com sérios problemas de pó e poeira, mesmo que a poeira não seja venenosa, ainda pode se acumular em problemas pulmonares… Ahh… Não precisamos conversar sobre isso. À medida que o reino se desenvolver, acredito que esses problemas serão resolvidos. Klein, vamos encontrar um restaurante hoje à noite para celebrar você se tornar um membro oficial, tudo bem?
Klein pensou por um momento antes de dizer:
— Que tal amanhã… Capitão, usei Visão Espiritual por um longo período de tempo hoje e também usei divinação de sonhos para interagir diretamente com aqueles ressentimentos. Estou me sentindo especialmente esgotado. Quero voltar para casa à tarde para descansar. Pode ser? Ah, então eu vou ao Clube de Divinação por volta das quatro ou cinco da tarde para ver como os membros do clube estão reagindo às notícias da morte súbita de Hanass Vincent.
— Sem problema, isso é necessário. — Dunn riu. — Amanhã à noite então. Vamos comer no restaurante de Velho Will, nosso vizinho. Vou pedir à Rozanne para fazer uma reserva.
Klein tirou o quepe da polícia e se levantou para fazer continência.
— Obrigado, capitão. Até amanhã.
Dunn levantou a mão e disse:
— Espere, você mencionou que Sir Deweyville deu aos pais da trabalhadora uma compensação de trezentas libras?
— Sim. — Klein assentiu e entendeu imediatamente o motivo pelo qual o capitão mencionou isso. — Você está preocupado que eles tenham problemas por causa de sua riqueza?
Dunn suspirou.
— Já vi muitas situações semelhantes no passado. Me passe o endereço deles, pedirei a Kenley que providencie para que deixem Tingen, para começar uma nova vida.
— Tudo bem — respondeu Klein com uma voz profunda.
Com isso feito, ele saiu do escritório de Dunn e entrou na sala de descanso na diagonal oposta. Ele vestiu seu traje original e colocou o uniforme da polícia em seu armário.
Klein pegou uma carruagem pública de volta à rua Narciso em silêncio. Ele tirou o casaco e a cartola, e então aqueceu as sobras da noite passada e as comeu com o último pedaço de pão de trigo para encher o estômago.
Então, foi para o segundo andar, pendurou as roupas e se jogou na cama.
Quando acordou, o relógio de bolso mostrava que já eram duas e dez da tarde. O sol estava alto no céu brilhando através das nuvens.
Debaixo do esplendor dourado, Klein ficou ao lado de sua escrivaninha e olhou pela janela. Ele observou os pedestres em roupas velhas e esfarrapadas enquanto entravam ou saíam da rua Cruz de Ferro.
Ufa… Ele soltou um suspiro devagar, finalmente superando seu mau humor.
Toda jornada tinha que ser feita um passo de cada vez. Da mesma forma, sua Sequência precisava ser avançada um nível de cada vez. Tudo funcionava assim.
Ele balançou a cabeça e se sentou, começando a concluir e reorganizar seu encontro na última semana, de modo a reforçar os pontos importantes em sua mente para evitar que os esquecesse.
Cinco para as três da tarde.
Acima de um nevoeiro escuro, sem limites, branco-acinzentado e silencioso, havia um palácio imponente. Uma antiga mesa de bronze manchada estava só, em silêncio.
No assento de honra da mesa comprida estava um homem já envolto pela espessa neblina cinza.
Klein encostou-se ao encosto da cadeira e contemplou. De repente, ele estendeu a mão e tocou nas estrelas vermelhas que representavam a Justiça e o Enforcado.
Backlund, Burgo Imperatriz.
Audrey levantou o vestido enquanto caminhava rapidamente em direção ao quarto.
De repente, ela sentiu algo e olhou de soslaio para a sombra sentada na varanda. Como esperado, ela viu sua golde retriever, Susie, sentada em silêncio, observando-a como sempre.
Audrey suspirou e desenhou uma lua carmesim em seu peito. Ela então se aproximou e olhou para a golden retriever de uma posição de comando.
— Susie, isso não está certo. Isto é espiar. Um espectador deve observar de maneira aberta.
A golden retriever levantou a cabeça para olhar para sua dona e balançou o rabo.
Depois de incomodar sua cadela, Audrey não enrolou mais e voltou a andar em direção ao seu quarto.
Nos poucos segundos de abrir e fechar a porta, de repente ela teve uma ideia estranha.
— Me pergunto se o Sr. Louco permitiria que Susie entrasse naquele espaço misterioso. Então, haveria quatro membros no Encontro de Tarô! E todos eles seriam Beyonders!
— De jeito nenhum, Susie não pode falar. Se a deixassem expressar sua opinião e compartilhar seus pensamentos, o que ela faria? Woof woof woof? A uau au? Eww, por que estou imitando o latido de um cachorro…
— Imaginar tal cena parece realmente estranho. Uma reunião misteriosa e solene com o latido repentino de um cachorro… Sr. Louco definitivamente nos expulsaria da reunião imediatamente…
Audrey trancou a porta e se sentou ao lado da cama. Ela pegou um pedaço de papel velho marrom-amarelado debaixo do travesseiro.
Ela o leu várias vezes e entrou em estado de Espectador.
Em uma área do mar Sonia, um velho veleiro que estava em busca do Ouvinte já havia deixado o arquipélago de Rorsted.
O navegante Alger Wilson estava preocupado que o mecanismo do relógio de parede poderia não funcionar, então entrou na cabine do capitão cerca de meia hora antes, caso tivesse julgado mal o tempo, o que levaria seus subordinados a vê-lo sendo atraído para o Encontro de Tarô.
À sua frente havia um copo de licor quase transparente. O rico aroma entrava lentamente em suas narinas.
Alger tremeu mais uma vez ao pensar no iminente Encontro, a neblina sem limites que se apresentava à sua frente, e o misterioso Louco que estava sentado no meio da neblina cinza.
Ele levantou o copo e tomou um gole, usando a sensação de queimação na garganta para aliviar as emoções que haviam se agitado dentro dele.
Logo, ele restaurou a calma, ficando tão calmo e estoico como sempre.
Capítulo 93
Capítulo 93 – Nova Página do Diário
Acima do nevoeiro cinzento, gigantescas colunas de pedra sustentavam um majestoso e divino salão.
Duas gotas vermelhas escuras se estenderam em fracas figuras humanas em frente a antiga mesa de bronze manchada.
— Boa tarde, Sr. Louco. — Com um efeito embaçado, Audrey o cumprimentou com uma reverência e sorriu. — É uma pena que não haja vinho aqui; caso contrário, poderíamos fazer um brinde à tentativa bem-sucedida.
Ela estava se referindo à magia ritualística.
— Você é mais poderoso do que imaginávamos — elogiou Alger Wilson.
Klein, como sempre, estava cercado pela névoa espessa. Ele gesticulou com braço direito e falou com seu tom normal, respondendo como se fosse natural.
— Ótimo, isso significa que estamos no caminho da excelência. Se tiverem algum assunto a tratar que os deixem incapaz de participar da reunião às segundas-feiras, conduza o ritual e me informe. Tudo o que precisam fazer é mudar a linha do encantamento “Eu rezo por um bom sonho” com a razão.
— Tudo bem — concordou Audrey rapidamente. — Sr. Louco, obtive outra página do diário do Imperador Roselle. Acredito que ainda lhe devo uma página.
— Estive longe no mar esta semana e não encontrei novas páginas. — Alger colocou a mão direita perto do peito e curvou-se em desculpas.
— Não tem problema. Já esperava que meu pedido demorasse muito tempo. — Klein recostou-se na cadeira e tocou no apoio de braço com o dedo indicador. Ele olhou para Srta. Justiça e disse:
— Você pode expressar o conteúdo do diário agora.
Audrey curvou-se um pouco e disse:
— Como desejar.
Uma caneta apareceu de repente diante dela. Ela lembrou dos símbolos que havia memorizado e fez o possível para transcrevêlos.
Em segundos, ela viu que a pele de cabra já estava preenchida. Os símbolos estranhos cobriam a página inteira.
Depois de verificar o conteúdo, ela soltou a caneta e disse:
— Está feito.
Klein levantou a mão e o pergaminho de pele de cabra apareceu diante de si.
Desviando o olhar, ele começou a ler sem emoção.
“9 de julho. De repente, pensei em uma pergunta interessante. Já que os caminhos de Sequência também são chamados de ‘Bênçãos das Divindades’ ou ‘Caminhos do Mergulho’, então por que a ardósia que registra os vinte e dois caminhos de Sequência completos seria chamada de “ardósia da blasfêmia”? Blasfêmia, que termo interessante… Quem é que cometeu blasfêmia?”
“E quem criou a Ardósia da Blasfêmia? Como essa pessoa conseguiu descobrir todos os caminhos de Sequência? Quais outras informações estavam na ardósia? Eu realmente quero vê-la…”
“12 de julho. Hoje percebi outro fato. Os Artefatos Selados são um componente importante da força geral de uma igreja, mesmo que alguns dos Artefatos Selados sejam muito, muito perigosos. Entre as sete igrejas, o Deus das Artes possui o menor número de Artefatos Selados relativamente menos perigosos… Ingressei em uma organização sem futuro? Não, eu deveria pensar dessa maneira: apenas um pedaço de papel em branco pode produzir uma boa pintura. Uma organização fraca é o melhor lugar para mostrar minhas habilidades!”
“14 de julho. Vi o misterioso Sr. Zaratul novamente. Nunca esperei que ele fosse o líder de uma organização antiga, a Ordem Secreta!”
As pupilas de Klein se contraíram quando leu isso. Ele quase revelou uma expressão não natural.
A família Zaratul só tinha uma conexão com a Ordem Secreta nas documentos da Igreja da Deusa da Noite Eterna. Mas agora, ele descobriu pelo Imperador Roselle que o misterioso Sr. Zaratul estava ainda mais determinado a ser o líder da Ordem Secreta.
Pelo que parece, é um fato inquestionável que a Ordem Secreta mantém o caminho da Sequência Vidente…
Enquanto Klein estava lendo o diário, Audrey olhou e começou a observá-lo por hábito.
No entanto, seu campo de visão estava completamente obscurecido pela espessa névoa.
Momentaneamente surpresa, Audrey voltou a si e girou a cabeça freneticamente para olhar para a outra ilusória estrela vermelha escura.
Fui muito imprudente, muito insolente, muito tola ao tentar observar o Sr. Louco… Tenho sorte, sorte que ele não está bravo. — Audrey mostrou a língua secretamente e fingiu admirar a paisagem. Ela estava quase a ponto de cantarolar uma música animada.
Alger ficou em silêncio, seu olhar nunca deixando a longa mesa de bronze. Ele sabia seu lugar, como se estivesse na presença de um verdadeiro deus .
Klein se recompôs e examinou a última parte do diário.
“Depois de saber que me tornei um Sábio, Sr. Zaratul mencionou que havia escolhido um caminho difícil, mas relativamente seguro. Perguntei por que era esse o caso, mas tudo o que ele fez foi sorrir antes de me dizer que o caminho de Sequência contém segredos além da minha imaginação. não pude deixar de perguntar qual caminho de Sequência ele escolheu. Ele disse que sua Sequência 9 era Vidente.”
“Eu intencionalmente zombei dele e perguntei se todo Vidente só revelava meias-verdades, nunca explicando as coisas com mais clareza. Além disso, ele era claramente um poderoso Beyonder de Sequência alta. Não havia necessidade dele continuar agindo como um Vidente!”
“Sr. Zaratul me disse que era um hábito que ele adotou quando era Vidente, e que esse era um método que poderia despertar minha curiosidade e me fazer cooperar com ele. Ele esperava que eu pudesse ajudá-lo a roubar um perigoso Artefato Selado da Igreja do Deus das Artes, uma relíquia da família Antigonus.”
“Claramente, isso deve esperar até que eu me torne um membro importante da Igreja do Deus das Artes. Perguntei ao Sr. Zaratul quanto tempo levaria para digerir a poção se eu usasse o método de atuação e quais padrões deveria usar para determinar se já tivesse digerido completamente.”
“Ele me disse que, para as Sequências mais baixas, levaria apenas meio ano para digerir a poção, desde que usasse estritamente o método de atuação. Na verdade, no caso mais rápido, poderia levar apenas um mês. E a medida padrão para o progresso era simples: todo Beyonder sentiria imediatamente quando a poção fosse completamente digerida. Simples assim.”
“Pedi mais detalhes, mas ele apenas sorriu para mim.”
“Para o inferno com seus sorrisos, vou espancar todos os Videntes que vir quando me tornar um Beyonder de alta sequência!”
… Descanse em paz, Imperador… — Klein leu o diário várias vezes antes de olhar para Justiça e o Enforcado novamente.
— Desculpe pela demora.
— É nossa honra. — Audrey ainda estava chocada, esquecendo que era uma Espectadora.
Ela olhou para o Enforcado e organizou seus pensamentos.
— Onde posso encontrar os Alquimistas da Psicologia?
Alquimistas da Psicologia… — Klein subitamente se lembrou do homem que comprou ingredientes suplementares para a poção Espectador no mercado clandestino de Tingen.
Talvez fosse um membro dos Alquimistas da Psicologia?
No momento em que Klein estava pensando em como se aproximar daquele homem, o Enforcado, Alger Wilson balançou a cabeça e disse:
— Senhorita Justiça, em primeiro lugar, não tenho ideia. Segundo, não acho que haja pressa em procurar os Alquimistas da Psicologia. O que deve focar agora é em digerir completamente a poção Espectador.
Audrey olhou para o Louco e percebeu que ele não tinha nenhuma intenção de se juntar à conversa. Ela assentiu com decepção e disse:
— Tudo o que eu quero é ter bastante tempo para me preparar para que possa abordá-los com mais naturalidade. Tudo bem, então quando posso digerir a poção Espectador e parar de agir? Há algum padrão que indique quando? Estou quase no ponto em que não me sinto mais frustrada, nem ouço mais os constantes murmúrios.
Alger olhou para o Louco no nevoeiro, mas viu que ele não tinha intenção de falar. Ele então deliberou antes de dizer:
— Se você não usar o método de atuação, a regra geral é esperar três anos e confirmar que não se sente mais inquieta nem tem ilusões auditivas ou visuais. Há um teste simples para determinar isso. Esse método é esgotar seu corpo ao limite. Se ainda não ouvir nenhum murmúrio maníaco ou ver coisas estranhas nesse momento, isso significa que você está pronta para avançar.
— No que diz respeito ao método de atuação, eu também acabei de entrar em contato com ele. Parece muito bom, então não acho que demore três anos.
Isso não foi nada útil… Três anos, é muito tempo… — criticou Audrey internamente.
Ela tinha acabado de pensar nisso quando ouviu um apoio de braço sendo batido.
Audrey congelou, depois virou a cabeça em alegria. Ela viu o Louco tocando na borda da mesa longa.
Alger se endireitou, esperando o Louco falar.
Klein disse em seu tom normal:
— Para Beyonders de sequência baixa, desde que se dedique estritamente à atuação, poderá digerir a poção em meio ano. É até possível faze-lo em um mês.
Ele olhou para Justiça e acrescentou:
— Quanto aos sinais de digestão, você saberá quando chegar. Não precisa ser ensinado.
— Um mês… Ótimo! Obrigada, Sr. Louco! — exclamou Audrey enquanto transbordava de alegria.
Senhorita Justiça, não pense que você é especial. O ponto chave é meio ano… — Klein levantou a mão direita e a colocou ao lado dos lábios.
— Meio ano… — repetiu Alger suavemente.
Audrey sentiu alegria, alívio e intensa dúvida em seu tom.
Do que ele suspeita?
Audrey pensou e perguntou:
— Sr. Louco, você já pensou em adicionar mais membros?
Klein recostou-se casualmente. Ele havia preparado uma resposta há muito tempo.
— Isso começou como um teste, então não gastei muito tempo pensando em estender nossas reuniões.
— Mas agora, como a reunião é regular, devemos escolher nossos membros com cuidado. Segredo é o nosso lema.
Audrey assentiu gentilmente e disse:
— Isso significa que precisamos seguir um processo de observação, recomendação e teste. Sim, um processo.
— Você pode interpretar dessa maneira — afirmou Klein.
Em sua mente, ele estava pensando em como poderia perguntar sobre a Ordem Secreta e a poção de Palhaço.
Como posso fazer perguntas de maneira que seja adequado ao meu status? — Klein foi colocado em uma posição difícil.
Naquele momento, percebendo que Justiça temporariamente não tinha mais nada a dizer, Alger tomou a iniciativa e falou:
— Ouvi dizer que um ouvinte da Ordem Aurora está procurando vestígios do Verdadeiro Criador, que é a residência sagrada que eles defendem.
— Verdadeiro Criador? — perguntou Audrey, intrigada.
— É uma entidade antiga adorada por inúmeras organizações e cultos secretos. Eles acreditam que o Criador não pereceu completamente. O Núcleo que ele deixou para trás é o Verdadeiro Criador. — Alger deu uma explicação grosseira. — Desde a Quinta Época, o Verdadeiro Criador apareceu de várias formas, como o Gigante Enforcado ou o Olho atrás das Cortinas das Sombras. Heh heh, muitas pessoas acreditam que o Imperador Roselle fez referência à imagens do Verdadeiro Criador quando criou as cartas de tarô, portanto, existe a carta do Enforcado.
Nesse ponto, ele olhou para Klein e disse:
— Sr. Louco, não há nada com o que eu disse, certo?
Ele está tentando investigar minhas opiniões sobre o Verdadeiro Criador? — Klein pensou no homem sangrento na cruz que o capitão viu no sonho de Hanass Vincent e imediatamente teve uma ideia.
O enforcamento e as sombras não implicam más conotações?
Portanto, ele riu e disse:
— Estou mais inclinado a chamá-lo de Criador Caído.
Capítulo 94
Capítulo 94 – Sábio Oculto
— Criador Caído… Caído… — Alger refletiu sobre as palavras do Louco e caiu em pensamento profundo.
No entanto, o que mais impressionou Alger foi a atitude relaxada, natural e indiferente do Louco.
Ele agiu como se fossem iguais!
Se não tivesse experimentado o ritual anterior, Alger teria pensado que o Louco estava apenas blefando e se preparando para intimidar ele e Justiça. Mas agora, acreditava que, mesmo que o Louco fosse inferior ao Verdadeiro Criador, ele estava pelo menos próximo desse nível.
— É perigoso, mas também é uma oportunidade… — Alger murmurou baixinho. Ele então falou com um sorriso:
— Sr. Louco, sua descrição é realmente mais apropriada. De acordo com as nossas observações, os Beyonders que acreditam no Verdadeiro Criador, não, no Criador Caído, têm maior probabilidade de perder o controle. O resto deles são, em sua maioria, psicopatas.
Isso é algo que a inteligência dos Falcões Noturnos também mencionou… E os chamados “psicopatas” não perderam a sanidade; em vez disso, suas ideologias se tornaram distorcidas… — Klein manteve sua postura, mas não continuou o assunto.
Ele ainda estava pensando em como perguntar sobre a Ordem Secreta e a poção de Palhaço, mas não conseguiu descobrir como fazer as perguntas de uma maneira que se encaixasse na personalidade do Louco.
É uma pena que o Encontro ainda seja tão diferente de um fórum da Internet. Caso contrário, eu poderia criar outra conta smurf para participar do Encontro, e essa conta ficaria encarregada de fazer perguntas inconvenientes que não condizem com a imagem do Louco… Talvez um dia eu aprenda mágica relacionada à espelho e possa tentar. Por exemplo, posso tornar minhas contas de smurf em metade dos membros…
Há vinte e duas cadeiras aqui e vinte e duas cartas no baralho de tarô, combina perfeitamente. Mas quando eu “criei” esse salão divino, nem me chamei de “O Louco” nem tive a intenção de formar um “Clube do Tarô”. Hmm, elas simbolizam os vinte e dois diferentes caminhos de Sequências?
Eu queria um salão divino, então um salão divino apareceu. Se eu quisesse uma conta smurf, será que conseguiria uma…?
Ao ver o Louco permanecer em silêncio envolvido pela espessa neblina cinza, Audrey perguntou, de forma melancólica, mas curiosa:
— Isso parece assustador. Sr. Enforcado, você poderia compartilhar, em detalhes, informações sobre cada organização secreta? E também sobre cada culto secreto? Dificilmente eu terei a oportunidade de entrar em contato com eles durante minha vida diária. Só me resta entendê-los através de vocês. Claro, estou disposta a pagar por isso. O que você gostaria em troca?
Essa é uma ótima pergunta! Senhorita Justiça, você está fazendo o papel de minha conta smurf até certo ponto… Dessa forma, o Enforcado definitivamente vai mencionar sobre a Ordem Secreta… Você é a melhor! — A mente de Klein se agitou quando ouviu isso, mas ele não deixou suas emoções transparecerem através de sua expressão ou movimentos.
Alger pensou por um momento antes de dizer:
— Preciso de dinheiro, mil libras. Seria melhor se não fossem notas marcadas com um número de série. Ou talvez pedras preciosas que acabaram de ser desenterradas. Defina o valor de acordo com o preço médio mensal da Bolsa de Jóias de Backlund
Mil libras? Isso é uma quantia enorme. Poderia ser usado para comprar uma casa em uma rua de classe alta na cidade de Tingen! Nem todo mundo teria essa quantia disponível imediatamente… Talvez o Capitão tenha um salário anual como esse, eu acho? A indenização pela morte de Hayley foi de apenas trezentas libras… Embora a senhorita Justiça seja uma nobre, ela obviamente ainda não herdou a riqueza de sua família e só recebe algum tipo de mesada… Hmm, não é de admirar que o Enforcado tenha declarado que poderia ser pago através de pedras preciosas… — Klein era muito sensível aos números monetários. Felizmente, ele estava encoberto pela névoa espessa.
Para uma senhorita ou senhora solteira, duas mil libras dariam à ela uma vida decente!
Se as duas mil libras fossem investidas, poderiam produzir com segurança um retorno anual de cerca de cem libras.
— Mil libras? — disse Audrey, parecendo chocada, mas então respondeu alegremente:
— Sem problema, posso enviar para o endereço anterior?
A julgar pelo tom da senhorita Justiça, ela acha isso muito barato? — Klein ficou pasmo.
Alger ficou quieto por uns bons vinte segundos antes de dizer:
— Sim, envie para o Bar Guerreiro & Mar na rua Pelicano, no Burgo Rosa Branca do Porto Pritz. Diga ao chefe, Williams, que é o que o “Capitão” quer.
— Tudo bem. — Audrey se inclinou para trás e posou de maneira semelhante a um espectador. — Sr. Enforcado, você pode começar agora.
Alger olhou para o Louco, e pensou por um momento antes de dizer devagar:
— Vamos começar pela Ordem Ascética de Moisés. É a
organização oculta mais antiga. É claro que muitos pensam que as primeiras organizações ocultas são a Igreja da Deusa da Noite Eterna, a Igreja da Mãe Terra e da Igreja do Deus do Combate.
— Essas pessoas devem ser da Igreja do Senhor das Tempestades, da Igreja do Eterno Sol Ardente ou da Igreja do Deus do Conhecimento e da Sabedoria — Audrey refutou emburrada.
A Igreja da Deusa é a primeira organização secreta? — Foi a primeira vez que Klein ouviu tal coisa.
O que exatamente aconteceu na Quarta ou Terceira Época?
Alger sorriu e disse:
— A verdade está enterrada na história antiga. Apenas uma coisa é certa: ninguém jamais disse que a Igreja do Senhor das Tempestades, a Igreja do Eterno Sol Ardente ou a Igreja do Deus do Conhecimento e da Sabedoria já foram organizações secretas.
— Tudo bem, vamos economizar tempo e voltar ao tópico principal.
A Ordem Ascética de Moisés foi estabelecida pela primeira vez por alguns humanos que leram a Ardósia da Blasfêmia. Eles acreditavam em um deus não antropomórfico, chamado “Sábio Oculto”.
— A descrição é a de um deus, mas é mais uma ideologia, uma lei natural. Por exemplo, todos os objetos são numéricos. O Sábio Oculto é uma personificação da Numerologia Espiritual. Ou esse conhecimento é supremo, e o Sábio Oculto é a personificação do conhecimento. Portanto, a Ordem Ascética de Moisés original era uma organização muito respeitável e mantinha um bom relacionamento com as outras grandes igrejas.
— Os membros da organização levaram vidas ascéticas para resistir à perda de controle e lidar com os efeitos remanescente da poção. Eles mantiveram estritamente os segredos de sua ordem e sustentaram os preceitos morais e religiosos. Eles acreditam que os humanos reencarnam continuamente após a morte…
— A Sequência 9 em seu domínio é chamada de Espreitador de Mistérios… A palavra “Feiticeiro” também se espalhou a partir dessa organização.
Audrey ouviu atentamente a descrição do Enforcado e perguntou bruscamente:
— Você disse que a Ordem Ascética de Moisés costumava ser uma organização respeitável. Eles não são mais?
Alger acenou com a cabeça indiscernivelmente.
— Sim, eles caíram na corrupção e agora são uma organização maligna.
— Por quê? Acho as crenças deles muito boas e muito normais — Audrey expressou sua confusão.
Essa também era a confusão de Klein. As informações que ele conseguiu obter em sua habilitação de segurança não forneceram a razão da queda da Ordem Ascética de Moisés.
Alger olhou para o Louco, insondável, e concordou concisamente.
— Não tenho certeza do verdadeiro motivo, talvez porque tenha sido enterrado pela história. No entanto, ouvi uma explicação aterrorizante.
— Na história, a principal razão pela qual a Ordem Ascética de Moisés caiu em corrupção foi porque o deus em que eles acreditavam, o Sábio Oculto, havia voltado à vida!
— Ele se tornou a personificação de um deus maligno!
— Voltou à vida? Tal coisa… como? — Audrey achou inimaginável e respondeu com um tom incrédulo.
Sem perceber, ela havia saído de seu estado de Espectador.
É como uma história de horror, mas o fantasma é um deus… — O coração de Klein também se agitou com uma onda de emoções.
— Sinto muito, ninguém sabe da verdade. — Alger originalmente queria dizer casualmente: “Talvez o Sr. Louco soubesse”, mas conteve sua vontade.
Ele já havia oscilado nas fronteiras do perigo uma vez.
No Livro das Tempestades 5:7, havia um ditado que Alger lembrava claramente, que era: “Não teste Deus!”
Audrey se acalmou e não pressionou por mais respostas, e então gesticulou para ele continuar.
Klein manteve sua postura sentada e seu silêncio, validando as descrições do Enforcado com seu próprio entendimento.
Finalmente, ele percebeu que havia quatro pontos que precisava tomar nota.
Primeiro, a Seita Demoníaca também era conhecida como a Família Demoníaca na Quarta Época. Naquela época, eles tinham muito poucos membros, e suas crenças eram transmitidas através de suas linhagens. Além disso, elas matavam os pais de seus filhos e abandonavam os meninos. Portanto, todos os membros eram do sexo feminino. Claro, isso era tudo da descrição de Alger, e não havia como verificar no momento.
Segundo, o Episcopado Numinoso que acredita na Morte e a Escola de Pensamento da Rosa, que gosta de cerimônias sangrentas de adoração sacrificial, ambos originaram no Continente Sul. Após a era colonial, eles quase desapareceram sob ataques das sete igrejas. Mas, como tal, começaram a se espalhar para o continente norte.
Terceiro, os atuais Alquimistas da Psicologia eram semelhantes à antiga Ordem Ascética de Moisés. Eles acreditam em uma existência não antropomórfica e que o espírito humano poderia mudar tudo.
Quarto, a Ordem Secreta tinha o menor nível de atividade entre todas as outras organizações secretas, logo, eram os mais desconhecidos. Toda vez que apareciam, pareciam estar atrás de algo ou procurando por algo.
O que eles estão procurando no momento? — De repente, Klein lembrou-se do diário que havia lido anteriormente, o líder da Ordem Secreta, Zaratul, cooperou com Roselle. Seu objetivo era conseguir algo que havia sido deixado para trás pela família Antigonus.
A aparição deles naquele momento era para procurar o caderno perdido, o caderno da família Antigonus… — Klein estreitou um pouco os olhos e sentiu que, aparentemente, havia encontrado a principal razão para as ações da Ordem Secreta.
Eles estão atrás das coisas que a família Antigonus deixou para trás!
Klein suprimiu seu desejo de bater na beirada da mesa enquanto seus pensamentos apareciam um após o outro.
Oh, eles estavam procurando vestígios remanescentes que a família Antigonus deixou para trás?
Então devo direcionar meu foco para essas áreas para obter a fórmula da poção de Palhaço da Ordem Secreta?
Após mais trocas de informações, Klein anunciou o fim do Encontro. — Como queira. — Audrey e Alger se levantaram juntos.
Cortando as conexões, ele viu as duas figuras se estilhaçarem e desaparecerem. Klein esfregou sua glabela e tentou conjurar uma conta smurf em sua mente.
Assim como havia pensado, uma figura apareceu na extremidade mais distante da longa mesa de bronze. Essa figura usava um smoking preto, cartola de seda e tinha uma expressão maçante. Suas ações eram desajeitadas e desarticuladas. Embora estivesse envolto pela névoa cinzenta, era óbvio que havia algo errado com ele.
Isso não serve… — Klein experimentou mais algumas vezes antes de suspirar e rejeitar a ideia de criar uma conta smurf.
Ele tentou outras coisas também. Ele continuou sentado acima da névoa cinza no assento de honra na longa mesa de bronze, considerando o que Audrey havia dito e lançou um olhar curioso para as ilusórias estrelas vermelhas.
Após um momento de silêncio, Klein começou a orar como uma forma de feedback, em vez de estabelecer contato com aquelas estrelas.
Em meio à tranquilidade e ao silêncio, ele não recebeu nenhum tipo de feedback das dez estrelas vermelhas mais próximas.
Para receber feedback, preciso puxar alguém acima do nevoeiro cinzento antes de poder responder? — assentiu Klein enquanto pensava, sentindo-se um pouco decepcionado.
Ele não queria violar a vontade de outra pessoa e puxá-la à força até o espaço misterioso.
Hummm… — Klein estava se preparando para sair, mas habitualmente tocou uma estrela vermelha ilusória nas proximidades.
Naquele momento, sentiu subitamente que havia uma oração fraca e insignificante nas profundezas da estrela carmesim!
Capítulo 95
Capítulo 95 – O Suplicante
Uma oração?
A mente de Klein se agitou quando ele usou o mesmo método de quando espionou o Enforcado. Ele permitiu que sua espiritualidade se estendesse e tocasse a gota carmesim.
Uma imagem nebulosa e contorcida apareceu em sua visão. Ele podia ver um adolescente loiro ajoelhado no chão, encarando uma bola de cristal puro.
O jovem estava vestido com uma roupa preta justa, de um estilo muito diferente dos estilos contemporâneos do Reino Loen. Era mais congruente com as roupas tradicionais do Império Feysac e da República Intis que Klein havia visto nas revistas.
A área ao redor dele estava escura e tinha móveis antigos. De vez em quando, a sala ficava iluminada, mas Klein não podia ouvir o trovão estridente ou o tamborilar da chuva.
Na imagem, o adolescente estava com as mãos na testa, dedos cruzados. Ele se curvou para frente, orando continuamente por algo.
Seu forte sotaque ecoou nos ouvidos de Klein.
Klein ouviu atentamente, mas descobriu um fato estranho.
Ele não conseguia entender o que o outro estava dizendo. Era uma língua que ele nunca havia visto em sua vida!
…Em pensar que não consigo entender uma língua estrangeira, embora seja o misterioso governante deste mundo acima do nevoeiro cinzento… — Klein deu uma em desaprovação. Indignado, ele tentou ouvir mais uma vez de uma maneira mais atenta do que quando teve que fazer testes de compreensão auditiva em inglês na Terra.
Enquanto ouvia as orações, ele gradualmente descobriu algo.
Embora nunca tivesse aprendido o idioma que o jovem falava, ele descobriu que havia semelhanças com o antigo Feysac!
Pai… Mãe… Esses são provavelmente os significados dessas duas palavras, certo? É bem parecido com o antigo Feysac, mas não sem suas diferenças… — Klein enrugou as sobrancelhas e começou a pensar, concentrado. — O antigo Feysac era uma língua comum na Quarta Época. É também a língua raiz de todas as línguas contemporâneas da época atual. Além disso, ainda está evoluindo… Não posso confirmar agora…
Ele ouviu repetidamente, eliminando a possibilidade de ser um idioma moderno como Loen, Feysac ou Intis.
Poderia ser um dialeto de Feysac Antigo? Como a linguagem usada no diário da família Antigonus? — Klein bateu com o dedo na borda da mesa de bronze e assentiu indiscernivelmente. — Há outra possibilidade. O Antigo Feysac não nasceu do nada, foi uma evolução de Jotun, a língua dos gigantes… O Império Feysac no norte sempre alegou que seu povo possui a linhagem dos gigantes. Talvez seja antigo Jotun.
Nesse ponto, Klein, que não tinha conhecimento, só pôde parar. Ele retraiu sua espiritualidade, sem olhar ou ouvir a cena.
Ele não tinha intenção de puxar o jovem para o nevoeiro imediatamente. Primeiro, ele queria saber sobre o que o jovem estava falando.
Obviamente, antes disso, ele precisava observá-lo com frequência e realizar “testes” básicos.
Ufa. Klein exalou quando se recostou na cadeira.
Ele se envolveu com sua espiritualidade e simulou a sensação de queda.
…
Depois de “revisar” o diário de Roselle, Klein vestiu seu traje formal e partiu para o Clube de Divinação.
Ele pegou o transporte público apesar de seu aumento salarial, mas não fez cerimonia na hora de apoiar os negócios da Sra. Wendy. Ele gastou um centavo e meio em chá gelado para combater o calor da tarde.
Quando chegou à rua Howes, Klein jogou o copo vazio na lata de lixo e caminhou até o segundo andar.
Antes de entrar, ele tocou em sua glabela e ativou a Visão Espiritual.
Klein havia acabado de entrar na recepção quando sentiu uma dor fraca e persistente.
A bonita recepcionista, Angélica, estava sentada, seus olhos levemente vermelhos pareciam sem foco.
— A dor vai passar com o tempo — disse Klein com um tom suave e firme enquanto caminhava em direção a ela.
Angélica despertou bruscamente e murmurou, claramente confusa:
— Sr. Moretti… — Ela rapidamente recuperou a razão e perguntou, perturbada:
— Você já soube sobre o Sr. Vincent?
— Ah, claro, esqueci que você é um vidente excepcional.
Klein suspirou apropriadamente.
— Eu só consegui divinar um esboço aproximado do que aconteceu… O que exatamente aconteceu com o Sr. Vincent?
— O chefe nos disse que o Sr. Vincent teve um ataque cardíaco durante o sono e deixou este mundo em paz. — Angélica chorou ao dizer. — Ele era tão amigável, tão educado, um verdadeiro cavalheiro. Ele era o mentor espiritual de muitos de nossos membros. E-ele ainda era tão jovem…
— Sinto muito por trazer à tona esse triste tópico. —Klein não a consolou mais. Ele caminhou em direção à sala de reuniões lentamente.
Angélica pegou um lenço e enxugou os olhos e o nariz. Ela então olhou para as costas de Klein e perguntou em voz alta:
— Sr. Moretti, o que você gostaria de beber?
— Chá preto. — Klein preferia chá preto ao café, apesar de achar o chá preto bem normal.
Em comparação, ele preferia cerveja de gengibre e chá gelado doce. Mas como um cavalheiro, não era certo ele agir como uma criança em um ambiente formal…
Como era segunda-feira, havia apenas cinco ou seis membros na sala de reuniões. Usando sua Visão Espiritual, Klein viu que cada um tinha diferentes cores de emoção. Alguns estavam de luto, outros mais opacos, outros relativamente indiferentes.
Estão bem normais… reações normais. — Klein assentiu levemente.
Ele pegou sua bengala e encontrou um lugar na sala.
Ele estava prestes a desativar sua Visão Espiritual quando viu Angélica entrar e caminhar em sua direção.
— Sr. Moretti, um cliente está procurando por você. Bem, é a pessoa da última vez — disse a bela dama em um tom calmo.
— Você ainda se lembra dele? — perguntou Klein com um sorriso.
Hmm, me pergunto se ele comprou o remédio mágico como eu instruí, e se ele ainda precisa de cirurgia.
Angélica cobriu a boca e disse:
— Ele era a única pessoa que estava disposta a esperar uma tarde inteira no clube por uma divinação.
Klein pegou sua bengala e levantou-se, saindo sem dizer nada.
Na área de recepção, ele encontrou a pessoa que havia procurado seus serviços no outro dia. Ele também notou que a aura perto de seu fígado havia recuperado sua cor normal. Sua saúde geral também havia melhorado.
— Parabéns, a sensação de estar saudável é realmente maravilhosa. — Klein sorriu quando estendeu a mão.
Bogda foi surpreendido antes de imediatamente estender as duas mãos. Ele agarrou a palma da mão direita de Klein com força.
— Sr. Moretti, você realmente pode “ver” minha condição!
— Sim, eu me recuperei totalmente! Os médicos me fizeram perguntas repetidamente, fizeram inúmeros testes em mim, mas não acreditam que eu me recuperei!
Ao ouvir a descrição extática de Bogda, Klein confirmou calmamente uma coisa: o boticário da Loja de Ervas Tradicionais da rua Lawson era definitivamente um Beyonder!
Ele havia visto a gravidade da doença hepática do homem. A cura completa no espaço de alguns dias estava além da capacidade das ervas e da capacidade médica. A única explicação possível era a de um Beyonder!
Juntamente com o incidente de Glacis, só poderia haver uma resposta.
— Eu tenho que me arrepender diante de Deus. Em pensar que eu suspeitaria de você, esse médico milagroso. — Bogda se recusou a soltar a mão de Klein. Ele continuou com sua vergonha e gratidão — … aquelas dez libras foram realmente dinheiro bem gasto. Compraram minha vida de volta!
O quê? Dez libras? Você gastou dez libras no remédio milagroso? E você só me deu oito centavos pela divinação… Apenas oito centavos… oito centavos… centavos… — Klein estava atordoado ao ouvir isso.
Nesse momento, Bogda soltou as mãos e deu um passo para trás enquanto sorria. Ele curvou-se reverentemente e disse:
— Estou aqui hoje para expressar minha gratidão. Obrigado, mestre Moretti. Você me mostrou o caminho e salvou minha vida.
— Esse foi o resultado de você pagar para ter algo divinado. Você não precisa agradecer a ninguém. — Klein levantou a cabeça levemente e olhou para a divisão entre a parede e o teto. Sua resposta expressou plenamente as vibrações de um charlatão.
— Você é um verdadeiro vidente — elogiou Bogda. — Em seguida, irei à rua Vlad para agradecer ao boticário e comprar o remédio que ele recomendou.
— Você já não se recuperou? — Klein escondeu habilmente o choque em sua voz.
Bogda olhou em volta e riu quando confirmou que a recepcionista não estava prestando atenção neles. Ele riu baixinho e disse:
— O boticário mencionou uma mistura de ervas que inclui pó de múmia. É uma receita que satisfaz homens e mulheres… Eu não acreditei naquela época, mas agora não tenho mais dúvidas
…. Existe uma receita como essa? — De repente, Klein sentiu que o boticário era um trapaceiro e suspeitava que ele tivesse empurrado a pessoa à sua frente para um poço de destruição.
Ele observou Bogda e confirmou que não havia nenhum problema com sua aura.
— Pó de múmia? — perguntou Klein cautelosamente.
— Sim, pó de múmia. Perguntei a um amigo, ele disse que até mesmo os nobres de Backlund estão procurando loucamente por esse item. É um pó feito a partir da moagem de múmias que dá aos homens o máximo desempenho na cama. Mesmo que seja nojento e pareça sujo, é realmente um material usado pelos aristocratas… — Bogda deu uma descrição detalhada. Ele tinha um desejo ansioso em seus olhos.
Múmias? Múmias feitas de cadáveres? Em seguida, moendo-as em pó? — Klein ficou pasmo. Ele quase vomitou na frente de Bogda.
Aqueles nobres com certeza são radicais… — Assim que estava prestes a aconselhar Bogda, Glacis, que já havia sofrido de uma doença pulmonar, entrou pela porta e ouviu a descrição de Bogda.
— Sim, é muito eficaz. Eu recomendo que vá à Loja de ervas tradicionais Lawson na rua Vlad. A receita secreta do Sr. Lawson é muito eficaz! — Glacis tirou os óculos e se inclinou com interesse. Ele recomendou com um tom abafado:
— Minha experiência foi muito, muito, muito perfeita.
— Você também sabe disso? Eu estava prestes a ir à Loja de ervas tradicionais Lawson. — As preocupações de Bogda desapareceram completamente.
Após uma breve conversa, ele saiu do Clube de Divinação com pressa.
Até então, Klein ainda estava um pouco pasmo.
Ele esperou até as cinco e vinte da tarde antes de colocar o chapéu e pegar a bengala preta. Ele pegou uma carruagem até a rua Vlad, com a intenção de observar o boticário chamado Lawson Darkweed antes de decidir se deveria notificar o capitão ou não.
Rua Vlad, número 18.
Klein ficou do lado de fora da loja de ervas e viu a porta fechada, bem como um aviso de sublocação…
…Um homem bastante cauteloso… — ele murmurou silenciosamente.
Já que isso aconteceu, não precisava mais se incomodar ou realizar nenhuma observação.
Capítulo 96
Capítulo 96 – O Palpite de Daly
Na tarde do dia seguinte, Klein havia se recuperado completamente de qualquer sinal de exaustão. Ele entrou na Companhia de Segurança Blackthorn com passos firmes.
— Bom dia, Klein. O tempo está tão frio e bonito hoje, estou ansiosa pelo banquete de hoje à noite. — Rozanne, que usava um vestido verde claro, cumprimentou-o com um sorriso por trás do balcão da recepção.
Klein deliberadamente tocou seu estômago e disse:
— Senhorita Rozanne, você não deveria estar falando sobre isso tão cedo pela manhã! Já estou cansado da missão de hoje que ainda está por chegar. Só espero que a noite chegue logo.
— Eu também. — Rozanne riu.
Ela olhou para a esquerda e direita, depois acenou para Klein se aproximar. Ela abaixou a voz e disse:
— Eu conheci Madame Daly mais cedo.
— Médium Espiritual Madame Daly? — perguntou Klein surpreso.
A Médium Espiritual mais famosa do condado de Awwa estava morando no Porto Enmat todo esse tempo, e não ficava a uma curta distância de Tingen.
— Sim. — Rozanne assentiu com firmeza e disse:
— Mas ela já foi embora. Ah, ela é minha Beyonder ideal. Se me tornasse uma Médium Espiritual, deixaria Tingen e viajaria sozinha por todo o mundo. Para Intis, Feysac, Feynapotter, o Continente Sul; as vastas pradarias, florestas primitivas e planícies cobertas de neve!
Senhorita, esteja ciente das regras dos Falcões Noturnos… — Klein sacudiu a cabeça, divertido.
— Até Madame Daly precisa aplicar para obter permissão para deixar o porto de Enmat.
— Eu sei disso, mas você não pode simplesmente lembrar sobre isso agora e destruir meus sonhos! — disse Rozanne irritada. — A verdade é que eu nunca me tornaria uma Beyonder. É muito perigoso. Eu sei que morrerei de balas perdidas. Pelo que vi, Beyonders são basicamente pessoas que se transformam em monstros para lutar contra monstros.
— O arcebispo Chanis disse que somos guardiões, mas também um bando de miseráveis que estão constantemente lutando contra ameaças e loucura — respondeu Klein, suspirando. A citação deixou uma profunda impressão nele.
Para lutar contra o abismo, temos que suportar a corrupção do abismo.
Os dois ficaram em silêncio em uníssono. Rozanne foi a primeira a quebrar o silêncio enquanto apertava os lábios em direção à divisória, dizendo:
— O capitão queria que você o procurasse quando chegasse.
— Tudo bem. — Com o chapéu e a bengala na mão, Klein passou pela divisória e entrou no escritório de Dunn depois de bater na porta.
Um cavalheiro de meia-idade, com olhos cinzentos profundos e serenos e cabelos finos, largou a xícara de café e disse com um sorriso.
— Daly estava aqui.
— Não posso dizer que estou surpreso; Rozanne acabou de me informar — respondeu Klein com um sorriso.
Dunn não se importou com o humor, mas suspirou.
— Daly acabou de ser transferida para a diocese de Backlund, que é a cidade mais movimentada e lotada do mundo. Eles têm a maior população de Beyonders e o maior número de oportunidades… Ela tem uma chance maior de se tornar arcebispo ou diácono do que eu.
— Por quê? — perguntou Klein curiosamente enquanto se sentava.
Dunn pensou por quase vinte segundos antes de responder:
— Ela tem um talento único em dominar e explorar poções de Sequência… Eu mencionei a regra interna dos Falcões Noturnos antes. Se você quiser consumir a próxima poção na Sequência, terá que esperar três anos e passar por um exame rigoroso para evitar qualquer perda de controle, mas normalmente três anos está longe de ser suficiente. Passei três anos passando de Sem Sono a Poeta da a Meia-Noite. Demorei nove anos para passar de Poeta da MeiaNoite para Pesadelo, nove anos completos! E, para passar para a Sequência seis, já se passaram três anos e não tenho ideia de quantos anos mais preciso.
— Quando nosso corpo envelhece e nossa energia começa a declinar, mesmo que superemos os perigos latentes, não devemos mais tentar avançar. Isso ocorre porque o risco de perder o controle nesse momento é tão alto que ninguém está disposto a arriscar.
— Quanto a Daly, ela é diferente de mim e da maioria dos Beyonders. Depois que se tornou uma Coletora de Cadáveres, entregou um pedido especial depois de apenas um ano. Ela esperava consumir a poção seguinte imediatamente. O que surpreendeu a todos foi que ela realmente passou pelo exame mais rigoroso e obteve a poção de Cavador de Túmulos.
— Levou apenas mais um ano para ir de Cavadora de Túmulos a Médium Espiritual. Heh, este ano será o seu quinto ano como Beyonder. Ela tem apenas 24 anos este ano, jovem o suficiente para ter muitas oportunidades pela frente.
Aparentemente, ela é a Médium Espiritual mais famosa do Condado de Awwa, mas realmente é uma Médium Espiritual de verdade… Isso não é atuar? O Velho Neil aparentemente mencionou que Madame Daly tinha tendências semelhantes… — Klein sentiu que havia compreendido a principal razão da rápida ascensão de Madame Daly através dos ranks.
— Capitão, você também é jovem o suficiente. Você está na casa dos trinta — Klein confortou Dunn, mas acrescentou em seu coração: é que sua memória não é tão boa…
Dunn bebeu um gole de café. Ele balançou a cabeça e sorriu amargamente.
— Por que você não perguntou a madame Daly sobre seu método de dominar e explorar poções de Sequência? — perguntou Klein de propósito.
Dunn largou a xícara de café e massageou as têmporas enquanto falava.
— Ela me disse para me tornar um verdadeiro pesadelo… não sei o que isso significa.
Desempenhe o papel de um Pesadelo. Cara, um pesadelo parece sinistro… — Klein franziu as sobrancelhas e ficou em silêncio temporariamente.
Então, Dunn pegou o cachimbo e o cheirou.
— Daly e eu discutimos a possibilidade de a poção seguinte de Vidente ser Palhaço. Assumindo que aquele palhaço não mentiu, ela levantou uma hipótese interessante.
— Que hipótese? — perguntou Klein às pressas, seus olhos brilhando.
Ele já havia usado um método de divinação para determinar se Palhaço era a poção seguinte à de Vidente. A resposta que recebeu foi vaga, mas parecia quase uma confirmação.
Os profundos e serenos olhos cinzentos de Dunn o olharam enquanto pensava:
— Um caminho normal de Sequência prossegue de maneira escalonada. Avançam de acordo com uma similaridade particular. Por exemplo, Sem Sono, Poeta da Meia Noite e Pesadelo estão obviamente relacionados à escuridão da noite, bem como com o sono pacífico e a tranquilidade que são gerados a partir do sono. Pode-se imaginar que cada Sequência subsequente teria características idênticas, apenas com mais poder e um escopo mais amplo. Elas podem estar ligadas a segredos, desastre, horror, a lua carmesim, etc.
— Certos caminhos da Sequência parecem não relacionados, mas quando os analisamos em detalhes, ainda podemos encontrar semelhanças, como Assassino e Instigador. Sua similaridade implícita é trazer às pessoas calamidades, dor, tristeza e desespero. Portanto, as poções seguintes devem respeitar esse padrão.
Klein prestou muita atenção e perguntou proativamente:
— Mas Vidente e Palhaço não têm essa conexão?
— Sim. — Dunn assentiu e continuou — Daly acredita que pode haver caminhos de sequência que compartilhem outro tipo de relacionamento, afinal, há muita coisa que não sabemos.
Ele parou por um momento antes de dizer:
— Daly disse que, nesse tipo de caminho, as poções de Sequência baixa e média forneceriam respectivamente ao Beyonder uma habilidade que parece nova e não relacionada às outras. Quando o Beyonder atinge um ponto de mudança qualitativo, essas habilidades se misturam em um “job” anormalmente poderoso que inclui todas elas.
— Em outras palavras, o caminho não avança passo a passo, mas é uma relação de dissecção e combinação.
Klein ouviu atentamente, mas se sentiu perdido. Dunn levantou a mão direita e disse:
— Um caminho normal de Sequência avança um pouco de cada vez, assim como uma criança em crescimento. Uma criança em crescimento se torna mais alta, mais forte, mais pesada e mais madura desde pequena.
— Enquanto caminhos especiais de Sequência são mais parecidos com…
Tendo dito isso, Dunn levantou o polegar.
— Esta é a Sequência nove.
Então, ele levantou o dedo indicador.
—Esta é a sequência oito.
Então, ele gradualmente levantou o resto dos dedos.
— Cada dedo é independente e não parece estar relacionado aos outros. Mas no final…
Quando ele disse a palavra “fim”, Dunn apertou os dedos formando um punho fechado!
— Eu entendo agora. Klein subitamente entendeu. Ele concordou com o palpite da Senhorita Daly e com a metáfora do Capitão.
Talvez seja realmente assim? — Ele assentiu, pensando profundamente.
Sequencia oito, Palhaço e Sequencia nove, Vidente são completamente diferentes e têm novas habilidades. E de acordo com a descrição da inteligência dos Falcões Noturnos, a correspondente Sequencia sete e Sequencia oito Palhaço também não compartilham nenhuma semelhança…
Klein ficou em silêncio por um tempo antes de prosseguir com curiosidade:
— Em que estágio as diferentes habilidades se combinariam para formar uma mudança qualitativa?
Dunn tomou outro gole de café e riu.
— Daly e eu achamos que seria na Sequência quatro!
— Por quê? — perguntou Klein.
— Porque, de acordo com a maneira como as igrejas categorizam as Sequências, a Sequência quatro é o ponto de partida das Sequências mais altas. Diz-se que apenas atingir esse nível gera mudanças qualitativas em vitalidade e energia. Além disso, nos tempos antigos, a Sequência quatro era qualificada para ser chamada de semideuses na Quarta Época. É uma pena que esses Beyonders sejam muito raros nesta época — disse Dunn, melancólico.
— Se da Sequência quatro à Sequência um são considerados alta sequência, quais são consideradas como baixa sequência? — perguntou Klein com interesse.
— As sequências nove a sete eram consideradas Sequências baixas há mil anos atrás. Mas, nos últimos séculos, Beyonders não são mais tão numerosos e cada igreja lista a sequência 7 como uma sequência intermediária. — Dunn riu de maneira depreciativa.
A sequência nove e a sequência oito são sequências baixas. Então, as Sequências de sete a cinco são Sequências intermediárias. Finalmente, as Sequências quatro e acima são Sequências Altas… — repetiu Klein em sua cabeça sentindo inevitavel anseio.
O Imperador Roselle era um Beyonder de alta sequência!
No entanto, quanto maior a Sequência, maior o risco de perder o controle… — pensou Klein consigo mesmo com medo.
Ele perguntou de maneira aparentemente casual:
— Como é chamada a poção de Sequência 4 para a Igreja da Deusa?
— Na verdade, não tenho certeza. Minha autorização de segurança não é alta o suficiente para ter acesso a essas informações. Poderei lê-las quando me tornar bispo da diocese ou diácono dos Falcões Noturnos. — Dunn balançou a cabeça e sorriu. — De fato, pelo menos metade dos treze arcebispos da Igreja e nove diáconos veteranos no topo da hierarquia da Igreja estão abaixo da
Sequência quatro. Hmm, isso é só eu sendo otimista. O arcebispo Ince Zangwill, que se tornou procurado, perdeu o controle quando tentou avançar para a sequência quatro.
— Aquele que roubou o Artefato Selado ‘0-08?’ Sua poção era aparentemente chamada Guardião dos Portões… — Klein pensou e sondou:
— A Sequência cinco do Sem Sono é Guardião dos Portões?
— Não, isso está no caminho de Médium Espiritual. Você poderá acessar essas informações quando chegar à Sequência sete e se tornar bispo ou capitão de um time dos Falcões Noturnos.
— Guardião dos Portões é a Sequência cinco do caminho de Médium Espiritual? Isso significa que está vigiando os portões do inferno? Ou vigiando os portões do Mundo Espiritual? — Klein tentou adivinhar.
— Tudo bem, vá para o Velho Neil e continue com seus estudos. — Dunn sorriu e disse: — Não se esqueça do jantar hoje à noite, no Restaurante do Velho Will. As reservas já foram feitas. Vou apresentá-lo oficialmente ao restante dos Falcões Noturnos.
— Tudo bem, eu já preparei o dinheiro. — Klein forçou um sorriso.
— Não, não há necessidade. Você esqueceu que temos bônus adicionais? A parte de quando você completou a missão designada.
— Dunn acenou.
Klein ficou momentaneamente surpreso antes de responder com um sorriso radiante:
— Tudo bem, Capitão.
Ele se virou e caminhou em direção à porta, contando interiormente — três, dois, um… Eh, por que o capitão não me chamou de volta?
Klein arrastou o “um” por um longo tempo, apenas para se surpreender que o capitão Dunn Smith não havia se esquecido de acrescentar nada.
Um milagre…
…
No arsenal, Velho Neil lançou um olhar para Klein, que estava de bom humor.
— Não fique obcecado com o jantar de hoje à noite. Você ainda tem muitas coisas para aprender, como mais magia ritualística, Hermes antigo, Dracônico, Élfico e muito mais.
— Sim, toda tarde, exceto em seu dia de folga, você precisa ter pelo menos duas horas de treinamento de combate com um instrutor.
— Treinamento de combate? O Capitão não mencionou nada disso… — Klein ficou chocado.
Velho Neil assentiu e não hesitou em responder:
— Ele esqueceu.
Capítulo 97
Capítulo 97 – Instrutor de Combate
Às duas da tarde, do lado de fora de um prédio simples de dois andares em mau estado nos arredores do Burgo Norte.
Klein, que usava seu uniforme de inspetor probatório, olhou para o jardim cheio de ervas daninhas e videiras que subiam pelas paredes. Ele virou a cabeça surpreso.
— Meu instrutor de combate mora aqui?
Um especialista de combate selecionado pelos Falcões Noturnos deveria ser excepcional…
Leonard Mitchell, que havia guiado Klein até lá, riu e disse:
— Não subestime o Sr. Gawain por causa dos arredores de sua residência. Embora nunca tenha recebido um título aristocrático, ele era um verdadeiro cavaleiro na época.
Dito isto, o poético Falcão Noturno, vestido com uma camisa branca, calça preta e botas de couro sem botão, de repente se sentiu melancólico.
— Ele era ativo durante a era minguante dos cavaleiros. Os guerreiros de armaduras invadiriam as fileiras inimigas, apesar dos tiros e canhões, destruindo seus inimigos e redefinindo as linhas de batalha. Mas, infelizmente, eles rapidamente se depararam com a invenção das armas a vapor de alta pressão e das metralhadoras de seis canos. A partir daí, os cavaleiros tiveram que gradualmente se retirar.
— Sr. Gawain encontrou o mesmo destino. Mais de vinte anos atrás, a Ordem dos Cavaleiros de Awwa enfrentou o armamento mais avançado do exército da República Intis… Sigh, toda vez que me lembro disso, parece que estou tocando as pilhas de poeira da história. O poeta em mim se agita ao pensar neste destino irreversível e predestinado, mas, infelizmente, não sei como compor o poema.
… Então qual é o sentido de dizer isso tudo? — Klein ignorou a decepção de Leonard e deu uma sugestão séria:
— Meu colega de universidade uma vez me disse que a composição de poemas requer um certo grau de talento. É melhor começar lendo a Antologia de Poemas Clássicos do Reino Loen.
O humor de Leonard mudou por capricho. Ele respondeu em um tom alegre:
— Comprei esse livro há muito tempo, além de outros títulos, como os Poemas Selecionados de Roselle. Trabalharei duro para me tornar um verdadeiro Poeta da Meia-noite, Sr. Vidente.
Ele está sugerindo o… método de atuar?
Klein respondeu, como se não tivesse entendido:
— Você ainda precisaria de livros de gramática.
— Tudo bem, vamos entrar. — Leonard estendeu a mão e abriu os portões de metal entreabertos. Os dois seguiram o caminho em direção à casa.
Ainda estavam longe da casa quando Klein viu um homem alto saindo da porta principal.
Ele tinha cabelos loiros curtos, as sobrancelhas já com fios brancos. Suas feições faciais pareciam ter sido assoladas pela idade, suas rugas eram profundas em seu rosto.
— O que estão fazendo aqui? — o homem idoso perguntou em voz profunda.
— Sr. Gawain, conforme seu contrato com o departamento de polícia, esse inspetor probatório aprenderá a arte do combate sob sua orientação — explicou Leonard com um sorriso.
— Combate? Não há necessidade de estudar combate nesta era. — Gawain olhou para Klein com olhos turvos e disse em uma voz sem ânimo:
— Você deve aprender a sacar sua arma e atirar. Deve dominar o armamento mais avançado.
Esse foi o trauma psicológico causado pelas metralhadoras de seis canos e pelas pistolas a vapor de alta pressão? — Klein não deu uma resposta imprudente; em vez disso, ele sorriu e olhou para Leonard.
— A arte do combate ainda é uma habilidade que um policial tem que dominar. A maioria dos criminosos que enfrentamos não são aqueles que devem ser executados no local, alguns podem até nem ter armas. Nesse caso, precisamos confiar em técnicas de combate — disse Leonard, obviamente preparado para a situação.
Com uma expressão sombria, Gawain ficou em silêncio por mais de dez segundos antes de dizer:
— Dê um soco.
Ele estava falando para Klein.
Klein, que não estava segurando sua bengala, lembrou-se das lutas de boxe que viu na vida anterior. Ele levantou o braço e o jogou para frente.
Os lábios de Gawain se contraíram de modo indiscernível. Ele pensou por um momento e disse:
— Chute.
Inclinando-se um pouco para o lado e torcendo os quadris, Klein apertou os músculos da coxa e chutou com o pé direito.
Cof
Gawain cobriu a boca e pigarreou. Ele olhou para Leonard e disse:
— Honrarei meu contrato. Mas, com base em sua fundação, ele precisa vir aqui quatro vezes por semana, por três horas, durante o primeiro mês.
— Você é o especialista em combate. Você que decide. — assentiu Leonard sem hesitar. Ele sorriu e disse a Klein:
—Te vejo no Jantar.
Depois que Leonard saiu pelos portões de metal, Klein perguntou por curiosidade:
— Instrutor, como devo começar a praticar? Com socos ou com os pés?
Como um sabichão de teclado, ele sabia a importância do trabalho com os pés em combate.
Gawain ficou com as mãos no quadril enquanto balançava a cabeça letargicamente.
— O que você precisa agora é de treinamento de força.
— Está vendo aqueles? São dois halteres de aço. Eles serão seus parceiros por hoje. Além disso, você também precisa praticar agachamentos, corrida e pular corda. Vamos por um conjunto de cada vez.
Enquanto Klein ainda estava atordoado, Gawain de repente levantou a voz e disse com firmeza:
— Entendido?
— Entendido! — Nesse momento, Klein sentiu como se tivesse retornado ao treinamento militar e estava enfrentando um instrutor desumano.
— Troque de roupa. Há um conjunto de roupas de treino de cavaleiro no sofá. — Gawain suspirou de repente. Ele se virou e caminhou em direção aos halteres de aço preto.
Seis da noite, em uma mesa de canto do Restaurante do Velho Will.
Fora Frye, que estava guardando o Portão Chanis, todos os membros da Companhia de Segurança Blackthorn estavam presentes. Seis Falcões Noturnos e cinco funcionários civis.
Uma toalha branca estava sobre a mesa comprida. Os garçons carregavam pratos de comida e os repartiam antes de servi-los a cada pessoa.
Klein viu bifes ensopados em molho de pimenta preta. Viu bacon, linguiças combinadas com purê de batatas, pudim de ovos, aspargos e queijos peculiares. Ele até viu champanhe cor de rosa.
No entanto, ele não tinha apetite. O treinamento da tarde quase o fez vomitar.
Percebendo o pálido Falcão Noturno recém-induzido com olhos turvos, Dunn ergueu o copo de vinho tinto a sua frente e riu.
— Vamos dar as boas-vindas ao nosso mais novo membro oficial, Klein Moretti, felicidades, amigo!
A fria e introvertida dama de cabelos pretos, Royale Reideen, o Sem Sono Kenley White, o desleixado Leonard Mitchell, bem como a Poeta da Meia-noite de cabelos brancos e olhos pretos Seeka Tron levantaram suas xícaras e olharam para o novo membro de sua equipe.
Klein lutou contra o desconforto do treinamento e levantou sua taça de champanhe âmbar. Ele se levantou e disse:
— Obrigado.
Ele tocou copos com todos os Falcões Noturnos, inclinou a cabeça para trás e bebeu a pequena quantidade de champanhe.
— Nossa senhorita Autora não irá dizer algo nesta ocasião? — Dunn sorriu enquanto olhava para Seeka Tron.
Seeka Tron era uma dama de trinta e poucos anos. Ela tinha aparência mediana, mas tinha um comportamento excepcional, quieto e sereno. Junto com os poucos fios de cabelos grisalhos, lhe davam um charme único.
Klein ouviu Velho Neil mencionar que essa Poeta da Meia-noite havia assumido um emprego paralelo como autora e tentou publicar seus trabalhos a jornais e revistas. Infelizmente, apenas alguns jornais pequenos aceitaram.
Seeka sorriu e olhou para Dunn.
— A fim de tornar o termo “Senhorita Autora” realidade, Capitão, acho que você deveria me dar alguns fundos para eu auto-publicar meu trabalho.
Dunn riu.
— Você deveria aprender com o Velho Neil e me dar uma razão mais adequada.
— Estou muito impressionada com o Sr. Neil neste departamento! — Rozanne falou entre os bocados de carne de carneiro assada.
Em meio às conversas e risadas, Leonard olhou para Klein e disse com uma risada:
— Você está tão cansado que não tem apetite para comer?
— Sim. — Suspirou Klein.
— Se ainda não tocou sua comida, eu posso ajudar. — Leonard agiu como se não quisesse desperdiçar comida.
Klein não se importou. Ele assentiu e disse:
— Isso não é problema.
E com isso, boa parte da comida à sua frente foi comida por Leonard e o resto.
Perto do final do jantar, os garçons serviram pratos de torta de carne e sorvete.
Klein provou o sorvete e achou frio e doce. Foi particularmente apetitoso.
Antes que percebesse, ele havia terminado o sorvete com calda de mirtilo por cima.
E como resultado, ele começou a sentir as dores da fome. Era uma fome que exigia recarregar as forças com alimentos provindos após um esforço intenso.
Engolindo sua saliva, Klein olhou para frente, apenas para notar que todos os pratos estavam vazios. Não havia sobras.
— Vamos terminar o jantar aqui e fazer um brinde final a Klein — sugeriu Dunn.
Antes de terminar sua frase, Klein perguntou:
— Capitão, posso pedir outro prato de comida?
O grupo ficou em silêncio depois de ouvir tal pedido, apenas para começar a rir alguns momentos depois.
— Haha, finalmente se recuperou. Sem problema, peça dois pratos, se quiser. — Dunn balançou a cabeça e riu.
Enquanto esperava pacientemente por uma quantidade insuportável de tempo, Klein ouviu seu estômago roncar.
Finalmente, um bife de pimenta preta preparado na hora foi servido diante dele.
Seu garfo e faca dançaram e Klein terminou o bife em noventa segundos, com lágrimas quase caindo dos olhos. Os sucos de carne e a fragrância do molho permaneceram em sua boca.
Algum tempo depois, Klein soltou um suspiro satisfeito enquanto olhava para o prato vazio. Ele largou a faca e o garfo e tomou um gole de champanhe.
— Garçom a conta por favor. — Dunn se virou e chamou o garçom.
O garçom foi ao balcão e voltou com o cheque. Ele deu o detalhe dos pedidos.
— Vocês abriram cinco garrafas de champanhe Desi, cada uma é doze soli e três centavos, um copo pequeno de vinho tinto de Southville por dez centavos… Cada bife de pimenta preta um soli e dois centavos… Cada porção de pudim de carne seis centavos, as porções de sorvete um soli cada… O total é de cinco libras, nove soli e seis centavos.
Cinco libras, nove soli e seis centavos? Esse é quase o meu salário semanal! Um restaurante é realmente muito mais caro do que comer em casa! — Klein estalou a língua ao ouvir isso. Ele sentiu sorte pelo Capitão ter dito que não precisava pagar do próprio bolso. Eles tinham um pouco de dinheiro com os bônus!
Ele calculou o custo com cuidado e percebeu que a porção mais cara da refeição era o álcool. Cinco garrafas de champanhe tinham custado mais de três libras!
Isso não é diferente da Terra… — Klein secretamente esfregou o estômago e tomou o último gole de champanhe.
Na manhã seguinte, Klein se sentiu inchado. Ele tentou sair da cama, sonolento.
Assim que exerceu força, ele foi instantaneamente despertado por seus músculos doloridos, sentindo como se seu corpo não estivesse sob seu controle.
— Que sentimento familiar… É o mesmo do dia em que fomos punidos com agachamentos com salto. Hoje é um dia de descanso, mas ainda preciso fazer uma visita ao meu mentor e ver se posso pegar emprestado a monografia no pico principal de Hornacis da biblioteca da Universidade… — Os lábios de Klein se contraiam quando ele se esforçou para sair.
Ele queria ofegar a cada passo.
— Klein, o que aconteceu com você? — Melissa, que havia acabado de sair do banheiro, avaliou seu irmão com desconfiança por sua postura estranha e movimento lento.
Capítulo 98
Capítulo 98 – Sr. Azik
Diante da pergunta de sua irmã, tudo o que Klein pôde fazer foi responder com um sorriso arrependido:
— Músculos doloridos.
Originalmente, ele acreditava que, ao consumir a poção de Sequência, sua constituição seria aprimorada por ser um Beyonder, mas a dura realidade mostrou que os “stats points” de um Vidente eram todos alocados em sua espiritualidade, mente, intuição e interpretação. Não ajudou a se adaptar rapidamente ao treinamento de combate.
Quanto ao Klein original, ele se concentrou nos estudos desde o início e sofria de desnutrição. Isso o levou a possuir uma condição física abaixo da média. Era de se esperar que ele teria “consequências” depois de malhar.
— Músculos doloridos? Lembro que você voltou depois do jantar ontem à noite e não fez mais nada… Álcool causa dores musculares? — perguntou Melissa com um olhar inquisitivo.
Álcool causa dores musculares… Mana, essa pergunta… não deixa de me fazer ter pensamentos inadequados…
Klein riu secamente e disse:
— Não, isso não tem nada a ver com álcool. É de ontem à tarde. Entrei no treinamento de combate da empresa.
— Combate? — Melissa ficou ainda mais surpresa.
Klein organizou seus pensamentos e disse:
— Bem, foi isso o que aconteceu. Refleti nisso e acredito que, como consultor histórico e de relíquias de uma empresa de segurança, é impossível que permaneça no escritório ou no armazém portuário para sempre. Talvez venha um dia em que eu tenho que acompanhá-los às aldeias ou a um castelo antigo, ao local de alguma relíquia, o que pode exigir que eu caminhe, atravesse rios e ande bastante. Terei que suportar todos os tipos de testes da natureza, então tenho que possuir um corpo suficientemente saudável.
— Então você se juntou ao treinamento de combate para melhorar sua resistência? — Melissa pareceu entender a intenção do irmão.
— Isso mesmo — respondeu Klein com grande afirmação.
Melissa disse com a testa franzida:
— Mas isso não é elegante… Você não sempre adere aos padrões de um professor? Um professor exige apenas a capacidade de ler documentos históricos, refletir sobre questões difíceis e manter um comportamento educado e gentil.
— Claro que não estou dizendo que essas não são boas coisas. Prefiro homens que possam resolver problemas por conta própria, independentemente da solução exigir força ou cérebro.
Melissa sorriu.
Klein sorriu e disse:
— Não, não, não, Melissa. Sua definição de professor contém um equívoco. Um verdadeiro professor pode se comunicar com as pessoas gentil e educadamente, mas também pode educar a outra pessoa usando os princípios da física, levantando uma bengala para convencer alguém quando há um obstáculo na comunicação.
— Princípios da física… — Melissa ficou momentaneamente perdida, mas ela rapidamente entendeu o que seu irmão estava dizendo. Ela ficou momentaneamente incapaz de responder.
Klein não disse mais nada e aumentou o ritmo com grande dificuldade enquanto se dirigia ao banheiro.
Melissa ficou parada e olhou por alguns segundos. De repente, ela balançou a cabeça e alcançou Klein.
— Precisa de ajuda? — Ela posou como se estivesse ajudando a suportar alguém.
— Não, não há necessidade. Eu estava exagerando um pouco mais cedo. — Klein se sentiu humilhado. De repente, ele se endireitou e andou normalmente.
Observando o irmão caminhar firmemente para o banheiro e fechar a porta, Melissa fez careta e murmurou:
— Klein está ficando cada vez mais pretensioso… eu até acreditei que a dor muscular dele era realmente séria…
No banheiro, Klein estava atrás da porta fechada, seu rosto subitamente se contorcendo de dor.
Ouch, ouch, ouch… Ele prendeu a respiração, tensionou o corpo e ficou ali por uns bons sete ou oito segundos.
Quando ele finalmente desceu as escadas com grande esforço, tomou o café da manhã e viu Benson e Melissa saírem, sua dor finalmente começou a diminuir.
Depois de descansar um pouco, Klein pegou sua bengala, vestiu a cartola e saiu de casa, caminhando em direção à parada da carruagem pública.
Durante o verão, a Universidade de Khoy tinha árvores que forneciam sombra, florescendo com pássaros e flores luxuriantes. Era tranquilo e calmo.
Caminhando ao longo do rio, Klein virou em direção ao departamento de história. Então, ele encontrou o prédio de três andares que mostrava seu desgaste pelo tempo e localizou o escritório de seu mentor, Cohen Quentin.
Ele bateu na porta e entrou na sala, mas ficou chocado ao ver que o homem sentado no banco de seu mentor era o acadêmico Azik.
— Bom dia, Sr. Azik, onde está meu mentor? Marcamos um encontro por carta para nos encontrar aqui às dez — perguntou Klein, intrigado.
Azik, que era o melhor amigo de Cohen Quentin e frequentemente debatia com ele sobre tópicos acadêmicos, sorriu e disse:
— Cohen teve uma reunião de última hora e foi para a Universidade de Tingen. Ele me pediu para esperar por você aqui.
Ele tinha pele bronzeada, altura e constituição médias, cabelos pretos, olhos castanhos e traços faciais suaves. Estar em sua presença trazia um sentimento indescritível, como se você pudesse ver nos olhos do homem que ele havia passado pelas vicissitudes da vida. Sob a orelha direita, havia uma pequena verruga que ninguém notaria, a menos que examinasse de perto.
Tendo dito o motivo, Azik subitamente franziu as sobrancelhas enquanto observava cuidadosamente Klein.
Sentindo-se confuso com o repentino escrutínio, Klein olhou para seu traje. — Cometi alguma quebra de etiqueta?
Smoking, colete preto, camisa branca, gravata borboleta preta, calça escura, botas de couro sem botões… Tudo parece normal… As sobrancelhas de Azik relaxaram e ele riu suavemente.
— Não se importe comigo. De repente, notei que está muito mais enérgico do que antes. Agora parece ainda mais um cavalheiro.
— Obrigado pelo elogio. — Klein aceitou com calma e perguntou:
— Sr. Azik, meu mentor conseguiu encontrar o livro “Pesquisa das relíquias do pico principal de Hornacis” na biblioteca da escola?
— Ele encontrou com minha ajuda — disse Azik, sorrindo gentilmente. Ele então abriu uma gaveta e pegou um livro de capa cinza. — Você não é mais um estudante da Universidade Khoy. Pode lê-lo aqui, mas não pode levá-lo para casa.
— Tudo bem. — Klein pegou a monografia acadêmica com alegria e um pouco de medo.
O design do livro estava totalmente de acordo com as tendências atuais; usava papel duro como capa dura e era impresso com uma imagem de uma versão abstrata do pico principal da cordilheira Hornacis.
Klein olhou em volta e encontrou um assento. Ele abriu o livro e começou a ler cuidadosamente, linha por linha.
Ao se concentrar no livro, de repente percebeu que havia uma xícara de café rico e perfumado ao seu lado.
— Sirva-se de açúcar e leite. — Azik abaixou o pires de prata e apontou para a jarra de leite e para o açúcar.
— Obrigado. — Klein assentiu com gratidão.
Ele adicionou três cubos de açúcar e uma colher de chá de leite antes de continuar a ler o livro.
O livro, Pesquisa das relíquias do pico principal de Hornacis, não era muito grosso. Klein terminou de ler quando era quase meio dia. Ele tomou nota de alguns pontos importantes.
Primeiro, o vilarejo no pico principal da montanha Hornacis e seus arredores eram obviamente uma civilização avançada, que existia como parte de uma nação antiga.
Segundo, a partir de seus murais, sua perspectiva deles sobre a vida parece semelhante à dos humanos. Por enquanto, posso assumir que eles eram humanos.
Terceiro, eles reverenciavam, mas temiam a escuridão da noite. Por isso, eles chamavam sua deusa de Governante da Noite Eterna, Mãe do Céu.
Quarto, a parte mais estranha é que os pesquisadores não encontraram nenhum túmulo em toda a área, o que inicialmente parece indicar que as pessoas não precisaram ser enterradas porque não morreram. No entanto, isso seria contraditório com o conteúdo dos murais. Nos murais, as pessoas dessa nação acreditavam que a morte não é o fim. Eles acreditavam que sua família falecida os protegeria da noite. Assim, eles mantinham seus familiares falecidos em casa, na cama, ao lado deles, por três dias inteiros.
Não há nada além disso, e nos murais não há enterros.
Klein tomou outro gole de café e continuou anotando suas “reflexões” em seu caderno.
Mãe do Céu é um título tão grandioso, Governante da Noite Eterna obviamente coincide com a Deusa da Noite Eterna… é uma contradição em suas raízes?
Nas ruínas antigas no pico principal da cordilheira Hornacis e seus arredores, todos os arranjos e decorações estavam bem preservados. Até os murais não apresentavam sinais de danos. Antes de ser descoberto, parecia não haver nenhuma perturbação… As mesas estavam arrumadas com talheres, e havia manchas secas de podridão nos pratos de jantar… Em alguns quartos, havia garrafas de álcool meio cheias que quase se transformaram em água…
O que aconteceu com o povo da nação? Pareciam ter deixado suas casas às pressas, sem levar nada com eles, e nunca mais voltaram. Só se torna mais estranho considerando que não há cemitérios,
O autor, Sr. Joseph, também mencionou que, quando descobriu as ruinas, ele até acreditou que os residentes haviam desaparecido de repente.
Klein parou de escrever e olhou para uma ilustração.
Na terceira visita de John Joseph ao pico principal da cordilheira de Hornacis, ele usou um novo modelo de câmera para tirar uma fotografia monocromática.
Na foto, o imponente palácio tinha uma parede desabada e estava cheio de ervas daninhas. Seguiu um estilo de grandeza em seu design.
Quando ele viu a foto, o primeiro pensamento de Klein foi do palácio que ele havia visto em seu sonho.
Os dois estilos eram idênticos. A única diferença era que o de seu sonho estava em seu auge e era muito mais magnífico. Também tinha uma cadeira enorme, um assento de honra, que parecia não acomodar um humano. Inúmeras larvas translúcidas se aglomeravam e se contorciam lentamente sob a cadeira.
Posso confirmar que meu sonho está relacionado às antigas ruinas no pico principal da cordilheira Hornacis… Essa deve ser a Nação da Noite Eterna, que foi mencionada no caderno da família Antigonus… — Klein assentiu levemente e fechou o livro.
Naquele momento, Azik, que estava sentado em sua frente, tocou a verruga imperceptível sob a orelha direita e disse:
— Como foi? Encontrou alguma coisa?
— Bastante. Dê uma olhada, eu escrevi tantas páginas de anotações. — Klein apontou para a mesa e sorriu.
— Não entendo por que de repente você está tão interessado nisso. — Azik suspirou e disse:
— Klein, quando eu estava estudando na Universidade de Backlund, pesquisei bastante e também me envolvi um pouco com divinação. Bem, descobri que há desarmonia… em seu destino.
O quê? Divinação? Está falando comigo sobre divinação? — Como um Vidente, Klein olhou para Azik, o acadêmico, divertido.
— Desarmônico como?
Azik pensou por um momento.
— Você encontrou muitas coincidências estranhas nos últimos dois meses?
— Coincidências? — Como estava em dívida com o Sr. Azik, Klein não contestou sua pergunta, e subconscientemente começou a pensar.
Se estamos falando de coincidências, a questão mais óbvia foi quando estávamos atrás dos sequestradores. Na verdade, conseguimos encontrar pistas do caderno da família Antigonus, que estava perdido há dias, na sala em frente à dos sequestradores.
Além disso, Ray Bieber não fugiu com pressa de Tingen; em vez disso, ele encontrou um lugar para digerir o poder concedido pelo caderno, permitindo que o Artefato Selado 2-049 o localizasse facilmente. Isso parecia contrariar o senso comum. Embora Aiur Harson tenha dado uma explicação razoável, sempre tive uma sensação incômoda de que era uma coincidência…
Oh, Selena tinha olhado de relance para os encantamentos secretos de Hanass Vincent, mas ela se conteve até o banquete de jantar de aniversário para experimentá-los, e eu acabei a descobrindo, o que também é uma coincidência. Caso contrário, Hanass Vincent não teria sido o único a morrer tão de repente…
Klein pensou seriamente por alguns minutos e disse:
— Encontrei exatamente três recentemente, mas não são muito frequentes. Além disso, não havia nada que indicasse o envolvimento ou a orientação de alguém.
Azik assentiu levemente.
— Como o Imperador Roselle uma vez disse, uma única coincidência é encontrada por qualquer pessoa. Duas vezes ainda é normal. Três vezes é quando se deve considerar quais fatores externos estão influenciando essas coincidências.
— Você pode me dizer mais alguma coisa? — Klein sondou.
Azik riu e balançou a cabeça.
— Só posso dizer que há alguma desarmonia, nada mais. Tem que entender que eu não sou um vidente de verdade.
Isso é basicamente igual a não dizer nada… Sr. Azik está muito estranho… Ele está se fazendo de charlatão na frente de um charlatão como eu… — Klein soltou um suspiro, e, aproveitando o momento em que Azik se levantou, ele tocou em sua glabela e ativou sua Visão Espiritual.
Quando ele olhou, a aura de Azik apareceu completamente diante de seus olhos e tudo parecia bastante normal.
Infelizmente, só posso ver o Corpo Etéreo e a Projeção Astral de uma pessoa acima do nevoeiro cinzento… — Klein pensou despreocupado enquanto tocava sua glabela novamente e se levantava.
Capítulo 99
Capítulo 99 – Chaminé Vermelha
No final da tarde, Klein voltou para casa e fechou as cortinas, permitindo que seu quarto ficasse escuro.
Ele pegou uma caneta e papel e pensou por um longo tempo, finalmente escrevendo uma frase:
“O sequestro de Elliott foi devido a elementos Beyonder.”
Como Vidente, Klein tentou divinar se essas coincidências eram consequências de desenvolvimentos não naturais, mas os resultados mostraram o contrário.
Desta vez, ele foi influenciado por Azik para examinar esses eventos novamente. Ele também aprendeu lições com o palhaço de terno. Ele projetou seriamente uma confirmação de divinação apropriada, eliminando quaisquer descrições que pudessem ser vagas ou causar confusão.
Hmm, eu deveria isolar as três coincidências e diviná-las separadamente… — Klein assentiu, pensativo, enquanto lentamente removia o topázio do pulso.
Ele segurou o pêndulo espiritual com a mão esquerda e o deixou pendurado sobre a confirmação de divinação no papel.
Ele se recompôs e entrou em estado de cogitação. Com os olhos fechados, Klein começou a recitar repetidamente:
— O sequestro de Elliott foi devido a elementos Beyonder.
…
Enquanto recitava a declaração, Klein abriu os olhos e olhou para o pêndulo, apenas para ver o topázio girando lentamente no sentido anti-horário.
— Ainda é negativo… — murmurou Klein para si mesmo. Ele projetou várias outras confirmações de divinação, mas os resultados persistiram: não havia nada de estranho no incidente.
Ele então divinou separadamente o “evento da permanência de Ray Bieber em Tingen” e “incidente de divinação de espelho mágico de Selena”, mas as respostas para os dois eventos foram normais.
Heh, eu, um verdadeiro Vidente, assustado pelo charlatão Sr. Azik? Além disso, o Capitão e os outros não achavam que algo estava errado… — Klein riu e balançou a cabeça, mas permaneceu cauteloso. Ele planejou usar a técnica de divinação dos sonhos para obter uma confirmação final.
Depois de pensar um pouco, ele mudou a declaração de divinação para se adequar à mudança de método.
“A verdadeira razão do sequestro de Elliott.” Enquanto rabiscava com a caneta, Klein parou e refletiu sobre suas palavras.
Depois de ler várias vezes, ele rasgou o pedaço de papel, caminhou em direção a sua cama, se deitou e relaxou.
Com a confirmação de divinação em mãos, Klein adormeceu rapidamente com a ajuda da Cogitação.
Ele se viu em um mundo contorcido e quebrado. Recuperando os sentidos, ele começou a nadar através do borrão.
Gradualmente, ele viu os poucos sequestradores. Ele os viu perder sua ficha final em uma mesa de jogo, os viu obter armas de fontes clandestinas e os viu inspecionar a área. Eles até alugaram o apartamento do outro lado do apartamento de Ray Bieber como esconderijo…
Eles não formaram uma cena contínua; em vez disso, foram apresentados na forma de imagens em flashes. Klein não conseguiu encontrar nada anormal.
Além disso, também havia se alinhado com as declarações dos sequestradores.
Depois de sair do sonho, Klein divinou os outros dois incidentes separadamente, mas teve o mesmo resultado; seus desenvolvimentos seguiam a lógica. As coincidências foram realmente coincidências.
— Estava realmente pensando demais. O Sr. Azik é apenas um entusiasta em divinação… — Klein estabilizou seu pêndulo e balançou a cabeça com um sorriso amargo.
Ele estava prestes a fechar as cortinas e deixar a luz do sol entrar no quarto quando congelou.
A partir da impressão do Klein original pelo Sr. Azik, ele é uma pessoa honesta e confiável. Ele nunca disse nada sem fundamento. Mesmo que estivesse sempre discutindo com Mentor, era limitado a tópicos acadêmicos, e cada um deles tinha suas razões… Se ele fosse realmente um mero entusiasta em divinação, não teria interagido comigo assim… E as memórias do Klein original não têm nada sobre ele gostar de divinação… Claro, isso pode ser devido à perda da lembrança correspondente… — Klein franziu a testa e não conseguiu aliviar suas preocupações. Ele precisava de uma maneira para confirmar isso.
Ele suspeitava que Azik tivesse involuntariamente encontrado algumas informações privilegiadas e estava tentando avisá-lo usando divinação como desculpa.
Como devo confirmar? — Klein andou de um lado para o outro do quarto escuro, tentando lembrar as outras técnicas de divinação que conhecia.
Um passo, dois passos, três passos. De repente, ele parou quando uma ideia lhe ocorreu.
Vamos supor que essas coincidências sejam duvidosas. Não consigo divinar um resultado porque minha Sequência não é alta o suficiente ou estou sendo afetado por interferências externas, mas posso mudar meu ambiente! Posso mudar meu ambiente para um lugar ainda mais misterioso e difícil de compreender. — Klein se sentiu animado. Ele abriu a gaveta e pegou uma adaga de prata.
Ele se concentrou e permitiu que sua espiritualidade se estendesse da ponta do punhal, tornando-se um com o ambiente.
A cada passo que dava, a parede de espiritualidade selava a sala inteira.
Klein planejava fazer a divinação acima da névoa cinzenta, fazer a divinação naquele mundo misterioso!
…
No magnífico e divino salão antigo, acima da interminável névoa cinzenta.
Klein estava sentado no assento de honra em uma extremidade da mesa de bronze. Diante dele havia um pedaço de pele de cabra que ele desejou que existisse.
Ele levantou uma caneta e tentou escrever a confirmação de divinação como fez anteriormente.
“O sequestro de Elliott foi devido a elementos Beyonder.”
Ele segurou o pêndulo espiritual e o deixou pendurado. Klein rapidamente se recompôs e ficou silencioso.
Fechando os olhos, ele recitou a confirmação sete vezes, usando sua espiritualidade para interagir com o mundo espiritual que estava acima de tudo.
Sentindo o puxar da corrente de prata, Klein abriu os olhos para olhar o pêndulo.
A visão o fez congelar imediatamente.
O pêndulo estava girando no sentido horário!
Isso significava que havia um elemento Beyonder por trás do sequestro de Elliott!
Isso foi completamente diferente do resultado que ele obteve no mundo exterior!
Não havia vestígios de interferência… Esse poder ou meio é aterrorizante… Qual é o motivo da pessoa por trás disso? Meu destino está entrelaçado ao diário da família Antigonus? — Klein ficou imensamente chocado. Ele perdeu a calma e a rotação do pêndulo se desordenou.
Ele soltou o topázio e esfregou sua glabela. Sua expressão era anormalmente séria.
Depois de contemplar por alguns segundos, ele não tentou divinar os outros dois eventos. Em vez disso, ele escreveu uma nova confirmação de divinação:
“A verdadeira razão do sequestro de Elliott.”
Ele segurou o papel na mão e recitou a confirmação sete vezes. Klein se recostou e caiu no sono acima do nevoeiro.
Logo, ele viu uma névoa branca acinzentada ilusória sem limites.
A névoa se dissipou lentamente, revelando uma planície colorida com grama cheia de flores.
O espaço atrás das flores e das planícies estava se dobrando, como um monstro que ganhou vida.
Klein se esforçou ao máximo para olhar para frente, mal percebendo a imagem de uma chaminé vermelha escura.
Nesse ponto, a cena diante dele se despedaçou, pondo um fim ao seu sonho.
Klein abruptamente endireitou as costas no majestoso salão divino. Seu coração estava batendo loucamente sem razão.
Ufa… Senti que tinha acabado de espiar uma coisa terrível… — Ele respirou fundo duas vezes para estabilizar suas emoções caóticas.
Tap. Tap. Tap.
Klein tocou na lateral da mesa um tempo depois e entrou em profunda reflexão.
Chaminé vermelha… jardim… planícies com grama… Como isso está relacionado à pessoa por trás de tudo isso? Não posso determinar o motivo a partir das coincidências, nem concluir que há intenção maligna…
No meio desse pensamento, Klein se sentiu alarmado por si mesmo, pelo capitão, Frye e pelos outros.
Somos como fantoches dançando. O que é ainda mais assustador é que pensávamos tão bem de nós mesmos…
Hmm… não sei como dizer isso ao capitão. A divinação de Velho Neil produziu os mesmos resultados que os meus no mundo exterior… Se eles me pedissem para confirmar em sua frente, não teria como fazer isso… — Klein esfregou as têmporas como se estivesse com dor de cabeça.
Após quase vinte segundos de calma, ele começou a divinar o “evento da permanência de Ray Bieber em Tingen”. Da mesma forma, ele primeiro usou radiestesia.
Dessa vez, Klein ficou chocado ao ver seu topázio ficar imóvel. Não foi uma confirmação nem rejeição da declaração.
— Estranho… — murmurou Klein. Ele começou então a pensar nas razões desse fenômeno:
— A pessoa por trás disso sentiu minhas divinações e adotou contramedidas?
Depois disso, ele tentou a técnica de divinação dos sonhos, mas tudo o que viu foram pedaços fragmentados de neblina. Ele não fez novas descobertas.
Os resultados do “incidente de divinação de espelho mágico de Selena” foram os mesmos.
Klein quase podia confirmar sua conjectura neste momento. Como não tinha como notificar o Capitão Dunn Smith por enquanto, ele tinha uma motivação sem precedentes para melhorar suas habilidades.
Preciso ir ao Clube de Divinação mais tarde e rapidamente avançar minha “atuação” para digerir a poção de Vidente… Além disso, tenho que confirmar se a poção Palhaço é realmente a subsequente de Vidente, bem como reunir pistas sobre isso… Também tenho que interagir mais com o Sr. Azik e ver se consigo descobrir qualquer informação interna que ele tenha… — Klein segurou a testa com a palma da mão direita e rapidamente elaborou um plano e determinou seu ponto focal.
Depois de pensar um pouco, uma pele de cabra apareceu em sua frente novamente. Ele pegou a caneta e escreveu:
“A sequência seguinte à Vidente é Palhaço.”
De sua experiência anterior, Klein estava completamente convencido de que suas habilidades de divinação eram aumentadas e melhoradas acima da névoa cinzenta.
— É o resultado de ter boa sorte? — Ele murmurou e pegou seu pêndulo espiritual.
Algum tempo depois, Klein recebeu uma resposta definitiva:
A sequência oito correspondente da sequência nove Vidente é Palhaço!
Ele então escreveu no papel mais uma vez.
“As sequências oito, sete, seis e cinco correspondentes de Vidente concederiam pelo menos um poder novo e não relacionado.”
Klein exalou enquanto usava radiestesia novamente.
No entanto, ele viu o topázio ficar imóvel, sem rotações.
— Não há informações suficientes para concluir a divinação e receber uma revelação? — Ele murmurou para si mesmo enquanto parecia pensar profundamente. Então, soltou a corrente de prata e começou a considerar a declaração necessária para uma divinação dos sonhos.
Quase vinte segundos depois, ele pegou a caneta-tinteiro e escreveu seriamente: “Pistas para a poção Palhaço.”
Capítulo 100
Capítulo 100 – Interpretando Símbolos
“Pistas da poção palhaço.”
…
No assento de honra da antiga mesa de bronze, Klein repetiu a declaração da divinação algumas vezes antes de se recostar e adormecer profundamente.
Seus arredores rapidamente se tornaram tranquilos e quietos. Ele viu uma cena nebulosa, com inúmeras cenas subsequentes distorcidas e borradas passando uma atrás da outra, como gotas de orvalho da manhã em pétalas de flores tenras.
Gradualmente, Klein apreendeu sua espiritualidade e recuperou os sentidos.
Ele viu uma lareira diante dele com uma cadeira de balanço em frente. Sentada nela estava uma velha vestida de preto e branco.
Embora ele não pudesse ver seu rosto, já que ela estava com a cabeça baixa, o sentimento de Klein lhe dizia que era uma velha senhora; disso ele tinha certeza.
A velha senhora estava de frente para uma mesa. Havia jornais e latas incrustadas de prata sobre a mesa.
Isso é… — Klein achou a cena diante de seus olhos muito familiar, rapidamente reconhecendo o que viu.
Era aqui que Ray Bieber e sua mãe moravam!
Foi aqui que ele viu um cadáver inchado pela primeira vez!
Há pistas para a poção de Palhaço aqui? — Assim que os pensamentos de Klein passaram rapidamente, a cena ao seu redor se transformou.
Era um armazém branco-acinzentado, escondido entre edifícios idênticos.
Havia ossos brancos espalhados por toda parte, e algumas bolas de carne que pareciam ter sido esmagadas por uma pedra.
No meio do armazém havia um objeto branco-acinzentado do tamanho de um punho. Sua superfície era cheia de valas e parecia macia, mas flexível. Parecia um cérebro que havia sido extraído de um ser vivo.
Logo que Klein reconheceu a cena e se lembrou de algo, a cena diante dele se distorceu como água ondulando antes de se transformar em outra nova cena embaçada.
Um corpo nu foi colocado sobre uma mesa comprida coberta com um pano branco. Havia algumas manchas azuladas e descoloridas na pele do cadáver.
De repente, Klein franziu as sobrancelhas e murmurou:
— Foram as primeiras imagens do esconderijo de Ray Bieber e seus restos mortais, e agora está relacionado à marca no pulso do palhaço de terno?
Assim que tentou especular o que as cenas significavam, a cena mudou de repente mais uma vez.
Uma mesa de centro de mármore, um conjunto de dois sofás de couro e um lustre pendurado alto no teto.
Havia três pessoas: Klein Moretti, de cabelos pretos, olhos castanhos e um temperamento acadêmico; um homem rico com um corpo gordinho e pele pálida; e uma linda jovem com luvas de arrastão.
Depois disso, outras três pessoas e um objeto: um homem de meiaidade com uma túnica preta e de cabelos castanhos espetados e grossos; um homem rico com um corpo gordinho e pele pálida; um ancião de meio século com sobrancelhas desarrumadas, cabelos castanhos finos e olhos azul-acinzentados; e um caderno preto na mesa redonda entre todos eles, um caderno que exalava um ar antigo e distante.
O caderno da família Antigonus!
De repente, Klein se endireitou e o sonho desapareceu.
Olhando para fora do salão divino, onde havia a neblina cinza sem limites e as estrelas carmesins, ele pensou em choque e confusão.
Eu estava divinando pistas da poção Palhaço… Por que o caderno da família Antigonus apareceria?
Deixe-me pensar, deixe-me pensar, aquele cara gordinho era Welch. Sim, Welch, um sujeito infeliz que comprou o caderno da família Antigonus e desencadeou uma sequência de incidentes… A bela jovem usando luvas de arrastão era Naya…
Lembro que a combinação da mesa de centro de mármore e do sofá de couro é uma marca registrada da casa de Welch. Foi lá que vi a Médium Espiritual Daly.
Em outras palavras, o que vi foi a sala de estar de Welch. Era uma cena em que Klein original e seus dois colegas de classe estavam discutindo sobre o caderno.
Klein se acalmou e bateu na beirada da longa mesa de bronze ritmicamente.
Então, o que a última cena representa? O caderno apareceu, Welch apareceu. Poderia ser a cena em que ele comprou o item antigo?
Havia mais duas pessoas, e uma delas parecia muito familiar. Sinto como se já tivesse visto o homem de meia-idade de roupão preto clássico em algum lugar antes… Aquele cabelo castanho espetado, olheiras escuras severas… Sim, eu sei quem ele é agora. Hanass Vincent, do Clube de Divinação, o Hanass Vincent que “morreu em paz” depois que o Capitão se esgueirou em seu sonho, depois de saber que Selena secretamente obteve dele o encantamento secreto!
De jeito nenhum, foi ele quem vendeu o caderno a Welch?
Tudo parece estar dando um ciclo completo. O mundo com certeza é pequeno, não, Tingen é realmente pequena! Pensando cuidadosamente, é realmente possível que Hanass Vincent não fosse um adivinho comum. Obviamente, ele estava profundamente envolvido com o misticismo e obteve a atenção de um antigo deus maligno. Ele tinha os canais, a capacidade e a oportunidade de adquirir o caderno perdido acidentalmente pela Ordem Secreta…
Não é à toa que o Capitão e companhia nunca descobriram onde Welch comprou o caderno. A abordagem investigativa deles estava totalmente errada. Eles tentaram investigar através do mercado de antiguidades… Mas quando o paradeiro real do caderno foi encontrado, eles desistiram da pista.
Que pena, Hanass Vincent faleceu há pouco tempo. Caso contrário, nós definitivamente poderíamos ter descoberto algo sobre o caderno… Como estava envolvido no misticismo, ele deve ter pesquisado sobre ele… Sua morte foi coincidência demais!
No entanto, havia outra pessoa no local, um homem na casa dos cinquenta. Ele pode saber um pouco do que aconteceu.
Klein parou de bater com os dedos na beirada da mesa e repensou sobre todas as cenas de sua divinação dos sonhos.
A casa de Ray Bieber, o esconderijo de Ray Bieber, os restos mortais de Ray Bieber, a marca no pulso do palhaço de terno, a casa de Welch; a troca de informações entre Welch, Naya e Klein original; Welch, Hanass Vincent e a “foto de grupo” do caderno da família Antigonus. Hehe, além da marca do palhaço de terno, tudo o mais está diretamente relacionado ao caderno da família Antigonus!
Mas eu já tinha divinado sobre pistas da poção de Palhaço… Isso não é científico, nem faz sentido misticamente!
Depois de se tornar um Vidente, Klein tentou divinar onde Welch havia comprado o caderno da família Antigonus, mas nunca pensou em usar as qualidades únicas que a área acima da névoa cinzenta possuía. Como tal, ele não conseguiu receber nenhuma revelação, mas agora, ele havia se deparado com a verdade ao divinar algo diferente.
Depois de gastar quase vinte segundos para se acalmar, Klein resumiu o contexto fornecido pelo diário de Roselle e tentou interpretar sua divinação dos sonhos.
A primeira possibilidade: Zaratul ou, devo dizer, a Ordem Secreta, estava procurando e perseguindo as relíquias da família Antigonus. Portanto, o significado simbólico do sonho é usar assuntos relacionados à família Antigonus para atrair a Ordem Secreta, de modo a obter a fórmula da poção de Palhaço.
A segunda possibilidade: a fórmula da poção de Palhaço é registrada diretamente no caderno da família Antigonus… O fato de a família Zaratul estar buscando as relíquias da família Antigonus implica que eles compartilham conexões muito profundas, podendo ter sido aliados ou inimigos. Portanto, parece bastante natural que a família Antigonus possuísse partes de sua Sequência. As coisas seriam óbvias se fossem aliados, mas inimigos são os que se conhecem melhor…
Mas a segunda explicação não seria capaz de se vincular à marca no palhaço de terno. Ahh, eu gostaria que a segunda explicação fosse verdadeira. Quando a Catedral Sagrada encontrar um especialista para interpretar o caderno, eu serei capaz de obter a poção de Palhaço sem nenhum risco.
Parece que a primeira explicação é a mais plausível. Meu instinto de Vidente me diz que pode haver um significado simbólico mais profundo.
Tendo pensado isso, Klein massageou a testa e de repente percebeu as limitações de um Vidente.
A menos que fosse um sinal muito simples e direto, um Vidente tinha que ser extremamente cuidadoso ao fazer interpretações. Era como andar na beira do abismo ou caminhar sobre uma fina camada de gelo sobre a superfície de um lago. O resultado do palhaço de terno foi um exemplo real e sangrento do que um único erro de interpretação ou a falta de compreensão de um ponto-chave poderia resultar!
Naquele instante, Klein teve a ilusão de dominar a verdadeira essência de um Vidente. Ele parecia estar a apenas um passo de digerir a poção por completo.
— Obrigado por me esclarecer com sua vida… Louvada seja a Senhora! — ele murmurou e desenhou uma lua carmesim em seu peito.
Então ele divinou se Azik tinha boas intenções ou se era um Beyonder incrível. Ele recebeu uma confirmação para os dois.
Eventualmente, as divinações contínuas esgotaram Klein. Ele não teve escolha a não ser parar de agitar seus pensamentos e decidir sobre os assuntos cruciais que precisavam de mais atenção.
Tenho que encontrar o homem que apareceu na mesma cena com Welch, Hanass Vincent e o caderno da família Antigonus o mais rápido possível!
Posso começar minha pesquisa pelo Clube de Divinação.
Não posso simplesmente confrontar o Sr. Azik. Sim, ele pode ser um Beyonder de meia-Sequência da Escola da Vida do Pensamento, mas me falta informação suficiente, tornando impossível de divinar…
Ufa.
Klein soltou um suspiro e conjurou o retrato do ancião de meio século com sobrancelhas desarrumadas, cabelos castanhos finos e olhos azul-acinzentados na pele de cabra que apareceu diante dele.
Esta foi a terceira pessoa presente quando o caderno da família Antigonus foi comercializado entre Welch e Hanass Vincent!
Olhando para o retrato, Klein de repente caiu em um dilema.
Eu não sei desenhar. Durante as aulas de arte na escola primária, eu sempre recebia as maiores críticas dos professores.
Devo usar magia ritualística como Velho Neil? Isso foi feito orando à Deusa… Se eu usasse a singularidade da área acima da névoa cinzenta… eu teria problemas se as divindades notassem algo de errado!
Espere um segundo, talvez eu possa rezar para mim mesmo! A transmissão de imagens e a transmissão de vozes são semelhantes. Embora esteja temporariamente incapaz de acessar o poder misterioso acima do nevoeiro cinzento, realizar um assunto tão pequeno não deve ser um problema!
Tendo pensado nisso, Klein imediatamente emanou sua espiritualidade para se envolver e estimular a sensação de queda.
De volta ao seu quarto, ele acendeu a lâmpada a gás e “rezou”.
— O Louco que não pertence a esta época,
— Você é o misterioso soberano acima da névoa cinzenta,
— Você é o Rei do Céu e da Terra, que brande a boa sorte.
— Rezo por sua revelação e rezo para que você me permita desenhar o que vi.
Depois de recitar o encantamento, Klein não usou óleos essenciais nem queimou ervas para obter a ajuda de seus poderes.
Era assim tão informal quando se orava para si mesmo!
De repente, houve murmúrios em seus ouvidos quando viu os quatro pontos pretos que formavam uma superfície quadrada nas costas de sua mão.
Ele deu quatro passos no sentido anti-horário e recitou o encantamento antes de penetrar no caos maníaco para retornar à área acima da névoa cinzenta.
Desta vez, ele não viu nenhuma das estrelas carmesim encolhendo ou se expandindo. Mas atrás do assento de honra na longa mesa de bronze, o estranho símbolo formado por um Olho sem Pupila e linhas parciais contorcidas brilhavam fracamente ao produzir orações ilusórias.
Klein se concentrou e tentou ouvir. Depois de se certificar de que não havia erros, ele conjurou o retrato da “terceira pessoa” e lançouo na direção da luz que fluía, de acordo com o formato da oração.
Depois que tudo foi feito, ele imediatamente deixou o mundo misterioso acima do nevoeiro cinzento e voltou para seu quarto.
No momento em que encontrou seu equilíbrio, um retrato surgiu imediatamente diante de seus olhos. Além disso, ele sentiu um poder fraco e ilusório o guiando.
Ele pegou uma caneta-tinteiro, encontrou um pedaço de papel branco e expressou sua intenção.
Klein ficou surpreso ao encontrar sua mão direita se movendo incontrolavelmente enquanto rapidamente desenhava linhas.
Em pouco tempo, ele viu um retrato realista da “terceira pessoa”.
Depois de anotar as cores do cabelo e dos olhos, além de outras características únicas, Klein soltou um suspiro de alívio, apesar dos espasmos da mão direita.
Então a ilusão diante de seus olhos se dissipou rapidamente.
Capítulo 101
Capítulo 101 – Pista Inesperada
Rua Howes, Clube de Divinação.
Klein ajeitou sua meia cartola e caminhou pela escada em direção à porta principal.
Ele não estava usando seu traje formal de sempre; hoje, estava vestindo uma camisa branca e um colete de cor clara, emparelhado com um fino casaco preto, fazendo-o parecer mais animado do que antes.
Esse conjunto de roupas era mais adequado para combate e havia custado apenas uma libra, incluindo a taxa pelo pequeno bolso que mandou acrescentar no colete. Comparado ao terno que havia comprado, era tão barato que só de lembrar o deixava emocionado.
Ele acariciou o revólver no coldre, bem como as garrafas de metal no minúsculo bolso interno. Klein então tirou o retrato do bolso e entrou no Clube de Divinação.
Sem nenhuma surpresa, ele viu a bela atendente, Angélica.
— Boa tarde, Sr. Moretti. Pensei que você viria apenas em alguns dias. — Angélica ficou surpresa de início antes de imediatamente revelar um sorriso brilhante.
Klein tirou o chapéu e suspirou.
— Boa tarde, senhorita Angélica. Tive um sonho ao meio-dia. Sonhei com o Sr. Hanass Vincent e questões relacionadas a ele. Você sabe que, como adivinho, não posso ignorar absolutamente nenhum sonho. Poderia ser uma revelação do divino.
Confusa com suas palavras de charlatão, Angélica assentiu, pensativa e perguntou por curiosidade:
— Com o que você sonhou?
— Vi Hanass Vincent discutindo com alguém. — Klein passou para ela o pedaço de papel dobrado que estava em sua mão.
Enquanto Angélica desenrolava o retrato, ele tocou em sua glabela e observou a cor de suas emoções.
— Ele… — Angélica olhou para o retrato realista e entrou em profunda reflexão.
Klein viu suas emoções se transformarem em um “azul de pensamento”, uma reação normal.
— Essa pessoa… — murmurou Angélica mais uma vez. Ela lentamente olhou para cima e disse:
— Eu já o vi antes.
A mente de Klein se agitou e ele imediatamente perguntou:
— Quando?
— Não me lembro da data exata. Talvez um mês atrás? Eu o vi acompanhar o Sr. Vincent até a porta, eles estavam discutindo algo bem baixinho. Tenho uma profunda impressão dele por causa de suas sobrancelhas grossas e bagunçadas, além do raro sorriso do Sr. Vincent — Angélica descreveu como se lembrava. — Sim, ele tinha um par de olhos azul-acinzentados e, como a maioria dos homens de sua idade, tinha pouco cabelo na cabeça.
— Chegou a encontrá-lo novamente depois disso? — perguntou Klein gentilmente.
Angélica balançou a cabeça.
— Não, tenho certeza. Eu nem sei o nome dele. Para ser honesta, se não fosse você, eu suspeitaria que qualquer pessoa que me mostrasse um retrato como esse seja um policial que estaria investigando a morte do Sr. Vincent. Heh, não importa qual revelação você receba, eu nunca acharia isso estranho, pois você é um verdadeiro Vidente.
Minhas desculpas, sou um policial… — Klein retrucou silenciosamente enquanto suspirava e então disse:
— Um verdadeiro vidente entenderia como ele é minúsculo em comparação com a vastidão do destino. Só podemos ver um canto nebuloso, sempre recebendo revelações, mas nunca respostas. Devemos refletir constantemente sobre eles e manter nosso respeito e nosso medo. Devemos decifrar essas dicas com cautela e não nos vermos como os inteligentes que assumiram o controle do destino.
Ao resumir o que havia descoberto nas últimas semanas, Klein percebeu subitamente que sua Visão Espiritual havia se tornado mais clara. Ele até conseguia distinguir os detalhes da aura de Angélica.
Naquele instante, ele se sentiu como um homem míope que estava usando óculos apropriados.
Isso é… minha poção de Vidente começou a produzir sinais claros de digestão? — Klein ficou atordoado em descrença.
— Eu nunca imaginei que um Vidente como você ainda pudesse manter tanto medo e respeito pelo destino. É realmente admirável — disse Angélica sinceramente.
Ela já havia visto muitas pessoas no Clube de Divinação que alegavam ver através da verdade e mudar o destino depois de aprender alguns métodos de divinação.
Klein retraiu o olhar e riu.
— Quanto mais souber, melhor poderá entender o quão verdadeiramente somos pequenos.
Enquanto dizia isso, ele checou a condição de seu corpo e refletiu sobre suas experiências passadas. Ele poderia basicamente restringir a essência da técnica de “atuação” a “ações correspondentes ao nome da poção, compreendendo as leis ocultas que governam o papel, bem como cumprindo estritamente essas leis”.
Somente assim ele poderia mudar o estado de seu corpo, coração e alma, aproximando-os da psique remanescente da poção, de modo a digeri-la gradualmente.
O reconhecimento da identidade de um Vidente era apenas um fator na superfície. A razão pela qual fez a espiritualidade parecer leve tinha a ver com o modo como o feedback fortaleceu a afirmação de ações de divinação específicas. E essas ações coletivamente formaram as regras para digerir a poção de Vidente.
Ajudar outras pessoas a interpretar revelações e guiá-las em uma direção melhor; mas ainda assim, mantendo constantemente o medo e o respeito pelo destino. Não se pode ser egoísta demais, orgulhoso demais ou acreditar cegamente nas próprias interpretações… Essas são as leis em que posso pensar por enquanto, assim como a essência da técnica de “atuação” que me guiará no futuro. Se continuar com esse sucesso, não precisarei de meio ano. Talvez daqui a dois ou três meses, ou mesmo duas a três semanas, eu esteja pronto para digerir completamente a poção. …Esse sinal foi extremamente óbvio. Não é de se admirar que o misterioso Sr. Zaratul tenha dito que o Beyonder sentirá claramente quando a poção for totalmente digerida. Não há necessidade de alguém ensinar. É assim que é… Assim como agora, embora minha Visão Espiritual tenha sido aprimorada um pouco, eu sei muito bem que isso é apenas um pit stop no processo de digestão e não o destino final.
Com isso em mente, Klein não pôde deixar de agradecer ao palhaço de terno por ensiná-lo com sua vida!
Se não fosse por ele, Klein provavelmente passaria meses no Clube de Divinação, resumindo as regras de um Vidente através de inúmeras tentativas – para o bem ou para o mal – antes de começar a “agir” estritamente.
— Sr. Moretti, às vezes até penso em você como um filósofo — disse Angélica com um suspiro ao ouvir a resposta de Klein.
— No meu círculo de amigos, o termo “filósofo” é usado para repreender alguém. — Klein estava de bom humor.
Com isso dito, ele se curvou, colocou seu chapéu e saiu depois de se despedir.
Embora Angélica não soubesse o nome ou a identidade do cavalheiro, Klein não estava de maneira alguma deprimido. O que ele aprendeu foi suficiente para se envolver na próxima fase de seu plano.
Rua Zouteland, nº 36. Dentro da Companhia de Segurança
Blackthorn.
Dunn olhou para o retrato em suas mãos com seus profundos olhos cinza.
— Você deseja fazer uma busca por essa pessoa?
— Sim. — Klein havia há muito preparado um motivo para isso. — Capitão, não mencionei que iria ao Clube de Divinação para observar as reações de seus membros sobre a morte súbita de Hanass Vincent? Não descobri nada ontem, mas descobri acidentalmente hoje que a pessoa no retrato apareceu com Hanass Vincent uma vez e estava secretamente discutindo algo com ele. Examinei o relatório de investigação de nossa equipe agora, mas não encontrei nenhuma pessoa parecida com ele no relatório.
Não havia brechas em sua descrição. Mesmo que Dunn Smith levasse esse retrato ao Clube de Divinação, receberia a mesma resposta de Angélica.
Dunn desviou o olhar do retrato e riu.
— Pelo que parece, os fundos de compensação não foram um desperdício.
…Capitão, sua memória não é ruim? Por que você mencionaria a compensação neste momento… — Klein manteve um sorriso e não disse uma palavra.
— Isso foi desenhado por você? — perguntou Dunn de passagem.
— Sim. Eu desenhei com ajuda da magia ritualística — respondeu Klein, completamente honesto.
É claro que falar a verdade e revelar toda a verdade eram dois assuntos diferentes.
Dunn assentiu levemente e disse:
— Faça Velho Neil fazer algumas cópias. Vou pedir a Kenley e Royale que investiguem e busquem a cooperação do departamento de polícia. Se essa pista tiver alguma utilidade, você terá contribuído bastante mais uma vez.
— Que a Deusa nos abençoe. — Klein tocou em quatro pontos no peito enquanto parecia anormalmente devoto.
Para ele, tudo que precisava de Dunn e companhia era descobrir o nome e a identidade do homem no retrato. Ele poderia divinar sua localização acima do nevoeiro cinzento!
Apesar de ser seu dia de folga, Klein não voltou imediatamente para casa depois de sair da Companhia de Segurança Blackthorn. Em vez disso, ele pegou uma carruagem pública até o porto e chegou em frente à entrada do Bar Dragão Malígno.
Em suas considerações, embora um Vidente não possuísse os meios para entrar em combate diretamente com um inimigo ou meios para lançar feitiços rapidamente, o combate poderia ser classificado de várias maneiras. Nem todas as batalhas eram encontros ao acaso. Se ele tivesse tempo suficiente para se preparar, um Vidente poderia lidar da mesma forma com um inimigo usando magia ritualística. Foi exatamente como ele resolveu o incidente de divinação de espelho mágico na casa de Selena.
E isso também significava que era melhor que um Vidente carregasse consigo os óleos essenciais, ervas e pequenas velas para evitar estar em uma situação em que não estivessem disponíveis quando fossem necessários, resultando em uma morte desamparada. Afinal, nem todo mundo era como Selena, que tinha uma variedade inteira de itens de misticismo que poderiam ser usados.
Quanto aos que solicitou, como Klein havia praticado com frequência, acabou usando a maioria deles. Ele guardou o que restava no pequeno bolso interno do colete.
Ele tocou no dinheiro em seu bolso para confirmar que ainda estava lá, e abriu a porta do Bar Dragão Maligno e entrou.
Era meio-dia e não havia muitos clientes. Tampouco havia combates de rat-baiting ou lutas de boxe. O lugar estava quieto e pouco animado.
Klein observou os clientes bebendo cerveja e jogando cartas enquanto caminhava em direção à sala de bilhar que levava ao mercado subterrâneo.
Naquele momento, ele viu um velho musculoso sair com uma jaqueta de almirante rasgada pendurada nos ombros.
— Você é o amigo que Velho Neil trouxe da última vez? — Cheirando a álcool, o ancião de cabelos castanhos bagunçados e olhos azuis avaliou Klein e riu.
Klein adivinhou sua identidade, tirou seu chapéu e fez uma reverência.
— Sim, como posso me direcionar a você?
— Velho Neil frequentemente menciona você. Eu sou o chefe aqui, Swain. — Os braços do ancião de olhos azuis eram grossos e musculosos. Ele tinha músculos firmes e o porte de um oficial militar.
O ex-capitão dos Punidores a Mandato de Tingen… Dizem que ele já fez parte da Marinha Real… Klein respondeu educadamente:
— Sim.
— Se você precisar de dinheiro, sinta-se à vontade para vir falar comigo. — Swain riu quando mencionou antes de caminhar em direção ao balcão do bar.
Naquele momento, o coração de Klein se agitou e ele imediatamente gritou:
— Espere um momento, Sr. Swain. Tenho algo que gostaria de lhe pedir.
Swain parou de caminhar, deu meia volta e disse com uma risada:
— Você parece, bem… muito parecido.
Não, não estou tendo problemas de memória… — O canto dos lábios de Klein se contraiu quando ele apontou para o retrato que desenhou e perguntou:
— Você já viu esse cavalheiro?
De repente, ele percebeu que Selena provavelmente havia sido trazida por Hanass Vincent ao mercado subterrâneo. Isso também resultou no conhecimento de Elizabeth do Bar Dragão Maligno. Então, poderia o homem do retrato que tinha algum relacionamento com Hanass Vincent ter vindo aqui também?
Swain deu uma olhada cuidadosa e respondeu afirmativamente:
— Lembro-me dele. Ele me perguntou se eu tinha documentos ou itens relacionados ao pico principal da cordilheira de Hornacis.
Documentos e itens relacionados ao pico principal da cordilheira de Hornacis? — Klein ficou surpreso quando repentinamente conectou isso a outro assunto.
Quando estava pegando emprestado a edição do jornal relacionada ao pico principal da cordilheira de Hornacis na Biblioteca Deweyville, o bibliotecário mencionou de passagem que alguém havia acabado de devolvê-lo. Portanto, ele ainda se lembrava e não precisava folhear seus cartões de identificação para determinar se o homem existia.
Poderia o cavalheiro que pediu emprestado a edição do periódico antes de mim ser o homem do retrato? O cavalheiro que testemunhou a troca do caderno da família Antigonus.
Capítulo 102
Capítulo 102 – Comerciante de Tecidos
Quanto mais Klein pensava sobre isso, mais provável parecia. Caso contrário, quem teria alugado essas edições aleatórias sem motivo?
Sim, a pesquisa sobre o pico principal da cordilheira de Hornacis é um campo bastante impopular. Fora professores e professores associados, um amador interessado nunca teria ouvido falar disso, até o Klein original, formado em história, sabia disso apenas pelo caderno da família Antigonus… Embora Tingen seja uma cidade de universidades, não haveria tantas pessoas que se interessariam pelo assunto. E mesmo que haja alguém interessado, a maioria deles permaneceria dentro dos complexos universitários. Não seria necessário pegar emprestado da Biblioteca Deweyville.
O ponto mais importante é que o livro foi emprestado apenas recentemente…
Ao analisá-lo dessa maneira, realmente há um problema. Eu não fui esperto o suficiente e não percebi… Ahh, parece que não tenho talento para ser detetive ou agir como Sherlock Holmes…
Enquanto esses pensamentos corriam por sua mente, o chefe do Bar Dragão Maligno, Swain, perguntou, intrigado:
— Algum problema?
Como havia clientes e barmens por perto, ele só podia perguntar indiretamente.
— Não. Estou apenas me perguntando como posso investigar esse cavalheiro. Como você sabe, Hanass Vincent morreu em sua casa. — Klein havia preparado um motivo há muito tempo.
Ele não queria fazer com que os Punidores a Mandato se interessassem pelas relíquias antigas do pico principal da cordilheira de Hornacis.
— Vincent era um dos especialistas em divinação bastante famosos da cidade de Tingen. Ele costumava vir aqui. — Swain havia realmente dado uma resposta superficial, mas como se lembrou, ele acrescentou. — Agora que penso nisso, o cavalheiro do retrato veio aqui junto com Vincent no início…
— Isso é exatamente o que eu queria saber. Você se lembra do nome dele? — pressionou Klein imediatamente.
Swain balançou a cabeça e riu.
— Eu não peço o nome ou a identidade dos meus clientes, a menos que eu os conheça, como o Velho Neil.
— Tudo bem então. — Klein deliberadamente fez um olhar triste.
Para ele, não importava se Swain sabia ou não, porque ele poderia verificar na Biblioteca Deweyville.
Para pegar emprestado livros de uma biblioteca privada, era necessário deixar informações pessoais, e sua identificação deve ter suficiente credibilidade!
Afinal, Klein contou com uma carta de apresentação de um professor associado sênior antes de obter um cartão da biblioteca.
Mesmo que o cavalheiro tenha falsificado suas informações, é muito provável que tenha deixado algumas pistas que podem ser úteis para minha divinação… — Klein observou Swain enquanto ele retornava ao balcão do bar antes de entrar na sala de bilhar em profundo pensamento.
Ele não estava com pressa de ir à biblioteca Deweyville para continuar com suas investigações. Ele planejava fazer suas compras primeiro; afinal, não se sabia se encontraria perigo e seria forçado a usar magia ritualística para desenvolvimentos subsequentes.
Depois de passar por algumas salas, Klein chegou ao mercado clandestino. Havia poucas barracas e clientes, uma indicação clara de que ainda não era horário de pico.
No momento em que deu um passo à frente, de repente viu o monstro Ademisaul, que podia sentir o cheiro da morte, parado em um canto.
O jovem estava pálido e seus olhos emitiam uma pitada de terror e loucura. Ele também notou Klein enquanto olhava ao redor.
Quando fizeram contato visual, Ademisaul de repente estendeu as mãos para cobrir o rosto. Ele se moveu em direção ao canto do muro em estado de pânico.
Logo, ele se mudou para uma porta lateral ao lado dele e cambaleou quando saiu correndo.
Isso é necessário? Eu quase te ceguei da última vez… Mas eu não fiz nada… Sério, é como se eu fosse o diabo. — A expressão facial de Klein era um pouco séria.
Ele balançou a cabeça e sorriu. Parando de pensar no monstro, ele chegou a uma barraca e começou a fazer compras com um objetivo em mente.
Após cerca de meia hora, Klein havia gasto algumas libras, que eram a maior parte de seu estoque secreto de dinheiro.
Contando as três libras e dezessete soli que restaram, Klein sentiu seu coração doer. No entanto, ele tocou a pequena garrafa de metal no bolso interno do seu blusão preto.
Este é o extrato de Amantha, que Madame Daly usou anteriormente.
Este é um pó misturado com casca e folhas de drago.
Óleo essencial extraído de flores do sono.
Pétalas secas de camomila.
Este é o Pó de Noite Sagrada, que eu mesmo produzi anteriormente.
…
Klein se lembrou dos itens armazenados em cada pequeno bolso e os repetiu para memorizá-los. Ele fez isso para garantir que encontrasse o ingrediente certo que precisasse em um momento crucial.
Confiando em suas características únicas no misticismo, ele rapidamente terminou de memorizá-las e caminhou em direção à porta.
De repente, ele viu uma figura um tanto familiar pelo canto dos olhos.
Era uma jovem dama usando um vestido verde casual. Seu cabelo preto liso era macio e brilhante; ela tinha um rosto redondo e olhos compridos, que davam a ela um olhar doce e um comportamento refinado.
É a garota que tremia estranhamente na carruagem pública? Ela realmente parece bem… Eu nunca esperava que ela fosse uma entusiasta do misticismo… — Klein diminuiu a velocidade e pensou por alguns segundos antes de finalmente lembrar quem ela era.
Ele tinha que admitir que, além de Justiça, que ele nunca havia visto claramente, essa jovem garota era a mais bonita que tinha visto desde que transmigrou para este mundo.
A menina doce e refinada estava diante de uma barraca que vendia livros de misticismo e, em uma quebra de etiqueta, ajoelhou-se para esfregar os dedos em um livro antigo, encadernado com uma capa dura preta. A capa do livro tinha as palavras “Livro das Bruxas” em Hermes.
— Ele registra a magia negra das bruxas. Embora não tenha ousado experimentá-las, alguém que eu conheço tentou e realmente funcionou. — O vendedor aproveitou a oportunidade para promover o livro.
A bela dama pensou e perguntou:
— Para você, como uma bruxa parece?
— Uma bruxa? Uma pessoa má que traz calamidades, doenças e dores — respondeu o vendedor, depois de pensar um pouco.
Klein não ouviu a conversa porque já havia saído da entrada da frente. Ele estava com pressa para ir à Biblioteca Deweyville para resolver tudo antes de voltar para casa e preparar o jantar para seus irmãos. Sopa de rabada de tomate estava no menu.
Backlund. Jockey Club.
Audrey Hall usava um vestido branco comprido com engageantes e bainhas com babados, além de rendas ao redor do peito. Ela ficou em uma sala VIP e observou os cavalos galoparem.
Ela usava um chapéu com véu decorado com fitas azuis e flores de seda e um par de luvas de arrastão de cor clara. Seu olhar frio e distante parecia inadequado no local movimentado.
No momento em que o cavalo de corrida passava pela fita, seu amigo, visconde Glaint, se aproximou e disse com uma voz reprimida:
— Audrey, toda vez que a vejo, você está linda de um ângulo diferente.
— Como posso ajudá-lo? — No passado, Audrey podia ter se deliciado com o elogio do jovem, mas agora ela podia ver as segundas intenções de Glaint através de sua fala e atitude.
Devido ao falecimento precoce do pai de Glaint, ele herdou seu título de nobreza aos vinte anos. Ele era um jovem rapaz um tanto quanto magro. Ele olhou para a esquerda e para a direita e depois riu baixinho ao dizer:
— Audrey, eu conheço um Beyonder de verdade, um Beyonder que não pertence à família real.
Você me decepcionou toda vez que disse isso… — Audrey olhou para frente e respondeu elegantemente:
— Sério?
Juro pelo nome do meu pai. Vi os poderes do Beyonder — sussurrou Glaint.
Audrey não era mais a mesma de antes, que deveria estar empolgada com as notícias. Agora ela era uma Beyonder, mas para impedir Glaint de suspeitar, arregalou os olhos e fingiu um sorriso surpreso. Ela perguntou com a voz trêmula:
— Quando posso vê-lo?
Sim, seria ótimo conhecer outros Beyonders. Não posso resolver todas as trivialidades através do Clube de Tarô… Além disso, devo reunir meus próprios recursos para trocá-los com o Sr. Louco e o Sr. Enforcado… Nem tudo pode ser resolvido com dinheiro… Sigh, agora que enviei as mil libras, terei que ser mais econômica…
Glaint ficou muito satisfeito com a resposta de Audrey. Ele olhou para o hipódromo e disse:
— Amanhã à tarde, haverá uma encontro de literatura e música em minha casa.
Dentro da Biblioteca Deweyville.
Klein tirou do bolso a carteira de identidade e o distintivo e mostrouos aos poucos bibliotecários.
— Sou inspetor estagiário do Departamento de Operações Especiais da Polícia do Condado de Awwa. Preciso da sua cooperação em uma investigação — disse ele em voz profunda, lembrando os filmes da polícia que costumava assistir.
Os bibliotecários olharam para a carteira de identidade e o distintivo antes de trocarem olhares e assentiram um para o outro.
— Vá em frente e pergunte, oficial.
— Klein recitou os nomes dos periódicos como a Nova Arqueologia e, ao terminar, ele disse:
— Quero os registros de empréstimo do periódico nos últimos dois meses.
Ele percebeu que um dos bibliotecários o havia atendido antes, mas era óbvio que o homem não o reconheceu.
— Tudo bem. Espere um segundo. — Os bibliotecários começaram a pesquisar e encontraram rapidamente os registros recentes de empréstimos.
Klein folheou os registros seriamente, procurando o homem que havia pego emprestado o mesmo periódico que ele.
Havia apenas um nome na lista, ele havia pego emprestado o periódico várias vezes, incluindo a edição que Klein conhecia. A entrada mais antiga foi no final de maio, e a mais recente foi no sábado passado, um dia antes da morte de Hanass Vincent.
Klein passou o dedo pelas informações do mutuário e as memorizou.
Sirius Arapis, comerciante de tecidos, residente na rua Howes, nº19…
Capítulo 103
Capítulo 103 – Satisfazendo o Coração
Ele mora na rua Howes, 19?
Enquanto memorizava o endereço, Klein notou uma informação importante.
Sim, Welch morava na rua Howes. O Clube de Divinação fica na rua Howes. Este comerciante de tecidos chamado Sirius Arapis também mora na rua Howes… Pelo que parece, não é estranho que Welch conheça Hanass Vincent. Eles podem até ter se conhecido através de Sirius Arapis…
De repente, Klein sentiu que havia conectado as pistas e seus pensamentos ficaram claros.
Ele estava inicialmente confuso sobre como Welch havia se familiarizado com Hanass Vincent, já que esse filho de banqueiro não era particularmente interessado em misticismo. Para ele, dinheiro era mais importante do que divinações. Mas agora, Klein sentiu que tinha uma ideia de como eles se conheceram.
De acordo com as descrições de várias revistas, os residentes de classe média e os ricos deveriam visitar seus vizinhos da mesma classe social para formar um círculo social que seja benéfico. Da mesma forma, Welch e o comerciante de tecidos, Sirius, tiveram a motivação e a oportunidade de se tornar amigos, pois ambos moravam na rua Howes…
Não é difícil entender como Sirius conhecia Hanass Vincent, que regularmente frequentava o Clube de Divinação na rua Howes. Talvez tenham se conhecido por coincidência, ou talvez Hanass o tivesse ajudado. De qualquer forma, isso possibilitou que os dois, que frequentemente se encontravam na mesma área, se aproximassem um do outro…
Hanass Vincent queria vender seus livros antigos, então Sirius o apresentou a Welch, que era um estudante do departamento de História…
No sonho de Hanass, havia a figura do suposto deus do mal, o “Verdadeiro Criador”. Ele também conhecia o formato adequado de encantamentos. Isso prova que ele estava bem fundo no reino do misticismo. A possibilidade de ter sido membro de alguma organização secreta não pode ser descartada.
Também não posso descartar a possibilidade dele ter se juntado a alguma organização secreta sob a influência de Sirius.
…
Com idéias fluindo com tanta facilidade, Klein percebeu que as informações que o homem havia deixado para trás tinham um certo nível de credibilidade, mesmo sem usar métodos de divinação.
Mesmo que ele não se chame Sirius Arapis, nem trabalhe como comerciante de tecidos, e não more na rua Howes 19, ele definitivamente reside na Rua Howes ou, pelo menos, em algum lugar próximo!
Enquanto essas idéias passavam por sua mente, Klein visualizou os registros dos empréstimos novamente com essa nova linha de pensamento.
A última vez que ele foi à biblioteca Deweyville foi no sábado passado, um dia antes da festa de aniversário de Selena, que também ocorreu um dia antes da morte de Hanass Vincent. Já se passaram vários dias desde então, mas ele ainda não retornou o que pegou emprestado.
De acordo com registros anteriores, se apenas pegasse emprestado duas publicações, geralmente as devolveria no dia seguinte.
Isso poderia significar que ele sabia da morte de Hanass e estava assustado a ponto de não ousar mais vir à Biblioteca Deweyville?
Sim, ele começou pegando emprestado vários livros de história e diários não relacionados até especificar o que precisava, o que é muito semelhante ao que eu havia lido…
Isso significa que não havia ninguém o ensinando. Não havia um Professor Associado Sênior do departamento de história de uma universidade. Ele fez isso completamente por tentativa e erro.
O que um alvo chocado faria? Duas possibilidades. Primeira, se tivesse todas as informações necessárias, iria direto para o pico principal da cordilheira de Hornacis. Segunda, se ainda não tivesse informações, ele se esconderia e observaria a situação. Só voltaria a aparecer se tivesse certeza de que a morte de Hanass não o implicaria de forma alguma.
Tendo chegado a essa conclusão, Klein fechou os registros dos empréstimos e os devolveu aos bibliotecários. Ele então tirou o retrato e perguntou se alguém tinha visto o homem. Infelizmente, muitas pessoas pegavam livros emprestados todos os dias, e os bibliotecários não se lembravam de todos.
— Tudo bem, obrigado pelo seu tempo. — Klein guardou seus documentos de identificação e seu distintivo.
Ele não tinha intenção de continuar a investigação sozinho. Isso não era apenas perigoso, mas também problemático. Ele planejava ir para à rua Zouteland mais uma vez e entregar o caso ao Capitão e seus companheiros de equipe. Ele então planejou ir para casa e preparar sua sopa de rabada para seus irmãos antes de seguir para o mundo acima da neblina cinzenta e divinar o paradeiro e a condição do alvo.
— Oficial, mais alguma coisa? — um bibliotecário perguntou com honestidade enquanto soltava um suspiro de alívio.
Klein assentiu levemente e respondeu:
— Não, voltarei se houver novas pistas.
Ele segurou a bengala preta com a mão esquerda e caminhou até a porta.
Nesse momento, ele viu um homem entrar na biblioteca com a cabeça baixa. Ele estava vestido com um sobretudo, sua lapela alta.
Quando passaram um pelo outro, Klein viu de relance as sobrancelhas grossas e bagunçadas e o par de olhos azulacinzentados!
Essas eram coisas que a lapela alta não conseguia esconder!
Sirius? Sirius Arapis? Uma coincidência? — Klein congelou. Ele não esperava encontrar o alvo aqui!
Que tipo de sorte é essa!?
Não foi coincidência demais?
Ele avaliou sua condição física e sentiu seus músculos doloridos. Então, ele agiu como se nada tivesse acontecido e continuou caminhando em direção à porta.
Bem, temos que seguir o que nosso coração nos diz! Segurança em primeiro lugar!
Não importa se eu perder essa oportunidade, desde que Sirius ainda esteja em Tingen!
Nesse momento, o homem de sobretudo chegou ao balcão e estava entregando os periódicos a um dos bibliotecários.
— É um retorno — disse ele com um tom suave e abafado.
O bibliotecário recebeu os periódicos causalmente e, quando o viu, de repente congelou.
Ele subconscientemente olhou para cima e seu corpo não pôde deixar de tremer.
— Algum problema? — perguntou o homem em voz profunda.
Sua pergunta pareceu uma faísca acendendo um fusível, fazendo com que o bibliotecário perdesse instantaneamente seu autocontrole. Ele correu para o lado e gritou:
— Oficial!
— O criminoso está aqui!
Nesse momento, Klein, que não havia saído do prédio, amaldiçoou loucamente em seu coração.
Ele instintivamente sacou o revólver do coldre com a mão direita.
O homem congelou por um momento antes de virar e começar a correr.
Mas não em direção à porta. Em vez disso, ele escapou na direção da janela ao lado, como se quisesse quebrar o vidro e pular para a rua.
Klein, agitado, virou a cabeça para ver a cena quando sentiu uma calma repentina.
Ele percebeu que, apesar de ter medo, seu alvo tinha mais medo que ele!
O homem deve ser incapaz de determinar minhas habilidades em uma situação tão abrupta. Ele não sabe a extensão de minhas habilidades e, assim, instintivamente evitará um confronto direto e procurará outras maneiras de escapar! — Confiante em sua análise, Klein levantou o revólver e apertou o gatilho.
Naquele momento, o homem de sobretudo rolou bruscamente no chão, na tentativa de evitar a bala.
Depois disso, ele se apoiou no chão com a mão direita e se lançou no ar em direção à janela.
Click!
O primeiro tiro de Klein estava vazio.
Mas isso era algo que ele já esperava. Ele aproveitou a incapacidade de Sirius de se esquivar no ar para mirar em seu torso e apertou o gatilho.
Bang!
As balas balas anti-demonio de prata rasgaram o ar e penetraram direto nas costas de Sirius.
Crash!
O vidro quebrou e Sirius voou pela janela, deixando gotas de sangue nos fragmentos de vidro cristalino e no peitoril da janela.
Klein não tinha mais medo agora que o alvo estava ferido. Ele correu e pulou pela janela com a ajuda de uma cadeira.
Essa era a área que ficava atrás do térreo da Biblioteca Deweyville. Uma fileira de árvores isolava um campo verde exuberante.
Sirius, ferido, estava correndo para o lado, na tentativa de entrar em um pequeno beco entre dois prédios. Não tendo praticado tiro em alvos em movimento, Klein não ousou atirar às cegas. Ele só pôde carregar sua bengala em uma mão e a arma na outra enquanto perseguia o homem de sobretudo preto.
Tap! Tap! Tap!
Ele seguiu o rastro de sangue no chão e tentou diminuir a distância.
Com um beco sem saída chegando, a velocidade de Sirius se tornou cada vez mais lenta. Klein, que estava esperando uma oportunidade para capturá-lo, subitamente sentiu um pouco de medo, pressentindo como se o homem à sua frente não fosse humano, mas um lobo ou um tigre com perigos terríveis.
Este foi um instinto que ele teve como Vidente, e também um aviso dado a ele por sua espiritualidade!
Klein diminuiu a velocidade imediatamente, seus olhos examinando o sangue no chão.
Comparado ao sangue que havia visto antes, o sangue de Sirius agora estava preto!
Nesse momento, um vento violento o pressionou. O rosto de Sirius estava refletido nos olhos de Klein.
Sobrancelhas grossas e bagunçadas. Olhos azuis acinzentados. Múltiplas verrugas salientes. Uma boca aberta com duas fileiras de dentes brancos.
Sirius estava lançando um contra-ataque neste momento!
Isso tornou o rosto refletido nos olhos de Klein mais visível. Ele podia até sentir um fedor extremamente podre!
Sirius saltou uma distância de sete ou oito metros, muito mais do que qualquer ser humano normal conseguiria. Mas como Klein parou de persegui-lo bem a tempo, ainda havia uma distância de quase dez metros entre eles.
Quando a distância foi reduzida a dois metros, a saliva pegajosa causada pela baba e as verrugas densas e repugnantes formaram uma cena angustiante que deixou os nervos de Klein tensos.
Sem pensar, ele aproveitou a oportunidade da imobilidade temporária causada pelo salto de Sirius para levantar a mão direita. Ele disparou sem parar, permitindo que as balas atingissem a cabeça do alvo.
Bang! Bang! Bang! Bang!
Atirar a uma distância tão curta permitiu que as balas anti-demônio de prata perfurassem a cabeça de Sirius. Sangue espirrou para todos os lados quando seu rosto ficou cada vez mais mutilado, até que ele cambaleou para trás.
Klein esvaziou as balas de seu revólver em um instante. Ele subconscientemente queria dar alguns passos para trás, a fim de confirmar os resultados da batalha.
Mas, nesse momento, Sirius deu a Klein o choque de sua vida, tentando ao máximo se endireitar. Klein levantou abruptamente a bengala na mão esquerda.
Smack!
A robusta bengala preta incrustada com prata atingiu o pescoço de Sirius, deixando uma marca vermelha escura.
Smack! Smack! Smack!
Klein agiu por instinto, golpeando seu oponente até Sirius cair tropeçando no chão.
Huff! Puff! Huff!
Klein se sustentou com a bengala e respirou fundo. Seus olhos fixos no alvo, com medo de que Sirius subitamente voltasse à vida.
Naquele momento, a cabeça de Sirius tinha sido basicamente esmagada, e as verrugas gradualmente retrocederam. Seu corpo parou de se mover após algumas convulsões.
Klein não teve pressa de examinar o cadáver. Em vez disso, jogou a bengala para o lado e pegou as balas anti-demônio que possuía e recarregou o revólver.
Depois de fazer isso, ele se recompôs e lutou contra o nojo, se ajoelhando para vasculhar os bolsos do sobretudo de Sirius.
Capítulo 104
Capítulo 104 – Sr. Z
Um bolso, dois bolsos, três bolsos… Klein logo encontrou uma carteira ensanguentada, um cartão da Biblioteca Deweyville, dois pares de chaves de latão, um cachimbo, uma adaga na bainha e algumas cartas dobradas com cuidado.
Colocando tudo no chão, exceto as cartas, ele se levantou e olhou para a carteira. Ele confirmou que havia apenas pouco mais de dez soli e alguns centavos.
O artesanato da carteira é bastante requintado. É uma pena… — Klein suspirou, se sentindo um pouco distraído.
Se não tivesse gasto tanto dinheiro em meu estoque particular, a compra de uma carteira estaria na minha agenda hoje.
Depois de balançar a cabeça, Klein abriu as cartas e rapidamente as leu.
“Caro Sr. Z,”
“Por favor, permita-me me defender. Quando Hanass e eu vendemos o caderno da família Antigonus, não foi estupidez nem traição. Não parecia especial de maneira alguma quando estava em nossas mãos.”
“Suspeito que esteja vivo e que seja um item perverso possuindo certa vida e sabedoria. Era algo perigoso que precisava ser selado.”
“Em estágios diferentes e diante de pessoas diferentes, ele mostra conteúdos diferentes!”
“Este é um fato comprovado que aprendi com o cordeiro na delegacia.”
“Embora o caderno mostre um conteúdo que seja suficientemente verdadeiro a cada vez e com muitas evidências, acredito que só revelaria o conteúdo completo nas mãos de um descendente da família Antigonus.”
“Quando Hanass e eu o recebemos, pudemos ver apenas alguns assuntos triviais da família Antigonus, a situação geral da Nação da Noite Eterna no pico principal da cordilheira Hornacis, e também as três fórmulas de poções de sequência que entregamos a você anteriormente.”
“Como sabe, a Ordem Secreta possui o caminho de Vidente e poderosas habilidades de rastreamento, então Hanass e eu acreditamos que seria arriscado continuar mantendo o caderno. O valor que ele nos apresentou não era suficiente para corrermos o risco.”
“Como não podíamos esperar sua resposta, concordamos em vender o caderno para Welch, que morava na mesma rua. Ele gostava de colecionar relíquias e livros antigos e podia pagar um preço alto por ele. Quanto aos desenvolvimentos subsequentes, você já está ciente deles.”
“Esta é a primeira coisa que eu gostaria de explicar. Enquanto escrevo essas palavras, Hanass está morto. Ele morreu devido a um ataque cardíaco durante o sono. Isso deve ser uma bênção de Deus, para impedi-lo de sofrer caindo nas mãos de hereges.”
“Não tive escolha senão me mudar para um lugar mais seguro, mais oculto. Nem me atrevi mais a sair de casa. Felizmente, o cordeiro me disse que a razão pela qual Hanass estava sendo vigiado pelos hereges não era por causa do caderno da família Antigonus, e nem sua identidade foi exposta. Aconteceu que ele havia admitido uma discípula boba na esperança de transformá-la lentamente em uma de nós.”
“Sua discípula olhou de relance para aquele seu encantamento secreto e tentou a divinação mágica enquanto um herege dos Falcões Noturnos estava assistindo. Acredito que você pode adivinhar o resto da história, então não há necessidade de descrevê-la.”
“É uma pena que a posição do cordeiro não seja alta o suficiente, e os detalhes reais não possam ser determinados.”
“Pelo feedback, parece que os hereges ainda não suspeitam de mim. Suas investigações foram interrompidas devido à morte súbita de Hanass.”
“Portanto, voltarei às ruas e planejo pegar mais algumas edições do periódico na Biblioteca Deweyville para procurar mais pistas.”
“Como uma facção que também tinha o caminho de Vidente, a família Antigonus deve ter tido algumas divinações a respeito de sua dizimação. Eles devem ter deixado para trás tesouros secretos que permitiriam o ressurgimento da família!”
“Há razões suficientes para acreditar que o tesouro está escondido no pico principal da cordilheira de Hornacis, que fica em uma das relíquias da Nação da Noite Eterna!”
Depois de ler isso, as pupilas de Klein se contraíram rapidamente. Ele quase deixou a carta cair.
O caminho que a família Antigonus possuía era o caminho de Vidente?
Que coincidência!
…
Trovões pareciam explodir na cabeça de Klein repetidas vezes, o que o deixou atordoado. Ele sentiu como se fosse o destino.
O caderno que levou à morte do Klein original e indiretamente me ajudou a transmigrar, se originou da família Antigonus que possui o caminho de Vidente. Aquele que finalmente me fez escolher a poção Vidente foi o diário do Imperador Roselle, enquanto que o Imperador Roselle foi influenciado pela Sequência de Vidente por causa do misterioso Sr. Zaratul, que era o líder da Ordem Secreta, que também possui o caminho de Vidente!
…É como uma rede sufocante costurada pelo Destino.
O que exatamente está por trás de tudo isso?
Klein segurou a carta e andou de um lado para o outro. Ele precisava verificar o conteúdo com outras fontes.
Sim, a Ordem Secreta que a família Zaratul controla está perseguindo e procurando os pertences deixados para trás pela família Antigonus. Se ambas as partes compartilham da mesma sequência Beyonder, haveria razão e motivo suficientes. Talvez seja para completar quaisquer poções ausentes, obter ingredientes raros para um avanço mais alto da sequência ou pelas experiências acumuladas da outra parte em evitar a perda de controle…
Seguindo essa linha de pensamento, é bastante razoável que a família Antigonus tenha pelo menos parte da cadeia da Sequência de Vidente.
Sim, quando eu estava divinando pistas sobre a poção Palhaço, as imagens que emergiam eram principalmente relacionadas à família Antigonus. A única exceção foi o palhaço da Ordem Secreta… Portanto, o verdadeiro significado por trás do simbolismo é que cada cena tem a possibilidade de obter a poção Palhaço ou uma pista. No entanto, não entendi o ponto crucial e infelizmente o perdi.
Com as duas evidências corroboradoras, Klein quase acreditou no que Sirius havia dito na carta. Ele também entendeu por que ouvia constantemente a palavra “Hornacis” nos murmúrios que não deveria ouvir.
Isso começou a acontecer quando eu consumi a poção Vidente!
Ele tinha uma expressão séria enquanto pensava consigo mesmo.
Ele achava que ser um sobrevivente que fez contato com uma relíquia da família Antigonus e se tornar um Beyonder da sequência Vidente eram duas condições necessárias para ouvir os murmúrios dizendo Hornacis.
Existe realmente um tesouro secreto enterrado pela família
Antigonus nas ruínas antigas no pico principal da cordilheira de Hornacis? Não, não posso pensar nisso! Só o caderno já matou tantas pessoas. Qualquer tesouro completo seria ainda mais aterrorizante! — Klein balançou a cabeça inconscientemente e olhou para o terceiro pedaço de papel, que era a última das cartas.
“Honorável Sr. Z, espero poder obter sua ajuda. Acredito que você também deva estar suficientemente interessado no tesouro.”
“Até lá, me vou me comportar como uma pessoa normal, um amante normal da história.”
“Quando chegar o fim dos dias, oferecerei todos os cordeiros de
Tingen como sacrifício a Deus.”
“Humildemente, Sirius Arapis.”
Quando terminou de ler a carta de Sirius, Klein teve vontade de rir.
Heh, por que sinto que salvei Tingen? O que esse cara estava tentando fazer? Hereges são realmente inacreditáveis…
Quem é esse Sr. Z? Ele parece alguém em uma posição alta… No mínimo, deve estar na mesma sequência que o Capitão.
Para onde Sirius estava enviando a carta? Ele não anotou o endereço… Parece que é a cautela de um herege. Eles não colocam o endereço até o momento antes de enviá-la…
Certo, se a família Antigonus tivesse a poção do caminho de Vidente, então a poção Palhaço estaria entre as três fórmulas dentro do caderno da família Antigonus que Sirius enviou?
Muito provável!
Nesse instante, Klein parecia ter encontrado pistas para a poção Palhaço.
Embora Sirius não tenha trazido a fórmula junto com ele, era possível que tivesse deixado algum tipo de registro em seu esconderijo. Ele também deve ter isso em sua mente, em suas memórias!
Klein olhou para o cadáver diante dele e considerou o problema de fazer uma pessoa morta falar.
Exigiu quase nenhuma consideração, pois uma ideia surgiu imediatamente em sua cabeça.
“Mediunidade!”
Médiuns Espirituais podiam se comunicar diretamente com os espíritos que ainda não haviam se dispersado. Videntes, Espreitador de Mistérios e outros poderiam realizar a mesma coisa usando magia ritualística.
Anteriormente, quando estava lidando com o cadáver do palhaço de terno, havia três coisas que impediam Klein de usar a mediunidade. Primeiro, ele estava com pressa de salvar o resto do grupo. Segundo, ele não tinha os ingredientes e, por fim, não tinha confiança. Então, ele não considerou a opção da mediunidade e perdeu sua melhor chance. Quando eles voltaram para a Companhia de Segurança Blackthorn, o espírito havia quase sumido. Mesmo um Médium Espiritual só poderia obter informações superficiais.
Mas agora, Klein tinha todos os ingredientes e ferramentas, e ele teve experiência em se comunicar com um ressentimento persistente com a ajuda da divinação dos sonhos.
Minha única preocupação em entrar em contato com o espírito de um herege seria ser colocado na mesma situação que a do Capitão no sonho de Hanass, onde ele viu uma existência horrível… No entanto, o Capitão permaneceu frágil por dois dias e não foi considerado gravemente ferido. Sim, posso tentar! — Ele hesitou por menos de vinte segundos antes de tomar uma decisão. Ele não queria perder esta oportunidade.
Ele levantou a cabeça, se virou e olhou para o lugar onde a janela havia quebrado. Havia uma multidão reunida assistindo.
Ele pegou o cartão de identificação e o distintivo antes de retornar à janela quebrada, e então disse aos espectadores:
— Sou um inspetor estagiário do Departamento de Operações Especiais da Polícia do Condado de Awwa. Atirei no criminoso e o matei. Por favor, leve esse distintivo à delegacia mais próxima e peça para enviarem apoio para lidar com o ocorrido.
— Quanto ao resto, me ajudem a isolar esta área. Não permitam que ninguém se aproxime, pois pode contaminar a cena.
— Sim, oficial! — O bibliotecário que causou o problema a Klein rapidamente pegou o distintivo.
Quando toda a cena foi isolada e ninguém mais conseguia entrar no gramado, Klein voltou para o canto e ficou ao lado do cadáver.
Ele estava contente que a multidão inocente não conseguia ver o corpo morto, que parecia mais um monstro do que um humano. Ele guardou a bengala e o revólver e colocou a mão no bolso interno do casaco para pegar uma garrafa de metal.
Ele ia usar técnicas de um ritual mediúnico com divinação dos sonhos para fazer o morto falar!
Capítulo 105
Capítulo 105 – Canalização Espiritual
Klein abriu a tampa da garrafa de ouro e a levou ao nariz. Ele sentiu um cheiro estimulante que o energizou.
Era o Pó de Noite Sagrada feito com flores do sono, grama de sangue de dragão, sândalo vermelho escuro, hortelã e outras ervas. Como era simples de preparar, Klein fez um lote no momento em que conseguiu os ingredientes no mercado clandestino. Seria útil agora.
Ele colocou um pouco do Pó de Noite Sagrada na palma da mão e se recompôs. Suas íris ficaram escuras.
Em seguida, Klein guardou a garrafa de metal e, depois de colocar sua espiritualidade, espalhou o pó enquanto caminhava, formando um círculo ao redor do cadáver de Sirius.
Uma barreira sem forma se levantou, os separando do mundo exterior.
Klein sacudiu a mão para se livrar do restante do Pó de Noite Sagrada e pegou as outras garrafas de metal. Ele borrifou o extrato de Amantha e outros líquidos na área ao redor.
O ritual que ele montou era diferente daquele usado por Velho Neil na casa de Ray Bieber, já que o objetivo do ritual era diferente.
Por exemplo, Velho Neil derramou os líquidos antes de usar o Pó de Noite Sagrada. Isso poderia criar um estado sereno e santo, perdendo apenas para um altar real. Klein havia usado o Pó de Noite Sagrada antes de derramar os líquidos para impedir que a espiritualidade remanescente de Sirius fosse perturbada pelos objetos ao redor, e fazendo o ambiente satisfazer os requisitos do ritual.
Se tivesse usado o método do Velho Neil, o resto da espiritualidade de Sirius teria sido eliminado, tornando impossível estabelecer uma conexão.
Depois de terminar seus preparativos, Klein guardou os materiais e entrou em estado de cogitação. Ele recitou suavemente os encantamentos em Hermes:
— Eu rezo pelo poder da noite escura.
— Eu rezo pelo poder do mistério.
— Eu rezo pela graça amorosa da Deusa.
— Eu rezo para que você me permita comunicar com a espiritualidade do herege dentro deste altar.
…
Enquanto os encantamentos reverberavam por todo o espaço selado, Klein de repente sentiu uma energia enorme, aterrorizante e misteriosa descer sobre ele.
Seus olhos ficaram completamente pretos como se ele tivesse perdido as pupilas e o branco dos olhos.
Aproveitando a oportunidade, Klein recitou uma declaração de divinação em seu coração:
— A fórmula da poção Palhaço.
— A fórmula da poção Palhaço.
…
Enquanto recitava a declaração, ele usou cogitação para entrar temporariamente em um estado de sonho.
Era um mundo nebuloso e cinza, sem céu ou terra. Klein estava alerta mais que o normal ao observar uma figura transparente e etérea.
Ele estendeu a mão direita e tocou o restante do espírito de Sirius.
A cena em sua frente mudou com um estrondo.
Agora a cena era de uma mesa de estudo pintada com tinta vermelha escura. Havia três velas em um suporte de vela prateado, bem como um pedaço de papel em branco.
Sirius tinha uma caneta na mão. Ele escreveu na linguagem Loen: “Esta é a segunda fórmula, seu nome no caderno é ‘Palhaço’”.
“80 mililitros de água pura, 5 gotas de suco de figueira-do-diabo, 7 gramas de pó de girassol de borda preta, 10 gramas de pó de grama de manto dourado, 3 gotas de cicuta venenosa. Estes são os ingredientes suplementares.”
“Os ingredientes sobrenaturais principais são: um cristal do chifre de uma cabra da montanha cinza Hornacis adulta e um caule completo de uma rosa com rosto humano.”
Sirius parecia ter a fórmula da poção Palhaço memorizada e rapidamente terminou de escrevê-la.
Ele parou por um momento e tomou um gole de café, depois desenrolou o pêndulo de prata em volta do pulso.
Ele segurou o pêndulo e fechou os olhos, murmurando termos para si mesmo, como “o fim dos dias”, “paz de espírito”, “esperança pelas bênçãos do Senhor” e “confissão”.
Depois que Sirius terminou sua oração, Klein finalmente viu o pêndulo claramente.
Sob a corrente de prata havia uma estatueta humana do tamanho de um polegar.
A estatueta tinha um único olho, uma característica única dos gigantes. Estava de cabeça para baixo, com as pernas amarradas por correntes que conectavam em cima.
Naquele momento, o único olho do gigante de repente emitiu um brilho vermelho fraco.
Crack!
A cena que Klein testemunhou se despedaçou e suas pernas dobraram, o fazendo quase ajoelhar no chão.
Klein sentiu uma dor na cabeça como se tivesse sido golpeado cruelmente com um bastão. Sua visão ficou vermelha e ele involuntariamente estendeu as mãos para proteger os joelhos.
Ele se recuperou alguns segundos depois e se levantou. Ele sentiu que sua espiritualidade estava fraca, como se tivesse ouvido os murmúrios que penetravam em sua mente mais uma vez.
Mas, devido ao seu progresso em “digerir” o remédio mágico, a reação adversa se acalmou rapidamente.
O Gigante Pendurado, o Verdadeiro Criador… Sirius e Hanass eram ambos membros da Ordem Aurora? Mas o capitão viu uma enorme cruz no sonho de Hanass. O terrível ser crucificado na cruz não era o Gigante Pendurado da Ordem Aurora… — Klein respirou fundo duas vezes e esperou sua espiritualidade se recuperar lentamente.
A Ordem Aurora era uma organização secreta que surgiu há duzentos ou trezentos anos. Eles adoravam o Verdadeiro Criador e o simbolizaram com O Gigante Pendurado. Eles acreditavam que todo ser humano possuía qualidades divinas e, enquanto perseverassem e passassem por inúmeras provações, seriam capazes de acumular qualidades divinas suficientes para se tornarem anjos.
De acordo com os registros internos dos Falcões Noturnos, a Sequência 9 da Ordem Aurora era Suplicante de Segredos. Esses Beyonders podiam sentir a existência de seres misteriosos e horripilantes e eram armados com uma quantidade decente de conhecimento sobre sacrifícios e algum conhecimento sobre magia ritualística. Havia evidências suficientes para afirmar que os Suplicante de Segredos seniors sofriam distorções em sua visão do mundo e perdiam o controle facilmente.
Pouco se sabia sobre a Sequência 7 que a Ordem Aurora possuía. A sequência 8 era Ouvinte. Este era considerado um “job” bastante aterrorizante para um Beyonder.
Todo Ouvinte podia ouvir diretamente os sussurros das entidades secretas; assim, eles frequentemente entravam em contato com habilidades poderosas, distorcidas e únicas. Mas, consequentemente, se não conseguissem avançar, era difícil sobreviverem nos próximos cinco anos após se tornar um Ouvinte. Além disso, os comentários dos Falcões Noturnos nos relatórios eram de que todo Ouvinte era um lunático. Mesmo que parecessem normais na superfície, sempre eram loucos por dentro.
Os detalhes do relatório sobre a Ordem Aurora surgiram na mente de Klein. Sua teoria inicial era que Sirius era um Suplicante de Segredos.
A partir da descrição, Suplicante de Segredos são tão miseráveis quanto Videntes em batalha; e isso se encaixa nas ações de Sirius. O que aconteceu depois foi uma perda de controle provocada pelos ferimento? Sim, Frye disse uma vez que todo Beyonder passaria por mudanças mais ou menos estranhas depois que morressem… — Klein pensou enquanto tocava quatro pontos no peito para louvar a Deusa.
Depois que sua espiritualidade se recuperou um pouco, ele concluiu o ritual com o procedimento apropriado e desfez a barreira de espiritualidade.
Com um whoosh, uma rajada de vento soprou e Klein se esforçou para olhar para o cadáver de Sirius.
Ele percebeu que ainda havia uma clara verruga no rosto mutilado do corpo. Era uma verruga roxa escura, quase preta, e parecia haver líquido e uma luz brilhando dentro.
— Que tipo de transformação foi essa? — Klein massageou as têmporas, não ousando tocá-lo.
Ele se inclinou e pegou sua bengala, permitindo que suportasse seu peso.
Depois do que acabou de acontecer, ele sabia que a espiritualidade de Sirius havia sido completamente destruída. Até A Médium Espiritual Daly não seria capaz de se comunicar com ele.
Depois de um tempo, Klein viu Capitão Dunn e seus parceiros, Leonard e Kenley.
— Parece que seu destino está atrelado a Beyonders e às forças do mal. Em apenas algumas semanas, você se deparou com mais incidentes sobrenaturais do que costumamos ter em meses — brincou Leonard, olhando o cadáver no chão.
— Pode não ser uma coincidência — acrescentou Klein, quando de repente pensou na chaminé vermelha que havia visto em sua divinação dos sonhos, assim como no majestoso palácio no pico principal da cordilheira de Hornacis e em seu foco sem forma. Ele aproveitou a oportunidade para mencionar de passagem.
Dunn examinou os arredores e, com os olhos cinzentos voltados para Klein, perguntou:
— Você tentou canalizar o espírito dele?
Ainda havia vestígios de Pó de Noite Sagrada e o aroma dos óleos essenciais.
— Sim — respondeu Klein com sinceridade. — Estava preocupado que vocês chegassem tarde e que os restos da espiritualidade se dispersariam.
— Você não parece bem. Tudo bem? — o pequeno Kenley perguntou, preocupado.
Klein passou a carta não entregue de Sirius ao capitão e começou do começo.
— Quando fui ao mercado clandestino comprar materiais para rituais, lembrei de repente que Selena já havia ido ao Bar Dragão Maligno e que foi Hanass Vincent quem a levou. Isso significa que Hanass era um regular. Então suspeitei que a pessoa do retrato, alguém definitivamente conectado a Hanass, também pudesse ter ido ao mercado clandestino.
— Perguntei ao Swain sobre o retrato, e ele me deu uma confirmação. Ele disse que o homem havia tentado comprar documentos e itens relacionados às montanhas Hornacis. Isso me lembrou a biblioteca; lembrei que o bibliotecário havia mencionado que alguém havia acabado de devolver a edição do periódico que eu queria pegar…
Leonard ficou de lado, ouvindo com um sorriso. Ele interrompeu repentinamente:
— Então você trouxe seus documentos de identificação e distintivo para verificar os registros dos empréstimos? Na verdade, estou muito curioso; por que você entraria em conflito com esse homem aqui? Mesmo que fosse um encontro direto, com seu estilo de fazer as coisas, você fingiria que não o conhecia e sairia da biblioteca. Depois, iria à rua Zouteland para pedir nossa ajuda.
— Sim, não havia necessidade de correr o risco. Contanto que você confirmasse o alvo e ele não deixasse Tingen, sempre haveria uma maneira de encontrá-lo — acrescentou Dunn ao ler a carta.
Klein disse imediatamente embaraçado:
— O bibliotecário o reconheceu e gritou por ajuda da polícia.
— Não há como fingir não ouvir isso…
Leonard e Kenley se entreolharam. Um tentou esconder sua diversão, enquanto o outro virou a cabeça para o lado.
Dunn assentiu, seu olhar deixando a carta.
— Conseguiu alguma coisa canalizando o espírito dele?
— Vi um pêndulo com a forma de um gigante pendurado. Vi um brilho vermelho-sangue no único olho do gigante antes de ser forçado a sair do ritual — descreveu Klein honestamente.
Por enquanto, ele não queria falar sobre a poção Palhaço, pois tinha duas considerações.
Primeiro, se Dunn e o resto fossem capazes de encontrar o esconderijo de Sirius e os registros correspondentes, então não faria diferença se lhes dissesse ou não, pois não haveria contribuições adicionais atribuídas a ele.
E segundo, se Dunn e o resto não conseguissem encontrá-lo, poderia simplesmente reportá-lo no futuro. Dessa forma, ele receberia outra contribuição, permitindo que adquirisse os ingredientes necessários para fazer uma poção. Era uma maneira de obter o dobro das recompensas por uma única tarefa, uma técnica que se originava dos ensinamentos recentes de Velho Neil.
— Ordem Aurora? — Dunn murmurou para si mesmo antes de fazer algumas perguntas relevantes.
Depois que Klein respondeu a todas as perguntas, Dunn viu o cansaço nos olhos de Klein e acenou com a bengala.
— Nada mal. Você evitou um esquema que tinha Tingen como alvo. Pode voltar e descansar. Kenley, traga Velho Neil.
Depois de dar instruções, Dunn sorriu amargamente e balançou a cabeça.
— Antes da Sequência 6, Beyonders do caminho Sem Sono carecem de muitas habilidades suplementares. Só podemos realizar magia ritualística mais simples.
— Capitão, você quer dizer que a partir da Sequência 6 em diante, um Beyonder do caminho Sem Sono irá obter melhorias nesses aspectos? — Klein perguntou por curiosidade.
— Sim — confirmou Dunn.
…
Depois de deixar a Biblioteca Deweyville, Klein quase adormeceu na carruagem em várias ocasiões, no caminho de volta à rua Narciso.
Ele entrou em casa, tirou o chapéu e a jaqueta e adormeceu no sofá.
Algum tempo depois, ele acordou de repente, pegou seu relógio de bolso e o abriu.
— Melissa estará de volta em meia hora, Benson em quarenta e cinco minutos… Se não levantar, vou ter que fazê-los esperar uma hora antes de podermos jantar… — Klein esfregou a testa e entrou na cozinha.
Ele lavou o rosto com água fria e então pegou o rabo de boi, tomates, cenouras e as cebolas que havia comprado naquela tarde.
Depois de preparar os ingredientes, ele de repente congelou. Ele tinha a sensação de que suas ações agora formavam uma estranha justaposição com o incidente naquela tarde.
— Sou um homem que acabou de salvar Tingen… — Klein murmurou achando graça. Então vestiu um avental branco e começou a fazer o jantar.
Capítulo 106
Capítulo 106 – Artista Klein
Depois das oito da noite, na sala de jantar da família Moretti.
Enquanto olhava para o resto de sopa deixado na tigela, Benson levantou a mão para cobrir a boca e dar um arroto, satisfeito.
— Embora tenha sido a terceira vez que comemos isso, ainda acho delicioso. A acidez e doçura do tomate e a textura al dente da rabada se misturam em um sabor perfeito e único. Klein, é uma pena que a Companhia de Segurança Blackthorn tenha feito que a Cidade de Tingen perdesse um chef tão notável.
Melissa se recostou na cadeira e assentiu em silêncio.
— Isso é porque você ainda precisa experimentar culinária de verdade. — Klein sorriu humildemente. — Se tivermos alguma oportunidade no futuro, vamos ao restaurante Bonaparte, na rua Howes, para uma autêntica culinária Intis, e também ao restaurante Costa do Mar, no burgo Golden Indus, para algumas iguarias do sul.
Tratava-se de restaurantes que sempre saíam nos jornais, onde o custo médio por pessoa era cerca de uma libra e meia.
— Prefiro muito mais a sua comida — respondeu Melissa sem hesitar.
Benson riu e mudou de assunto.
— Mas, pensando bem, sinto que falta algo na sopa de rabada com tomate. Talvez não combine com pão?
Klein assentiu, concordando.
— É melhor quando complementado com arroz.
— Arroz… — murmurou Melissa com uma expressão de desejo.
Tingen, que ficava ao norte, não era considerada uma cidade grande. Fora alguns restaurantes em particular, era difícil ter a oportunidade de comer arroz.
Para Benson e Melissa, esse tipo de comida só existia nas descrições de jornais e livros.
Olhando para a expressão de sua irmã, Klein riu.
— Espere até economizarmos mais seis meses de salário, então poderemos encontrar uma oportunidade para sair de férias para a Baía de Desi e experimentar as iguarias de lá.
A Baía de Desi estava localizada no extremo sul do Reino Loen, e um terço de seu território pertencia ao Reino Feynapotter. Tinha luz do sol em abundância e belas paisagens, e sua paella era bastante famosa.
Antes que Melissa pudesse compartilhar sua opinião sobre como economizar dinheiro, Klein disse:
— Em mais três meses, devo receber outro aumento. Então, poderemos cumprir totalmente nosso desejo de viajar como também de economizar para outras necessidades.
— Por quê? — A atenção de Benson e Melissa foi redirecionada, como esperado.
Klein tossiu levemente e sorriu enquanto explicava:
— Devido ao meu profissionalismo, o departamento de polícia que sempre colaborou com a nossa Companhia pretende me contratar como consultor de história de meio período. Eles irão pagar extra, pelo menos duas libras por semana. Se vocês me virem usando uniforme da polícia no futuro e mostrando minha documentação policial, não fiquem chocados.
— É claro que, como sabem, a eficiência do trabalho nos departamentos governamentais é tão lenta quanto uma senhora de noventa anos. Eles ainda precisam passar por um longo procedimento e precisam também fazer uma inspeção completa em mim. Por isso, nos meus dias de folga nos próximos dois meses, vou para a Universidade de Khoy com certa frequência para ver meu mentor e a equipe de professores que conheço para aprender mais.
Vendo o olhar chocado nos olhos de seus irmãos, ele parou e disse com uma expressão estranha:
— Assim como Imperador Roselle disse: “Nunca se é velho demais para aprender”.
Benson manteve alguns segundos de silêncio antes de dizer com um tom de arrependimento e emoção:
— É tarde demais para eu me matricular na universidade? Conhecimento realmente é riqueza.
E também poder… — acrescentou Klein silenciosamente.
— Benson, você precisa dos livros de gramática e de literatura clássica de Klein — Melissa disse do nada, tirando as palavras da boca de Klein.
A expressão de Benson pareceu mudar. Ele cerrou os dentes e disse:
— Klein, me passe esses livros hoje à noite.
— Mesmo que tudo o que eles façam seja me fazer dormir, estou determinado a lê-los por uma hora, não, uma hora e meia por dia.
— Juro em nome da Deusa! Se não conseguir, serei um babuíno de cabelos encaracolados!
Um sorriso imediatamente apareceu no rosto de Klein.
— Sem problema.
Na manhã seguinte, Klein pendurou seu casaco e sua cartola no cabideiro da sala de descanso. Então ele seguiu as instruções de Rozanne e caminhou até o subterrâneo, até a sala de guarda ao lado do Portão Chanis.
Capitão Dunn e os membros Frye, Seeka, Royale, Leonard e Kenley estavam todos lá.
Enquanto seus olhos cinzentos passavam pelo recém-promovido Falcão Noturno, Dunn sorriu e disse:
— Temos uma reunião de rotina toda quinta-feira para resumir as missões passadas e discutir vários outros desafios.
Sou um homem que também passou por muitas reuniões regulares… — Klein zombou internamente. Ele encontrou um assento e brincou:
— Preciso me apresentar?
Dunn sorriu e virou-se para olhar para Kenley.
— Conte-nos brevemente sobre a investigação de Sirius Arapis.
Kenley também era um Falcão Noturno que havia sido promovido de um membro da equipe civil. Ele não era muito alto, seus cabelos castanhos eram bem grossos, sua altura era mediana, seus músculos eram bastante tonificados e ele parecia alguém inteligente e capaz.
Pensando, ele disse:
— Com ajuda do Velho Neil, encontramos o esconderijo secreto de Sirius. Havia muitos livros e itens no local. A partir deles, podemos ter certeza de que Sirius era um dos membros ocultos da organização secreta, Ordem Aurora, e que ele também era um Suplicante de Segredos.
— Há evidências suficientes para mostrar que ele e Hanass Vincent venderam o caderno da família Antigonus para Welch. Quem não se lembra de Welch, pode perguntar a Klein sobre ele.
— Encontramos itens valiosos, incluindo três fórmulas de poções de sequência, que são Sequência 9 Vidente, Sequência 9 Aprendiz e Sequência 8 Palhaço…
— A tarefa seguinte é usar o círculo social de Sirius e as cartas que encontramos para localizar outros membros do círculo externo da Ordem Aurora. O foco de nossa pesquisa será direcionado ao herege que se infiltrou no departamento de polícia.
— Além disso, as pessoas que tinham contato com Hanass precisam ser reinvestigadas.
Dunn assentiu levemente e olhou para Klein.
— Como você pôde ouvir, obtivemos a fórmula da poção Palhaço, mas não podemos determinar se é real. Temos que esperar a Catedral Sagrada nos dar feedback.
— Na missão relativa à Ordem Aurora, você fez uma contribuição crucial. Além disso, considerando que você matou um membro da Ordem Secreta, não vai demorar muito até que acumule contribuições suficientes para ser promovido. Mas tenho que lembrá-lo de que nem todos são como Daly. Você precisa suprimir seu desejo e esperar três anos. Para evitar perder o controle, você não pode permitir que sua mentalidade seja afetada pela descoberta da fórmula da poção Palhaço.
Capitão, você não entende o quão mágico é “atuar”… Eu já confirmei a autenticidade da fórmula da poção Palhaço usando divinação acima do nevoeiro cinzento ontem à noite… — Klein assentiu obedientemente.
— Vou manter minhas emoções sob controle.
Então Seeka Tron, a quieta Poeta da Meia-noite, com cabelos brancos e olhos negros, disse:
— Ainda não encontramos nenhuma pista sobre o Instigador Tris. Suspeito que ele já tenha fugido de Tingen.
…
Depois que terminaram de trocar suas novas informações, Klein deixou a sala de guarda e encontrou Velho Neil para continuar com suas lições de misticismo. À tarde, ele foi até seu professor de combate, Gawain, para continuar com seu treinamento básico de força, resistência e coordenação geral.
Com o sol ainda alto e brilhante, às cinco.
Klein tirou o traje de treino, tomou um banho rápido e vestiu sua roupa. Ele então pegou a carruagem pública para a Rua Besik.
Ele não havia esquecido da chaminé vermelha que havia visto na divinação dos sonhos, nem do homem que suspeitava ser membro dos Alquimistas da Psicologia que havia comprado ingredientes suplementares para a poção Espectador no mercado clandestino. Essas coisas seriam inconvenientes para se investigar sendo um Falcão Noturno.
— Número 27. A Companhia de Detetives Particulares Henry… Sim, é aqui. — Klein encontrou uma empresa de detetives particulares, de acordo com as descrições do jornal. Dizia-se que era confiável.
Ele colocou uma máscara, abaixou a cartola e levantou a gola. Subindo as escadas, ele chegou na empresa, no segundo andar.
Toc! Toc! Toc! Ele bateu na porta que estava entreaberta.
— Por favor, entre — disse uma voz que parecia estar afetada por fleuma.
Klein levantou a bengala e empurrou a porta para entrar. Ele viu a companhia de detetives, que usava um layout quase aberto. Havia quatro funcionários sentados em seus respectivos lugares, divididos em pequenos cubículos.
— Olá, eu sou o detetive Henry. Como posso ajudá-lo? — Um homem de camisa branca e colete preto o cumprimentou.
Ele segurava um cachimbo na mão e tinha um queixo proeminente, sobrancelhas retas como lâminas e olhos azuis escuros que avaliavam seu cliente.
Klein usou a gola do casaco para bloquear metade do rosto enquanto falava.
— Eu tenho dois assuntos para confiar a vocês. Quais são suas taxas?
— Isso depende da dificuldade da tarefa. — O detetive Henry desviou o olhar e apontou para o sofá na sala. — Vamos conversar ali.
Klein o seguiu até a área semi-particionada e sentou-se no sofá de assento único. Ele não tirou o casaco, nem o chapéu ou mesmo a máscara.
Ele propositalmente fez sua voz rouca e disse:
— Primeiro, preciso que você me ajude a encontrar uma casa com uma chaminé que se pareça com essa, além de informações sobre o proprietário e o inquilino atual.
Enquanto falava, ele pegou um papel dobrado. Quando abriu, havia uma chaminé com sua cor anotada e a paisagem circundante.
Esse foi o desenho que Klein completou usando a peculiaridade da área acima do nevoeiro cinza e o método de rezar para si mesmo.
— Que desenho maravilhoso… — O detetive Henry elogiou inconscientemente. Ele então franziu as sobrancelhas e disse:
— Isso não é complicado, mas muito tedioso; exigiria muito tempo e uma grande quantidade de mão de obra.
— Compreendo. — assentiu Klein levemente.
O detetive Henry ponderou por um momento e disse:
— Sete libras. O preço desse trabalho seria sete libras. Além disso, você precisa me dar pelo menos duas semanas.
— Tudo bem. Segundo, me ajude a encontrar esse cavalheiro e descobrir sua identidade. A única coisa que sei é que ele ocasionalmente aparece no Bar Dragão Maligno, perto do burgo portuário. E ele não deve detectar nenhum homem que você enviar. Ele é bastante sensível, e possui habilidades de observação aterrorizantes. — Klein pegou o segundo desenho.
Ele pretendia entrar em contato com um membro dos Alquimistas da
Psicologia para ver se encontrava informações e materiais valiosos.
Por exemplo, talvez uma fórmula que pudesse ser trocada com Justiça?
— Três libras, essa missão custaria cerca de três ou quatro libras. Suas excelentes habilidades de desenho ajudarão meu assistente e eu a salvar tempo — respondeu o detetive Henry com habilidade.
— Dez libras no total? — Klein achou o preço perturbador.
Detetive Henry deu uma tragada no cachimbo e disse:
— Sim, e você precisa depositar duas libras como adiantamento. Quando houver progresso, precisará pagar outras três a cinco libras. O restante do pagamento pode ser feito quando a missão estiver completa.
— Então devo voltar semana que vem para verificar seu progresso. — Klein não pechinchou sobre o preço para impedir que o observador detetive se lembrasse de qualquer característica sua.
Depois que assinaram um contrato padrão, ele pegou duas notas de uma libra e as passou para o detetive. Agora suas economias somavam somente uma libra e dezessete soli.
Enquanto detetive Henry observava o homem usando máscara de gaze e um blusão preto com a gola levantada sair às pressas, ele tinha uma expressão desconfiada nos olhos enquanto fumava seu cachimbo.
Por que ele está procurando uma casa que tenha esse tipo de chaminé?
Ele deve ser algum artista, ou pelo menos algum tipo de desenhista profissional…
À tarde, na luxuosa mansão do Visconde Glaint.
Audrey, com sua criada atrás de si, seguiu a etiqueta e passou sua mão ao anfitrião do encontro, olhando enquanto ele beijava rapidamente sua mão.
— Sua beleza acentua o encontro — Glaint primeiro a elogiou, como de costume. Então, ele abaixou a voz e disse:
— Aquela senhora já está aqui. Ela é uma Beyonder, e também uma autora.
Capítulo 107
Capítulo 107 – Fors
— Autora? — Audrey perguntou casualmente enquanto observava a reação de Glaint.
Ela não precisou se importar com a presença de sua criada, Annie, já que eles estavam conversando sobre assuntos ordinários.
Glaint se endireitou e riu.
— Sim, acredito que você já tenha lido as obras dela. Ela escreveu o livro Vila Montanha Tempestuosa, que foi muito elogiado nos últimos dois meses.
— Gostei do livro, principalmente da calma Lady Sissi — respondeu Audrey com um leve sorriso.
Enquanto isso, ela estava revirando os olhos interiormente para sua própria hipocrisia.
Isso porque seu último hobby não tinha nada a ver com romances. Ela havia parado de ler Vila Montanha Tempestuosa há um mês, tendo seu progresso parado na marca de um terço.
Desde que ingressou no Clube de Tarô e se familiarizou com o poderoso Louco e se tornou uma verdadeira Beyonder, ela passou a mergulhar no conhecimento de misticismo, e, além disso, também estava estudando sistematicamente sobre psicologia, tendo perdido o interesse em outras atividades.
Sorrindo, Glaint guiou Audrey para um sofá no salão.
— Tenho certeza de que a senhorita Fors Wall vai deixar uma boa impressão em você, pois ela é como Lady Sissi de Vila Montanha Tempestuosa: calma, intelectual e preguiçosa.
— Além disso, minha querida senhorita Audrey, você vai tocar piano para nós mais tarde? Esse é a maior honra para um romance e literatura.
Audrey olhou para o perfil lateral do rosto de Glaint. Sua expressão, tom e linguagem corporal transmitiam sua intenção de se exibir.
Ele quer me usar para se exibir… — pensou Audrey consigo mesma, como se tivesse acabado de conhecer esse seu amigo pela primeira vez.
Ela manteve seu sorriso elegante e disse:
— Meu professor de música, o pianista Sr. Vicanell, disse que minhas habilidades se deterioraram recentemente e precisam de mais prática.
— Tudo bem. — Glaint estava se perguntando o que dizer quando de repente viu uma senhora pegando uma sobremesa da mesa comprida. — Audrey, esta é a senhorita Fors Wall, a autora de Vila Montanha Tempestuosa.
Audrey olhou na direção de senhorita Fors Wall, que tinha cerca de 23 anos e 1,65 metros de altura. Ela estava usando um vestido amarelo claro com babados, e seu cabelo castanho era ligeiramente encaracolado. Ela olhou para a autora Beyonder com seus olhos azuis claros enquanto Glaint a apresentava com um sorriso que parecia pensativo.
Audrey notou vários pequenos detalhes nos menos de três segundos de observação.
Há leves traços de amarelo nos dedos da Srta. Fors… Ela gosta de cigarros…
Há calos visíveis em seus dedos nos locais usados para segurar uma caneta, detalhe que encaixa em sua identidade como autora…
Os movimentos do braço mostram que ela tem certa força física. Essa não é uma qualidade esperada de uma autora, a menos que seja apaixonada por exercícios. Talvez ela tenha nascido assim, ou possa ter se envolvido em alguma outra ocupação no passado…
Ela exibiu seu estilo calmo, racional e preciso em Vila Montanha Tempestuosa, isso deve estar ligado à sua ocupação anterior…
Seus olhos e emoções estão relaxados, me dando a sensação de que ela está nos menosprezando. Essa é a superioridade psicológica que um Beyonder tem sobre um ser humano comum?
Se tiver sido por coincidência que Glaint descobriu sua identidade de Beyonder, ela deveria estar se sentindo ansiosa e apreensiva. Afinal, ela é incapaz de adivinhar a reação dele e o que ele faria a seguir, uma vez que o desconhecido sempre causa medo.
Isso indica que foi ela quem se aproximou voluntariamente de Glaint, tendo aprendido sobre nossos hobbies. Ela deve estar bastante confiante sobre o que vai acontecer a seguir…
Por que um Beyonder abordaria Glaint? Ela precisa de apoio financeiro ou dos ingredientes Beyonder armazenados no cofre? Ou talvez ela precise de ajuda com alguma coisa…
Nesse momento, Glaint estava apresentando Audrey a Fors.
— Madame, esta é a senhorita Audrey que mencionei anteriormente, a joia mais brilhante de toda Backlund. Seu pai é Conde Hall, um assessor de confiança de Sua Majestade e respeitado membro do gabinete.
— Boa tarde, senhorita Fors. Vila Montanha Tempestuosa ainda está ao lado da minha cama até hoje. — Audrey aderiu às regras da aristocracia e fez uma reverência.
Mas ela acrescentou silenciosamente: isso porque não terminei de lê-lo mesmo depois de um mês…
Fors devolveu as gentilezas com simplicidade e disse:
— Boa tarde, Srta. Audrey, sua beleza certamente deixa uma profunda impressão. Acho que já tenho uma ideia para o meu próximo romance. Heh, Visconde Glaint disse que você tem um talento musical excepcional.
Eles apenas trocaram elogios, já que estavam em público.
Depois de assistir Fors continuar em direção à mesa de jantar enquanto olhava para um bolo cremoso, Audrey retraiu o olhar e foi para a sala com Glaint.
Ela se lembrou dos detalhes que havia visto naquele momento e tentou descobrir os motivos da mulher. Ela queria obter alguma vantagem em futuras conversas.
Quando deu um passo à frente, Audrey, que era tão calma quanto uma Espectadora objetiva, pisou em seu vestido e quase caiu.
Nesse momento, sua criada pessoal, Annie, a segurou, permitindo que mantivesse sua graça.
— Senhorita, o design exclusivo deste vestido significa que você não pode andar muito rápido. — Annie chegou perto da orelha de Audrey e a lembrou suavemente.
— Eu sei. — assentiu Audrey em resposta, com o rosto vermelho.
Eu estava muito concentrada em observar os outros que esqueci de olhar onde estava colocando o pé… — ela silenciosamente reclamou, ressentida.
Audrey se encontrou com muitos outros respeitados autores, críticos e músicos pelo resto do salão, mantendo sempre seu sorriso doce e elegante.
Finalmente, depois que seus músculos faciais começaram a ficar doloridos, ela viu o sinal de Visconde Glaint.
Esperando alguns minutos, ela deu a desculpa de precisar usar o banheiro. Levantando seu vestido, se levantou lentamente e saiu do salão.
Depois de confirmar que não havia ninguém a seguindo, ela foi até o escritório no primeiro andar e disse à sua criada, Annie:
— Eu tenho algo a discutir com Glaint. Vigie a porta para mim. Não deixe ninguém entrar.
— Tudo bem. — Annie não achava o pedido estranho, pois sabia que Audrey e Visconde Glaint compartilhavam hobbies semelhantes e costumavam discutir misticismo em um ambiente privado.
Audrey entrou no escritório e trancou a porta. Ela viu Glaint sentado atrás da escrivaninha enquanto brincava com uma caneta. Fors Wall estava em pé na frente da estante, folheando um livro despreocupadamente.
— Vou apresentar as duas novamente. Senhora Fors, uma verdadeira Beyonder. — Glaint largou a caneta e se aproximou.
— É mesmo? — Audrey intencionalmente exagerou seus sentimentos de dúvida.
Fors guardou o livro em seu lugar original e se virou com um sorriso. — Parece que preciso provar.
Ela foi até a porta e estendeu a palma da mão direita, agarrando a maçaneta.
De repente, a visão de Audrey ficou turva. Foi como se ela testemunhasse Madame Fors ficar incorpórea ao passar pela porta.
Ela ficou chocada. Concentrando-se, percebeu que Fors não estava mais em sua posição original.
Alguns segundos depois, a maçaneta da porta girou, e a porta trancada foi aberta. Fors Wall sorriu quando entrou pelo lado de fora. A criada de Audrey, Annie, que não estava longe, não parecia estar ciente do que havia acontecido.
— Que habilidade mágica! — exclamou Glaint.
Audrey respirou fundo e disse:
— Não tenho mais dúvidas.
Ao mesmo tempo, a habilidade que Fors demonstrou permitiu a
Audrey confirmar quais eram seus verdadeiros motivos, já que adquirir dinheiro ou materiais não seriam um problema para um Beyonder assim.
Glaint não tem guardas Beyonder… Fors quer usar os status e recursos disponíveis de Glaint e de mim para conseguir alguma coisa? — Audrey se esforçou ao máximo para atuar como uma Espectadora.
Fors riu e disse:
— Vamos interagir com honestidade. Não nos resta muito tempo.
— Já fui médica em uma clínica e tive a oportunidade de me tornar uma Beyonder. Isso foi há mais de dois anos.
— Espero que possam fazer algo por mim, e a recompensa que lhes darei é permitir que se juntem ao grupo de verdadeiros Beyonders. Vou vender a fórmula de uma poção de Sequência específica e seus materiais correspondentes.
Ao ouvir tal promessa, Glaint não pôde deixar de perguntar:
— O que quer que façamos?
— Eu tenho uma parceira que agora está presa, aguardando o veredicto final. Espero que possam salvá-la, independentemente dos métodos utilizados — disse Fors simplesmente.
Audrey fez uma careta.
— Senhora Fors, as habilidades que você demonstrou devem ser mais adequadas para tal tarefa…
Fors riu e balançou a cabeça.
— Não, não é esse o caso. Ela não pode passar pelos lugares que eu posso. Só consigo entrar regularmente para conversar com ela.
— Além disso, acho que arriscar minha vida para salvá-la não é uma boa ideia. A vida é curta, mas há muito a fazer.
Audrey observou o rosto e a linguagem corporal de Fors. Considerando suas palavras, ela perguntou:
— Entendo. Por qual crime sua parceira está presa?
A expressão de Fors imediatamente se tornou um pouco estranha.
— Minha parceira é uma pessoa muito respeitada que pode fazer os outros concordarem com ela do fundo de seus corações. Ela é gentil e tem um bom caráter. Bem… Uh… Foi porque os meios que ela usou para convencer um bandido foram um pouco exagerados…
Depois de distribuir a missão, Klein seguiu sua rotina original de aulas de misticismo pela manhã e aulas de combate à tarde. A regularidade de sua vida quase o fez esquecer que ele era um membro dos Falcões Noturnos. A “maldição” de encontrar frequentemente incidentes sobrenaturais também pareceu ter desaparecido.
Era sábado, sua vez de guardar o Portão Chanis.
— Você pode desfrutar do café que deixei aqui ou do chá preto na sala dos funcionários. — Dunn examinou a sala com seus profundos olhos cinza.
Klein, que já havia dado uma desculpa para seus irmãos, assentiu com alegria.
— Tudo bem, Capitão. Você com certeza é um cavalheiro generoso. Dunn riu.
— Isso ajudará você a relaxar. Estar tenso o tempo todo não é bom para a saúde. — Ele pegou seu chapéu e sua bengala e caminhou em direção à porta.
Quando estava saindo, ele de repente se virou e disse:
— Esqueci de lembrá-lo, não abra o Portão Chanis, não importa o que você ouça, a menos que seja aberto por dentro.
— Lembre-se, não importa o que ouvir, não importa o que aconteça.
Capitão, isso é um pouco assustador… — Klein ficou tenso instantaneamente. Ele sentiu a escuridão do andar subterrâneo triunfar sobre a luz da lâmpada de gás.
Capítulo 108
Capítulo 108 – Noite adentro
Apesar de ainda não ter amanhecido, o subsolo bem ventilado, mas silencioso e escuro, estava iluminado por lâmpadas a gás. A fraca luz amarela emitida pelas lâmpadas era protegida por um vidro, permitindo que brilhassem constantemente através do túnel vazio e silencioso.
Klein estava sentado na sala de guarda, folheando casualmente os jornais, revistas e livros empilhados em sua frente. Ele também direcionou sua atenção um pouco para fora, para impedir qualquer um de entrar no Portão Chanis.
Seu casaco e cartola estavam pendurados no cabideiro perto da entrada, enquanto que sua bengala estava encostada na parede, onde podia ser facilmente alcançada.
O rico aroma do café impregnou o ar, e Klein não pôde deixar de cheirá-lo. Ele massageava suas têmporas para lutar contra a fatiga pesada que estava sentindo, e também contra o cansaço de seu corpo.
Como um estudante universitário na Terra, muitas vezes dormia às cinco da manhã e acordava ao meio-dia. Nos últimos dois a três anos de sua vida profissional, ele costumava ficar acordado a noite toda, a ponto de poder participar do trabalho energeticamente no dia seguinte. No entanto, era tudo graças aos jogos que eram divertidos demais, aos romances que eram interessantes demais, aos programas de televisão e aos filmes que eram divertidos demais.
Obviamente, este mundo não possuía nenhuma dessas coisas necessárias para ficar acordado a noite toda.
Fala sério, Imperador Roselle. Se você quer ser o melhor, faça isso corretamente. Despeje sua vida limitada em um empreendimento ilimitado. Conduza as pessoas deste mundo para a era da informação! — murmurou Klein silenciosamente. Ele só podia se consolar com a existência de jornais, revistas e romances cada vez mais interessantes.
No começo, ele queria se concentrar em seus estudos para restringir sua sonolência. No entanto, na prática, isso conflitava com seu dever. Uma vez que entrasse nesse estado, ele facilmente ignoraria qualquer movimento externo e qualquer mudança na situação do Portão Chanis.
Ufa.
Klein pegou sua xícara de café e a soprou com cuidado.
Ele tomou um gole e deixou o sabor aromático passar pela boca antes de deixar o líquido fluir lentamente pela garganta.
Café Fermo do Vale da Paz, bastante amargo, mas muito refrescante — elogiou Klein, colocando a xícara de café na mesa.
O Vale da Paz estava localizado no continente sul, uma região que produzia grãos de café de alta qualidade. Atualmente estava sendo disputado pela República Intis e pelo Reino Loen. Ambos construíram colonias nas margens esquerda e direita do Vale da Paz e destruíram o original Reino da Paz.
No silêncio misterioso, Klein casualmente pegou uma revista e percebeu que era a Estética das Damas, que falava sobre moda e namoro.
— Isso deve ser da Rozanne… — ele murmurou, achando graça, enquanto folheava com interesse.
Talvez tenha sido devido ao avanço repentino da tecnologia das câmeras na última década, mas a revista não apenas fazia uso de muitas ilustrações, como também usava imagens monocromáticas em seu conteúdo, assim como os jornais.
Eles convidaram famosas peças teatrais e atores musicais para modelar os encantos e a mágica combinação das roupas. No curto tempo de sete anos, a nova revista regional de Backlund tornou-se uma publicação convencional que se espalhou por todo o país.
O vestido parece bonito, ela também é bonita… — Klein folheava casualmente e não escondeu suas preferências.
Ele era um homem que havia amadurecido normalmente tanto física quanto mentalmente. Ele sempre apreciou mulheres bonitas, mas há muito havia estabelecido seu objetivo: encontrar um caminho para casa. Por isso, se esforçava ao máximo para manter distância do sexo oposto, para não perder o tempo da outra pessoa ou deixar para trás qualquer bagagem emocional.
Quanto aos pedestres, ele era um germafóbico nesse aspecto.
Benson e Melissa já eram algemas que não podiam ser removidas; só lhe restava encontrar os meios para compensar isso no futuro… Klein de repente sentiu seu coração pesado e não pôde deixar de soltar um suspiro.
Quanto mais se afastava de casa, mais se sentia melancólico durante noites tranquilas.
De repente, ele perdeu o interesse em olhar para as belas damas e colocou a revista de lado para então pegar um romance.
— Vila Montanha Tempestuosa, autora: Fors Wall — Klein leu o conteúdo da capa.
A noite tranquila, a fraca luz amarela e o livro encadernado em couro lembraram seus dias de juventude quando ele pegava livros emprestado. Ele continuou a ler simplesmente por causa do sentimento nostálgico.
Vila Montanha Tempestuosa era um romance sobre Lady Sissi, que tinha 1,65 metros de altura e pesava noventa e oito libras (± 44.5Kg). Era a história dela embarcando como professora particular na Vila Montanha Fruys.
— Uma libra é cerca de meio quilo… Essa é Jane Eyre de um mundo alternativo? — Klein passou seus dedos contra o papel liso enquanto tentava adivinhar o conteúdo subsequente.
No entanto, quando pensou que se tratava de um romance, um espírito maligno surgiu na história. Quando acreditou que era uma história de fantasmas, Lady Sissi se revelou como detetive e fez uma dedução maravilhosa.
Quando Klein achou que era definitivamente um romance policial, o personagem principal do sexo masculino levou um forte golpe na cabeça e perdeu a memória. Então, tornou-se um drama de cortar o coração.
…No final, ainda é um livro de romance. — Klein fechou o livro e bebeu um bocado de café.
Tum!
Tum! Tum! Tum!
De repente, uma batida feroz foi ouvida enquanto reverberava no sombrio e silencioso corredor vazio.
Klein pulou em choque e imediatamente ficou tenso.
Ele instintivamente sacou o revólver do coldre de axila, ajustando o cilindro e o cão. Então, ele caminhou lentamente até a porta e procurou a fonte do som.
Tum! Tum! Tum!
Bang! Bang! Bang!
As batidas se tornaram cada vez mais intensas. Klein olhou na direção do som e viu os portões negros, gravados com sete emblemas sagrados, vibrando.
— Parece vir do outro lado do Portão Chanis? — Ele apertou os olhos, seu coração batendo como um tambor.
Bang! Bang! Bang!
Klein viu o Portão Chanis tremer suavemente, e sentiu o enorme impacto que estava aguentando.
— Não pode ser, certo… Estou encontrando algo no meu primeiro dia de guarda? Recebi uma compleição sem sorte depois que transmigrei? — A mão direita de Klein começou a suar frio enquanto segurava o revólver.
Logo, ele lembrou das instruções do Capitão: não abra o Portão Chanis, não importa o que você ouça, a menos que seja aberto por dentro.
Uh, será que se trata de um fenômeno normal? — Klein de repente se acalmou.
Bang! Bang! Bang!
Tum! Tum! Tum!
A comoção do outro lado do Portão Chanis cresceu em intensidade, mas os pesados portões de metal preto apenas tremeram. Fora isso, não mostrava qualquer sinal incomum.
— Isso é normal. Eu quase morri de susto… — murmurou Klein antes de se preparar para retornar à sala de guarda.
Nesse momento, ele ouviu um ruído excruciante. Ele olhou para o pesado Portão Chanis tremendo quando uma abertura apareceu em sua superfície!
Zing!
No barulho estridente, os olhos quase fixos de Klein viram uma figura. Sua altura era do comprimento do braço de um humano, e ele usava um traje típico da realeza clássico, preto e miniaturizado, e havia uma mancha bem visível em sua vestimenta.
Tinha um rosto não tão requintado, olhos negros e lábios bem fechados.
Era um boneco de pano, um boneco de pano de brinquedo!
Naquele momento, quando Klein estava subconscientemente erguendo sua arma para mirar, o boneco de pano se inclinou pesadamente na fenda do Portão Chanis e desenrolou o papel que estava segurando.
Havia muitos símbolos misteriosos no papel, alguns que Klein conhecia e outros que ainda precisava aprender. Juntos, eles formavam um olho vertical!
Klein ainda não tinha entendido a situação quando o boneco de vestimenta real foi subitamente arrastado de volta por uma força disforme para a dentro do Portão Chanis!
Creak!
O Portão Chanis se fechou mais uma vez, sem mais sons de batidas ou pancadas.
O andar subterrâneo recuperou sua tranquilidade e silêncio como se nada tivesse acontecido.
— Eu tenho que informar ao Capitão que o Portão Chanis foi aberto por dentro… Mas que ele se fechou sozinho… — Nesse momento, a clareza mental de Klein retornou e ele sentiu alarme, medo e dúvida.
Alguns segundos depois, ele lembrou o que era o boneco de pano. Já que era um membro oficial dos Falcões Noturnos, ele havia recebido permissão para saber sobre o artefato selado de grau 3 atrás do Portão Chanis.
“Número: 0625.”
“Nome: Fantoche de Pano do Infortúnio.”
“Grau de Perigo: 3. Consideravelmente perigoso. Deve ser usado com cautela. Só pode ser solicitado para operações que exijam três ou mais pessoas.”
“Classificação de segurança: Membro oficial dos Falcões Noturnos ou superior.”
“Método de selamento: Só precisa ser separado dos seres humanos.”
“Descrição: O boneco de pano está usando um traje de realeza, popular por volta de 1300. O traje tem uma mancha quase impossível de remover; não se sabe se a mancha estava presente desde o início.”
“Em alguns casos trágicos de crises financeiras familiares registradas em Tingen, a polícia notou a existência do boneco. Ele sempre era colocado no quarto das crianças, na mesinha ao lado da cama.”
“Alguns Falcões Noturnos aceitaram o pedido e começaram uma investigação sobre o boneco.”
“A avaliação inicial determinou que ele causava infortúnio, fazendo com que as pessoas ao seu redor tivessem azar e se encontrassem em perigo. Finalmente, eles morreriam um após o outro. Levou apenas duas semanas para que o testador chegasse à beira da falência.”
“O boneco não tem traços de vida. Não tem nenhuma inclinação de escapar do selo.”
“Por meio de longos períodos de experimentação, descobrimos que, desde que a pessoa não fique a menos de dez metros dele por mais de meia hora por dia, não será contaminada pelo infortúnio. Se o infortúnio acontecer a alguém, a pessoa terá sua situação imediatamente melhor desde que o infortúnio seja transferido para outra pessoa.”
“Apêndice: O boneco apareceu pela primeira vez na casa de uma senhora idosa, Tess, que morava na rua de Baixo da rua Cruz de Ferro. Ela era fabricante de brinquedos. Devido à idade avançada e à grave doença do marido, com os dois filhos tendo falecido cedo, ela não teve escolha a não ser mudar para a rua de Baixo da rua Cruz de Ferro.”
“Este foi o último brinquedo que ela vendeu. Ela trocou o boneco por um pouco de cicuta venenosa e acabou com sua vida e de seu marido, tendo passado fome por mais de três dias.”
Ao recordar as informações do Artefato Selado 3-0625, Klein se sentiu ainda mais duvidoso e horrorizado.
Não estava escrito que o boneco não tem traços de vida? O documento não dizia que ele não tem nenhuma inclinação de escapar do selo?
O que foi que eu vi agora então?
O que o arrastou de volta no final?
O que o símbolo desenhado no papel que ele desenrolou significa?
A cena anterior era como de um assassino psicótico lidando com sua vítima enquanto a vítima bate com força nos portões e clama por ajuda desesperadamente, apenas para ser arrastada de volta…
Enquanto esses pensamentos o inundavam, Klein decidiu não tomar nenhuma decisão por conta própria.
Ele voltou para a sala de guarda e puxou uma corda.
A corda tensionou, a engrenagem girou, e de repente houve um alarme apressado que tocou no segundo andar da Companhia de Segurança Blackthorn.
Leonard Mitchell e os outros Sem Sono que estavam jogando cartas na sala de recreação imediatamente largaram suas cartas de pôquer e correram para o porão.
Capítulo 109
Capítulo 109 – Dedução
O som de passos correndo entrou nos ouvidos de Klein, o acalmando enquanto ele estava na entrada da sala de guarda.
Leonard chegou primeiro, segurando um revólver. Ele perguntou em uma voz solene:
— O que aconteceu?
Observando Leonard se esforçar para parar, Klein de repente pensou em algo que Rozanne havia mencionado no passado. Três anos atrás, Leonard, que acabara de se tornar um Sem Sono, tentou descer as escadas, apesar de não ter se adaptado ao poder da poção, o que o fez cair e rolar.
Tossindo, Klein apontou para o Portão Chanis e disse:
— Houve um barulho de batida por dentro, que depois se tornou um barulho alto. Então a porta foi entreaberta.
— O portão Chanis foi aberto? — O baixinho Kenley perguntou em choque.
— Sim, uma fenda foi aberta. — Klein continuou sua descrição. Ele viu que Leonard, Kenley e Royale haviam parado de se aproximar da sala de guarda, formando uma formação de arco a alguns passos de distância, vagamente cercando Klein.
Ele parou por um momento antes de perguntar:
— Voces suspeitam de mim?
— Não, não é suspeita. Isso é protocolo. — Kenley balançou a cabeça.
Nessa atmosfera tensa, Leonard manteve sua atitude irreverente, rindo ao acrescentar:
— Houve incidentes como esse em outras igrejas. O Beyonder que vigiava o Portão Chanis perdeu o controle e tocou o alarme antes de matar dois colegas de equipe que vieram ajudar.
— Tudo bem. — Klein não se sentia mais bravo e ofendido por ter sido isolado. Em vez disso, ele perguntou:
— Então, como devo provar que não perdi o controle?
Leonard limpou o sorriso irreverente do rosto e tocou no peito quatro vezes. Com uma voz rouca, ele recitou suavemente:
— Sem roupas e comida, eles não têm abrigo no frio.
— Eles estão encharcados pelas chuvas e se amontoam nas rochas por falta de abrigo.
— Eles são órfãos arrancados do peito, esperança neles perdida; eles são os pobres que foram forçados a sair do caminho correto.
— A Noite Eterna não os abandonou, mas os concedeu amor.
…
A oração santa, porém lamentável, reverberou em torno do andar subterrâneo, fazendo com que os corpos, corações e almas de todos os presentes se sentissem purificados e calmos.
Vendo Klein não mostrar nenhuma reação anormal, Leonard parou de recitar e sorriu.
— Sem problemas. Você ainda é nosso parceiro de confiança.
Madame Royale, que ficou quieta o tempo todo, olhou para o Portão Chanis e perguntou:
— O que você viu quando o portão foi entreaberto?
— Vi um Fantoche de Pano do Infortúnio, aquele que usava uma vestimenta real preta clássica, 3-0625 — respondeu Klein, ainda um pouco assustado. — Mas três segundos depois, um poder sem forma o puxou de volta e o Portão Chanis fechou mais uma vez. O que está acontecendo?
Leonard, Kenley e Royale trocaram olhares.
— Heh heh, estamos no mesmo barco que você. Não sabemos a verdadeira causa. Mas como o Portão Chanis está fechado mais uma vez e não há nada incomum, não devemos entrar nesse momento. Temos que esperar até o amanhecer, pelo Capitão.
Royale acrescentou calmamente:
— Vou esperar aqui e vigiar o portão com você.
— Tudo bem. — Leonard moveu a mão e deu uma risada zombeteira. — Como a pessoa mais poderosa aqui, ficarei também. Kenley, volte ao segundo andar, caso o departamento de polícia tenha um caso de emergência e não possam abrir a porta.
Kenley não falou, apenas assentiu imediatamente e saiu.
Leonard olhou para Klein e Royale.
— Talvez possamos continuar nosso jogo de cartas? É melhor ter algum tipo de entretenimento em circunstâncias como essa, para relaxar.
— Tudo bem. — Klein ajeitou o revólver e o colocou de volta no coldre da axila. Royale não expressou uma opinião, mas acariciou seus cabelos lisos e pretos enquanto entrava na sala de guarda.
Enquanto jogava “Fighting the Landlord”, não, “Fighting Evil”, Klein disse casualmente:
— Fantoche de Pano do Infortúnio, quero dizer, o artefato número 30625, de acordo com sua descrição, não tem traços de vida…
— Haha, três ases. — Leonard mostrou a mão e respondeu com o mesmo tom casual:
— Nos últimos quarenta anos, 3-0625 não exibiu nenhuma característica de um ser vivo. Podemos assumir que as informações estão corretas e fazer nossas suposições com base nisso.
— Passo. Você já tem uma ideia? — perguntou Royale claramente.
Enquanto Klein hesitava em pensar se deveria jogar seus três dois, Leonard tomou um gole de seu café fresco e disse:
— Sim, 3-0625 não deveria ter características de vida, então suas ações hoje devem ter sido influenciado por outro fator. Esse fator também deve ser bastante recente; caso contrário, teríamos observado esse fenômeno há muito tempo.
— Houve algo diferente no Portão Chanis no último mês?
Royale viu Klein jogar seus três dois e ponderou por alguns segundos.
— Há apenas uma coisa diferente: o caderno da família Antigonus e o artefato selado 2-049 foram armazenados atrás do Portão Chanis por uma noite.
Leonard olhou para as cartas na mão, tocou na mesa e disse com um sorriso:
— Se 2-049 pode fazer o Fantoche de Pano do Infortúnio agir de maneira anormal, algo semelhante deveria ter acontecido atrás do Portão Chanis de Backlund há muito tempo. Portanto, suspeito que o problema seja o caderno da família Antigonus.
Klein pensou por um momento e assentiu.
— Essa é a explicação mais provável… Leonard, eu nunca esperei que você fosse tão bom em dedução.
Normalmente, ser um poeta romântico e uma pessoa com excelentes habilidades dedutivas era mutuamente exclusivo…
— Isso é porque ele atualmente gosta de romances policiais — explicou Royale com indiferença. — Dois reis, um Straight Flush de oito para rei. Ninguém quer? Três seis e nada mais.
Ao ver isso, Klein e Leonard se calaram.
Por não se concentrarem no jogo, eles esquecem algo importante.
Royale era o “Mal” desta rodada!
Observando Royale cortando o baralho, Klein aproveitou a oportunidade para perguntar:
— Então, que poder puxou 3-0625 de volta?
Leonard olhou para ele e riu.
— Você realmente acha que os mecanismos defensivos atrás do Portão Chanis consistem apenas na câmara selada enterrada e em alguns guardiões idosos?
— Na realidade, quando o sol se põe completamente, os guardiões já teriam deixado o Portão Chanis e retornado à Catedral de Santa Selena.
— O poder no portão é mais forte à noite e não é mais seguro para nenhuma criatura viva. O poder só enfraquece quando o sol nasce novamente. É também por isso que o Capitão nos pede para não entrar no Portão Chanis, não importa o que ouvirmos.
Em outras palavras, o Capitão havia se esquecido de me dizer o motivo… — Klein pensou um pouco antes de perguntar:
— Mecanismos defensivos, como formações nexus?
Como versões ampliadas de amuletos e encantos?
— Sim. — Royale assentiu enquanto acariciava a borda de suas cartas. — Há uma razão pela qual o Portão Chanis é colocado na catedral central de cada cidade. O portão é mantido pelos seguidores que frequentam essas igrejas todos os dias. Suas orações sinceras permitem que uma parte de sua espiritualidade entre nas formações nexus, e de pequenas contribuições vêm abundância.
— Entendo… — Klein assentiu ao ver que tinha uma mão ruim.
Naquele momento, Leonard riu e disse:
— Não há apenas um mecanismo defensivo atrás do Portão Chanis. As cinzas de Santa Selena estão enterradas lá dentro. Ela era uma Beyonder de alta sequência quando ainda estava viva.
As cinzas de Santa Selena? Cinzas de um Beyonder de alta sequência? Cinzas sagradas? Que utilidade elas tem? — Klein estava tão confuso quanto curioso.
Santa Selena era devota quando a Igreja da Deusa da Noite Eterna estava sendo estabelecida. Ela foi ativa durante a Terceira época e seus feitos foram escritos em muitas escrituras sagradas. Assim, Santa Selena era um nome bastante usado entre os plebeus que acreditavam na Deusa da Noite Eterna.
Leonard parecia ler a mente de Klein enquanto continuava:
— Rumores sugerem que o esqueleto ou as cinzas de Beyonders de alta Sequência ainda contêm um poder incrível. Claro, são apenas rumores.
Klein assentiu, concentrando sua atenção nas cartas em sua mão.
Não houve incidentes incomuns no Portão Chanis pelas próximas horas, mas Klein perdeu exatamente dois soli. Doeu o coração, mas Leonard, que expressou completamente suas vibrações poéticas românticas enquanto jocava, perdeu quatro soli e cinco centavos, deixando Royale como a indiscutível vencedora.
— O sol acabou de nascer, meu turno. — A quieta autora, madame Seeka Tron, entrou na sala de guarda às seis.
Klein escreveu o incidente da noite anterior no livro de registros e retornou à Companhia de Segurança Blackthorn com Leonard e Royale.
Ele se sentia incomumente exausto, mas o Poeta da Meia-noite e o Sem Sono ao seu lado continuavam energéticos.
Essa é a diferença entre as diferentes sequências… — Klein estava prestes a passar pela divisória e dormir um pouco em casa quando viu o Capitão entrar de repente.
— Bom dia, Capitão. — Ele não pôde deixar de bocejar quando o cumprimentou.
Dunn, que usava um casaco preto, tirou o chapéu e olhou para ele com os olhos cinzentos.
— Bom dia. Você deveria voltar para casa e descansar. Aconteceu alguma coisa ontem à noite?
Klein imediatamente fez um resumo sucinto do incidente referente ao Fantoche de Pano do Infortúnio e à dedução de Leonard.
— OK. — Dunn não deu sua opinião. Ele se concentrou em ir ao escritório. — Vou enviar um telégrafo para a Catedral Sagrada.
Ele saiu lentamente da rua Zouteland 36, e respirou o ar fresco da manhã.
Ele se sentiu um pouco mais energizado, lembrando de repente algo que havia esquecido todo esse tempo.
Esqueci de contar ao Capitão e ao resto sobre o pedaço de papel nas mãos do Fantoche de Pano do Infortúnio!
Como eu pude ter esquecido?
Era como se algum poder estivesse me influenciando, me impedindo de contar isso aos outros Falcões Noturnos…
Já passou algum tempo que o caderno da família Antigonus estava presente no Portão Chanis. O Fantoche de Pano do Infortúnio 30625 deveria ter sido afetado há muito tempo. Por que só mostrou comportamento anormal ontem à noite?
Foi porque foi a primeira vez que estive em turno no Portão Chanis?
Ele usou todo o seu poder para me mostrar o desenho no papel?
Qual é o motivo do caderno da família Antigonus?
Isso tem a ver com minha sobrevivência, apesar de ter tido contato com ele? E de ter me tornado um Vidente?
…
Muitas suspeitas passaram pelo cérebro de Klein, o fixando no lugar. Ele não tinha certeza se deveria fingir que não se lembrava de nada e voltar para casa para dormir, ou voltar para a Companhia de Segurança e reportar ao Capitão.
Capítulo 110
Capítulo 110 – Confirmação
Depois de pensar um pouco, Klein decidiu voltar para casa e confirmar algo.
Ele acreditava que, se o Fantoche de Pano do Infortúnio não tivesse lhe mostrado a imagem intencionalmente, o Capitão e o resto definitivamente encontrariam pistas nas investigações subsequentes. Não importaria muito se ele reportasse ou não.
Se fosse o contrário, era algo que merecia cuidadosa consideração.
Isso também era o que Klein queria confirmar.
Ele pegou a carruagem pública sem trilhos para a rua Narciso. Quando chegou em casa, seu irmão Benson e sua irmã Melissa ainda não haviam acordado, já que era domingo. A sala de estar estava escura e silenciosa.
Klein ferveu uma chaleira com água, colocou algumas folhas de chá e bebeu com pão de trigo. Depois, levou o casaco, o chapéu e a bengala em direção à escada.
Ele subconscientemente tomou cuidado com seus passos para evitar fazer barulho.
No instante em que chegou ao segundo andar, viu a porta do banheiro abrir repentinamente e Melissa, que usava um vestido velho, saiu com o rosto sonolento.
— Você está em casa… — Melissa estava esfregando os olhos sonolenta.
Klein cobriu a boca e bocejou.
— Sim, eu preciso dormir. Não me acorde antes do almoço.
Melissa concordou com um aceno e de repente se lembrou de algo.
— Benson e eu vamos à Catedral de Santa Selena rezar e assistir à missa de manhã. O almoço pode atrasar um pouco.
Como crentes não tão devotos da Deusa da Noite Eterna, ela e Benson iam à igreja uma vez a cada quinze dias, enquanto Klein, que era um Falcão Noturno, não havia entrado na igreja desde a última vez que foi seguido pelo membro da Ordem Secreta.
Não, vou à catedral todos os dias, só que fico no andar subterrâneo da catedral… — Klein se justificou inconscientemente.
No momento ele estava mais preocupado que a Deusa o abandonasse como um crente falso. Se sua magia ritualística não respondesse em momentos cruciais, estaria com um grande problema.
Mas então, considerando Velho Neil, a Deusa perdoa bastante os Falcões Noturnos. Hmm. Isso mesmo! — Klein se confortou.
Seus pensamentos dispersos passaram e ele olhou para Melissa. Ele assentiu e sorriu.
— Sem problema. Posso dormir mais tempo.
Passando por Melissa, ele entrou no quarto e trancou a porta atrás de si.
Imediatamente depois, ele se preparou e pegou o punhal de ritual e criou uma barreira selada de espiritualidade.
Ele deu quatro passos no sentido anti-horário enquanto recitava o encantamento e, depois de resistir aos rugidos caóticos, ele apareceu acima do nevoeiro cinzento.
No mundo ilusório e ilimitado, ele era o único espírito vivo sentado no assento de honra da longa mesa de bronze.
Após quase um minuto de silêncio, Klein conjurou um pedaço de pergaminho de pele de cabra e anotou um encantamento de divinação.
A imagem que o Fantoche de Pano de Infortúnio mostrou.
Embora Klein tivesse visto a imagem misteriosa no papel claramente por um momento na noite anterior, ele só conseguiu se lembrar de sua forma grosseira devido à sua ansiedade. Mas isso não era um problema para um Vidente, ele podia reproduzir qualquer coisa que se lembrasse ou tivesse visto uma única vez!
De acordo com a teoria do misticismo, a espiritualidade de alguém se lembrava de tudo o que havia visto. Desde que possuíssem o método apropriado, eles poderiam reproduzir a cena sempre que quisessem.
Klein até achava que a teoria descrita pela Médium Espíritual Daly sobre os Alquimistas da Psicologia fazia sentido. A memória humana era meramente ilhas expostas acima do mar, não podia suportar muito. Portanto, a essência espiritual de uma pessoa lembrava a maior parte da informação e a transformava no subconsciente, que formava todo o oceano.
Enquanto a espiritualidade em si, mesmo que não fosse o oceano inteiro, também incluía toda a região marítima em torno da ilha.
Depois de recitar o encantamento da divinação, Klein se inclinou para trás e adormeceu através de Cogitação.
No mundo embaçado, distorcido e separado, ele viu o Portão Chanis se abrir mais uma vez ao ouvir os barulhos altos.
O fantoche com a vestimenta real preta e clássica se inclinou para a abertura da porta e desenrolou o papel que estava segurando.
No pedaço de papel, havia muitos símbolos misteriosos que formavam coletivamente um olho vertical.
Klein observou atentamente a imagem antes de sair do sonho. Então, com a ajuda da peculiaridade do mundo acima do nevoeiro cinzento e da memória que ainda não havia desaparecido, ele expressou a imagem no pergaminho marrom.
O olho vertical olhou para ele, parecendo sinistro e misterioso.
Klein pensou e escreveu abaixo do olho: “Essa é a chave do tesouro que a família Antigonus deixou para trás”.
Abaixando a caneta, ele desamarrou a corrente de prata enrolada na manga. O pêndulo de topázio pendia estavelmente acima da declaração de divinação e do misterioso olho vertical enquanto ele segurava a ponta da corrente com a mão esquerda. Não havia movimentos óbvios.
Klein fechou os olhos e recitou a frase com a mente limpa.
Depois de sete vezes, ele abriu os olhos e viu o topázio girando em pequenos círculos no sentido horário, junto com a corrente de prata. Isso significava afirmação.
A imagem vertical do olho é realmente a chave para o tesouro que a família Antigonus deixou para trás… — Klein assentiu, pensando profundamente.
Ele bateu os dedos na borda da longa mesa de bronze e murmurou para si mesmo:
— Por causa da morte de Ray Bieber, não há mais descendentes da família Antigonus. Portanto, o caderno me vê, o Vidente que interagiu com ele, mas permanece vivo, como seu herdeiro?
— Afetou 3-0625 e deixou a chave do tesouro com ele, apenas para me mostrar durante meu turno no Portão Chanis?
— Não parece haver nenhum problema com a lógica, mas ainda não parece muito convincente.
— Como o caderno pode ter certeza de que não há mais descendentes da família Antigonus?
— E eu não tenho nenhuma relação com essa família… Para começar, se eu compartilhasse sua linhagem, o Klein original não teria se suicidado.
— Hmm, não parece importar se eu contar isso ao Capitão e à equipe ou não; preciso investigar isso.
Klein então divinou a localização do tesouro da família Antigonus. Mas, sem surpresa, não havia informações detalhadas. Assim como na carta que Sirius escreveu ao Sr. Z, Klein só podia ter certeza de que o tesouro estava relacionado ao pico principal da cordilheira Hornacis e à antiga Nação da Noite Eterna.
Depois de terminar de divinar o que queria, Klein notou que a estrela carmesim da qual ouvira orações anteriormente estava novamente produzindo uma fraca flutuação.
Ele usou o método de responder às orações e tocou a estrela ilusória. Ele viu novamente o jovem de cabelos castanhos que usava o terno preto apertado.
O jovem estava ajoelhado no chão, de frente para a bola de puro cristal, ainda murmurando alguma coisa.
Klein, que havia aprendido propositalmente um pouco de Jotun, finalmente entendeu uma das frases.
— Rezo… Salve… Pai e Mãe.
É realmente Jotun… Onde Jotun ainda é usado no mundo? É uma antiguidade com milhares de anos… Que pena, o misterioso governante acima do nevoeiro cinza é totalmente impotente. Eu não tenho a capacidade de salvá-lo, mesmo que queira… — Klein balançou a cabeça e suspirou, tendo decidido observá-lo por mais um tempo.
Verei o que posso fazer quando aprender mais vocabulário Jotun e entender o que aconteceu com seu pai e mãe… — Klein retraiu sua espiritualidade, a envolveu em torno de si e iniciou a sensação de queda.
Quando voltou ao quarto, dissipou a barreira de espiritualidade, vestiu roupas velhas, mas confortáveis, e deitou-se na cama para dormir um pouco.
Klein dormiu até ao meio dia e meia, quando Melissa terminou de preparar o almoço e bateu na porta.
Depois de uma refeição bastante generosa, ele viu Melissa trazer seu novo vestido e chapéu com véu, parecendo que estava saindo.
— Você ainda tem algo esta tarde? — perguntou Klein, intrigado.
Benson estava sentado no sofá, franzindo as sobrancelhas para os livros de gramática. Ele não levantou a cabeça, mas respondeu por ela:
— A senhora Shaud ao lado disse a Melissa que haverá uma palestra sobre assuntos de família no salão municipal à tarde. Melissa planeja participar e aprender a lidar com questões domésticas diárias.
Melissa assentiu e disse:
— Eu consegui que Selena e Elizabeth se juntassem a mim.
— Que legal. Espero que o professor lhe diga que uma família como a nossa precisa contratar pelo menos uma criada — brincou Klein.
Percebendo que Melissa estava prestes a refutar, ele imediatamente acrescentou:
— Temos que investir nosso tempo limitado em assuntos mais valiosos.
Melissa ficou atordoada. Depois de um tempo, ela franziu os lábios, colocou o chapéu com véu e saiu de casa.
Às duas da tarde, Klein chegou à Companhia de Segurança Blackthorn novamente.
Rozanne e Dunn Smith, que estavam no salão de recepção, perguntaram em uníssono:
— Você não foi para casa descansar?
Klein sorriu.
— Estava indo ao Clube de Divinação, mas fiquei pensando no que aconteceu ontem à noite, então decidi vir aqui primeiro. Alguma resposta da Catedral Sagrada?
Dunn olhou de relance para Rozanne e se virou silenciosamente. Ele passou pela divisória e entrou em seu escritório.
Rozanne fez uma careta para as costas dele e murmurou com raiva:
— Sério, Capitão…
Bem feito! — Klein elogiou silenciosamente. Ele conteve o riso e seguiu Dunn até o escritório.
Klein fechou a porta e Dunn cheirou o cachimbo antes de dizer:
— A Catedral Sagrada determinou que o distúrbio ocorreu por causa do caderno da família Antigonus, que eles reclassificaram como Artefato Selado Grau 1. É uma pena. Isso significa que você não tem mais autorização de segurança suficiente para lê-lo.
Grau 1. Altamente perigoso. Somente postos acima dos bispos e capitães de equipe de Falcões Noturnos podem saber da situação real? Isso também significa que o Capitão não tem ideia do que está acontecendo… Altamente perigoso, não me admira… — Klein se sentiu arrependido, mas relaxado.
Dunn olhou para ele e continuou:
— A Catedral Sagrada nos disse para verificar se há outros itens atrás do Portão Chanis que foram contaminados pelo caderno. Após a verificação, apenas 3-0625 estava anormal e já trocamos de selo.
— Descobriram mais alguma coisa? — Klein fingiu perguntar com curiosidade.
Dunn balançou a cabeça.
— Não.
Klein assentiu, pensativo, e não continuou o assunto. Depois de uma pequena conversa, ele se despediu e partiu para o Clube de Divinação para continuar sua “jornada de digestão”.
No salão municipal.
As três melhores amigas, Melissa, Selena e Elizabeth, estavam sentadas perto da porta, esperando o início da palestra.
— Se ela der uma palestra ruim, vamos escapar? — sugeriu Selena animadamente.
Elizabeth concordou imediatamente:
— Vamos às compras no Harrods!
Capítulo 111
Capítulo 111 – Deixando escapar
Algum tempo depois, a palestrante, que tinha as maçãs do rosto relativamente altas, subiu ao pódio de madeira. Ela limpou a garganta e disse:
— Bom dia, gentis e caridosas damas. Eu sou Xaviera Hedda. O que estou prestes a compartilhar com vocês hoje são minhas experiências no gerenciamento de despesas familiares. Existem três partes, a primeira é como uma família com uma renda anual de cem libras deve encontrar o equilíbrio financeiro entre alimentos, moradia, roupas e empregados. A segunda, onde uma família que ganha duzentas libras por ano deve aumentar seus gastos para parecer mais decente…
Melissa ouviu atentamente. Ela tinha a renda anual de seus irmãos na ponta da língua.
Já é mais de duzentas libras… — ela pensou, metade em alívio e metade em medo.
Ela estava aliviada e satisfeita com sua vida atual, mas também tinha medo de que esse modo de vida desaparecesse em um piscar de olhos.
Nesse ponto, a garota ruiva, Selena, cobriu a boca. Ela disse a suas duas amigas em voz baixa:
— Ela parece acreditar no Senhor das Tempestades. Ela está usando um distintivo da Tempestade de Vento.
Melissa olhou e viu Xaviera usando um distintivo representando ventos violentos e ondas ferozes no peito esquerdo.
Ela explicou rapidamente:
— Sra. Shaud, que me contou sobre esse seminário, também é seguidora do Senhor das Tempestades. Não acho estranho que a oradora também seja seguidora.
— Sim, eu não acho que seja um problema. Estamos aqui para aprender a lidar com orçamentos — Elizabeth concordou com Melissa.
— Mas, fora Melissa, não precisamos, nem temos o direito de governar as finanças de nossas famílias. — Selena fez uma careta.
Elizabeth refutou sem hesitar:
— Mas eventualmente nos casaremos e formaremos nossa própria família.
Selena ficou com um pouco de medo de Elizabeth após o incidente da divinação do espelho mágico. Ela assentiu com vergonha e fingiu ouvir a palestra com atenção.
A palestrante, Xaviera, levantou a mão direita e disse:
— A premissa de qualquer forma de orçamento é respeitar a opinião do homem da família. Eles são a fonte de renda, o pilar da família. Eles enfrentam ansiedade, estresse, problemas e desordem na sociedade, a fim de obter tudo para nós. Portanto, temos que criar um lar sereno, livre de problemas externos. Isso irá permitir que relaxem quando voltarem para casa, e que suas almas sejam purificadas, permitindo que eles estejam mais preparados para enfrentar os desafios que virão…
— Então, como disse o famoso filósofo, sociólogo, estudioso de humanidades e economista Sr. Leumi, uma mulher é o anjo de uma família.
Selena acariciou sua bochecha e traçou suas covinhas enquanto sussurrava com um pouco de agitação:
— Leumi, a pessoa que disse que os humanos nascem livres?
Elizabeth hesitou antes de responder.
— Sim, mas ele é um crente no Senhor das Tempestades.
Nesse ponto, a palestrante, Xaviera, continuou:
— Sr. Leumi também nos informa que as mulheres são imperfeitas no que diz respeito à inteligência e à lógica. Nesse caso, incapazes de julgar por si próprias se devem aceitar o julgamento do pai e do marido como o da igreja…
Melissa, Selena e Elizabeth se entreolharam, sem palavras, depois de ouvirem essa descrição.
— Vamos? — Selena finalmente sugeriu.
Melissa e Elizabeth assentiram.
— Tudo bem!
Elas pegaram seus chapéus com véu e se curvaram, se esgueirando para a porta lateral na tentativa de sair sem atrair nenhuma atenção.
Quando chegaram cautelosamente do lado de fora e finalmente podiam se erguer, de repente ouviram uma explosão de aplausos vindos do pequeno salão.
Melissa instintivamente olhou de volta para o corredor.
Ela viu a sra. Shaud, assim como muitas outras damas, aplaudindo.
Ufa! Louvada seja a Dama… — Melissa exalou. Ela deixou o lugar desconfortável junto com Selena e Elizabeth.
— Vamos ao Harrods? — sugeriu Selena enquanto estava embaixo de uma árvore. Ela já havia esquecido o que acabou de acontecer.
Melissa ficou em silêncio por alguns segundos antes de dizer:
— Estou pensando em voltar para casa e estudar.
— Estudar… — Selena brincava com seus cabelos ruivos, como se tivesse voltado à sua vida normal.
— Além disso, tenho que comprar pão, carne, batatas e frutas… Klein precisa trabalhar hoje e Benson foi à biblioteca municipal. Então, é, tenho que voltar! — De repente, Melissa percebeu o quanto ela amava seus livros, suas engrenagens e molas.
Selena decidiu manter distância da Melissa usualmente estranha. Ela se virou para olhar para Elizabeth e sorriu obedientemente:
— Vamos juntas ao Harrods? Mesmo tendo gasto todas as minhas economias, ainda é maravilhoso ver as vitrines.
— Tudo bem. — Elizabeth aceitou a sugestão e perguntou casualmente:
— Melissa, seu irmão, Klein, tem que trabalhar aos domingos?
— Sim, ele descansa às segundas-feiras, diferente dos trabalhos comuns. — Melissa, sem perceber, levantou a cabeça levemente.
Depois de deixar a Companhia de Segurança Blackthorn, Klein pegou uma carruagem pública para a rua Howes.
Ele se esforçou ao máximo para reprimir suas emoções, para não pensar sobre o tesouro da família Antigonus. Ele tentou focar sua atenção novamente na atuação.
Era importante digerir completamente a poção o mais rápido possível! Melhorar a si mesmo era extremamente importante, não importa quando!
Agir como um Vidente, heh! Não sou bom o suficiente. Os cartomantes da Terra tinham que passar pelo almanaque o tempo todo antes que realizassem alguma coisa… — Klein segurou sua bengala enquanto se sentava dentro de uma carruagem.
Ele havia decidido divinar se seria benéfico ir ao Clube de Divinação hoje.
Isso é mais digno de um vidente!
Ao descer da carruagem, Klein pegou uma moeda de meio centavo. Seu campo de visão se estreitou, suas pupilas ficaram mais escuras e ele silenciosamente recitou: É um bom dia para ir ao Clube de Divinação hoje.
É um bom dia para ir ao Clube de Divinação hoje.
…
Dang!
Klein jogou a moeda. Ele não olhou para a rotação da moeda, estendendo a mão calmamente.
Thunk!
A moeda caiu no meio da palma de sua mão.
Desta vez, o número 1⁄2 estava voltado para cima.
O número voltado para cima significa que hoje eu encontraria um incidente infeliz no Clube de Divinação… — Klein pensou por um momento antes de se virar para o lado oposto da rua. Ele esperou a carruagem pública sentido a rua Narciso.
Ele se sentia cada vez mais como um charlatão.
Rua Howes, na entrada da Loja de Departamentos Harrods.
Selena estava prestes a entrar no estabelecimento quando de repente congelou e olhou para o lado.
— Algum problema? — Elizabeth perguntou, intrigada.
Selena bufou as bochechas e disse:
— Elizabeth, pensei no meu professor de misticismo, Sr. Vincent. Ele faleceu assim, na manhã seguinte ao meu aniversário…
— Poderia ser porque eu espiei e usei seus encantamentos secretos? Sempre me senti culpada e desconfortável por causa disso… Além disso, tenho sido muito azarada recentemente.
— Então? — perguntou Elizabeth calmamente.
Selena mordeu os lábios e disse:
— Gostaria de fazer uma divinação no Clube de Divinação alí e ver se a morte do Sr. Vincent teve algo a ver comigo.
Pelo que aconteceu no meu banquete de aniversário… Tenho essa sensação incômoda de que Elizabeth está escondendo algo de mim… Lembro-me das costas de um homem de smoking… — Não pode divinar você mesma? — perguntou Elizabeth, surpresa.
Selena suspirou, imitando o pai.
— Ah, eu não posso divinar, dada a minha condição atual.
— Tudo bem, vamos primeiro ao Clube de Divinação. — Elizabeth concordou com a sugestão de sua amiga.
Eles foram para o lado e chegaram ao Clube de Divinação no segundo andar, seguindo as escadas.
— Olá, boa tarde, Senhorita Angelica. É um prazer encontrá-la novamente. — Selena fez uma saudação animada na recepção.
Angélica sorriu e disse:
— Você poderá me encontrar aqui desde que venha depois do almoço.
Selena trocou gentilezas antes de lamentar a morte de Hanass Vincent e disse:
— Preciso de uma divinação.
— Conhece as regras do clube. Aqui está a lista de membros disponíveis… É fim de semana, então a maioria dos nossos membros está aqui — explicou Angélica como um relógio.
Selena e Elizabeth juntaram suas cabeças enquanto examinavam a lista de nomes e descrição juntas.
— Eu costumava pedir meu professor diretamente. E pensar que o clube teria tantos membros dispostos a fazer divinações em comparação com o ano passado — disse Selena, animada.
De repente, ela parou por alguns segundos e disse perplexa:
— Klein Moretti, Klein Moretti?
— Este nome não é igual ao irmão de Melissa?
Elizabeth congelou. Ela olhou repetidamente para o nome “Klein Moretti” e assentiu:
— É verdade…
— Senhorita Angelica, o Sr. Klein Moretti está? — perguntou Selena com um brilho nos olhos.
Angélica balançou a cabeça.
— Minhas desculpas, o Sr. Moretti não veio ao clube hoje.
— Tudo bem, vamos encontrar outra pessoa. — Selena não se importava de não ver a pessoa, mas ela riu da amiga. — Eu sei que esse não pode ser o irmão de Melissa, mas, tendo visto esse nome, pensei naturalmente em um jornal; uma manchete digna da
Imprensa Intis.
A Imprensa Intis foi criada pelo imperador Roselle, famoso por suas manchetes atraentes. Era um dos jornais mais famosos do Continente Norte.
Elizabeth perguntou desatentamente:
— Que manchete?
Selena pigarreou e disse:
— É a deterioração da moral ou um problema com a sociedade? O graduado em História acaba fazendo divinações nos fins de semana para pagar as contas!
Capítulo 112
Capítulo 112 – Explicação de Azik
Backlund, Burgo Imperatriz.
Audrey Hall sentou-se em um balanço em um canto onde batia brisa e olhou para as flores que desabrochavam sob o sol enquanto pensava no pedido de Fors Wall.
De acordo com Visconde Glaint, realmente havia uma jovem garota chamada Xio Derecha apreendida em uma prisão temporária localizada no Burgo Norte de Backlund.
Ela foi acusada de agressão grave contra um cavalheiro decente devido a um conflito financeiro. Ela fez com que o homem ficasse acamado, e ele talvez não conseguirá mais andar.
Referente ao assunto, a explicação de Fors era que o cavalheiro não era uma pessoa decente, mas o chefe de uma gangue no Burgo Leste de Backlund, ganhando a vida com usuras.
A causa do incidente foi quando um dos mutuários descobriu que os juros eram muito maiores do que esperava, tanto que era impossível devolver a quantia em dinheiro, mesmo depois de ter falido. Quando sua discussão com o cavalheiro terminou sem resultados, ele encontrou a famosa intermediadora, Xio Derecha, esperando que ela pudesse convencer a outra parte a renunciar à quantia irracional do empréstimo.
Porém, o cavalheiro não respondeu bem às tentativas de arbitragem de Xio e até ameaçou capturar a esposa e os filhos do mutuário naquela mesma noite. Por isso, Xio Derecha mudou de tática e optou por usar meios físicos; porém, acidentalmente, ela causou graves danos ao homem.
Visconde Glaint investigou o assunto e confirmou que Fors Wall estava dizendo a verdade; e também ficou sabendo que o gângster havia perdido o controle de seus subordinados. Além disso, após uma visita de alguém à meia-noite, as dívidas do mutuário haviam sido quitadas. Um depoimento foi enviado ao promotor para pedir misericórdia por Xio Derecha. No entanto, um caso de agressão de tal gravidade não foi descartado, mesmo depois da vítima ter decidido não prosseguir com o julgamento.
Glaint desejava resolver o problema por meios normais. Ele enviou pessoas para conversar com advogados que conhecia, mas eles só estavam confiantes em conseguir uma sentença mais leve, e que seria muito difícil absolvê-la do crime, a menos que ela consiga um atestado médico afirmando que ela é mentalmente incapaz ou mentalmente subdesenvolvida… — Audrey murmurou para si mesma, concordando com a opinião de seu amigo.
Para ela, era melhor não ter nenhum relacionamento com Fors Wall e Xio Derecha. Desde o Clube do Tarô, Audrey sentia que não era mais uma jovem inocente e ingênua.
Amanhã à noite, haverá uma dança na residência do Conde Wolf. Devo dizer a Glaint para agir de acordo com a sugestão do advogado. — Audrey assentiu levemente enquanto tomava uma decisão.
No Reino Loen, os advogados eram advogados ou procuradores. Este último não precisava se envolver em assuntos judiciais e era responsável por reunir evidências, conversar com as partes envolvidas, estabelecer testamentos em nome de seus clientes, supervisionar a alocação de propriedades e fornecer consultoria jurídica. Obviamente, eles também poderiam representar seus clientes e comparecer ao tribunal de magistrados mais básico para defender casos simples.
Os advogados, por outro lado, eram responsáveis por pesquisar evidências e defender seus clientes em tribunal. De acordo com as leis do Reino Loen, eles tinham que manter uma atitude objetiva e não podiam entrar em contato direto com o litigante. Só podiam se comunicar com eles através de seus assistentes, que eram procuradores, para obter uma compreensão completa da situação. Todos eram verdadeiros especialistas em direito possuindo excelentes habilidades de comunicação e eram hábeis em debate.
Audrey, relaxada, observou as flores coloridas do lado de fora, escondidas na escuridão, quando se lembrou de algo.
Atestado médico afirmando que era mentalmente incapaz… Psiquiatra…
Se os Alquimistas da Psicologia compreendiam sobre a “atuação”, isso significa que eles podem ser encontrados entre os psiquiatras?
Audrey sentiu que sua linha de pensamento estava no caminho correto e seus olhos brilharam como uma pedra preciosa.
Nesse momento, ela viu sua golden retriever, Susie, esgueirar-se para trás dos arbustos de flores, para um lugar onde apenas o jardineiro seria capaz de alcançar.
Susie… O que ela está fazendo? — Audrey se escondeu nas sombras e olhou, aturdida.
O olfato da golden retriever parecia confundido pelas flores ao seu redor e ela não notou sua dona atrás de si. Abrindo a boca, ela produziu sons parecidos com exercícios de voz.
Então, fez com que o ar circundante vibrasse em palavras espasmódicas e roucas.
— Olá.
— Como você está?
…
Audrey ficou de boca aberta, se esquecendo completamente dos modos que uma dama elegante deveria ter. Ela não conseguia acreditar na cena diante dela e na voz rouca que havia acabado de ouvir.
De repente, ela se levantou e perguntou:
— Susie, você pode falar? Quando você aprendeu a falar?
A golden retriever pulou de susto e se virou para olhar para sua dona.
Ela balançou o rabo, rápida e nervosamente. Ela abriu e fechou a boca algumas vezes, vibrando o ar circundante.
— Eu… eu não sei explicar. Eu sou um cachorro, afinal.
Ao ouvir isso, Audrey ficou subitamente sem palavras.
Segunda de manhã, Klein seguiu seu plano de revisar e consolidar seu conhecimento sobre misticismo. Então, ele pegou uma carruagem pública para a Universidade de Khoy.
Ele queria aumentar suas interações com o Sr. Azik e descobrir exatamente o que ele sabia.
No prédio cinza de três andares do departamento de história, Klein e seu professor, Cohen Quentin, conversaram um pouco e trocaram informações sobre as ruínas históricas no pico principal da cordilheira de Hornacis.
Não tendo aprendido nada de novo, ele aproveitou a oportunidade para entrar no escritório na diagonal oposta depois que seu mentor partiu para lidar com outros assuntos. Ele então foi até a mesa de Azik.
— Sr. Azik, posso conversar com você? — Ele perguntou ao homem de pele bronzeada, características faciais suaves e a pequena verruga abaixo da orelha direita. Ele tirou o chapéu e se curvou.
Com olhos que pareciam ter visto as vicissitudes da vida, Azik arrumou seus livros e respondeu:
— Claro, vamos passear pelas margens do Khoy.
— Tudo bem. — Klein segurou sua bengala e o seguiu para fora do prédio cinza de três andares.
Ao longo do caminho, eles mantiveram o silêncio; nenhum deles falou.
Quando a água do rio entrou em sua visão e não havia professores ou estudantes por perto, Azik parou de repente. Ele se virou um pouco, encarou Klein e perguntou:
— Em que eu posso ajudá-lo?
Klein permaneceu em silêncio por um longo tempo, pensando em várias maneiras sutis de fazer suas perguntas, mas desistiu de todas elas.
Portanto, ele falou com franqueza e perguntou diretamente:
— Sr. Azik, você é uma pessoa confiável, um cavalheiro respeitável. Gostaria de saber o que você pode ver em mim, ou devo dizer, o que você sabe? Estou me referindo ao incidente anterior quando disse que havia algo desarmônico no meu destino.
Azik abaixou a bengala e suspirou enquanto ria.
— Eu nunca esperei que você fosse tão direto. Não sei nem como responder.
— Para ser sincero, a desarmonia no seu destino foi a única coisa que pude ver. Fora isso, não sei mais do que você.
Klein hesitou e perguntou:
— Mas como você sabia? Não acredito que isso tenha sido a partir de divinação.
Azik olhou de soslaio para o rio Khoy. Sua voz estava impregnada com um tom deprimido.
— Não, Klein, você não entende. Divinação pode atingir esse nível, depende apenas da pessoa responsável por ela. Claro, minha divinação era apenas uma desculpa.
— Algumas pessoas são… especiais, elas nascem com alguma habilidade estranha. E eu acho que sou alguém assim.
— Você acha? — Klein percebeu agilmente a palavra que o outro homem usou.
— Sim, não tenho certeza se nasci com ela. Talvez o preço de minha habilidade seja esquecer a mim mesmo, esquecer meu passado, esquecer meus pais. — Os olhos de Azik estavam encobertos de melancolia enquanto olhava para o rio.
Klein estava cada vez mais confuso.
— Esquecer o passado?
Azik sorriu sem humor.
— Antes de entrar no departamento de história da Universidade de Backlund, perdi a maior parte da minha memória. Só me lembrava do meu nome e sabia alguns conhecimentos básicos. Felizmente, ainda tinha meus documentos de identificação, caso contrário, provavelmente teria acabado sem casa. Por todos esses anos, tentei procurar meus pais usando meus documentos de identificação, mas nunca encontrei nada, mesmo podendo ver um pouco do Destino.
— Durante meus poucos anos na universidade, gradualmente percebi que possuía poderes estranhos, mas únicos; poderes que vão além do senso comum.
Klein ouviu atentamente e perguntou:
— Sr. Azik, por que você perdeu a memória? Não, quero dizer, você descobriu por que perdeu a memória?
Ele suspeitava que o Sr. Azik fosse um membro da Escola da Vida do Pensamento que havia perdido suas memórias, e que ele poderia até ser um Beyonder de sequência intermediária que ocupava uma posição acima da média. Era uma organização secreta que tinha as sequências de poções para Monstro e Profeta. Era uma organização que transmitia seus conhecimentos e princípios principalmente por meio de relacionamentos mestrediscípulo.
Azik balançou a cabeça vigorosamente.
— Não, parecia que eu tinha acabado de dormir, esqueci tudo o que aconteceu no passado.
Ele avançou alguns passos com a bengala na mão, falando enquanto caminhava.
— Depois que deixei Backlund, comecei ter sonhos. Sonhei com muitas coisas estranhas…
Sonhos? Eu sou bom em interpretar sonhos! — A conversa estava entrando no domínio de especialização de Klein e ele imediatamente perguntou:
— Que tipo de sonho?
Azik soltou uma risada abafada e disse:
— Muitos tipos diferentes de sonhos Às vezes, eu sonhava com o interior de um mausoléu escuro. Sonhos com caixões antigos com cadáveres, com penas brancas crescendo em suas costas. Às vezes, sonhava ser um cavaleiro coberto com armadura, segurando uma lança de três metros de comprimento enquanto atacava o inimigo.
— Às vezes, sonho como se fosse um senhor feudal, tendo um feudo rico e fértil, com uma linda esposa e três filhos. Às vezes, sonho comigo mesmo como um vagabundo, andando por uma estrada lamacenta na chuva, sentindo frio e com fome.
— Às vezes, sonho ter uma filha, uma filha diferente das crianças anteriores; de cabelos pretos longos e lisos e que gosta de sentar no balanço que fiz. Ela sempre pede doces para mim. Às vezes, sonho comigo mesmo ao lado da forca, olhando friamente para um cadáver pendurado.
Ouvindo Azik delirando como um louco, Klein de repente percebeu que não podia interpretar os sonhos porque seus vários sonhos simbolizavam coisas opostas e contraditórias!
Azik retraiu o olhar, sua voz não mais etérea.
— O Reino Feynapotter, no sul, acredita na Mãe Terra, e a Igreja da Mãe Terra promove uma crença. Eles acreditam que toda vida é uma planta, absorvendo os nutrientes da terra, crescendo lentamente, prosperando e murchando.
— Quando elas murcham, essas vidas caem na terra e retornam aos braços da mãe. No próximo ano, elas crescem novamente. Elas então florescem e depois murcham, ano após ano. A vida é assim, uma vida após a outra.
— Às vezes, estou bastante disposto a acreditar nesse conceito. Acredito que, devido à minha singularidade, posso sonhar com vidas anteriores e com as vidas anteriores a elas.
Nesse ponto, ele olhou para Klein e disse com um suspiro:
— Eu não mencionei nada disso para Cohen. A razão pela qual estou lhe dizendo é porque eu…
Azik fez uma pausa e sorriu.
— Peço desculpas. Minha descrição anterior não foi precisa o suficiente. A desarmonia em seu destino não é a única coisa que pude ver. Também posso ver outra coisa.
— Klein, você não é mais uma pessoa comum. Você possui um poder extraordinário e estranho, muito semelhante ao meu.
Capítulo 113
Capítulo 113 – Pergunta
Sr. Azik sabe que sou um Beyonder? Sua habilidade é realmente poderosa… — Klein congelou por um momento antes de responder honestamente.
— Sim.
Ele pensou um pouco antes de acrescentar:
— Por causa do que aconteceu com Welch e Naya.
— É como eu pensava… — Azik suspirou. — Havia duas pessoas com poderes extraordinários no grupo de policiais que vieram interrogar eu e Cohen.
Provavelmente o Capitão e Leonard. Eles eram os responsáveis pelo do caso de Welch… — Klein assentiu levemente, sem interromper Azik.
Azik levantou sua bengala e disse:
— Você deve ter entrado no círculo deles. Espero que possa me ajudar a procurar pistas sobre a minha origem; não precisa fazer nenhum esforço adicional, apenas me informe se encontrar qualquer pista.
Ao dizer isso, Azik deu um sorriso amargo.
— Eu não conheço nenhuma outra pessoa com poderes extraordinários… Você não pode imaginar que emoções um homem sem passado tem. É como um barco flutuando em um vasto oceano. A coisa mais assustadora não é enfrentar uma tempestade, mas não conseguir encontrar um porto. A incapacidade de navegar para uma costa. Tudo o que pode fazer é enfrentar desastre após desastre, sem fim à vista, nunca podendo sentir paz ou segurança.
Não, Sr. Azik, eu sei como é, estou em uma posição semelhante. Felizmente para mim, tenho os fragmentos da memória do Klein original, assim como Melissa e Benson… — pensou Klein silenciosamente antes de perguntar:
— Sr. Azik, por que não ingressou em um grupo semelhante sendo que possui uma habilidade mágica e procurou por pistas você mesmo?
Azik olhou nos olhos de Klein e sorriu de maneira melancólica.
— Porque tenho medo… tenho medo da morte.
Ele suspirou e continuou:
— Eu me acostumei a viver assim; gosto da minha vida. Não tenho coragem de correr esse risco, então posso apenas contar com você.
Klein não continuou o assunto. Ele apenas prometeu:
— Prestarei atenção especial se me deparar com alguma pista.
— Certo, devemos voltar ao escritório. Que tal almoçarmos junto com Cohen quando ele terminar o trabalho? Você se lembra? O restaurante East Balam na universidade é muito bom. Heh, é por minha conta. — Azik levantou a bengala e apontou para uma direção.
Minhas desculpas, eu realmente não tenho lembranças disso. Como poderia o Klein original, sendo um estudante, ter conseguido frequentar o Restaurante East Balam? Mesmo se Welch estivesse pagando, ele ainda assim recusaria ir a um lugar tão caro… — Klein apertou o chapéu e retornou ao terceiro andar do edifício de pedra cinza, junto com Azik, onde o departamento de história era situado.
Alguns passos depois, Azik falou de repente:
— Estarei em férias de verão depois que concluir todo o meu trabalho na universidade. Você pode me visitar em minha casa ou escrever para mim.
Klein assentiu e disse casualmente:
— Sr. Azik, pensei que você iria para a Baía de Desi para passar as férias.
— Não, está muito quente no Sul no momento. Não gosto do que chamam de banho de sol. Olhe para minha cor, eu bronzeio facilmente. Prefiro ir para o Condado de Inverno, ao norte do Império Feysac para esquiar, passear ou caçar focas. — Azik, que tinha um tom de pele bronze, sorriu ao responder.
Eu também iria… — Klein, que havia acabado de se juntar aos Falcões Noturnos, revelou um olhar de inveja.
Depois do almoço, Klein voltou para casa e tirou uma soneca antes de começar sua revisão e estudos sobre talismãs e amuletos. Ele esperava entender rapidamente para poder criar objetos que pudessem pelo menos ser usados em batalha para ajudá-lo.
Quando era quase três da tarde, Klein guardou as coisas e selou a sala com uma barreira de espiritualidade.
No majestoso salão divino, acima do nevoeiro cinzento, havia uma manchada mesa comprida e antiga.
Klein estava sentado no assento da honra, seu rosto envolto pela névoa espessa. Ele olhou para os ainda obscuros Justiça e Enforcado enquanto eles apareciam em seus assentos designados.
Hummm, as emoções da senhorita Justiça não parecem muito estáveis. Preocupação, inquietação e ela está pouco perdida … — Klein observou o único membro feminino do Clube de Tarô com sua Visão Espiritual.
Palavras não podiam descrever as emoções de Audrey Hall. Ela ficou extremamente chocada com o repentino discurso de Susie.
Ela havia imaginado um futuro como uma grande detetive ou famosa psicóloga trazendo consigo sua assistente Susie, mas se esse fosse o detetive de cães Susie trazendo sua assistente Miss Audrey, seria um pouco, um pouco…
Não, nem um pouco, seria muito estranho! Isso me deixa perdida! — Audrey de repente arrumou sua postura. Ela queria pedir ajuda ao Sr. Louco e ao Enforcado.
Mas ela engoliu as palavras que estava prestes a dizer.
Hmm, como devo perguntar isso? O que devo fazer se meu animal de estimação não for normal?
Como devo interagir com um animal de estimação que é capaz falar, de inteligência razoável?
Não, não, não, este é o Clube do Tarô, não uma reunião para compartilhar experiência sobre animais de estimação. Aposto que a boa impressão que o Enforcado e o Sr. Louco têm de mim seria destruída se eu fizesse essas perguntas!
A mente de Audrey ficou inquieta. Finalmente, ela organizou suas palavras e disse:
— Honorável Sr. Louco e Sr. Enforcado, que me ajudaram todo esse tempo, tenho uma pergunta a fazer. O que um animal de estimação com os poderes de um Beyonder pode fazer por seu dono? Em outras palavras, qual é sua utilidade?
Ela tinha acabado de dizer sua parte quando notou o Sr. Louco e o Enforcado se calarem. A atmosfera ficou um pouco estranha.
Ei, ei, ei, digam alguma coisa, não me olhem com esses olhos, eu não fiz nada! De verdade, eu estava pedindo por um amigo! — Audrey queria cavar em um buraco e se esconder de vergonha.
Ela se arrependeu profundamente de fazer essa pergunta.
Considerando que ela já havia perguntado o que aconteceria se um animal comum consumisse uma poção de Sequência, ela compartilhou a poção que formulou com seu animal de estimação? Parece algo que apenas a Srta. Justiça faria… Me sinto um pouco patético por ser o chefe de um ‘culto herético’ com ela como membro… — Klein levantou a mão direita, a apoiou na testa e tocou duas vezes, sem responder.
O Enforcado Alger Wilson ficou em silêncio por quase vinte segundos antes de responder em um tom estranho:
— Isso depende de que tipo de poderes de Beyonder o animal tem. Por exemplo, se é um Espectador, pode ajudá-lo a observar ou ouvir em certas ocasiões. Como você sabe, a maioria dos humanos são cautelosos, mas nunca suspeitariam que um animal de estimação os espionaria, mesmo que o animal estivesse sentado aos seus pés.
Faz sentido! Papai me evitaria ao discutir assuntos importantes com os nobres, membros do gabinete e outros ministros. Eles costumavam até trancar a porta do quarto. Mas se Susie pudesse se esconder por tempo suficiente para acabar sendo trancada com eles, então ela não seria expulsa… Além disso, muitas mulheres gostam de interagir em círculos sociais privados… — Audrey tinha um brilho nos olhos, vários pensamentos brotando em sua mente.
Além disso, como agora Susie consegue falar, ela pode me contar diretamente o conteúdo das reuniões… Susie é ótima! Eu tenho que te tratar bem. Preciso te ensinar pronúncia e vocabulário adequados…
Hmm, devo ensinar a Susie a pronúncia aristocrática ou um sotaque de Backlund mais normal? Outros cães entenderiam de onde Susie vem quando interagem? Espere, por que estou considerando isso? Susie não usaria a linguagem humana ao interagir com outros cães…
Espere, Sr. Enforcado, por que você usou Espectador como exemplo?
Se-será que adivinhou o que aconteceu?
A expressão de Audrey mudou. Ela recuperou sua postura e sorriu.
— Sr. Louco, encontrei outra página do diário do Imperador Roselle.
Eu consegui de Fors Wall.
— Ótimo, você pagou o que devia — respondeu Klein de bom humor.
— Sinto muito, mas não há muito conteúdo nesta página do diário. — Audrey estava conjurando o conteúdo que lembrava no pedaço de pele de cabra.
Klein levantou a mão e fez o pergaminho de pele de cabra aparecer na palma de sua mão antes de dizer:
— Isso não afeta minha promessa. Além disso, a parte do diário que você me entregou anteriormente tinha duas páginas.
As páginas coletadas por Justiça e o Enforcado não eram originais, elas eram copias de pesquisadores. Alguns copiavam em uma página para fins de registro, enquanto outros mantinham a aparência original do diário por conveniência.
Klein olhou para as poucas linhas de texto na página.
“20 de dezembro. Um novo ano se aproxima, mas o feedback que recebi está me deixando muito confuso e perturbado.”
“Não há petróleo bruto neste mundo! Não há petróleo bruto a ser encontrado!”
Capítulo 114
Capítulo 114 – Os Padrões de um Membro
Sem petróleo bruto? Por algum motivo não foi possível encontrar, ou realmente não existe?
Desde o período em que o Imperador Roselle foi assassinado até hoje, cerca de cento e cinquenta anos se passaram e ainda não há vestígios de petróleo bruto…
As pupilas de Klein se contraíram e sua mão tremia enquanto segurava a página do diário.
A não existência de petróleo bruto não apenas significava que o futuro do motor a combustão interna se tornaria incerto, mas também levaria a um estado de estagnação na indústria química. Em outras palavras, a era industrial moderna da Terra nunca aconteceria aqui!
Em suma, o desenvolvimento deste mundo era incerto para Klein.
Embora não pudesse inventar coisas, ele assumiu que ainda estava em vantagem porque sabia um pouco de tudo e podia prever a direção do desenvolvimento tecnológico. Quando economizasse dinheiro suficiente, poderia fazer um investimento arriscado em um setor que julgava promissor. Além disso, ele não colocaria todos os ovos em uma única cesta.
Klein pensou que era apenas uma questão de tempo até que pudesse possuir uma riqueza substancial. Até lá, ele contrataria as chamadas luvas brancas como representantes para estabelecer fundações internacionais de caridade. Na superfície, eles proporcionariam alívio aos pobres, mas na realidade, estariam estabelecendo e financiando uma revolta, a fim de lutar contra os estratos mais altos da sociedade e melhorar os padrões de vida das pessoas da classe baixa.
Se ele encontrasse um método de retornar à Terra, ele segregaria sua propriedade: um terço para Benson, um terço para Melissa e um terço para sua fundação.
No entanto, era uma pena que sua visão perfeita do futuro tivesse sido instantaneamente meio que destruída.
Felizmente, ainda há eletricidade e magnetismo neste mundo. O telegrama é um exemplo bem-sucedido, eu deveria investir principalmente nisso no futuro… — Klein se acalmou e leu linha por linha.
“21 de dezembro. Não estou mais pensando no petróleo bruto. Avançar meu nível de Sequência é o que importa!”
“22 de dezembro. O ambiente imundo do burgo Richeux é inaceitável. Se eu não tivesse visitado disfarçado, talvez nunca soubesse que o lugar ainda parece o mesmo de quando eu era jovem. Quero reunir todos os meus ministros e formular um “Plano de Aprimoramento de Esgoto e Banheiro Público da Capital”. Hummm, preciso corrigir os maus hábitos das pessoas. Fazer com que sempre fervam a água para o consumo, lavar as mãos e o rosto com frequência, não jogar lixo nas ruas, não fazer xixi e cocô em qualquer lugar, se possível usar camisinha… Haha, já até pensei em como nomear essa campanha: Campanha Patriótica de Saúde!
Portanto, a invenção do preservativo precisa ser feita logo. Também há máscaras, copos de papel, etc… Sim, até a versão mais primitiva seria suficiente. Experimente. Eu tenho que agradecer este mundo por ter pelo menos a arvore da borracha.”
“23 de dezembro. Talvez eu deva considerar essa sugestão. Manter uma rota de escape fora da Igreja do Deus das Artes. Por exemplo, eu poderia me juntar à organização antiga e misteriosa que influencia o mundo das sombras?”
De repente, Klein percebeu que não havia mais nada na página. Suas emoções eram indescritíveis.
Imperador Roselle, qual era o nome da organização antiga e misteriosa que estava influenciando o mundo das sombras? Eu a conheço?
Como você pôde parar aqui? Por que não escreveu mais?
É como quando eu costumava ler romances e lia até o final para depois perceber que o autor havia dropado a história…
Campanha Patriótica de Saúde? O Imperador com certeza sabe se divertir…
O conteúdo do diário deve ter sido escrito depois que ele se tornou Cônsul da República Intis. Ele poderia até já ter se chamado de Imperador César.
Tenho que ler alguns livros quando voltar e folhear alguns textos históricos de outros países para descobrir em que ano o “Plano de Aprimoramento de Esgoto e Banheiro Público da Capital” ocorreu.
Após seus quase vinte segundos de silêncio, Klein reprimiu seus pensamentos e deixou o diário em suas mãos desaparecer no ar.
— Podem começar sua discussão agora.
Audrey deixou escapar um suspiro de alívio e ajustou seu estado para o de um Espectador. Ela sorriu fracamente e disse:
— Gostaria de saber se existe alguma poção de Sequência chamada Árbitro, ou algum tipo de Beyonder que possa atravessar portas de madeira ou tornar fechaduras ineficazes?.
Eu sei… — Envolto no nevoeiro branco-acinzentado, Klein ia responder, mas o Enforcado respondeu primeiro.
— Eu preciso que você me ajude a investigar algo em troca da resposta.
— O que seria? — perguntou Audrey com interesse e curiosidade.
Alger olhou para o Louco e disse:
— Gostaria de saber se o rei tem a intenção de se vingar do Império Feysac e iniciar uma nova guerra na Costa Leste de Balam ainda este ano ou antes de junho do próximo ano.
O Clube do Tarô estava atualmente usando o idioma Loen, o que foi confirmado pelos sotaques do trio na primeira reunião. Portanto, Alger sabia que a srta. Justiça era uma nobre do Reino Loen, enquanto também acreditava que ela sabia que ele também era Loenês.
Quanto ao Louco, Alger acreditava que Seu comportamento como Loenês era apenas um disfarce, um disfarce para facilitar a discussão.
Desde a magia ritualística, Alger começou a usar ‘Ele’ para abordar o Louco educadamente.
Lembrando de tudo o que ouviu em vários eventos sociais, Audrey assentiu com confiança e disse:
— Sem problema, mas eu precisaria de tempo suficiente para ter certeza.
— Eu posso esperar.
Alger sorriu e disse:
— Com o Sr. Louco como testemunha, acredito que você não voltaria atrás em sua promessa.
Audrey olhou para o Louco quieto e misterioso, envolto em névoa cinzenta, enquanto o canto de sua boca se curvava para cima.
— Mas acho que o valor dessa informação vale mais do que as duas perguntas juntas.
— Quando você confirmar a resposta, pagarei uma compensação dependendo da situação — respondeu Alger com uma resposta que havia preparado de antemão.
Senhorita Justiça, Sr. Enforcado, vocês precisam de uma moeda virtual para determinar o valor das coisas? — Klein sorriu e se inclinou para trás enquanto olhava para os dois diante dele.
Audrey relaxou e aplaudiu si mesma em sua mente.
Muito bom! Audrey, você aprendeu a negociar! — Ela estava tão empolgada que quase saiu de seu estado de Espectadora. Pensando rapidamente em algo, ela perguntou:
— Ah, certo, Sr. Enforcado, você recebeu as mil libras?
— Sinto muito, ainda estou navegando. Ainda não retornei à terra. — Alger não estava disposto a falar sobre isso, ele mudou de assunto respondendo à pergunta original:
— O Beyonder capaz de atravessar portas de madeira e burlar fechaduras, provavelmente é a Sequência 9 Aprendiz. A organização secreta, Ordem Teosófica, é quem tem sua fórmula. No entanto, não ignore a possibilidade de ter sido obtida através de outros canais, como uma tumba antiga da Quarta Época.
A Ordem Teosófica, a organização secreta que tem incontáveis laços com a Seita Demoníaca… — Klein esfregou o queixo com o dedo vagarosamente.
Vendo que o Sr. Louco não refutou o que foi dito, Audrey não pôde deixar de suspirar.
— Se eu tivesse encontrado a fórmula de Aprendiz antes, talvez não tivesse optado por Espectador.
O desempenho parece simplesmente excelente!
Alger não se incomodou com a observação da Srta. Justiça, e continuou sua explicação:
— Há também uma poção de Sequência intitulada Árbitro. Acho que você deve estar familiarizada com ela, porque é o caminho de Sequência que a família Augustus e a família Castiya do Reino
Feynapotter possuem. É claro, as fórmulas de baixa Sequência eram usadas como recompensa nos tempos antigos. Alguns nobres podem a ter recebido.
A família Augustus era uma família real do Reino Loen, enquanto a família Castiya era uma família real do Reino Feynapotter.
Então a família Augustus é composta por Árbitros … — Com sua curiosidade sanada, Audrey sentiu que isso havia esclarecido sua suspeita.
Ela suspirou e pensou: Não é de admirar que eu sempre tenha concordado com os arranjos deles, sempre desconfortável, sempre disposta a admitir derrota, como se nunca fosse eu mesma quando estou diante deles! E eu pensei que era porque eu era tímida…
— Um Árbitro tem um charme convincente e uma autoridade considerável, além de uma excelente capacidade de combate que pode lidar com o inesperado — Alger descreveu a situação de maneira simples.
Audrey assentiu devagar e se inclinou para trás. Ela então falou com elegância:
— Não tenho mais perguntas.
Alger pensou e olhou para o assento de honra da longa mesa de bronze.
— Honorável Sr. Louco, eu gostaria de perguntar se a Santa
Residência do Verdadeiro Criador que a Ordem Aurora defende é a lendária Terra Abandonada dos Deuses?
Terra Abandonada dos Deuses? Eu só vi esse termo uma vez no diário de Roselle… Pode estar nos registros secretos dos Falcões Noturnos, mas não é algo que eu possa saber no momento… Como você quer que eu responda? — Klein quase torceu o canto dos lábios.
Ele considerou por um tempo e então respondeu em um tom calmo:
— Isso não é algo que você deva saber agora.
Alger sentiu seu coração apertar, e ele imediatamente abaixou a cabeça e respondeu:
— Por favor, perdoe-me por ultrapassar meus limites.
Audrey queria perguntar sobre a Terra Abandonada dos Deuses, mas também desistiu da ideia quando ouviu isso.
No imenso salão divino acima da névoa cinzenta, o silêncio repentinamente preencheu o ar.
Naquele momento, Audrey sentiu que deveria dizer alguma coisa.
— Sr. Louco, se… e eu estou dizendo se, eu tiver a oportunidade de ingressar em outra organização, como os Alquimistas da Psicologia, é permitido?
Klein manteve a postura inclinada para trás enquanto disse com uma risada:
— Isso não é problema. Minha exigência é que a existência do Clube do Tarô não seja exposta.
— Se você se tornar membro de outra organização, os materiais e informações que pode usar para trocas também aumentarão.
Depois de dizer isso, ele subitamente lembrou que também era membro de outra organização. Ele era um verdadeiro Falcão Noturno, enquanto que o Enforcado provavelmente estava relacionado à Igreja do Senhor das Tempestades.
Meu Clube do Tarô poderia ser o que é chamado de Aliança Rebelde? Reunião dos Traidores? — Klein estava imerso em pensamentos profundos.
— Entendo. — Audrey ficou animada, mas imediatamente pensou em outra pergunta:
— Sr. Louco, se eu encontrasse um cavalheiro ou uma dama adequado para esta reunião, eu poderia orientá-los a participar? Como deveria proceder?
Alger pensou e perguntou:
— Sr. Louco, qual é o requisito para ser um membro desta reunião?
Como podemos determinar?
Ambicioso, ético, culto, disciplinado… — Quatro palavras surgiram na cabeça de Klein instantaneamente.
Ele manteve o silêncio por alguns segundos e só falou quando Justiça e o Enforcado pareciam um pouco desconfortáveis.
— Vocês pode me informar aqui sobre as pessoas que acharem adequadas; eu vou decidir se elas se juntarão a nós. Antes disso, não podem dar nenhuma dica que exponha o segredo da existência do Clube do Tarô. Lembrem-se: para pessoas que não são da Reunião…
Klein fez uma pausa e continuou com uma voz pesada:
— Vocês não devem falar meu nome sem minha permissão.
Capítulo 115
Capítulo 115 – Fraude
— Vocês não devem falar meu nome sem minha permissão.
…
Vários minutos após o término da Reunião, Audrey e Alger, que haviam retornado ao quarto e ao navio respectivamente, ainda podiam ouvir as palavras do Louco ecoando em seus ouvidos.
Sua impressão do misterioso e poderoso Sr. Louco era normalmente relaxada, calma e insondável. Era raro ele adotar uma atitude tão severa e arrogante.
Por isso, eles ficaram excepcionalmente alarmados e se submeteram ao seu desejo sinceramente.
Eles não eram estranhos a palavras assim, mas essas instruções eram normalmente escritas na “As Revelações da Noite Eterna” ou no “Livro das Tempestades”!
No Burgo Oeste da cidade de Tingen, na rua Narciso.
Klein abriu as cortinas e permitiu que a luz do sol penetrasse em seu quarto.
Ele havia inspecionado a estrela que anteriormente enviou uma oração depois que Justiça e Enforcado foram embora, mas não obteve nenhuma informação dessa vez.
Como a estrela carmesim tinha a capacidade de armazenar orações, como enviar mensagens offline, Klein acreditava que o jovem que falava em Jotun não havia rezado novamente nas últimas duas vezes em que entrou no mundo acima do nevoeiro cinzento.
Isso o fez suspeitar que não havia mais esperança para os pais do jovem e que ele havia escolhido desistir…
De costas para a luz do sol, Klein caminhou até a beira da cama e se deitou. Ele não queria se mexer.
Ele sabia que não devia perder tempo e deveria ir ao Clube de Divinação para continuar o processo de digestão da poção, mas não se queria se mexer. Ele se deitou em silêncio em sua cama, aproveitando o raro descanso.
Ele tinha um cronograma completo de terça a sexta-feira: aulas de misticismo e exercícios práticos pela manhã, treinamento de tiro e combate à tarde. Ele estava mentalmente exausto quando a noite chegou. Não houve mudanças em sua rotina matinal no sábado, mas ele tinha que vigiar o Portão Chanis à tarde e ficaria no subsolo até o amanhecer de domingo.
Domingo de manhã era a hora de Klein descansar. À tarde, as circunstâncias determinariam se iria ao Clube de Divinação.
Segunda de manhã, ele foi até a Universidade de Khoy, e realizou a Reunião à tarde. Ele também tinha que pensar na questão de atuar como um Vidente. Em outras palavras, ele esteve ocupado a semana inteira, sem tempo para descansar.
Então, tudo o que Klein queria fazer era descansar, deitado na cama como um perdedor, sem fazer nada exceto sonhar acordado.
Não, como pode o chefe de um culto ser tão inútil? Se a senhorita Justiça e o sr. Enforcado soubessem disso, a impressão deles sobre mim seria destruída… — Klein enfiou o rosto no cobertor e se motivou.
Eu tenho a fórmula da poção Palhaço, tudo o que preciso fazer agora é digerir completamente a poção Vidente…
Ele murmurou para si mesmo repetidamente e depois se levantou.
Klein tirou uma moeda de bronze do bolso e rapidamente divinou se era adequado ir ao clube e obteve uma resposta definitiva.
— Cinco, quatro, três, dois, um!
Após a contagem regressiva, ele se forçou para ficar em pé e foi até o cabideiro antes de escolher seu terno e chapéu.
Na sala de reuniões do Clube de Divinação, na rua Howes.
Klein se sentou em um canto sombreado e tomou um gole de seu chá preto de Sibe enquanto lia o Jornal Honesto da Cidade de Tingen. Não havia muitos membros ao seu redor, apenas seis ou sete.
No momento em que ria do erro gramatical usado em um anúncio de emprego, ele viu Glacis de monóculo entrar com uma cartola de seda na mão. Havia uma dama de azul na casa dos trinta anos ao seu lado.
A dama tinha sobrancelhas curvas e olhos grandes, porém sem brilho. Na mão esquerda, ela carregava um chapéu estilo Intis decorado com penas de um cisne preto.
Esse chapéu é ridículo. Seu pescoço não ficaria dolorido com isso? — notou Klein para si mesmo. Ele olhou e massageou sua glabela, como se estivesse aliviando seu cansaço.
Através de sua Visão Espiritual, ele notou que Glacis e a dama estavam saudáveis mas ansiosos, zangados e perturbados.
— Boa tarde, Glacis. Aquele Sr. Lanevus não era um sujeito de confiança, certo? — Klein perguntou com um sorriso, sem se levantar.
Glacis havia pedido uma divinação sobre o investimento na empresa siderúrgica de Lanevus, e obteve uma sugestão negativa.
Mas, percebendo sua indecisão, Klein acreditava que ele havia assumido o risco de qualquer maneira, ele só tinha esperanças de que o homem não tivesse investido tudo o que tinha. Mas depois de ver as cores de suas emoções, Klein imediatamente fez a associação e o julgamento.
Glacis congelou por um momento, depois soltou um sorriso amargo.
— Eu realmente me arrependo de não ter escutado a sugestão que você divinou para mim. Heh, é a segunda vez que digo algo assim, vamos torcer… não, acredito que não haverá uma terceira vez.
Ele virou a cabeça e olhou para a dama com algumas rugas.
— Madame Christina, veja, o Sr. Moretti já havia adivinhado nosso motivo de vir aqui sem sequer falarmos. Ele é o adivinho mais mágico que eu já vi; estou mais do que disposto a descrevê-lo como um vidente.
— Boa tarde, Sr. Moretti. Viemos aqui precisamente por causa de Lanevus. — Christina fez uma reverência simples, claramente nervosa e perturbada.
— Vamos para a sala Topázio? — Glacis estava mais calmo. Ele apontou para a porta da sala de reuniões com o queixo.
Klein riu e se levantou.
— Esse é o trabalho de um adivinho.
Ele seguiu o caminho para a sala Topázio vazia.
Glacis trancou a porta de madeira e caminhou até seu assento enquanto suspirava.
— Lanevus desapareceu. Ele deu a desculpa de ir ao condado de Sivellaus para supervisionar a escavação e deixou Tingen, para nunca mais voltar. Enviamos alguém para procurá-lo através de uma locomotiva a vapor e descobrimos que a mina de aço em grande escala da qual ele falava só existia no mapa. Felizmente para mim, lembrei de seus conselhos e investi apenas um terço do que pretendia. Caso contrário, teria perdido minha família e minha vida.
As pupilas de Klein estavam mais escuras do que o normal enquanto ele olhava para as duas pessoas em sua frente. Ele perguntou, um pouco curioso:
— Antes de tomar uma decisão financeira tão importante, você não escolheria um representante e verificaria se o que ele disse era verdade sobre a mina no condado de Sivellaus?
Christina respondeu rapidamente:
— Nosso representante foi enganado, enganado pelas pessoas que Lanevus empregava, pelo lugar que alugou e pelas terras que foram cercadas.
Klein não os questionou mais. Ele manteve sua atitude de vidente e perguntou:
— O que você deseja divinar hoje?
— Queremos saber se é possível recuperar nossa parte ou não — disse Christina, olhando para Glacis.
Klein pegou um pedaço de papel e uma caneta-tinteiro.
— Então vamos fazer uma divinação astrolábica. Eu pergunto e vocês respondem.
Entre as perguntas, Klein marcou a constelação Trovejante e os símbolos correspondentes de várias situações antes de completar o astrolábio.
Ele usou mais elementos do que uma pessoa normal faria; o método que ele iria usar para interpretar o astrolábio o aproximaria da verdade.
— Senhora, senhor, agora vocês estão em uma encruzilhada. Se não se contiverem e sucumbirem à sua ganância e ansiedade, irão cair ainda mais no abismo, nunca mais podendo se libertar. Mas se puderem ser pacientes e esperar persistentemente, sem serem gananciosos, haverá uma oportunidade de verem a luz do sol… — disse Klein, seu tom sem pressa.
— Entendi. — Christina assentiu. Ela pensou por um momento antes de peguntar:
— Sr. Moretti, você pode divinar o paradeiro de Lanevus?
— Não, acredito que não. As informações que Lanevus deixou para trás provavelmente são falsas, até seu nome pode não ser real.
Como posso divinar alguma coisa? A menos que possa me dar detalhes muito específicos ou um item que ele carrega consigo o tempo todo — respondeu Klein com sinceridade.
Christina ficou em silêncio por um momento antes de empurrar uma nota de um soli em direção a Klein.
— Ouvi do Glacis que você é um verdadeiro vidente, que é respeitoso e temeroso do destino e não é ganancioso por dinheiro. Pode pensar no resto como gorjeta que estou dando ao clube.
— Obrigado por sua confiança em mim.
Ela se levantou e se despediu antes de sair rapidamente.
Não ganancioso por dinheiro… Não, sou um homem materialista! — Klein lamentou suas ações de agir como charlatão.
Ao ver Christina sair, Glacis fechou a porta e perguntou:
— Realmente não tem jeito?
— Eu te disse o caminho. — Klein sorriu e se recostou.
Glacis suspirou.
— Lanevus desapareceu com mais de 10.000 libras e suas vítimas totalizam mais de cem pessoas. Felizmente para mim, perdi apenas 50 libras. Eram minhas economias e não tenho dívidas. Mas a senhorita Christina investiu 150 libras. Para ela, isso não é uma quantia que possa ser esquecida facilmente.
— Chamaram a polícia? — Klein de repente sentiu raiva da trapaça depois de ouvir a soma de 10.000 libras.
Alguém poderia ser considerado rico, mesmo em Backlund, com essa quantia.
Não sei se a polícia recorrerá à ajuda dos Falcões Noturnos, Punidores a Mandato ou Consciência Coletiva das Máquinas para um caso simples como esse… — pensou Klein, um pouco distraído.
Glacis assentiu e disse:
— Já fizemos um relatório policial do ocorrido; a polícia está prestando bastante atenção neste caso. Após muita discussão, estamos dispostos a usar uma parte do dinheiro que receberíamos como recompensa: 10 libras para quem fornecer pistas sobre o paradeiro de Lanevus. Se puder fornecer uma localização precisa e ajudar a polícia a capturá-lo, a recompensa é de 100 libras!
10 libras por uma pista? 100 libras para pegar Lanevus? — Os olhos de Klein quase brilharam depois que ouviu isso. Sua respiração ficou pesada.
Coincidentemente, ele estava se preocupando em como pagar o detetive no futuro.
Ele mal podia pagar a segunda fase do pagamento com o pagamento extra de três libras que recebeu essa semana, mas se o investigador particular conseguisse concluir sua missão na próxima semana, não teria o suficiente para pagar o que prometeu. Faltariam alguns soli, desde que não precisasse gastar suas economias com outra coisa nesta semana.
Talvez a polícia tenha alguns itens pertencentes a Lanevus. Mas eles não seriam muito úteis se ele já tiver deixado Tingen… — Klein sentiu uma mistura de emoção e decepção.
Na próxima hora e meia, Klein conseguiu mais dois clientes devido à recomendação de Angelica. Um deles era uma divinação para uma criança de um ano de idade. Klein imediatamente desenhou o astrolábio de nascimento correspondente e o explicou, para a satisfação de seu cliente.
O outro estava procurando por um item. Klein usou leitura de tarô, juntamente com divinação dos sonhos, para lhe dar uma área geral. Isso deixou seu cliente muito chocado, pois ele nunca havia visto um adivinho capaz de fornecer informações tão precisas.
Talvez eu possa obter fundos suficientes apenas fazendo divinações para os outros. — Klein, que havia recebido algumas gorjetas, vestiu o chapéu, segurou a bengala e caminhou em direção à saída do clube.
Nesse momento, viu Christina entrar no clube mais uma vez com uma jovem garota usando um chapéu de sol ao seu lado.
Christina viu Klein e imediatamente se aproximou dele. Ela perguntou suavemente:
— Sr. Moretti, você disse que poderia tentar divinar o paradeiro de Lanevus se houvesse algo pertencente a ele?
— Correto. — Klein assentiu.
Christina deu um suspiro de alívio e perguntou em um tom sério:
— O filho dele é algo que lhe pertence, neste caso?
Huh? — Klein ficou momentaneamente perdido.
Capítulo 116
Capítulo 116 – A Criança de Lanevus
Christina não percebeu o olhar distante do vidente. Ela deu uma espiada em Angélica na recepção, abaixou a voz e disse:
— Quero dizer, filho de Lanevus.
Ela estendeu a mão para apontar para a moça com o chapéu e disse:
— Esta é minha sobrinha, Megose, sua mãe é minha irmã mais velha. Lamento, e me arrependo bastante por pensar que Lanevus era um jovem notável, e apresentei Megose a Lanevus, que era solteiro. Logo depois, eles se tornaram casal.
— Os pais de Megose, a princípio, também ficaram felizes com Lanevus. Eles planejaram dedicar todas as suas economias à siderúrgica depois de ficarem noivos. Felizmente, antes que isso acontecesse, Lanevus fugiu. Sua família não se deparou com perdas tão grandes. Infelizmente, minha irmã e meu cunhado terão que explicar a seus parentes e amigos por que a cerimônia de noivado será cancelada, e também se preocupar com o filho que Megose está carregando.
— Acreditamos no Deus do Vapor e da Maquinaria, não acreditamos no Senhor das Tempestades, então não acreditamos na castidade antes do casamento. Não culpamos Megose e até temos pena dela. No entanto, a existência da criança dificulta as coisas, especialmente porque ele tem tal pai.
Ele se aproveitou das pessoas financeira e sexualmente… — Klein olhou para Megose, que estava parada quieta ao lado dela. Ele então percebeu que a moça era realmente muito bonita.
Ela tinha uma testa brilhante, longos cabelos loiros e um par de olhos grandes como os de Christina. Ela parecia deprimida, mas calma, e seus lábios estavam bem apertados.
Que vigarista enfurecedor, e ele até escapou com sucesso… — Klein xingou Lanevus e disse, depois de pensar um pouco:
— Se fosse uma criança que já tivesse nascido, teria uma maneira de divinar o paradeiro de Lanevus usando-a como auxílio. Mas infelizmente, isso exigiria que esperássemos alguns meses. Sim, isso pode ser um reflexo do resultado da divinação mais cedo. Seja paciente e espere persistente sem ser gananciosa, pois haverá uma oportunidade de ver a luz do sol.
— Alguns meses… — Christina murmurou para si mesma enquanto balançava a cabeça. — Não, depois de um período tão longo, mesmo que encontrássemos Lanevus, não poderíamos recuperar nosso dinheiro…
Ela olhou de soslaio para Megose. Sua voz baixou inconscientemente enquanto perguntava:
— Você tem alguma coisa que Lanevus carregava?
— Não — respondeu Megose clara e gentilmente. — O anel que ele me deu conta?
— Deve ser algo que ele carregou por muito tempo. — Klein balançou a cabeça.
Christina permaneceu em silêncio por um tempo, então olhou para Megose e disse:
— Você tem que tomar uma decisão. Acho que manter essa criança tornaria seu futuro difícil e doloroso. Você vai dizer a ele que seu pai era um vigarista que roubou dinheiro de muitas pessoas, incluindo de sua mãe?
— Hora de ir para a clínica, para o hospital. Além disso, isso poderia nos ajudar a encontrar Lanevus, a recuperar o que perdemos.
Ei, essa divinação não é um pouco hardcore? — Como não era o lugar de Klein se envolver nos assuntos familiares de outras pessoas, ele só pôde esperar pacientemente ao lado enquanto comentava mentalmente de vez em quando.
Megose abaixou a cabeça e olhou para baixo. Ela não falou por um bom tempo.
Então, ela tocou seu estômago e revelou um sorriso gentil.
— Ele é diferente de seu pai. Ele será um filho amável e atencioso.
— Ele me chuta levemente todos os dias, me dizendo seu humor. Ele até cantarola uma música, assobia e usa música para me ajudar a dormir…
Klein ouviu e de repente sentiu algo errado.
A primeira parte do que Megose disse parecia normal, mas a segunda parte era como os delírios de uma louca.
Ela desenvolveu um problema mental devido ao incidente? — Klein levou a mão direita à glabela. Ele fingiu massagear para aliviar seu cansaço.
Nesse momento, Megose de repente se virou e caminhou em direção à porta, deixando apenas uma frase.
— Talvez o pai volte em segredo depois que ele nascer, mantendo uma parte do dinheiro para o filho…
Klein nunca esperava que ela respondesse assim, e ficou momentaneamente surpreso esquecendo de ativar sua Visão Espiritual. Então, ele assistiu impotente enquanto Megose saia do clube e descia as escadas.
Christina soltou um suspiro e disse:
— Desculpe, Sr. Moretti. Desculpe incomodá-lo, procuraremos um dos itens pessoais de Lanevus que ele carregava consigo o tempo todo.
Klein assentiu, pensativo. Ele a observou descer as escadas e suspirou enquanto balançava a cabeça.
Na manhã seguinte, Klein entrou na Companhia de Segurança Blackthorn, cumprimentou Rozanne e perguntou:
— Onde está o jornal de hoje?
A doce menina de cabelos castanhos, Rozanne, o avaliou e disse, intrigada:
— Klein, você é tão estranho.
— Por quê? — perguntou Klein em resposta, sorrindo.
Rozanne revirou os olhos e disse:
— Você sempre lê os jornais durante o intervalo do meio-dia, porque tem aulas de misticismo pela manhã. Velho Neil já está esperando por você no arsenal!
— Descobri anteriormente que haveria um caso oferecendo uma recompensa, então quero ler o jornal para memorizar a aparência do criminoso. Talvez um dia eu me depare com a pessoa. — Klein explicou com um sorriso.
— É mesmo? — Rozanne pegou os jornais do dia e começou a folhear por curiosidade. — Procurado… Lanevus, certo?
Klein respondeu imediatamente:
— Sim.
— … Vigarista perverso! Ele roubou cerca de dez mil libras! — Rozanne leu cuidadosamente por quase vinte segundos antes de xingar repentinamente de raiva.
Klein compartilhava do mesmo sentimento.
— É realmente ridículo! Até eu quero me candidatar para assumir o caso!
Rozanne continuou a ler e balançou a cabeça com pesar.
— O caso não parece envolver fatores sobrenaturais. Mesmo se envolvesse, seria repassado aos Punidores a Mandato sob o Senhor das Tempestades.
Klein não entendeu direito o que Rozanne quis dizer, mas depois que pegou o jornal e o leu, ele suspirou.
— Sim, tantas pessoas enganadas. Deve haver crentes das três principais igrejas, e a empresa siderúrgica de Lanevus aparentemente ficava no sul.
Se um caso estivesse relacionado a fatores sobrenaturais e envolvesse apenas crentes de um Deus, seria passado para a equipe correspondente. No entanto, se envolvesse crentes da Deusa da Noite Eterna, Senhor das Tempestades e Deus do Vapor e da Maquinaria, seria atribuído com base na área de jurisdição. Os Falcões Noturnos controlavam o Burgo Golden Indus , o Burgo Norte e o Burgo Oeste. Os Punidores a Mandato controlavam o Burgo Leste, o Burgo Sul e o porto, enquanto que a Consciência Coletiva das Máquinas era responsável pelas áreas da universidade e da periferia.
Enquanto folheava os jornais, Klein memorizou a aparência de Lanevus.
Ele tinha uma testa rechonchuda, cabelos pretos, olhos castanhos e um par de óculos com lentes quase redondas. Ele sorria levemente, parecendo estar zombando de todos.
Fora o par de óculos, Lanevus não parecia ter traços marcantes e tinha uma aparência realmente comum.
Ele conversou com Rozanne casualmente e depois passou pela divisória, se preparando para ir ao subsolo.
Então, ele viu o pálido e frio Coletor de Cadáveres Frye e a autora de olhos pretos Seeka Tron saindo da sala de lazer em direção a ele.
Depois de uma simples saudação, Klein observou seus dois companheiros de equipe saírem e descobriu Dunn Smith em um casaco preto de pé ao lado da porta que ele abriu.
— Um caso? — perguntou Klein, curioso.
Naquela hora do dia, não haveria dois Falcões Noturnos saindo juntos sem motivo.
Dunn o olhou com seus olhos cinzentos. Ele assentiu e sorriu.
— Parece que houve um incidente paranormal no Burgo Oeste. Enviei Seeka e Frye para verificar, mas você não precisa se preocupar com isso. Até que domine as técnicas de combate, não pretendo enviá-lo a qualquer missão. Tenho que assumir a responsabilidade pelos membros da minha equipe.
Capitão, você é uma pessoa tão boa. Fora a queda de cabelo e a má memória, você é impecável… — Klein elogiou internamente. Ele pediu confirmação:
— Em outras palavras, só preciso participar de aulas de misticismo e treinamento de combate. Não preciso contribuir com nada e ainda posso receber meu pagamento?
— Isso é apenas temporário — confirmou Dunn.
Eu só preciso “frequentar as aulas” e “malhar”, e receberei um amplo salário. Só de pensar já é ótimo… — pensou Klein alegremente.
Espero que não haja mais coincidências! — Ele orou em silêncio.
Os dias passaram pacificamente até sexta-feira. Klein completou seu treinamento de combate e pegou uma carruagem de volta para a rua Besik.
Ao lado de fora da Companhia de Detetives Particulares Henry, ele olhou para a esquerda e para a direita. Confirmado que ninguém estava olhando, ele colocou a máscara de gaze, levantou a gola do casaco e subiu rapidamente as escada.
Batendo na porta, Klein viu o homem musculoso de meia-idade, detetive Henry, novamente.
— Boa tarde, senhor. Um dos casos que você nos confiou foi completado. — Detetive Henry, de olhos azuis profundos, falou com uma voz rouca devido à bebida e ao fumo.
Klein baixou a voz intencionalmente e disse:
— É a informação do homem que apareceu no Bar Dragão Maligno?
O homem que comprou os ingredientes suplementares da poção
Espectador…
— Sim. — Henry acenou com o cachimbo.
Então, ele não disse nada, mas olhou para Klein com um sorriso.
Klein entendeu o que o homem queria dizer e pegou quatro notas de uma libra e as entregou.
— Este é o segundo pagamento.
Ele fez uma pausa e acrescentou:
— Me dê um recibo.
Suas economias foram reduzidas a menos de uma libra…
— Tudo bem. — Henry tossiu. Ele verificou as marcas antifalsificação nas notas enquanto instruía sua equipe a trazer caneta e papel.
Então, ele chamou Klein para se sentar enquanto rapidamente escrevia um recibo e carimbava um selo na parte inferior.
Depois de concluir tudo, Henry deu uma tragada no cachimbo e disse:
— De acordo com a sua descrição, meu assistente e eu esperamos no Bar Dragão Maligno por três dias antes de finalmente encontrar aquele homem.
— Ele é um cavalheiro bastante alerta e é bom em observação. Felizmente, somos experientes.…
Seu nome é Daxter Guderian, um médico do Asilo Mental de
Greenhill.
Capítulo 117
Capítulo 117 – Contato
Daxter Guderian, médico do Asilo Mental de Greenhill…
Klein repetiu silenciosamente o que o detetive havia dito e começou a pensar sobre como poderia interagir com esse médico que ele suspeitava ser um Espectador dos Alquimistas da Psicologia.
Ele não queria se arriscar demais nisso, não queria que os Falcões Noturnos descobrissem que ele era problemático. Ele não queria perder a vida que tinha agora com uma mera troca de informações e recursos.
Além disso, esse indivíduo provavelmente era um Espectador. Qualquer pessoa que não tivesse passado por um treinamento especial não seria capaz de esconder seus motivos e pensamentos deste tipo de Beyonder.
Devo pegar um substituto, me fazendo parecer um pouco mais misterioso? Não, quanto mais pessoas envolvidas, mais fácil é de ter problemas… Sim… talvez eu possa esconder a verdade dentro da verdade. Vou informar esse médico sobre meus pensamentos e sentimentos através da minha expressão e linguagem corporal, mas não toda a verdade…
Seguindo a descrição de Daxter Guderian do detetive Henry, Klein pensou em quais métodos poderia usar para minimizar os riscos sem afetar os resultados desejados.
Lentamente, ele encontrou inspiração em um filme de detetive que assistiu.
Bem, posso tentar isso, mas vou ter que praticar repetidamente… — Klein assentiu interiormente antes de dirigir toda a sua atenção para o que detetive Henry tinha a dizer.
Cof… Henry tossiu e disse:
— Ainda estamos trabalhando no pedido que envolve a chaminé vermelha. Deve saber que existem muitas casas em Tingen com características semelhantes. Claro, seria muito mais fácil se pudesse nos fornecer mais pistas.
Klein riu secamente.
— Não teria que fazer o pedido se tivesse mais pistas.
Honestamente, essa longa investigação o deprimiu, pois a pessoa nos bastidores obviamente notou as divinações de Klein e teve tempo mais que suficiente para encontrar outro esconderijo.
Assim, tudo o que podia fazer era esperar encontrar pistas relevantes das informações dos inquilinos.
E apenas isso custou sete libras… — Apenas o pensamento deu um aperto no coração… Klein pegou sua bengala e saiu depois que o detetive Henry terminou seu relatório.
Às vinte para as nove da manhã de sábado, em um escritório do Asilo Mental de Greenhill.
Daxter Guderian, que usava óculos com aro de ouro, tirou a jaqueta e o chapéu e os pendurou no cabideiro.
Ele tinha acabado de pegar sua lata de café em pó quando ouviu um bater na porta.
— Por favor, entre — disse Daxter casualmente.
A porta entreaberta se abriu e um jovem de blusão preto entrou.
Daxter não reconheceu a pessoa que entrou, então ele perguntou, intrigado:
— Bom dia, você é?
Klein fechou a porta, tirou o chapéu e o pressionou contra o peito antes de se curvar.
— Bom dia, doutor Daxter, por favor, perdoe-me por ter tido a liberdade de visitá-lo sem aviso prévio. Sou o inspetor probatório Klein Moretti, do departamento de polícia de Awwa. Estes são meus documentos de identificação e distintivo.
— Inspetor? — Daxter murmurou suavemente quando recebeu os documentos de identificação e o distintivo de Klein.
“Departamento de Operações Especiais…”
Ele olhou para cima lentamente, com os olhos calmos, como se estivesse examinando alguma coisa.
Cabelo preto e curto, pupilas ligeiramente mais escuras que castanhas, uma aura acadêmica, sem má intenção no momento…
Daxter devolveu os itens e apontou para a cadeira do outro lado da mesa.
— Por favor, sente-se, oficial. Como posso ajudá-lo?
Klein se sentou e colocou a bengala ao lado. Ele lentamente guardou seus documentos e distintivo e sorriu.
— Por favor, permita-me me apresentar novamente.
— Também sou membro do Esquadrão dos Falcões Noturnos de Tingen, especializado em lidar com incidentes envolvendo o sobrenatural.
— Bom dia, Sr. Espectador.
Antes de terminar sua frase, ele não ficou surpreso ao ver as pupilas de Daxter se contraírem. Daxter retraiu a mão, parecendo que estava prestes a escapar.
— Oficial, não entendo o que você quer dizer. — Daxter forçou algumas palavras, quase incapaz de manter sua postura. — Eu não gosto de piadas como essa. Talvez deva chamar os seguranças.
Klein lentamente tirou o revólver do coldre da axila, seu sorriso imutável.
— Sr. Daxter, sei que você pode ver minha confiança e que eu não tenho nenhuma intenção ruim. Heh heh, honestamente falando, eu não tinha muita certeza, mas sua reação me deu a resposta que precisava.
Tudo o que eu disse agora é verdade… — Klein acrescentou internamente.
Daxter relaxou um pouco, seu olhar indo em direção ao revólver. Ele perguntou confuso:
— Acho difícil entender por que você veio me procurar… acho que não revelei nada…
Klein riu e respondeu:
— Foi apenas uma coincidência, ou talvez o destino quisesse que nos encontrássemos.
— Nós nos encontramos uma vez no mercado clandestino no Bar Dragão Maligno, mas você não me notou naquela época.
— Você foi esperto em comprar primeiro os ingredientes suplementares para a poção, mas já que estou familiarizado com essa fórmula, você chamou minha atenção.
Daxter de repente exalou, como se tivesse acabado de perder a motivação para se defender.
— Entendo…
— Eu pensei que fui cuidadoso o suficiente, em pensar que…
Depois de murmurar para si mesmo, ele olhou nos olhos de Klein e disse:
— Oficial, eu sei que você não está aqui para me prender. Qual é o verdadeiro motivo desta visita?
Com uma expressão relaxada, Klein disse:
— Sou diferente dos outros Falcões Noturnos. Não acredito que os Beyonders que não estão conosco sejam criminosos ou tenham somente más intenções. Isso não é justo para aqueles que cumprem a lei.
Daxter mudou de postura. Ele relaxou e disse:
— O mundo estaria em paz se os outros Falcões Noturnos, Punidores a Mandato e a Consciência Coletiva das Máquinas agissem como você.
— Você conhece outros membros dos Falcões Noturnos, Punidores a Mandato e da Consciência Coletiva das Máquinas? — Klein fingiu surpresa. — Isso não é algo que uma pessoa que se tornou um Beyonder pelo acaso deveria saber. Deve haver alguma organização o ajudando.
Ele se inclinou para trás e disse com um sorriso:
— Alquimistas da Psicologia?
Ele assistiu casualmente a expressão de Daxter se contorcer enquanto dizia essas palavras.
— Pude ver que você estava antecipando minha resposta, ainda assim deixei escapar e caí na sua armadilha linguística… — disse Daxter, frustrado.
Ele começou a perceber que o estado de Espectador não era onipotente. Ele sabia por que o outro estava aqui, mas isso não significava que ele entendia os detalhes.
Klein acariciou o cilindro do revólver e disse:
— Doutor, precisamos ter uma conversa honesta. Isso pode começar comigo.
— Não acredito que Beyonders solitários sejam criminosos em potencial, mas concordo que todo Beyonder deve ser registrado e monitorado. Essa é uma precaução contra o risco do Beyonder perder o controle, é para evitar a ocorrência de algo ainda mais perigoso.
— Não vou atrapalhar sua vida normal, mas espero que haja uma cooperação limitada entre nós.
— Cooperação limitada? — Daxter perguntou, como se estivesse pensando em algo.
Klein soltou uma risada suave.
— Sim, limitada.
— Por exemplo, me contar sobre sua condição regularmente. Deve saber que é possível salvar alguém que ainda não perdeu completamente o controle, e os Falcões Noturnos têm experiência considerável nesse aspecto.
— Ou, se puder me dar pistas sobre um Beyonder que você conhece, ou um Beyonder em sua organização que está prestes a fazer algo que pode colocar inocentes em risco.
— Ou, se você quiser trocar algo por itens dos quais possa fazer melhor uso. É um benefício que estou lhe oferecendo; você deve saber o que essas vantagens significam.
— Além disso, você não precisa se preocupar em ser perseguido repentinamente por membros dos Falcões Noturnos, Punidores a Mandato ou Consciência Coletiva das Máquinas um dia. Pode viver sua vida com alegria e estabilidade.
— Nós lhe daremos algo que pode usar para provar sua identidade. Pode usá-lo quando não tiver outras opções.
Daxter ouviu em silêncio, e depois de um tempo, ele disse:
— Você quer que eu traia minha organização?
— Não, trair não — disse Klein sinceramente. — Esta é a proteção da justiça, da moral e da bondade. Você está impedindo algo maligno, impiedoso e sangrento. Fora isso, eu não pediria que traísse os segredos da organização em que está.
Daxter pensou por um momento, como se estivesse se sentindo melhor agora que havia uma desculpa.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos antes de estender a mão direita.
— À uma cooperação bem-sucedida.
Klein apertou sua mão e disse:
— À uma cooperação bem-sucedida.
Ele parou por um momento antes de rir.
— Doutor, agora você pode me dizer se é membro dos Alquimistas da Psicologia?
— Sim. — Daxter assentiu.
Klein, que não havia desativado sua Visão Espiritual desde que entrou, não viu nenhuma mudança nas cores de suas emoções. Assim, ele perguntou discretamente:
— Como você se juntou aos Alquimistas da Psicologia?
Daxter olhou nos olhos dele e disse:
— Eu descobri que havia um paciente desse asilo que podia ver através de mim quando eu estava cuidando dele. Sua mente clara não era nada como a de um lunático…
— Seu nome é Hood Eugen.
Klein decorou o nome e conversou mais um pouco com Daxter, decidindo sobre uma maneira secreta de se comunicar e se encontrar.
Por enquanto, ele não falou sobre poções, fórmulas e rumores. No momento apropriado, ele se despediu e guardou o revólver antes de sair do escritório de Daxter.
Daxter exalou depois que viu as costas de Klein desaparecerem de seu campo de visão. Ele caiu na cadeira, se sentindo um pouco angustiado e relaxado.
Rua Zouteland, 36. Dentro da Companhia de Segurança Blackthorn.
Sentado atrás de sua mesa, Dunn varreu a área com os olhos cinzentos e perguntou:
— O que aconteceu?
Klein, que estava atrasado cerca de meia hora, organizou seus pensamentos e disse:
— Capitão, encontrei um Beyonder e confirmei que ele é um membro dos Alquimistas da Psicologia.
— Ele é um médico ortodoxo e está disposto a cooperar conosco; acho melhor manter o status quo. Ele poderia nos ajudar a aprender mais sobre a condição atual dos Alquimistas da Psicologia.
Após uma pausa de alguns segundos, Klein acrescentou:
— Quero transformá-lo em um informante dos Falcões Noturnos, ou em um membro externo oculto.
A palavra “informante” veio da língua Intis. Criada pelo imperador Roselle.
Dunn assentiu devagar e disse:
— Você lidou bem com a situação, mas seria melhor me informar quando enfrentar esse tipo de situação no futuro.
— Me dê as informações do médico e um relato por escrito sobre como você lidou com a situação. Vou dar a ele algo que possa usar para provar sua identidade.
— Além disso, não fale disso com Leonard e o resto. Mesmo sendo companheiros de equipe confiáveis, o protocolo claramente exige que mantenhamos isso em sigilo.
— Você ficará encarregado de entrar em contato com esse médico no futuro.
Klein exalou silenciosamente e respondeu com um sorriso:
— Tudo bem.
Capítulo 118
Capítulo 118 – Agosto
O tempo passou e Tingen se despediu do final do verão. A temperatura agora oscilava entre 26 e 27 graus Celsius.
Whoosh!
Klein se levantou da banheira e deu um passo à frente, deixando cair gotas de água no chão.
Ele ficou parado, nu, olhando para seu abdômen. Flexionando, ele viu linhas musculares proeminentes aparecerem.
Esse era o resultado de seu treinamento diário. Além disso, ele parecia muito mais enérgico.
E hoje, seu professor de combate, Gawain, começou a lhe ensinar a técnica básica de combate com os pés, tanto para bater bem como as técnicas para usar força.
Tap. Tap. Tap. Klein pisou no chão do banheiro com os pés descalços, deslizando para a frente ou recuando antes de se esquivar para a direita e balançar o punho enquanto fazia um gesto defensivo.
Ufa.
Ele parou e soltou um suspiro, feliz. Então, pegou a toalha ao lado e se enxugou.
Depois de entrar em contato com Daxter Guderian, o médico do hospício, Klein pareceu ter escapado das coincidências por duas semanas inteiras. Sem o bombardeio constante de incidentes sobrenaturais, sua vida se tornou estável. Ele recebeu seu salário em dia, pesquisou a fundo sobre misticismo, treinou tiro e suas habilidades de combate, desenvolveu novas receitas culinárias, adquiriu lentamente utensílios domésticos decentes e outras decorações com Benson e Melissa, perguntou a seus colegas sobre casos sobrenaturais antigos, divinou para pessoas que foram ao clube e seguiu rigorosamente os princípios que havia descoberto.
Isso o tornou mais estável. Se não fosse pelas noites em que ele ainda sentia falta da Terra, pela chaminé vermelha que ainda não havia sido descoberta, ou pela imagem do Fantoche de Pano do Infortúnio que ainda aparecia em seus sonhos ocasionalmente, ele teria começado a se acostumar com sua vida atual e considerá-la de maneira carinhosa.
Durante esse período, três reuniões do Clube do Tarô aconteceram, mas Klein não recebeu novas páginas do diário de Roselle. No entanto, de acordo com a explicação da srta. Justiça, ela havia conhecido duas Beyonders e estava entrando em contato com elas periodicamente. Quando entrasse em seu círculo social, era provável que conseguisse mais páginas do diário de Roselle.
O Enforcado também expressou que havia retornado à terra e estava lidando com alguns assuntos, mas assim que tivesse algum tempo livre, logo começaria a procurar por mais páginas.
Além disso, Justiça achava que as duas Beyonders que havia conhecido eram candidatos em potencial para se juntar à Reunião. Ambas tinham identidades decentes como cobertura, com certos, mas diferentes, canais de informação, além de princípios e características únicas. Elas não eram do tipo de pessoa que venderiam um segredo. O único problema era que eram apenas Beyonders Sequência 9, o que não era muito adequado para uma organização secreta de alto nível, como o Clube do Tarô.
Organização secreta de alto nível? Parece mais um esquema de pirâmide… — Klein soltou um suspiro pesado para encobrir o fato de que estava sem palavras para responder à complacência da senhorita Justiça. Ele só podia concordar em observar por mais tempo as duas Beyonders.
Claro, a srta. Justiça não era a donzela inocente e romântica de antes. Ela manteve a guarda e nunca mencionou os nomes e características das duas Beyonders, temendo que o Enforcado pudesse identificá-la através disso.
A senhorita Justiça disse que sente claramente os sinais de digestão da poção. Talvez ela precise de mais três ou quatro semanas até concluir sua atuação como Espectadora. Minha aquisição da fórmula Telepata deve ser antecipada… — Klein jogou de lado a toalha que usou para se secar e se vestiu enquanto pensava no encontro do Clube do Tarô do dia anterior.
Nos últimos vinte dias, ele havia se encontrado com Daxter Guderian apenas uma vez. Ele achava de que a pressa era a inimiga da perfeição, então apenas conversou sobre o estado do médico e perguntou questões sem importância sobre os Alquimistas da Psicologia.
Dada a velocidade com que Justiça estava digerindo a poção, ele não teve escolha senão começar a pensar em como obter a fórmula da Sequência 8, Telepata, de Daxter mais cedo que o planejado.
Klein abotoou sua camisa e pegou outra toalha seca para enxugar o cabelo.
Comparado com a srta. Justiça, ele estava digerindo a poção Vidente ainda mais rápido do que o esperado. Nesta semana, os sons que não deveria ouvir e as coisas que não deveria ver já haviam desaparecido enquanto em estado de Cogitação ou Visão
Espiritual.
Virando a toalha, Klein continuou secando o cabelo. Ele levantou a cabeça para olhar para a porta e murmurou para si mesmo:
— Os princípios de Vidente que eu descobri são realmente eficientes. Semana que vem… Sim, eu devo ser capaz de digerir a poção por completo até a próxima semana. Eu não tenho ideia de onde obter o chifre de um bode adulto cinza montanhês de Hornacis e um talo completo de uma rosa com rosto humano exigida na fórmula Palhaço… Talvez eu pudesse fazer o que Madame Daly fez e fazer um pedido especial? Mas isso definitivamente atrairia a atenção dos superiores, e eu desejo progredir no meu próprio ritmo. O crente da Ordem Aurora no departamento de polícia também foi encontrado, mas ainda tenho que descobrir quem é esse Sr. Z…
— Henry disse que concluiria o pedido da chaminé vermelha antes do final desta semana. Minhas economias pessoais retornaram para pouco mais de sete libras, então pelo menos não preciso me preocupar em fazer o pagamento final…
— Algumas das informações sobre casas e inquilinos que ele forneceu não pareciam ter nenhuma anormalidade, mas não tenho tempo para investigá-las uma a uma…
— Talvez possa ver quais casas de chaminé vermelha receberam novos inquilinos recentemente?
— Hmm, essa é uma maneira de tratar o assunto.
…
Sentado em silêncio por mais meio minuto, ele vestiu sua calça preta, a gravata borboleta e o coldre de axila. Então pegou seu traje de treinamento, que estava suado, do chão e o jogou no cesto de roupa suja. Abrindo a porta, ele saiu do banheiro. Ele havia acabado de terminar seu treinamento de combate na quarta-feira à tarde, e ainda estava na casa de seu professor, Gawain.
— Olá, Sr. Moretti. — Por acaso, a criada de Gawain passou, e rapidamente se curvou, cumprimentando-o.
Klein assentiu levemente e apontou para o banheiro bagunçado.
— Você poderia limpar o banheiro, por favor?
— Claro, senhor. As roupas serão cuidadas pela empregada da lavanderia. Ela virá às seis. — A serva manteve a cabeça baixa quando respondeu.
Empregadas de lavanderia não tinham acomodação nem comida inclusos, portanto não eram contratadas por apenas uma família, sendo normalmente contratadas para cuidar da roupa de várias famílias. Ou elas corriam diariamente, lavando as roupas de uma família antes de ir para a próxima, ou reuniam todas as roupas de diferentes famílias e cuidavam de tudo ao mesmo tempo, antes de enviá-las de volta. Só então mal conseguiam ganhar a vida.
Klein não falou muito, e voltou para a sala, para se despedir do proprietário, que estava sentado na cadeira de balanço.
Ele viu Gawain assentindo letargicamente, com um cobertor marrom claro cobrindo as pernas com o Notícias de Awwa nas mãos.
Klein sabia que o cavalheiro, que estava a se banhar no sol, estava na casa dos cinquenta, mas sua apatia e indiferença o faziam parecer estar na casa dos oitenta anos.
Durante o treinamento de combate, Gawain mantinha seu silêncio e só dava dicas quando necessário. Ele não era de conversa fiada. Klein estava tão exausto com o treinamento diário que não tinha a intenção de tentar conversar. Assim, seu relacionamento permaneceu distante.
A partir de suas demonstrações, a força do professor Gawain ainda é bastante aterradora e seus passos também são bem rápidos. Eu acho que não seria um problema para ele lutar contra três de mim… Ele tem o salário da delegacia e também comprou um terreno em uma vila nos subúrbios de Tingen que oferece aluguel fixo… Ele contrata um chef, uma criada e uma empregada de lavanderia… Na Terra, um homem de cinquenta anos com tanta riqueza estaria viajando pelo mundo…
Klein desviou o olhar de Gawain e balançou a cabeça. Então foi até o cabideiro para pegar sua cartola e seu blusão preto.
Depois de se arrumar, ele pegou sua bengala e saiu da casa, andando pelo caminho de pedra coberto de grama em direção aos portões.
Nesse momento, ele viu que havia uma carruagem de duas rodas parada do lado de fora da cerca de metal, e havia um homem com um rosto familiar parado ao lado.
— Leonard? — Klein murmurou, olhando desconfiado para seu companheiro de equipe de cabelos bagunçados.
Leonard estava usando uma camisa branca, calça preta e botas de couro sem botões enquanto girava o chapéu nas mãos. Quando viu Klein sair da casa, ele sorriu e perguntou:
— Você está agradavelmente surpreso?
Apenas surpreso, sem nenhuma alegria… — Klein ignorou o comportamento inadequado de Leonard e olhou nos olhos verdes do falso poeta.
— O que aconteceu?
Leonard colocou o chapéu e disse:
— O capitão quer que você trabalhe comigo e com Frye. Vamos conversar no caminho.
— Okay. — Klein o seguiu até a carruagem.
Enquanto a paisagem do lado de fora da carruagem passava, Leonard pegou a bolsa de documentos ao seu lado e a jogou para Klein.
Klein a pegou com firmeza e pegou um documento de dentro. Ele então começou a ler com atenção.
“11 de agosto, 23:00, em uma casa de trabalho no Burgo Oeste, Salus, falido, tentou iniciar um incêndio criminoso para causar uma tragédia. Mas no final, só conseguiu se queimar até a morte…”
“11 de agosto, 22:00, trabalhador do porto, Zid, pulou no rio Tussock e acabou com sua vida arrasada pela pobreza…”
“11 de agosto, 20:00, na parte de Baixo da rua Cruz de Ferro, a Sra. Lauwis, que ganhava a vida vendendo caixas de fósforos, morreu de uma doença súbita…”
…
Klein ficou intrigado quando leu os dois primeiros incidentes; ele achou as mortes bastante ordinárias e comuns. Não deveria apenas ser desconsiderado pelos Falcões Noturnos, como também a força policial evitaria o desperdício de recursos para investigar causas tão óbvias de morte.
No entanto, quando leu a lista inteira, ele lentamente franziu as sobrancelhas.
Depois de duas páginas, ele de repente levantou a cabeça e olhou para Leonard.
— Isso não é muito?
Quando o número de mortes comuns alcançou uma quantidade impressionante, era difícil chamá-las de normais.
Pela primeira vez, Leonard assentiu seriamente e disse:
— O número de incidentes de morte nas últimas duas semanas é cinco vezes a taxa normal.
— Quando o quartel-general da polícia de Tingen tabulou os dados, eles perceberam o problema e rapidamente o repassou para nós, assim como para os Punidores a Mandato e a Consciência Coletiva das Máquinas.
— Embora esses incidentes de morte parecessem normais durante as investigações iniciais, o Capitão acredita que devemos investigálos mais uma vez. Isso pode exigir a ajuda de divinação ou magia ritualística.
Klein disse com um olhar esclarecedor:
— Entendi.
Leonard estalou os dedos e explicou:
— Você, eu e Frye somos uma equipe. Ele está esperando por nós na parte de Baixo da rua Cruz de Ferro. Seeka, Royale e Velho Neil são outra equipe investigando os incidentes correspondentes no Burgo Norte. O capitão está na Companhia de Segurança para responder a qualquer emergência.
— Okay. — Klein assentiu solenemente e de repente pensou em algo, perguntando então rapidamente:
— Posso passar por minha casa e deixar um bilhete?
Ele precisava dizer ao seu irmão e irmã que não poderia jantar em casa naquela noite porque algo aconteceu.
Leonard riu.
— Não tem problema, é caminho.
Com isso, Klein se acalmou e leu os incidentes de morte novamente, com a intenção de encontrar um elo entre os vários nomes, horários e causas da morte.
Então, ele de repente percebeu algo.
Esta é a minha primeira missão em grupo depois de me tornar um Falcão Noturno?
Capítulo 119
Capítulo 119 – A Verdadeira Rua Inferior
Tingen, rua Narciso nº 2.
Klein, que havia deixado um bilhete, trancou a porta e caminhou rapidamente em direção a Leonard Mitchell, que estava esperando ao lado da rua.
Os cabelos pretos e curtos de Leonard haviam crescido um pouco ao longo do mês, e a falta de cuidado fazia com que parecesse bagunçado.
Apesar disso, seu cabelo bagunçado ainda complementava sua aparência decente, olhos cor de esmeralda e aura poética, exalando um senso diferente de beleza.
De fato, qualquer penteado depende do rosto… — Klein achou graça. Ele apontou na direção da rua Cruz de Ferro e perguntou:
— Frye está esperando por nós lá?
— Sim. — Leonard alisou sua camisa, que estava para para fora da calça, e disse casualmente:
— Você notou alguma coisa quando estava olhando os documentos?
Klein, que segurava sua bengala na mão esquerda enquanto caminhava ao longo da rua, disse:
— Não, não encontrei nada em comum em seus horários, locais ou causas de morte. Você deve saber que qualquer ritual que envolva deuses malignos ou demônios deve ser realizado dentro de um determinado período de tempo ou usando algum método especial.
Leonard tocou o revólver personalizado, escondido embaixo da camisa, na cintura, e riu.
— Essa não é uma regra absoluta. Em minha experiência, alguns deuses malignos ou demônios são facilmente satisfeitos, desde que tenham um interesse particular no que lhes está sendo pedido.
— Além disso, um bom número de mortes parece normal. Temos que omiti-las antes que possamos chegar à resposta verdadeira.
Klein olhou para ele e disse:
— É por isso que o Capitão nos pediu para investigar mais uma vez, para eliminar os incidentes normais.
Leonard, seu tom e descrição me dizem que você tem uma experiência considerável nessa área, mas só é membro dos Falcões Noturnos há quatro anos, com uma média de dois incidentes sobrenaturais por mês. Além disso, um grande número deles era simples e fácil de ser resolvido.
Ele sempre achou que Leonard Mitchell era um pouco estranho e misterioso. Não apenas sempre desconfiava dele, mas também acreditava que havia algo de diferente nele. Além disso, seu comportamento também mudava de tempos em tempos, às vezes quieto, às vezes arrogante, às vezes impertinente, às vezes sério.
— Será que você também teve um encontro de sorte? Um encontro que fez você se ver como uma estrela em uma peça? — Klein fez uma dedução grosseira com base em todos os filmes, romances e dramas que assistiu no passado.
Ao ouvir essa pergunta, Leonard riu e disse:
— Isso é porque você ainda não é um Falcão Noturno completo. Ainda está na fase de treinamento.
— A Catedral Sagrada compila um registro de todos os encontros sobrenaturais acontecidos nas catedrais das diferentes dioceses e o entrega aos seus membros uma vez a cada seis meses.
— Além de suas lições de misticismo, você pode enviar uma solicitação ao Capitão e solicitar a entrada no Portão Chanis para ler esses registros.
Klein assentiu, esclarecido.
— O Capitão nunca mencionou.
Klein não teve a oportunidade de entrar no Portão Chanis até agora.
Leonard riu e disse:
— Pensei que você já estivesse acostumado com o estilo do Capitão. Pensar que ainda está esperando ingenuamente que ele se lembre…
Ao dizer isso, ele acrescentou de forma significativa:
— Devemos ser cautelosos com o Capitão se chegar um dia em que ele se lembre de tudo.
Isso significaria uma perda de controle? — Klein assentiu, sua expressão séria. Ele então perguntou:
— O esquecimento é exclusivo do Capitão? Eu pensava que era um problema causado pela Sequência Sem Sono.
Passar a noite acordado geralmente leva à perda de memória…
— Mais precisamente, é um sintoma exclusivo de um Pesadelo. Com sonhos e realidade entrelaçados, muitas vezes é difícil para uma pessoa diferenciar entre o que é real e o que não é. Eles precisam se lembrar do que não faz parte da realidade… — Leonard queria explicar mais, mas eles já haviam chegado à rua Cruz de Ferro e encontraram o Coletor de Cadáveres, Frye, esperando por eles na estação de transporte público.
Frye usava um chapéu preto redondo e um blusão de cor semelhante, com uma pasta de couro na mão. Ele estava tão pálido que fez Klein suspeitar se não iria desmaiar a qualquer momento.
Sua aura fria fez todos os outros que esperavam pela carruagem manterem distância dele.
Depois de acenar um para o outro, os três se agruparam em silêncio e passaram pela Padaria Smyrin antes de virar para a rua de baixo da rua Cruz de Ferro.
Eles imediatamente se depararam com um barulho. Comerciantes que vendiam sopa de mariscos, peixe grelhado, cerveja de gengibre e frutas gritavam histericamente por atenção, fazendo com que os pedestres desacelerassem involuntariamente.
Já passava das cinco. As pessoas estavam voltando para a rua Cruz de Ferro, e as laterias das ruas estavam ficando lotadas. Algumas crianças estavam misturadas na multidão, assistindo tudo friamente, sua atenção nos bolsos dos pedestres.
Klein costumava vir aqui buscar comida barata e estava familiarizado com as ruas, principalmente porque morava em um apartamento nas proximidades antigamente. Ele lembrou ao grupo:
— Cuidado com os ladrões.
Leonard sorriu.
— Você não precisa se importar com eles.
Ele ajeitou a camisa e ajustou o coldre da arma, revelando o revólver.
De repente, todos os olhares fixos neles se afastaram. Os pedestres ao seu redor instintivamente abriram caminho.
Klein congelou por um momento, mas depois alcançou Leonard e Frye com passos largos. Ele abaixou a cabeça, tentando evitar ser notado por alguém que pudesse conhecê-lo.
Benson e Melissa ainda tinham negócios com os vizinhos daqui. Afinal, eles não haviam se mudado para muito longe.
Os três passaram pela área onde havia muitos vendedores ambulantes e viraram na verdadeira rua de baixo da rua Cruz de Ferro.
Os pedestres aqui estavam todos vestidos com roupas velhas e esfarrapadas. E eles eram cautelosos com estranhos vestindo roupas boas e bonitas; no entanto, também havia ganância em seus olhos, como abutres observando uma refeição, esperando atacar a qualquer momento. Mas o revólver de Leonard impediu que qualquer acidente acontecesse.
— Vamos primeiro investigar a morte de ontem. Vamos começar com a senhora Lauwis, uma senhora que colava caixas de fósforos para ganhar a vida. — Leonard virou as anotações e apontou para um lugar não muito longe:
— Primeiro andar, nº 134…
Enquanto os três avançavam, crianças que brincavam nas ruas e vestiam roupas surradas rapidamente se esconderam na esquina da rua. Eles os observaram com olhos cheios de curiosidade e medo.
— Olhe para os braços e pernas deles, finos como palitos de fósforo — Leonard suspirou. Ele entrou no edifício nº 134 primeiro.
O ar, que era uma mistura de vários cheiros diferentes, penetrou nas narinas de Klein. Ele conseguia detectar fracamente o cheiro de urina, suor e mofo, e também o cheiro de carvão queimado. Klein não pôde deixar de tampar o nariz. Ele então viu Bitsch Mountbatten, que os esperava lá.
O oficial Mountbatten tinha um bigode amarelo acastanhado e invejava o posto de inspetor de Leonard.
— Senhor, eu já pedi a Lauwis para esperar em seu quarto — disse Bitsch Mountbatten com sua voz estridente e única.
Ele claramente não reconheceu Klein, que agora parecia mais enérgico e decente. Tudo o que importava era puxar o saco dos três policiais à sua frente enquanto os conduzia à família Lauwis no primeiro andar.
Era um apartamento simples. Havia um beliche na vertical dentro do quarto e uma mesa cheia de cola e papelão no lado direito. O canto da sala estava cheio de moldes para caixas de fósforos, enquanto um armário velho ficava à esquerda, servindo como espaço de armazenamento para roupas e talheres.
Um fogão, um vaso sanitário e uma pequena quantidade de carvão e madeira ocupavam os dois lados da porta, enquanto o centro da sala era ocupado por dois colchões sujos. Um homem estava dormindo debaixo de um cobertor rasgado, não deixando espaço para ninguém andar.
Uma senhora estava no nível mais baixo do beliche, com a pele gelada; era claro que ela havia perdido todos os sinais de vida.
Ao lado do cadáver estava sentado um homem na casa dos trinta. Ele tinha cabelos oleosos, parecia desanimado e seus olhos haviam perdido o brilho.
— Lauwis, esses três oficiais estão aqui para examinar o corpo e fazer algumas perguntas — gritou Bitsch Mountbatten, sem nenhuma consideração pelo homem adormecido.
O homem desanimado ergueu os olhos e perguntou, surpreso:
— Alguém já não examinou o cadáver e me questionou?
Ele estava usando com um uniforme de trabalhador azulacinzentado, com vários remendos visíveis.
— Responda quando eu mandar! Por que você tem tantas perguntas? — Bitsch Mountbatten repreendeu o homem e depois se voltou para Leonard, Klein e Frye. — Oficiais, este é Lauwis. A pessoa na cama é sua falecida esposa. De acordo com nossa análise preliminar, ela morreu de uma doença súbita.
Klein e o resto foram na ponta dos pés até a beira da cama.
Frye, de nariz alto e lábios finos, não disse nada com seu comportamento frio. Em vez disso, deu um tapinha em Lauwis gentilmente, sinalizando para o homem abrir caminho para poder examinar o corpo.
Klein olhou para o homem adormecido e perguntou:
— Este é?
— M-meu inquilino. — Lauwis esfregou a testa enquanto dizia:
— O aluguel deste quarto é de três soli e dez centavos por semana. Sou apenas um trabalhador no porto, e minha esposa ganhava dois centavos e meio por cada caixote de caixa de fósforos colada. Cada c-caixote tem até 130 caixas. Nós também temos um filho. Temo que alugar o restante do espaço para outra pessoa, e só cobramos um soli por semana pelo colchão…
— Eu tenho um inquilino que está ajudando no teatro, e ele não volta antes das dez da noite, então ele vendeu seus direitos ao colchão durante o dia para este homem. Ele é a pessoa que vigia o portão do teatro à noite, então ele paga apenas seis centavos por semana…
Ouvindo a outra pessoa balbuciar enquanto explicava, Klein não pôde deixar de olhar para a caixa no canto da sala.
Um caixote tem cerca de 130 caixas de fósforos e só rende 2,25 centavos, o preço de dois quilos de pão preto… Quantos caixotes ela poderia completar por dia?
Leonard examinou os arredores e perguntou:
— Sua esposa estava agindo de maneira anormal antes de sua morte?
Lauwis, a quem já foram feitas perguntas semelhantes, apontou para o lado esquerdo do peito e respondeu:
— Desde a semana passada, bem, talvez na semana anterior, ela disse que se sentia abafada nessa área e não conseguia recuperar o fôlego.
O precursor de uma doença cardíaca? Uma morte normal? — Klein interrompeu:
— Você viu como ela morreu?
Lauwis tentou se lembrar.
— Ela parou de trabalhar após o pôr do sol. Velas e gasolina são mais caras que caixas de fósforos… Ela disse que estava muito cansada e me pediu para conversar com as crianças e deixá-la descansar. Quando a vi novamente, ela j-já tinha parado de respirar.
Lauwis não conseguiu mais esconder sua tristeza e dor quando disse isso.
Klein e Leonard fizeram várias perguntas, mas não conseguiram encontrar nada de sobrenatural sobre a morte.
Depois que eles se entreolharam, Leonard disse:
— Sr. Lauwis, espere do lado de fora por alguns minutos. Vamos fazer um exame completo no cadáver, eu não acho que você queira ver isso.
— Tudo bem. — Lauwis levantou-se nervosamente.
Bitsch Mountbatten caminhou em direção ao colchão e chutou o inquilino, o jogando violentamente para fora do apartamento. Ele então fechou a porta e guardou a sala pelo lado de fora.
— Então? — Leonard olhou para Frye.
— Ela morreu de ataque cardíaco — disse Frye sem dúvidas, retraindo as mãos.
Klein pensou por um momento antes de tirar meio centavo do bolso, pretendendo fazer um julgamento rápido.
— ‘O ataque cardíaco da sra. Lauwis foi devido a causas sobrenaturais’? Não, isso é muito restrito, a resposta pode ser enganosa… Hmm, ‘Existem fatores sobrenaturais que influenciaram a morte da Sra. Lauwis’? Eu vou usar isso! — Ele rapidamente decidiu uma afirmação para usar.
Enquanto recitava, Klein caminhou até o lado do cadáver da sra. Lauwis. Seus olhos ficaram mais sombrios, e ele então jogou a moeda.
O som da moeda reverberou pela sala quando ela caiu direto na palma da mão de Klein.
Desta vez, o retrato do rei estava voltado para cima.
Isso significava que havia fatores sobrenaturais influenciando a morte da sra. Lauwis!
Nota:
[1] Durante a era vitoriana, um caixote eram 144 caixas de fósforos. O trabalho valia 2,25 centavos. Uma mulher que trabalhava o dia inteiro poderia fazer no máximo 7 caixas.
Capítulo 120
Capítulo 120 – Casa de Trabalho
— Há presença de fatores sobrenaturais… — Os olhos de Klein voltaram ao normal e ele olhou para Leonard e Frye.
Leonard de repente riu.
— Muito profissional e merecedor do título de Vidente.
Está tentando sugerir algo…? — murmurou Klein internamente.
Frye abriu sua mala e pegou uma faca de prata e outras ferramentas. Ele parou e perguntou:
— O cadáver me diz que ela realmente morreu de um ataque cardíaco repentino. Você tem como divinar uma resposta mais detalhada?
Klein assentiu seriamente e disse:
— Posso tentar combinar um ritual mediúnico e uma divinação dos sonhos. Com sorte, conseguirei obter algo da espiritualidade remanescente da sra. Lauwis.
Frye manteve seu estado frio e reservado. Ele deu dois passos para trás e disse:
— Experimente.
Ele virou a cabeça de lado e olhou para Klein. De repente, ele suspirou sem muita flutuação em seu tom.
— Você está se acostumando cada vez mais com esse tipo de situação.
Não é como se eu quisesse… — Klein sentiu vontade de chorar. Ele então pegou os frascos de extratos, óleos essenciais e pó de ervas e rapidamente montou o ritual de mediunidade.
Ele recitou os títulos de honra da Deusa da Noite Eterna dentro da barreira de espiritualidade e recitou suas orações em Hermes.
Logo, vento girou em torno dele e a luz ficou mais fraca.
Os olhos de Klein ficaram totalmente pretos e ele repetiu a declaração de divinação:
— A causa da morte da sra. Lauwis.
— A causa da morte da sra. Lauwis.
…
Ele entrou na terra dos sonhos enquanto estava de pé e “viu” um espírito translúcido que permanecia ao redor do cadáver.
Então, ele estendeu sua ilusória mão direita para tocar a espiritualidade restante da sra. Lauwis.
Em certo ponto, a luz estourou na frente dele enquanto as cenas passavam, uma após a outra.
Havia uma senhora magra e pálida vestida com roupas esfarrapadas, ocupada fazendo caixas de fósforos.
De repente, ela parou e segurou seu peito.
Ela estava falando com seus dois filhos.
Seu corpo tremeu e ela ofegou por ar.
Ela estava comprando pão preto quando alguém de repente encostou nela.
Ela estava tendo os sintomas de um ataque cardíaco de novo e de novo.
Sentindo-se cansada, ela deitou-se na cama, mas nunca mais acordou.
Klein observou todos os detalhes, com a intenção de procurar um vestígio de fator sobrenatural. Mas quando tudo terminou, ainda não tinha conseguido nenhuma pista. Quando o borrão se desfez, Klein deixou a terra dos sonhos e voltou à realidade.
Ele dissipou a barreira de espiritualidade e disse a Frye, que estava esperando, e a Leonard, que parecia estar se divertindo:
— Não havia sintomas diretos. A maioria das cenas revelou que a sra. Lauwis tinha um problema cardíaco há muito tempo. A única cena diferente foi quando alguém encostou nas costas da sra. Lauwis. A mão era clara e esbelta, aparentemente de uma mulher.
— Para uma família assim, eles não iriam a um médico a menos que estivessem muito, muito doentes. Mesmo se estivessem na fila de um hospital de caridade gratuito, tempo não é algo que podem perder. Um dia sem trabalho pode significar ficar sem comida na mesa no dia seguinte. — Leonard suspirou emocionalmente como um poeta.
Frye olhou para o cadáver na cama e suspirou levemente.
Antes de Klein falar, Leonard rapidamente saiu de seu estado pensativo e disse:
— Você está sugerindo que o fator sobrenatural entrou em cena quando alguém encostou na senhora Lauwis? Veio da mão esbelta de uma senhora ou senhorita?
Klein assentiu e respondeu:
— Sim, mas essa é apenas minha interpretação; divinação é sempre incerta.
Tendo terminado de conversar, ele e Leonard recuaram para o outro lado da cama e permitiram que Frye tirasse as ferramentas da mala sem nenhum distúrbio, para que ele pudesse fazer um exame mais aprofundado.
Depois que Frye terminou, eles esperaram enquanto o colega guardava suas ferramentas. Depois de limpar e cobrir o cadáver, ele se virou e disse:
— A morte dela foi causada por uma doença cardíaca natural. Não há dúvida sobre isso.
Ao ouvir a conclusão, Leonard andou de um lado para o outro. Ele até andou para o lado da porta, parou por um bom tempo, e depois disse:
— É isso por agora. Vamos para a casa de trabalho no Burgo Oeste ver se conseguimos encontrar outras pistas. Talvez possamos conectar os dois incidentes.
— Tudo bem, podemos apenas torcer — concordou Klein, ainda perplexo.
Frye pegou sua mala e, enquanto esquivava e caminhava, atravessou cuidadosamente os dois colchões no chão sem pisar no cobertor de ninguém.
Leonard abriu a porta e saiu da sala primeiro. Ele disse a Lauwis e ao inquilino:
— Vocês podem entrar agora.
Klein pensou por um momento antes de acrescentar:
— Não tenha pressa em enterrar o corpo. Espere mais um dia, pois pode haver mais um exame completo.
— T-tudo bem, oficial. — Lauwis curvou-se levemente e respondeu às pressas. Então, sentindo-se entorpecido e perdido, ele acrescentou:
— N-na verdade, e-eu não tenho dinheiro para enterrá-la ainda. Tenho que economizar por mais alguns dias, apenas mais alguns dias. Felizmente, o tempo está ficando frio.
Klein ficou chocado e perguntou:
— Você planeja deixar o cadáver permanecer na sala por alguns dias?
Lauwis forçou um sorriso e respondeu:
— Sim, felizmente, o tempo ficou mais frio recentemente. Posso mover o corpo para a mesa à noite. Quando comermos, posso carregá-la para a cama…
Antes que ele terminasse o que tinha a dizer, Frye o interrompeu repentinamente:
— Deixei dinheiro para o enterro ao lado de sua esposa.
Depois de dizer essas palavras em absoluta calma, ele saiu do apartamento diretamente, sem se importar com a expressão chocada e gratidão de Lauwis que se seguiu.
Klein seguiu de perto e pensou em uma pergunta.
Se o tempo ainda estivesse tão quente quanto junho ou julho, como Lauwis lidaria com o cadáver de sua esposa?
Escolher uma noite muito escura com ventos fortes e jogar o cadáver no rio Tussock ou no rio Khoy? Ou apenas cavar um buraco e enterrá-la?
Klein sabia que a lei que exigia o enterro em um cemitério havia sido estabelecida há mais de mil anos, no final da Época anterior. As sete principais igrejas e famílias imperiais de cada país haviam aprovado a lei para reduzir o número de fantasmas de água, zumbis e wraiths inquietos.
Cada país fornecia terras gratuitas, enquanto cada igreja estava encarregada de vigiar e patrulhar. Eles só cobravam taxas mínimas pela cremação e enterro, a fim de pagar pela força de trabalho necessária.
Mas, mesmo assim, os verdadeiramente pobres ainda não podiam pagar.
Depois de deixar a rua de baixo da rua Cruz de Ferro, nº134, os três
Falcões Noturnos e Bitsch Mountbatten se separaram.
Silenciosamente, eles entraram na casa de trabalho nas proximidades, no Burgo Oeste.
Quando se aproximaram, Klein viu uma longa fila. Era como quando as pessoas da Terra faziam fila para uma loja que se tornou viral na Internet; o lugar estava lotado.
— Há cerca de cem, não, aproximadamente duzentas pessoas — ele murmurou surpreso. Ele percebeu que as pessoas na fila estavam usando roupas esfarrapadas com expressões entorpecidas, e ocasionalmente olhavam impacientemente para a porta da casa de trabalho.
Frye diminuiu a velocidade e disse friamente:
— Há um limite para o número de pobres sem teto que cada casa de trabalho aceita diariamente. Só podem recebê-los com base na ordem da fila. É claro que a casa de trabalho examinará e recusará a entrada daqueles que falharem em atender aos critérios.
— A recessão econômica nos últimos meses também desempenhou um papel nisso… — Leonard suspirou.
— Aqueles que não conseguirem terão que descobrir uma maneira própria para sobreviver? — perguntou Klein inconscientemente.
— Eles também podem tentar a sorte em outras casas de trabalho. Diferentes casas de trabalho têm diferentes horários de funcionamento. No entanto, todas tem a mesma fila. Alguns deles esperam desde as duas da tarde. — Frye fez uma pausa.
— O resto das pessoas passa fome por um dia. Depois, elas perdem a capacidade de encontrar um emprego e caem em um ciclo vicioso que leva diretamente à morte. Aqueles que não conseguem suportar as dificuldades acabam perdendo a luta para continuar no lado da lei…
Klein ficou em silêncio por alguns segundos antes de soltar um suspiro.
— Os jornais nunca publicam nada disso… Sr. Frye, eu quase nunca ouço você falar tanto.
— Eu já fui pastor em uma casa de trabalho da Deusa. — Frye manteve sua atitude fria.
Quando os três chegaram à porta da casa de trabalho no Burgo Oeste, mostraram seus documentos de identidade ao porteiro, que estava olhando as pessoas na fila com arrogância, antes de serem levados para o interior da casa de trabalho.
O estabelecimento foi transformada a partir de uma igreja antiga. Havia colchões e redes por todo o salão de missas. O cheiro pungente de suor misturado com o cheiro do pé de atleta impregnava todos os cantos.
Dentro e fora do corredor, havia muitas famílias pobres. Alguns usavam martelos para quebrar pedras, outros pegavam estopa; ninguém estava sem o que fazer.
— Para não permitir que as pessoas pobres confiem demais nas casas de trabalho e se transformem em malandros, a Lei dos Pobres estabelecida em 1336 impôs uma regra segundo a qual toda pessoa pobre só pode ficar na casa de trabalho por cinco dias, no máximo. Mais que isso, a pessoa é expulsa. Durante os cinco dias, eles têm que fazer trabalho manual, como quebrar pedras ou colher estopa. Essas são as mesmas tarefas que os criminosos na prisão fazem — explicou Frye a Klein e Leonard brevemente, sem muita emoção.
Leonard abriu a boca, e ninguém tinha certeza se ele estava provocando ou explicando:
— Quando eles saírem desta casa de trabalho, poderiam ir para outra. É claro que talvez não consigam se mudar. Heh, talvez, para alguns, pessoas pobres são como criminosos.
…Colhendo estopa? — Klein estava quieto. Ele não sabia mais o que perguntar.
— As fibras das cordas antigas são realmente um ótimo material para selar as frestas em barcos. — Frye parou e encontrou uma marca de queimadura no chão.
Poucos minutos depois, o diretor e o pastor da casa de trabalho correram até eles. Ambos eram homens na casa dos quarenta anos.
— Salus começou o incêndio aqui e queimou só a si mesmo até a morte? — perguntou Leonard, apontando para a marca cinza no chão.
O diretor da casa de trabalho era um homem com uma testa larga e rugosa. Ele examinou a área para onde o inspetor Mitchell estava apontando com seus olhos azuis e assentiu em afirmação.
— Sim.
— Antes disso, Salus agiu de maneira estranha? — Perguntou
Klein.
O diretor da casa de trabalho pensou e disse:
— De acordo com a pessoa que dormia ao lado dele, Salus estava recitando “o Senhor desistiu de mim”, “o mundo está muito sujo”, “não tenho mais nada”, e coisas do tipo. Ele estava cheio de ressentimento e desesperança, mas ninguém esperava que ele quebrasse todas as lâmpadas de querosene e começasse um incêndio para queimar o local enquanto todos dormiam. Graças a Deus, alguém descobriu a tempo e parou seu ato perverso.
Klein e Leonard então encontraram algumas pessoas que dormiram ao lado de Salus na noite anterior e também encontraram o guarda que interrompeu a tragédia. No entanto, essas pessoas não tinham nada de novo para contar.
Obviamente, eles usaram Visão Espiritual, divinação e outros métodos para verificar se alguma pessoa estava mentindo ou os enganando.
— Parece que Salus já tinha por muito tempo a ideia de se vingar e se autodestruir. Parece ser um caso muito normal. — Leonard esperou até que o diretor e o pastor saíssem para expressar sua opinião.
Klein ponderou e disse:
— Minha divinação me diz que não há fatores sobrenaturais influenciando este caso.
— Vamos eliminar temporariamente o caso de Salus — concluiu Leonard.
Nesse momento, Frye disse repentinamente:
— Não, talvez haja outra possibilidade. Por exemplo, Salus agiu por instigação de outra pessoa, um Beyonder que não tomou nenhuma medida sobrenatural.
Os olhos de Klein brilharam e ele ecoou:
— É muito possível, como o Instigador de antes!
Instigator Tris!
Mas isso não tem nenhuma ligação com a morte da sra. Lauwis… — Ele pensou, vincando levemente as sobrancelhas.
Capítulo 121
Capítulo 121 – A hipótese de Leonard
Depois de ouvir as suposições de Klein e Frye, Leonard ajeitou seu colarinho e andou, dizendo:
— Então temos que investigar todos os funcionários da casa de trabalho que entraram em contato com Salus, e também todos com que ele se encontrou depois que faliu e foi expulso de casa. É realmente bastante problemático… O tempo é essencial. Vamos nos separar e fazer uma verificação superficial e depois iremos para a terceira morte relatada no Burgo Oeste e deixar o resto para a polícia.
— Tudo bem — respondeu Klein sem hesitar.
Frye não teve nenhuma objeção. Ele se virou para as pessoas que dormiam perto de Salus na noite passada.
Klein estava prestes a procurar alguém para questionar quando de repente viu Leonard lançando olhares para ele. Ele estava apontando para o corredor lateral da casa de trabalho com o queixo.
O que ele quer? — Klein estava um pouco perdido. Ele agiu como se nada tivesse acontecido e caminhou pelo corredor, depois seguiu Leonard para o corredor lateral enquanto Frye estava distraído. Eles atravessaram a divisória até um canto silencioso que não tinha ninguém por perto.
— Eu tenho uma hipótese — disse Leonard de repente, parando em frente a uma janela quebrada.
Klein olhou em volta, confuso.
— Qual é a sua hipótese?
Leonard, com seus profundos olhos verdes, perguntou de volta:
— Se não houvesse fatores sobrenaturais, o que você acha que teria acontecido com a sra. Lauwis?
Klein pensou por um momento, depois disse seriamente:
— O mesmo, apenas com um atraso de uma semana ou duas, talvez um mês. Mas para uma família como a deles, só teriam visitado um médico se ela estivesse em seu limite. Enquanto seus problemas cardíacos piorassem, não haveria como ela ser salva.
— E Salus? Se ele não tivesse sido instigado por alguém, que tipo de fim teria? — Leonard perguntou novamente.
Klein ponderou e disse:
— Pela descrição nas informações, Salus já estava muito zangado com sua falência financeira e ficou ainda mais furioso que ninguem o ajudou. Acho que ele poria sua vingança em prática mais cedo ou mais tarde, mas não envolveria as pessoas na casa de trabalho. Ele poderia ter como alvo o chefe que o levou à falência ou a equipe do banco que apreendeu sua casa.
— Qual seria o resultado de sua vingança? — Leonard continuou.
— Sem dúvida, ele já havia decidido acabar com sua vida. Ele teria morrido, não importa qual fosse o resultado de sua vingança. — Klein deu uma resposta afirmativa.
Leonard assentiu e revelou um sorriso.
— Então podemos concluir que a Sra. Lauwis e Salus estavam ambos fadados a morrer em breve?
Klein era um “experiente” guerreiro do teclado. Ao ouvir a pergunta, ele imediatamente teve um palpite.
— Está dizendo que suas mortes foram adiantadas por algun fatore sobrenatural? Mas por quê?
— Uma descrição mais precisa seria que sua “força vital” havia sido encurtada por algum fator sobrenatural. Foi roubada. E a força vital é o melhor material quando se trata de convocar deuses do mal e demônios ou conduzir terríveis maldições. — Leonard sorriu enquanto corrigia o palpite de Klein.
— Convocar deuses do mal e demônios ou conduzir terríveis maldições… — Klein olhou nos olhos cor de esmeralda de Leonard e disse, meio em dúvida:
— Você parece ter muita certeza disso. Mas, por enquanto, temos apenas duas amostras de investigação…
Leonard riu cinicamente.
— Klein, não há necessidade de fingir entre nós. Vi você se libertar do controle do Artefato Selado 2-049 e sei que você é especial. E você deve sentir que sou um pouco diferente de Beyonders comuns. Seu sorriso desapareceu quando ele olhou nos olhos de Klein.
— Eu te disse que existem muitas pessoas especiais neste mundo que sempre podem fazer coisas que os outros não, como você… e eu.
— Este mundo tem uma longa história. Há muitos itens mágicos que as pessoas desejam obter, controlar. Eles desejam se tornar as estrelas de seu próprio show. Não há muitas pessoas assim, mas é impossível que exista apenas uma ou duas.
— Não acho que um Beyonder com seus segredos seja uma pessoa má ou um bandido do mal. Não acho que precisamos esclarecer de onde vêm suas habilidades especiais e o que elas representam… Desde que suas ações não coloquem a mim, os Falcões Noturnos ou a cidade de Tingen em perigo, você ainda é meu parceiro. Da mesma forma, espero que você me olhe com a mesma atitude. Claro, é melhor não falar disso com os superiores. Aqueles velhotes são antiquados e conservadores, sempre pensando que pessoas especiais como nós definitivamente perderão o controle, definitivamente sentirão a atração e a tentação dos deuses do mal ou de demônios.
Mas tenho mais segredos do que você pode imaginar… — pensou Klein consigo mesmo. Ele então disse com franqueza:
— Eu compartilho os mesmos sentimentos que você. Só observarei suas ações e motivos e não me importarei com o quão especial é. Também tentarei não investigar seus segredos.
Depois de dizer isso, ele acrescentou em seu coração: Não, na verdade eu me importo e estou muito curioso, mas estou aguentando por enquanto. Hmm, Leonard acha que ele é a estrela de um show? Que tipo de encontros ele teve e que tipo de itens mágicos possui?
Leonard desabotoou os botões da camisa e assentiu com uma risada.
— Fico feliz que temos esse entendimento.
— Nos romances de ação, isso é chamado de encontro de dois protagonistas. As rodas da história então entram em movimento.
Que vergonha! — Klein deu um sorriso superficial.
Ele sabia que a frase “rodas da história entram em movimento” veio do imperador Roselle…
Leonard andou rapidamente, seus olhos verdes brilharam quando ele curvou os cantos da boca.
— Muito bem, vou ser sincero; estou bastante confiante de que as vítimas dessas mortes morreriam nos próximos três meses, mas suas mortes foram antecipadas às últimas duas semanas por alguém, por alguns meios. O motivo da outra parte deve ser convocar deuses do mal ou demônios, ou ainda uma terrível maldição em larga escala.
— É fácil para o criminoso esconder seus assassinatos, já que suas vítimas já mostravam sinais de que em breve morreriam. Isso não atrairia a atenção do departamento de polícia nem seria interrompido pelos Falcões Noturnos, Punidores a Mandato e Consciência Coletiva das Máquinas durante a fase preparatória… — murmurou Klein para si mesmo e analisou o processo de pensamento do criminoso.
Leonard sorriu e concordou:
— Isso mesmo. Se três pessoas saudáveis e normais de repente caíssem mortas, definitivamente atrairia atenção e resultaria em uma investigação.
— Então, como vamos encontrar o altar usado para o ritual? Independentemente de o culpado querer convocar um deus maligno, algum demônio ou conduzir uma terrível maldição, ele precisaria de um altar de sacrifício, um ritual. A força vital colhida também teria que ser armazenada em um local semelhante. — Klein optou por acreditar em Leonard, pois não tinha outras pistas e foi incapaz de fazer outras deduções.
Não custa tentar!
Leonard riu e disse:
— Klein, isso não está no seu domínio profissional? Não consegue imaginar o que está acontecendo em torno de um altar como esse?
Sem esperar pela resposta de Klein, Leonard descreveu:
— Uma aura espessa de morte com o altar no centro. Não haveria seres vivos além da pessoa que conduz o ritual em um raio de dez metros. A temperatura ao redor seria pelo menos cinco graus abaixo da média, com um vento frio passando continuamente… e a força vital roubada da Sra. Lauwis e do restante estaria dentro do altar, selado por uma barreira de espiritualidade…
Tendo dito isso, ele olhou para Klein e brincou:
— Eu acho que você seria capaz de divinar aproximadamente onde estaria um altar com essas características.
Klein franziu e respondeu solenemente:
— …Enquanto estiver dentro da cidade de Tingen. Além disso, eu precisaria de um lugar tranquilo onde não fosse perturbado. Minha casa, por exemplo. Também precisaria dos pertences pessoais da sra. Lauwis e do resto.
O coração de Klein acelerou. Ele sentiu que Leonard conhecia um pouco demais as artes das trevas.
— Sem problema. — Leonard riu. De repente, ele passou por Klein e caminhou em direção ao corredor, sem dizer mais nada.
Aquele homem com certeza tem um estilo único… — Klein amaldiçoou em seu coração e o seguiu.
Quando Leonard encontrou Frye seriamente fazendo anotações, ele assumiu um tom sério e disse:
— Tenho uma hipótese e queria que Klein a tentasse.
— Que hipótese? — perguntou Frye, parecendo frio.
— Vou lhe contar se houver um resultado. Não quero ser ridicularizado por Rozanne e os outros. — Leonard deu uma desculpa caprichosa e mudou de assunto.
Frye não perguntou mais nada. Ele agiu de acordo com as instruções e obteve os pertences pessoais de Salus e Sra. Lauwis na delegacia de polícia, e depois encontrou seus parceiros na casa de Klein.
— Esperem na sala e não deixem ninguém me incomodar. — Klein pegou o relógio de bolso e olhou a hora.
Eram cerca de seis. Melissa pode voltar a qualquer momento.
— Pode confiar em nós. — Leonard colocou as mãos nos quadris e andou pela sala de estar. Frye sentou-se silenciosamente no sofá.
Leonard tem TDAH? — Klein fez cara feia e foi para o quarto no segundo andar. Ele trancou a porta e selou a sala com uma barreira de espiritualidade.
Depois disso, ele montou um altar e pediu a ajuda da deusa, eliminando quaisquer distúrbios.
Então, Klein escreveu uma declaração de divinação em um pedaço de papel.
— A posição do altar.
Ele fez uma declaração abrangente para não deixar nenhuma informação passar.
Pegando o pedaço de papel e os pertences dos mortos, Klein deitou na cama. Ele primeiro lembrou a cena que Leonard descreveu e depois recitou silenciosamente a declaração sete vezes.
Ele não tentou usar o mundo acima do nevoeiro, primeiro, porque aquele estranho e misterioso Leonard estava no andar de baixo. Quem saberia se ele notaria ou não algo estranho sobre o ritual. Em segundo lugar, sua poção Vidente estava prestes a ser completamente digerida. Era provável que a ajuda do ritual fosse suficiente para o sucesso de sua divinação.
Klein só consideraria encontrar uma oportunidade de entrar no mundo do nevoeiro se não obtivesse resultado. Afinal, a convocação de um deus maligno ou demônio era algo que poderia ameaçar Benson, Melissa e a ele próprio!
Com a ajuda de Cogitação, ele rapidamente entrou no sonho e viu uma cena nebulosa, ilusória e fragmentada.
Logo depois, uma imagem flutuou diante de seus olhos.
Era uma casa azul-acinzentada de dois andares banhada pelo brilho do pôr-do-sol. As janelas do primeiro andar estavam fechadas e as cortinas escuras não tinham brechas. No entanto, elas expandiam e contraíam de tempos em tempos.
O solo ao redor da casa era marrom escuro, mas nada crescia nele. O jardim ao redor da casa parecia coberto de sombras, em ruínas e escuro.
Havia um rio fluindo silenciosamente perto da casa.
…
Algum tempo depois, Klein saiu do sonho, sem ter visto mais nada.
A hipótese de Leonard estava correta… Onde poderia ficar aquela casa? Há muitos rios na cidade de Tingen, como no Burgo Oeste, Sudoeste, a área do porto, a área da universidade… — Ele abriu os olhos e massageou as têmporas enquanto pensava, sua expressão séria.
Capítulo 122
Capítulo 122 – Edifício Alvo
Rua Narciso, nº 2. Na sala de estar, com o brilho do crepúsculo.
Klein estava na frente da janela enquanto contava a Frye e Leonard.
— Minha divinação revelou algo. Vi um edifício de dois andares azul-acinzentado em meu sonho. As janelas do primeiro andar estavam fechadas e as cortinas também. Era cercado por alguns metros de solo marrom, sem vegetação ou flores. Também havia um jardim terrivelmente sombrio, igual ao que encontraria em uma história de terror.
— A única característica que pode ser usada para identificá-lo é um rio próximo, um rio ligeiramente largo.
— Pode ser o rio Tussock ou o rio Khoy. Só conseguiremos descobrir através do processo de eliminação. Espero que ainda possamos achar a tempo.
O rio Tussock era o maior rio do Reino Loen, vindo do noroeste, onde ficava a montanha Mirminsk. Fluía em direção ao sudeste, passando por Midseashire, no condado de Awwa, e então pela capital, Backlund, e entrando no mar perto do porto de Pritz.
Os locais onde convergia na cidade de Tingen incluíam o canto sudoeste do Burgo Oeste e o porto no Burgo Sul. A fonte do rio Khoy vinha do norte da montanha York, e atravessava o distrito universitário no Burgo Leste e se fundia localmente com o rio Tussock.
Esses eram os dois principais rios em Tingen. O resto só podia ser considerado riachos e nenhum deles tinha uma superfície de água extensa.
Ao ouvir a descrição de Klein, o pálido e frio Frye assentiu levemente.
Como não havia outras pistas, o processo de eliminação era o único método eficiente!
Nesse momento, Leonard sorriu e disse:
— Talvez possamos reduzir os possíveis locais do alvo.
— E como faríamos isso? — Klein franziu a testa e perguntou em resposta enquanto olhava para o relógio de bolso prateado de folhas de videira.
Leonard riu.
— Um criminoso com um plano e uma meta selecionaria alvos em algum lugar longe da localização do altar. Isso é resultado de seu instinto natural: ficar seguro.
— Somente quando não houver muitas pessoas prestes à morrer nas áreas distantes de seu altar, que ele considerará os alvos mais próximos.
— Portanto, devemos ler as informações novamente, excluir as áreas em que o número de incidentes de morte subiu rapidamente acima dos padrões normais.
Os olhos de Klein brilharam quando ouviu isso.
— Brilhante hipótese!
Ao mesmo tempo, ele suspirou interiormente — eu realmente não tenho talento para ser um detetive!
Frye assentiu e pegou os documentos na mesa de café e começou a lê-los novamente.
Depois de alguns minutos, ele aprofundou sua voz rouca e disse:
— Realmente existe tal região e há apenas uma possibilidade.
— Que área? — perguntou Klein.
Frye passou a pilha de documentos para Leonard, que estava a seu lado. Ele apertou os lábios finos e disse:
— Burgo Oeste.
É no Burgo Oeste? — Klein cerrou o punho e imediatamente sugeriu,
— Então vamos procurar a área sudoeste do Burgo Oeste. Essa região não é tão grande!
— Concordo — ecoou Leonard enquanto acenava com os papéis em suas mãos, como se não fosse ele quem sugeriu diminuir a área da busca.
A carruagem de duas rodas andou lentamente pela estrada lamacenta. Ao lado deles, o brilho vermelho e laranja do pôr do sol refletia em um rio largo, colorido com o brilho crepuscular.
Klein e Frye olhavam pelas janelas dos dois lados da carruagem, inspecionando uma casa atrás da outra. Estavam à procura de uma casa azul-acinzentada com um jardim em ruínas. Se possível, observariam também se as cortinas do primeiro andar estavam fechadas.
Leonard sentou calmamente em seu lugar original, encostado na parede da carruagem enquanto cantarolava uma música popular local.
O cenário escuro passou rapidamente pela janela, e Klein avistou um prédio de dois andares azul-acinzentado pelo canto do olho.
Em frente ao edifício havia um jardim sombrio que aparecia em ruínas.
— Encontrei! — disse Klein enquanto suprimia sua voz.
Antes de terminar sua frase, Frye e Leonard se espremeram para olhar pela janela. Quase não havia espaço entre eles.
À medida que a carruagem se aproximou do prédio, as cortinas escuras fechadas no primeiro andar apareceram diante dos olhos dos três Falcões Noturnos.
Klein nem precisava divinar se era o edifício certo; ele estava completamente certo de que era o que ele havia visto em seu sonho. Era aí que o altar maligno foi erguido!
Nenhum deles parou a carruagem, mas permitiram que o motorista continuasse em frente. Eles passaram o edifício e continuaram se afastando, como se estivessem apenas passando.
Quando não podiam mais ver o prédio, Leonard disse ao motorista para parar a carruagem.
— Klein, volte para a rua Zouteland nesta carruagem e peça ao Capitão que venha aqui para nos ajudar. — Leonard estalou os dedos e sorriu para seu companheiro de equipe.
Ele está pensando que sou um novato e que não deveria estar envolvido em uma missão tão perigosa? Esse sujeito ainda é um cara legal… — Klein ficou surpreso ao perceber a intenção de Leonard.
Frye assentiu, concordando.
— Você acabou de começar o treinamento de combate e seu papel é de suporte.
Eu sei, e uma pessoa que pode matar tantos para realizar um ritual não será um oponente fácil. Só o capitão poderia tornar essa situação menos aterrorizante… — Klein respirou fundo e concordou racionalmente.
Ele olhou para Leonard, e depois para Frye antes de forçar um sorriso e dizer:
— Cuidado.
— Não se preocupe, aprecio muito minha vida. Até o Capitão chegar, não chegaremos perto, iremos apenas vigiar. — Leonard sorriu.
Frye não disse nada, apenas pegou sua mala.
Klein ficou quieto por um tempo, depois pegou um centavo de cobre e disse:
— Eu vou pelo menos divinar uma vez para vocês.
Ele recitou:
— O que está para acontecer aqui terá um bom resultado. Ele jogou a moeda ao mesmo tempo em que seus olhos ficaram escuros.
Dang!
A moeda virou no ar e caiu firmemente na palma da mão de Klein.
Klein olhou e viu a cabeça do rei. Ele imediatamente soltou um suspiro de alívio.
— É apenas um sinal impreciso, então há outras interpretações. O mais importante é ter cuidado e prudência todo o tempo — Ele explicou a Frye e Leonard, como um vidente.
Leonard já havia se virado. Ele acenou e pulou da carruagem.
— Tão irritante quanto minha avó de oitenta anos…
Frye assentiu seriamente e saiu com a mala.
Observando seus dois companheiros de equipe indo em direção ao edifício, Klein tocou o revólver no coldre da axila e disse ao motorista:
— Para a rua Zouteland.
O motorista, contratado por hora, não se opôs, e permitiu que os cavalos continuassem a jornada.
Rua Zouteland, nº 36.
Quando Klein entrou na Companhia de Segurança Blackthorn, Rozanne, sra. Orianna e os outros já haviam saído do trabalho.
Estava tudo estranhamente quieto e escuro.
Dunn estava sentado no sofá na área de hóspedes. A lâmpada a gás estava apagada, e ele parecia se misturar na escuridão do seu casaco preto.
— Encontraram alguma pista? — Klein, que procurava o Capitão, se assustou com a voz profunda de Dunn.
Klein rapidamente se virou e olhou nos olhos cinzentos de Dunn e disse:
— Sim, nós…
Ele rapidamente falou sobre a ousada hipótese de Leonard, sua confirmação por divinação e a subsequente descoberta da casa.
Quanto à confiança de Leonard e à singularidade que haviam discutido sobre, elas não eram importantes no caso e obviamente não mereciam ser mencionadas.
Dunn o interrompia de vez em quando. Quando o briefing terminou, ele se levantou abruptamente e caminhou em direção à porta.
Quando estava quase descendo as escadas, ele se virou e disse:
— Quase esqueci, você fica aqui no caso de alguma emergência.
— Tudo bem. — assentiu Klein solenemente.
Naquele exato momento, fora Kenley, que estava de plantão vigiando o Portão Chanis, os outros Falcões Noturnos estavam ocupados em campo.
Dunn Smith desceu alguns degraus e parou de repente. Quando colocou o chapéu, ele gritou para Klein pela porta:
— Tranque a porta e me siga. Heh, não precisaremos que você se junte à batalha. Primeiro, você pode ter uma noção da atmosfera e, segundo, podemos precisar da ajuda de magia ritualística durante a busca ou inspeção final. Lembre-se, até que tudo termine, você deve estar a pelo menos cinquenta metros de distância. Você não pode se aproximar do edifício!
Klein ficou atordoado e assentiu com firmeza.
— Tudo bem!
O sol se pôs sob o horizonte, e o afluente rio Tussock ficou sombrio e escuro.
Nuvens escuras obscureciam a lua carmesim, fazendo a casa de dois andares azul-acinzentado parecer um monstro escondido nas sombras.
O jardim diante da casa estava extremamente silencioso. Era como se não tivesse insetos, nem outras formas de vida.
Klein olhou para a cena à distância, suas mãos suando e seu corpo tremendo.
Ele sentiu que havia inúmeras coisas terríveis escondidas, esperando, e famintas por um banquete sangrento.
Ele observou Dunn, Leonard e Frye se moverem cuidadosamente em direção ao edifício-alvo, misturando-se na escuridão.
No segundo andar do prédio azul acinzentado, no quarto sem luzes.
Uma jovem donzela gentil e doce, com um rosto redondo, estava sentada diante de sua penteadeira, olhando atentamente para seu rosto depois da complicada rotina de cuidados com a pele que havia acabado de completar.
Havia um espelho prateado ao lado de sua mão direita, sua superfície grosseira e áspera, quase incapaz de refletir sua imagem. De repente, uma corrente de sangue escorreu no espelho.
A expressão da gentil e doce Trissy ficou grave de repente. Ela se levantou, caminhou até a janela e observou em silêncio.
Capítulo 123
Capítulo 123 – Batalha de Beyonders
Videiras cresciam por todo o jardim em ruínas do lado de fora das janelas de vidro. O rio corria suavemente, refletindo as estrelas no céu enquanto brilhavam nos edifícios próximos.
Tudo estava em silêncio, como se esperasse a chegada da noite.
Trissy, de traços comuns que combinavam para torná-la surpreendentemente bonita, retraiu o olhar e caminhou rapidamente em direção ao cabideiro para pegar uma longo manto preto com capuz.
Ela rapidamente colocou o manto, fechou os botões e o cinto antes de puxar o capuz sobre a cabeça, transformando-se em uma Assassina.
Trissy levantou a mão direita e a passou no rosto, imediatamente tornando sua aparência embaçada.
A seguir, ela pegou um punhado de pó cintilante da bolsa escondida perto de sua cintura e espalhou sobre si mesma enquanto recitava um encantamento.
A figura de Trissy começou a desaparecer pouco a pouco, seu contorno desaparecendo como marcas de lápis sendo apagadas por uma borracha.
Ela silenciosamente saiu do quarto depois de completar seu feitiço de ocultação e foi para a sala oposta, abrindo a janela sem grades.
Com um leve salto, Trissy ficou no peitoril da janela e olhou por cima das planícies gramadas na parte de trás da casa, para a cerca de aço que parecia ter se fundido com a noite. Lá, ela viu o Coletor de Cadáveres, Frye, que silenciosamente caminhava por cima da cerca.
Ela respirou fundo e flutuou como uma pena, pisando no campo gramado sem emitir som algum.
Frye, que usava um casaco preto, examinou cuidadosamente os arredores com seu revólver personalizado na mão, procurando espíritos vingativos ou malignos que pudessem aparecer.
Ele podia ver tais entidades diretamente!
Trissy se aproximou de Frye silenciosamente, chegando atrás dele. Em algum momento desconhecido, uma adaga manchada com
“tinta preta” apareceu em sua mão.
Poof!
Ela atacou rapidamente, enterrando a adaga na parte inferior das costas de Frye.
Mas, naquele momento, a cena à sua frente se despedaçou, como se tudo fosse uma ilusão.
Trissy percebeu que ainda estava parada no peitoril da janela, ainda olhando para o gramado e a cerca de aço.
Só que desta vez, não era apenas o Coletor de Cadáveres, Frye, que estava do lado de fora da cerca. Havia também Leonard Mitchell, que mirava diretamente no parapeito da janela, além de Dunn Smith. O capitão dos Falcões Noturnos estava debruçado e pressionando sua glabela, seus olhos fechados, enquanto ondulações sem forma se espalhavam para fora dele.
As pupilas de Trissy se contraíram. Ela entendeu que tudo o que havia acontecido era apenas um sonho. Ela havia adormecido sem perceber!
Bang! Bang! Bang!
Leonard e Frye dispararam três tiros, acertando com precisão o alvo invisível que ainda estava acordando de seu sonho.
Crack!
A figura de Trissy começou a aparecer, primeiro rachando, depois se quebrando completamente em fragmentos de um espelho prateado grosseiro!
Dentro da casa, Trissy, que havia usado um feitiço de substituição, se virou para escapar. Ela seguiu pelo corredor e os degraus, correndo até o primeiro andar.
Whoosh!
Um vento frio e sinistro soprava no primeiro andar, um que poderia congelar uma pessoa. Figuras transparentes e sem forma andavam entorpecidas em todos os cantos da casa, atordoadas.
Trissy, que havia saído do estado de ocultação, sentiu sua temperatura cair toda vez que passava pelos espíritos. Ela não podia mais controlar seus arrepios quando finalmente alcançou o altar de sacrifício.
O altar era uma mesa redonda, com uma estatueta de uma divindade esculpida em osso colocada no centro.
Essa estatueta era do tamanho da cabeça de um homem adulto, com apenas uma mera indicação de seus olhos, mas a figura era a de uma bonita mulher.
Seus cabelos se estendiam da cabeça aos calcanhares, cada mecha clara e grossa, como se fossem cobras venenosas ou tentáculos.
Havia apenas um olho na ponta de cada fio de cabelo, alguns fechados, outros abertos.
Havia várias marionetes espalhados em volta da figura, seu artesanato era bruto. Nomes e informações relevantes estavam escritos nos bonecos; por exemplo, Joyce Mayer.
Havia três velas sobre a mesa tremulando com uma chama verdeamarelada, apesar dos ventos frios e sinistros.
Trissy se curvou diante da estatueta da divindade e rapidamente recitou seus encantamentos.
Ela então afastou as marionetes e apagou as chamas das velas antes de pegar a estatueta.
Whoosh!
Os ventos uivaram ferozmente enquanto balançavam violentamente as janelas fechadas.
Clank! Creak!
Fragmentos de vidro voaram em todas as direções.
Frye, que havia acabado de chegar ao outro lado da casa, não se atreveu a ir até o altar de sacrifício de forma imprudente. Estremecendo, ele sentiu seu sangue frio e gelado. Isso estava tornando suas ações visivelmente mais lentas.
De repente, ele sentiu um aperto nos calcanhares, como se tivesse sido agarrado por algo invisível.
Uma sensação acentuada de frieza se espalhou para cima a partir do ponto de contato. Um Beyonder de Sequencia 9 já estaria completamente paralisado, mas como Coletor de Cadáveres, Frye não era estranho a tais situações.
Ele virou o revólver para o lado dos calcanhares e apertou o gatilho. Era como se ele pudesse ver quem era o inimigo e exatamente onde estava.
Bang!
Uma bala anti-demônio de prata perfurou o ar, causando um silvo estridente.
A figura sem forma se dissipou e Frye recuperou sua capacidade de se mover.
Em outro lugar, Dunn Smith, que queria chegar ao segundo andar evitando um ataque frontal ao altar, foi igualmente afetado pelos ventos frios. Seu corpo congelou e ele parou do lado de fora de uma janela quebrada.
Whoosh!
As cortinas atrás da janela se levantaram de repente e envolveram Dunn, como se um monstro tivesse acabado de abrir a boca para devorar sua presa.
A cortina enrolada na cabeça de Dunn, parecia ter sido imbuída com vida; os traços faciais de Dunn começaram a ficar visíveis através do tecido.
Dunn, que estava prestes a ser sufocado, bateu com os dois pés no chão. Ele endireitou os joelhos e torceu a cintura, afrouxando o aperto da cortina apenas com força bruta.
Ele agarrou um canto da cortina ao redor da cabeça com a mão esquerda e a puxou para longe antes de jogá-la no chão.
Bang!
Ele disparou na outra metade da cortina atrás da janela, a impedindo de tentar outro ataque contra ele.
A cortina parou imediatamente e um líquido vermelho escuro escorreu para fora dela.
Whoosh!
No gramado, Leonard Mitchell, que recitava seus poemas, também foi atingido pelos ventos frios e sinistros, infundidos com a intensa sensação de morte. Seus dentes batiam, dificultando a enunciação de seus poemas.
As ervas daninhas no jardim subitamente se estenderam, se agarrando em seus calcanhares, e então uma sombra negra se lançou contra ele junto com os ventos violentos.
Leonard, cujo corpo ficou rígido, não disparou a tempo. Ele só pôde puxar o ombro para trás e levantar o braço.
Thud!
A sombra negra bateu em seu antebraço, espinhos perfurando sua pele.
Era uma bonita flor vermelha brilhante, de origem desconhecida.
Com dor, Leonard jogou de lado a flor tingida com sangue.
Bang!
Ele disparou contra as videiras que se espalhavam, fazendo um líquido vermelho escuro escorrer.
Tap! Tap! Tap!
Leonard acelerou o passo e avançou em direção à janela quebrada no primeiro andar, onde o altar estava.
As videiras se retraíram abruptamente de onde ele estava anteriormente, como se estivessem se escondendo de algo invisível.
Trissy aproveitou o caos criado pela destruição do altar e fez um ritual de suspensão para se esconder novamente. Ela conseguiu enganar as Visões Espirituais dos Falcões Noturnos e escapar do ataque em pinça antes de chegar a um ponto atrás dos três Beyonders.
Ela estendeu a mão direita, causando imediatamente um vento frio, que carregou a flor tingida com o sangue de Leonard para a palma de sua mão.
Trissy não parou. Com a flor na mão, ela atravessou agilmente a cerca de aço e escapou na direção do rio Tussock.
Leonard, que havia acabado de entrar no primeiro andar, virou a cabeça abruptamente, como se estivesse ouvindo alguma coisa.
Sua expressão mudou. Ele levantou freneticamente a manga e olhou para o ferimento causado pela flor.
Com sua constituição, a ferida já havia parado de sangrar. Restava apenas um inchaço vermelho.
A expressão de Leonard ficou sombria. Ele beliscou o dedo indicador esquerdo e puxou a unha para fora!
Seu rosto se contorceu de dor, mas ele não parou. Enquanto recitava algo em silêncio, ele cortou a ferida coagulada com a unha. Quando a unha foi tingida com seu sangue vermelho escuro, ele puxou alguns fios de cabelo de seu couro cabeludo e envolveu a unha com o cabelo.
Ao lado do rio Tussock, Trissy diminuiu a velocidade. Ela olhou para a flor em sua mão.
Ela estava entoando algo quando uma bola de fogo ilusória apareceu de repente na palma de sua mão.
As chamas envolveram a flor, queimando-a em cinzas.
Depois de completar isso, Trissy pulou no rio e submergiu.
Ao mesmo tempo, Leonard jogou a unha manchada de sangue enrolada no cabelo para um canto. Ele a viu queimar e soltar um cheiro repugnante e desagradavel.
A unha e o cabelo desapareceram rapidamente, deixando apenas um pouco de poeira para trás.
Leonard deu um suspiro de alívio. Ele entrou no primeiro andar pela janela e disse a Dunn e Frye, que estavam destruindo o altar:
— O alvo escapou. Mas não tem problema, nosso objetivo principal era interromper o ritual.
Dunn suspirou e olhou para as marionetes em cima da mesa.
— Ela foi bastante cautelosa, e parece ser poderosa. Ela sentiu que estávamos nos aproximando dela antes do tempo, caso contrário… Ela deve ser, no mínimo, Sequência 7.
— Dê o sinal a Klein. Peça para ele vir.
Através da breve interação no sonho, ele determinou que o inimigo era do sexo feminino.
Capítulo 124
Capítulo 124 – Encerrando o Trabalho
Klein estava escondido nas sombras de um edifício a dezenas de metros de distância da casa alvo. Ele ouviu o som fraco de tiros e o uivo de ventos violentos.
Se o inimigo corre em minha direção, devo sacar minha arma ou devo fingir que não vi? — Ele pensou enquanto tremia suando frio.
Um Beyonder que poderia, por vários meios, reduzir a vida de outros definitivamente não era Sequência 9 ou 8. Eles certamente não seriam alguém que um Vidente como ele pudesse lutar cara a cara. Mesmo se se sacrificasse, poderia não ser capaz de diminuir a velocidade do alvo o suficiente para Dunn e Leonard o alcançar.
Por sorte a Deusa da Noite Eterna, a Senhora do Desastre, pareceu ouvir as orações de seu “leal” guarda. Ninguém correu em direção ao local onde Klein estava escondido.
Depois de alguns minutos, ele ouviu uma música melodiosa vindo da casa.
Virando a cabeça de lado para ouvir melhor, Klein confirmou que era a música popular local que Leonard Mitchell sempre cantarolava.
Estava cheio de palavras básicas.
Ufa. — Ele soltou um suspiro de alívio. Segurando a arma em uma mão e a bengala na outra, ele saiu das sombras em direção ao edifício-alvo.
A música popular local era o sinal para reagrupar com a qual ele havia concordado com Dunn e o resto!
Klein deu dois passos e de repente parou. Ele encostou a bengala na cerca de metal e trocou o revólver para a outra mão.
Então, ele tirou a corrente de prata da manga e deixou o pingente de topázio pendurar naturalmente.
Klein esperou até o topázio estabilizar e imediatamente fechou os olhos e entrou em estado de Cogitação. Ele recitou uma declaração de divinação:
— O canto anterior era uma ilusão.
— O canto anterior era uma ilusão.
…
Depois de repetir sete vezes, ele abriu os olhos e viu o pingente girando no sentido anti-horário.
— Não é uma ilusão… — Klein guardou o pêndulo, pegou a bengala e rapidamente se aproximou do portão de metal em forma de arco que levava ao edifício-alvo. Ele então passou a bengala preta para a mão direita e a segurou com o revólver.
Ele estendeu as mãos para tocar a cerca, com a intenção de abri-la, mas de repente sentiu um calafrio penetrante. Era como se alguém tivesse derramado um balde de gelo em seu pescoço sem aviso prévio.
Klein sibilou e retraiu as mãos, seus dentes cerrados.
— É como se fosse inverno aqui… — Sob a luz fraca das estrelas e o poste distante, ele olhou através do jardim atrás da cerca de metal. Ele viu os galhos secos, flores caídas e folhas cobertas de geada branca no solo marrom.
Incrível! — Klein ficou maravilhado. Ele dobrou os dedos e tocou na glabela para ativar sua Visão Espiritual.
Ele devolveu a bengala de prata à mão esquerda e a empurrou contra a cerca para abrir o portão fechado.
O portão chiou e ele entrou, adentrando no caminho de pedra que levava diretamente ao prédio azul acinzentado. Em ambos lados do caminho havia plantas deformadas que pareciam se assemelhar a ghouls no escuro.
A cena o lembrou de várias histórias de terror e filmes paranormais.
Ele subconscientemente diminuiu a respiração e acelerou o passo. No entanto, depois de mais alguns passos, alguém de repente deu um tapinha em seu ombro esquerdo.
Badump! Badump!
O coração de Klein quase pulou para fora, e depois começou a bater rapidamente.
Ele levantou a mão direita, apontou o revólver e lentamente se virou para olhar.
Na penumbra, ele viu um galho frágil que estava quase caindo.
— É Isso que chamamos de “assustar a nós mesmos”? — Klein torceu o canto dos lábios, sacudiu a bengala e afastou o galho.
Ele continuou avançando enquanto soluços fracos soavam em seus ouvidos, e “sombras” embaçadas e translúcidas apareciam diante de seus olhos.
Essas sombras se aproximaram depois de sentir a respiração de uma pessoa viva e o calor da carne e sangue.
Klein deu um pulo de susto e imediatamente correu para a porta do prédio azul acinzentado.
É isso que o capitão quis dizer com “entender a atmosfera”? É muito mais assustador do que a última vez que ajudei Sr Deweyville… O ressentimento desse espírito ressentido é mais “rígido” do que as sombras. Naquela época ela não tinha tomado a iniciativa de atacar… — Ele pensou enquanto caminhava em direção ao altar no meio da sala de estar. Era uma mesa redonda cheia de marionentes mal feitas; havia três velas apagadas no meio delas.
Dunn Smith estava em pé diante do altar, de costas para Klein. Ele pegou um boneco atrás do outro e olhou para eles.
O Coletor de Cadáveres Frye olhou para as sombras flutuantes e estendeu a mão na tentativa de confortá-las, mas tudo o que fez foi passar por elas. As sombras não o atacaram, aparentemente o reconhecendo como um deles.
Quando Leonard Mitchell notou a chegada de Klein, ele mudou de tom, tornando sua voz mais suave e encantadora.
— Calma é a manhã sem som,
— Calma, para se adequar a uma dor. — E apenas através da folha desbotada,
— A castanha tamborilando no chão.
…
Na recitação calmante do poema, Klein parecia ver um lago claro refletindo a luz da lua e uma lua carmesim pairando silenciosamente, no alto do céu.
As sombras inquietas se acalmaram e pararam de perseguir o rastro quente dos Falcões Noturnos vivos entre eles.
Dunn colocou a marionete de volta, se virou e disse a Klein:
— Esta é uma cerimônia para uma terrível maldição. Ainda bem que o destruímos.
— Primeiro prepare um ritual para confortar os espíritos restantes, depois tente se comunicar com os espíritos dos mortos e veja se pode obter alguma pista deles.
Klein, que percebeu que não era mais um fardo, imediatamente estendeu o peito e disse:
— Sim, Capitão.
Ele chegou ao altar em alguns passos e estendeu as mãos para tirar os bonecos da mesa redonda.
Naquele momento, ele notou pelo canto dos olhos que cada boneco tinha um nome e uma mensagem correspondente.
— Capitão, você descobriu alguém que conhece? — perguntou Klein de passagem.
Então, ele olhou para Dunn e Dunn olhou para ele. Ambos ficaram em silêncio.
Sou tão bobo… Por que eu faria alguma pergunta que teste a memória do capitão! — Klein quase cobriu o rosto e suspirou.
Se fosse qualquer outro chefe, ele definitivamente encontraria uma oportunidade para dificultar minha vida por causa disso. Felizmente, o Capitão esquecerá isso… Será que isso é uma vantagem ou uma desvantagem? — Ele pensou, meio feliz, meio brincando.
Após um breve silêncio, Dunn parecia finalmente ser capaz de diferenciar a realidade do mundo dos sonhos. Ele respondeu:
— Há alguém que você conhece.
— Quem? — Klein parou, com a mão ainda estendida para colocar uma vela de volta onde deveria estar.
— Joyce Mayer, o sobrevivente da tragédia do Alfalfa — respondeu Dunn.
Joyce Mayer? O noivo de Anna… — Klein de repente pensou em Salus na casa de trabalho. Ele parecia ter sido instigado e enganado por alguém, o fazendo manifestar sua raiva e cometer um incêndio criminoso.
Klein retraiu a mão direita e disse em voz profunda:
— Instigador Tris?
— Ele usou as vidas que foram encurtadas como sacrifício, com a intenção de amaldiçoar todos os sobreviventes da tragédia do Alfalfa? Porque ele não sabia quem descobriu seu envolvimento e fez uma denúncia com a polícia…
Se Tris se vingasse diretamente, teria sido impossível acabar com todos os alvos espalhados por Tingen. Após dois ou três assassinatos, ele teria sido notado pelos Falcões Noturnos, Punidores a Mandato e Consciência Coletiva das Máquinas. Então, ele perderia a chance de continuar sua onda de assassinatos. Klein preencheu os espaços em branco de por que Tris começou tudo isso.
Dunn primeiro assentiu e depois balançou a cabeça.
— Não todos os sobreviventes, apenas os sobreviventes em Tingen. Seu ritual de maldição só pode afetar as pessoas dentro desse alcance.
— Além disso, o responsável pelo ritual é uma mulher, não Tris.
Klein franziu as sobrancelhas e perguntou:
— Talvez seja um especialista que a Ordem Teosófica enviou para ajudar Tris?
Sim, as origens da Ordem Teosófica podem envolver a Seita Demoníaca. É normal que seus especialistas sejam mulheres.
Dunn sorriu e disse em sua voz profunda:
— Eu concordo com seu julgamento. Embora tenhamos encontrado apenas aquela mulher e não Tris, há suposições que podemos fazer. Como, por exemplo, a mulher e Tris não ficam juntos. Ou Tris estava procurando pessoas que irão morrer em breve.
Klein não disse mais nada. Ele colocou as três velas no lugar, pegou o óleo de essência da lua cheia, sândalo vermelho e outros ingredientes e montou o altar rapidamente.
Depois que usou uma adaga de prata para fazer uma barreira selada, ele começou a orar à Deusa da Noite Eterna, a Senhora da Calma e do Silêncio. Ele rezou para que as sombras dentro e fora da casa fossem completamente consoladas.
Infelizmente, na tentativa subsequente de se comunicar com os espíritos dos mortos, Klein pôde ver apenas um pouco do que os espíritos haviam visto antes de suas mortes. Não havia pistas úteis.
Depois de acomodar as sombras em um sono tranquilo na noite escura, ele terminou a cerimônia e removeu a barreira de espiritualidade. Ele então balançou a cabeça e disse aos outros:
— A backlash do ritual interrompido causou danos graves e as imagens remanescentes do responsável por isso tudo foram perdidas.
Dunn não ficou surpreso. Ele apontou para as escadas e disse:
— Vamos dar uma olhada no segundo andar e tentar novamente.
— Okay. — Klein, Leonard e Frye assentiram.
Os três Falcões Noturnos subiram as escadas para o segundo andar e se separaram para procurar em cada quarto.
No final, eles se reuniram em um quarto que estava cheio de um aroma fraco. Eles viram vestidos bagunçados espalhados e caixas abertas.
Dunn pegou uma caixa da penteadeira e a cheirou antes de perguntar:
— São cosméticos?
— Para ser exato, eles são produtos para cuidados com a pele. Desde o Imperador Roselle, eles não foram agrupados com um termo amplo — explicou Leonard com um sorriso. — Capitão, como um cavalheiro, há certas coisas que você precisa saber.
Klein não entrou na discussão, mas olhou para o espelho na penteadeira.
Havia uma rachadura óbvia no espelho, e havia pedaços quebrados no tapete logo abaixo.
— A Beyonder saiu às pressas. Ela não o destruiu completamente… — ele disse de repente em uma voz profunda. — Talvez eu possa tentar.
— Deixo isso com você — respondeu Dunn em confiança.
Klein rapidamente trouxe as velas do primeiro andar e as acendeu em frente do espelho quebrado.
Sob a luz fraca e tremeluzente das velas, ele pegou itens como essência da lua cheia para criar uma barreira de espiritualidade.
Depois que Klein preparou tudo, ele parou diante do espelho que refletia as luzes das três velas e recitou em Hermes.
— Eu rezo pelo poder da noite escura.
— Eu rezo pelo poder do mistério.
— Eu rezo pela graça amorosa da Deusa.
— Eu rezo para que o espelho receba uma breve restauração, rezo para que ele mostre todas as pessoas que refletiu no mês passado.
…
Enquanto o encantamento estava sendo recitado, um vento forte subitamente uivou dentro da barreira de espiritualidade.
Os pedaços quebrados do espelho giraram no chão e retornaram aos seus locais originais.
O espelho que estava coberto de rachaduras subitamente ondulou com um brilho sombrio. Klein passou as mãos sobre ele e uma figura humana apareceu de repente na superfície do espelho. Mas essa figura não era Klein.
Era uma donzela jovem, gentil e doce, com um rosto redondo. Talvez fosse porque o espelho estava quebrado ou talvez pela reação do ritual interrompido que também afetou o segundo andar. Suas feições faciais estavam embaçadas e sua aparência real não era exatamente muito clara.
Mas mesmo assim, Klein achou a pessoa estranhamente familiar.
Capítulo 125
Capítulo 125 – Ideia ousada
Quando confrontados com um estranho senso de familiaridade, outros Beyonders Sequência 9 podem se esforçar ao máximo para se lembrar da fonte de tal sensação ou até desconsiderar e esquecê-lo. Mas para um vidente era diferente. Klein imediatamente terminou o ritual e dissipou a barreira de espiritualidade. Ele pegou um pedaço de papel e escreveu uma declaração:
— A fonte do senso de familiaridade.
Depois disso, ele se sentou na beira da cama no quarto e silenciosamente a recitou com o pedaço de papel na mão.
Sete vezes depois, suas pupilas ficaram mais escuras. Ele adormeceu com ajuda de Cogitação e começou a conversar com sua própria espiritualidade.
No mundo nebuloso e contorcido, Klein viu uma carruagem. Ele viu uma jovem vestindo um longo vestido cinza.
Esta dama tinha cabelos lisos e negros, o rosto um pouco redondo. Ela tinha um comportamento gentil e agradável, mas seu corpo tremia de maneira não natural.
A imagem tremeu e, mais uma vez, Klein viu essa moça bonita no mercado clandestino. Ela estava agachada conversando com alguém.
O sonho retrocedeu rapidamente e Klein acordou, entendendo por que a imagem que viu no espelho era tão familiar.
Ele já encontrou essa pessoa antes!
A primeira vez foi na rua Narciso, no distrito próximo à rua Cruz de Ferro. O Capitão e o resto estavam perseguindo o Instigador Tris naquela noite… Deve haver uma conexão. — Klein pensou por alguns segundos, então montou o ritual mais uma vez. Ele pediu ajuda da deusa para esboçar o retrato do inimigo em sua memória.
Dunn e o resto estavam esperando silenciosamente, sem interromper Klein desnecessariamente. Somente quando ele terminou de desenhar, eles se amontoaram e inspecionaram o retrato.
— Você já a viu antes? — perguntou Dunn.
Klein acentiu e respondeu:
— Sim. A vi na carruagem pública na rua Narciso na noite em que você estava indo atrás do Instigador, no bairro perto da rua Cruz de Ferro.
— Então, há uma boa chance de ela ser a inimiga de agora. A parceira do Instigador. — Dunn assentiu, pensando.
Leonard de repente entrou na conversa:
— Algum de vocês não acha que esse retrato é muito familiar? Ela se parece muito com o Instigador Tris!
Klein congelou, imediatamente olhando novamente para o retrato, o estudando com cuidado.
— Sim, são muito parecidos. Rosto redondo, olhos estreitos, comportamento gentil… — Quanto mais olhava para o retrato, mais sentia que o que Leonard disse fazia sentido. A maior diferença era que o Instigator Tris tinha características comuns, enquanto a jovem podia ser considerada bonita.
Klein levantou a cabeça e olhou para Leonard, notando que ele estava sinalizando algo, erguendo as sobrancelhas.
O que ele quer dizer? — Klein estava confuso.
Dunn Smith supôs:
— Ela poderia ser a irmã do Instigador. Talvez como seu irmão, ela se juntou à Ordem Teosofica ou à Seita Demoníaca.
Leonard suspirou depois que percebeu o quão ruim Klein era para entender o que queria dizer. Ele então disse em tom sério:
— Eu tenho uma ideia bastante ousada.
— Que ideia? — perguntou Dunn .
Leonard descreveu sucintamente:
— Acho que essa pessoa é o instigador Tris!
— O quê? — Frye exclamou em choque.
Dunn franziu as sobrancelhas e disse:
— O que quer dizer é que o instigador Tris é na verdade mulher, ou um homem que finge ser mulher? Não, pelo sonho, posso confirmar que ela é mulher.
Klein foi exposto a muitos enredos criativos e ridículos. Ele deu outra olhada no retrato e imediatamente teve outro palpite.
— Será que o instigador Tris se tornou uma mulher?
Isso poderia explicar muitas coisas. Por exemplo, por que a trilha que leva a Tris acaba de repente? Por que não encontraram nenhum vestígio, mesmo com divinação? Talvez porque houve uma mudança fundamental em seu alvo! A única questão era como ele poderia se transformar em uma mulher em tão pouco tempo. E parecia ser bastante simples… Ele tinha uma aparência bem decente após sua transformação. Quero dizer, para ser honesto, ela é bastante atraente… — pensou Klein , distraído.
Leonard assentiu em alívio.
— Sim, essa é a minha teoria. Isso pode explicar perfeitamente por que o Instigador Tris aparentemente desapareceu. Isso também se encaixa no fato estranho de que os escalões superiores da Seita Demoníaca são todos mulheres.
Dunn e Frye ficaram momentaneamente sem palavras.
Mesmo tendo visto muitos monstros e coisas maravilhosas, foi a primeira vez que lidavam com uma transformação como essa!
— O que você quer dizer é que há um número considerável de mulheres nos escalões superiores da Seita Demoníaca que costumavam ser homens? — perguntou Dunn . Ele não esperou uma resposta antes de dizer:
— Isso poderia ser possível… Talvez seja a característica única de sua poção.
Klein tremeu um pouco enquanto ouvia. Ele sentiu que a poção da Seita Demoníaca era uma armadilha!
— Vamos torcer para que uma poção semelhante não exista no caminho de Vidente… Não, definitivamente não. Esse é o caminho da Demonia. Até o nome da poção soa errado… Mas eu ainda não sei qual a Sequência 1 correspondente de Vidente é… — Klein subconscientemente começou a orar à Deusa.
— As poções podem realizar uma coisa dessas? — perguntou Frye com um pouco de descrença.
Leonard riu e levantou as mãos.
— Mesmo uma poção de sequência média ou baixa pode causar mudanças inimagináveis. Afinal, todas elas originaram do Criador.
Dunn virou para olhar para Klein.
— Tente divinar onde o alvo aparecerá em seguida.
— Tudo bem. — Klein foi até a pilha de vestidos e, com emoções confusas, escolheu um e o esticou sobre o tapete.
Ele segurou a bengala sobre o vestido e pensou nas características do alvo e informações relevantes. Ele então começou a recitar em seu coração.
Tris… não, o paradeiro de Trissy.
O paradeiro de Trissy.
…
Sete vezes depois, as pupilas de Klein mudaram de marrom para preto. O vento começou a soprar em torno dele.
Sua mão esquerda soltou sua bengala, permitindo que a bengala preta oscilasse.
Apesar de tremer, a bengala não caiu. Ele estava em pe em sua posição original.
— Há interferência… — Klein disse em um tom grave.
Uma interferência implica que nossas suposições estão corretas!
Aquela dama de agora era provavelmente o Instigador Tris, não, Trissy!
Ao ver isso, Dunn assentiu indiscernivelmente.
— Eles são fieis à reputação da Seita Demoníaca que está ativa desde a última Época…
Já que Tris se transformou em Trissy, Dunn deduziu que ela não fazia parte da Ordem Teosófica, mas sim da Seita Demoníaca.
Examinando os arredores, Dunn suspirou e disse:
— Podemos procurá-la por diferentes meios, como de onde essas roupas vieram ou o proprietário desta casa. Também podemos pedir ao departamento de polícia para patrulhar as estações de trem e os cais.
Podemos conseguir algumas pistas dessa maneira, mas Trissy definitivamente terá tido tempo suficiente para deixar Tingen. Sim… vou tentar novamente acima do nevoeiro cinza quando voltar para casa. — Klein era cauteloso com pessoas como Trissy que queriam desencadear um massacre por capricho. Ele queria encontrá-la desesperadamente e executá-la no local.
— Leonard, vá para o departamento de polícia e reúna um grupo para cuidar das coisas aqui. Klein, você pode voltar e descansar agora… — Dunn massageou as têmporas e pausou por alguns segundos. Ele disse a Klein, parcialmente para testá-lo e também para ensiná-lo:
— Como você lidaria com a missão desta noite? Suponha que eu, Leonard e Frye somos os únicos membros de sua equipe.
Klein franziu as sobrancelhas e pensou por mais de dez segundos.
— Primeiro usaria a divinação para verificar se o ritual seria ativado em breve. Se a resposta fosse negativa, eu observaria e não me aproximaria. Depois, notificaria o departamento de polícia para enviar pessoal para a área, e reuniria pelo menos cinco canhões para bombardear todo o edifício até onde quer que Trissy estivesse escondida fosse destruido.
— Ela poderia ser atingida até a morte no edifício ou tentar fugir em meio ao fogo dos canhões, o que iria expô-la facilmente. Até então, colocaria você e o resto em locais diferentes…
Ele ficou mais e mais animado enquanto continuava. Ele achava que sua ideia era simples e eficaz, bárbara e decisiva. Era muito seguro e apropriado!
Dunn, Leonard e Frye ficaram pasmos. Eles não disseram nada por um longo tempo.
— Capitão, não é uma boa ideia? — O coração excitado de Klein bateu rapidamente quando viu que eles não tinham reação.
Dunn ficou em silêncio por alguns segundos antes de dizer:
— Não, é uma boa idéia. Mas a premissa é que temos que confirmar que a destruição forçada do altar não criaria um resultado mais desastroso… Hmm. Como Falcões Noturnos de longa data, estamos acostumados a confiar em nós mesmos, nossos poderes como Beyonders e armas, em todas as circunstâncias. Não estamos acostumados a permitir que pessoas normais entrem em contato com incidentes sobrenaturais…
Tudo bem, sempre fui um fã ardente de bombardeios e de poder de fogo… — Klein acrescentou em seu coração.
…
Klein e Leonard andaram até a estação de carruagens por cerca de quinhentos metros antes de conseguirem vê-la.
Depois de esperar um pouco, eles retornaram à rua Cruz de Ferro. Um foi para a delegacia próxima, enquanto o outro retornou à rua Narciso.
Quando Klein chegou à porta da frente, ele ajeitou as roupas e certificou-se de que tudo estava bem antes de pegar as chaves e abrir a porta.
Melissa e Benson estavam na sala, silenciosamente fazendo suas tarefas e lendo livros, respectivamente, sob a luz da lâmpada a gás.
Benson deve estar cansado depois de trabalhar o dia inteiro, no entanto, ele persevera em seus estudos depois que chega em casa.
Que homem determinado… não posso fazer isso, só consigo me deitar agora… — Klein olhou para o irmão e sorriu, cumprimentando silenciosamente levantando a mão.
Benson sorriu e disse:
— Agora entendo o preço por trás de um salário considerável.
— Há um preço para tudo neste mundo. Há algo que devemos dar antes que possamos ganhar algo em troca — disse Klein, deixando a bengala na prateleira ao lado da porta.
— Isso aparentemente é algo que o Imperador Roselle disse, certo? — Melissa parou de escrever e olhou para cima.
A Escola Técnica de Tingen era diferente das universidades e escolas públicas. Havia apenas duas semanas de férias de verão, do final de julho ao início de agosto. Suas lições foram retomadas no momento em que os dias mais quentes terminaram.
— É mesmo? Não me lembro… — respondeu Klein, sua expressão um pouco rígida.
Ele tirou o chapéu e subiu as escadas. Ele pretendia divinar o paradeiro de Trissy o mais rápido possível.
De repente, ele ouviu seu estômago roncar. Ele sentiu intensas dores de fome.
Ah, certo, ainda não jantei. Mas o bilhete que deixei dizia que a empresa de segurança forneceria comida e pedi que não deixassem comida para mim… Sério, Capitão, você realmente esqueceu disso… — A expressão de Klein mudou várias vezes, pois ele pretendia fingir que estava cheio.
Naquele momento, Melissa se virou e olhou para ele. Ela apontou para a cozinha e disse:
— Deixamos um pequeno pedaço de costeleta de cordeiro e uma tigela de sopa grossa de legumes para você. Ainda há alguns pedaços de pão também.
Depois de dizer isso, ela enfiou a cabeça de volta em sua tarefa e murmurou para si mesma:
— Eu senti que as refeições fornecidas pelo trabalho não seriam muito boas, provavelmente fazendo com que os funcionários perdessem o apetite…
Capítulo 126
Capítulo 126 – A adivinhação não é onipotente
Mana, você se preocupa demais… não, você é muito meticulosa! — De repente, Klein foi energizado. Ele sorriu e disse:
— Melissa, sua preocupação é muito razoável. É verdade que estou com um pouco de fome. Sim, vou tomar banho e me trocar.
Embora sua boca já estivesse salivando, era ainda mais importante confirmar o paradeiro da Instigadora Trissy!
Ninguém sabia que medidas insanas o bastardo tomaria para se vingar da sociedade!
— Okay. — Melissa não levantou a cabeça, apenas continuou sua revisão.
Tap. Tap. Tap.
Klein correu para o segundo andar e entrou em seu quarto.
Ele trancou a porta, tirou a jaqueta e o coldre de axila. Então, ele pegou uma simples faca de prata da gaveta.
Depois de selar seu quarto com uma barreira de espiritualidade, ele respirou, acalmou suas emoções e caminhou quatro passos em sentido anti-horário.
Após o encantamento habitual, Klein apareceu mais uma vez no imponente palácio acima do nevoeiro cinzento. Ele já estava se acostumando aos murmurios enlouquecedores que ouvia durante o processo de transporte.
Tendo completado alguns rituais naquele dia, ele massageou as têmporas, pois estava um pouco cansado. Ele desejou que um pedaço de pele de cabra marrom aparecesse na longa mesa de bronze.
Klein pensou seriamente e depois escreveu a declaração de divinação:
“O paradeiro de Trissy.”
Ele não tinha certeza se o nome estava escrito corretamente, mas também poderia usar a aparência da garota e outras informações detalhadas como guia.
Ele segurou a pele de cabra e recostou-se na cadeira. Recordando sobre as coisas relacionadas a Trissy em sua mente, ele recitou a declaração de divinação sete vezes.
Ele esvaziou a mente, fechou os olhos e entrou em um estado de sonho com a ajuda de Cogitação.
Na cena ilusória em meio à neblina, ele viu um motor a vapor que soltava densa fumaça e faíscas. Ele também viu as filas de assentos de couro em um limpo vagão de trem.
A gentil e doce Trissy, com seu rosto redondo e olhos compridos, estava perto de uma janela. Havia um chapéu de arrastão xadrez na mesa à sua frente.
Klein fez repetidas tentativas para confirmar o número do trem, mas não conseguiu discerni-lo.
Logo, ele não aguentou a pressão e deixou o sonho. A longa mesa de bronze e as estrelas carmesins ilusórias apareceram diante de seus olhos novamente.
Só pude confirmar que Trissy pegou uma locomotiva a vapor e deixou Tingen. Não havia mais pistas… Hmm, parece que esse espaço misterioso só me ajuda a eliminar interferências, não faz muito para melhorar o poder de minhas divinações… — Klein tocou na beirada da mesa e pensou em seu próximo passo.
Através da divinação, ele podia ter certeza absoluta de que o alvo era o Instigador Tris. A nova Trissy, no entanto, já estava fugindo de Tingen. Dadas as circunstâncias, ele não achava que sua nova divinação ajudaria Dunn.
Klein tomou uma decisão rapidamente.
O Capitão já disse que enviaria um telegrama para Backlund, Porto Enmat e outras principais paradas ao longo da ferrovia, para que Trissy seja colocada na lista de procurados em todo o país. Não relatarei o resultado da divinação, caso isso levante suspeitas sobre mim… — Klein rapidamente se decidiu, porque, independentemente do aviso, Dunn já estava usando as medidas mais adequadas para resolver o assunto.
Como ele não conseguiu ver o número do trem na divinação dos sonhos, usar o pêndulo espiritual e outros métodos seria igualmente ineficaz, mesmo que tentasse fazê-lo por processo de eliminação.
Era exatamente como a situação da chaminé vermelha.
Naquele momento, ele se sentiu esgotado mentalmente, então não ficou mais acima da névoa cinzenta, então se envolveu com sua espiritualidade e simulou a sensação de queda.
Quando ele “voltou” para o quarto, sua mente ficou cheia com o pensamento de carne de carneiro saborosa e brilhante gordurosa.
— Devo adicionar um pouco de erva-doce… Louvada seja a Dama! — Klein engoliu sua saliva, removeu rapidamente a barreira de espiritualidade e abriu a porta.
Na manhã seguinte, às vinte para as nove, ele entrou na Companhia de Segurança Blackthorn com a bengala na mão.
— Bom dia, Klein! Tenho boas notícias! — Rozanne acenou com as mãos, excitada, por trás do balcão de recepção.
Os olhos de Klein se iluminaram e ele perguntou:
— Pegamos Trissy?
— Trissy? Quem é? — Rozanne, vestida de verde, parecia perdida.
— … Você provavelmente não a conhece. Quais são as boas notícias? — Klein redirecionou o tópico.
Rozanne respondeu com um sorriso brilhante:
— O pedido do Capitão foi aprovado. O departamento de polícia vai transferir dois membros da equipe da polícia que se depararam com incidentes sobrenaturais para serem funcionários aqui! Finalmente não precisarei ficar acordada a noite toda! Louvado seja a Dama!
— São ótimas notícias — repetiu Klein sinceramente.
Depois de trocar mais algumas gentilezas com Rozanne, ele atravessou a divisória e entrou no subsolo. Ele planejava continuar com suas lições de misticismo.
Quando passou pelo escritório do Capitão e pela sala de recreação dos Falcões Noturnos, ele colocou a cabeça pela porta e olhou em volta, e viu que Dunn, Leonard e o resto ainda estavam lá. Isso significava que a investigação de busca e eliminação na noite anterior não havia retornado nada de útil. O restante seria entregue ao departamento de polícia, para que eles pudessem cuidar das tarefas tediosas de acompanhamento.
No início, Klein queria conversar com o Capitão para obter uma atualização sobre a situação. Mas vendo que Dunn estava ocupado digitando telegramas, ele decidiu não incomodá-lo. Ele poderia perguntar ao capitão no almoço.
Ele entrou no subsolo seguindo as escadas e viu as duas lâmpadas a gás clássicas em suas armações de metal. Viu o corredor sempre silencioso, iluminado pela luz atrás do vidro.
Ele respirou a brisa fria, mas refrescante, deu alguns passos mas parou subitamente.
De repente, ele olhou para a lâmpada a gás e suas sobrancelhas gradualmente se franziram.
Ele havia cometido um erro crucial!
Um erro que só poderia ser cometido por alguém com conhecimento da Terra!
Em sua divinação sobre o nevoeiro cinzento na noite anterior, Klein viu Trissy pegando uma locomotiva a vapor. Por isso, ele subconscientemente acreditava que estava acontecendo naquele momento.
Mas este mundo ainda estava para inventar luzes elétricas ou equipamento similar. Quando o céu ficava escuro, quase não havia locomotivas a vapor em operação que transportavam seres humanos. Klein, que estava acostumado a trens que operavam à noite, havia instintivamente deixado de lado esse fato!
Em outras palavras, não foi algo que aconteceu ontem à noite!
Era uma cena do futuro!
O que significava que isso iria acontecer naquele dia ou no dia seguinte!
O coração de Klein acelerou e ele andou de um lado para o outro, e acabou decidindo subir as escadas novamente.
Ele bateu e abriu a porta da sala de recreação e viu que Leonard estava recitando um poema perto da janela, parecendo impotente.
Klein ignorou Kenley, Royale e Seeka Tron que estavam jogando cartas. Ele olhou para Leonard e disse:
— Eu tenho uma pergunta para você.
— Será que você quer aprender truques para entreter mulheres? — Leonard provocou, guardando os Poemas Selecionados de Roselle.
Ele saiu da sala de recreação e seguiu Klein ao meio da escada que levava ao subsolo. Ele então olhou nos olhos de Klein e disse com uma risada:
— Parece que você fez uma divinação bem-sucedida ontem à noite.
Klein não explicou nada apenas disse diretamente:
— Divinei que Trissy partiria em uma locomotiva a vapor.
Depois da conversa na casa de trabalho no Burgo Oeste, ele não se incomodava em parecer um pouco especial diante de Leonard.
— Locomotiva a vapor, o primeiro trem é às sete da manhã… — Leonard tirou o relógio de bolso da camisa e o abriu para dar uma olhada. — Não há tempo a perder! Direi ao capitão que recebi uma dica confiável.
Ele rapidamente subiu as escadas e deixou a Companhia de Segurança Blackthorn. Depois de esperar alguns minutos no térreo, ele voltou e entrou no escritório de Dunn Smith.
Klein deu um suspiro de alívio e viu o Capitão enviar um telegrama depois de reunir os outros Falcões Noturno que estavam jogando cartas. Eles logo sairam.
Recordando o que aconteceu, ele se sentiu em conflito. Foi uma lição diferente da que recebeu da morte do palhaço de terno. Ele havia cometido um erro com características semelhantes, o que o fez parecer entender mais essa lição, deixando uma impressão mais profunda.
Passando pelo arsenal e entrando na sala de serviço, ele tirou a cartola e o casaco e depois naturalmente os pendurou no cabideiro.
Velho Neil havia acabado de preparar um café com grãos moídos à mão. Ele alegremente tomou um gole e perguntou:
— Gostaria de um?
— Aceito. — Klein se sentou, tão despreocupado como se tivesse voltado para casa.
Velho Neil olhou para ele e franziu o cenho, brincando:
— Ainda três cubos de açúcar com uma colher de leite? Parece uma formiga. Isso é prejudicial para os dentes e para o corpo.
— Não, não, não, só gosto doce quando tomo café. Quando como bife grelhado ou carne assada, prefiro sal, pimenta do reino, ervadoce e outros condimentos. — Klein sempre acreditou que era fã de todos os sabores.
Velho Neil rapidamente terminou de peparar o café, e entregando-o, disse:
— Você quer fazer uma pausa ou começar imediatamente?
— Deixe-me me acalmar por alguns minutos. O Capitão e a equipe receberam uma dica sobre o paradeiro de Trissy e estão a caminho da estação de locomotivas a vapor. Me pergunto qual será o resultado… — Klein suspirou.
Velho Neil estalou a língua e disse:
— A dica é detalhada o suficiente? Eles tem certeza qual é o trem?
— Não, não está confirmado — disse Klein, apertando os lábios.
Velho de repente Neil riu. — Sob tais circunstâncias, a possibilidade de fracasso é muito maior que a de sucesso. Trissy deve ser Sequencia 7, e uma Beyonder nesse nível não seria capturado com tanta facilidade. Heh heh, não confie na divinação, divinação não é todo-poderosa. Só irá obter sinais simbólicos que são muito fáceis de interpretar erroneamente ou ignorar alguma coisa.
Klein se lembrou do erro que cometeu dessa vez e se sentiu melancólico. Ele assentiu sinceramente.
— Sim, divinação não é onipotente.
Depois de dizer isso, ele suspirou. Sua mente, corpo e alma de repente entraram em um estado mágico. Ele se inclinou um pouco para trás, com a intenção de soltar um suspiro. Nesse momento, ele de repente ouviu um ruído ilusório de algo se rompendo em seu ouvido.
Ele sentiu algo se dissolvendo dentro dele, misturando-se com seu espírito.
Klein entreabriu os olhos e apreciou o sentimento único e indescritível em silêncio.
Não precisava que ninguém lhe dissesse que era o resultado da digestão completa da poção Vidente.
A primeira cidade pela qual o rio Tussock passava depois de fluir pela cidade de Tingen era chamada Wienia. Era também a primeira parada de Tingen para Backlund pela locomotiva a vapor.
Na plataforma, Trissy trocou para um longo vestido bege e colocou um chapéu circular de mulher. Gaze fina pendia da ponta do chapéu, cobrindo metade de seu rosto, deixando sua aparência embaçada e indiscernível.
Ela já havia enviado um telegrama a seu parceiro em Tingen, para lembrar a outra pessoa de tomar cuidado. Ela disse que havia usado dinheiro roubado para comprar uma passagem de locomotiva a vapor para Backlund.
A razão pela qual Trissy não havia pego o trem de Tingen, mas havia ido rio abaixo para Wienia era porque ela ainda tinha seu instinto e sua rica experiência como Assassino.
Woo Woo!
Um trem soltou um apito longo e agudo quando o longo gigante de metal parou ao lado da plataforma, enquanto jorrava fumaça e faíscas.
Trissy não carregava bagagem nenhum, e entrou na primeira cabine. Ao mesmo tempo, ela decidiu descer do trem depois de três estações e entrar em Backlund por outros métodos.
No subsolo da catedral de Santa Selena, Klein fechou os olhos e recostou-se na cadeira.
Ele absorveu a digestão completa da poção e viu fracamente uma estrela ilusória após a outra. Aquelas estrelas pareciam compartilhar com ele uma conexão desconcertante, e pareciam querer se agrupar e se fundir como um.
Após a indescritível sensação de fome e sede diminuir, Klein voltou ao normal e parou de ter outras experiências.
Mas minha mente está muito mais relaxada e pura… — Ele abriu os olhos e pensou.
Naquele momento, ele sabia que havia se tornado um real e completo Vidente.
Capítulo 127
Capítulo 127 – Lançando as fundações
A luz da lâmpada a gás brilhava através do vidro, iluminando a sala de guarda. Velho Neil terminou de folhear o jornal, tomou um gole de café e olhou para Klein.
— Como se sente agora? Já se acalmou? Ou precisa de uma taça de vinho, um adiantamento do seu salário, ou um dia de folga?
Klein, que havia digerido completamente a poção Vidente, estava tentando mudar seu “interruptor”, que ativava sua Visão Espiritual, com Cogitação. Ele não queria que fosse nenhuma ação muito óbvia.
O presente ele não precisava mais depender de um movimento físico para ativar sua Visão Espiritual. Portanto, ele poderia usar uma abordagem mais oculta e discreta para atingir seu objetivo, como, por exemplo, massagear as articulações do dedo médio com o polegar em rápida sucessão ou bater os dentes duas vezes seguidas.
Considerando situações em que precisaria usar sua Visão Espiritual enquanto segurava um revólver em uma mão e uma bengala na outra, Klein finalmente decidiu bater os dentes duas vezes seguidas.
O lado esquerdo seria usado para ativar a Visão Espiritual e o lado direito, para desativa-la.
Depois de sugerir repetidamente para si mesmo, ele concluiu a alteração, abriu os olhos e sorriu.
— Eu estava apenas muito preocupado com a operação do Capitão. Não preciso me acalmar.
Ao mesmo tempo, ele bateu os dentes duas vezes seguidas e tentou ativar sua Visão Espiritual. Ele queria se familiarizar com esse método o mais rápido possível.
Cof! Cof! Cof!
Velho Neil começou a tossir violentamente. Tossiu até seu rosto ficar vermelho, como uma lagosta cozida.
— O que aconteceu? — Klein congelou antes de perguntar com preocupação.
Ele examinou a aura do Velho Neil seriamente, apenas para notar que as cores que representavam sua saúde ainda estavam normais, apenas um pouco opacas devido à sua idade.
Velho Neil tossiu por quase vinte segundos antes de parar. Ele procurou sua xícara de café e lentamente tomou um gole. — Todos cometem erros, ahem. Eu engasguei com o café de agora… Vamos começar nossas lições de misticismo?
— Tudo bem. — Klein silenciosamente bateu os dentes duas vezes seguidas.
Klein estava animado, porém frustrado por ter digerido completamente a poção Vidente uma ou duas semanas antes de sua previsão. Ele estava naturalmente feliz por estar livre do risco de perder o controle e por poder avançar em breve, obtendo ainda mais poderes Beyonder. Isso era algo que deixaria qualquer um feliz e animado. Mas ele também estava frustrado, pois isso interrompeu seus planos e sua agenda.
Considerando o fato de que ainda tinha que ficar com os Falcões Noturnos de Tingen por algum tempo, Klein pensou que avançar secretamente para Palhaço não era a escolha mais sábia. Se o fizesse, estaria constantemente preocupado em ser exposto e não seria capaz de usar suas habilidades quando houvesse missões, tornando-as ainda mais perigosas para si mesmo.
Ele planejava fazer como a Médium Espiritual Daly e enviar uma solicitação aos superiores. Ele usaria suas contribuições para obter a receita e ingredientes extraordinários antes de avançar oficialmente para um Falcão Noturno de Sequência 8.
Mas havia diferença entre digerir uma poção em um mês e em um ano. Klein podia suportar o escrutínio da Catedral Sagrada e se tornar um talento para treinar, mas ele não queria que os superiores suspeitassem dele. Logo, era necessário encontrar uma razão convincente para explicar suas circunstâncias.
Ele planejava usar o tempo antes que a poção Vidente fosse completamente digerida para estabelecer algumas bases com o Capitão. Por exemplo, ele mencionaria que sentia que sua espiritualidade se tornava mais ativa sempre que ia ao Clube de Divinação, ou fingiria descrever casualmente as leis de um Vidente que havia aprendido ao ajudar outras pessoas a divinar sua sorte. Ele também poderia mencionar que não ouvia mais nenhuma voz que não deveria estar ouvindo, ou via coisas que não deveria.
Dessa forma, os superiores dos Falcões Noturnos pensariam que ele havia aprendido algo sem querer com Daly ao completar sua “missão” e tinha feito um trabalho mais completo que ela.
Isso faria os superiores se concentrarem mais em resumir as leis e descobrir o “método de atuação”, reduzindo a suspeita colocada em Klein.
Dessa forma, eu poderia até ajudar o Capitão e o resto a aprender sobre o método de atuação… — Klein acrescentou em seu coração. Ele sentia que Dunn Smith era um bom Capitão; ele não tinha falhas evidentes fora sua memória fraca. Então, ele queria reduzir o risco de Dunn perder o controle e torná-lo mais poderoso.
Claro, Klein também poderia optar por esperar um ano para solicitar seu avanço e evitar riscos. Mas as contínuas coincidências e a chaminé vermelha que havia visto na divinação dos sonhos não lhe deram outra alternativa senão melhorar suas habilidades o mais rápido possível.
Estabelecerei os fundamentos com o Capitão três ou quatro vezes nas próximas duas semanas antes de enviar formalmente meu pedido. Ao mesmo tempo, posso ir ao mercado clandestino ver se há algum dos ingredientes extraordinários necessários. Provavelmente serão muito caros… — Klein rapidamente tomou uma decisão e concentrou sua atenção mais uma vez nas lições de misticismo.
O tempo passou rapidamente, e a hora do almoço se aproximava lentamente. Velho Neil terminou o café e limpou as coisas sobre a mesa enquanto ria.
— Suas lições de misticismo chegarão ao fim em breve. De acordo com o teste agora pouco, parece que você pode criar charms1Optamos por deixar no original para não confundir com os “amuletos” que já apareceram antes, que funcionam “passivamente” (como os que ele fez para os irmãos). Estamos sempre abertos à sugestões! para si mesmo agora.
— Esse é o meu plano para os próximos dias. — Klein deu um suspiro, satisfeito.
Charms eram diferentes dos amuletos de proteção que havia dado a Benson e Melissa. Eles precisavam ser esculpidos com ajuda de magia ritualística, e tinham certas habilidades únicas que podiam ser usadas em batalha.
Mas um charm de baixa qualidade não podia fazer tudo. A espiritualidade que continha diminuiria com o tempo e precisaria ser renovada a cada duas semanas. Além disso, era necessário ativálos com encantamentos específicos; era impossível usá-los à vontade.
E ainda, os encantamentos empunhados pelos Falcões Noturnos ainda estavam limitados aos “domínios” da Deusa da Noite Eterna. Klein só poderia fazer três tipos diferentes de charms por enquanto. O primeiro era o charm de sonolência, seu efeito era semelhante à capacidade de Dunn Smith e Leonard Mitchell de fazer alguém dormir com seu canto. O segundo era o charm pacificador, capaz de acalmar fantasmas, almas, zumbis e coisas do gênero, também poderia lidar com espíritos vingativos e perversos até certo ponto. O último era o charm dos sonhos; suas habilidades permitiam ao portador entrar no sonho de outra pessoa.
Essas habilidades eram semelhantes às do Poeta da Meia Noite e do Pesadelo da Sequencia Sem Sono, então esse charms não tinham utilidade para Dunn e Leonard. O Coletor de Cadáveres Frye, Sem Sono Royale e Kenley trariam um ou dois, mas não os usavam há muito tempo. Eles frequentemente traziam seus charms de volta ao Velho Neil para que ele pudesse “recarregá-los”.
Velho Neil olhou para Klein e sorriu.
— Lembro que você disse que praticou muito este mês e ficou sem material. Vai ao mercado clandestino?
Klein ficou surpreso no começo, mas assentiu com o coração dolorido.
— Sim.
Ele sabia claramente os preços dos ingredientes. Ele só podia torcer para completar os encantos em sua primeira tentativa para não desperdiçar os materiais…
Depois de receber a missão de levar o almoço para o subsolo, Klein vestiu o casaco e o chapéu antes de retornar à Companhia de Segurança Blackthorn no segundo andar com bengala na mão.
Ao passar pela sala de recreação, viu que Leonard e o resto já haviam retornado e estavam desfrutando de seus almoços.
Toc! Toc! Toc!
Ele bateu na porta do capitão.
— Por favor, entre. — A voz suave de Dunn soou.
Klein abriu a porta e tirou o chapéu.
— Capitão, voces apanharam a Instigadora Trissy?
Dunn massageou as têmporas e balançou a cabeça em exaustão. — Nós não a encontramos na estação de Tingen, mas de acordo com o telégrafo que recebemos de Backlund, um passageiro a viu na carruagem de primeira classe do primeiro trem. Infelizmente, ela desceu no meio da jornada.
— Que pena. — Klein suspirou, embora esperasse isso. —
Divinação não é onipotente…
Os olhos cinzentos de Dunn passaram por ele.
— Não há necessidade de ficar deprimido. Não é fácil capturar um Beyonder Sequência 7. Pelo menos interrompemos o ritual maligno de Trissy e salvamos pelo menos quarenta vidas inocentes. Além disso, agora entendemos sua situação. Ela não pode mais cometer crimes como deseja.
— Se tentar fazer algo semelhante, ela será notada, descoberta e relatada a qualquer momento. Mais cedo ou mais tarde, será capturada pelos Falcões Noturnos, Punidores a Mandato ou Consciência Coletiva das Máquinas. É até possível que seja morta.
— Vamos torcer para que esse seja o caso. Que a Deusa nos abençoe. — Klein desenhou a lua carmesim em seu peito.
Depois disso, ele parou e refletiu sobre suas palavras.
— Capitão, não ouço vozes indesejadas nem tenho visões indesejadas há mais de uma semana. Isso é verdade mesmo quando estou em Cogitação ou usando minha Visão Espiritual.
— Sério? — Dunn franziu as sobrancelhas, intrigado.
Klein imediatamente elaborou:
— Sinto que não estou longe de conseguir o controle total sobre a poção Vidente. Isso pode ser devido às minhas frequentes visitas ao Clube de Divinação e a ajudar os outros a ler sua sorte.
— … Por que acha isso? — Dunn imediatamente mudou sua postura, sua expressão perdida.
Klein acrescentou um gaguejo em sua frase.
— E t-toda vez que vou ao Clube de Divinação, posso sentir minha espiritualidade se tornando mais ativa, toda vez que ajudo alguém a divinar algo, meu coração, corpo e alma ficam mais relaxados. Também elaborei um conjunto de, bem, um conjunto de regras para um Vidente. Estive seguindo rigorosamente, como um Espreitador de Mistérios “faça o que deseja, mas não faça mal”. Encontrei inspiração nessa máxima e tentei uma projetada para Videntes.
— Acho que essa pode ser uma maneira eficaz de ajudar Beyonders a controlar mais rapidamente suas poções e reduzir o risco de perder o controle. Assim como Madame Daly, que sempre foi uma Médium Espiritual.
Não se sabia quando Dunn havia pego o cachimbo. Ele o colocou ao nariz e respirou fundo, aparentemente esquecendo Klein enquanto pensava por alguns minutos.
— Um palpite notável e um julgamento interessante…
Klein só queria mencionar brevemente dessa vez para estabelecer uma razão básica, então não disse mais nada. Ele mudou para um tom meio de brincadeira e continuou:
— Talvez eu seja o Falcão Noturno mais rápido da história a ganhar controle de uma poção Sequência 9.
— Que a Deusa cuide de você — Dunn o abençoou, não o levando a sério. Ele então entrou em uma profunda reflexão mais uma vez.
Testemunhando isso, Klein se virou e se despediu antes de deixar o escritório do Capitão.
Ele estava fechando a porta quando de repente pensou em outra difícil pergunta.
Como é que ele iria atuar como um palhaço!?
Devo me juntar a um circo? Não há circos fixos em Tingen, todos são caravanas… — A expressão de Klein se tornou um pouco amarga.
Ser Vidente ainda era uma ocupação bastante respeitável. Klein ainda seria capaz de manter a cabeça erguida, mesmo que fosse visto por alguém que conhecia. Mas se se tornasse um palhaço, não havia como manter sua reputação!
Talvez haja outras maneiras de agir como palhaço. Não havia circos ou palhaços quando a Ardósia da Blasfêmia foi revelada ao mundo… Esquece, não terei chance de avançar por mais duas ou três semanas, então não há necessidade de pensar sobre isso por enquanto. — Klein evitou a pergunta e foi para a área de recepção. Ele caminhou em direção a Rozanne, sra. Orianna e Bredt para buscar o almoço dele e do Velho Neil.
Capítulo 128
Capítulo 128 – O Louco Pobre
Depois de almoçar, Klein descansou apenas meia hora antes de correr para o Clube de Tiro para praticar com o revólver. Ele não se atreveu a relaxar, nem um pouco.
Depois de praticar suas habilidades de tiro dia após dia e gastar mais de mil balas, ele finalmente conseguiu atirar bem o suficiente para obter a aprovação básica de Dunn Smith. Ele era muito bom em tiro a alvo fixo.
Depois de praticar por um tempo, ele guardou o revólver e pegou uma carruagem pública para perto da casa de seu professor de combate, Gawain. Então, ele caminhou por dez minutos antes de chegar à porta.
Ele trocou para o traje de treino que havia sido deixado secar ao sol. Depois de correr, pular corda, levantar pesos, agachar-se e outros exercícios, para não mencionar o trabalho com os pés e o treinamento de socos, ele estava coberto de suor e se sentia exausto.
— Faça uma pausa de quinze minutos.— Os cabelos brancos loiros de Gawain e as profundas linhas faciais o fizeram parecer duro e severo. Ele pegou o relógio de bolso e o abriu para olhar a hora.
Desde que começaram o treinamento, ele manteve o silêncio, e só falava com Klein quando havia necessidade de mudar os métodos de treinamento ou corrigir algum erro sempre que surgia.
Klein ofegou por ar, mas não se atreveu a descansar imediatamente. Ele andou de um lado para o outro devagar. O feedback mais direto de seu treinamento de combate foi que sua pele ficou bronzeada pelos exercícios sob o sol.
Gawain guardou o relógio de bolso e ficou ao lado do bruto campo de treinamento atrás de sua casa. Ele cruzou os braços enquanto observava Klein esfriar, tão quieto quanto uma estátua de mármore.
— Professor, além de lutar com as mãos, você irá me ensinar a usar espada, espada larga, rapier e lança? — perguntou Klein proativamente. Ele estava de bom humor, pois havia acabado de digerir a poção Vidente.
Ele havia visto armas como a espada e a rapier na sala de coleção de Gawain. Havia também armadura de peito e armadura de corpo inteiro. Ele sabia que Gawain não era bom apenas em lutar corpo a corpo.
Banhado pela luz do sol, Gawain olhou para Klein. Ele abaixou a voz e respondeu:
— É inútil aprender qualquer uma delas. Essas armas são agora obsoletas e seu único lugar é em museus ou em coleções particulares de colecionadores…
Ele ficou em silêncio por alguns segundos antes de acrescentar com uma voz que havia experimentado as vicissitudes da vida:
— Elas foram eliminadas… Você deve se concentrar em armas de fogo; mesmo o combate é apenas suplementar.
Klein olhou para o professor apático e riu enquanto falava.
— Acredito que não.
— Todo ministro, todo membro do Parlamento, todo general, todos pensam assim — disse Gawain, cerrando os dentes.
Klein parou e agiu como se ele fosse um verdadeiro guerreiro do teclado. Ele respondeu com facilidade e fluência:
— Não, elas apenas recuaram da linha de frente de um campo de batalha. Eles ainda têm seus usos em outros lugares.
— Por que em combate deve ser usado apenas armas de fogo? Podem ser usados juntos. Acredito que uma pessoa mais flexível, mais rápida em ação e mais rápida em resposta possa usar armas de fogo de maneira mais eficaz.
Quando viu os olhos de Gawain subitamente afiarem, Klein ficou convencido e continuou:
— As outras armas também não são eliminadas. Elas só precisam de aprimoramentos para serem mais portáteis…
— … Poderíamos formar um esquadrão com alta capacidade de movimento. Um grupo projetado para contornar as linhas de frente e lançar um ataque por trás do inimigo e lutar até o âmago. Em um ataque surpresa de pequena escala, um guerreiro excepcional em combate corpo a corpo e familiaridade com vários tipos de armas pode desempenhar um papel importante. Você pode imaginar uma cena dessas…
Klein usou toda a sua habilidade de saber um pouco de tudo. Ele misturou e combinou todas as táticas de combate das forças especiais da Terra e as descreveu ao seu professor.
Ele não tinha certeza de quando a respiração de Gawain ficou mais pesada. Ele ficou lá sem se mexer um centímetro, aparentemente sem vontade de quebrar as cenas que imaginou.
Klein deu uma olhada na reação do homem. Ele se sentiu convencido enquanto limpava a garganta e dizia de maneira contida:
— Professor, o que você acha do meu plano? Há alguma possibilidade de concretizá-lo?
O corpo de Gawain estremeceu como se tivesse acabado de acordar de um sonho. Ele olhou profundamente nos olhos de Klein e disse:
— Seu descanso está te fazendo bem. Repita todo o conjunto de exercícios dez vezes.
Huh? — Klein parecia perdido.
Muito em breve, ele começou a correr e voltou à realidade. Ele gritou em seu coração: — Dez vezes? Professor, não!
Não quero comemorar minha digestão completa da poção Vidente assim!
Hey, você não ficou nem um pouco inspirado?…
Olhando Klein correndo em direção ao outro lado do campo de treinamento, Gawain subitamente descruzou os braços e cobriu o rosto com uma mão.
Ele fechou os olhos com força, suas rugas no rosto eram profundas e óbvias.
…
Depois de quase vomitar de exaustão, Klein tomou banho, trocou de roupa e deu um adeus ainda silencioso a Gawain. Ele pegou a carruagem pública e saiu.
Ele não voltou diretamente para casa, mas foi ao Bar Dragão Maligno, perto do porto. Ele planejava perguntar sobre o preço dos ingredientes Beyonder e comprar itens para fazer charms.
No caminho, Klein manteve a mente no pequeno estoque que estava carregando consigo. Ele se forçou a ficar alerta e chegou ao seu destino com grande dificuldade.
— Preciso guardar quatro libras para o restante que devo à companhia de detetives. Só posso gastar três libras e cinco soli hoje à noite… — Ele tocou as notas de papel no bolso antes de pegar a bengala e sair da carruagem.
Naquele momento, o sol já havia começado a deslizar para baixo do horizonte. Todas as casas foram gradualmente contaminadas com um brilho crepuscular. As lutas de boxe e as apostas de cães e ratos já estavam esquentando no Bar Dragão Maligno.
Depois de atravessar a sala de bilhar e algumas outras salas, Klein finalmente entrou no mercado clandestino.
Ele olhou para a esquerda e para a direita, mas não viu o Monstro Ademisaul, que sempre estava ativo por lá.
Velho Neil não disse que Ademisaul só conseguiu sobreviver porque o chefe do Bar Dragão Maligno o alimenta? — Klein se perguntou com curiosidade.
Como Falcão Noturno, ele permaneceu vigilante em assuntos como esse. Se aproximando do homem musculoso que guardava a porta, ele perguntou:
— Onde está Ademisaul?
O homem musculoso respondeu sem um sorriso:
— Eu não tenho ideia de onde ele está dormindo. Ele tem estado assim ultimamente; ele se deita em calafrios e canta “Mortos, mortos, todos cadáveres, todo mundo tem que morrer”.
Que cenas ele viu dessa vez? O que desencadeou esse comportamento, agora? — Klein franziu levemente as sobrancelhas e pediu mais detalhes. Ele queria saber onde Ademisaul estava dormindo, mas o guarda também não sabia.
Quando terminar, vou procurá-lo por meio de divinação para ver o que aconteceu… — Depois de tomar nota disso, Klein caminhou em direção a uma das duas salas no final do mercado.
Segundo Velho Neil, a sala à esquerda destinava-se a empréstimos e pagamentos, enquanto a sala à direita destinava-se à compra e venda de itens preciosos, incluindo ingredientes Beyonder.
Quando ele abriu a porta para entrar na sala à direita, Klein percebeu que havia uma divisória que a separava em dois espaços, o interior e o exterior. Havia mais três clientes esperando do lado de fora.
Ele abaixou a cartola de seda e se enfileirou atrás dos três clientes. Ele inclinou o corpo para a frente e se sustentou com a bengala enquanto esperava em silêncio.
Logo, a porta da divisória se abriu e um cliente, de uniforme cinzaazulado, apareceu. Ele manteve a cabeça baixa e saiu com pressa.
Klein bateu os molares esquerdos levemente duas vezes e olhou para o homem com Visão Espiritual, e depois olhou para os outros três clientes. Não havia nada de errado com eles fora as pequenas doenças usuais que as pessoas tinham.
Depois de mais dez minutos, finalmente chegou a sua vez.
Ele abriu a porta e entrou na sala iluminada por uma lâmpada de querosene.
Ele trancou a porta e ocupou o lugar que pertencia ao cliente. Ele olhou para o velho usando um chapéu de feltro preto à sua frente.
— Gostaria de saber quais ingredientes Beyonder você possui e a que preços eles estão sendo vendidos.
Os músculos das bochechas do idoso estavam caídos e as rugas no canto dos olhos eram profundas, mas seu corpo estava bem construído. Ele não achou a solicitação de Klein estranha, porque muitos clientes não estavam dispostos a deixar outra pessoa saber o que queriam comprar antes de confirmarem que o vendedor o tinha disponível. Geralmente, eles desejavam ser apresentados a todas as opções.
O velho virou-se para as páginas mais recentes do caderno, olhou de relance para Klein e tomou um gole de hidromel antes de dizer:
— O tecido cerebral de um Fantasma de Água custa de três a quinze libras, dependendo de quão intacto está. Cristal Estelar, 150 libras por 50 gramas. 200 libras por uma Grama Abelha Rainha. 170 libras por um sapo manchado de preto adulto… 280 libras pela Rosa com Rosto Humano, mas há apenas uma…
Klein controlou sua resposta emocional. Depois de ouvir a apresentação do velho, ficou surpreso que um local de comércio clandestino como esse tivesse menos de trinta ingredientes Beyonder.
Enquanto tocava as notas no valor de sete libras no bolso e pensava na atitude da senhorita Justiça em relação a mil libras, ele suspirou.
— Infelizmente, não há nada que eu queira.
Sem esperar que o ancião fizesse mais perguntas, ele rapidamente se virou para abrir a porta e saiu.
Ele voltou ao mercado subterrâneo e olhou em volta, inexpressivo. Ele ficou lá por um tempo e suspirou com um sorriso amargo.
Sou provavelmente o chefe mais pobre de todas as organizações secretas… — Isso apenas fortaleceu sua determinação de obter os ingredientes internamente dos Falcões Noturnos ou através de trocas com a srta. Justiça ou o Enforcado.
Depois de circular o mercado duas vezes, Klein pegou e comprou ingredientes para fazer charms, como uma peça de prata parcialmente acabada, pós de ervas necessários para rituais e minérios naturais. Ele gastou uma libra e quinze soli no total.
Meu estoque particular de dinheiro tem apenas cinco libras e dez soli. Excluindo o pagamento final ao detetive, ainda tenho uma libra e dez soli… — Depois que Klein silenciosamente fez as contas sobre sua situação financeira, ele se sentiu impotente.
Claro, ele sabia muito bem que só começou a trabalhar há pouco mais de um mês. Se o prazo fosse estendido para um ano, ele poderia economizar mais de cem libras.
Dentro de mais duas semanas, terei que dizer a Benson e Melissa que recebi um aumento para três libras. Podemos contratar uma criada, mas não vou ter mais meu estoque particular… — pensou Klein enquanto caminhava em direção à saída do mercado subterrâneo.
Nesse momento, ele viu o Velho Neil em seu clássico manto preto entrando lentamente.
— Conseguiu comprar tudo? — Velho Neil cumprimentou com uma risada.
— Sim — respondeu Klein francamente.
Velho Neil “tsked” imediatamente. — Você veio muito cedo.
— Isso é porque eu ainda estou com fome, mas você já jantou. — Klein conversou casualmente com Velho Neil.
Depois de um tempo, o chefe do Bar Dragão Maligno, Swain, entrou com seu uniforme de oficial da marinha pendurado sobre ele. Ele se aproximou dos dois com uma expressão de solenidade e abaixou a voz.
— Preciso de sua ajuda.
— O que aconteceu? — Velho Neil de repente ficou sério, e Klein não pôde deixar de sentir um puxão em seu coração.
Os cabelos castanhos de Swain estavam bagunçados, e havia um forte cheiro de álcool em seu hálito. Ele respondeu em voz baixa:
— Um membro dos Punidores a Mandato perdeu o controle nas proximidades. Temos que acabar com ele antes que prejudique os cidadãos!
Capítulo 129
Capítulo 129 – Descontrolado
Perdeu o controle? — O coração de Klein apertou e ele quase deixou escapar sua pergunta.
Embora Dunn e Velho Neil enfatizassem frequentemente as possibilidades de perder o controle e os danos que isso causaria, era a primeira vez que ele vivia um incidente como esse. Ele se sentiu um pouco horrorizado, um pouco perdido, um pouco assustado e um pouco triste. Ele sentiu emoções extremamente confusas.
Entre os casos os quais temos anualmente, um quarto deles é resultado de Beyonders que perderam o controle… e entre esse quarto dos casos, um grande número são nossos colegas de equipe. — As palavras de Dunn passaram pela mente de Klein, retardando sua reação.
Velho Neil, que havia passado por muitos incidentes como esse, perguntou imediatamente:
— Onde está o Rampager1Não encontramos nenhuma boa tradução equivalente para Rampager, então decidimos deixar assim mesmo. Rampager seria algo do tipo: comportamento ou ação violento, frenético.? O que precisa que façamos?
Klein ficou surpreso ao ouvir isso. Ele acreditava que um imoral “semi-aposentado” como Velho Neil encontraria uma desculpa para rejeitar o pedido de Swain ou extorquir uma quantia enorme em troca de sua ajuda. Klein nunca esperava que Velho Neil participasse sem hesitar, sem se importar com as diferenças entre Falcões Noturnos e Punidores a Mandato.
De repente, Klein entendeu uma coisa quando olhou para o sério Velho Neil. Não importava se eram Falcões Noturnos, Punidores a Mandato ou Consciência Coletiva das Máquinas. Seu objetivo era impedir que poderes sobrenaturais prejudicassem os inocentes e manter a paz e a estabilidade em Tingen. Se encontrassem uma situação perigosa e urgente, seu senso de dever os levaria a ajudar sem hesitar!
Swain respondeu sucintamente:
— Seja meu apoio!
Ele não explicou por que a pessoa perdeu o controle ou onde estava o Rampager. Em vez disso, foi até a saída rapidamente.
Esse ex-capitão dos Punidores a Mandato era claramente um velho alcoólatra, mas Klein percebeu que não conseguia acompanhar o ritmo do homem. Ele precisava correr para garantir que não fosse deixado para trás.
Ele virou para o Velho Neil, apenas para ver o velho Espreitador de Mistérios começar a correr.
Os três não prestaram atenção aos olhares dos guardas no caminho. Um deles usava um velho uniforme da marinha, outro vestido com uma túnica clássica escura e o outro com um casaco preto. Eles saíram da sala de bilhar e entraram no Bar Dragão Maligno.
Os clientes que bebiam mudaram seu foco da competição para Klein e companhia.
— Aquele é o chefe Swain?
— Onde está indo com tanta pressa?
— Alguém deixou de pagar o empréstimo?
…
Entre os murmúrios suaves, alguns dos clientes voltaram sua atenção para a gaiola. Mais uma vez, eles começaram o tumulto e barulho, aliviando o estresse do dia. No entanto, alguns dos clientes mais perspicazes sentiram uma leve sensação de desconforto.
Tap! Tap! Tap!
Klein, Velho Neil e Swain atravessaram a rua e entraram no distrito portuário.
— Naquele barco. — Swain diminuiu a velocidade e apontou para um navio de carga não muito longe. — Dois Punidores a Mandato estão rodeando o Rampager, o impedindo de entrar no Rio Tussock. Me ajudem a influenciar e controlá-lo, deixem o resto comigo.
Velho Neil ofegou por ar e disse:
— Tudo bem, m-mas você tem que me dar um minuto. Ufa, um minuto para me recuperar.
Swain assentiu e não disse mais nada. Ele entrou no navio e se juntou à luta.
Ao ouvir os sons de combate no navio, Velho Neil olhou para Klein, um pouco nervoso. Ele pegou um pedaço de prata do tamanho da palma da mão de um bebê de um bolso escondido perto da cintura. Ele então passou a prata para Klein e disse:
— Charm do sono. O encantamento para ativar esse charm é a frase “Noite Eterna” em Hermes antigo. Depois de terminar o encantamento, injete sua espiritualidade no charm e jogue-o no alvo após três segundos.
— Tudo bem!— Klein estendeu a mão para receber o charm e se sentiu emocionado.
Esse charm foi esculpido com encantamentos em Hermes em ambos os lados, bem como com os símbolos correspondentes, números de caminho e as características do feitiço. Ele não precisava ativar sua Visão Espiritual para sentir o poder profundo e sereno fluindo dentro do charm.
Velho Neil se endireitou e tirou um charm semelhante do bolso escondido e o segurou na palma da mão. Ele brincou enquanto caminhava em direção ao navio de carga:
— Não fique muito nervoso, relaxe e pense em outra coisa. Por exemplo, eu lhe emprestei esse charm. Se vai usá-lo, lembre-se de fazer um para mim em troca. Claro, você pode esperar até o próximo mês, quando receber uma nova cota de materiais antes de fazê-lo.
Isso… Ele realmente é o experiente Velho Neil… — Klein colocou o charm no bolso esquerdo, colocou a mão no coldre, tirou o revólver e ajustou o martelo e o tambor.
Eu não me sinto mais tão nervoso… — Ele tinha a arma em uma mão e sua bengala na outra. Ele subiu os degraus com o Velho Neil e embarcou no cargueiro.
Este navio de carga tinha sinais óbvios de idade. Embora fosse movido a vapor e tivesse uma chaminé, manteve seus acessórios anteriores, como mastro e velas. Além disso, apenas sua superfície e algumas outras porções foram revestidas com metal, as demais seções do navio ainda eram de madeira.
Enquanto os sons da batalha se intensificavam, Klein e Velho Neil de repente ouviram um barulho alto no meio da confusão enquanto procuravam uma maneira de entrar na cabine.
A cabana de madeira foi instantaneamente quebrada, seus fragmentos voaram por toda parte. Uma figura caiu pelo buraco e colidiu com o lado do navio.
Klein não teve tempo de avaliar os ferimentos do homem. Seu olhar estava focado no monstro que estava correndo em direção ao buraco.
O monstro tinha mais de 1,8 metros de altura e usava camisa e calça esfarrapadas. Seus tornozelos estavam cobertos por escamas verde-escuras, e uma camada de pele havia se formado entre os dedos das mãos e dos pés, como se fossem membros com membranas de uma criatura aquática.
Tinha uma cabeça coberta de rugas, ainda parecendo um pouco humano. Suas escamas estavam revestidas com um líquido pegajoso que pingava continuamente no chão.
Ssss!
O líquido verde-escuro pegajoso corroeu ligeiramente o convés, deixando visíveis marcas.
Bam!
Swain deu um soco no monstro pelo lado, fazendo com que cambaleasse dois passos para o lado.
Bam! Bam! Bam!
Mesmo com seus músculos ridículos, Swain ainda era claramente inferior ao monstro. Apesar de acertar seus socos e chutes, eles foram incapazes de quebrar as escamas e causar danos físicos. Swain foi momentaneamente reduzido a um estado miserável enquanto cambaleava.
Se não fosse o surpreendente senso de equilíbrio de Swain e os esforços dos outros Punidores a Mandato para atirar e suprimir o monstro, Klein suspeitava que esse ancião de olhos azuis teria sido espancado até a morte pelo monstro.
Tum! Tum! Tum!
Swain deu vários passos para trás e depois avançou mais uma vez, como uma mariposa em direção à uma chama.
Mas Klein podia sentir que ele estava acumulando alguma coisa, esperando por alguma coisa.
Bam!
Swain foi forçado a recuar, seu corpo obscurecendo o campo de visão de outro Punidor a Mandato.
O monstro aproveitou a chance para atacar em direção à abertura.
Ele queria escapar do navio e pular no rio Tussock!
Olhando para a cabeça pegajosa e enrugada do monstro, Klein levantou a mão direita e apertou o gatilho.
Bang!
A bala anti-demonio de prata atingiu o corpo do monstro, como havia previsto. Mas atingiu apenas as escamas e não conseguiu penetrar completamente no corpo.
O monstro soltou um grito agudo antes de exercer força com os pés e avançar em direção a Klein.
Quando um cheiro fedorento de peixe o atingiu, Klein de repente se agachou e rolou para o lado.
Clang!
Ele sentiu o navio tremer e fragmentos também o atingiram.
Ao mesmo tempo, ele ouviu uma voz velha, mas profunda, recitar um encantamento em antigo Hermes:
— Noite Eterna!
Klein rolou mais duas vezes. Ele não podia se importar com a bengala enquanto levantava a cabeça e o revólver em agitação. Tudo o que viu foi o Velho Neil jogando seu charm com calma, apesar de estar incrivelmente próximo do monstro.
A peça de prata foi instantaneamente envolta por uma chama vermelha escura e liberou o som fraco de explosão.
Um poder profundo e sereno se espalhou. O monstro, que quase destruiu o lado do navio, cambaleou, seus movimentos ficando lentos.
Swain saiu da cabine. Ele se aproximou da criatura e puxou o braço para trás, atingindo o monstro como uma britadeira. Seus socos conectaram com a cabeça do monstro.
Mas ele mal conseguia infligir uma ferida e muito menos causar danos fatais. Mas Klein podia sentir que o que quer que o ancião de olhos azuis estivesse acumulando, havia finalmente atingido seu auge.
Boom!
O monstro pareceu se recuperar. Ele balançou o braço e fez Swain recuar cinco passos para trás. Cada um de seus passos causou rachaduras no convés.
Vendo que o monstro estava prestes a se virar e pular do navio de carga, Klein pegou o Charm do Sono do bolso com pressa.
Depois disso, ele recitou habilmente a frase em Hermes antigo.
— Noite Eterna!
De repente, Klein sentiu o charm de prata em sua mão ficar gelado, como se fosse feito de neve.
Ele não pensou muito sobre isso e apenas injetou sua espiritualidade no feitiço, depois puxou o braço para trás antes de jogá-lo para frente, enviando o feitiço em direção ao monstro.
Enquanto isso, o monstro humano-peixe havia pulado no ar.
As chamas vermelhas escuras iluminavam a escuridão circundante e a fraca explosão era como um prelúdio para um sono, que rapidamente irradiava para fora.
Bam!
O monstro caiu na doca, se contorcendo em uma bola. Ele estava temporariamente em um estado semi-adormecido.
Klein estava prestes a correr para o lado do barco e atirar na cabeça do monstro quando de repente viu Swain sair e pular, seu uniforme da marinha já desaparecido há muito tempo.
Ele mudou de postura no ar, seus músculos tensionando.
Usando sua percepção espiritual, Klein podia sentir algo que havia sido suprimido entrar em erupção. Swain desceu do céu e bateu diretamente no corpo do monstro. Ele então endireitou as costas e pousou um soco pesado na cabeça do monstro.
Crack!
O crânio do monstro se partiu em pedaços. Sangue vermelho escuro e massa encefálica, misturada com o líquido verde pegajoso, se espalharam por todo o chão.
— Essa é uma das habilidades de um Povo da Fúria? — murmurou Klein para si mesmo enquanto estava perto do lado quebrado do navio.
Velho Neil segurou o braço esquerdo e se inclinou para ver o que havia acontecido lá embaixo.
Naquele momento, Swain estava de pé. Ele olhou para o monstro debaixo de seus pés que havia acabado de perder a vida.
Ele pegou um cantil de metal e, abrindo a tampa, bebeu metade do líquido antes de inclinar o cantil, derramando a bebida restante no monstro.
Depois de terminar isso, Swain parecia ter envelhecido consideravelmente, suas costas curvando um pouco.
Velho Neil suspirou enquanto olhava para a cena abaixo. Ele sussurrou para Klein:
— Eu conhecia esse Punidor a Mandato que perdeu o controle. Ele seguiu Swain por quase trinta anos, no começo lidando com fantasmas da água que estavam matando pessoas na praia. Ele também capturou os Beyonders que estavam tentando escapar pelo Rio Tussock…
Ele não continuou, mas Klein entendeu o que queria dizer. Um guarda que fez muitas contribuições e matou inúmeros monstros acabou se tornando um.
Este não era um incidente isolado. Era um resultado possível que muitos membros dos Falcões Noturnos, Punidores a Mandato ou Consciência Coletiva das Máquinas um dia enfrentariam.
Capítulo 130
Capítulo 130 – Reunião Secreta de Backlund
Klein olhou para Swain diante do cadáver do monstro antes de olhar para o Punidor a Mandato, que estava ajudando seu parceiro semiconsciente a se levantar pelo braço. De repente, Klein sentiu uma tristeza indescritível.
Era quase impossível que membros dos Falcões Noturnos, Punidores a Mandato e Consciência Coletiva das Máquinas fossem conhecidos como heróis. As coisas que faziam nunca eram divulgadas ao público, mas apenas escondidas em documentos confidenciais. Mas o perigo e a dor que enfrentavam eram bastante reais.
Talvez virá o dia em que meu inimigo será um dos meus colegas de equipe… — Klein suspirou silenciosamente, sentindo o pesar que todos os Falcões Noturnos, Punidores a Mandato e Consciência Coletiva das Máquinas carregavam.
Naquele momento, Velho Neil soltou um suspiro.
— Vamos. Não queremos incomodá-los.
— Okay — respondeu Klein, pegando sua bengala. No momento em que aumentava os passos, de repente percebeu que Velho Neil ainda estava segurando sua mão esquerda. Ele então perguntou, preocupado:
— Você está ferido?
Velho Neil riu brevemente antes de dizer:
— Fui cortado por um dos estilhaços mais cedo. Se eu ainda fosse jovem, definitivamente teria sido capaz de evitá-lo. Felizmente, é apenas um pequeno corte.
Ele moveu a mão direita ligeiramente para mostrar para Klein a pequena ferida que ainda estava sangrando levemente nas costas de sua mão esquerda.
Depois que confirmou que não era um grande problema, Klein saiu pela passagem enquanto suspirava.
— Sr. Neil, você é muito mais calmo do que eu imaginava. Apesar de estar a menos de dois metros do monstro, você ainda pôde recitar o encantamento com calma e usar o charm.
Embora o violento Punidor a Mandato tenha pulado em direção a Klein na forma de um monstro, Velho Neil estava fisicamente muito perto dele o tempo todo.
Velho Neil deu uma risadinha quando ouviu o elogio.
— Eu sou um Falcão Noturno experiente. Entre as coisas perigosas que já fiz, o que aconteceu agora não está nem entre os “top dez”. Uma vez, quando estava patrulhando o Cemitério Raphael com Dunn, eu não tinha ideia de que um cadáver tinha se transformado em zumbi e deixado sua tumba para nos emboscar das sombras das árvores. Eu passei sem perceber, já que estava procurando por algum lugar escondido. Heh, você sabe o que eu quero dizer. No final, ele pulou nas minhas costas e agarrou minha garganta.
Klein se sentiu dominado pelo terror quando ouviu a lembrança ao expressar seu palpite.
— E em tal situação, você ainda estava calmo o suficiente para usar um charm? Ou você usou algum feitiço que um Espreitador de Mistérios poderia lançar rapidamente?
Velho Neil lançou um olhar para ele e riu.
— Não, Dunn conseguiu arrastar o zumbi para um sono profundo a tempo. Estou apenas contando essa história para contar que, como um Falcão Noturno, você não apenas precisa acreditar em si mesmo, mas também em seus colegas de equipe.
Klein ficou em silêncio por alguns segundos. Então, respondeu com sinceridade e brincadeira:
— Sr. Neil, você está tão sábio hoje.
Velho Neil deu um pequeno pulo e chegou no píer. Ele respondeu com desdém:
— Isso é porque você só conhece o lado mais trivial de mim normalmente.
Os dois deixaram o porto e caminharam em direção ao Bar Dragão Maligno.
Klein guardou seu revólver, deixou de lado a bengala e tirou o casaco e, sob a luz da lâmpada a gás da rua, começou a verificar se havia algum dano em seu casaco.
— Que sorte. Há apenas algumas lascas e uma parte que ficou suja… — Ele removeu as lascas e bateu para tirar o pó e então o colocou de volta.
Velho Neil olhou para ele com um sorriso e imitou seu tom acrescentando:
— Que pena, não há como reivindicar compensação.
Klein ficou temporariamente sem palavras.
Eu não sou esse tipo de pessoa! — Ele enfatizou em seu coração.
Quando a carruagem pública chegou, Klein pegou seu relógio de bolso prateado e o abriu para verificar o horário.
— Se não houver mais nada, tenho que ir para casa — ele se virou para dizer ao Velho Neil.
Velho Neil assentiu levemente e disse:
— Aproveite seu jantar em casa. Não precisa se preocupar com o Charm do Sono; vou pedir para Swain me compensar. Afinal, ele é um homem rico. Mas é claro que não irei hoje. Preciso considerar a situação também.
Klein abriu a boca, mas no final, apenas disse:
— …Obrigado por sua generosidade.
Ele embarcou na carruagem rapidamente e retornou à rua Narciso. Já passava das sete da noite e o céu estava escuro.
Klein pegou as chaves para abrir a porta e viu Melissa tirando seu chapéu de véu e o colocando no cabideiro. Sorrindo, ele puxou conversa.
— Você acabou de chegar?
Então, suas emoções confusas desapareceram de repente, e ele se sentiu relaxado e confortável.
— Havia uma lição prática na escola hoje — explicou Melissa seriamente.
Klein sentiu o cheiro da fragrância de comida. Ele ficou atordoado e perguntou subconscientemente:
— Então, quem é que está preparando a janta?
No momento em que terminou sua frase, os dois responderam em uníssono:
— Benson!
O tom deles tinha uma pitada de alarme.
Benson, que havia escutado a conversa, saiu da cozinha. Enquanto limpava as mãos em um avental, ele disse:
— Vocês não confiam na minha comida? Lembro que antes de Melissa aprender a cozinhar, vocês dois esperavam que eu voltasse para casa e me observavam cozinhar ansiosos. Na verdade, cozinhar é tão fácil. Quer ensopado de carne com batatas? Coloque primeiro a carne, depois as batatas e adicione um pouco de tempero…
Klein e Melissa trocaram olhares e permaneceram em silêncio.
Pondo de lado a bengala e tirando o chapéu, Klein se virou e sorriu.
— Acho que é hora de contratar uma criada. Não é saudável não jantar na hora certa tempo.
— Mas não quero ter um estranho ao nosso lado enquanto conversamos. Isso vai me fazer sentir desconfortável — disse Melissa, subconscientemente encontrando uma desculpa para se opor.
Klein falou com um sorriso enquanto tirava o casaco.
— Eu não me importo…
Só então, sua expressão congelou, e ele parou o que estava fazendo.
Quase tirei meu casaco. Eu ainda estou com o revólver na minha axila…
Ahem. — Ele pigarreou e fingiu que nada havia acontecido.
— Não se importe com ela. Quando chegarmos em casa, podemos deixar a criada descansar em seu quarto. Duvido que uma criada não goste de poder descansar. Hmm, precisamos encontrar uma criada que esteja disposta a aprender a cozinhar.
Ele não queria suportar a tortura de uma culinária duvidosa que o deixaria em dúvida no futuro.
Benson ficou na cozinha e assentiu em concordância.
— Quando tivermos tempo, podemos ir à Associação de Assistência a Servos de Família de Tingen. Eles têm bastante experiência e muitos recursos nesse campo.
— Tudo bem, está decidido! — Klein ignorou o olhar relutante de Melissa.
Backlund, Burgo Imperatriz, residência do Visconde Glaint.
Audrey Hall deixou a festa com sua criada pessoal, Annie. Chegando no segundo andar, elas entraram no quarto que o Visconde havia preparado.
Ela lentamente tirou o vestido glamoroso e os leves saltos de dança com a ajuda de Annie e então vestiu uma túnica preta com capuz que havia preparado com antecedência.
Puxando o capuz, Audrey ficou diante do espelho e se examinou.
Ela viu que mais da metade de seu rosto estava encoberto pela sombra do capuz, e apenas seus belos lábios estavam claramente expostos
Túnica preta comprida, rosto escondido por sombras, um sentimento misterioso… Isso é algo que sonhei em usar esse tempo todo! — pensou Audrey consigo mesma.
Preocupada, ela adicionou um chapéu azul em forma de barco sob o capuz. Com a adição do fino véu cobrindo seu rosto, suas feições faciais se tornaram ainda mais indiscerníveis.
— Nada mal, isso ai! — Audrey enfiou os pés em botas de couro, olhou para o lado e disse a Annie:
— Espere por mim aqui. Não importa quem vier, não abra a porta.
Annie olhou para ela, impotente, e disse:
— Mas você precisa garantir que seu passeio não demore mais que uma hora.
— Você deveria confiar em mim. Sempre cumpri minhas promessas no passado. — Audrey sorriu e se inclinou na direção de sua criada pessoal. Ela a abraçou e beijou sua bochecha como a etiqueta exigia.
Então, caminhou rapidamente e puxou o capuz. Virando-se, ela saiu do quarto por uma porta secreta.
Ela andou todo o caminho e chegou à porta lateral da residência do Visconde, onde viu que já havia uma carruagem a esperando.
Glaint estava no meio das sombras enquanto olhava para Audrey, elogiando sinceramente:
— Ao se vestir assim, você é realmente, sim, como a descrição que o Imperador Roselle costumava usar, muito legal.1“Very cool.”
— Obrigada. — Audrey levantou uma saia imaginária e fez uma reverência elegante.
Os dois entraram na carruagem e deixaram a vila. Eles chegaram a uma casa a cerca de dez minutos de distância.
Do lado de fora da casa, Audrey viu a Aprendiz, Fors Wall, e sua amiga Árbitro, Xio Derecha, a quem ela estava vendo recentemente.
Os cabelos castanhos levemente ondulados de Fors e seus olhos azuis claros mostravam uma preguiça natural. Ela apontou para Xio Derecha ao seu lado e disse:
— Ela é uma excelente persuasora, capaz de ajudá-los a conseguir as coisas que queiram.
Xio Derecha era um pouco mais baixa, com cerca de 150 cm, no máximo. Suas feições faciais eram delicadas, mas ela parecia bem jovem e imatura.
Embora seu cabelo loiro na altura dos ombros fosse bagunçado e despenteado, e de seu traje tradicional de cavaleiro, ela carregava um olhar indescritível de dignidade e um charme convincente.
Audrey já a havia visto algumas vezes. Ela sorriu levemente e cumprimentou:
— Senhorita Xio, posso confiar em você?
— Você não precisa se preocupar. — Xio Derecha sorriu e gesticulou com a mão.
No momento em que iria seguir Audrey e Visconde Glaint, eles ouviram um barulho repentino.
Audrey olhou na direção da fonte do som e viu que uma lâmina triangular cintilando com um brilho frio havia caído ao lado da perna de Xio Derecha.
Audrey e Xio Derecha trocaram olhares, simultaneamente sem palavras.
Depois de quase vinte segundos, Xio Derecha rapidamente se agachou e pegou a lâmina triangular e a escondeu em seu corpo.
— Temos que impedir a ocorrência de um acidente. Algumas pessoas não têm racionalidade e não se convencem facilmente — explicou Xio Derecha seriamente.
Audrey assentiu e respondeu com uma voz clara:
— Eu acredito em você…
— Essas são ferramentas para convencer aqueles desgraçados a falar conosco com calma — acrescentou Fors, olhando de soslaio para as planícies de grama.
O quarteto não continuou conversando, e andaram em frente. Eles então bateram na porta de madeira com três batidas longas e duas curtas.
A porta rangeu e se abriu. Lentamente, usando seu estado de Espectador, Audrey olhou para o interior da casa onde havia várias pessoas sentadas aleatoriamente. Eles empregaram vários métodos, como capuzes ou máscaras, para esconder sua aparência. Alguns nem se incomodavam e estava com seus rostos abertamente expostos.
Quase instantaneamente, Audrey notou um homem de manto preto em um sofá de assento único.
Aquele homem também usava capuz, escondendo sua aparência sob a sombra.
Ele olhou para todos os convidados em silêncio, dando às pessoas a sensação de que estava de alguma forma em uma posição de comando.
Ele é muito confiante, mas seu olhar é bastante nojento. Seu olhar se moveu para cima e para baixo em meu corpo, como dois tentáculos escorregadios querendo arrancar minhas roupas… — Os sentidos de Audrey estavam afiados. Ela observou com cuidado e fez um julgamento com calma, mas quase teve arrepios.
Fors o apresentou.
— Esse é o Sr. A, um poderoso Beyonder, o líder desta reunião secreta.
Capítulo 131
Capítulo 131 – Transação
Sr. A? Isso soa mais como um codinome para um criminoso do que para um homem poderoso e misterioso. Não pode ser comparado ao Sr. Louco… não, apenas deuses ou semideuses podem ser comparados ao Sr. Louco… — Audrey sentiu uma sensação de superioridade ao pensar isso.
Ela olhou calmamente para o Sr. A e falou com Fors e Xio Derecha, sussurrando:
— Sabem algo sobre esse homem?
O encapuzado Visconde Glaint estava igualmente curioso.
Xio Derecha respondeu com severidade:
— Houve vários desses incidentes no passado. Beyonders de Sequência 8, alguns até Sequência 7, focaram e tentaram lidar com o Sr. A, mas todos desapareceram misteriosamente.
— Então ele realmente é um poderoso Beyonder — maravilhou-se Glaint.
Eles entraram na sala enquanto conversavam. Os guardas imediatamente fecharam a porta atrás deles.
Depois de se ajustar à luz da lâmpada a gás da sala, Audrey viu bem na sua frente dois quadros-negros com várias frases escritas.
Nesse momento, Fors, que tinha um cigarro apagado na mão, sussurrou:
— Esses são os pedidos dos membros desta reunião. Você deve ser capaz de entender que muitas pessoas não desejam que estranhos saibam o que possuem para evitar ser alvo de pessoas gananciosas. Assim, eles escrevem seus pedidos ou o que estão vendendo, bem como o preço aproximado nos quadros-negros de forma anônima.
Audrey assentiu. Ela não se importou em observar os membros da reunião; em vez disso, desviou seu olhar para as palavras no quadro esquerdo.
“Preciso de um par de olhos de um peixe Manhal adulto.”
“Poeira deixada para trás por espíritos vingativos, 165 libras.”
“Três páginas do caderno do Imperador Roselle, 20 libras.”
Audrey não conseguiu manter seu estado de Espectador quando viu isso. Ela ficou tão chocada quanto animada.
Esses preços… esses preços são muito… é tudo muito barato! — Ela pensou, animada e alegre.
Enquanto caminhava, seu olhar caiu sobre os outos pedidos. “Lágrimas de uma flor bebe, 200 libras.”
“Pó de múmia, 10 gramas, 5 libras.”
“Secreção de homem-peixe, 30 ml, 29 libras.”
“Fórmula da Poção Sequência 8 Xerife, 450 libras.”
…
Barato… simplesmente muito barato! Todos os ingredientes Beyonder custam menos de 300 libras! — Os olhos de Audrey brilharam quando ela encontrou um lugar para se sentar junto com seus companheiros.
Xio Derecha se inclinou e sussurrou em seu ouvido:
— Há algo que você queira?
Audrey respirou profundamente. A famosa citação do Imperador Roselle passou por sua mente: “Quero tudo!”
Ela tinha dois irmãos mais velhos, anulando sua elegibilidade para herdar o título aristocrático e a parte principal da herança. Mas, como uma dama adorada por seus pais e irmãos, Audrey possuía propriedades, terras agrícolas, pastagens, minas, jóias, ações e títulos em seu nome. Juntos, eram avaliados em 300.000 libras.
Isso fazia parte de sua herança, mas ela só os possuía em nome até que seu pai, o Conde Hall, falecesse ou quando se casasse.
Todos os anos, ela recebia uma quantia correspondente de um fundo fiduciário.
Mas, mesmo assim, ela podia receber de 15.000 a 25.000 libras por ano, fazendo dela uma das mulheres mais ricas entre os nobres de todo o Reino Loen.
Claro, ela também tinha despesas que não podia evitar fazendo parte da nobreza. E agora que estava recebendo pagamentos anuais, não podia mais incomodar seus pais por dinheiro o tempo todo.
Ela se controlou e respondeu discretamente:
— Por enquanto, estou de olho no caderno do Imperador Roselle. Eu o adoro e acho que os símbolos e a literatura especiais que ele criou têm um poder misterioso; é só que ainda não encontramos a maneira correta de decifrá-los.
Audrey, você está se tornando cada vez mais hipócrita… — Ela acrescentou em seu coração.
Logo quando disse isso, um jovem de camisa branca sentado perto deles levantou-se, animado. Ele concordou com Audrey:
— Sim! Isso é verdade! Finalmente conheci alguém que compartilha da mesma opinião que eu!
— Eu sou a pessoa com as três páginas do caderno, e posso vendê-las para você agora mesmo!
Audrey ficou perplexa no começo, antes de responder com um sorriso:
— Então, permita-me expressar minha gratidão.
Ela pegou um par de notas de dez libras e as entregou ao homem, recebendo em troca as três páginas do diário do Imperador Roselle. É claro que ninguém aqui sabia que elas faziam parte de seu diário, e, portanto, geralmente era chamado de caderno.
Audrey folheou as páginas depois de recebê-las e confirmou que a escrita era semelhante às páginas anteriores que havia encontrado.
Ela guardou as folhas e perguntou baixinho a Xio e Fors:
— Quem eu posso procurar se as anotações forem falsas? Sr. A?
— Sim, o Sr. A não permitirá que nenhuma fraude ocorra em sua reunião. E eu também poderia ajudá-la a mediar isso em particular — respondeu Xio Derecha, ansiosa.
— Compreendo. — Audrey entrou em seu estado de Espectador e examinou os Beyonders e futuros Beyonders a seu redor.
Havia muitas pessoas olhando por causa da animação do jovem naquele momento. Estavam observando Audrey e Glaint, alguns sendo óbvios enquanto outros eram mais discretos, mas os capuzes de Audrey e Glaint cobriam bem suas faces.
Há sofás e cadeiras espalhados por todo o local, todos de frente para o quadro. O material dos móveis é bastante normal, indicando que a pessoa que os reuniu aqui, Sr. A, não é nobre e não se importa muito com o local… Sim, com a confiança que ele demonstrou, não precisa ser excessivo ou pretensioso com o local… — Audrey olhou em volta e calmamente observou.
O Sr. A olha para todas as damas presentes, seu olhar muitas vezes permanecendo nas que possuem uma aparência acima da média… Ele é lascivo… Por que ele está me olhando com tanta frequência? Será que consegue ver através da minha túnica?
Audrey ficou chocada com essa dedução. Ela sentiu nojo, como se tivesse acabado de comer uma mosca.
Mas suas preocupações diminuíram rapidamente, pois ela notou que o Sr. A não estava olhando para o corpo dela ou para o das outras senhoritas damas…
Isso significa que seus olhos não podem ver diretamente através do tecido. Sua visão é excepcional, é como se ele estivesse me observando de perto. Com essa habilidade, o capuz não vai conseguir ter muito do efeito desejado. — Audrey observou calmamente o resto das pessoas envolvidas em seus próprios negócios e entendeu as circunstâncias de alguns dos presentes.
Nesse momento, o assistente do Sr. A se aproximou e sussurrou para o grupo de Audrey:
— Voces podem escrever seus pedidos em um pedaço de papel e passá-los para mim, ou esperar até o intervalo mais tarde para escrever o que quiserem vender no quadro-negro na sala pequena.
Fors sentiu o cheiro do cigarro e examinou os arredores com cautela.
— Você já pensou em qual fórmula de Sequência 9 deseja?
Ela cumpriu sua promessa e contou a Audrey e Visconde Glaint sobre todos os caminhos de Sequência que conhecia.
Audrey fingiu pensar antes de dizer:
— Espectador, quero me tornar um Espectador. E também quero a sequência de Espectador, Telepata.
Ela considerou o fato de que teria que ter contato frequente com Fors e Xio Derecha no futuro, tornando altamente possível que elas percebessem que já era uma Beyonder, um Espectador. Assim, ela decidiu aproveitar esta oportunidade para revelar isso e ocultar completamente a existência do Clube do Tarô.
Mesmo que eu esteja desperdiçando algum dinheiro, ainda valerá a pena… — Audrey se elogiou.
Ao mesmo tempo, ela notou que Xio Derecha olhava os quadros de vez em quando, sua expressão era de desejo e tristeza.
Xio me disse que a sequência 8 correspondente a Árbitro era Xerife. Ela está olhando para o preço de 450 libras? Bem, é óbvio que ela quer a fórmula de Xerife…
Ela já é Árbitro há mais de um ano e atua inconscientemente o papel de árbitra. A poção dela já deve ter sido digerida…
Todos esses detalhes me dizem que Xio não tem dinheiro!
Enquanto Audrey deduzia tudo isso, Visconde Glaint revelou sua escolha.
— Boticário, quero a fórmula para a Sequência 9, Boticário!
Sentindo o olhar de Audrey, Fors e Xio, ele se explicou com uma gargalhada:
— Para mim, ser saudável e não ter que se preocupar com doenças e malefícios graves é a coisa mais importante!
— Uma decisão racional. Uma vez sonhei em me tornar um
Boticário. — Fors suspirou enquanto sorria.
Ela tinha um comportamento bastante chateado.
Depois de tomar suas decisões, Audrey e o resto escreveram seus pedidos em pedaços de papel e os entregaram ao assistente. Eles ficaram observando enquanto o assistente andava pelo local e perguntava aos outros participantes, coletando vários outros pedaços de papel.
O assistente embaralhou as anotações e as entregou ao parceiro encarregado dos quadros-negros, pedindo-lhe para transcrever as informações neles.
— Preciso das fórmulas para poções Espectador e Telepata, o preço será negociado cara a cara…
O facilitador repetia o pedido três vezes depois de escrevê-lo no quadro-negro. Caso alguém se interessasse, poderia solicitar um quarto em segredo, onde haveria assistentes ajudando-os a concluir o acordo.
Depois de esperar um pouco, Audrey e Glaint não receberam nenhuma oferta, o que os deixou bastante decepcionados.
Nesse momento, um assistente foi até o lado de Audrey e entregoulhe um pedaço de papel dobrado.
— É do Sr. A — disse o assistente suavemente.
Audrey desdobrou o pedaço de papel e deu uma olhada.
“Você estaria interessada nas fórmulas de outras poções de sequência 9?”
Audrey curvou as extremidades da boca com desdém e escreveu em um espaço em branco: “Só estou interessada em Espectador.”
Ela dobrou o pedaço de papel e devolveu-o ao assistente, depois observou enquanto ele o devolvia ao Sr. A.
Sr. A deu uma olhada e não disse nada, continuando a examinar o resto dos membros silenciosamente.
Mas Audrey notou claramente que ele havia queimado secretamente o pedaço de papel e deixado as cinzas caírem no chão.
Quinze minutos depois, o Sr. A disse:
— Agora, vamos fazer uma pausa. Vocês podem interagir com ou outros participantes livremente.
Nesse momento, o jovem que vendeu o diário do Imperador Roselle se aproximou de Audrey e disse, empolgado:
— Eu já decifrei uma parte dos caracteres especiais do Imperador Roselle e os tatuei em mim, me permitindo adquirir algumas habilidades notáveis.
— Você está interessada?
Audrey subitamente lembrou que havia perguntado ao Sr. Louco se os caracteres especiais do diário do Imperador Roselle possuíam habilidades únicas. A resposta do Sr. Louco foi que eles eram inúteis, a menos que uma divindade de repente se interessasse por eles.
Ela olhou para o jovem na sua frente e pensou por um momento.
Ela então questionou:
— Que habilidades notáveis?
O jovem então respondeu entusiasmado:
— Me tornei mais forte e saudável!
Audrey olhou para ele com pena.
— Sinto muito, mas tenho mais confiança em minha própria pesquisa.
No resto da reunião, ela continuou observando aqueles que compareceram mas não obteve mais informações. Tudo o que ela obteve era uma dedução grosseira de que alguns deles eram médicos ou advogados, ocupações comuns.
Audrey e o resto deixaram o local depois de mais meia hora e retornaram à mansão do Visconde Glaint enquanto esperavam até o baile terminar.
Audrey voltou para casa por volta das 10 horas da noite. Ela estava prestes a pedir à criada que preparasse água quente quando viu seu cachorro, Susie, lhe lançar um olhar.
Meu cachorro me lançou um olhar… — As emoções de Audrey ficaram complicadas.
Capítulo 132
Capítulo 132 – Encontrando o Monstro Novamente
Ela encontrou uma desculpa para sua criada deixá-las sozinhas por um tempo. Audrey trancou a porta e olhou de volta para sua golden retriever, Susie, da qual não tinha mais tanta certeza de que ainda poderia ser considerada como seu animal de estimação.
— Você ouviu… Uh, ou encontrou alguma coisa?
Susie sentou-se firmemente e uivou, reverberando o ar ao seu redor.
— Sim, ouvi a discussão do Conde com alguns membros do
Parlamento no escritório. Eles disseram que o Rei e o PrimeiroMinistro chegaram a um acordo mútuo e desistirão de seu plano de vingança contra o Império Feysac, na Costa Leste de Balam, por enquanto. Onde fica a Costa Leste de Balam?
A velocidade aterrorizante de Susie em compreender a língua de Loen fez Audrey se sentir confusa. Ela ficou em silêncio por alguns segundos antes de dizer:
— Irei lhe dar um mapa amanhã…
— Ok~ — Susie respondeu, satisfeita. — O Rei e o PrimeiroMinistro acreditam que atualmente a tarefa mais pertinente é pressionar uma reforma, que permitirá a seleção de funcionários públicos por meio de um exame. Eles esperam passar o projeto de lei pela Câmara dos Lordes e pela Câmara do Povo antes de outubro.
—Sério? — perguntou Audrey, agradavelmente surpresa.
Esse foi o primeiro assunto que ela conseguiu guiar secretamente depois que se tornou um Espectador. Transformar isso em realidade daria a ela uma sensação de conquista!
Susie respondeu com franqueza:
— Não posso lhe dar uma resposta definitiva. Foi exatamente isso que ouvi, não consegui nem entender completamente o que eles queriam dizer. Afinal, sou um cachorro que acabou de começar a aprender.
Audrey ficou atordoada por um momento antes de sorrir e alogiar:
— Susie, você fez bem! Essa é sua recompensa!
Ela pegou uma sacola de um armário luxuoso, abriu o selo e a colocou na frente de Susie.
Era um biscoito para cães produzido pela Companhia de Cuidados Animais de Backlund, feito de farinha, legumes, carne e água. Era um biscoito do qual Susie realmente gostava.
Susie sentou-se, ereta, e cheirou a sacola. Ela balançou a pata, parecendo decidir como consumir os biscoitos para se adequar melhor à sua identidade atual.
Depois de alguns segundos, ela desistiu de pensar, aderiu ao seu instinto e avançou para frente. Pegando a sacola de biscoitos, ela correu para fora.
Ela ficou de pé sobre as patas traseiras e abriu a porta com uma das patas, e então saiu correndo e se escondeu nas sombras para começar a saborear seu lanche.
No domingo, Klein dormiu até a tarde, porque havia passado a noite em serviço no Portão Chanis. Depois que acordou, pegou a carruagem pública sem trilhos e chegou ao Bar Dragão Maligno.
Ele havia planejado usar divinação para encontrar o Monstro Ademisaul e determinar o motivo de sua recente estranheza. No entanto, ele foi interrompido pela perda de controle de um Punidaor a Mandato e teve que adiar para hoje.
Ele atravessou a sala de bilhar e entrou no mercado clandestino. Klein não precisou procurar, pois imediatamente viu Ademisaul tremendo em um canto.
Quando o jovem de aparência pálida, de cabelo preto, bagunçado e oleoso, sentiu a aproximação de Klein, ele de repente cobriu os olhos e encostou-se na parede na tentativa de se mover em direção à porta lateral.
Klein acelerou o passo e impediu Ademisaul de sair. Ele bateu os molares esquerdos duas vezes secretamente.
Em sua Visão Espiritual, a aura de Ademisaul não parecia muito saudável; todas as cores pareciam sombrias. Em outras palavras, embora ele não tivesse nenhuma doença importante, seu corpo estava muito fraco.
Ao mesmo tempo, Klein percebeu que um medo e uma ansiedade intensos estavam sendo revelados nas emoções do Monstro. Ele havia perdido quase todo o azul que representava o pensamento racional.
A superfície de sua Projeção Astral se estendia das profundezas de seu Corpo Etéreo, e sua cor era unificada, transparente e incolor, exatamente como uma luz pura. Essa é a singularidade de um “Monstro” nascido naturalmente? — Klein assentiu indiscernivelmente enquanto olhava para o rosto de Ademisaul, depois disse:
— O que você viu recentemente? O que você encontrou? Por que você está se escondendo em um canto e tremendo enquanto diz que existem cadáveres e que todos estão mortos?
Ademisaul abaixou a cabeça e olhou na direção de seus pés. Parecia que ele não se atrevia a olhar diretamente para a pessoa à sua frente.
Ele tremia quase violentamente, com sua calça azul-acinzentada e camisa de linho esfarrapada. Ele respondeu, confuso:
— Não, eu não vi nada. N-não, eu só tive um sonho. Há sangue em todos os lugares do sonho e cadáveres espalhados por toda parte. Haha! Boohoo! Eu estava entre os cadáveres! Eu estava lá! Eu vou morrer, eu vou morrer! Eu não quero morrer, eu não quero morrer!
Ele riu e chorou. Sua resposta confundindo Kelin.
Klein massageou as têmporas e abaixou a voz para perguntar novamente:
— Por que você tem medo de mim?
Ademisaul ficou surpreso por alguns segundos quando de repente se agachou. Ele gritou com um medo extremo:
— Não!
— Não!
…
Todos olharam e Klein de repente se sentiu desconfortável.
Eu não fiz nada para você… Por que está gritando como se algo tivesse acontecido! — Ele riu secamente, vendo que Ademisaul havia se enrolado em uma posição fetal trêmula. Fora implorar por misericórdia, ele não disse mais nada. Klein não teve escolha a não ser se distanciar e fingir que estava simplesmente passando por alí.
Hmm, talvez eu deva pedir conselhos ao Sr. Azik. Mas ele acabou de sair de férias para a parte norte do Império Feysac na semana passada, e só voltará na próxima quinta ou sexta-feira. Antes disso, tenho que reportar ao Capitão… — Klein cobriu a boca enquanto bocejava. Ele então deu meia volta e saiu do mercado subterrâneo.
Depois que recebeu seu salário naquela semana, sua poupança particular voltou a oito libras e dez soli. No entanto, os ingredientes Beyonder verdadeiramente raros eram tão caros que ele só conseguia “olhar as vitrines”. Mas claro que, se ele não tivesse medo dos juros altos, poderia obter um empréstimo de curto prazo com Swain.
Quando saiu do Bar Dragão Maligno e esperou a carruagem pública, Klein considerou os desenvolvimentos futuros.
Em mais uma semana, as doze libras do meu adiantamento do início serão pagas. O dinheiro que poderei levar para casa finalmente poderá chegar a três libras por semana. Melissa não vai ter desculpa alguma para adiar a contratação de uma criada… As outras três libras permanecerão em segredo, e eu vou economizar mais dinheiro para mim…
Eu preciso conseguir rapidamente a fórmula de Telepata, ou pistas relacionadas, de Daxter Guderian. Posso usar a desculpa de poder dar os fundos a um subalterno para não levantar suspeitas ao trocála por dinheiro com srta. Justiça… Isso poderia ser feito através de uma transferência bancária anônima. Durante o processo posso causar interferência via divinação. Isso será muito seguro e não revelará minha identidade…
…
Depois de entrar em uma carruagem pública, Klein não foi diretamente para a Companhia de Segurança Blackthorn, planejando ir primeiro ao Clube de Divinação por duas horas.
Fazia parte do trabalho necessário para prenunciar sua digestão da poção.
Além disso, Klein agora era considerado famoso na indústria de divinação. Havia clientes que retornavam e também havia referências. Em média, ele fazia mais de dez divinações em uma tarde.
Portanto, mesmo que ele fosse apenas duas vezes por semana, ainda conseguia lucrar meia libra. Para o empobrecido Sr. Louco, era melhor que nada.
Ah, é uma pena que eu tenha sido muito bom no começo e construído uma imagem muito perfeita. Não posso simplesmente mudar minhas taxas de divinação como desejo… — pensou Klein consigo mesmo enquanto estava sentado na sala de reuniões no Clube de Divinação tomando seu chá preto de Sibe.
Com sua fama atual, as pessoas ainda procurariam seus serviços, mesmo se ele cobrasse quatro soli.
No entanto, como um Vidente que respeitava o destino, ele só podia continuar cobrando oito centavos.
Embora Klein tivesse digerido completamente a poção, ele não estava disposto a correr o risco de ir contra os princípios de um Vidente que havia deduzido, e isso incluía não obter benefícios excessivos da divinação. Afinal, ele não sabia se isso poderia levar à perda de controle ou outros efeitos negativos.
As informações confidenciais que os Falcões Noturnos tinham não incluíam o conceito de “digestão”. Assim, Klein não conseguiu determinar se ainda havia riscos depois de digerir completamente a poção, nem se poderia fazer algo que fosse contrário ao princípio.
No momento em que pensava nessas coisas, a bela atendente Angélica entrou e foi até Klein. Ela se inclinou dizendo suavemente:
— Sr. Moretti, alguém deseja seus serviços de divinação. Sala Ágata Vermelha.
— Tudo bem. — Klein havia verificado se era um dia adequado para visitar o Clube de Divinação antes de chegar, e obteve uma resposta definitiva de sua divinação.
Ele pegou sua cartola de seda, saiu da sala de reuniões e viu o cliente que estava esperando na porta da sala Ágata Vermelha.
A cliente era uma donzela com cerca de dezesseis anos de idade. Ela estava usando um vestido azul claro com babados e segurando um chapéu de gaze da mesma cor. Ela tinha cabelos castanhos encaracolados, um rosto bonito e redondo e um par de lindos olhos azuis claros.
— Elizabeth? — Klein reconheceu a boa amiga de sua irmã, Elizabeth, que estudava na Escola Pública Ivos.
Uma vez ele ajudou a escolher um amuleto para ela, e também resolveu o incidente de divinação de espelho mágico de Selena com sua ajuda.
Da mesma forma, Elizabeth disse com agradável surpresa:
— Sr. Moretti, é você mesmo? Me perguntei se era você mesmo quando vi o nome.
— Sou um entusiasta do misticismo, afinal — explicou Klein, impotente. Então ele acrescentou:
— Não conte à Melissa. Ah, Selena também.
O resultado da divinação mostrou que era adequado visitar o Clube de Divinação! Por que me deparei com Elizabeth? — Ele balançou a cabeça quando se virou para abrir a porta da sala Ágata Vermelha.
Ao mesmo tempo, ele bateu seus molares esquerdos duas vezes.
Eles entraram na sala sem pressa. Depois de tomar o assento do adivinho, ele levantou a cabeça e olhou em direção a Elizabeth.
Com apenas um olhar, ele franziu as sobrancelhas.
Havia uma leve camada de um verde escuro no campo de energia da jovem senhorita!
Um sintoma de ser assombrado por espíritos e aparições… — Klein fez um julgamento calmo e perguntou diretamente:
— Você teve pesadelos recentemente, com elementos repetitivos?
Elizabeth, que havia acabado de fechar a porta e ainda não havia se sentado, ficou impressionada e demorou muito tempo para responder:
— Sim… Foi por isso que vim aqui procurá-lo.
Klein se recostou e perguntou:
— Que tipo de sonho você teve? Quando começou?
— Começou nos últimos dois dias de minhas férias na cidade de Lamud. Ah, nossa família tem uma propriedade lá. — Elizabeth era considerada meio entusiasta de misticismo, então se lembrava melhor que o normal de tais situações. — No meu sonho, eu sempre encontro um cavaleiro de armadura negra completa. Ele carrega uma enorme espada e seu rosto está totalmente coberto por um elmo, então tudo que eu podia ver era um par de olhos vermelhos e brilhantes. No sonho, ele fica tentando se aproximar de mim. Com medo, eu fujo, mas a distância diminui a cada vez…
Depois de pensar, Klien perguntou:
— Dois ou três dias antes do seu sonho, você entrou em contato com antiguidades, ruínas antigas, objetos de sepultamento ou um mausoléu?
Elizabeth recordou, respondendo:
— Visitei uma montanha perto da cidade de Lamud onde havia um castelo antigo abandonado.
Essa é a abertura padrão de um romance paranormal… — Klein achou graça silenciosamente enquanto questionava por mais detalhes:
— Você deixou algo para trás no castelo? Ou pegou alguma coisa do castelo?
Elizabeth franziu suas belas sobrancelhas e respondeu momentos depois, incerta:
— Fui cortada por espinhos e sangrei… Deixar sangue para trás conta?
Klein assentiu com uma máscara de solenidade e respondeu com uma voz profunda:
— Sim.
Capítulo 133
Capítulo 133 – Amuletos caros
Elizabeth imediatamente ficou nervosa ao ouvir a resposta de Klein. Inconscientemente, ela começou a falar mais rápido.
— Você pode me ajudar a divinar a razão específica? Seria ainda melhor se você pudesse divinar uma maneira de resolver isso…
— Divinação só pode nos dar uma orientação geral de como resolver o problema e, além disso, seria obscuro e cheio de simbolismo, dificultando como decifrar corretamente as dicas… Claro, você tem muita sorte, não sou um vidente comum, sou um verdadeiro estudioso do misticismo! — Klein evadiu a pergunta da garota antes de dizer solenemente:
— Como esse assunto tem a ver com sonhos, eu sugeriria um método de divinação semelhante.
— Tudo bem, tudo bem. — Elizabeth acenou com a cabeça como um pica-pau faminto.
Klein manteve sua atitude profissional. — Vou precisar que você durma aqui e permita que esse sonho se apresente. Isso seria um problema?
— Sem problemas, eu confio em você — respondeu Elizabeth sem hesitar enquanto franzia os lábios.
Mas ela rapidamente acrescentou, gaguejando:
— M-mas, eu não posso garantir que eu… que eu sonharia sobre isso.
— É apenas uma tentativa — Klein a consolou com um sorriso gentil.
Ele então apontou para o longo sofá no canto da sala Ágata Vermelha. — Por favor.
— Não, não precisa, vou dormir aqui. — Elizabeth balançou a cabeça suavemente. Ela cruzou os braços e disse:
— Durmo assim na escola depois das aulas sempre que me sinto cansada.
Ela usou os braços como travesseiro e se inclinou para a frente na borda da mesa.
— Tudo bem, tente fingir que eu não estou aqui. — Klein sorriu enquanto observava as cores de sua aura e emoções. Ele as usou para deduzir se a garota havia adormecido ou não.
— Okay. — Elizabeth fechou os olhos e enterrou o rosto nos braços, tentando acalmar a respiração.
Klein ficou em silêncio e se recostou na cadeira. A sala de repente ficou estranhamente quieta.
Era um silêncio pacífico, um silêncio que poderia fazer alguém esquecer seus problemas.
Algum tempo depois, Klein tirou uma peça semicircular de prata do bolso depois de confirmar que Elizabeth havia adormecido. A peça de prata estava cheia de frases indecifráveis em Hermes, além de imagens e números simbólicos.
Era um charm dos sonhos que Klein havia conseguido fazer na manhã anterior!
Ele também terminou de fazer dois charms dos sonhos e dois charms pacificadores. Os primeiros foram feitos com peças retangulares de prata, enquanto os últimos foram feitos com peças triangulares. Isso foi para ajudá-lo a diferenciar entre eles apenas pelo toque durante alguma batalha intensa.
— Carmesim! — Klein recitou suavemente a frase em Hermes antigo.
Este foi o encantamento de ativação que ele havia estabelecido. Como ainda havia o passo de colocar espiritualidade no charm, não havia necessidade de que seu encantamento fosse diferente dos outros. Tudo o que precisava era ser curto e fácil de lembrar.
O misterioso encantamento reverberou pela sala. Klein sentiu o charm dos sonhos se tornar leve em sua mão, como se tivesse perdido temporariamente seu peso.
Klein imediatamente colocou o charm sobre a mesa em sua frente depois de enchê-lo com sua espiritualidade.
Uma chama transparente saltou silenciosamente, envolvendo o charm, mudando sua cor para um preto profundo e sereno.
As chamas negras se espalharam rapidamente, envolvendo
Elizabeth e Klein.
Klein aproveitou a oportunidade para entrar em seu estado de Cogitação. Ele usou sua espiritualidade para olhar a luz esférica ilusória à sua frente.
A luz esférica estava cercada por uma escuridão sem limites, fazendo-a parecer excepcionalmente solitária.
Klein não se atreveu a adiar mais, e emitiu sua espiritualidade, permitindo que ela tocasse a ilusória esfera de luz.
Silenciosamente, a cena ao seu redor começou a coruscar e distorcer, mas rapidamente se estabeleceu em uma planície marrom-amarelada. A planície estava cheia de cadáveres de cavalos e humanos. Sangue fresco e armas podiam ser vistos por toda parte.
Elizabeth estava usando um vestido da realeza, com engageantes e um chapéu com véu. Ela estava olhando em volta, perdida.
Ela rapidamente viu a figura de Klein e revelou um olhar de surpresa e alegria.
— Sr. Moretti, nos encontramos novamente! Eu suspeitei que o Klein Moretti no registro de nomes era você quando Selena e eu viemos fazer uma divinação. Voltei várias vezes, mas nunca o encontrei, pois tinha que assistir às aulas durante o dia…
— Quando eu estava livre durante as férias de verão, fui arrastada para férias na Cidade de Lamud pelos meus pais…
— Você pode me ajudar, certo?
Klein congelou por um momento quando ouviu a fala da garota.
Em pensar que Elizabeth suspeitava que eu estava trabalhando meio período no Clube de Divinação e tentou me encontrar em várias ocasiões…
No entanto, ela não parecia anormal!
Hmm, sua surpresa era autêntica, mostrando seus verdadeiros pensamentos…
De fato, o sonho de todos mostra seu lado mais honesto, exceto o meu, do Sr. Louco.
Enquanto ele se entregava a seus pensamentos, o sonho de Elizabeth mudou. Um cavaleiro alto, com cerca de 1,9 metro de altura, caminhava na direção deles, arrastando uma espada larga, raspando no chão.
Esse cavaleiro estava vestido com uma armadura preta. Os sons metálicos de colisão de metal podiam ser ouvidos a cada passo. Duas bolhas de luz vermelha parecidas parecendo chamas surgiram da fenda de seu elmo; elas estavam olhando fixamente para Klein e Elizabeth.
A força de vontade de um espectro… Ainda não na fase de um espírito maligno. — Klein, que estava em seu estado de espiritualidade, não precisou ativar sua Visão Espiritual.
De acordo com as classificações baseadas nas informações confidenciais dos Falcões Noturnos, os sentimentos de vingança e injustiça deixados pelos espíritos eram os tipos de almas mais fracos e fáceis de lidar. A seguir eram sombras e espectros. Espíritos malignos eram as almas mais difíceis de se lidar. Dizia-se que os espíritos malignos mais horripilantes eram tão fortes quanto Beyonders de Alta Sequência.
Com isso em mente, Klein deu um passo à frente, bloqueando Elizabeth atrás dele. Ele então bateu com o pé no chão e quebrou o sonho.
Múltiplas partículas de luz se espalharam como vaga-lumes. A espiritualidade de Klein voltou ao seu corpo, permitindo que seus olhos se adaptassem mais uma vez à escuridão da sala Ágata Vermelha. Ele viu as ferramentas necessárias para divinação ao redor da mesa, bem como o charm dos sonhos que quase havia terminado de queimar.
Klein sentiu um aperto no peito quando viu isso. Os charms no domínio da Deusa da Noite Eterna eram todos feitos usando prata pura, por isso doía seu coração.
Usar esses charms é como queimar dinheiro! Mesmo que não inclua meus custos de mão-de-obra, apenas os materiais têm uma média de seis a oito soli por charm!
Ele se sentiu um pouco mais em paz ao pensar nos Beyonders da Igreja do Eterno Sol Ardente. Afinal, o metal correspondente ao Sol era ouro.
Elizabeth gemeu suavemente e acordou lentamente antes de endireitar sua postura.
Ela olhou furtivamente para Klein e perguntou:
— Sr. Moretti, houve algum resultado de sua divinação?
— Sim. — assentiu Klein seriamente. — Seus pesadelos devem desaparecer em não mais de uma semana.
Vou relatar isso ao Capitão e pedir que ele envie alguém a Lamud para lidar com isso… — acrescentou Klein em seu coração.
— Sério? Isso é ótimo! Obrigada, Sr. Moretti! — Elizabeth ficou animada. De repente, ela franziu as sobrancelhas.
— Qual é o problema? — perguntou Klein, preocupado.
— Nenhum. Acabei de lembrar que tenho que ir para casa agora. — Ela lentamente pegou uma nota de um soli que havia preparado e a colocou sobre a mesa. Ela então pegou seu chapéu e se despediu de Klein, um pouco hesitante.
Depois de sair da sala Ágata Vermelha, Elizabeth caminhou em direção às escadas do lado de fora da porta. Ela agitou os braços depois de confirmar que ninguém estava olhando e gemeu baixinho:
— Alfinetes e agulhas! Que entorpecente…
Na Companhia de Segurança Blackthorn, Dunn massageou a testa enquanto olhava para Klein.
— Você voltou repentinamente porque se deparou com outro incidente sobrenatural?
Ei, Capitão, o que há com esse tom de depreciação… — Klein pigarreou e respondeu sem hesitar:
— Sim.
— Qual é o problema desta vez? — Dunn Smith massageou a testa novamente.
Klein organizou seus pensamentos e respondeu:
— Duas coisas. No primeiro incidente, descobri o “monstro” Ademisaul encurvado em um canto, tremendo de medo quando comprava materiais para meus charms no mercado clandestino.
Quando disse isso, ele insinuou pesadamente que precisava de um reembolso pelos materiais.
Klein não podia mencionar as taxas do detetive que contratou para encontrar Daxter Guderian, pois envolvia a chaminé vermelha. Ele lamentou profundamente não empregar detetives separados.
Dunn pareceu não ler nas entrelinhas enquanto assentia levemente.
— O que aconteceu com Ademisaul?
Klein exalou silenciosamente e descreveu em detalhes:
— Ademisaul teve um sonho. Ele sonhou que havia cadáveres e sangue por toda parte. Um dos cadáveres era o dele e, portanto, ficou muito assustado.
Dunn pensou por um momento antes de perguntar lentamente:
— Como Vidente, o que você acha que isso simboliza?
— Um desastre. Um desastre que abrange uma área vasta. Mas não tenho informações além disso. Além disso, nem tudo no sonho de Ademisaul pode ter um significado simbólico — disse Klein enquanto deliberava suas palavras.
— Vou relatar isso à Catedral Sagrada e ver o que eles têm a dizer. Dunn balançou a cabeça e disse de maneira autodepreciativa:
— Isso não é algo em que tenho experiência.
Klein também não tinha outras idéias. Ele mudou de assunto e falou sobre o assédio que Elizabeth enfrentou.
— Cidade de Lamud… Essa senhorita acredita na Deusa? — perguntou Dunn .
— Sim. — Klein deu uma resposta afirmativa.
— Então não deve haver problemas. Vamos para Lamud agora, podemos tentar jantar lá. Ah, e traga Frye. Suas habilidades devem ser úteis se o incidente envolver cadáveres e fantasmas. — Dunn massageou as têmporas e tentou ao máximo contemplar se havia esquecido de alguma coisa.
Se Elizabeth não fosse crente da Deusa da Noite Eterna, eles teriam que entregá-la aos Punidores a Mandato ou para a Consciência Coletiva das Máquinas de acordo com sua fé. Se sua fé não residisse em nenhuma das três principais igrejas, ela seria entregue à Consciência Coletiva, que era responsável pela periferia.
Klein ficou quieto. Ele esperou em silêncio por um tempo antes de finalmente ouvir Dunn acrescentar:
— Além disso, temos três homens na missão. Podemos solicitar o uso do artefato selado 3-0782.
— 3-0782? — Após um minuto, Klein lembrou que esse Artefato Selado era chamado de Emblema Sagrado do Sol Mutante.
A influência Beyonder desse emblema sagrado parecia durar muito tempo. Ele tinha a capacidade de purificar constantemente quaisquer corpos e espíritos em um raio de quinze metros. No entanto, tinha a desvantagem de purificar a alma de qualquer pessoa comum ao mesmo tempo. Os dados da pesquisa indicaram que, se um humano normal permanecesse dentro de seu raio por uma hora, ele se tornaria um idiota que só saberia louvar o Sol. O limite para Beyonders era de seis horas.
Quanto aos fantasmas e cadáveres, eles se dispersariam em menos de um minuto.
Hmm, em pensar que o Capitão se lembraria do codinome desse artefato selado… Porra, sinto que minha memória é pior que a dele… — Klein congelou subitamente, quase querendo se enforcar.
Dunn Smith recostou-se e olhou para Klein com seus profundos olhos cinza.
— Hoje você foi ao Clube de Divinação novamente? Sentiu alguma mudança nos últimos dois dias?
Capítulo 134
Capítulo 134 – Já se passou mais de um minuto
Capitão, essa é a exata pergunta que eu queria que você fizesse! — assentiu Klein seriamente.
— Me sinto ainda melhor. Até acredito que posso passar no exame da Catedral Sagrada agora. É um tipo de sentimento e confiança que não pode ser descrito com palavras.
Percebendo que sua resposta poderia ser um pouco vaga, ele não pôde deixar de acrescentar:
— Talvez o nome de uma poção seja realmente crucial. Quando eu segui rigorosamente os princípios dos Videntes que deduzi e agi como adivinho, tudo se tornou fácil e perfeito. E agora posso ativar minha Visão Espiritual de uma maneira ainda mais discreta.
Dunn franziu as sobrancelhas levemente e a luz em seus olhos convergiu, ele murmurou aparentando pensar profundamente:
— O nome da poção…
Após cerca de dez segundos, ele olhou para Klein novamente.
— Você precisa voltar e informar sua família? Domingo é seu segundo dia após vigiar o Portão Chanis. Deveria descansar um pouco.
Levando em consideração o fato de que Elizabeth era uma boa amiga de sua irmã, e que ele havia prometido que o problema seria resolvido em uma semana, Klein respondeu sem hesitar:
— Não precisamos perder tempo. Depois que partirmos, basta fazer a carruagem passar pela rua Narciso.
— Tudo bem. Chame Frye enquanto preencho o formulário para obter o artefato selado 3-0782. — Dunn apontou para a sala de descanso na diagonal oposta.
Frye era um Coletor de Cadáveres, então não possuía a energia abundante de um Sem Sono. Se estivesse livre, ele tiraria uma soneca.
Preenchendo o formulário de inscrição você mesmo, aprovando e arquivando você mesmo… Capitão, nosso sistema de gerenciamento é bastante defeituoso… — Klein brincou em silêncio antes de pegar o chapéu e sair do escritório de Dunn para bater na porta na diagonal oposta.
Depois de bater três vezes, Frye abriu a porta e olhou para Klein, sinceramente perplexo.
— Algum Problema?
Como estava tirando uma soneca, seu cabelo estava bagunçado e sua camisa desarrumada. Seu temperamento frio e sombrio diminuiu um pouco.
No entanto, ele ainda parece uma pessoa morta que saiu do caixão… — Klein escondeu o sorriso e respondeu seriamente.
— Há um caso envolvendo espectros. O capitão deseja sua ajuda.
— Okay. — Frye inconscientemente levantou a mão para alisar os cabelos bagunçados, retornando à pessoa fria que mantinha os vivos afastados.
Depois que se vestiu, os dois esperaram no sofá na sala de recepção. O ambiente esquentou após mais sete ou oito minutos, como se a área estivesse sendo exposta à luz do sol.
Imediatamente depois disso, eles viram Dunn Smith atravessar a divisória enquanto segurava na mão um emblema antigo com cerca da metade do tamanho de uma palma.
O emblema tinha um brilho dourado escuro e era gravado com os sinais simbólicos do Sol e linhas que se estendiam até a borda. Era o Artefato Selado 3-0782 da República Intis, originalmente chamado de “Emblema Sagrado do Sol Mutante”.
A República Intis era o país que Roselle transformou de um império em república, antes de transformá-lo novamente em império. Agora, ele se estabeleceu como uma república estável e estava localizado na costa oeste do continente norte. Sua fronteira com o Reino Loen incluía pontos de referência como Midseashire, a cordilheira Hornacis e assim por diante.
Desde o estabelecimento de Intis como nação, a Igreja do Eterno Sol Ardente reprimiu a Igreja do Deus do Artesanato, que mais tarde ficou conhecida como Igreja do Deus do Vapor e Maquinaria. Sendo a principal religião do país, ele também poderia ser chamado de Reino do Sol.
— Vamos indo? Frye, você dirige. Cesare não pode suportar a purificação do Emblema Sagrado por muito tempo — Dunn os lembrou calmamente.
Cesare Francis era um funcionário encarregado de comprar e coletar suprimentos. Ele também era o motorista deles, mas era apenas uma pessoa comum. Ele não podia ficar mais de uma hora a uma distância de quinze metros do Artefato Selado 3-0782. A viagem da rua Zouteland para a cidade de Lamud, segundo Klein, levaria pelo menos duas horas e meia. Não incluindo o tempo para passar na rua Narciso.
— Tudo bem. — Frye não se opôs, e verificou se tinha seus itens pessoais consigo.
Quando os raios do sol poente tingiram o topo da catedral da cidade, a carruagem dos Falcões Noturnos finalmente chegou à cidade de Lamud.
A cidade estava localizada na borda noroeste de Tingen. Muitos edifícios ainda tinham as características únicas da época anterior à Era do Vapor. Quase não havia fábricas, e as aldeias vizinhas se envolviam em comércio.
Depois que pararam a carruagem, Dunn olhou para o salão de cabeleireiro do lado oposto e disse:
— Perguntei a um dos moradores mais cedo. São apenas quinze minutos caminhando daqui até as ruínas do castelo na montanha. Dizem que pertencia a um senhor feudal que governou durante a Quarta Época. No entanto, ninguém sabe o que aconteceu depois disso. Claro, a descrição deles é apenas um mito local.
— Certo, vamos agora lidar com esse espectro antes que o céu fique escuro. Então, podemos revezar para vigiar 3-0782 e mantê-lo longe dos plebeus?
Desde o momento em que Dunn obteve o Emblema Sagrado do Sol Mutante, três horas já haviam se passado. Estava chegando cada vez mais perto dos limites de um Beyonder. Em pouco tempo, eles teriam que se separar e dar um ao outro tempo para se recuperar.
— Okay. — Frye deu uma resposta sucinta.
— Sem problemas— Klein tocou os charms do sono e pacificador em seu bolso.
Os três Falcões Noturnos, usando finos blusões pretos, atravessaram a rua da cidade e foram em direção à montanha quando chegaram a uma bifurcação na estrada. Ao longo do caminho, a estrada estava coberta de ervas daninhas e arbustos, mas ainda era espaçosa o suficiente para permitir que duas carruagens passassem lado a lado.
Não demorou muito até que viram uma parede externa desabada de um antigo castelo. Na parede externa que ainda estava de pé, havia plantas verdes espalhadas por toda parte, enquanto que a parte exposta estava manchada.
Quando começou a se aproximar, Klein sentiu um calafrio penetrante e seus braços se arrepiaram.
— Há realmente um espectro — disse Frye monotonamente enquanto olhava para o antigo castelo.
Dunn olhou de soslaio para o recém-promovido Falcão Noturno, depois riu e disse:
— Não se preocupe. Temos 3-0782 e Frye; o espectro não causará muito problema.
Ele segurava seu revólver feito sob medida em uma mão e o Emblema Sagrado na outra. Ele deu o primeiro passo em direção ao antigo castelo que parecia estar em ruínas.
Klein seguiu de perto e se preparou para puxar o gatilho a qualquer momento, usar sua bengala ou ativar seus charms.
Whoosh! Whoosh! Whoosh!
Quando Dunn estava a menos de cinco metros do antigo castelo, onde um estábulo de cavalo quebrado, poço de água e outros objetos estavam, uma brisa fria silvou de uma maneira que só poderia ser descrita como triste e penetrante. Parecia estar rejeitando os visitantes não convidados.
Os três Falcões Noturnos não pararam. A sensação calorosa e pura dispersou gradualmente o frio e conquistou a frente do antigo castelo.
Eles escalaram a pilha de pedras, atravessando a parede externa desmoronada antes de entrar lentamente no castelo, que havia perdido sua entrada principal e estava cheio de azulejos quebrados.
O salão do antigo estava cheio de pilares de pedra desabados e cobertos de musgo. Era espaçoso, mas as janelas eram estreitas e colocadas no alto das paredes, fazendo com que a iluminação fosse fraca. Parecia escuro e sombrio por dentro.
Essa também é uma característica dos edifícios do final da Quarta Época e início da Quinta Época… — Klein, que era historiador, fez instintivamente um julgamento e ativou sua Visão Espiritual.
Nesse momento, um rugido ilusório, porém penetrante, surgiu subitamente. De repente, do nada, uma espessa nuvem de névoa negra encheu o ar, resistindo à infiltração do calor e purificação.
Uma figura alta apareceu de repente no meio da névoa negra. Ele usava armadura preta de corpo inteiro e carregava uma espada larga que um plebeu acharia difícil de levantar.
O espectro era idêntico ao que Klein viu no sonho de Elizabeth. Duas bolas de luz vermelha semelhantes a chamas brilhavam através da abertura de seu elmo, parecendo frias, mas estavam encarando os três Falcões Noturnos com raiva.
— Voces perturbaram meu sono! Terão que pagar com sua carne e sangue! — Ele de repente se lançou para frente e instantaneamente diminuiu a distância entre ele e Dunn. Então, atacou na diagonal com sua espada.
Dunn recuou rapidamente e levantou a mão para disparar o revólver.
Clang!
A bala anti-demônio de prata não conseguiu penetrar a ilusória armadura negra e apenas produziu um som nítido, mas irreal.
Klein e Frye recuaram para o lado simultaneamente. Um segurava uma arma em uma mão, mirando nas duas bolas de fogo no lugar dos olhos do cavaleiro de armadura preta antes de puxar o gatilho.
O outro Falcão Noturno transformou seus olhos em um tranquilo branco acinzentado e focou no espectro.
O cavaleiro de armadura preta rugiu de raiva novamente. Ele deu outro grande passo em direção a Dunn e girou a espada horizontalmente.
Bam!
A espada não machucou Dunn, mas o derrubou, fazendo com que caísse pesadamente ao lado da porta. Isso o fez vomitar um bocado de sangue.
Com um estrondo alto, 3-0782 caiu no chão. Como usava uma bota de metal, o espectro chutou avidamente com a perna direita e enviou o emblema perigoso pela porta do antigo castelo afora. Foi uma distância de mais de quinze metros.
Klein, que não conseguiu atingir o espectro com sucesso, ficou nervoso e confuso ao ver a cena. Era como se estivesse olhando para a transformação diante de seus olhos de uma posição calma e racional.
Bang!
Ele disparou outra bala. A bala anti-demônio de prata atingiu o capacete do espectro e produziu faíscas. Mas não causou danos óbvios.
— Manopla direita! — gritou Frye. Ele era sempre frio e sombrio, mas agora seu tom estava cheio de ansiedade.
Assim que terminou de falar, ele ergueu o revólver e apontou para a manopla de metal direita do espectro.
Bang! Bang!
Klein atirou subconscientemente de acordo com as instruções de Frye, disparando balas anti-demônio de prata quase simultaneamente.
Desta vez, o espectro não bloqueou com sua armadura, mas levantou sua espada e defendeu as duas balas.
Bam!
Ele deu um passo à frente e atacou Klein, colidindo diretamente com ele.
Klein voou, viu seu peito ceder, viu sangue cuspir, mas não se sentiu desconfortável, nem um pouco.
De repente, ele saiu do transe, caiu no chão, rolou e gritou.
De repente, o antigo castelo, os espectros, os pilares desmoronados e o chão de musgo se despedaçaram estranha e assustadoramente. Tudo voltou à névoa negra no ar, exatamente como quando o cavaleiro de armadura preta apareceu pela primeira vez.
A única diferença era que Dunn apertava os dois punhos com força, curvava-se levemente e seus olhos cinzentos estavam escuros e profundos.
Como esperado, foi apenas um sonho. O Capitão puxou o espectro, Frye e eu para o seu sonho ao mesmo tempo. Mas sou especial e posso manter a cabeça clara e racional… — Klein percebeu que ainda estava a dois metros à direita de Dunn. Ele não havia vomitado sangue nem gritado.
Nesse momento, Dunn se endireitou e olhou para o espectro que iria atacar com a espada. Ele disse calmamente:
— Já faz mais de um minuto.
O espectro ficou atordoado e soltou um grito estridente. Seu corpo começou a produzir vapor preto, como se tivesse acabado de receber sua sentença de morte.
Quaisquer zumbis ou espíritos que ainda não se transformaram em espíritos malignos não pudiam permanecer no raio de quinze metros do Emblema Sagrado do Sol Mutante por mais de um minuto!
Puta merda, Capitão, você é tão daora! — Klein olhou para a cena de lado e quase aplaudiu!
Dunn havia usado a habilidade de sonho não para atacar o espectro em seu próprio território, mas apenas para prolongar a luta!
Na sensação quente e pura, a névoa preta evaporou rapidamente e os calafrios se dispersaram gradualmente. Em pouco tempo, o cavaleiro se tornou transparente e se misturou ao vazio.
Clang!
Uma manopla negra caiu no chão, sua superfície coberta de geada branca.
Klein estava prestes a pedir a aprovação do Capitão para pegar o resíduo congelado que havia aparecido, mas quando ele olhou para cima, sua espiritualidade foi subitamente perturbada.
Em algum lugar perto das escadas que separavam o salão e a sala de jantar, havia uma intensa e ilusória miséria e impureza o chamando!
Capítulo 135
Capítulo 135 – Retrato de um Barão
— Há algo lá — disse Klein com um tom sério, apontando para os degraus que separavam a sala de estar e a sala de jantar.
Certa vez, ele leu nos registros confidenciais dos Falcões Noturnos que, se situações semelhantes aparecessem na percepção espiritual de alguém, geralmente implicava que havia algo de mal e corrompido escondido no local indicado. Era melhor não interagir se não estivesse confiante; caso contrário, poderia perder a vida. Às vezes, mesmo um simples olhar poderia resultar em danos irreversíveis.
Dunn olhou e, de maneira semelhante, com sua alta percepção espiritual, imediatamente sentiu algo errado. Ele se virou para olhar para Klein e instruiu calmamente:
— Divine, e veja se teríamos sucesso em nossa investigação.
O Capitão não me pediu para divinar antes de entrarmos no castelo. Ele estava bastante confiante… Isso significa que ele acredita que a coisa oculta pode ser mais perigosa que o espectro. — Klein assentiu em silêncio. Ele colocou o revólver no coldre e entregou a bengala a Frye.
Ele então soltou a corrente de prata com o pêndulo de topázio de dentro da manga, segurou-a com mão esquerda e silenciosamente recitou uma declaração adequada.
Instantaneamente, seus olhos escureceram e uma brisa começou a espiralar ao redor dele.
— A investigação do local escondido no castelo antigo seria bem sucedida.
— A investigação do local escondido no castelo antigo seria bem sucedida.
…
Depois de recitar a declaração sete vezes, os olhos de Klein recuperaram sua cor normal. Ele viu o topázio pendurado girando no sentido horário.
Não era muito óbvio, mas girava inconfundivelmente no sentido horário!
Isso significava que a investigação seria bem-sucedida.
Klein, que já era um verdadeiro vidente, imediatamente assentiu para Dunn e Frye.
— Nós conseguiremos lidar com o perigo, ou ainda pode não haver perigo algum.
Dunn prendeu o Emblema Sagrado do Sol Mutante no lado esquerdo do peito e depois pressionou o chapéu. Ele caminhou rapidamente em direção aos degraus e habilmente começou a procurar um mecanismo.
Frye, que havia pego a manopla, devolveu a bengala de Klein. Ele pegou seu revólver e examinou cuidadosamente os arredores, como se tivesse medo de que um inimigo aparecesse de repente.
Ainda não sou profissional o suficiente como um Falcão Noturno… — Klein se preparou, pegou seu revólver e também ficou alerta.
Poucos minutos depois, não se sabia o que o ajoelhado Dunn Smith havia ativado quando sons pesados emanaram da escada.
O chão se abriu, revelando um conjunto de degraus descendo. Uma vibração fria e corrompida emanou, aparentemente condensando-se em algo corpóreo.
Dunn olhou de relance e removeu o Artefato Selado 3-0782 do peito e o jogou diretamente no alçapão.
Depois de alguns clanks, não se sabia onde o Emblema Sagrado havia parado.
Se houvesse espíritos mortos lá dentro, eles definitivamente jogariam 3-0782 de volta… Isso seria interessante… — Klein olhou para as escadas e esperou pacientemente.
A sensação sinistra e corrompida persistente logo se dissolveu como neve encontrando o sol. Calor e pureza cobriram a entrada do alçapão.
— Klein, desça comigo. Frye ficará aqui e impedirá que outros inimigos destruam o mecanismo. — Dunn tomou uma decisão experiente.
— Tudo bem. — Klein não recuou da tarefa. Ele deu dois passos à frente e chegou ao lado de Dunn. Frye assentiu, sem baixar a guarda.
Dunn desceu primeiro, seus passos reverberando no silêncio.
Ele não preparou nenhuma fonte de luz; para um Beyonder que seguia o caminho de Sem Sono, a escuridão não era um obstáculo, mas uma bênção.
A visão deles não era prejudicada por esse ambiente.
Depois de descer alguns passos, Dunn de repente se virou e olhou para Klein.
— Esqueci que você não tem visão noturna. Não estou acostumado a preparar objetos que fornecem iluminação
— … Capitão, não precisa se preocupar comigo, tenho minha Visão Espiritual. — Klein percebeu que não estava chocado.
Aquele Capitão daora de antes era de fato anormal!
Em sua visão espiritual, a escuridão diante dele foi exibida em um filme cinza. Embora estivesse muito embaçado, bastava descobrir onde estavam os degraus.
Bem, o Capitão com certeza está saudável e seu estado mental também está bem… — Klein cuidadosamente estendeu os pés e desceu lentamente.
O lance de escadas não era longo. Foram necessários apenas quinze passos para chegar ao chão.
O Artefato Selado 3-0782 estava deitado ali, liberando sua pureza e calor. Também irradiava um fraco brilho.
Klein podia ver muito mais claramente com a ajuda da iluminação. Ele examinou os arredores e percebeu que não era um porão muito grande. Já não estava mais frio e sinistro, mas a umidade permanecia.
No meio do porão havia um caixão preto, com pregos vermelhos escuros presos na tampa.
A tampa do caixão havia sido levemente aberta, permitindo a visão de um cadáver sem cabeça onde só lhe restava os ossos.
Dunn olhou em volta, depois se inclinou para pegar o Emblema Sagrado do Sol Mutante.
— Capitão, este caixão… tinha a intenção de impedir que o morto dentro se tornasse um zumbi ou espectro.
Klein olhou para os pregos vermelho escuros no caixão e a formação em que estavam. Ele usou seu conhecimento decente sobre misticismo para determinar que era um ritual antigo para impedir que o cadáver reanimasse.
Ao mesmo tempo, ele murmurou interiormente:
Mas, em circunstâncias normais, quem não teria nada melhor a fazer do que se proteger e impedir que seu ente querido retornasse do mundo dos mortos? Hmm, as pessoas que ajudaram a enterrar o cadáver não devem ser da família… E se colocassem o caixão no porão em vez de uma tumba, teriam medo de alguém encontrar o cadáver…
Dunn, com o Artefato Selado 3-0782 novamente, se aproximou do caixão e o inspecionou.
— O falecido provavelmente morreu envenenado.
Isso significa que a pessoa que o envenenou deve ter usado magia ritualística para impedi-lo de reanimar e buscar vingança. Isso deve ter acontecido cerca de 1300 anos atrás? No final ele se tornou um espectro… O ressentimento desse espírito é simplesmente chocante! — Klein também andou para o caixão. — Onde está a cabeça dele? Esse ritual não exige que a cabeça seja cortada…
Dunn pensou por um momento antes de dizer:
— Eu tenho uma dedução. Esse espectro não existe faz muito tempo, ele só apareceu recentemente. É apenas uma caminhada de quinze minutos da cidade até o castelo. Ao longo dos anos, encrenqueiros devem ter frequentado este lugar, mas antes deste incidente, não havia rumores de espectros neste antigo castelo.
Klein assentiu indiscernivelmente.
— Capitão, o que quer dizer é que alguém veio aqui recentemente, abriu o caixão e levou a cabeça do falecido?
— Sim, o ritual impede o cadáver de reanimar, mas também sela e preserva seu ressentimento dentro do caixão. Quando o caixão foi aberto e o ritual dissipado, esse ressentimento rapidamente se transformou em um espectro com a ajuda da manopla…
— Não há cadáver da pessoa que abriu o caixão, então não deve ser uma pessoa comum… Além disso, por que ele levaria embora o crânio do esqueleto?
Dunn olhou para o esqueleto no caixão. — Para que o ressentimento seja preservado por tanto tempo, deve haver outra razão além do ritual. Ele poderia ter sido um Beyonder quando estava vivo, talvez um descendente de uma ou duas gerações de um Beyonder de sequência intermediária. Estou falando das Sequências intermediárias conforme definido no passado, Sequência 5 ou 6.
— E tais cadáveres são sempre especiais. Seu crânio pode ser usado em algum tipo de ritual ou em alguma outra ocasião.
Dunn fez uma pausa antes de continuar:
— O que eu acabei de dizer agora foi apenas uma hipótese, mas podemos tentar verificar parte dela. Podemos nos separar mais tarde na cidade e investigar para ver se alguém já se machucou, quando jovens. Bem, se ainda estiverem vivos, provaria que o espectro apareceu apenas recentemente.
— Uma linha lógica de pensamento — elogiou Klein. Ele vasculhou rapidamente o porão, mas não encontrou mais nada.
Ele tentou usar magia ritualística para fazer um esboço do “convidado” que entrou no porão, mas porque fazia mais de um mês desde que isso aconteceu, bem como o ambiente perturbado devido ao aparecimento frequente do espectro, não houve resultado.
Ele então tomou o lugar de Frye, permitindo que o especialista sobre os mortos conduzisse mais testes.
Quinze minutos depois, quando o sol estava desaparecendo no horizonte, Dunn e Frye subiram os degraus e retornaram ao salão do antigo palácio.
Dunn procurava o mecanismo do alçapão enquanto Frye fazia uma breve descrição:
— O falecido foi realmente envenenado até a morte. Os vestígios perto do pescoço apareceram recentemente, no máximo três meses atrás.
Isso significa que é altamente provável que alguém tenha vindo aqui antes… — assentiu Klein, pensativo.
Os três Falcões Noturnos voltaram para a cidade de Lamud antes que escurecesse e alugaram dois quartos em uma pousada. O membro com o artefato selado 3-0782 levaria esse item perigoso para um passeio fora da cidade, onde ninguém estaria. Eles trocavam de turno uma vez a cada duas horas e, portanto, precisavam apenas de dois quartos.
Depois de um jantar simples, Klein, Dunn e Frye imediatamente se separaram e cobriram todos os cantos da cidade, questionando os moradores que viviam na cidade há bastante tempo.
Em situações como essa, seus documentos de identificação como policiais se mostraram bastante úteis.
…
— Oficial, por que está perguntando isso? Eu costumava ir ao castelo abandonado para brincar quando era jovem… Ferido? Definitivamente, como uma criança poderia não ter caído enquanto brincava? Eu lembro, sim, eu fui cortado por uma pedra afiada nas paredes exteriores do antigo castelo no passado… — Um homem loiro de quarenta anos olhou intrigado para Klein, mas respondeu sua pergunta honestamente.
Ele era a décima quarta pessoa que Klein havia questionado, e, dentre elas, apenas duas se lembravam vividamente de terem se ferido no castelo quando eram jovens.
A dedução do Capitão está correta… — Klein decidiu enquanto guardava seus documentos de identificação. Ele sorriu e disse:
— Obrigado por sua cooperação, não tenho mais perguntas.
Ele estava prestes a sair quando o homem de quarenta anos o chamou:
— Oficial, você está interessado no castelo antigo? Tenho uma pintura a óleo do primeiro Barão que residia lá. Ele era o avô do meu avô de meu avô… Bem, já faz muito tempo, ele pegou uma pintura a óleo do castelo e me disse que era a pintura a óleo do primeiro Barão Lamud.
— Você quer? É uma verdadeira antiguidade!
Se fosse uma antiguidade verdadeira, sua família já a teria vendido há muito tempo… Esse cara com certeza é corajoso, ousando enganar até a polícia. Devo assustá-lo com a minha arma? — Klein brincou para si mesmo e adotou a atitude de um comprador de vitrine, dizendo:
— Quem sabe se é uma verdadeira antiguidade ou não? Vou confiar no meu próprio julgamento.
— Deixe-me vê-la.
O homem loiro sorriu e voltou para o quarto para procurar.
Algum tempo depois, ele saiu com uma pintura a óleo na mão.
Klein olhou casualmente para a pintura. Ele viu que o barão tinha feições suaves e pele bronzeada, os olhos escondendo uma indescritível gama de experiências humanas. Ele também estava usando uma peruca branca encaracolada.
Huh, ele se parece muito com o Sr. Azik! — Os olhos de Klein de repente se arregalaram, seu olhar subconscientemente caindo abaixo da orelha direita do barão.
Ele então olhou para a pequena verruga perto da orelha.
A posição da verruga era exatamente igual à do Sr. Azik!
Capítulo 136
Capítulo 136 – O Klein perplexo
Isso não pode estar certo… Como Sr. Azik poderia ser o primeiro da linha de barões, o Barão Lamud? Esta é uma figura que viveu mil e quatrocentos ou mil e quinhentos anos atrás! De jeito nenhum, como posso ter certeza de que a pessoa no retrato é o primeiro Barão Lamud? — Klein olhou para a pintura a óleo, sua mente confusa. Era como se todos ao seu redor tivessem se tornado monstros ou como um sonho onde o mundo inteiro estivesse cheio de deuses.
Ele olhou para cima, para o homem loiro de meia-idade. Ele estendeu a mão para pegar o revólver do coldre de axila e disse com uma voz profunda:
— Isso não é uma antiguidade. Se você não esclarecer a situação, vou prendê-lo e acusá-lo de fraude!
Ele não se importava se o departamento de polícia fosse acusado depois. Seu único objetivo era ameaçar o homem e obter informações!
Ao mesmo tempo, Klein ativou sua Visão Espiritual. Então, ele olhou para as mudanças emocionais nas cores de seu alvo.
O homen loiro pulou de susto e disse com uma voz apavorada e abafada:
— Não, também não tenho certeza se é uma antiguidade. Não, ouvi dizer que é uma antiguidade, mas não sei muito sobre essas coisas. Eu realmente não tenho ideia. Eu nem sei muitas palavras… sim, palavras.
Ele olhou em volta ansiosamente, prestes a gritar por ajuda.
Nesse momento, ele viu Klein ajustar o cilindro e o martelo do revólver. Parecia que ia atirar em um suspeito que havia reagido.
De repente, ele se endireitou e parou, olhando em volta.
— Onde você conseguiu a pintura a óleo? — perguntou Klein pesadamente.
Os lábios do loiro tremeram e ele disse com um sorriso bajulador:
— Oficial, meu avô a encontrou no castelo antigo, há mais de quarenta anos. Uma parede externa e a sala no segundo andar desabaram, revelando esses itens, itens que as pessoas não conseguiram encontrar no passado. Uma delas era a pintura a óleo. Não, não, não, não essa pintura a óleo. A pintura a óleo original estava rasgada e não pôde ser preservada, então, meu avô encontrou alguém para fazer uma cópia da pintura. A que você viu agora, eu não menti para você. Uma pintura a óleo de quarenta anos atrás poderia realmente ser considerada uma antiguidade…
— Você tem certeza de que este é o retrato do primeiro barão Lamud? — Klein acariciou o gatilho para garantir que o olhar do homem não se movesse nem um centímetro.
O homem loiro riu e respondeu:
— Não tenho certeza, mas acho que sim.
— Por quê? — Klein quase riu da falta de vergonha do homem.
— Porque não havia etiqueta na pintura a óleo — o homem loiro respondeu seriamente pela primeira vez. — Assim como eu sou chamado de Gray Patife, meu pai é chamado Gray Cabelo Encaracolado, e apenas meu avô era o verdadeiro Gray.
Klein exalou silenciosamente e então perguntou:
— Onde está seu avô?
— No cemitério, ele está enterrado lá há quase duas décadas. Ao lado dele está meu pai, que foi sepultado há três anos — respondeu o loiro honestamente.
Depois de fazer algumas perguntas de diferentes ângulos, Klein ajustou o revolver na frente do loiro e o colocou de volta no coldre da axila.
Ele guardou sua identificação policial e se virou com seu casaco preto antes de caminhar em direção ao motel com as mãos dentro dos bolsos. Ele andou em silêncio pela rua sob a luz fraca que brilhava nas casas que ladeavam os dois lados da rua.
Não posso confirmar se o retrato é o do primeiro Barão Lamud. Será que a cidade tem os registros históricos exatos do antigo castelo?
Independentemente disso, o homem do retrato deve ser uma pessoa do passado, de pelo menos mil anos atrás…
Fora o cabelo, ele parece quase idêntico ao Sr. Azik. É isso o que é chamado de reencarnação?
Quando o Sr. Azik desistiu de sua posição em outras universidades em Backlund e veio para Tingen, talvez tenha sido motivado por instinto…
Hmm, há outra possibilidade. Tal como, o homem do retrato é o Sr. Azik e o Sr. Azik é ele!
Tendo pensado nisso, Klein sentiu como se tivesse tomado um choque. Ele quase tropeçou nos degraus à frente.
Ele andou de um lado para o outro em torno de um poste de luz a gas danificado e tentou incorporar seu conhecimento do mundo da sobrecarga de informações. De acordo com suas suposições anteriores, ele fez uma inferência adicional.
Azik pode ter se tornado imortal devido a algum motivo, como ser um vampiro. Seria por isso que ele sobreviveu por tanto tempo?
Isso não está certo. Quando é que existiu um vampiro de pele bronzeada…
Além disso, quando apertei a mão do Sr. Azik, pude sentir claramente sua temperatura corporal e o sangue fresco que flui dentro dele.
Embora ele não goste do calor do sul, ele não tem medo do sol. Certa vez, ele competiu em uma competição de remo com outros professores sob o sol quente…
Hmm, há outra possibilidade. A poção de Sequencia do Sr. Azik ou alguns outros fatores lhe concederam uma vida longa, e o preço foi a perda de memória! Cara, levando em consideração seus vários sonhos, posso presumir que ele perde a memória como parte de um ciclo? A cada poucas décadas, ele esquece seu passado e ganha uma nova vida. Então, seus sonhos são as vidas que viveu antes… Heh heh, acho que li algo assim antes em uma novel…
Não posso confiar apenas em divinação para verificar isso. Preciso procurar os vestígios das vidas que o Sr. Azik viveu, vestígios dele não tendo uma infância, mas começando diretamente como um adulto!
Klein começou a se inclinar para seu último palpite. No entanto, ele temporariamente não conseguiu eliminar a possibilidade de reencarnação.
Ele controlou seus pensamentos caóticos e considerou cuidadosamente se deveria informar o Capitão Dunn sobre isso.
Se o Sr. Azik era um Beyonder que viveu por mil anos, sua habilidade seria muito mais forte do que eu imaginava…
Ele me aconselhou por gentileza. No entanto, é difícil dizer se ele permanecerá gentil quando eu encontrar pistas sobre seu passado.
Mas o Sr. Azik tem sido bom comigo esse tempo todo. Envolver os Falcões Noturnos resultaria em uma possibilidade não trivial de prejudicá-lo…
Ahh… Parece que tenho que divinar sobre isso no mundo acima da névoa cinzenta. Esta é a escolha mais adequada para um vidente!
Klein tomou a decisão e voltou ao hotel rapidamente.
Como Dunn e Frye ainda não haviam retornado, ele aproveitou a oportunidade para conseguir outro quarto à custa de um soli.
Depois que entrou na sala, Klein fez uma barreira de espiritualidade com a ajuda de Pó de Noite Sagrada. Então, ele deu quatro passos no sentido anti-horário, passou pelos delírios loucos e chegou acima da névoa cinzenta.
O imponente palácio permanecia alto e silencioso, enquanto a antiga mesa de bronze manchado e as vinte e duas cadeiras altas permaneciam os mesmas.
Klein tomou o lugar de honra e fez aparecer uma pele de cabra marrom e uma caneta-tinteiro preta diante dele.
Ele pegou a caneta e escreveu seriamente: “Eu deveria contar a Dunn Smith sobre o Sr. Azik”.
Então, ele tirou o pingente de topázio da manga esquerda e fez uma divinação de pêndulo espiritual.
A divinação resultou no pêndulo girando no sentido anti-horário, o que significava que ele não deveria contar!
Abaixando o pingente de topázio, Klein pensou e decidiu fazer uma tentativa com divinação dos sonhos, só para ter certeza.
Então, ele mudou sua declaração de divinação para: “O resultado de ocultar assuntos relacionados ao Sr. Azik dos Falcões Noturnos”.
Klein segurou a pele de cabra, recitou a declaração sete vezes em silêncio e se inclinou para trás para dormir profundamente.
Ele se viu no mundo ilusório, embaçado e distante. Ele viu que estava lutando enquanto se afogava em um mar de sangue.
Então, apareceu uma mão que se estendeu e o tirou do mar de sangue. O dono da mão era Azik, com sua pele bronzeada e uma pequena verruga perto da orelha.
A imagem estilhaçou e se reorganizou. Klein viu que ele estava no local de descanso final de um imperador sombrio e triste. Os caixões ao redor se abriram um após o outro.
Azik estava ao seu lado, olhando para frente, como se estivesse procurando por algo.
Nesse momento, Klein saiu do sonho em um instante e viu o nevoeiro ilusório, cinza e sem limites.
O significado simbólico do sonho anterior é que, se eu esconder os assuntos relacionados ao Sr. Azik, receberia sua assistência quando estiver em perigo no futuro. Heh, o perigo pode ter surgido porque eu ajudei a manter seu segredo… O que significa a última cena? Vou descobrir algum mausoléu com o Sr. Azik? Hmm, talvez o mausoléu tenha outros significados simbólicos… — Klein juntou as mãos e apoiou o queixo enquanto interpretava o conteúdo da divinação dos sonhos.
Combinando com o resultado anterior da divinação de pêndulo, ele decidiu não relatar sua inferência ao Capitão, mas apenas mencionar que um habitante da cidade havia lhe mostrado um retrato do primeiro Barão Lamud e que o retrato parecia um professor de história da Universidade de Khoy. Klein não podia ter certeza de que Dunn não ouviria sobre isso em outro lugar, então ele tinha que pelo menos mencionar.
Claro, Dunn não estava familiarizado com Azik e não conhecia seus relatos e sonhos estranhos, por isso teria dificuldade em conectálos. Klein até suspeitava que o Capitão não se lembrasse de como Azik se parecia.
Então, ele parou de pensar nisso e planejou deixar o mundo acima da névoa cinzenta. Nesse momento, ele notou que a estrela carmesim que ficou em silêncio o tempo todo estava brilhando com uma luz fraca novamente.
Klein estendeu sua espiritualidade com interesse e viu novamente o jovem que falava Jotun. Ele o viu ajoelhado diante de uma bola de cristal puro.
O jovem ainda usava uma calça legging preta, que era diferente das roupas dos países do Continente Norte. Suas feições faciais estavam embaçadas e distorcidas, mas Klein podia ver fracamente seu cabelo amarelo acastanhado.
Ele ajoelhou e orou com uma dor incomum em seu tom.
Klein se inclinou para o lado para ouvir. Ele dependeu de seu Jotun em nível iniciante, mal entendendo o que o jovem estava dizendo.
— Ó Divindade Grandiosa, por favor, olhe para esta terra que você abandonou.
— Ó Divindade Grandiosa, por favor, permita-nos, o Povo das Trevas, ser libertados da maldição do nosso destino.
— Estou disposto a dedicar minha vida a você, usando meu sangue para agradá-lo.
…
Uma terra que foi abandonada… Povo das Trevas… Divindade Grandiosa… — Klein murmurou as poucas palavras-chave e de repente pensou em um lugar que o Enforcado havia mencionado uma vez.
A Terra Abandonada pelos Deuses!
Ela também apareceu no diário de Roselle! Ele até enviou uma frota para procurá-la, mas foi em vão… — Klein semicerrou os olhos e se perguntou se havia realmente acertado em sua suposição.
Ele tocou na ponta da longa mesa de bronze com os dedos. Depois de três toques, ele tomou uma decisão. Ele estendeu a mão direita e tocou a estrela carmesim ilusória.
A nuvem carmesim imediatamente explodiu, e a luz fluiu como água.
Capítulo 137
Capítulo 137 – Cidade de Prata
Cidade de Prata, Necrotério.
Derrick estava na frente de um lance de escada enquanto olhava para frente com olhos avermelhados. À sua frente havia dois caixões contendo seus pais.
Embutida em uma placa de pedra à sua frente havia uma simples espada de prata. Os frequentes trovões fizeram a casa tremer e a espada balançar.
O casal Berg dentro dos caixões ainda não estava completamente morto. Eles lutavam para manter os olhos abertos enquanto tentavam fracamente buscar respirar, mas para alguns, o brilho de suas vidas não conseguia mais suprimir seu escurecimento irreversível.
— Derrick, agora! — Um ancião vestido com uma longa túnica preta olhou para o jovem e disse em voz profunda com um cajado na mão. A expressão do jovem estava visivelmente distorcida.
— Não, não, não! — Derrick, de cabelos amarelo-acastanhados, balançou a cabeça repetidamente. Ele deu um passo para trás a cada palavra e finalmente soltou um grito agudo.
Tum!
O ancião bateu seu cajado e disse:
— Deseja que toda a cidade seja enterrada junto com seus pais?
— Você deve saber que somos o Povo das Trevas, abandonados por Deus. Só podemos viver em um lugar amaldiçoado como este e todos os mortos se tornarão horríveis espíritos malignos. Não há como reverter isso, independentemente do que façamos, exceto… exceto terminar suas vidas pelas mãos de um membro da família!
— Por quê? Por quê? — perguntou Derrick em desespero, balançando a cabeça. — Por que os cidadãos da Cidade de Prata estão destinados a matar seus pais no momento em que nascem…
O ancião fechou os olhos, como se recordasse o que havia experimentado no passado. — Este é o nosso destino, esta é a maldição que devemos suportar, esta é a vontade de Deus…
— Empunhe sua espada, Derrick. Isso é uma demonstração de respeito a seus pais.
— Depois, quando você se acalmar, poderá tentar se tornar um Guerreiro de Sangue Divino.
No caixão, Berg tentou falar, mas só conseguiu soltar um gemido depois que seu peito arfou várias vezes.
Derrick deu vários passos para frente com grande dificuldade, retornando ao lado da espada de prata. Ele então estendeu sua trêmula mão direita.
Seu cérebro registrou o toque frio do metal, fazendo com que ele se lembrasse do Gelo de Sangue que seu pai trouxe quando caçou. Um Gelo de Sangue do tamanho de uma mera palma era suficiente para manter sua casa fresca por alguns dias.
Imagens passaram por seus olhos: seu severo pai ensinando técnicas de espada, seu amigável pai limpando o pó em suas costas, sua gentil mãe consertando suas roupas, sua corajosa mãe ficando em sua frente quando encontraram um monstro mutante e, finalmente, sua família amontoada na frente de uma vela tremeluzente compartilhando comida…
Um som fraco saiu de sua garganta, apesar de sua máxima repressão. Com um baixo grunhido, ele exerceu força com a mão direita e empunhou a espada.
Tap! Tap! Tap!
Ele abaixou a cabeça e avançou, erguendo a espada e a abaixando com força.
— Ah! — Sangue espirrou após um grito de dor. O sangue espirrou no rosto e nos olhos de Derrick.
Sua visão ficou vermelha. Ele puxou a espada e perfurou o caixão ao lado.
Depois que o metal afiado perfurou carne, Derrick soltou o punho e cambaleou quando se levantou.
Ele não olhou para as condições das pessoas dentro do caixão. Derrick tropeçou ao sair do necrotério, como se estivesse sendo perseguido por espíritos malignos. Seus punhos e dentes estavam cerrados. O sangue deixou marcas em seu rosto.
O ancião ao lado que havia recolhido tudo suspirou.
Havia pilares de pedra nas principais ruas da Cidade de Prata. No topo dos pilares de pedra havia lanternas e, dentro das lanternas, velas apagadas.
Aqui, não havia sol no céu, nem lua, nem estrelas; apenas uma escuridão imutável e raios que ameaçavam destruir tudo.
Os cidadãos da Cidade de Prata caminhavam pelas ruas escuras com a iluminação dos raios. As poucas horas em que os raios cessavam eram consideradas por eles como a verdadeira noite, como mencionado nas lendas. Nessas horas é que eles tinham que usar velas para iluminar a cidade, afastar a escuridão e fazê-las servir como um aviso para os monstros.
Derrick caminhou pela rua. Ele não tinha nenhum lugar para onde queria ir, mas, enquanto caminhava, percebeu que havia chegado na porta de sua casa.
Ele pegou as chaves e abriu a porta. Ele viu as vistas familiares, mas não ouviu a voz preocupada de sua mãe nem seu pai o repreendeu por correr. A casa estava vazia e fria.
Derrick cerrou os dentes novamente. Ele caminhou rapidamente para seu quarto e procurou a bola de cristal. Seu pai havia dito que essa era uma bola de cristal usada por uma cidade destruída há muito tempo para adorar sua divindade.
Ele ajoelhou e encarou a bola de cristal, rezando sem nenhuma esperança em mente. Ele implorou amargamente:
— Ó Divindade Grandiosa, por favor, olhe para esta terra que você abandonou.
— Ó Divindade Grandiosa, por favor, permita-nos, o Povo das Trevas, ser libertados da maldição do nosso destino.
— Estou disposto a dedicar minha vida a você, usando meu sangue para agradá-lo.
…
De novo e de novo… Justamente quando estava em completo desespero e prestes a se levantar, ele viu um brilho vermelho escuro brotar da pura bola de cristal.
O brilho era como água corrente, instantaneamente engolindo Derrick.
Quando recuperou os sentidos, ele percebeu que estava em um magnífico palácio sustentado por pilares de pedra gigantes. À sua frente, havia uma longa mesa antiga e, do outro lado da mesa, uma figura humana obscurecida por uma espessa neblina.
Fora isso, não havia nada ao seu redor. Estava vazio e etéreo. Debaixo dele havia somente uma névoa sem limites e manchas vermelho escuras incorpóreas.
Derrick sentiu uma chama de esperança acender em seu coração. Ele olhou para a figura humana, confuso e intrigado.
— Você, você é Deus?
Depois de perguntar isso, ele se lembrou repentinamente de uma declaração que leu em um livro na Cidade de Prata e rapidamente abaixou a cabeça.
Essa declaração era: Não podes olhar diretamente para Deus!
Klein se recostou enquanto cruzava as mãos. Ele adotou uma postura relaxada e respondeu usando a linguagem dos gigantes, Jotun:
— Eu não sou Deus, sou apenas o Louco que está interessado na longa história deste mundo.
Klein, que já havia ativado sua visão espiritual, notou que o jovem à sua frente tinha cores diferentes cobrindo a superfície de sua projeção astral e as profundezas de seu corpo éter.
Isso significava que ele não era um Beyonder.
— O Louco… — Derrick ruminou sobre o termo e, depois de um longo silêncio, disse com dificuldade:
— Não me importo se você é Deus ou o Louco, minhas súplicas não mudam. Espero que o povo da Cidade de Prata seja libertado da maldição de seus destinos. Espero que o sol e o céu descritos em livros apareçam em nossos céus. Se possível.. se possível, desejo que meus pais sejam revividos.
Ei, não sou um poço de desejos… — Klein abaixou as mãos e riu.
— Por que eu deveria ajudá-lo?
Derrick congelou. Ele pensou por algum tempo antes de dizer:
— Oferecerei minha alma a você. Usarei meu sangue para agradálo.
— Não tenho interesse na alma e no sangue de um mortal. — Klein sorriu e balançou a cabeça. Ele viu a cor dos sentimentos do jovem se transformar na cor do desespero pouco a pouco.
Sem esperar o jovem falar, Klein disse com indiferença:
— Mas posso lhe dar uma chance.
— Eu sou um Louco que gosta de uma troca justa e igual. Você pode usar o que conseguir para trocar comigo, ou com pessoas como você, para trocar por coisas que queira. Mas lembre-se, elas devem ser iguais em valor…
— Isso pode torná-lo poderoso. Talvez um dia você possa confiar em sua própria força para libertar a Cidade de Prata de sua maldição e fazer o sol aparecer em seu céu mais uma vez.
Baseado na descrição do jovem, Klein estava confiante de que a Cidade de Prata era a chamada Terra Abandonada pelos Deuses.
Claro, por enquanto ele não podia ter certeza. Afinal, a literatura religiosa afirmava que o mundo existia em um estado “sem sol” durante a Primeira Época, a Época do Caos. Ninguém sabia se havia outras terras estranhas que os países do Continente Norte desconheciam, fora a Terra Abandonada pelos Deuses.
Derrick ouviu em silêncio. Ele abaixou a cabeça e respondeu depois de um tempo:
— Quero me tornar o Sol. Desejo obter a fórmula da poção de Sequência inicial correspondente de você.
Sequência, poção, o Sol… O caminho de Sequência que a Igreja do Eterno Sol Ardente possui… Pelo que parece, existimos no mesmo mundo…
O termo “Sequência” nasceu da revelação da primeira Ardósia da
Blasfêmia, que aconteceu no final da segunda Época, a Época das Trevas… Em outras palavras, se a Cidade de Prata é realmente a Terra Abandonada pelos Deuses, isso significa que foi separada dos Continentes Sul e Norte no final da Segunda Época.
Poderia estar relacionado ao cataclismo da Terceira Época? De acordo com as lendas, a Deusa da Noite Eterna, a Mãe Terra e o Deus do Combate desceram sobre este mundo e protegeram os humanos do cataclismo, juntamente com o Senhor das
Tempestades, o Eterno Sol Ardente e o Deus do Conhecimento e da Sabedoria… — Klein obteve um bocado de informação do jovem.
Mas ele teve dificuldade para interpretar o que o jovem estava dizendo e ainda mais problemas para organizar suas palavras, pois não era fluente em Jotun.
Felizmente, o antigo Feysac foi derivado diretamente de Jotun. Klein poderia ser descrito como um especialista nessa área e, assim, ele poderia dominar Jotun de maneira relativamente rápida, impedindoo de se fazer de bobo.
Klein manteve sua postura. Ele respondeu com um tom calmo:
— Podemos discutir esta transação no futuro. Não saia pelos próximos dois dias. Tente o seu melhor para não estar na mesma sala que qualquer outra pessoa.
Ele não sabia qual era a unidade de tempo usada na Cidade de Prata, muito menos a diferença de tempo que tinha com o Reino Loen. Tudo o que pôde fazer foi generalizar como amanhã e esperar até que o Encontro de Tarô terminasse antes de lhe dizer que era hora de futuras reuniões…
Klein sabia que havia um termo para “dia” em Jotun e, portanto, deduziu que o joven entenderia mesmo que a Cidade de Prata não a usasse como medida de tempo.
— Tudo bem, vou seguir suas instruções — respondeu Derrick com a cabeça baixa. Ele não teve nenhuma objeção.
Klein deu um suspiro de alívio. Ele tocou os dedos na lateral da mesa e disse:
— Antes de eu te enviar de volta, deixe-me primeiro concluir nossa troca justa. Dei a você a chance de ser forte e você precisa me dar algo igual em troca.
— Eu disse que sou o Louco que está interessado na longa história deste mundo. O que peço em troca é a história da Cidade de Prata, tudo o que você sabe.
Derrick pensou por um momento antes de responder suavemente:
— Vou descrevê-la fielmente.
— A Cidade de Prata existe desde o Deus onipotente e onisciente, o Senhor que criou tudo, abandonou esta terra. Não, ela existia antes disso, mas era chamada de Reino de Prata.
Capítulo 138
Capítulo 138 – Caminho dos Gigantes
O Deus onipotente e onisciente… O Senhor que criou tudo… — Klein recostou-se enquanto refletia sobre as palavras que o jovem da Cidade de Prata havia dito.
Ele não era estranho ao “Senhor que criou tudo”. O Criador mencionado no Livro das Tempestades, A Revelação da Noite Eterna e outros mitos urbanos se referia ao Criador com títulos semelhantes. Era também o modo como várias organizações secretas, como a Ordem Aurora, descreviam o Verdadeiro Criador.
Mas foi a primeira vez que Klein ouviu falar de um “Deus onipotente e onisciente” neste mundo. Seja a Deusa da Noite Eterna, o Senhor das Tempestades, ou o Deus do Vapor e Maquinaria, nenhum deles alega ser onisciente ou onipotente.
Se a Cidade de Prata estivesse realmente na Terra Abandonada pelos Deuses, então a Terra Abandonada pelos Deuses realmente pertenceria a este mundo. O “Deus onipotente e onisciente” pode ser o título do Criador usado nos tempos antigos… — Klein olhou para o jovem à sua frente, pensativo. Ele olhou para as cores emocionais de dor e de tristeza.
Quando Derrick sentiu o olhar do Louco, ele abaixou a cabeça involuntariamente.
Ele se lembrou das lendas que seus pais haviam lhe contado, e disse lenta e tristemente:
— Quando o sol desapareceu do céu, quando as nuvens foram rasgadas e dilaceradas, quando raios e trovões se tornaram nossos governantes, e os monstros à espreita no escuro surgiram de repente, aterrorizantes além da imaginação, eles destruíram uma cidade após a outra no Reino de Prata. A Idade das Trevas da Humanidade havia chegado.
— Os especialistas restantes na Cidade de Prata então confiaram em seu poder unido e em dois itens mágicos antes de finalmente evitarem o ataque das Criaturas das Trevas. Eles gradualmente erradicaram os monstros em uma distância de uma jornada de um dia da cidade e estabeleceram uma cidade-estado que protegeu a última luz da civilização humana.
Uma descrição padrão de livro didático… — Klein não pôde deixar de comentar internamente.
A descrição do jovem o fez sentir que a Cidade de Prata estava em um mundo diferente do Continente Norte.
Talvez essa seja a característica única da Terra Abandonada pelos Deuses? — Ele pensou, sem revelar suas emoções.
Derrick acalmou sua respiração e continuou:
— Durante as primeiras décadas, plantas não puderam crescer. A Cidade de Prata teve uma grande falta de comida, e só podíamos caçar criaturas das trevas ou animais mutantes para aliviar nossa fome. A população diminuiu drasticamente. Felizmente, encontramos a Grama de Folha Preta, que conseguia sobreviver nessas circunstâncias e se tornou nossa única fonte confiável e estável de alimento.
— É dito que foi a intervenção final que o magnífico Deus deixou para nós, permitindo que uma geração após a outra vivesse na Cidade de Prata. Persistiu na Idade das Trevas por 2582 anos.
— A passagem do tempo foi registrada por uma longa linha de Chefes. Para o resto das pessoas na Cidade de Prata, chamamos períodos de relâmpagos frequentes de “dia” e, quando os relâmpagos desaparecem, chamamos de “noite”. É um sistema bastante confuso e dificulta a identificação de datas exatas.
Um lugar tão mágico… — Klein estava contente por não ter falado sobre “amanhã”, apenas mencionando vagamente os dois dias seguintes.
Derrick falou brevemente sobre os poucos incidentes memoráveis na história da Cidade de Prata, explicando:
— Quando a população voltou a um certo nível, o número de Beyonders aumentou. O conselho de seis membros começou a formar tropas de elite para explorar as trevas. Atualmente, já exploramos todo o território original e as cidades próximas e agora estamos avançando em direção às profundezas mais escuras e aterradoras das trevas. Na fronteira, encontramos cidades com um estilo arquitetônico estranho, que foram destruídas em algum momento da história. Suspeitamos que fossem santuários construídos por outros humanos remanescentes. Infelizmente, no final, eles ainda perderam para as Criaturas das Trevas.
As Criaturas das Trevas que ele menciona deve ser uma referência a monstros que se escondem no escuro, que estão além da imaginação…? — assentiu Klein indiscernivelmente.
— … O Reino de Prata já foi governado pelo Rei Gigante. Portanto, a cadeia Beyonder que controlamos é o caminho Gigante, também conhecido como o caminho de Sequência do Guerreiro de Sangue Divino… Quando matamos certos monstros e exploramos as cidades destruídas, obtivemos fórmulas de poções de outras Sequências, no entanto, os caminhos de Sequência estão incompletos — disse Derrick, passando a explicar a situação atual da Cidade de Prata.
Ao ouvir isso, Klein ficou atordoado. Embora não tenha mudado muito sua postura, obviamente estava prestando mais atenção.
Adoro saber mais sobre poções de Sequência! O Rei Gigante… A Cidade de Prata e o Continente Norte compartilham a mesma história? A história da Segunda Época… Hmm, matar um monstro faz com que ele drope uma fórmula? Isso é um jogo? Não, há outra possibilidade. Aqueles monstros já foram humanos, Beyonders… — Klein de repente sentiu um peso em seus ombros.
Derrick viu que o Louco não respondeu. Ele cerrou os dentes, ponderou e continuou:
— Os nomes do caminho da Sequência Gigante são Sequência 9
Guerreiro Beyonder, Sequência 8 Gladiador, Sequência 7 Mestre de
Armas, Sequência 6 Paladino do Amanhecer, Sequência 5 Guardião, e Sequência 4 Caçador de Demônios. Somente os anciãos no conselho de seis sabem os nomes das Sequências superiores.
Sequência 4 Caçador de Demônios… Esse é o nome de uma fórmula de poção de Alta Sequência? Essa é a primeira vez que ouvi algo do tipo! — Klein se sentiu encantado com o fato de finalmente ter aprendido um dos nomes das Sequências superiores. No entanto, ele suspeitava que era um nome dos tempos antigos, que seria diferente da versão atual no Continente Norte, assim como Padre Tempestuoso e Navegante.
Ah, Guerreiro Beyonder, Gladiador, Mestre de Armas… Parecem familiares… Ah, certo, o caminho de Sequência que a Igreja do Deus da Guerra e do Combate controla é muito semelhante a isso! Sequência 9 Guerreiro, Sequência 8 Pugilista, Sequência 7 Mestre de Armas! — Devido aos limites de sua autorização de segurança,
Klein só conhecia os títulos das três primeiras poções que a Igreja do Deus da Guerra e do Combate controlava, mas mesmo assim a semelhança entre os dois caminhos era óbvia.
Com base no significado principal, são basicamente idênticos. A Sequência completa que a Igreja do Deus da Guerra e do Combate dominou é o chamado caminho da Sequência Gigante… Dizem que houve um Deus que emergiu na Terceira Época, a Era do Cataclismo, para herdar o domínio do Rei Gigante. Ou será que ele próprio era um Gigante antigo? — Klein analisou e julgou enquanto mantinha sua aparência calma.
Derrick continuou a explicar.
— Depois de superarmos as dificuldades iniciais, a Cidade de Prata tem sido governada por um conselho de seis membros desde então. O ancião que desfruta da posição mais alta no conselho é chamado de Chefe. Os outros cinco são iguais em rank… O atual conselho de seis é formado por três Caçadores de Demônios, dois Guardiões com o maior potencial e um Pastor.
A Cidade de Prata tem três Beyonders de alta sequência! Semideuses experientes! Só esses três poderiam destruir o Clube do Tarô uma centena de vezes… — Klein sentiu com um pouco de medo. Ele ainda não tinha recrutado alguém sob o nariz de um Beyonder de alta sequência.
No entanto, como o jovem era apenas um mero humano, nem mesmo na Sequência 9 ainda, era improvável que atraísse a atenção dos escalões superiores por um longo tempo. Assim, Klein relaxou novamente.
Pastor é de outra poção, talvez de um dos caminhos incompletos? Me lembra o estilo da Ordem Aurora… Aquele membro que escreveu uma carta ao Sr. Z, como era mesmo o nome dele? Ele ficava mencionando o “cordeiro do Senhor”… — Klein manteve sua postura relaxada e perguntou casualmente:
— Pastor?
— Sim, esta é uma poção que descobrimos em uma cidade que as Criaturas das Trevas destruíram. Só havia até Sequência 5 Pastor, mas a Anciã Norwaya é muito forte, muito estranha e muito assustadora. Dizem que uma vez ela venceu uma batalha contra um espírito maligno do nível de um Beyonder de alta Sequência sem se machucar. Portanto, quando houve uma vaga no conselho de seis, eles fizeram uma exceção para ela — contou Derrick, sentindo um pouco de medo.
Klein pensou, depois sorriu ao perguntar:
— Quais são as Poções antes de Pastor? Elas soam familiares. Como sabe, o nome histórico de uma Sequência e seu nome atual são sempre diferentes.
— Na Cidade de Prata, os nomes das poções nunca mudaram — Derrick refutou instintivamente. Ele então abaixou a cabeça e disse: — Sequência 9 Suplicante de Segredos…
Realmente… — Klein ficou satisfeito quando suas suposições foram confirmadas.
Este era o nome da sequência 9 da Ordem Aurora!
— Sequência 8 é Receptor de Sussurros, Sequência 7 é Ascético das Sombras, Sequência 6, Padre das Rosas e Sequência 5 é Pastor — Derrick contou o que sabia.
Receptor dos Sussurros e Ouvinte, são quase iguais… Heh, eu sei mais do que as informações fornecidas pelos Falcões Noturnos de Tingen. — De bom humor, Klein acenou para Derrick continuar.
Derrick então descreveu a situação atual da Cidade de Prata e, finalmente, não pôde deixar de dizer:
— Eu carrego a maldição do destino. Independente se um cidadão da Cidade de Prata é um humano normal ou Beyonder, todos nos tornamos espíritos malignos depois que morremos, e o espírito maligno de um Beyonder é apenas mais estranho, mais aterrorizante e muito mais difícil de lidar. No passado, houve muitas ocasiões em que essa maldição quase destruiu a Cidade de Prata. A única maneira de evitar que um espírito maligno apareça é que uma pessoa seja morta por alguém de sua própria linhagem.
— Que cruel. Espero que você possa se fortalecer e encontrar um método para as pessoas da Cidade de Prata se livrarem da maldição. — Klein, o Louco que era apenas uma concha vazia, só podia fornecer um pouco de canja de galinha grátis para a alma do jovem.
— Então, eu quero ser o Sol… Quando havia um sol brilhando sobre a terra, nunca havíamos encontrado nenhuma maldição — murmurou Derrick suavemente com grande dificuldade e dor.
Klein assentiu levemente e disse:
— Você terá a chance. Lembre-se de que eu posso trazê-lo aqui a qualquer momento nos próximos dois dias. Tente evitar estar perto de outras pessoas.
— Tudo bem — respondeu Derrick solenemente.
— Antes disso, preciso que você confirme seu nome no encontros. — Klein sorriu e apontou para o baralho de cartas de tarô que apareceu na mesa.
Confiante de que Derrick nunca havia entrado em contato com cartas de tarô, ele fez uma breve introdução. — Escolha uma das cartas como seu apelido. Qualquer uma fora o Louco, Justiça e o Enforcado.
Derrick deu dois passos à frente, folheou as cartas de tarô e disse sem hesitar:
— Sol. Eu escolho o Sol.
— Lembre-se de sua escolha, ela o seguirá pelo resto de sua vida — respondeu Klein como um charlatão.
Ao mesmo tempo, ele estendeu a mão e cortou a conexão de maneira sucinta. Então, ele viu o brilho carmesim retroceder, e o jovem à sua frente se tornou incorpóreo e se dispersou pouco a pouco.
Capítulo 139
Capítulo 139 – Estudando o 3-0782
Depois que a luz carmesim à sua frente se dissipou, Derrick Berg viu seu quarto mais uma vez e a bola de cristal puro em suas mãos.
Crack!
A bola de cristal quebrou por dentro. Algumas partes se transformaram em pedaços de feixes de luz ilusórios que voaram em direção ao vazio ao seu redor, enquanto outros fragmentos cristalinos caíram ruidosamente no chão.
Derrick olhou atônito. Ele podia ver os traços de sangue em seu rosto refletidos no espelho de bronze. Ele notou uma luz vermelha se movendo na parte de trás de sua mão direita, formando um círculo com linhas que se estendiam para fora da borda.
O símbolo estranho marcou as costas de sua mão e depois desapareceu.
Derrick ficou atordoado pelo tempo de vários relâmpagos iluminarem o céu antes de voltar aos seus sentidos.
Ele olhou para os fragmentos da bola de cristal no chão, depois olhou para as costas da mão direita e seu olhar se tornou mais profundo.
Ele saiu do quarto, voltou para a sala e abriu a porta para olhar o céu acima da Cidade de Prata.
Um arco de raios atravessou o céu, iluminando a cidade com um brilho prateado. Logo depois disso, houve um trovão estrondoso. O mundo pertencia às trevas. Sem nenhuma traço de luz, a pesada escuridão deixava as pessoas em desespero.
Derrick cerrou os punhos. Não havia alegria em seus olhos, ainda estavam cheios da tristeza e dor remanescentes.
Mas ele não estava mais perdido.
Ufa, parece que eu consegui convencer outra pessoa a se tornar um membro. Não, eu consegui recrutar outro membro… — Klein balançou a cabeça e zombou da força atual de seu Clube do Tarô.
O líder, O Louco, era apenas alguém de Sequência 9, alguém que havia acabado de digerir completamente a poção Vidente!
E havia pelo menos três Beyonders de Alta Sequência, de Sequência 4, na desamparada Cidade de Prata de que o Sol havia falado!
Depois de mencionar o método de atuação mais uma vez, posso começar a dizer ao Capitão os detalhes e entregar minha solicitação especial. No mínimo, deixarei de ser responsável pelo papel de suporte quando me tornar um Palhaço. — Klein não ficou no mundo do nevoeiro. Ele estendeu sua espiritualidade, envolveu-se nela e iniciou a sensação de queda.
Rasgando o nevoeiro cinzento e passando pelos delírios enlouquecedores, ele voltou ao seu quarto antes de dissipar a barreira de espiritualidade.
Então, Klein pegou a chave e saiu do quarto. Ele foi primeiro aos dois quartos reservados por Dunn para dar uma olhada, a fim de confirmar que o Capitão e Frye ainda não haviam retornado. Ele então foi para o térreo e devolveu a chave ao dono.
O dono olhou para o relógio de parede ao lado e deu um joinha.
— Muito bom!
Ei, você está confundindo por que eu reservei um quarto por uma hora? — Klein queria se explicar, mas finalmente decidiu deixar o mal-entendido como estava.
Sentindo-se injustiçado, ele tentou se consolar.
Sim, desta forma, pelo menos ele não mencionará que eu aluguei outro quarto na frente do Capitão!
Depois de sair e revisar suas resoluções, Klein fez uma divinação rápida e retornou à pousada com base nos resultados. Ele foi direto para o segundo andar e encontrou Dunn e Frye discutindo suas investigações em uma das salas, exatamente como esperava.
— Podemos confirmar que o espectro apareceu nos últimos três meses — resumiu Dunn a Klein com um aceno de cabeça quando ele entrou pela porta.
Klein ecoou imediatamente:
— Minhas investigações também confirmaram…
Ele destacou os principais pontos de seu questionamento e concluiu:
— Heh, há um cidadão chamado Gray Patife que afirmou ter o retrato do primeiro Barão Lamud. Ele disse que era uma pintura a óleo antiga com mais de mil anos.
— Não me diga que você a comprou? — Os olhos de Dunn brilharam quando ele foi pego de surpresa antes de perguntar.
Capitão, você acha que eu sou tão estúpido para ser enganado tão facilmente? — Klein deu uma risada seca.
— Não, não comprei. Mesmo sendo um estudante de história, participei de algumas lições sobre arqueologia e tenho certa experiência nessa área. Posso determinar mais ou menos se algo é falso ou não. Heh, a pessoa no retrato parecia um pouco com meu professor de história, Sr. Azik.
Ele casualmente mencionou a informação mais importante.
E, de fato, Dunn não prestou muita atenção nisso. Ele massageou suas têmporas e disse:
— Esta é uma pequena cidade perto de um local histórico. Sempre haverá uma infinidade de “antiguidades” aqui. Acabei de ver um vendedor vendendo as taças de vinho de prata do Barão Lamud.
— Alguém tentou me vender as insígnias da Família Lamud, alegando que havia sido escavada no castelo — acrescentou Frye.
Klein perguntou subconscientemente:
— E vocês compraram?
Frye e Klein se entreolharam e não continuaram com o assunto.
— A próxima missão é para você ou Frye levar o Artefato Selado 30782 para fora da cidade, para algum lugar desabitado. Caso contrário, uma boa parte das pessoas nesta pousada se tornará idiota, elogiando o Sol. Você vai primeiro, ou Frye? — Dunn olhou para Klein com seus profundos olhos cinza.
— Eu. — Klein levantou um pouco a mão e sorriu. — Ainda é muito cedo, então eu posso voltar e dormir bem mais tarde. Estamos fazendo turnos de duas horas, certo?
— Sim. Frye, vá com Klein e confirme onde trocarão o Artefato Selado. — Dunn virou-se para olhar o Coletor de Cadáveres, Frye. Ele já havia encontrado uma oportunidade de entregar o Artefato
Selado 3-0782 a Frye quando eles se separaram para conduzir suas investigações. Caso contrário, ele teria sido purificado e começado a louvar o Sol. Frye não teve tempo suficiente para se recuperar e só poderia segurar o item por mais três horas.
— Tudo bem. Frye pegou o Emblema Sagrado do Sol Mutante do bolso interno de seu casaco preto e o entregou a Klein.
Klein pegou o item com um pouco de curiosidade e interesse. O metal era quente ao toque, como se água quente estivesse fluindo dentro dele.
O brilho quente e suave era como uma ondulação, espalhando-se para fora em ondas e trazendo consigo um cheiro puro. Ao mesmo tempo, Klein sentiu que o Emblema Sagrado dourado escuro esculpido com o símbolo do Sol estava limpando sua espiritualidade, removendo as impurezas e deixando-a pura.
Obviamente, todos os Artefatos Selados têm seus perigos. Pode ocorrer a morte se o indivíduo não for cuidadoso o suficiente. É até possível ter um destino pior que a morte… — Ele murmurou para si mesmo enquanto colocava o Artefato Selado 3-0782 em seu bolso interno.
Depois de inspecionar o revólver, os charms e a bengala, ele deixou o quarto e saiu da pousada junto com Frye. Eles foram direto para os arredores da cidade de Lamud.
Os dois circundaram uma área ao lado de uma floresta escassa e deserta e confirmaram que não havia ninguém a dezenas de metros.
— Afaste qualquer um que se aproximar de você — lembrou Frye friamente — eu volto para tomar o seu lugar em duas horas.
— Tudo bem — respondeu Klein com um sorriso.
Depois de ver Frye entrar na cidade, ele viu uma pedra alta que havia encontrado anteriormente. Pegando algumas folhas da árvore ao seu lado, ele limpou a superfície da pedra.
Ele então tocou o topo da pedra com os dedos e a inspecionou sob a luz da lua carmesim.
Depois de confirmar que estava limpa, Klein tirou seu casaco preto e se sentou.
Por que ficar em pé quando se pode sentar! — pensou Klein consigo mesmo.
Depois de alguns minutos de silêncio, ele olhou para a floresta escura, silenciosa e um tanto quanto assustadora. Ele não pôde deixar de se levantar, tirando várias garrafas de metal dos bolsos secretos e espalhando seu conteúdo – pó de ervas e óleos essenciais – ao redor da pedra.
Klein recitou um encantamento em Hermes e, com a ajuda dos materiais, ele criou uma barreira de espiritualidade, selando a área em que estava.
Ele fez esse ritual simples por duas razões. Primeiro, ele não queria confiar muito em sua premonição de perigo como Vidente para se defender de cadáveres e espíritos, lançando um ataque furtivo contra ele. A segunda razão era… era para manter os insetos longe!
Isso é cem vezes melhor do que repelente de insetos! — Klein se sentou, satisfeito.
Após alguns minutos sentado, Klein pegou o Artefato Selado 3-0782 por curiosidade. Ele iniciou então uma inspeção detalhada do Emblema Sagrado do Sol Mutante.
Me pergunto se eu poderia usar divinação para descobrir suas origens e como se tornou especial… — Ele pegou a caneta e o papel que sempre carregava consigo e escreveu uma declaração:
“A origem do Emblema Sagrado do Sol Mutante em minhas mãos”.
Como um Vidente verdadeiro e qualificado, Klein havia feito os preparativos necessários para divinar em qualquer lugar.
Depois de recitar a declaração sete vezes, ele fechou os olhos e entrou em estado de Cogitação, usando isso como uma plataforma de lançamento para impulsioná-lo a seus sonhos.
Mas tudo o que viu foram apenas pedaços de luz fragmentados em seus sonhos. Fora isso, ele não aprendeu mais nada.
Sim, a Igreja deve ter convencido outros Videntes a tentar a mesma coisa no passado. O fato de não haver menção de suas origens deve significar que não houve resultado da divinação, exatamente como aconteceu agora… — Klein suspirou. Ele então pensou:
Me pergunto o que aconteceria se eu eliminasse as interferências…
Essa ideia imediatamente dominou os pensamentos de Klein, elevando sua curiosidade a um pico.
Depois de mais de dez minutos de hesitação, ele se levantou. Ele decidiu que não tinha problema, já que não havia ninguém por perto, considerando que estava em uma área isolada da floresta. Dando quatro passos no sentido anti-horário dentro de sua barreira de espiritualidade, ele entrou no mundo acima do nevoeiro cinzento novamente.
Klein estava sentado no assento de honra da antiga mesa no magnífico palácio. Ele conjurou algumas folhas de pele de cabra marrom-amareladas e uma caneta-tinteiro preta, bem como o Emblema Sagrado do Sol Mutante.
Parece bastante real… — Ele esfregou o Artefato Selado 3-0782 em suas mãos, encontrando o feedback tátil idêntico ao que havia sentido no mundo real.
Se baseia no que eu senti? — murmurou Klein para si mesmo antes de escrever a declaração que havia pensado anteriormente:
“A origem do Emblema Sagrado do Sol Mutante em minhas mãos”.
Depois de recitar a declaração sete vezes, ele segurou o pedaço de pele de cabra e o Artefato Selado 3-0782 nas mãos, se recostou e entrou em seu sonho.
No mundo obscuro dos sonhos, Klein viu uma gota de um líquido dourado brilhante. Era quente e claro, e estava suspenso acima de um altar, diante de um homem vestido com um manto branco clássico.
Klein só conseguia ver as costas do homem. Ele havia perdido todos os sinais de vida ao cair lentamente em direção ao altar de sacrifício.
Naquele momento, o Emblema Sagrado do Sol que ele estava segurando entrou em contato com o líquido dourado, que penetrou rapidamente no emblema.
O sonho rapidamente se dissipou depois que Klein viu isso, acordando-o.
Então foi por causa do líquido dourado que esse Emblema Sagrado tem sido tão eficaz e incontrolável até hoje. Hmm, décadas se passaram desde a descoberta deste emblema, mas seus poderes de purificação não diminuíram. Me pergunto o que esse líquido dourado era? Algum ingrediente Beyonder de alto nível? — Klein brincou com o Artefato Selado 3-0782 em sua mão e entrou em uma profunda reflexão.
Depois de refletir sobre isso por alguns minutos, ele tentou imitar a sensação que tinha no sonho. Ele queria separar o líquido dourado do Emblema Sagrado do Sol Mutante que ele havia conjurado.
Tendo conseguido quase imediatamente, um pensamento lhe ocorreu. Klein olhou chocado para o emblema que não era mais quente nem puro e viu as gotas do líquido dourado silenciosamente se suspenderem no ar. Visto isso, ele tinha ainda mais elogios para com esse espaço misterioso acima do nevoeiro.
Isso é praticamente um milagre, mesmo que a separação e os objetos aqui não sejam reais!
“As origens dessa gota de líquido dourado”.
Ele escreveu uma nova declaração com grande entusiasmo.
Capítulo 140
Capítulo 140 – Especialista em cortejar a morte
“As origens dessa gota de líquido dourado.”
Depois de recitar a declaração de divinação sete vezes, Klein segurou a pele de cabra e o líquido ilusório dourado antes de se recostar na cadeira.
Ele não sabia se poderia divinar o item com base puramente em um sentimento. Só lhe restou fazer suposições ousadas e buscar confirmação com cuidado.
Em segundos, os olhos de Klein escureceram, passando de marrom para preto quando ele entrou em estado de Cogitação.
Suas pálpebras caíram e ele “viu” o sonho ilusório, porém embaçado.
No mundo embaçado e bagunçado, um sol dourado e brilhante apareceu de repente!
Um grunhido baixo ecoou pelo vazio. De repente, a luz pura e limpa iluminou tudo enquanto o ouro e as chamas ardentes se moveram para fora.
Boom!
Klein foi instantaneamente expulso de seu mundo dos sonhos e foi virado de lado enquanto tremia. Seu corpo parecia ter se tornado uma enorme fogueira que ardia com uma chama furiosa.
Naquele momento, seus pensamentos estavam bagunçados. Nenhuma ideia adequada conseguiu se formar a partir do caos em sua mente.
Tremor!
O espaço misterioso acima do nevoeiro cinzento tremeu violentamente, e o imponente palácio estava desmoronando centímetro por centímetro, até a antiga mesa de bronze manchada se partiu em algumas partes.
As terríveis mudanças só continuaram por três segundos antes que o mundo acima do nevoeiro cinzento retornasse à tranquilidade como se nada tivesse acontecido.
A chama dourada de Klein se extinguiu gradualmente. Ele rolou em sua pele carbonizada enquanto gemia de dor, até que finalmente recuperou sua capacidade de pensar.
Apoiando-se no braço da alta cadeira, ele se levantou com grande dificuldade, apavorado e confuso com o que havia acabado de acontecer.
Ele nunca imaginou que uma mera divinação teria tais consequências!
Após ofegar e levantar a cabeça para examinar o ambiente ao seu redor, ele percebeu que o imponente palácio e a antiga mesa de bronze, que pareciam inalteradas desde os tempos antigos, haviam sido danificados. Para o mundo acima do nevoeiro cinzento, que nunca havia experimentado nenhuma anormalidade, era simplesmente um nível de dano sem precedentes.
O que aconteceu? Minha divinação apontou para uma existência muito poderosa? — Klein se acalmou um pouco e deixou sua carne queimada descamar enquanto pensava no assunto. — Se não tivesse sido protegido por esse espaço misterioso acima do nevoeiro cinzento, talvez não teria sobrado nem mesmo minhas cinzas… Será que aquela gota de líquido dourado seria o sangue de algum deus? O que vi foi o Eterno Sol Ardente, ou algum anjo poderoso Dele? Não, era o sol, então acho que era Ele… Droga, acabei de olhar diretamente para um deus?
Klein sentiu mais medo ao pensar isso. Ele sentiu que tinha quase morrido.
Quem nada sabe, nada teme, mas quem não corteja a morte não morrerá… No futuro, não posso simplesmente divinar tudo e qualquer coisa. Quem sabe o que eu veria!
Se isso acontecesse mais uma vez, não sei se esse espaço misterioso poderia me proteger de danos fatais… Quando isso acontecer, eu realmente morrerei…
Sim, definitivamente não dará certo se eu continuar fazendo experimentos com o líquido dourado. A existência anterior, a qual provavelmente era o Eterno Sol Ardente, deve ter sentido a influência súbita, oculta e inesperada da divinação acima do nevoeiro cinzento e falhou em responder a tempo… Se estivesse preparado, esse espaço misterioso talvez não fosse capaz de suportar as repercussões…
Tendo chegado a essa conclusão, o corpo de Klein já havia retornado ao normal. Não estava mais carbonizado, mas comparado a antes, estava mais escuro e incorpóreo.
Ele levantou a mão para massagear as têmporas e ordenou, com sua mente, para restaurar o palácio e a longa mesa.
Então, o palácio, que parecia a casa de um gigante, e a longa mesa de bronze voltaram ao normal; tudo parecia como antes.
Klein se sentou e recostou na cadeira. Ele zombou de si mesmo, pensando:
Bem, isso não é totalmente ruim. Pelo menos sei o limite do espaço misterioso e tenho um certo objetivo… Somente poderes que se aproximam do dos anjos dos deuses podem influenciar completamente o poder da área acima do nevoeiro cinzento?
Ah, tenho que adicionar outra nova regra ao meu princípio de Vidente. “Não divine aleatoriamente coisas que envolvem uma entidade de alto nível.” Sim, também não devo ativar precipitadamente minha Visão Espiritual. Se eu olhasse diretamente para coisas que não deveriam ser vistas diretamente, poderia ser “game over”. No mundo exterior, não tenho o espaço misterioso para afastar a maioria dos efeitos negativos…
Depois de um tempo, a expressão de Klein ficou estranha, porque algum conhecimento estava ecoando em sua cabeça.
Sim, conhecimento!
No pouco tempo que passou com o que parecia ter sido o Eterno Sol Ardente, Klein estava constantemente em seu estado de divinação. Por isso, ele podia instintivamente divinar certos assuntos e conhecimentos do ser a que estava olhando.
Ele rapidamente usou uma divinação dos sonhos para recordar e organizar o que havia coletado que não era seu objetivo principal. Ele pegou a caneta preta e escreveu uma linha após a outra.
“1. Não olhe diretamente para Deus.”
“2. Anjo branco puro.”
“3. A técnica de fazer um Charm do Sol Ardente… É um charm de nível relativamente alto no domínio do Sol. Sua potência pode durar um ano antes de se deteriorar… Não há necessidade de um ritual para rezar ao Eterno Sol Ardente, mas o procedimento exige que o Artefato Selado 3-0782 tome o lugar do ritual, que irá sugar o poder do Emblema Sagrado do Sol Mutante…”
“4. Extremamente hostil ao Senhor das Tempestades e ao Deus do
Conhecimento e da Sabedoria.”
“5. Fórmula da poção Bardo:
Ingredientes principais: um girassol cristal ou uma pena da cauda de um pássaro de pederneira adulto ou uma pena da cauda de um pássaro de fogo… Um pedaço de pedra siren ou um girassol cantorolador…”
Ingredientes suplementares: uma folha de grama de solstício de verão, 5 gotas de suco de vinho de julho, uma folha de elfo negro…” “6. Fórmula de poção Suplicante da Luz:
Ingredientes principais: um pedaço de pedra brilhante ou pó de alma deslumbrante ou… sangue de um ouriço espelho ou o coração de um titã de magma…
Ingredientes suplementares: um girassol de borda dourada, três gotas de suco de acônito…”
“7. Fórmula da poção Sacerdote da Luz:
Faltam informações sobre os principais ingredientes.
Ingredientes suplementares: 5 gramas de alecrim, 7 gotas de suco de cidra, água de rocha…”
“8. Sequência 4, fórmula da poção Sem Sombra. Os ingredientes principais poderiam ser o sangue de ouro de Deus extraído do Emblema Sagrado do Sol Mutante. Também poderia ser substituído por três penas de cauda de pássaro divino do sol adulto e um pedaço de pedra divina brilhante.
Faltam informação dos ingredientes suplementares…”
Depois de escrever os oito itens, Klein não pôde deixar de bater na borda da longa mesa de bronze.
Ele ganhou muito mais do que imaginava!
Já estava satisfeito por ter sobrevivido à sua divinação imprudente anterior, mas agora havia recebido uma inesperada “recompensa de sobrevivência”.
Pelas informações confidenciais que recebeu dos Falcões Noturnos, ele sabia que o caminho de Sequência que a Igreja do Eterno Sol Ardente mantinha se chamava Sol, e sua Sequência 9 era Bardo. Permitiria ao Beyonder imbuir coragem e força para si e seus aliados através do canto, uma “ocupação” que provocava devoção e submissão. O slogan deles era “Vamos louvar o Sol!
A sequência 8 correspondente era Suplicante da Luz. Eles podiam lançar feitiços e realizar rituais do domínio do Sol, que eram muito eficazes contra cadáveres e espíritos. A sequência 7, chamada Sumo Sacerdote Solar, aprimorava bastante os feitiços e rituais em seu domínio.
Em outras palavras, eu obtive as fórmulas completas de poções da Sequência 9 e 8 da Sequência Sol. Sim, ao contrário de antes, a fórmula da poção ainda lista itens de substituição e nomes de ingredientes de diferentes épocas… Como esperado de fórmulas obtidas diretamente do Eterno Sol Ardente através de divinação! — pensou Klein com satisfação.
Ele havia planejado inicialmente ver se o Enforcado poderia resolver o pedido do jovem da Cidade de Prata. Afinal, a Igreja do Senhor das Tempestades e a Igreja do Eterno Sol Ardente eram as seitas ortodoxas mais antigas. Eles lutaram um contra o outro por milhares de anos, por isso faria sentido que as duas igrejas aprendessem a sequência inicial dos caminhos uma da outra.
O Enforcado pode não ter se importado com o caminho do Sol anteriormente, mas como ele deve ser um Marinheiro Sequência 7, provavelmente seria fácil se realmente precisasse reunir as informações. No entanto, não preciso dele agora. Eu mesmo resolvi isso, através de um método inacreditável, mas extremamente perigoso… Senhorita Justiça, Sr. Enforcado, meu amigo Sol, seu Louco quase se transformou em um cadáver carbonizado… — Klein brincou silenciosamente enquanto ainda sentia uma sensação remanescente de medo.
Ele abaixou a cabeça e olhou para os registros na pele de cabra diante dele e pensou em outra fórmula.
Seria Sacerdote da Luz um nome antigo para Sumo Sacerdote Solar? As informações confidenciais dos Falcões Noturnos nunca o mencionaram, e minha divinação não identificou o número de Sequência… É a sequência 6 ou a sequência 5?
Sequência 4, Sem Sombra… Esta é a primeira fórmula de alta Sequência que obtive! É uma pena que não tenha os ingredientes suplementares. Como posso preencher os espaços em branco? Não acredito que aquela gota de líquido dourado seja realmente o sangue de um deus. O Artefato Selado 3-0782 é provavelmente muito mais forte do que se imagina. Pelo que posso ver, poderia ser classificado como um Artefato Selado de Grau 1.
Sim, é provável que os Falcões Noturnos de antes só tenham determinado se o item tem algum traço de vida, quanto perigo causaria aos humanos próximos, quão difícil é controlar os efeitos do item e se ele pode ser usado contra cadáveres e espíritos. Eles não tinham como descobrir sua origem única.
O Emblema Sagrado do Sol Mutante provavelmente pode até lutar contra espíritos malignos… Como o examinador poderia encontrar um espírito maligno para experimentar?
Como um oficial Falcão Noturno, não posso me tornar o proprietário do Artefato Selado 3-0782, mas, sim, posso encontrar uma oportunidade de fazer um Charm do Sol Ardente e sugar seu poder? Hmm… Certamente não posso fazer isso agora. Eu nem mesmo preparei os ingredientes necessários. Por que eu, um Falcão Noturno da Deusa da Noite Eterna, carregaria comigo ingredientes do Sol?
Klein massageou a testa com pesar no coração. Ele viu que não havia mais nenhum movimento no mundo acima do nevoeiro cinzento e finalmente relaxou, confirmando que o Eterno Sol Ardente não tinha conseguido localizá-lo.
Não olhe diretamente para Deus, não olhe diretamente para uma entidade de alto nível. Eu devo lembrar disso!
Por que o Eterno Sol Ardente seria extremamente hostil ao Senhor das Tempestades e ao Deus do Conhecimento e Sabedoria?
O que diabos é um anjo branco puro?
…
Enquanto esses pensamentos confusos enchiam seu cérebro, Klein sentiu o vazio e uma dor profunda em sua cabeça. Além disso, ele sentiu que muito tempo havia se passado; precisava retornar ao mundo exterior, caso alguém descobrisse algo suspeito.
Naquela hora, ele pensou que levaria um ou dois minutos para divinar duas ou três vezes no espaço misterioso. Além disso, havia uma barreira de espiritualidade o isolando de todo o resto. Uma vez tocado, seu corpo no mundo acima do nevoeiro cinzento sentiria. Por isso, ele se sentia totalmente seguro, mas não havia considerado a possibilidade de sofrer algum tipo de acidente. No final, ele quase perdeu a vida e isso tomou muito de seu tempo.
Devido ao fato de ter medo de ser recebido por um raio de Luz de Purificação ou descobrir que o Emblema Sagrado do Sol Mutante estava danificado, ele envolveu seu corpo com espiritualidade antes de estimular uma descida com o coração na boca.
O luar carmesim refletia em seus olhos, e havia uma escuridão escondida por dentro. Klein viu a floresta escassa e as ervas daninhas diante dele, bem como o artefato selado intacto 3-0782 em suas mãos.
Após alguns segundos de ansiedade ofegante, ele finalmente acreditou que estava seguro.
Ufa… — Klein deixou escapar um suspiro de alívio. Ele se sentiu exausto após sua sondagem insana na fronteira da morte.
Capítulo 141
Capítulo 141 – Pesadelo
Exausto, Klein dissipou a barreira de espiritualidade, permitindo que o vento frio soprasse em seu rosto; o cheiro de grama e árvores que o vento carregava o revitalizou.
Ele esfregou o quente Artefato Selado 3-0782 com as mãos e suspirou para si mesmo.
Quem teria pensado que haveria uma gota de sangue de um deus neste emblema? Devo assumir que os especialistas da Igreja do Eterno Sol Ardente devem ter tentado procurar por esse item no passado, mas não conseguiram encontrá-lo…
Klein alongou o pescoço. Ele não se atreveu a tentar mais nada, mantendo o Emblema Sagrado do Sol Mutante no bolso interno do seu casaco.
Sua mão seguiu uma corrente pegando o relógio de bolso de prata com folhas de videira. Ele o abriu e viu que ainda havia uma hora antes do turno do Coletor de Cadáveres, Frye.
Preciso de dois fósforos para sustentar minhas pálpebras… Esse é um efeito colateral dessa experiência de quase morte! — Klein não tinha outras ideias. Tudo o que pôde fazer foi tirar uma pequena garrafa de metal de um pequeno bolso escondido, a abrir e aproximar do nariz.
Um cheiro pungente, uma mistura de menta e desinfetante, entrou rapidamente em seu nariz, fazendo Klein se arrepiar. Seus sentidos foram sacudidos, fazendo-o esquecer de seu cansaço temporariamente.
Ele havia aprendido essa fórmula com o Coletor de Cadáveres, Frye. Chamava-se Óleo de Quelaag e podia ajudar uma pessoa a ignorar o mau cheiro de cadáveres podres, além de refrescar e clarear a mente.
A hora seguinte pareceu uma tortura, Klein andou de tempos em tempos e foi picado pelos mosquitos na floresta inúmeras vezes.
Finalmente, ele viu Frye, com seus cabelos pretos e olhos azuis, saindo da cidade, usando um blusão e segurando uma bengala.
Mesmo que Frye ainda parecesse um cadáver vivo, Klein sentiu como se estivesse olhando para seu salvador. Ele cobriu a boca e soltou um bocejo, deixando seus olhos marejados. Ele então se aproximou e tirou o Artefato Selado 3-0782 do bolso.
— O que aconteceu? — perguntou Frye enquanto olhava para o rosto pálido de seu parceiro.
Klein suspirou e disse:
— Acabei de fazer meu turno no Portão Chanis na noite anterior e não dormi muito bem pela manhã, então estou bem cansado.
Ele não deu mais detalhes e mudou de assunto.
— Devo ir para o meu próximo turno daqui a quatro horas?
— Sete horas. O Capitão não precisa dormir à noite. Frye pegou o Emblema Sagrado do Sol Mutante.
Fico feliz que alguém goste de ficar acordado até tarde… — Klein zombou do Capitão internamente. Ele então se despediu de Frye e caminhou em direção à cidade.
No caminho de volta para a pousada, ele pegou o relógio de bolso novamente e verificou as horas.
Hmm, dez minutos antes do combinado… Que indivíduo legal… — Klein riu e acelerou o passo. Ele retornou à pousada e abriu a porta entreaberta. O dono do estabelecimento o observou enquanto caminhava para o segundo andar antes de entrar no quarto.
Ele tirou o casaco e os sapatos depois de trancar a porta, e sem nem mesmo tomar banho, caiu diretamente sobre a cama.
Sua respiração ficou pesada em apenas alguns segundos, depois se tornou longa e pacífica.
Em seus sonhos, Klein retornou à Terra, onde estava jogando um jogo que ainda não havia conseguido completar. Um copo de refrigerante e um prato de asas de frango apimentadas estavam à sua esquerda. À sua direita, uma tigela de arroz e sopa de broto de bambu amargo com carne.
Ele não gostava de brotos de bambu amargo, mas gostava de sopa com fatias de carne. O sabor refrescante e o pouco de gordura da carne eram tentadores, um complemento perfeito para o arroz.
Ele poderia comer uma tigela extra de arroz se fosse combinada com um bom molho!
No momento em que Klein estava prestes a desfrutar de seu jantar e continuar jogando, seu sonho mudou novamente, apresentandolhe o layout interno do número 2 da rua Narciso.
De repente, Klein ficou alerta, ciente de que estava sonhando.
Ele se viu sentado ao lado da mesa de jantar, com uma cópia do Tribunal Diário de Tingen em suas mãos. À sua frente, havia uma tigela de ensopado de rabada com tomate, costeletas de cordeiro fritas na panela, purê de batatas e pão de trigo.
Ele subconscientemente virou-se para olhar para a porta, repentinamente notando uma figura do lado de fora da janela da sala, olhando silenciosamente para dentro da casa!
Klein ficou chocado. Ele imediatamente reconheceu seu Capitão, Dunn, com seus olhos cinza. Metade de seu rosto estava pressionado contra a janela enquanto ele silenciosamente observava as pessoas no interior.
…Capitão, será que você poderia não assustar alguém nos seus sonhos? Esta é sua maneira de agir como um pesadelo? — pensou Klein, encontrando algo do que rir em sua exasperação. Ele então pegou um bocado de ensopado e colocou na boca.
Ah, esta é a minha comida! — Ele suspirou para si mesmo, entendendo por que de repente ficou alerta em seu sonho, por que a cena dele na Terra havia desaparecido.
Ele ficaria naturalmente consciente quando alguém invadisse seus sonhos!
Nesse momento, Dunn deixou seu lugar na janela e entrou diretamente na casa. Usando seu blusão preto, ele andou silenciosamente até ficar de frente para Klein.
Ele tirou o chapéu e assentiu antes de se sentar. Ele não fez cerimônia, pegando talheres e limpando rapidamente o ensopado, costeletas de cordeiro e o pão de trigo da mesa.
Klein olhou estupefato, sem saber o que o Capitão estava fazendo.
— Ufa. — Dunn exalou em satisfação e deu um joinha para Klein. Ele então pegou seu cachimbo e um palito de fósforo antes de dar uma tragada.
Ele exalou uma nuvem de fumaça e se levantou, colocou o chapéu e fez uma reverência antes de sair de casa e do sonho.
— … — Klein olhou para as costas do Capitão, incapaz de se recompor por um longo tempo.
Ele olhou para os pratos vazios e instintivamente quis conjurar a comida que ele tinha acabado de comer.
Mas desta vez, o ensopado de rabada, as costeletas de cordeiro e o purê de batatas não apareceram em seu sonho.
Foi completamente comido? Um Pesadelo pode fazer isso? — Klein fez uma careta e pensou, frustrado. — Então o objetivo do Capitão era me impedir de jantar no meu sonho? Isso com certeza é um Pesadelo… Esse método de agir como um Pesadelo com certeza é criativo…
Ele soltou uma risada e saiu do sonho, adormecendo novamente.
Por volta das cinco e meia da manhã do dia seguinte, Klein, não teve escolha a não ser acordar cedo, tomar café e comer torradas e bacon. Depois disso, saiu apressado da cidade para substituir Dunn. Às sete da manhã, eles se prepararam para voltar para Tingen.
Ainda não eram nem dez horas quando chegaram à rua Zouteland, 36. Frye sentou-se atrás da máquina de escrever, depois que Dunn, o mais energizado do grupo, devolveu o Artefato Selado 3-0782 para o interior do Portão Chanis. Ele aproveitou o fato de que os funcionários ainda não haviam chegado para poder escrever um relatório sobre a missão e as reivindicações das despesas relacionadas.
Klein olhou de lado, satisfeito com a constatação de que os itens que ele havia gasto estavam na lista, incluindo os materiais que ele usou para afastar os insetos e mosquitos.
Ele não voltou para casa imediatamente, pois havia combinado de encontrar o doutor Daxter do asilo à uma da tarde, no local previamente acordado por meio de uma carta codificada.
Depois ainda há a Reunião do Clube do Tarô às três… Por que o chefe de uma sociedade secreta tem uma vida tão cansativa? — pensou Klein consigo mesmo. Ele tirou uma soneca de duas horas na sala de descanso dos Falcões Noturnos para recuperar o sono perdido.
Ele não esqueceu as informações que havia obtido no dia anterior, mas também não estava preocupado em esquecer, pois a informação poderia ser recuperada via divinação. O que ele temia era de desconsiderar a existência dessa informação e até perder a capacidade de divinar sobre ela. Por isso, ele recordou as informações mais uma vez antes de dormir, para reforçá-las.
Essa também foi a razão pela qual Klein insistia em fazer uma revisão toda semana e reorganizar todas as informações que sabia.
Depois do almoço, ele deu uma olhada no relógio de bolso e saiu da Companhia de Segunrança Blackthorn para ir Clube de Tiro, na rua Zouteland, nº 3.
Klein entrou na área de recepção depois de abrir a porta, mas não foi diretamente para o campo de tiro pertencente aos Falcões Noturnos. Em vez disso, ele encontrou um assento no corredor enquanto esperava pacientemente com sua bengala preta em mãos.
Ele havia marcado um encontro com Daxter no Clube de Tiro da rua Zouteland!
Ele havia combinado o encontro através de cartas manuscritas. Sempre que Klein precisava encontrá-lo, ele escrevia para o Doutor Daxter Guderian no lugar do membro da família de um paciente, perguntando sobre uma condição única chamada “transtorno dissociativo de identidade”. Em sua carta, Klein usava vários métodos para mencionar o termo Espectador, além de uma marca oculta de tinta para autenticar sua identidade. A carta também mencionava casualmente um horário para se encontrarem.
Quanto ao local do encontro, eles já haviam decidido isso na primeira vez que se conheceram. Se Klein achasse que havia necessidade de mudar o local, ele mencionaria isso quando se encontrassem pessoalmente.
Quando Daxter Guderian precisava encontrá-lo para assuntos não urgentes, ele podia enviar uma carta ao Pub Cão de Caça ou ao Clube de Tiro. O destinatário seria marcado como Sr. Hornacis, que Klein pegaria em datas programadas.
Em situações urgentes, ele poderia entregar a carta diretamente ao chefe do Pub Cão de Caça, Wright, e mencionar sua “busca por mercenários”. Dessa forma, Wright, que era associado aos Falcões Noturnos, entregaria imediatamente a carta à Companhia de Segurança Blackthorn.
Depois de alguns minutos, Klein viu o refinado Daxter entrar no Clube de Tiro.
Ele usava um chapéu preto e um smoking justo, e tinha uma bengala encrustada com prata nas mãos bem como um par de óculos de armação dourada no rosto.
Daxter andou pelo clube sem chamar atenção e viu Klein, que assentiu levemente. Ele então retraiu o olhar e caminhou até o balcão, habilmente solicitando um campo de tiro e alugando uma arma.
Esta não era sua primeira visita.
— Pequeno campo de tiro 7, 3 soli por hora. A taxa para alugar um revólver é de um soli e sete centavos por hora e contém seis munições — a recepcionista rapidamente atendeu ao pedido.
Depois que Daxter confirmou que estava alugando os itens por uma hora e pagou a taxa de 10 soli, ele pegou o revólver e as balas extras e foi levado ao respectivo campo de tiro pelo funcionário.
Klein esperou mais cinco minutos antes de se levantar lentamente. Ele pegou sua bengala antes de caminhar para o pequeno campo de tiro número 7 e bater na porta.
A porta foi aberta revelando uma pequena fenda, com um rangido. Daxter olhou em volta cautelosamente, e só depois abriu a porta completamente.
Klein entrou imediatamente, trancando a porta atrás de si.
— Boa tarde, Sr. Daxter — disse ele, pegando uma nota de 10 soli e a entregando para Daxter. — Não permitiríamos que nossos associados pagassem taxas do próprio bolso.
Porque posso reivindicar compensação… — Ele acrescentou em seu coração.
Daxter não recusou. Ele pegou o dinheiro e perguntou com pesar:
— Sr. Moretti, por que você pediu para me encontrar?
Capítulo 142
Capítulo 142 – Associação
Klein obviamente não poderia simplesmente pedir a fórmula Telepata logo de cara. No entanto, ele também não escondeu sua intenção. Afinal, o homem à sua frente era um Espectador, ele não seria enganado tão facilmente.
— Hood Eugen se comportou de maneira incomum recentemente? — ele primeiro perguntou a Daxter Guderian sobre o paciente no asilo que era membro dos Alquimistas da Psicologia.
Daxter examinou os olhos, expressão e gestos de Klein. Ele pensou e então disse:
— Não, ele está agindo normalmente. Francamente, acho que se ele realmente quisesse deixar o asilo, poderia imediatamente se comportar de maneira saudável e normal. Mas ele não fez isso e continua a permanecer no asilo. Parece que ele está tratando todos os pacientes… Sim, pacientes que exibem pensamentos caóticos, violentos ou anormais parecem estar melhorando. Talvez Hood Eugen esteja tentando treinar seus poderes de Beyonder com esse método.
Psiquiatra, Sequência 7 de Espectador? Talvez até mais alto…
Como Hood Eugen não é médico no asilo, mas entrou como paciente, significa que ele não sabe sobre o método de atuação. Deve ser como Daxter supôs; ele provavelmente está treinando suas habilidades de Beyonder e é apenas semelhante ao “método de atuação”. Até certo ponto, isso poderia diminuir a influência negativa da poção. Por isso, Hood Eugen decidiu apenas tomar o asilo como sua casa… — Klein mostrou abertamente que estava pensando profundamente sobre o assunto de Hood Eugen, porque isso faria Daxter Guderian sentir que ele sabia e entendia muito, fazendo-o parecer insondável.
Com isso em mente, Klein fez outra suposição — Os Alquimistas da Psicologia não conheciam o “método de atuação”. Afinal, mesmo um membro principal de Sequência 7 não tinha conhecimento sobre o assunto. Nesta era com poucos Beyonders, Sequência 7 era considerada de nível intermediário em qualquer organização secreta. Eles eram importantes o suficiente para conhecer assuntos cruciais, especialmente aqueles que poderiam ajudar os membros a resistir à perda de controle.
Além disso, os Alquimistas da Psicologia era uma organização secreta que só havia sido estabelecida nos últimos trezentos anos ou até menos. Era compreensível que não tivessem compreendido ou deduzido o “método de atuação”. A única organização que apresentou explicitamente o método foi a Ordem Secreta, que era uma organização antiga que tinha mais de mil e quinhentos anos de história e podia ser rastreada desde a época anterior!
Ei, a Igreja da Deusa é ainda mais antiga que a Ordem Secreta. Apenas a Carta dos Santos da Revelação da Noite Eterna indica claramente que tem quase três mil anos. Isso sem mencionar as lendas míticas antes disso… Como uma igreja tão antiga não conseguiu descobrir o “método de atuação”?
Durante a longa história de uma grande organização, deve ter havido membros que experimentaram várias possibilidades, como a Medium Espiritual Daly. Eles podem não ter entendido o princípio do método de atuação em detalhes, mas atuaram corretamente o nome da poção, tendo descoberto a essência através do bom feedback que receberam. Como isso se acumula através das gerações de Falcões Noturnos, a menos que os superiores fossem um bando de babuínos de cabelos encaracolados, seria impossível não deduzir o “método de atuação”!
Os pensamentos de Klein fizeram a conexão e ele de repente se chocou.
Para os Falcões Noturnos que não conheciam o “método de atuação”, alguém como a Medium Espiritual Daly era um gênio, um exemplo que um membro comum não podia imitar. Portanto, ninguém suspeitava que a experiência de Daly e outros pudesse ser adaptada para seu próprio uso.
Mas para aqueles que conheciam o “método de atuação”, isso seria extremamente estranho!
Klein acreditava que, na longa história da Igreja da Deusa da Noite Eterna, Médium Espiritual Daly definitivamente não era o primeiro membro a ter usado o “método de atuação” para digerir rapidamente as poções de sequência baixa. Ela pode nem estar entre os top dez ou top cinquenta!
Isso não faz sentido. A menos que Daly não entendesse o “método de atuação” sozinha, mas tivesse a orientação de outras pessoas… Então, pode-se concluir que todo membro da Catedral Sagrada segue as crenças do passado, acreditando na experiência de seu antecessor, e não ousando se rebelar contra seus ensinamentos. Afinal, rebelião implicaria a perda de controle na maioria das vezes… Sim, além dessa explicação, há outra possibilidade. Os superiores da igreja ocultaram o “método de atuação” por algum motivo…
Preciso folhear alguns registros e procurar exemplos de Beyonders da Igreja da Deusa da Noite Eterna digerindo rapidamente suas poções, bem como seu resultado final… — pensou Klein com uma máscara de solenidade.
Daxter olhou para ele, esperou alguns minutos e perguntou curiosamente:
— Oficial, há algum tipo de problema com as ações de Hood Eugen?
— Por enquanto, não. É que isso me fez pensar em outros assuntos — respondeu Klein, sorrindo. Ele deixou suas suspeitas de lado.
Em vez disso, ele perguntou:
— Houve alguma ação dos Alquimistas da Psicologia recentemente?
— Fora uma pequena reunião em Awwa para trocar itens e experiências, não — respondeu Daxter honestamente.
Klein assentiu levemente e fez outra pergunta:
— E a sua própria situação?
Daxter controlou sua expressão quando respondeu:
— Não muito boa. Ainda ouço alguns delírios e tenho algumas ilusões. Se não fosse um médico especializado em saúde mental, poderia até pensar que tenho algum tipo de distúrbio.
Enquanto falava, seu rosto ficou solene. — Eu segui as instruções de Hood Eugen para ignorar essas ilusões e delírios, o que me fez sentir muito melhor; mas eles ainda afetam meu sono, e eu me tornei mais irritado e temperamental. Não me sinto como eu, sinto como se um novo eu está crescendo a partir de dentro, ou talvez possa ser descrito como um novo personagem. Estou muito preocupado e aterrorizado com o fato de poder um dia subitamente perder o controle.
Como previ, nem precisei divinar para ver isso acontecer… — Depois de se preparar para isso, Klein sorriu e disse:
— Você não precisa se preocupar, é um membro subsidiário dos Falcões Noturnos agora. Há benefícios para você. Como uma organização antiga, dominamos muitos métodos para evitar que perca o controle. Não é cem por cento eficaz, mas definitivamente o ajudará.
— Além disso, estou disposto a compartilhar com você minha experiência pessoal. Você deve saber que o homem diante de você precisou de apenas um mês para se livrar das correntes das ilusões e delírios, e elas não ressurgiram. Você deve saber de Hood Eugen e seu grupo que isso é muito difícil.
Para o Telepata Sequência 8, Klein se gabou um pouco.
— Oficial, há um pouco de mentira no que você disse, mas a maior parte é verdade — disse Daxter de repente, calmo. — O que você quer de mim?
É difícil mentir para um Espectador…— Klein respondeu com um sorriso:
— Não é algo que só eu quero.
A senhorita Justiça também quer.
Claro, ele sabia que Daxter definitivamente assumiria que o esquadrão dos Falcões Noturnos queria algo.
— Se seu método é realmente eficaz, e os itens ou informações que você deseja estão ao meu alcance… — Daxter ponderou suas palavras enquanto falava.
— Eu lhe darei as vantagens com antecedência — disse Klein diretamente. — Queremos a fórmula Telepata.
Ele não iria esconder a fórmula da poção, mas contaria ao Capitão. Ele diria ao Capitão que Daxter a usou em troca de sua experiência pessoal em controlar a poção.
Durante o procedimento, Klein definitivamente verificaria a fórmula e “acidentalmente” a memorizaria.
Além disso, ele usaria o fato de ter usado sua experiência pessoal em troca da fórmula para ganhar mérito com os Falcões Noturnos.
Nessa altura, com seus méritos anteriores, ele pode nem precisar fazer esforço extra para solicitar a fórmula Palhaço e os ingredientes principais.
Uma fórmula por duas transações sei la, uma boa barganha… — pensou Klein alegremente.
Daxter olhou nos seus olhos e ficou quieto por um tempo antes de dizer:
— Você é muito franco… vou tentar o meu melhor para obter a fórmula, mas não tenho certeza de quanto tempo vai demorar. Se ficar muito perigoso, espero poder substituí-la por outra coisa.
— Sem problema. — Klein não pretendia forçar o pedido ao homem. Ele então descreveu o “método de atuação” vagamente. — A chave para resistir à perda de controle está no nome da poção, temos que compreender e aprender seu verdadeiro significado. Você não pode entendê-la completamente pensando nisso, deve ser entendida através da experiência. Por exemplo, como Espectador, você precisa entender que é apenas um espectador, não um ator. Como um Espectador deve agir é algo que você precisa descobrir por meio de tentativas e experimentações para deduzir os princípios exigidos. A partir daí, cumpra-o estritamente.
Daxter ouviu atentamente. Então, ele comentou:
— Essa é uma nova maneira de olhar para as coisas. Heh, estou disposto a usar a palavra “teoria” para descrever o que você acabou de dizer. Isso é como uma teoria de uma peça e ópera… eu vou tentar, e espero que ajude.
— Se realmente funcionar, farei o possível para obter a fórmula Telepata!
— Que a Deusa o proteja. — Klein desenhou uma lua carmesim em seu peito.
Klein não solicitou a fórmula da poção Psiquiatra também, porque sabia que era uma tarefa que Daxter não poderia concluir com sua posição atual. Ele poderia acabar o expondo se não fosse cuidadoso.
Assim, ele planejava dar um passo de cada vez, ajudando Daxter a alcançar uma posição mais alta nos Alquimistas da Psicologia lentamente.
Então, os benefícios a longo prazo seriam abundantes.
Klein olhou para fora através do olho mágico na porta, depois saiu rapidamente e virou-se para o pequeno campo de tiro designado aos Falcões Noturnos.
Ele entrou e trancou a porta. Seu rosto ficou sério mais uma vez. Enquanto estava pensando sobre a razão pela qual a Igreja da Deusa não havia desenvolvido o “método de atuação”, ele percebeu outra coisa que havia deixado passar!
Ele cometeu esse erro porque havia obtido dois fatores cruciais em ordem inversa. Isso o fez deixar de fazer uma consideração adicional.
A primeira questão foi que a família Antigonus foi destruída pela Igreja da Deusa da Noite Eterna.
A segunda questão era que a família Antigonus possuía a Sequencia Vidente, ou pelo menos a maior parte dela.
Como houve um longo período de tempo entre o momento em que Klein aprendeu os dois fatos, ele quase não os juntou. Por isso, ele ignorou algo que deveria ter sido bastante óbvio.
Como a família Antigonus havia obtido a maior parte do caminho da Sequência Vidente, como é possível que a Igreja da Deusa da Noite Eterna tenha recebido apenas a Sequência 9, Vidente?
Eles deveriam ter conseguido mais do que isso como espólios de guerra!
Se um membro da Ordem Aurora obteve a fórmula Palhaço do caderno mágico da família Antigonus, o que dizer da Igreja que destruiu toda a família Antigonus?
Mesmo que a família Antigonus estivesse bem preparada e escondesse suas coisas mais valiosas no pico mais alto da Montanha Hornacis, a Igreja da Deusa da Noite Eterna não deveria ter ganhado tão pouco. Eles foram os que mataram os membros da família Antigonus. Além disso, é possível fazer os mortos falarem!
Capítulo 143
Capítulo 143 – O tradutor em tempo real do Louco
Klein andou ao redor do pequeno campo de tiro enquanto refletia sobre a intenção da Igreja da Deusa da Noite Eterna em relação ao caminho Vidente.
Eles não querem que os Falcões Noturnos escolham esse caminho, ou não querem que Beyonders se tornem poderosos por esse caminho? Assim, eles apenas revelaram a poção da Sequência 9, Vidente, que é claramente de suporte? O Capitão também mencionou que a Catedral Sagrada pode ter as fórmulas subsequentes…
Não, eles nem forneceram os nomes das poções 8 e 7 nas informações confidenciais que li. Eles meramente descreveram as características de batalha de cada Sequência… Em outras palavras, eles não querem que os que estão sob eles percebam que a Igreja possui as fórmulas.
Existe a possibilidade de os Falcões Noturnos que escolherem esse caminho se tornarem “espíritos vingativos” para a família Antigonus e, assim, os superiores da Igreja tomaram uma decisão como essa?
Ou poderia haver algum outro motivo?
De repente, Klein sentiu-se incrivelmente desconfiado, com uma intensa cautela e vigilância, em relação aos superiores da Igreja. Ele começou a reconsiderar se deveria entregar abertamente o pedido especial para se tornar um Palhaço.
Se há algun segredo aterrorizante por trás disso, não estaria pulando no fogo por vontade própria? Francamente, não sou uma pessoa que pode ser colocada sob rigorosa investigação…
Mas a filial de Tingen entregou a fórmula da poção Palhaço à Igreja. Qualquer Vidente que soubesse disso iria querer avançar. Isso não é normal? A sequência 8 ainda é considerada uma sequência baixa, por isso não deve atrair muita atenção…
O único problema é que eu levaria apenas um mês para digerir completamente a poção e enviar uma solicitação especial. Se os superiores estiverem familiarizados com o “método de atuação”, eles serão capazes de perceber o que eu fiz imediatamente… Claro, tenho uma desculpa; eu conheço a Medium Espiritual Daly, afinal. Velho Neil, que é rigoroso em cumprir a máxima do Espreitador de Mistérios, também é meu amigo. A afirmação de que me inspirei neles e refinei o “método de atuação” não é muito difícil de acreditar.
Sim, até Daly recebeu atenção dos superiores apenas depois de mostrar sinais de digerir uma poção de Sequência 7 em três anos, e agora está sendo nutrida para se tornar uma futura arcebispa. Estar no nível de Palhaço não deve chamar muita atenção para mim, a menos que eu digira totalmente a poção Palhaço em alguns meses, dando a eles a confirmação de que eu realmente dominei o “método de atuação”…
Em outras palavras, candidatar-se à poção de Palhaço não é uma jogada arriscada. Posso continuar com esse plano, mas devo prestar atenção a isso no futuro. Hmm, terei que dar um passo de cada vez, vou fazer uma divinação em casa.
Klein se recompôs e tirou o revólver do coldre antes de continuar com sua prática e manutenção diárias de tiro.
A qualidade do revólver que obteve de seu colega de escola, Welch, era inesperadamente boa. Ele não ficaria surpreso se durasse por bastante tempo. Obviamente, ele teve que creditar Dunn e Leonard por ensiná-lo a cuidar de um revólver.
Para ser honesto, não importa se está danificado, pois é o tipo de coisa que posso pedir compensação. — Klein olhou para o alvo, guardou o revólver e saiu do Clube de Tiro.
Ele pegou o transporte público de volta para a rua Narciso número 2. Antes de chegar ao seu destino, ele viu uma jovem dama andando pela porta.
Esta dama estava com um vestido azul rendado, além de um chapéu de veludo fino. Era a colega de classe de Melissa, Elizabeth, que tinha um adorável rosto rechonchudo.
Ela se aproximou rapidamente quando viu Klein chegar, tirando o chapéu para revelar seu rosto alegre.
Ela parou por dois segundos antes de sorrir.
— Boa tarde, Sr. Moretti. Acho que você acabou de voltar da cidade de Lamud, certo?
Sinto muito, voltei de manhã…— Klein sorriu.
— Não, eu vim da rua Zouteland.
Sim, essa foi uma resposta muito honesta… — Ele riu para si mesmo.
Elizabeth congelou por um momento, depois disse com entusiasmo:
— Parece que me enganei. Vim te procurar porque queria lhe dizer que não tive aquele pesadelo na noite passada. Eu não sonhei mais com o cavaleiro de armadura preta! Foi exatamente o mesmo que o resultado da sua divinação!
Claro… aquele espectro foi completamente purificado pelo Artefato Selado 3-0782. Eu não poderia canalizar seu espírito, mesmo que estivesse lá, muito menos seu sonho… — Klein riu e respondeu gentilmente:
— Estou feliz que esteja livre de seus problemas. Também estou muito satisfeito com minha divinação de ontem.
— Obrigada, obrigada mais uma vez! Bem, tenho que ir agora, ainda tenho aulas à tarde. Tchau tchau, Sr. Moretti. Vou visitar Melissa quando tiver tempo~ — Elizabeth saiu alegremente, alugando uma carruagem ao lado da rua.
Quando a carruagem começou a andar, ela sorriu e pensou com orgulho:
Melissa definitivamente não sabe o quão bom seu irmão é…
…
Parece que minha explicação de agora foi inútil. As jovens preferem confiar em sua intuição e nas verdades que estão em sua mente… — Depois de ver Elizabeth embarcar na carruagem, Klein abriu a porta da casa e foi para o seu quarto.
Ele descansou um pouco antes de começar a consolidar tudo o que havia acontecido na semana anterior, incluindo as perguntas que ainda precisava resolver.
Depois de concluir a tarefa, ele queimou suas anotações, pegou o relógio de bolso e o abriu.
Duas e meia? Ainda faltam quinze minutos… — Vendo que ainda tinha tempo, Klein vestiu o terno mais antigo e foi para a Padaria Smyrin na rua Cruz de Ferro para comprar uma xícara de chá gelado da Sra. Wendy.
Ele bebeu seu chá quando voltou, depois selou seu quarto com uma barreira de espiritualidade às quinze para as três, deu quatro passos no sentido anti-horário e entrou no mundo acima do nevoeiro cinzento.
No tranquilo e antigo palácio, Klein conjurou um pedaço de pele de cabra e escreveu uma declaração de divinação: “Eu deveria obter a poção de Palhaço através dos Falcões Noturnos.”
Ele pousou a caneta, desembaraçou o pêndulo espiritual em seu pulso e o segurou firmemente com a mão esquerda, permitindo que o topázio ficasse suspenso logo acima do pedaço de pele de cabra. Então, recitou a declaração sete vezes. Seus olhos escureceram e o pêndulo começou a girar no sentido horário.
É uma resposta positiva, então é apropriado. Mas será difícil dizer sobre as sequências seguintes. Eu deveria desenvolver seriamente meu Clube de Tarô… — Klein fez outra divinação para confirmar a resposta.
Depois disso, ele tocou a estrela vermelha escura representando o Sol.
Ele queria trazer o joven da Cidade de Prata cedo e perguntar se ele revelou o que havia acontecido neste mundo ao conselho de seis membros. Se não tivesse, Klein daria a ele uma maneira melhor de saber a que horas as reuniões começariam.
Em uma sala da casa dos Berg na Cidade de Prata.
Derrick se sentou silenciosamente ao lado de sua cama, esperando a convocação do Louco.
Para evitar estar perto de alguém, ele nem saiu de casa depois que “voltou”. Ele quase terminou toda a comida que havia em sua residência.
Suportando a fome e ouvindo os grunhidos de seu estômago, Derrick sentiu como se fosse um cadáver vivo vagando por uma planície escura. No entanto, ele permaneceu calado e nem se levantou.
Naquele momento, ele viu uma cor vermelha escura se espalhar no ar, engolindo-o rapidamente.
O mundo cinzento, sem limites, frio e solitário apareceu em seu campo de visão mais uma vez. Sentado no assento da honra, o Louco, obscurecido pela espessa neblina, apareceu à sua frente mais uma vez.
Klein estava satisfeito por sua “convocação” não ter sido interrompida. Ele também confirmou que não enfrentou nenhum perigo imediato.
— Sol, nos encontramos novamente — disse ele sorrindo, usando Jotun.
Derrick ficou chocado com o que tinha acontecido. Ele abaixou a cabeça.
— Você é um Louco que mantém sua palavra.
— Os outros membros chegarão daqui a pouco. Antes disso, vou confirmar algumas coisas com você. — Dessa vez, Klein usou a língua Loen, mas desejou que o espaço misterioso a traduzisse para Jotun.
As palavras ecoaram no ar, chegando a Derrick em Jotun. Ele perguntou curiosamente:
— Qual o problema?
Bem, agora que adquiri um certo grau de domínio sobre Jotun, o espaço misterioso acima do nevoeiro cinzento pode traduzir o que eu digo em tempo real. Isso significa que não terei que me preocupar com Justiça e o Enforcado não entendendo o que Sol diz… Hmm, por que um chefe como eu tem que trabalhar tão incansavelmente? — Klein beliscou a ponte do nariz. Ele riu, balançando a cabeça.
— Vou permitir que você recite meu nome; lembre-se dos encantamentos que vou lhe contar.
— O Louco que não pertence a esta época, o misterioso soberano acima da névoa cinzenta; o Rei do Céu e da Terra que brande a boa sorte.
As pupilas de Derrick se contraíram quando ouviu isso, mas ele não se atreveu a se distrair. Ele recitou repetidamente em seu coração, e depois ainda confirmou com o Louco.
— Você terá que fazer um ritual simples e recitar meu nome quando voltar à Cidade de Prata… eu o notificarei com antecedência para futuras reuniões. Você não precisa prestar muita atenção a isso em outros dias, nem precisa evitar esta próximo de alguém. Quando receber minha notificação, isole-se dentro de mil batimentos cardíacos. — Klein disse a ele o método que vinha pensando sobre há algum tempo.
Isso era essencialmente uma resposta a uma oração.
Como tinha que considerar a situação em relação à Cidade de Prata, além de economizar tempo, Klein optou por omitir os outros passos do ritual, já que era um apelo dirigido a ele.
— Mil batimentos cardíacos? — murmurou Derrick para si mesmo.
Klein descreveu a ideia geral do Clube de Tarô a Derrick, depois pegou o relógio de bolso e olhou as horas.
Derrick congelou por um tempo, olhando instintivamente para o maravilhoso item.
Quando as três horas se aproximaram, Klein estendeu a mão e tocou nas estrelas vermelhas escuras representando a Justiça e o Enforcado.
Derrick não piscou ao testemunhar isso. Ele viu a luz irromper em frente e ao seu lado, e duas figuras nebulosas se estenderem.
Audrey Hall examinou o ambiente e de repente congelou. Ela então ouviu a voz sempre calma do Sr. Louco.
— Este é o nosso mais novo membro, seu codinome é Sol.
— Esta é a senhorita Justiça, e esse é o Sr. Enforcado.
Novo membro? — Audrey ficou chocada no começo, depois o choque imediatamente se transformou em alegria.
Ela ficou muito animada ao ver o desenvolvimento do Clube de Tarô, se sentindo como uma protagonista.
O Enforcado Alger franziu as sobrancelhas, um pouco chateado que o Louco apresentou um novo membro tão de repente.
Ele poderia pelo menos ter mencionado isso para nós… Mas uma grande figura como o Sr. Louco não teria que se preocupar com nossos sentimentos… — Ele pensou exasperado antes de dar uma simples saudação a Justiça e ao Sol.
Nesse curto processo, Audrey entrou em estado de Espectador e prestou muita atenção ao mais novo membro, Sol.
Ele deve ser bem jovem… Sua linguagem corporal me diz que está um pouco nervoso e contido… Mas mantém um ar tolerável de silêncio, dando a sensação de, hmm, um lobo solitário… sim, um lobo solitário… — pensou Audrey enquanto olhava para o Louco, sentado no final da longa mesa de bronze.
Ela disse com alegria:
— Sr. Louco, encontrei mais duas páginas do diário do Imperador Roselle.
Capítulo 144
Capítulo 144 – Acordo de três vias
Na verdade, havia três páginas, mas os caracteres eram muito complicados e difíceis de memorizar. Meu limite é de pouco mais de duas páginas, eu me confundiria se memorizasse mais que isso. O resto terá que esperar até a próxima reunião… — acrescentou Audrey em sua mente.
Novas páginas do diário de Roselle? — A mente de Klein se agitou. Ele sorriu e perguntou, já sabendo a resposta:
— Senhorita Justiça, do que você precisa?
Os olhos de Audrey brilharam de animação, mas ela respondeu de uma maneira reservada:
— Você sabe que em breve vou digerir completamente a poção Espectador. Espero conseguir a fórmula da poção Telepata para poder preparar os ingredientes com antecedência. Hmm, eu sei que não há muito conteúdo para duas páginas do diário, e pode não ser igual ao valor da fórmula Telepata, por isso lhe darei outra página… hmm, também pagarei uma soma de dinheiro…
Ela ainda estava para terminar o que dizia quando de repente sentiu que tinha se expressado mal. Ela não pôde deixar de se repreender mentalmente:
O Sr. Louco é, no mínimo, uma figura importante que se aproxima da de um deus, como poderia ser comprado por dinheiro?!
Por isso, Audrey não conseguiu manter seu estado de espectador, e acrescentou apressadamente com um gaguejar:
— Não foi isso que eu quis dizer! Sr. Louco, o que eu quis dizer é que você pode determinar a compensação que deseja. Sim, foi isso que eu quis dizer!
Eu gosto da sua sugestão anterior… Eu responderia assim: Quando digerir completamente a poção Espectador, você receberá a fórmula de que precisa. Eu tenho um subordinado, não, tenho que usar a palavra “adorador” que soa mais impressionante. Ele está lidando com alguns assuntos que exigem dinheiro, e esta é sua conta anônima no Banco de Backlund… Sim, então vou me disfarçar e fazer uma conta anônima no Banco de Backlund. — Klein não respondeu imediatamente, mas ponderou suas palavras cuidadosamente com uma expressão insondável.
O Banco de Backlund era um dos sete principais bancos do Reino Loen e, como tal, possuía o direito de liberar transações.
O Reino Loen estabelecia contas com recibos para cuidar dos negócios de transferência de dinheiro entre bancos dentro da mesma cidade de maneira centralizada. No entanto, diferentemente dos bancos da República Intis, nem todos os bancos faziam parte da mesma liga. Os sete maiores bancos mantinham esses direitos. Por isso, eles eram chamados de bancos de compensação, fazendo com que outros bancos necessitassem deles.
Transferência de dinheiro de um local diferente, por outro lado, só poderia ser feita no mesmo banco. Isso seria completado por pagamentos entre filiais. Com a invenção da locomotiva a vapor e do telegrama, a eficiência dessas transferências foi drasticamente aprimorada.
Nesse momento, Sol, Derrick Berg, de repente falou.
— A fórmula da poção Telepata? Telepata que segue para Analista de Psique?
Audrey olhou para ele, intrigada. — Você sabe sobre isso?
Ao mesmo tempo, a Srta. Justiça notou um problema através de seu instinto de Espectador.
O jovem usou o antigo título “Analista de Psique” em vez do termo moderno “Psiquiatra”!
Esse sujeito é muito estranho… — Audrey examinou todos os movimentos de Sol.
Derrick não achou que tivesse se comportado de maneira diferente, e respondeu seriamente:
— Eu posso lhe dar a fórmula!
Então, ele se sentiu culpado por não poder fornece-la imediatamente. Ele tentou o seu melhor para se explicar:
— É um caminho de Sequência que se originou da raça dos Dragões. E nossa Cidade de Prata já foi governada pela família imperial do Rei Gigante. Como sabe, Gigantes e Dragões são inimigos mortais. Portanto, a Cidade de Prata possui todas as Sequências 9, 8 e 7. Eu tenho maneiras de obtê-las.
Esse jovem… Eu já o avisei para não falar sem cuidado nem expor suas origens. No final… — Klein queria estender a mão para cobrir seu rosto.
Ai ai, embora Sol pareça estar em muita dor, sendo muito maduro e silencioso para sua idade, ele é apenas um garoto! No entanto, isso esclarece uma coisa… As origens da Sequência Espectador derivam da raça dos Dragões. Não é de admirar que o símbolo formado por estrelas atrás da cadeira da senhorita Justiça seja um Dragão… A Cidade de Prata preservou bem a história… — Klein manteve a postura de recostar-se no encosto da cadeira, enquanto ouvia atentamente a descrição de Sol.
Na verdade, ele poderia facilmente ter impedido Sol de expor essas coisas. Desde que ele não ajudasse na tradução simultânea, Justiça e o Enforcado não o teriam entendido.
No entanto, Klein adotou uma abordagem diferente. Ele achava que isso poderia ajudá-lo a consolidar efetivamente sua imagem poderosa e misteriosa na mente dos três membros. Por isso, ele escutou com um sorriso e não emitiu som algum.
Rei Gigante, raça dos Dragões, a Cidade de Prata… — Audrey ficou confusa. Ela primeiro olhou para o Enforcado à sua frente, mas percebeu que ele também estava chocado e confuso por sua linguagem corporal.
Ela olhou de soslaio para o assento da honra na longa mesa de bronze. Ela viu o Louco sentado na cadeira alta, envolto em uma espessa névoa branca acinzentada. Seu braço direito estava no apoio de braço enquanto ele se inclinava para o lado com calmo. Ele não mostrou choque, curiosidade, pensamentos nem dúvida. Ele apenas olhou para eles com um sorriso.
Ele sabe… Ele sabia tudo isso… — Audrey e Alger fizeram o julgamento definitivo quase ao mesmo tempo.
— A Cidade de Prata, nunca ouvi falar nesse lugar… Onde fica? — Audrey sondou enquanto Alger ouvia atentamente.
Naquele exato momento, a cabeça de Derrick Berg também estava cheia de perguntas. Ele sabia que, fora o divino Louco, Justiça e o Enforcado eram algum tipo de Beyonder.
Na Terra Abandonada pelos Deuses, fora as pessoas da Cidade de Prata, Derrick nunca tinha visto outro ser humano vivo.
Então, ele respondeu:
— Se voces não são residentes da Cidade de Prata, de qual cidadeestado vocês são?
Ai ai… — Klein não pôde deixar de desejar suspirar novamente.
Audrey tremeu os lábios, momentaneamente sem palavras.
Sim, o significado oculto por trás da pergunta é, se você não quiser responder uma pergunta semelhante, não se intrometa sobre onde a outra pessoa mora… — Senhorita Justiça assentiu fracamente e, elegantemente ficou quieta.
Obviamente, Alger também não entendeu as intenções do Sol. Ele não sabia que a outra pessoa estava realmente apenas perguntando diretamente. Então, ele também ficou quieto.
Quando Derrick não recebeu nenhuma resposta, ele pareceu perceber o que estava acontecendo. Ele não retomou o assunto, mas disse:
— Vou tentar obter a fórmula da poção Telepata o mais rápido possível. Eu gostaria de usá-la para trocar pela Sequência inicial do caminho Sol.
— Caminho de Sequência Sol? Sequência 9 Bardo? — perguntou Alger em resposta.
Derrick pensou e disse:
— Provavelmente, mas me faltam informações sobre ela.
Klein, que estava assistindo de lado, decidiu se envolver, porque não queria arriscar que ninguém roubasse seus negócios.
Ele sorriu e disse:
— Eu acredito que a senhorita Justiça não possui a fórmula de Bardo.
Mas o Sr. Enforcado parece ser capaz de obtê-la…
Vendo Audrey assentir, Klein continuou com um leve sorriso:
— Eu darei a fórmula de Bardo ao Sol. Sol passará a poção Telepata para a senhorita Justiça o mais rápido possível. Tente fazêlo nas próximas duas reuniões. Senhorita Justiça, por favor, me passe as novas páginas do diário de Roselle. Então, o acordo está feito.
— Sim, de acordo com a lei da troca equivalente, Sol está do lado menos lucrativo dessa transação, mas, por agora, ele apenas fez uma promessa. Quando realmente fornecer a fórmula de Telepata, senhorita Justiça pode pensar novamente em como compensá-lo, ou eu o compensarei enquanto senhorita Justiça fornece dinheiro a um dos meus adoradores que precisa fazer algo. Heh heh, é porque Sol pode não ser necessariamente capaz de receber dinheiro ou ingredientes da senhorita Justiça como compensação.
Klein intencionalmente acrescentou a declaração final para redirecionar o foco do Enforcado e da Justiça para o fato de que Sol talvez não seja capaz de receber sua compensação. Ele também o fez para se colocar em uma posição misteriosa e poderosa; então, todos ignorariam o adorador sem dinheiro.
Pode não necessariamente receber a compensação… Onde exatamente está o Sol? No Continente Sul? — Alger de repente franziu as sobrancelhas.
A origem do Sol também é misteriosa… Como esperado, o Sr. Louco realmente tem subordinados — Audrey finalmente viu esperança de se tornar uma Telepata, Sequência 8. Ela suprimiu sua empolgação e deu um leve sorriso ao dizer:
— Não tenho objeções.
— Nem eu. — Derrick assentiu sem hesitar quando viu que poderia obter a sequência inicial do caminho Sol. Ele não se importava com a compensação adicional.
Alger, que estava fora do acordo dos outros três, não tinha o direito de falar. Embora pudesse obter a fórmula de Bardo, ele também precisaria esperar uma ou duas semanas.
Naquele momento, Klein, que havia adiado com êxito a compensação para a próxima reunião, ou a seguinte, dirigiu a palma da mão para a frente alegremente, fazendo com que a fórmula de Bardo aparecesse.
“Ingredientes principais: um girassol de cristal ou uma pena de cauda de um pássaro de pederneira adulto ou uma pena de cauda de Pássaro de Fogo… Um pedaço de Pedra Siren ou um Girassol Cantorolador.”
“Ingredientes suplementares: uma folha de grama de solstício de verão, 5 gotas de suco de vinho de julho, uma folha de Folha de Efo Negro.”
Ele enviou a formula para Sol e viu o jovem primeiro enrugar as sobrancelhas e depois relaxar.
Sim, os ingredientes na Terra Abandonada pelos Deuses ainda são conhecidos por seus nomes antigos. Felizmente, minha fórmula foi obtida diretamente do Eterno Sol Ardente. O conhecimento que adquiri usava nomes antigos e várias substituições… — De repente, Klein lançou um olhar de realização para a senhoria Justiça.
Audrey olhou para Sol, que estava memorizando a fórmula, e rapidamente desejou as duas páginas do diário que havia memorizado.
O diário apareceu imediatamente na pele de cabra marromamarelada e, com um flash, apareceu nas mãos de Klein.
Como antes, ele começou a ler imediatamente.
“3 de Novembro, Matilda agora está grávida de três meses. Acho até as criadas que vêm das aldeias lindas. Não, não posso baixar meus padrões. Coincidentemente, condessa Florais me convidou para participar de uma festa particular, hehe.”
“8 de novembro, arcebispo Fan Estin procurou por minha ajuda. Huh, o que posso fazer por um arcebispo?”
“9 de Novembro, acontece que na verdade há um segredo oculto nos caminhos de Sequência. Arcebispo Estin me disse que depois de se tornar um Beyonder Sequencia 5, o restante das Sequências poderiam ser substituidas por Sequências do mesmo nível de um ou dois outros caminhos! Em outras palavras, começa da Sequência intermediária para a Sequência alta! Mas isso é limitado apenas entre esses um ou dois caminhos. Se for substituída por uma poção de um caminho errado, semi-insanidade é o resultado mais moderado e não se poderá mais avançar.”
“Desta forma, pode-se começar a substituir os caminhos de Sequência 4 em diante. Caminhos Sem Sono e Coletor de Cadáveres. Sim, os caminhos Sábio e Espreitador de Mistérios da
Igreja também podem substituir um ao outro em alta Sequência.”
Capítulo 145
Capítulo 145 – Pedido de Cooperação
Algumas sequências são permutáveis após a sequência 5? Isso é diferente do que os Falcões Noturnos me disseram!
Não é fato que não se pode mudar sua sequência depois de ter escolhido? Não foi mencionado que divergir da própria Sequência permitiria obter poderes estranhos e misteriosos, mas também definitivamente ficaria louco e nunca mais seria capaz de avançar?
Em pensar que existem algumas exceções secretas para isso!
Klein olhou para o diário, suas pupilas contraídas.
Ele não achava que o Imperador Roselle falaria bobagens sobre esse assunto. Afinal, a surpresa em suas palavras parecia bem real. Mas ele não assumiu que as informações que o Imperador Roselle havia recebido estavam definitivamente corretas. Havia também a possibilidade de terem mentido para ele, ou ainda ter interpretado mal as informações recebidas.
Vou precisar verificar isso, mas primeiro decorar… — lembrou Klein a si mesmo, depois pensou profundamente sobre o assunto.
Se o que Roselle descreveu aqui está realmente correto, os caminhos de Sequência são mais profundos do que eu imaginava… Há vários segredos ocultos…
A Sequência completa possuída pelos Falcões Noturnos é Sem
Sono. Eles também possuem um caminho relativamente completo, Coletor de Cadáveres, que eles têm até a Sequência 4. Em pensar que são permutáveis após a Sequência 5… Os outros caminhos de poções que eles têm são ainda menos completos, pois alguns possuem apenas a primeira Sequência…
Da mesma forma, a Igreja do Deus do Vapor e Maquinaria possui o caminho completo de Sábio, e um caminho relativamente completo da Sequência Espreitador de Mistérios, que também podem ser trocados em Sequências altas…
Interessante… me pergunto qual Caminho de Sequência é permutável com o caminho Vidente? Aprendiz ou Saqueador que foi mencionado pelo Imperador?
Hmm, existe uma grande possibilidade de que os cinco primeiros caminhos de Sequência do caminho de Vidente ofereçam uma habilidade separada e que essas habilidades sejam combinadas na Sequência 4. Nesse estágio, não deve haver maneira de trocá-lo com outra poção… — Klein retraiu seus pensamentos, mais uma vez colocando sua atenção no diário.
Ele percebeu que, embora as duas páginas do diário estivessem conectadas, o conteúdo não estava em ordem cronológica. As datas pertenciam a dois períodos diferentes. Isso pode ser um erro cometido por quem copiou seu conteúdo.
“9 de abril. As relações entre a Igreja do Eterno Sol Ardente, a Igreja do Senhor das Tempestades e a Igreja do Deus do Conhecimento e Sabedoria são ruins. Eles se vêem como inimigos. A Igreja da Deusa da Noite Eterna está em conflito com a Igreja do Deus do Combate do Império Feysac. Isso pode ser aproveitado como uma vantagem; esses são fatos que vale a pena considerar.”
“13 de abril. Participei de um encontro de uma antiga organização. Nunca esperei que eles também fossem membros dessa
organização. Com certeza foi assustador.”
“Em pensar que a segunda Ardósia da Blasfêmia estava nas mãos desta organização. É a primeira vez que vejo esse item lendário!”
“De fato, estava escondendo um segredo inimaginável, hehe. Talvez chegue um dia em que eu crie uma Ardósia da Blasfêmia especialmente para mim. Não, um conjunto delas, cada uma escondendo um segredo final!”
Puta merda, Imperador, por que você não especificou o nome dessa organização antiga? Você está me matando! Talvez…Talvez,
Roselle tivesse um motivo ou não se atrevesse a escrever o nome da organização, mesmo que estivesse usando chinês… — Klein olhou para o diário, um pouco desconfortável, mas intrigado.
Mas com esta página do diário, Klein finalmente pôde confirmar que o Imperador Roselle havia visto a segunda Ardósia da Blasfêmia. Além disso, ele criou um conjunto de cartas depois disso, cada uma representando um caminho para a divindade.
Sim, esse pode ser o segredo final que corresponde a cada caminho para a divindade. Onde estaria o conjunto de vinte e duas cartas agora? Aquela organização antiga conseguiu obter a segunda Ardósia da Blasfêmia… — Os pensamentos de Klein fluíram rapidamente.
Mas ele rapidamente controlou seus pensamentos, desviou o olhar do diário e o apontou para o Enforcado, Justiça e Sol. Ele sorriu e disse:
— Na verdade, vocês não precisavam esperar por mim.
— A honra é nossa. — Alger já havia reprimido sua insatisfação ao responder humildemente.
Audrey pensou por um momento antes de sorrir.
— Sr. Louco, a seleção aberta para funcionários públicos através de exames que você mencionou anteriormente já conquistou o apoio do rei e do Primeiro-Ministro. Em breve será aprovada pela Câmara dos Lordes e pela Câmara do Povo, e está prevista para ser implementada no início do próximo ano.
— Parece que o Rei e o Primeiro-Ministro ainda usam o cérebro — brincou Alger por hábito.
Bem, com o intelecto e diligência de Benson, suas habilidades gramaticais e contábeis devem ser passáveis no início do próximo ano… mas, uma vez aprovada pelas duas Câmaras, será definitivamente anunciado amplamente pelos vários jornais. Me pergunto quanto tempo a vantagem de Benson vai durar? Quanto mais cedo o exame, melhor…
Hmm, não há como Benson triunfar sobre as elites que se formaram nas várias universidades em um período tão curto de tempo. Mas ele não precisa competir contra eles; as posições pelas quais lutam não seriam as mesmas. Essas pessoas podem ter apenas como alvo posições como secretário do gabinete ou secretário de finanças… — O silencioso Klein preocupou-se com seu irmão enquanto balançava a cabeça com um sorriso.
Audrey arrumou sua postura quando viu o aceno afirmativo do Sr. Louco. Ela disse com um sorriso:
— Sr. Enforcado, você me pediu para verificar algo anteriormente. Recebi uma resposta. O Rei foi convencido pelo Primeiro-Ministro e não tentará se vingar do Império Feysac por enquanto, na Costa Leste de Balam. Acho que agora você pode me dar o pagamento extra que prometeu.
Alger pensou por alguns segundos antes de dizer:
— Senhorita Justiça, obrigado por sua resposta. Isso diminui minhas preocupações sobre certos assuntos. Que tipo de pagamento extra você deseja? Vou considerar se for dentro do razoável.
Audrey sorriu, obviamente preparada.
— Pistas sobre os Alquimistas da Psicologia, ou pistas para os principais ingredientes da poção Telepata. É claro, isso pode esperar até que o Sol me entregue a fórmula.
— Sem problemas — respondeu Alger sem hesitar.
A dois lugares do Enforcado, Derrick Berg não conseguia entender uma única palavra. Ele estava muito confuso, sentindo que só havia conseguido compreender alguns termos, mas não conseguia assimilá-los para formar qualquer sentido lógico.
Um método de seleção de funcionários públicos através de exame? Um Rei e Primeiro Ministro, Câmara dos Lordes, Câmara do Povo,
Costa Leste de Balam, Império Feysac, Alquimistas da Psicologia? — Ele não entendeu nada disso.
Feysac, a raiz da palavra parece vir do Jotun. Que conexão tem com a família imperial do Rei Gigante Caído? — Derrick olhou para a Justiça e o Enforcado, subitamente sentindo não era possível terem vindo do mesmo mundo.
Poderia haver outra cidade-estado, ou uma que tivesse formado uma nação, em algum lugar distante da Cidade de Prata, nas terras amaldiçoadas? — Derrick permaneceu calado, ouvindo. Ele tinha uma leve suspeita do motivo pelo qual o misterioso Louco mencionou que talvez não pudesse receber a compensação monetária que Justiça lhe daria.
Para poder reunir pessoas tão distantes umas das outras, desconsiderando os monstros aterrorizantes que se escondem na escuridão das terras amaldiçoadas, o Louco pode realmente ser um deus, um deus antigo… — ele pensou.
Depois de realizar tudo o que pretendia fazer, Audrey queria se tornar uma observadora silenciosa, mas de repente se lembrou de algo. Ela falou com pressa:
— Entrei recentemente em contato com um círculo social de Beyonders e descobri uma pessoa poderosa chamada Sr. A. Sr. Louco, Sr. Enforcado, Sr. Sol, vocês conhecem o histórico e a identidade dessa pessoa?
Eu nem sei do que você está falando… — Derrick manteve seu silêncio.
Sr. A? Eu só conheço um Sr. Z… Com um codinome semelhante assim, será que ele também faz parte da Ordem Aurora? — Klein fez um palpite, mas não respondeu.
Ele tinha que manter sua imagem e tentar não dar respostas nas quais não estava confiante. Se precisasse, daria uma descrição vaga, como um charlatão.
Alger olhou para o Louco e o encontrou calmo e imutável. Era difícil saber seus verdadeiros pensamentos. Assim, ele disse depois de pensar:
— A Ordem Aurora está em conflito com a Igreja do Senhor das Tempestades, a Igreja do Eterno Sol Ardente e a Igreja do Deus do Conhecimento e Sabedoria, então, os membros dessas Igrejas entendem a Ordem Aurora mais do que qualquer outra organização. E eu sei algo sobre eles.
Você não precisa explicar, eu sei que você acredita no Senhor das Tempestades. Claro, você poderia ser um delator… Mas por que haveria ódio entre a Ordem Aurora e as três Igrejas antigas? — Klein sorriu, mas manteve seu silêncio. Ele olhou calmamente para o Enforcado.
Alger sabia que não conseguia esconder seu caminho de Sequência do Louco, mas não prestou muita atenção nisso e continuou.
— A Ordem Aurora tem cinco Santos e vinte e dois oráculos. Esses oráculos usam o alfabeto como codinome, do Sr. A ao Sr. X. Eles são Beyonders, sendo que o mais fraco é de Sequência 7, e o mais forte de Sequência 5. Eles são todos hábeis em se esconder. Se um Oráculo morrer, um novo Oráculo tomará seu lugar.
— Não posso garantir que o Sr. A de quem você falou seja o Sr. A da Ordem Aurora, mas há uma boa possibilidade. Quanto aos detalhes da Ordem Aurora, já mencionei isso antes.
Audrey assentiu, ficando ainda mais cautelosa com o Sr. A.
Ela disse, sentindo um pequeno aperto no coração:
— Obrigado por sua resposta, Sr. Enforcado. Você não precisa mais pagar.
— Não, desejo pedir sua ajuda com a resposta de agora, além de fornecer uma compensação extra — disse Alger com uma voz profunda.
— Que ajuda? — perguntou Audrey curiosamente.
Alger pensou por alguns segundos antes de dizer:
— Recebi informações de que o pirata Qilangos, codinome ContraAlmirante Furacão, secretamente entrou em terra e se infiltrou em Backlund. Não sei o que ele está fazendo, mas espero que você possa me ajudar a localizar seu paradeiro. Quanto à situação subsequente, você não precisa se colocar em perigo.
— Contra-Almirante Furacão Qilangos? Um dos sete grandes piratas-almirantes? — Audrey arregalou os olhos, quase incapaz de manter seu estado de Espectador.
O que ela mais queria fazer depois de se tornar uma Beyonder? Era, é claro, interagir com as pessoas que só existiam nas fábulas dos nobres!
— Sim, ele é um Beyonder de Sequência 6, do caminho Marinheiro, um Abençoado pelo Vento. Ele também tem um item milagroso que pode ser classificado como um Artefato Selado. Ele é bastante astuto e cruel, não tente lidar com ele — Alger apresentou o homem a sério.
De repente, ele se virou para Klein.
— Sr. Louco, posso pedir ao seu adorador que me ajude no momento crítico? Posso pagar um preço que lhe interesse.
O único adorador que tenho sou eu mesmo… — Klein brincou para aliviar suas emoções enquanto sorria.
— Isso é baseado na premissa de que meu adorador esteja em Backlund.
— Tudo bem. — Alger desviou o olhar, um pouco decepcionado, mas também um pouco ansioso.
Capítulo 146
Capítulo 146 – Fome Rastejante
— O que há de tão especial no item mágico de Qilangos? — perguntou Audrey um pouco confiante.
Ela considerou cuidadosamente o pedido, e de repente percebeu que tinha certa capacidade para localizar pessoas em Backlund.
Primeiro, seu pai era um dos nobres mais ricos, com boas conexões e respeitável, enquanto ela também era bastante popular entre as gerações mais jovens. Portanto, na classe média alta da sociedade, ela tinha alguns recursos para aproveitar.
Em segundo lugar, os dois Beyonders que ela conhecia também tinham seus próprios círculos. A Aprendiz Fors era originalmente uma médica clínica, e agora era uma autora literária. Ela conhecia muitas pessoas no mundo literário e na indústria editorial, bem como entre os médicos de classe média.
A Árbitro Xio Derecha havia ajudado muitas pessoas da classe média baixa a coordenar e mediar disputas durante um bom tempo. Ela também era bastante famosa no burgo leste de Backlund, entre a classe trabalhadora e a máfia, tendo várias conexões secretas.
Além disso, considerando Beyonders que elas conheciam e seus círculos de influência, sua capacidade de procurar uma pessoa não deveria ser menosprezada.
Em relação à pergunta de Justiça, Alger respondeu quase imediatamente, sem hesitar ou pensar.
— Ninguém sabe o nome real do item mágico, mas as pessoas que entraram em contato com ele o chamam de “Fome Furtiva”. Qilangos usa a alma e a carne de uma pessoa viva para satisfazê-lo em dias alternados. Caso contrário, o item consumiria seu dono.
— Essa pode ser uma das pistas mais importantes para encontrar Qilangos — disse Audrey, franzindo as sobrancelhas.
Ela sentiu um desconforto total e um ódio extremo por qualquer item maligno que desejasse o sangue e a alma frescos de um ser humano vivo.
— Sim, mas em uma cidade grande com pelo menos cinco milhões de pessoas, alguns mendigos desaparecidos não seriam notado — lembrou Alger. — Desde que ele pôs as mãos na Fome Furtiva, Qilangos tem sido muito difícil de lidar.
— Originalmente ele era um Abençoado pelo Vento. Ele possui grandes poderes Beyonder em domínios relacionados à água, vento e ao clima. Mas, mais tarde, as pessoas perceberam que ele podia enlouquecer seus alvos, entrar nos sonhos dos outros, invocar luz para purificar uma alma morta, cantar para se fortalecer e mudar sua aparência… Não há quase nada que ele não possa fazer — descreveu Alger em detalhes. — Suspeitamos que esses são todos os efeitos que vieram do item mágico, Fome Furtiva…
Antes de terminar de falar, Derrick Berg, que estava ouvindo em silêncio, de repente soltou:
— Pastor!
Pastor? Sequência 5 do caminho de Suplicante de Segredos e Ouvinte? Hmm, entre o conselho de seis membros da Cidade de Prata, há um novo ancião que é um Pastor. Sol mencionou que ela é forte o suficiente para lutar contra alguém experiente de Sequência 4, ou talvez um espírito maligno do mesmo nível… — A expressão de Klein mudou um pouco, mas ele estava encoberto pela névoa cinza. Justiça também não estava prestando atenção nele.
— Pastor?
— Pastor?
Justiça e o Enforcado perguntaram em uníssono. Um parecia completamente confuso enquanto o outro parecia chocado, como se já tivessem ouvido o título de Pastor em outro lugar antes e soubessem algo sobre isso, mas não entendesse a situação real.
Vendo que todo mundo estava olhando para ele, Derrick de repente entrou em pânico. Por mais quieto, deprimido e exasperado que estivesse, ele era um garoto, afinal.
Ele apressadamente explicou gaguejando:
— O que eu quis dizer foi que os traços que o Enforcado descreveu eram como o poder de um Beyonder na Sequência Pastor. Todo Pastor pode engolir a alma de outra pessoa em seu corpo, incluindo aparições e espíritos malignos. Eles controlam essas almas para cumprir suas ordens com um método único, que lhes permite usar suas habilidades, como um deus deixando seus cordeiros pastarem.
— Portanto, ninguém sabe quantos poderes um pastor tem. Isso depende de quantas almas Beyonder engoliu, e isso os torna muito assustadores. Eles são quase como um Beyonder de alta Sequência.
— No entanto, existem pessoas que suspeitam que há um limite para o número de almas que um Pastor pode consumir e deixar pastar, e que as almas dentro deles também podem ser substituídas.
Então é isso que significa ser um Pastor… O caminho de Sequência que a Ordem Aurora tem em seu controle é enigmático… Não é à toa que eles adoram o Verdadeiro Criador, não, o Criador Caído… — As dúvidas de Klein foram subitamente esclarecidas, mas ele não assentiu, assumindo a aparência que conhecia há tanto tempo.
Enquanto isso, ele suspirou interiormente. — Sol, você é um garoto, afinal. Esta é uma informação muito importante, um conhecimento muito importante. Você poderia ter trocado por coisas valiosas, mas acabou de revelar tudo! Simples assim…
Sim, a habilidade demonstrada pelo item mágico Fome Furtiva é semelhante à Sequência 5 Pastor… Gostaria de saber se outros Artefatos Selados têm os mesmos poderes de Beyonders? Também gostaria de saber a qual Sequência o Artefato Selado 2-049, o fantoche da família Antigonus, se assemelha…
Depois de ouvir a explicação de Sol, Alger parecia ter resolvido o quebra-cabeça em sua mente enquanto assentia em silêncio.
Audrey ficou ainda mais curiosa e pressionou:
— De qual Caminho de Sequência pertence Pastor? Qual número?
— Caminho Suplicante de Segredos, Sequência 5. — Klein aproveitou a oportunidade para responder, a fim de demonstrar que sabia de tudo.
— Suplicante de Segredos… Ordem Aurora… — Audrey de repente se lembrou do Sr. A, suspeito de ser um Oráculo da Ordem Aurora, e ela imediatamente sentiu o coração pesado.
Ela começou a pensar seriamente, se perguntando qual preço poderia pagar em troca do Sr. Louco agir e se livrar daquele sujeito nojento sem muito esforço. No entanto, ela não conseguia pensar em nada que pudesse motivar o Sr. Louco a fazer tal coisa.
Como esperado, uma figura semelhante a um deus não seria facilmente motivada… Afinal, não há muitas coisas e assuntos que despertariam seu interesse… — Audrey suspirou.
Colocando seu impulso de lado, ela acenou com gratidão para o Sol, agradecendo por ter lhe dado uma nova perspectiva sobre Fome Furtiva, para que eles pudessem lidar com isso de maneira mais razoável e eficiente.
— Sr. Enforcado, estou disposta a aceitar a missão. Mas não posso garantir se posso encontrar o contra-almirante Furacão, Qilangos. — Audrey olhou para frente quando falou.
— Não há resposta melhor que essa. Independentemente do seu sucesso, contanto que você tente, definitivamente a compensarei com conhecimento ou informações secretas. E se você conseguir, talvez eu possa fornecer diretamente os principais ingredientes de Telepata. Obviamente, o pré-requisito é que precisamos saber quais são — prometeu Alger generosamente, o que era raro.
— Fechado — Audrey apertou os lábios e respondeu com um leve sorriso.
Então, Alger criou o retrato de Qilangos com a permissão e assistência de Klein.
Ele era um dos sete maiores almirantes piratas. Ele tinha um distinto queixo largo, cabelos castanhos amarrados em um coque na parte de trás da cabeça como um guerreiro antigo e olhos verdes que pareciam sugerir uma risada, mas que eram anormalmente frios.
Depois que terminaram a discussão e compartilharam suas ideias, Klein sorriu ao anunciar o final da Reunião. Ele viu Justiça e o Enforcado levantarem-se rapidamente de seus assentos e se curvarem enquanto o Sol imitava seus movimentos, apenas mais devagar.
Ele avançou com a mão direita e cortou a conexão, mas não saiu imediatamente do espaço acima do nevoeiro.
Na casa dos Berg, na Cidade de Prata.
Derrick olhou para o seu ambiente familiar e virou o olhar para o céu escuro onde havia o brilho esparso dos relâmpagos. Ele ficou momentaneamente em transe, mas logo voltou a si.
Ele procurou por pele de cabra e uma pena antes de escrever a fórmula de Bardo que havia memorizado, e olhou para a pele várias vezes e finalmente teve certeza de que não havia nada de errado.
Derrick não estava preocupado que possuir a fórmula de Bardo e se tornar um Beyonder diferente fosse ganhar a suspeita dos escalões superiores da Cidade de Prata. Isso porque em expedições exploratórias passadas, os membros dessas tropas de elite costumavam coletar algumas fórmulas, ingredientes e artefatos estranhos dos monstros nas cidades abandonadas e destruídas.
Durante esse processo, era normal que as pessoas mantivessem parte da pilhagem para si. Contanto que não envolvesse algo muito importante, os capitães e os superiores tacitamente ignorariam.
Com o tempo, algumas fórmulas começaram a circular por canais não oficiais na Cidade de Prata. Algumas se tornaram a base de fortes famílias de geração em geração. As Criaturas das Trevas ao redor da Cidade de Prata eram relativamente fixas. Alguns ingredientes poderiam ser obtidos facilmente, enquanto outros só poderiam ser encontrados se alguém fosse para longe, nas terras amaldiçoadas.
Deixando de lado a pele de cabra, Derrick lembrou as instruções do misterioso Louco. Por isso, em seu quarto simples, ele abaixou a cabeça e simplesmente orou:
— O Louco que não pertence a esta época.
— Você é o misterioso governante acima da névoa cinzenta.
— Você é o Rei do Céu e da Terra, que brande a boa sorte.
…
Jotun era uma língua bastante antiga, que vinha equipada com as propriedades místicas exigidas por rituais, orações e feitiços; portanto, Derrick não precisou mudar os encantamentos para Hermes antigo.
— O Louco que não pertence a esta época.
…
Klein, que estava sentado no lugar de honra na longa mesa de bronze, de repente ouviu orações ecoando em seus ouvidos. Ele então viu a estrela carmesim que correspondia ao Sol piscando.
Ele não tentou tocá-la, mas planejou responde-lo dez minutos antes da próximo Reunião, para que o joven da Cidade de Prata fizesse os preparativos necessários para ficar sozinho.
A parte mais importante era evitar a conversão de data e hora, para diminuir a possibilidade de danificar a poderosa imagem do Louco.
Depois de confirmar isso, Klein se envolveu com a espiritualidade e estimulou a sensação de queda.
Voltando ao seu quarto, Klein removeu a barreira de espiritualidade e fez uma pausa antes de se preparar para sair novamente.
Não era necessário que ele desempenhasse o papel de Vidente, e ele não precisava alocar suas idas ao Clube de Divinação em sua rotina. Ele só visitava ocasionalmente para ganhar algum dinheiro extra e cumprir sua supervisão como um Falcão Noturno.
Originalmente, Klein queria descansar a tarde inteira, mas de repente pensou em algo que ainda não tinha feito. Então, ele não teve escolha a não ser se recompor. De acordo com seu agendamento, ele tinha que fazer uma visita ao detetive Henry naquele dia e aceitar o relatório final sobre a investigação da chaminé vermelha.
Ai ai… Ouvi dizer que os figurões estão todos muito ocupados…
Ainda tenho tempo para ir à Assistência a Servos de Família de Tingen com Benson e Melissa em busca de uma boa criada… — Klein trocou de camisa mesmo contra sua vontade, vestiu seu smoking preto e segurou a cartola de seda e a bengala de prata antes de sair pela porta como um cavalheiro.
Na rua Besik, na Companhia de Detetives Particulares de Henry, Klein colocou uma máscara e abaixou o chapéu enquanto atravessava a rua rapidamente e entrava na escadaria.
Capítulo 147
Capítulo 147 – Visitante Noturno
No escritório do investigador particular.
— Senhor, seu pedido foi concluído — disse o detetive Henry ao cavalheiro à sua frente com sua voz rouca e deu um suspiro de alívio. — Esta não foi uma missão fácil, nem muito difícil, mas consumiu grande parte de nossos recursos e energia. Para ser sincero, estou um pouco arrependido. Me arrependo de ter definido um preço tão baixo para esta missão.
Não, não importa o que você diga, não pagarei nem um centavo a mais! — Klein enfatizou em seu coração. Ele apontou para a grossa pilha de documentos sobre a mesa de café e perguntou:
— Este é o relatório da investigação?
— Sim. — Henry pressionou o relatório que tinha pelo menos sessenta páginas e suspirou. — Este é o relatório mais problemático que já completei…
Ele nem tinha terminado a frase quando viu Klein entregar quatro libras em dinheiro. Seu foco mudou para determinar a autenticidade das notas.
— Este é o restante do valor — disse Klein, segurando a pilha grossa de notas.
Henry tossiu.
— Você com certeza é um cavalheiro que mantém sua palavra. Ai ai, Não esperava que o relatório de investigação usasse tantas folhas assim. Estava completamente fora do meu orçamento.
Naquele momento, Klein pegou o grosso relatório de investigação e se levantou.
Ele fez uma ligeira reverência e imediatamente foi até a porta com a bengala na mão deixando a última frase do detetive Henry presa em sua garganta.
Ei, como você espera que eu pague pelo papel usado no relatório de investigação? Isso já deveria estar incluído nas taxas! — Klein tocou as oito libras que ainda possuía e murmurou em seu coração. Ele então caminhou rapidamente para a rua Besik.
Examinando os arredores e confirmando que ninguém estava prestando atenção nele antes de deixar o local, ele encontrou uma oportunidade de remover sua máscara.
Klein não pretendia ir para casa imediatamente. Ele queria procurar um café e organizar o relatório de investigação, queria encontrar as casas que tiveram uma mudança de inquilinos depois de divinar sobre a chaminé vermelha. Ele poderia então conduzir sua busca antes do jantar.
Havia muitos cafés na área, mas nenhum deles atendia aos critérios de Klein. Desde que o vapor e as máquinas se tornaram o símbolo dos tempos, mais e mais cafés atenuaram sua decoração e se tornaram algo como restaurantes baratos. Eles forneciam bebidas, café, pão e pratos como guisado de ervilha e carneiro aos trabalhadores ocupados. Assim, senhoras e senhores respeitáveis não iam mais aos cafés para discutir coisas. Eles não viam mais essas ações como simbólicas de seu status. Vários clubes começaram a aparecer e substituíram os cafés como um local para socializar.
Depois de algum tempo, Klein finalmente encontrou um café que tinha uma atmosfera decente.
Ele se sentou em um canto isolado e tomou um gole de seu café de Southville que havia lhe custado um centavo antes de abrir o relatório da investigação.
“No burgo norte da cidade de Tingen, no burgo Sul, no burgo Leste, no burgo Oeste, no burgo Golden Indus, no burgo do Porto e no burgo Universidade, há um total de 1179 edifícios com chaminé vermelha escura… Nos arredores da cidade de Tingen, há um total de 546 edifícios com a chaminé vermelha descrita pelo solicitante. Isso não inclui edifícios em cidades ou vilas que estão relativamente mais distantes, apesar de estarem sob a jurisdição de Tingen.” “Abaixo estão os endereços e os registros de inquilino de cada um desses edifícios. Conforme a solicitação, as atividades nos últimos três meses são registradas com mais detalhes.”
…
Klein folheava página após página, ocasionalmente fazendo anotações no papel que havia trazido com uma caneta-tinteiro.
Finalmente, quando encontrou o tipo de chaminé vermelha que havia visto, ele percebeu que houve uma troca de inquilinos em 25 edifícios.
Isso não é muito. Eu deveria tentar terminar minhas investigações dentro de dois dias. Afinal, vi aquela chaminé vermelha e partes da casa no meu sonho. Minha espiritualidade teria um sentimento de familiaridade quando eu visse esses sinais novamente. Sim, vou confirmar o alvo dessa maneira. Em outras palavras, eu sou uma máquina de investigação viva… — Klein assentiu. Ele dividiu os prédios com base em sua localização e planejava investigar quinze deles naquele mesmo dia.
Ele não precisava fazer uma divinação para obter uma resposta se essas investigações seriam perigosas.
Como houve uma mudança de inquilinos, isso significaria que o cérebro por trás das coincidências já havia deixado o local!
Vamos torcer para que os novos inquilinos saibam como são os inquilinos anteriores… Mas como a pessoa nos bastidores pode controlar meu destino sem que ninguém perceba a ponto de fazer as coincidências parecerem tão naturais, ele definitivamente teria uma maneira de remover quaisquer vestígios que pudesse ter deixado para trás… Hmm, só posso orar à Deusa e esperar que ele tenha deixado para trás algum tipo de pista… — Klein suspirou. Ele se levantou, colocou seu chapéu e pegou sua bengala e o relatório antes de sair do café.
Klein gastou dois soli em uma carruagem alugada e visitou quinze edifícios com as chaminés vermelhas antes do jantar. Infelizmente, nenhum dos edifícios foi o que ele havia visto em seu sonho.
Seria bastante problemático se a investigação de amanhã produzisse o mesmo resultado. Ele ainda poderia estar morando na casa com a chaminé vermelha, mesmo depois de eu tê-la visto em minha divinação. Isso poderia significar que ele está bastante confiante e não tem medo da minha investigação; de fato, ele pode nem ter medo dos Falcões Noturnos de Tingen. Ou talvez não saiba que foi exposto. Isso significaria que o poder de resistir à minha divinação era um poder que não lhe pertencia… — Klein ficou na frente da rua Narciso nº2 e analisou as várias possibilidades.
Alguns minutos depois, ele deu um tapinha em seu smoking e apertou seu chapéu antes de pegar a chave e entrar na casa com um sorriso.
Ele pretendia preparar ensopado de carneiro e churrasco com mel para Benson e Melissa naquela noite.
Às onze da noite, os irmãos se despediram e voltaram para seus respectivos quartos.
Klein fechou a porta do quarto e ficou diante de sua escrivaninha, olhando para fora da janela com a luz da lâmpada a gás. Naquele momento, as ruas estavam envoltas em trevas, com apenas algumas lâmpadas iluminando o caminho. Estrelas pontilhavam a tela que era o céu noturno. Havia muitas estrelas, elas simplesmente não eram totalmente visíveis.
Me pergunto como é Backlund, com seus títulos de Terra da Esperança e Capital das Capitais… — murmurou Klein para si mesmo. Ele estendeu a mão para agarrar a cortina, pretendendo fechá-la.
Woo!
Naquele momento, um vento sinistro soprou por ele sem nenhum aviso, e a luz de sua lâmpada se tornou verde escuro.
Klein subconscientemente deu alguns passos para trás. Seus instintos o fizeram bater seus molares esquerdos duas vezes. Ao mesmo tempo, ele se inclinou para a cama e tentou pegar o revólver debaixo do travesseiro.
Na sua visão, um rosto repentinamente se projetou da parede acima da escrivaninha e sob a lâmpada a gás. Era um rosto translúcido, sem olhos nem nariz. Tudo o que ele tinha era uma boca!
— Não atire. — O rosto com a boca falou.
Ele pode se comunicar? — Klein já tinha o revólver na mão enquanto mirava.
— O que você quer? — ele perguntou em uma voz profunda.
O rosto riu.
—Sou eu, Daly.
Daly? Médium Espiritual Daly? A Médium Espiritual Daly que foi enviado à diocese de Backlund? — Klein ergueu as sobrancelhas em dúvida.
—Madame Daly?
— Eu sei que esse método de visitá-lo é um pouco rude. Eu deveria ter lhe dado um aviso prévio para que você pudesse fazer os preparativos necessários. Mas não é conveniente para mim encontrá-lo agora e, portanto, só posso me comunicar com você usando esse carinha aqui. — O rosto translúcido riu.
Embora a voz seja diferente e dissonante, a maneira de falar é realmente o estilo da Madame Daly. As habilidades de um Médium Espiritual com certeza são legais… — refletiu Klein melancolicamente. Sem abaixar o revólver, ele perguntou:
— Madame, sobre o que você quer conversar comigo?
— Se fosse você, primeiro selaria o quarto com espiritualidade. Caso contrário, os membros da sua família podem pensar em você como um louco. — O rosto translúcido brincou.
— Heh heh, você não precisa ser tão cauteloso. Voltei para Tingen em segredo por causa da carta de Dunn. Você sabe que um Falcão Noturno não pode deixar a área a que foi designado quando bem quiser.
— A carta do Capitão? — Klein não se aproximou da mesa. Em vez disso, procurou o pó de noite sagrada que tinha no bolso secreto do seu blusão preto.
— Dunn e eu somos os Beyonders que começaram com os Falcões
Noturnos em Tingen. Sempre mantivemos um bom relacionamento. Quinta-feira passada… sim, quinta-feira, ele me enviou uma carta e mencionou você. Ele disse que você emulou a máxima de um Espreitador de Mistérios, criou um conjunto de regras para um Vidente e afirmou que era eficaz em ajudá-lo a entender sua poção. A partir de então, você não ouve mais vozes e murmúrios e não vê coisas que não deveria. Dunn disse que era semelhante ao que eu fiz.
— Heh heh, você não vai selar a sala? Pessoalmente, não me importo com o mal-entendido de seu irmão e irmã… — disse o rosto translúcido em ritmo adequado.
Então esse é o motivo… Ela é realmente Madame Daly… — Klein deu um suspiro de alívio, empurrando o pó de noite sagrada de volta ao bolso interno. Ele então foi até a escrivaninha e tirou da gaveta a adaga de prata que usava para os rituais.
Ele rapidamente construiu uma barreira de espiritualidade antes de se voltar para o rosto saliente.
— Madame Daly, sobre o que mais o Capitão falou na carta?
— Ele apenas expressou sua própria confusão e disse que parecia entender alguma coisa, mas ainda, não podia descrevê-la claramente. Ele esperava ter minha opinião sobre o assunto — disse Daly com a ajuda do rosto sem olhos. — E quando li a carta hoje de manhã, sabia que você não é tão ignorante quanto finge ser. Heh heh, Sr. Moretti, acho que você deduziu o “método de atuação”!
— Esse é motivo pela qual você veio me procurar? — Klein não confirmou nem negou sua declaração.
Daly claramente sabe sobre o “método de atuação”… — Ele calmamente fez o julgamento.
O rosto translúcido de Daly revelou um leve sorriso.
— Sim.
— Acredito que devemos ser honestos um com o outro. Sei que você deduziu o método de atuação, e também sabe que compreendo o “método de atuação”. Mas o que me deixa infeliz é que eu demorei quase dois anos para entendê-lo… E você é um Beyonder há apenas um mês e meio.
Klein ficou em silêncio por um tempo depois de ouvir Daly. Ele então sorriu honestamente.
— Isso é porque eu tenho você como modelo.
Ele queria dizer que se “apoiou sobre os ombros de gigantes”, mas decidiu não dar ao Imperador Roselle a chance de aparecer na conversa.
Capítulo 148
Capítulo 148 – Mensageiro
A resposta de Klein fez Daly rir. O rosto translúcido com apenas uma boca disse:
— Embora você tenha encontrado inspiração através da máxima dos Espreitadores de Mistérios e confirmado suas teorias através da minha experiência e desempenho, levou apenas um mês para compreender o “método de atuação” e apresentar seu próprio princípio de Vidente. Isso mostra que você possui uma sabedoria extraordinária e uma mente aberta.
Klein não se envolveu no tópico que o tornava culpado, e perguntou em resposta:
— Madame, os superiores da igreja sabem sobre esse chamado “método de atuação”?
— Sem dúvida, eles compreendem muito claramente. Uma vez li as informações históricas da igreja e procurei histórias de pessoas ignorando as normas e avançando rapidamente. Percebi que havia mais do que alguns Falcões Noturnos e bispos que o fizeram, também não sou a mais excepcional. Mas seus finais… — Daly fez uma pausa intencional, e de repente pareceu com o coração pesado.
— Que tipo de final eles tiveram? — perguntou Klein, sentindo um aperto em seu coração.
Será que a Igreja da Deusa da Noite Eterna vê o “método de atuação” como a sedução de algum deus demoníaco ou do mal?
O rosto translúcido de repente riu. — Seus finais foram ótimos. Fora os poucos que perderam o controle ou foram sacrificados em incidentes Beyonder, o restante se tornou pelo menos arcebispos ou diáconos de alto escalão. Entre eles, há também especialistas que se tornaram Beyonders de Alta Sequência. Na Igreja da Deusa, a sequência 4 e a sequência 3 são chamadas de Santos, enquanto a sequência 2 e a sequência 1 são chamadas de Anjos. E claro, todo Anjo já foi Santo.
… Madame Daly, você tentou deliberadamente me assustar… — O canto dos lábios de Klein se contorceu antes que ele perguntasse, sem esconder suas suspeitas:
— Já que a Igreja dominou o “método de atuação”, por que eles não contam a todos os Falcões Noturnos? Apesar de não impedir que todo Falcão Noturno perca o controle, definitivamente diminuiria a probabilidade e reduziria perdas desnecessárias.
Uma sensação de perda apareceu no rosto translúcido. — Eu também não tenho ideia do porquê. Eles me disseram que quando me tornar um arcebispo ou diácono de alto escalão, poderei saber o segredo. Vim aqui hoje porque espero que você possa contar a Dunn sobre o “método de atuação” mais claramente antes de entregar seu pedido especial.
Klein não era estúpido o suficiente para perguntar por que ela não podia fazer isso sozinha; em vez disso, ele disse, pensativo:
— Uma vez notado pela Igreja, é preciso jurar não contar a ninguém sobre o “método de atuação”?
— Sim, deve fazê-lo diante dos itens sagrados da Deusa e jurar pelo Seu nome. Isso possui suficiente força de ligação. Confie em mim, você definitivamente não quer saber o resultado de uma violação. Só posso falar sobre isso com pessoas que dominam o “método de atuação”, como você. Sua linguagem corporal já me deu a resposta antes de você responder; por isso me atrevi a dizer o termo. — Daly fez o rosto assustador suspirar.
Ela fez uma pausa antes de continuar:
— Naquela época eu apenas compreendi levemente a essência de “atuar” e digeri a poção muito rapidamente. Entre os superiores da Igreja, o uso do termo “digerir” para descrever o controle da poção é muito apropriado. De qualquer forma, antes de fazer o juramento e descobrir o “método de atuação”, eu não tinha um entendimento claro, então não pude explicar com precisão a Dunn e aos outros.
— Já havia desistido. Nunca pensei que te conheceria, uma maravilha excêntrica que poderia entender claramente o “método de atuação” antes de entregar uma aplicação especial… não, um gênio.
Então é assim que você me vê, Madame… — o canto da boca de Klein se contraiu antes que ele solenemente prometesse:
— Eu pretendia originalmente lembrar ao Capitão sobre a existência do “método de atuação” através de minha aplicação especial. Com sua explicação, não preciso mais me preocupar.
— Muito bem, você é um rapaz muito legal e gentil. — Daly parecia relaxada.
— Madame, você é apenas cerca de dois ou três anos mais velha que eu… — Klein apontou interiormente o erro nas palavras dela.
Com ele em silêncio o rosto translúcido e assustador continuou:
— Se tiver algum problema ou qualquer coisa que precise de ajuda, pode me escrever uma carta. Espere por mim, heh heh. Quando me tornar uma arcebispa ou diaconista de alto escalão, o que me permitirá entender por que a Igreja esconde o “método de atuação”, te darei uma dica sobre se é uma coisa boa ou ruim.
De repente, Klein ficou energizado e perguntou sem hesitar:
— Madame, qual é o seu endereço?
Para ele, quanto mais ajuda, melhor. Além disso, ela era uma Médium Espiritual bem forte!
Vendo que Klein não se opôs à ideia, Daly permaneceu em silêncio por um tempo antes de rir.
— Nossa comunicação não deve passar pelos correios, pois estaríamos usando escrita normal, o que é muito perigoso.
— Vou te ensinar uma mágica ritualística relativamente fácil. Você pode usá-la para convocar um espírito especial, um que me pertence. Passe a carta para ele, e ela será enviada diretamente a mim. Não será mais rápido que um telegrama, mas é mais rápido que uma locomotiva a vapor. Se você enviar uma mensagem ao meio-dia, eu receberia a mensagem, em Backlund, na mesma noite.
Klein a ouviu com toda sua atenção, e assentiu fracamente. — Uma mágica ritualística bem pragmática.
Daly riu.
— A peculiaridade dessa magia ritualística é orar para si mesmo. Obtendo poder de sua própria espiritualidade, sem passar por um deus. Por isso, é bastante secreta, mas não muito poderosa.
— … Primeiro, você seleciona uma erva e um óleo essencial no domínio correspondente. Isso não é diferente de magia ritualística normal. No entanto, você só precisa da vela que te representa. Então, em relação ao feitiço, existem três partes. A primeira parte é “eu”. Grite “eu” em antigo Hermes, Jotun, Dragonês ou Élfico. A segunda parte é “convoco em meu nome”. Essa parte pode ser dita em Hermes. A terceira parte é a descrição exata do objeto de convocação. Por exemplo, você usaria isso no futuro: “ó espírito que vagueia pelo infundado, a criatura da dimensão superior que um humano ordena, o mensageiro que pertence a Daly Simone”.
Dimenção superior? No misticismo, isso é normalmente chamado de mundo espiritual. — Klein memorizou enquanto analisava o procedimento do ritual.
Nesse aspecto, ele mal podia ser considerado um especialista.
— O benefício desse tipo de magia ritualística é que evita invocar um deus, mas depende exclusivamente do poder da pessoa. Ela alcança vários efeitos mágicos sem as restrições impostas pelo domínio especializado de um deus. O problema está na força da pessoa. Um resultado fraco para os fracos, e um resultado forte para os fortes… — Klein sentiu que havia mais uma vez obtido um novo conhecimento místico com o qual nunca teria entrado em contato em sua atual Sequência.
Daly repetiu a descrição algumas vezes e enfatizou solenemente:
— Lembre-se, não mude a descrição real do objeto de convocação, ou o ritual pode facilmente atrair um monstro aterrorizante.
— Ok. — assentiu Klein honestamente.
Ao mesmo tempo, ele de repente pensou em algo.
Se eu mudasse a descrição do objeto de convocação para “O Louco que não pertence a esta época, o governante misterioso acima do nevoeiro cinzento; o Rei do Céu e da Terra que brande a boa sorte”, o que seria convocado?
Seria totalmente inútil, ou a névoa cinzenta desceria repentinamente, ou eu precisaria responder naquele espaço misterioso?
Isso me ajudaria a extrair mais poder do mundo acima do nevoeiro cinza?
Causaria um aterrorizante efeito em cadeia?
Klein ainda sentia traços de medo após sua experiência com o Emblema Sagrado do Sol Mutante. No final, ele seguiu sua intenção e planejou divinar acima da névoa cinzenta antes de decidir se deveria ou não tentar.
Contemplando, ele perguntou com interesse:
— Madame, se alguém praticasse estritamente o “método de atuação”, quanto tempo levaria da Sequência 8 à Sequência 7 e quanto da Sequência 7 à Sequência 6?
— De acordo com as informações que li, varia de três meses a dois anos da Sequência 8 para 7. Depende se você pode entender a essência principal e o princípio correspondente durante o processo de “atuação”. Da Sequência 7 à Sequência 6, varia de meio ano a três anos; igualmente da Sequência 6 a Sequência 5. Quanto à Sequência 5 à Sequência 4, de três a vinte anos… — Daly descreveu grosseiramente.
Klein de repente sorriu.
— Então, Madame, você já está na Sequência 6?
Ele ouviu de Dunn que Daly demorou um ano da Sequência 9, Coletor de Cadáveres, a Sequência 8, Cavador de Túmulos. Então, de Cavador de Túmulos à Sequência 7, Médium Espiritual, outro ano. Ela era uma Beyonder há cinco anos. Em outras palavras, Daly estava no nivel de Médium Espiritual por cerca de três anos.
— Sim, por isso que fui transferida para a diocese de Backlund — respondeu o translúcido e assustador rosto. — Minha ocupação atual é Guia Espiritual. No entanto, prefiro o nome Médium Espiritual. Tudo bem, esse carinha está ficando cansado. Tenho que ir. Sob tais circunstâncias, não direi “que a Deusa o abençoe”.
— Bons sonhos. — Klein pressionou o peito, sorriu e se curvou.
— Não, não haverá bons sonhos esta noite. Eu tenho que correr de volta para Backlund. Esta não é uma experiência feliz, é como ter um relacionamento com alguém que você não gosta… — A voz de Daly ficou mais suave, e o rosto translúcido, sem olhos ou nariz, encolheu-se lentamente na parede sem deixar vestígios.
A luz da lâmpada a gás de repente se tornou brilhante e a escuridão desapareceu no ar.
Klein, que teve sua Visão Espiritual ativa o tempo todo, observou as mudanças, atordoado. Levou um tempo para que voltasse à realidade.
— Médium Espiritual, não, Guia Espiritual é muito impressionante. Pode até conjurar um “mensageiro”. Qual será a especialidade das minhas Sequências 7 e 6? — Ele murmurou para si mesmo. Então, ele rapidamente dissipou a barreira espiritual, desligou a lâmpada a gás em seu quarto e se deitou na escuridão em silêncio.
Ele não planejava ir ao mundo acima do nevoeiro cinzento naquela noite, caso Daly de repente voltasse e dissesse as palavras clássicas de Dunn Smith: “Ah, sim, eu esqueci uma coisa”.
Quando isso acontecesse, eu nem seria capaz de silenciá-la com a morte!
No segundo dia, Klein chegou à Companhia de Segurança
Blackthorn três minutos mais cedo.
— Bom dia, Klein. O novo funcionário já está aqui! — Rozanne cumprimentou com um esplêndido sorriso.
Klein se sentiu sinceramente feliz por ela.
— Parabéns, Rozanne. A Deusa ouviu suas orações.
— Minha pele estará de volta a perfeitas condições! — Rozanne assentiu, seus olhos brilhando de alegria.
Depois de conversar um pouco, Klein atravessou a divisória e bateu na porta do escritório do Capitão.
— Entre, por favor. — A voz suave de Dunn soou.
Klein abriu a porta para entrar. Ele viu seu Capitão se sentar instintivamente enquanto seus olhos cinzentos ficavam escuros. Era como se ele estivesse preparado para problemas.
Ahem. — Klein pigarreou, pendurou o chapéu e a bengala e se sentou. — Capitão, tenho algo que gostaria de reportar.
— O que é? — perguntou Dunn com uma voz profunda, seus braços cruzados.
Capítulo 149
Capítulo 149 – Dica direta
Klein olhou para o sério Dunn Smith e sorriu de repente.
— Capitão, eu compreendi uma coisa ontem.
— E o que é? — Dunn repetiu a pergunta em um tom sério. Ele se recostou e descruzou os braços.
Klein lembrou o roteiro que havia preparado.
— Ao concluir minhas experiências passadas, percebi que os nomes das poções de Sequência englobam todo um conjunto de princípios que podem nos ajudar a obter controle sobre elas, um conjunto de princípios que nos permitem evitar os impactos negativos. Quando fazemos as coisas de acordo com esse conjunto de princípios, parecemos nos tornar parte do job correspondente.
— Da mesma forma, esses conjuntos de princípios estão ocultos. Eles não são informados diretamente a você. Tudo o que podemos fazer é tirar conclusões do job correspondente, pouco a pouco, e ajustar nosso entendimento com base nos diferentes feedbacks que recebermos.
— Portanto, quando me tornei um verdadeiro Vidente no Clube de Divinação e obtive meu conjunto de princípios de Vidente, as ilusões auditivas e visuais que me atormentavam desapareceram.
— E é isso o que eu compreendi.
Depois de terminar sua narração, Klein suspirou. Ele disse tudo o que precisava dizer, além de mencionar explicitamente o termo “atuação”.
Ai ai, espero que o Capitão não conte à Igreja que eu já desenvolvi essas ideias quando lhe perguntarem. Isso colocaria muito mais atenção em mim… Há também o fator da relação entre o caminho Vidente e a família Antigonus. Isso pode eventualmente causar problemas. Mas o Capitão também passou por todos os tipos de situações e é uma pessoa experiente e inteligente. Uma vez que entenda o “método de atuação”, definitivamente notará que a Igreja está ocultando informações relevantes. Ele saberá o que deve e o que não deve dizer… — Klein tinha muitos pensamentos complicados.
Mas ele rapidamente tomou uma decisão e tinha um plano.
Se o Capitão ainda não conseguir compreender o “método de atuação” ou o sentido do encobrimento da Igreja, eu lhe ensinarei diretamente antes de enviar a solicitação especial!
Sim, eu vou obsevá-lo primeiro e determinar o que ele sabe…
Dunn ouviu a descrição de Klein em silêncio, seus olhos cinzentos se tornando ainda mais profundos.
Ele ficou em silêncio por quase vinte segundos enquanto massageava as têmporas antes de pegar o cachimbo e respirar fundo.
Depois de cheirá-lo, ele pegou uma caixa de fósforos, aparentemente esquecendo as regras dos Falcões Noturnos.
A fumaça branca subiu pelo ar e Dunn fechou os olhos, parecendo apreciar o cheiro de tabaco.
Depois de um tempo, ele abriu os olhos e sorriu para Klein.
— Me desculpe, esqueci que você não fuma.
— Fumar faz mal à saúde — respondeu Klein com seriedade.
Dunn pensou com o cachimbo na mão.
— Parece que também compreendi algo.
Não Capitão, você não compreendeu nada! Apenas não vagueie pelos meus sonhos com muita frequência! — Klein não falou e, em vez disso, deu um sorriso amigável.
— Talvez não demore muito para que você me entregue a solicitação especial… — disse Dunn a Klein, meio brincando, enquanto dava uma tragada profunda no tabaco e hortelã.
Posso entregá-la amanhã? — perguntou Klein internamente. Ele pegou o relógio de bolso e olhou as horas.
— Capitão, tenho que ir à Velho Neil. As lições de misticismo de hoje vão começar em breve.
— Tudo bem. — Dunn observou Klein sair, com o cachimbo ainda na mão.
Depois de fechar a porta do escritório do Capitão, Klein caminhou animadamente em direção aos degraus que levavam ao porão. Ele viu dois estranhos, um homem e uma mulher, quando passou pelo escritório do recepcionista.
Os novos funcionários… — pensou Klein antes de acrescentar interiormente:
Em dois dias, definitivamente nesta semana, entregarei minha solicitação ao Capitão!
Então vou passar por uma série de inspeções e me tornar um Palhaço de Sequência 8!
…
Ao longo da silenciosa passagem subterrânea, Klein se virou para o arsenal e abriu a porta da sala de guarda.
— O que aconteceu com você? — Klein ficou chocado ao ver Velho Neil.
Velho Neil parecia desanimado, seu rosto estava pálido. Ele bocejava constantemente enquanto dizia:
— Ultimamente estou um pouco constipado. Noite passada tentei magia ritualística que pode resolver tais problemas. No final… Não dormi bem a noite toda. Tive que ir ao banheiro várias vezes e, por fim, quase adormeci no vaso sanitário.
Bem, o problema da constipação foi resolvido… — Klein quase riu, vendo que não era um problema sério, mas ele se controlou e perguntou:
— Você está se sentindo melhor agora?
Ao mesmo tempo, sua preocupação o fez bater duas vezes seus molares esquerdos. Ele usou sua Visão Espiritual para observar a aura da saúde do Velho Neil.
Existem algumas trevas e impurezas nas cores amarela do sistema digestivo e laranja dos rins, mas não é nada sério e está dentro de uma faixa aceitável… — Klein deu um suspiro de alívio.
— Estou bem agora. Peguei um remédio para diarréia com Frye. — Velho Neil bocejou como um viciado em drogas. — Auto-estudo para a lição sobrenatural de hoje. Restam apenas dois ou três dias de conteúdo de qualquer maneira.
— Tudo bem — respondeu Klein educadamente. — Eu poderia ajudá-lo a guardar o arsenal e estudar aqui. Que tal você ir descansar na sala de descanso?
Velho Neil imediatamente endireitou as costas, os olhos brilhando ao responder:
— Rapaz, você certamente é o mais gentil Falcão Noturno, depois de Frye!
— Deixo o arsenal em suas mãos!
Ele pegou a almofada que havia usado para ajoelhar e saiu correndo da sala de guarda como um tufão, deixando Klein ali sozinho, atordoado.
A Companhia de Segurança Blackthorn aceitou uma missão extra pela manhã. A tarefa envolvia escoltar um comerciante rico até o porto para um acordo. Leonard e Kenley a concluíram com facilidade, ganhando remuneração extra, para a inveja de Klein.
Ele passou o dia aprendendo sobre misticismo, praticando tiro e sendo torturado pelo instrutor Gawain, que parecia ter sido agitado por alguma coisa.
— Huff… huff… — Klein ofegou por ar. Ele só recuperou a capacidade de tomar um banho e se trocar depois de algum tempo.
Ele continuou trabalhando depois de sair da casa de Gawain. Ele gastou dois soli em uma carruagem e investigou as outras dez casas com chaminés vermelhas.
A expressão de Klein ficou muito grave quando a última casa com chaminé vermelha deixou seu campo de visão.
A casa com chaminé vermelha que vi na minha divinação não está na lista de casas com uma mudança recente nos inquilinos… Se for esse o caso, isso acaba de se tornar problemático. Imagino quanto tempo eu precisaria para investigar cerca de 1600 casas… Ai ai. Não posso pedir ajuda para algo assim. Afinal, só eu teria o senso de familiaridade da minha espiritualidade quando vir o objetivo…
Não desanime, não desista! Continuarei a investigação sempre que tiver tempo livre. Vou tentar terminar dentro de três meses, não, dois meses! Quem sabe, a casa pode ser encontrada na investigação de amanhã!
Organizarei o material quando voltar e planejarei uma rota de acordo com a distância dos setores!
Klein se motivou, banindo seus sentimentos de depressão.
Agora que havia tomado uma decisão, planejava instruir o motorista a virar em direção à rua Narciso. No entanto, ele de repente percebeu que estava em algum lugar perto de onde o Sr. Azik morava.
Antes do Sr. Azik sair de férias, ele escreveu para me dizer que voltaria esta semana, mas não especificou a data exata. Já que estou no caminho, deixarei um recado para ele. Além disso, aluguei esta carruagem por uma hora com dois soli, e o tempo está quase acabando. Vou parar na casa do Sr. Azik e depois pegar uma carruagem pública… — Klein tomou uma decisão rapidamente.
Quatro minutos depois, ele desceu da carruagem e chegou do lado de fora da casa do Sr. Azik.
As casas aqui eram obviamente de melhor qualidade do que as da rua Narciso, mas não tão boas quanto as da rua Howes. Havia um pedaço de grama na frente da casa e um pequeno jardim nos fundos.
Ding! Dong! Ding! Dong!
Klein puxou a corda do lado de fora da porta e tocou a campainha dentro da casa.
Alguns momentos depois, ele ouviu passos de dentro antes que a porta se abrisse.
Os traços faciais e a pele bronzeada de Azik apareceram diante de Klein. Como estava em casa, ele estava vestido apenas com uma camisa branca simples, um colete marrom e calça combinando.
— Klein? Eu estava prestes a escrever para você — cumprimentou Azik, entusiasmado. — Cheguei em casa ontem à noite.
Klein olhou para a pequena verruga perto da orelha direita de Azik.
— Sr. Azik, achei uma pista sobre seu passado.
— Sério? — Azik ficou animado instantaneamente. A tristeza que tinha em seus olhos diminuiu.
— Vamos conversar la dentro. — Klein olhou em volta.
Azik assentiu rapidamente. Ele se moveu para o lado e permitiu que Klein entrasse, depois trancou a porta e guiou Klein até uma sala de visitas no primeiro andar. Eles então se sentaram no macio sofá.
— Que pistas você encontrou? — Ele perguntou impacientemente.
Como não esperava encontrar Azik hoje, Klein organizou suas palavras.
— Recebi uma missão recentemente e tive que lidar com um espectro na cidade de Lamud.
— Lamud… — Azik repetiu o termo suavemente, suas sobrancelhas franzidas.
Klein observou sua expressão e diminuiu o tom de voz.
— No processo de lidar com o espectro, descobrimos algo e, então, conduzimos uma investigação dentro da cidade…
— Um morador da cidade estava na posse de um retrato do primeiro Barão Lamud, o qual ele tentou me vender. Pedi para ver o retrato por curiosidade e descobri que a pessoa desenhada tinha traços faciais que se assemelhavam aos seus, tirando os cabelos. Ele tinha até a mesma verruga perto da orelha, com a posição e tamanho semelhantes.
— Sob meu interrogatório, o homem me disse que o retrato tinha cerca de quarenta anos, mas a pessoa no retrato definitivamente veio do castelo abandonado. Era uma réplica do antigo retrato escavado no castelo.
— Você deve saber que pessoas como nós, com habilidades únicas, podem mais ou menos dizer se alguém está mentindo, e essa minha intuição me disse que o homem estava dizendo a verdade.
Azik se inclinou para a frente enquanto ouvia Klein. Ele cruzou os braços e permaneceu em silêncio por um tempo.
Cinco minutos depois, ele exalou.
— Sua descrição não me fez lembrar de nada. Talvez eu devesse visitar o castelo abandonado. Você pode me levar até lá?
— Seria uma honra — respondeu Klein. — Mas tenho que ir para casa primeiro. Não quero que meus irmãos se preocupem.
— Sem problema. — Azik se levantou.
Capítulo 150
Capítulo 150 – A descoberta de Azik
Rua Narciso, número 2. Klein assentiu com a cabeça para Azik e caminhou rapidamente para a porta de sua casa, pegou suas chaves e abriu a porta.
Melissa, que já estava em casa, ouviu o clique da fechadura da porta e rapidamente saiu da cozinha e entrou na sala de estar.
Ao ver Klein, ela disse com os olhos radiantes de alegria:
— Fiz compras. Há frango, batatas, cebolas, peixe, nabos e ervilhas. Comprei até um pequeno pote de mel.
Irmã, você também está se acostumando com o luxo ocasional? — Klein riu.
— Você terá que preparar o jantar de hoje. Não precisa fazer para mim, pois estarei fora da cidade. Talvez não volte até o amanhecer. Estou fazendo um favor ao Sr. Azik, o professor do Departamento de História da Universidade de Khoy.
Enquanto falava, ele se virou de lado e apontou para a carruagem que estava esperando do lado de fora.
Os lábios de Melissa se abriram e fecharam duas vezes, antes que ela os apertasse e finalmente dissesse:
— Tudo bem.
Klein se despediu de sua irmã e saiu. Ele entrou na carruagem alugada que Azik havia contratado e viajou duas horas e quarenta minutos até a cidade de Lamud.
Eram quase nove horas naquele momento. O céu estava escuro, e eles só podiam confiar no luar carmesim e na cintilante luz das estrelas que penetravam as nuvens para iluminar as áreas sem lâmpadas da rua.
Depois de instruir o motorista a esperar na cidade, Klein levou Azik em direção ao antigo castelo abandonado.
Enquanto caminhavam, ele percebeu que Azik estava andando mais rápido, a ponto de ele ter que quase correr para acompanhá-lo. No final, foi Azik quem liderou o caminho.
Klein queria dizer algo inicialmente, mas foi esperto e engoliu as palavras quando viu a expressão solene de Azik.
Com tal velocidade, eles rapidamente chegaram ao antigo castelo.
O castelo, que estava quase uma ruínas, se estendia nas quatro direções, enquanto sua torre parecia desolada, selvagem, misteriosa e escura.
Azik olhou para o antigo castelo e diminuiu o passo.
Ele parou ali e seu olhar parecia profundo, mas perdido, como se estivesse pairando entre sonhos e realidade.
De repente, ele gemeu de dor, levantando a mão para massagear a testa enquanto seus músculos pareciam distorcidos por agonia.
— Sr. Azik, você está bem? — perguntou Klein com cuidado ao ativar sua Visão Espiritual.
Quando estavam a bordo da carruagem contratada, saindo da rua Narciso para Lamud, ele fez uma rápida divinação ao jogar uma moeda para ver se havia algum perigo em sua viagem.
Mas ele acreditava que divinação não era onipotente e portanto ele sempre mantinha a guarda para evitar qualquer má interpretação de sua parte. Além disso, Azik era bastante misterioso. Ninguém sabia sobre seu passado, e não se sabia como ele reagiria se fosse estimulado por um encontro com seu passado. Cuidado e preocupação acompanharam Klein durante toda a viagem.
Azik não respondeu imediatamente, e deu mais dois passos adiante com uma expressão de dor. Relaxando a mão que estava em sua testa, ele apontou para a frente com um tom devaneio.
— Eu já vi esse antigo castelo antes em meu sonho.
— No sonho, ele ainda estava completo com uma parede externa robusta e uma torre alta.
— Lembro que havia um estábulo ali, um poço de água ali e um quartel bem ali. Ali havia um jardim usado para plantar batatas e batatas doces…
— Lembro que havia um campo de treinamento. Eu tinha um filho. Ele tinha apenas sete ou oito anos, mas gostava de correr enquanto arrastava uma espada mais alta que ele. Ele disse que queria se tornar um cavaleiro quando crescesce…
— Minha esposa sempre reclamava que era muito sombrio no castelo. Ela gostava da luz do sol, do calor…
…
Klein olhou para a cor do seu campo de energia e o que o homem disse fez seu couro cabeludo formigar. Ele também ficou um pouco emocionado, como se estivesse vivendo uma história paranormal.
O antigo castelo está realmente relacionado ao Sr. Azik… Poderia ele realmente ser a primeira geração do Barão Lamud, uma criatura transcendental que vive há mil e quatrocentos anos? Ele é um humano ou espírito maligno? De jeito nenhum, não existem coisas como espíritos malignos correndo sob a luz do dia e se envolvendo com os Falcões Noturnos… — Klein permitiu que seus pensamentos ficassem livres para ter mais ideias.
Nesse momento, Azik parou de murmurar e deu grandes passos através do portão principal.
Ele caminhou até o castelo sem sem ser guiado. Ele encontrou o equipamento escondido com óbvia familiaridade e abriu a porta secreta para entrar no porão.
Segurando sua bengala com força, Klein seguiu Azik. Eles desceram as escadas e voltaram ao local onde havia um caixão.
Ao contrário da vez anterior, o caixão estava fechado e a sensação quente e pura havia sumido.
O caixão está fechado… Deve ter sido Frye. É sua ética de trabalho como Coletor de Cadáveres… — Klein assentiu, pensativo, e com sua Visão Espiritual observou Azik andar na frente do caixão em conflito.
Azik estendeu as mãos para empurrar a tampa do caixão até que houvesse um vão.
Ele olhou para o esqueleto sem crânio por um longo tempo e de repente começou a chorar de dor e tristeza. Azik cambaleou para trás com passos pesados; cambaleou e caiu contra a parede antes que Klein conseguisse reagir a tempo.
Ele cobriu o rosto com as mãos e ficou sentado, desanimado. O ambiente subitamente ficou ainda mais escuro.
Klein acelerou o passo e estendeu as mãos, mas as retraiu novamente, não ousando incomodar o homem.
Nesse momento, sua percepção espiritual lhe disse que o atual Sr. Azik era muito assustador, tão assustador que o porão ficou sombrio e aterrorizante.
Klein se aproximou lentamente da escada.
Ele confiava no caráter de Azik, mas tinha medo de que o homem perdesse o controle.
Depois de esperar mais alguns minutos nessa situação tão desconfortável, ele finalmente viu Azik abaixar as mãos e se levantar lentamente.
Sr. Azik parece ter mudado… É isso o que minha percepção espiritual me diz… Mas em minha Visão Espiritual, as cores de sua aura não apresentam mudanças óbvias. Suas emoções estão desanimadas, deprimidas e doloridas como antes… — Klein fez um rápido julgamento e sentiu que Azik havia se tornado mais sombrio e imponente.
— Me lembrei de algo, mas é muito pouco. — Azik falou com um tom sem emoção.
Então, ele olhou em volta e disse:
— Sinto o poder que tornou seu destino desarmônico.
— Huh? — Klein ficou atordoado. Em agradável surpresa, ele perguntou em resposta:
— Você consegue rastrear a fonte?
A pessoa por trás da cena da chaminé vermelha criou coincidências em segredo e veio ao antigo castelo de Lamud para levar a cabeça do cavaleiro de armadura negra?
O que ele está tentando fazer? Qual é sua verdadeira intenção?
— Faz muito tempo, mas eu gostaria de tentar. — Parecia haver um vulcão prestes a entrar em erupção na voz profunda de Azik.
— Como? — perguntou Klein curiosamente.
Azik caminhou diante do caixão e olhou para o esqueleto dentro dele.
— Ele pegou o crânio do meu filho. Quero encontrá-lo através de uma conexão de sangue.
Seu filho? Sr. Azik, você tem certeza de que o cavaleiro de armadura negra é seu filho? Então você é realmente uma antiguidade… Você realmente perdeu a memória depois de tanto tempo? Este é o preço que deve pagar para obter essa longevidade? — Klein respirou silenciosamente, sentindo a estranha sensação de interagir com uma criatura lendária.
Então, Azik estendeu a mão direita e de repente cortou o dedo indicador com a unha do polegar, fazendo com que uma gota vermelha de sangue fresco pingasse com precisão no esqueleto branco.
Ela rapidamente penetrou no esqueleto, deixando-o repentinamente vermelho-sangue.
Wah! Wah! Wah!
De repente, Klein ouviu o som de um bebê chorando e sentiu que havia alguém olhando para ele pelas suas costas.
Ele sacou o revólver e apontou para trás antes de se virar lentamente. No entanto, não havia nada à vista. Não havia nada atrás dele.
Até a escada que ligava ao térreo havia desaparecido!
Wah! Wah!
O som de um bebê chorando perfurou os ouvidos de Klein e, quando olhou novamente para o caixão, ele ficou chocado ao ver que havia muitos rostos disforme e distorcidos se erguendo em meio à névoa negra. Então, eles manifestaram uma estranha porta.
Creak!
A porta ilusória se abriu e braços branco-pálidos se estenderam para fora, um após o outro, mas eles desapareceram na névoa negra diante de Azik.
Pela fresta que abriu, Klein viu um crânio branco. Estava jogado debaixo de uma árvore marrom e reduzido a pó como resultado dos elementos.
Creak!
Incontáveis braços branco-pálidos foram cortados pela porta que de repente se fechou, caindo no chão.
Então, Klein ouviu um longo suspiro, o suspiro pesado do Sr. Azik, um suspiro que parecia ter uma história rica por trás.
Junto com o suspiro, a névoa negra se dispersou e o som do bebê chorando cessou. Tudo voltou ao seu estado original, exceto pelo frio acentuado.
Klein cerrou seus trêmulos dentes e olhou para o caixão. Ele viu que o esqueleto vermelho havia retornado ao original, branco e cristalino.
— Sinto muito. Não consegui encontrá-lo… — disse Azik em uma voz profunda, de costas para Klein.
Ao mesmo tempo, ele fechou o caixão.
— Não é de se surpreender que não o encontremos. Seria uma surpresa se conseguíssemos — Klein o confortou.
De qualquer forma, fiquei decepcionado muitas vezes com isso… — ele acrescentou em sua cabeça.
Azik olhou novamente para o caixão diante dele. Ele se virou devagar e disse:
— Vou continuar investigando e espero poder ter sua ajuda.
— Sem problema. É exatamente o que eu queria fazer. — Klein conteve seu desejo de contar a Azik sobre a chaminé vermelha.
Porque seria inútil trazê-la à tona. Ele só podia confiar em si mesmo para confirmar seu alvo.
No entanto, isso resolveu um de seus principais problemas: que era como deveria envolver os Falcões Noturnos depois que encontrasse a chaminé vermelha. Ele não acreditava que pudesse matar um mestre de marionetes tão misterioso e assustador sozinho.
Agora, ele poderia pedir a ajuda do Sr. Azik!
Azik arregalou a boca, mas não disse nada no final. Tudo o que ele fez foi suspirar e caminhar em direção à escada silenciosamente.
Depois de deixar o porão e fechar a porta secreta, os dois caminharam pela estrada coberta de ervas daninhas e amoreiras. Nenhum deles falou enquanto voltavam do antigo castelo abandonado.
Na noite escura, Azik de repente disse:
— Até que este assunto seja resolvido, deixarei meu emprego e sairei de Tingen, para procurar meu passado perdido.
— Sr. Azik, você descobriu o que aconteceu com você? — perguntou Klein, tendo falhado em esconder sua curiosidade.
Capítulo 151
Capítulo 151 – Pedido de Klein
O zumbido dos insetos e o piar das corujas reverberaram no caminho de volta à pequena cidade. Azik olhou em frente e disse depois de alguns segundos de silêncio:
— Embora não esteja totalmente certo do que aconteceu comigo, tenho uma ideia aproximada.
— Talvez… talvez eu seja alguém que tenha vivido por muito, muito tempo.
Sr. Azik, você deve considerar seriamente se ainda se enquadra na definição de “alguém”… — pensou Klein consigo mesmo, mas não se atreveu a dizer isso em voz alta.
— Esse deserto, esse silêncio, muitas vezes nos deixam fracos…
— Eu devo ter pago algum tipo de preço em troca dessa longa vida. Eu vivi desde o final da Quarta Época, como um espírito errante pelo continente… — A voz de Azik se aprofundou, como se ele estivesse tentando suprimir suas emoções. — Não me lembro do passado, esqueci as pessoas e coisas que jurei não esquecer… Klein cutucou as ervas daninhas no chão à sua frente e disse, pensativo:
— Sr. Azik, eu tenho uma teoria sobre sua situação.
— Que teoria? — Azik olhou para o lado.
— Eu acho que há um ciclo na sua perda de memória. Talvez você “morra” uma vez a cada poucas décadas, e suas memórias dos eventos anteriores desaparecem. Depois de algum tempo, você acorda da escuridão do seu sono e começa uma nova fase da vida. Dessa forma, é possível explicar seus sonhos serem tão variados e vívidos. São os eventos que você encontrou durante suas várias vidas — descreveu Klein.
Azik diminuiu o passo, como se a escuridão tivesse agarrado sua manga. Ele olhou para frente com um olhar turvo antes de dizer depois de um tempo:
— Isso é consistente com as memórias que foram despertadas agora há pouco.
Memórias que foram despertadas? — Klein teve uma ideia, e disse imediatamente:
— Sr. Azik, talvez você não precise sair de Tingen para procurar seu passado perdido. Você recuperará suas memórias lentamente!
— Por quê? — Azik virou a cabeça, surpreso.
Klein sorriu ao dizer:
— Suas memórias não foram perdidas por completo. As partes de sua memória que despertaram agora há pouco são prova disso.
— Além disso, você se lembra do momento em que acordou em Backlund e descobriu que havia esquecido tudo sobre o passado?
Azik assentiu.
— Esse é um pesadelo que me incomoda até hoje.
Klein bateu com a bengala preta e explicou detalhadamente:
— Antes de hoje, eu não achava que havia um problema com isso. Mas sua descrição de agora, junto com minha própria conjectura, faz com que pareça um pouco estranho. Você tinha um documento de identificação e dinheiro suficiente quando acordou de seu sonho. Você também apareceu de uma maneira que não assustou ninguém… Tudo isso parece ter sido arranjado para você, permitindo que se encaixasse na sociedade com pouco esforço.
— Então, quem fez os arranjos?
— Só há uma resposta: seu eu anterior!
— Seu eu anterior recuperou as memórias dele e sabia que teria que inaugurar uma nova vida. Assim, ele preparou tudo para você, fazendo o possível para não deixar você desconfiar de mais ninguém.
Azik parou de andar. Ele olhou para as manchas de luz que vinham da cidade, mais uma vez caindo em silêncio.
— Talvez os “pais” que eu tenho procurado tenham sido meu eu anterior o tempo todo… — Ele suspirou, admitindo que a dedução de Klein era muito plausível.
— Assim, você não precisa fazer nada. Tudo o que precisa fazer é esperar pacientemente que suas memórias retornem — concluiu Klein ao consolar Sr. Azik.
Azik inconscientemente acenou com a bengala antes de ficar imóvel, como uma escultura esculpida em mármore.
Depois de muito tempo, ele olhou para longe e respondeu:
— Talvez… talvez eu só recupere completamente minha memória quando esta vida estiver chegando ao fim. Eu não quero esperar tanto tempo. Quero ter tempo de sobra para entender e me libertar desse destino. Portanto, tenho que ser mais proativo na busca pelo meu passado, para acionar minhas memórias um pouco de cada vez. Eu tenho que recuperar minhas memórias de antes da hora de sua hipótese. Esperar só me faria repetir o ciclo.
— De fato, é a melhor escolha que podemos tomar. — Klein não o aconselhou contra. Em vez disso, ele perguntou:
— Sr. Azik, posso pedir sua ajuda em algo trivial, além de encontrar o criminoso que pegou o crânio do seu filho e tornou meu destino desarmônico?
Azik assentiu levemente.
— O que você precisa que eu faça?
Klein organizou suas palavras e disse:
— Espero que você possa ir para uma cidade entre duas e cinco horas de distância de Tingen de carruagem na próxima semana ou na semana seguinte. Preciso que você cause um incidente paranormal, algo que não faça mal a ninguém. A julgar pela maneira como você tentou procurar o criminoso usando a conexão da sua linhagem, acredito que você é bastante adepto no campo das almas mortas.
— Sem problema — prometeu Azik sem hesitar. Ele não perguntou a Klein por que ele havia pedido algo assim.
Ao mesmo tempo, ele tacitamente confirmou a conjectura de Klein sobre seus poderes.
— Obrigado. Isso é muito importante para mim. Além disso, você só pode escolher um seguidor da Deusa da Noite Eterna quando estiver escolhendo um alvo. E também, não deixe pistas para trás — instruiu Klein.
Somente através desse método o incidente poderia ser transmitido aos Falcões Noturnos de Tingen. Somente então ele poderia se juntar à equipe na missão e sugerir o uso do Artefato Selado 30782, e só então ele poderia extrair o sangue divino do Artefato Selado para criar Charms do Sol Ardente!
Esse era o item mais poderoso que ele poderia obter no momento.
Sob a suposição de que o culpado que vivia na casa de chaminé vermelha não havia deixado Tingen e que Klein continuaria investigando, ele tinha que fazer o possível para se tornar mais poderoso!
Sim, de acordo com as informações que obtive, roubar um pouco de seus poderes não danificaria o 3-0782. No máximo, apenas aumentaria o tempo necessário para purificar… Isto é para a segurança e estabilidade da Cidade de Tingen! — Klein tentou justificar suas ações interiormente.
Azik não se importava com seus motivos. Ele assentiu.
— Vou lhe dizer o nome da cidade e o tempo estimado com antecedência para que você possa se preparar.
Ufa. — Klein deu um suspiro de alívio. Ele achava que essa viagem à Cidade de Lamud não havia sido uma viagem perdida.
Embora eles apenas tivessem conseguido desvendar a camada mais externa dos mistérios que cercavam o Sr. Azik e tivessem muito mais a descobrir, ele conseguiu ao menos conquistar a amizade de Azik, um aliado confiável em sua busca pelo culpado nos bastidores!
Às onze e meia da noite, Klein voltou à rua Narciso nº 2, faminto e cansado.
— Em pensar que Sr. Azik não me levou para jantar… Ai ai. Ele não estaria com vontade de jantar de qualquer maneira — murmurou Klein quando abriu a porta.
A casa não estava tão escura quanto esperava. Uma elegante lâmpada a gás emitia silenciosamente sua luz, iluminando calorosamente a sala de estar. Benson estava sentado sozinho no sofá com um livro, coberto por um cobertor.
Quando viu a porta se abrir, Benson estava prestes a falar quando bocejou. Ele não teve escolha a não ser cobrir a boca.
Klein fechou a porta e sorriu, brincando:
— Fui à Cidade de Lamud com Sr. Azik. Há um castelo abandonado com uma longa história por lá.
Benson foi imediatamente informado enquanto ria.
— Uma noite sem lua, um castelo abandonado por milênios, um ambiente frio e assustador, juntamente com uma equipe arqueológica de dois homens… Esta é a receita perfeita para a abertura de uma novel de história paranormal.
O que aconteceu hoje pode ser classificado como paranormal… — De repente, Klein lembrou a estranha porta que Sr. Azik conjurou e os gritos de um bebê. Ele disse, ainda com um medo persistente:
— Parecia mesmo um pouco assim por lá.
Benson bocejou novamente antes de fechar o livro e dizer:
— Eu preciso dormir. Desde que comecei a estudar e ler literatura clássica, a qualidade do meu sono se tornou especialmente boa.
Klein riu para si mesmo, lembrando de repente algo que a srta. Justiça havia mencionado. Ele disse, baixando a voz:
— Benson, você sabe que minha empresa tem conexões com a Polícia do Condado de Awwa. Ouvi recentemente notícias de Backlund de que o rei, o Primeiro-Ministro, outros ministros e membros do Parlamento estão todos cansados de um governo ineficiente. Eles querem pressionar por uma reforma e selecionar talentos para assumir posições no governo com base em um exame aberto, assim como os exames de admissão das universidades.
Benson ficou perplexo no começo, depois seus olhos brilharam quando perguntou:
— Um exame aberto?
— Sim. Enquanto você passar no exame, poderá se tornar um funcionário público em uma das divisões do governo. Meu palpite é que o conteúdo do exame será modelado com base nos exames de admissão das universidades: literatura, clássicos, matemática e lógica, bem como um entendimento básico da lei… — Klein aproveitou esta oportunidade para incluir sua opinião. Ele continuou: — Benson, isso deve ser mantido em sigilo, e não coloque muita esperança nisso. Ninguém sabe se será aprovado pela Câmara dos Lordes e Câmara do Povo ou não.
— Vou manter isso em mente. Entendo que tudo o que preciso fazer é estudar muito. — Benson sorriu e comentou:
— Eu já estudaria muito independente dessa mudança. Vou tentar o meu melhor para me libertar de minha circunstância atual e encontrar um emprego melhor. Aprender… essa é a maior diferença entre um humano e um babuíno de cabelos encaracolados.
Não, pesquisas sugerem que os babuínos têm níveis decentes de QI e um certo nível de habilidades de aprendizado… — Klein brincou silenciosamente e olhou enquanto Benson se dirigia ao segundo andar.
Depois disso, ele sorriu e esfregou o estômago enquanto caminhava em direção à cozinha.
Ele encontrou as sobras e o frango que Benson e Melissa deixaram especialmente para ele. Klein relaxou e começou a preparar seu jantar tardio.
Era tarde da noite agora, e a maioria das pessoas já tinha ido para a cama. Ele era o único ainda acordado, respirando o ar frio com aromas mistos e movimentos leves.
Tudo estava calmo e sereno.
…
Depois de saciado, ele lavou a louça e tomou um banho.
Finalmente, Klein voltou para seu quarto e trancou a porta.
Ele bocejou, mas manteve-se acordado, pegou a adaga de prata usada nos rituais e selou a sala com uma barreira de espiritualidade.
Ele queria divinar acima do nevoeiro cinzento se convocar “O Louco que não pertence a esta época” era perigoso ou não.
Capítulo 152
Capítulo 152 – Bela Tentativa
A névoa cinzenta encheu o ar de uma maneira eternamente imutável, enquanto as estrelas vermelhas ilusórias pairavam ao seu redor a distâncias variadas. Klein estava sentado dentro do imponente palácio que parecia a casa de um gigante enquanto olhava para a visão familiar à sua frente.
Depois de alguns segundos, ele desviou o olhar e conjurou uma pele de cabra marrom-amarelada em sua frente e então levantou uma caneta para escrever seu encantamento adaptado para o ritual de convocação.
“Acender uma vela para me representar.”
“Use uma barreira espiritual para criar um ambiente sagrado.”
“Goteje na chama uma gota de óleo essencial de lua cheia, orvalho puro de camomila, pó de flor do sono e outros ingredientes. (Nota: não é necessário ser muito específico nesta etapa, porque se trata da convocação de si mesmo).”
“Recite o encantamento abaixo.”
“Eu… (Em Hermes antigo, Jotun, Dragones ou Élfico. Deve ser um grito profundo)”
“Convoco em meu nome (Hermes),”
“O Louco que não pertence a esta época, o misterioso soberano acima da névoa cinzenta; o Rei do Céu e da Terra que brande a boa sorte.”
…
Depois de revisar três vezes, Klein escreveu uma declaração de divinação na parte inferior:
“Haverá perigo se o ritual acima for realizado fora deste mundo.”
Ufa. — Ele soltou um suspiro, largou a caneta, tirou a corrente de prata da manga e a segurou com sua mão esquerda.
O pingente de topázio pendia estávelmente sobre a pele de cabra, apenas a uma pequena distância acima da declaração de divinação. Controlando seus pensamentos, ele entrou em estado de Cogitação.
— Haverá perigo se o ritual acima for realizado fora deste mundo.
— Haverá perigo se o ritual acima for realizado fora deste mundo.
…
Depois de recitar a declaração sete vezes, Klein abriu os olhos, que estavam quase pretos, e olhou para o pingente de topázio que girava no sentido anti-horário.
Isso significava um resultado negativo: não haveria perigo!
— Eu posso tentar então. — Klein fez os itens diante dele desaparecerem, então ampliou sua espiritualidade para se envolver e simulou a sensação de queda.
Quando voltou para o quarto, devido ao fato de ter selado a sala inteira com uma barreira de espiritualidade, Klein imediatamente organizou a escrivaninha e colocou uma vela com aroma de menta bem no meio.
Ele pressionou levemente o pavio da vela, esfregando-o com espiritualidade para causar atrito e acender a vela.
Sob a fraca luz tremeluzente, Klein pingou os óleos essenciais, extratos e pó de ervas correspondentes na chama.
Uma fragrância suave de repente encheu o ar, e a sala alternou entre brilho e escuridão.
Dando dois passos para trás, Klein olhou para a vela que representava a si mesmo e gritou em Jotun:
—Eu!
Então, ele mudou para Hermes:
— Convoco em meu nome,
— O Louco que não pertence a esta época, o misterioso soberano acima da névoa cinzenta; o Rei do Céu e da Terra que brande a boa sorte.
No momento em que terminou de falar, ele sentiu a tremeluzente luz da vela repentinamente dançar com vigor e produzir um vórtice com a fragrância circundante. Isso absorveu sua espiritualidade a uma velocidade insana.
— Flor do sono, uma erva que pertence à lua vermelha, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento… — Klein suportou o desconforto causado por ter sua espiritualidade drenada e terminou de recitar o encantamento.
Então, ele viu a luz da vela parar de tremer. Ela estava agora manchada com um brilho cinza, que se estendia até o tamanho aproximado de uma palma.
— Eu não convoquei nada… Ah, certo, talvez eu precise responder acima do nevoeiro cinzento? É realmente bem problemático chamar a mim mesmo… — murmurou Klein, massageando sua dolorida testa.
Ele se acalmou, e deu quatro passos no sentido anti-horário antes de chegar novamente acima do nevoeiro cinzento. Ele viu que havia uma luz ondulante acima do assento da honra na mesa antiga, que emanava do símbolo estranho no encosto da cadeira correspondente. O estranho símbolo, que era composto de um olho sem pupila, um símbolo que representava sigilo, com linhas distorcidas que representavam mudança.
Tudo o que Klein fez foi estender a mão para alcançá-la quando imediatamente ouviu:
— Eu!
— O Louco que não pertence a esta época, o misterioso soberano acima da névoa cinzenta; o Rei do Céu e da Terra que brande a boa sorte.
Então, ele viu a espiritualidade crescente combinada com uma luz ondulante que se transformou em uma porta ilusória, mas sem forma.
A porta tremeu como se quisesse ser aberta. Klein imediatamente se sentiu inspirado e com muita vontade de a ver sendo aberta.
Quase instantaneamente, a névoa sem limites e o palácio elevado foram atraídos para frente. Houve algumas ondulações quase imperceptíveis.
As ondulações subiram em direção à porta ilusória e sem forma.
Mas, não importa o quanto Klein a empurrasse, a porta não podia ser aberta. Todo movimento resultou em um silêncio mortal.
A Porta da Invocação ainda não tomou forma? — Klein controlou sua vontade e franziu as sobrancelhas enquanto analisava o motivo pelo qual havia falhado.
Ele havia casualmente nomeado a porta de “Porta da Invocação”.
Hmm, me falta espiritualidade, então não posso formar uma Porta de Convocação completa. Quando avançar para Sequência 8 Palhaço e passar pela perigosa fase inicial, posso tentar outra vez. Talvez não seja um problema até lá… — Klein assentiu levemente e compreendeu o que havia acontecido.
Esse experimento deu a ele motivação; ele se sentiu animado porque foi a primeira vez que recebeu algum tipo de resposta do misterioso espaço acima do nevoeiro cinzento… além do incidente em que havia divinado sobre o Eterno Sol Ardente!
Chegará o dia em que eu vou entender todos os segredos daqui! — declarou Klein entusiasmado em seu coração. Ele então simulou rapidamente uma descida da neblina sem limites depois de se envolver em sua espiritualidade.
Klein apagou rapidamente a vela depois que voltou para o quarto. Ele finalizou o ritual e limpou a escrivaninha de estudo antes de remover a barreira espiritual.
De repente, uma rajada de vento soprou e ele bocejou. Ele caiu na cama, cobriu-se com um cobertor e rapidamente adormeceu.
No sonho nebuloso que se seguiu, Klein acordou abruptamente e percebeu que estava sentado na sala de sua casa e estava segurando o Jornal Honesto da Cidade de Tingen.
… Não me diga que o Capitão está aqui de novo? — Ele ficou atordoado ao olhar pela janela, encontrando humor no meio de sua irritação.
Com um rangido, a porta se abriu. Dunn entrou devagar, usando seu blusão preto que ia além dos joelhos e segurando uma bengala e um cachimbo.
Ele ainda estava usando sua cartola preta e, por baixo, seus profundos olhos cinzas podiam ser vistos.
Dunn foi até a sala e sentou-se no sofá de assento único. Ele cruzou a perna direita sobre a esquerda.
Ele largou a bengala, tirou o chapéu e se inclinou para trás, e ficou sentado em silêncio, olhando para Klein como se estivesse pensando.
Capitão, o que você está tentando fazer hoje… — Klein ficou pasmo.
Para não expor que sabia que era um sonho, ele fingiu não ser afetado por ele e continuou a ler o jornal.
Um minuto, dois minutos, cinco minutos. Ele levantou a cabeça para olhar para Dunn, que estava sentado à sua frente. Ele descobriu que o Capitão ainda estava sentado lá em silêncio, o olhando profundamente.
Cinco minutos, dez minutos, quinze minutos. Klein folheou o jornal várias vezes, olhando Dunn pelo canto dos olhos, e notou que o homem ainda o olhava silenciosamente, pensando profundamente.
Capitão, você está me deixando muito desconfortável… — Klein não conseguia mais ficar sentado em paz. Ele dobrou o jornal e o colocou de lado. Ele assentiu e sorriu para Dunn. Então, foi à cozinha pegar um pedaço de pano e começou a limpar a mesa de jantar e a mesa de café.
Capitão, olha, meu sonho é tão simples, tão comum, tão chato. Não há nada que valha a pena observar. Apresse-se e vá embora… Por que você não finge ser um fantasma e eu vou fingir ter medo, então você pode completar sua conquista como um Pesadelo! — Ele orou em silêncio e levantou a cabeça, mas tudo o que viu foram os profundos olhos cinzentos de Dunn que ainda estavam em profunda reflexão.
Sob um olhar tão calmo e constante, Klein limpou todos os móveis e também seu quarto. Ele estava tão exausto em seu sonho.
O que mais o desgastou foi Dunn Smith, que o observava em silêncio, pensando profundamente.
Klein não fazia ideia de quanto tempo havia passado enquanto se ocupava até finalmente ver seu Capitão descruzar as pernas e se levantar. Então, ele pegou sua bengala, colocou o chapéu e passou pela porta.
Klein prendeu a respiração e observou Dunn sair de casa.
Ele não pôde deixar de levantar a mão direita para se despedir.
Ufa. — Quando tudo voltou ao normal, Klein deixou escapar um suspiro de alívio.
Isso realmente foi um pesadelo! — pensou ele consigo mesmo, preocupado demias para chorar.
Backlund, Região Oeste, Loja de Departamento Philip.
A Philip era uma das principais lojas de departamento do Reino Loen. Só era aberta para nobres e pessoas ricas que estavam qualificadas para serem membros.
Havia sempre carruagens de luxo estacionadas do lado de fora com diferentes emblemas gravados. Além de ser um local seguro para compras, também se tornou um local social popular devido à restrição rigorosa de seus membros.
Audrey trouxe sua criada, Annie, e sua golden retriever, Susie. Sob o comando de uma atendente ansiosamente atenta, ela desceu da carruagem e atravessou a entrada.
Ao longo do caminho, ela viu filhas de viscondes, condessas ou donzelas com pais de alto status social.
Ela manteve sua elegância e os cumprimentou graciosamente. Ela se comunicou com diferentes nobres sobre diferentes temas. Por exemplo, quando lidava com uma condessa em particular, elogiava os acessórios do vestido dela e, quando cumprimentava uma baronesa em particular, elogiava o excelente desempenho do marido da baronesa na Câmara dos Lordes.
Audrey não era boa nisso anteriormente; ela era muito teimosa e muito arrogante. Mas agora, ela nem precisava se esforçar muito para responder perfeitamente.
Aos olhos de um Espectador, a maioria das emoções e pensamentos das nobres estavam escritas em seus rostos.
Chegando ao segundo andar, Audrey foi em direção em uma loja que vendia vestidos prontos.
A atendente na loja era uma pequena donzela. Ela usava um vestido preto e branco e tinha cabelos loiros na altura dos ombros. Ela era a Árbitra, Xio Derecha.
Audrey olhou para Susie sem mudar sua expressão facial. O cachorro entendeu o que seu dono queria dizer imediatamente e correu para outro balcão.
Sua criada, Annie, foi atrás de Susie para tentar arrastá-la de volta.
Muito bom! — Audrey elogiou interiormente e caminhou até o lado de Xio Derecha, fingindo olhar para a variedade de vestidos.
— … Por que você combinou de me encontrar aqui? — perguntou Xio com um sussurro enquanto apresentava os vestidos em voz alta.
Sua voz era suave, como a de uma criança.
— Onde está o atendente original? — perguntou Audrey em resposta, em vez de responder.
Xio olhou em volta e disse:
— Eu a convenci. Ela ficou feliz em poder descansar pela manhã.
Audrey olhou para os diferentes vestidos estilizados enquanto pegava um pedaço de papel cuidadosamente dobrado de dentro de sua bolsa de couro de cordeiro e o passava secretamente para Xio.
— O Contra-Almirante Furacão, Qilangos, entrou furtivamente em Backlund. Este é seu retrato. Espero que você possa encontrá-lo para mim. Ah, mas não o alerte.
Xio recebeu o pedaço de papel e o desdobrou para dar uma rápida olhada. Ela viu que era um retrato realista de um homem na casa dos trinta que tinha um queixo largo e único.
Uma vez fui constantemente elogiado pelo meu professor de arte… — Audrey lançou um olhar para Xio e levantou a cabeça.
Ela acrescentou:
— O Reino oferece uma recompensa de dez mil libras por Qilangos. Se ele fosse preso, mesmo a pessoa que apenas fornecesse pistas seria definitivamente recompensada com algumas centenas de libras.
Assim que terminou sua frase, ela viu os olhos de Xio brilharem de alegria, como ela esperava.
Capítulo 153
Capítulo 153 – Ato Final de Lançamento da Fundação
Uma mandíbula larga e única, cabelos em um coque como o de um cavaleiro antigo, olhos com a intenção de um sorriso gelado… — Xio Derecha estava meio sentada de maneira desleixada no sofá enquanto examinava o retrato que Audrey havia entregado a ela.
Em seus olhos, o homem poderia muito bem ser uma pilha de dinheiro vivo e ambulante.
Depois de memorizar a aparência do grande pirata Qilangos, ela leu a descrição escrita na parte inferior da página:
“Cabelo castanho, olhos verdes escuros.”
“O retrato só pode ser usado como referência geral, pois o alvo possui a capacidade de se transformar em outra pessoa. Não se sabe quanto tempo ele pode manter a transformação.”
O retrato pode ser usado apenas como referência… O alvo possui a capacidade de se transformar em outra pessoa… Apenas como referência, se transforma em outra pessoa… Então por que gastei tanto tempo memorizando suas características faciais? — Xio exibia um olhar atordoado, como se fosse a primeira vez que testemunhava as más intenções que o mundo tinha por ela.
Ela olhou para cima e viu Fors Wall caída languidamente em um sofá em sua frente. Ela parecia estar murmurando para si mesma:
— Não há como procurar por essa pessoa. Não sabemos como ele é. Tudo o que sabemos é que ele não é de Backlund. Há muitos estrangeiros que entram em Backlund todos os dias.
Fors tentou se sentar, mas falhou mesmo depois de três tentativas.
— Eu sou apenas uma Aprendiz, não um Árbitro… — Ela fez beicinho enquanto colocava a mão no apoio de braço do sofá, conseguindo finalmente se levantar com sucesso.
— Essa dama acha que somos profetas? — brincou Fors.
Xio estava prestes a responder quando percebeu que ainda havia notas de rodapé as quais ainda não havia lido.
Ela as recitou suavemente:
— As formas sugeridas de procura são as seguintes:
— 1. Qilangos tem um objeto maligno com ele, que precisa devorar a carne, o sangue e a alma de uma pessoa viva a cada dois dias.
Pode-se considerar procurar mendigos desaparecidos.
— 2. Pesquise as informações de Qilangos minuciosamente e crie um perfil de seus hobbies e comportamentos particulares.
— 3. Os traços faciais de uma pessoa podem mudar, mas enquanto não receber nenhum treinamento especial, geralmente agirá como ele mesmo, como as coisas que prefere comer, seu jeito de andar, ações que costuma realizar e muitos outros detalhes.
Fors assentiu enquanto ouvia.
— Audrey não é a adolescente inocente e ingênua que os rumores sugerem. Ela tem um coração meticuloso e um senso calmo de observação.
— É mesmo? — perguntou Xio, duvidosa. Ela não esperava uma resposta, e mudou o tópico ao sugerir:
— Eu ficarei encarregada de coletar as informações. Você pode estabelecer os hobbies e as características únicas daquela pilha de libras de ouro… digo, do almirante?
Fors abriu os olhos e sacudiu a caixa de aço que continha seus cigarros.
— Como você pode suportar fazer isso? Como você aguenta que uma autora delicada e sensível faça tal pesquisa, análise e dedução?
Xio lançou um olhar para sua boa amiga enquanto exalava um ar de autoridade sem perceber.
— Há um parágrafo interessante sobre dedução no seu livro Vila Montanha Tempestuosa.
Fors colocou os ombros para trás e abaixou a cabeça, olhou para a mesa de café e disse:
— Você sabe quanto do meu cabelo eu arranquei, quanto sono perdi, apenas para aquele parágrafo?
Ela rapidamente levantou a cabeça e olhou para Xio Derecha, depois abaixou a cabeça mais uma vez e resmungou:
— A vida é curta. Há muitas coisas que precisamos fazer, por que devemos perder nosso tempo com tarefas domésticas desinteressantes?
Isso é bem razoável… — Xio quase concordou. Ela lutou muito para manter sua autoridade como Árbitro.
— Então você tem outras maneiras de resolver esse problema? — Ela suprimiu a voz, fazendo sua voz infantil parecer mais profunda.
Fors pensou por quase vinte segundos antes de olhar para ela de repente.
— Podemos contratar um profissional! Depois que você terminar de coletar as informações sobre o Contra-Almirante Furacão, podemos apagar o nome e entregar a um excelente detetive, para pedirmos então que ele faça a consolidação e a dedução. Tudo o que precisamos fazer é pagar uma taxa!
Por que não pensei nisso… — A mente de Xio ficou em branco. Fors e Xio se entreolharam sem dizer nada.
Quando a atmosfera ficou estranha, ela pigarreou.
— Faremos então de acordo com sua sugestão.
Depois de dizer isso, ela acrescentou rapidamente:
— A taxa é por sua conta!
Rua Howes, Clube de Divinação.
— Boa tarde, Sr. Moretti. — A bonita recepcionista, Angelica, olhou para Klein surpresa. — Você raramente vem às sextas-feiras.
Exausto de procurar a casa com a chaminé vermelha, Klein sorriu e disse:
— O destino nunca se repete indefinidamente. Sempre nos traz algumas surpresas.
Ele estava na área e o tempo da carruagem que havia alugado expirou; assim, ele veio tomar uma xícara de chá preto e descansar um pouco.
Além disso, isso serviria como os toques finais da fundação. Com a nova “experiência” no Clube de Divinação, ele logicamente mencionaria o pedido a Dunn Smith.
— Suas palavras são sempre tão filosóficas — elogiou Angélica.
Klein pensou por um momento antes de dizer, ponderando:
— Talvez eu não venha ao Clube de Divinação com muita frequência no futuro, então você não precisa mais me recomendar a outras pessoas.
Ele já havia digerido sua poção, então precisava avançar em direção a um novo objetivo!
— Por quê? — perguntou Angélica em choque e perplexidade. — Você já estabeleceu seu nome no clube. A maioria das pessoas sabe que suas divinações são muito precisas e milagrosas. Na verdade, estávamos pensando em fazer você vir aos domingos como palestrante.
Se eu recebesse uma libra por cada divinação que realizasse, continuaria fazendo isso, independentemente de quão cansado estivesse… Além disso, ainda tenho que investigar as casas com chaminés vermelhas e encontrar o culpado o mais rápido possível… — Klein sorriu calorosamente.
—Madame, não me convença a ficar; este é o arranjo do destino.
— Não vou parar de vir ao Clube de Divinação por completo, mas minhas visitas se tornarão menos frequentes. Ainda pagarei as taxas de associação em dia.
Posso ser reembolsado por isso de qualquer maneira… Virei ocasionalmente para monitorar o local… — acrescentou Klein em seu coração.
— Que pena. Espero que você esteja no clube quando eu precisar de ajuda. — Angélica suspirou.
Ela percebeu que isso não era tão surpreendente quanto imaginava após o susto inicial ter passado.
Talvez um vidente milagroso que ainda respeite o destino não seja alguém que possa ser retido por um simples clube em Tingen… — Angélica sorriu, como se estivesse pensando em alguma coisa.
— Chá preto de Sibe?
— Sim. — Klein retribuiu um sorriso.
Ele ficou cerca de vinte minutos no clube, passando o tempo descansando e tomando seu chá preto antes de sair. Ele pegou uma carruagem pública de volta à rua Narciso.
Ao entrar em casa, ele abriu a caixa de correio por hábito e viu que havia uma carta colocada lá dentro não havia muito tempo.
Klein abriu a carta e percebeu que era do Sr. Azik.
“… Vou para Cidade de Morse no domingo e voltarei na quartafeira.”
A maioria dos cidadãos da Cidade de Morse acredita na Deusa… Ele está indo para lá no domingo, o que significa que, de acordo com o nível usual de eficiência, os Falcões Noturnos só receberiam as informações na terça ou quarta-feira. Eu conseguirei fazer isso… Em pensar que o Sr. Azik se lembraria do meu pedido… Espero que ele se lembre de não fazer isso pessoalmente. Convocar um espírito e fazer algo assustador seria suficiente… — Klein assentiu levemente e então liberou sua espiritualidade, queimando a carta com atrito.
Ele sacudiu a mão, transformando as chamas em cinzas, permitindo que caíssem lentamente no chão.
Sábado à tarde. Klein estava usando seu blusão preto e chapéu, com a bengala na mão enquanto entrava lentamente na Companhia de Segurança Blackthorn.
Depois de cumprimentar Rozanne, ele olhou para a divisória e notou que o escritório do Capitão estava aberto. Ele intencionalmente falou mais alto:
— Ontem, vi uma garota que se parecia com você no Clube de Divinação.
— Sério? — perguntou Rozanne, seu interesse despertado.
Klein assentiu sem sinceridade. — Sim, de fato, pensei que ela fosse sua irmã.
— Sinto muito ter que decepcioná-lo, mas não tenho irmãs, nem primas — Rozanne riu. — Você se lembra do nome dela?
— Não, por que lembraria o nome dela? — Klein sorriu. — Olhar para ela era exatamente como olhar para você.
— Posso considerar isso como um elogio? — Rozanne era uma garota tagarela que nunca precisou de outras pessoas para iniciar uma conversa, e perguntou por sua própria vontade:
— Klein, eu diria que você está ganhando bastante com o Clube de Divinação? Como um verdadeiro Vidente, suas habilidades estão muito além daqueles que consideram isso um hobby.
Ainda seríamos bons colegas se você não mencionasse isso… —
Klein tossiu.
— Um Vidente precisa respeitar o destino. Não podemos usar a divinação para pedir privilégios anormais.
— Você está deduzindo sua própria máxima para um Vidente? — perguntou Rozanne por curiosidade.
— Sim — respondeu Klein francamente.
Depois de uma breve conversa, Klein se despediu de Rozanne, pegou seu chapéu e caminhou em direção à divisória.
Toc! Toc! Toc!
Ele olhou para Dunn Smith, que estava bebendo seu café, e bateu na porta aberta.
— Entre, por favor. — Dunn olhou para Klein e ajustou sua postura imediatamente.
Klein já havia sondado o Capitão nos últimos dois dias. Ele confirmou que Dunn Smith não havia mencionado sobre o “método de atuação” enquanto experimentava, e também era claro que ele era bastante cauteloso com os superiores da Igreja.
Assim, ele fechou a porta, sentou-se em frente a Dunn e disse com uma expressão séria, mas um pouco animada:
— Capitão, acredito que compreendi completamente a poção Vidente. Desejo fazer uma solicitação especial.
Capítulo 154
Capítulo 154 – Compartilhando “Experiência”
Enquanto olhava nos olhos de Klein, Dunn respirou fundo e se recostou. Então, ele exalou lentamente e disse:
— Você tem certeza?
Houve pequenas alterações em sua expressão facial. Ele parecia estar bem preparado para o pedido especial, mas não esperava que fosse tão cedo.
Capitão, por que você parece aliviado… — Klein não escondeu o sorriso ao dizer:
— Tenho certeza, Capitão. Quando se domina completamente a poção, sentirá uma sensação muito mágica e especial. Não terá dúvidas de ter dominado totalmente a poção.
— Sensação mágica especial… — Dunn murmurou essas palavras suavemente e lentamente franziu as sobrancelhas.
Huh, o Capitão avançou duas vezes sem digerir completamente a poção? Claro, se ele não soubesse sobre o “método de atuação”, seria difícil digerir completamente. Ele deve ter usado um período de tempo prolongado para dominá-la e estava subconscientemente “agindo” para minimizar o risco de perder o controle… Pobre Capitão… — Klein calmamente olhou para Dunn Smith, mas não falou nem disse mais nada para permitir que Dunn pensasse com cuidado.
Depois de quase um minuto, os olhos profundos de Dunn refletiram a figura de Klein mais uma vez. Ele pesou suas palavras antes de dizer:
— Talvez fosse melhor esperar mais um ano.
O que o Capitão quer dizer é que esperar mais um ano a tornaria menos notável. Com o exemplo que Madame Daly deixou, os superiores não prestariam muita atenção em mim. No máximo, eu só seria colocado em uma lista para observação — pensou Klein antes de responder com franqueza:
— No começo, eu queria esperar até o próximo ano para enviar meu pedido especial. Afinal, há muitas coisas que preciso dominar. Por exemplo, minhas habilidades de combate são apenas de iniciante.
— Mas, Capitão, você não acha que passamos por muitas coincidências nos últimos dois meses? Estávamos perseguindo os sequestradores quando encontramos o Caderno Antigonus na sala oposta. O envio do Artefato Selado 2-049 foi atrasado, mas Ray Bieber não deixou Tingen e tentou digerir a energia no porto. Fui a um banquete de aniversário e desencadeei o incidente de Hanass Vincent. Fui investigar na biblioteca e encontrei um membro da Ordem Aurora…
— Não sei o que essas coincidências significam, mas me sinto inseguro. É por isso que quero me aperfeiçoar da melhor maneira possível.
Klein aproveitou a oportunidade para falar sobre o manipulador nos bastidores. Era algo que ele havia planejado incluir em sua agenda, mas sem expor sua singularidade; ele mencionaria aos Falcões Noturnos para fazê-los procurar por mais pistas de diferentes ângulos. O que ele disse anteriormente só levaria os outros Falcões Noturnos a concluir que Klein tinha uma mente perspicaz e era bom em organizar seus pensamentos.
No momento em que Klein disse a palavra “mas”, o corpo de Dunn se inclinou para frente. No final, ele colocou os dedos na frente da boca.
Ele fixou o olhar e permaneceu quieto, aparentemente pensando no que Klein havia dito.
Depois de um tempo, Dunn levantou a cabeça e disse com uma voz suave e profunda:
— Muito perceptivo… Talvez haja realmente algo à espreita nas profundezas da escuridão.
Sem esperar Klein falar, ele instruiu:
— Você pode enviar o pedido especial.
— Tudo bem. — Klein levantou o canto dos lábios quando respondeu.
Ele se levantou com um sorriso e caminhou em direção à porta. Como esperado, ele ouviu uma familiar observação adicional.
— Espere — chamou Dunn. Ele pesou as palavras e disse:
— Tome cuidado com a escolha de suas palavras.
— Não se preocupe, Capitão. Coloco mais importância neste assunto que você! — Klein assentiu com um sorriso.
A princípio, ele pensou que Dunn proporia que eles evitassem a Catedral Sagrada e, em vez disso, avançasse para a Sequência 8 em segredo. Então eles poderiam passar pelo procedimento normal após três anos. No entanto, depois de refletir sobre isso, ele percebeu que era impossível. Independentemente de se tratar de um pedido especial ou de um pedido normal, a pessoa que iria avançar ainda tinha que ser investigada pela Catedral Sagrada; a única diferença era que um método era relativamente simples e o outro era mais complicado.
Se tivesse se tornado Sequência 8 em segredo, isso poderia colocar todos os Falcões Noturnos de Tingen em apuros.
Já que Klein havia terminado suas aulas de misticismo, ele não tinha pressa para ir ao subterrâneo; ele caminhou até o escritório de funcionários ao lado depois de deixar o escritório do Capitão.
Ele encontrou um homem e uma mulher sentados no escritório. O homem estava na casa dos trinta e a mulher a casa dos vinte; eles eram os dois membros recém-adicionados.
Eles ficaram surpresos quando Klein entrou, depois sorriram e acenaram em cumprimento. Eles estavam curiosos e admirados com os Beyonders com os quais trabalhavam.
Klein não conversou com eles, ele encontrou uma mesa vazia e começou a escrever um rascunho para o pedido especial.
Como já tinha um rascunho na cabeça, levou apenas dez minutos para concluir seu trabalho inicial.
Depois de ler algumas vezes e alterar partes, ele se sentou diante da máquina de escrever Akerson Modelo 1346 e começou a digitar seu rascunho em um documento.
Ouvindo o toque do teclado, os dois novos funcionários trocaram olhares e se levantaram simultaneamente. Eles deixaram o escritório e foram ao salão de recepção conversar com Rozanne, permitindo que Klein tivesse um pouco de privacidade.
Muito cuidado e plenamente consciente da necessidade de manter sigilo… — Klein olhou de relance para as figuras enquanto as elogiava.
Ele se concentrou em seu trabalho novamente e continuou digitando na máquina de escrever.
No momento em que completaria seu pedido especial, Leonard Mitchell saiu do banheiro. Ele olhou em volta enquanto abotoava a camisa. Havia uma beleza desenfreada em seus cabelos bagunçados.
— Que relatório você está escrevendo? — Olhando ao redor do escritório, Leonard se recostou no batente da porta com a ponta do pé direito para se equilibrar e as mãos enfiadas nos bolsos.
Seus olhos verdes examinaram Klein com interesse.
Klein digitou a última palavra e o último sinal de pontuação. Ele então virou a cabeça e sorriu.
— Pedido especial.
— Pedido especial? — perguntou Leonard, intrigado.
Klein pegou o papel e deu uma lida por cima. Ele explicou casualmente:
— Um pedido especial para avançar para Sequência 8.
Cof! Cof! Cof!
Leonard de repente tossiu vigorosamente. Se acalmando, ele perguntou:
— Já digeriu? Mano, você sabe bastante.
Klein segurou seu pedido especial e caminhou até Leonard. Ele levantou uma sobrancelha e disse:
— Sim.
Então, o olhou nos olhos e acrescentou baixinho com uma risada:
— Lembro que alguém uma vez me disse que existem pessoas especiais, pessoas que podem fazer coisas que outras não podem.
— Como eu.
— Como você.
Leonard ficou de repente sem palavras. Ele só conseguiu mudar sua postura e tirar as mãos dos bolsos para cruzar os braços na frente do peito.
Ele abriu a boca e finalmente organizou suas palavras. Ele perguntou em voz baixa:
— Você não acha que é muito arriscado?
Como ele já sabia sobre a digestão, ele definitivamente entende que meu avanço não corre risco de perder o controle… Hmm, está se referindo à atenção dos superiores da Igreja? — Klein explicou, enquanto pensava:
— Leonard, você se lembra da primeira tarefa em que trabalhamos juntos? Estávamos apenas rastreando sequestradores, mas percebemos que o quarto ao lado tinha pistas sobre o caderno da família Antigonus…
Ele repetiu o que havia mencionado a Dunn mais uma vez.
A expressão de Leonard ficou pesada e ele assentiu levemente. Ele murmurou para si mesmo:
— Talvez eu tenha que me apressar…
Assim que terminou, ele de repente olhou para Klein e deu um sorriso ao dizer:
— Você não vai compartilhar sua experiência conosco? A experiência de dominar rapidamente uma poção e evitar o risco de perder o controle!?
Esse cara com certeza consegue colocar uma fachada rapidamente… — Klein sorriu e respondeu:
— Estou mais do que disposto.
Ele estava planejando aproveitar a oportunidade para mencionar hoje a seus companheiros de equipe sobre como minimizar o risco de perder o controle.
É claro que, para manter sua segurança pessoal, não podia dizer isso tão diretamente quanto fez com Dunn Smith. No máximo, poderia descrever a ideia vagamente, de uma maneira que não alertaria ninguém que fosse enviado pelos superiores.
— Então vamos fazer isso agora! — Leonard impacientemente arrastou Klein para a sala de recreação dos Falcões Noturnos.
Naquele exato momento, fora Royale, que estava em turno no Portão Chanis, Frye, Kenley e Seeka Tron estavam jogando cartas.
— Pessoal, pessoal! — Leonard bateu na porta entreaberta e falou como se estivesse recitando um poema:
— Deixe-me apresentar esse homem ao meu lado, Sr. Klein Moretti, que dominou totalmente sua poção em um mês e meio!
… Esse cara é tão dramático… — De repente, Klein se sentiu constrangido.
— O quê? — Até Seeka Tron, a autora que não era famosa e mal vendeu livros, inclinou a cabeça para o lado como se estivesse testando sua capacidade auditiva.
— Leonard, não brinque assim. Você está sempre exagerando as coisas. — Kenley cobriu suas cartas, perdido.
Frye segurou suas cartas enquanto olhava para Klein. Ele ficou quieto por um tempo e disse:
— Você tem certeza de que já dominou completamente a poção?
— Sim. — Klein podia sentir sua preocupação, então assentiu com confiança. — Houve um sinal óbvio.
— O quê? É sério? — Kenley gritou uma resposta atrasada e se levantou.
Leonard riu e apontou para o papel nas mãos de Klein enquanto dizia:
— Esta é o pedido especial que ele vai enviar. O pedido especial para avançar para a Sequência 8!
— … Como você fez isso? — Seeka Tron tinha muitas perguntas, mas só expressou a que mais a preocupava depois de respirar fundo.
Ela normalmente era quieta e elegante, mas agora tinha uma paixão ardente nos olhos que não podia ser suprimida.
Klein encontrou uma cadeira e se sentou. Ele abaixou a voz e respondeu:
— Encontrei inspiração na máxima dos Espreitador de Mistérios.
— Faça como quiser, mas não faça mal. — Leonard complementou.
— Isso. De acordo com nossas informações confidenciais, seguir essa máxima dá aos Espreitadores de Mistérios menor probabilidade de perder o controle — Klein explicou o que havia aprendido com Velho Neil. — Depois disso, com exemplo da Madame Daly, obtive melhor compreensão do processo.
— Médium Espiritual Daly? — perguntou Kenley em resposta, esperando obter confirmação.
— Sim. Madame Daly já entregou um pedido especial no passado. Ela só precisou de dois anos para se tornar uma Médium Espiritual de Coletor de Cadáveres. Uma vez ela disse ao Velho Neil que queria ser uma verdadeira Médium Espírital — explicou Klein em detalhes. — Com a experiência que ganhei no Clube de Divinação e o feedback correspondente que recebi, gradualmente concluí meus princípios de Vidente. Então segui rigorosamente e tentei me tornar um verdadeiro Vidente… Quando o fiz, percebi que a velocidade com que dominava a poção se tornava mais rápida.
Enquanto ouviam as palavras de Klein, Frye, Seeka e o resto pensaram profundamente. Até Leonard fingiu estar pensando.
— Vou entregar meu pedido especial. — Klein acenou com o papel em suas mãos. — Se tiverem algum problema, me perguntem em particular.
— Tudo bem — respondeu Frye friamente com um aceno de cabeça.
Klein saiu da sala de recreação e bateu na porta do escritório do Capitão novamente.
Ele se sentou em frente a Dunn, depois pegou uma caneta e uma almofada de carimbo. Ele assinou e carimbou com sua impressão digital.
— Capitão, este é meu pedido especial. — Depois disso, ele passou o papel para Dunn com as duas mãos.
Dunn leu atentamente e abaixou o papel.
— Vou enviá-lo à Catedral Sagrada o mais rápido possível. Você deve se preparar para ser examinado. Talvez na próxima semana ou na semana seguinte.
— Tudo bem. — Klein respirou fundo e assentiu seriamente.
Ele se levantou, saiu do escritório do Capitão e fechou a porta.
Durante o processo, ele pensou na solicitação que havia enviado. Houve um pensamento que surgiu em sua cabeça.
Me pergunto que tipo de teste será…
Capítulo 155
Capítulo 155 – Reunião Urgente
Depois de se recompor, Klein desceu ao subterrâneo, caminhou até o Portão Chanis e bateu na porta da sala de guarda.
Dentro, Royale Reideen já havia empacotado seus pertences pessoais. Ela ajeitou os cabelos e levantou quando viu a pessoa assumindo seu turno.
Depois de cumprimentar um ao outro com um aceno de cabeça, Klein de repente disse:
— Tive algum sucesso ao dominar minha poção e compartilhei minhas experiências com Frye e o resto. Você pode perguntar a eles sobre isso.
Royale, que normalmente não tinha muita expressão, olhou para Klein com um pouco de choque. Seus lábios tremeram um pouco quando disse:
— Tudo bem.
Madame, vamos torcer para que você ainda consiga manter a calma durante algum tempo… Já há um monte de pessoas atordoadas sentadas na sala de recreação. — Klein riu e chegou atrás da mesa, pegando habilmente a lata que Dunn Smith usava para armazenar seu café Fermo.
Depois de fazer uma xícara de um aromático café, Klein se sentou e relaxou. Ele olhou para o corredor solitário e permitiu que seus pensamentos vagassem livremente.
Vamos torcer para que a missão do Sr. Azik seja bem-sucedida e que ele não deixe nenhuma pista. Bem, mesmo que haja pistas, posso apenas fingir que não as notei.
Me pergunto onde o Emblema Mutado do Sol Sagrado* está selado atrás do Portão Chanis? Como não possui características vivas, só precisa de um pouco de espaço…
Pensando nisso, nunca estive na parte de dentro do Portão Chanis. Nem sei ao certo como é por dentro… Para poder manter os estranhos artefatos selados de variados tamanhos em segurança e manter a vigilância, deve ser bastante especial. Por exemplo, as cinzas de Santa Selena?
…
Muitos pensamentos passaram pela cabeça de Klein e ele de repente ouviu passos urgentes. Ele se concentrou, lançou um olhar para a porta e viu o Velho Neil, vestindo sua túnica preta clássica, aparecer no corredor com um tapete preto nas mãos. Ele entrou na sala de guarda e não disse nada, mas observou Klein minuciosamente.
— Sr. Neil, aconteceu alguma coisa? — Klein soltou uma risada seca e tomou um gole de seu aromático café.
Velho Neil o avaliou e suspirou.
— E pensar que você encontraria inspiração na máxima dos Espreitadores de Mistérios e em Daly…
— Tenho que louvar a Deusa. Também tenho que agradecer por seus ensinamentos. — respondeu Klein com toda a seriedade.
Velho Neil puxou uma cadeira e se sentou. Ele disse, um pouco deprimido:
— Quão bom seria se fosse vinte anos atrás…
Klein manteve o silêncio, pois sabia que Velho Neil não podia mais consumir poções por causa de sua idade e saúde, mesmo que tivesse digerido completamente a de agora.
Sob tais circunstâncias, qualquer coisa que dissesse o teria agitado.
— Meus primeiros pensamentos foram rapidamente ganhar o controle de minha poção com a máxima de Espreitador de Mistérios, mas lamentavelmente, não estava indo na direção certa. O sucesso de Daly me deu algumas pistas, mas eu já tinha mais de 50 anos e já havia desistido de meus esforços. Eu subconscientemente pensei que o sucesso dela era resultado de sua genialidade e que uma pessoa comum não seria capaz de imitar suas conquistas. — Velho Neil massageou as têmporas ao descrever sua decepção.
Ele ficou em silêncio por alguns minutos antes de levantar a cabeça. Ele olhou para Klein e disse:
— É lamentável que só agora eu entenda o que perdi nessa idade.
Velho Neil deveria ter um fraco entendimento do “método de atuação”. Ele entendeu imediatamente o que aconteceu depois que compartilhei minhas experiências… — Klein o consolou:
— Não teria feito muita diferença. A Igreja não possui a Sequência 8 correspondente de Espreitador de Mistérios.
— Talvez a Catedral Sagrada tenha… Não, se tivessem, pelo menos nos diriam seu nome. Também é possível que o mercado clandestino possua… — Velho Neil murmurou. Ele balançou a cabeça enquanto se levantava. Rindo, ele disse:
— Pelo menos não perdi o controle e vivi com saúde por décadas… Louvado seja a Dama.
Ele desenhou uma lua carmesim na frente do peito e deixou a sala de guarda com um pouco de desânimo. Ele havia perdido seu visual astuto de sempre.
Klein olhou para as costas do Velho Neil e de repente soltou um longo suspiro.
Ele ficou ainda mais perplexo com o motivo pelo qual os superiores da Igreja ocultariam o “método de atuação”.
Klein se recompôs depois de algum tempo, colocando sua atenção nas informações confidenciais dos Falcões Noturos à sua frente.
Desde que atraiu o jovem da Cidade de Prata para o Clube de Tarô e descobriu que a Cidade de Prata ainda usava os nomes antigos para muitas coisas, ele achou necessário aprimorar seu conhecimento nessas áreas.
Algum tempo depois, ele ouviu outro conjunto de passos; dessa vez eles eram lentos e constantes.
Ao mesmo tempo, uma imagem de Dunn Smith usando um blusão preto passou por sua mente.
Meus sentidos espirituais foram elevados depois de digerir completamente a poção Vidente… — Klein assentiu em compreensão. Ele viu o Capitão alguns segundos depois.
— Uma carta para você. — Dunn estendeu o braço direito e sacudiu o pulso, jogando a carta para Klein.
Klein ergueu a mão e tentou pegar a carta, mas, seja por seu julgamento ou reação, ele errou.
Pa!
A carta caiu no chão, deixando a mão direita de Klein estendida desajeitadamente no ar.
Sob a atmosfera repentinamente silenciosa, sua mão direita ficou rígida, depois a puxou de volta para a cabeça e fingiu alisar os cabelos.
— A luz da lâmpada a gás não é brilhante o suficiente — Klein fez casualmente uma declaração superficial. Se curvando, ele pegou a carta, dando um olhar superficial.
Sr. Hornacis… É uma carta de Daxter Guderian… — Ele balançou a cabeça em compreensão e abriu uma gaveta para pegar um abridor de cartas.
De acordo com as regras dos Falcões Noturnos, se houvesse um destinatário claro e correto, Rozanne e o restante dos funcionários entregariam a carta diretamente à pessoa a quem a carta foi endereçada. Se o destinatário fosse um nome anônimo ou desconhecido, seria entregue a Dunn. Ele poderia perguntar aos outros ou tomar uma decisão.
Klein abriu cuidadosamente a carta e pegou o pedaço de papel dentro. Ele rapidamente desdobrou o pedaço de papel e o leu.
Ele percebeu que o médico de asilo, Daxter, estava pedindo uma reunião urgente às duas da tarde de hoje.
Ele obteve a fórmula Telepata? Ou é sobre outra assunto? — Klein levantou a carta na mão e olhou para Dunn.
— Capitão, meu informante, o dos Alquimistas da Psicologia, deseja me encontrar às duas da tarde.
— Ele disse mais alguma coisa? — perguntou Dunn, como se estivesse esperando por isso.
— Não. — Klein balançou a cabeça.
Dunn pensou por um momento e depois disse com voz pesada:
— Faça Leonard vigiar o Portão Chanis por enquanto. Eu vou com você e me esconderei em algum lugar. Esses pedidos urgentes de reunião podem às vezes ser uma armadilha. Já ouvi falar de muitos incidentes semelhantes. Além disso, se é algo importante, poderemos agir rapidamente.
Capitão, você com certeza tem experiência… Sem mencionar que é o Capitão mais correto e confiável, sem problemas de memória sempre que temos algo sério para fazer… — Klein assentiu imediatamente.
— Tudo bem!
Às duas da tarde. Dentro do pequeno campo de tiro nº 9 do Clube de Tiro da rua Zouteland.
Klein olhou para o alvo cheio de buracos e depois olhou para o preocupado doutor Daxter Guderian.
— O que aconteceu para você procurar os mercenários no Bar Cão de Caça com tanta agitação?
Somente assim o chefe do Bar Cão de Caça, Wright, entregaria a carta imediatamente à Companhia de Segurança Blackthorn, em vez de esperar Klein ir coletá-la.
Daxter observou a expressão e a linguagem corporal de Klein, depois respondeu suavemente:
— Acho que Hood Eugen está um pouco anormal recentemente.
Hood Eugen era o paciente do asilo mental que levou Daxter aos Alquimistas da Psicologia.
— Que tipo de anormalidades ele exibiu? — Klein pressionou o assunto, demonstrando seu profissionalismo.
Daxter deu um suspiro de alívio, como se tivesse encontrado um pilar de apoio. Ele disse enquanto deliberava suas palavras:
— E–ele parece ter realmente ficado louco…
— Realmente enlouqueceu? – perguntou Klein, chocado.
Hood Eugen não havia fingido sua doença e se infiltrou no asilo mental para tentar influenciar os pacientes, a fim de treinar suas habilidades mentais?
Ele realmente ficou doente, insanidade genuína?
— Acho que sim… — Daxter estava andando ansiosamente de um lado ao outro. — Antes eu podia manter uma conversa normal com ele e receber orientação sobre como usar corretamente meus poderes Beyonder. Mas nos últimos dias, sua linha de pensamento e sua condição tornaram-se realmente estranhos. Mal posso me comunicar com ele. Ele era exatamente como meus outros pacientes, apesar de… apesar de eu ter conseguido obter a fórmula Telepata como resultado. Mas não consigo determinar se é real ou falsa. Receio que possam ocorrer algumas mudanças incontroláveis.
Não importa. Como um Vidente, um Vidente que tem o mundo misterioso acima do nevoeiro cinzento, poderei determinar se é real ou falso… — Klein deu um suspiro de alívio antes de franzir as sobrancelhas e perguntar:
— Ele entrou em contato com alguém antes de ficar anormal?
— Somente com os pacientes. E–eu não posso garantir, no entanto. Não estou no asilo o dia inteiro. Também preciso de tempo para descansar — disse Daxter, sua expressão séria.
Klein assentiu, como se fosse algo trivial.
— Não se preocupe. Vou mandar alguém para protegê-lo em segredo. Você deve descobrir com quem Hood Eugen entrou em contato o mais rápido possível. Além disso, precisa ter cuidado; ele pode estar te testando. Você também deve relatar isso aos membros dos Alquimistas de Psicologia e ver como os superiores de sua organização reagem.
— Tudo bem. — Daxter ajeitou seus óculos dourados, recuperando a calma de um Espectador. Ele então pegou um pedaço de papel do bolso e entregou a Klein. — Esta é a fórmula da poção Telepata, mas não posso garantir sua autenticidade.
— Nós verificaremos. — Klein sorriu em resposta. Ele desdobrou o pedaço de papel no local e leu.
— Ingredientes principais: a glândula pituitária completa de uma salamandra arco-íris madura, 10 ml de líquido espinhal de um coelho Farsman.
— Ingredientes suplementares: 5 gramas de esporo de castanha, 8 gramas de pó de grama de dente de dragão, 3 pétalas de flores de elfo branco puro, 100 ml de água pura.
— Excelente — elogiou Klein, dobrando o pedaço de papel e o guardando no bolso interno do smoking.
Depois de trocar mais algumas palavras e verificar que as “vozes” que Daxter ouvia estavam diminuindo, Klein se despediu. Ele foi cautelosamente para o campo de tiro reservado para os Falcões Noturnos, onde Dunn Smith estava esperando.
— Capitão, o informante me entregou a fórmula Telepata para agradecer por ajudá-lo a controlar os efeitos colaterais da poção, mas não pode determinar a autenticidade da poção. — Klein entregou o pedaço de papel a Dunn com uma expressão séria. — Além disso, ele mencionou outra coisa…
Dunn leu a fórmula enquanto ouvia as preocupações sobre Hood Eugen. Depois disso, ele assentiu.
— Atribuirei imediatamente mão de obra para manter o asilo mental sob vigilância. Você não teve treinamento profissional quando se trata desses assuntos e não precisa participar disso. Volte e guarde o Portão Chanis.
Dito isso, ele olhou para Klein profundamente nos olhos e disse:
— Se levarmos em conta essa fórmula, você não precisará acumular mais méritos. Você pode receber diretamente a poção
Palhaço depois de passar no exame…
Capítulo 156
Capítulo 156 – Melissa que tem uma visão de longo prazo
E estou pagando o dobro pela fórmula Palhaço… E tudo isso porque originalmente queria ser recompensado em dobro pelo trabalho que fiz. Esquece, não tenho oportunidade de mencionar que já possuo a fórmula da poção Palhaço. — Klein respirou fundo e forçou um sorriso, dizendo:
— Espero que possa passar no exame sem problemas.
Ele ficou mais do que feliz com a decisão de Dunn de continuar a vigiar o Portão Chanis. Ele não somente não possuía a capacidade profissional de monitorar e investigar, mas seu combate corpo a corpo estava longe de satisfatório.
Em termos de tiro, ele era considerado decente em comparação com a polícia comum. No entanto, seus companheiros de equipe eram todos Beyonders que tinham seus atributos físicos aprimorados. Mesmo que não fossem todos ao nível de atirador de elite, eram bem próximos.
Quanto ao combate corpo a corpo, Klein era apenas um iniciante.
Mesmo com um charm do sono, um charm de sonolência e um charm dos sonhos, ele ainda era considerado um Beyonder do tipo suporte. Seria fácil lidar com pessoas comuns, mas estaria em perigo se encontrasse qualquer Beyonder que fosse adepto em combate.
Até avançar para a Sequência 8, me tornar habilidoso com as técnicas de batalha e dominar um bocado de feitiços, só posso concluir, por conta própria, missões sobrenaturais normais. Hmm, se eu roubar com sucesso o poder do Artefato Selado 3-0782 e criar charms do Sol Flamejante, será ainda melhor. Não seria impossível para mim vencer de uma posição desvantajosa… — pensou Klein com esperança enquanto voltava lentamente para a Companhia de Segurança Blackthorn.
Na manhã seguinte, quando terminou seu turno e deixou o Portão Chanis, os Falcões Noturnos ainda não haviam obtido nenhuma informação útil ao monitorar Hood Eugen. Por enquanto, eles tinham que depositar suas esperanças na investigação interna do informante.
Quando voltou para casa, Klein tomou café da manhã em silêncio e se deitou em seu quarto para dormir até o meio dia.
Ele acordou naturalmente, se lavou e caminhou até o primeiro andar, seguindo o cheiro de comida.
— Melissa está preparando almoço? — Klein olhou para Benson, que estava lendo jornal na sala de estar.
Benson abaixou o jornal e disse:
— Sim, ela tem uma visita hoje. Queria que ela conversasse com sua convidada enquanto eu preparava o almoço. Mas ela não confia nas minhas habilidades culinárias e levou a convidada para a cozinha. Que rude.
Benson, você conseguiu perceber rapidamente que Melissa detesta suas habilidades culinárias… — Klein conteve o desejo de rir e caminhou em direção ao sofá de assento único enquanto perguntava:
— Visita de Melissa?
— Sim, você deve conhecê-la. Elizabeth, nós a encontramos no banquete de jantar de Selena. — Benson se inclinou para trás e continuou a ler seu jornal confortavelmente.
Não foi só no banquete de jantar… Ela realmente veio visitar… — Klein se virou para a cozinha com uma expressão atordoada.
Nesse momento, Melissa saiu carregando alguns pratos e Elizabeth seguiu atrás, também vestindo um avental.
— Klein, você já acordou? Eu estava pensando em te acordar. — Melissa colocou os pratos na mesa de jantar animadamente enquanto dizia:
— Esta é Elizabeth. Você já a conhece.
— Olá, Klein. — O rosto adorável de Elizabeth mostrou um sorriso esplêndido quando ela o cumprimentou.
Klein respondeu gentil e educadamente.
Depois de se cumprimentarem, Melissa piscou e falou seriamente:
— Elizabeth nos seguirá para a Assistência a Servos de Família de Tingen mais tarde. Eles contratam algumas criadas em casa, então ela tem experiência nisso. Suas opiniões podem ser úteis.
— Na verdade, já definimos os requisitos para escolher uma criada. Ouça e veja se há algo que precise ser adicionado.
Melissa limpou as mãos no avental e tirou um pedaço de papel do bolso das roupas de casa. Ela o abriu e leu em voz alta.
— 1. Saudável.
— 2. Trabalhadora e responsável.
— 3. Boa em cozinhar.
— 4. Calma, não barulhenta.
— 5. Background de Família simples.
— 6. Aparência comum.
…
Ela leu os requisitos um por um, enquanto Klein e Benson ficaram boquiabertos com um olhar vago; eles nunca esperavam que a contratação de uma criada fosse tão problemática.
— Melissa, você não era contra a ideia de contratar uma criada? — Klein subconscientemente perguntou quando sua irmã parou.
Melissa apertou os lábios e assentiu solenemente.
— Sim, eu era contra. Mas como minha oposição foi em vão, pensei que deveríamos fazer isso corretamente. E para podermos fazer isso bem, precisamos estar bem preparados. Hmm, alguma coisa que gostariam de adicionar?
— Não! — Klein e Benson balançaram a cabeça em uníssono, fazendo Elizabeth rir.
Depois do almoço, os quatro pegaram uma carruagem pública para a Assistência a Servos de Família de Tingen, na rua Champagne.
Era semelhante às empresas de ajuda doméstica que Klein conhecia em sua vida anterior, mas também um pouco como uma instituição de caridade. Eles registravam as informações pessoais e os requisitos de trabalho de diferentes criadas, para que os clientes pudessem fazer suas seleções com mais facilidade, maximizando as chances de emprego das criadas.
Parte do financiamento da organização vinha de organizações de caridade e parte de uma porcentagem do pagamento fornecido pelos empregadores.
Ao entrar na associação, Klein e companhia foram recebidos calorosamente. Uma dama de vestido amarelo claro os levou a alguns sofás. Ela sorriu e perguntou:
— Como posso ajudá-los?
Benson, que foi empurrado por seu irmão e irmã, disse:
— Precisamos contratar uma criada.
— Voces tem algum requisito? — A jovem dama perguntou como de costume.
Benson lembrou a falta de fé de seus irmãos em suas habilidades culinárias, enquanto dizia sinceramente:
— Boa em cozinhar.
— Boa em cozinhar. — A jovem dama franziu as sobrancelhas e disse:
— Para ser sincera, não há cozinheiras excelentes entre as criadas. Por que não contratam um chef? Se voces precisam de uma chef, temos várias na associação.
— Não há ninguém que seja boa em cozinhar entre as criadas? — Melissa não pôde deixar de interromper quando encontrou um problema, tendo seu plano inicial modificado.
A jovem dama assentiu e respondeu afirmativamente:
— As criadas são filhas de trabalhadores de classe baixa ou meninas dos vilarejos. Elas têm poucas oportunidades de aprender habilidades culinárias. Mesmo após o treinamento simples fornecido pela associação, o máximo que podemos garantir é que a comida não deixará as pessoas doentes.
Melissa ficou em silêncio, finalmente percebendo o que significava ter situações superando seus planos.
— É lamentável. — Benson pensou, reorganizando suas palavras, e disse:
— Talvez possamos alterar nossa exigência para uma criada que esteja disposta e capaz de aprender a cozinhar.
Nada mal. Benson é perspicaz… Não há necessidade de eu interromper. — Klein estava sentado ao lado, segurando sua bengala e chapéu confortavelmente.
— Sem problema. Durante o treinamento de culinária, anotamos as meninas que tiveram um desempenho extraordinário — respondeu a jovem dama com um sorriso profissional. — Algum outro requisito? — Sim. — Benson sentiu o calor do olhar de Melissa. Ele engoliu saliva e tirou o pedaço de papel do bolso, e então leu os itens um por um.
A jovem dama ouviu em silêncio e só respondeu depois de um bom tempo.
— P-primeiro vou checar os registros e recomendar algumas criadas que se encaixam nos critérios. Voces não precisam decidir imediatamente. Podem escolher de duas a quatro delas. Então, trarei cada uma para cozinhar para vocês uma vez. Depois disso podem decidir quem empregar. Claro, terão que pagar à associação algumas taxas extras e também terão que preparar seus próprios ingredientes.
— Tudo bem. — Benson dobrou o papel e assentiu educadamente.
A jovem dama se levantou e caminhou em direção ao escritório, mas se virou depois de dar dois passos. Ela sorriu e disse:
— Você pode me emprestar esse papel? Estou preocupada em esquecer algum de seus requisitos…
— Sem problema. — Benson conteve o desejo de rir quando respondeu.
Depois de um tempo, a jovem de vestido amarelo pálido saiu com uma pilha de documentos e os entregou a Benson.
As informações continham o nome real de cada empregada, data de nascimento, situação familiar, descrição facial, estado de saúde, experiência passada, características relacionadas, salário esperado e outras informações.
Aproveitando a oportunidade quando Benson e Melissa estavam lendo as informações, Elizabeth se aproximou de Klein e perguntou suavemente:
— Você não tem nenhum requisito?
— Sim, mas essa informação não é específica o suficiente — respondeu Klein superficialmente.
Elizabeth ficou ainda mais interessada.
— Como você escolheria?
Klein sorriu e apontou para o pêndulo escondido em sua manga esquerda:
— Divino a melhor pessoa para ser nossa criada, escrevendo uma declaração correspondente sobre cada candidata e eliminando-as uma após a outra.
— … — Elizabeth ficou chocada, assentindo vagamente depois de quase vinte segundos. — A maneira mais simples e eficaz…
Esqueci totalmente que você é…
Ela não terminou sua frase já que Melissa, que tinha sentidos aguçados, notou que eles estavam sussurrando e olhou para eles.
Ela olhou para sua melhor amiga e seu irmão, depois mostrou uma expressão de profundo pensamento.
Ei, mana, não entenda errado! Estamos apenas conversando normalmente… — Klein tossiu e pegou algumas informações e as leu casualmente.
Muito em breve, eles escolheram três candidatas. Elas estavam pedindo de quatro soli e oito centavos a cinco soli e dois centavos por semana.
Benson não pechinchou sobre o salário das criadas, mas discutiu a porcentagem que precisava pagar à associação.
Após algumas discussões amistosas, ele negociou com sucesso o preço do pagamento de duas semanas da criada para uma semana. No entanto, ele teve que pagar uma taxa de transporte de um soli para trazerem as criadas para tentar cozinhar.
Depois disso, Elizabeth se despediu do trio e foi embora enquanto os irmãos pegavam uma carruagem pública de volta à rua Narciso.
No caminho de volta, Klein estava ficando desconfortável sob o olhar examinador de Melissa. Quando chegou em casa, foi diretamente ao segundo andar.
— Klein — Melissa o chamou em tom sério depois de cuidadosa consideração. Ela disse:
— Se você quer noivar com a Elizabeth, precisa trabalhar mais. O pai dela é um importante homem de negócios e a mãe é filha de um barão…
Espera, noivar? Quando isso aconteceu? — Klein olhou para a irmã em confusão.
Qual é o alcance da preocupação dela?
Capítulo 157
Capítulo 157 – Item de seus sonhos
Não, não estamos… — Klein não teve chance de responder antes de Benson interromper com um sorriso. — Embora Elizabeth seja realmente um pouco jovem e sua família seja muito mais prominente que a nossa, acho vocês dois bastante adequados um para o outro. Mas você pode ter que esperar mais alguns anos. Ela ainda está estudando em uma escola pública e quer entrar na universidade. Casamento deve ser algo a considerar apenas daqui a seis ou sete anos. Claro, vocês podem noivar antes disso.
… Vocês poderiam não pensar tão longe assim? — Klein respirou fundo.
— Não gosto de Elizabeth, ou, bem, com mais precisão, não gosto de uma garota muito mais nova que eu. Prefiro mulheres mais maduras.
Sinceramente, posso aceitar qualquer pessoa com uma diferença de idade razoável, mas não agora… — Ele acrescentou interiormente, exasperado.
— Você gosta de garotas mais maduras? — Melissa franziu as sobrancelhas. — Então deve resolver rapidamente a questão do seu casamento.
Ah? — Klein não conseguiu entender o salto na lógica de sua irmã. e perguntou confuso.
Melissa explicou seriamente:
— Você terá 25 anos quando terminar de economizar para seu casamento. Garotas mais maduras do que você serão casadas ou noivas quando tiverem essa idade. Você quer ir atrás de uma viúva?
Mas o que… — Klein pensou em mandarim e ficou sem expressão.
Benson sorriu e refutou a irmã:
— Melissa, você não entende. Hoje em dia, não é raro ver mulheres na casa dos trinta que não são casadas ou noivas na classe média. Elas são em maioria seguidoras da Deusa, e todas têm a capacidade de se sustentar. Elas preferem ficar solteiras do que presas em um casamento com o qual não estão satisfeitas. Foi o que li na revista “Família”.
— É mesmo? — Melissa era uma garota de dezesseis anos de idade. Ela não tinha muito entendimento sobre assuntos como este.
Ao ver seus irmãos sendo animados pela conversa, Klein tossiu e disse:
— O que eu quis dizer com madura é seu estado mental. Não precisam ser mais velhas que eu. Além disso, a pessoa que deveria se preocupar com casamento é Benson.
Sinto muito, irmão, não tive escolha… — Ele pediu desculpas em seu coração.
— … — Melissa congelou por um momento, depois assentiu profundamente. — Isso mesmo!
Benson estava prestes a elaborar sobre problemas conjugais da classe média quando de repente estremeceu. Ele olhou para a irmã que estava olhando para ele e disse:
— Estou agora à beira de um ponto de virada na minha vida. Tenho que dedicar toda a minha atenção ao estudo. Só terei confiança de perseguir minha garota desejada quando encontrar um emprego que me satisfaça e tenha uma quantidade razoável de economia. Só então poderei lhe proporcionar uma boa vida.
Klein e Melissa congelaram, depois perguntaram em uníssono:
— Você tem uma garota de quem gosta?
Benson, que tinha apenas dado uma resposta superficial, ficou chocado. Ele balançou a cabeça, apressado.
— Não! Estava apenas dando um exemplo!
Burgo Hillston, em uma casa escura e sombria de Backlund.
Um homem de meia-idade com cabelos grisalhos estava sentado silenciosamente em uma cadeira de balanço em frente a uma lareira apagada com um cachimbo de cor escura na mão. Ele olhou para as convidadas no sofá.
Ele era o dono deste prédio, Isengard Stanton, um detetive particular com uma fama notável. Mas ele não montou um escritório, apenas contratou assistentes para ajudá-lo.
Isengard, vestido com uma camisa branca e colete preto, levou o cachimbo aos lábios e inalou de maneira intoxicada antes de expirar lentamente.
— A taxa para uma consulta de trinta minutos é de uma libra. Se fosse você, definitivamente não perderia um segundo.
As duas damas no sofá em frente a ele eram Fors Wall e Xio Derecha. Elas haviam encontrado materiais relacionados ao ContraAlmirante Furacão Qilangos e queriam pedir a esse detetive para consolidar os hábitos e ações de seu alvo.
Obviamente, elas removeram o nome de Qilangos e mudaram a descrição dos incidentes sobrenaturais.
Xio Derecha entregou a pasta que continha os documentos ao assistente de Isengard, um jovem de cabelos castanhos, usando óculos de armação dourada.
— Senhor detetive, espero que possa encontrar hábitos nas ações do alvo usando o material que fornecemos.
Mesmo não sendo alta, Xio Derecha tinha um ar de autoridade quando se sentava ereta e falava com uma voz profunda.
Isengard olhou para ela e recebeu o arquivo de seu assistente. Ele abriu a pasta e tirou o material de dentro.
Ele largou o cachimbo e se concentrou em ler página após página, sem pular nenhuma.
Dez minutos depois, este cavalheiro bateu lentamente no cabo do caximbo.
— O alvo tem uma obsessão pelo vento… Ele não ficará muito tempo em uma área poluída em Backlund, a Capital do Pó. Em outras palavras, pode estar no burgo Imperatriz, burgo Oeste, burgo Hillston, burgo Cherwood ou nos subúrbios do burgo Norte…
— O alvo é um serial killer psicótico com a necessidade de matar alguém dia sim dia não… A coisa mais lógica que ele poderia fazer é atacar mendigos que não têm para onde ir. Até a polícia não tem registros do número exato de mendigos em Backlund…
— O alvo não estaria morando em uma área muito perto ou muito longe do burgo Norte ou da Ponte Backlund, que têm a maior concentração de mendigos… Seria o ato de alguém sem sofisticação procurar vítimas próximas demais. Isso não é consistente com suas descrições… Se o alvo tiver que gastar muito tempo antes de encontrar alguém para assassinar, poderá perder o controle de seus desejos e cometer crimes que o exporiam facilmente…
— O alvo é um marinheiro experiente e tem uma mobilidade excepcional na água… Uma dedução razoável seria que ele não estaria morando em algum lugar muito longe da água. Se algo inesperado acontecer, esse seria seu melhor meio de fuga…
…
— Em resumo, podemos esboçar a possível área de atividade do alvo. Ele deve estar morando em algum lugar perto da área da Ponte Backlund. Talvez em algum lugar próximo às duas margens do rio Tussock, no bairro Ooeste ou bairro Cherwood…
…
— Só posso deduzir isso dos materiais que você me entregou.
Mesmo que elas não entendessem tudo, suas deduções pareciam fazer sentido. Xio e Fors se entreolharam e assentiram. Elas pegaram de volta os arquivos e se levantaram para sair.
Ao ver seu assistente despachar as duas damas, Isengard tirou um item de bronze do bolso do colete. Era um livro brochura aberto. No meio do livro havia um olho vertical.
Isengard balançou a cadeira, esfregando o item enquanto murmurava para si mesmo:
— Qilangos infiltrou Backlund?
Em um porão particular do Porto Pritz.
O Enforcado Alger estava sentado em uma cadeira, olhando friamente para um homem se debatendo.
Este homem estava vestido como um marinheiro. Sua cabeça estava envolvida por uma pelicula de água azul pálida e seu rosto estava roxo por prender a respiração.
Ele estava arranhando a película em seu rosto com as duas mãos, mas tudo o que podia fazer era tirar gotículas de líquido.
Finalmente, ele não conseguiu mais prender a respiração e deu um sinal de submissão.
Alger sorriu e bateu palmas com indiferença.
A fina película de água se dispersou, transformando-se em gotas que caíram no chão.
O marinheiro respirou fundo e tossiu violentamente. Ele tossiu tanto que sentiu dor no seu coração e pulmões.
Depois de esperar o homem se recuperar, Alger se inclinou para trás. Ele imitou o tom tranquilo e calmo do Louco.
— Me diga o motivo pelo qual Qilangos foi para Backlund.
— E-ele está lá para completar uma comissão, mas não tenho certeza dos detalhes. — O pirata havia perdido completamente a vontade de resistir. Ele respondeu honestamente:
— Tudo o que sei é que ele pode receber algo que deseja. Qilangos uma vez se vangloriou diante de nós. Ele disse que se essa missão fosse um sucesso, ele seria capaz de obter algo que sonhava em obter por um longo tempo. Os Quatro Reis Piratas se tornariam os Cinco Reis Piratas.
Um objeto que ele sonha em obter? — Alger franziu as sobrancelhas e pensou profundamente.
Klein não descansou na segunda de manhã. Ele seguiu seu plano e continuou sua investigação nos prédios com chaminés vermelhas em Tingen.
Infelizmente, não encontrou seu alvo.
Ele voltou para casa perto do meio dia, esquentou as sobras do jantar de ontem e combinou com pão antes de tirar uma soneca de uma hora.
Cerca de vinte para as três da tarde, Klein selou o quarto com uma barreira de espiritualidade, entrando mais uma vez no mundo misterioso acima da névoa cinzenta.
Ele se sentou no assento da honra na mesa de bronze antigo, estendendo a mão em direção à estrela carmesim que representava Sol, ignorando a frequência de seus batimentos cardíacos.
Na Cidade de Prata.
Derrick Berg estava suando no campo de treino. De repente, sua visão ficou turva quando uma névoa pesada entrou em sua visão. Ele viu o Louco sentado na cadeira elevada, no meio da neblina.
Ele congelou, então parou o que estava fazendo e e se curvou, inclinado a cabeça.
Quando a ilusão desapareceu, ele contou seus batimentos cardíacos silenciosamente e levou sua espada de prata para uma área de descanso rapidamente.
Mil batimentos cardíacos depois, ele se trancou no banheiro.
Após cerca de dez respirações, ele viu a luz vermelha aparecer sobre ele e engoli-lo em um instante.
Sobre o nevoeiro cinzento, Klein recostou-se na cadeira e bateu duas vezes os molares esquerdos para ativar furtivamente sua Visão Espiritual.
Ele viu que a cor borrada nas profundezas do Corpo Éter do Sol havia se tornado pura, semelhante à luz do amanhecer. Ele sorriu e disse:
— Parabéns, Sr. Bardo.
Ao mesmo tempo, ele viu as estrelas atrás da cadeira do Sol se moverem rapidamente, transformando-se no símbolo do Sol.
Se transformou sem a minha vontade, como se fosse um reflexo do Sol. Além disso, fora o palácio, mesa e cadeiras, os itens que conjuro não podem ser preservados depois que deixo este mundo. Eles são muito especiais… Certamente existem muitos segredos neste mundo acima do nevoeiro cinzento… — Klein observou tudo à sua frente enquanto contemplava.
Derrick abaixou a cabeça e respondeu humildemente:
— Isso tudo é devido à sua ajuda. É apenas o começo.
Ele não ficou surpreso que o Louco soubesse que havia consumido a poção.
Klein pegou seu relógio de bolso prateado e olhou as horas. Ele riu e disse:
— Então vamos começar a Reunião. Lembre-se de que a frequência, ou devo dizer, que o espaço entre as reuniões deve ser o mesmo no futuro.
Enquanto ele falava, ele estabeleceu uma conexão com as estrelas carmesim representando Justiça e o Enforcado antes de puxá-los para o majestoso palácio.
Audrey olhou para a cena diante dela e imediatamente o cumprimentou.
— Boa tarde, Sr. Louco. Tenho comigo uma página do diário do Imperador Roselle.
— Boa tarde, Sr. Sol. Você conseguiu a fórmula de Telepata?
Capítulo 158
Capítulo 158 – A preparação evita o perigo
Como é invejável a senhorita Justiça manter sempre um clima alegre. Gostaria de poder ser assim… — Ouvindo suas animadas saudações, Klein não pôde deixar de suspirar melancolicamente.
Então se lembrou do momento em que ela usou mil libras tão facilmente, e percebeu que seria muito difícil se ele quisesse manter suas emoções alegres como a senhorita Justiça.
Sol, Derrick Berg, era um jovem que se importava muito com sua reputação. Ele respondeu imediatamente:
— Sim, eu obtive a fórmula de Telepata.
Na semana passada, ele havia liquidado a herança que seus pais haviam deixado para ele. Além da propriedade, dos móveis e de alguns itens sentimentais, o restante dos itens valiosos foi levado ao mercado negro da Cidade de Prata em troca da fórmula Telepata e dos ingredientes da poção Bardo. Suas refeições estavam agora racionadas.
No entanto, ele acreditava que essa situação não duraria muito tempo. Quando passasse no exame de combate, ele se juntaria à equipe que purifica as Criaturas das Trevas nos arredores da cidade e receberia uma quantia decente.
Quando ficar mais forte, me inscreverei para me tornar um membro do esquadrão de elite, para explorar as profundezas da escuridão e encontrar uma maneira de remover a maldição… — pensou Derrick com esperança enquanto olhava para o Louco que estava envolvido na névoa.
Ele notou que da última vez, depois que a srta. Justiça fez um pedido ao Sr. Louco, ela conseguiu produzir uma página do diário desconhecido de Roselle do nada!
Embora Derrick não entendesse direito o que havia acontecido, ele achava que seria melhor se observasse o Sr. Louco.
— Primeiro, lembre-se da fórmula em sua cabeça. Depois, pegue a caneta ao seu lado e expresse com o forte desejo de expressar seus pensamentos. — Klein casualmente se recostou na cadeira alta.
Como Sol era da Cidade de Prata, que poderia ser a Terra Abandonada pelos Deuses, a caneta que criou diante dele não era uma caneta-tinteiro, mas uma pena.
Claro, não havia tinta.
Derrick não se atreveu a duvidar do que o Louco disse, então imediatamente pegou a pena que de repente apareceu ao lado de sua mão.
Ele seguiu as instruções do Louco e, como esperado, viu a fórmula da poção Telepata aparecer no pergaminho marrom de pele de cabra diante dele em segundos.
Depois de ler duas vezes, Derrick silenciosamente empurrou o item prometido em direção à senhorita Justiça.
Audrey estava muito feliz e ansiosa, mas pegou o pergaminho graciosamente. Ela olhou para a página, e as palavras que Klein havia traduzido apareceram.
“Ingredientes principais: glândula pituitária completa de fantasma de drake inferior, 10 ml de meio coelho espectro.”
“Ingredientes suplementares…”
Ingredientes principais dos quais nunca ouvi falar… Hmm, eu não sei o suficiente. — Audrey, que estava tentando aprender, de Fors e Xio, mais sobre os diferentes tipos e nomes de ingredientes Beyonder, pareceu se preocupar.
Durante esses momentos, ela esqueceu completamente como um Espectador deveria se comportar.
De repente, Audrey ouviu um leve som de batida. Ela rapidamente olhou inconscientemente em direção ao assento de honra da longa mesa de bronze.
Ela ficou surpresa ao ver o Sr. Louco batendo na ponta da mesa com o dedo indicador direito, enquanto gesticulava para ela com um aceno de cabeça.
O que foi? — Audrey estava confusa e seus olhos tinham um olhar vago.
Quando estava prestes a perguntar, o canto de seus olhos de repente viu algumas mudanças na fórmula de Telepata. Havia comentários ao lado de alguns dos ingredientes:
“Principais ingredientes, a glândula pituitária completa de fantasma de drake inferior (também conhecido como salamandra arco-íris), 10 ml de meio coelho espectro (também conhecido como coelho Farsman).”
“Ingredientes suplementares…”
Eu conheço todos eles! — Audrey ficou atordoada no começo, depois houve uma intensa onda de deleite do fundo do seu coração.
— Obrigada, Sr. Louco. Você é realmente muito experiente e bem informado. — Ela olhou para o assento da honra enquanto o agradecia e elogiava sinceramente.
O Enforcado Alger não sabia o que havia acontecido, mas sentiu extremo desprezo pelo que Justiça havia dito.
Como você pode descrever uma figura divina como “bem informado”?
Até certo ponto sua existência é equivalente ao próprio conhecimento!
Klein aceitou os elogios da Srta. Justiça, sem nenhuma duvida, porque isso não era algo que poderia ter feito apenas porque havia achado por acaso a fórmula de Telepata dos Alquimistas da Psicologia.
Depois de levar o Sol ao Clube de Tarô, ele tomou precauções contra esses problemas, levando em consideração as circunstâncias especiais do Sol de ser da Cidade de Prata. Ele estudava constantemente terminologia antiga. Portanto, mesmo que Daxter Guderian não tivesse conseguido obter a fórmula a tempo, ele poderia ter feito as anotações facilmente. Através de divinações e comparações anteriores, ele havia se assegurado de que ambas as fórmulas de Telepata fossem precisas.
É por isso que dizemos “A preparação evita o perigo…” — pensou Klein presunçosamente.
Audrey olhou para a fórmula Telepata algumas vezes e depois desviou o olhar relutantemente. Ela então expressou pessoalmente o diário de Roselle em uma página.
— Você merece isso. — Ela pousou a caneta e olhou para o Louco envolto em névoa. — Além disso, darei ao seu adorador mais 300 libras. Esse valor é o suficiente?
Ela parecia um pouco culpada porque as três páginas do diário de Roselle custaram apenas vinte libras, enquanto a fórmula de Xerife, sequência 8, custou 450 libras.
Em outras palavras, da perspectiva da matemática básica, ela teve que pagar mais 430 libras além das três páginas do diário.
No entanto, Audrey sentiu que foi graças à sua sorte que o vendedor não sabia o valor do diário de Roselle. Isso permitiu comprá-los a um preço baixo.
O diário do Imperador Roselle custa pelo menos cinquenta libras por página! — Audrey cerrou o punho e se encorajou.
300 libras? Até hoje, só vi tanto dinheiro assim na casa do Senhor Deweyville… — Klein suspirou e fingiu não estar interessado em dinheiro, enquanto assentia e dizia:
— Uma transação razoável.
— Esta é a informação do meu adorador.
Ele evitou falar de termos como “Banco Backlund” e “conta anônima” verbalmente pela boca do Louco pois danificavam sua imagem. Ele as fez aparecer no pergaminho diante dela.
Klein teve tempo para visitar a agência Tingen do Banco Backlund na quarta-feira passada, enquanto investigava as casas com chaminés vermelhas. Ele se disfarçou e abriu uma conta bancária anônima.
A conta exigia apenas que alguém memorizasse o número da conta e a senha correspondente para sacar dinheiro de qualquer agência do Banco Backlund.
Se alguém achasse que não era seguro o suficiente, ele também poderia solicitar a adição de uma verificação de assinatura e impressão digital. Mas isso seria mais problemático.
A fim de manter sua identidade em segredo, Klein a deixou apenas com uma senha.
A senha está escrita em antigo Hermes: “O Louco que não pertence a esta época, você é o misterioso soberano acima da névoa cinzenta; você é o Rei do Céu e da Terra, que brande a boa sorte”
Como o próprio antigo Hermes pode ser usado para rituais e orações, quem ousar copiar a senha recitará meu nome. Então, imediatamente receberei um sinal e posso simplesmente descobrir, no mundo acima da névoa cinzenta, quem é que está tentando roubar minha riqueza! — Klein estava muito satisfeito com a ideia que surgiu.
A única desvantagem era que exporia levemente a existência do Louco, mas o risco estava dentro de uma margem aceitável.
Audrey entregou a página do diário para o Sr. Louco enquanto pegava o pergaminho com as informações de seu adorador. Escrito nele, estava Banco Backlund e um monte de números que formavam a conta bancária anônima.
Gostaria de saber se o adorador do Sr. Louco é homem ou mulher e qual sequência ele ou ela é… Hmm, ele deve ser muito poderoso, pelo menos não mais fraco que o contra-almirante furacão Qilangos… — Audrey não conseguiu impedir que seus pensamentos vagassem.
Mas ela rapidamente focou e memorizou a conta anônima.
— Não precisa ser tão problemático. — Nesse momento, ela ouviu a voz baixa e gentil do Louco. — Quando chegar em casa, recite meu nome e você poderá anotar as informações diretamente.
Seria como quando eu desenhei a cena da chaminé vermelha através de divinação… Um número de conta é muito importante, você não pode memorizá-lo incorretamente… — acrescentou Klein em sua cabeça.
Isso também funciona? Pelas palavras do Sr. Louco, ele parece bem confiante. Ele faz jus ao seu status de figura divina, já que pode fazer até isso… — Audrey ficou chocada a princípio antes de perceber que tudo parecia fazer sentido.
Mas, por que tive que memorizar a fórmula anteriormente? — Audrey ficou confusa novamente.
Naquele momento, Klein pegou a página do diário de Roselle, mas não estava com pressa de lê-la. Ele olhou para o lado e perguntou calmamente:
— Que compensação você gostaria?
Derrick pensou seriamente e disse:
— No momento, não tenho nada do que preciso desesperadamente… Devo digerir a poção Bardo muito em breve. Vou esperar até lá para solicitar minha compensação. Sim, talvez para me preparar para a fórmula correspondente da sequência 8 ou os ingredientes necessários.
A sequência 8 é Suplicante da Luz, que eu tenho… mas quanto aos ingredientes, mesmo se os tivesse, não teria ideia de como entregálos a você. Espera, ele usou a palavra digerir… De fato, a Cidade de Prata conhece o “método de atuação”… Hmm. A sequência mais alta lá é apenas sequência 4, então eles são limitados por ingredientes? — Klein assentiu, pensando profundamente, concordando com o acordo.
Audrey também notou bruscamente a palavra “digerir”. Ela pesou suas palavras e perguntou:
— Sr. Sol, você conhece o “método de atuação”?
Derrick olhou confuso para senhorita Justiça e respondeu diretamente:
— Não é nada estranho… As aulas de educação geral na Cidade de Prata ensinam o “método de atuação”.
O “método de atuação” é ensinado nas aulas de educação geral… — Audrey lançou um olhar para o Enforcado e percebeu que ele estava olhando para ela. Os dois de repente se calaram.
A origem do Sol é realmente misteriosa. Eu me pergunto de onde o Sr. Louco o puxou para o Clube de Tarô… Quanto mais penso nisso, mais o venero… — Audrey se acalmou e olhou para o Louco, que não parecia visivelmente surpreso.
Então, Alger sondou:
— Sr. Sol, voces falam sobre alguma coisa importante a ser observada em relação ao “método de atuação”?
— Sim. — Derrick assentiu sem hesitar. — É claramente especificado em nossas aulas de educação geral que o único pontochave do “método de atuação” é “lembre-se de que você está apenas atuando”.
Como esperado… Estamos usando um método engenhoso para contornar obstáculos e destruir completamente os espíritos remanescentes da poção, sem nos submetermos a ela… Sol, você é um garoto tão simples. Você acabou de compartilhar informações importantes por acidente… — Klein sorriu e olhou para a página do diário diante dele.
Capítulo 159
Capítulo 159 – Doação e Sacrifício
Frases chinesas bagunçadas estavam escritas na pele de cabra marrom-amarelada.
“2 de agosto. Isso é mais profundo do que eu imaginava.
História com certeza é algo que pode ser manipulada com facilidade.”
“5 de agosto. Hoje testemunhei as habilidades de um Beyonder de alta sequência. Foi realmente assustador. Há uma mudança qualitativa que acontece em um aspecto particular, é como se eles se transformassem em uma divindade. Não é de admirar que os descrevamos como ‘Semideuses’, embora ache que chamá-los de ‘seres lendários’ seja mais adequado.”
“6 de agosto. Há algo estranho acontecendo. Por que as Sete Maiores Igrejas adotariam uma atitude tão estranha em relação às poções? Nas sequências baixa e média, elas não apenas fornecem os principais ingredientes para quem conseguiu avançar, mas também são generosas o suficiente para compartilhar as fórmulas e demonstrar o processo necessário para criar a poção. Também explicam em detalhes se um ritual é necessário para criar o medicamento, porém, poções acabadas são as únicas coisas que eles fornecem para aqueles que estão avançando para Sequências altas.”
“Isso não é lógico. Não deveriam manter as fórmulas das poções de Sequência inferiores em segredo e fornecer ao candidato a poção completa, já que é relativamente fácil reunir os ingredientes necessários e criar a poção? Quanto às poções de Sequências mais altas, não deveriam compartilhar a fórmula e fazer com que os membros promissores procurassem os ingredientes devido à dificuldade de obter os ingredientes principais?”
“Deve haver algum segredo oculto nisso.”
“9 de agosto. Os eventos dos últimos dois dias me deixaram desconfortável. Comecei a Revolução Industrial com minhas próprias mãos e introduzi pessoalmente a Era do Vapor e Máquinaria, mas isso criará as condições necessárias para que o Deus Maligno desça sobre este mundo?”
O que ele quer dizer? As condições necessárias para o Deus Maligno descer sobre este mundo? — Klein franziu as sobrancelhas e bateu com o dedo indicador na borda da mesa antiga.
O Sr. Louco encontrou um problema difícil? Qualquer coisa que possa incomodá-lo deve ser algo de outro nível… — Audrey olhou para o líder obscurecido pela névoa espessa e interpretou seu estado através de sua linguagem corporal.
Klein estava realmente ponderando sobre o problema relacionado aos escalões superiores, mas não chegou a uma resposta. Ele considerou a possibilidade de usar divinação para obter algum tipo de revelação.
Mas seria impossível divinar algo útil com frases tão simples. Eu não sou um profeta… E se eu divinar com a afirmação “as condições necessárias para que o Deus Maligno desça sobre este mundo”? Parece muito arriscado… O Deus Maligno pode não ser tão horripilante quanto o Eterno Sol Ardente, mas suas habilidades podem ser muito mais misteriosas. Pode ser capaz de rastrear as divinações de volta para mim. Também não há como divinar quão grande seria o risco se divinasse essa afirmação. Afinal, divinar se algo representa algum perigo é perigoso quando há divindades envolvidas…
Vou manter essa questão em mente e colocar mais esforço em observação.
O arranjo das igrejas em relação às poções é realmente misterioso. Eu me pergunto que tipo de segredos estão escondendo? Talvez eu receba algumas dicas sobre isso quando Médium Espiritual, não, Guia Espiritual Daly se torne arcebispa ou uma diaconisa de alto escalão e entre no centro da Igreja…
A descrição de Roselle me faz ansiar pelo poder de Beyonders de alta Sequência…
Muitos pensamentos passaram por sua mente antes de Klein parar de bater na beirada da mesa antiga e olhar para Justiça, Enforcado e Sol.
— Podem iniciar sua discussão livremente agora.
Alger disse imediatamente:
— Sr. Louco, srta. Justiça, recebi uma nova informação. O ContraAlmirante Furacão Qilangos se infiltrou em Backlund para completar uma difícil missão. Ele pode ficar por um longo período de tempo e criar uma terrível tragédia. Além disso, sei que esse incidente envolve um item muito importante, um item que permitiria que Qilangos se tornasse rapidamente um Beyonder de alta Sequência.
— Se tornar um Beyonder de alta Sequência rapidamente? Ele não teme perder o controle de si mesmo? — perguntou Audrey, adotando a postura de um Espectador.
Qilangos era apenas um Abençoada pelo Vento de Sequência 6, então ainda havia uma sequência entre ele e a Sequência 4.
Alger esperava essa pergunta. Ele respondeu honestamente:
— É por isso que o objeto é importante para ele.
— Claro, essas são simplesmente minhas deduções. As informações que recebi são essas: Qilangos acredita que quando completar a comissão e obtiver o objeto, ele será igual a Nast, o Rei dos Cinco Mares. Os Quatro Reis Piratas se tornariam os Cinco Reis Piratas, e os Sete Almirantes Piratas reduzidos a seis.
— Uma pessoa comum pode não estar ciente disso, mas como Beyonders, devemos saber que os Reis Piratas são Beyonders de alta Sequência ou são capazes de alcançar a força de combate de um Beyonder de alta Sequência com o uso de barcos Beyonder e itens misteriosos. Para que Qilangos seja reconhecido como igual, ele deve atingir padrões que sejam próximos a isso. Essa é a minha dedução.
Tudo o que sei é que o Rei dos Cinco Mares, Nast, é um Beyonder de Sequência 4, mas não tenho certeza do nome de sua poção… — Klein ouviu silenciosamente, sem dar sua opinião.
Sol, Derrick Berg, não entendeu nada que o Enforcado disse. Ele não sabia quem era quem, mas mesmo assim ouviu atentamente. Ele sentiu que uma nova porta havia se apresentado em seu mundo.
Piratas? O lugar em que vivem tem mares mencionados nos livros? Então, o ambiente em que essas pessoas vivem é bem diferente da Cidade de Prata… Eles não parecem estar muito preocupados com a maldição ou os ataques das Criaturas das Trevas. Definitivamente me deixa muito curioso… Mas o Sr. Louco uma vez me instruiu a não perguntar sobre os segredos dos outros. É um gesto muito rude… — pensou Derrick em seu coração, mais uma vez observando o Enforcado e a Justiça.
— Sua dedução é muito razoável. Claro, também poderia ser um item misterioso que poderia defender de um Beyonder de alta Sequência — respondeu Justiça com um sorriso.
O Enforcado olhou para o Louco envolto em névoa, ponderou sobre suas palavras, antes de olhar para Justiça e enfatizar:
— Há dois pontos-chave no que eu disse, o primeiro é o fato de que Qilangos permanecerá em Backlund por algum tempo. O segundo é que o incidente envolve um objeto muito importante e muito misterioso.
Então, Sr. Louco, você não está tentado? Há tempo suficiente para enviar seu adorador para Backlund… — acrescentou Alger em seu coração, mas não se atreveu a dizer isso em voz alta. Tudo o que pôde fazer foi enrolar.
Sr. Alger, você não precisa enfatizar isso repetidamente, eu sei o que você quer dizer… Mas minhas habilidades não me permitem interferir nesses assuntos. Além disso, não posso deixar Tingen sem permissão… — Klein se recostou e pensou em frustração.
Ignorando o adorador, posso encontrar dois Beyonders
relativamente fortes para ajudar…
Uma é Daly, que avançou para Sequência 6, mas não posso contar tudo a ela. O máximo que posso fazer é mencionar que obtive algumas informações de que o Contra-Almirante Furacão Qilangos se infiltrou em Backlund e está morando em uma rua específica e o que ele planeja fazer. Dessa forma, Daly pode recorrer diretamente à ajuda dos Falcões Noturnos, tornando a situação muito complicada e problemática … Se vocês não encontrarem alguém para ajudar quando chegar a hora, então eu posso tentar isso para evitar uma tragédia…
A segunda pessoa é o Sr. Azik, mas não posso expor minha identidade como O Louco para ele. Não tenho um motivo adequado para fazê-lo interferir nesse incidente…
Muitos pensamentos passaram por sua mente e Klein respondeu lentamente:
— Estou ciente.
Vendo como o Louco continuou a não dar muita importância ao assunto sobre Qilangos, ele suspirou e conteve sua decepção. Ele começou a perguntar sobre a investigação que srta. Justiça conduziu na semana passada.
— … Concluindo, deduzimos mais ou menos a área geral em que Qilangos estará e em breve iniciaremos a próxima fase das investigações. — Audrey primeiro fez um resumo simples, depois com a atitude de estar fazendo algo importante, disse:
— Precisamos de mais informações, de preferência os hobbies e hábitos de Qilangos.
Alger lembrou:
— Ele adora peixe, principalmente peixes do mar. Ele corta e come cru…
— Ele também gosta de bebidas destiladas e despreza champanhe, vinho tinto e coisas do gênero…
— Costuma procurar mulheres para saciar suas necessidades sempre que vai para a costa e, com seu corpo forte, uma mulher não será suficiente para satisfazê-lo…
— Está acostumado a usar armas brancas e evita armas de fogo.
— Não pode ficar longe da água por longos períodos de tempo. O que quero dizer é que ele precisa nadar ou mergulhar uma vez a cada dois dias.
…
Audrey memorizou esses fatos, criando um amplo caráter de Qilangos em sua mente.
— Vamos torcer que a investigação seja um sucesso. É um prazer trabalhar com você. — Ela sorriu depois que Alger terminou.
— O prazer é meu. — Tudo o que Alger pôde fazer foi forçar-se a acreditar na srta. Justiça, que tinha um poder considerável em Backlund.
Durante a interação, Klein parecia estar ouvindo atentamente, mas, na realidade, seus pensamentos foram desviados para outra pergunta. Essa era a questão de como entregar ingredientes ao Sol, caso conseguisse obtê-los.
Agora que tinha uma compreensão aceitável do campo do misticismo, Klein seguiu instintivamente a linha de pensamento do uso da magia ritualística. Essa confiança era natural, dados os sucessos que ele teve ao usar a magia ritualística.
Quando estava folheando as informações confidenciais dos Falcões Noturnos, me deparei com registros da Deusa dando itens sagrados aos seus seguidores. Havia também registros de itens aparecendo em rituais envolvendo deuses malignos ou demonios… Isso significa que eu posso “conceder” algo a alguém ao responder às suas orações e transferir materiais dessa maneira?
Nas tentativas anteriores, só consegui responder com pensamentos contendo figuras e vozes. Mas isso não significa que será sempre assim… Pode haver novas alterações quando avançar para a Sequência 8…
Há também algo importante a considerar. Posso trazer material do mundo real para o mundo acima do nevoeiro cinzento? E… Hmm… Ah, certo, muitas vezes há um passo para “sacrifícios” em rituais envolvendo deuses malignos e demonios! Deveria considerar “sacrificar” algo para mim mesmo?
Dessa forma, talvez possa trazer algum material do mundo real para
o mundo acima do nevoeiro cinzento…
Se essa tentativa for bem-sucedida, posso obter itens diretamente de Justiça, Sol e Enforcado e depois entregá-los a mim mesmo.
Sim, “sacrifício” é considerado um ritual mais avançado, então não poderei aprender sobre isso por enquanto…
A coisa mais importante a fazer agora é melhorar minhas habilidades!
Klein controlou seus pensamentos e mais uma vez ouviu a conversa dos outros membros. Ele ouviu quando a discussão mudou de Qilangos para as características de determinados monstros.
Algum tempo depois, ele sorriu.
— Vamos terminar aqui por hoje.
— Como queira. — Sol, Justiça e Enforcado se levantaram ao mesmo tempo.
Depois de cortar as conexões dos membros, Klein desceu rapidamente do nevoeiro e deixou o espaço misterioso.
Quando voltou ao seu quarto, ele dissipou a barreira de
espiritualidade e abriu as cortinas da janela, permitindo que a luz do sol entrasse.
Há duas coisas importantes a fazer esta semana. A primeira é ser examinado e avançar para a Sequência 8. A segunda é fazer charms do Sol Ardente. Seus poderes podem ser ainda maiores do que os de sequência 7 ou 6… — Klein olhou para fora com antecipação.
Amanhã. Devo receber o relatório dos distúrbios paranormais do Sr.
Azik amanhã!
Capítulo 160
Capítulo 160 – Aproveitando a oportunidade
Terça-feira de manhã.
Tendo completado seu currículo de estudos do misticismo, Klein não procurou um canto quieto para ler “Comparação de Nomes Antigos e Modernos” nem “Compêndio de Casos dos Falcões Noturnos”, ao invés disso ficou na sala de descanso para jogar cartas com Leonard, Kenley e Royale.
Eu só disse ao Sr. Azik para criar uma oportunidade para eu pegar o Artefato Selado 3-0782… Ainda vai depender das minhas habilidades de improvisação para aproveitar a oportunidade… — A mente de Klein não estava em suas cartas, então ele jogou terrivelmente. Ele perdeu cinco soli em uma hora e sentiu o aperto. Ele planejava se concentrar no jogo para recuperar parte de seu dinheiro.
Depois que comprou vários ingredientes para os Charms do Sol Ardente ontem à tarde, sua economia particular de dinheiro foi reduzida a menos de uma libra mais uma vez. Além disso, ele tinha que pagar dois soli todos os dias das taxas de aluguel de carruagens para procurar a casa com a chaminé vermelha.
Enquanto esperavam que Kenley embaralhasse as cartas, ele pegou o centavo de cobre diante dele e o girou casualmente.
De repente, sentiu o olhar de Royale nele, um olhar muito intenso.
O quê? — Klein primeiro ficou atordoado, depois olhou para o centavo de cobre que estava prestes a cair.
… Está desconfiada de eu trapacear com divinação? Estamos apenas jogando cartas entre nós, precisamos levar isso tão a sério assim? — De repente, ele entendeu e bateu o centavo na mesa com uma risada seca.
Nesse momento, Dunn Smith bateu na porta e entrou. Ele olhou em volta e disse:
— Há uma situação na cidade de Morse. Leonard, por favor, cuide disso.
Cidade de Morse? — Klein sentiu sua mente despertar e fingiu perguntar curiosamente:
— Capitão, que tipo de situação?
Dunn olhou para ele e explicou:
— Recentemente, houve alguns casos paranormais na área. Primero, as pessoas ouviam soluços quando passavam pelo cemitério e viam vagas figuras passando. Então, uma viúva encontrou seu falecido marido quando acordou para usar o banheiro no meio da noite. Ela quase desmaiou de susto. Além disso, um homem idoso que morava sozinho começou a ouvir passos pesados ecoando na casa o tempo todo. No entanto, o silêncio retorna mais uma vez no momento em que ele acende uma vela ou uma lâmpada a gás. As pessoas na cidade são crentes da Deusa, então o sacerdote local relatou a situação.
Ninguém se machucou, e quase chega ao nível de uma brincadeira… Deve ser o Sr. Azik… — Klein usou uma expressão e tom que havia ensaiado várias vezes. — Capitão, pode haver um link secreto para esses casos paranormais acontecerem tão repentinamente. Nessa situação, divinação pode fornecer alguma pista importante. Acho que posso ajudar Leonard.
Ao ouvir isso, os olhos verdes de Leonard imediatamente se encontraram com os de Klein. Aparentemente, ele estava tentando encontrar pistas e sinais no rosto de Klein.
Dunn assentiu, mas permaneceu quieto e hesitante.
Quando Klein viu a resposta do Capitão, ele acrescentou imediatamente:
— Algumas dessas coisas podem exigir magia ritualística para purificar.
— Faz sentido. — Dunn pensou e disse:
— Então você e Leonard irão para a Cidade de Morse.
Sem ninguém dizer mais nada, ele acrescentou:
— Hmm, você não conseguirá participar do treinamento de combate à tarde. Vou mandar alguém para informar Gawain.
Ufa, o primeiro passo está completo… — Klein silenciosamente soltou um suspiro, e rapidamente guardou seu soli e seu centavo.
Então, de repente, parou e olhou de lado para Dunn, dizendo solenemente:
— Capitão, acho que devemos nos preparar para o pior. Se houver um espectro poderoso por trás dos eventos paranormais, pode ser muito perigoso apenas para Leonard e eu. Além disso, leva duas, três horas para chegar a Morse, certo? Mesmo se conseguirmos enviar um telegrama para solicitar backup a tempo, ainda teremos que esperar um bom tempo…
— Então? — interrompeu Dunn.
— Quero obter a ajuda de outro companheiro de equipe. — Klein fingiu pensar por um momento e disse:
— E, de acordo com as regras, uma missão com três ou mais Falcões Noturnos envolvidos pode solicitar um Artefato Selado de nível três. Sim, 3-0782 é mais adequado para este trabalho.
Ao ouvir isso, Leonard riu e disse:
— Exatamente seu estilo. Cuidadoso, cauteloso, sem correr riscos.
Você parece estar sugerindo que sou um covarde… Eu sou uma pessoa que olhou diretamente para o Eterno Sol Ardente! — Klein fingiu que não ouviu Leonard e olhou seriamente para Dunn Smith.
— Capitão, o que você acha?
— Devemos realmente tomar cuidado extra contra acidentes. Ultimamente tem havido muitas coincidências… — Dunn assentiu pensativamente e olhou para os outros dois companheiros de equipe. — Kenley, junte-se a Leonard e Klein na viagem a Cidade de Morse. Ah, apresse-se e escreva uma solicitação. Depois de assinar, pegue o Artefato Selado 3-0782 no Portão Chanis.
— Tudo bem — disse o baixinho Kenley, abaixando as cartas na mão.
Beleza! — Klein comemorou em sua mente enquanto parecia ansioso e solene do lado de fora.
Naquele exato momento, Seeka Tron estava monitorando Hood Eugen no asilo, enquanto Frye estava de serviço no Portão Chanis.
Klein saiu da sala de recreação e vestiu seu smoking preto. Ele pegou seu chapéu e bengala e esperou com Leonard por Kenley na escada que levava ao subterâneo.
Não havia ninguém lá e estava extremamente silencioso. Leonard subitamente olhou de lado para Klein e disse:
— Acho melhor você desistir de qualquer sonho irreal.
— Ah… Quê? — respondeu Klein confuso.
Leonard andou, ficou na beira da escada e olhou para a escuridão à frente.
— Mesmo durante uma missão, será impossível para você descobrir meu segredo e entender minha singularidade.
… Cara, você pode parar de se achar? Achou que eu me ofereci para essa missão para espioná-lo? Eu nem sequer tive esses pensamentos! — Esclarecido, Klein riu.
— Como você pode ter tanta certeza de que minha singularidade não ajudará a revelar seu segredo?
A expressão de Leonard ficou grave, mas ele sorriu e disse:
— Vai? Vou esperar você descobrir então.
Quando reunir mais informações e itens, irei ao mundo acima do nevoeiro cinzento para ajudá-lo a divinar. De nada! —pensou Klein sarcasticamente.
Logo, Kenley, com seu físico pequena, trouxe o Emblema Mutado do Sol Sagrado pelas escadas sinuosas.
Quando Klein sentiu o calor e a pureza únicos, secretamente soltou um suspiro de alívio. Ele sabia que finalmente havia completado o primeiro e mais difícil passo em seu plano de obter os poderes do sangue divino do Eterno Sol Ardente.
Então, os três deixaram a Companhia de Segurança Blackthorn e caminharam para a rua Zouteland. Eles caminharam em direção à carruagem que pertencia aos Falcões Noturnos.
— O efeito purificador irá incomodar o cavalo? — perguntou Kenley de repente, ansioso. — Eu não quero um cavalo que só possa elogiar o Sol para puxar a carruagem…
Ele era um Falcão Noturno por mais tempo que Klein, mas estava longe de ser experiente.
— Não, o artefato selado 3-0782 apenas purifica entidades vivas com um alto nível de inteligência — Klein baixou a voz em resposta.
Caso contrário, eu não seria picado por insetos… — ele acrescentou inexpressivamente em sua mente.
— Ah, entendi… Haha, eu não li as informações bem o suficiente. — Kenley ajeitou o chapéu de seda preto e riu, esclarecido.
Como Klein ainda não havia dominado a habilidade de dirigir uma carruagem, ele ficou sentado dentro da carruagen pelas três horas seguintes. Ele esfregou o Artefato Selado 3-0782 na mão enquanto observava Leonard e Kenley revezando-se para conduzir o veículo.
Eles finalmente chegaram à cidade de Morse na hora do almoço.
—Que bonito… — Kenley elogiou sinceramente ao descerem da carruagem e olharem para os infinitos campos de trigo dourado que cercavam a cidade.
As datas que representam a Constelação Vulcânica estavam chegando ao fim, e a constelação de Colheita Farta governaria a vida de todos.
Leonard estava no banco do motorista enquanto olhava em volta e abria a boca, como se fosse recitar um soneto.
Mas, no final, ele apenas pronunciou uma frase:
— Que belo.
Klein conteve o desejo de rir enquanto vestia a cartola, pegava a bengala e descia da carruagem.
Naquele momento, um homem de meia-idade trajado de preto como um padre se aproximou. Ele desenhou uma lua carmesim no peito e disse:
— Louvado seja a Dama. Vocês são os amigos que a Catedral de Santa Selena enviou para nos ajudar?
— Sim, sacerdote Siur. Que a Deusa o abençoe. — Leonard pulou da carruagem e respondeu com um sorriso:
— Estamos aqui para cuidar dos recentes incidentes paranormais.
— Sim, sim. — Siur, de cabelos grisalhos e olhos azuis, viu muitos habitantes da cidade se aproximando e rapidamente enfatizou.
Morse não era grande. Independentemente da direção escolhida, qualquer um chegaria nas planícies em dez minutos. As pessoas que ficavam lá se conheciam, então o que aconteceu antes se espalhou rapidamente pela cidade.
Muitos habitantes da cidade estavam esperando a Igreja da Deusa da Noite Eterna enviar pessoas para resolver o problema. Por isso, quando viram que o padre estava cumprimentando três estranhos, rapidamente os cercaram com preocupação e curiosidade. Alguns ficaram na ponta dos pés e outros tentaram ouvir o que estavam dizendo.
Leonard riu e disse:
— Sacerdote, não se preocupe. Somos profissionais. Veja, trouxemos Água Benta, punhais de prata, Emblemas Negros Sagrados e até alho.
Ele tirou os itens descritos dos bolsos internos de suas roupas, como se estivesse fazendo um truque de mágica.
Alho? Você está tentando fazer os espíritos morrerem pelo fedor? — Klein achou ridículo, mas engraçado, enquanto assistia à performance de Leonard.
Siur parecia confuso e até começou a suspeitar que a Catedral de Santa Selena havia enviado um monte de fraudes.
Os cidadãos que os cercavam revelaram sorrisos satisfeitos, como se finalmente estivessem em boas mãos.
Leonard se aproximou de Siur e explicou suavemente em seu ouvido:
— Eles acreditam nessas coisas…
Sem esperar pela resposta do sacerdote, ele acrescentou:
— Primeiro vamos almoçar na igreja. Então, cuidaremos desses assuntos.
Sim, almoço é muito importante… Quando esses incidentes paranormais forem resolvidos, será hora de revezar o Artefato Selado 3-0782, e também a oportunidade de fazer Charms do Sol Ardente… Espero que tudo corra bem… Claro, fazer Charms do Sol Ardente durante o dia traria os melhores resultados… — Pensou Klein, cheio de antecipação.
Capítulo 161
Capítulo 161 – Mausoléu Invertido
A maioria dos edifícios da cidade de Morse seguia um estilo popular de cem anos atrás. O edifício mais atraente da cidade era o pináculo da catedral negra.
Depois de deixar a carruagem, Klein e os outros rapidamente terminaram o almoço de pão, torradas, bacon, manteiga e café.
— Ainda podemos tolerar a purificação do Artefato Selado 3-0782 por cerca de duas horas e trinta e cinco minutos. — Kenley parou na porta da igreja e tirou um relógio de bolso do bolso do terno. — Sugiro lidar com os incidentes da suspeita de assombração primeiro para evitar que a situação piore. Então podemos voltar para a igreja e nos revezar vigiando o Artefato Selado para nos recuperar.
Em circunstâncias normais, Beyonders de sequências 9, 8 e 7 tinham que ficar longe do Emblema Mutado do Sol Sagrado por duas horas para se recuperar completamente, ou pelo menos uma hora para uma recuperação parcial.
— Tudo bem.
— Não tenho objeções.
Klein e Leonard falaram em uníssono.
— Então, com qual caso vamos lidar primeiro? — perguntou Kenley. Deixando sua atitude frívola de lado, Leonard disse:
— Vamos começar com o velho morando sozinho, que ouviu passos pesados em sua casa.
— Por quê? — perguntou Kenley instintivamente. Klein também estava interessado em ouvir uma explicação.
Poderia ser a intuição de um poeta? — Ele zombou de Leonard secretamente.
Leonard desviou o olhar do rosto de Kenley para o de Klein, depois olhou para Kenley novamente. Ele sorriu.
— Porque é o mais próximo da igreja.
— Como você sabia disso? Não está escrito nos registros… — perguntou Klein.
Leonard riu. — Não fui ao banheiro durante nossa refeição? Me deparei com um sacerdote aprendiz no caminho de volta e tivemos uma conversa. Ele me disse que a casa de Noah ficava perto da igreja. Ah, sim, o nome do velho é Noah.
Ele certamente faz jus ao seu nome como um Falcão Noturno experiente quando se trata de realizar missões… — Klein deu uma risada seca.
Ele se virou para Kenley e disse:
— Então vamos primeiro à casa de Noah.
— Tudo bem. — Kenley não teve nenhuma objeção.
Eles chegaram na casa de Noah um minuto depois…
Noah era um homem idoso, com pouco cabelo. Ele havia perdido a mão esquerda em uma guerra quando era jovem e não teve escolha a não ser deixar o exército. Ele voltou para sua cidade natal depois de receber sua compensação.
Naquele momento, ele abriu a porta e olhou para os três estranhos à sua frente antes de olhar para Siur que estava correndo da catedral até sua casa. Ele disse com uma voz rouca:
— Entrem, espero que possam resolver meu problema. Ouvi dizer que trouxeram Água Benta, Emblemas Sagrados, uma adaga de prata e alho? Isso é ótimo, minhas preocupações diminuíram bastante. Por favor, perdoem minha tagarelice, voces tem que entender a condição de um homem velho depois de não conseguir dormir em paz por duas noites. Oh, minha Deusa, fiquei tão assustado o tempo todo que mal consigo pensar direito.
Leonard de repente endireitou as costas quando entrou na casa, seus olhos examinando o ambiente.
Depois disso, Klein sentiu uma aura fria dentro da sala. Esses eram traços de atividade deixados para trás por um fantasma.
— Havia realmente um ser impuro aqui. — Kenley foi o último a notar e suprimiu a voz.
— Muito fraco. — Leonard disse com um tom relaxado enquanto retraía o olhar.
O Poeta da Meia-noite era um job com uma sensibilidade espiritual relativamente alta quando comparado a todas as outras sequências 8 dos registros da Igreja.
— Sim. — Klein podia sentir o calor e a energia purificadora do Artefato Selado 3-0782 dissipando rapidamente a aura sinistra na sala sem nenhum problema.
Nesse momento, todas as pessoas da cidade estavam reunidas na casa de Noah, todas olhando curiosamente para Klein, Leonard e Kenley.
Cof! — Leonard pigarreou e recitou:
— Temos as bênçãos da Deusa, esses seres impuros irão rapidamente desaparecer e não causarão mais problemas.
Depois disso, ele deu uma olhada em Klein, indicando para ele realizar um “ritual de purificação” para todo mundo ver.
Por que eu? — Klein retornou o olhar do poeta.
Claro, ele não sabia se Leonard entendeu o que seu olhar significava.
Mas claramente Leonard havia entendido. Ele disse suavemente:
— Você que é o especialista em rituais.
Certo, me culpe por ser a pessoa que se ofereceu para esta missão. — Klein arrumou suas roupas e pegou a Água Benta, Emblemas Sagrados, adaga de prata e alho de Leonard.
Ele primeiro colocou o Emblema Sagrado das Trevas na frente do peito, depois descascou o alho e jogou os dentes um a um em todos os cantos da casa.
— Hmm, é assim que o alho é usado para espantar fantasmas?
— É diferente das descrições dos jornais…
— Vai funcionar?
…
Os habitantes da cidade, olhando para eles, começaram a discutir, curiosos e empolgados, como se estivessem assistindo um circo.
Mas é inútil. Estou apenas atuando! — De repente, Klein sentiu que havia se tornado um palhaço. Ele fechou os olhos e jogou água benta no chão com a adaga de prata.
Ele então espalhou a água enquanto andava pela casa, recitando um encantamento:
— A Deusa da Noite Eterna…
— A Mãe dos segredos… A Dama Carmesim…
— Imperatriz do Desastre e Horror…
— Senhora da Calma e do Silêncio…
…
Esses atos típicos de um charlatão chocaram todos os presentes e o povo da cidade ficou em silêncio.
E uma vez que as pessoas ficaram em silêncio, era fácil para elas perceberem algo que não haviam notado antes.
— Que sensação calorosa.
— Parece que estou tomando banho de sol… — Não, eu sinto que estou olhando para um céu puro…
— Que mágico… É esse o efeito da água benta?
— Eles certamente cumprem seus nomes como sacerdotes da Catedral de Santa Selena!
— Louvada seja a Dama.
…
Os habitantes da cidade discutiram em sussurros. Os olhares que deram a Klein, Leonard e Kenley tornaram-se lentamente de respeito. Noah também relaxou visivelmente, sem duvidar que o problema havia sido resolvido.
O Artefato Selado 3-0782 está fazendo todo o verdadeiro trabalho aqui… Na verdade, não precisamos fazer nada para afugentar os fantasmas, tudo o que precisamos fazer é ficar aqui por um minuto. Não é cansativo nem problemático de modo algum… — Depois que Klein purificou a aura sinistra de todos os cantos da casa, ele abriu os olhos e guardou a adaga de prata, desenhando a forma da lua carmesim na frente do peito com uma expressão séria. — Louvada seja a Dama.
— Louvada seja a Dama. — responderam os habitantes da cidade com devoção.
— Ainda temos coisas para lidar, mas precisamos de silêncio absoluto. — Leonard sorriu enquanto olhava em volta.
O povo da cidade, depois de testemunhar algo tão profissional, não permaneceu. Eles saíram da casa de Noah como uma maré seguindo a liderança do Sacerdote Siur. Até o dono da casa teve que sair temporariamente.
— Na verdade, eu queria tirar uma soneca… — Noah fez beicinho enquanto caminhava em direção à catedral.
Leonard deu um passo à frente e fechou a porta, depois se virou para Klein.
— Faça uma divinação sobre a causa deste incidente.
— Tudo bem. — Klein também queria descobrir o que poderia divinar.
Eu sei que Sr. Azik fez isso, mas ele parece ser de natureza bastante superior. Haha, uma pessoa que pode viver por 1300 anos deve ser de natureza superior, realmente… Então minhas divinações devem definitivamente ser afetadas. Sob tais circunstâncias, sem a ajuda do espaço misterioso acima do nevoeiro cinzento, nem eu tenho certeza de que revelações receberia… — Klein pegou a caneta e o papel que trouxe consigo e escreveu uma declaração de divinação:
— A causa da assombração na casa de Noah.
Ele segurou o pedaço de papel e caminhou até uma mesa redonda. Ele então se sentou, fechou os olhos e se recostou.
De repente, Klein viu um mausoléu preto em seu nublado e nebuloso mundo dos sonhos.
Era semelhante a uma pirâmide, mas estava invertida e quase totalmente enterrada.
Uma névoa negra obscureceu tudo dentro do antigo mausoléu.
Klein acordou e abriu os olhos.
— Encontrou algo? — perguntou Kenley, preocupado.
Klein pensou por um momento e descreveu a revelação que recebeu em seu sonho sem esconder nada. Ele terminou dizendo:
— O mausoléu definitivamente não era do estilo do continente norte, quero dizer, Quinta Época. Sou algo como um especialista neste campo.
Leonard assentiu, parecendo pensativo.
— Essa é uma Pirâmide Invertida do continente sul. Representa a entrada do reino inferior a partir do mundo dos vivos. É um mausoléu que apenas os chamados Descendentes da Morte podem erguer para si, seja no Império Balam do passado, ou em seus estados satélites, como o Reino das Terras Altas.
— Em certo sentido, é o símbolo da Morte.
— Bem, os fantasmas estão definitivamente relacionados à Morte. Os resultados da divinação estão, sem dúvida, corretos!
Ignorando a zombaria de Leonard, Klein de repente teve um pensamento interessante.
Poderia o Sr. Azik ser descendente da Morte, ou ter feito uma transação com a Morte para obter uma vida tão longa?
De acordo com um capítulo de A Revelação da Noite Eterna, bem como os registros internos dos Falcões Noturnos, Morte era um deus malévolo, que causou uma catástrofe no continente Norte no final da quarta época. Aqueles tempos eram agora referidos como a Era Pálida.
Hmm, diz-se que Morte foi derrotado pelos esforços combinados dos Sete Deuses… É impossível determinar quando o Castelo de Lamud foi construído, mas não poderia ter sido construído antes da Era Pálida.
Se houvesse uma conexão, haveria algo a ser investigado em relação à pessoa que está por trás das cortinas, mora na casa com a chaminé vermelha e que roubou o crânio do filho do Sr. Azik…
Obviamente, isso poderia ser uma desculpa para do continente Norte colonizar o continente sul. Afinal, a maioria dos habitantes do continente sul acredita na Morte…
Os três Falcões Noturnos não ficaram muito tempo, já que não descobriram nada. Eles logo deixaram a casa de Noah e começaram a lidar com os outros dois incidentes de assombrações.
O mesmo processo, os mesmos resultados. Eles rapidamente livraram a cidade das auras dos espíritos mortos, mas não conseguiram encontrar a causa de todos os problemas.
Ao longo do caminho, Leonard perguntou aos habitantes da cidade se algum estranho havia entrado na cidade nos últimos dias, mas recebeu uma resposta negativa.
Sr. Azik não veio? Ele deve ter vindo e saido em segredo sem que ninguém o notasse. Ele com certeza é cauteloso… Quando disse que voltaria a Tingen na quarta-feira, ele quis dizer que esses espíritos desapareceriam por conta própria hoje, mesmo que não estivéssemos aqui para lidar com isso? — Klein pensou nisso enquanto voltava à entrada da catedral de Morse com Leonard e Kenley.
Eles ainda poderiam durar mais uma hora e quarenta e cinco minutos com o Emblema Mutado do Sol Sagrado .
— Vamos pegar turnos de uma hora cuidando do artefato selado.
Klein suprimiu a emoção em seu coração. Ele olhou para a cor do céu e disse:
— Vamos tentar voltar para a cidade de Tingen para jantar.
— OK. — Leonard olhou para Klein e riu. — Mas, por segurança, sugiro que duas pessoas cuidem do Artefato Selado enquanto uma descansa.
Klein congelou por um momento, sua mente se agitando rapidamente. Ele sorriu em resposta.
— Certo, mas dessa forma, temos que calcular a rotação mais lógica. Quem descansa primeiro? Quem é o próximo? E quem será o último? Quanto tempo precisamos para nos recuperar? E quanto precisamos nos recuperar? Bem, acho que precisamos estabelecer um algoritmo com um valor desconhecido, a fim de estabelecer a melhor maneira, e depois compará-la com a eficácia de ter uma pessoa de cada vez o guardando… É ainda melhor se pudermos comparar as eficiências também. Vamos primeiro assumir que o valor desconhecido é…
— Espera! — Os olhos verdes de Leonard estavam cheios de perturbação e medo — Se for esse esse o caso, vamos cuidar dele um de cada vez. A pessoa que cuida dela fica na catedral durante o turno, pois possui um raio suficientemente grande. Claro, teremos que pedir ao Sacerdote Siur e o resto para ficar em outro lugar. Os outros dois ficarão de guarda do lado de fora da igreja e impedirão que outros se aproximem.
— Eu compartilho da mesma opinião. — Kenley sentiu uma dor de cabeça quando Klein falou sobre o problema matemático.
— Tudo bem. — Klein assentiu, parecendo ter sido forçado a fazêlo.
Se não tivesse conseguido convencer seus parceiros, ele teria que fazer um acordo com Leonard em segredo, dando algumas informações sobre si mesmo para levá-lo a sair.
Mas agora o problema foi resolvido!
Capítulo 162
Capítulo 162 – Intensa Luz do Sol
Uma luz fraca brilhava através da estreita janela do alto, tornando o interior da Catedral de Morse um pouco mais visível.
Klein colocou a cartola no joelho enquanto encostava a perna na bengala. Ele sentou em silêncio no banco da primeira fileira da esquerda e olhou para o altar diante dele.
Não havia nenhuma estátua da Deusa, exceto um enorme Emblema Sagrado das Trevas. Sua base era preta, com uma meia-lua carmesim cercada por pontos radiantes de luz.
Na parede atrás do emblema sagrado, havia algumas aberturas que permitiam a luz do sol entrar, iluminando os arredores através de pequenas partículas focadas de luz pura que combinavam com o ambiente escuro para formar uma cena que lembrava um estrelado céu noturno.
Nenhum dos Deuses tradicionais jamais deixou para trás uma imagem real. Somente seus símbolos são adorados e glorificados pelas pessoas… Isso parece ser uma manifestação da ordem: “Não olhe diretamente para Deus”… — Klein deixou seus pensamentos vagarem. Ele não estava com pressa de fazer os Charms do Sol Ardente assim que teve a oportunidade de ficar sozinho com o Artefato Selado 3-0782.
Ele sentiu que tinha que ser cuidadoso, paciente, e que precisava esperar. Nos primeiros quinze minutos, era possível que Leonard e Kenley entrassem a qualquer momento para lembrá-lo dos pontos que deveria tomar nota.
Nesta atmosfera extremamente tranquila, o tempo passou rapidamente. De repente, Klein voltou aos seus sentidos e pegou o relógio de bolso prateado de folhas de videira, o abriu e deu uma olhada.
Vinte minutos se passaram… — murmurou ele para si mesmo. Colocando a cartola de seda e a bengala preta com detalhes em prata ao lado, ele se levantou e caminhou em direção a um canto escondido perto do altar.
A princípio, ele ficou de frente ao lado do altar, mas depois que viu o grande Emblema Sagrado das Trevas e o cenário sagrado que lembrava a representação de um céu noturno, se sentiu culpado e desconfortável, então ele acabou virando as costas para o altar.
Então, Klein pegou o Artefato Selado 3-0782 do bolso interno do smoking preto e se abaixou para colocar o emblema dourado sem adornos no chão.
Klein olhou para o símbolo do Sol, cheio de significados abstratos, depois pegou uma pequena vela com sândalo e a colocou abaixo do artefato selado 3-0782.
Esse era o ritual dualista que ele aprendeu com o Eterno Sol Ardente. Ele usou um item que estava intimamente relacionado à divindade para representar “Ele”, enquanto usava a vela para representar a si mesmo.
Ele respirou fundo para aliviar suas emoções tensas. Klein pegou os itens necessários para o ritual, um após o outro, incluindo uma adaga, duas finos pedaços de ouro, óleo essencial de Sol extraído da combinação de girassol de borda negra, girassol de borda dourada e girassol de borda branca, pó de cidra mãos de ouro e pó de alecrim.
Depois disso, Klein usou habilmente a adaga de prata de ritual para guiar o fluxo de espiritualidade. Ele o fez fluir ao redor do simples altar e criou uma barreira selada e disforme.
Agaixando, colocou a adaga no chão e estendeu a mão direita. Ele acendeu a vela que o representava usando sua espiritualidade para criar atrito.
Sob a fraca luz, Klein pegou o óleo essencial de Sol e pingou uma gota na chama.
Com um puff, uma névoa ilusória se espalhou com o leve aroma da luz do sol.
Depois de queimar o pó de cidra e o pó de alecrim, Klein segurou a adaga e os pedaços de ouro. Ele se levantou, deu um passo para trás e depois recitou em Hermes:
— Ó sangue do Eterno Sol Ardente.
— Você é a Luz inextinguível, a Personificação da Ordem, o Deus das Ações, o Guardião dos Negócios.
…
Luz Inextinguível, Personificação da Ordem, Deus das Ações e Guardião dos Negócios faziam parte dos títulos honoríficos do Eterno Sol Ardente. Se não houvesse o prefixo do sangue do Eterno Sol Ardente, o ritual exigiria a resposta do deus para prosseguir. Nesse caso, Klein suspeitava que o Eterno Sol Ardente o reconhecesse como a pessoa desrespeitosa que olhou diretamente para “Ele”. Então, Leonard e Kenley só encontrariam uma pilha de cinzas negras quando fosse hora de trocar de turno.
Além disso, o ritual tinha que ser conduzido em antigo Hermes, uma linguagem ritualística que se originava da natureza. Somente um idioma sem proteção, mas com efeitos extraordinários, poderia permitir que um encantamento contornasse o Eterno Sol Ardente e apontasse para o Emblema Mutado do Sol Sagrado.
Ao mesmo tempo, como estava roubando o poder de uma divindade, Klein não tinha como divinar com antecedencia se seria bem-sucedido. Ele sentiu que isso resultaria em ele lidar diretamente com a divindade novamente. Então, ele só pôde recitar o resto do encantamento com o coração tenso:
—Eu rezo a você,
— Eu rezo para que você me dê força,
— Me dê força para completar o Charm do Sol Ardente.
— Sangue do Eterno Sol Ardente, por favor, transfira sua força para meu charm…
— Ó cidra, uma erva que pertence ao Sol, por favor, conceda seus poderes ao meu charm…
…
Quando o encantamento se aproximava do fim, Klein de repente sentiu algo acender diante de si.
O simples emblema dourado irradiou uma luz intensa, como se o sol tivesse descido sobre a terra.
De repente, Klein se viu envolto em um calor extremo. Seu cabelo estava esquentando rapidamente e estava quase à beira de pegar fogo.
Seus pés pareciam estar descalços na areia amarela que havia sido exposta ao sol do meio-dia, e seu rosto e corpo foram recebidos com um vento quente que soprava de todas as direções.
Nesse caso, ele sentiu que precisava fazer algo para liberar as energias ardentes. Caso contrário, ele se transformaria em uma vela humana.
Isso não exigiu que ele sequer pensasse, imediatamente levantando as duas mãos. Enquanto seus pensamentos ferviam como mingau, ele confiou na combinação de sua espiritualidade e dos ventos fortes, bem como de seus instintos e orientação ritualística, para começar a gravar símbolos, números de caminho correspondentes, características mágicas e encantamentos antigos em ambos os lados dos pedaços de ouro com sua faca de entalhar.
Do lado de fora da igreja, Leonard estava parado nas sombras para se esconder da luz solar direta.
De repente, a luz do sol se intensificou, como nos dias mais quentes do ano no início de julho.
Ele cemicerrou os olhos e olhou para o céu azul e viu que não havia nuvens nem poeira. Estava tão puro que fazia as pessoas suspirarem de admiração.
— Que tempo estranho. — Ao lado dele, Kenley também notou as mudanças na luz do sol.
Leonard respondeu com um sorriso e de repente virou a cabeça.
Ele franziu levemente as sobrancelhas e olhou para a catedral.
— Felizmente, Rozanne não está aqui. Caso contrário, ela estaria reclamando que o sol bronzearia sua pele — Leonard desviou o olhar e disse com um sorriso.
A ardente luz do sol permaneceu intensa por alguns minutos antes de voltar ao normal.
Na catedral, a faca de Klein havia terminado o ultimo movimento.
Quando terminou a característica mágica que representava a luz, a espiritualidade nos dois lados dos pedaços de ouro se fundiram repentinamente, à medida que a luz convergia para o metal.
Não, isso é ainda mais próximo de divindade… — Klein ficou finalmente aliviado das sensações de ebulição e queimação. Ele examinou os dois charms do Sol Ardente em suas mãos com a mente clara.
O brilho dourado na superfície dos charms havia escurecido, e a gravura parecia antiga, mas complexa. Havia uma sensação quente e úmida que penetrou na pele de Klein pouco a pouco.
Nada mal. Finalmente tenho uma carta na manga mais impressionante — suspirou Klein emocionalmente.
Ele estabeleceu o encantamento de ativação para os charms do Sol Ardente como a palavra “luz” em antigo Hermes.
Eu quero luz e haverá luz… — Ele brincou, divertido. Em seguida, colocou os charms do Sol Ardente em outro bolso. Ele não os colocou com os charms de sonolência, pacificador e sonho, porque os charms do Sol Ardente diminuiriam seus períodos de eficácia.
Sim, o poder dos charms do Sol Adente pode ser mantido por pelo menos um ano ou até mais. — Klein reprimiu seus pensamentos e olhou para o Emblema Mutado do Sol Sagrado no chão.
Não parecia diferente na superfície e ainda emitia sentimentos de calor e pureza. Klein finalmente relaxou e rapidamente completou o ritual e removeu a barreira espiritual.
Nesse ponto, ele pensou em se examinar. Ele percebeu que suas roupas estavam quase encharcadas e que ele estava coberto de suor. As pontas de seus cabelos também estavam levemente encaracoladas.
Ainda bem… — Klein suspirou de satisfação. Ele guardou as coisas e voltou ao seu lugar original. Ele estava tão exausto que dormiu no momento em que se sentou, até ser acordado por passos.
Seus olhos se abriram e ele tocou inconscientemente nos charms do Sol Ardente para ver se ainda estavam lá.
— Você não parece bem? — perguntou Leonard ao entrar na catedral.
Klein massageou as têmporas, se levantou e sorriu.
— Estou chegando ao meu limite.
Ele pegou seu relógio de bolso prateado e deu uma olhada. — Bem na hora. É a sua vez de cuidar do Artefato Selado 3-0782.
Antes de terminar de falar, Klein tirou o Emblema Mutado do Sol Sagrado e o passou para Leonard.
Leonard observou Klein sair da catedral. Então, ele abandonou sua atitude frívola e examinou o Artefato Selado 3-0782 com atenção e seriedade. Ele ficou confuso e pareceu perplexo.
Depois que os turnos terminaram, os três Falcões Noturnos começaram sua jornada de volta.
Antes disso, eles disseram ao Sacerdote Siur para tomar nota da situação da cidade. Se houvesse algum incidente paranormal, ele deveria enviar imediatamente um telegrama à Catedral de Santa Selena.
Às sete e vinte da noite, eles finalmente chegaram à rua Zouteland e retornaram o Artefato Selado 3-0782.
Quando se certificou de que o Capitão não havia notado nada de incomum, Klein deixou a Companhia de Segurança Blackthorn e chegou em casa antes das oito.
Ele pegou as chaves e abriu a porta, apenas para ver uma figura desconhecida.
Era obviamente uma donzela que nem tinha vinte anos de idade. Ela usava um vestido velho branco-acinzentado e estava limpando a sala de jantar com todas as suas forças.
Ela tinha cabelos pretos e olhos castanhos. Seus olhos eram pequenos, o nariz não era empinado e suas feições faciais eram bem comuns.
Quem é essa? — Klein ficou aturdido no começo, mas percebeu que ela provavelmente era a criada que havia vindo para um teste.
Naquele momento, Benson abaixou o jornal e olhou para o irmão. Ele sorriu e disse:
— Uma companhia que não permite que os funcionários saiam do escritório na hora certa é chata.
— Mas fornece um salário que pode neutralizar qualquer tipo de insatisfação — respondeu Klein rindo.
Quando as 300 libras da srta. Justiça chegarem, informarei Benson e Melissa sobre meu aumento para seis libras por semana, para que se preocupem menos com as finanças de nossa família… — pensou Klein enquanto colocava a bengala de lado e tirava a cartola. Ele caminhou até a sala de estar e perguntou em voz baixa:
— Voces escolheram?
Ele divinou informações das três criadas no dia anterior e descobriu que todas as três eram adequadas. Portanto, a decisão foi deixada para seu irmão e irmã.
— Sim, Bella. Salário semanal de cinco soli. Ela é muito disposta e também capaz de aprender a cozinhar. Espera poder se tornar uma chef de cozinha, a ponto de que seu salário semanal dobre. Seu pai é funcionário na Fabrica da União Metalúrgica de Tingen e sua mãe é funcionária de lavanderia — respondeu Benson com uma risada. — Claro, outra coisa que levou Melissa e eu à decisão é que as outras duas criadas acreditam no Senhor das Tempestades, e ela é crente da Deusa. Pessoalmente, não me importo com os crentes do Senhor das Tempestades, mas Melissa não gostou muito da ideia.
Não que Melissa não gostasse, uma descrição mais precisa seria “lamento o infortúnio deles e fico furiosa com sua recusa em resistir”. Sim, foi dito por Lu Xun! — Klein lembrou o comportamento de sua irmã e revelou um sorriso.
Benson não deu mais detalhes. Ele guardou o jornal e se levantou.
— Já que você voltou, vamos jantar.
No dia seguinte, Klein entrou na Companhia de Segurança Blackthorn de bom humor.
— Bom dia. — Rozanne olhou para a esquerda e depois para a direita, e então disse:
— Velho Neil está doente, vamos visitá-lo ao meio-dia? O que me diz?
— Velho Neil está doente? — perguntou Klein, surpreso.
Será que o ritual para tratar a diarréia causou constipação grave?
Bem, pela maneira como ele agiu depois de aprender sobre o “método de atuação”, não é impossível ele ficar repentinamente doente… Ele está ficando velho, então, quando sua mente se torna frágil, seu corpo também sofre com tais ramificações…
Rozanne assentiu e disse:
— Sim, ele enviou alguém ao Capitão para pedir uma folga.
Klein assentiu levemente. — Vamos visitá-lo ao meio-dia. Ai ai, Velho Neil com certeza é deplorável. Sua esposa faleceu cedo e seu filho está ocupado em outra cidade. Quando ele está doente, tudo o que pode fazer é ficar em casa, em solidão e desamparo.
Essa foi a primeira coisa que ele lembrou de sua primeira visita à casa do Velho Neil.
Ouvindo o suspiro de Klein, Rozanne arregalou os olhos e perguntou em choque:
— Quando Velho Neil se casou?
Capítulo 163
Capítulo 163 – Vários Sinais
O quê? — Klein ficou pasmo ao ouvir a pergunta de Rozanne. Ele lembrou, atordoado:
— Eu visitei a casa do Velho Neil mês passado. Vi um piano na sala e ele me disse que sua falecida esposa adorava música…
Enquanto falava, Klein de repente ficou alarmado e começou a ter pensamentos desagradáveis.
Rozanne franziu as sobrancelhas e disse com incerteza:
— Talvez eu tenha lembrado errado…
— Não, a sra. Orianna e eu frequentamos a casa do Velho Neil durante o primeiro semestre. Não havia piano em sua sala naquela época. Lembro claramente de perguntar por que ele escolheu permanecer solteiro. Sua resposta foi que ele não conheceu nenhuma dama com quem desejava se casar…
Não havia piano durante o primeiro semestre e ele respondeu à pergunta de por que escolheu permanecer solteiro… — Klein ficou tenso e perguntou com uma voz grave:
— Rozanne, quanto tempo se passou desde que você visitou a casa do Velho Neil?
— Desde que Kenley se tornou um Falcão Noturno e Viola escolheu renunciar como funcionária estive trabalhando dia e noite ou recuperando o sono, então como poderia ter tempo para visitá-lo?
— Desde… o início de junho. — Rozanne ficou um pouco perdida ao ouvir a pergunta, então tudo o que fez foi responder honestamente.
O coração de Klein caiu, como se ele sentisse que algo estava errado.
Ele tirou uma moeda de meio centavo do bolso e a segurou entre o polegar e o dedo médio.
Respirando fundo, ele rapidamente pensou em uma declaração de divinação.
Há algo errado com a situação atual do Velho Neil.
Há algo errado com a situação atual do Velho Neil.
…
Suas pupilas rapidamente escureceram quando ele recitou a declaração silenciosamente, entrando em Cogitação.
Ding!
Ele mexeu o polegar, jogando a moeda de bronze no ar e permitindo que ela girasse.
Pak!
A moeda caiu na palma da mão aberta de Klein.
Desta vez, o retrato de George III estava voltado para cima.
O retrato significava que declaração estava correta, um resultado positivo.
Isso significava que realmente havia algo errado com a situação atual do Velho Neil!
Enquanto Klein segurava a moeda com força, de repente se lembrou do translúcido par de olhos frios e cruéis, sem nenhuma sobrancelha, que havia visto atrás do Velho Neil quando havia acabado de se tornar um Beyonder e estava experimentando sua Visão Espiritual.
Velho Neil havia explicado que o par de olhos era uma característica de magia ritualística!
Isso mesmo, também vi uma figura humana quase sem forma perto da porta, na periferia da luz. A cor de sua aura era idêntica à escuridão circundante… Além disso, depois de ter digerido completamente a poção Vidente, mudei secretamente a maneira como ativar minha Visão Espiritual, batendo meus molares esquerdos. Por acaso, olhei para o Velho Neil e ele de repente tossiu violentamente… — Cena após cena apareceu na mente de Klein, deixando sua expressão sombria.
Rozanne olhou para ele e perguntou com medo:
— Velho Neil perdeu o controle? De jeito nenhum, mesmo sendo mesquinho e mão de vaca, e queira ser reembolsado por todas as suas despesas, ele ainda é uma boa pessoa. Ele raramente fica bravo. De jeito nenhum, ele não perderia o controle…
— Não tenho certeza, mas acho que o Velho Neil está à beira de perder o controle. — Klein consolou Rozanne. Ele rapidamente passou pela divisória e abriu a porta do escritório do Capitão.
Dunn Smith ficou surpreso com a súbita intrusão, quase engasgando com o seu café.
— O que houve? — Ele não culpou Klein, sua expressão instantaneamente se tornando severa.
Klein respondeu diretamente, sem esconder nada:
— Capitão, minha divinação me diz que há algo errado com o Velho Neil.
— No mês passado, Velho Neil me disse que sua falecida esposa adorava música, mas hoje Rozanne me disse que ele permaneceu solteiro o tempo todo.
— Além disso, no dia em que me tornei um Beyonder, vi um par de olhos misteriosos olhando de atrás do Velho Neil. Havia também uma figura humana quase transparente perto da porta nos espionando. Ele me disse que essas eram características da magia ritualística.
— Eu senti que algo estava errado e, portanto, tentei divinar.
Depois que Dunn terminou de ouvir atentamente, ele se levantou de imediato. Enquanto caminhava até o cabide, perguntou perplexo:
— Por que você não divinou diretamente se Velho Neil havia perdido o controle?
— No mês passado, Velho Neil não agiu de maneira diferente de qualquer outro Beyonder. Ele até trabalhou comigo para ajudar Swain a lidar com um Punidor a Mandato que havia perdido o controle. Eu também observei as cores de sua aura de tempos em tempos e notei que ele é relativamente saudável, exceto por sua fragilidade, devido à idade. Por isso, acho que só está perto de perder o controle. Ele ainda pode ser salvo — explicou Klein seu ponto de vista sem nem respirar.
Dunn colocou o chapéu preto e o casaco antes de assentir.
— Uma dedução bastante razoável… Vamos visitar o Velho Neil agora e, ah, tente não o agitar, se possível.
— Depois disso, podemos tentar controlá-lo e usar a magia ritualística para estabilizar sua condição e impedir que ela piore.
Controle… — Klein teve uma ideia quando ouviu esse termo.
— Capitão, podemos usar o Artefato Selado 3-0611?
Ele estava pensando em como resolver o problema do Velho Neil e salvá-lo, mas não havia chegado a uma resposta, pois estava muito perturbado, muito inquieto e preocupado. Lembrado pelas palavras de Dunn Smith, se recordou que o Artefato Selado poderia ser útil.
Número: 0611.
Nome: Fios de Cabelo Pacíficos.
Grau de perigo: 3. Consideravelmente perigoso. Deve que ser usado com cuidado. Só pode ser utilizado em operações que requerem três ou mais pessoas.
Classificação de segurança: membro oficial dos Falcões Noturnos ou superior.
Método para selar: sem contato direto com organismos vivos.
Descrição: Uma decoração simples, formada por muitos fios de cabelo preto.
Enquanto contato for feito com um ser vivo sem proteção, o ser vivo perderá todos os seus desejos e emoções, incluindo, entre outros:
Fome, Raiva, Dor, Tristeza, Inveja, Ciúme, Ódio, Alegria, Satisfação, Ganância, etc.
Foi verificado que seres vivos sob a influência de 0611 perderão o desejo de romper contato com ele. Eles permanecerão silenciosamente em seu lugar até o fim de sua vida.
Se uma força externa for usada para romper o contato entre a pessoa e 0611, ela se recuperará gradualmente. Porém, dados experimentais sugerem que o pré-requisito para isso é que a pessoa não esteja em contato com o Artefato Selado por mais de duas horas.
Quando o contato durar mais de duas horas, a vítima ficará em silêncio por toda a eternidade.
A Sequência mais alta testada é Sequência 5.
Pode-se evitar o contato por meios, como o uso de luvas.
Os fios de cabelo não possuem sinais de vida. Não possui nenhuma inclinação de escapar do selo.
Apêndice: esses fios de cabelo apareceram durante um avanço fracassado. Foi algo deixado para trás quando um Capitão dos Falcões Noturnos falhou no avanço para Sequência 6.
Dunn, de olhos acinzentados, assentiu depois que ouviu Klein.
— Ótima sugestão, quase esqueci do 3-0611. Encontre Royale na sala de recreação. Irei buscar o Artefato Selado no Portão Chanis e enviarei o pedido depois que voltarmos.
Isso ai, não há tempo a perder! — Klein não fez hora. Ele imediatamente foi para a sala de recreação e gritou, chamando a geralmente sem expressão, Sem Sono Royale.
— Qual é a missão? — perguntou Royale calmamente.
Klein exalou e disse num tom sério:
— Fazer uma visita ao Velho Neil.
— Fazer uma visita ao Velho Neil… Ele? — Royale arregalou os olhos, com uma sensação ruim.
— Ainda não está confirmado. — Klein balançou a cabeça.
Royale não falou mais nada. Eles caíram em silêncio, tornando o clima pesado.
Alguns minutos se passaram até Dunn finalmente voltar do subterrâneo.
Ele estava usando luvas pretas e tinha uma bagunça emaranhada de cabelos pretos na mão.
Comparado ao Emblema Mutado do Sol Sagrado, os Fios de Cabelo
Pacíficos não pareciam particularmente estranhos. Seria ignorado pelas pessoas se fosse jogado na estrada em algum lugar.
Depois de chamar o motorista Cesare, os quatro foram para a casa do Velho Neil.
As rodas da carruagem giraram pela estrada de asfalto molhada pela chuva. O interior da carruagem estava mais silencioso que a noite.
Não se sabia quanto tempo havia passado até Dunn suspirar.
— Velho Neil tinha uma companheira com quem estava prestes a se casar quando era mais novo, mas ela de repente ficou
terminalmente doente. Velho Neil se arriscou a divulgar os segredos dos Beyonders e tentou usar magia ritualística para salvá-la, mas não teve sucesso. O Velho Neil naquela época era apenas um novato em misticismo.
— Segundo os registros, os Falcões Noturnos naquela época estavam todos em alerta, com medo de que Velho Neil perdesse o controle por causa disso. Mas, felizmente, ele conseguiu manter sua sanidade e parecia normal.
Vamos torcer para que este também seja um alarme falso… — Klein não pôde deixar de desenhar uma lua carmesim diante de seu peito e orou:
— Que a Deusa o guarde.
Dunn e Royale seguiram o exemplo.
— Que a Deusa o guarde.
Com as nuvens escuras recuando e o céu ficando mais claro, os Falcões Noturnos chegaram em frente à casa do Velho Neil.
Depois de pedir para Cesare conduzir a carruagem para longe, Dunn se recompôs e caminhou em direção à porta principal, bengala em uma mão e o Artefato Selado 3-0611 na outra.
Klein ajeitou o chapéu enquanto ele e Royale seguiam atrás do Capitão. Eles passaram pelo jardim de rosas e hortelã.
Quando chegaram à porta, Klein deu um passo à frente e puxou a corda conectada à campainha dentro do edifício.
Clink! Clang!
Um toque agradável ressoou na casa quebrando o silêncio pesado.
Clink! Clang! Clink! Clang!
Klein puxou várias vezes, depois educadamente deu um passo para trás sem fazer mais tentativas.
Os três Falcões Noturnos esperaram pacientemente por alguns minutos, mas não ouviram nenhum passo se aproximando da porta.
— Talvez o Velho Neil tenha ido visitar um médico e não esteja em casa. — Klein forçou um sorriso.
Ele não havia terminado sua frase quando uma melodia veio de dentro do da casa. Era a música de um piano, como um lago silencioso velado por uma névoa fina sob o luar.
A expressão de Dunn se tornou anormalmente severa e grave. O coração de Klein também caiu.
No momento em que estava prestes a fazer outra divinação, ele de repente notou que havia um líquido saindo pelo espaço abaixo da porta.
A corrente de líquido era transparente e pura a princípio, antes de se tornar tingida de vermelho, um vermelho semelhante ao de sangue. Era um vermelho carmesim intensamente escuro.
Capítulo 164
Capítulo 164 – Desgraçados Miseráveis
A cor do sangue fresco refletiu nos olhos de Klein, fixados no líquido que fluía.
Só então, houve uma tosse leve de dentro da casa. Velho Neil falou com uma voz rouca:
— Dunn, por que você está aqui?
Os olhos cinzentos de Dunn estavam extremamente profundos. Sua voz suave respondeu calmamente:
— Ouvi dizer que você está doente, então viemos visitá-lo.
Houve um silêncio repentino na casa. Alguns segundos depois, Velho Neil rugiu de raiva e terror:
— Não! Você está mentindo.
Sem esperar que Klein e companhia dissessem uma palavra, seu tom de repente ficou fraco.
— Sim, eu sei que minha condição não está muito boa.
Velho Neil… — Klein fechou os olhos, mas o líquido sangrento que estava vazando por baixo da porta não cessou.
Então, Velho Neil levantou a voz e disse:
— Todo esse tempo, eu nunca machuquei ninguém, nem pensei em machucar ninguém! Eu nunca… nunca revelei os segredos dos Falcões Noturnos, nem mesmo um! No máximo… no máximo, fiz reivindicações por despesas não merecedoras. Eu realmente não cometi nenhum mal!
— Klein! — De repente, ele gritou como costumava fazer. — Eu falei sobre a máxima dos Espreitadores de Mistérios: “Faça o que quiser, mas não faça mal”. Eu ainda vivo por essa expressão. Prefiro ser paciente, prefiro suportar do que fazer coisas que prejudiquem outras pessoas…
Com isso dito, ele implorou sinceramente, com medo:
— Dunn, Royale, Klein, vão embora. Esperem até amanhã… até amanhã voltarei ao normal. Eu juro, juro pela Deusa, eu nunca machucaria ninguém. De verdade!
Dunn fechou os olhos e perguntou num tom extremamente gentil:
— O que você planeja fazer? O que você tem tentado fazer esse tempo todo?
— Eu? — Velho Neil ficou confuso no começo antes de descrever com um tom cheio de esperança:
— Estou tentando ressuscitar Celeste. Dunn, eu encontrei um jeito, estou no caminho certo!
— Você deve ter ouvido falar sobre isso. Naquela época, eu cometi um erro durante a magia ritualística para tratar sua doença, então falhei. Eu falhei em salvá-la. Agora eu sei que era porque eu ainda tinha que dominar o misticismo. Mas agora, agora tenho conhecimento e experiência suficientes para concluir tudo! É lamentável que não tenha me inspirado na máxima dos Espreitador de Mistérios e no exemplo de Daly. Perdi a melhor oportunidade. Se eu fosse um Beyonder de alta Sequência, tudo isso se tornaria extremamente fácil.
Enquanto falava, a voz do Velho Neil parecia chorosa:
— Não, não posso desistir de novo… Dunn, vá embora. Vá embora, por favor. Eu imploro.
Klein cerrou os dentes ao ouvir o Capitão perguntar emocionalmente:
— Como você planeja ressuscitar Celeste?
Velho Neil ficou instantaneamente muito animado.
— Vou usar o método “Vida Alquímica” para criar um corpo imortal para ela. Dunn, você pode não saber, mas os Beyonders de Sequência 4 da Igreja da Mãe Terra são bons nisso. A Sequência correspondente no caminho de Sábio também quase consegue fazê-lo. Sim, vou completá-lo com a ajuda do favor de Deus.
— Então, convocarei o espírito dela do mundo espiritual e orarei pela ajuda de Deus para combinar seu espírito e corpo.
— Não é uma ótima ideia?
Dunn ergueu o canto dos lábios com força e disse:
— Sim, é uma ótima ideia. Velho Neil, deixe-nos entrar. Talvez possamos ajudá-lo.
— … Dunn, você ainda não está disposto a me deixar escapar dessa? — Velho Neil implorou:
— Vá embora, apenas vá embora. Eu voltarei ao normal amanhã, de verdade. Dunn, juro que nunca mais roubarei seus grãos de café. Klein, Royale, juro que não vou fazer vocês me ajudarem com minhas reivindicações desmerecidas! De verdade!
Na visão embaçada de Klein e Royale, Dunn abaixou a cabeça antes de levantá-la novamente.
— Velho Neil, você está entendendo mal. Estamos aqui para visitálo. Você é nosso companheiro de equipe. Você não está bem, está doente, por isso definitivamente, precisamos visitá-lo. Abra a porta. Deixe-nos vê-lo, para que possamos ter certeza. Se você estiver realmente bem, retornaremos imediatamente. Como você sabe, existem muitas missões, especialmente recentemente. Temos que monitorar o asilo enquanto cuidamos de vários outros incidentes imprevistos.
Velho Neil hesitou por um momento antes de dizer:
— Não há realmente nada sério sobre minha condição, de verdade. Eu vou me recuperar até amanhã.
A água ensanguentada que escorria por debaixo da porta desceu as escadas, em direção ao caminho de pedra e para o solo do jardim.
— Velho Neil, nos conhecemos há cerca de quinze anos, certo? Trabalhamos juntos em inúmeras missões. Estou realmente preocupado com você. Preciso te ver com meus próprios olhos antes de ficar sossegado — disse Dunn gentilmente.
— … Tudo bem — Velho Neil concordou com relutância. — Realmente não há nada de errado comigo.
Com um rangido, a porta se abriu. Klein rapidamente enxugou os olhos e permitiu que sua visão voltasse ao normal.
Então, ele viu que o tapete no saguão estava vermelho e pegajoso, coberto de sangue e cabelos.
Ele olhou para frente e para cima, apenas para perceber que o chão, o teto, a mesa redonda, o piano e as cadeiras da sala estavam todos cobertos com o mesmo líquido repugnante, pegajoso e peludo.
A cabeça do Velho Neil pairava no ar, conectada ao teto por um líquido espesso. Sua testa tinha um par de olhos e havia um olho em cada bochecha. Eles eram olhos frios e cruéis, sem cílios.
As teclas do piano dançavam sozinhas, tocando uma melodia.
— Dunn, veja. Estou realmente bem — disse Velho Neil com um sorriso radiante. — Royale, Klein, vocês também acham, certo?
No momento em que abriu a boca, Klein viu o mesmo líquido espesso, peludo e sangrento fluindo dentro dela.
Os olhos cinzentos de Dunn brilhavam enquanto ele conversava como se tudo estivesse normal.
— Velho Neil, de onde você aprendeu o ritual da Vida Alquímica e da Ressurreição?
Velho Neil respondeu entusiasmado:
— Eu ouvi, tentei a primeira parte e confirmei sua autenticidade! É um presente de Deus! Ele continuou descrevendo nos meus ouvidos. Ele continuou descrevendo, Ele é… Ele é…
A voz do Velho Neil parou. Mais de dez segundos depois, ele continuou com medo e aparentemente perdido:
— Ele é o Sábio Oculto…
O Sábio Oculto? Não é esse o deus não antropomórfico em que a Ordem Ascética de Moisés acredita? O deus que ressuscitou, provocando o mal e a corrupção… A Ordem Ascética de Moisés tem a Sequência completa da Espreitador de Mistérios… — O coração de Klein se contorceu quando muitos pensamentos lhe vieram à cabeça.
Ao mencionar o Sábio Oculto, Velho Neil pareceu finalmente acordar. Ele olhou em volta vagamente e observou tudo.
No silêncio indescritível, seus seis olhos olharam para Dunn, e ele disse com um sorriso amargo:
— Parece que… parece que já me tornei um monstro…
Sem esperar que Dunn e os outros respondessem, Velho Neil de repente revelou um sorriso, de humilhação, medo e covardia.
Me deixem ir. Eu irei fundo montanha adentro e não voltarei a aparecer. Eu nunca machucaria ninguém. Só vou tentar meu ritual em silêncio, de verdade.
— Me deixem ir, por favor. Eu imploro.
Nesse momento, Klein sentiu algo ilusório se despedaçar diante de seus olhos.
Então, os quatro olhos frios e sem cílios do Velho Neil brilharam sombriamente e se fixaram em Dunn. Sua expressão de repente ficou fria.
— Você está me puxando para um sonho!
— Não, é inútil! Meus olhos podem ver através de tudo isso!
O sangue pegajoso que cobria o teto, o chão e as paredes começou a se contorcer, como um gigante abrindo a boca para engolir Klein e companhia. A cabeça do Velho Neil ficou embaçada como imagens sobrepostas.
Klein não tentou pegar o revólver; em vez disso, ele estendeu a mão no bolso e planejou usar seu Charm de sonolência.
De repente, tudo diante dele se acalmou. O líquido pegajoso e ensanguentado de repente ficou plácido como um lago tranquilo.
Velho Neil perdeu a frieza, o ódio, o desejo e todas as outras expressões. Ele ficou quieto e pacífico.
Não se sabia quando Dunn havia jogado o Artefato Selado 3-0611 no sangue.
Os quatro olhos sem cílios na testa e nas bochechas do Velho Neil se fecharam lentamente, aparentemente tendo perdido o desejo de se manter abertos.
Qualquer criatura viva que entrasse em contato com os Fios de Cabelo Pacíficos ficaria pacífica e perderia toda a motivação até o fim de sua vida.
Dunn, Klein e Royale sacaram suas armas ao mesmo tempo e apontaram para a cabeça do Velho Neil.
Então, Velho Neil revelou um olhar de extremo medo. Ele estava lutando, seu forte desejo de viver lutava contra os efeitos do Artefato Selado 3-0611.
Os quatro olhos extras desapareceram. As rugas nos cantos dos olhos e da boca ainda estavam profundas, o cabelo ainda era branco, os olhos vermelhos ainda estavam turvos, como quando Klein o conheceu pela primeira vez.
— Dunn, você se lembra da vez que eu te salvei…
— Royale, você se lembra quando eu te ajudei a salvar a vida de sua família…
— Klein, você se lembra de como eu te ensinei misticismo todos os dias? Você se lembra de quando conversamos sobre como fazer reivindicações? Você se lembra de como eu fiz café com grãos moídos à mão? Você se lembra de quando lutamos contra um Rampager dos Punidores a Mandato?
…
O pedido ilusório ecoou nos ouvidos de Klein, e sua mão direita que segurava o revólver tremeu. Ele achou difícil puxar o gatilho.
Bang! Bang!
As duas balas anti-demônios de prata voaram e penetraram a cabeça do Velho Neil, uma após a outra.
Klein observou o rosto familiar e anormal revelar uma expressão desesperada. Ele viu o crânio do homem se abrir, o vermelho e o branco jorrando em todas as direções.
O sangue pegajoso que cobria o ambiente começou a diminuir enquanto voltava à cabeça quebrada de Velho Neil que havia caído no chão. Dunn e Royale baixaram as armas simultaneamente e tudo ficou em silêncio.
Klein olhou para tudo à sua frente: o “cadáver” do Velho Neil estava se tornando uma bola de carne podre. Ele viu que havia um par de olhos, vermelho e cristalino, mas com uma profunda dor em meio ao sangue e à carne.
Ele sentiu que tudo o que havia acontecido era apenas um sonho e achava impossível acreditar na sequência de eventos e em como havia terminado.
Ele ficou pasmo ao ver Dunn dar dois passos à frente, sua figura curvada.
Dunn olhou para o “cadáver” do Velho Neil e murmurou pesadamente:
— Somos guardiões, mas também um bando de bastardos miseráveis constantemente lutando contra ameaças e contra a própria loucura.
Capítulo 165
Capítulo 165 – Epitáfio
— Somos guardiões, mas também um bando de bastardos miseráveis constantemente lutando contra ameaças e contra a própria loucura.
As palavras de Dunn ecoaram por toda a casa do Velho Neil. Reverberaram no chão corroído, nas paredes e no teto, bem como na mente e na alma de Klein.
Ele nunca teve uma impressão mais forte dessa frase do que a que tinha agora.
Ele sentiu que não esqueceria esse sentimento enquanto vivesse, mesmo que retornasse à Terra.
Em meio à atmosfera calma, Dunn caminhou em direção ao “cadáver” do Velho Neil e se ajoelhou. Tirando um lenço branco do bolso do casaco, ele cobriu o globo ocular cristalino e vermelho escuro que parecia estar em dor.
Nesse momento, Klein notou que as teclas do piano haviam parado de se mover. Uma figura fraca e translúcida apareceu.
Isso é… — Klein, que havia ativado sua Visão Espiritual antes de entrar na casa, congelou.
Ele não havia notado essa estranha “alma” até agora!
Foi porque estava distraído pelo Velho Neil, ou devido às habilidades do Velho Neil depois que ele perdeu o controle? — Klein viu a figura sem forma evaporar rapidamente, desaparecendo diante de seus olhos. Ele tinha uma fraca ideia do que estava acontecendo.
Suprimindo o sentimento pesado em seu coração, ele ouviu o Capitão ordenar:
— Procure a casa do Velho Neil com cuidado por possíveis pista.
— Tudo bem. — Quando Klein falou, levou um minuto para reconhecer sua própria voz. Sua voz estava rouca e profunda, como se estivesse com gripe.
— Tudo bem — Royale também respondeu.
A condição da voz dela é quase a mesma que a minha… É como se nossas narinas estivessem bloqueadas… — Klein olhou para sua colega de equipe, que normalmente não tinha muita expressão. Era como se a estivesse conhecendo pela primeira vez.
Colocando a bengala em um porta-guarda-chuva perto da porta, ele contornou o Artefato Selado 3-0611. Dando passos pesados pela sala, ele subiu para o segundo andar, e procurou em todos os quartos por possíveis pistas.
Velho Neil contratava alguém para limpar os quartos regularmente, então os quartos não estavam tão bagunçados quanto se poderia esperar de um cavalheiro solteiro. Tudo estava em ordem, como se houvesse uma presença feminina na casa.
Meia hora depois, Klein encontrou algumas anotações manuscritas em uma estante de livros no quarto do Velho Neil. As anotações registravam um ritual estranho e misterioso:
“Vida Alquímica.”
“Os materiais necessários incluem: 100 ml de água da Nascente dos Elfos (Nascente Dourada na Ilha Sonia), 50 gramas de Cristal Estelar, meia libra de ouro puro, 5 gramas de flogisto, 30 gramas de ferro vermelho… E uma grande quantidade de sangue fresco de pessoas vivas.”
Velho Neil anotou abaixo da parte sobre sangue fresco de pessoas vivas:
“Posso considerar tirar meu próprio sangue, acumulando-o pouco a pouco e preservá-lo usando magia ritualística.”
Posso considerar tirar meu próprio… — Klein fechou os olhos e amassou as anotações.
Na quinta-feira de manhã às nove, a hora da lua. Cemitério de Rafael.
Klein usava seu terno preto formal e segurava sua bengala. Ele estava em silêncio, em um canto do cemitério.
Ele havia colocado um lenço branco no bolso do peito e estava segurando uma flor do sono.
Dunn, Frye, Leonard e Kenley estavam carregando um caixão preto onde estava o cadáver do Velho Neil. Eles caminharam lentamente para a frente da lápide e o baixaram silenciosamente na sepultura.
Ao ver o solo marrom sendo jogado no túmulo, Rozanne, que usava um vestido preto e uma flor branca no cabelo, chorou.
— Alguém pode me dizer se tudo isso está acontecendo de verdade?
— Por que ele perdeu o controle, por que consumiu a poção, por que se tornou um Beyonder, por que existem espectros e monstros, por que não há um caminho mais seguro? Por que, por que, por que…
Klein ouviu silenciosamente até o caixão do Velho Neil ser completamente enterrado no solo, até que todos os sinais de que ele existia fossem enterrados nas profundezas da terra.
— Que a Deusa te abençoe. — Ele desenhou uma lua carmesim na frente do peito, depois deu alguns passos à frente e colocou a flor do sono na frente do túmulo.
— Que a Deusa te abençoe. — Dunn, Frye e os outros encostaram no peito no sentido horário.
Klein olhou para cima, endireitou as costas e viu a fotografia em preto e branco na lápide.
Velho Neil usava seu chapéu preto clássico; seus cabelos brancos estavam aparecendo pela borda. As rugas ao lado de seus olhos e boca eram profundas, seus olhos vermelhos escuros um pouco turvos.
Ele estava tão calmo, não sentindo mais tristeza, dor ou medo.
Havia um epitáfio esculpido embaixo da fotografia. Veio do conteúdo da última entrada no diário de Velho Neil: “Se não posso salvá-la, devo acompanhá-la.”
A brisa da manhã soprou suavemente. O silêncio e o vazio do Cemitério de Raphael pairavam sobre todos.
À tarde, Klein levou um formulário assinado pelo Capitão ao arsenal.
Ele abriu a porta entreaberta e viu Bredt com uma barba grossa e preta atrás da mesa.
Klein congelou visivelmente antes de entregar o formulário.
— Cinquenta munições comuns.
Durante seu pedido, ele olhou para a lata em cima da mesa. Ele sentiu como se pudesse cheirar a fragrância do café moído à mão e ouvir as palavras atrevidas em seus ouvidos: “Mas por que você deve esperar até ter dinheiro de sobra? Você pode reivindicar com Dunn e fazê-lo aprovar as despesas!”
…
Bredt notou a expressão de Klein e suspirou.
— Eu posso entender o que você está sentindo agora. Eu mesmo não posso acreditar que o Velho Neil nos deixaria assim. Às vezes, até sinto como se fosse um sonho evocado pelo Capitão.
— Talvez esse seja o destino de muitos Falcões Noturnos — respondeu Klein com um sorriso amargo.
Após esse incidente, ele sentiu muito mais decepção e ódio contra os altos escalões da Igreja por manter em segredo o “método de atuação”.
— Vamos torcer para que haja menos tragédias desse tipo, que a Deusa nos abençoe. — Bredt desenhou uma lua carmesim na frente do peito. Ele pegou o formulário e entrou no arsenal.
Bang! Bang! Bang!
O cheiro de pólvora encheu o ar. Klein desabafou suas frustrações no alvo em que estava atirando, até que terminou de disparar as balas que havia solicitado. Ele então se recompôs e pegou uma carruagem pública para a casa de Gawain.
Ele completou séries e séries de exercícios, como se estivesse se torturando, até que Gawain disse para ele parar.
— A prática de combate não existe para você se machucar. — Gawain olhou para Klein com seus turvos olhos verdes.
— Sinto muito, professor. Estou um pouco triste hoje. — Klein exalou e tentou explicar.
— O que houve? — perguntou Gawain sem uma onda de emoção.
Klein pensou por um momento e depois respondeu com simplicidade:
— Um amigo meu faleceu repentinamente.
Gawain ficou em silêncio por alguns segundos. Ele acariciou o bigode loiro e disse com uma voz fugaz:
— Certa vez, perdi 325 amigos em cinco minutos, entre os quais 10 em que eu podia confiar minha vida.
Klein suspirou em realização. — Essa é a crueldade da guerra.
Gawain lançou um olhar para ele e soltou uma risada depreciativa.
— O mais cruel de tudo é o fato de nunca poder me vingar deles. Eu nunca poderei realizar seus sonhos, e a resposta me escapa sempre.
— Quanto a você, você ainda tem essa chance. Mesmo não sabendo exatamente o que aconteceu, sei que você ainda é jovem. Você ainda tem muitas oportunidades.
Klein ficou em silêncio por um momento. Ele respirou fundo e se recompôs.
— Obrigado professor.
Gawain assentiu e disse, sem expressão alguma:
— Faça uma pausa de dez minutos e depois mais dez séries de exercícios que você estava fazendo agora.
— … — Klein ficou momentaneamente inseguro sobre qual expressão ele deveria mostrar.
Sexta de manhã, na sala de recreação dos Falcões Noturnos.
Klein, Seeka Tron e Frye estavam sentados ao redor da mesa redonda, mas não estavam jogando cartas. Um deles estava folheando jornais, o outro estava olhando pela janela, atordoado, e o último estava segurando uma caneta, querendo escrever algo, mas sem fazer.
A sala estava silenciosa. Ninguém falava e ninguém brincava. A atmosfera estava pesada.
Ufa. — Klein exalou. Ele abaixou o jornal e planejou se concentrar na leitura dos materiais que havia encontrado.
Naquele momento, Dunn Smith bateu na porta e entrou na sala. Ele olhou em volta antes de dizer:
— Klein, venha aqui um momento.
O que houve? — Klein, que tinha uma premonição do que estava acontecendo, levantou-se e saiu da sala de recreação.
Dunn estava parado na entrada da escada que levava ao subterrâneo. Ele se virou e olhou para Klein.
— A pessoa que a Catedral Sagrada enviou está aqui.
A pessoa que vai me examinar está aqui? — Os nervos de Klein ficaram tensos.
Capítulo 166
Capítulo 166 – Exame
Uma brisa fria soprava no subterrâneo, dando um toque de alívio às emoções tensas de Klein.
Finalmente chegou a hora.
Depois de passar por esse estágio, não precisarei me preocupar em ser examinado dessa maneira por pelo menos meio ano…
Quando avançar para Sequência 8 e me tornar o tal “Palhaço”, terei real força de combate. Com ajuda de divinação e meus charms do Sol Flamejante como backup, terei chance de sobreviver a situações ainda mais perigosas…
Como estava aguardando o exame da Catedral Sagrada, nem me atrevi a retirar as trezentas libras que a senhorita Justiça transferiu para a conta anônima, apenas para o caso de eles examinarem minha situação financeira e descobrirem que tenho uma grande quantia em dinheiro de uma fonte desconhecida…
…
No momento em que os pensamentos de Klein passavam pela sua mente incontrolavelmente, Dunn Smith ajeitou sua manga e disse em voz baixa:
— A pessoa encarregada do exame é um dos nove diáconos de alto escalão dos Falcões Noturnos, Crestet Cesimir. A Catedral Sagrada atribui grande importância a você.
— Um diácono de alto escalão? — Klein deixou escapar, surpreso.
Em termos gerais, os treze arcebispos e nove diáconos formavam os escalões superiores da igreja. Era dito que não havia falta de Beyonders de alta Sequência entre eles!
As vinte e duas damas e cavalheiros eram todos iguais em termos de classificação. Eles seguem apenas as ordens da Deusa da Noite Eterna e respondem apenas ao Papa.
Dunn respirou o vento frio do subterrâneo antes de assentir fracamente.
— Sim, ele é um diácono de alto escalão. Mas você não precisa ficar nervoso. Crestet é apenas Sequência 5 e ainda não entrou em um estado de semideus, portanto, não precisa ter muito medo ou reverência.
— Ah, o título dele no mundo Beyonder é “Espada da Deusa”. Como possui um item sagrado, sua força de combate é semelhante a um Beyonder Sequência 4 recém-avançado.
— Acabei de conversar com ele. Ele foi muito simpático.
Se eu ler nas entrelinhas, Capitão está me dizendo que ele apenas disse o que era necessário. Ele não quer que eu fique nervoso e apenas siga o plano… — Klein assentiu, pensativo e perguntou:
— Onde devo encontrar o diácono?
— Na sala de alquimia onde preparamos poções — respondeu Dunn, e uma pitada de melancolia passou em seu rosto.
A sala de alquimia onde preparamos poções? O laboratório onde Velho Neil fez minha poção de Vidente? — Klein lentamente soltou um suspiro e voltou para a sala de recreação e pegou seu casaco do cabideiro.
Vestindo o casaco preto, ele colocou as mãos nos bolsos e desceu as escadas sinuosas que levavam ao porão. Depois, no cruzamento, virou à esquerda.
Muito rapidamente, Klein viu uma porta secreta sob a luz das elegantes lâmpadas a gás que ladeavam as paredes. Ele viu que as longas mesas da sala haviam sido afastadas para abrir um grande espaço no centro.
Havia duas cadeiras clássicas com encosto alto, frente a frente, com menos de um metro entre elas.
Havia um homem na casa dos trinta usando um casaco preto e uma camisa branca sentado na cadeira que estava de frente para a porta.
Seu cabelo castanho dourado estava cortado bem curto, e seus olhos verde-escuros eram tão escuros quanto uma floresta em uma noite sem lua. Os colarinhos de sua camisa e blusão estavam levantados, e todo seu queixo estava escondido nas sombras.
— Olá, Vossa Graça. — Klein fez uma reverência.
Crestet Cesimir cruzou a perna direita sobre a esquerda enquanto se recostava vagarosamente na cadeira. Sorrindo, ele respondeu:
— Olá, Klein. Você pode sentar ali.
Ele apontou para a cadeira alta à sua frente.
Ao lado de sua perna havia uma mala de prata, do tamanho de uma case de violino.
Poderia carregar uma espada com um comprimento apropriado… — Klein andou e se sentou em seu assento designado.
Crestet apoiou o dedo indicador direito no lábio superior enquanto pensava por alguns segundos.
— Eu planejo primeiro examinar o quão bem você dominou sua poção. Isso não é um problema, certo?
— De forma alguma. — Klein balançou a cabeça com total confiança.
— Muito confiante. — Crestet sorriu, mas manteve sua postura anterior. Tudo o que fez foi observar Klein atentamente.
De repente, Klein sentiu a luz das lâmpadas a gás ao redor desaparecer, como se fossem engolidas pela escuridão.
De repente, ficou exausto, como se seu relógio biológico tivesse chegado à hora de dormir.
Mas sua mente estava extremamente tensa, tornando impossível relaxar. Era como quando ele não conseguia dormir em paz devido ao excesso de exaustão.
A silenciosa “noite” encheu o ambiente, enquanto Klein ouvia o barulho de água pingando de uma torneira não fechada corretamente. Então, ele ouviu as conversas na Companhia de Segurança Blackthorn e o movimento do vento soprando pela escada.
Além disso, ele não viu nada que não deveria ver, nem ouviu nenhum barulho que não deveria ouvir.
— Excelente. — A voz hipnótica de Crestet dispersou a escuridão, e a luz das lâmpadas a gás dentro e fora da sala de alquimia voltou à vista de Klein.
De repente, Klein sacudiu sua exaustão e voltou ao seu estado energético anterior.
Ele me afetou sem que eu percebesse… É disso que um Beyonder Sequência 5 é capaz? É esse o horror de um diácono de alto escalão? — Ele lembrou o que havia acontecido e se sentiu um pouco assustado.
Crestet Cesimir juntou as mãos e as apoiou nos joelhos. Ele se curvou um pouco e seus lábios estavam bloqueados pelo colarinho.
— Você passou no teste. Você alcançou um nível mais que extraordinário no domínio de sua poção.
— Vou precisar observar para ver se há algum perigo oculto em sua mente, para ter certeza de que o espírito restante da poção não mudou seu caráter subconscientemente nem deixou problemas escondidos.
— Você tem três minutos para se preparar.
Klein imediatamente assentiu e disse:
— Tudo bem.
Ele secretamente respirou fundo e se permitiu entrar em cogitação para remover vários pensamentos negativos.
Crestet não falou mais nada. Ele pegou um relógio de bolso prateado do bolso interno do seu blusão preto e o abriu.
Então, observou atentamente o ponteiro dos segundos se mover.
Três minutos depois, Crestet fechou o relógio de bolso e disse com um sorriso:
— Vou começar a cantar.
Cantar? — Klein ficou confuso.
Antes que Klein pudesse responder, Crestet começou a cantarolar uma melodia adorável.
A melodia reverberou na sala de alquimia e gradualmente perdeu a harmonia e ficou desafinada.
Ziiii! Brrrr! Zing!
Klein ouviu o barulho semelhante ao arranhar de lousas com unhas, o som de plástico bolha esfregando um contra o outro, furadeiras elétricas perfurando e vários outros barulhos irritantes.
Os barulhos se intensificaram e se tornaram cada vez mais caóticos, fazendo ele querer desabafar suas frustrações e causar destruição.
Mas Klein, que frequentemente aguentou os delírios loucos e gritos terríveis, reprimiu seus impulsos muito rapidamente.
Ele mostrou aborrecimento, tensão, frustração e insegurança nos momentos apropriados.
Estar em um estado muito perfeito acabaria sendo um problema!
Ele não percebeu quando Crestet Cesimir parou de cantar. Os ruídos na sala de alquimia desapareceram e a sala ficou inundada com tranquilidade e silêncio.
Silêncio com certeza é ótimo! — exclamou Klein em sua cabeça.
— Muito bom, excelente. Não há problemas latentes em sua alma. Claro, se você quis me bater ou tapar minha boca com alguma coisa, isso é normal. — A boca de Crestet estava bloqueada pelo colarinho, de modo que Klein só pôde determinar suas emoções através do tom.
— Não, eu não ousaria — admitiu Klein honestamente.
Crestet sorriu e disse:
— Parabéns, você passou em todos os testes. Agora é hora da sessão de perguntas e respostas.
Seus olhos verdes de repente escureceram. Seu olhar era profundo, como se ele pudesse ver através da carne, e olhar diretamente para o espírito.
— Vá em frente — respondeu Klein, arrumando sua postura.
Crestet manteve sua postura anterior e perguntou casualmente:
— Você disse que sua experiência no Clube de Divinação lhe permitiu dominar rapidamente a poção?
— Sim — respondeu Klein francamente, mas não deu detalhes.
Crestet assentiu levemente e disse:
— E você disse que sua inspiração veio da máxima dos Espreitadores de Mistérios e também do exemplo de Daly?
— Sim. — Klein confirmou primeiro, antes de explicar em detalhes:
— Descobri por um de meus colegas de equipe que era um Espreitador de Mistérios que aqueles que respeitam a máxima dos Espreitadores de Mistérios têm uma probabilidade menor que o normal de perder o controle. Depois disso, ouvi dizer que Madame Daly disse uma vez que queria ser uma verdadeira Médium Espiritual, e que ela é um gênio que alcançou a Sequência 7 em dois anos.
— Depois de notar as duas situações, pensei em tentar, tentei ser um verdadeiro Vidente e delineei alguns princípios para um Vidente, e o resultado foi melhor do que esperava. Eu dominei a poção muito rapidamente. Vossa Graça, não tenho certeza se você teve uma experiência semelhante. Quando dominei completamente a poção, houve um sentimento muito especial e mágico… — Klein descreveu sua experiência como se apenas entendesse vagamente o “método de atuação”.
O homem que ele era quando estava na Terra ficaria nervoso e envergonhado por contar tantas meias-mentiras diante de um poderoso Falcão Noturno. Mas desde que transmigrou para o mundo atual, ele mentiu tanto que estava acostumado. Já conseguia fazê-lo perfeitamente.
A escuridão nos olhos de Crestet desapareceu e seu olhar voltou ao normal. Ele sorriu e disse:
— Não se preocupe, não é uma ilusão.
Pela sua resposta, Klein não pôde ver nenhuma dúvida ou escrutínio, então se sentiu à vontade.
— Dunn confirmou sua experiência. Acredito que você realmente seja um gênio, com uma mente lógica e sentidos aguçados — elogiou Crestet. Ele então perguntou:
— Você compartilhou sua experiência com seus colegas de equipe?
— Claro — admitiu Klein francamente. — Espero poder ajudá-los a diminuir o risco de perder o controle. Somos companheiros de equipe, camaradas que enfrentam o perigo juntos. Não tenho nenhum motivo para esconder a verdade. Mas, pela mesma razão, não contei aos funcionários.
Crestet descruzou a perna direita e sentou-se reto. Seus lábios finos estavam expostos da sombra do colarinho.
Ele ergueu o canto dos lábios e disse:
— Embora você não esteja com os Falcões Noturnos nem há dois meses, acredito que seu entendimento em relação aos colegas seja muito melhor do que muitos outros.
— Hmm, pretendo compartilhar mais informações com você, mas de acordo com as regras da Catedral Sagrada, você deve jurar à Deusa que não revelará o conteúdo da nossa conversa a ninguém que não saiba disso.
— Isso não deve ser um problema, certo?
Eu passei no teste? — Klein ficou encantado. Ele assentiu sem hesitar.
— Sem problemas.
Embora eu não seja capaz de ensinar aos outros o “método de atuação”, posso deixar a srta. Justiça e o sr. Enforcado fazê-lo indiretamente!
Capítulo 167
Capítulo 167 – Artefato Sagrado
— Tudo bem. — Crestet Cesimir assentiu e se inclinou para frente — Então jure pelo Artefato Sagrado.
Enquanto dizia isso, ele se inclinou para erguer a mala de prata a seus pés.
Artefato Sagrado? O Artefato Sagrado que o fez ganhar o título de Espada da Deusa? — Klein olhou para as ações do diácono com curiosidade.
Crestet colocou a mala nos joelhos, seus olhos verdes escuros instantaneamente ficando pretos.
Levantando a mão, ele pressionou a tampa da mala prateada, que lembrava uma case de violino, e ela se dissolveu de repente e recuou como a maré.
Ao mesmo tempo, Klein sentiu que a luz ao seu redor estava sendo atraída para frente, como se estivesse sendo absorvida pela mala.
As luzes das lampadas clássicas que revestiam as paredes, bem como o esplendor prateado que espiralava dentro da mala, fez com que a sala de alquimia ficasse totalmente escura. A cena parecia extremamente estranha.
Pa!
Com um estalo, Crestet Cesimir abriu a mala, revelando a espada de puro osso branco que estava dentro.
Sim, uma espada de osso. No momento em que Klein viu a espada, soube instintivamente que era principalmente feita de osso!
A espada curta silenciosamente liberou um brilho branco puro na sala escura de alquimia, como se fosse uma lua pairando no alto do céu noturno ou um farol no meio de uma tempestade.
Parecia que a espada não apresentava defeitos em sua superfície, mas um exame mais detalhado revelaria que sua superfície continha uma camadas de símbolos e ícones. Esses padrões misteriosos se entrelaçavam para formar o corpo da espada.
Klein observou a espada sagrada, de repente percebendo que não podia desviar o olhar!
Sua visão estava sendo atraída para a espada enquanto seus olhos castanhos lentamente perdiam o brilho.
Crestet levantou a mala, movendo a espada de sua posição original.
Klein instantaneamente saiu de seu transe e finalmente se libertou do pesadelo que não conseguia escapar.
Ele olhou para o lado e perguntou gravemente:
— Vossa Graça, você precisa que eu coloque minha mão na espada sagrada?
— Sim, venha aqui. — A voz de Crestet era melodiosa como se ele estivesse cantando uma canção de ninar.
Klein levantou-se,e deu pequenos passos à frente. Como estava escuro, ele não conseguia ver onde as pernas do diácono estavam, nem suas botas de couro velhas.
— Pare — falou Crestet calmamente.
Klein imediatamente parou e ficou no lugar. Ele deu uma rápida olhada na espada de puro osso branco pelo canto dos olhos antes de se afastar novamente, com medo.
Com esse mero olhar, ele se curvou e estendeu a mão direita, colocando-a com precisão no topo da espada sagrada.
Uma sensação de frio passou por sua pele e entrou em sua mente. Os pensamentos perturbadores e os sentimentos de preocupação diminuíram instantaneamente, como se ele estivesse sentado em um telhado em uma vila barulhenta, sentindo o cheiro da colheita e admirando o céu estrelado da noite.
— Recite depois de mim — disse Crestet solenemente.
— Tudo bem. — assentiu Klein.
Ele então ouviu o diácono dizer em Hermes:
— Ó Deusa da Noite Eterna, mais nobre que as estrelas e mais eterna que a eternidade.
— Juro a você em meu verdadeiro nome e minha espiritualidade.
— Eu, Klein, a partir deste momento nunca revelarei os detalhes do “método de atuação” para aqueles que não o conhecem.
— Se eu for contra isso, aceitarei qualquer punição que considere adequada.
— Por favor, testemunhe meu juramento.
Klein se recompôs e fez o juramento em Hermes, seguindo a liderança do diácono Cesimir.
Ele teve a leve sensação de que uma conexão foi estabelecida entre ele e um ser distante através da espada de puro osso branco.
Depois de retrair a mão direita, ele desenhou uma lua carmesim no peito.
— Louvada seja a Dama.
— Louvada seja a Dama. — Crestet sorriu e se curvou em resposta.
Imediatamente, ele fechou a tampa da mala e a pressionou fortemente com a mão direita.
A escuridão foi instantaneamente dissipada pela luz das lâmpadas que mais uma vez preencheu a sala inteira.
Klein notou que os olhos negros do diácono Cesimir recuperaram o habitual verde-escuro.
Ele voltou para a cadeira e franziu a testa. Ele perguntou intrigado:
— Método de atuação?
Crestet pigarreou. Sem responder diretamente à pergunta, ele sorriu e disse:
— Você pode se sentir um pouco confuso e não entender o que estou prestes a lhe dizer, mas não posso explicar por que isso acontece, pois isso envolve os segredos da Igreja.
Você só terá o direito de saber depois de se tornar um arcebispo ou um diácono de alto escalão. — Klein olhou para Cesimir e acrescentou interiormente antes que ele pudesse falar.
— Você só poderá saber depois de se tornar um membro central da Igreja, como um arcebispo ou um diácono de alto escalão — enfatizou Crestet.
Klein assentiu severamente.
Crestet colocou a mala de prata ao lado do pé e cruzou as pernas. — Ao longo da história, a Igreja teve gerações e gerações de gênios Beyonder que descobriram lentamente uma maneira de evitar a perda de controle.
— E o núcleo desse método é o nome da poção. Não é apenas crítico; mas também é a chave.
Depois de examinar a expressão pensativa de Klein, Crestet continuou:
— Percebemos que os nomes das poções apontam para um certo grupo, e esse grupo tem sua própria abordagem e opera de maneiras únicas. Em termos mais simples, há um conjunto de regras que acompanham o nome da poção, regras diferentes para diferentes poções. Quando seguimos estritamente essas regras, o risco de perder o controle é reduzido ao mínimo.
— Semelhante ao meu conjunto de princípios de vidente? — Klein aproveitou a oportunidade para perguntar.
Esta explicação não é tão simples ou compreensível como a que dei à Justiça e ao Enforcado… — Klein criticou silenciosamente.
— Sim. — Crestet deu uma resposta afirmativa. — Quando seguimos as regras da poção, nos tornamos cada vez mais parecidos com o grupo descrito pelo nome da poção. Em outras palavras, estamos agindo como o job que o nome da poção nos aponta. Esse é o “método de atuação”. Você deve se lembrar, a espiritualidade de cada indivíduo é especial, única. Mesmo que as regras básicas devam ser seguidas pelas pessoas que consomem a mesma poção, sempre há certas variações nas regras exclusivas para cada indivíduo. Assim, as experiências dos outros podem servir apenas como guia.
Esse é um ponto que eu não percebi… — Klein disse sinceramente:
— Obrigado por me informar. Vou me lembrar disso.
Crestet riu.
— Essas são as experiências acumuladas ao longo das gerações.
— Depois de usar o “método de atuação”, não apenas adquirimos domínio sobre a poção, mas também a digerimos, assim como fazemos com comida. Quando você realmente digerir a poção, sentirá uma sensação única e misteriosa, entendeu?
— Entendi. “Digestão”, este termo é muito apropriado… — Klein fingiu estar profundamente pensativo.
Depois que Crestet explicou o método com mais detalhes, Klein ponderou suas palavras ao perguntar:
— Vossa Graça, já que o nome da poção não é apenas o núcleo, mas também a chave, então como os primeiros Beyonders os obtiveram? Ouvi dizer que foi gravado na Ardósia da Blasfêmia?
— Sim, está correto — respondeu Crestet, com franqueza. — Mas a
Ardósia da Blasfêmia estava inscrita com os nomes antigos. Os nomes das poções que usamos hoje foram derivados em parte de revelações divinas. Alguns também foram consolidados pelas experiências dos próprios Beyonders.
Klein assentiu lentamente. Ele apertou os lábios e perguntou:
— Vossa Graça, já que o “método de atuação” é tão eficaz, por que a Igreja não conta a todos os Falcões Noturnos sobre isso?
— Eu disse que é um segredo da Igreja. Você entenderá a razão por trás disso quando se tornar um arcebispo ou um diácono de alto escalão — respondeu Crestet, imperturbado. — Tudo bem, volte lá em cima e diga ao resto dos Falcões Noturnos para descer um de cada vez. Eu tenho que realizar a etapa final do exame.
Para impedir que Frye e os outros divulguem o “método de atuação”? — pensou Klein enquanto se levantava, depois se despediu, seguindo a etiqueta dos Falcões Noturnos.
Ele passou pelo corredor e subiu as escadas, retornando à Companhia de Segurança Blackthorn. Ele viu Dunn fumando seu cachimbo perto da entrada do subterrâneo.
Com um sorriso, Klein tomou a iniciativa de dizer:
— Não deve haver mais problemas; Vossa Graça quer que eu informe Frye e os outros a irem conversar com ele.
— Sim, esse é o último passo. Isso significa que não houve problemas. — Dunn guardou o cachimbo e foi para a sala de recreação para contar ao outros.
Enquanto observava Frye e Seeka irem em direção ao subterrâneo, Klein de repente se lembrou de algo. Ele disse às pressas:
— Capitão, vamos ter que chamar Royale, que está vigiando o Portão Chanis, e Leonard, que está vigiando o asilo? Ah, e Kenley, que está de folga.
Dunn congelou e beliscou a testa.
— Eu esqueci…
Ele parou por um momento, depois riu. — Mas o assunto não deve ser muito complicado. Uma das vantagens de ter um diácono examinando você é que não há necessidade de enviar um telégrafo para a Catedral Sagrada ou de se envolver em uma troca pesada de cartas. Ele pode tomar a decisão no local e entregar a fórmula da poção de Palhaço, além dos ingredientes principais a você.
— Isso não é tão ruim.— Klein não conseguiu conter sua animação.
…
Uma hora e meia se passaram. Quando Kenley saiu da sala de alquimia, com uma expressão cheia de perplexidade, Klein foi mais uma vez chamado lá embaixo. Ele encontrou o diácono, a Espada da Deusa, Crestet Cesimir, pela segunda vez.
Dessa vez, o diácono de cabelos castanhos dourados e olhos verdes negros não estava sentado. Ele estava de pé, parado, permitindo que a brisa no subterrâneo soprasse em seu casaco preto.
Os colarinhos de Crestet estavam altos, escondendo seu queixo nas sombras.
Ele olhou para Klein e sorriu.
— Falcão Noturno Klein Moretti, anuncio em nome da Deusa que você passou no exame da Catedral Sagrada.
— Parabéns. Com suas contribuições, você pode avançar imediatamente para se tornar um Beyonder Sequencia 8!
Capítulo 168
Capítulo 168 – Poção do Palhaço
Ufa, eu finalmente passei…
Quando Klein ouviu o anúncio de Crestet Cesimir, mesmo preparado, ele soltou um suspiro de alívio. Parecia surreal, como se fosse um sonho.
Ele assumiu que o exame seria mais difícil e demorado, mas, quando pensou com cuidado, percebeu que o que havia acabado de acontecer era o que deveria ter acontecido. Se ele tivesse levado três anos, como era normal, para digerir a poção Vidente, em vez de fazê-lo em um mês, o exame nem teria sido conduzido pela Catedral Sagrada. O Capitão dos Falcões Noturnos de Tingen teria sido responsável por isso.
Pensei que eles investigariam minha família e amigos… Hmm, talvez Cesimir chegou em Tingen há dois dias e completou isso em segredo… Também pensei que o exame exigiria que eu concluísse alguma tarefa. Heh, estava realmente pensando demais. O objetivo do exame é apenas determinar o nível de digestão da poção, além de detectar perigos latentes e verificar se estou ciente do “método de atuação” e se compartilhei minha experiência com outras pessoas… — Klein deu um sorriso sincero enquanto esses pensamentos passaram pela sua mente.
— Obrigado, Vossa Graça.
— Louvada seja a Dama.
Crestet assentiu gentilmente e disse:
— Avançar é servir melhor a Deusa, para que você possa proteger melhor nossos irmãos. Você deve se lembrar disso, e confie em mim, isso ajudará a combater a tentação de perder o controle.
— Tentação… — Klein refletiu sobre a palavra.
Crestet avaliou Klein com seus olhos verdes e disse com firmeza:
— O “método de atuação” pode ajudá-lo a digerir a poção e diminuir o risco de perder o controle, mas apenas isso não é o suficiente. Até certo ponto, você pode até confundir o papel e sua própria existência. Sabe, existem muitos atores no teatro que desenvolvem graves problemas psicológicos. Em um certo nível, você pode realmente ficar louco.
Lembre-se de que você está apenas atuando… O único ponto concluído pela Cidade de Prata é idêntico ao que o diácono Cesimir disse… — Klein assentiu, pensativo, concordando.
— Além disso — enfatizou Crestet — não só está perdendo o controle relacionado à poção, como também está intimamente relacionado às suas emoções e saúde mental. O mais importante para um Beyonder é se controlar; somente então você será capaz de suportar as tentações dos deuses malignos e demônios, resistindo a emoções como ganância e ciúme, e a erosão do desejo. Claro, não quero dizer que você deve se livrar de todas as suas emoções e desejos, isso é algo que nenhum humano ou mesmo semideus pode fazer. Talvez apenas algumas sequências especiais sejam capazes de atingir esse tipo de estado.
De repente, Klein pensou no Velho Neil, e não pôde deixar de perguntar em resposta:
— Devemos manter nossas emoções e desejos em um nível razoável, e não permitir que nos levem a fazer algo irracional e anormal?
Crestet assentiu solenemente.
— Sim.
Depois que ele respondeu, havia rugas no canto dos olhos.
— Era só isso que eu queria avisar. Agora, passarei a fórmula da poção Palhaço e os ingredientes relevantes.
Se curvando, ele colocou sua mala de prata na mesa comprida e então se virou e deu alguns passos, bloqueando a visão de Klein.
Quando as luzes ao redor estranhamente desapareceram de novo,
Klein subitamente entendeu que a fórmula e os ingredientes estavam na mala que guardava o artefato sagrado. Simplesmente porque seu olhar foi atraído pela espada de puro osso branco, ele acabou não percebendo os outros itens da mala.
Depois de alguns minutos, a luz das lâmpadas a gás voltou a iluminar a sala de alquimia. Crestet pegou sua mala e se afastou, apresentando os itens na longa mesa para Klein.
Entre eles, o item mais atraente era o chifre de bode cinza, tão pequeno que cabia na palma de uma mão. Parecia uma versão em miniatura de um chifre de bode normal e era cristalino, cheio de cores rodopiantes, com camadas fracas de padrões únicos.
Ao lado do chifre de cabra havia uma rosa azul. Havia veias vermelhas nas pétalas que as conectavam. Parecia formar um rosto humano com um sorriso.
Hahaha, woowoowoo, hahaha, woowoowoo…
Klein ouviu risos ilusórios e choro soando, e viu pedaços de auréolas cinzas flutuando no ar.
Um cristal do chifre de um bode adulto cinza montanhês de Hornacis e um talo completo de uma rosa com rosto humano. Os principais ingredientes da poção Palhaço! — Ele assentiu indiscernivelmente e deu alguns passos em direção à mesa comprida.
— 80 mililitros de água pura, 5 gotas de suco de figueira-do-diabo, 7 gramas de pó de girassol de borda preta, 10 gramas de pó de grama de capa dourada, 3 gotas de cicuta venenosa… — Klein olhou para o pergaminho de pele de cabra e comparou o conteúdo escrito com a fórmula que havia memorizado.
Depois de confirmar que não havia nada errado, lembrou-se da demonstração que o Velho Neil fez.
Ele respirou fundo e exalou lentamente para acalmar suas emoções. Com o aparato na sala de alquimia, ele destilou um pouco de água pura necessária para a poção.
Na fórmula da poção, a água pura se refere à água que foi destilada repetidamente.
Depois lavou uma panela de metal preto e jogou os ingredientes suplementares dentro, um após o outro. Ele era tão habilidoso quanto antes, quando fez experimentos de química no ensino médio.
Como os ingredientes Beyonder ainda não haviam catalisado, ele não viu nenhuma mudança óbvia no líquido da panela de metal. No máximo, ele só viu pó flutuando na superfície do líquido.
Quando terminou os preparativos, Klein olhou para os dois ingredientes principais e pensou, agradecido:
Não há descrição do tamanho ou peso exato do cristal de chifre de um bode adulto cinza montanhês necessário nem da rosa com rosto humano. Talvez um chifre inteiro e uma rosa completa não tenham diferenças, independentemente do seu peso, permitindo que atendam aos requisitos… Sim, no mundo misterioso dos Beyonders isso é definitivamente possível…
Nesse caso, não preciso me preocupar em colocar quantidades excessivas dos ingredientes principais!
Depois de alguns segundos, Klein pegou a rosa com rosto humano e a jogou na panela de metal.
Quando a estranha flor tocou o líquido, imediatamente produziu um som crepitante, e o riso ilusório ao redor tornou-se estridente.
Hahaha, hahaha!
Klein não enrolou mais e imediatamente pegou o chifre de bode montanhês e o jogou na panela de metal.
Poof!
A risada aterrorizante desapareceu de repente, e as auréolas cinzentas ao redor convergiram lentamente para a panela de metal.
Klein abaixou a cabeça e viu que o líquido na panela estava colorido em uma mistura de ouro, amarelo e vermelho. No entanto, as três cores permaneceram extremamente distintas em seus limites.
Havia bolhas borbulhando no líquido, mas não conseguiram escapar da panela e acabaram estourando silenciosamente.
A cena lembrou Klein de Sprite, a bebida gaseificada de sua encarnação anterior.
Isso até que parece uma bebida deliciosa… — Um pensamento que se alinhava às características de sua cultura surgiu em sua cabeça.
Suprimindo seu nervosismo, excitação e antecipação, Klein derramou o líquido da panela de metal preto em um frasco de vidro.
O que o chocou foi o fato de que não havia mais nem rastro da poção no pote de metal.
É realmente uma poção que transforma as pessoas em
Beyonders… — Klein levantou a mão direita e olhou para o atraente líquido tricolor.
Crestet Cesimir, que ficou em silêncio o tempo todo, de repente sorriu e disse:
— Não se preocupe. Eu não notei nenhum problema com a mistura de sua poção.
— Estou esperando aqui para garantir que nenhum acidente aconteça depois de você consumir a poção. Posso garantir que, contanto que não seja nada sério, eu devo ser capaz de salvá-lo.
Klein assentiu e colocou a poção Palhaço de volta na mesa comprida.
Então, ele tirou a corrente de prata dentro da manga e deixou o pingente de topázio ficar pendurado naturalmente a uma pequena distância acima do líquido.
Para Beyonders de qualquer outra ocupação, divinações de pêndulo só poderiam divinar sim ou não. Obviamente, quando não havia informações suficientes, a divinação não daria respostas úteis. Quando o pêndulo não girava, era chamado de divinação fracassada.
Como vidente, o pêndulo de Klein também poderia determinar vagamente o grau do “sim” ou “não”.
Os olhos de Klein ficaram escuros e ele recitou:
— Esta poção é perigosa.
— Esta poção é perigosa.
…
Sete vezes depois, ele abriu os olhos semicerrados e viu o pingente de topázio girando no sentido horário, mas muito lentamente.
No sentido horário significa uma resposta positiva. Em outras palavras, significa que a poção é perigosa… No entanto, está girando lentamente, o que significa que é apenas ligeiramente perigosa… Sim, poções podem causar perda de controle, então existe a possibilidade de danos. Um nível baixo de dano significa que não há nada errado com a poção… — Klein soltou um suspiro de alívio e enrolou o pêndulo no pulso esquerdo antes de cobri-lo com a manga.
Naquele momento, Crestet não pôde deixar de suspirar.
— … Você é realmente um Vidente profissional.
— Devo utilizar totalmente minha vantagem, mas não posso confiar muito nela e pensar que é toda-poderosa — respondeu Klein suavemente e pegou a garrafa com a poção Palhaço.
Depois de beber, vou me tornar um Beyonder Sequência 8…
Esse pensamento surgiu em sua mente e Klein não hesitou. Ele levantou a garrafa, inclinou a cabeça e engoliu a poção.
Amargo! Muito amargo!
É horrível, totalmente horrível!
Ele percebeu instantaneamente o que significava ficar bem por fora, mas podre por dentro. Seu rosto se contorceu como resultado da poção. Ele queria vomitar, mas não conseguia.
Então, Klein percebeu que seu rosto estava vermelho. O resto do corpo também estava experimentando uma reação semelhante.
Ele estava convencido de que ele parecia uma lagosta ao vapor. Quanto ao seu espírito e mente, pareciam ter sido extraídos em uma agulha fina, fundindo-se com a poção, gota a gota, enquanto apunhalava cada uma de suas células.
Era um sentimento que não precisava de microscópio para observar. Klein ficou lá, parado, e “viu” o intruso invadir as áreas mais diminutas de seu corpo.
Por alguns segundos, ele se sentiu como um robô que estava tendo suas peças e circuitos elétricos trocados.
Depois de um período de tempo desconhecido, sua mente refletiu sua figura, como se estivesse ouvindo a si mesmo cantando através de seus próprios ouvidos.
Devido a essa estranha projeção, Klein descobriu que ele podia controlar com precisão seus movimentos faciais e corporais.
Enquanto isso, seus ouvidos zumbiam. Ele ouviu os murmúrios e gritos que não apareciam há algum tempo ecoando ao seu redor. Hornacis… Flegrea… Hornacis… Flegrea… Hornacis… Flegrea… Ufa.
Klein imaginou a luz esférica em camadas e lentamente entrou em um estado de cogitação. Pouco a pouco, ele escapou do estado de ter sua espiritualidade vazando quando estava em um estado de leve perda de controle.
Naquele momento, ele sabia que havia avançado com sucesso. Ele sabia que era Sequência 8, Palhaço.
Capítulo 169
Capítulo 169 – Novas Habilidades
Depois que a cor dos olhos de Klein voltou ao normal, Crestet Cesimir disse, rindo:
— Você pode se mover e tentar se acostumar com as mudanças em seu corpo. Tente encontrar os poderes principais que foram fornecidos pela poção Palhaço.
Klein assentiu. Ele considerou o fato de poder precisar de orientação do diácono e, portanto, não se importou com sua presença. Ele seguiu repetidamente o que vinha praticando todo esse tempo enquanto dava um passo à frente. Ele moveu os quadris e deu um soco para frente, dando um soco frontal.
Pa!
Ele ouviu o som nítido de seu punho quebrando o ar. A força no impulso excedeu suas expectativas.
Naquele instante, ele sentiu como se estivesse sentado em uma carruagem que abruptamente pisou no freio. Ele perdeu o equilíbrio e caiu para a frente.
Ah, não. Isto está prestes a se tornar uma história vergonhosa, assim como a de Leonard… — pensou Klein. Mas naquele momento, ele percebeu que ainda podia controlar efetivamente seus músculos, seu corpo e seu centro de gravidade!
Ele exerceu força com a coluna, tendões e ligamentos, ajustando instantaneamente seu centro de massa e conseguindo permanecer firme, apesar de sua postura distorcida.
Bem… — Ao começar a compreender, Klein tentou várias outras ações. Ele confirmou que a maior mudança em seu corpo foi o aumento maciço de coordenação. Ele não perderia mais o equilíbrio a menos que houvesse circunstâncias atenuantes.
Me sinto como um acrobata… Agora posso até atuar em um circo! Não seria muito difícil andar em uma corda… A poção Palhaço certamente faz jus a seu nome… — Muitos pensamentos passaram por sua mente. Klein mais uma vez testou a extensão do avanço em sua força, agilidade e velocidade.
Hmm, eu devo estar mais ou menos no mesmo nível que professor Gawain agora. Depois de me acostumar e passar pelo treinamento especializado, definitivamente me tornarei mais poderoso… Além disso, com meu domínio atual sobre meu corpo, seria fácil para mim compreender técnicas de combate. — Klein parou de se mover e assentiu, pensativo.
De acordo com seus planos, ele estimou que só seria decente em artes de combate depois de meio ano. Mas depois de consumir a poção Palhaço, ele sentiu que levaria apenas um mês, talvez duas ou três semanas, antes de se qualificar como um policial especialista em combate.
Essa era a diferença entre uma pessoa comum e um Beyonder.
Em certo sentido, os talentos de Beyonders estavam além do alcance de humanos normais!
Crestet assistiu silenciosamente enquanto o recém-avançado Palhaço tentava várias ações antes de parar completamente. Ele então assentiu.
— É realmente uma poção adepta em combate.
Sem esperar Klein falar, ele perguntou:
— Que sons você ouviu?
— Eu ouvi alguém murmurando Hornacis. — Klein queria manter o termo Flegrea em segredo por enquanto.
Ele queria observar a reação do diácono Cesimir. Se ele estivesse disposto a revelar informações sobre a cordilheira Hornacis e a Nação da Noite Eterna, Klein continuaria acrescentando, dizendo que ouvia algo diferente novamente.
Crestet assentiu levemente, pulando o assunto. Ele lembrou a Klein: — Lembre-se, um Beyonder de alta sequência pode influenciar Beyonders de baixa sequência do mesmo caminho até certo ponto. De certa forma, algumas partes dos respectivos caminhos contêm o Reino dos Semideuses. Os murmúrios e uivos podem ter sido intencionalmente transmitidos por eles a você. Podem estar cheios de intenções maliciosas.
— Você deve ser ainda mais cauteloso se o caminho de Sequência pertencer a um deus maligno. Eu tive uma conversa com Dunn agora pouco. O Falcão Noturno em sua equipe que perdeu o controle recentemente se encontrou nessa situação.
Velho Neil… O Sábio Oculto… — A expressão de Klein escureceu. Ele assentiu solenemente e disse:
— Vossa Graça, eu lembrarei disso. Não serei tentado pelos murmúrios ou gritos. Não serei corrompido por eles.
Ao mesmo tempo, ele de repente pensou em algo.
Poderia ser esse o motivo pelo qual a Igreja apenas fornece os caminhos de Coletor de Cadáveres e Sem Sono, enquanto oculta um grande número de outros caminhos? Afinal, o caminho Sem Sono pertence à Deusa da Noite Eterna, e Morte, que corresponde ao caminho Coletor de Cadáver, já decaiu… Quanto ao motivo pelo qual a Igreja fornece Espreitador de Mistérios e Vidente, é porque esses dois jobs são do tipo suporte e podem preencher as deficiências da Sequência 9 e 8 dos caminhos Sem Sono e Coletor de Cadáveres. Além disso, é apenas o começo dos caminhos, então a influência que podem ter não seria muito proeminente…
Mas isso não explica por que eles ocultariam os nomes e as características únicas das poções… ou a falta de informações sobre o que se deve tomar nota ao enfrentá-las…
Klein retraiu seus pensamentos quando viu Crestet Cesimir pegar sua mala para sair. Ele adotou um tom curioso.
— Vossa Graça, eu gostaria de saber como atuar como um Palhaço. Eu tenho que ir a um circo?
Crestet arrumou sua gola alta e riu.
— De acordo com nosso entendimento atual da filosofia, você acabou de cometer o erro de formalismo.
— Você precisa entender que o nome de uma poção não representa apenas um job, também representa um grupo de pessoas que compartilham certas características. Por exemplo, também podemos descrever Videntes de maneira diferente. Podemos chamá-los de pessoas que podem ver o destino, porém continuam respeitando o destino. É claro que, como mencionei antes, existem algumas diferenças nas regras concluídas por cada indivíduo, mesmo que tenham consumido a mesma poção. Você não pode ter como referência completa as experiências de outra pessoa, entende?
Klein assentiu, pensativo.
— Acho que consigo entender um pouco. Eu posso agir como um Palhaço em minha vida diária, desde que compreenda sua essência?
— Em teoria — respondeu Crestet, tomando cuidado com a escolha de palavras.
— …Compreendo. — Klein desenhou uma lua carmesim em seu peito. — Obrigado, Vossa Graça. Que a Deusa o abençoe.
Hmm, qual é a essência de um palhaço? Se eu não levar em consideração o que um palhaço representa na Terra e pensar apenas no que isso significa neste mundo, um palhaço é um trabalho que diverte as pessoas usando métodos ridículos. Por exemplo, fantasias hilárias, ações exageradas, performances trapaceiras e truques? O principal é que deve ser ridículo e deve divertir os outros. Parece um pouco estranho… Devo considerar da perspectiva dos bobos da corte dos tempos antigos? — pensou Klein silenciosamente, perdido.
Crestet olhou para ele e também desenhou uma lua carmesim diante de seu peito.
Ele sorriu, revelando as rugas nos cantos dos olhos.
— Que a Deusa o abençoe.
Nesse momento, Klein percebeu algo de repente, uma intuição que parecia uma previsão, de que o diácono Cesimir colocaria o pé esquerdo à frente!
Ele então viu Crestet pegar a mala de prata e dar um passo em direção à entrada da sala de alquimia com o pé esquerdo!
Um passo, dois passos, três passos. Klein observou enquanto Crestet saía pela porta oculta, sua figura desaparecendo no corredor.
Isto é… — Ele ficou atordoado por um momento antes de sentir intensa excitação.
Os poderes da poção Palhaço eram mais poderosos do que ele imaginava!
Ele podia prever intuitivamente o próximo curso de ação de uma pessoa!
A combinação dessa habilidade, juntamente com sua coordenação poderosa, agilidade e velocidade excepcionais, além de uma força decente, era considerada boa em lutar com artifícios? — pensou Klein nessa revelação.
Então, isso pode ser considerado a manifestação das habilidades de Vidente na Sequência 8, mas não é suficiente… Esse caminho deve ser aquele que ofereça uma habilidade única toda vez que avançar antes de alcançar a alta sequência. Mas as intuições que recebo são passageiras, por isso acho que não posso aproveitá-las todas as vezes. Obviamente, essa habilidade é poderosa o suficiente. Me aproveitar uma só vez dela deve ser suficiente para transformar derrota em vitória… Ah, certo, depois de reduzir a influência dos efeitos negativos que vêm com a poção Palhaço, posso tentar o ritual de convocação. Quase me esqueci disso… Sim, o Capitão deve ter me infectado com sua memória horrível!
No meio de seus pensamentos, Klein se observou mais uma vez. Ele queria ver se a poção Palhaço havia fornecido outras habilidades.
De acordo com os registros confidenciais dos Falcões Noturnos, se a poção permitir que a pessoa que a consumiu tenha domínio sobre um determinado feitiço, poderá detectar fracamente quais tipos de feitiços obteve após avançar como se estivesse sendo implantado com esse conhecimento.
Mas não sinto nada disso. Em outras palavras, Palhaço não tem a capacidade de lançar feitiços imediatamente, conforme relatado nos registros confidenciais dos Falcões Noturnos… Poderia o significado de “astuto” ser que agora posso usar efetivamente minhas expressões e linguagem corporal para enganar mais facilmente as pessoas com minhas mentiras? — Klein alongou o pescoço enquanto analisava seriamente sua condição atual.
Nesse momento, ele não pôde deixar de pensar no palhaço que havia encontrado anteriormente. Os feitiços peculiares e variados do palhaço deixaram uma impressão profunda nele.
Hmm, esse membro da Ordem Secreta era provavelmente um Beyonder Sequência 7. Seu traje de palhaço era apenas para mascarar seus traços faciais e evitar ser colocado em uma lista de procurados… Não é de admirar que ele pudesse se defender contra dois Sequência 7 e um Sequência 8… Se ele tivesse notado o fato de que eu não estava sob a influência do Artefato Selado 2-049 e evitado cair sob seu controle, dez de mim talvez não tivessem sido suficientes para lidar com ele.
Claro, um Palhaço não é completamente desprovido de feitiços. Ainda existem feitiços como esses…
Klein caminhou em direção à longa mesa e pegou o pedaço de papel em que a fórmula Palhaço estava escrita.
Suas pupilas escureceram e, com um movimento do pulso, ele jogou o pedaço de papel no ar.
Pa!
Era como se o pedaço de papel macio tivesse se tornado uma adaga e perfurou a parede da sala de alquimia!
No futuro posso trazer um baralho de cartas de tarô comigo, elas podem ser usadas tanto para divinação como armas. — Klein se recompôs e começou a arrumar os objetos da preparação da poção.
Depois de lidar com isso e queimar a fórmula da poção, Klein exalou e saiu da sala de alquimia, fechando a porta secreta atrás dele.
Por enquanto, ele não sentia vontade de tentar entreter outras pessoas através de métodos ridículos por causa do que aconteceu com Velho Neil. Ele pretendia primeiro diminuir a influência da poção através da cogitação.
Ufa, isso vai ser novamente uma nova experiência… Não importa o que aconteça, não sou mais apenas um membro de suporte… Sim, desde que Velho Neil faleceu, sou o único que resta na equipe de Falcões Noturnos de Tingen que pode fornecer suporte. A Catedral
Sagrada provavelmente enviará um Espreitador de Mistérios ou um Vidente para a equipe… — Klein seguiu as lâmpadas da parede, andando pelo corredor escuro, e subiu calmamente as escadas que levavam à Companhia de Segurança Blackthorn.
Ele então viu a luz do sol na sala de recreação dos Falcões Noturnos.
A luz do sol brilhava através da janela, luz do sol que era pura e quente.
Capítulo 170
Capítulo 170 – Apito de Cobre
Klein se virou para o escritório do Capitão e viu que a porta estava aberta. Dunn Smith estava recostado na cadeira, cheirando seu cachimbo.
Quando Dunn moveu seus olhos cinzentos na direção de Klein, ele mudou de postura.
— Você parece estar em boa forma, nada como alguém que acabou de consumir uma poção.
— Pode ser a vantagem de digerir completamente uma poção antes de subir de nível. — Klein fechou a porta atrás de si e se sentou.
Ele e Dunn sabiam sobre o “método de atuação”, de modo que o juramento não os impediu de conversar sobre isso. Eles podiam falar suas opiniões sobre o assunto, mas os dois não citaram isso com um entendimento tácito. Eles ficaram em silêncio ao mesmo tempo após o diálogo.
Klein pensou antes de perguntar:
— Vossa graça foi embora?
— Sim, como diácono de alto escalão, ele tem outros assuntos a resolver. — Dunn pensou por um momento. — Ah, ele levou o par de olhos vermelhos que restaram depois que o Velho Neil morreu.
Klein ficou chocado e confuso.
— Por quê?
Dunn pegou seu café e deu um gole. Ele respondeu depois de um longo silêncio:
— Não devemos mentir para nós mesmos. Um Rampager já é, de fato, um monstro, e como eu disse antes, os monstros deixam para trás coisas que são ricas em poderes Beyonder depois que morrem. Quando tais relíquias não podem ser controladas, precisam ser seladas. Sim, essa é uma das origens mais comuns dos Artefatos Selados. De acordo com as regras internas dos Falcões Noturnos, itens deixados por Rampagers precisam ser armazenados em outro lugar, para que não afetem seus parceiros.
— Uma regra lógica. — assentiu Klein pesadamente.
De repente, ele notou que o Capitão havia deixado algo passar. Então, ele perguntou curiosamente:
— E se o item deixado para trás for controlável?
Dunn olhou para ele, seus olhos cinzentos estavam profundos como uma noite tranquila.
Ele suspirou e disse:
— Você não gostaria da resposta.
Klein ficou surpreso antes de repente perceber uma possibilidade.
Monstros normais deixavam para trás ingredientes Beyonder que podem ser usados para fazer poções.
Mas e quanto a um Rampager que se transformou em um monstro?
Se deixassem para trás itens controláveis, seriam usados como ingredientes Beyonder?
Ao perceber isso, Klein de repente sentiu uma forte sensação de nojo. Ele não pôde deixar de virar a cabeça com vontade de vomitar. Até sua visão de repente ficou embaçada.
Esta é uma teoria tão aterrorizante… Mas provavelmente está bem próxima da verdade! — Naquele instante, ele teve uma compreensão mais profunda de frases como “Para lutar contra o abismo, temos que suportar a corrupção do abismo” e “Somos guardiões, mas também um bando de bastardos miseráveis constantemente lutando contra ameaças e contra a própria loucura”.
Seria essa uma das razões pelas quais a Igreja esconde o “método de atuação”? Para que possam reciclar um certo número de membros como peças de reposição? Mas isso faria com que os membros dos escalões superiores rejeitassem a Igreja… — O rosto de Klein refletia claramente suas variadas expressões.
Ao ver sua resposta, Dunn de repente riu. Havia uma luz cintilante em seus olhos cinzentos.
— Pense no lado positivo das coisas, você pode pensar nisso como nossos colegas de equipe nos guardando de uma forma diferente. Eles estarão conosco para sempre.
Depois de dizer isso, Dunn abaixou a cabeça, pegou o café e o levou à boca.
Após quase vinte segundos de silêncio, ele levantou a cabeça e disse:
— E você não precisa se preocupar. Contanto que possamos encontrar fontes de ingredientes Beyonder, não faríamos o que você estava pensando.
— Tudo bem, de acordo com as regras, você receberá um dia de folga ja que acabou de avançar. Pode decidir se deseja ou não fazer seu treinamento de combate esta tarde, mas precisa informar Gawain de qualquer maneira.
Klein assentiu gentilmente. Respirando fundo, ele endireitou as costas e disse:
— Capitão, terminei minhas lições sobre misticismo. Eu gostaria de usar minhas manhãs para aprender técnicas como rastreamento e monitoramento.
Ele fez uma pausa e acrescentou com uma expressão séria:
— Gostaria de cumprir todo o meu dever como um Falcão Noturno em breve.
Dunn lançou um olhar penetrante e suspirou.
— Você é mais firme do que eu imaginava. Como quiser.
— Sim, Capitão. — Klein se levantou e desenhou uma lua carmesim em seu peito.
Depois de deixar a Companhia de Segurança Blackthorn, Klein não voltou para casa para descansar, e aproveitou a oportunidade para pegar uma carruagem sem trilhos para a casa de Azik.
Ding dong, ding dong.
A campainha tocou claramente e Azik abriu a porta com uma camisa branca e colete preto.
Havia uma corrente de relógio de ouro pendurada no bolso do colete.
— Você não precisa trabalhar? — Azik olhou para o céu e percebeu que o sol ainda não havia subido ao seu pico.
— Tenho a maior parte do dia de folga devido a algumas circunstâncias especiais — explicou Klein vagamente.
Azik olhou para ele e pareceu notar algo, então assentiu e abriu caminho para Klein poder entrar.
No corredor, Klein colocou a bengala de lado, tirou o chapéu e seguiu Azik até a sala de estar.
A sala estava confortavelmente mobilada com uma lareira, cadeira de balanço, sofás e uma mesa de café. Klein sentou no lugar de sempre.
Azik sentou-se em frente a Klein e apontou para os charutos na mesa de café.
— Quer um?
— Não. — Klein balançou a cabeça.
Azik não tentou convencê-lo, apenas acendeu um fósforo e acendeu um dos charutos. Ao mesmo tempo, ele perguntou casualmente:
— Você cuidou do assunto na cidade de Morse?
— Eu tenho você a agradecer por isso — respondeu Klein sinceramente.
Ao mesmo tempo, ele brincou interiormente: Sr. Azik, antes de perder suas memórias você denifitivamente deve ter ajuntado uma quantia considerável. Caso contrário, como um professor que nem mesmo é professor associado pode desfrutar de charutos com tanta frequência?
Enquanto Azik brincava com o charuto, Klein levantou uma questão. — Sr. Azik, tenho algo a lhe perguntar.
— O que é? — respondeu Azik sem levantar a cabeça.
Klein fez uma pausa e organizou suas palavras.
— Um dos meus colegas perdeu o controle e se tornou um monstro. Eu gostaria de saber se o espírito dele estava contaminado.
Ele não tinha certeza se Azik sabia o significado de “perder o controle”, então preparou uma explicação, apenas por precaução.
Azik parou o que estava fazendo e levantou a cabeça para olhar para Klein. Ele assentiu pesadamente e disse:
— Sem dúvida. Você tem que ter muito cuidado em uma situação como essa. Se ele perdeu o controle devido à tentação de um deus maligno ou demônio, tente evitar entrar em contato com seu espírito. Isso pode levar a um risco de morte.
— Entendo. — Klein deixou escapar um suspiro de decepção.
Quando ele estava na casa de Velho Neil, estava muito emocionado e se esqueceu de entrar em contato com o espírito de Neil. Dunn Smith também não o lembrou. Por isso, ele perdeu completamente a oportunidade.
Agora que penso nisso, Capitão não esqueceu, mas intencionalmente evitou mencionar… — Klein ficou calado, pensando.
Ele não insistiu no assunto e mencionou seu encontro anterior.
— Sr. Azik, tentei divinar as origens dos incidentes paranormais da cidade de Morse. Acabei vendo uma pirâmide invertida que se estendia para debaixo da terra. Meu companheiro de equipe me disse que é um símbolo da morte. Somente Seus descendentes receberiam tal honra.
Azik abaixou o fósforo e pegou o cortador de charutos quando de repente parou qualquer movimento, ficando imóvel por um bom tempo.
Ele se recostou no assento e ficou com uma expressão estranhamente sombria.
Depois de um tempo, ele disse em uma voz profunda:
— Isso me dá uma sensação muito familiar, mas não pareço lembrar de nada.
— Sinto muito. — Klein suspirou sinceramente.
Ele imaginou que poderia usar a revelação obtida de sua divinação para estimular ainda mais as memórias do Sr. Azik.
Azik cortou a ponta do charuto, balançou a cabeça e sorriu amargamente.
— Se fosse algo que pudesse ser lembrado facilmente, acho que há muito tempo teria encontrado uma maneira de escapar do meu destino. Claro, tenho que agradecer por sua gentileza. Obrigado por se lembrar de mim esse tempo todo.
Ele pensou por um momento antes de acrescentar:
— Ah, e eu vou deixar Tingen no futuro próximo.
— Por quê? — perguntou Klein, surpreso.
Não dissemos que iríamos encontrar o manipulador oculto, a pessoa que afetou meu destino e roubou o crânio do seu filho?
Azik segurou o charuto e suspirou antes de explicar:
— O alvo pode ter notado minha atenção e investigação. Ele não tomou nenhuma atitude recentemente, me deixando sem pistas. Assim, estou pensando em deixar Tingen por enquanto e ir para Backlund. Por um lado, posso aproveitar a oportunidade de procurar vestígios que deixei para trás antes de perder minhas memórias. Por outro lado, minha ausência pode fazer o alvo baixar a guarda.
Isso mesmo. A última perda de memória do Sr. Azik ocorreu na Universidade Backlund. É uma pena que você não possa tomar o meu lugar, procurando pela chaminé vermelha… — Klein assentiu solenemente e disse:
— Vou prestar bastante atenção nisso. Assim que o alvo agir e se expor, eu o informarei imediatamente.
— Hmm. Sr. Azik, como posso informá-lo em tempo hábil?
Klein tinha a ideia de que, se Azik fosse descendente da Morte, ou se estivesse ligado à Morte de certa maneira, seus poderes seriam algo semelhante à Sequência do Coletor de Cadáveres. Ele definitivamente teria uma maneira de chamar algo como o mensageiro de Daly.
Em outras palavras, isso poderia confirmar se Azik estava realmente relacionado à Morte ou a um descendente da Morte.
Azik deu uma tragada no charuto e pensou por quase vinte segundos. Ele então tirou um adorno da manga esquerda.
Era um apito de cobre intrincado, mas antigo. Havia muitos padrões únicos que o preenchiam com uma aura misteriosa.
— Isso é algo que eu tinha comigo quando acordei em Backlund. Quando soprar, convocará um mensageiro que me pertence. — Azik segurou o apito de cobre enquanto explicava em detalhes.
Depois de tantos anos, esse apito de cobre ainda pode ser usado? Este deve ser um item mágico, certo? — Klein ficou surpreso e encantado por ter provado indiretamente que o Sr. Azik estava relacionado à Morte.
Azik olhou para Klein, depois colocou o apito de cobre na boca e demonstrou.
Suas bochechas incharam e ele soprou com todas as suas forças.
Nada foi ouvido, mas Klein sentiu uma repentina melancolia e frio.
Ele bateu rapidamente seus molares esquerdos e viu que havia ossos brancos embaçados brotando do chão, um após o outro, formando uma fonte estranha.
Depois de alguns segundos, havia um monstro ilusório na sala de estar.
Seu corpo era feito de ossos brancos e havia chamas escuras brilhando nas órbitas oculares. Tinha quase quatro metros de altura e se elevava sobre Klein, que não tinha nem 175 cm de altura.
Enquanto observava a cabeça quase passar pelo teto, Klein de repente pensou: — Sr. Azik, seu mensageiro não é um pouco… exagerado demais?
Azik não compartilhava desses pensamentos. Ele sorriu e disse:
— Depois de passar a carta, apite novamente para encerrar a convocação. Então, ele me enviará a carta muito rapidamente, de maneira secreta.
Depois disso, Azik sacudiu o pulso e jogou o velho apito de cobre através da sala.
Klein estendeu a mão direita e o pegou com precisão. Era frio, mas suave.
Obrigado poção Palhaço… — Ele Soltou um suspiro de alívio, limpou o apito e assoprou com força.
Silenciosamente, o enorme mensageiro se desfez enquanto os ossos brancos embaçados penetravam no solo.
O rio Tussock atravessava Backlund e portos espalhados pela área.
Alger Wilson vestia as longas vestes sacerdotais da Igreja do Senhor das Tempestades enquanto descia lentamente do navio de passageiros.
Ele viu pessoas caminhando de um lado para o outro do porto com inúmeros trabalhadores portuários suando sob o sol. Era uma cena movimentada e barulhenta.
— Há quanto tempo, Backlund — murmurou Alger para si mesmo.
Capítulo 171
Capítulo 171 – Promoção e aumento salarial
Depois de sair da casa de Azik, Klein pegou uma carruagem pública de volta à rua Narciso.
Ao abrir a porta de casa, de repente viu uma figura sentada na sala de jantar.
Klein instintivamente apertou a bengala na mão, mas rapidamente percebeu o que estava acontecendo. Não era um ladrão, mas sua empregada, Bella.
Bella estava focada em ler um jornal aberto sobre a mesa. Ela pulou em choque quando ouviu a porta se abrir, rapidamente se levantando e disse gaguejando:
— E-eu acabei de terminar as tarefas da manhã. Estava eesperando a água ferver para poder comer um pouco de pão.
Ainda não estou acostumado a ter uma empregada em casa… — Klein zombou de si mesmo. Ele tirou o chapéu e assentiu.
— Ler é um bom hábito. Ser capaz de persistir na leitura, apesar da intensa carga de trabalho, é algo incentivado pela Deusa.
Ele usou o nome da Deusa para o caso de Bella receber seu elogio como sarcasmo.
Mas, na realidade, somente o Deus do Conhecimento e da
Sabedoria colocaria tanta ênfase na leitura… Claro, todas as igrejas defendem a educação… Sim, já que ela tem cerca de 18 anos e acredita na Deusa, o amor de Bella pela leitura deve ser influência de seus pais. Pais assim fariam a filha receber uma educação, desde que pudessem pagar. Mesmo que não possam pagar escolas públicas, há escolas gratuitas fornecidas pela Igreja. No máximo, isso apenas atrasaria sua educação… Então, Bella não é analfabeta. Ela consegue entender as palavras e ler jornal… — pensou Klein enquanto entrava na sala depois de colocar a bengala de lado.
Ele tinha uma boa impressão de Bella.
Mesmo sendo um pouco desajeitada e obviamente não acostumada à cozinha, ela demonstrava vontade em aprender.
Bella abaixou as mãos e disse, envergonhada:
— Eu não tive oportunidade de ler muitos jornais no passado. O senhorio não nos deixava usar jornais velhos para limpar as paredes… Olhei de relance quando peguei os jornais agora pouco para limpar a mesa de café. Eu achei q-que era bastante interessante.
Que dó. Quando transmigrei, jornais eram as coisas menos interessantes… — pensou Klein com sarcasmo. Ele sorriu e tirou o relógio de bolso prateado do bolso. Depois de olhar a hora, ele disse:
— Desde que você complete suas tarefas e as faça bem, estará livre para fazer o que quiser com o resto do seu tempo. Não precisa ficar tão nervosa. Claro, se estou conversando com Benson e Melissa, é melhor você ficar no seu quarto. Vou permitir que use a lâmpada lá dentro e leve alguns jornais velhos com você.
— Ah, por favor, bata na minha porta à uma da tarde e depois prepare uma xícara de chá preto Sibe, dois pedaços de pão branco macio, um pedaço de torrada de trigo e um pequeno prato de manteiga para mim.
A fim de comemorar seu avanço para a Sequência 8, Klein decidiu se mimar um pouco. Ele ia comer o pão branco antes de Benson, que planejava comer no fim de semana.
Bem, em breve comprarei mais oito libras de pão. No futuro, faremos uma mudança em nosso prato básico, de pão de trigo para pão branco! Como um Beyonder sequência 8, meu salário semanal definitivamente aumentará… E pensar que o Capitão não mencionou isso… Ele esqueceu de novo! — Klein congelou por um momento e decidiu confirmar amanhã.
— Tudo bem — respondeu Bella, surpresa e alegre.
Depois disso, ela perguntou com um pouco de incerteza:
— Sr. Klein, você quer dizer o chá preto Sibe usado para entreter convidados?
Ela o chamou pelo primeiro nome, já que Moretti poderia ser usado para se referir a qualquer membro da família.
— Sim, esse será o meu chá habitual no futuro. — Klein acenou com a mão e caminhou em direção às escadas.
De repente, ele percebeu que estava em uma situação financeira decente depois de se tornar um Palhaço.
Isso ocorreu em parte porque não havia outras grandes despesas no momento. Ele só precisava gastar dois soli em transporte enquanto investigava as casas com chaminés vermelhas e os materiais que precisava comprar ocasionalmente. De qualquer maneira, os reembolsos poderiam ser feitos para o último.
Além disso, havia uma soma de 300 libras na conta bancária anônima de Klein. Era importante entender que um are¹ de terras no campo custava apenas cinco a seis soli e meio, o que era outra maneira de dizer que Klein podia comprar 920 a 1200 ares de terras agrícolas, o que equivalia a 137 a 179 mou² na Terra. Além disso, essa quantia em dinheiro poderia permitir a Klein comprar uma casa na rua Narciso com contrato de 15 anos.
Se eu converter todo esse dinheiro em terra, receberei de 23 a 31 libras por ano em aluguel… Não é ruim, mas não é necessário por enquanto. Vou deixar essas 300 libras para emergências… Tenho que encontrar uma oportunidade de contar a Benson e Melissa sobre meu verdadeiro salário semanal! — pensou Klein quando entrava no quarto.
Depois de trancar a porta do quarto, Klein se sentou na beira da cama e começou a cogitar. Ele queria usar esse método para controlar lentamente os poderes de sua poção. Ele foi muito cuidadoso e cauteloso.
Ele não dava muita importância ao termo “perder o controle”, até ver o Punidor a Mandato que havia perdido o controle.
Claro, ele não conhecia esse Punidor a Mandato pessoalmente. Também não sabia o que havia acontecido com ele. Ele subconscientemente o considerava uma anomalia, um caso raro.
Era como se uma pessoa comum fizesse comentários sobre um assassinato que viu no noticiário antes de esquecê-lo completamente.
Mas o que aconteceu com o Velho Neil abalou profundamente Klein. Isso o fez perceber muito claramente que perder o controle era sempre uma possibilidade, algo que estaria sempre à espreita. A perda de controle pode acontecer de maneiras que ele nunca havia pensado!
Essa foi com certeza uma lição sangrenta… — Klein terminou sua Cogitação e murmurou para si mesmo enquanto abria os olhos.
Ele sonhou com aquela cena muitas vezes nos últimos dias, acordando de susto no processo e se encontrando encharcado de suor frio.
Ele não estava apenas lamentando a morte do Velho Neil, mas também preocupado com seu futuro. Se ele não tivesse Cogitação para ajudá-lo a dormir, acreditava que no futuro haveria muitas noites sem dormir.
Além de digerir a poção, também tenho que tentar o meu melhor para controlar minhas emoções e desejos. Tenho que mantê-los dentro de níveis razoáveis e não ser consumido por eles… — Klein exalou e se deitou, adormecendo rapidamente.
No dia em que o Velho Neil faleceu, as ações e palavras de Dunn o tocaram bastante. Isso o fez avaliar criticamente as responsabilidades de um Falcão Noturno pela primeira vez, e o fez querer assumir suas responsabilidades e ajudar seu Capitão e colegas de equipe.
Então, ele não pretendia desperdiçar a tarde. Ele iria continuar suas lições de combate.
Três da tarde, em um campo de treinamento bruto.
Gawain, loiro com corte militar, franziu as sobrancelhas ao testemunhar Klein lentamente se familiarizando com os movimentos, passando dos movimentos de um iniciante decente aos movimentos de um aprendiz de cavaleiro que vinha praticando há seis meses.
Tudo isso aconteceu no curto tempo de quarenta minutos!
Ele pediu para Klein parar e o avaliou. Ele não pôde deixar de perguntar:
— O que aconteceu?
Klein já tinha inventado uma desculpa. Ele estava preparado para atribuir seu desempenho à pesquisa científica quando Gawain acrescentou:
— Você não precisa responder se for inconveniente.
Parece que houve alguma comunicação entre o departamento de polícia e Gawain… Faz sentido; ele tem que treinar Beyonders ocasionalmente, então como poderia não saber? — Klein deu um suspiro de alívio. Ele sorriu e disse:
— Professor, quanto tempo você acha que precisarei antes de poder participar de um combate real?
Gawain cruzou os braços e olhou seriamente para Klein. Ele respondeu com uma voz rouca:
— Dois ou três dias, mas isso não basta!
Ele explicou, como se pensasse:
— Ser capaz de participar de combates reais não é o mesmo que ser bom em lutar. O último levaria mais duas a três semanas.
— Além disso, você precisa dominar as armas que pode levar consigo, por exemplo, uma bengala, chicotes, punhais e baionetas!
… Ainda há tantas a aprender? — Klein ficou pasmo.
Gawain lançou seu olhar experiente para ele.
— Lembre-se, cada gota de suor que você derrama aqui pode salvar sua vida no futuro.
— Sim, Mestre. — Klein se animou e respondeu.
No domingo de manhã, Klein entrou na Companhia de Segurança Blackthorn e bateu na porta do escritório do Capitão.
Dunn Smith olhou para cima como se estivesse esperando por isso.
— Esqueci de informá-lo ontem. Sua posição no departamento de polícia passou de inspetor probatório para inspetor agora que você avançou para a Sequência 8. Vou pedir que emitam os documentos e dragonas apropriados o mais rápido possível.
— Seu salário semanal também aumentará de seis para dez libras. A Igreja e o departamento de polícia arcarão com cada metade do seu salário. Esse salário é o nível de um Falcão Noturno experiente; é claro, quero dizer um Falcão Noturno experiente de Sequência 9.
… Capitão, você está seguindo o script errado? — Klein ficou surpreso ao ouvir o Capitão. Suas sobrancelhas relaxaram e ele sorriu.
— É mais do que eu imaginava.
Ele pensou que seu salário semanal aumentaria para oito libras.
Dunn levantou a xícara de café e tomou um gole.
— O aumento de salário para Falcões Noturnos depende primeiramente de anos de serviço, segundo de contribuição e terceiro do nível de seu trabalho. O terceiro critério é frequentemente altamente correlacionado com suas contribuições.
Certo, sem nenhuma contribuição, mesmo que alguém digerisse sua poção, seriam incapazes de solicitar a fórmula e os materiais… — Klein assentiu, pensativo.
Um salário semanal de 10 libras, junto com bônus, significaria um salário anual de cerca de 540 libras. Como ele não precisava pagar impostos, esse salário era bastante alto na faixa de renda média, um pouco abaixo das ocupações desejáveis, como advogados conceituados, arquitetos famosos, cirurgiões experientes e funcionários do governo.
Até o vice-presidente da tesouraria do Reino Loen ganhava apenas 700 libras por ano antes dos impostos. Isso significa no máximo 640 libras após impostos, provavelmente menos… Segundo os jornais, uma casa decente em Backlund no burgo Hillston custa apenas cerca de 2500 libras. Com Benson, Melissa e minhas despesas atuais, poderíamos comprar uma em sete ou oito anos… Ser capaz de comprar um bangalô na área central da capital em apenas sete ou oito anos apenas com meus próprios esforços, esse salário me deixa realmente feliz… — Klein levantou e se despediu. Ele caminhou rapidamente para o subterrâneo para tomar lugar em seu turno no Portão Chanis.
Antes das dez, ele ouviu de repente alguém se aproximar do Portão Chanis.
Logo depois, Dunn apareceu na porta.
— Há um caso que requer sua ajuda.
— Um incidente envolvendo Beyonders? — perguntou Klein instintivamente.
— Não, um representante parlamentar desta cidade, Sr. Maynard, foi encontrado morto em sua casa. O Departamento de Polícia de Tingen está sob enorme pressão e quer que usemos um ritual de mediunidade para ajudá-los a identificar o assassino. Atualmente, você é a única pessoa na equipe que pode fazer isso — explicou Dunn. Então ele acrescentou:
— A Catedral Sagrada enviará um Espreitador de Mistérios para nossa equipe na próxima semana. Na verdade, deveria ter sido feito há muito tempo, mas você se juntou e escolheu ser um Vidente.
Notas:
- Unidade de medida de terra da China que varia de acordo com alocalização, mas geralmente é de 666,5 metros quadrados.
- Uma unidade de medida histórica métrica, igual a 100 metrosquadrados.
Capítulo 172
Capítulo 172 – “Autópsia”
— Há quanto tempo o membro do Parlamento está morto? — perguntou Klein diretamente enquanto arrumava suas coisas.
Se fossem mais de quinze minutos, as informações que poderia obter diminuiriam consideravelmente. Mais de uma hora, restaria muito pouco para encontrar.
Se fosse mais de um mês, o contato com o espírito do morto provavelmente falharia.
— Lamentavelmente, o relatório inicial da autópsia mostra que Maynard morreu entre as nove e onze da noite passada. — Dunn balançou a cabeça e disse:
— Você só precisa prestar assistência, não precisa considerar se pode ser útil ou não.
— Tudo bem. — Klein pegou o casaco e saiu da sala de guarda com o chapéu e a bengala na mão. Dunn Smith ocupou seu lugar na sala de guarda do Portão Chanis.
Teoricamente, como um Beyonder, desde que a espiritualidade de alguém fosse aprimorada, coisas como Visão Espiritual, divinação e magia ritualística poderiam ser aprendidas. Especialmente para os Beyonders da Sequência Sem Sono, que eram conhecidos por sua alta espiritualidade.
Mas, na realidade, as diferenças entre as várias sequências eram bastante óbvias. Dunn Smith e Leonard Mitchell haviam aprendido a Visão Espiritual, mas eles só conseguiam ver um branco fraco ou azul claro nas auras dos outros. Eles não conseguiam diferenciar com precisão o status de diferentes partes do corpo. Claro, eles definitivamente podiam ver coisas espirituais com a Visão Espiritual, mas fazer isso não era tão eficaz quanto usar sua percepção espiritual.
Isso também levou ao problema de Beyonders das sequências Sem Sono, Poeta da Meia Noite e Pesadelo não gostarem de ativar sua Visão Espiritual.
Da mesma forma, se quisessem, também poderiam aprender a utilizar pêndulos espirituais, radiestesia, divinação de sonhos e assim por diante. Mas a taxa de sucesso deles não era muito alta.
E a situação era a mesma com magia ritualística.
Quando os dois passaram um pelo outro, Dunn disse repentinamente:
— Esqueci de dizer, inspetor Tolle está encarregado do caso. Ele está esperando por você na sala de recepção da Companhia de Segurança. Lembre-se de vestir seu novo uniforme e pegar seus novos documentos.
Klein não ficou surpreso e respondeu com um sorriso:
— Novo uniforme, novos documentos? O Departamento de Polícia de Tingen com certeza é eficiente.
Ele havia acabado de avançar para a Sequência 8 no dia anterior…
— É porque este caso é muito importante, então… — Dunn abriu as mãos e ocupou o lugar anterior de Klein.
Klein subiu as escadas, mas não estava com pressa de ir à sala de recepção. Ele entrou na sala de descanso dos Falcões Noturnos e entrou no banheiro anexo para se aliviar. Havia apenas um vaso sanitário, uma garrafa de água e um balde na sala de guarda.
Então, ele vestiu o uniforme da polícia, que revelava sua promoção para duas estrelas de prata e vestiu o quepe com as “duas espadas cruzadas e uma coroa”.
Depois de transferir seu charm do Sol Ardente, o apito de cobre de Azik, seus ingredientes de rituais e outros itens, Klein ajeitou seu uniforme, pegou a bengala e saiu da sala de descanso.
Ele passou pela divisória e viu o inspetor Tolle sentado do sofá.
Fazia um tempo desde a última vez que se viram. O alto policial parecia ter engordado um pouco e seu estômago estava ainda mais proeminente. Com seu bigode e cabelos grossos, ele parecia um urso marrom que havia acabado de escapar de um circo.
— Estou feliz em trabalhar com você novamente. — Tolle soltou um suspiro de alívio quando viu que era um Falcão Noturno que conhecia. Ele se levantou e estendeu sua pata de urso.
Não, palma… — Klein se corrigiu e apertou a mão da outra pessoa como um gesto educado.
— Eu também.
Tolle olhou de relance para a insígnia de ombro com duas estrelas de prata de Klein e disse com inveja:
— Estamos no mesmo posto agora, e não faz nem um mês.
A princípio, Klein quis responder solenemente que “o perigo que encontramos é dez vezes pior que o seu”, mas se lembrou de sua identidade: Sequência 8 Palhaço.
Talvez eu possa tentar… — Usando sua espiritualidade, ele olhou para o reflexo de sua expressão facial. Ele levantou o canto dos lábios e respondeu com um sorriso:
— Talvez em mais alguns meses, você precise me chamar de “senhor”.
— Você com certeza é bem humorado. — Tolle riu e apontou para a porta. — Vamos indo?
— Tudo bem. — Klein não tinha desistido de sua bengala. Agora que ele havia se tornado um Palhaço, sua bengala era realmente uma arma viável.
Depois de sair da Companhia de Segurança Blackthorn, Klein e Tolle caminharam lado a lado, formando um grande contraste devido à magreza e gordura dos dois.
— Sinto que poderíamos até fazer uma plateia de circo rir — brincou Klein de repente.
Tolle assentiu em concordância absoluta e disse:
— Sim, sinto que nosso vasto contraste traz um efeito cômico. Você sabia que alguns circos estão tentando usar combinações de palhaços gordo e magro, alto e baixo em suas performances?
Não, na verdade eu quis dizer um domador de feras e um urso marrom… — Klein, é claro, não faria uma observação tão rude. Ele concordou e respondeu:
— É uma pena que não haja circos fixos em Tingen.
— Realmente, mas temos óperas, teatros e salões de música — respondeu Tolle, com melancolia.
Eles conversaram casualmente até entrar na carruagem da polícia. Então, Klein redirecionou o tópico de volta ao caso.
— Está confirmado que o Sr. Maynard foi assassinado?
— Não temos certeza, mas sua esposa e dois filhos não estão dispostos a acreditar na possibilidade de que ele tenha morrido devido a uma doença súbita. E realmente havia algo errado na cena. Quando Maynard foi encontrado, ele estava nu na cama do quarto — disse Tolle enquanto deliberava.
— Ele dorme separadamente da esposa? — Klein recostou-se na parede da carruagem e imitou o personagem principal em vários filmes de detetive.
Tolle balançou a cabeça e disse:
— Não, sua esposa não esteve em Tingen recentemente. Ela foi a Backlund para participar de um baile social muito importante. Você pode não saber, mas ela é a líder de um novo partido e é filha de alguém da Câmara do Povo. Ela ainda está voltando para Tingen através de uma locomotiva a vapor, apenas usou um telegrama para expressar sua opinião sobre esse assunto.
— Maynard também é membro do Novo Partido. Ele é membro do Parlamento de Tingen há mais de dez anos e pretendia concorrer a prefeito nas eleições do próximo ano.
— Em outras palavras, sua morte pode estar relacionada a isso? — perguntou Klein casualmente e imediatamente riu. — Me desculpe, eu só deveria ajudar com a autópsia. O restante não está na minha área de preocupação, você não precisa responder.
Tolle não se importou muito, mas suspirou.
— Autópsia… Você é bastante cauteloso.
— Quanto aos seus palpites, eu diria apenas que há uma possibilidade. Houve uma reunião ontem à noite na casa de Maynard. Havia muitos convidados e, temporariamente, não conseguimos encontrar nenhum suspeito principal. Além disso, esses convidados têm identidades decentes, por isso temos que ter muito cuidado. Não podemos cometer nenhum erro.
— Entendo. — Klein assentiu fracamente e perguntou sobre os detalhes da cena.
A casa de Maynard era um bangalô localizado no burgo de Golden Indus. Era cercado por jardins e campos, havia um estábulo, uma fonte e um amplo caminho construído a partir de cimento.
Klein vestiu o quepe com a insígnia da polícia e seguiu atrás do inspetor Tolle. Eles passaram pela faixa da polícia e entraram na casa de dois andares sob o olhar de todos os policiais presentes.
Na sala, havia dois inspetores e quatro inspetoras probatórios conversando com as pessoas individualmente para reunir declarações.
Klein olhou em volta e viu muitos homens de smoking e algumas mulheres de vestidos glamourosos e chapéus xadrez.
— São os convidados que passaram a noite aqui — explicou Tolle, levando Klein pelas escadas diretamente para o segundo andar.
Ao longo do caminho, quando os policiais que vasculhavam as salas viram os dois, revelaram um olhar de respeito sem detê-los. Talvez tenha sido o efeito das insígnias de inspetor.
— Este é o quarto de hóspedes onde o cadáver de Maynard foi descoberto. — Tolle parou na porta de madeira carmesim.
Klein pensou e perguntou:
— Qual hóspede foi designado para este quarto?
— Nenhum. Existem muitos quartos na casa, então este aqui não foi usado. — Tolle colocou as luvas brancas e girou a maçaneta da porta de madeira carmesim.
Ele fez o policial que estava vigiando sair temporariamente. Então, acenou para Klein e disse:
— Inspetor Moretti, deixo o resto por sua conta.
— Que a Deusa nos abençoe, e espero que encontremos algo. — Klein também colocou suas luvas brancas e trancou a porta atrás dele.
Ele caminhou para o lado da cama e viu que os lençóis vermelhos estavam anormalmente bagunçados. O cadáver deitado estava coberto com um pano branco.
Nesse ponto, Klein poderia ser considerado bastante experiente. Ele afastou o pano branco sem medo e olhou para o membro do Parlamento, Maynard.
O homem estava na casa dos quarenta. Seu cabelo loiro era curto e sua expressão era uma mistura de dor e felicidade.
Klein deu dois passos para trás e pegou os ingredientes de que precisava. e rapidamente terminou a preparação para o ritual de mediunidade.
Quando a leve fragrância calmante girou em torno dele, ele recitou a declaração de divinação que havia pensado há muito tempo:
— A causa da morte de Maynard.
— A causa da morte de Maynard.
…
Enquanto recitava a declaração, Klein se retirou para uma cadeira de encosto alto e sentou-se lentamente.
Seus olhos escureceram, e então ele se recostou e rapidamente caiu em um sono profundo.
No mundo ilusório e embaçado, ele de repente viu o cavalheiro de antes.
Com seus olhos azuis abertos, Maynard estava sobre uma mulher com um corpo excepcional e pele clara. Ele estava se movendo com força contra seu corpo.
Ele primeiramente demonstrou uma expressão de extrema satisfação e felicidade. Então, de repente, apertou o peito com a mão direita. Sua expressão então ficou contorcida.
Pa!
Quando Maynard caiu, a imagem rapidamente se estiçalhou. Klein abriu os olhos e acordou do sonho.
Não acredito que posso assistir pornô dessa maneira… Então, Maynard teve um caso e morreu de exaustão? — Klein riu e massageou as têmporas.
Ele então pegou uma caneta e papel antes de fazer outro ritual. Ele desenhou um retrato da dama que havia visto em seu sonho com a ajuda do ritual. Claro, tudo abaixo do pescoço foi omitido.
Era uma mulher cuja idade era difícil de dizer. Ela tinha a aura madura de uma mulher na casa dos trinta, mas havia um remanescente de inocência. Seus olhos eram claros como cristal e ela tinha um olhar delicado.
Klein olhou para seu trabalho, depois guardou seus ingredientes de rituais e dissipou a barreira.
Ele se inclinou para o lado para pegar sua bengala com detalhes prateados.
De repente, ele ouviu o som reverberante de alguém limpando a garganta e imediatamente se arrepiou!
Klein olhou para a cama e viu Maynard segurando os lençóis carmesins com tanta força que os tendões nas costas das mãos estavam se projetando para fora.
Com um swoosh, o membro do Parlamento que morreu entre as nove e as onze da noite anterior sentou-se de repente. Saliva escorria dos cantos de seus lábios e ele arregalou os olhos vazios.
Capítulo 173
Capítulo 173 – Zumbificação
Antes que Klein pudesse ter novas ideias, ele viu o rígido Maynard levantar as duas mãos. Seu corpo se lançou para a esquerda em meio ao som de um vento forte!
No passado, suas reações lentas em situações tão repentinas e inesperadas dificultariam sua fuga. Mesmo se tivesse notado o ataque antes, ele teria que rolar para evitar o cadáver se movimentando rapidamente.
Mas agora, Klein quase podia reagir por instinto. Ele pisou com suas claras botas de couro sem botões e pulou na diagonal, na cadeira de encosto alto.
Como fazia apenas um dia desde que havia avançado, ele ainda estava se acostumando com seu poder, agilidade e velocidade. Ele acidentalmente saltou muito alto no ar e caiu no topo do alto encosto da cadeira!
Era um encosto estreito. O coração de Klein apertou e ele rapidamente controlou seu corpo e ajustou seu centro de gravidade.
Ele hesitou por um momento e surpreendentemente conseguiu se estabilizar, como um gato preto exibindo seu equilíbrio e estabilidade.
Enquanto hesitava, ele agitou o braço esquerdo, batendo a bengala nas costelas do zumbi enquanto ele avançava. O golpe fez com que perdesse o equilíbrio, cambaleando e caindo no tapete.
Klein estava em pé em cima da cadeira enquanto pegava seu revólver, levantando o braço direito. Ele tentou retirá-lo do coldre para que pudesse atirar uma bala anti-demônio de prata no zumbi em sua frente.
Mas naquele instante, ele de repente se perguntou sobre as consequências.
Se ele abrisse um buraco no cadáver do deputado Maynard, como explicaria a causa da morte à família do falecido ou aos membros do Parlamento que estavam se concentrando no assunto?
Tudo o que fiz foi tocar duas vezes em seu cadáver?
Enquanto pensava, Klein enfiou a mão no bolso do uniforme da polícia e procurou uma placa triangular.
O charm pacificador… — Ele rapidamente tomou uma decisão e pegou o charm de prata sem hesitar e falou em Hermes:
— Carmesim!
Enquanto o encantamento reverberava dentro da sala, o feitiço começou a liberar uma aura pacífica. Klein rapidamente infundiu sua espiritualidade no charm e o jogou para o zumbi Maynard, que estava lutando para se levantar.
Um fogo azul frio apareceu, envolvendo a placa triangular. Uma aura negra serena e suave se espalhou rapidamente, eliminando a ansiedade e a preocupação da alma.
O zumbi Maynard parou ali, seus olhos vazios fixados no chão. Sua saliva pingava no tapete.
Klein soltou um suspiro de alívio e planejou retirar os materiais e montar um ritual para purificar o ser profano, mas de repente Maynard soltou um gemido, seus olhos vazios focados no bolso esquerdo do uniforme policial de Klein.
Merda… — Klein saltou do topo da cadeira para a borda da janela oriel.
Ao mesmo tempo, ele ouviu o som da cadeira quebrando.
Klein não teve escolha senão tirar uma placa retangular de prata.
O charm de sonolência!
Não eram apenas os seres vivos que podiam ser adormecidos. Os mortos estavam em estado de sono eterno e só eram acordados em circunstâncias incomuns!
Em certos livros sobre misticismo, havia até uma descrição desse tipo sobre zumbis: eles dormem de dia e acordam à noite.
— Carmesim!
Klein mais uma vez recitou o encantamento em Hermes. Ele pretendia desconsiderar as consequências e atirar no cadáver com o revólver, caso isso também falhasse.
Os problemas que surgiriam depois não importariam se ele estivesse morto!
Quando sentiu a placa retangular prateada fria na palma da mão, Klein injetou sua espiritualidade e a jogou.
Uma chama vermelha escura iluminou seus olhos e o som de uma pequena explosão de luz reverberou pela sala.
Um poder suave se espalhou, trazendo consigo um cansaço que afetava todos os seres vivos. Zumbi Maynard tinha acabado de se apoiar na cadeira quando hesitou. Seus olhos se fecharam e ele caiu de costas com um baque.
Klein não se atreveu a relaxar depois do que havia acabado de acontecer. Ele imediatamente retirou o extrato de amantha destilado de baunilha noturna, flor do sono e camomila, bem como a casca da árvore drago, e o óleo essencial de lua cheia feito de flores da lua. Ele rapidamente montou um altar de sacrifício.
Logo depois disso, ele selou a área circundante com uma barreira de espiritualidade com a ajuda do pó de noite sagrada, abrangendo o altar e o Zumbi Maynard adormecido.
Depois de recitar silenciosamente o encantamento e acender três velas correspondentes, ele pingou algumas gotas do extrato de óleo essencial e espalhou vários pós nas chamas. Klein então deu um passo para trás e olhou cautelosamente para o Zumbi Maynard. Ele então recitou em Hermes:
— Ó Deusa da Noite Eterna, mais nobre que as estrelas e mais eterna que a eternidade.
— Eu rezo por sua graça amorosa.
— Eu rezo para que você olhe por seu fiel guardião,
— Eu rezo pelo poder do carmesim.
— Eu rezo pelo poder do sono e do silêncio,
— Rezo para que você purifique o ser imundo ao meu redor, o cavalheiro que certa vez se chamou John Maynard.
…
— Flor da Lua, uma erva que pertence à lua carmesim, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento…
— Flor do sono, uma erva que pertence à lua carmesim, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento!
…
Era como se uma brisa da meia-noite soprasse dentro da barreira de espiritualidade. Um fino véu de vapor preto começou a surgir do Zumbi Maynard.
Quando tudo se acalmou, Klein usou sua Visão Espiritual e divinação para confirmar repetidamente que o zumbi não iria “acordar” mais uma vez.
Depois de ver os resultados, suas preocupações diminuíram. Ele terminou o ritual e dissipou a barreira de espiritualidade.
— Por que ele voltou à vida de repente? — Klein estava na frente de Maynard, que estava no tapete. Ele franziu as sobrancelhas enquanto olhava para o cadáver.
Para um Beyonder com alta sensibilidade espiritual, havia sinais óbvios para saber se um cadáver voltaria à vida ou não, ainda mais para Klein, que era um Vidente. Ele costumava ter uma premonição de assuntos semelhantes, mas o que havia acontecido agora o pegou completamente de surpresa.
A menos que… a menos que haja uma influência mais misteriosa em jogo… Assim como o que aconteceu com o palhaço de terno. — Klein relembrou a cena em sua cabeça e percebeu um pouco o problema:
O zumbi Maynard estava tentando atacar o bolso esquerdo do uniforme de polícia!
Bolso esquerdo? — Klein transferiu a bengala preta para a palma da mão direita, depois alcançou o bolso com a mão esquerda. Ele pegou o antigo apito de cobre que estava dentro.
Era um apito de cobre esculpido com muitos padrões misteriosos. Era o apito de cobre usado para convocar o mensageiro de Azik.
Esse apito de cobre zumbificou Maynard? Isso é bastante plausível. Mesmo que o Sr. Azik não seja um descendente da Morte, ele definitivamente tem uma certa conexão com a Morte. É racional que os objetos que ele carrega consigo produzam tal efeito… — Klein assentiu, pensativo. Ele pegou um centavo de cobre e fez uma rápida divinação sobre sua conclusão.
Como estava no local do incidente, segurando os objetos relevantes e tinha muitas informações, ele rapidamente obteve um resultado. Ele viu o centavo de cobre cair na palma da mão, a cara voltada para cima.
Isto significa que sim. Em pensar que o Sr. Azik não me avisou de ter cuidado que essas coisas pudessem acontecer… Bom… Ele é um amnésico, então não é incomum esquecer isso. Além disso, o apito de cobre pode não ter tido efeitos negativos quando estava com ele. Há uma grande possibilidade de que isso tenha sido suprimido. Não devo levar esse apito de cobre comigo quando estiver em cemitérios ou castelos antigos, lugares propensos a assombrações. Caso contrário, só vou encontrar problemas e cortejar a morte igual louco… — Klein silenciosamente fez uma anotação mental. Ele então carregou o Maynard nu de volta para a cama sem muito esforço.
Olhando para a marca óbvia no cadáver deixada para trás pelo golpe da bengala, Klein suspirou. Ele cobriu o cadáver com o pedaço de pano branco e fingiu não perceber.
Vou deixar esse problema para que o departamento de polícia se estresse com isso! Ah, e os dois charms que usei agora podem ser considerados despesas relacionadas à missão, para que eu possa ser compensado… — Ele pensou enquanto guardava as coisas. Ele então pegou o retrato e abriu a porta.
A porta se abriu com um rangido e Klein viu o inspetor Tolle, que estava de guarda do lado de fora, não permitindo que ninguém se aproximasse.
— O que aconteceu agora a pouco? — perguntou Tolle em dúvida e preocupação.
Ele pôde ouvir fracamente a ação acontecendo no quarto.
Klein sorriu e disse deliberadamente com um pouco de exagero.
— O deputado Maynard voltou à vida e tentou me dar um abraço apaixonado.
— Não brinque assim… — Tolle olhou para a sala exasperado.
— Por que tão sério? — disse Klein, levantando as mãos. — Por um motivo não confirmado, o deputado Maynard se tornou um zumbi. Bem, o tipo de coisa que aconteceria nas histórias de fantasmas. Felizmente, eu ainda não tinha saído, então usei magia ritualística para purificar a profanação, permitindo que ele retornasse ao seu sono eterno.
— Isso está relacionado à causa de sua morte? — perguntou Tolle, sua expressão severa.
— Eu não posso lhe dar uma resposta para isso. Eu nem sei qual é o problema. Você deve saber que, em nosso campo, coisas inexplicáveis são uma ocorrência comum — disse Klein. Ele então olhou para o retrato na mão e disse:
— Quando estava fazendo o ritual de mediunidade, vi a cena da morte de Maynard. Ele estava envolvido em algumas atividades que só deveriam ser feitas entre marido e mulher com essa mulher. E no clímax de sua alegria, ele apertou seu peito onde o coração está.
— Você quer dizer que… essa é a causa de sua morte? — Tolle deu a ele um olhar de “cutucada” e “piscadela”.
— Em teoria, sim, mas você deve esperar a autópsia. — Klein entregou o retrato ao inspetor Tolle.
Tolle só olhou para ele e exclamou:
— Madame Sharon!
Klein olhou para ele, perdido.
— Ela é muito famosa?
Sim, a julgar pela aparência e pela figura, ela deveria ser famosa … — Ele brincou interiormente.
Tolle olhou em volta e a apresentou de uma maneira um tanto animada:
— Madame Sharon é a viúva mais bonita da cidade de Tingen. Ela é a mulher mais procurada em ambientes sociais. Ela era a segunda esposa do barão Khoy, mas infelizmente ficou viúva.
— Ela é bem vinda por muitos dos novos comerciantes ricos e aristocratas, alguém que pode ser convidada para banquetes pelo Partido Conservador e pelo Novo Partido.
— Há rumores de que ela e seu enteado, o atual Barão Khoy, estão em termos “amigáveis” com muitos nobres e funcionários antigos em Backlund. Ela é uma mulher poderosa. Em pensar que ela e o deputado Maynard tinham um relacionamento assim… Hehe…
Simplificando, ela é uma socialite excepcional… — Klein secretamente concluiu. Ele se virou e apontou para o quarto.
— A próxima parte não está incluída na minha descrição de trabalho. Como você interroga Madame Sharon não é da minha conta.
— Além disso, bati no deputado Maynard com uma bengala antes da purificação. Você terá que lidar com isso e pensar em uma explicação.
Capítulo 174
Capítulo 174 – Madame Sharon
— O quê? — Tolle, que se parecia com um urso, pulou em choque e olhou para Klein antes de olhar para o quarto. Com agilidade que não era adequada ao seu corpo, ele entrou correndo.
Ele afastou o pano branco que cobria o cadáver e, depois de examinar o corpo com cuidado, soltou um suspiro de alívio.
— Está melhor do que eu imaginava. Não é um problema tão sério.
Talvez eu devesse ter sacado meu revólver e baleado Maynard cinco vezes com balas anti-demônio. Vamos ver se você acha isso sério ou não… — Klein brincou interiormente e apontou para fora da porta.
— Isso é tudo que você precisa de mim, certo?
— Não! — gritou Tolle. — Espere um momento.
Klein perguntou, intrigado:
— Por quê?
Tolle explicou seriamente:
— Temos que impedir que acidentes aconteçam. Depois que conversarmos com Madame Sharon e conseguirmos seu testemunho, eu o mandarei de volta para a rua Zouteland.
Se Maynard pode ressuscitar depois de morto por dez horas, o que mais não poderia acontecer? O que eu faria se você fosse embora? — acrescentou Tolle em sua cabeça.
— Tudo bem. — Klein massageou a têmpora e disse:
— Então encontre uma sala silenciosa para que eu possa descansar.
Ele não estava se sentindo cem porcento em todos os aspectos, pois havia avançado há apenas um dia. Tendo acabado de realizar várias cerimônias de rituais, usado dois charms e sofrido um susto não trivial, ele precisava entrar em Cogitação para eliminar quaisquer problemas.
Klein agora estava extremamente cauteloso para não perder o controle.
Tolle cobriu o corpo do morto com o pano branco novamente. Ele obviamente relaxou e respondeu:
— Não tem problema.
Ele levou Klein para um quarto iluminado pelo sol. Ele apontou e disse:
— Inspetor Moretti, não se preocupe. Ninguém vai te incomodar. Vou visitar Madame Sharon primeiro.
Klein assentiu levemente e o observou se afastar. Então, ele fechou a porta e as cortinas.
No quarto escuro e silencioso, ele caminhou lentamente até a cadeira de balanço, sentou-se confortavelmente e deixou seu corpo balançar ritmicamente.
Havia inúmeras luzes fantasmas esféricas sobrepostas em sua mente. Os zumbidos nos ouvidos de Klein e a dor latejante em sua cabeça desapareceram lentamente, pouco a pouco.
Quando sua situação se estabilizou, ele abriu os olhos e olhou para a escuridão. Ele vislumbrou a silhueta de uma cama, armário e outros móveis. Então, calmamente pensou em suas tentativas anteriores.
Não há muito feedback de algumas piadas exageradas…
Talvez eu ainda tenha que controlar os poderes da poção Palhaço, pois ainda existem efeitos negativos remanescentes… Claro, não posso eliminar a possibilidade de que essa “atuação” tenha pouco efeito.
Pessoalmente, não estou muito disposto a desempenhar o papel de um palhaço. Mas já que escolhi o caminho da Sequência, só posso encarar isso de frente…
Na verdade, todo mundo tem que agir como um palhaço em um ponto ou outro de suas vidas. Não preciso ficar tão desconfortável com a ideia.
Tenho que compreender o quanto antes os elementos principais de um palhaço…
Enquanto vários pensamentos se agitavam em sua mente, Klein repentinamente pegou um meio centavo de bronze.
Principalmente por hábito, ele divinou se a morte de Maynard era devido a influências sobrenaturais.
Talvez seja um risco ocupacional… — Klein balançou a cabeça, rindo. Seus olhos ficaram escuros e ele recitou repetidamente:
— A morte de John Maynard foi devido a influências sobrenaturais.
…
Ding!
Ele jogou a moeda enquanto se ajeitava na cadeira de balanço. Ele viu seu brilho de bronze cintilar enquanto girava no ar.
Pak! A moeda caiu bem na palma da mão aberta de Klein, revelando o número 1⁄2 voltado para cima.
Uma resposta negativa. Em outras palavras, não houve influências sobrenaturais envolvidas na morte de John Maynard. Acho que aquele homem morreu de prazer orgástico. Não se deve rir dos falecidos, por isso não usarei uma frase chinesa insípida para zombar dele… — Klein guardou a moeda e permitiu que seus pensamentos vagassem antes que ele quase adormecesse.
Toc toc! Toc toc! Toc toc!
Sob as batidas lentas e rítmicas, Klein ajeitou suas roupas, vestiu o quepe de policial e caminhou até a porta.
Assim que a palma da mão direita tocou a maçaneta, uma cena apareceu em sua mente.
O inspetor parecido com um urso, Tolle, estava parado do lado de fora da porta e endireitando seu colarinho. Sua expressão parecia perturbada e desamparada.
Klein girou a maçaneta e abriu a porta sem pressa.
Inspetor Tolle apareceu diante dele enquanto endireitava seu colarinho.
— Desculpe por lhe fazer esperar.
— Já encontramos Madame Sharon e obtivemos seu depoimento. Você pode retornar à rua Zouteland.
— Sinto muito por ocupar seu precioso tempo.
Klein não perguntou o motivo de suas emoções atuais, mas sorriu e disse:
— Madame Sharon admitiu que estava com Maynard na noite passada?
— Sim. Ela disse que, sob a influência do álcool, ela e Maynard não conseguiram se controlar. Quando descobriu que ele morreu de ataque cardíaco, ela ficou com muito medo e fugiu do quarto depois de se arrumar, e então se escondeu em seu próprio quarto de hóspedes. Não temos motivos suficientes para apresentar queixa contra ela no momento, então tivemos que deixá-la ir embora restringindo parte de sua liberdade. Teremos que esperar a autópsia — explicou o inspetor Tolle em detalhes.
Klein inclinou a cabeça para o lado e sorriu.
— Para quem você está explicando isso?
Tolle balançou a cabeça e forçou um sorriso amargo.
— Ah sim, eu não tenho que explicar para você. Estou apenas frustrado com Madame Maynard e comecei a tagarelar sem perceber.
— A esposa de Maynard voltou? — perguntou Klein em resposta.
— Sim, infelizmente. Havia algo de anormal na locomotiva a vapor. Não estava atrasada. — Tolle deu uma resposta afirmativa de maneira brincalhona.
Klein não perguntou mais, e verificou se tinha todos os seus pertences pessoais antes de seguir o inspetor Tolle pelas escadas.
— Por que você não está prendendo ela?
— Ela é uma assassina! Quero processá-la e quero processar todos vocês por negligência ao dever!
— Vou contratar o melhor advogado para processá-los!
…
Comentários severos entraram nos ouvidos de Klein e ele olhou inconscientemente. Ele viu uma senhora voluptuosa e de pele clara de meia-idade com um olhar furioso. Apesar de ter dois jovens segurando seus braços, ela continuou gritando com eles.
Um vestido bastante na moda e popular em Backlund neste ano… — Depois de ler frequentemente a revista Estética Feminina, o primeiro pensamento na mente de Klein foi algo não relacionado à situação. Ele então viu alguns cavalheiros protegendo uma dama atrás deles.
A dama vestia um longo vestido preto, tinha pele clara e lisa, cabelos castanhos parecidos com cachoeiras e olhos castanhos. Ela parecia tão lamentável quanto uma florzinha na floresta. Isso fazia as pessoas quererem involuntariamente protegê-la.
Madame Sharon… — De repente, Klein pensou no “porno” em que ela havia estrelado. Ele rapidamente levantou a mão direita, cobriu a boca e tossiu duas vezes.
Por hábito, ele bateu seus molares esquerdos duas vezes e observou as pessoas presentes com sua Visão Espiritual.
Há algum tipo de problema com o corpo da sra. Maynard. As cores de sua aura são mais finas. Das cores de suas emoções, ela definitivamente está sentindo raiva e ódio, o que é consistente com sua aparência externa…
Hein? A cor das emoções de Madame Sharon está sombreada em azul, o que representa pensamento racional e calma… Isso é totalmente contrário à sua aparência de pânico e nervosismo. Como esperado, uma socialite não é tão inocente… O corpo dela é muito saudável.
Depois de examiná-la, Klein estava prestes a desviar o olhar quando de repente viu Madame Sharon erguer a cabeça e lançar um olhar em sua direção. Então, ela abaixou a cabeça novamente e olhou tímida e trêmula.
Se eu não pudesse ver suas cores de emoção diretamente, eu poderia ter sido enganado pelo seu ato… Você deve considerar trabalhar como atriz… — zombou Klein. Ele não ficou mais tempo e saiu da casa de Maynard com o inspetor Tolle. Eles pegaram a carruagem arranjada pela delegacia e retornaram à rua Zouteland.
Depois de assumir o turno do Capitão, ele continuou a trabalhar no Portão Chanis. Ele aproveitou a oportunidade para escrever um pedido de reembolso.
Depois de uma noite sem grandes acontecimentos, Klein voltou para o andar de cima e recebeu o café da manhã que havia pedido para Rozanne comprar.
— Eu amo essa massa! — ele elogiou.
Ele havia dado o dinheiro para o café da manhã com antecedência.
— Sério? Eu posso tentar amanhã então! — respondeu Rozanne alegremente.
O canto do lábio de Klein se contraiu quando ele se concentrou em sua batalha com o leite e a massa.
Às oito e vinte e cinco, ele bocejou e lutou contra o desejo de adormecer; chegando ao Clube de Tiro nas proximidades.
Ele havia marcado uma consulta com o médico do asilo, Daxter Guderian, alguns dias atrás.
Bang! Bang! Bang!
No pequeno campo de tiro, Klein e Daxter miraram em seus respectivos alvos e esvaziaram os tambores.
Clink! Clank!
Daxter virou e soltou os cartuchos vazios antes de examinar Klein com interesse.
— Você está muito mais confiante que antes.
Claro, avancei para a Sequência 8. Agora possuo real capacidade de combate… — Klein refletiu sobre sua própria expressão facial e movimentos corporais em sua cabeça e deliberadamente agiu arrogantemente.
— Porque eu usei apenas cerca de um mês para dominar completamente o poder da minha poção.
Daxter fez careta e disse:
— Embora isso seja algo para se orgulhar, não há necessidade de dizer isso o tempo todo.
Ei, como Espectador, você não viu através da minha performance… Pelo que parece, um Palhaço tem o poder de suprimir a capacidade de um Espectador. — Klein sorriu com a descoberta e perguntou:
— Como está Hood Eugen recentemente?
— … Ele ficou louco de verdade. — Daxter fez uma pausa e continuou:
— Eu o examinei com vários métodos. Ele realmente ficou louco. Estou pensando em começar a medicá-lo, para ver se posso tratálo.
Como Psiquiatra Sequência 7, ele realmente fingiu ser um paciente mental… Mesmo que estivesse dando tratamentos a outros pacientes, ele não se alinhou ao elemento principal do nome da poção. Essa foi uma maneira incorreta de usar o “método de atuação”. Não é à toa que ele ficou louco… — Klein pensou e disse:
— Antes de enlouquecer, você descobriu quem entrou em contato com ele?
— Além dos médicos, pacientes, enfermeiros e funcionários que trabalham no asilo, não havia pessoas de fora que tivessem contato com ele — respondeu Daxter com confiança.
Klein assentiu brevemente e disse:
— Que tal ainda antes? Alguém o visitou? Ele saiu do asilo regularmente por um período de tempo?
Para cumprir sua promessa inicial, Klein nunca perguntou nada sobre Hood Eugen em suas primeiras reuniões.
Daxter entrou em uma profunda reflexão. Levou algum tempo para ele dizer:
— Fora os membros dos Alquimistas da Psicologia, não havia mais do que cinco pessoas que o visitaram. Um deles veio três vezes. O nome dele era El.
Sem Klein perguntar, ele continuou:
— Mas ouvi de Hood Eugen que El era um pseudônimo.
— O nome verdadeiro dele era Lanevus.
Capítulo 175
Capítulo 175 – Dedução
Lanevus? Aquele criminoso que roubou dinheiro e sexo? E pensar que ele tinha uma conexão com Hood Eugen dos Alquimistas da Psicologia… — Klein congelou por um momento quando ouviu o nome. Ele imediatamente pensou nas implicações que o nome “Lanevus” tinha.
Ele é o vigarista que escapou com mais de 10.000 libras!
Apenas providenciar uma pista me daria 10 libras. E se ajudar a capturar esse tesouro com pernas, ganharei 100 libras!
Ele é escória que aproveitou dos corpos e sentimentos de mulheres inocentes!
E pensar que ele conhece Hood Eugen e foi visitá-lo três vezes no asilo mental. Isso significa que está conectado ao círculo Beyonder, ou que ele é um Beyonder? — Klein lembrou de repente o nome de uma poção: Caminho Saqueador Sequência 8, Vigarista!
Esses Beyonders sentiam prazer em enganar os outros!
É bem possível! — Klein assentiu, pensativo. Ele controlou sua expressão facial e linguagem corporal, fingindo indiferença e perguntou:
— Então, quando foi a última visita do Sr. Lanevus?
— Início de julho. Eu teria que verificar os registros do asilo mental para lhe dar uma data específica — respondeu Daxter Guderian após alguns segundos de reflexão.
O plano de Lanevus não havia sido exposto no início de julho então ele não havia deixado Tingen… — Klein então perguntou:
— Hood Eugen costuma mencionar essa pessoa?
— Não. Você deve entender que um Psiquiatra Sequência 7 nunca revelaria algo por acidente. Cada palavra que dizem foi completamente deliberada. Seria impossível descobrir seus segredos, a menos que eles tenham outros motivos ocultos. Eu só consegui obter a fórmula de Telepata depois que Hood Eugen enlouqueceu. Ah, certo, você determinou a autenticidade da fórmula? — Daxter habilmente escondeu seus sentimentos de orgulho pela poção de seu caminho.
Klein riu e respondeu:
— Autêntica. Quando precisar avançar, pode usá-la para fazer sua poção sem se preocupar. Podemos ajudar se os Alquimistas da Psicologia não puderem fornecer os ingredientes. Além disso, como tem passado ultimamente?
— Nada mau. Fora estar um pouco preocupado com a condição de Hood Eugen, me sinto bastante relaxado. Não tenho mais sintomas de uma personalidade dividida. Você me ajudou muito nesse aspecto — disse Daxter Guderian, cheio de emoção.
Klein tinha uma expressão humilde.
— É o certo.
— Vamos voltar ao tópico em questão. Como você disse, um Psiquiatra deliberaria sobre todas as suas palavras antes de pronunciá-las e não revelaria facilmente seus segredos, então por que Hood Eugen disse a você que El é Lanevus? Estava sugerindo alguma coisa ou estava tentando avisá-lo de alguma coisa?
Daxter congelou por um momento, depois franziu as sobrancelhas.
— Isso é realmente estranho, e pensar que eu não percebi… Fora isso, Hood Eugen não mencionou mais nada. Poderia o motivo ser contar aos altos escalões da associação sobre o nome Lanevus, caso ele se deparasse com algum problema?
— A reação da associação também pareceu estranha. Depois que os informei sobre a insanidade de Hood Eugen, eles enviaram um contato. Mas depois que descrevi todos os detalhes, incluindo o nome de Lanevus, não houve mais respostas dos escalões superiores. Foi como se fosse uma pedra lançada no oceano. Isso poderia significar que eles descobriram algo?
— Uma dedução razoável. — Klein pegou suas munições antidemônio e as inseriu no revólver, depois mirou no alvo.
— Se seguirmos essa dedução, Hood Eugen pode ter antecipado que ele iria ficar louco ou morrer… E isso tem uma conexão direta com Lanevus? Mas se já havia antecipado, por que não pediu ajuda aos escalões superiores? — Daxter olhou inexpressivo para a frente. Ele pensou bastante e disse:
— Infelizmente, agora ele está louco, não há como se comunicar efetivamente com ele.
— Talvez algum tipo de tentação o tenha feito escolher correr risco. — Klein deu um palpite.
Ao mesmo tempo, sentiu que era lamentável que Hood Eugen tivesse realmente se tornado um paciente mental. Isso comprometia muitas das informações que poderia ter obtido.
Ai ai… Até mesmo uma pessoa morta é melhor que um lunático. Posso usar rituais de mediunidade para fazer os mortos falarem, mas o que posso fazer com um louco? Certo, madame Daly uma vez tentou usar rituais mediúnicos para recordar minhas memorias perdidas. A teoria por trás dos rituais de mediunidade parece ter sido derivada dos Alquimistas da Psicologia… Isso significa que também posso usar rituais de mediunidade nos vivos e criar um cenário em que interajo diretamente com o espírito dele usando meu espírito… Me pergunto se Hood Eugen ainda seria louco nessas condições.
Infelizmente, não sou avançado o suficiente nesse campo, então acho que não seria capaz de fazê-lo… Vou chamar o mensageiro e perguntar à Madame Daly sobre isso primeiro, e ver se ela pode me fornecer alguma técnica. Se achar que apenas ela pode conseguir faze-lo, digo ao Capitão e peço que envie um telégrafo a Backlund para pedir assistência…
Definitivamente não estou adotando esse método problemático de ação apenas porque quero aprender a técnica e tentar o ritual de convocar o mensageiro…
Muitos pensamentos passaram pela mente de Klein antes que ele gradualmente os reduzisse a uma única linha de pensamento que pudesse resolver o problema.
Daxter Guderian aprovou seu palpite.
— A ganância sempre nos faz de idiota. Mesmo quando uma pessoa sabe que há apenas o abismo à sua frente, ainda tentará caminhar até a borda e dar uma olhada.
Isso se chama testar loucamente os limites do destino… — criticou Klein interiormente.
— Tente o seu melhor para tratar Hood Eugen depois de retornar ao asilo mental. Tente mantê-lo sóbrio por um período de tempo e obter pistas dele.
— Além disso, não esconda suas preocupações e ansiedade. Estabeleça mais conexões com os Alquimistas de Psicologia e exerça pressão sobre eles para resolver o problema de Hood Eugen. Essa é a reação mais normal e razoável.
Daxter assentiu seriamente.
— Vou tentar o meu melhor.
Klein não disse mais nada e, após alguma deliberação, perguntou:
— Houve alguma anormalidade no corpo de Hood Eugen recentemente? Por exemplo, escamas finas crescendo em algumas partes do corpo?
“Quase insanidade” e “perder o controle” eram descrições de níveis variados quando algo estava errado com Beyonders. As condições menos severas eram quando suas atitudes mudavam como se tivessem se tornado uma nova pessoa, mas ainda eram capazes de pensamentos e ações racionais. Isso era “quase insanidade”. A “insanidade” era mais grave, pois a pessoa perdia toda a lógica, tornando-se maníaca e era difícil de se comunicar. Os que não podiam ser salvos eram aqueles cujo corpo e mente se tornaram monstros, completamente “perdendo o controle”.
Às vezes, se o problema não fosse tratado prontamente, insanidade levaria à perda do controle.
Antes disso, para evitar expor o informante dentro dos Alquimistas da Psicologia, Dunn instruiu os Falcões Noturnos a não lidar imediatamente com Hood Eugen. Em vez disso, eles mudaram para vigilância para garantir que Hood Eugen não perdesse o controle. Mas se houvesse sinais dele perdendo o controle, eles teriam que lidar com isso imediatamente.
Daxter balançou a cabeça e soltou uma risada amarga.
— Não, você pode aliviar sua preocupação. Também tenho muito medo de que Hood Eugen perca o controle, por isso estou prestando muita atenção aos detalhes. Afinal, estou no asilo mental seis dias por semana.
Depois de trocar mais algumas palavras, eles deixaram o campo de tiro com dez minutos de diferença um do outro.
Klein reprimiu seu intenso desejo de dormir e pegou uma carruagem pública de volta à rua Narciso.
Ele abriu a porta e viu sua irmã sentada no sofá. Ela não estava lendo nem mexendo com peças de máquinas. Ela estava olhando fixamente para a frente como se tivesse perdido a alma.
Batendo suavemente seus molares, Klein ativou sua visão espiritual e perguntou, intrigado:
— Melissa, aconteceu alguma coisa?
Ela parece saudável com base nas cores de sua aura, não desnutrida como era antes…
Melissa retraiu o olhar e franziu os lábios, depois olhou para a cozinha que estava produzindo um pouco de barulho.
— Bella tem recomendado a maneira como sua família prepara o café da manhã em sua casa, ela disse que é muito delicioso. Concordei em deixá-la tentar esta manhã.
— Que método é esse? — Klein teve um sentimento sinistro.
— Cozinhar todas as sobras em uma panela e adicionar água e pão… — repetiu Melissa suavemente.
E-esta é a receita padrão para alimentos de origens desconhecidas… — Klein massageou a testa.
— E então?
— Não devemos desperdiçar comida… — Melissa mordeu os lábios e assentiu.
Irmã, eu sinto que você está questionando a vida… — Klein pigarreou e suprimiu o desejo de rir. Ele então perguntou:
— Onde está Benson?
— No banheiro. — Melissa se libertou de seu torpor, enquanto seus olhos recuperavam o brilho.
Naquele momento, ele ouviu os sons da descarga do banheiro. Benson saiu com um jornal na mão.
— Meu querido Klein, devemos lhe dar uma porção do café da manhã?
— Não, eu já comi. — Klein balançou a cabeça decisivamente, sentindo-se com sorte por ter marcado um encontro com Daxter pela manhã. Caso contrário, não teria convencido Rozanne a comprar café da manhã para ele.
— Que pena. Caso contrário, você mudaria sua opinião sobre minhas habilidades culinárias e ficaria cheio de confiança nelas. — Benson soltou uma risada em decepção.
Nesse momento, Melissa percebeu algo. Ela se virou para olhar para Klein e disse:
— Você voltou tarde hoje.
Irmã, seja mais inocente e animada. Não se preocupe comigo o tempo todo… O estado em que você estava agora era ótimo! — Klein sorriu imediatamente.
— Tenho boas notícias.
— Você passou no exame do departamento de polícia e pode obter um aumento? — Melissa perguntou sem pensar.
Benson também sorriu e assentiu.
— …
Klein pegou seu chapéu e ficou no canto da sala. Ele disse, animado:
— Como é que vou surpreender vocês assim?
Depois disso, ele acrescentou com uma tosse seca:
— Sim, meu salário aumentou bastante.
Ele escondeu seu recente aumento de quatro libras adicionais por semana. Ele pretendia guardar um pequeno cofrinho para si. Afinal, não podia confiar apenas no dinheiro da conta anonima. Além disso, mencionar que seu salário havia aumentado bastante era suficiente para assustar seus irmãos.
— Seis libras? — Melissa exclamou em choque, achando bizarro.
— Eu realmente preciso mudar de emprego. — Benson acariciou seus cabelos.
Com as informações que Klein lhe forneceu, ele vinha se esforçando muito em seus estudos.
Sem esperar que Klein falasse, Melissa disse com uma expressão alegre:
— Nesse caso, depois de deduzir nossas despesas normais, você poderá economizar dinheiro suficiente em dois ou três anos para atender aos padrões de um cavalheiro preparado para o casamento. Bem, foi Elizabeth quem me falou sobre os padrões.
— … — Klein disse perplexo, mas se divertindo:
— Isso é algo a ser considerado no futuro distante. Não deveríamos comemorar? Anuncio que, a partir de hoje, nosso alimento básico se tornará pão branco. Depois que minha carga de trabalho diminuir, experimentaremos iguarias de diferentes restaurantes.
Melissa olhou para ele e, como se não tivesse ouvido o que Klein havia dito, disse:
— Benson e eu vamos participar da missa na Catedral de Santa Selena, você quer vir?
Estou louvando a Deusa todos os dias… — Klein riu.
— Eu preciso recuperar o sono.
Ele dormiu até meio dia e meia. Depois de almoçar com Benson e Melissa, ele continuou sua missão de procurar todas as casas com chaminés vermelhas.
Quando era tarde da noite, ele selou seu quarto com espiritualidade e se preparou para experimentar o ritual de convocação do mensageiro da Guia Espiritual Daly.
Capítulo 176
Capítulo 176 – Carta
Para Klein, montar um ritual simples era tão fácil quanto respirar. Logo ele terminou de preparar os ingredientes e acendeu a vela que o representava.
Olhando para a luz tremeluzente das velas na mesa, Klein teve um pensamento engraçado por um motivo desconcertante.
Seria considerado uma vigília à luz de velas em minha memória?
Porra, o que diabos estou pensando!?
…
Ele controlou seus pensamentos e pegou o pó de flor negra podre que pertencia ao domínio da Morte e o jogou na vela, e logo em seguida ele sentiu um cheiro semelhante ao formaldeído de sua vida anterior.
Imediatamente depois, ele pingou o óleo essencial de lua cheia, um item preferido da Noite Eterna.
Em meio a um crepitar, seu ambiente subitamente ficou quieto e apareceu uma onda mágica e disforme.
Klein deu um passo para atrás e recitou suavemente em antigo Hermes:
— Eu!
Então, mudou para Hermes:
— Eu convoco em meu nome.
— O espírito que vagueia pelo infundado, a criatura de maior dimensão que um humano ordena, o mensageiro que pertence a Daly Simone.
Whoosh!
O vento uivou e a fraca luz das velas ficou manchada com um brilho azul.
Sob sua iluminação, a parede atrás da mesa produziu ondulações translúcidas e um rosto assustador apareceu. Além da boca, ele não tinha sobrancelhas, olhos nem nariz.
Seus lábios grossos se separaram e uma língua vermelha e longa se estendeu. Havia dentes afiados e irregulares em sua boca. Além disso, a ponta da língua tinha cinco dedos delicados. Eles estavam constantemente se estendendo e retraindo, como se estivessem esperando uma entrega.
Este é o mensageiro de Daly? Comparado com o do Sr. Azik, é como uma criança. Não, não consigo determinar com precisão suas diferenças. Sim, um é um gigante adulto e o outro é um bebê humano… Gostaria de saber se é devido ao item mágico, ou se representa a força do Sr. Azik? Tenho que reavaliar minha compreensão dele. Talvez ele seja um Beyonder de alta Sequência…
Droga, me esqueci. Na carta, eu deveria ter perguntado a Madame Daly os nomes das Sequências 4 e 3 do caminho Coletor de Cadáveres. Sr. Azik provavelmente pertence a tal caminho. Claro, ele pode não ter avançado através de poções, talvez seja um gene transmitido de seus ancestrais… Vou perguntar da próxima vez, o mensageiro está esperando…
Klein o olhou seriamente por um tempo e passou o papel cuidadosamente dobrado para a “mão” do mensageiro. Então, ele viu como a mão a segurava com força.
Whoosh!
O mensageiro retraiu a língua e engoliu a carta. O rosto translúcido, assustador e que se contorcia entrou de volta na parede e desapareceu.
Eu tenho que dizer, essa mágica é bem legal. Bastante conveniente também, mas não pode ser espalhada por aí… — Klein olhou para a luz das velas, que havia retornado ao normal, balançou a cabeça e terminou o ritual.
Backlund, Burgo Imperatriz. Segunda-feira de manhã.
Em um canto escondido do jardim municipal construído pelo duque
Negan, Xio Derecha, com seus cabelos loiros despenteados, e Fors Wall, com sua postura lânguida, estavam olhando boquiabertas para o contato diante delas, atordoadas. Elas ficaram momentaneamente perdidas em qual idioma usar para uma saudação.
A pequena Xio, que tinha um pouco mais de um metro e meio de altura, olhou para a golden retriever que havia estendido a língua e balançava a cauda. Ela ajeitou seu traje de cavaleira em treinamento e ponderou suas palavras antes de dizer:
— Você é a mensageira da senhorita Audrey?
— Ó minha Deusa, por que estou perguntando a um cachorro tão a sério…
Fors estava segurando um cigarro fino com os dedos enquanto ria.
— Talvez seja uma criatura mágica?
— Eu nunca vi uma criatura mágica que se parece tanto com um cachorro… — respondeu Xio com toda a seriedade.
Susie se sentou e fechou a boca. Ela então apontou para sua barriga com a pata.
Havia uma bolsa de couro amarrada ao redor do corpo do cachorro em meio ao longo pêlo dourado.
Xio olhou para a esquerda e direita, certificando-se de que não havia ninguém observando e se aproximou rapidamente. Ela se abaixou e tirou a bolsa do animal.
Fors assistiu com curiosidade e sua expressão de repente ficou estranha.
— É feito de pele de crocodilo e parece o trabalho do designer de moda, Sr. Sades… Ela está usando uma bolsa dessas para a transação…
— … Em outras palavras, é muito cara? — Xio levantou a bolsa de couro.
Fors franziu os lábios com força e assentiu seriamente.
Xio instantaneamente diminuiu sua velocidade de maneira exagerada. Ela cuidadosamente abriu o zíper e tirou a carta de dentro, como se estivesse carregando um vaso antigo nas mãos.
Depois de ler, ela passou a carta para Fors.
Fors a queimou com o cigarro depois de ler cuidadosamente. Ela assistiu o papel se transformar em cinzas e se espalhar pelo solo.
— Não há informações extras fornecidas. — Xio fez uma careta inconscientemente. Ela pegou um papel dobrado com cuidado do bolso de seu traje de cavaleiro, olhou para Susie de uma maneira imponente e encorajou subconscientemente:
— Este é o relatório da investigação dos últimos dias. Você deve dar isso diretamente para a senhorita Audrey Hall.
Susie estremeceu e ficou ereta, seu rabo balançando vigorosamente.
Xio assentiu com satisfação, colocou a pilha de papéis na bolsa de couro e a amarrou novamente em volta de Susie.
Susie uivou e saiu correndo muito rapidamente.
Na luxuosa vila da família Hall.
Audrey estava sentada no sofá da sua própria sala de estar. Ela estava segurando um abridor de cartas, tentando abrir o envelope diante dela.
Era uma carta enviada por um de seus irmãos do Império Balam, no Continente Sul. Havia um pacote que acompanhava a carta.
Naquele momento, ela viu Susie abrir a porta entreaberta. A cadela se aproximou rapidamente.
Susie se sentou no tapete diante de Audrey e deu uma patada na bolsa de couro.
— Você realmente é uma excelente mensageira! — Audrey não era mesquinha com seus elogios.
Susie olhou de volta para a porta, induziu vibrações no ar e disse suavemente:
— Sua amiga é muito séria. Quando a vi, ela me lembrou quando um caçador veio nos treinar.
Ela havia sido um presente de cortesia de quando o Conde Hall comprou cães de caça.
Susie, seu Loen está ficando cada vez mais fluente. Existem apenas alguns problemas com sua lógica no uso da linguagem… — Audrey observou sua golden retriever tirar a bolsa sozinha e habilmente abrir o zíper.
Ela olhou para Susie e imediatamente entendeu. Ela se levantou e correu para trancar a porta.
“… Até agora não há resultados, mas descobrimos que alguns mendigos desapareceram ao redor do bairro da Ponte Backlund. No entanto, não podemos ter certeza de que é Qilangos. Talvez os mendigos tenham mudado de repente seus padrões de movimento…”
Audrey folheou o relatório da investigação e se perguntou seriamente como deveria responder a Xio e Fors.
Vou dizer a Xio que, se ela puder rastrear o contra-almirante Furacão, Qilangos, comprarei a fórmula de poção Xerife para ela… Não, isso não é amigável o suficiente. Isso a faria sentir um complexo de inferioridade. Sim, direi: “Xio, preparei sua recompensa. Contanto que você possa concluir a tarefa, quatrocentas e cinquenta libras serão suas… Ai ai, quanto aos ingredientes principais da fórmula de Telepata, eu só encontrei o líquido espinhal de um coelho Farsman. Ainda preciso da glândula pituitária completa de uma salamandra arco-íris… Glaint, Xio e Fors ainda não a encontraram…
Audrey, anime-se. Pelo menos você digeriu completamente a poção Espectador!
Depois de reunir todos os ingredientes, você se tornará uma Beyonder Sequência 8!
…
Audrey controlou seus pensamentos, pegou uma caneta e um papel e rapidamente escreveu uma resposta. Ela então colocou o papel de volta na bolsa de couro e confiou a Susie para fazer outra viagem.
Ela observou sua golden retriever enquanto abria a carta que seu irmão havia enviado. Ela leu com um sorriso.
“Minha querida irmã,
Acho que você também deveria vir para o Continente Sul. Venha para as regiões colonizadas do Império Balam. Há luz solar abundante, ar fresco, um ambiente limpo, frutos do mar frescos, várias culturas únicas e as pessoas amáveis e obedientes de Balam, que fazem bons servos, além do cheiro de liberdade.”
“Pelo contrário, Backlund é frio e úmido, o ar é ruim, sempre há poeira e é sempre sombrio. Além disso, é altamente populado, o que leva a todos os tipos de problemas. Hmm, e os inúmeros bailes, banquetes e salões… Os eventos sociais são tão chatos e insípidos que eu não gostaria de ficar por nem um minuto. Querida irmã, acredito que você compartilha do mesmo sentimento.”
“Eu não estou fugindo de casa. Estou apenas procurando meu próprio lugar na vida, mas nosso irmão definitivamente não pensa assim. Ele sempre foi uma pessoa egoísta. É claro, ele não seria mesquinho com você, porque você só pode reivindicar uma pequena parte da riqueza da família, enquanto eu seria sua maior competição na luta pela herança entre os nobres. Afinal, nosso pai é um duque que tem uma visão de longo prazo. Ele definitivamente não se restringiria à regra de que o irmão mais velho herdará o posto de nobreza.”
“Enquanto achar necessário, ele faria qualquer coisa. Assim como quando ele vendeu metade das terras agrícolas e pastagens para entrar no setor bancário, independentemente da forte oposição.”
“Às vezes sinto falta de Backlund, principalmente do pai, mãe e você. Sinto falta do sorriso que você colocou no meu rosto durante esses poucos anos. Você deve ter se tornado a joia mais deslumbrante de Backlund, mas, infelizmente, só poderei voltar daqui a dois anos. Uma carreira é o orgulho de um homem, enquanto os jovens excepcionais no Reino Loen tratam o mundo como seu palco.”
…
“Você pode dizer à nossa querida tia que as regiões costeiras do Império Balam são muito adequadas para férias, e especialmente adequadas para ela, considerando como suas articulações doem e incham no inverno. Sinceramente, a convido para ser minha convidada. Se você puder vir com ela, seria ainda melhor.”
…
“Eu não te enviei muitos presentes. São principalmente coisas ricas com as tradições e estilos de Balam, como a seda amarela única e os ornamentos cheios de traços relacionados ao culto à Morte.
Lembrei que você amava coisas relacionadas ao misticismo, então vou procurar para você. A cultura aqui é cheia de mistério.”
…
Depois de ler a carta, Audrey pegou uma caneta, papel e uma prancheta para escrever. Ela se recostou no sofá, franziu os lábios e escreveu seriamente: “Meu querido Alfred,
Embora tenha passado menos de um ano, a garotinha em suas memórias cresceu. Eu não gosto mais de misticismo, então você não precisa procurar por esse tipo de coisa.”
Porque é muito perigoso… — Audrey encheu as bochechas e acrescentou em sua mente.
Ela ouviu falar de muitas tragédias relacionadas a objetos misteriosos ao participar dos encontros Beyonder e de histórias que Xio e Fors contaram.
Ela pensou e declarou entusiasmada: “Agora estou interessado em biologia. Recentemente, fiquei admirada com a salamandra arcoíris. Você pode procurar e descobrir onde posso encontrar uma dessas criaturas, ou se há um cadáver completo que foi preservado?”
Capítulo 177
Capítulo 177 – Mudança repentina de eventos
Audrey parou de escrever após terminar de compartilhar algumas notícias e escândalos interessantes sobre aristocratas, e então adotou uma pose séria ao se lembrar de algo.
Com sua memória excepcional de Espectador, ela organizou em parágrafos as informações que recebeu dos ensinamentos de seu pai, bem como as notícias que ouvia durante banquetes e visitas.
Depois de criar um rascunho em sua cabeça, Audrey escreveu: “Quanto à situação política em Backlund sobre a qual você perguntou, não está na minha área de interesse. Só posso descrever com base em minhas próprias impressões e nos detalhes que conheço.”
“Há algum tempo, papai me disse que, após a abolição da Lei dos Grãos, os preços das colheitas estavam caindo rapidamente. O aluguel de terras agrícolas e pastagens também estava em queda, mas não sei a magnitude exata. Só posso explicar com este exemplo.”
“Como você sabe, Duke Negan é um aristocrata que possui mais terras fora da família real. Dizem que ele é dono de mais de 12.000.000 libras em terras agrícolas, pastagens e florestas. No ano passado, suas terras lhe renderam um histórico, de 1.300.000 libras de aluguel. Mas este ano, a previsão é de que o aluguel seja de apenas 850.000 libras, um total de 450.000 libras a menos. Isso é mais do que a totalidade a qual tenho direito.”
“Sem mais explicações minhas, tenho certeza de que meu querido irmão entenderá o comportamento da maioria dos nobres antiquados. Eles têm orgulho de ser proprietários de terras e sua renda é derivada principalmente de aluguel. Eles enfatizam bastante sua aparência e manteriam seu estilo de vida atual, mesmo que precisassem se endividar. Eles gastam dezenas de milhares de libras a cada ano na manutenção de seus castelos, muitos outros milhares em roupas e jóias, bem como em suas persistentes atividades de caça, banquetes sociais e ocasionais casamentos e funerais luxuosos, etc., etc.”
“Com a diminuição do aluguel, de acordo com o que sei, boa parte dos nobres está enfrentando dificuldades financeiras. Por causa disso, o Conde Wolfe vendeu 84.000 ares de terra no campo e recebeu 29.000 libras como pagamento. Visconde Conrad também vendeu sua coleção de arte no valor de 55.000 libras para uma galeria de arte nacional.”
“Fora alguns nobres visionários que há muito tempo mudaram seu foco para as indústrias de aço, carvão, ferrovias, bancos e borracha, o restante dos nobres foi severamente afetado pela Lei dos Grãos. Vamos louvar o nosso querido Conde Hall!”
“Papai me disse que o problema financeiro afrouxará o controle que os nobres têm sobre a política. Como você pode imaginar, o número de ministros com sangue azul diminuirá a partir do próximo ano.”
“Em uma tentativa de garantir financiamento, o Partido Conservador e o Novo Partido prometeram outorgar a qualquer um os títulos de nobres, desde que doem uma quantidade suficiente de dinheiro e não possuam registros criminais. Obviamente, a ressalva é que a pessoa que doou o dinheiro deve possuir uma quantidade de terra condizente com a de um nobre.”
“Um exemplo é o rico Sr. Syndras. Ele comprou a menor área de terra necessária para um barão, 60.000 ares, então doou 100.000 libras para o Clube Carleton e 400.000 libras para o Partido Conservador e doações para caridade no valor de 300.000 libras. Finalmente, ele conseguiu receber concessão de Sua Majestade e tornou-se um barão altamente respeitado. Ouvi dizer que há uma lista de preços para isso: 300.000 libras para se tornar barão e 700.000 a 1.000.000 libras para um barão hereditário. Não existe um preço claro para o título de visconde ou conde, mas tenho certeza de que são suficientemente ridículos.”
…
“Este ano, muitos nobres que enfrentam dificuldades financeiras estão começando a considerar seriamente a possibilidade de casamentos com comerciantes ricos. Já houve três casamentos deste tipo nos últimos dois meses. Os presentes de noivado que as mulheres nobres receberam são algo de se invejar.”
“Além disso, os trabalhadores que protestaram contra a Lei dos Grãos experimentaram uma diminuição no custo de vida, mas a qualidade de suas vidas não melhorou. Em vez disso, parece ter se deteriorado quando os agricultores falidos entraram na cidade e roubaram seus empregos, solicitando salários mais baixos. Então, os salários dos trabalhadores estão caindo rapidamente.”
“Me lembro do dia em que Papai me perguntou quem eu achava que era o vencedor da Lei dos Grãos.”
“Meu caro Alfred, você deve saber a resposta. Você seria definitivamente capaz de obter um título hereditário de barão através de seus próprios esforços.”
Xio Derecha e Fors Wall estavam retornando ao bairro da Ponte Backlund depois de receberem a resposta de Audrey.
Xio, com seu cabelo loiro bagunçado, estava olhando pela janela da carruagem, seus olhos brilhavam como duas bolas de fogo ardentes.
Ela murmurou o termo “450 libras” para si mesma repetidamente, como se estivesse recitando um encantamento. Sua força e coragem aumentavam cada vez que repetia as palavras.
— Darkholme não informou o status da investigação hoje. Vamos fazer uma viagem para a casa dele! — Xio de repente se virou para olhar para Fors.
Darkholme era o líder de uma tríade no bairro leste de Backlund e tinha controle sobre muitos mendigos e ladrões.
Mesmo que parecesse muito amigável, com seu rosto gordinho eternamente adornado com um sorriso caloroso e amável, Xio sabia que ele era um canalha impiedoso. Uma vez, ele quebrou o braço de um ladrão de treze anos porque o garoto havia escondido seu lucro.
A menos que fosse necessário, Xio não estava disposta a encontrar Darkholme, mas Darkholme era uma das poucas pessoas que estavam mais familiarizadas com os vagabundos da cidade.
Fors colocou os cabelos levemente encaracolados atrás da orelha.
— Contanto que não atrase meu almoço.
— OK. Talvez eu possa te levar para um banquete Intis depois desta semana! — prometeu Xio em satisfação.
— Devo agradecer a Deus? — perguntou Fors enquanto ria.
Diferente de Xio, Fors era uma crente moderada no Deus do Vapor e da Maquinaria.
Enquanto conversavam, as duas damas pegaram outra carruagem pública e foram ao burgo leste de Backlund, chegando à casa de Darkholme.
Era uma casa geminada, localizada em um beco estreito. Havia plantas verdes penduradas nas paredes, o exterior parecia relativamente mal cuidado.
Xio foi até a porta, levantou a mão direita e bateu com um ritmo único.
A porta destrancada se abriu com um rangido seguindo suas batidas.
A expressão aparentemente confusa de Xio imediatamente se tornou severa, como a de um leão cauteloso.
Ela pegou uma baioneta que carregava consigo e abriu a porta com cautela, entrando lentamente.
Fors também perdeu sua aparência de indiferença, tendo arranjado uma adaga de origens desconhecidas.
Elas não sentiram nenhum aroma peculiar, mas sua rica experiência lhes dizia que algo estava errado.
Um passo, dois passos, três passos. Xio e Fors entraram na casa de Darkholme.
Então viram um membro pálido em uma lâmpada a gás, órgãos internos em uma mesa de café, bem como tiras e tiras de carne espalhadas no chão e penduradas no cabideiro!
Pedaços de osso sem nenhuma carne estavam empilhados perto da porta.
E entre os ossos havia uma cabeça, os olhos vazios abertos. Não era outro senão Darkholme.
Seu rosto gordinho ainda mantinha o sorriso amável, como se tudo estivesse normal. Além disso, não havia cheiro de sangue na casa.
Como ex-médica clínica antes de se tornar autora de best-sellers e Beyonder Sequência 9, Fors viu muitas cenas de morte mais nojentas que essa. Ela deu um tapinha na tensa Xio, que estava à beira de vomitar, enquanto examinava os arredores.
— Qilangos? Contra-Almirante Furacão Qilangos?
— Ele percebeu que Darkholme estava investigando os mendigos desaparecidos e o seguiu de volta para sua casa?
— Ou talvez Darkholme o localizou, mas acabou sendo pego?
Xio lutou contra o desejo de vomitar e disse com uma expressão séria:
— Ele certamente faz jus ao seu nome como um almirante pirata impiedoso e astuto. A estranheza aqui também se encaixa na descrição de seu tesouro.
— Astuto… — Fors ficou subitamente alarmada e disse:
— Poderia estar esperando nas proximidades em uma emboscada contra o responsável por trás das investigações?
Xio congelou por um momento antes de responder, agitada:
— Isso é altamente provável!
Ele era um Abençoado pelo Vento de Sequência 6, um pirata poderoso com um artefato místico, enquanto elas eram apenas Sequência 9!
Este era um contraste extremamente simples e fácil!
…
Na casa em frente à casa de Darkholme, um homem com um queixo largo único e olhos verdes escuros na casa dos trinta estava parado junto à janela, observando friamente Xio e Fors e sua entrada lenta pela abertura da porta.
Não era outro senão o Contra-almirante Furacão Qilangos!
A luva negra em sua mão esquerda tremia como se estivesse viva. Uma camada de escamas douradas opacas apareceu em sua superfície.
Qilangos revelou uma expressão cruel e alegre, e seus olhos verdes escuros ficaram dourados e indiferentes.
…
No momento em que Fors percebeu isso, ela arrastou Xio para o outro lado e evitou a área do lado da porta principal.
Ela então cerrou seus dentes brancos e pegou uma pulseira que estava escondida pelas suas mangas. Esta pulseira de prata tinha três pedras grosseiras, verde-escuras, ásperas e irregulares que mostravam sinais de queimaduras.
Fors pegou uma das pedras e recitou baixo em antigo Hermes:
— Porta!
Ela se agarrou Xio Derecha com força quando a pedra soltou um leve brilho azul.
As figuras das duas damas ficaram indistintas, quase invisíveis.
Elas viram muitas formas que consideraram difíceis de descrever. Havia até objetos transparentes que pareciam não existir. Viram cores diferentes, esplendores lustrosos que pareciam possuir imenso conhecimento. Elas haviam entrado no misterioso mundo espiritual.
Nesse mundo estranho que se diferenciava da realidade, Fors seguiu em uma direção específica enquanto puxava Xio.
Segundos depois, elas deixaram seus estados indistintos e voltaram à realidade, para Backlund.
Agora não estavam mais na casa de Darkholme, mas chegaram a um cemitério vazio.
Qilangos, que usava a luva escamada, apareceu silenciosamente na porta da casa de Darkholme. Ele varreu o interior com seu olhar frio.
Ele congelou por um momento, depois enrugou as sobrancelhas enquanto murmurava para si mesmo:
— Um Viajante?
No cemitério.
— O que é que vamos fazer agora? — Fors ofegou, compreendendo sua situação e sentindo uma sensação persistente de medo.
A pulseira era um item místico que havia recebido junto com a fórmula de Aprendiz e seus materiais correspondentes durante um encontro fortuito. Fora fazê-la ouvir murmúrios estranhos e fracos durante a lua cheia todos os meses, não representava ameaça.
Havia originalmente cinco pedras no bracelete, cada uma delas permitindo que atravessasse o mundo espiritual, tecnicamente permitindo que ela se teletransportasse. Mas agora, restavam apenas duas pedras.
Xio se acalmou e assentiu solenemente.
— Primeiro notifique a Srta. Audrey, de-depois chamamos a polícia!
Capítulo 178
Capítulo 178 – As Ideias Subsequentes
— Chamar a polícia? — repetiu Fors Wall, surpresa.
Para Beyonders, fazer um boletim de ocorrência parecia ser algo de outro mundo.
Xio andou de um lado para o outro enquanto puxava seus grossos cabelos loiros.
— A cena da morte de Darkholme é angustiante e assustadora. Desde que a polícia não seja cega, eles definitivamente repassariam o caso para os Punidores a Mandato, Falcões Noturnos, Consiência Coletiva das Máquinas ou para o departamento especial das forças armadas. Quando isso acontecer, podemos vazar mais algumas informações e informá-los que o assassino é Qilangos. Nesse ponto, a cidade inteira estará atrás dele.
— Nosso objetivo é apenas localizar Qilangos, não capturá-lo. Com a “ajuda” de tantos Beyonders, as coisas se tornariam muito mais simples e seguras. Quando Qilangos entrar em pânico e cometer um erro, será nossa chance de reivindicar nossa recompensa. Heh heh, estou me referindo à descoberta de seu paradeiro.
Xio deu uma risada seca e olhou para a horrorizada Fors.
— Você acha que a única maneira que eu sei lidar com os problemas é enfrentando de cara? A diferença entre nós e Qilangos é tão vasta quanto a Baía Desi.
Fors assentiu lentamente e disse:
— Seu entendimento de si mesma é absolutamente correto. Você fez muitas coisas de natureza semelhante. Portanto, as perdas que você sofreu são suficientes para avançar para a Sequência 8.
— Felizmente, você ainda é racional o suficiente em relação a isso.
Xio abaixou a cabeça para olhar sua baioneta. Ela pensou por um momento e disse:
— … Eu tenho que ser honesta. Claramente senti a aproximação da Morte agora pouco. Qilangos sem dúvida estava por perto. Era uma aura perversa o suficiente para nos destruir a qualquer momento. Isso desencadeou uma resposta instintiva em mim.
Fors estava com seu bracelete de prata que ainda tinha duas pedras e pensou seriamente.
— Eu concordo com a sua ideia. Vamos informar a Srta. Audrey primeiro e depois fazer o boletim de ocorrência da polícia.
— Sim, independentemente de Darkholme ou seus subordinados encontrarem vestígios de Qilangos, poderíamos continuar investigando com essa abordagem e descobrir o alcance das atividades de Qilangos e a localização de sua residência.
Xio franziu as sobrancelhas loiras e disse:
— Mas Qilangos definitivamente não permaneceria no mesmo lugar.
Mesmo sendo um dos Sete Almirantes Piratas, mesmo que tivesse a ajuda de um artefato místico, Qilangos precisava ser extremamente cuidadoso em Backlund.
Até mesmo Nast, o Rei dos Cinco Mares, já havia encontrado um desastre aqui e quase foi pego.
— Não, o que eu quis dizer foi supor ou confirmar o propósito da visita de Qilangos a Backlund com base nas pistas. Quando soubermos o que está tentando fazer, não importa como ele se disfarce ou que truques use, no final ele será exposto. Então, nossa missão estaria cumprida — explicou Fors em detalhes. — Dois anos de experiência em escrever romances me dizem que as coisas se tornariam simples quando entendermos o cerne da questão.
Xio olhou para sua melhor amiga em choque. Ela não podia acreditar que a mulher tinha acabado de fazer uma declaração tão lógica.
— Eu sou diferente de você. Apenas tenho preguiça de pensar, enquanto você pensa com os músculos. — Fors franziu os lábios, inclinou a cabeça para o lado e sorriu.
— Me provocar não te faz mais esperta… — Xio tentou ajeitar seus poucos fios de cabelo loiro que estavam bagunçados. — Tudo bem, vamos para o burgo Imperatriz contar à Srta. Audrey sobre isso.
Fors assentiu levemente e disse:
— Então, qual é o nosso método de contato de emergência com a senhorita Audrey?
Xio ficou momentaneamente perdida. Ela olhou ao longe para a lápide enquanto dizia:
— Ela me disse que sua cadela de estimação, que vimos anteriormente, anda sozinha pelo menos cinco vezes por dia. Bem, a próxima caminhada deve ser depois do almoço.
— Em outras palavras, temos que ficar vagando suspeitamente do lado de fora da luxuosa mansão do conde Hall? — O canto dos lábios de Fors se contraiu.
Xio de repente olhou de soslaio e revelou um sorriso adulador:
— Ou você prefere apenas entrar escondida, Fors?
— Eu não acho que isso seria difícil para você. É nisso que você é boa.
— Um conde hereditário há séculos, um dos parlamentares mais influentes da Câmara dos Lordes, o maior acionista do Banco Varvat, o quarto maior acionista do Banco de Backlund, consultor especial do Banco Real de Loen, o terceiro maior acionista do
Banco Suchit na República Intis, o segundo maior acionista do Consórcio Constant de Carvão e Aço, e assim por diante. Estes são os títulos do pai da senhorita Audrey. Xio, use seu cérebro; como um homem assim poderia não empregar nenhum Beyonder? Você acha que ele não teria nenhuma “coleção premiada”? É diferente daqueles viscondes e barões pobres! — Fors respondeu exasperada. — Juro em nome de Deus que, se eu entrasse escondida, seria descoberta e apanhada em cinco minutos.
Xio assentiu continuamente.
— Então vamos esperar pela golden retriever…
Dito isso, ela liderou o caminho. Depois de dar alguns passos à frente, ela disse de costas para Fors:
— Uh, bem, eu compensarei suas perdas e os danos no futuro. Claro, estou me referindo à pedra.
Ao ouvir isso, o canto dos lábios de Fors se levantou, e ela disse:
— Eu estava me salvando.
— E, Xio, você está indo para o lado errado!
— Deus, se você fosse uma Aprendiz e no futuro acabasse se tornando uma Viajante, seria um desastre!
…
Fora da luxuosa mansão do Conde Hall.
Xio e Fors se esconderam atrás de um guarda-sol Intis e observaram secretamente seu edifício alvo em silêncio, observando as pessoas caminhando de um lado para o outro.
Depois de Deus sabe quanto tempo, elas finalmente viram a golden retriever sair de um buraco escondido embaixo da parede. Ela levantou as orelhas e olhou para a esquerda e direita, parecendo muito cautelosa.
No momento em que Susie começou a andar alegremente, um cachorro preto apareceu do nada. Ele mostrou interesse em Susie e começou a correr em círculos.
— É a primeira vez que vejo um cachorro mostrar uma reação tão humana. Quanto que ela odeia aquele cachorro preto? — Xio suspirou.
Ela percebeu pelo olhar e expressão facial de Susie que havia óbvio desgosto.
Fors sorriu e disse:
— É como encontrar um imprudente, repugnante e persistente safado.
Vendo Susie tentando acelerar para escapar da perseguição do cachorro preto, Xio se levantou para administrar “Justiça”.
— Minha decisão é que você a deixe em paz! — Xio gritou com uma expressão de solenidade.
O cachorro preto foi pego de surpresa e imediatamente se afastou com o rabo entre as pernas.
Susie deixou escapar um suspiro de alívio e diminuiu a velocidade. Latiu educadamente e abanou o rabo.
Essa foi por pouco, eu quase disse “obrigada” a elas… — pensou a golden retriever com alegria.
Teria sido uma situação muito embaraçosa…
…
Uma música melódica parou lentamente e Audrey pegou as informações mais recentes que Xio e Fors haviam fornecido e leu com as sobrancelhas franzidas.
Ela fechou a tampa do piano e se levantou elegantemente. Ela andou de um lado para o outro em sua sala de piano e considerou suas próximas ações.
Qilangos é um homem muito perigoso… Se Xio e Fors continuassem investigando, poderiam acabar em perigo… Pode até mesmo me expor… Sim, devo apenas seguir sua sugestão. Ah, sim, faltam mais duas horas para o Clube de Tarô. Eu me pergunto o que o Sr. Louco sugeriria? Se ele ainda não estiver interessado, discutirei com cuidado com o Enforcado… — Audrey gradualmente se acalmou.
Foi a primeira vez que ela encontrou uma situação tão perigosa. Já havia uma morte!
…
Três da tarde.
A visão de Audrey se recuperou de um estado carmesim e embaçado antes de ver a névoa cinza sem limites que não pertencia à realidade, o palácio imponente que parecia a casa de um gigante, a longa e antiga mesa de bronze manchado e o Louco, sempre envolvido por uma espessa camada de névoa. Por fim, ela viu o Enforcado e o Sol.
Naquele momento, as emoções tensas e ansiosas de Audrey pareciam relaxar, ela se sentia tão segura, tão calma.
Estou participando do Clube de Tarô, que não pertence ao mundo material, e estou lidando com o Sr. Louco, que é quase um deus. Qilangos e eu estamos em diferentes níveis… — Audrey sentou-se em uma posição ereta com orgulho. Ela levantou um pouco o queixo e cumprimentou alegremente:
— Boa tarde, Sr. Louco! Boa tarde, Sr. Enforcado! Boa tarde, Sr. Sol.
Depois que se cumprimentaram, Klein viu que a senhorita Justiça estava indicando seu desejo de falar; portanto, ele assentiu levemente para expressar sua permissão.
— Ilustre Sr. Louco, me pergunto se o seu adorador recebeu a compensação de 300 libras? —perguntou Audrey, reprimindo seu desejo de falar sobre Qilangos enquanto mostrava preocupação com o adorador de seu líder.
Klein sorriu e disse:
— Não prestei muita atenção nesse assunto. Mas como meu adorador não pediu ajuda adicional, suponho que já tenha recebido.
Sim, verifiquei várias vezes. Há 300 libras na minha conta bancária anônima… — Klein acrescentou alegre em sua mente.
— Ótimo. — Audrey relaxou e olhou para frente. — Sr. Enforcado, houve progresso em relação a Qilangos.
Alger de repente se endireitou. Ele não conseguiu esconder sua emoção quando perguntou:
— Onde ele está?
— Infelizmente, ele percebeu nossas investigações logo depois que descobrimos seus rastros. Ele matou um dos funcionários envolvidos. — Audrey repetiu os principais pontos da história de Xio e Fors e explicou o próximo plano em detalhes.
Alger assentiu levemente e disse:
— Vou prestar bastante atenção.
Então, ele se virou para o lado e olhou em direção ao assento de honra da longa mesa de bronze. Sob o olhar vago de Sol, Derrick, que ouviu, mas não entendeu nada, ele disse:
— Ilustre Sr. Louco, se eu descobrir a verdadeira intenção de Qilangos e o item muito importante e mágico que ele pretende obter, permita-me recitar seu nome e informá-lo através do ritual.
Ele não repetiu seu pedido para que o adorador do Louco o ajudasse. Como ele pediu antes e o Louco havia respondido, não havia necessidade de insistir sobre o assunto. Caso contrário, poderia provocar o deus.
Por isso, Alger deixou claro que sua intenção era apenas relatar suas descobertas.
Se a tentação final fosse suficiente, ele acreditava que o adorador do Sr. Louco definitivamente apareceria.
Isso funciona? — Audrey arregalou os olhos.
Eu também deveria ter pedido o direito de relatar. Talvez eu consiga obter orientação do Sr. Louco ocasionalmente… — Ela pensou em arrependimento.
Sob o olhar de todos, Klein recostou-se na cadeira e assentiu levemente. Ele respondeu lentamente:
— Você pode.
Capítulo 179
Capítulo 179 – Elogiando o Sr. Louco
Alger deu um suspiro de alívio quando ouviu a resposta do Louco. Ele abaixou a cabeça e disse humildemente:
— Por favor, permita-me agradecer antecipadamente.
Isso porque eu também estou curioso… curioso sobre o item que Qilangos está procurando. Quero saber sobre o item que pode permitir um Abençoado pelo Vento Sequência 6 ter a força de um Sequência 4… Também estou curioso sobre o que um almirante pirata fará em Backlund… — Klein sorriu, mantendo sua postura de autoridade.
Não é como se eu tivesse prometido ajudar depois de ouvir suas orações! — Ele enfatizou em seu coração.
Mas agora, estava muito mais confiante que antes. Agora, ele tinha aliados reais e o misterioso Sr. Azik, que estava atualmente em Backlund.
Se fosse absolutamente necessário, Klein estava disposto a usar o apito de bronze para obter a ajuda de Azik. Claro, ele definitivamente não mencionaria o Clube de Tarô. Ele provavelmente diria que obteve informações de alguma fonte aleatória.
Porém, ainda havia dois problemas nisso. Primeiro, Klein estava limitado apenas a um relacionamento de cooperação com Azik. Azik não necessariamente forneceria assistência, a menos que ele estivesse interessado no que Qilangos estava fazendo ou no item místico que estava procurando.
Segundo, Klein não tinha certeza do quão poderoso Azik era. Mesmo que assumisse que Azik era um Beyonder de alta Sequência, ele deveria considerar o fato de que sua perda de memória poderia ter enfraquecido suas habilidades. Afinal, o conhecimento era geralmente igualado ao poder, e a falta de conhecimento definitivamente diminuiria o poder de Azik.
Se fosse esse o caso, Klein não poderia garantir que Azik poderia lidar com Qilangos, especialmente com ele empunhando a Fome Furtiva. Klein estava com medo de colocar Azik em perigo, por isso não estava disposto a incomodá-lo, a menos que fosse absolutamente necessário.
Agora que penso nisso, o aterrorizante mensageiro do Sr. Azik pode ser convocado com o apito de bronze… Não, aquilo não parece um mensageiro; poderia assumir o papel de um chefe do mal! Portanto, mesmo que o Sr. Azik não consiga derrotar Qilangos fortalecido pela Fome Furtiva, ele deve ser capaz de se defender facilmente e ter poder suficiente para salvar o Enforcado, a Srta. Justiça e seus parceiros… — Klein mudou de postura enquanto pensava, ainda encostado na cadeira. Ele apoiou a perna direita sobre a esquerda.
O Enforcado Alger olhou para o Louco e falou mais uma vez:
— Estou prestes a receber um lote de páginas do diário do Imperador Roselle. Acredito que posso apresentá-las a você na próxima reunião ou na reunião seguinte.
De acordo com o arranjo da Igreja do Senhor das Tempestades, Porto Pritz estava sob a jurisdição da diocese de Backlund. Então, Alger poderia entrar na capital e esperar que o contra-almirante Furacão Qilangos aparecesse sob o pretexto de relatar sobre sua viagem anterior.
Backlund havia sido a sede da Igreja do Senhor das Tempestades até o final da última época, tendo transferido seu altar sagrado para a Ilha Pasu somente após o estabelecimento do Reino Loen. Independentemente disso, o status da Igreja do Senhor das Tempestades em Backlund estava atrás apenas da sede das Sete Grandes Igrejas. Pode-se imaginar as informações que a Igreja do Senhor das Tempestades possuía.
Nessas circunstâncias, Alger estava confiante de que seria capaz de coletar páginas do diário do Imperador Roselle para fins de pesquisa. Afinal, no momento elas eram indecifráveis.
Klein permitiu que a alegria colorisse seu tom, enquanto dizia com um suave aceno de cabeça:
— Muito bom.
O que realmente estava sentindo agora era uma mistura de alegria e preocupação. Ele ficou feliz por ver várias páginas do diário do imperador Roselle em breve. Poderiam conter muitas informações úteis, mas ele também estava preocupado com o que tinha que dar em troca ao Enforcado. Afinal, ninguém sabia se o Enforcado estaria interessado no conteúdo do diário, ou se o conteúdo era valioso o suficiente.
Mesmo um Vidente é incapaz de determinar isso com antecedência… Devo realmente deixar meu “adorador” ajudá-lo? — Klein deu um suspiro silencioso.
Audrey Hall falou às pressas quando viu a conversa entre o Enforcado e o Louco.
— Ilustre Sr. Louco, posso recitar seu nome e informá-lo usando um ritual se receber informações oportunas e úteis?
Bem a tempo… Veja, a escolha de palavras da Srta. Justiça é tão refinada. Comparado a ela, você é muito vulgar, Enforcado! — Klein assentiu levemente, dizendo dentro do nevoeiro:
— Sim.
Ótimo! — Audrey secretamente cerrou os punhos.
Ao mesmo tempo, Klein se virou para olhar para Sol, Derrick Berg, que ouvia silenciosamente suas conversas. Ele falou, seu tom tranquilo:
— O mesmo vale para você também.
— Sim, Sr. Louco. — Derrick abaixou a cabeça.
O majestoso palácio ficou em silêncio por alguns segundos antes de Audrey falar:
— Eu preciso da glândula pituitária completa de uma salamandra arco-íris.
Um dos principais ingredientes da poção Telepata? — O Enforcado Alger assentiu levemente como se estivesse contemplando.
— Não a tenho. Para ser sincero, só vi essa criatura em livros didáticos. — Sol, Derrick, ouviu o termo automaticamente traduzido para ele como Fantasma de Drake Inferior.
Que tipo de livro discutiria uma criatura sobrenatural? Que inveja… Só consigo obter informações assim em uma reunião de Beyonders, através do boca a boca ou através de um pedaço de papel amassado. Não existe um sistema em funcionamento e minha busca por conhecimento carece de organização… Vou encontrar uma maneira de trocar pelo livro didático do Sol no futuro! Ah, ele estava interessado na fórmula da poção Bardo… — pensou Audrey, com um pouco de inveja.
Naquele momento, Alger olhou para o Louco, e então retraiu o olhar.
Ele então olhou para a frente e disse, pensativo:
— Talvez eu tenha uma maneira de obter a glândula pituitária completa da Salamandra Arco-Íris.
Sem esperar que Audrey falasse, ele acrescentou:
— Mas é sob a premissa que Qilangos seja encontrado. Quando chegar a hora, a glândula pituitária completa da Salamandra ArcoÍris será equivalente à compensação extra que lhe devo. Senhorita Justiça, você pode não saber, mas essas criaturas estão quase extintas, e só podemos encontrar vestígios delas em ilhas primitivas no Mar do Nevoeiro, no Mar Berserk ou no Mar Sonia. Poucas pessoas têm as coordenadas para essas ilhas. Heh, se você estiver interessada, podemos fazer um acordo, pois sou um dos poucos que sabe como chegar lá.
Também estou interessado nessas ilhas primitivas… — Klein ouviu a conversa em silêncio.
Pensando na extinção da Salamandra Arco-Íris, de repente ele se lembrou da piada que fez com Velho Neil: a Associação de Proteção a Dragões e Gigantes. Ele soltou um suspiro em seu coração.
Audrey ficou animada depois de ouvir isso. Ela acalmou suas emoções ao dizer:
— Uma vez sonhei em fazer uma viagem em busca dessas ilhas primitivas para conhecer a história.
Minha Deusa, o Clube de Tarô é poderoso demais, maravilhoso demais! Ser capaz de recrutar um membro que tenha as coordenadas das ilhas primitivas! Louvado seja o Sr. Louco! — Audrey não conseguiu manter seu estado de Espectador e um sorriso apareceu em seu rosto.
Ilhas primitivas? — Klein congelou por um momento, depois pensou em uma página do diário do Imperador Roselle, aquela onde o Imperador se descrevia como um rei pirata!
Ele disse que descobriu uma ilha sem nome com muitas criaturas sobrenaturais quando ele e seus Quatro Cavaleiros do Apocalipse estavam atravessando o Mar do Nevoeiro em uma rota marítima não segura.
Poderia ser a chamada ilha primitiva? Que pena, o Grande Imperador não incluiu nenhuma coordenada em seu diário. Talvez a informação esteja em algumas páginas futuras, mas até agora não recebi nenhuma página do diário em ordem cronológica… — Klein estava cheio de arrependimento e antecipação.
Sol Derrick já estava confuso com os termos “Mar do Nevoeiro”, “Mar Berserk”, “Mar Sonia”, “ilha primitiva” etc.
Ele sentia cada vez mais certeza de que a senhorita Justiça e o Sr. Enforcado pertenciam a um mundo diferente do dele.
Depois de se recompor por alguns segundos, Audrey perguntou curiosamente:
— A quase extinção da Salamandra Arco-Íris significa que o caminho Espectador será rompido em breve?
— Não, definitivamente haverá materiais substitutos. — Alger deu uma resposta firme.
— Que materiais substitutos existem? — Os olhos de Audrey brilharam quando ela perguntou.
Alger balançou a cabeça, respondendo sem revelar certas verdades profundas. — Não sei. Talvez os membros dos Alquimistas da Psicologia possam saber.
— Então, como você pode ter tanta certeza de que haverá ingredientes substitutos? — Audrey não entendeu.
Alger riu e disse:
— Com o tempo você entenderá. Ou você tem algo para trocar pelas informações?
— Acho que vou esperar. — Audrey fez careta e suspirou. Ela também descartou a ideia de perguntar ao sr. Louco.
Não adianta eu saber por enquanto… O Enforcado definitivamente perguntará algo sobre o Contra-Almirante Furacão, e eu não posso me aprofundar muito nisso… — De repente, ela sentiu vontade de elogiar seu intelecto.
Mas o que ela nunca esperava era que o Sr. Louco estivesse se sentindo muito decepcionado naquele momento.
Klein estava bastante curioso sobre os segredos contidos nas palavras de Alger. Infelizmente, a Srta. Justiça, que era a melhor assistente durante todo esse tempo, decidiu não continuar com a transação.
Independentemente do método escolhido para realizar uma transação, o conteúdo do acordo não poderia ser oculto ao dono do nevoeiro!
Bem, mesmo que a Salamandra Arco-Íris esteja perto da extinção, os Alquimistas da Psicologia ainda estão dando fórmulas listando-a como um ingrediente em vez de fornecer um substituto. Isso significa que os Alquimistas da Psicologia estão de posse das coordenadas de certas ilhas primitivas? Ou poderiam estar trabalhando juntos com uma organização que tem as coordenadas? — Klein se perguntou.
Após o término das discussões sobre transações, Klein olhou em volta, voltando-se para o Sol. Ele perguntou em um tom gentil:
— A Cidade de Prata ainda acredita em deuses?
Klein era apenas um membro oficial dos Falcões Noturnos e não tinha acesso a um conhecimento místico mais profundo. Um exemplo seria rituais de sacrifício. Assim, para refinar sua compreensão de realizar sacrifícios dedicados a si mesmo e poder mover materiais no misterioso espaço acima do nevoeiro cinzento, como Sequência 8, Klein precisava aprender de outras fontes o mais rápido possível.
Ele pensou em três métodos após uma consideração contínua: primeiro, ele perguntaria à Guia Espiritual Daly, que era experiente em magia ritualística e também era diácona. Mas isso pode fazê-la suspeitar de algo; então, Klein só podia esperar pacientemente por uma oportunidade. Segundo, ele poderia perguntar ao Sr. Azik, mas Klein não poderia garantir que ele seria capaz de relembrar o conhecimento nessa área. Terceiro, ele usaria uma maneira indireta de perguntar ao Sol, que morava na Cidade de Prata.
Klein já tinha uma ideia de como faria isso enquanto mantinha sua imagem.
O que ele perguntaria estaria ligado aos deuses!
Derrick respondeu em um tom respeitoso:
— Ainda acreditamos no Senhor que criou tudo, o Deus onipotente e onisciente.
Capítulo 180
Capítulo 180 – Uma pessoa inteligente sempre pensa demais
Ao ouvir a pergunta do Louco, Audrey se concentrou e entrou no estado de Espectador, esperando o Sol responder.
Ela sempre esteve curiosa sobre onde ficava a Cidade de Prata e o que havia de tão especial naquele lugar, mas não podia perguntar. Afinal, era um assunto que invadia sua privacidade.
Naquele momento, Sr. Louco estava perguntando pessoalmente. Era como terminar o primeiro volume de um romance de detetive que ela lia há muito tempo e finalmente tinha a chance de comprar o próximo volume!
A resposta de Sol não desapontou. Eles não acreditavam nas sete principais divindades ortodoxas, nem na Morte como o Continente Sul. Também não acreditavam em existências ocultas, deuses malignos nem demônios, como a Demônia Primordial, Sábio Oculto, Lado Negro do Universo, Deus Acorrentado nem no Verdadeiro Criador, que o Enforcado já havia mencionado antes.
A Cidade de Prata é realmente especial! Eles adoram o próprio Criador!
É a adoração primordial que o Sr. Enforcado descreveu, certo? Hmm, a descrição de onipotência é um pouco estranha… Audrey olhou de relance para o Enforcado, inconscientemente, e percebeu que ele estava assentindo levemente.
Klein não ficou nem um pouco surpreso. Ele propositadamente riu e perguntou em resposta:
— Mesmo que Ele tenha os abandonado?
Abandonado? O Criador abandonou a Cidade de Prata? — Alger ficou chocado. Ele de repente fez a conexão com relação a um termo específico.
A Terra Abandonada pelos Deuses!
Nas informações confidenciais da Igreja do Senhor das Tempestades, no nível de segurança de Alger, que era capitão, equivalente ao nível de bispo, podia acessar, a Terra Abandonada pelos Deuses sempre foi apenas um nome sem descrição real. No entanto, apontava claramente para o fim do mar Sônia. Pelo que ele sabia, mesmo os cardeais do centro da igreja não tinham ideia do que a Terra Abandonada pelos Deuses representava. Mas apenas o líder da igreja, o Representante do Senhor das Tempestades, sabia algo sobre a situação e parecia estar encarregando da missão oculta de procurar a Terra Abandonada pelos Deuses.
Alger certa vez fez um palpite ousado ao comparar a residência sagrada do Verdadeiro Criador, que foi promovida pela Ordem Aurora com a Terra Abandonada pelos Deuses. Mas, infelizmente, o Louco não tinha confirmado seu palpite, então ele não podia ter certeza.
Agora, ele ficou chocado e surpreso ao descobrir que o membro do Clube de Tarô que usava o Sol como seu codinome era muito provávelmente da Terra Abandonada pelos Deuses!
Sr. Louco sabia onde ficava a Terra Abandonada pelos Deuses todo esse tempo, e ele pode trazer alguém de lá para ser um membro do Encontro! Esse é um lugar oculto que a Igreja do Senhor das Tempestades tem tentado encontrar sem sucesso!
Alger olhou horrorizado para o Louco, sentado no assento de honra, no final da longa e extensa mesa de bronze. Ele só podia ver que estava recostado na cadeira em silêncio, envolvido pela espessa névoa.
Audrey não ficou particularmente emocionada com isso. A única vez que ela ouviu falar sobre a Terra Abandonada pelos Deuses foi pela pergunta do Enforcado. Ela não estava particularmente interessada, então não conseguiu associá-la a nada que o Sr. Louco disse anteriormente.
A Cidade de Prata tem a lenda sobre ser abandonada pelo Criador… Huh, o Sr. Enforcado parece estar profundamente afetado… Por que ele está espantado e com medo? — Audrey assentiu perplexa, se lembrando dos detalhes do momento.
— Sim, acreditamos que no final recuperaremos o favor do Senhor. Talvez seja no dia em que o sol nasça novamente — respondeu Derrick Berg em um tom incerto. — Uma vez fomos governados pela família real dos gigantes e adoramos o Rei Gigante Aurmir. Mais tarde, fomos salvos pelo Senhor e nunca mais o trairemos.
Governados pela família real dos gigantes… É realmente antiga. Mas isso não parece coincidir… — Alger, que supôs alguma coisa, de repente se lembrou da descrição sobre a Segunda Época no capítulo oculto do Livro das Tempestades.
A Segunda Época também era conhecida como Época Negra da humanidade. Naquela época, o céu, o oceano e a terra eram governados por dragões, gigantes, elfos, mutantes, demônios, fênix, lobos demoníacos e espíritos dos mortos. Mas no final, o Senhor das Tempestades, o Eterno Sol Ardente e o Deus do Conhecimento e da Sabedoria levaram a humanidade a derrotar as criaturas sobrenaturais e deram início à Terceira Época, a Era Gloriosa, que mais tarde foi conhecida como Cataclismo.
Rei gigante Aurmir… — Klein repetiu o nome em silêncio.
Em várias lendas e mitos, ele era uma grande existência tão forte como as divindades. Mesmo agora, ainda havia alguns lugares que o adoravam. Até o vinho de uva mais famoso e caro da República Intis recebeu o nome de Aurmir. Dizia-se que o Rei Gigante gostava particularmente de vinho de uva, que era como sangue.
Considerando o fato de que a Igreja do Deus do Combate está no controle do caminho completo de Guerreiro, que já pertenceu aos gigantes, posso assumir que Aurmir era o antigo Deus do Combate? — supôs Klein.
Ele assentiu deliberadamente, mas não pensou mais sobre isso. e então perguntou com um tom calmo:
— Voces ainda oferecem sacrifícios a esse Deus onipotente?
— Sim, ainda o fazemos. Mas desde o dia em que fomos abandonados, nunca recebemos nenhuma resposta. — A voz de Derrick tinha um pouco de dor.
Klein recostou-se no encosto da cadeira sem pressa. Ele semicerrou olhos e disse:
— Descreva o processo de seu ritual de oferendas em detalhes.
O Sr. Louco quer descobrir a verdade por trás do abandono da Cidade de Prata? Ou quer determinar se o Criador ainda existe? — Alger de repente sentiu um choque em seu corpo e estremeceu.
Ele não apenas estava com medo, mas também estava animado. Isso porque ele sentiu que estava participando dos segredos entre divindades!
Isso o fez sentir como se tivesse sido elevado a um nível totalmente novo!
Eu tenho procurado por poder, força. Não fiz isso para alcançar esse tipo de sentimento? — Alger se recostou, levantou o queixo e se empolgou com seus pensamentos.
O estado mental do Sr. Enforcado não parece normal… — Audrey olhou para ele com pena.
Ela finalmente entendeu que poderia haver algum tipo de segredo chocante por trás da comunicação entre o Sr. Louco e Sol, o que levou à perda de compostura do Enforcado.
Depois que a comissão de Qilangos terminar, pagarei o preço para obter informações sobre o que o Sr. Enforcado aprendeu hoje… Me pergunto se ele estaria disposto… — pensou Audrey em antecipação, ainda um pouco preocupada.
Derrick não percebeu o peso de sua resposta e respondeu com franqueza:
— Construímos altares opulentos cobertos com símbolo do Senhor. Toda vez que recebemos uma colheita abundante de grama de face negra, realizamos um ritual de sacrifício.
— Usamos os monstros que capturamos nas profundezas da escuridão para usar como oferendas de sacrifício. Depois de recitarmos o título honorável de Deus e as orações necessárias, dançamos para Ele e depois matamos os monstros, para deixar sua espiritualidade e sangue contaminado tingir todo o altar. Se não tivermos monstros capturados, usamos um pecador do andar mais baixo da prisão da Cidade de Prata.
— Então, transformamos o primeiro lote de grama de face negra em comida e servimos ao Senhor.
— Por fim, cantamos louvores em uníssono e terminamos o ritual.
Como planejava oferecer um sacrifício a mim mesmo, não sou exigente quanto à hora, e o altar pode ser o mais simples possível. A parte mais importante seria abrir um canal com a ajuda da espiritualidade dos monstros ou do sangue que contém poderes Beyonder para completar a oferenda de sacrifício. Claro, isso sob a premissa de que alguém receberá uma resposta? Que extravagante… — Klein usou seu conhecimento místico para analisar todas as etapas do ritual de sacrifício na Cidade de Prata antes de finalmente dizer:
— Quais são as orações correspondentes? Em que idioma as recita?
Derrick também estava ansioso por isso, a fim de obter dicas do Sr. Louco sobre como se livrar da maldição, então ele relembrou cuidadosamente e respondeu:
— Usamos Jotun, que também é nosso idioma primário.
— As orações correspondentes são:
— Seus devotos crentes oram por sua atenção.
— Oramos para que você aceite nossas ofertas.
— Oramos para que você abra os portões do seu Reino.
…
Klein ouviu em silêncio e intencionalmente deixou a névoa que o envolvia girar lentamente em torno dele. Ele assentiu como se estivesse profundamente pensativo e permaneceu em silêncio.
Quanto ao que aprendeu com isso, ele obviamente não queria compartilhar…
Alger achou isso muito normal. Como os segredos de uma divindade poderiam ser revelados diretamente a um mortal? Derrick também reforçou sua determinação de ficar mais poderoso, para que pudesse obter algo que pudesse angariar o interesse do Sr. Louco em troca de sua orientação.
Depois de mais algumas conversas, Klein terminou a reunião. Ele viu as figuras de Justiça, Enforcado e Sol desaparecerem diante dele.
Olhando para baixo, ele viu o nevoeiro cinza sem limites e as estrelas carmesins que pareciam eternamente imutáveis.
No entanto, depois que avançou para a Sequência 8, ele percebeu que poderia conectar ainda mais estrelas. Em outras palavras, ele poderia trazer mais membros.
Pelo menos dois… — assentiu Klein indiscernivelmente.
Ele não estava com pressa de adicionar novos membros, e planejava agir como antes. Ele primeiro esperaria e observaria. Se Justiça e Enforcado tivessem alguma recomendação, ele poderia primeiro avaliá-las.
O que vi nas últimas vezes quando Sol estava orando? Havia uma bola de cristal límpida diante dele, mas desde que eu o puxei para o mundo acima do nevoeiro cinza, essa bola de cristal nunca mais apareceu… O pré-requisito necessário para atrair pessoas através da conexão da estrela carmesim tem algo a ver com ter um item especial ao seu redor? Ou será que toda estrela carmesim corresponde a um item na realidade que, quando conectado com sucesso, viria ao mundo acima do nevoeiro cinzenta?
Gostaria de saber se com Srta. Justiça e Sr. Enforcado foi assim… Vamos apenas assumir que é o caso. Nesse caso, se as pessoas sem esse item especial recitassem: “O Louco que não pertence a esta época, o misterioso governante acima do nevoeiro cinzento; o Rei do Céu e da Terra que brande a boa sorte”, e eu pudesse ouvir suas orações, seria capaz de traze-las aqui?
No futuro posso tentar.
Klein não permaneceu mais. Se envolvendo em espiritualidade, ele estimulou a sensação de queda, deixando para trás o imponente palácio, a mesa antiga e as vinte e duas cadeiras com encosto alto imutáveis sobre a névoa cinzenta.
Ele dominou o poder transbordante da poção Palhaço e eliminou os efeitos negativos correspondentes. Portanto, ele queria experimentar o ritual para se convocar!
Me pergunto o que vou conjurar dessa vez… — pensou Klein com antecipação e medo ao passar pelos delírios loucos.
Capítulo 181
Capítulo 181 – Estado Diferente
Klein não teve pressa em dissipar a barreira de espiritualidade quando voltou ao seu quarto. Em vez disso, ele habilmente pegou uma vela infusa com sândalo e a colocou no meio de sua escrivaninha.
Ele então seguiu os passos do ritual, acendendo a vela com sua espiritualidade e colocando essências, extratos e ervas em pó, simbolizando boa sorte e mistério. Ele viu a chama alternar entre fraca e forte enquanto ele respirava a fragrância de paz e harmonia.
Klein deu dois passos para trás e olhou para a vela. Ele então falou no idioma dos gigantes:
— Eu!
Após uma pausa, ele mudou para Hermes:
— Convoco em meu nome.
— O Louco que não pertence a esta época, o misterioso governante acima do nevoeiro cinzento; o Rei do Céu e da Terra que brande a boa sorte.
Naquele momento, a chama bruxuleante se fundiu com o aroma harmonioso, formando um vórtice ilusório, um vórtice que absorveu rapidamente a espiritualidade.
Depois que Klein terminou de recitar os encantamentos, o vórtice se estabilizou e se tornou um círculo de nevoeiro branco acinzentado do tamanho de uma palma.
Depois de observar a névoa, Klein deu quatro passos no sentido anti-horário sem hesitar. Ele voltou ao mundo acima do nevoeiro e, assim como esperava, viu ondas de luz se espalhando de sua cadeira alta, acentuando a aura misteriosa do símbolo estranho, o olho sem pupila e linhas parcialmente contorcidas em sua cadeira.
Ele respirou fundo e acalmou sua alma usando cogitação antes de estender a mão.
Naquele momento, ele ouviu os encantamentos que havia acabado de recitar. Ele viu a espiritualidade crescente que emanava e a luz ondulante se fundirem, formando uma porta ilusória.
Em comparação com a vez anterior, a porta estava agora completamente formada e era cheia de padrões misteriosos!
Os padrões eram os mesmos do símbolo na parte de trás da cadeira do Louco, um símbolo feito do olho sem pupila e das linhas parcialmente distorcidas!
Enquanto olhava para a porta, Klein se concentrou e a abriu.
Sem aviso, ondulações se formaram no nevoeiro branco acinzentado eternamente imutável e no majestoso palácio, como uma pedra sendo lançada em um lago tranquilo. A ondulação se espalhou na direção da Porta de Invocação.
O som pesado de arranhar causado por atrito pôde de repente ser ouvido e uma fenda apareceu na pesada e misteriosa porta. Através dela, podia-se ver um mundo imensamente sombrio, cheio de inúmeras figuras transparentes e indescritíveis. Havia também faixas de diferentes cores, com um esplendor lustroso que abrigava um conhecimento infinito.
Nesse momento, Klein sentiu uma força atraente inimaginável e irresistível vindo do outro lado da porta. Ele não pôde deixar de ser puxado para ela.
Droga! Você não está me dando escolha? — Assim que ele teve esse pensamento alarmante, seu corpo passou pela fenda e desapareceu na escuridão atrás da porta.
Os rugidos desorientadores e maníacos gradualmente diminuíram. Klein finalmente recuperou a razão, voltando a si mesmo.
Ele viu um jovem homem à sua frente. O homem usava uma camisa velha, tinha cabelos pretos, olhos castanhos e feições faciais de aparência mediana; sua constituição era mediana e ele era um pouco magro, mas seu corpo parecia esconder considerável poder.
Ele também tinha o comportamento óbvio de um estudioso.
… Não é eu? — Klein não era estranho a cenas como essa. Ele encontrava algo assim toda vez que olhava no espelho.
Ele assentiu indiscernivelmente e examinou seus arredores. Ele viu sua cama, com um lençol branco. Viu sua meia cartola, smoking e blusão preto pendurados no cabideiro. Viu uma estante com vários livros, sua escrivaninha arrumada que tinha apenas uma vela, sua chama emitindo um brilho branco acinzentado.
E agora ele estava flutuando na frente do círculo de nevoeiro branco acinzentado do tamanho de uma palma.
Então, eu realmente me convoquei? Parece uma experiência extracorpórea… mas também há algo um pouco diferente. — Klein olhou para o corpo físico que pertencia a ele, na direção de “seus” olhos vazios e vagos, e entrou em profundo pensamento.
Mas ele finalmente pôde confirmar uma coisa: era apenas sua alma, também conhecida como Corpo Espiritual no misticismo, que se dirigia ao mundo do nevoeiro. A aparência exterior era a da Projeção Astral.
Não é de admirar que eu possa ver diretamente a superfície da Projeção Astral de Justiça, Enforcado e Sol e confirmar se eles eram Beyonders ou não quando eu estava no mundo acima do nevoeiro. Eu também conseguia adivinhar os níveis de Sequência deles… Meu corpo físico parece estar sob alguma forma de proteção, talvez do poder do ritual, para eu ficar com tanta estabilidade e não perder o equilíbrio. Deve ser o mesmo para senhorita Justiça e os outros… — Klein lentamente se acostumou à situação e começou a analisar as condições de sua alma e corpo físico.
Ele retraiu o olhar e tentou mover sua alma, agora fundida com poderes do espaço misterioso.
Whoosh!
Um vento frio começou a soprar enquanto espiralava ao redor da sala. Klein saboreou a sensação de voar, alegremente fazendo círculos na sala.
Agora eu também posso assumir o papel de “mensageiro” nesta cidade… Será que consigo carregar itens físicos comigo…? — Ele se recompôs e parou. Ele flutuou no ar e experimentou suas outras habilidades.
Ele tentou pegar um caderno da estante, mas sua mão apenas atravessou-o.
Parece um pouco viscoso, não é como se mover pelo ar… Talvez eu consiga agarrá-lo depois de me tornar mais poderoso e capaz de utilizar melhor os poderes misteriosos do mundo acima do nevoeiro cinzento. — Klein mais uma vez tentou pegar uma única página, mas sem sucesso.
Depois de mais de dez segundos de deliberação, ele voou em direção ao cabideiro e colocou a mão transparente no bolso do casaco preto. Ele tocou nos charms de sonolência e nos charms pacificadores que havia reabastecido a partir de uma reivindicação bem-sucedida.
Eram objetos infundidos com sua própria espiritualidade, diferentes de objetos comuns em termos sobrenaturais; Klein queria ver se conseguia pegá-los.
A palma de sua mão passou novamente pelos charms, mas ele podia sentir claramente sua existência. Ele sentiu o entrelaçamento da espiritualidade, mas não teve “força” suficiente para pegá-los. Naturalmente, outra explicação era que não havia espiritualidade suficiente dentro dos charms para alcançar uma forte ressonância com seu estado atual.
A espiritualidade não é forte o suficiente… — pensou Klein enquanto se dirigia para o outro bolso. Esse bolso guardava os charms do Sol Ardente que ele produziu com o poder roubado do sangue divino e de sua própria espiritualidade.
Uma sensação quente rapidamente se espalhou por todo seu corpo, tornando sua forma mais estável e seus pensamentos mais claros.
Ele conseguia tirar a fina peça de ouro do bolso. No espelho de seu quarto, o charm parecia flutuar do bolso por conta própria, semelhante às descrições das histórias de fantasmas.
Eu posso mover charms do Sol Ardente. Também posso criar som usando minha espiritualidade… Então eu tenho certas habilidades neste estado… — Klein voou em direção ao espelho e parou em sua frente. Ele viu que apenas a fina peça de ouro era refletida. Fora isso, apenas os móveis e a escuridão da sala causados pelas cortinas fechadas.
Depois de alguns segundos de consideração, ele colocou o charm do Sol Ardente na cama antes de voltar para a frente do espelho. Ele queria ver se poderia se mover através do espelho.
Sua visão ficou escura e seu ponto de vista de repente mudou. Ele viu a sala refletida no espelho, os móveis acentuados pelas fracas fontes de luz. Isso o fez sentir como se estivesse escondido em um canto obscuro, espiando uma pequena parte da sala.
Eu realmente posso atravessar o espelho. Mas este é apenas um item comum que não leva a um mundo misterioso e estranho… — Klein assentiu e se moveu, mais uma vez retornando ao seu quarto.
O sucesso de carregar o charm do Sol Ardente lhe deu imensa confiança. Por isso, ele tentou pegar outra coisa.
O apito de cobre do Sr. Azik!
No momento em que tocou no objeto antigo e intrincado, sentiu sua espiritualidade se expandindo e congelando.
Seus olhos ilusórios se transformaram em chamas ardentes escuras.
Parece que fiquei um pouco mais poderoso. Minha forma é como uma aparição, mas sem o forte senso de vingança… — Klein projetou sua aparência atual, acalmando sua mente.
Essa era uma das habilidades de um Palhaço.
O apito de cobre do Sr. Azik é realmente fascinante. — Ele assentiu, notando que agora podia pegar pedaços de papel com certos pesos. Ele também conseguia pegar seus charms do sono.
Que lamentavel. Eu posso pegar a adaga de ritual de prata, mas o revólver é muito pesado… — Klein concluiu seus experimentos e se virou para ver se poderia usar algum feitiço nesse estado.
Após sérios testes, ele concluiu que conseguia conjurar dois feitiços, o primeiro sendo um uivo sem forma que poderia abalar as almas de seu alvo, e o segundo era induzir um estado semelhante ao congelamento por contato com um alvo.
Klein parou, satisfeito. Ele olhou pela janela coberta pela cortina, em direção à luz do sol e pela rua.
Gostaria de saber se posso me mover durante o dia nesse estado… — murmurou ele enquanto flutuava em direção à janela.
Ele então levantou cuidadosamente a cortina, criando uma fenda e permitindo que uma pequena quantidade de luz solar passasse através da parede de espiritualidade e entrasse na sala.
Sob a luz radiante do sol, Klein sentiu sua alma ferver com uma névoa negra. Seus poderes também estavam sendo drenados, pouco a pouco.
Ele rapidamente abriu a mão, permitindo que a cortina bloqueasse a luz.
Não posso… — pensou Klein por um momento, e depois olhou para o charm do Sol Ardente na cama.
O efeito seria o mesmo se eu fosse fortalecido com o sangue divino do Eterno Sol Ardente? — Ele flutuou em direção à cama e tentou pegar o fino pedaço de ouro.
Mas assim que tocou no charm, o sentimento quente e puro formou um forte contraste com sua crescente espiritualidade fria. Era como um conflito existencial entre fogo e água.
Shhhhh!
Ele jogou a peça de ouro como se tivesse sido queimado.
O poder do apito de cobre do Sr. Azik não pode habitar minha alma ao mesmo tempo que o charm do Sol Ardente. — Klein entendeu enquanto abaixava o apito de cobre. Ele sentiu sua espiritualidade encolher quando as chamas negras em seus olhos se extinguiram.
Nesse estado, os dois feitiços que posso usar foram enfraquecidos… — Após outra rodada de experimentação, Klein pegou o charm do Sol Ardente, mais uma vez sentindo os efeitos purificadores estabilizadores e quentes que o charm tinha em seu Corpo Espiritual.
Ele voltou para a janela e cautelosamente passou pela cortina.
A luz do sol parecia quente em seu corpo, mas não causou nenhum dano.
Nada mal… — Klein soltou um sorriso. Ele passou pela barreira de espiritualidade e voou cautelosamente para fora da casa com a intenção de realizar mais experimentos.
Capítulo 182
Capítulo 182 – O Viajante Klein
O clima em Tingen passou de refrescante para um frio arrepiante no início de setembro. No entanto, a luz do sol às três ou quatro da tarde ainda era quente e suave.
Klein atravessou a barreira de espiritualidade e a janela. Ele flutuou no ar do lado de fora do quarto, enquanto observava as pessoas e as carruagens que se deslocavam de um lado para o outro da rua Narciso.
Naquele momento, havia um homem de uniforme de trabalho cinza que de repente levantou a cabeça e olhou para cima.
Klein entrou em pânico e queria se esconder, mas não conseguiu encontrar nenhum esconderijo adequado.
Quando não viu nada para se esconder, ele começou a se mover de volta para sua casa. No entanto, pelo canto do olho, ele viu o homem de antes apenas dar uma olhada na janela. Então, seu olhar seguiu um pardal voando, mas, infelizmente, ele o perdeu de vista.
Em Tingen, pássaros podiam ser vistos ocasionalmente.
Ufa… Esqueci que uma pessoa comum não seria capaz de me ver… — Klein deixou escapar um suspiro de alívio e sentiu que ainda não havia se acostumado à situação.
Quando ficou mais confiante, voou mais baixo e foi para uma rua espaçosa próxima, onde flutuou acima da cabeça das pessoas.
Ao se aproximar, Klein imediatamente percebeu que sua “visão” era a mesma que sua Visão Espiritual. Não havia necessidade de ativála, mas havia uma restrição em seu alcance.
Além disso, além da aura e das cores emocionais, ele podia sentir levemente a existência da alma de todos. Eram embaçadas, ilusórias e transparentes.
Nesse estado, acho que poderia ignorar o corpo de uma pessoa e atacar diretamente sua alma… — Klein assentiu, pensando.
Ele deu meia volta e se preparou para testar sua velocidade mais rápida. Então, ele voou para a rua Cruz de Ferro com toda a sua força.
Não demorou muito para que ele chegasse do lado de fora do apartamento em que costumava morar.
Deve ser mais ou menos a velocidade de um carro na estrada… É uma pena que eu ainda não possa entrar e sair do mundo espiritual; caso contrário, seria perfeito… Mas dizem que as consequências de se perder no mundo espiritual são muito graves. — Assim que Klein terminou sua auto-avaliação, ele se sentiu desanimado e chateado; havia uma pressão implícita no ar.
Ele olhou em volta e sentiu que a rua Cruz de Ferro estava envolta em uma melancolia que era visível para as pessoas comuns, uma escuridão que a luz do sol não conseguia dissipar. Havia camadas de torpor, desespero, dor e outras emoções se sobrepondo, como se fossem corpóreas.
Parece exatamente o que eu senti ao usar a percepção espiritual nesta rua quando me tornei um Vidente. A rua do meio e a rua de baixo da rua Cruz de Ferro não mudaram até hoje… Quantos anos levou para acumular tanta opressão e tristeza…? — Klein se lembrou do passado e suspirou enquanto voava para o terceiro andar dos prédios vizinhos.
Ele finalmente sentiu a luz do sol e se livrou de sua depressão.
Klein voou pela rua de baixo e, de tempos em tempos, viu residentes em roupas esfarrapadas, parecendo inexpressivos e desnutridos. Ele até encontrou dois corpos que morreram de causas naturais: fome prolongada e desnutrição, com uma súbita doença.
Havia inúmeras pessoas que morriam em agonia todos os meses. No entanto, os agricultores falidos e escravos que vinham do Continente Sul os substituíam muito rapidamente… Klein suspirou em silêncio, mudou de direção e voou para o sul.
Essa era a área industrial de Tingen, onde havia siderúrgicas, fábricas de chumbo, fábricas de cerâmica, fábricas de impressão, metalúrgicas, fábricas de construção de máquinas e outras, todas construídas uma ao lado da outra.
Enquanto voava, Klein viu chaminés altas. Ele viu poeira preenchendo o ar e uma escuridão e melancolia espessa, que era apenas um pouco melhor do que a da rua de baixo.
Estava cheia de emoções de exaustão, dor, pessimismo e torpor. Os trabalhadores com trinta e poucos anos eram considerados minoria.
Quando Klein queria voar mais baixo para olhar a área mais de perto, ele de repente se sentiu fraco. Era uma fraqueza que vinha de dentro dele.
Minha espiritualidade não consegue suportar a pressão… — Klein ficou alarmado. Ele estava com pressa de voltar para casa, mas de repente pensou em uma possibilidade melhor.
Eu fui “convocado”. Se eu terminasse a convocação, voltaria naturalmente! — Ele se acalmou e sentiu cuidadosamente o ambiente ao seu redor, e também seu status. Sem surpresa, ele descobriu algo que estava conectado infinitamente distante, mas também infinitamente próximo a ele. Isso formava uma corrente intrincada nele.
Através dessa conexão, Klein apertou o charm do Sol Ardente com força e desejou o fortemente encerrar a “convocação”.
Uma força de sucção massiva e aterrorizante o dominou e sua figura passou de transparente para quase invisível e, num piscar de olhos, ele desapareceu do mundo corporal.
…
Silêncio estava por toda parte no nevoeiro cinza sem limites, e havia estrelas vermelhas ilusórias que brilhavam. Klein reapareceu no palácio imponente que parecia a casa de um gigante, sentado no assento de honra da antiga mesa de bronze.
Todo o procedimento correu bem… Além disso… — Klein olhou para seu corpo espiritual com agradável surpresa e viu que ele continha um pedaço de ouro quente e puro.
O charm do Sol Ardente!
Eu trouxe algo corporal ao mundo acima do nevoeiro cinza! — Ele segurou o charm com um sorriso e o mexeu para se certificar de que não era um item ilusório.
Klein se levantou e andou de um lado para o outro, sentindo-se completamente satisfeito. Ele pensou consigo mesmo em antecipação:
Como esperado, ingredientes e itens podem ser trazidos para este espaço misterioso!
Eu só preciso encontrar o método correto!
No entanto, este método é bastante complicado. Precisa que eu aja bastante antes de chegar ao destino. Além disso, se eu fosse convocado pelos membros o tempo todo, prejudicaria a imagem do Louco. Só posso fazer isso ocasionalmente, ou depois de compreender melhor. Posso projetar um encantamento que convoque o “adorador” do Louco, mas que também será dirigido a mim…
… Eu não nasci como peão? Por que o encantamento deve apontar para mim? Quando chegar a hora, posso conjurar o que parece ser um mensageiro ou um “adorador” e deixá-lo lidar com o envio e a coleta de materiais…
Ideias surgiram uma após a outra enquanto Klein ponderava. Mas, devido à limitação de suas capacidades e conhecimentos, ele ainda não podia colocá-las em prática.
Quando ficou ainda mais fraco, Klein não se atreveu a permanecer mais. Ele usou sua espiritualidade para se envolver e simular a sensação de queda.
Em um piscar de olhos, ele voltou a seu quarto e viu a esplêndida luz do sol entrando pela abertura em suas cortinas.
Ele examinou seu corpo e se certificou de que o charm do Sol Ardente não foi trazido de volta, mas deixado acima da névoa cinzenta.
Quando eu descansar o suficiente, repetirei o ritual de convocação ao amanhecer para trazê-lode volta à realidade… Ai ai, seria ótimo se eu pudesse manter aquele estado um pouco mais. Dessa forma, seria capaz de investigar as casas com chaminés vermelhas. É uma pena que ainda não possa fazer isso. Eu só poderia voar tempo suficiente para investigar algumas casas antes de ter que voltar acima da névoa cinzenta e descansar por meio dia. A eficiência seria muito baixa. — Klein caminhou diante de sua escrivaninha e apagou a vela, que queimava em silêncio.
Depois de arrumar suas coisas, ele não removeu a barreira de espiritualidade imediatamente. Em vez disso, sentou-se e pegou uma caneta e papel para escrever uma carta, uma carta para o Sr. Azik!
Depois de escrever a saudação de “Prezado Senhor”, ele ponderou por alguns minutos antes de continuar:
“… Recentemente, recebi notícias de que um dos Sete Almirantes Piratas, o Contra-Almirante Furacão, Qilangos, se infiltrou em Backlund. Ele carrega um item místico chamado “Fome Furtiva”, que fornece uma habilidade semelhante a de um Pastor, que é um Beyonder Sequência 5 que engole diferentes almas e obtém seus poderes correspondentes. Dizem que há um limite para o número de almas que se pode deixar pastar, mas as almas podem ser trocadas…”
“… Qilangos parece ter muitos poderes de Beyonder, e não tenho certeza do que ele está tentando fazer em Backlund… As notícias que recebi sugeriram que ele poderia estar atrás de um item muito importante e muito místico que poderia fazer de Qilangos um Beyonder de alta Sequência ou tão poderoso quanto um…”
Klein inventou sua fonte de informação para descrever a situação com Qilangos em geral, mas não era como se Azik fosse procurar um capitão dos Falcões Noturnos para confirmar.
Klein não solicitou assistência diretamente, mas fez parecer que abordou o assunto casualmente para incentivar Azik a ter cuidado.
Independentemente de Azik estar disposto a ajudar, não faria mal primeiro preparar o terreno! Se Klein eventualmente precisasse pedir ajuda, dessa maneira não pareceria ser do nada! Klein soltou um suspiro lentamente e começou a escrever o conteúdo principal da carta.
“A mente por trás de tudo o que aconteceu não tomou nenhuma ação adicional, e ainda não encontrei nenhuma pista relacionada.”
“A razão pela qual estou entrando em contato com você de repente é principalmente para pedir orientação sobre rituais de sacrifício. Me deparei com algo do tipo durante uma missão recente…”
Com a descrição de Sol e a resposta do Sr. Azik para comparar, eu seria capaz de tentar um ritual de sacrifício. Ao reverter o ritual, eu seria capaz de conceder itens… Este seria um ritual mais adequado para trocar ingredientes e itens, em vez de me convocar… Sim, espero que o Sr. Azik se lembre do conhecimento sobre isso… — Klein assentiu levemente. Ele guardou a caneta sem assinar o nome.
Há apenas um apito de cobre, por isso tenho certeza que o Sr. Azik não cometeria um erro com o remetente.
Portanto, para ter cuidado, Klein não colocou seu nome.
Depois de dobrar a carta, ele olhou para o teto de três metros de altura. Ele pegou o apito de cobre da cama com um pouco de hesitação.
Perfeito, deixe-o agachar e receber a carta! — Klein enfatizou interiormente antes de levantar a mão direita e colocar o apito de cobre nos lábios. Ele estufou as bochechas e soprou com força.
O apito não produziu som, mas os sentidos agudos de Klein notaram que o ambiente ficou frio instantaneamente.
Ele ativou sua Visão Espiritual e viu que havia ossos brancos embaçados, mas brilhantes, surgindo de sua mesa de estudo como uma fonte, enquanto seu tamanho aumentava.
Os ossos brancos rapidamente se juntaram e se transformaram em um monstro ilusório enorme. Sua cabeça rompeu a barreira de espiritualidade e chegou a algum lugar desconhecido.
Klein olhou as coxas e o corpo do esqueleto branco, bem como o braço abaixado. Ao ver a palma da mão direita se abrir, o canto dos lábios de Klein se contraiu e ele colocou a carta dobrada ali.
A grande palma de osso pegou a carta com firmeza.
Então, Klein pegou o apito de cobre e soprou novamente sem hesitar.
O monstro se desfez em um instante, transformando-se em ossos que caíram em sua mesa antes de afundar e desaparecer.
Depois de tudo isso, Klein removeu a barreira de espiritualidade. No vento repentino que se agitou, ele mancou em direção ao cabideiro e retornou o apito de cobre ao seu lugar original.
Então, ele rapidamente caminhou para a cama e caiu de cabeça nela.
No momento em que seu corpo tocou o colchão macio, ele caiu em um sono profundo.
Capítulo 183
Capítulo 183 – Uma lição sobre mediunidade
Depois do jantar, Klein conversou um pouco antes de se recostar no sofá. Ele pegou o recém-entregue Notícias Noturnas de Awwa e começou a ler.
Benson tinha uma expressão amarga quando se sentou em frente à irmã. À sua frente estava a mesa de jantar que havia sido limpa por Bella. Havia livros de gramática, literatura clássica, notas de contabilidade e outros materiais. Na frente de Melissa, estavam suas anotações e artigos de papelaria, incluindo, entre outros, canetas, papéis, réguas, bússolas, etc.
— É como se eu tivesse voltado uns dez anos atrás. Naquela época, eu ainda era aluno da escola dominical — reclamou Benson, mas continuou a estudar com a cabeça baixa.
Não é tão ruim. Essa cena me faz sentir a conquista de ser pai… — Klein sorriu e disse:
— Conhecimento pode mudar o destino de alguém, e a diligência resultará em glória.
Eu inventei a segunda metade desse ditado. Será que Roselle já disse isso antes…? — Ele brincou em seu coração.
A sala rapidamente entrou em silêncio, exceto pelo som de canetas escrevendo em papel ou de livros sendo folheados. Bella terminou de lavar a louça e arrumou a cozinha antes de retornar ao seu quarto no primeiro andar, uma pequena sala que era anteriormente o quarto de hóspedes.
Klein tomou um gole de seu chá preto Sibe enquanto lia o jornal, às vezes conversando com seus irmãos. Era relaxante.
De repente, as lâmpadas a gás na sala de estar e na sala de jantar ficaram escuras ao mesmo tempo, como se tivesse acabado o gás.
Benson e Melissa olharam em direção às lâmpadas, na tentativa de descobrir a causa.
Klein também olhou para as lâmpadas.
Naquele momento, ele sentiu algo tocar seu braço.
Ele era a única pessoa na sala de estar, mas algo havia tocado seu braço!
Seus pelos se arrepiaram. Klein retraiu o braço, e, se virando, viu cinco dedos finos e pálidos crescendo na ponta de uma língua.
Debaixo deles havia uma fileira irregular de dentes afiados!
Klein instintivamente colocou as mãos nos bolsos. Dentro estavam os charms pacificadores e os charms do sono. Mas então ele viu um pedaço de papel dobrado ordenadamente nos dedos.
Uma carta…
Um mensageiro!
Klein soltou um suspiro de alívio.
Naquele momento, os cinco dedos pálidos cutucaram seu braço novamente.
Klein viu Melissa prestes a se levantar para verificar a lâmpada a gás. Ele estendeu a mão esquerda e pegou a carta, e então rapidamente retraiu o braço e escondeu a carta sob a pilha de jornais na mesa.
Ele então viu os dedos, a língua e a fileira irregular de dentes afiados desaparecer gradualmente.
Com uma ideia, Klein bateu seus molares esquerdos e ativou silenciosamente sua Visão Espiritual.
Ele mais uma vez viu os cinco dedos anormalmente finos e a longa língua vermelha adornada com afiados dentes brancos. Ele os viu recuando de volta para o rosto transparente no chão.
Um segundo depois, o rosto desapareceu completamente. As luzes da sala de estar e de jantar voltaram ao normal.
— Estranho… — Melissa franziu as sobrancelhas, sem encontrar defeitos nas lâmpadas, mesmo após uma séria verificação.
Por que a dama em nossa casa é responsável por essas coisas, enquanto os homens observam de lado? — Klein balançou a cabeça e desativou sua Visão Espiritual.
Quando os espíritos estavam dispostos a serem vistos e tinham as habilidades correspondentes, mesmo uma pessoa comum poderia vê-los. O que aconteceu agora foi um exemplo.
Depois de discutir o problema com as lâmpadas a gás, os irmãos Moretti ficaram em silêncio novamente. Benson e Melissa mais uma vez mergulharam no oceano de conhecimento.
Klein usou o jornal como capa e desdobrou a carta com uma mão. Ele colocou o papel entre os jornais e começou a ler a resposta da Guia Espiritual Daly:
“Tenho que enfatizar novamente, eu prefiro o título Médium
Espiritual.”
“Vou dar uma resposta positiva em relação ao que você pediu. Sim, os rituais da mediunidade também podem ser usados em seres vivos, não apenas em seres humanos vivos.”
“Mas isso é problemático e apresenta certo nível de perigo. As almas deixadas para trás pelos mortos são puras. Elas têm poucas impurezas e pensamentos caóticos. Podemos nos comunicar com elas, fazendo perguntas e recebendo respostas sem barreiras. Claro, você pode usar o método de divinação dos sonhos para receber imagens diretamente delas.”
“Mas isso não pode ser replicado com seres humanos vivos. O indivíduo ainda tem vontade e lutaria contra a comunicação desprotegida entre almas.”
Klein franziu os lábios ao ler a carta. Ele confirmou que foi a própria Daly quem a tinha escrito.
Comunicação desprotegida… É assim mesmo que ela fala…
Klein voltou à carta depois de dar uma rápida olhada em seus irmãos.
“Temos apenas dois métodos quando confrontados com tal situação. Primeiro, podemos usar nossa poderosa espiritualidade e sofisticados rituais de mediunidade para triunfar sobre a vontade da outra pessoa, adotando um método bárbaro de comunicação. Segundo, podemos usar medicamentos para fazer a outra pessoa relaxar. Os que eu mais uso são a essência de Amantha e o medicamento olho do espírito. Heh heh, tenho certeza que você ainda tem uma impressão persistente deles.”
“Depois de atingir o estágio de canalizar a alma, deve-se notar que também está em um estado espiritual, ao contrário de quando está se comunicando com almas deixadas para trás pelos mortos. Em termos mais simples, sua espiritualidade está entrando no mundo da espiritualidade da outra pessoa.”
“E que um Médium Espiritual profissional não careceria de meios para se proteger sob tal estado. Mas você não pode fazer isso. Você não seria capaz de aprender ou usar as técnicas que eu conheço, mesmo que eu as explique.”
“Então você tem que manter um certo nível de lucidez e pensamento racional. Somente através desse método você pode lutar contra as torrentes de pensamentos aleatórios e caóticos da outra pessoa antes de chegar diante de seu espírito e estabelecer comunicação. Nesse ponto, você estará se comunicando no nível do Corpo do Coração e da Mente.”
“Nesta etapa, você tem duas opções. Uma é usar uma técnica para ler à força as memórias da outra pessoa; mas você deve ter muito cuidado, pois não se pode ter certeza se as coisas que está lendo são as que deseja saber. Se você receber indiscriminadamente uma grande quantidade de lembranças de uma pessoa, é muito provável que sua alma entre em colapso. Além disso, causará graves danos à alma do seu alvo, às vezes até destruindo-a completamente. A menos que você seja um Médium Espiritual profissional, não sugiro usar esse método.”
“A segunda opção é se comunicar gentilmente com o Corpo do Coração e da Mente. Não importa como você entrou, seja por violência ou medicação, o alvo estará definitivamente em um estado de embriaguez. Eles geralmente não seriam capazes de mentir, assim como você não pôde… não, você não consegue se lembrar do que aconteceu com você! Embora eu saiba que você definitivamente esqueceu disso!”
Desculpe, madame Daly, eu estava bem acordado… — Klein riu interiormente enquanto abaixava o olhar para ler o resto da carta.
“Essa comunicação pode permitir que você obtenha respostas reais, mas elas não serão necessariamente todas verdadeiras. Você deve entender o que eu quero dizer. Se você lê as notícias, deve ter ouvido a famosa citação do Imperador Roselle. Não me lembro da citação exata, mas a essência é que o que se diz deve ser a verdade, toda a verdade e nada além da verdade. Em resumo, um espírito pode não se lembrar de tudo porque muitas memórias estão no subconsciente de uma pessoa ou no subconsciente coletivo. Ah, eu não deveria mencionar isso. Dunn chama isso de teorias malignas dos Alquimistas da Psicologia.”
“Então, você deve ser capaz de guiar a alma e ser bom em elaborar suas perguntas, entende? As técnicas correspondentes incluem…”
“Isso é tudo para circunstâncias normais. Em que devemos prestar atenção quando tentamos nos comunicar com a alma de um Beyonder que ficou louco?”
“É o mesmo: manter sua lucidez. Você não deve cair em transe de modo algum. Isso porque a espiritualidade de um Beyonder é muito potente e seu espírito é cheio de pensamentos caóticos. Permitamme dar um exemplo. A consciência de uma pessoa comum é uma ilha. O subconsciente é a parte do mar abaixo da ilha. O subconsciente coletivo é o mar circundante. O céu pertence ao mundo espiritual. Quanto a um Beyonder, sua ‘ilha’ pode ter um vulcão ativo controlável. A ilha de um louco pode ter um vulcão que pode entrar em erupção a qualquer momento. E pode abalar as fundações e poluir o ‘mar’.”
“Quando você entra em contato desprotegido com o espírito de uma pessoa insana, seus pensamentos caóticos podem infectá-lo, assim como a água poluída no mar fluiria para fora, se espalhando ainda mais.”
“Sim, canalizar o espírito dele nessas condições é como ligar o seu ‘mar’ ao dele; portanto, você precisa prestar muita atenção a essa poluição.”
“Alguns exemplos são quando um Médium Espiritual é descuidado ao fazer coisas semelhantes e não emprega nenhuma proteção. Depois disso, eles podem desenvolver problemas mentais semelhantes aos do alvo.”
“Em circunstâncias normais, doenças mentais não são contagiosas. Mas no domínio do misticismo, no mundo dos espíritos canalizados, elas podem de fato ser contagiosas.”
“Manter sua lucidez e não ser afetado pelos pensamentos caóticos do alvo é algo que você deve prestar atenção. Em relação às perguntas, que podem ser usadas para se comunicar efetivamente com uma pessoa insana…”
“Se você deseja tentar isso, sugiro aplicar um agente sedativo antes de fazê-lo. A fórmula correspondente está disponível atrás do Portão Chanis da cidade de Tingen. Há também o produto já pronto. Pode ser eficaz para ajudar a manter o pensamento racional durante o processo.”
“Claro, você também pode pedir a Dunn que solicite ajuda da diocese de Backlund. Estou muito disposta a ver o estado espiritual de um Psiquiatra Sequência 7 insano.”
Lucidez e pensamento racional… Essa é a minha especialidade. Mantive a lucidez e a racionalidade mesmo quando minha alma estava sendo canalizada… Claro, não sou alguém que deixa a confiança subir à cabeça. Ainda vou solicitar o agente sedativo, o extrato de Amantha e a medicação olho do espírito! — Klein deu um suspiro de alívio, um pouco ansioso para tentar.
Ele guardou o jornal e se levantou. Ele então entrou no banheiro e incendiou a carta com sua espiritualidade antes de jogar as cinzas no vaso sanitário e dar descarga.
Naquela noite, Klein mais uma vez tentou o ritual de convocação e trouxe o charm do Sol Ardente de volta ao mundo físico em seu quarto.
Ele também não recebeu nenhuma carta de Azik, embora esperasse uma resposta rápida.
Talvez ele precisasse de algum tempo para relembrar o conhecimento… ou talvez não esteja livre para responder no momento… Ou talvez esteja preocupado que irá interromper meu sono. — Klein dissipou a barreira de espiritualidade enquanto especulava e foi para a cama.
No dia seguinte, terça de manhã.
Klein entrou na Companhia de Segurança Blackthorn e bateu na porta do escritório do Capitão, como sempre.
Capítulo 184
Capítulo 184 – Atrás do Portão
— Por favor, entre — disse Dunn Smith com uma voz suave e agradável.
Klein girou a maçaneta e, abrindo a porta, viu o Capitão tomando seu café da manhã. Em sua mão direita havia uma xícara de café emitindo um rico aroma. No prato à sua frente, havia torradas de pão branco com bacon.
Dunn colocou a torrada com manteiga restante na boca e mastigou, silenciosamente apontando para a cadeira em frente à mesa.
Klein não atrapalhou o café da manhã do Capitão. Com um sorriso, ele se sentou enquanto esperava pacientemente.
Vendo que ele não estava com pressa, Dunn relaxou na cadeira, pegou o café para tomar um gole e engoliu o que estava mastigando.
Ele pegou um guardanapo, limpou os cantos dos lábios e disse:
— Qual é o problema?
Klein assentiu seriamente e disse:
— Me encontrei com Daxter Guderian, o médico do asilo e também membro dos Alquimistas da Psicologia.
Enquanto falava, ele viu pelo canto dos olhos a revista que estava aberta diante do Capitão.
— Alguma novidade? — perguntou Dunn, cruzando os braços.
Klein descreveu:
— Ele me disse que antes de Hood Eugen enlouquecer, havia alguém que o visitava com bastante frequência; seu nome é Lanevus.
— Lanevus… — Dunn massageou suas têmporas. — Me parece que eu já ouvi esse nome antes…
— Ele é o trapaceiro que roubou pelo menos dez mil libras — lembrou Klein.
Dunn pensou por um tempo com um olhar sério no rosto. Ele então balançou a cabeça para mostrar que não tinha lembrança disso.
Capitão, você não é muito sensível quando se trata de dinheiro! — pensou Klein, e então contou a história de Lanevus, destacando os pontos principais.
— O trapaceiro alegou falsamente que havia prospectado e comprado uma mina com ricos depósitos de minério de ferro. Ele levantou fundos particulares de indivíduos em Tingen e roubou mais de dez mil libras. Alguém que conheço do Clube de Divinação sofreu uma perda com isso. Além disso, uma jovem mulher foi envolvida em um compromisso com ele e agora está grávida de seu filho.
— Ele visitou Hood Eugen várias vezes antes dele enlouquecer — disse Dunn, pensativo. — Sequência 8, Vigarista? Caminho Saqueador…
Capitão, sua memória é realmente boa quando se trata desse tipo de coisa… — Klein achou engraçado ao refletir sobre isso. Ele assentiu fracamente e disse:
— Esse também é meu palpite.
— Como a empresa siderúrgica que Lanevus montou estava no sul e as vítimas tinham várias crenças diferentes, o caso não nos foi passado no final. Mesmo que houvesse evidências de envolvimento de Beyonders no caso, teria sido repassado aos Punidores a Mandato.
Dunn finalmente entendeu os meandros da história. Ele olhou para Klein com seus profundos olhos cinzentos e disse:
— O que você quer fazer?
Cof, Capitão, será que você poderia não ser tão sensível… — Klein respondeu com uma máscara de solenidade:
— Quero conversar com Hood Eugen através de um ritual de mediunidade e descobrir por que Lanevus veio procurá-lo. Quero saber se essa visita está diretamente relacionada a sua loucura.
Dunn assentiu levemente e disse:
— Mesmo que você não tivesse se candidatado, eu teria feito um experimento semelhante quando tivéssemos certeza de que Hood Eugen está louco.
— No entanto, Daly me disse que é bastante arriscado. Você está confiante? Posso pedir ajuda à diocese de Backlund. Não deve ter problema adiar o ritual por alguns dias.
A principal motivação de Klein para se tornar um Beyonder era estudar misticismo e encontrar um caminho para casa. Como era uma chance para o exercício prático e ele estava confiante o suficiente, não estava disposto a desistir.
— Capitão, eu já dominei o conhecimento sobre o assunto. Estou confiante.
— Claro, vou precisar de certos ingredientes, como o extrato de amantha, o medicamento olho do espírito e o agente sedativo.
— Agente sedativo… — Dunn refletiu sobre o nome e confirmou o profissionalismo de Klein.
Ele lembrou que Daly mencionou que era um medicamento líquido que raramente era usado, mas que era muito eficiente na mediunidade.
Dunn Smith ponderou por quase vinte segundos, recostou-se na cadeira e disse:
— Vá em frente e preencha um formulário de solicitação. Depois, colete o que precisa atrás do Portão Chanis. Eh… Não tenho certeza se há produtos prontos. Se não houver, pegue os ingredientes necessários e prepare o medicamento de acordo.
— Tudo bem — respondeu Klein alegremente.
Ele não se levantou, mas continuou firmemente sentado na cadeira.
Dunn massageou suas têmporas, pensou com cuidado e disse:
— É meu turno de monitorar o asilo hoje à noite… Não podemos visitar Hood Eugen diretamente. Ninguém sabe se há membros dos Alquimistas da Psicologia disfarçados de médicos, enfermeiros, zeladores ou pacientes no asilo. Ninguém sabe se os Alquimistas da Psicologia também estão monitorando Hood Eugen. Qualquer ação que tomarmos deve ser secreta. Não podemos expor que Daxter Guderian se tornou nosso informante.
— … Iremos ao amanhecer, de madrugada, escondidos.
— Sim, vou manter a guarda enquanto você realiza o ritual para evitar que acidentes aconteçam.
Essa é a melhor opção! Se Hood Eugen está apenas fingindo ser louco, enquanto eu uso um ritual de mediunidade nele, seria como se eu tivesse invadindo um zoológico e dançando diante de um tigre… — Klein relaxou e disse sinceramente:
— Sim, Capitão!
Ele se levantou e caminhou em direção à porta.
Naquele momento, o canto de seus olhos notou o título do artigo da revista que o Capitão estava lendo:
“A seiva da árvore Donningsman nas florestas tropicais do Continente Sul tem tido um efeito significativo no aumento do crescimento capilar.”
— …
Klein desviou o olhar, abriu a porta e saiu do escritório do Capitão.
De repente, houve um pensamento bem humorado que passou por sua cabeça.
Na verdade, um Beyonder não precisa passar por esse problema. Se o Velho Neil ainda estivesse por perto, ele poderia criar uma mágica ritualística para o crescimento de cabelo. Então, ele oraria pela assistência da Deusa. Agora, se o indivíduo fosse coberto de cabelos e se tornasse um babuíno de cabelos encaracolados é outra história… Qual seria a resposta da Deusa? Se fosse eu, definitivamente xingaria: filho da puta…
Esse pensamento repentinamente manchou a felicidade de Klein com tristeza, mas havia também uma pitada de hilaridade na tristeza.
Ele entrou na sala dos funcionários e sentou-se diante da máquina de escrever Akerson Modelo 1346 e terminou de digitar seu pedido.
Depois que Dunn Smith carimbou e assinou o pedido, ele o levou até o subterrâneo e caminhou pelo túnel iluminado por lâmpadas a gás, em direção ao Portão Chanis.
Somente naquele momento Klein percebeu uma coisa.
Seria a primeira vez que ele estava indo além do misterioso portão!
Me pergunto como é… — Ele acelerou o passo com antecipação, parando diante da porta dupla do portão preto.
Ele passou seu pedido a Seeka Tron, que estava de serviço naquele dia, para fins de registro. Então, Klein pegou de volta o documento que agora também tinha sua assinatura, e bateu no Portão Chanis sentindo o quão vazio e distante o eco soava.
Ele não ouviu nenhum passo, mas em meio minuto o portão com os sete Emblemas Sagrados das Trevas se abriu com um rangido.
O Portão Chanis foi aberto o suficiente para permitir a passagem de uma única pessoa antes de parar. Klein então entrou com a ajuda das lâmpadas a gás nos dois lados do corredor.
Atrás do portão, havia um homem idoso com rugas aparentes e cabelos ralos. Ele estava vestindo uma túnica preta clássica e segurando um lampião.
A luz fraca da vela brilhava através do vidro, iluminando o rosto inexpressivo do idoso, que era uma mistura de luz e escuridão. Seus olhos azuis claros eram como gelo congelado por mil anos.
— Documento — ele disse com sua voz rouca.
Klein já havia visto o homem idoso antes, porque ao anoitecer, todos os dias ele saía de trás de Portão Chanis com seus parceiros. Eles passavam pela sala de segurança e seguiam pelo corredor que levava à Catedral de Santa Selena.
Eles eram Falcões Noturnos que tinham envelhecido e se ofereceram para ficar de guarda lá dentro.
Segundo o entendimento de Klein, havia cinco deles vigiando o Portão.
— Esta é a minha solicitação. — Ele passou o documento em suas mãos para o homem idoso diante dele.
O guarda de olhos azuis claros ergueu o lampião e olhou atentamente o pedido. Depois de se certificar de que não havia erros, ele se afastou e deixou Klein passar.
Klein passou pelo Portão Chanis lentamente. Ele ainda tinha que dar uma boa olhada ao redor quando sentiu um arrepio indescritível.
Não era o frio do inverno, mas um calafrio que faria a espiritualidade de um ser humano tremer.
Klein levantou o olhar e olhou para longe. Ele viu castiçais aparecendo na parede sucessivamente, e havia velas prateadas com esculturas. As chamas emitiam um brilho azulado, sem nenhum tremor.
Creak!
O guarda fechou o Portão Chanis e os arredores ficaram extremamamente silenciosos.
Havia uma passagem larga diante de Klein, uma passagem pavimentada com antigas lajes de pedra.
Nos dois lados da passagem havia portas de pedra rotuladas com “Ingredientes”, “Medicamentos”, “Informação” e assim por diante.
No final da passagem, havia um lance de escadas que se ligava aos andares inferiores, que se estendia no escuro como se estivesse conectada ao abismo.
Deve estar conectada a diferentes locais selados que possuem Artefatos Selados. Ouvi dizer que existem alguns andares… Me pergunto qual andar contém as cinzas de Santa Selena? — Klein se adaptou ao brilho atrás do portão e de repente sentiu que havia algo sem forma arranhando sua pele. Tinham formas de tiras, e cada um deles o gelou até os ossos.
Ele estremeceu e não pôde deixar de ativar sua Visão Espiritual.
Então, olhando para toda a área atrás do Portão Chanis, ele percebeu que estava preenchido de finas linhas pretas, balançando levemente, ocasionalmente agrupadas, ocasionalmente estendidas. Elas estavam entrelaçadas, sem lacunas.
Iste… Este é o poder selador por trás do Portão Chanis? — Klein assentiu indiscernivelmente. Ele controlou seus pensamentos e seguiu o guarda. Eles passaram por uma pesada porta de pedra chamada “Sala de Medicamentos”.
Logo ele encontrou o extrato de amantha, o medicamento olho do espírito e o agente sedativo seguindo os rótulos em ordem alfabética.
Ele já tinha visto os dois primeiros antes, mas era a primeira vez que via o último. Ele viu que um líquido azul ondulava na garrafa de vidro translúcido, e, por alguma razão, olhar para o fluido o fez sentir como se tivesse entrado no abraço de braços maternos.
Na garrafa, havia um rótulo mostrando a data de fabricação e a data de validade, mas ainda estava um pouco longe.
Felizmente ainda pode ser usado… — Klein pegou os três pequenos frascos e voltou para o Portão Chanis com o guarda fazendo-o companhia. Ele sacudiu a sensação de frio que alcançou o canto mais profundo de sua alma e a experiência assustadora de ser varrido pelas linhas negras.
Quando o Portão Chanis se fechou, ele não pôde deixar de olhar para trás e murmurou consigo mesmo:
— Ficar lá por um longo tempo afetaria tanto o corpo quanto a alma, certo?
— Não é de admirar que os guardas tenham que se voluntariar…
Ao amanhecer, Klein usou uma técnica especial para trancar seu quarto. Ele abriu sua janela e pulou para fora.
A altura de dois andares não representava perigo para o seu presente eu. Ele aterrissou com firmeza sem hesitar.
A carruagem dos Falcões Noturnos já estava estacionada em frente, esperando por ele.
Sem nenhuma conversa, Klein chegou rapidamente ao asilo de Tingen, no burgo Norte. Seguindo as instruções do Capitão, ele pegou um desvio para um dos cantos da rua sem lâmpada, onde viu Dunn Smith esperando por ele.
— Vamos entrar. — Dunn assentiu fracamente. — Eu me certifiquei de que não havia ninguém por perto.
— Tudo bem. — Klein rapidamente se aproximou.
Como um Palhaço, entrando em um asilo… isso me lembra um ditado famoso: “É como voltar para casa” — pensou ele.
Ele seguiu Dunn de perto. Com a ajuda da superfície irregular da parede, eles entraram no asilo de forma rápida e ágil, com um equilíbrio excepcional.
Dunn se virou e olhou. Ele assentiu levemente dando sua aprovação.
Os dois se agacharam e silenciosamente se moveram pelo pequeno parque e praça de atividades do hospital. Eles então entraram no prédio de três andares no asilo e chegaram ao último andar, onde ficava o quarto de Hood Eugen.
Como Hood Eugen tinha a possibilidade de se tornar violento agora que enlouqueceu, foi designado para um quarto individual. Felizmente, os Falcões Noturnos de monitoramento não haviam desperdiçado seus esforços durante a vigilância e haviam feito uma cópia da chave do quarto há muito tempo.
Kacha!
A fechadura abriu, e Dunn entrou primeiro. Klein projetou o olhar para além da figura e viu uma pessoa sentada na cama.
O rosto de Hood Eugen era longo e magro. Suas órbitas oculares eram profundamente côncavas e seus cabelos loiros estavam despenteados.
Ele estava olhando para a janela com grades de metal com seus olhos azuis acinzentados. Estava olhando a lua carmesim lá fora.
Klein fechou a porta do quarto e riu quando perguntou casualmente:
— Por que você não está dormindo?
Dunn ficou surpreso e de repente se lembrou que Klein era agora um Palhaço Sequência 8. Por isso, ele permaneceu em silêncio e recuou para um canto da sala.
Hood Eugen virou a cabeça e olhou para Klein. Ele riu de maneira insana e respondeu:
— Estou esperando meu bolo.
Capítulo 185
Capítulo 185 – Mundo Espiritual
Esperando bolo? Essa realmente não era a resposta que eu estava esperando… Claro, se eu fosse antecipar a resposta de um paciente mental, não significaria que eu estaria quase lá…? — O pensamento passou pela mente de Klein. Ele manteve seu sorriso relaxado como se estivesse conversando com um amigo.
— Quem vai lhe enviar um bolo?
A expressão de Hood Eugen mudou instantaneamente, seu rosto desapontado e deprimido.
— Não, não há bolo… Não há bolo!
— Você roubou meu bolo!
Sua voz de repente se tornou estridente e ele olhou furioso para Klein.
Sem esperar Klein falar, ele abriu a boca e soltou um grito, revelando duas fileiras de dentes brancos.
Depois disso, ele pulou do colchão enquanto salivava, se aproximou de Klein com um passo e estendeu as mãos, tentando agarrar os ombros de Klein. Ele queria arrastar Klein em sua direção e mordêlo.
Apesar do ataque repentino, Klein reagiu rapidamente, apesar de parecer um pouco perturbado. Ele instantaneamente dobrou os joelhos e se agachou. Ao mesmo tempo, inclinou o corpo para o lado e levantou o braço esquerdo.
Oof!
Seu ombro bateu no abdômen de Hood Eugen, fazendo com que os olhos de Hood ficassem brancos e a baba pingasse de sua boca.
Mas Hood Eugen não parou de se mover. Ele permitiu que o momentum o carregasse enquanto abria os braços na tentativa de puxar Klein para um abraço de urso.
Klein inclinou o corpo para o lado e rolou, seus movimentos eram suaves, como se os tivesse praticado centenas de vezes.
Ele empurrou o chão com a mão direita e levantou-se com uma cambalhota, e, decidindo ir para a ofensiva, avançou para conter o oponente.
Mas, naquele momento, Hood Eugen apenas ficou parado, com os olhos perdendo o foco, ficando vagos e perdidos.
Klein congelou por um momento. Ele virou a cabeça para o canto da sala, apenas para ver Dunn Smith, vestindo um casaco preto e chapéu combinando, com as mãos entrelaçadas firmemente e olhando para baixo.
O Capitão arrastou Hood Eugen para um sonho… — Ao perceber isso, ele interrompeu seu ataque subsequente e aproveitou a oportunidade para pegar a adaga ritualística de prata que não era capaz de machucar ninguém. Ele a usou para criar uma barreira de espiritualidade que selou a ala.
Klein pegou três velas com infusão de hortelã e as colocou na janela em uma formação triangular. Uma vela significava a Deusa da Noite Eterna, outra a Mãe dos Segredos, e a última representava ele mesmo.
Logo depois, ele montou um altar simples e usou sua espiritualidade para acender as velas.
Quando estava prestes a avisar o Capitão, Dunn levantou a cabeça e sorriu.
— Os sonhos de Hood Eugen são um mar de caos. Não há como guiá-los.
Assim que terminou sua frase os olhos de Hood Eugen não estavam mais vagos, seu brilho havia retornado.
Então, o Psiquiatra insano moveu sua cintura, deixando escapar um bocejo confortável.
Klein ficou momentaneamente perdido, então ele permaneceu quieto. Pegando uma garrafa de metal contendo o extrato de amantha.
Ele pingou o líquido transparente extraído da baunilha noturna, flor do sono e camomila nas chamas da vela representando a si mesmo, permitindo que o aroma sereno se espalhasse pela sala.
O nervosismo, raiva e alívio de Hood Eugen desapareceram completamente. Ele se sentou languidamente mais uma vez na beira da cama e olhou para a lua carmesim do lado de fora da janela, atordoado. Seus olhos mais uma vez perderam o foco e a paz foi restaurada.
Klein também sentiu a paz que veio com a noite. Ele colocou o extrato de amantha no chão e sentou-se ao lado do paciente. Ele queria encontrar algo para quebrar a última linha de defesa de Hood.
Somente com a remoção da última linha de defesa ele poderia usar o medicamento olho do espírito para fazer a alma de Hood Eugen deslizar para um estado turvo.
Afinal, eu não sou um Médium Espiritual profissional… — Ele já tinha um plano antes de vir, então pegou um baralho de tarô do bolso.
Esse conjunto de cartas tinha apenas os vinte e dois Arcanos Maiores, por isso era fácil de carregar no bolso. Era uma “arma” que Klein havia solicitado com sucesso.
Cada uma das cartas era forrada com fios de metal feitos de prata pura, cada um deles era capaz de matar seres mortos-vivos. Seus desenhos eram complicados e lindos, fazendo Klein sentir que era um item de colecionador, e não algo a ser usado contra inimigos.
Klein cortou o baralho com uma mão e sorriu para Hood Eugen.
— Vamos jogar alguns jogos de cartas.
— Cartas? — Hood Eugen desviou o olhar da janela enquanto repetia o termo, atordoado.
Klein não respondeu, colocando o baralho de cartas na palma de Hood com uma sinceridade que não pôde ser rejeitada.
Hood Eugen imitou as ações de Klein, tentando ao máximo cortar o baralho com uma mão para obter algum sucesso.
A atenção do paciente mental foi lentamente atraída para as cartas duras, porém flexíveis e com uma bela textura em sua mão. Ele virou a primeira carta:
Era a imagem de um homem em roupas esfarrapadas com as mãos amarradas. Ele estava pendurado pela perna com uma auréola fraca na cabeça.
O Enforcado… — Klein assentiu, pensativo. Ele aproveitou a oportunidade para pegar o medicamento olho do espírito, pingando o líquido âmbar na chama da vela, ainda naquela que representava a si mesmo.
Uma fragrância alcoólica se espalhou, induzindo um sentimento de embriaguez a quem sentia o cheiro.
Hood Eugen se afastou pouco a pouco, sua visão perdendo o foco. O baralho de cartas de tarô em sua mão caiu sobre a cama.
Mas ele permaneceu sentado, sem cair.
Klein usou Cogitação para lutar contra os efeitos de sonolência do medicamento, efeitos de ficar tonto e etéreo. Ele pegou outra garrafa de metal do bolso e abriu a tampa antes de derramar o líquido azul na boca.
O agente sedativo!
O líquido gelado fluiu por sua garganta, pelo esôfago até seu estômago. Klein instantaneamente se sentiu extraordinariamente acordado, sem qualquer sensação de sonolência.
Ele exalou lentamente, depois familiarmente retirou os outros extratos de óleo essencial e pós de ervas, pingando-os nas duas velas, simbolizando a Deusa da Noite Eterna.
No nevoeiro fraco, ele deu dois passos para trás e murmurou solenemente em Hermes:
— Eu rezo pelo poder da noite escura.
— Eu rezo pelo poder do mistério.
— Eu rezo pela graça amorosa da Deusa.
— Rezo para que você permita eu me comunicar com a espiritualidade do Beyonder ao meu lado, Hood Eugen.
…
Os encantamentos reverberaram pela sala, e Klein viu as chamas da vela, agora tingidas de preto, se espalharem para fora.
Ele não as evitou, nem se protegeu contra elas. Ele permitiu que a “noite” escura o envolvesse.
Nesse estado invulgarmente lúcido, ele sentiu seu espírito deixar a proteção de seu corpo e entrar em um espaço semelhante ao espaço sideral. Ao seu redor havia uma escuridão ilimitada e silenciosa. O céu acima dele estava cheio de inúmeras figuras indescritíveis e transparentes. Havia também faixas de diferentes cores, esplendores lustrosos que abrigavam um conhecimento infinito.
O mundo espiritual… — Klein não era mais estranho a isso.
Assim que teve esse pensamento, um mundo nebuloso apareceu diante dele. Era um mundo envolto por um leve tornado de luz.
Klein sabia que isso representava o espírito de Hood Eugen, que isso representava seu Corpo de Coração e Mente. Assim, ele se inclinou, cavando a parede que era o tornado.
Em um instante, ele viu incontáveis manchas de luz atingindo-o, e ouviu as vozes de milhares de pessoas discutindo algo em sussurros.
Esses murmúrios eram muito caóticos e não tinham lógica alguma. Alguns incluíam elogios à elegância de uma dama, depois se transformaram em uma descrição do sentimento de alívio depois de usar o banheiro. Alguns começaram como um choro, depois se transformaram em alegria frenética…
Os pensamentos insanos se apegaram e roeram o espírito de Klein, na tentativa de assimilá-lo. Mas Klein manteve sua lucidez e racionalidade, voando rapidamente em direção ao mundo espiritual de Hood Eugen.
É como um concerto agradável em comparação com os horríveis murmúrios e uivos que ouço ao entrar no mundo acima do nevoeiro cinzento… — Klein sorriu secretamente e atravessou o tornado. Ele viu um translúcido e grogue Hood Eugen.
O Psiquiatra Sequência 7 manteve o mesmo estado em que estava no mundo exterior, olhando com uma expressão atordoada.
Klein parou diante dele e perguntou baixinho:
— Você conhece Lanevus?
Hood Eugen respondeu com uma expressão vaga:
— Sim.
A luz ao redor deles passou por uma transformação como se Hood Eugen estivesse revelando seu “mar espiritual”.
Rapidamente, a luz entrelaçada revelou um homem de óculos de aparência mediana que exibia um sorriso sarcástico. Era o mesmo Lanevus que Klein havia visto nos mandados de prisão.
Klein assentiu com satisfação e se recompôs. Ele fez uma pergunta dirigida:
— Por que Lanevus procurou por você?
— Ele disse… — A voz de Hood Eugen lentamente se tornou suave.
De repente, ele mudou para uma voz mais carismática e riu um pouco maniacamente.
— Hood Eugen, esta é a pior época, mas também a melhor. Contanto que você aproveite a oportunidade, podemos nos tornar os governantes deste mundo, podemos nos tornar verdadeiros imortais!
— Enquanto você estiver disposto a ajudar, não apenas lhe mostrarei o caminho para dominar sua poção e evitar perder o controle, mas também prometo que você receberá qualidades de divindade no futuro, qualidades de uma divindade imortal!
— Você deve conseguir ver a presença atrás de mim. Minha promessa é a promessa “Dele”. Em certo sentido, os Alquimistas da Psicologia estão conectados a “ele”.
— Não duvide. Os Alquimistas da Psicologia não são fortes o suficiente no momento, é impossível fornecer ajuda suficiente, a menos que você esteja disposto a permanecer nesse mesmo nível pelo resto de sua vida.
O método para compreender sua poção sem perder o controle… Por que isso soa como eu atraio outras pessoas com o “método de atuação” … Lanevus certamente tem ambições grandiosas. Ele é apenas um Sequência 8, mas já está falando sobre manipular qualidades de divindade… Exatamente que presença oculta está apoiando ele…? Esse cara parece estar planejando algo, que não é apenas para enganar as pessoas pelo seu dinheiro, ou poderia a execução de golpes ser apenas um hobby? — Klein teve muitos pensamentos enquanto ouvia. Quando Hood Eugen parou de falar, ele rapidamente continuou:
— Que tipo de assistência Lanevus queria que você desse?
Hood Eugen não respondeu imediatamente, seu mundo espiritual ficou em silêncio.
Ele então começou a rir. Ele respondeu erraticamente:
— Socorro… Socorro… Socorro!
— Hahaha, eu forneci ajuda! Eu forneci ajuda!
— Eu fiz…
Suas palavras pararam abruptamente e sua alma embaçada se contorceu. A luz e as trevas dos arredores que representavam o mar espiritual rapidamente se tornaram incorpóreas, formando um altar sinistro, assustador e escuro.
No topo do altar havia uma cruz. Parecia haver algo pendurado na cruz, bem como coisas que pareciam indiscerníveis empilhadas na parte inferior.
A luz e as trevas se alternavam e, quando o item pendurado estava prestes a ficar mais claro, todo o mundo espiritual tremeu, como se estivesse experimentando um terremoto de magnitude dez.
Puta merda! — Klein tinha a premonição de que algo perigoso estava prestes a acontecer. Sem pensar, ele se virou e voou em direção ao caótico tornado de pensamentos, na tentativa de escapar.
Capítulo 186
Capítulo 186 – O Capitão Bonito
Incontáveis raios de brilho cobriram Klein, e delírios de um milhão de pessoas encheram seus ouvidos. No entanto, Klein não pensou nisso. Suas habilidades como Palhaço lhe disseram que seu espírito estava sendo tragado por uma sombra negra que estava se expandindo rapidamente.
A sombra negra era uma imensa cruz, e parecia haver uma pessoa pendurada de cabeça para baixo nela!
Kacha!
O tornado caótico de pensamentos desencadeou sua carga para o exterior e se tornou uniforme. Lentamente, o mundo espiritual de Hood Eugen se desintegrou.
Klein notou que ele havia excedido sua velocidade de vôo mais rápida em comparação com seu teste anterior; sua alma se tornou significativamente mais forte depois que ele se misturou brevemente com um pouco da força do espaço misterioso acima do nevoeiro cinzento.
No momento em que a sombra da cruz estava prestes a engolí-lo, ele saiu do “mundo” embaçado e finalmente sentiu seu corpo.
Ele familiarmente simulou uma queda, e o rosto longo e magro de Hood Eugen e seus cabelos loiros e bagunçados apareceram instantaneamente em sua visão, junto com as três velas que estavam queimando no parapeito da janela.
Ele conseguiu sair do estado mediúnico a tempo!
Naquele instante, ele viu escamas negras crescendo uma após a outra no rosto de Hood Eugen. Suas pupilas vagas se transformaram em fendas, tornando-se extremamente frias e cruéis.
Droga! Ele vai perder o controle! — As pupilas de Klein se contraíram, e antes que pudesse reagir, ele viu uma figura em um blusão preto até a altura dos joelhos e uma cartola de seda dar dois grandes passos diante de Hood Eugen. Ele então levantou o revólver e o empurrou contra a cabeça do homem.
Bang! Bang! Bang! Bang! Bang!
Dunn Smith disparou cinco balas consecutivamente. De repente, a cabeça de Hood Eugen explodiu como uma melancia caindo de uma grande altura. A tempestade vermelha e branca se espalhou por todos os cantos da sala.
Ele havia cuidado de Hood Eugen antes de ele perder completamente o controle!
Klein, a cinquenta centímetros de distância, estava coberto de sangue e sujeira. Ele olhou para Dunn Smith atordoado, apenas com a sensação de que o Capitão estava muito bonito naquele momento.
Contanto que você ignore os problemas de memória dele, o Capitão é bastante confiável… — Ele elogiou sinceramente do fundo do seu coração.
— Aconteceu algum acidente? — Dunn guardou o revólver e observou o corpo quase sem cabeça de Hood Eugen cair lentamente no chão.
No momento em que Klein estava prestes a organizar suas palavras, ele viu que o corpo havia se tornado uma pilha de carne ensanguentada em poucos segundos e o uniforme de asilo que o cobria parecia ter sua estrutura mais básica danificada.
O cadáver de Hood Eugen ficou com muitos poucos “pedaços” completos. Havia dezenas de escamas brilhando com um brilho preto, e seu coração havia se tornado cristalino e de cor azul claro.
O coração tinha um brilho mágico, como um diamante refratando a luz que entrava.
Isso poderia acalmar alguém ou deixá-lo inquieto. Poderia criar tensão ou desenvolver o caos. Mas fora isso, não havia nada de notável.
— Este item deve ser controlável. — Depois que Dunn colocou o revólver no coldre, ele pegou uma luva negra e a usou na mão direita. Ele então se agachou para pegar o coração cristalino.
Um item controlável… De acordo com o que o Capitão mencionou anteriormente, poderia ser usado como o ingrediente principal da fórmula de um Psiquiatra Sequência 7… Mas isso levaria o Beyonder avançado a perder o controle ainda mais facilmente? — Klein pegou o lenço para limpar o sangue do rosto e do corpo. Ele então pegou suas cartas de tarô feitas especialmente e limpou suas superfícies.
Ele olhou para o chão e perguntou com curiosidade:
— Que tipo de itens essas escamas negras seriam consideradas?
— Estes são ingredientes que estão contaminados com poder Beyonder, podendo ser transformadas em itens com efeitos duradouros. Por exemplo, a capacidade de nossas balas antidemônios de ferir espíritos ou monstros diminuiria drasticamente assim que passassem a marca dos três meses, deixando apenas uma pequena porção das características anti-demônios nos materiais remanescentes. Se os materiais utilizados fossem parecidos com as escamas negras, o período efetivo seria de um ou dois anos, e os efeitos seriam ainda melhores. Obviamente, devido às suas características, as escamas negras obviamente não são adequadas para serem transformadas em balas anti-demônio — explicou Dunn, pegando um pedaço de papel de Klein para embrulhar o coração azul e as escamas negras.
— É como os materiais que usamos como ingredientes suplementares para as poções? — Perguntou Klein.
Dunn levantou e assentiu levemente.
— Sim.
Alguém que perde o controle realmente se torna um monstro… — Klein suspirou. Ele aproveitou a oportunidade enquanto a sala ainda estava selada com uma barreira de espiritualidade e rapidamente descreveu seu encontro na mente de Eugen.
— Quando eu estava me comunicando com o espírito de Hood Eugen, vi uma figura como o Verdadeiro Criador em sua mente. Mas era diferente das imagens convencionais, não era o Gigante Enforcado preso com correntes, nem o Olho por trás das Cortinas das Sombras. Em vez disso, era semelhante ao que você viu no sonho de Hanass Vincent.
Hanass Vincent era membro da Ordem Aurora. A amiga de Melissa, Selene, espiou seus encantamentos e completou a divinação de espelho mágico, levando à investigação dos Falcões Noturnos sobre ele.
Dunn Smith viu algo próximo ao Verdadeiro Criador em seu sonho, mas era uma imagem diferente da imagem conhecida, que era amplamente divulgada. No final, o resultado foi uma lesão e uma morte estranha.
Quando Hood Eugen virou a carta de tarô do Enforcado, Klein na verdade já havia antecipado isso. Mas ele nunca pensou que seria apresentado dessa maneira. Claro, era apenas contato indireto. Não seria comparável ao momento em que ele espionou o Eterno Sol Ardente diretamente. O pior resultado era apenas uma lesão leve ou corrupção leve.
Enquanto ouvia a descrição de Klein, a expressão de Dunn se tornou solene.
Ele franziu as sobrancelhas e disse com uma voz profunda:
— Uma cruz enorme, unhas pretas, um homem nu coberto de sangue pendurado de cabeça para baixo?
— Eu não vi claramente. Essa também é a razão pela qual não estou ferido. Eu só notei uma cruz enorme e uma figura semelhante a um homem pendurado de cabeça para baixo — respondeu Klein.
Naquele momento, tudo o que importava era “fugir”…
Aparentemente pensativo, Dunn assentiu e disse:
— A visita de Lanevus a Hood Eugen estava relacionada ao Verdadeiro Criador? Então a Ordem Aurora está envolvida?
Klein repetiu rapidamente a conversa que teve durante a comunicação.
— Lanevus tentou Hood Eugen com o “método de atuação” e a chamada divindade imortal. Mas não entendo por que ele disse que era o pior dos tempos, e também o melhor dos tempos. Talvez seja só o jeito que ele fala como Vigarista?
— … A ajuda que Hood Eugen forneceu envolveu um altar sinistro e escuro… Eu suspeito que Lanevus esteja planejando algo aterrorizante…
Então, seu coração palpitou enquanto ele falava.
— Capitão, você se lembra da carta escrita ao Sr. Z? A carta que o membro da Ordem Aurora que eu matei carregava?
— Ele mencionou na carta que estava esperando por uma oportunidade apropriada, algo sobre a chegada do fim dos dias. Ele oferecerá todos os cordeiros em Tingen ao seu chamado Deus. Estaria relacionado ao plano de Lanevus?
— Poderia Lanevus ser o Sr. Z da Ordem Aurora?
Dunn Smith pensou cuidadosamente e disse:
— Acho que não, Lanevus não poderia ser o Sr. Z. Caso contrário, ele não estaria montando uma empresa siderúrgica falsa para enganar as pessoas enquanto a Ordem Aurora estivesse planejando algo. Introduziria muitas variáveis em seu plano principal. Se algo desse errado com a farsa, ele chamaria a atenção da polícia e de nós. Ele teria que fugir de Tingen e abandonar seu plano.
— É claro que, se ele fosse louco, seria perfeitamente normal que agisse de maneira não lógica.
— Mas, a julgar pelo golpe que criou, a calma e astúcia com que pegou o dinheiro não o fazem parecer um verdadeiro lunático.
— Por isso não acho que ele é o Sr. Z da Ordem Aurora. Claro, ele pode realmente estar envolvido no assunto, como mencionado na carta. Aquele que oferece todos os cordeiros em Tingen ao chamado Deus.
Ao dizer isso, Dunn fez uma pausa e andou de um lado para o outro enquanto dizia:
— Esse incidente pode ter repercussões bastante graves. Temos que reinvestigar Lanevus e obter algumas pistas. Hmm, vamos limpar a cena e encobrir qualquer evidência aqui. Que todos saibam que Hood Eugen morreu, mas não deixaram pistas sobre quem o matou. Isso deve levar à ação dos Alquimistas da Psicologia ou de outros Beyonders que estão prestando atenção ao asilo. Eles podem saber de alguma coisa.
— O golpe de Lanevus ainda está nas mãos do departamento de polícia ou foi transferido para os Punidores a Mandato. Nos juntaremos às investigações dizendo que obtivemos pistas enquanto investigamos a Ordem Aurora. Em seguida, trabalharemos em conjunto com os Punidores a Mandato e a Consciência Coletiva das Máquinas. Vamos concentrar as forças em Tingen e investigar tudo e qualquer pessoa associada a Lanevus. Podemos solicitar assistência da diocese de Backlund e da Catedral Sagrada, se necessário!
Depois disso, Dunn virou a cabeça de lado para olhar para Klein. Ele ruminou e disse:
— Você tem alguma coisa que gostaria de adicionar?
Capitão, você basicamente disse tudo… — Klein balançou a cabeça.
— Não!
Ele rapidamente usou magia ritualística para remover alguns dos vestígios necessários com a ajuda do altar simples que ainda tinha que desfazer, para garantir que ninguém fosse capaz de dizer que foram eles que mataram Hood Eugen.
Depois, guardou os ingredientes, soprou as velas, removeu a barreira de espiritualidade e deixou a ala com Dunn Smith em silêncio. Eles deixaram o asilo escalando seus muros.
— Volte e descanse. — Dunn estava em uma esquina da rua sem iluminação. Ele ajeitou o chapéu preto de seda e acrescentou:
— Há muitas coisas que só podem ser feitas amanhã.
— Tudo bem. — Klein não era um Sem Sono que dormia apenas duas a três horas por dia. Ele imediatamente se despediu do Capitão e pegou a carruagem dedicada dos Falcões Noturnos que estava esperando nas proximidades e retornou à rua Narciso.
Antes de entrar na carruagem, ele se virou para dar uma olhada e viu o Capitão ainda parado no escuro, que nem a luz da lua conseguia alcançar. Ele parecia estar pensando em silêncio.
As ruas estavam quietas e vazias antes do amanhecer. A carruagem rasgava as ruas, ora em caminhos retos, ora virando.
Klein refletia sobre Lanevus quando, de repente, sentiu como se estivesse em transe.
Ele viu a cor diante de seus olhos ficar saturada. Os vermelhos ficaram mais vermelhos e os pretos mais negros, assim como a pintura a óleo de um impressionista.
Os arredores diminuíram a velocidade e a carruagem parecia entrar em um mundo estranho.
Klein pegou seu charm do Sol Ardente e sacou o revólver.
Nesse momento, uma enorme palma branca e óssea se estendeu pela janela da carruagem e jogou uma carta bem dobrada.
Então, a palma se afastou e desapareceu. De repente, a cena de pintura a óleo voltou ao normal enquanto a carruagem ainda andava pela rua com firmeza.
… É um método realmente bem sigiloso… — Klein olhou para a carta, ao lado do seu pé, enquanto o canto dos lábios se contorcia.
Capítulo 187
Capítulo 187 – Aviso de Azik
As ações do mensageiro deixaram Klein chocado por cinco segundos inteiros antes que ele se recuperasse. Se inclinando, ele pegou a carta.
Mesmo que o Sr. Azik seja incapaz de usar uma boa parte de suas habilidades como Beyonder por causa de sua perda de memória, ser capaz de enviar um mensageiro desses deve torná-lo poderoso o suficiente para lidar com um Beyonder Sequência 7 ou 6. — Seu coração refletia sua expressão de choque e inveja. Ele não desdobrou a carta imediatamente, em vez disso a colocou no bolso, junto com os charms de sonolência
A carruagem continuou seguindo seu caminho. Quando Klein desceu na rua Narciso, ele instintivamente olhou para o motorista, Cesare, apenas para ver seu sorriso relaxado, como se não tivesse notado nada de anormal acontecer.
Klein assentiu e voltou para casa depois de observar Cesare com sua Visão Espiritual.
Ele olhou para a varanda e os canos no segundo andar e, pensando por alguns segundos, decidiu manter seu comportamento de cavalheiro e não tentar escalar os canos até seu quarto. Quanto às roupas manchadas, ele as levaria para a Companhia de Segurança Blackthorn amanhã e contrataria um profissional pelo departamento de polícia para lavá-las. Isso impediria que suas roupas assustassem sua empregada Bella e sua irmã Melissa.
Klein havia removido a trava de segurança da porta da frente antes de saltar pela janela do segundo andar. Agora, ele se aproveitou do fato de ser tarde da noite e silenciosamente abriu a porta de sua casa, entrando habilmente.
Depois de fechar e trancar a porta principal, ele deu um suspiro de alívio e subiu ao segundo andar com passos silenciosos.
Parando diante de seu quarto trancado, Klein calmamente pegou uma carta de tarô. Ele a inseriu na fenda da porta e puxou levemente, abrindo com facilidade a fechadura especializada que ele mesmo havia projetado.
Ele então entrou no quarto, trancou a porta e tirou suas roupas antes de relaxar completamente.
Realmente me sinto como um ladrão… — Klein riu e balançou a cabeça. Ele calmamente pegou seu revólver e o colocou debaixo do travesseiro.
Depois que terminou tudo, ele acendeu a lâmpada a gás e sentouse na frente da escrivaninha, pegou a carta e começou a ler, concentrado.
“Sinto muito por responder somente agora; estive ocupado procurando vestígios do meu passado. Eu também tenho me encontrado com ex-professores e alunos e isto vai até tarde da noite.”
“Finalmente entendo os encontros que tive nos últimos dois dias depois de ler sua carta. A polícia revistou todos os quartos do hotel em que estou hospedado. Havia uma pessoa que estava secretamente espionando os arredores no hotel tarde da noite. Sim, estou falando de uma pessoa com poderes Beyonder.”
“… Então o contra-almirante Furacão Qilangos, que é um personagem frequente em romances e jornais, se infiltrou em Backlund e passou por uma onda de assassinatos. Lembro que ele não é apenas procurado pelo Reino Loen, também está na lista de recompensas do Império Feysac, da República Intis, do Reino Feynapotter…”
Então, quanto é a recompensa? — Klein subconscientemente se perguntou.
Ele não obteve resposta porque Azik tinha começado a mencionar outra coisa.
“Acho as habilidades de um Pastor, que você descreveu, bastante familiares, é como se as tivesse visto em algum lugar, mas não consigo me lembrar onde. Deve ser de algum encontro de uma das minhas vidas passadas. Não conseguir me lembrar me deixa bastante frustrado.”
Eh, o Sr. Azik está um pouco interessado no Pastor. Posso usar isso para ele me ajudar. Sim, que bela coincidência… Não, isso não é coincidência, é inevitável!
Pode-se inferir que o Sr. Azik tem mais de mil anos e é provavelmente um Beyonder de alta Sequência. Então ele provavelmente teria se deparado com os poderes de muitos diferentes Beyonders em suas vidas anteriores. Ele também teria impressões mais profundas daqueles mais únicos… Em outras palavras, não apenas Pastor lhe traria sentimentos de familiaridade, mas sequências como Sem Sombra, Caçador de Demônios ou Guardião também o fariam…
É altamente provável que o Sr. Azik encontre algum item místico que corresponda às habilidades de uma sequência específica e tenha seu interesse despertado. Isso é algo que posso imaginar…
Klein estava em dúvida, mas chegou a uma conclusão; e como resultado ele estava bem mais confiante.
Ele moveu o olhar e continuou a ler a carta.
“Me lembro de algumas partes do ritual de sacrifício sobre as quais você perguntou, provavelmente porque tenho uma impressão mais profunda delas. Talvez eu tenha sido padre em uma das minhas vidas mais recentes.”
“Tenho que lembrá-lo e adverti-lo de que você deve ser muito cauteloso ao usar rituais de sacrifício. Você não pode confiar sua segurança a deuses malignos ou a existências misteriosas e ocultas. Eles não têm consciência como nós.”
“Além disso, você deve possuir um forte senso de certo e errado, pois os deuses malignos e demônios geralmente criam identidades aparentemente inofensivas para si mesmos. Minha opinião é que você não pode sacrificar algo cuja presença não está totalmente ciente; caso contrário, sua alma pode acabar sendo o item sacrificial.”
Em termos simples, deuses malignos e demônios assumirão outra forma, disfarçando-se como alguém de confiança… Assim como na Internet, uma conta que afirma ser uma garota aparentemente adorável pode ser controlada por um cara enorme… — Ele tinha que ser cauteloso mesmo se confirmasse sua aparência antes de se encontrarem off-line, pois ela poderia ser apenas um crossdresser… Klein não desconsiderou o aviso de Azik apenas porque ele estava conduzindo o ritual de sacrifício para si mesmo. Ele assentiu em aprovação.
Depois que Azik enfatizou algumas coisas que ele precisava prestar atenção, ele rapidamente explicou o ritual de sacrifício que conhecia.
“Primeiro, monte o ritual. Escolha os símbolos com base em qual deidade ou existência misteriosa não ortodoxa você oferecerá o sacrifício. Use as ervas e minerais correspondentes do domínio “Dele” ou “Dela”. Mas é claro, você também pode transformá-los em óleos sagrados, pomadas, aromas e outros itens com antecedência.”
Símbolos? — Klein congelou por um momento. Ele percebeu que ele, O Louco que não pertencia a esta época, não sabia qual era seu símbolo correspondente…
Ele pensou por um momento, se lembrando rapidamente do símbolo complexo nas costas de sua cadeira na antiga mesa de bronze. Era constituído por um Olho sem Pupila, que representava sigilo, e por linhas parcialmente contorcidas, que representavam mudanças.
Esse deve ser o meu símbolo, ou mais precisamente, é isso que me simboliza no mundo acima do nevoeiro cinzento. Meu domínio é muito mais simples: sigilo, mudança, boa sorte… Mas não tenho muita certeza disso, então terei que tentar… Mesmo que o símbolo esteja errado, desde que eu consiga acertar meu nome honorífico, o alvo do sacrifício não apontaria para outra entidade. A pior coisa que poderia acontecer é o ritual falhar. Disso tenho certeza… — pensou Klein enquanto esfregava a superfície do papel enquanto formulava um plano em sua mente.
Seus olhos focaram na carta mais uma vez, lendo seu restante.
“Segundo, precisa ficar claro se o sacrifício precisa acontecer em um horário específico. Depois, siga os processos de um ritual normal, até terminar de recitar os nomes honoríficos e encantamentos do ritual.”
“Você deve se lembrar de usar Jotun, Dragones, Élfico ou antigo Hermes. Você deve usar os poderes naturais desses idiomas para estabelecer uma conexão direta com a entidade correspondente. Você pode criar os encantamentos exatos a serem usados, mas deve incluir os seguintes termos essenciais: “rezar”, “notar”, “oferecer”, “reino”, “portões” e “abrir”.”
“Finalmente, você deve usar materiais que tenham uma certa qualidade espiritual para criar uma conexão com os poderes naturais do encantamento. Isso permitirá que você construa um túnel que se conecte aos portões do reino onde a entidade correspondente reside. Se a entidade estiver interessada, seu sacrifício estará completo.”
“Este passo não é absolutamente necessário. Se você puder tornar a entidade correspondente muito interessada em seu sacrifício, então “Ele” abrirá os portões para o reino “Dele” para você depois que terminar de recitar os encantamentos, estabelecendo um túnel estável por sua própria vontade. Claro, isso frequentemente implicaria perigo, já que o resultado ortodoxo é que deuses ocultos relativamente amigáveis raramente fazem isso. Somente deuses malignos ou demônios responderiam diretamente a você, a fim de alcançar seus objetivos.”
Materiais que têm espiritualidade não são baratos… Será que apenas recitar os encantamentos me permitiria abrir um túnel de sacrifício semelhante à Porta da Invocação? Gostaria de saber se seria possível usar as habilidades do mundo acima do nevoeiro cinzento… Sim, tentarei isso primeiro e só comprarei os materiais com espiritualidade no mercado clandestino se eu falhar. Preciso de ingredientes Beyonder? O necessário é possuir uma certa quantidade de espiritualidade, certo? — Klein pensou nas 300 libras em sua conta anônima e em sua economia de mais de 10 libras que havia guardado.
Materiais Beyonder não eram completamente idênticos aos materiais que possuíam espiritualidade. Por exemplo, o coração que Hood Eugen deixou para trás era um ingrediente Beyonder, enquanto as escamas negras eram um material que possuía certa espiritualidade.
Depois que terminou de ler a carta do Sr. Azik, Klein esfregou os dedos e acendeu uma chama de espiritualidade. Ele queimou o papel até virar cinzas e o jogou na lixeira.
Já era noite e Klein não tinha pressa em tentar o ritual. Ele pretendia primeiro fazer um plano e passar por tudo o que precisava ficar atento antes de colocá-lo em prática.
Ele tinha uma vaga compreensão de suas limitações há muito tempo. Ele era cauteloso e racional quando se tratava dos planos que havia feito, mas, uma vez que os eventos se desviavam de seus planos originais, ele facilmente consideraria apenas os aspectos positivos e desconsideraria os ruins quando era forçado a agir.
Uma descrição mais simples seria que uma ação precipitada facilmente o levaria a cortejar a morte… Klein estendeu a palma da mão para cobrir o rosto.
…
No dia seguinte, Dunn Smith, que havia se comunicado com os Punidores a Mandato e Consciência Coletiva das Máquinas, começou a designar missões. Klein também recebeu sua tarefa, ele foi encarregado de investigar várias pessoas que tinham conexões com Lanevus. Mas por causa de sua sugestão e da política dos Falcões Noturnos, ele não precisava ser responsável pelas pessoas que já havia encontrado anteriormente.
E claro, Klein continuou com suas aulas de combate à tarde. Dunn também não lhe atribuiu o papel de investigador principal.
Backlund, burgo Hillston. Em um prédio com um estábulo e jardim.
Qilangos, que tinha um queixo largo e olhos verdes escuros, olhou para o homem inconsciente diante dele, tirou as roupas do homem e as vestiu.
Ele então caminhou vagarosamente em frente ao espelho de corpo inteiro e viu a luva negra em sua mão esquerda se contorcer, e observou muitas linhas distorcidas aparecerem na parte de trás.
Alguns segundos depois, Qilangos viu um fino véu de luz envolver sua figura. Seus músculos, pele e ossos começaram a sofrer uma transformação estranha.
Algum tempo depois, ele se transformou no homem inconsciente, completamente idêntico em altura, aparência e comportamento!
Capítulo 188
Capítulo 188 – Baile
Nariz fino, sobrancelhas finas, bochechas levemente caídas, olhos azuis claros… — Qilangos se examinou no espelho. Ele tinha certeza de que não parecia diferente do homem inconsciente.
Depois de ensaiar alguns gestos do homem, ele se abaixou para arrastá-lo do chão e o enfiou dentro de um guarda-roupa.
Estendendo a mão direita, com um estalo audível, ele quebrou o pescoço do homem.
Qilangos pegou seu lenço e limpou as mãos antes de fechar a porta do guarda-roupa.
Voltando lentamente para o espelho, ele vestiu um terno preto transpassado, colocou uma gravata borboleta e levantou uma garrafa de perfume de cor âmbar. Ele pingou algumas gotas no pulso e passou em de si para se perfumar.
Qilangos arrumou o cabelo na frente do espelho e saiu da sala. Ele juntou as mãos e disse ao mordomo que estava esperando do lado de fora:
— Não deixe ninguém entrar no meu quarto; estou mantendo algo muito importante lá dentro.
— Sim, Barão! — O mordomo careca pressionou a mão contra o peito e se curvou. — Sua carruagem e seu criado pessoal estão esperando no andar de baixo. O cartão de convite do duque Negan também está lá.
Mantendo os hábitos do Barão, Qilangos assentiu e caminhou em direção às escadas de maneira arrogante sob a companhia de seu mordomo.
Heh, um barão cheio de dívidas a ponto de não querer contratar um segurança normal, na verdade manteve a contratação de um mordomo, servo pessoal, dois atendentes, duas servas de primeira classe, quatro servas de segunda classe, duas trabalhadoras de lavanderia, uma motorista de carruagem, um mestre de estábulo, um jardineiro, um chef e um sous chef. Para esses nobres tolos, dignidade é realmente tudo… Eu até tive que perder um pouco do meu tempo para aprender as pronúncias estranhas e as chamadas “gírias nobres”… — pensou Qilangos consigo mesmo com desdém.
Backlund, burgo Cherwood. Em um certo apartamento pequeno.
Xio Derecha sentou-se de pernas cruzadas em uma cama e olhou para Fors Wall, que estava lendo um romance com a luz da janela.
Que decepção. Qilangos não deixou pistas para trás. Ainda não descobrimos o que ele está tentando fazer em Backlund.
Elas agiram de acordo com seu plano inicial e fizeram um boletim de ocorrência. Em seguida, secretamente enviaram uma carta para a delegacia local e descreveram em detalhes a estranha situação na cena do crime. Elas também mencionaram que o suspeito poderia ser Qilangos.
A delegacia respondeu como haviam previsto. Os policiais foram muito cuidadosos e transferiram o caso diretamente para os Punidores a Mandato.
Depois de um dia, as notícias de que o contra-almirante Furacão havia se infiltrado em Backlund foram amplamente divulgadas entre todas as “equipes de execução”. Xio e Fors também deixaram o local que originalmente alugaram e se esconderam para investigar em segredo.
Elas não queriam ser levadas de volta à delegacia para ajudar na investigação oficial. Todos os Punidores a Mandato, Falcões Noturnos e Consciência Coletiva das Máquinas eram hostis a Beyonders não oficiais. As Igrejas os viam como criminosos em potencial.
Portanto, Xio e Fors não apenas estavam evitando a possibilidade da perseguição de Qilangos, como também estavam se escondendo das autoridades de “execução”.
— Se pudéssemos descobrir seu objetivo com tanta facilidade,
Qilangos já estaria enterrado em um cemitério há muito tempo, e a lápide estaria coberta de ervas daninhas — respondeu Fors casualmente. — Precisamos esperar pacientemente. Enquanto as autoridades continuarem a ter tanto interesse nele, Qilangos definitivamente cometerá algum erro. Tenho que dizer, tenho muita inveja de um item místico que permite alguém mudar de aparência.
Xio abraçou os joelhos e olhou pela janela.
— Estou preocupada que Qilangos tome medidas em breve e depois fuja de Backlund antes que alguém possa reagir.
— Se isso acontecer, não sei quando poderei avançar para a Sequência 8, muito menos para a Sequência 6 ou Sequência 5…
Ela fez uma pausa e murmurou enquanto seus pensamentos divagavam:
— Eu não sei quando poderei recuperar as coisas que pertenciam à nossa família… Faz quase um ano desde a última vez que vi meu irmão mais novo…
Fors deu um sorriso reconfortante.
— Quando você realizar seus desejos, permita-me escrever uma história sobre suas experiências. Seria definitivamente interessante e empolgante.
— Hmm, na verdade acho a senhorita Audrey bastante generosa. Mesmo que Qilangos escape, acho que ela ainda vai nos recompensar generosamente. Afinal, estamos nos ocupando há tanto tempo, e até mesmo conseguimos fazer com que Qilangos aparecesse.
— Tomara que sim… Ai ai, por que não posso ter encontros fortuitos? — Xio agarrou seus cabelos loiros na altura dos ombros.
Fors franziu a testa e disse:
— No mundo dos Beyonders, encontros fortuitos geralmente são acompanhados de perigo. Ainda estou para descobrir o que significam os delírios que ouço durante a lua cheia, ou ainda se resultarão em mudanças negativas. Heh heh, podem existir encontros fortuitos sem perigos, mas são muito, muito raros. É difícil que seu desejo seja realizado, a menos que… a menos que recebamos os favores de uma divindade ortodoxa ou a atenção de alguma existência oculta e amigável. No entanto, seria difícil dizer se realmente se trata de um deus maligno ou de um demônio disfarçado.
Xio se sentou ereta e desenhou uma lua carmesim em seu peito.
— Que a Deusa me guarde.
Duque Negan estava em sua mansão localizada em Backlund, no burgo Imperatriz, realizando um grande baile.
A mansão possuia duas partes. Uma era o salão de dança localizado no térreo, coberto de glamorosas lajes de pedra esculpidas com complicados desenhos. Havia também o excelente conjunto de músicos do duque tocando em um canto. Subindo as escadas, havia um corredor sinuoso que circulava o salão localizado no segundo andar. Os convidados estavam segurando seus óculos, se apoiando no corrimão, olhando para as pessoas dançando no térreo como se estivessem desfrutando de uma partida de esgrima das arquibancadas. Ocasionalmente, um cavalheiro andava diante de uma dama ou sua esposa para convidá-la para dançar. Se o convite fosse aceito, os dois desceriam as escadas de mãos dadas e entrariam no salão.
Do outro lado do corredor, havia portas e mais portas. Eram quartos que haviam sido alocados aos convidados como seus alojamentos.
Mas atrás de uma porta francesa havia um corredor, e nos dois lados do corredor havia várias estátuas de gesso; eram todos os ancestrais da família Negan.
No final do corredor havia outro salão onde era possível ver o baile. Mesas compridas estavam cobertas com uma variedade de comidas deliciosas e bom vinho, e outro conjunto de músicos pertencente ao duque tocava melodias tranquilas para os convidados.
No salão, os convidados estavam reunidos em grupos. Alguns sentados e outros em pé, conversando sobre todos os tipos de assuntos. Aqueles que desejavam se afastar das frivolidades por um tempo iam às varandas anexas para contemplar o jardim e apreciar a lua carmesim no céu.
Depois de participar da dança de abertura, Audrey Hall ficou no segundo andar acima do salão de dança e olhou para as velas nos enormes lustres de cristal pendurados no teto, distraída. No entanto, ela notou que muitos jovens rapazes pareciam se animar para vir e convidá-la para uma dança. Então ela sabiamente deixou o local e foi para o corredor que dava para o salão de refeições.
Que chato, mas minha presença é necessária… Ai ai, eles não podem simplesmente me deixar observar em silêncio? Devo dizer que algumas pessoas têm expressões faciais intensas quando dançam. Eles me lembram animais à procura de parceiros… — Audrey abaixou a cabeça, olhou para as pontas dos pés e caminhou em linha reta por puro tédio.
Nesse momento, o canto de seus olhos captou uma figura se aproximando. Ela diminuiu a velocidade, ficou ereta e instantaneamente se tornou a elegante e calma senhorita Hall.
— Bom dia, Barão Gramir — Audrey cumprimentou com um sorriso e etiqueta impecáveis.
O Barão Gramir tinha sobrancelhas finas e olhos azuis claros. Ele sorriu e se curvou.
— Prazer em encontrá-la novamente, senhorita Hall. Você é a joia mais brilhante e deslumbrante deste baile.
Depois de trocar algumas palavras, o barão Gramir se dirigiu ao salão de dança, enquanto Audrey continuava se aproximando do salão de jantar.
Depois de alguns passos, ela de repente franziu a testa. Havia perplexidade em seus olhos verdes.
Barão Gramir não é o mesmo de antes…
No passado, quando ele via uma senhorita ou senhora com um rank mais alto do que ele, e que fosse relativamente bonita, ele olhava para o lado sem olhar diretamente para elas. Então, ele olhava e desviava o olhar constantemente… Mas hoje, ele parece muito confiante…
Além disso, sua colônia é fedida. Nas numerosas festas de antes, seu corpo emitia a nota final da fragrância de colônia Amber, almiscarada, porém fraca, não ostensiva, mas ao mesmo tempo elegante. Em outras palavras, ele borrifava a colônia algumas horas antes para deixar as notas da frente e do meio se dispersarem antes do encontro. Mas agora, sua colônia era Amber na nota média, rica e refinada…
Audrey diminuiu os passos. Como uma Espectadora que havia digerido completamente sua poção, sua sensibilidade para com os detalhes não era algo com o qual outros Beyonders pudessem se comparar.
De repente, ela pensou em uma possibilidade. Seus olhos verdes e cristalinos congelaram.
Não poderia ser Qilangos disfarçado, certo?
A Fome Furtiva tem o poder de mudar a aparência de uma pessoa!
…
Quanto mais Audrey pensava sobre isso, mais possível parecia. Ela se sentiu tensa ao ficar nervosa e entrar em pânico.
Se ele realmente era o contra-almirante Furacão, o que ele está tentando fazer? É uma pena que eu não possa trazer Susie ao baile, caso contrário, poderia pedir que ela observasse o Barão Gramir… De jeito nenhum, eu tenho que avisar Papai! — Entre seus pensamentos frenéticos, Audrey acelerou o passo e entrou no salão de jantar, encontrando o conde Hall que conversava com o secretário-chefe do gabinete e outros cavalheiros.
Ela deu um sorriso impecável e se aproximou. Segurando o conde Hall pelo braço, ela disse aos outros:
— Cavalheiros, vocês se importam se eu pegar o conde Hall emprestado por alguns minutos?
— Bonita senhorita, o direito é todo seu — disseram os poucos cavalheiros em uma resposta amigável.
Audrey segurou o conde Hall pelo braço e foi para a varanda mais próxima. Eles encontraram um canto calmo e vazio, e ela disse ao pai de meia-idade que estava ficando gordinho:
— Papai, eu tenho algo a lhe dizer.
O conde Hall estava sorrindo afetuosamente para sua filha, mas ficou sério quando viu sua expressão facial severa:
— Qual é o problema?
— Encontrei o Barão Gramir mais cedo, mas há coisas nele diferentes do normal. Por exemplo, sua colônia estava na nota média da fragrância Amber. Costumava ser a nota final. E… — Audrey continuou com as coisas que achou diferentes, podendo ser considerado como sensível e meticulosa.
Depois de descrever o que havia notado, ela ponderou suas palavras e acrescentou:
— Ouvi do visconde Glaint que o contra-almirante Furacão Qilangos tem a capacidade de assumir a aparência de outras pessoas. Ele não esteve recentemente em Backlund?
O conde Hall a ouviu atentamente, e seu rosto ficou anormalmente grave.
Mas ele logo abriu um sorriso e confortou sua filha ansiosa.
— Eu cuidarei disso. Vá procurar sua mãe e fique com ela. Ela está no lounge deste salão.
— Okay — Audrey assentiu obedientemente.
No caminho de volta ao salão, ela se virou e olhou para o seu pai. Ela viu que o Conde Hall estava conversando suavemente com outro nobre, e ele exibia um olhar bastante solene.
Audrey não pôde deixar de se sentir nervosa. Ela sentiu que precisava fazer algo para garantir que seu pai, mãe e irmão não se machucassem.
Ela inspecionou a área e mudou a direção em que estava indo. Ela saiu do salão de jantar e encontrou a pequena sala de oração do duque Negan.
Ela fechou a porta e a trancou atrás de si. Olhando para o símbolo do Senhor das Tempestades diante dela, ela subconscientemente encontrou um canto remoto e escuro.
Audrey sentou-se com o corpo inclinado para a frente, juntou as mãos em uma posição de oração e apoiou a testa.
Então, ela recitou suavemente em Hermes:
— O Louco que não pertence a esta época, você é o misterioso soberano acima da névoa cinzenta; você é o Rei do Céu e da Terra, que brande a boa sorte.
Capítulo 189
Capítulo 189 – Orações e Respostas
Cidade de Tingen, rua Narciso.
Klein estava discutindo sobre a peça mais recente com Benson e Melissa e estava convidando-os para assistir no teatro no próximo fim de semana.
— Acho que os jornais disseram o suficiente sobre isso. “O Retorno do Conde” é definitivamente uma peça que vale a pena assistir. Ela já foi executada mais de dez vezes em Backlund, e esgotou todas as vezes. Eu acho que não devemos perder esta oportunidade. — Klein, que não tinha fontes de entretenimento, não estava disposto a desistir. Afinal, ele tinha sido um fervoroso seguidor de programas de televisão na Terra.
Claro, se não fosse pela manutenção da minha imagem, preferia ir a um bar e jogar bilhar… Alugar um local para tênis não seria uma má escolha também. Isso pode ser considerado como um esporte de lazer para a classe média. Com minha forma atual, desde que não encontre outros Beyonders, devo ser capaz de lidar com a maioria dos oponentes facilmente… Esquece, só pode ser um pensamento passageiro por enquanto. Ainda tenho que reinvestigar os números associados a Lanevus pela manhã, treinar combate à tarde e procurar a casa com a chaminé vermelha à noite antes de voltar para casa…
Eu com certeza sou um homem ocupado… — Klein tentou permanecer otimista.
Percebendo que Benson estava inclinado a aceitar sua sugestão enquanto Melissa ainda estava um pouco hesitante, Klein sorriu ao acrescentar:
— Ouvi dizer que o elenco coadjuvante mais popular de “O Retorno do Conde” é um mecânico genial.
— Tudo bem, nós temos que ver uma peça em um grande teatro uma vez na vida. — Melissa fez careta e acenou com a cabeça de má vontade, mas agora havia um brilho em seus olhos.
Klein estava prestes a responder quando ouviu um zumbido em seus ouvidos. Ele ficou tonto por alguns segundos.
Alguém está rezando para mim… — Ele apoiou as costas com a mão direita e riu.
— Então esperarei pacientemente que os ingressos sejam colocados à venda.
— Certo, voltarei ao meu quarto para escrever um relatório.
— Também temos que mergulhar no mar de conhecimento e torcer para que não nos afoguemos. — Benson soltou uma risada depreciativa e voltou para a sala de jantar com Melissa.
Klein foi para o segundo andar e trancou a porta do quarto. Ele selou a sala com uma barreira de espiritualidade, depois deu quatro passos no sentido anti-horário enquanto recitava os encantamentos, retornando ao mundo acima do nevoeiro cinzento.
Sua figura apareceu de repente no assento de honra no magnífico palácio adequado para um gigante. Uma estrela vermelha pulsante refletia em seus olhos.
Klein levantou a mão direita e ampliou sua espiritualidade, estabelecendo uma conexão com a estrela que representa a
Justiça.
Com um estrondo, ele viu uma imagem borrada e distorcida. Ele viu a senhorita Justiça em um longo vestido bege, sentada em uma cadeira em um canto escuro, sua cabeça inclinada e mãos entrelaçadas.
Ao mesmo tempo, sua voz ainda crescente e nervosa se acumulava de maneira ilusória, reverberando pelo espaço:
— O Louco que não pertence a esta época,
— Você é o misterioso governante acima da névoa cinzenta.
— Você é o Rei do Céu e da Terra que brande a boa sorte.
— Eu rezo por sua atenção.
— Eu rezo para que ouça.
…
— Estou em um baile realizado pelo duque Negan e encontrei alguém que é suspeito de ser Qilangos.
— Ele está se disfarçando de barão Gramir, e seus motivos não são claros.
— Notei hoje que alguns dos detalhes sobre o barão Gramir estavam um pouco diferentes do habitual, isso me fez lembrar do poder Beyonder que altera a aparência, do item místico que Qilangos possui.
…
Klein ouviu com seriedade e atenção o que estava acontecendo. Finalmente, ele entendeu o que a senhorita Justiça estava descrevendo.
Qilangos realmente usou os poderes especiais de Fome Furtiva para se infiltrar no baile de duque Negan!
Mas Qilangos provavelmente não esperava que uma das damas do baile fosse um Espectador, um Espectador que memorizou os maneirismos do Barão Gramir! Por isso ele não percebeu que foi exposto!
O que Qilangos quer? E o que devo fazer? Eu tentei conduzir o ritual de sacrifício sem materiais infusos por espiritualidade nos últimos dois dias e percebi que posso criar algo como a Porta de Invocação, mas não consigo abri-la. Eu estava prestes a arranjar algum tempo para comprar alguns materiais com espiritualidade no mercado clandestino para me preparar para o meu segundo experimento. A senhorita Justiça definitivamente não teria materiais infusos com espiritualidade enquanto está participando de um baile… — Klein pensou por mais de dez segundos antes de começar sua resposta à oração de Justiça.
Em uma pequena sala de oração na mansão de duque Negan.
Audrey repetiu suas orações algumas vezes antes de finalmente parar. Ela arrumou suas roupas e caminhou rapidamente para a porta.
Ela sabia que não poderia ficar fora por muito tempo pois seus pais se preocupariam com ela e, assim, julgariam mal a situação. Isso os faria reagir da maneira errada.
De pé atrás da porta, Audrey respirou fundo, estendeu sua mão direita, coberta por uma luva de véu branco, e abriu a fechadura com o coração cauteloso.
Depois de sair da pequena sala de oração, ela seguiu o caminho de volta ao salão de jantar e viu as figuras segurando copos de vinho e pratos se aproximarem quando sua visão de repente ficou embaçada. Ela percebeu que uma névoa ilusória estava se espalhando pelos arredores.
No meio da neblina espessa e ampla havia uma cadeira antiga, e em cima da cadeira havia uma presença misteriosa, uma presença misteriosa que parecia supervisionar tudo.
Senhor Louco! — Audrey quase gritou de agradável surpresa.
Ela então ouviu uma voz profunda e familiar:
— Estou ciente.
A voz reverberou pelo espaço enquanto a névoa desaparecia. A visão de Audrey ainda estava preenchida com as imagens das longas mesas de comida e vinho, bem como das cenas movimentadas dos hóspedes que interagiam.
A preocupação e o desconforto em seu coração desapareceram e ela subconscientemente endireitou as costas e entrou no salão de refeições com passos leves e caminhou em direção à sala de recreação.
No magnífico palácio do mundo do nevoeiro.
Klein começou a pensar em como transmitir a mensagem ao Enforcado depois de terminar sua resposta à senhorita Justiça.
Não posso simplesmente repetir a descrição para ele, pois isso prejudicaria minha autoridade… Afinal, que existência misteriosa assumiria pessoalmente o papel de mensageiro!? — Ele deliberou por quase um minuto antes de ter uma ideia. Ele conjurou a cena da Srta. Justiça orando e a transformou em algo semelhante a uma cena de filme com os rostos em mosaico, censurados.
Ele então estendeu a mão e, tocando na estrela carmesim que representava o Enforcado, lançou a cena para ele.
Backlund, burgo Cherwood. Na Catedral do Sagrado Vento.
O Enforcado, Alger Wilson, examinava os relatórios de investigação em uma sala simples, tentando encontrar vestígios do ContraAlmirante Furacão Qilangos.
Perto de sua mão direita havia uma pilha de papel cheia de vários símbolos distorcidos.
No momento em que Alger estava recostado na cadeira e esfregando os olhos, ele viu seu campo de visão ficar embaçado. Sua visão ficou preenchida com uma névoa espessa e cinza.
Havia uma cadeira antiga que parecia existir eternamente no fundo da névoa sem limites. No topo da cadeira, havia uma tênue figura humana.
Senhor Louco… — No momento em que esse pensamento surgiu, Alger viu outra figura nebulosa em um vestido bege dentro do nevoeiro branco-acinzentado.
Ela estava em uma posição de oração, repetindo:
— Estou em um baile realizado pelo duque Negan e encontrei alguém que é suspeito de ser Qilangos.
— Ele está se disfarçando de Barão Gramir, e seus motivos não são claros.
— Notei hoje que alguns dos detalhes sobre o Barão Gramir estavam um pouco diferentes do habitual. Isso me fez lembrar do poder Beyonder que altera a aparência, o item místico que Qilangos possui.
…
Alger ficou chocado a princípio, depois soltou um olhar de agradável surpresa. Ele pressionou a palma da mão no peito e abaixou a cabeça:
— Louvado seja, Sr. Louco!
Tudo o que viu e ouviu desapareceu antes mesmo de terminar sua frase, como se nada tivesse acontecido.
Olhando para a mesa cheia de páginas do diário do Imperador Roselle e seus relatórios de investigação, as pupilas de Alger se contraíram e ele percebeu o quão poderoso o Louco era mais uma vez.
Essa era a Catedral do Sagrado Vento, antes a sede da Igreja do Senhor das Tempestades. Embora isso fosse história de mais de mil anos atrás, muitos crentes ainda viam esse lugar como sagrado.
Mas o Sr. Louco ainda pôde descer sobre este espaço sem aviso prévio e dar uma resposta…
Depois de quase vinte segundos de silêncio, Alger juntou suas coisas e saiu da sala.
Ele iria procurar um dos cardeais da Igreja do Senhor das Tempestades, o arcebispo da diocese de Backlund, o Feiticeiro de Deus, Ace Snake!
Para Alger Wilson, ser capaz de matar o Contra-Almirante Furacão Qilangos pessoalmente era o melhor curso de ação, mas se não pudesse fazer isso, garantir que ele fosse realmente morto também era aceitável em sua opinião.
Depois de encaminhar a descrição da Srta. Justiça para o Enforcado, Klein deixou o mundo misterioso acima do nevoeiro cinzento e voltou para o seu quarto.
Já que não estava com pressa de dissipar a barreira de espiritualidade, ele se sentou diante de sua escrivaninha e pegou um pedaço de papel e uma caneta e começou a escrever sua carta.
“De acordo com uma indicação urgente de uma certa fonte, Qilangos usou as habilidades de um Pastor para assumir a aparência do Barão Gramir e se infiltrou no baile de duque Negan, e, até este momento, seus objetivos não são claros.”
Klein não estava preocupado que o Sr. Azik suspeitaria dele ou duvidaria o porquê de alguém em Tingen ser tão rápido em saber algo que aconteceu em Backlund, pois o telégrafo existia neste mundo.
“Eu não sei se você estaria interessado nisso, mas achei que deveria avisá-lo.”
Klein rapidamente terminou a carta e dobrou o pedaço de papel.
Ele então encontrou o antigo apito de cobre, levou-o à boca e deu um forte sopro.
O mensageiro esqueleto gigantesco, aterrador e ilusório apareceu mais uma vez, ainda de pé no seu local original, sem se importar com sua cabeça atravessando o teto.
Klein lutou contra o desejo de usar suas habilidades de Palhaço para transformar a carta em uma adaga voadora. Ele jogou a carta para o mensageiro sem demora.
Ele então tocou o apito de cobre mais uma vez para terminar a convocação. Klein se recompôs e passou pelos acontecimentos em sua cabeça mais uma vez.
Isso era tudo o que ele podia fazer por enquanto!
Embora Klein também pudesse fazer uso do ritual de convocação e levar o charm do Sol Ardente diretamente para Backlund, seria bastante perigoso fazer isso. Primeiro, Qilangos era um Abençoado pelo Vento Sequência 6 e tinha consigo a Fome Furtiva. Segundo, era muito problemático. Ele teria que primeiro trazer o charm do Sol Ardente para o mundo acima do nevoeiro cinza. Terceiro, sua imagem seria afetada. Assim, ele sabiamente desistiu dessa ideia.
Para ser sincero, o problema não é muito sério. duque Negan é o nobre mais influente fora da família real, um membro importante por trás do Partido Conservador. Hoje haverá muitos nobres de alto escalão participando do baile. Não tenho dúvidas de que há Beyonders vigiando a área. Se não fosse por essa consideração, não haveria necessidade de ele se infiltrar disfarçado no local… Já que a senhorita Justiça o notou cedo, os nobres devem estar preparados. Este incidente não deve sair de controle…
Quão rápido o mensageiro do Sr. Azik é? Se ele viaja pelo mundo espiritual, Azik ainda pode chegar a tempo do “prato principal”, mas se for tão lento quanto o mensageiro de Madame Daly, ele poderá ler sobre o incidente no jornal de amanhã…
Klein assentiu e colocou esse incidente de lado. Afinal, não havia mais nada que ele pudesse fazer.
Capítulo 190
Capítulo 190 – Variedade de Habilidades
Na mansão do duque Negan, no salão de dança.
Disfarçado de Barão Gramir, Qilangos ficou casualmente atrás do corrimão no corredor sinuoso do segundo andar, segurando um copo de vinho vermelho-sangue Aurmir. Ele observava as pessoas na pista de dança, apreciando a vista das mulheres glamourosamente vestidas.
No entanto, não havia desejo em seus olhos; eles estavam tão calmos quanto um lago congelado. Pelo canto dos olhos, ele olhou de relance para o candelabro pendurado e para o duque Negan, que estava próximo, olhando as belas figuras que passavam.
O duque usava um uniforme da marinha bem passado com fitas vermelhas presas às medalhas nos ombros. Ele preferia usar seu uniforme militar em ocasiões formais, em memória de suas décadas de ilustre serviço nas forças armadas.
Porém, ele havia ganhado muito peso desde então. Seus olhos cinzentos, outrora nítidos, estavam turvos e cheios de desejo. No entanto, ele havia cuidado bem de si, pois as rugas nos cantos dos olhos, lábios e testa não eram muito visíveis, e seu cabelo preto ainda era espesso e exuberante.
Este era Pallas Negan, o atual duque Negan, o principal defensor do Partido Conservador, o irmão do primeiro ministro Aguesid, um dos homens mais ricos e poderosos do Reino Loen.
Ao mesmo tempo, ele também era a razão pela qual Qilangos havia se infiltrado em Backlund!
Só de pensar em assassinar uma figura tão importante me faz tremer de emoção… — Qilangos desviou o olhar e fechou os olhos.
Ele estava disposto a aceitar a comissão porque havia sido oferecido um preço bastante atraente, e também porque Qilangos gostava de aventuras e de enfrentar desafios difíceis.
Se esse assassinato for bem sucedido, minha fama se espalhará pelos continentes Norte e Sul, colocando-me acima dos Quatro Reis, e eu receberei uma carta… uma carta que contém o mistério de Deus que o Imperador Roselle criou! — Qilangos suprimiu sua antecipação e abaixou a cabeça para examinar sua mão esquerda.
A Fome Furtiva havia se tornado transparente. Era impossível saber a olho nu ou mesmo por contato que o “barão Gramir” estava usando uma luva.
Este é um item tão mágico… Se não fosse por isso, um Sequência 6 como eu não teria alcançado o posto de Almirante Pirata… — Pensamentos passaram por sua mente quando surtos de arrependimento surgiram.
Em seus anos como pirata, ele havia visto e interagido com muitos Beyonders. Entre eles estavam membros da Ordem Aurora, que gostavam de se aventurar nos confins do mar Sonia.
Por isso, ele sabia que a Fome Furtiva ainda era bastante diferente de um verdadeiro Pastor.
Em primeiro lugar, a velocidade da troca de estados era muito lenta, sendo necessário pelo menos um segundo, sendo que um verdadeiro Pastor poderia mudar instantaneamente. Em segundo lugar, a alma controlada só podia usar de uma a três habilidades de quando estava viva. Quanto a quais habilidades poderiam ser usadas e quão poderosas elas eram, dependia de sorte; mas por outro lado, um verdadeiro Pastor poderia decidir as três habilidades. Eles não tinham que jogar como se estivessem em um cassino. Por fim, a Fome Furtiva só podia ter cinco almas ao mesmo tempo, enquanto um Pastor podia ter sete.
É claro, ambos tinham a mesma restrição: eles só podiam controlar uma alma de cada vez, e só podiam usar os poderes Beyonder correspondentes, além de seus próprios poderes Beyonder. Se quisessem substituir uma das almas por uma nova alma, o procedimento seria irreversível.
Qilangos passou por sete ou oito anos de adaptação e finalmente se acomodou com cinco almas. Suas habilidades se complementavam e tornavam seu dono bastante aterrorizante.
Por causa dos constantes ajustes e experimentações que fez ao longo dos anos, surgiram rumores entre os piratas alegando que o contra-almirante Furacão era onipotente.
Durante a ardente música de dança, Qilangos ensaiou em sua mente as ações subsequentes que executaria. Ele suspirou, arrependido em seu coração.
É uma pena que eu não tenha encontrado a Viajante nestes últimos dias. Caso contrário, eu não precisaria me preocupar com nada hoje à noite.
Se ele tivesse capturado a mulher que provavelmente era uma Viajante, Qilangos não hesitaria em alimentar uma das cinco almas que estavam pastando para a Fome Furtiva.
Para ele, a habilidade de um Viajante era inestimável!
Qilangos deu uma olhada no enorme lustre de cristal pendurado no teto e decidiu não esperar mais.
A alma que ele controlava atualmente tinha apenas uma habilidade, que era mudar sua aparência, não possuindo poder para lutar contra outros Beyonders. No entanto, a capacidade de transformação ainda era bastante útil, e Qilangos não estava disposto a substituí-la por outra durante todo esse tempo.
O bom era que, independentemente de qual alma controlasse, Qilangos ainda poderia usar seus próprios poderes Beyonder de um Abençoados pelo Vento ao mesmo tempo.
Finalmente, ele agiu como se seu olhar estivesse fixado na figura curvilínea da esposa de um nobre antes que mudasse seu foco para o duque Negan e todos os cavalheiros ao seu redor.
Duque Negan é um fiel seguidor do Senhor das Tempestades, e é uma figura-chave na influência que a Igreja do Senhor das Tempestades exerce sobre a política. Deve haver um Beyonder da igreja do Senhor das Tempestades ao seu lado, protegendo-o. Embora a família Negan não seja uma família milenar antiga, ele é um dos homens mais ricos e poderosos do reino. Ele definitivamente procurou fórmulas de poções de Sequência em segredo ou contratou Beyonders… — Pensou Qilangos. Ele mentalmente eliminou os cavalheiros que eram nobres ou oficiais antes de fixar os olhos no homem que estava constantemente ao lado do duque Negan.
O homem tinha cabelos castanhos, olhos azuis e usava um smoking preto. Ele estava bastante sério, vigiando seus arredores.
Qilangos assentiu indiscernivelmente e pressionou levemente sua mão direita.
Whoosh!
Uma súbita rajada de vento varreu a área acima da pista de dança, apagando as velas do candelabro.
No momento entre a luz e a escuridão, enquanto a atenção de todos era desviada, algumas lâminas de vento disfarçadas entre as rajadas de vento cortaram, no mesmo local, uma corrente de metal que segurava o lustre de cristal.
Crak!
Com um barulho estridente, o enorme lustre de cristal despencou direto na pista de dança, fazendo um barulho alto, e as pessoas gritaram de surpresa. Fragmentos de detritos voaram, ferindo convidados e os fazendo gritar de dor e medo.
O salão escuro ficou subitamente cheio de oportunidades. A luva de Qilangos se contorceu e mudou, condensando-se em uma superfície dourada.
Sua expressão era imponente e, podendo ver através da escuridão, ele fixou o olhar no homem ao lado do duque Negan.
De repente, os olhos de Qilangos brilharam como um raio.
O Beyonder, encarregado de proteger o duque Negan, soltou um grito trágico e caiu no chão, segurando sua cabeça. Ele rolou e se debateu.
Com um swoosh, a figura de Qilangos atravessou a escuridão e atacou o duque Negan.
No entanto, no fundo de seus olhos refletia seu alvo, que não mostrava sinais de pânico; ele estava bastante confiante.
A figura rechonchuda do duque Negan permaneceu ereta no lugar, observando o assassino como se estivesse o menosprezando.
Ele levantou a mão direita e a empurrou, murmurando em antigo Hermes:
— Aprisionar!
Em silêncio, Qilangos de repente parou, ele foi cercado por uma parede transparente, algo que o envolveu como um líquido pegajoso, fazendo-o parecer um inseto em âmbar ou um prisioneiro na prisão.
O líder dos nobres do Partido Conservador, o herdeiro do duque Pallas Negan, era um Beyonder, e um Beyonder bastante poderoso!
O duque Negan falou em voz baixa novamente, e acenou com a mão direita:
— Chicotear!
Pa! Pa!
Qilangos parecia estar sendo chicoteado por um chicote disforme. Suas roupas foram rasgadas pelas chicotadas, e sua pele foi dilacerada, revelando osso branco.
Então, duque Negan se inclinou para a frente e apertou o punho, declarando de maneira imponente:
— Morte!
Pa!
Seu braço se moveu deixando imagens posteriores enquanto batia na cabeça de Qilangos. Seu punho atingiu a cabeça do alvo de uma maneira inevitável.
Kacha!
A cabeça de Qilangos quebrou, mas o ambiente também se estilhaçou. Duke Negan permaneceu em pé onde estava. Era somente um sonho… Não se sabia quando, mas o almirante pirata havia mudado de habilidade e entrado no estado de Pesadelo.
Ao contrário de um Pesadelo comum, ele ainda podia mover seu corpo depois de arrastar as pessoas para um sonho!
Qilangos apareceu furtivamente atrás do duque Negan, e seu olhar frio se fixou no duque.
Envolto em ventos de alta velocidade em espiral, seu punho direito perfurou o colete do alvo como uma lâmina afiada.
Whoosh!
Em meio ao uivo do vento, o punho direito de Qilangos perfurou através do corpo de duque Negan e através de seu coração.
Mas a figura do duque Negan rapidamente se tornou transparente, como uma alma que havia sido convocada.
Depois que a figura quase sem forma se dissipou, duque Negan apareceu diante da porta francesa do outro lado do corredor sinuoso, o avaliando com um esgar.
Outro Beyonder… Eles se prepararam antecipadamente? Para fazer uma emboscada para mim?
Como é possível?!
Embora Qilangos não estivesse disposto a aceitar esse fato, ele lidou com isso com calma.
A luva em sua mão esquerda se contorceu e assumiu a forma de escamas douradas escuras. Suas íris ficaram pálidas e tornaram-se verticais.
Então, uma onda disforme se extendeu por todas as direções. Damas e cavalheiros foram jogados em um estado de medo incontrolável de uma só vez, deixando seus esconderijos e correndo sem rumo. A cena se tornou caótica.
Os Beyonders não se atreveram a agir de forma imprudente, pois estavam preocupados com a possibilidade de ferir seus parentes e amigos.
Aproveitando a oportunidade, Qilangos correu rapidamente enquanto furacões giravam ao seu redor. Ele destruiu uma das portas da sala de descanso antes de quebrar uma janela.
Em meio ao som de estilhaçamento, ele saltou para fora e voou para longe da mansão de duque Negan com a ajuda do vento.
No momento em que pousou, Qilangos correu imediatamente em direção a uma floresta à sua frente. Era um jardim municipal, uma rota de fuga que ele havia descoberto há um tempo.
Depois de afastar seus perseguidores, ele poderia mudar sua aparência e se misturar à enorme população de Backlund, de mais de cinco milhões de pessoas.
Esse também foi o motivo pela qual ele se atreveu a aceitar uma missão tão difícil!
Depois de um tempo, surgiu um forte vento na direção da mansão de duque Negan. O cardeal da Igreja do Senhor das Tempestades, o arcebispo de Backlund, o feiticeiro de Deus, Ace Snake, trouxe alguns Punidores a Mandato e voou em direção à mansão.
Ele não pôde informar os outros Beyonders a tempo.
Alger foi um dos membros que havia chegado com o arcebispo Ace. No entanto, ele estava de mau humor porque viu as janelas quebradas e os outros Beyonders correndo para fora da mansão.
Isso significava que o contra-almirante Furacão Qilangos havia escapado.
Capítulo 191
Capítulo 191 – Motivo Desconhecido
Qilangos despistou seus perseguidores com a ajuda do vento depois de atravessar um lago artificial.
Ele examinou os arredores, pretendendo criar a ilusão de que havia entrado em uma vala para escapar para o rio Tussock antes de se dirigir ao centro financeiro de Backlund, o burgo Hillston.
Naquele momento, seu campo de visão ficou subitamente turvo. Ele viu as cores ao seu redor saturarem na escuridão: as árvores verdes ficaram mais verdes, seus frutos vermelhos ainda mais vermelhos, a escuridão da água ficou ainda mais escura.
Tudo parecia borrifado com cores pasteis.
Sob o céu onde a lua carmesim estava obscurecida, havia muitas figuras transparentes e indescritíveis, além de diferentes esplendores lustrosos que continham conhecimentos misteriosos.
Qilangos se viu parado ao flutuar no ar. Sob seus pés, a água escura subia continuamente em sua direção, e sob a água havia mãos brancas pálidas, tentando alcançá-lo.
Droga! — Qilangos percebeu que havia caído numa emboscada.
E quem estava à espreita definitivamente não era nada fraco!
Um esqueleto humanoide gigante apareceu de repente diante dele. O monstro tinha quatro metros de altura e, nas órbitas dos olhos, ardiam chamas negras. Os ossos do corpo eram embaçados e ilusórios.
Qilangos deu a seu inimigo um olhar inexpressivo e soltou um sorriso de escárnio. Ao mesmo tempo, a luva em sua mão esquerda liberou uma luz radiante, como se fosse de ouro puro.
Qilangos se recostou e abriu os braços, como se estivesse tentando abraçar o sol.
Um raio de puro brilho ardente desceu do céu, envolvendo o esqueleto gigante. O mundo de tons pasteis tremeu em resposta, e as mãos pálidas sob a água escura evaporaram uma a uma.
Este era o poder Beyonder de um Sacerdote da Luz!
Era um poder Beyonder do caminho de Sequência do Sol, mortal inimigo dos mortos-vivos!
O pilar radiante de luz se dissipou e as chamas negras do esqueleto gigante se apagaram instantaneamente. Em seguida, ficou transparente e se desintegrou no ar.
Antes que Qilangos tivesse tempo de usar as habilidades do Sacerdote da Luz para dissipar o mundo de cores pasteis, sua expressão ficou rígida de repente.
Ele viu outro esqueleto gigante aparecer à sua esquerda, também com quatro metros de altura, os olhos ardendo com uma chama negra, idêntica ao monstro de antes.
Imediatamente depois disso, o mesmo monstro esquelético apareceu ao redor de Qilangos, um após o outro. Um, dois, três… havia mais de cem deles!
Mais de cem pares de chamas negras ardentes lançando seu olhar para o alvo ao mesmo tempo.
Debaixo dele, a superfície da água escura subia cada vez mais alto, quase entrando em contato com os pés de Qilangos.
Mãos brancas pálidas estendiam-se para fora, movendo-se constantemente, como es estivessem tentando agarrar uma boia salva vidas.
…
— Se espalhem e o persigam. Tente encurralá-lo — instruiu o cardeal, Ace Snake. Ele conjurou um tufão e foi ao ar, voando na direção em que Qilangos havia fugido.
Duque Negan e o resto não se juntaram às fileiras dos Punidores a Mandato em consideração a seus status; em vez disso, eles pararam nas janelas ou varandas para observar. Foi também neste momento que os nobres comuns que corriam freneticamente, lentamente se acalmaram.
Devido à escuridão e aos gritos, eles não tinham certeza do que exatamente havia acontecido. Tudo o que sabiam era que o duque Negan poderia ter encontrado um assassino.
Alger Wilson cerrou os dentes e saiu correndo da mansão de duque Negan, seguindo o caminho do jardim municipal até o burgo Hillston.
Ele não estava disposto a perder esta oportunidade, por menor que fosse a esperança!
De repente, ele ouviu uma voz que lhe foi levada pelo vento:
— Não há necessidade de continuar a busca.
Não há necessidade de continuar a busca? A voz do cardeal Snake… — Alger parou depois de dar alguns passos à frente. Ele se virou para olhar para o céu, intrigado.
Ele viu o cardeal Snake, que usava uma túnica preta adornada com muitos símbolos de tempestade, flutuando sobre a floresta e o lago artificial, olhando para baixo.
Alger franziu as sobrancelhas e correu para onde o cardeal estava sem considerar o motivo.
Ao se aproximar de sua posição, ele usou suas habilidades de Navegante para obter uma visão mais clara.
O Feiticeiro de Deus não mostrou nenhuma expressão, mas sua postura tornou evidente que ele estava falando sério. Seus cabelos brancos expostos que apareciam debaixo do chapéu preto balançavam com o vento, acentuando seus severos olhos prateados.
Alger desviou o olhar e saiu correndo da floresta.
A cena do lago calmo refletindo o luar carmesim apareceu subitamente em seus olhos. Na superfície da lagoa, uma figura alta flutuava perto da margem.
Aquela figura tinha uma mandíbula larga única, seu cabelo castanho estava preso em um rabo de cavalo; seus olhos verdes escuros eram frios, mas vazios.
Qilangos!
Contra-Almirante Furacão Qilangos!
Alger ficou surpreso no começo, depois se sentiu pasmo, mas alegre. Ele não podia acreditar em seus olhos, e até suspeitava que a escuridão o estava fazendo alucinar.
Antes que pudesse reagir, ele de repente viu o rosto de Qilangos apodrecer rapidamente, escorrendo um líquido verde-amarelo, sua carne descascando pedaço por pedaço.
Pat! Pat! Pat!
Tudo o que restou do rosto de Qilangos foi uma caveira, seus dois globos oculares caíram das órbitas, caindo no chão ao lado do lago.
Qilangos desmoronou completamente. Suas roupas caíram sobre sua carne podre e ossos brancos, bloqueando o brilho cintilante.
Em menos de vinte segundos, um dos sete almirantes piratas, Qilangos, morreu misteriosamente diante dos olhos de Alger; essa cena chocante ficou profundamente gravada em sua mente. Isso o fez suspeitar se estava tendo um pesadelo aterrorizante.
O que estava acontecendo?
Qilangos não escapou com sucesso?
Por que ele simplesmente morreu aqui, de maneira tão misteriosa?
O que ele encontrou, para perder a vida em tão pouco tempo…?
Ele é um Abençoado pelo Vento Sequência 6, o dono da Fome
Furtiva!
Quem fez isso?
Qual foi o motivo para matar Qilangos…?
Assim que inúmeras ideias inundaram a mente de Alger, ele ouviu o Feiticeiro de Deus, a voz carismática de Ace Snake:
— Você deu a informação a mais alguém?
— Existe mais alguém que sabia dessa informação?
Alger rapidamente se acalmou. Ele olhou para os restos mortais de Qilangos e deu uma explicação que havia preparado.
— Eu relatei a informação para você no momento em que descobri.
Ele não pôde deixar de resmungar interiormente. — Se não fosse pelo fato de Ace Snake dar um passeio ao longo do rio Tussock, forçando-me a gastar um tempo para encontrá-lo, Qilangos talvez nem tivesse escapado da mansão de duque Negan!
Claro, ele não se atreveu a dizer isso na frente de um Beyonder de alta Sequência. Ele apenas continuou respeitosamente e humildemente:
— O membro que recebeu as informações diretamente até se sacrificou por elas, e ninguém abriu a carta durante a transferência, posso garantir isso.
— Mas não posso confirmar se houve um vazamento na fonte das informações. Já que pudemos descobrir isso, outros também podem ter conseguido.
Enquanto falava, Alger formulou algumas suposições sobre quem matou o contra-almirante Furacão Qilangos.
A pessoa ou organização que encarregou Qilangos de assassinar o duque Negan? Como Qilangos já havia escapado com sucesso e não havia ameaça de vazamento de informações, não havia necessidade de matá-lo… Se fosse eu, faria Qilangos se acalmar e tentar outra tentativa de assassinato quando todos tivessem certeza de que ele havia deixado Backlund…
Além disso, Qilangos confia apenas em si mesmo, não contaria seu plano de assassinato a ninguém. O duque Negan tem organizado reuniões recentemente em preparação para sua proposta de projeto de lei em setembro, portanto há númeras oportunidades. Além do próprio Qilangos, não há ninguém que possa prever corretamente quando ele atacaria. A menos que essa pessoa fosse um Profeta… Mas isso é improvável…
Outras facções? Impossível. A senhorita Justiça orou ao Sr. Louco para transmitir as informações no momento em que notou um problema. Não havia como outra organização ter recebido as informações ao mesmo tempo…
Senhor Louco… — Alger ficou chocado ao pensar em uma possibilidade.
A pessoa que atacou foi o adorador do Sr. Louco!
Aconteceu de ele estar em Backlund e, assim, deu uma mão!
Quanto mais ele pensava sobre isso, mais Alger sentia que esse palpite estava próximo da verdade.
Somente os membros e subordinados do Clube de Tarô poderiam ter recebido as informações a tempo!
Somente a ajuda do adorador do Louco poderia fazer tudo isso parecer tão misterioso e sem motivo!
Quando estava imerso em seus pensamentos, o cardeal Snake ficou em silêncio por um momento. Ele disse ao resto dos Punidores a Mandato que estavam se encaminhando até o local:
— Qilangos está morto. Um Beyonder de alta Sequência, ou alguém que usou um artefato selado de nível semelhante o matou. Mas isso é bastante perigoso e altamente improvável.
— Após uma análise preliminar, acredito que o Beyonder de alta Sequência é do caminho da Morte, talvez um membro do Episcopado Numinoso, mas não alguém que eu conheça. Existe também a possibilidade de ser membro de outra organização secreta.
— O motivo não é incerto.
O Episcopado Numinoso é originário do Continente Sul. Diz a lenda que foi formado pela primeira vez por um descendente da Morte na tentativa de o reviver. Eles foram quase erradicados depois que o Continente Sul foi colonizado, mas sobreviveram teimosamente e se espalharam para os países do Continente Norte.
Um Beyonder de alta Sequência… Sim, apenas um Beyonder de alta Sequência poderia matar Qilangos em tão pouco tempo! Apenas um mero adorador do Sr. Louco já está em uma Sequência tão alta assim… Isso é um Semideus! — Alger mais uma vez olhou para a pilha de carne e osso. Ele se sentiu dissociado de tudo como se tivesse perdido todas suas emoções. Ele ficou parado, atordoado, observando tudo.
Se eu algum dia traísse o Sr. Louco… — De repente, ele teve tal pensamento.
Imediatamente, a cena aterradora de Qilangos apodrecendo rapidamente apareceu em sua mente. Alger não pôde deixar de tremer e abaixar a cabeça.
Mas logo em seguida, ele relaxou.
Já que não podia escapar ou revidar, então ele só podia escolher ser leal.
Ufa… Com Qilangos morto, ninguém mais pode me ameaçar com esse segredo! — Ele exalou, suas preocupações desaparecendo completamente.
Na mansão do duque Negan, Audrey Hall, que estava discutindo o assassinato com a mãe e os outros nobres, viu seu pai aparecer na porta.
Ela encontrou uma desculpa e saiu da sala de descanso, e foi até a varanda no salão principal.
— Papai, há algo errado? — Audrey olhou para o conde Hall com seus olhos verdes.
Seus olhos verdes vieram de sua mãe, não de seu pai.
O conde Hall sorriu.
— Já foi resolvido, minha filha. Você não precisa mais se preocupar.
Hmm… Você contou a alguém que o Barão Gramir era um impostor?
— Não. — Audrey balançou a cabeça firmemente.
Eu só contei à uma existência divina… — Ela acrescentou em seu coração.
Ela pensou por um momento e depois se explicou:
— Depois que te contei, fui ao banheiro, e depois onde mamãe estava. Você pode perguntar a ela.
— Entendo. — O conde Hall assentiu e ficou um tempo em silêncio antes de mencionar:
— Qilangos está morto. Alguém o matou.
— Quem? — Audrey ficou tão chocada quanto animada.
— Não faço ideia. Não podemos nem imaginar por que o assassino matou Qilangos. É verdadeiramente incompreensível. — O conde Hall fez uma pausa. — Talvez seja uma pessoa ou uma organização, uma organização secreta e poderosa.
Motivo incerto… Uma organização poderosa e secreta… Poderia ser o adorador do Sr. Louco? Poderia ser o nosso Clube de Tarô!? — Audrey de repente teve uma epifania.
Capítulo 192
Capítulo 192 – Atenção
Audrey analisou varias coisas ao mesmo tempo enquanto seus pensamentos se agitavam.
O Enforcado disse que Qilangos era um lobo solitário que não confiava em ninguém. Só ele saberia de seu próprio plano. Fora minha descoberta inicial sobre sua presença, não deveria haver mais ninguém que soubesse que ele tentaria o assassinato hoje à noite…
Eu só disse ao papai e ao Sr. Louco que suspeitava que Qilangos estivesse disfarçado de Barão Gramir…
Embora exista um cabo de telegrama na mansão de duque Negan e ele possa enviar informações a tempo de pedir ajuda, não há razão para esconder isso… A perplexidade de papai implica que o ser poderoso que matou Qilangos não estava dentro de suas expectativas…
Combinando tudo isso, posso ter quase certeza de que a pessoa que matou Qilangos era o adorador do Sr. Louco! Além disso, apenas o modelo exclusivo do Clube de Tarô pode criar uma situação tão estranha com motivos incertos!
Qilangos era um Abençoado pelo Vento Sequência 6, e tinha um item mágico, a Fome Furtiva. Para ser capaz de matá-lo rapidamente sem deixar vestígios, só poderia ser um Beyonder de alta Sequência, conhecidos também como semideuses, certo? Ou talvez ele tenha usado um artefato selado de imenso perigo?
Independentemente da possibilidade, isso mostra que o adorador do
Sr. Louco é extremamente poderoso…
O Sr. Louco faz jus à sua reputação!
De qualquer modo, eu certamente forneci pistas, então o Sr. Enforcado tem que cumprir sua promessa e me passar a glândula pituitária de uma Salamandra Arco-Íris!
Esta deve ser a primeira missão do nosso Clube do Tarô, certo?
Um dos sete almirantes-piratas, Qilangos, morreu por nossa causa!
Olhando para a filha que parecia animada, o conde Hall, que era um homem bonito em sua juventude, tossiu levemente e advertiu a filha com uma máscara de solenidade:
— Audrey, eu sei que você é muito interessada em misticismo, e eu normalmente tolero isto. Mas você não deve se envolver nisso, não pode nem mesmo perguntar sobre isso. Até o final deste ano, você será apresentada aos eventos da cena social de Backlund pela Rainha. Como adulta, deve saber claramente e lembrar que um Beyonder aterrorizante, ou uma organização poderosa e oculta, é equivalente a perigo. Compreende?
— Sim, papai — respondeu Audrey encantadoramente. — Eu estava apenas um pouco curiosa.
— Curiosidade também não pode! — O conde Hall enfatizou, e não pôde deixar de deixar escapar um sorriso desamparado.
— Okay! — Audrey assentiu obedientemente.
Entendo todo o incidente melhor do que você, de qualquer maneira… — Ela fez uma careta em sua cabeça.
O conde Hall pensou e disse com um sorriso gentil:
— Independentemente, você é a heroína desta noite, a salvadora do duque Negan. Metade da razão pela qual Qilangos está morto é parcialmente por sua causa, e é o mesmo com a recompensa. Claro, se não houver ninguém que admita matar Qilangos e receba a recompensa, a metade restante também será sua. Somados, serão dez mil libras no total.
— Hmm, as recompensas criadas pela República Intis, pelo Império Feysac e por outros países e organizações também poderiam ser recebidas. Após a conversão, deve haver cerca de vinte mil libras no total.
O duque Negan prometeu que lhe daria sua propriedade de férias em Desi Bay, que inclui uma enorme plantação de seringueira, como presente. Não sei exatamente o lucro anual, mas definitivamente não será baixo. Ele gastou oito mil libras para comprá-la naquela época e mais tarde, até construiu uma casa e comprou sementes de boa qualidade para o plantio.
Audrey, que já tinha uma herança de trezentas mil libras, era considerada rica. No entanto, uma recompensa de quase quarenta mil libras ainda era uma quantia enorme de renda. Muitas mulheres nobres nem sequer receberiam tal quantia como dote.
Num casamento aliado de um nobre e um empresário em agosto, Miss Mary Oldbury, filha de um milionário, teve um dote de apenas oitenta mil libras.
Eu nunca considerei a recompensa… — murmurou Audrey interiormente.
De repente, ela pensou em algo. Se recebesse a recompensa e seu nome se espalhasse, o Enforcado poderia facilmente descobrir quem era Justiça.
Isso não pode rolar. Como membro do Clube de Tarô, tenho que manter um senso de mistério! — Audrey olhou para o pai e reorganizou suas palavras.
— Papai, estou um pouco preocupada…
— Por quê? O que foi? — O conde Hall perguntou, preocupado.
— Se eu disser que descobri que Qilangos estava disfarçado de Barão Gramir, receio que seus subordinados se vinguem de mim. Receio que quem quer que tenha instruído Qilangos a assassinar o duque Negan venha atrás de mim… — Audrey tentou parecer lamentável, fraca e desamparada.
— Vou contratar alguém para protegê-la — respondeu o conde Hall. Então, ele assentiu fracamente e continuou:
— Não há realmente necessidade de você correr esse risco. Além disso, a pessoa que matou Qilangos tomou a Fome Furtiva para si. Obviamente, para um Beyonder de alta Sequência, esse não seria um motivo suficientemente forte para interferir… Sim, vou informar o duque Negan para manter isso em segredo e dizer para outra pessoa receber a recompensa em seu nome e te compensar de forma oculta.
Então, o conde Hall sorriu e disse:
— Você realmente é minha filha, ganhou quarenta mil libras tão facilmente. Isso representa mais de um décimo da sua riqueza atual.
As trezentas mil libras eram o que ele havia reservado para ela com antecedência. Ele ainda acrescentaria outra parte quando ela se casasse como herança de sua filha.
— Eu sou tão boa quanto você? — perguntou Audrey alegremente em resposta.
O conde Hall balançou a cabeça e riu.
— Muito melhor do que eu era. O lucro do meu primeiro empreendimento comercial foi de apenas sessenta libras.
Audrey de repente ficou extremamente emocionada. A satisfação derivada de receber uma recompensa de 40 mil libras, receber o elogio de seu pai, causar a morte de Qilangos, concluir uma tarefa extraordinária e a recompensa da glândula pituitária da Salamandra Arco-Íris que iria receber do Enforcado ampliava sua felicidade.
Eu realmente quero relatar isso ao Sr. Louco para ter certeza… Não, de jeito nenhum. Um poderoso e misterioso ser matou Qilangos por um motivo desconhecido. Pode haver alguém me observando em segredo, procurando pistas sobre a morte de Qilangos. Não posso mostrar nenhum indício de anormalidade… Pui! Não há nada de anormal em mim para começar. Contanto que eu não tente recitar o nome honorário do Sr. Louco…
Hmm, se o adorador do Sr. Louco era realmente o assassino, ele já deve saber o resultado. Ele não precisaria que eu reportasse isso a ele… Bem… eu preciso compartilhar a recompensa com o adorador? Não importa que tipo de método de pagamento seja usado para transferir vinte mil libras, isso chamaria atenção. Não posso correr o risco…
Além disso, sempre foi o Enforcado que pediu ajuda ao Sr. Louco. Tecnicamente, ele que deve pagar a recompensa. Sim, sim, afinal, ele declarou que tinha muitas páginas do diário do Imperador Roselle!
Vou tentar reunir mais páginas do diário para agradecer o Sr. Louco por responder minhas orações. Ele definitivamente não estaria interessado em dinheiro bruto…
Audrey determinou rapidamente o que faria a seguir.
Na mansão de duque Negan, em uma sala de estudo secreta.
O gordo e alto duque estava sentado em uma cadeira alta atrás de uma mesa, fumando um charuto enquanto olhava para o Feiticeiro de Deus, Ace Snake, Primeiro Ministro Aguesid Negan e os outros à sua frente.
— Com base em nosso conhecimento atual, ainda não temos certeza da identidade do Beyonder de alta Sequência que matou Qilangos. — O primeiro ministro, Aguesid Negan, havia acabado de sair correndo do lado do rei.
O arcebispo Snake assentiu.
— Determinamos que não era nenhum dos Beyonders de alta Sequência que estamos familiarizados, e nem o Episcopado Numinoso.
— Temos motivos suficientes para acreditar que é um Beyonder poderoso e misterioso que não conhecemos. Claro, não eliminamos a possibilidade de a pessoa estar usando um artefato selado perigoso.
Segurando seu charuto, duque Negan disse:
— Talvez não tenha sido apenas um Beyonder de alta Sequência. Pode haver uma organização oculta por trás dessa pessoa, uma organização oculta que não conhecemos o suficiente. Caso contrário, eles não seriam capazes de fazer uma emboscada para Qilangos com tanta precisão. Sim, talvez um dos convidados do baile de hoje seja um membro.
Seu irmão, o primeiro ministro Aguesid, declarou solenemente:
— De qualquer modo, temos que ter cuidado. Temos que descobrir rapidamente a identidade desse Beyonder de alta Sequência, o objetivo de sua presença em Backlund e por que ele matou Qilangos.
Um Beyonder de alta Sequência que eles desconheciam, que estava andando por Backlund, era o suficiente para chamar a atenção do governo e das três principais igrejas!
Embora um Beyonder Sequência 4 ou Sequência 3 não consiga suportar os ataques de canhão de seus navios de guerra, não havia necessidade de eles sofrerem um ataque frontal. Eles possuíam muitos poderes misteriosos.
Por isso, eram existências ainda mais perigosas que navios de guerra de ferro… por isso eram chamados de “semideuses”!
Feiticeiro de Deus, Ace Snake, se levantou e disse:
— Deixe-me fazer alguns arranjos e entrar em contato com a Igreja da Deusa da Noite Eterna, a Igreja do Deus do Vapor e Maquinaria e a Consciência Coletiva das Máquinas.
— Sua Majestade permitirá que as forças armadas e as agências de inteligência cooperem — prometeu o primeiro-ministro Aguesid.
Em um hotel no burgo Norte de Backlund.
Azik sentou-se sob uma lâmpada a gás e olhou para a luva diante dele.
A luva era muito fina, como se fosse feita de pele humana. Parecia que, se estivesse cheia de carne e sangue, se tornaria uma mão.
Azik olhou para ela por um longo tempo. Seu rosto de repente se contorceu de agonia e dor, e ele murmurou:
— Parece que… parece que eu cooperei com eles antes…
Klein não dormiu bem a noite inteira porque não recebeu nenhuma informação de Justiça ou do Enforcado, nem recebeu nenhuma resposta do Sr. Azik. Ele ficou pensando no resultado do incidente com Qilangos.
Deve ter sido uma cena e tanto se a senhorita Justiça e o Sr. Enforcado não ousaram entrar em contato comigo de forma imprudente… Mas por que o Sr. Azik não respondeu minha carta? Ele não se envolveu ou houve algum acidente? Qilangos o machucou? — Klein estendeu a mão e cobriu a boca enquanto bocejava. Ele entrou na carruagem sem trilhos que seguia para a rua Zouteland.
— Extra! Extra! Contra-Almirante Furacão Qilangos morto em Backlund!
— Extra! Extra! Contra-Almirante Furacão Qilangos morto em Backlund!
…
No momento em que a carruagem estava prestes a sair, Klein ouviu de repente o jornaleiro, que também havia sido uma das invenções do Imperador Roselle.
Klein ficou momentaneamente atordoado e, rapidamente pegando um centavo, comprou o Notícias Matinais de Tingen. Muitos passageiros fizeram a mesma escolha.
Ele abriu o jornal e leu rapidamente a manchete.
“O pirata Qilangos foi morto a tiros pelo guarda-costas do Duque em
Backlund.”
Qilangos morreu? O Sr. Azik fez isso? — Klein entrou em profunda reflexão e brincou consigo mesmo:
Como o chefe nos bastidores, eu tive que descobrir o resultado pelos jornais…
Capítulo 193
Capítulo 193 – Chegando ao Fim
O artigo que cobria o que aconteceu com Qilangos não era longo, e tudo que especificava era a hora, o local, as pessoas envolvidas e o resultado. Como diz o ditado, quanto mais sucinto o conteúdo, mais séria a situação.
Algo que aconteceu em Backlund às oito ou nove da noite passada já está sendo relatado na cidade de Tingen nesta manhã. A disseminação de informações neste mundo não é muito lenta devido às contribuições excepcionais do Imperador Roselle. Deve ter sido um dos nobres ou ministros que assistiram ao baile que vazou tais informações para algum repórter, e então o repórter usou o telégrafo para enviar essas notícias sensacionais para empresas de notícias em vários países…
Os jornais matutinos são geralmente redigidos à noite e impressos após a meia-noite antes de serem distribuídos pela manhã. Houve tempo suficiente apenas para fazer alterações e publicar o artigo…
Apenas com base nessas notícias, o Jornal Matinal de Tingen poderia vender mais umas mil cópias a mais. E isso é apenas considerando apenas esta cidade…
Os pensamentos de Klein ficaram cada vez mais distraídos antes de finalmente se acalmarem.
Como o contra-almirante Furacão Qilangos está morto, significa que, mesmo que o Sr. Azik esteja ferido, não deve ser muito sério…
Se fosse sério, ele definitivamente teria sido capturado pelos Punidores a Mandato ou pelos guarda-costas Beyonders do duque Negan que estavam em busca de Qilangos. E, diante de tal situação, a Srta. Justiça e o Sr. Enforcado definitivamente se esforçariam ao máximo para relatá-lo a mim. O último não acontecendo é suficiente para indicar que tudo está sob controle…
Sim, se o Sr. Azik não me der uma resposta, ou se a Srta. Justiça e o Sr. Enforcado não orarem para mim até hoje à noite, tocarei o apito de cobre mais uma vez para chamar o mensageiro e enviar uma carta e perguntar…
Relaxando, Klein desviou a atenção do jornal e examinou a carruagem pública.
A maioria das pessoas que podiam pagar por esse transporte sabia ler e, sob a influência do termo “extra”, muitos haviam comprado o Jornal Matinal de Tingen. Agora, alguns deles discutiam silenciosamente o incidente.
— O Rei dos Piratas e os almirantes aterrorizam as rotas marítimas há muito tempo. Eles recuam quando veem os navios de guerra dos vários países, mas não dão muita atenção aos navios mercantes… Embora Qilangos só tenha sido indicado como um dos Sete
Almirantes Piratas por menos de uma década, ele é o primeiro a ser morto pelo governo…
— Francamente, estou curioso para saber o que ele estava fazendo em Backlund. Quando um pirata sai do oceano, morte é um resultado previsível.
— Vamos torcer para que haja um relatório mais detalhado no futuro.
— Santo Senhor das Tempestades, gostaria de saber qual guardacostas do duque Negan matou Qilangos. Sua recompensa era de
10.000 libras!
— 10.000 libras… Se eu tivesse 10.000 libras, deixaria imediatamente meu emprego e compraria dois ou três viveiros de tamanho médio. Eu investiria em ações de algumas empresas colonizadoras e ferroviárias e receberia dividendos estáveis o ano inteiro…
— Essa é apenas a recompensa deste reino. Intis, Feysac, Feynapotter e algumas organizações mercantis também têm recompensas pelo contra-almirante Furacão. Espero, com certeza, que exista um jornal que dê uma lista completa das recompensas.
10.000 libras? — Klein ficou chocado ao ouvir isso.
Com seu já impressionante salário, ele levaria vinte anos para poder economizar tanto dinheiro, mesmo sem comer e beber.
Se eu pudesse… Esquece, não há nada que eu possa fazer. Seria impossível para mim reivindicar a recompensa… — Ele dobrou o jornal com um pouco de desânimo e olhou pela janela da carruagem.
Nesse momento, ele finalmente concluiu que o incidente com o contra-almirante Furacão Qilangos havia chegado ao fim. Tudo o que restava era cuidar dos detalhes, como o lote do diário de Roselle que o Enforcado havia lhe prometido.
Backlund, burgo Cherwood.
Fors Wall e Xio Derecha caminhavam pela rua em direção à agência mais próxima do banco Varvat.
— Meu dinheiro parece desaparecer sem que eu perceba. — Fors suspirou.
Xio sentia o mesmo.
— Verdade.
— Felizmente, meu livro, Vila Montanha Tempestuosa, é bastante popular, e ainda há royalties sendo enviados para minha conta. Caso contrário, eu teria que encontrar uma clínica ou hospital e me tornar uma médica novamente. — Fors soltou um suspiro de satisfação e preocupação.
Xio ficou em silêncio por um momento antes de perguntar cuidadosamente:
— A investigação de Qilangos afetará seu status como autora? Afinal, poderíamos estar no radar dos Punidores a Mandato, Falcões Noturnos e dos outros…
— Não, a única em que eles se concentrariam é você. — Fors riu. — Foi você quem enviou alguém para fazer um boletim de ocorrência, quem enviou a carta e que é famoso entre os becos e gangues do burgo Leste. Quanto a mim, Fors Wall, ainda sou a autora mais famosa e popular.
Xio disse atordoada:
— Então você só me acompanhou esse tempo todo?
Fors acariciou seus cabelos e riu.
— Você não acha que essa foi uma experiência interessante? Essa experiência me proporcionou a inspiração necessária para o meu trabalho. Meu próximo romance será sobre um repentino assassinato brutal.
Xio fez uma pausa, sem saber como continuar a conversa. Tudo o que ela podia fazer era continuar caminhando amargamente, esquecendo-se de virar até Fors a arrastar de volta.
Nesse momento, elas ouviram um jornaleiro gritar.
— Extra! Extra! Contra-Almirante Furacão Qilangos morto em Backlund!
…
Ah? O quê? — Xio e Fors se entreolharam em confusão.
Só voltaram a si depois que o jornaleiro repetiu várias vezes.
— O quê? Qilangos está morto? — Fors não podia acreditar no que estava ouvindo.
— Ele está morto. Como morreu tão de repente!? — Xio, que estava tentando se esconder da perseguição desse pirata impiedoso, ficou chocada e atordoada.
Isso… não precisa seguir um procedimento normal? Primeiro, eles encontram pistas para confirmar o motivo de Qilangos, depois reunem poderosos Beyonders para uma emboscada. Matar o pirata seria o último passo… Mas Qilangos foi morto, embora o primeiro passo ainda não tivesse sido concluído… Ele morreu simples assim… — Fors e Xio trocaram olhares como se fossem duas estátuas de mármore.
Quase um minuto depois, Xio correu ao jornaleiro e comprou uma cópia do Notícias de Tussock.
Este era um dos três jornais mais distribuídos no Reino Loen.
— Oh… Qilangos está realmente morto, morto por um guardacostas de Duke Negan. Oh Deusa, o guarda-costas de Negan é… — Xio ofegou, deixando de fora o “um Beyonder poderoso”, que ela queria acrescentar.
Fors olhou para sua boa amiga com pena.
— E pensar que você acreditaria em tudo que os jornais dizem…
— Tudo bem, talvez alguém tenha percebido antecipadamente o motivo de Qilangos, e os Punidores a Mandato, Falcões Noturnos, Consciência Coletiva e os militares cooperaram e executaram uma emboscada com sucesso… — Xio congelou e exalou. — Não precisamos mais nos preocupar com isso. Podemos voltar às nossas vidas normais, mas temos que evitar a esfera de influência daquela delegacia de antes.
Ela olhou para Fors e perguntou, um pouco preocupada:
— Quanto você acha que a senhorita Audrey vai nos pagar agora? Eu sei que algumas centenas de libras não seria muito para ela, mas não completamos o que ela pediu para nós…
— Não, pelo menos fizemos Qilangos aparecer por sua própria vontade. A razão pela qual ele se apressou em agir e cair em uma emboscada foi definitivamente em parte devido às nossas contribuições — Fors a consolou. — Com a generosidade da senhorita Audrey, ela nos dará metade da recompensa, mesmo que não a dê por completo.
— Tomara… — Xio respirou fundo e ficou com um olhar expectante. — Eu me pergunto quem reivindicará essa recompensa de 10.000 libras…
— Com certeza atrai a inveja dos outros. Se eu tivesse tanto dinheiro, teria me tornado um Sequência 7 ou 6 há muito tempo, mas perdi a oportunidade várias vezes! — Fors também sentiu um pouco de pena, mas ela lembrou à amiga:
— Xio, não vamos entrar em contato com a senhorita Audrey por enquanto. Vamos deixar que ela entre em contato conosco por sua própria vontade. Há muitos detalhes ocultos em torno da morte de Qilangos. Procurar a Srta. Audrey abruptamente pode nos colocar em uma situação perigosa.
Xio assentiu antes de dizer com surpresa:
— Como você sabia que eu estava pensando em ir ao burgo Imperatriz?
— Tente adivinhar. — Fors riu em resposta.
Depois de uma manhã movimentada, Klein retornou à Companhia de Segurança Blackthorn. Ele relatou a Dunn Smith:
— Capitão, não encontrei problemas com as pessoas ligadas a Lanevus que estou encarregado de investigar. Eram meramente vítimas, não associados a nenhum incidente Beyonder.
Dunn apoiou os cotovelos na mesa.
— Então pare com isso por enquanto. Vamos focar nos suspeitos mais prováveis depois que o restante dos membros tiver terminado suas investigações. Não podemos direcionar toda nossa mão de obra para esse incidente. Temos que nos proteger contra outros incidentes repentinos.
— Tudo bem. — Klein estava prestes a se levantar e ir almoçar, quando de repente ouviu um bater na porta.
— Por favor, entre — disse Dunn em sua voz suave.
A maçaneta se moveu e Rozanne espiou dentro.
— Capitão, alguém está aqui com uma missão.
Uma missão… Isso parece dirigido à Companhia de Segurança Blackthorn e não ao Esquadrão Falcão Noturno. Então, quem erroneamente veio a nós desta vez por engano? — Klein se perguntou.
Dunn pensou por um momento antes de dizer:
— Podemos ouvir o pedido e rejeitá-lo se for muito problemático.
Ele arrumou sua camisa e colete enquanto saía do escritório, e caminhou pela divisória e em direção ao sofá na área da recepção. Klein e Rozanne seguiram atrás, curiosos
Havia duas damas no sofá, ambas usando chapéus e vestidos pretos sem nenhuma outra cor.
Uma das damas era gordinha e tinha pele clara. Seu rosto estava completamente obscurecido pelo véu preto do chapéu.
Klein sentiu uma sensação de familiaridade quando a viu, como se já a tivesse visto em algum lugar.
No momento em que tentava se lembrar, ouviu a dama mais magra ao seu lado falar:
— A missão que gostaríamos de propor é que localizem e monitorem Madame Sharon e encontrem evidências de seus crimes.
Madame Sharon… — De repente, Klein teve uma epifania e lembrou de onde vinha a sensação de familiaridade.
A dama que permaneceu calada era a esposa do deputado
Maynard, filha do líder do Novo Partido.
Ela acha difícil aceitar a morte do marido e não está disposta a aceitar a conclusão a qual o departamento de polícia chegou, então foi a uma empresa de segurança escondida para fazer outra investigação?
Em pensar que ela veio diretamente até nós… — Klein balançou a cabeça e riu para si mesmo.
Capítulo 194
Capítulo 194 – Infiltração
— Madame Sharon? — Dunn obviamente conhecia a viúva do barão Khoy, uma socialite famosa em Tingen.
A esposa de Maynard virou a cabeça para olhar de relance para a mulher magricela que a acompanhava à Companhia de Segurança Blackthorn, mas ela mesma não falou por si.
A senhora magricela de vestido preto e chapéu pesou suas palavras antes de dizer:
— Sim, madame Sharon, a esposa do falecido Barão Khoy. Ela… ela…
Ela gaguejou, e de repente gritou de raiva:
— Ela é uma vadia!
Ao ouvir seus xingos, Klein de repente se lembrou do pornô que havia visto e do comportamento de madame Sharon, que na superfície parecia nervosa, mas no fundo estava calma. Isso o fez acreditar nos rumores sobre ela, e ele sentiu pena do velho falecido barão.
Não é como se madame Sharon não pudesse se casar novamente, mas seu comportamento livre… realmente faz do túmulo do velho barão um bom examplo…
Dunn não mudou sua expressão facial. Ele se sentou no sofá em frente e disse com sua voz suave:
— Mas isso não faz dela uma criminosa.
— Você sabe claramente disso, e eu também sei. A Madame Sharon é bastante influente em Tingen. Se a seguíssemos e a monitorássemos, poderia haver consequências muito sérias para nós.
— Ela é uma criminosa! — a senhora magricela disse com raiva. — Ela causou a morte do meu irmão, mas aqueles amantes dela pressionaram o departamento de polícia e os fizeram declarar que meu irmão morreu de bebida excessiva e indulgência contínua de prazer sexual. E-eles são todos criminosos!
Aqueles… — Klein percebeu que a mulher magricela era a irmã de Maynard enquanto sentia pena do velho barão mais uma vez.
Realmente, para tal escândalo, ela definitivamente não traria uma criada aqui. É melhor se o pedido for feito pela família… — Ele acenou com a cabeça, em compreensão.
A sra. Maynard deu um tapinha nas costas da mão da mulher magricela e acrescentou com uma voz profunda, mas fria:
— Ela é uma criminosa! Eu compensarei suas perdas caso sofram qualquer dano por causa disso.
Aquele tom… Ela faz jus à sua identidade como filha do líder do Novo Partido. Se o departamento de polícia não estivesse bastante confiante com o resultado do meu ritual de mediunidade, receio que eles teriam sucumbido sob a pressão dela… — pensou Klein interiormente.
Dunn ficou em silêncio por quase vinte segundos antes de dizer:
— Tudo bem… Tenho outra pergunta. Por que você parece ter tanta certeza de que encontraríamos alguma coisa?
A senhora magricela assentiu e respondeu:
— O comerciante de tabaco, Vickroy, nos apresentou a este lugar. Ele disse que vocês são os melhores da indústria, e podem completar missões que outras pessoas não são capazes de concluir.
O comerciante de tabaco Vickroy… Quem é esse? — Klein olhou inconscientemente para o Capitão e notou que Dunn Smith parecia realmente confuso.
Eu sou tão bobo, por que esperava que o Capitão se lembrasse de algo assim…? Afinal, nem mesmo eu me lembro… — Ele suspirou.
A senhora magricela viu que os dois mercenários de elite pareciam confusos, e acrescentou:
— Vocês resolveram o sequestro do filho dele.
Ah, ele… Esse caso de sequestro me levou à descoberta do caderno da família Antigonus… — Klein finalmente entendeu.
Dunn assentiu levemente e disse:
— Entendo.
Ao ver isso, a mulher magricela fez sua oferta:
— Vocês devem seguir e monitorar a-aquela vadia por duas semanas. Mesmo se não encontrarem nenhuma evidência de crime, devem anotar quem a visitou e quem ela visitou. Pagaremos cinquenta libras por isso.
— E se encontrarem evidências de seus crimes, pagaremos mais duzentas libras.
Isso é bastante dinheiro… — Klein ficou um pouco envergonhado quando se lembrou que havia gasto apenas sete libras para contratar o detetive Henry para reunir tantas informações sobre as chaminés vermelhas.
Dunn pensou por um momento antes de dizer:
— Sem problema, podemos assinar o contrato agora. Você terá que pagar um depósito adiantado de vinte libras.
Capitão, estamos realmente com falta de mão de obra agora. Há o grande caso de Lanevus… — Klein não esperava que Dunn Smith aceitasse a missão, embora ele próprio estivesse bastante interessado em aceitá-la.
A sra. Maynard assentiu levemente e disse:
— Sem problemas, eu confio em vocês. Por favor, não me decepcionem.
Dunn sorriu, mas ficou quieto. Virando a cabeça, ele disse a Rozanne:
— Por favor, escreva um contrato.
Depois do contrato assinado e o depósito pago, Dunn observou a sra. Maynard e a mulher magricela deixarem a Companhia de Segurança Blackthorn. Ele então olhou de lado para Klein e disse:
— Esta missão será sua.
— Hein? — Klein parecia confuso.
Dunn sorriu e disse:
— Você não queria aprender técnicas de espionagem e habilidades de monitoramento? Esta é uma grande oportunidade. E além disso, você já terminou sua parte da investigação no caso de Lanevus.
— Certo… — Klein não rejeitou a missão.
Assim que aceitou, seus pensamentos começaram a fluir rapidamente.
De acordo com as regras, metade da comissão da missão é entregue à Sra. Orianna como financiamento adicional para a equipe. O restante seria dividido entre os membros envolvidos. No entanto, parece que sou o único a lidar com o caso…
Independentemente de a investigação ser bem-sucedida, haverá pelo menos vinte e cinco libras de pagamento. E além disso, eu ainda vou receber meu pagamento semanal habitual… Se eu realmente conseguir encontrar algumas pistas, eu poderia até mesmo receber cento e vinte e cinco libras!
Capitão é um homem sábio!
Dunn lançou um olhar para ele e disse:
— Aprenda as técnicas de rastreamento e as habilidades de monitoramento com Leonard e Frye pela manhã, e deixe seu treinamento de combate suspenso para esta semana. Sim… Acho que você já está bem treinado, então vou mandar alguém para informar Gawain.
Aprender técnicas de rastreamento e habilidades de monitoramento com Leonard e Frye? Isso não parece muito confiável… — Klein ficou atordoado. Ele conseguia imaginar Leonard usando apenas um único método, que consistia em tocar seu alaúde Feynapotter enquanto cantava uma poesia melodiosa. Então, ele provavelmente seduziria Madame Sharon para dormir, a fim de “monitorá-la de perto”. Quanto a Frye, ele tinha uma aura única. Ele era frio e sombrio, então, não importa para onde fosse, ele chamaria a atenção. Como que esses tipos de pessoas poderiam ser bons espiões?
Enquanto seus pensamentos fluíam, Klein respondeu seriamente:
— Tudo bem.
Dunn assentiu levemente e caminhou em direção à partição. De repente, ele parou, virou-se e hesitou antes de falar:
— Você se lembra do comerciante de tabaco? Sobre o que foi o sequestro?
… Então você não se lembrou de nada ou não entendeu nada… Por que estava agindo com tanta firmeza e confiança? — Klein ficou pasmo.
Com base nas orientações de Leonard, Klein não estava com pressa de seguir Madame Sharon, embora soubesse que ela morava na rua Osna, no burgo Leste.
Até conhecer a rotina do alvo, não se pode segui-lo de forma imprudente. Além disso, o monitoramento sozinho dificulta a observação de tudo. A menos que você não coma, beba, durma e não vá para casa, segundo Leonard. Por isso, Klein seguiu sua sugestão e encontrou um dos chefes da tríade no Bar Cão de Caça e gastou cinco libras para que seus subordinados monitorassem Madame Sharon e registrassem sua rotina diária.
Felizmente, isso pode ser reembolsado… Por que eu sinto que estou terceirizando…?
Na sexta-feira à tarde, Klein recebeu o relatório de investigação do chefe da tríade.
Chamar isso de relatório de investigação era um insulto aos detetives profissionais. Nenhum dos subordinados do chefe da tríade era alfabetizado. Eles se baseavam em desenhos e símbolos, que eram então interpretados e organizados por seu chefe semialfabetizado que frequentou a Escola Dominical por um ano. Klein ficou com dor de cabeça só de ler, e demorou um pouco para terminar o relatório inteiro.
Segundo o monitoramento, madame Sharon raramente sai de casa recentemente. Também não recebe muitos visitantes… Ela pode ter sido afetada pela morte de Maynard… Esses subordinados da tríade são bastante capazes. Eles até coletaram informações da criada de madame Sharon… Hmm, ela comparecerá ao banquete do Partido Conservador hoje à noite. Ela pode voltar para casa muito tarde, ou talvez nem volte… Esta é uma oportunidade para eu colocar a teoria em prática. — Klein rapidamente decidiu entrar escondido na casa de madame Sharon e procurar por pistas.
Com seus deveres em relação ao caso Lanevus já terminados, a suspensão temporária do treinamento de combate e o fim do incidente de Qilangos, Klein só tinha dois assuntos para cuidar no momento. Um era investigar as chaminés vermelhas, e o segundo era seguir e monitorar madame Sharon. Em outras palavras, ele estava relativamente livre.
Dois dias atrás, ele havia recebido a resposta do Sr. Azik. Havia apenas uma frase na carta.
“Consegui a Fome Furtiva, e me lembrei de algo.”
Finalmente, Klein confirmou que foi Azik que havia matado Qilangos, e que esse professor com amnésia, que teve uma longa vida, era um Beyonder de alta Sequência. No entanto, ele não se atreveu a perguntar o que ele havia lembrado com a ajuda da Fome Furtiva. Azik obviamente não queria falar sobre isso. Se estivesse disposto a compartilhar, teria descrito diretamente na carta.
Na resposta de Klein, ele apenas lembrou ao Sr. Azik que a Fome Furtiva ansiava por carne, sangue e alma de humanos vivos. Ele precisava encontrar um método seguro selar o artefato.
Além disso, Justiça e o Enforcado ainda não tinham orado para ele, mas Klein não estava preocupado. Ele concluiu que os dois membros tinham medo de estarem sendo monitorados, por isso não recitaram o nome dele de forma imprudente.
Postes com lâmpadas a gás iluminavam a rua Osna à noite, enquanto a lua carmesim pairava no alto.
Klein, que havia se esgueirado com o equilíbrio e a agilidade de um Palhaço, pulou silenciosamente o muro externo da casa de madame Sharon.
Passando pelo jardim, ele chegou ao lado da casa, subiu pelo cano de água e deslizou para a varanda no segundo andar.
Klein nunca havia escalado uma árvore com sucesso quando era jovem, então foi um evento bastante grandioso para ele.
Ele tirou uma carta de tarô do bolso do seu blusão preto, a colocou na abertura da porta da varanda, levantou levemente e abriu a porta.
Servos são tão descuidados… Eles não usaram uma tranca adicional. Caso contrário, eu teria que tentar entrar subindo pela janela… — Klein murmurou silenciosamente e entrou na casa.
Com base nas informações fornecidas pelo chefe da tríade, ele encontrou facilmente o quarto de Madame Sharon, girou a maçaneta e entrou.
Ele fechou a porta com cuidado, e de repente sentiu um leve perfume. Isso o lembrou da fragrância de uma mulher que fazia com que certa parte do corpo inchasse.
Klein se sentiu um pouco fraco, sentiu até mesmo seu corpo reagir.
Ele imediatamente se acalmou com Cogitação e fez um comentário de desaprovação:
— Ela está usando um afrodisíaco como perfume?
Capítulo 195
Capítulo 195 – Klein, O Especialista em Arrombamento
Alguns segundos depois, Klein ativou sua Visão Espiritual e examinou a sala, apenas para descobrir o quão extravagante era o quarto de madame Sharon.
Em uma área espaçosa com um bengaleiro entreaberto, havia um tapete grosso, um cobertor feito de penas de ganso, uma mesa de maquiagem cheia de produtos de cuidados com a pele e cosméticos, uma variedade deslumbrante de jóias, roupas finas e meias jogadas sobre a cadeira de balanço, além de vários itens decorativos adornados com seda dourada. Tudo isso entrou no campo de visão de Klein.
O que mais chamou a atenção de Klein foi uma pintura a óleo inacabada. Na pintura estava a figura nua da própria madame Sharon: seus cabelos castanhos como uma cachoeira, seus olhos como um cervo inocente, puros e límpidos. Mas as sobrancelhas curvas, o nariz pontudo e os lábios macios acentuavam sua forma de mulher madura. As duas qualidades se fundiam, apesar da contradição, liberando uma tentação alarmante.
Klein apenas deu uma olhada superficial na área sob o pescoço da pintura. Ele não estava tentando ser cavalheiro, afinal, ele já tinha visto o “pornô”, então por que teria escrúpulos sobre uma foto?
Sua atenção foi atraída pelos pastéis, paletas e pincéis ao lado da pintura, além de um espelho de corpo inteiro revestido de prata.
Essa combinação e o posicionamento entre eles deram a Klein a estranha ideia de que o pintor era a própria madame Sharon, e não um artista que ela havia seduzido.
Uma mulher bonita, com uma ótima figura, paqueradora mas inocente, se despindo e se desenhando enquanto olha no espelho para narrar sua beleza… Parece um pouco estranho. A madame Sharon é narcisista? — Klein engoliu em seco e retraiu o olhar. Ele começou a procurar por possíveis evidências de seus crimes.
Seguindo as instruções de Leonard e Frye, ele manteve suas luvas pretas enquanto procurava. Ele precisava manter a posição original de tudo em sua memória para facilitar colocar tudo de volta depois que terminasse.
Isso se mostrou fácil para um Vidente avançado como Klein. Caso esquecesse, poderia simplesmente usar divinação dos sonhos para recuperar a localização exata dos objetos.
Claro, ele havia realizado uma divinação antes de sair de casa hoje à noite. Não haveria perigo, e ele teria razoável sucesso.
Isso é algo que um bom charlatão faria… Apesar de eu já ser um Palhaço… — pensou Klein. Ele passou vinte minutos vasculhando o quarto de madame Sharon, mas não encontrou nada digno de nota, e nem viu nenhuma luz emitida por espiritualidade.
Finalmente, ele parou diante de um cofre no canto da sala.
O cofre de aço tinha um metro de altura, e era grosso e pesado. Deu a impressão de que era anormalmente resistente, como se só pudesse ser aberto com explosivos.
Essa com certeza é uma característica da Era do Vapor. Deve haver mecanismos complicados dentro do cofre… — Klein tentou abrir o cofre, mas falhou miseravelmente.
Ele deixou o cofre para depois e, tirando a luva esquerda, ele desenrolou o topázio pendurado no pulso esquerdo.
Segurando a corrente de prata e permitindo que o pêndulo caísse, Klein dissipou a excitação que a fragrância na sala lhe dava e entrou em estado de Cogitação.
Seus olhos ficaram sombrios e ele recitou para si mesmo:
— Existe uma sala secreta ou partição oculta nesta sala.
— Existe uma sala secreta ou partição oculta nesta sala.
…
Depois de recitar sete vezes, os olhos de Klein recuperaram sua cor normal. Ele olhou para o topázio pendurado, que girava no sentido anti-horário.
Um resultado negativo.
Klein assentiu levemente e saiu do quarto de madame Sharon. De acordo com o processo anterior, ele passou pela sala de estudos, sala de estar, a estufa e outras partes da casa, mas não encontrou nenhuma pista de valor.
Ele não usou o Bastão Radiestésico de Procura, pois não sabia exatamente o que estava procurando.
Klein pegou o relógio de bolso prateado e deu uma olhada no horário. Ele confirmou a hora antes de retornar ao quarto de madame Sharon.
Fechando cuidadosamente a porta de madeira, Klein pegou a adaga de prata usada em rituais e liberou sua espiritualidade, permitindo que ela se fundisse com os poderes da natureza e selasse a sala.
Ele ia se convocar!
Ele planejava verificar o interior do cofre usando seu espírito!
Eu não preciso saber como lockpick — Klein proclamou para si mesmo em mandarim.
O processo foi simples; já que estava orando para si mesmo, ele não tinha que ser muito específico. Klein pegou uma vela com infusão de sândalo e a acendeu usando sua espiritualidade. Esse seria o seu altar.
— Eu!
— Eu convoco em meu nome,
— O Louco que não pertence a esta época, o misterioso soberano acima da névoa cinzenta; o Rei do Céu e da Terra que brande a boa sorte.
O encantamento reverberou pelo quarto de madame Sharon. A espiritualidade de Klein fluiu de dentro dele, fundindo-se suavemente com a chama da vela para se tornar um véu de luz cinza do tamanho de uma palma.
Ele então deu quatro passos no sentido anti-horário, atravessou os delírios enlouquecedores e entrou no mundo acima do nevoeiro cinzento.
Ele viu a Porta da Invocação aparecer atrás do assento de honra na antiga mesa comprida. Klein estava prestes a reagir quando congelou.
Aproveitando que já estou aqui, eu deveria realizar uma divinação para ver se consigo descobrir alguma pista. Aqui, além de remover qualquer interferência, meus poderes também são significativamente reforçados… Além disso, por causa de onde estou agora, realizar uma divinação é semelhante à divinar usando um objeto que a madame Sharon traz consigo todos os dias… — Ele se sentou e conjurou uma caneta-tinteiro e pele de cabra.
O que devo divinar? — Klein entrou em uma profunda reflexão.
Há algo de errado com a madame Sharon?
Não, todos cometem erros, haveria algo de errado com qualquer pessoa.
A madame Sharon está envolvida em um crime?
… Não, isso também não é específico o suficiente. Como uma socialite famosa ligada à esfera política, é natural que seja associada a algo sujo, mas não pode ser condenada por isso… Além disso, qual é a definição de crime? As leis do Reino Loen, ou as leis da República Intis, ou cabe a mim decidir?
…
Apesar de seus muitos pensamentos, Klein não queria adiar mais. Afinal, seu corpo físico ainda estava no mundo real. Assim, ele decidiu confirmar as últimas divinações que fez sobre o incidente.
Ele pegou a caneta e, sem escrever, conjurou uma declaração de divinação na pele de cabra diante dele:
“A morte de John Maynard foi devido a influências sobrenaturais.” Essa foi a divinação que ele fez quando foi à casa de Maynard para ajudar a polícia. A resposta que ele recebeu da última vez foi negativa.
Segurando a corrente de prata, ele permitiu que o pêndulo de topázio quase tocasse a declaração na pele de cabra. Klein fechou os olhos e silenciosamente recitou a declaração de divinação:
— A morte de John Maynard foi devido a influências sobrenaturais.
— A morte de John Maynard foi devido a influências sobrenaturais.
…
Depois de repetir sete vezes, ele abriu os olhos e observou o pêndulo. Suas pupilas se contraíram de repente.
O pêndulo de topázio estava girando no sentido horário!
Sentido horário significava um resultado positivo!
A morte de Maynard foi realmente devido a influências sobrenaturais!
Klein olhou para o pêndulo que estava desacelerando, com o coração agitado.
Minha divinação de antes foi comprometida…
Madame Sharon é uma Beyonder, e uma Beyonder bastante poderosa? Ou há alguém a apoiando, tendo ajudado no planejamento da morte de Maynard?
Eles queriam remover um poderoso oponente para o assento de prefeito, remover um futuro membro do Parlamento da Câmara do Povo do Novo Partido?
Muitos pensamentos surgiram em sua mente e Klein escreveu uma nova declaração de divinação:
“Madame Sharon é uma Beyonder.”
Ele recitou a declaração sete vezes, ainda usando a técnica do pêndulo. Klein usou o local em que estava, bem como as informações que sabia sobre madame Sharon, para concluir a divinação, e viu uma resposta.
A resposta foi a rotação no sentido horário do pêndulo de topázio: a resposta foi sim!
Madame Sharon é uma Beyonder… — Os nervos de Klein ficaram tensos. Ele não se demorou mais, respondendo imediatamente à sua própria oração e abrindo a porta misteriosa.
Depois de um momento de caos e tontura, ele viu o quarto de madame Sharon e a si mesmo.
Klein flutuou para a frente do cofre pesado e estendeu sua mão direita, cuidadosamente a estendendo para dentro do cofre.
Como madame Sharon era uma Beyonder, ele tinha que ter cuidado com as armadilhas no cofre.
Nesse estado, em que sua alma estava impregnada de poderes do espaço misterioso e de sua espiritualidade, Klein não precisava mais de divinação. Ele receberia um aviso quando se aproximasse de algo perigoso; uma grande parte da divinação era obter revelações ao permitir que a Projeção Astral de alguém vagasse pelo mundo espiritual. Em outras palavras, era derivado da própria espiritualidade.
Klein não notou nada de incomum quando sua mão quase transparente atravessou a grossa porta de metal.
Depois de estende sua mão, ele se inclinou para a frente, mergulhando todo o seu espírito no cofre.
Ele viu que o interior do cofre era dividido em três seções. A primeira estava cheia de barras de ouro, grossas pilhas de dinheiro e jóias ainda mais preciosas. Uma outra tinha documentos selados. Klein soprou sobre eles, mas não conseguiu abri-los para ver seu conteúdo.
Vou ter que tentar novamente com o apito de cobre do Sr. Azik… — Klein já havia experimentado isso anteriormente. Quando ele envolveu o charm do Sol Ardente ou o apito de cobre de Azik com seu espírito, os dois itens conseguiram passar por obstáculos, como se fossem itens ilusórios.
A camada mais baixa do cofre era bastante estranha. Havia apenas uma foto em preto e branco lá, uma foto de um jovem encantador.
O antigo amante de madame Sharon? Eles foram forçados a se separar, e madame Sharon não teve escolha a não ser se casar com o velho barão e, assim, embarcou em seu caminho de depravação ao entrar nas camas de diferentes homens? Mas no fundo de seu coração, ela ainda abriga um pouco de pureza. Toda noite, quando o silêncio reina, ela tira essa foto e a acaricia com lágrimas no rosto… — Klein instantaneamente imaginou o enredo de uma grande tragédia romântica.
Mas quanto mais ele olhava, mais algo parecia errado. O jovem da foto parecia, talvez, um pouco demais com madame Sharon…
Irmão da madame Sharon? Ela é uma Beyonder… Porra, será que ela também é do Caminho da Demônia? O mesmo que o Instigador Trissy! — De repente, Klein teve um ataque de inspiração que assustou até a ele mesmo.
Poderia a razão pela qual Trissy ficou em Tingen por tanto tempo ser porque seu parceiro estava aqui? — Klein observou a foto de perto, percebendo que o jovem se parecia muito com madame Sharon.
Seu rosto quase transparente tinha uma careta de dor. Ele não conseguia mais ver esse “porno” da mesma maneira que antes!
Se concentrando, Klein procurou nos cantos do cofre para ver se havia alguma coisa escondida.
Mesmo que ele não pudesse pegar nenhum papel em seu estado atual, atravessar objetos era uma sensação diferente de atravessar o ar. O sentimento também era diferente ao passar por objetos de diferentes densidades.
Em sua busca, Klein de repente congelou.
Ele encontrou um espaço vazio ao lado do cofre, de frente para a parede: um compartimento escondido!
Depois de confirmar que não havia perigo, Klein entrou, e o que apareceu em seu campo de visão foram pomadas, fragrâncias, ervas em pó e outros objetos. A peça central era a estátua de um deus que assumia a forma de um esqueleto.
A estátua era do tamanho de uma palma, e provavelmente de uma garota bonita; com cabelos compridos até os calcanhares, cada mecha era grossa e clara, como uma cobra venenosa.
Situado na ponta de cada fio de cabelo, havia um olho, alguns fechados, outros abertos.
Klein ficou chocado. Ele sentiu o cheiro de algo maligno e correu para fora do compartimento escondido.
Agora ele entendia porque sua divinação em relação à salas ou lugares secretos no quarto havia falhado!
Capítulo 196
Capítulo 196 – Espelho do Médium Espiritual
Klein saiu correndo do cofre. Ele se acalmou somente quando percebeu que tudo parecia bem.
Aquela estátua de osso branco é assustadora… Embora não seja perigosa, me dá arrepios… Poderia ser a suposta Demônia Primordial? Uma deusa malígna como o Sábio Oculto, o Lado Negro do Universo ou o Verdadeiro Criador? — Klein lembrou de seus palpites sobre madame Sharon e de repente entendeu o que existência da estátua de osso poderia representar.
No momento em que teve esse pensamento, sua espiritualidade se agitou e uma premonição sinistra se manifestou.
Klein rapidamente voou para a janela com desenhos complicados e olhou para a rua do lado de fora. Ele viu uma carruagem dirigindo-se para o portão da frente, sob a luz dos postes a gás.
Madame Sharon está de volta? — Sentindo um aperto no coração, ele finalmente entendeu a fonte de sua premonição sinistra.
Levando em consideração que Trissy só se tornou mulher após a Sequência 8, Instigador, madame Sharon era provavelmente uma Sequência 7. E como madame Sharon atua nos círculos sociais de Tingen há muitos anos, ela provavelmente era muito mais forte que Trissy. Klein não se atreveu a confiar em seu charm do Sol Ardente e no apito de cobre de Azik e correr o risco. Em vez disso, ele tomou a sábia decisão de fugir.
Ele tinha um número limitado de charms. Além disso, não sabia quando seria capaz de obter o Artefato Selado, o Emblema Mutado do Sol Sagrado, novamente. Portanto, se não fosse uma situação desesperadora, Klein não queria desperdiçar seus charms mais poderosos. E se usasse, também teria o problema de se explicar.
Não posso simplesmente dizer a Dunn que um especialista bondoso passou por aqui e me ajudou, certo?
Quanto ao motivo pelo qual ele não queria usar o apito de cobre de Azik, era porque Klein não tinha certeza se o mensageiro convocado tinha a capacidade de lutar. E se ele só parecesse forte mas apenas soubesse como enviar cartas?
Com o que eu descobri aqui, deve ser suficiente para o Esquadrão Falcão Noturno agir. Por que devo lutar contra madame Sharon sozinho? Nós podemos simplesmente encurralá-la! — Klein enfatizou interiormente e terminou sua convocação. Com um whoosh, ele voltou ao mundo acima do nevoeiro cinza. Ele rapidamente se envolveu em espiritualidade e estimulou uma rápida descida para retornar ao seu corpo.
Ele apagou rapidamente a chama, guardou a vela, removeu a barreira de espiritualidade e saiu do quarto de madame Sharon. Ele voltou pelo mesmo caminho, mas não teve tempo de trancar a porta da varanda.
Descendo pelo cano de água, Klein pulou o muro que ficava do lado oposto à entrada da casa. Ele permaneceu escondido até chegar à rua vizinha, onde então contratou uma cara carruagem noturna para a rua Zouteland.
Madame Sharon, que estava linda em seu vestido preto, caminhou lentamente para o segundo andar. Ela dispensou as criadas e abriu a porta de seu quarto.
Seus olhos puros e claros de repente se concentraram e refletiram linhas finas que eram quase transparentes e imperceptíveis. Elas não possuíam o brilho de espiritualidade, eram como cabelos humanos alterados patologicamente. Se já não se soubesse de sua existência ou tivesse um par de olhos muito especiais, não perceberia os fios.
Todos os finos fios haviam sido partidos e estavam caídos no chão.
Madame Sharon semicerrou os olhos e dirigiu o foco para o cofre de metal grosso cinza.
Rua Zouteland 36, Companhia de Segurança Blackthorn.
Dunn estava lendo o jornal casualmente com as pernas cruzadas. Ele olhou para Klein, que apareceu diante da porta do escritório com uma expressão estranha. Ele suspirou e disse:
— Você não ia entrar na casa de madame Sharon para fazer uma busca inicial…? Você encontrou algum tipo de problema?
Klein assentiu seriamente e disse:
— Sim, eu suspeito que madame Sharon seja um membro da Seita Demoníaca.
— Membro da Seita Demoníaca? — Dunn abaixou o jornal e refletiu sobre as palavras. Ele então perguntou seriamente:
— O que você descobriu?
Klein não se sentou, inclinou o corpo para a frente e apoiou o peso com as mãos segurando a borda da mesa.
— Primeiro, encontrei uma foto. Havia um jovem na foto, mas ele se parecia muito com madame Sharon.
Se vestisse roupas femininas, se maquiasse e usasse um pouco de Photoshop na foto, ele se pareceria exatamente com madame Sharon… — Klein conteve seu desejo de adicionar o comentário.
— Semelhante a Instigadora Trissy? — Os olhos de Dunn brilharam quando ele entendeu.
Eles haviam concluído anteriormente que Trissy era provavelmente um membro da Seita Demoníaca.
— Sim. — Klein assentiu, com diferentes emoções, enquanto continuava. — Eu usei divinação para descobrir que madame Sharon tem uma estátua de osso branco em um compartimento escondido em seu cofre. É de uma mulher extremamente bonita, mas seu cabelo é muito longo, até os tornozelos. Cada fio é tão grosso quanto uma cobra venenosa. Nas pontas, havia olhos, e eles pareciam bastante assustadores. Capitão, é essa a imagem da Demônia Primordial?
Como sua autorização de segurança era insuficiente, as informações sobre a Seita Demoníaca que ele podia ler eram bastante limitadas.
Dunn relembrou e, assentindo com uma expressão séria, disse:
— Essa é a imagem da Demônia Primordial.
— Temos que agir imediatamente e assumir o controle da madame Sharon.
Klein imediatamente concordou e disse:
— Se madame Sharon é uma Beyonder de Sequência intermediária da Seita Demoníaca, devo assumir que será capaz de dizer que alguém entrou furtivamente em seu quarto.
Então, de repente, ele ficou confuso ao dizer:
— Capitão, por que os sete deuses ortodoxos só têm símbolos sem nenhuma imagem real, enquanto os deuses malignos que conheço atualmente têm aparências antropomórficas? O Verdadeiro Criador e a Demônia Primordial são exemplos. Essa é uma das diferenças entre deuses ortodoxos e deuses malignos?
Por que haveria tal diferença? — Klein acrescentou interiormente, mas ele sabiamente não disse nada.
— Essa é uma das diferenças entre deuses ortodoxos e deuses malignos. — Dunn deu uma resposta tranquilizadora. Então, ele se levantou e caminhou em direção ao cabideiro, e disse:
— Vamos nos apressar, estou preocupado que madame Sharon fuja.
Então, Dunn fez uma pausa.
— Suba as escadas e traga Kenley. Com nós três juntos, podemos solicitar um Artefato Selado. É provável que a Sequência de madame Sharon seja mais alta que 7.
Capitão, você é tão sábio! — Klein respondeu sem hesitar:
— Tudo bem.
Então, ele perguntou curiosamente:
— Capitão, qual artefato selado você vai usar?
Dunn ponderou suas palavras antes de responder:
— 3-0217.
Como não havia muitos artefatos selados atrás do Portão Chanis da cidade de Tingen, Klein rapidamente se lembrou de qual o Capitão queria usar.
“Número: 0217.”
“Nome: Espelho Médium Espiritual.”
“Grau de perigo: 3. Consideravelmente perigoso. Deve ser usado com cuidado. Só pode ser solicitado para operações que exijam três ou mais pessoas.”
“Classificação de segurança: membro oficial Falcão Noturno ou superior.”
“Método de Selar: Armazenar em escuridão absoluta.”
“Descrição: A parte de trás do espelho é revestida em mercúrio, a frente do espelho possui três pequenas rachaduras.”
“O primeiro investigador que olhou no espelho viu uma garota com longos cabelos chorando. Então, ele descobriu a garota saindo do espelho.”
“De várias experiências com o artefato, a imagem refletida no espelho é na maioria das vezes diferente. Mesmo que a mesma pessoa o use repetidamente, encontrarão coisas diferentes, com diferentes níveis de perigo. Mas elas priorizariam lidar com a pessoa que olhou primeiro no espelho.”
“A situação mais perigosa é se ver no espelho.”
“Se ninguém olhar para o espelho, sob o pré-requisito de haver luz, uma imagem aparece automaticamente a cada três horas.”
“Não possui traços de vida.”
“Observação: o espelho originalmente pertencia a um Medium Espiritual, e era um espelho comum até que um dia o Medium Espiritual cometeu suicídio enquanto se olhava no espelho.”
De fato, não existem muitos artefatos selados por trás do Portão Chanis que possam ser usados em uma batalha Beyonder. 3-0217 é uma boa escolha… — Klein não falou mais e correu imediatamente para a sala de recreação dos Falcões Noturnos para falar com o Sem Sono Kenley.
Naquela noite, era o turno de Royale ficar de plantão no Portão Chanis. Leonard estava de folga, Seeka Tron estava patrulhando áreas como o Cemitério de Raphael, e o novo membro só chegaria no domingo. Portanto, Dunn só podia escolher entre Frye e Kenley.
Levando em consideração que madame Sharon era da seita Demoníaca e tinha pouco a ver com espíritos mortos, ele optou por Kenley.
Depois de alguns minutos, Dunn voltou do subterrâneo. Ele segurava o espelho, firmemente embrulhado em um grosso pano preto.
Francamente, se não soubesse de antemão, não seria capaz de dizer que é um espelho. Nada dele está exposto… — Klein se aproximou com o pequeno Kenley.
— Você está encarregado de usar o artefato selado 3-0217. —Dunn passou o espelho para Kenley.
Ao ver isso, Klein subitamente percebeu que ele era um Beyonder Sequência 8 e que possuía capacidade de lutar à frente. Ele não podia simplesmente ficar de lado como suporte.
Cara, estou um pouco nervoso. — Ele tocou os charms do sonolência em seus bolsos e se certificou de que estava bem preparado.
O único problema é que, para facilitar a escalada, não estou trazendo minha bengala. Hmm, posso pegar a de Kenley emprestada. Ele tem o espelho em uma mão e uma arma na outra; isso deve ser suficiente. — Entre os pensamentos de Klein, o trio desceu e pegou uma carruagem para a rua Osna.
No caminho para lá, Kenley olhou para o Artefato Selado 3-0217 em suas mãos. A tensão o fez suspirar.
— Esta é a primeira vez que estou envolvido em uma operação tão perigosa.
Normalmente, os Falcões Noturnos não usavam nenhum artefato selado para lidar com incidentes Beyonder.
Quando foram para Cidade de Morse, solicitaram o Emblema Mutado do Sol Sagrado para fins preventivos. Dada a distância da Cidade de Morse, levaria algum tempo para chegar, se precisassem. Desta vez, eles estavam quase certos de que seu alvo era um Beyonder de sequência intermediária!
— Não se preocupe, talvez madame Sharon já tenha fugido — respondeu Klein com um sorriso.
Honestamente, ele estava tão tenso quanto Kenley.
Os olhos de Dunn se viraram e o olharam, impotentes.
— Vamos tentar não deixar madame Sharon escapar.
Cerca de vinte minutos depois, os três Falcões Noturnos chegaram à rua Osna. Eles viram o jardim e a casa de madame Sharon na escuridão. A casa estava em silêncio, como se nada tivesse acontecido.
Klein pegou o pêndulo na manga esquerda e fez uma rápida divinação.
— Há perigo lá dentro.
— Há perigo lá dentro.
…
Depois de recitar a declaração sete vezes, ele abriu os olhos e viu o pingente de topázio girando no sentido horário. A amplitude e velocidade foram consideradas de nível médio.
Isso significava que havia perigo. Não muito alto, mas também não muito baixo!
Capítulo 197
Capítulo 197 – Operação
Há perigo. Não muito, mas também não é pouco…
Isso significa que madame Sharon ainda está lá dentro. Ela ainda não fugiu…
Klein congelou por um momento, percebendo rapidamente o motivo.
Ele havia entrado em um estado único, convocando-se para inspecionar o cofre. Ele não havia arrombado a fechadura quando inspecionou o compartimento secreto, nem havia ativado nenhuma armadilha escondida. Então, madame Sharon não teria descoberto que seu segredo havia sido exposto, ela só pensaria que houve alguma invasão ou que algum investigador particular a estava investigando, mas sem sucesso.
Em tal situação, fazia sentido ela ficar em casa.
Perder a compostura e exagerar por uma questão tão pequena não era o que a madame Sharon que Klein conhecia faria. Ela era uma socialite calma, capaz de se fazer de medrosa e lamentável, além de ser uma Beyonder membro da Seita Demoníaca, mantendo sua identidade escondida por muitos anos.
Se o telefone tivesse sido inventado, madame Sharon definitivamente ligaria para um de seus amantes e reclamaria da segurança em Tingen, e sugeriria que era culpa da madame Maynard… — Klein começou a imaginar um enredo melodramático. Ele contou a Dunn e Kenley os resultados de sua divinação e seu palpite.
— Essa é a dedução mais razoável. — Dunn ajeitou o chapéu enquanto olhava para o segundo andar do apartamento de madame Sharon. — Não há necessidade de nos apressarmos.
— Por quê? — Kenley, que estava segurando o Artefato Selado 30217, perguntou instintivamente.
Ele estava cheio de medo em relação ao Espelho Médium Espiritual em suas mãos. Ele temia que algo inesperado surgisse do Artefato Selado.
Dunn vestiu luvas pretas e olhou para Klein.
— Você ainda se lembra do que aconteceu quando tentamos capturar a Instigatora Trissy?
— Lembro — respondeu Klein depois de pensar um pouco. — Ela parecia capaz de detectar nossa presença e preparar as ações necessárias, o que resultou em sua fuga bem-sucedida.
Também me lembro de sugerir o uso de bombardear a casa quando o Capitão me perguntou como eu lidaria com a situação. Esse era o método mais seguro e sem falhas. Mas não desta vez… Não podemos usá-lo aqui, pois há muitas servas inocentes na casa de madame Sharon. Se as notificássemos para evacuar com antecedência, definitivamente chamaria a atenção da madame Sharon. Segundo Leonard, Trissy pode ficar invisível. Temos que assumir que madame Sharon também tem essa habilidade… — Klein concluiu baseado em suas lembranças.
Dunn olhou para a lua carmesim no céu e disse:
— Bom, sua resposta é muito boa. Você é bastante intuitivo nessas situações.
— Não podemos nos aproximar de forma imprudente e acabar alertando madame Sharon. Vou tentar arrastá-la para um sonho à distância. Se eu tiver sucesso, você e Kenley irão capturá-la… Bem… Você pode tomar a decisão de matá-la ou não. Mate-a se não puder controlá-la. Sua segurança é de extrema importância.
Capitão, sua linha de pensamento é sempre tão clara em momentos tão críticos! Eu estava apenas esperando você dizer isso! — Klein elogiou em seu coração.
Ao longo dos meses, Klein compreendeu a maioria das características únicas dos diferentes poderes Beyonder de seus parceiros enquanto conversava casualmente com Dunn, Leonard, Frye e o resto. Entre eles, Dunn Smith, que era um Pesadelo, podia entrar livremente nos sonhos de uma pessoa adormecida, mesmo estando em casa ou na Companhia de Segurança Blackthorn.
Mas como fazia isso era um segredo de sua própria Sequência, e Klein não perguntou sobre isso.
A capacidade de arrastar alguém para um sonho tinha um alcance limitado e era normalmente usada durante confrontos diretos.
Mas Klein já ouviu o Capitão dizer que a habilidade também tinha um certo efeito quando usada dentro de um raio de cem metros. Mas ele precisava de tempo para concluir o processo; ele não podia fazer isso instantaneamente, pois o processo era semelhante a convencer uma criança a dormir.
Nesse momento, Dunn iria arrastar a distante madame Sharon para um estado de sono, um pouco de cada vez. Depois de concluir as primeiras etapas, ele criaria condições mais oportunas para Klein e Kenley.
— Tudo bem. — Kenley também aceitou o plano do Capitão.
Sem mais conversa, Dunn se apoiou no canto de uma parede e fechou os olhos. Ele juntou as mãos e abaixou a cabeça. O casaco preto e o chapéu de seda se misturaram à noite.
No luxuoso quarto.
Madame Sharon estava encostada na confortável cadeira de balanço, completamente nua. Sua bela e excelente figura completamente exposta.
Às vezes, ela virava a cabeça na direção do espelho de corpo inteiro para admirar seu encanto.
Quando olhava, seu rosto corava e lágrimas brotavam de seus olhos. Sua expressão emitia uma estranha ternura em meio à sua letargia.
A estátua esquelética da deusa estava em cima da mesa ao seu lado. Os grossos fios de cabelo pareciam gentis sob a luz quente e rosada.
Lentamente, a frequência com que madame Sharon se olhava no espelho diminuiu. Pouco a pouco, suas pálpebras não puderam deixar de se fechar.
Segundos se tornaram minutos, e Klein de repente se lembrou de algo.
Como que o Capitão iria notificar nós dois depois que conseguisse arrastar madame Sharon para um sonho?
Madame Sharon acordaria se o Capitão deixasse seu estado de Pesadelo e notaria que algo estava errado… Será que o Capitão é capaz de dar sinais de mão enquanto sonha? — Klein olhou para Kenley, que estava preocupado andando, e pretendia discutir isso com ele, a fim de distraí-lo.
Naquele momento, sua mente se transformou em um borrão. Ele viu uma lua gigante e carmesim, bem como o Capitão Dunn Smith em seu casaco preto sob a lua. Havia também o pequeno Kenley, sua expressão atordoada.
Klein percebeu que ele também estava sonhando!
Fui arrastado para um sonho pelo Capitão… Então era assim que ele nos notificaria. — Ele queria facepalm si mesmo, mas só pôde manter seu estado de transe enquanto dizia, confuso:
— Capitão?
Dunn assentiu levemente e disse:
— Madame Sharon entrou em um sonho. Agora voces podem agir.
Ele então enfatizou:
— Lembrem-se de ter cuidado e não sejam muito imprudentes… É melhor perder a oportunidade do que assumir riscos injustificados.
Assim que terminou sua frase, o mundo diante de Klein se despedaçou. Seus olhos refletiam Dunn Smith novamente. Ele ainda estava no canto da parede, olhando para baixo com as mãos cerradas firmemente em punhos.
Do outro lado, Kenley, que havia parado de andar, também abriu os olhos.
A dupla trocou olhares e assentiu; ambos se preparando para executar sua operação.
Embora essa fosse a primeira vez que Kenley participava de uma missão relativamente perigosa, ele ainda era mais experiente que Klein. Ele havia participado de muitas missões oficiais, então rapidamente ajustou seu estado mental, ficando calmo e alerta.
Obviamente, isso também pode ser atribuído ao fortalecimento que a noite tinha em um Sem Sono. Essa também era uma das razões pelas quais Dunn havia escolhido Kenley em vez de Frye para esta operação.
— Vamos. — Como Sequência 8, Klein assumiu o papel de líder, sinalizando para que seu parceiro o seguisse.
Kenley não se opôs. Ele segurou o espelho embrulhado firmemente, e andou com passos leves enquanto o seguia.
Klein o levou ao local onde havia escalado a parede anteriormente. Ele escalou pelas fendas e chegou ao topo da parede com pouco esforço.
Ele manteve seu ridículo senso de equilíbrio e se virou, curvando e agarrando o Espelho Médium Espiritual que Kenley havia lhe passado.
No momento em que tocou no espelho, Klein sentiu sua percepção espiritual reagir de repente. Era como se o que estava coberto pelo pano preto não fosse um espelho, mas uma porta para algum mundo alternativo desconhecido e perigoso.
Realmente, qualquer item que exija selamento tem algum lado maléfico… — Klein pensou para si mesmo, melancólico, enquanto observava Kenley escalar a parede.
Para facilitar o movimento, Kenley deixou a bengala ao lado de Dunn; Klein não se importou muito com isso.
Depois de atravessar o jardim ao lado do prédio, ele subiu o cano até a varanda do segundo andar, exatamente como antes.
Então se pendurou naturalmente pelas pernas, permitindo que seu corpo pendesse, mais uma vez pegando o Artefato Selado 3-0271.
Kenley olhou para ele, intrigado. Mas imediatamente ele acenou com a cabeça tendo compreendido.
Nesse momento, Klein ficou chocado com suas próprias ações. Ele exerceu força usando a cintura e, com o apoio da mão esquerda, ele se virou facilmente.
O que acabou de acontecer? Por que me movi assim? Parecia tão natural… Isso é uma habilidade de Palhaço? — Ele pensou, e sentiu que era capaz de exibir melhor as características únicas de um Palhaço na prática.
Depois de esperar que Kenley subisse facilmente, Klein devolveu o Espelho Médium Espiritual de volta a ele antes de abrir a porta destrancada da varanda.
Kenley tirou cuidadosamente o pano preto enrolado no Artefato Selado 3-0271. Ele apontou o espelho para baixo, refletindo os azulejos no chão.
Uma das regras do Espelho Médium Espiritual era não usá-lo em você mesmo nem em seus parceiros!
Depois de guardar o pano preto, Kenley pegou o revólver e seguiu atrás de Klein. Eles passaram pelo corredor em direção ao quarto de madame Sharon, com passos leves.
Klein segurava o revólver e, enquanto ativava a Visão Espiritual, estendeu a mão para a maçaneta da porta.
Ele não se atreveu a ser descuidado, pois sua divinação lhe disse que haveria perigo presente.
A razão pela qual ele não fez outra divinação rápida foi porque ele sabia da presença da estátua da Demonia Primordial na sala. A essa distância, sua divinação seria definitivamente interrompida. Ele sabia que não havia como obter uma resposta clara sem depender da obstrução do nevoeiro cinza. Além disso, com Kenley ao seu lado, não havia como entrar naquele espaço misterioso.
Depois de abrir a porta, o que entrou no campo de visão de Klein e Kenley foi a luz morna da lâmpada a gás.
Então viram madame Sharon reclinada sobre a cadeira com seu corpo sedutor.
No entanto, madame Sharon não estava dormindo. Ela estava reclinada na cadeira com um leve sorriso na boca, olhando diretamente para os dois visitantes.
Instintivamente, Kenley virou a palma da mão e apontou o Espelho Médium Espiritual para madame Sharon.
Klein primeiro congelou, e depois exclamou:
— Não!
Ele se lembrava claramente de que havia um espelho de corpo inteiro do outro lado da cadeira. Mas agora não estava mais lá!
O Espelho Médium Espiritual havia mirado em madame Sharon em apenas um segundo.
Mas essa imagem de madame Sharon ficou embaçada antes de se transformar em um espelho de corpo inteiro.
Kenley se viu no espelho e também no Artefato Selado 3-0271, que refletia sua própria imagem.
Uma figura apareceu instantaneamente dentro do Espelho Médium Espiritual. Era uma imagem sinistra sem expressão do próprio Kenley!
Klein sentiu seus membros enrijecerem como se estivesse sido amarrado por fios invisíveis.
Uma figura elegante apareceu ao lado do espelho de corpo inteiro. Era madame Sharon, vestindo uma camisola.
Ela olhou para os dois intrusos e riu.
— Se não fosse pelo fato da estátua estar ao meu lado, eu estaria profundamente adormecida agora, esperando que você me acordasse com um beijo.
Naquele momento, Klein de repente gritou um termo simples em antigo Hermes:
— Carmesim!
Ele não tinha ideia de quando havia colocado a palma da mão esquerda no bolso. Ele habilmente moveu os dedos e lançou um charm de Sonolência.
Capítulo 198
Capítulo 198 – Apropriando-se da singularidade
O charm de prata de repente ficou gelado, como um cristal com camadas de gelo.
Klein tremeu e de repente ficou mais alerta, seu medo e agitação sumiram temporariamente.
Ele rapidamente injetou sua espiritualidade no charm e empurrou a fina peça de prata do bolso com a ponta do dedo, fazendo-a cair a seus pés.
Uma chama carmesim apareceu no ar, e o som de luz e explosões contínuas ecoou na sala.
Um sentimento sereno e profundo emanou e engoliu instantaneamente a maior parte do quarto, incluindo madame Sharon, Sem Sono Kenley e também o próprio Klein!
O charm de sonolência era um item que não fazia distinção entre o inimigo e quem o lançava. Na maioria das situações, usá-lo significava jogá-lo no inimigo.
Dessa forma, o lançador seria afetado apenas pelas ondas de choque remanescentes, mas não a ponto de não resistir à tentação de cair em um sono profundo.
Mas os braços de Klein estavam presos por inúmeros fios invisíveis. Ele não conseguiu jogar o charm, então só pôde trocar o sono de madame Sharon pelo seu!
Mas ele já havia considerado tal situação e estava preparado. Isso porque seu corpo era único; ele possuía uma certa peculiaridade que era diferente da maioria dos Beyonders de baixa Sequência.
Nesse instante, as pálpebras de Klein se fecharam e ele entrou em um sono profundo normalmente, enquanto madame Sharon e Kenley também pareciam se acalmar.
Klein rapidamente percebeu que estava sonhando e racionalmente sabia que estava dormindo.
Sempre que algo relacionado a invasões de sonhos ou efeitos hipnóticos semelhantes eram usados nele, ele ainda conseguia manter a consciência!
Ele descobriu isso quando estava lidando com os poderes de Pesadelo de Dunn, bem como quando Daly estava canalizando seu espírito!
Kacha!
Klein saiu à força do sonho e acordou. Ele sentiu os incontáveis fios amarrando seus braços, pernas e corpo se afrouxar. Quanto a madame Sharon, ela tinha um olhar vago, como se fosse acordar do efeito do charm de sonolência, mas que ainda não havia acordado completamente. Kenley estava no chão com o Espelho Médium Espiritual virado de cabeça para baixo, enquanto que o revólver havia sido jogado na porta.
Uma oportunidade!
Klein aproveitou o momento em que os finos fios afrouxaram para estender a mão esquerda e estalar os dedos. Ele acendeu uma leve chama espiritual azul e queimou os incontáveis fios diante dele.
Ao mesmo tempo, pegou o revólver com a mão direita e puxou o gatilho repetidamente.
Bang! Bang!
As duas balas anti-demônio dispararam em direção a madame Sharon.
Klein não confirmou o resultado, mas dobrou os joelhos, exerceu força na cintura e saltou na direção de Kenley. Simultaneamente, ele quebrou os finos fios que estavam amarrados ao redor de seu corpo.
Seus tiros anteriores foram principalmente para informar ao Capitão que algo inesperado havia acontecido lá dentro. Eles já estavam lutando e precisavam de assistência. Claro, o melhor resultado seria se conseguisse atingir diretamente madame Sharon!
No entanto, Klein não acreditava que uma Beyonder Sequência 7 ou 6 pudesse ser ser tão simples de se lidar.
Havia fracas chamas azuis girando no ar, dançando através dos finos fios no quarto. Em tal cenário onírico, as duas balas antidemônio de prata atingiram o corpo de madame Sharon.
Kacha! Kacha!
Madame Sharon estava em seu roupão translúcido, e seu corpo indistinto se despedaçou como o reflexo da lua carmesim em um lago. O espelho de corpo inteiro ao seu lado se despedaçou em estilhaços do tamanho aproximado de uma mão, enquanto que uma pequena parte permaneceu na moldura. Todos pareciam palmas, palmas de formato estranho.
Um substituto? Um poder Beyonder da Sequência Demônia? — Klein observou o espelho quando chegou ao lado de Kenley. Com os finos fios quebrados por seu movimento, as fracas chamas azuis não se espalharam.
Naquele momento, madame Sharon havia desaparecido, mas Kenley “dormindo” levantou as mãos e segurou seu pescoço com tanta força, que sua saliva começou a escorrer e sua lingua ficou para fora. Mas não parecia que ele iria parar.
Mas na Visão Espiritual de Klein, não havia nada de anormal!
De repente, ele se lembrou da descrição do Artefato Selado 3-0271.
A situação mais perigosa é quando você se vê!
Será que Kenley viu seu próprio reflexo no Artefato Selado 3-0271 através do espelho de corpo inteiro? — Klein especulou. Ele rapidamente pegou outro charm de prata sem ter tempo para pensar.
Era um item de forma triangular: um charm pacificador.
— Carmesim!
Klein disse a palavra em antigo Hermes enquanto colocava sua espiritualidade no charm, e então o jogou.
Então, com sua mão esquerda ele pegou o Espelho Médium
Espiritual, e usou sua visão periférica para determinar que o Artefato Selado estava voltado para baixo, para não o refletir.
O charm triangular de prata acendeu em chamas azul-gelo. A escuridão suave e serena cobriu Kenley e afetou o próprio Klein, e as emoçoes nervosas se dispersaram naquele instante. Kenley relaxou as mãos na garganta, enquanto Klein parecia estar diante de sua janela em casa, com vista para as ruas tranquilas. Seu estado físico e mental estava em paz.
Era exatamente o que Klein queria!
Naquele exato momento, ele entrou em um estado extremamente sereno. Ele parecia ser a única pessoa que restava no mundo inteiro, nada mais existia.
Dentro dessa sensação de calma, ele repentinamente teve um pressentimento em sua mente.
Madame Sharon está prestes a atacar minha cintura pela direita!
Essa era a habilidade de premonição de um Palhaço em batalha. Sem hesitar, Klein ergueu o Espelho Médium Espiritual e rolou para a esquerda.
No momento em que se moveu, uma adaga, ardendo em chamas escuras, perfurou o local que ele havia acabado de sair.
A figura de madame Sharon apareceu mais uma vez.
Enquanto rolava, Klein subitamente ergueu o Espelho Médium Espiritual e o apontou para madame Sharon!
Além de salvar seu companheiro de equipe, seu principal objetivo quando se aproximou de Kenley era pegar o Artefato Selado.
Pois ele achava que esperar pelo reforço do Capitão enquanto estivesse ao lado de madame Sharon não resultaria em nada de bom. O charm do Sol Ardente poderia ser usado contra um Beyonder, mas o efeito não seria tão significativo como se fosse usado contra um espírito morto. Além disso, o alvo não ficaria parado esperando que ele usasse um charm.
Se realmente não funcionasse, Klein só poderia correr o risco e usar o apito de cobre de Azik.
Ele pensaria em como explicar isso depois que conseguisse permanecer vivo!
No entanto, as coisas se desenvolveram melhor do que Klein esperava; madame Sharon havia optado por assassinato. Ela não interrompeu seu uso do charm pacificador e do Espelho Médium
Espiritual.
Portanto, Klein formulou instantaneamente um plano simples. Ele não evitou o efeito do charm pacificador, mas o utilizou para melhorar sua capacidade de premonição de Palhaço. Então, ele aproveitou a oportunidade para se esquivar do ataque enquanto usava o Espelho Médium Espiritual para refletir o inimigo!
Quando madame Sharon errou seu ataque, ela imediatamente tentou correr atrás de seu ágil oponente, que estava rolando para longe, mas de repente ela viu um espelho com três rachaduras.
A superfície do espelho ondulou e a figura de uma mulher apareceu. Seu cabelo era preto e grosso, solto e estava bloqueando o rosto.
A mão esquerda de Klein tremeu e o Espelho Médium Espiritual deslizou no tapete por vários centímetros, com a frente voltada para cima.
Uma mão pálida estendeu-se para fora do espelho, e uma mulher em um vestido branco como um lençol saiu do espelho rapidamente e atacou madame Sharon.
A expressão de madame Sharon ficou sombria, havia uma camada de escuridão acima de seus inocentes olhos castanhos.
Seus arredores se acenderam com sete chamas negras.
Com um swoosh, uma chama negra voou e atingiu a mulher de vestido branco.
Whoosh!
A mulher pegou fogo e gritou de dor. Em pouco tempo ela desapareceu no ar.
Sou! Sou! Sou!
As chamas negras voaram como balas em direção a Klein, uma após a outra.
As pupilas de Klein se contraíram e ele rapidamente se afastou, rolando para trás para desviar. Ele não se atreveu a ficar no lugar.
No entanto, sua ação de rolar gradualmente se tornou mais lenta porque parecia haver finos fios o envolvendo novamente. Eles diminuiram sua velocidade e afetaram seu movimento.
Parecia o nemesis das habilidades de combate de um Palhaço!
As chamas negras voaram passando pelo lado do rosto de Klein, e caíram na cama de madame Sharon. No entanto, a cama não foi queimada, aparentemente as chamas eram eficazes apenas em itens com vida ou espiritualidade.
Klein ainda estava para se alegrar de sua esquiva bem sucedida quando outra premonição passou por sua cabeça.
Ele torceu a coluna e mudou a direção de sua cambalhota frontal, para uma esquiva lateral.
De repente, um cristal de gelo transparente como uma lança apareceu e perfurou o tapete onde Klein pretendia pousar.
A geada branca se expandiu e atingiu Klein, cujas ações foram afetadas pelos finos fios.
De repente, ele tremeu e seu corpo ficou rígido. Embora ainda pudesse se mover, ele estava muito mais lento.
Madame Sharon tinha chamas negras ao seu redor novamente, e havia uma lança de gelo transparente que havia condensado em suas mãos. Klein não hesitou mais e enfiou a mão no bolso para pegar o apito de cobre de Azik.
He, he, he.
Nesse momento, Kenley se livrou do efeito dos charms pacificador e de sonolência. Ele se levantou e olhou para madame Sharon com um par de olhos vazios.
Seu rosto parecia estar coberto por uma sombra, fazendo-o parecer silencioso, mas assustador.
Tum. Tum. Tum.
Kenley saltou para madame Sharon, que estava mais próxima.
Madame Sharon cerrou os olhos e atirou as chamas negras que a cercavam uma após a outra em Kenley.
Poof! Poof poof!
As chamas negras desapareceram como flocos de neve e não tiveram nenhum efeito.
Klein ficou atordoado por um momento, depois levantou a arma na mão direita e apertou o gatilho enquanto mirava em madame Sharon.
Bang!
Madame Sharon se esquivou com antecedência e jogou a lança de gelo em direção a Kenley, mas ela só penetrou suas roupas e não sua pele. Portanto, não criou um efeito de congelamento.
Bang!
Klein atirou de novo e madame Sharon se esquivou para o lado do espelho quebrado, e pegou um fragmento do tamanho de uma palma.
Ela continuou a andar rapidamente e se esquivou de outra bala. Ela então usou o fragmento irregular para refletir Kenley quando ele saltou sobre ela.
Logo depois disso, madame Sharon se esquivou para o lado enquanto passava a palma da mão coberta de chamas negras no espelho.
Naquele momento, Klein esvaziou o revólver. Ele não teve escolha a não ser descartá-lo, deixando os cartuchos vazios e o revólver caírem no tapete.
Assim que ele rolou para pegar o revólver de Kenley, ele ouviu o grito trágico de seu companheiro de equipe.
Kenley parou antes de se curvar e vomitar. No começo era bile, depois um coração vermelho, seguido por seus pulmões e estômago, que ardiam com chamas negras.
Capítulo 199
Capítulo 199 – Uma bala para a morte
O coração pulsante, o líquido verde-amarelado, as chamas negras queimando silenciosamente e a figura em queda entraram na visão de Klein e gravaram-se profundamente em sua mente.
A missão mais perigosa que havia encontrado até agora foi quando ele estava lidando com Ray Bieber, que estava no meio da digestão. Mesmo um monstro tão aterrorizante e perigoso como ele só resultou em ferimentos graves aos Beyonders da missão. Ninguém teve que sacrificar suas vidas.
As mortes dos Beyonders que Klein havia testemunhado, incluindo as do velho Neil, foram todas devido à perda de controle. O “assassino” pode ser estranho e indescritível, ou estar relacionado a deuses malignos, mas eles não tinham nada a ver com as missões que aceitavam.
Agora, ele estava olhando para um de seus parceiros sendo morto em ação, e a morte foi puramente devido a um erro.
Falcões Noturnos lutavam contra a loucura, mas também lutavam contra o perigo.
Poderia nunca haver uma oportunidade de se redimir de um erro.
Os pensamentos de Klein entraram se descontrolaram.
Aparentemente tendo levado um grande golpe, ele se ajoelhou e levantou a mão direita, disparando sucessivos tiros contra madame Sharon. As balas anti-demônio de prata atravessaram os fios invisíveis e voaram em direção à cabeça e à camisola transparente.
De repente, madame Sharon parecia ter sido puxada em outra direção por algo, permitindo que se esquivasse com sucesso dos tiros maníacos de Klein.
Klein apenas conseguiu se recompor e recuperar sua capacidade de pensamento racional quando terminou de disparar as cinco balas em seu revólver, e o som do cão atingindo uma câmara vazia entrou em seus ouvidos.
Seu coração se apertou. Sem tempo para recarregar, ele jogou o revólver para o lado e pegou um baralho de cartas de tarô!
Pa!
O corpo da madame Sharon se moveu para o lado e viu uma carta passar por ela, perfurando profundamente a superfície da mesa de maquiagem.
Ela sorriu, seus lindos olhos castanhos mais uma vez assumindo um brilho negro.
Naquele momento, seus cabelos castanhos como cachoeira subitamente começaram a flutuar no ar como se fossem levantados por uma força invisível.
Madame Sharon congelou. Ela queria se esquivar, mas foi muito lenta. Klein jogou a carta “Mago”, prendendo com sucesso o cabelo da dama na parede.
Pa! Madame Sharon arrancou os cabelos com força e rolou para frente, seu corpo desaparecendo rapidamente da visão de Klein.
Ela ficou invisível de novo… — Klein tinha uma carta de tarô entre os dedos enquanto lentamente se virava, prestando atenção ao seu redor.
De repente, ele percebeu por que madame Sharon teve que desistir de seu ataque e por que ela havia diminuído a velocidade.
Se a situação tivesse se desenvolvido normalmente, Klein não teria escolha a não ser usar o apito de cobre de Azik para lidar com essa demônia aterrorizante!
Sim! O Capitão deve estar por aqui em algum lugar! — Ele se sentiu um pouco animado. Ele olhou em volta, seu olhar instintivamente caindo na janela.
Ao mesmo tempo, ele fez um julgamento em seu coração.
Madame Sharon quer fugir!
Ela sabe que ainda temos um parceiro com a capacidade de arrastá-la para um sonho, mas não tem certeza se haveria outros reforços dos Falcões Noturnos, Punidores a Mandato ou
Consciência Coletiva!
Mesmo sendo poderosa, não há como ela acabar com uma equipe de Beyonders sozinha!
Com esse pensamento, Klein sacudiu o pulso e jogou a carta de tarô na direção da janela.
Whoosh, whoosh, whoosh!
Ele jogou cinco cartas uma atrás da outra, três selando a janela e as outras duas em direção à porta.
Crack! Tum! Tum!
Em meio ao som do estiçalhar de vidro, duas cartas entraram pela porta entreaberta do quarto, uma após a outra. Como esperado, Klein ouviu o som dela se esquivando.
Mais uma vez ele jogou as cartas, fazendo uso de sua intuição de Palhaço para identificar onde deveria mirar.
As cartas voaram rapidamente pelo ar antes de perfurar a parede robusta. No entanto, uma figura foi rapidamente delineada no ar, e não era outra senão madame Sharon, de cabelos castanhos, usando uma camisola translúcida.
No momento em que madame Sharon foi exposta, seus olhos perderam o foco, como se estivesse adormecendo em pé.
Capitão… — Klein examinou em volta, mas não teve pressa de jogar suas cartas. Isso porque ele sabia que madame Sharon sairia rapidamente do sonho. Ele deveria causar um dano fatal nesses dois ou três segundos, ou o oponente escaparia.
Era fácil escapar de um Pesadelo quando havia uma grande distância entre eles!
Dobrando os joelhos, Klein rolou para a frente na diagonal. Ele se inclinou e estendeu a mão direita, agarrando a borda do Espelho Médium Espiritual que estava virado para cima.
Ele então balançou o pulso antes que seu reflexo pudesse aparecer no espelho e jogou o Artefato Selado 3-0271 em direção a madame Sharon, com o lado do espelho voltado para ela.
O corpo da madame Sharon tremeu. A cor de seus olhos castanhos foi rapidamente restaurada, e eles mais uma vez encontraram seu foco. E ao acordar, uma camada cristalina de gelo resistente surgiu na superfície de seu corpo.
No entanto, ela não viu a carta, nem a bala anti-demônio se aproximando dela. Tudo o que viu foi um espelho, e que o espelho refletia sua beleza inocente, mas atraente.
Aquele rosto bonito no espelho de repente se contorceu. Rugas, cortes sangrentos e manchas podres apareceram em seu rosto.
— Não! — Madame Sharon soltou um grito agudo, como se tivesse acabado de testemunhar alguém que amava morrer.
Sua pele rapidamente assumiu uma cor verde e um pus amarelo escorreu pelo canto de seus olhos.
Depois de um momento de sofrimento, uma chama negra silenciosa ardeu de dentro para fora de madame Sharon, como se ela estivesse tentando se livrar de algo.
As chamas negras então se condensaram em uma geada espessa, como se estivessem criando um caixão para um descanso eterno.
Os fios invisíveis finalmente assumiram uma cor visível ao olho humano, envolvendo a geada, formando um casulo gigantesco.
Tum. Tum. Tum.
O Artefato Selado 3-0271 caiu no chão e rolou, antes de parar ao lado do casulo gigante de madame Sharon.
Naquele momento, Dunn quebrou a moldura da janela e entrou no quarto com uma cambalhota.
Ele viu Kenley, que havia parado de respirar, e imediatamente ficou desanimado.
Foi nesse momento que o casulo se abriu. O caixão de gelo desmoronou aos poucos, enquanto chamas negras se transformavam em pontos de luz, dissipando-se nos arredores.
A pele de madame Sharon recuperou sua cor normal. Os olhos dela mostravam fadiga, mas ela parecia normal.
Seus olhos refletiam Klein, que ainda estava esparramado no chão. Ela também viu Dunn Smith, o dedo pressionado na glabela com os olhos fechados.
Uma ondulação sem forma se espalhou de Dunn, e as pálpebras de madame Sharon se fecharam incontrolavelmente. Sob o casaco de Dunn, havia objetos contorcidos e semelhantes a serpentes.
Klein sabia que o Capitão não poderia conter madame Sharon por muito tempo, exatamente como quando estavam lutando contra o Monstro Bieber. Klein rolou para frente novamente, e pegou seu revólver, o qual havia descartado antes.
Ele pegou três balas anti-demônio com a mão esquerda e com familiaridade, as colocou nas câmaras.
Pa!
Klein fechou o cilindro e se levantou, mirando em madame Sharon com as duas mãos na arma, apontando para o centro de sua testa.
Bang!
Ele controlou seu corpo com as habilidades de Palhaço e apertou o gatilho.
A bala anti-demônio de prata perfurou o ar, acertando com precisão o alvo fixo.
Uma ferida sangrenta apareceu entre os olhos de madame Sharon, mas a bala pareceu atravessar várias camadas de obstrução, fazendo com que perdesse a maior parte de seu poder, tornando-se incapaz de perfurar o crânio do alvo.
Klein disparou mais dois tiros sem hesitar quando viu madame Sharon de repente abrir os olhos.
Bang! Bang!
Uma chuva de sangue espirrou entre pontos brancos. A beleza deslumbrante que era madame Sharon se tornou um cadáver mutilado que incitaria pesadelos em qualquer um.
Há muito ela havia ficado sem “substitutos” para usar.
Ufa. — Klein abaixou os braços e ofegou pesadamente. Madame Sharon, com apenas a metade da cabeça ainda intacta, caiu no chão. Ela ainda tinha uma figura excepcional, sua pele ainda branca e macia.
Dunn se endireitou e abriu os olhos. Ele também baixou a mão da glabela, seu rosto um pouco pálido. Ele não havia se machucado, mas parecia ter perdido bastante sangue.
— Se não fosse pelo fato de que ela queria matar algumas pessoas antes de tentar fugir, não fosse o Artefato Selado 3-0271 refletindo ela por acaso, nós provavelmente só teríamos conseguido feri-la… — Dunn caminhou lentamente para o lado de Klein, sua voz anormalmente baixa.
Se não fosse por quão único eu sou, teria morrido junto com Kenley nos primeiros dez segundos da batalha… — Klein se virou para Kenley, que estava deitado silenciosamente nas cinzas negras e exalou.
— Capitão, Kenley…
— Eu sei… — Dunn respondeu com uma voz rouca. — Eu cometi um erro. Fui enganado por madame Sharon. Não esperava que ela escapasse secretamente do sonho.
Ele fez uma pausa antes de continuar em um tom sério:
— Mas você precisa se acostumar com isso. É normal Falcões Noturnos morrerem durante missões. Talvez o próximo a morrer seja eu.
Klein ficou em silêncio, sem saber como responder. Kenley ainda estava de olhos abertos, olhando fixamente para o teto.
— Que a Deusa te abençoe. Que você encontre a verdadeira paz. — Dunn foi até o lado de Kenley e desenhou uma lua carmesim em seu peito.
Ele então se agachou e fechou os olhos de seu parceiro.
Que a Deusa te abençoe. Que a noite serena não abrigue mais nenhum perigo ou loucura… — Klein também desenhou a lua carmesim enquanto orava silenciosamente em seu coração.
Alguns segundos depois, ele retraiu o olhar e perguntou com uma voz pesada:
— Capitão, devo canalizar o espírito dela agora?
Dunn assentiu indiscernivelmente.
— Não tente perguntar sobre a Demônia Primordial, é muito perigoso. Vou protegê-lo e evitar que acidentes o perturbem.
Klein não se demorou. Ele pegou os vários ingredientes e rapidamente montou um altar, iniciando o ritual de mediunidade.
Depois de recitar os encantamentos, ele deu um passo atrás e usou uma Divinação de Sonhos.
— Parceiros da madame Sharon.
— Parceiros da madame Sharon.
…
Depois de recitar a declaração sete vezes, Klein entrou em um sonho, e viu a alma de madame Sharon dentro do mundo nebuloso.
Ele alcançou a alma transparente e etérea, e a cena diante de seus olhos mudou.
Era uma cena noturna. Madame Sharon, que usava uma túnica preta comprida, entregou um livro antigo de bronze ao Instigador Triss. Ela riu um pouco loucamente depois de ouvir a dúvida de Triss sobre o termo “Bruxa”.
— Você não estava curioso? Curioso por que nossos escalões superiores são todos do sexo feminino…?
Então realmente era a Seita Demoníaca… O palpite de Leonard corresponde exatamente à verdade; ele realmente tem um grande segredo… A Sequência 7 correspondente para Assassino e Instigador é Bruxa? Que armadilha… — pensou Klein consigo mesmo.
A cena mudou imediatamente. Klein viu um vasto salão com janelas estreitas por todo o lado, e uma senhora vestida com um manto branco puro.
Ela estava de costas para madame Sharon, enquanto dizia com um sorriso:
— Podemos alcançar a santidade desde que avancemos em direção à Primordial. Podemos alcançar poder, alcançar a salvação e evitar o fim dos dias.
Madame Sharon abaixou a cabeça, e perguntou com curiosidade:
— Por que devemos nos tornar mulheres? É porque a Primordial é mulher? As mulheres simbolizam destruição e calamidade?
A senhora de costas para madame Sharon respondeu calmamente:
— Não, homens são o mesmo, sinônimo de guerra. São dois caminhos semelhantes.
Capítulo 200
Capítulo 200 – A Demônia do Prazer
Sinônimo de guerra… Uma Sequência semelhante ao caminho de Sequência da Demônia… Qual será? — Klein assistiu a cena parecida com um filme enquanto se lembrava dos caminhos de Sequência que conhecia.
Como ele era apenas um Falcão Noturno normal, ainda havia muitas informações que não tinha permissão para acessar. Ele ainda estava no escuro sobre os nomes das sequências médias e altas e suas características correspondentes. Ele sabia apenas das poucas que havia aprendido com o Eterno Sol Ardente, como o Sacerdote da Luz e Sem Sombra; as sequências do caminho do Deus do Combate que descobriu do jovem Sol, como Paladino do Amanhecer, Guardião e Caçador de Demônios; bem como Guia Espiritual e Guardião dos Portões, que havia aprendido de Daly e Dunn.
Por isso, era difícil julgar qual caminho de Sequência seria sinônimo de guerra. Ele só poderia eliminá-los um por um, como o caminho de Sequência do Deus do Combate, que mais pareciam batalhas individuais do que guerras.
Klein pensou nisso e minimizou as opções para cinco alternativas.
Primeiro era o caminho de Sequência Árbitro, que o governante do Reino Loen, a família Augustus e a Família Castiya do Reino Feynapotter tinham controle. Mas Klein achava que essa opção era a menos provável, porque a Sequência 8 de Árbitro correspondente era Xerife, e a Sequência 7 era Interrogador, e ambos pareciam estar inclinados para julgamento, e não para guerra.
Segundo era o caminho do Imperador Sombrio da Quarta Época do Império Salomão. O nome moderno da Sequência 9 era Advogado, que era bom em descobrir e usar os defeitos e fraquezas de um oponente, além de possuir eloquência excepcional e pensamento lógico. Esse era o segundo menos provável caminho de Sequência. Ele suspeitava que o desenvolvimento da Sequência faria uso de regras e buscaria ordem. Obviamente, guerra também era considerada um dos passos da ordem.
Terceiro era o caminho de Sequência do Caçador, que estava sob o controle dos governantes do Império Feysac, a família Einhorn; a antiga família real da República Intis, a família Sauron e também a organização oculta que só apareceu nos últimos duzentos a trezentos anos, a Ordem Cruz de Ferro e Sangue. Klein achou que era bem possível.
As informações confidenciais do Falcões Noturnos descreviam Caçadores como excelentes rastreadores, excelentes mestres em armadilhas e excelentes caçadores. A sequência 8 correspondente era Provocador, enquanto a Sequência 7 era Piromaníaco. Ambos estavam parcialmente associados a massacre e guerra.
A quarta era a antiga organização Seita do Consagrado Sangue, que adorava demônios. Eles estavam no controle do caminho de Sequência Criminoso. Com base no próprio título da sequência, Klein sentiu que havia uma grande possibilidade.
Quinto era a Escola Rosa de Pensamento, conhecida por seus rituais sangrentos. Eles possuíam o caminho de Sequência Prisioneiro, e o motivo era o mesmo que o anterior.
Bem quando Klein estava se perdendo em seus próprios pensamentos, a cena à sua frente mudou. Madame Sharon havia acabado de tomar banho, seus cabelos molhados caíam ao longo dos ombros; havia um charme fresco, mas sedutor, em seu rosto.
Não vejo a mulher de túnica branca que transformou madame Sharon em uma Demônia… Pode ser porque minha capacidade psíquica ainda está muito fraca…
Klein reprimiu seus pensamentos e redirecionou sua atenção para o que estava diante de seus olhos.
Madame Sharon sacudiu os cabelos e gotas de água deslizaram por suas bochechas.
Ela olhou para o homem que estava esperando na cama enquanto riu, e disse:
— Você precisa que eu cuide de Maynard?
O homem de meia idade na cama franziu as sobrancelhas e balançou a cabeça.
— Não, a menos que você possa garantir que não haverá vestígios deixados para trás. Mas isso é impossível; e, além disso, que meios você possui?
Klein ficou surpreso ao olhar para o homem à sua frente, antes de sentir de repente que isso estava dentro de suas expectativas.
A foto do homem de meia idade costumava aparecer na primeira página do jornal Honesto da Cidade de Tingen e em outros jornais. Ele era o atual prefeito que pretendia ser reeleito, membro do Partido Conservador.
Madame Sharon sorriu, mas não se aprofundou no assunto. Seu roupão chagava até a metade das pernas, e ela caminhou graciosamente para o lado da cama.
O cenário diante dele mudou um após o outro, até Klein ver muitos membros do Parlamento, empresários e funcionários públicos que apareciam no jornal ocasionalmente.
Eles discutiam como receber doações, subornar eleitores burlando o Código Eleitoral, ou prometiam proteção e também como resolver problemas. Em todo o desenvolvimento, madame Sharon atuou como intermediária.
Este é na verdade um documentário, certo…? Visite os círculos superiores de Tingen com madame Sharon… Bem, mas por que existem tantas cenas de cama…? Muitos nobres e membros do Parlamento sabiam que madame Sharon tinha vários amantes, então por que pareciam não poder resistir à tentação…? Era uma habilidade da Sequência de madame Sharon? — Klein assistiu, pensativo, enquanto especulava.
Através da divinação anterior, ele tinha certeza de que nenhum dos caras dos círculos superiores de Tingen sabia da verdadeira identidade de madame Sharon, nem conspiraram com ela para assassinar Maynard.
Em outras palavras, a morte de Maynard foi uma decisão da própria madame Sharon? Mas por quê? Ela não tinha motivos para correr esse risco.
Claro, da perspectiva de madame Sharon, ela possuía poder Beyonder para interferir em divinações, e também podia criar uma morte repentina por prazer sexual e fazer com que a morte parecesse natural e acidental. Matar Maynard não era algo arriscado nem iria expor sua identidade, mas ela claramente não tinha um motivo. Isso não correspondia ao risco envolvido!
Poderia ser um dos requisitos de sua “atuação”? Mas ela definitivamente podia encontrar alguém cuja identidade e status não eram tão proeminentes. Então, o caso não iria aos Falcões Noturnos, Punidores a Mandato e Consciência Coletiva das Máquinas.
O ponto mais importante era que madame Sharon deveria ter sido capaz de dizer que a esposa de Maynard a odiava e estava extremamente indignada. Isso tornava altamente provável que alguém fosse enviado para investigá-la, então por que ela não moveu esses itens perigosos, como a estátua de osso branco? Ela poderia ter enterrado no jardim ou algo do tipo.
Ela estava tão confiante assim na segurança de seu cofre e de seu compartimento secreto?
Em meio a sua suspeita, Klein percebeu que o espírito de madame Sharon ainda não havia se dispersado. Ele aproveitou a oportunidade para fazer outra divinação dos sonhos.
Desta vez, sua divinação envolvia: “O verdadeiro motivo de madame Sharon para matar John Maynard”.
Depois de recitar em silêncio, Klein voltou a sonhar e viu uma nova cena.
Madame Sharon segurava uma taça de vinho tinto cor de sangue. Em sua larga camisola, ela andava de um lado para o outro em seu quarto. Finalmente, ela bebeu o resto do vinho de uma só vez, como se tivesse decidido alguma coisa.
A cena se dispersou rapidamente, deixando Klein ainda mais confuso, já que parecia que madame Sharon havia se oferecido para fazer isso sem a incitação de ninguém.
— Que estranho… — murmurou Klein para si mesmo, e usou mais algumas declarações de divinação, mas as respostas não foram diferentes.
Vendo que madame Sharon estava ficando transparente e ilusória, o que significava que iria desaparecer em breve, Klein pensou e fez um contato final com o espírito.
— Fórmula de poção de Sequência do caminho da Demônia.
— Fórmula de poção de Sequência do caminho da Demônia.
…
Klein recitou a nova declaração de divinação. Com a ajuda de Cogitação, ele entrou em seu sonho rapidamente.
No começo, ele não queria fazer a divinação, porque sentia que o caminho da Demônia só espalhava desastre e criava dor. Mesmo que obtivesse a fórmula de poção correspondente, ele não estava disposto a vendê-la a ninguém e indiretamente se tornar um assassino.
Então, ele se lembrou de outro assunto anterior. Com sua compreensão da poção Espectador, ele foi capaz de suspeitar e verificar se Daxter Guderian era mesmo um membro dos
Alquimistas da Psicologia.
Então, para lutar melhor contra as Demônias no futuro, ele aprenderia mais sobre as características de seu caminho de Sequência.
Sim, após a morte de Hood Eugen, Daxter Guderian ainda não entrou em contato comigo. Acho que os Alquimistas da Psicologia enviaram alguns membros mais fortes para investigar, e ele não se atreveu a fazer nada que chamasse atenção… — Quando os pensamentos de Klein apareceram um após o outro, ele viu o corredor escuro e a mulher com o manto branco sagrado novamente.
Madame Sharon abaixou a cabeça e só conseguiu ver as pernas da outra mulher, um par de pernas perfeitas.
Logo, ela ouviu uma voz melodiosa.
— Prazer, esse é o nome da poção da Sequência 6, a meta para a qual você está prestes a avançar. Se você for bem-sucedida, será uma Demônia do Prazer.
— Quando o prazer é irresistível e impossível de fugir, é uma forma de agonia. Essa também é uma máxima pela qual você deve viver.
— Contanto que você complete seu avanço, além do aprimoramento de suas várias habilidades de Bruxa, você também ficará mais bonita, melhorando sua sedução e proporcionando prazer inesquecível ao mesmo sexo ou ao sexo oposto durante o ato sexual. Você poderá criar fios estranhos, como uma aranha, e utilizá-los.
Imediatamente depois disso, um antigo livro de prata apareceu diante de madame Sharon e, depois de aberto, havia a fórmula e os ingredientes, colocados separadamente.
“Ingredientes principais: Um par de olhos de Succubus, uma glândula sericígena de uma aranha viúva negra adulta.”
“Ingredientes suplementares: 100 ml de água pura, 5 gotas de extrato de figueira-do-diabo negro, restos completos de cabelo de uma Succubus, 10 gramas de pó de mosca Feynapotter, e 5 gramas de cinzas reais de múmia.”
A cena mudou novamente. Era o mesmo salão, o mesmo longo manto branco e a mesma mulher com feições indistinguíveis. Mas agora, a diferença era que madame Sharon havia retornado ao seu estado original, ela era agora o jovem da foto de antes.
Uma voz feminina melodiosa ecoou em seus ouvidos.
— Este é o nome da poção da Sequência 7, tenho certeza que você está surpreso.
— Sim, eu ainda não acredito que se chama Bruxa! — Madame Sharon disse de maneira bastante agitada.
— Lembre-se, se queremos nos aproximar da Primordial, precisamos ser cada vez mais parecidos com “Ela”. Ela é uma mulher, então também temos que ser mulheres — respondeu a melodiosa voz feminina. — Ou você desiste ou aceita. Depois de se tornar uma Bruxa, você se tornará uma mulher de verdade, e sua aparência e charme serão aprimorados substancialmente. Você terá a capacidade de ficar invisível e usar substitutos. Ganhará um domínio rudimentar de várias magias negras, será capaz de interromper a divinação de outras pessoas e também ganhará o favor da chama negra e da geada glacial.
— Os ingredientes principais são o sangue completo de um peixe demoníaco do abismo e o ovo de um pavão ágata.
— Os ingredientes suplementares são 80 ml de água pura, 5 gotas de extrato de figueira-do-diabo, 3 escamas de um lagarto das sombras e 10 gotas de extrato de Narciso.
…
As cenas continuaram a passar, uma após a outra, e Klein viu a fórmula de Instigador e Assassino, e entendeu suas características correspondentes.
Assim que ele queria continuar com a divinação, o espírito de madame Sharon se dispersou por completo.
Klein interrompeu o ritual e voltou à realidade. Ele guardou os ingredientes, removeu a barreira de espiritualidade e contou a Dunn Smith sobre o resultado de sua mediunidade, sem esconder nenhuma informação. Então, ele expressou suas suspeitas sobre o assassinato de Maynard, de madame Sharon.
— Prazer não exige que ela mate alguém de hierarquia ou posição mais alta na sociedade… Hmmm, precisamos investigar onde madame Sharon esteve nos últimos anos e entender suas origens. Precisamos procurar o corredor escuro que você viu. Obviamente, isso precisará ser relatado à Catedral Sagrada, e eles poderão designar investigadores de acordo. Afinal, não podemos deixar Tingen como desejamos. Dunn assentiu levemente, olhou em volta e continuou:
— Vá para o primeiro andar, verifique se aqueles servos ainda estão dormindo profundamente. Se alguém estiver acordado, traga-o e faça-o assinar um contrato de confidencialidade conforme o protocolo. Eu ficarei responsável pelo segundo andar.
Ele encontrou um pano preto e cobriu o Artefato Selado 3-0271.
Ao ouvir isso, Klein de repente entendeu por que a intensa batalha não havia atraído os servos: o Capitão os havia enviado a um sono profundo desde o início.
O corpo de Klein ainda estava frio e rígido. Ele teve que se acalmar primeiro e avançar em passos muito, muito leves.
Quando passou pela porta do quarto, ele estendeu a mão e tirou as duas cartas de tarô que estavam na porta. Ele as limpou e colocou de volta no bolso.
Depois que saiu do quarto, ele caminhou em direção à escada.
Depois de dar alguns passos, ele de repente pensou em uma pergunta: como teria certeza de que a pessoa estava realmente dormindo profundamente?
Verificar com divinação, um por um? Isso seria bem problemático… O Capitão é um pesadelo; ele deve ser um especialista nisso. Vou ter que perguntar se ele tem algum método mais rápido e simples.
Com isso em mente, Klein se virou e caminhou em direção à porta do quarto, passo a passo, enquanto lutava contra o frio e a rigidez em seu corpo.
Antes de se aproximar, ele olhou pela porta entreaberta e viu as peças quebradas do espelho de corpo inteiro.
Ainda havia grandes estilhaços do espelho agarrados à moldura, todos do tamanho de uma palma.
No espelho rachado, Dunn Smith, de casaco preto, estava ajoelhado ao lado do corpo morto de Kenley, fazendo alguma coisa.
De repente, ele levantou a cabeça. Seus olhos eram de um cinza profundos, e os cantos dos lábios estavam manchados de sangue vermelho.
Sangue carmesim…
Sem pensar, Klein se virou, saiu do lado da porta e encostou as costas na parede.
Capítulo 201
Capítulo 201 – Inquérito
Klein prendeu a respiração, ainda com as costas contra a parede, enquanto encarava a escuridão do corredor.
O que o Capitão está fazendo? O que houve com ele? Ele estava bebendo sangue? Isso é um sinal de que ele está perdendo o controle? — A mente de Klein estava uma bagunça, incapaz de qualquer pensamento eficaz.
Quase vinte segundos depois, Klein cerrou os dentes. Com a ajuda do controle que ele tinha sobre seu corpo como um Palhaço, ele silenciosamente desceu as escadas.
Um pouco depois, ele intencionalmente andou fazendo mais barulho, e voltou para a porta do quarto de madame Sharon.
Klein olhou e viu o Capitão embrulhando o Artefato Selado 3-0271 com o pano preto. Sua expressão era séria e seu rosto estava limpo.
Era como se o que Klein tivesse visto naquele momento tivesse sido apenas uma ilusão.
Olhando de lado, Klein não viu nada de anormal no corpo de Kenley. Estava igual à antes.
Ele respirou fundo e perguntou:
— Capitão, como vou confirmar se os servos ainda estão dormindo? Não posso fazer um julgamento preciso apenas com base na Visão Espiritual. Eles terão várias reações emocionais devido aos seus sonhos, que serão refletidas na cor de suas auras.
Dunn Smith mexeu no Espelho Médium Espiritual e ficou em silêncio por alguns segundos. Depois disse com uma voz rouca:
— Sinto muito. Eu tinha esquecido disso. Cometi muitos erros esta noite. Não há necessidade de você verificar, eu mesmo vou confirmar.
Ele levantou a mão e pressionou a glabela, depois fechou os olhos, permitindo que ondulações sem forma se espalhassem em direção ao primeiro andar.
Era claro para um Pesadelo se alguém estava dormindo ou não.
Klein congelou quando viu isso. Ele olhou para baixo e mordeu o lábio inferior.
Capitão, você estava realmente me afastando…?
O que você está fazendo? Você faz ideia do que está fazendo…?
Ele se virou repentinamente para a janela, apenas para ver a lua carmesim pairando no alto do céu, aparentemente inalterada por milhares de anos.
Depois de se recompor, Klein usou a desculpa de pegar suas cartas de tarô, revólver, meia cartola e outros itens para examinar de perto os cadáveres de Kenley e madame Sharon.
Eles mantiveram a mesma aparência de quando morreram, mas sua pele estava ficando pálida rapidamente. Eles também tinham partes manchadas de azul e preto.
É um pouco estranho, parece estar faltando alguma coisa… Não é nada em específico, mais como um sentimento… — pensou Klein para si mesmo. Ele sentiu o cabelo arrepiar devido ao vento frio que soprava pela janela quebrada.
Naquele momento, Dunn abriu os olhos e disse em uma voz profunda:
— Eles ainda estão todos dormindo, mas alguns estão quase acordando.
— Que bom, que bom… — Klein olhou para o Capitão, sem saber o que estava dizendo.
Dunn examinou os arredores e disse:
— Limpe a cena e depois procure por alguém da delegacia mais próxima para vir até aqui. Ah, e faça uma viagem de volta à rua Zouteland e peça para Frye vir ajudar.
Klein lançou um olhar profundo ao Capitão e assentiu com os dentes cerrados.
— OK.
Com a ajuda de Dunn, Klein rapidamente limpou a cena e saiu da casa de madame Sharon pela porta da frente.
Caminhando pelo jardim e saindo, Klein não pôde deixar de olhar para trás. Tudo o que viu foi a casa, silenciosa, na escuridão.
Ele se virou com seu coração pesado, e logo localizou a delegacia mais próxima com base em sua memória; isso era de conhecimento comum aos Falcões Noturnos.
Toc. Toc. Toc.
Klein bateu na porta de aço.
Algum tempo depois, o oficial de plantão passou pelo pátio com uma lanterna na mão. Ele abriu a porta e observou Klein, desconfiado.
— Qual é o problema?
Klein não conseguiu forçar qualquer expressão. Com uma cara pesada, ele pegou seus documentos e mostrou ao policial.
— Há um caso sério de assassinato na rua Osna, nº 15. Chame
imediatamente outros oficiais para irem lá ajudar
O policial levantou a lanterna e examinou os documentos antes de juntar os pés e saudar.
— Sim, senhor!
Tendo resolvido isso, Klein voltou para a rua Zouteland em uma carruagem de aluguel.
No caminho de volta, ele se sentou na carruagem escura. Seus pensamentos estavam confusos e sem foco.
Kenley está morto…
Lembro que ele ficou noivo recentemente… Seus pais ainda estão vivos…
O que o Capitão estava fazendo agora há pouco…?
Ele anseia por sangue fresco…?
Ou ele tem outros motivos…?
Sua memória ainda é tão ruim quanto antes, sem nenhuma melhoria óbvia. I-isso significa que ele não tem os sinais de alerta da perda de controle!
Mas ele já conhece o “método de atuação” há algum tempo. O fato de sua memória não ter melhorado significa que há um problema…
Não! Deve ser porque o Capitão ainda está descobrindo a maneira correta de agir como um Pesadelo!
… Sim, as razões mais importantes pelas quais Kenley morreu foi por causa do Artefato Selado 3-0271. Foi o Capitão que deixou o espelho com ele…
Mas o que estou pensando!? Foi uma decisão lógica naquele momento!
… Também foi o Capitão que sugeriu o uso do Artefato Selado 30271…
Calma, calma, não posso fazer suposições às cegas. Mas também não posso esperar, ou a situação pode piorar!
Vou enviar uma carta para Madame Daly mais tarde e ver se ela sabe o que essa situação significa. Mesmo que não saiba a resposta exata, ela definitivamente entenderá os sinais de perigo e informará a Catedral Sagrada…
Dessa forma, podemos cortar o problema pela raiz e fazer com que o Capitão volte ao normal!
Não, talvez o Capitão não tenha nenhum problema. Eu posso ter entendido algo errado. Vou ver o que Madame Daly diz…
…
Klein já havia tomado uma decisão quando a carruagem chegou ao nº36 da rua Zouteland. Ele não estava mais perturbado e desamparado como antes.
Ele subiu a escada em direção à entrada da Companhia de Segurança Blackthorn com passos pesados e abriu a porta com uma chave que havia pego.
O ambiente familiar o acalmou bastante. Isso o lembrou de como se sentia quando pedia ajuda ao Capitão toda vez que havia algo errado.
Respirando fundo, Klein foi para a sala de recreação, e encontrou Frye lendo sozinho sob a lâmpada a gás.
Frye se virou para olhar para Klein, seu rosto frio revelando um olhar de apreensão e preocupação.
— Aconteceu alguma coisa? Onde estão o Capitão e Kenley?
Klein respondeu com uma voz rouca:
— Kenley está morto; ele morreu pelas mãos de madame Sharon. Todos cometemos erros… O Capitão está de guarda na cena e precisa da sua ajuda.
Antes de partirem, o Capitão havia informado Frye sobre a situação geral. Ele disse a Frye que, se não voltassem dentro de duas horas, era para enviar um telégrafo para a Catedral Sagrada. Da mesma forma, como eles tiveram que solicitar o Artefato Selado 3-0271 e entrar no Portão Chanis à noite, Royale, que estava guardando o Portão Chanis, também havia sido notificada da missão. De acordo com as diretrizes internas dos Falcões Noturnos, um Capitão poderia permitir a abertura do Portão Chanis à noite. Se o Capitão estivesse presente, então somente o Capitão poderia entrar.
Frye congelou por um momento, depois soltou um suspiro, e desenhou uma lua carmesim no peito.
Ele vestiu seu casaco e seu chapéu e saiu pela porta. Quando passou por Klein, ele de repente disse suavemente:
— Você não precisa se culpar. Cometer erros é algo que nunca podemos evitar. Sempre devemos confiar em nossos parceiros.
— Sim… — Klein fechou os olhos, sua visão ficando embaçada.
Klein e Frye foram primeiro ao subterrâneo para notificar Royale antes de trancarem a porta da Companhia de Segurança Blackthorn e correrem para a casa de madame Sharon.
Já era madrugada quando pegaram o cadáver de Kenley e o meio corpo decapitado de madame Sharon de volta.
Dunn ficou na frente do necrotério, olhando silenciosamente para dentro. Passou algum tempo antes que ele se voltasse para Klein e disse:
— Vá para casa primeiro. Você acabou de passar por uma batalha intensa, deve estar exausto.
— Tudo bem. — Klein não rejeitou a sugestão.
Ele franziu os lábios e lançou um olhar para o Capitão antes de sair em silêncio da Companhia de Segurança e pegar uma carruagem pública de volta à rua Narciso.
Assim como havia feito anteriormente, ele entrou no quarto com facilidade e trancou a porta.
Tirando a adaga ritualística de prata, Klein selou a sala com uma barreira de espiritualidade. Ele então se sentou em sua mesa e escreveu com urgência:
“Cara Madame Daly,”
“Eu notei que há algo de estranho com o Capitão recentemente. Durante uma missão, ele secretamente…”
Klein parou quando chegou nessa parte; sua mente ficou em branco. Ele não sabia como continuar ou como descrever o incidente.
Pa!
Ele jogou a caneta e amassou o pedaço de papel à sua frente em uma bola. Olhando para isso, ele bateu com força sobre a mesa, enviando um baque reverberante pela sala. Klein fechou os olhos e cobriu o rosto com as mãos. Ele não se mexeu, como se tivesse se tornado uma estátua.
Cinco minutos depois, ele suspirou, abaixou a mão direita e queimou a bola de papel com sua espiritualidade, e a observou até virar cinzas e cair na lixeira.
Depois de organizar seus pensamentos, Klein pegou um novo pedaço de papel e escreveu:
“Cara Madame Daly,”
“Acabamos de completar uma missão e, infelizmente, perdemos um parceiro. Os detalhes exatos são os seguintes…”
“… Naquela hora, senti que, com meus padrões atuais, minha Visão Espiritual era incapaz de determinar com precisão se os servos estavam dormindo ou não, e que seria muito trabalhoso fazer divinações para cada um deles. Assim, voltei com a intenção de pedir conselho ao Capitão. Naquele momento, através do reflexo do espelho, vi o Capitão ajoelhado ao lado do cadáver de Kenley, sua boca coberta de sangue carmesim.”
“Não tenho certeza do que exatamente aconteceu, nem sei o estado em que o Capitão está. Espero que você possa me dar uma resposta.”
…
Depois de escrever isso, Klein leu a carta novamente com o coração pesado, antes de dobrá-la ao meio.
Ele então montou um ritual e ativou sua Visão Espiritual para convocar o mensageiro de Daly. Ele convocou o rosto estranho, que era apenas uma boca sem olhos ou nariz.
Ele viu a língua vermelha entrelaçada com dentes pontiagudos irregulares e cinco dedos pálidos na ponta da língua antes de silenciosamente entregar a carta.
Quando tudo voltou ao normal, ele se sentou e continuou escrevendo.
Desta vez, ele planejou perguntar ao Sr. Azik.
“… Em uma missão recente, algo de estranho aconteceu com meu superior. Ele me mandou sair e se ajoelhou ao lado do cadáver de um companheiro de equipe. Sua boca estava coberta de sangue carmesim.”
“Você já encontrou algo assim em suas memórias? Como posso ajudar meu superior?”
Capítulo 202
Capítulo 202 – Confirmando a situação
Depois de dobrar a carta, Klein pegou o apito de cobre, colocou-o nos lábios e soprou com força.
No silêncio do quarto, ossos brancos ilusórios brotaram da mesa como uma fonte e finalmente formaram um enorme monstro, que tinha quase quatro metros de altura, ainda coberto por um fraco brilho. Sua cabeça ainda estava atravessando o teto, assim como antes.
Klein balançou o pulso e jogou a carta. O monstro de osso branco pegou a carta e a segurou com força
Klein tocou o apito de cobre novamente e viu o mensageiro de ossos brancos ilusórios quebrar e cair como chuva antes de desaparecer pela superfície da mesa.
Klein se sentiu muito mais calmo depois de terminar tudo, mas ele não parou por aí. Afastando a cadeira, ele se levantou e deu quatro passos no sentido anti-horário, e entrou no mundo acima do nevoeiro cinzento.
O imponente palácio e a antiga mesa manchada apareceram diante de seus olhos, como se permanecessem constantes por dezenas de milhares de anos.
Klein sentou no assento de honra do Louco. Então, ele pegou o pêndulo espiritual da manga esquerda e conjurou uma pele de cabra marrom-amarelada e uma caneta-tinteiro em sua frente.
Ele pretendia divinar a situação do Capitão naquela noite!
Depois de pensar um pouco, Klein escreveu a primeira declaração de divinação:
“A anormalidade de Dunn Smith me trará perigo.”
No misticismo, uma divinação que envolvia qualquer perigo para o adivinho era mais difícil de inferir. Era uma habilidade instintiva da espiritualidade.
Em outras palavras, desde que não houvesse um distúrbio extremamente forte, Klein seria capaz de obter um resultado preciso sobre sua própria situação.
Essa também era a razão pela qual ele divinou se havia perigo na missão, mesmo sabendo que madame Sharon tinha a capacidade de interferir na divinação. Ele também sabia que madame Sharon não era forte o suficiente para afetar esse tipo de divinação.
A fim de determinar a situação do Capitão, ele decidiu eliminar todos as perturbações e realizar a divinação acima da névoa cinzenta.
Ele segurou o pêndulo com a mão esquerda enquanto recitava a declaração de divinação sete vezes. Ele fechou os olhos e entrou em estado de cogitação.
Depois de alguns segundos, ele abriu os olhos e eles voltaram à sua cor normal.
Ele olhou para o pingente de topázio e sentiu o coração pesado, pois o pêndulo estava girando no sentido horário. A rotação não era pequena, nem a velocidade lenta.
Isso significava que o resultado era positivo.
Isso significava que a anormalidade de Dunn Smith seria perigosa!
E o nível de perigo era significativo!
Depois que fechou os olhos, Klein “apagou” o conteúdo anterior e escreveu uma nova declaração de divinação.
“O motivo do comportamento anormal de Dunn Smith.”
Ele guardou o pingente de topázio e recostou-se na cadeira, e então recitou a declaração de divinação e entrou em um sonho com a ajuda de cogitação.
No mundo ilusório e embaçado, ele não podia ver nem descobrir nada. Não havia nada além de névoa cinza.
Isso significa que havia informações insuficientes, então a divinação falhou… — Klein olhou para a pele de cabra na longa mesa de bronze enquanto murmurava amargamente, desamparado.
De repente, ele sentiu uma forte sensação de exaustão. Ele percebeu que era o resultado de uma intensa batalha, rituais contínuos e múltiplas divinações.
Klein se envolveu em espiritualidade, estimulou uma rápida descida e voltou à realidade.
Ele teve alguns pesadelos naquela noite. O fim de cada sonho era Kenley vomitando seus órgãos ou Dunn Smith com sangue carmesim na boca.
Na manhã seguinte, era a vez de Klein ficar de plantão no Portão Chanis, então ele chegou cedo à Companhia de Segurança
Blackthorn.
Naquele momento, Rozanne, sra. Orianna e os outros funcionários ainda não haviam chegado para trabalhar. Klein atravessou a divisória e viu Dunn Smith pela porta aberta, que estava sentado no escritório do Capitão.
Dunn havia tirado o casaco e só estava com uma camisa branca e colete preto. Ele se sentou na cadeira enquanto segurava uma xícara de café nas mãos. Ele estava olhando sem expressão para a parede à sua frente.
Seus cabelos pareciam secos, seus olhos cinzentos pareciam opacos e seu rosto também mostrava sinais óbvios de cansaço.
Mesmo para o Capitão, que passou por muitos incidentes semelhantes, ainda é insuportável perder dois companheiros de equipe em tão pouco tempo… — O coração de Klein doeu quando a cena do espelho quebrado, refletindo Dunn ajoelhado diante do cadáver de Kenley com o rosto coberto de sangue carmesim, passou por sua mente novamente.
Klein cerrou os dentes e desviou o olhar.
Depois de quase vinte segundos, ele se recompôs e estendeu a mão para bater na porta do Capitão.
Toc! Toc! Toc!
Dunn abaixou a xícara de café e seus olhos cinzentos se tornaram sérios novamente.
Ele respirou fundo e disse:
— Eu relatei o que aconteceu à Catedral Sagrada, e eles deram uma resposta inicial.
— A Igreja compensará a família de Kenley com 3000 libras, e o departamento de polícia dará 1000 libras como pagamento de luto…
Um total de 4000 libras. Para a maioria dos cidadãos de classe média, essa é uma quantidade que não pode ser ganha em uma vida inteira… O salário semanal de Kenley era de sete libras, gerando uma renda anual de 364 libras. Adicionando qualquer bônus e renda adicional, ele ganharia pelo menos 380 libras. Quatro mil libras equivale a dez anos de sua renda… Tal quantia pode fornecer pelo menos 200 libras de rendimento por ano… Embora dinheiro não possa compensar a perda de Kenley, no momento é a única coisa eficaz… — Klein teve muitos pensamentos antes de finalmente suspirar.
— É tudo que podemos fazer.
A Igreja da Deusa da Noite Eterna não podia ser criticada quando se tratava de tais assuntos.
Dunn puxou sua gola e disse em uma voz profunda:
— Vá ao subterrâneo e assuma o plantão de Royale.
— Tudo bem. — Klein assentiu levemente.
Ele se virou e caminhou em direção à porta. Então, ele ouviu o Capitão acrescentar como se estivesse falando consigo mesmo:
— Mandaremos Kenley para casa mais tarde…
Levar Kenley para casa… Seu pai, sua mãe, seus irmãos, sua noiva, como reagirão…? — Klein sentiu um aperto no coração, e ficou de alguma forma feliz por não ter que enfrentar tanta tristeza.
Ele sabia que era a mentalidade de um escapista, mas estava com muito medo de ver a agonia nos olhos dos pais de Kenley, ou como sua noiva pareceria perder a alma. Ele tinha medo de ver suas expressões de ressentimento oculto, e medo de ouvir seus soluços e choros.
Klein acelerou o passo e correu para o Portão Chanis. Ele completou a mudança de plantão com Royale em silêncio.
Ele sentou na sala de vigia e, ocasionalmente, pegou seu relógio de bolso prateado, observando o tempo passar lentamente.
Após um período de tempo, Klein de repente ouviu sons ilusórios que se sobrepunham.
Ele viu os quatro pontos pretos aparecerem nas costas da mão e entendeu que era Justiça, Enforcado ou Sol orando para o Louco, mas ele não tinha como responder imediatamente. Ele só podia esperar até que a notificação terminasse e ver no dia seguinte, quando voltasse para casa.
Tendo acabado de pegar as chaves para abrir a porta de sua casa, Klein viu a serva Bella limpando a mesa de jantar enquanto sua irmã Melissa, que estava bem vestida, e seu irmão Benson desciam as escadas.
— Vocês não foram à missa semana passada? — perguntou Klein curiosamente.
Benson sorriu e disse:
— Parece a memória de uma pessoa que não dormiu a noite toda.
— Hein? — Klein parecia ainda mais confuso.
— Hoje é o primeiro dia em que “O Retorno do Conde” estará vendendo ingressos — explicou Melissa.
Klein bateu na testa e tirou o chapéu.
— Estive muito ocupado recentemente, esqueci completamente.
Especialmente nos últimos três dias… — Ele acrescentou com um suspiro.
Melissa olhou para ele com preocupação e disse:
— Seu café da manhã está na cozinha. Coma e durma um pouco. Benson e eu achamos que, já que estamos saindo, podemos visitar a Catedral de Santa Selena e assistir a missa.
— Tudo bem. — Klein acenou e se despediu de seu irmão e irmã. Ele tomou um café da manhã simples e voltou para seu quarto.
Depois de fazer o trabalho preparatório, ele deu quatro passos no sentido anti-horário e entrou no mundo acima da névoa cinzenta. Ele viu que as estrelas vermelhas correspondentes de Justiça e Enforcado estavam pulsando levemente.
Ele estendeu a mão direita e emanou sua espiritualidade. Então, imagens borradas se formaram diante de seus olhos. A oração da senhorita Justiça soou em seus ouvidos.
…
— Eu rezo para que me ouça.
— Por causa do incidente de Qilangos, meu pai contratou um Beyonder para me proteger. Há também outros que estão me vigiando secretamente. Não foi fácil finalmente encontrar uma oportunidade de orar a você. Eu gostaria de solicitar uma licença do Encontro na próxima semana. Acredito que isso vai passar em breve.
Klein subconscientemente olhou para a imagem embaçada. A imagem estava cheia de névoa e parecia haver uma enorme banheira com água ondulando. Justiça estava enrolada em uma toalha de banho.
Ele retraiu o olhar e começou a ouvir a oração do Enforcado.
Sua descrição era diferente da de Justiça, mas ele estava fazendo o mesmo pedido. Ele também precisava pedir uma licença devido às consequências da morte de Qilangos.
Klein assentiu levemente e respondeu às suas orações, respectivamente.
— Estou ciente.
Então, ele enviou uma mensagem para a estrela carmesim do Sol.
— O próximo encontro será cancelado.
Cidade de Prata.
Derrick Berg estava prestando atenção no campo de treinamento. O céu acima de sua cabeça ainda estava escuro, com ocasionais relâmpagos que iluminavam o céu.
De repente, sua visão ficou embaçada e ele viu a névoa espessa e o antigo palácio que parecia a casa de um gigante. Ele também viu o Sr. Louco, sentado nas profundezas do nevoeiro cinzento.
— O próximo encontro será cancelado.
Sua voz reverberou, mas a visão de Derrick já havia retornado ao normal.
Ele não ficou chocado com um incidente tão mágico porque o Sr. Louco entrava em contato com ele dessa maneira para lembrá-lo antes de cada Reunião.
Derrick olhou subconscientemente para a mulher à sua frente, um membro do conselho de seis membros da Cidade de Prata, Pastor Lloydia.
Essa especialista aterrorizante ficava alternando entre um sorriso e a indiferença, se mantendo distante. Ela disse a todos os jovens do campo de treinamento que eles se juntariam às tropas de patrulha em breve e cuidariam dos monstros das trevas nas proximidades. Não seria mais um treinamento.
Anciã Lloydia não notou nada de estranho… Ela parece estar ficando cada vez mais estranha. É porque há um espírito maligno de um Beyonder de alta sequência entre as almas que ela possui? — pensou Derrick.
Klein voltou ao quarto, se jogou na cama e rapidamente adormeceu. Ele sonhou com o que havia acontecido nos últimos dias.
De repente, sentiu como se estivesse sendo sacudido por alguém, e de repente acordou.
Klein abriu os olhos e viu uma mão gigantesca de osso branco.
A mão parou e jogou uma carta na cama, e então desapareceu no ar.
A resposta do Sr. Azik… — Klein pegou a carta, cheio de esperança.
Capítulo 203
Capítulo 203 – Mutante
Klein abriu a carta, se sentindo nervoso e ansioso para ler a resposta de Azik.
“…Pensei em algumas possibilidades sobre o cenário que você descreveu, e lembrei de algumas coisas sobre vampiros e mutantes.”
“Os vampiros naturais já estavam à beira da extinção antes dos dragões e gigantes descerem do palco da história mundial. Mais tarde, podiam ser descobertos ocasionalmente. Os vampiros sobre os quais geralmente falamos, bem como os mencionados nos folclores, são mais parecidos com Beyonders. Lembro que o nome de uma poção em um caminho específico é chamada Vampiro.”
“Se seu superior está agora em um estado meio louco, é muito provável que ele tenha consumido essa poção por engano. O resultado da mistura de duas poções de diferentes caminhos garante um estado semi-insano. Sim, me lembro vagamente que o caminho da Noite Eterna, que você conhece como caminho Sem Sono, pode trocar nas Sequências altas com o caminho da Morte e o caminho dos Gigantes. Mas isso não inclui o caminho Vampiro.”
“É claro, não podemos descartar a possibilidade de seu superior ter aceitado de bom grado. Afinal, Vampiros têm uma longa vida, constituição excepcional e excelente aparência. Quando comparado com esses benefícios, aceitar um estado de meia insanidade é razoável.”
Klein congelou quando leu a carta. Ele não esperava que o Sr. Azik lhe desse tanta informação.
O caminho Morte também é conhecido como o caminho Coletor de Cadáveres. Suas Sequências altas podem ser trocadas com o caminho Sem Sono. Eu descobri disso no diário do Imperador Roselle. Mas pensar que também pode ser trocado com o caminho Gigante após a Sequência 4… O caminho Gigante é o que a Cidade de Prata possui, que também é o caminho do atual Deus do
Combate… Sempre suspeitei que o rei gigante Aurmir fosse o antigo Deus do Combate…
Sim, o diário do Imperador Roselle descreveu a Igreja da Deusa da Noite Eterna e a Igreja do Deus do Combate como inimigos mortais … Seria porque os caminhos que eles possuem podem ser trocados em sequências mais altas?
Se eu seguir essa linha de pensamento, posso encontrar uma explicação sobre o motivo pelo qual as três igrejas antigas, a Igreja do Senhor das Tempestades, a Igreja do Eterno Sol Ardente e a
Igreja do Deus do Conhecimento e da Sabedoria, estão em desacordo uns com os outros. Isso ocorre porque os caminhos de Marinheiro, Bardo e Leitor podem trocar nas altas Sequências!
Sim, durante o final da Época anterior, a Era Pálida, é provável que a queda da Morte tenha sido causada pela Deusa da Noite Eterna e pelo Deus do Combate…
O Capitão está normalmente perfeitamente bem, fora sua memória fraca. Ele não mostra sinais de meia insanidade. Posso descartar a possibilidade dele ter consumido a poção Vampiro!
Sr. Azik lembrou de várias coisas recentemente… Poderia a Fome Futiva ter realmente estimulado suas memórias?
Klein assentiu e continuou lendo a carta.
“Mutante não é o nome de uma espécie em particular. É mais como a descrição para muitas criaturas semelhantes. Em circunstâncias normais, eles não são diferentes de um humano comum, mas há um desejo inato, reprimido e distorcido em seus corações. Esse desejo irrompe quando eles entram em contato com uma determinada cena ou objeto. Eles se tornam monstros, sucumbindo aos seus desejos de sangue e massacre.”
“Depois de tudo acabar, eles voltarão ao normal novamente. Eles se tornam um pouco mais impiedosos e insensíveis após cada vez que seus desejos surgem, e isso continuará até que suas almas fiquem completamente distorcidas.”
“O único exemplo disso que me lembro é o lobisomem. Eles são semelhantes aos humanos, e, na maioria das vezes, não podem ser distinguidos usando a maioria das habilidades Beyonder. Mas, durante a lua cheia, os desejos distorcidos em seus corações se intensificam e seus corpos também mudam.”
“Seu superior pode ser um mutante em potencial. A morte do seu companheiro de equipe pode ter desencadeado sua verdadeira natureza.”
“Essas são apenas minhas suposições pessoais. Não posso garantir que não há outras possibilidades, pois não recuperei todas as minhas memórias. Talvez sua teoria de ser um precursor da perda de controle também possa explicar isso.”
“Não há como salvá-lo se ele consumiu a poção Vampiro, ou se ele é um mutante. Claro, muitas pessoas teorizaram que os Mutantes eram originalmente seres humanos comuns, mas foram submetidos a alguma estranha maldição ou corrompidos por algum deus maligno ou demônio, e então se transformaram em diferentes monstros sob certas circunstâncias.”
“Além disso, não tenho muita certeza se você pode tratá-lo quando perceber os sinais de aviso de perda de controle. Aconselho que você relate isso diretamente ao superior de seu superior, e torça para que ainda haja tempo.”
Klein olhou seriamente para a mesa depois de abaixar a carta, e entrou em uma profunda reflexão.
Ele tinha que admitir que a teoria de um mutante era muito possível, mas não conseguiu eliminar a possibilidade de que isso era um sinal de alerta para perda de controle.
Tudo o que posso fazer é esperar pela resposta da madame Daly… Enviei a carta duas noites atrás, então ela deveria ter recebido a carta ontem de manhã. Se ela respondeu imediatamente, eu deveria ter reccebido a carta ontem à noite ou hoje de manhã… É quase meio-dia… O mensageiro não ousa chegar perto do Portão Chanis? Ou madame Daly ficou ocupada com alguma coisa? — Klein balançou a cabeça. Ele ainda se sentia exausto, então usou cogitação para se forçar a dormir.
No mundo nebuloso, Klein foi subitamente acordado. Ele sabia que estava sonhando.
Ele então viu Dunn Smith, em seu casaco preto, aparecer em sua frente.
Respondendo de maneira coerente com um sonho normal, Klein o cumprimentou com atraso:
— Bom dia… Capitão…
Dunn assentiu levemente e disse:
— Leonard encontrou uma pista quando estava investigando o caso Lanevus. Ele precisa de sua ajuda. O Espreitador de Mistérios que a Catedral Sagrada enviou não chegará até amanhã de manhã por causa de um problema no trem.
— Tudo bem… — Klein respondeu com um tom fugaz.
Dunn pensou por um momento antes de acrescentar:
— Não há necessidade de você retornar à rua Zouteland. Vá para a rua Howes nº 62 diretamente; Leonard estará esperando lá. Ultimamente tem sido difícil para você.
No momento em que ele terminou sua frase, o sonho de Klein se despedaçou. Klein instintivamente abriu os olhos.
Rua Howes… Não é a área do Clube de Divinação, onde meu colega de classe Welch e o membro da Ordem Aurora moravam? Ultimamente há muitos incidentes, um após o outro, como se estivessem culminando em algo… — Klein pensou enquanto se levantava lentamente. Ele se lavou no banheiro antes de vestir uma camisa branca, colete marrom e casaco preto. Então pegou seu chapéu e foi até a sala de estar.
Ainda não eram onze, e Benson e Melissa não tinham voltado para casa. Klein informou a Bella que estava saindo e que ela não precisava preparar o almoço para ele.
Ele então pegou uma carruagem pública até a rua Howes e viu o Poeta da Meia-noite, Leonard Mitchell, cujos cabelos bagunçados exalavam beleza, esperando por ele na casa nº 62.
Leonard ainda estava de camisa branca fina, apesar do clima frio de setembro, e usava calças bege combinando. Ele olhou para Klein e disse:
— Este pode ser o edifício alugado por Lanevus com um nome falso.
— Como você descobriu? — Klein perguntou por curiosidade.
Leonard apontou para a cabeça.
— Desde que você encontrou uma pista de Hood Eugen e suspeitou que Lanevus provavelmente estivesse conectado àquele membro da Ordem Aurora, o comerciante de tecidos Sirius Arapis, eu tive que mudar minha linha de pensamento depois que minhas investigações normais não revelaram nada. Comecei então a investigar a Ordem Aurora.
— O relatório anterior me disse que Sirius tinha interações com muitos moradores da rua Howes, então procurei cada um deles e encontrei um problema com este.
— Que problema? — perguntou Klein.
Leonard levantou as sobrancelhas. — Um problema óbvio. O hóspede daqui aparece muito raramente. Ele alegou estar indo ao Continente Sul para fazer negócios após a morte de Hanass Vincent e nunca mais voltou. Seus registros são muito realistas e a polícia não descobriu nada.
— Isso pode ser apenas uma coincidência. — Klein franziu as sobrancelhas.
— Claro, uma coincidência. Mas quando mostrei aos moradores por aqui a foto de Lanevus, um velho sentiu que se parecia com o morador do número 62, exceto pelos óculos, que eram diferentes. — Leonard tirou uma fotografia em preto e branco do bolso.
Por que você não disse isso antes… — Klein reclamou interiormente. Ele entrou no nº 62 da rua Howes com Leonard e, a pedido do Poeta, começou a divinar se havia compartimentos escondidos ou câmaras secretas.
O resultado foi positivo!
— Há uma câmara secreta ou compartimento escondido neste edifício.
Klein escreveu outra declaração de divinação. Se sentando no sofá, ele fechou os olhos enquanto recitava.
Sete vezes depois, ele entrou em um sonho. Sua visão ficou embaçada.
No mundo embaçado, Klein viu uma estante de madeira. Ele viu fileiras e mais fileiras de livros. Ele viu que um dos livros havia sido levado embora. Ele viu a superfície de madeira, ao lado do livro, aberta, revelando um compartimento escondido.
A cena desapareceu rapidamente e Klein abriu os olhos e disse a Leonard:
— No escritório.
Klein enrolou o pêndulo de topázio no pulso e seguiu Leonard para o escritório. Ele viu a estante de madeira que havia visto em seu sonho.
— Puxe esse livro, o lugar que ele está cobrindo tem um compartimento escondido. — Klein apontou para o livro mais próximo do lado.
— Então é aqui… Não consegui encontrar nada quando procurei e não tive escolha a não ser voltar para a rua Zouteland para pedir ajuda — resmungou Leonard enquanto se aproximava. Ele pegou o livro que Klein havia apontado.
Depois de procurar um pouco, ele finalmente encontrou o mecanismo para abrir o compartimento secreto.
Havia uma carta no compartimento secreto!
Uma carta? Lanevus escondeu uma carta aqui? — Klein achou isso extremamente estranho.
Depois que ele divinou para ver se havia algo perigoso na carta e recebeu uma resposta negativa, Leonard pegou a carta e abriu o envelope não marcado.
Pegando a carta, Leonard a desdobrou.
Klein se inclinou para frente para ver o conteúdo. Tudo o que viu foram os primeiros parágrafos da carta:
“Hahaha, parabéns. Parabéns por finalmente encontrar esta carta!”
“Isso significa que você não é muito estúpido, nem muito lento. Você se qualifica para participar deste jogo de vida ou morte que eu criei.”
“Crianças trabalhadoras que morrem antes do tempo. Trabalhadores de fábrica que raramente vivem mais de dez anos após entrar nas fábricas por causa de suas condições de trabalho. Trabalhadoras que se arriscam a pegar doenças graves por um salário horrível. Vejo ressentimentos sem limites em torno de cada fábrica, tornando o ambiente opressivo e sombrio. Este é o pior dos tempos, e também o melhor dos tempos. Nosso jogo será realizado sob tal cenário.”
“Tolos, preparem-se, eu vou dar uma dica!”
Capítulo 204
Capítulo 204 – Visitante
Klein e Leonard ergueram o olhar da carta e se olharam. Eles murmuraram:
— Ele é louco, certo?
— Lanevus é, na verdade, um lunático?
Um lunático que realmente tem um transtorno delusional e uma personalidade anti-social… — Klein pensou e sentiu um aperto no coração. Ele rapidamente redirecionou o olhar para a carta.
“Damas e cavalheiros, a dica é que eu coloquei uma bomba em Tingen, uma bomba que ficará mais forte com o tempo.”
“Procurem e cuidem dela antes que exploda. Se vocês perderem o jogo, haverá um boom e toda a cidade de Tingen será reduzida a ruínas. Confiem em mim, não estou mentindo sobre isso.”
“- Lanevus, que gosta de dar aos amigos surpresas agradáveis.”
— Uma bomba? — Klein olhou para Leonard e murmurou para si mesmo, perplexo.
Leonard segurou a carta contra a luz do sol e olhou enquanto a virava. Ele não encontrou mais nenhuma pista.
— O termo ‘bomba’ é provavelmente uma expressão. Nunca ouvi falar de uma bomba que possa ficar mais forte.
Klein franziu as sobrancelhas e disse, pensativo:
— Não, quero dizer, ele pode estar usando ‘bomba’ para fazer referência a algo em misticismo. Como um ritual maligno que acumula poder continuamente…
Leonard inclinou a cabeça como se estivesse ouvindo algo e, de repente, sua expressão ficou solene.
Ele assentiu enquanto seus olhos verdes se contraíram. — Talvez tenha razão. Não há uma descrição no início da carta? Crianças trabalhadoras que morrem antes do tempo, trabalhadores de fábrica que raramente vivem mais de dez anos após entrar na fábrica por causa de suas condições de trabalho, trabalhadoras que correm o risco de desenvolverem doenças graves por um salário miserável… Ressentimento sem limites em torno de cada fábrica… Talvez essa seja a fonte de energia que fortalece constantemente a bomba de Lanevus.
— Sim… é muito provável! — De repente, Klein ficou tenso e disse:
— Precisamos informar o Capitão imediatamente!
Leonard riu e disse:
— Não há necessidade de ficar tão nervoso. Você deve saber que Lanevus é um vigarista. A parte em que ele disse que não mentiu pode ser uma mentira.
— Claro, independentemente disso, temos que voltar à rua Zouteland para reportar ao Capitão. É melhor pedirmos à Catedral Sagrada para enviar um especialista em misticismo para encontrar a localização do altar através do acúmulo anormal de ressentimento.
Alguém está aparentemente muito familiarizado com o protocolo… Mas por que montar um altar assim precisaria da ajuda de Hood Eugen? Que papel um Psiquiatra teria nisso? — Klein não se opôs à ideia. Ele saiu do nº 62 da rua Howes com Leonard, e foi de volta para a rua Zouteland em uma carruagem alugada.
No momento em que entraram na Companhia de Segurança Blackthorn, Klein viu dois rostos familiares, um voluptuoso e um magricela. Eram a esposa e a irmã de Maynard.
Elas ainda estavam em vestidos e chapéus pretos; a fina e preta seda escondia seus rostos.
As duas damas estavam conversando com Rozanne e, quando de repente viram Klein voltar, elas viraram e se aproximaram.
— Vocês realmente são os melhores nesta indústria. — A sra.
Maynard assentiu levemente e disse em voz baixa:
— Estou muito satisfeita com o resultado, e também estou impressionada com seu trabalho. Aqui está a recompensa que merecem.
A mulher magricela passou um saco de papel marrom claro para Klein. Estava cheio de pilhas grossas de dinheiro. Havia notas de dez libras, cinco libras, uma libra e também de cinco e um soli.
— É um total de 230 libras — disse claramente a dama magricela.
Klein não estava com ânimo para prestar atenção ao dinheiro. Ele o passou para Rozanne e disse:
— Leve para a sra. Orianna. Duvido que as duas respeitáveis damas cometessem um erro ao contar o dinheiro.
Naquele momento, ele viu pelo canto dos olhos o Jornal Honesto da Cidade de Tingen nas mãos da sra. Maynard. No ponto mais destacado da primeira página, havia duas notícias.
“Viúva de velho barão morre em envolvimento com o assassinato do deputado Maynard.”
“Prefeito Dennis é culpado pelo agravamento da segurança pública em Tingen nos últimos três meses e renuncia.”
Então essa é a desculpa oficial para o caso de madame Sharon? Ainda não li o jornal de hoje… — Klein assentiu para as duas damas e seguiu Leonard pela divisória até o escritório do Capitão.
— Como foi? Encontraram alguma pista? — Dunn Smith fechou o documento, levantou a cabeça e olhou para Klein e Leonard com seus profundos olhos cinzentos.
— Encontramos uma carta deixada para trás por Lanevus. — Leonard não forneceu mais descrições e simplesmente passou ao Capitão a carta cheia de loucura e provocação.
Dunn abriu a carta e a leu rapidamente. Ele esfregou as têmporas enquanto dizia:
— Ele é realmente um lunático.
— Ele é apenas Sequência 8, Sequência 7, no máximo.
Klein concordou do fundo do seu coração. — Lanevus é uma figura perigosa que pode prejudicar a estabilidade da ordem social. Mesmo que ele seja fraco, não podemos menosprezá-lo.
Então, ele contou ao Capitão sobre a suposição dele e de Leonard.
Dunn tocou seu cabelo e disse:
— Também acho isso. Vou imediatamente enviar um telegrama para a Catedral Sagrada e pedir que enviem um especialista em misticismo para nos ajudar.
— Quem sabe o quão perigosa a bomba de Lanevus pode ser.
Temos que ser extremamente cuidadosos. Quando a Catedral Sagrada me responder, organizarei o que vier a seguir.
Klein e Leonard trocaram olhares e assentiram simultaneamente e responderam:
— Tudo bem.
Aproveitando o momento em que o Capitão estava enviando um telegrama para a Catedral Sagrada, Klein voltou à recepção para pegar uma cópia do Jornal Honesto de Tingen com Rozanne.
Ele ficou na divisória e leu os dois artigos com toda sua concentração.
“… A viúva do velho barão da família Khoy, madame Sharon, foi suspeita de estar envolvida na morte súbita do deputado Maynard. A polícia recebeu uma dica e entrou em ação à noite. Eles descobriram que madame Sharon e seu cúmplice haviam feito seus servos desmaiarem para realizar uma cerimônia pagã em seu quarto. Eles se recusaram a se render e tentaram resistir à prisão, resultando na morte de um heróico policial.”
“Finalmente, madame Sharon e seu cúmplice pagaram o preço por suas más ações com suas vidas.”
…
“…Prefeito Dennis é culpado pelo agravamento da segurança pública em Tingen nos últimos três meses e renuncia. Ele também anunciou que não iria concorrer à reeleição no próximo ano. Nos próximos meses, o vice-prefeito, sr. Harry, assumirá as responsabilidades do prefeito.”
…
Um heróico policial… Essa é a descrição de Kenley? — Klein suspirou; ele sabia que era a melhor maneira de lidar com a situação.
De acordo com as regras internas dos Falcões Noturnos, para impedir que as forças do mal se vingassem de seus familiares, seus nomes seriam mantidos em sigilo, mesmo que eles sacrificassem suas vidas.
Ele dobrou o jornal silenciosamente e o devolveu à mesa da recepção. De repente, Klein viu um visitante entrando.
Era uma jovem dama, na casa dos vinte, no máximo. Ela estava com um chapéu de babados e um vestido largo. Tinha feições faciais adoráveis, cabelos loiros, olhos verdes e um temperamento deprimido, mas silencioso. Ela era muito bonita.
A coisa mais atraente sobre ela era seu estômago, que estava grande. Parecia estar grávida de mais de sete meses.
Klein ficou atordoado e sentiu que já havia visto a jovem grávida antes.
De repente, ele ouviu Leonard dizer surpreso:
— Senhorita Megose?
Megose… Sim, a jovem que foi enganada por Lanevus! Ela está grávida do filho de Lanevus e, como tal, pode haver algo errado com sua saúde mental. Ela diz que seu filho canta e até assobia em sua barriga… — Klein se lembrou, e não ficou surpreso que Leonard conhecesse Megose.
Quando reabriram as investigações de pessoas relacionadas a Lanevus, a foto da dama havia sido vista por todos os Falcões Noturnos.
Klein a conheceu ainda mais cedo. Sua tia Christina, cujas economias haviam sido roubadas por Lanevus, a levou ao Clube de Divinação para pedir ajuda. Sua tia até perguntou se a criança em sua barriga poderia ser usada para divinação.
Então, quando Megose ouviu a voz de Leonard, ela olhou para os dois vagamente e respondeu educadamente:
— Olá.
— Srta. Megose, o que a traz a Companhia de Segurança Blackthorn? Tem algo que gostaria que fizéssemos por você? — Klein deu dois passos à frente e perguntou.
Ele ficou muito confuso com a súbita visita de Megose, e sentiu que era uma coincidência extrema.
Acabamos de encontrar a carta de Lanevus e Megose vem nos visitar?
Megose tocou sua barriga e sorriu levemente.
— De um jeito ou de outro, de repente pensei em ir à rua Zouteland, e de repente pensei em vir dar uma olhada.
Sua saúde mental parece ter piorado… — Klein lembrou que ele não havia conseguido ativar sua Visão Espiritual e verificar a situação de Megose anteriormente. Por isso, ele levantou os dentes e estava prestes a bater seus molares esquerdos.
Então, uma série de pensamentos gritaram em sua cabeça em crescente intensidade.
— Não olhe!
— Não olhe.
— Não olhe.
— Você morrerá.
— Você irá morrer se olhar!
— Você irá morrer se olhar!
…
Klein ficou congelado onde estava, como uma estátua, enquanto sua testa ficou coberta de suor frio.
Era como ter um pesadelo profundo e pesado do qual ele quase não conseguia acordar.
De repente, ele entendeu algo. Ele falhou em ativar sua Visão Espiritual da última vez, porque sua espiritualidade havia percebido um perigo inimaginável. Isso o fez demorar inconscientemente, e então ele perdeu a oportunidade e esqueceu o assunto.
Nesse ponto, Klein ainda não havia digerido completamente a poção Vidente, e ainda não havia avançado para a Sequência 8, de modo que os avisos de sua espiritualidade ainda eram muito sutis e difíceis de perceber. Mas agora, a previsão espiritual de Palhaço era bastante clara e óbvia!
Depois de quase vinte segundos, Klein finalmente se livrou de sua paralisia. Ele olhou de soslaio para Leonard e percebeu que o poeta da meia-noite também estava coberto de suor frio, e seus olhos estavam cheios de horror.
De repente, Klein entendeu a que a bomba Lanevus se referia!
É o bebê na bariga de Megose!
É o bebê que ele deixou para trás!
De repente, Klein associou a descrição da carta às respostas de Hood Eugen, e de repente se lembrou de algo que leu no diário do Imperador Roselle.
“Comecei a Revolução Industrial com minhas próprias mãos e inaugurei pessoalmente a Era do Vapor e Máquinas, mas isso só se tornará o foco para a descida de um Deus maligno sobre este mundo?”
As pupilas de Klein se contraíram quando ele pensou em uma possibilidade que instintivamente se recusou a admitir.
Não! Isso não está certo!
O bebê na barriga de Megose não pode ser filho de algum deus maligno nem um deus maligno esperando para descer sobre o mundo!
Não! Por que Hood Eugen faria uma coisa tão besta?! Embora seu poder de Psiquiatra possa ajudar Lanevus a enganar Megose e usála como um recipiente em seu estado semi-inconsciente…
Não! O ressentimento das crianças trabalhadoras que morrem antes do tempo e as operárias e trabalhadoras que vivem menos de dez anos não estão ajudando o filho de um deus maligno a crescer rapidamente!
Não!
V-você não pode olhar diretamente para Deus…
Capítulo 205
Capítulo 205 – Arranjo Urgente
Klein instintivamente colocou a mão nos bolsos Ele segurou o charm do Sol Ardente em uma mão e o apito de cobre de Azik na outra.
Ele notou que o feedback frio e gentil do apito havia desaparecido, como se estivesse sendo suprimido por um poder invisível. No entanto, o do charm ainda era quente e reconfortante.
Fazendo uso desse sentimento reconfortante, Klein entrou em um estado de meia cogitação. Bloqueando seus sentimentos de preocupação, ele não deixou nada ao acaso.
Ele se virou e lançou um olhar para Leonard Mitchell, depois inclinou o queixo na direção de Megose.
Ele então controlou sua expressão com suas habilidades de Palhaço e sorriu para Megose.
— Você quer café, chá preto ou nada?
Megose acariciou sua barriga como se estivesse ouvindo alguma coisa.
— Um copo de água morna. De repente, pensei em conversar com vocês sobre Lanevus. Tenho a sensação de que vocês sabem bastante.
— Quem te disse isso? — Leonard não era mais o cara frívolo de sempe. Seu sorriso se tornou bastante rígido.
Megose deu uma risadinha repentina.
— Meu filho me disse. Ele sabe bastante, ele é muito esperto!
Klein lutou contra o desejo de xingar. Ele se virou para a divisória e sinalizou para Leonard manter Megose calma.
Leonard forçou um sorriso e apontou para o sofá.
— É exatamente sobre isso que eu gostaria de falar. Queremos conversar com você sobre Lanevus.
Atrás da recepção, Rozanne olhava para a cena, confusa. De repente, ela percebeu que não precisava fazer nada.
Klein rapidamente passou pela divisória e diretamente abriu a porta do escritório de Dunn Smith, fechando-a atrás de si com um estrondo.
Ele viu Dunn parecendo chocado antes de ficar sério e dizer com uma voz pesada:
— Capitão, algo sério aconteceu. Eu sei o que Lanevus quis dizer com bomba!
Dunn levantou-se e apontou para fora.
— Megose?
Obviamente ele havia ouvido a exclamação chocada de Leonard, mas não conseguia ver os olhares de medo e suor frio nos rostos de seus companheiros de equipe.
Klein assentiu e explicou rapidamente:
— Tentei ativar minha Visão Espiritual para observar Megose e verificar sua condição mental, mas minha espiritualidade me impediu de fazer a tentativa. Ficou me “avisando” para não olhar, que eu morreria se o fizesse!
— Isso me fez lembrar de um ditado: “Não se pode olhar diretamente para Deus.” Mesmo que o feto na barriga de Megose não seja um deus maligno tentando descer sobre este mundo ou a criação de um deus maligno, é definitivamente uma criatura lendária.
— Capitão, conectando isso ao altar preto nas memórias de Hood Eugen, às suas habilidades de Psiquiatra, e ao mundo trágico descrito na carta de Lanevus, acho que meu palpite está bem próximo da verdade: Lanevus obteve uma magia ritualística ligada ao Verdadeiro Criador de um membro da Ordem Aurora. Com a ajuda de Hood Eugen, ele transformou Megose em um recipiente para abrigar e acumular um certo poder. Então, esse poder fará uso do ressentimento, opressão e tristeza que cercam as fábricas para crescer rapidamente até sua maturidade. Em outras palavras, o próprio ritual precisa desse ressentimento, opressão e tristeza para ter sucesso!
Dunn considerou as palavras de Klein seriamente por quase vinte segundos antes de assentir com uma expressão solene.
— Vou pedir ajuda à Catedral Sagrada imediatamente. Vamos torcer para que o bebê na barriga de Megose ainda possa esperar!
— Claro, não podemos simplesmente sentar e não fazer nada. Diga a Leonard para manter Megose calma e fazer companhia a ela, e notifique a Sra. Orianna, Rozanne e o resto. Faça com que todos os não combatentes evacuem!
— Vou para o outro lado do Portão Chanis depois de enviar o telegrama. Temos que nos preparar para o pior, que é se o bebê de Megose nascer antes da chegada de reforços da Catedral Sagrada.
— Como Capitão dos Falcões Noturnos de Tingen, tenho autoridade para usar as cinzas de Santa Selena durante emergências!
As cinzas de Santa Selena… As cinzas de uma Beyonder de alta Sequência… As principais barreiras no Portão Chanis… — As preocupações de Klein diminuíram um pouco. Ele rapidamente pensou em outras coisas.
— Capitão, também podemos pedir reforços aos Punidores a Mandato e à Consciência Coletiva; eles devem ter itens sagrados semelhantes!
De repente, Klein teve um golpe de inspiração enquanto murmurava consigo mesmo — o caso de Lanevus estava originalmente sob a jurisdição dos Punidores a Mandato. Velho Neil e eu estávamos lá para ajudar quando um de seus membros mais velhos perdeu o controle…
Enquanto ele falava, sua voz foi crescendo.
— Capitão, você pode perguntar aos Punidores a Mandato se o membro que perdeu o controle estava rastreando ou mantendo Megose sob vigilância?
— Você suspeita que ele perdeu o controle porque foi corrompido pelo bebê na barriga de Megose? Eles eram responsáveis por Megose durante a investigação… — respondeu Dunn seriamente. — Não podemos demorar mais. Vá para a Sra. Orianna e o resto. Aproveitarei esse tempo para enviar um telegrama primeiro para pedir ajuda à Catedral Sagrada, depois informarei os Punidores a Mandato e à Consciência Coletiva. Sim, também terei que enviar um telegrama ao departamento de polícia e ver se eles podem inventar uma desculpa para evacuar os cidadãos próximos.
— Tudo bem. — Klein deu alguns passos para fora da sala quando de repente se lembrou de algo. Ele pensou na coincidência da súbita visita de Megose, e a imagem do prédio com a chaminé vermelha apareceu em sua mente. Ele se virou rapidamente e disse a Dunn:
— Capitão, mais uma coisa. Você se lembra das coincidências de que falei? A pista para o caderno da família Antigonus na casa em frente ao sequestro, Ray Bieber que não conseguiu escapar de Tingen a tempo, Hanass Vincent se expondo por causa de uma coincidência e como um membro da Ordem Aurora perdeu a vida porque ele me encontrou por acaso, etc.
— Todas essas coincidências são muito sutis e difíceis de detectar, mas o fato de Megose de repente ter nos procurado logo depois que descobrirmos a carta de Lanevus é bastante claro. Essa coincidência já foi revelada para nós, não está mais escondida! Eu acho que a pessoa por trás disso logo aparecerá!
— Além disso, por que a madame Sharon se arriscaria a matar o deputado Maynard? Isso também é uma coincidência?
Dunn pensou a respeito e deu uma resposta solene:
— Vou incluir esse ponto no telegrama.
Klein não perdeu mais tempo. Ele saiu do escritório e foi direto para o escritório de contabilidade do lado oposto, e encontrou a Sra. Orianna, que estava preparando o orçamento para os últimos três meses do ano. Ela queria completá-lo antecipadamente, caso o Capitão se esquecesse novamente. Quando viu Klein entrar, ela o cumprimentou com um sorriso.
— Rapaz, que reembolsos você tem que pedir hoje?
Klein exalou.
— Senhora Orianna, estamos de férias hoje. Volte para casa imediatamente.
Orianna congelou por um momento, olhando para o rosto sério diante dela, aturdida.
Alguns segundos depois, ela se levantou, ainda abalada.
— Tudo bem.
Klein acrescentou com pressa:
— Me ajude a informar o restante dos funcionários do escritório e do arsenal. Vou informar Rozanne.
— Sim! — Orianna nem mesmo arrumou suas coisas. Ela pegou sua bolsa e correu para fora do escritório de contabilidade, e se virou e olhou para Klein depois de entrar no corredor. Ela desenhou uma lua carmesim perto do peito e disse:
— Que todos vocês sejam abençoados pela Deusa!
Obrigado… — Klein respondeu em silêncio. Ele passou pela divisória para a área de recepção e viu Leonard conversando com Megose sobre Lanevus, sua expressão rígida.
Klein inclinou-se para Rozanne enquanto enchia um copo de água morna. Ele então sussurrou:
— Vá para casa, é perigoso aqui. Volte amanhã.
Rozanne abriu a boca em choque, mas a fechou novamente depois de ver a expressão severa de Klein.
Ela abaixou a cabeça e arrumou suas coisas por cerca de dez segundos, antes de pegar sua bolsa e sair da área de recepção.
No momento em que passava por Klein, ela mordeu o lábio e sussurrou:
— Para ser sincera, eu respeito os Falcões Noturnos tanto quanto odeio as pessoas que se tornam Beyonders…
…
Depois de ver os funcionários evacuarem a Companhia de Segurança Blackthorn, Klein levou um copo de água morna para Megose, inclinou as costas e colocou-o sobre a mesa na frente dela. — Eu tenho algo para resolver, volto em breve.
Ao se levantar, aproveitou a oportunidade para se inclinar na direção do ouvido de Leonard e sussurrar:
— Mantenha-a aqui.
Leonard cerrou os dentes e arregalou a boca em um sorriso. Ele continuou sua conversa com Megose e percebeu que ela estava ficando um pouco inquieta, como se estivesse perdendo o foco.
Klein voltou ao escritório do Capitão, apenas para perceber que Dunn já havia ido para o subsolo. Havia um telegrama em cima da mesa, era a resposta dos Punidores a Mandato.
— Sim. Partiremos imediatamente.
Sim… O Punidor a Mandato perdeu o controle por causa de Megose… — Klein não conseguiu se acalmar enquanto caminhava em direção ao corredor. Ele não sabia se estava esperando o Capitão trazer as cinzas sagradas ou que chegassem os reforços.
Eu me pergunto se Beyonders de alta Sequência podem se teletransportar… Acho que não… — Ele andou um pouco, subitamente se sentindo em paz, e notou que as lâmpadas a gás dos dois lados do corredor estavam agora tingidas de um azul fraco.
No meio da escuridão, Dunn seguiu as escadas para o corredor. Na palma de sua mão havia uma caixa quadrada de cinzas, do tamanho de uma palma.
A caixa parecia feita de prata pura, mas também parecia ser feita de ossos humanos, e era esculpida com muitos simbolos misteriosos. Klein se sentiu mais frio quanto mais perto ele estava da caixa, era como se o frio estivesse penetrando rapidamente em seu sangue.
O rosto de Dunn estava banhado por uma luz azul fria. Ele disse a Klein:
— Vá ao Portão Chanis e escolha um Artefato Selado com a maior habilidade ofensiva. Fica a seu próprio julgamento qual escolher. Eu já disse a Seeka e aos Guardiões lá dentro. Não se esqueça de considerar os perigos ocultos. Desses, existem três Artefatos Selados de grau 2, que são…
— Ah, já que tirei as cinzas de Santa Selena, Seeka e os Guardiões agora não podem deixar suas posições.
Nesse ponto, Frye e Royale estavam na casa de Kenley para os preparativos para o funeral. O Arcebispo da Catedral de Santa Selena havia ido ao interior para fazer sermões.
— Tudo bem. — Klein não hesitou, virando-se imediatamente para o subsolo.
Quando ele estava chegando ao cruzamento, Klein parou de repente. Ele sabia que a maioria dos Artefatos Selados atrás do Portão Chanis da cidade de Tingen eram de grau 3 e não teria muito efeito sobre o bebê na barriga de Megose, que era, no mínimo, uma criatura lendária.
O Emblema Mutado do Sol Sagrado pode funcionar, mas leva muito tempo para ter um efeito. É inadequado nessa situação… Existem apenas três Artefatos Selados de grau 2 na cidade de Tingen, e todos eles são artefatos muito perigosos que podem facilmente resultar em minha morte… Estimo que seus poderes estejam quase no mesmo nível que o meu charm do Sol Ardente, então não posso me conter. Usarei o charm do Sol Ardente sem hesitar! Seria definitivamente tão poderoso quanto um Artefato Selado de grau 2; afinal, há o poder de sangue divino nele… —Vários pensamentos invadiram a mente de Klein enquanto ele assentia discretamente.
Ele procurou pelo charm do Sol Ardente e pelo apito de cobre de Azik em seus bolsos, mas ficou surpreso ao descobrir que a sensação do último estava de volta.
Independentemente de ter sido útil ou não, Klein pegou um conjunto de caneta e papel, que era usado para divinação, e escreveu uma mensagem curta.
“A pessoa que fez meu destino se tornar desarmonioso e roubou o crânio de seu filho apareceu. Ele providenciou para que Megose entrasse na Companhia de Segurança Blackthorn, na rua Zouteland nº 36. É muito provável que Megose esteja abrigando o filho de um deus maligno.”
“A situação é bastante urgente.”
Ele então guardou a caneta e dobrou o pedaço de papel. Klein pegou o apito de cobre, ainda no cruzamento do subsolo, e soprou, e logo em seguida viu o gigante mensageiro esqueleto aparecer diante dele.
Capítulo 206
Capítulo 206 – Artefatos Selados de Grau 2
No corredor dentro do profundo e sereno subsolo, o mensageiro ósseo de quase quatro metros de altura desapareceu diante dos olhos de Klein depois de receber a carta.
Quando tudo o que restava em seu redor eram as lâmpadas clássicas a gás embutidas nas paredes, ele guardou o apito de cobre de Azik e caminhou em direção ao Portão Chanis.
Enquanto escrevia a carta, ele já havia decidido qual Artefato Selado escolher.
Em primeiro lugar, seria quase impossível que os Artefatos Selados de grau 3 tivessem algum efeito sobre o bebê na barriga de Megose. A não ser que fosse um item como o Emblema Mutado do Sol Sagrado, que tinha poderes ocultos.
Mas, naquele exato momento, e em tal situação, Klein não estava com disposição para explorar ou pesquisar um segredo que poderia ou não existir. E, além disso, a maioria dos Artefatos Selados traria um certo nível de perigo para o usuário. Assim, Klein eliminou os Artefatos Selados de grau 3 que enfraqueceriam o usuário sem afetar o inimigo.
Em segundo lugar, os Falcões Noturnos de Tingen não possuíam nenhum Artefato Selado de grau 1, e apenas três Artefatos de grau 2. Era um segredo que Klein não sabia no início, mas devido à urgência da situação, Dunn fez uso de uma cláusula de emergência e contou a ele a situação geral.
Dunn Smith não podia segurar nenhum outro Artefato Selado enquanto segurava as cinzas de Santa Selena.
E atrás do Portão Chanis da cidade de Tingen havia três Artefatos Selados de grau 2: 2-030, 2-078 e 2-105.
O nome de 2-030 era “Veneno Inesgotável”. Ele se originou de um Beyonder com um nome de sequência desconhecido, que de repente enlouqueceu e cortou seu pulso para cometer suicídio, deixando seu sangue fluir para uma xícara de prata comum. Mas quando seu sangue acabou, a xícara de prata não estava cheia e o líquido em seu interior se tornou sedutor e claro como cristal. Era uma tentação tão grande, que mesmo um Beyonder Sequência 5 não conseguiu resistir. Depois que bebeu o líquido, ele morreu de envenenamento na mesma hora.
Depois que a pessoa morreu, o veneno escorreu por seus poros e se agrupou novamente, seu volume era o mesmo de antes de ser bebido, nem um pouco a menos.
Dunn disse que os pesquisadores da Catedral Sagrada suspeitavam que o veneno poderia matar um Beyonder de alta Sequência. No entanto, a questão estava no fato de que era quase impossível para um Beyonder de alta Sequência ser tentado a beber. Além disso, as características de 2-030 eram óbvias, portanto ninguém o consumiria por acidente. Se alguém quisesse envenená-los, teriam que primeiro capturá-los, dominá-los e depois forçar o veneno garganta abaixo. Mas então, por que ter tanto trabalho?
2-030 tentaria constantemente os seres vivos ao seu redor para que o bebessem, seu usuário teria que estar constantemente atento em resistir ao seu poder. Qualquer negligência faria com que bebesse o veneno, como se fosse o natural a ser feito.
Quando Dunn terminou sua descrição, Klein decidiu quase instantaneamente que não escolheria aquele Artefato Selado.
O nome do 2-078 era “Porta da Morte”. Sua aparência era o de uma porta de madeira normal. Qualquer ser vivo que passasse por ela morreria instantaneamente, porém nenhum Beyonder de alta Sequência havia participado do teste.
Possuía características vivas e constantemente tentava escapar. Poderia mudar sua aparência e se disfarçar em portas préexistentes. Se o usuário cometesse algum erro, ele perderia o controle. Portanto, precisaria ter cuidado e não passar por nenhuma porta ao seu redor; teria que tentar esperar no local original por ajuda ou atravessar uma parede para escapar.
Klein pensou em usar 2-078, mas depois de reavaliar os dois últimos efeitos, sentiu que a intuição de uma criatura lendária seria bastante aguçada, logo, seria capaz de diferenciar a Porta da Morte das demais.
No final, ele decidiu escolher 2-105, seu nome era “Ladrão de Vasos Sanguíneos”. Parecia um vaso sanguíneo grosso e rígido. Qualquer pessoa que o tocasse, independentemente de estar ou não protegido, teria sua vida roubada. No começo, não seria óbvio, mas, se o contato não for rompido, os efeitos serão visíveis meia hora depois. Dunn disse que um herege de Sequência 5 o segurou por duas horas, e se transformou de um homem musculoso na casa dos trinta para um velho encurvado, com pele enrugada, cabelos brancos e ralos e sem dentes.
A característica mais importante do 2-105 era que seu usuário teria a chance de roubar uma habilidade de um alvo dentro de uma distância específica. Até Beyonders de alta Sequência poderiam ter suas habilidades roubadas, mas a probabilidade era menor.
Dentro de um período de dez minutos, a pessoa roubada perderia a habilidade correspondente, enquanto que a pessoa que usava o item seria capaz de usá-la habilmente. Dez minutos depois, a habilidade desapareceria e a pessoa roubada precisaria esperar alguns dias para se recuperar.
Independentemente de funcionar ou não, pelo menos aumentará um pouco a probabilidade de sucesso. Eu sou o rei do céu e da terra que brande boa sorte, afinal… Além disso, nosso principal objetivo é apenas tomar precauções e fazer os preparativos para lidar com o pior cenário possível. Não teremos necessariamente que agir… Felizmente, os reforços chegarão em breve… — Klein parou do lado de fora da sala de guarda, sem mostrar mais sinais de hesitação.
E como não planejava usar o Artefato sozinho, Klein não estava preocupado com os efeitos negativos do Artefato Selado 2-105…
Seu plano era entregá-lo a Leonard, já que ele já possuía o charm do Sol Ardente e o apito de cobre de Azik, que ele não tinha ideia se ainda estaria ou não suprimido.
Meu querido poeta, é hora de mostrar seu verdadeiro segredo… — Klein murmurou para si e viu Seeka Tron em pé na sala de guarda.
Com seus cabelos brancos e olhos negros, a autora de meio período permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de dizer:
— Por que você não guarda o Portão Chanis? Sou mais forte e mais experiente que você.
Mas você não tem o charm do Sol Ardente… — Klein respondeu com um sorriso:
— Senhora, eu já sou Sequência 8.
— Aqui também não seria seguro. Existem muitos Artefatos Selados que possuem características vivas que estão ansiosos para agir.
Bem, se falharmos, as pessoas aqui definitivamente não sobreviverão.
— Heh heh, nosso objetivo no andar de cima é ganhar tempo e esperar por reforços. Pode ser mais seguro do que estar perto do Portão Chanis.
Seeka Tron franziu os lábios lentamente e desenhou uma lua carmesim no peito.
— Que a Deusa os abençoe.
Como Dunn não teve tempo de escrever o documento, Klein não pôde entrar diretamente no Portão Chanis. Tudo o que ele fez foi assistir Seeka Tron abrir uma pequena fenda e entrar.
Depois de alguns minutos, ela apareceu na porta, segurando um vaso sanguíneo espesso, pálido e manchado de sangue na mão esquerda.
Klein estendeu a mão para pegá-lo, e imediatamente sentiu uma corrente fraca surgindo em seu corpo.
Na recepção da Companhia de Segurança Blackthorn.
Leonard já havia se livrado de seu estado rígido de antes, e sua expressão não parecia anormal ao falar sobre a casa recentemente descoberta que Lanevus havia alugado antes.
— É mesmo? Ele nunca me falou sobre isso… — Megose respondeu normalmente, franzindo levemente as sobrancelhas.
Então, ela agarrou seu cabelo loiro, puxou um punhado e jogou-o casualmente na lata de lixo ao seu lado.
Leonard ficou pasmo. Ele engoliu a seco com dificuldade, e suas mãos estavam cheias de suor frio mais uma vez.
Klein subiu as escadas para o segundo andar com o Ladrão de Vasos Sanguíneos na mão esquerda.
Ele olhou para a porta que dava para a sala de descanso dos Falcões Noturno, onde Dunn Smith estava em silêncio em seu casaco preto. Seus olhos eram cinzentos e profundos, como quando eles se conheceram.
— Me reintroduzindo, Falcão Noturno, Dunn Smith.
A voz do passado soou nos ouvidos de Klein, e a cena de Dunn ao lado do cadáver de Kenley passou por sua mente. Havia sangue por toda sua boca.
De repente, ele se calou e se aproximou, levantou a mão esquerda e disse:
— Capitão, eu escolhi o Artefato Selado 2-105. Estou pensando em deixar Leonard usá-lo.
Dunn assentiu levemente. Ele não perguntou o porquê, mas se virou e apontou para o escritório enquanto falava.
— A Catedral Sagrada enviou um telegrama. Eles disseram que reuniram imediatamente uma equipe de fortes Beyonders e nos pediram que conseguíssemos o máximo de tempo possível e tentássemos esperar.
— Sobre essas coincidências, eles não deram nenhuma resposta. Acho que eles ainda não têm conclusões. Ou talvez a pessoa que lida com os telegramas não conheça a situação real e não tenha como saber. Como sabe, temos que fazer o melhor uso possível do tempo. Os telegramas não podem demorar muito.
— Sim. — Klein assentiu. Ele se aproximou da divisória e olhou para fora enquanto dizia:
— Como está a situação?
— Nada estranho até agora. — Dunn olhou para a caixa de cinzas da Santa em sua mão esquerda.
Vendo como Leonard e Megose estavam se divertindo conversando, Klein não os interrompeu. Ele se retirou para a sala de recreação dos Falcões Noturnos e encarou Dunn com o corredor entre eles.
Nesse momento, Dunn soltou uma risada de censura.
— Você não se esqueceu de nada?
— O quê? — Klein respondeu, intrigado.
Dunn olhou de soslaio para ele e disse:
— Daly me disse para me explicar para você.
— Hein? — Klein estava atordoado, pois não conseguia entender o que o Capitão queria dizer com isso.
Depois de dois segundos, antes que Dunn pudesse responder, ele de repente entendeu.
Madame Daly não respondeu imediatamente porque achou desnecessário. Ela encaminhou o assunto ao Capitão e deixou que ele se explicasse.
Isso significa que não há nada sério com o Capitão!
Nesse momento crítico, Klein repentinamentes sentiu uma onda de alegria dentro de si.
Capítulo 207 Capítulo 207 – Guardião
Dunn suspirou.
— Eu queria mandá-lo para longe naquela hora, pois estava prestes a fazer algo que envolvia os segredos da Igreja e dos Falcões Noturnos. Mas a morte de Kenley deixou minha mente em caos. Naquele momento, tudo que eu consegui pensar foi em uma desculpa desajeitada, dando assim a você a oportunidade de testemunhar o que eu estava fazendo.
— Que segredo é esse? — Klein pressionou, agora mais à vontade.
Ele havia quase esquecido da ameaça do filho do deus maligno ou da existência de uma criatura lendária lá fora.
Dunn pensou bem antes de dizer:
— Pode haver uma lei no misticismo. Heh, mesmo que eu não tenha lido muitos livros, ainda estou ciente do que uma lei significa.
— Esta lei é chamada “Lei da Indestrutibilidade das Características Beyonder”.
— As características de um Beyonder nunca são destruídas nem reduzidas. São apenas passadas de um portador para o próximo.
Os olhos de Klein se arregalaram. De repente, ele percebeu e perguntou, pensativo:
— Por exemplo, os Artefatos Selados, objetos misteriosos ou os ingredientes principais de uma poção que são deixados para trás por Beyonders que perderam o controle?
— Correto. — Dunn assentiu solenemente. — Este não é apenas o caso dos Beyonders que perdem o controle, é o mesmo para os Beyonders normais, depois que morrem.
— O mesmo… — Klein refletiu sobre a descrição de Dunn, agora tendo uma sutil ideia do que o Capitão estava fazendo.
De repente, ele lembrou de quando o Palhaço de terno morreu, ele se lembrou da esfera de sangue azul do tamanho de um polegar que estava suspensa ao lado do cadáver do Palhaço. A explicação de Frye foi que sempre haveria transformações estranhas depois que um Beyonder morresse.
Dunn continuou com seus profundos olhos cinza:
— Mas o que há de diferente nos Beyonders que perdem o controle é que um Beyonder que morre normalmente não deixa para trás ingredientes ou objetos. E-eles são equivalentes à uma poção, uma poção que corresponde às suas Sequências, exceto que lhes falta uma certa quantidade de ingredientes suplementares.
Equivalente a poções… Equivalente a poções! — Klein apertou os olhos quando um lampejo de inspiração passou por sua mente. A escuridão sem fim em sua mente foi iluminada naquele instante.
De repente, ele entendeu muitas coisas, descobrindo por que os caminhos de Sequência não se tornariam inexistentes, mesmo que as criaturas usadas como ingredientes principais fossem extintas.
Além de usar substitutos, pode-se simplesmente usar os restos de Beyonders!
Essa também deve ser a razão pela qual eles só distribuíam poções completas nas Sequências mais altas! Outro motivo é impedir que a fórmula seja revelada a pessoas que são adeptas em rituais de divinação ou mediunidade… — Muitas suposições passaram pela cabeça de Klein.
Dunn olhou para a sala de recreação e explicou com uma voz profunda:
— Alguns anos atrás… bom… não me lembro exatamente quantos anos atrás, mas eu não era o Capitão dos Falcões Noturnos naquela época. Eu inesperadamente percebi esse problema e, depois de falar com Daly, que havia acabado de se tornar um Beyonder, enviei imediatamente um relatório à Catedral Sagrada, que me disse para guardar segredo e me deu duas opções. Heh heh, essa também é a razão pela qual sou eu, e não Daly, quem está explicando isso para você. Quem expõe é responsável por isso. — A primeira opção era fingir que não sabia de nada, assim como um grande número de Capitães e Diáconos dos Falcões Noturnos, e permitir que a Catedral Sagrada continuasse lidando com os restos mortais de Beyonders que morreram por meios normais. A segunda era para eles me darem um ritual único e simples e as técnicas correspondentes. Isso me permitiria consumir temporariamente os itens produzidos pelas características únicas dentro de um período limitado de tempo. Bem, isso é adequado apenas para Sequências do mesmo caminho no meu nível ou inferior.
— Isso aumentaria minhas características Beyonder, e eu também me tornaria mais poderoso. Em termos de habilidades em relação aos sonhos, meus poderes agora não são muito diferentes dos de um Sequência 6. Essa também é a razão pela qual me atrevi a lidar com madame Sharon.
— Então é por isso… Em pensar que algo assim existe… — Klein exalou lentamente.
Ele finalmente entendeu por que não conseguiu apresentar uma explicação lógica, apesar de seus esforços; era porque ele não tinha todas as informações relevantes e não foi capaz de preencher as lacunas.
Sim, isso corresponde à Lei da Indestrutibilidade das Características Beyonder… Consumir essas características causaria uma mudança qualitativa no Capitão por acumulo constante? — Klein deixou seus pensamentos vagarem.
Depois de olhar para ele, Dunn soltou um sorriso amargo.
— Escolhi a segunda opção, mas não porque queria me tornar mais poderoso. Se eu quisesse me tornar mais poderoso, digerir rapidamente a poção e avançar é a melhor e mais direta opção.
— Sim — Klein sinceramente concordou. — A consolidação das características das poções de mesma sequência aumentará o risco de perder o controle ao mesmo tempo em que melhora suas habilidades, certo?
Dunn balançou a cabeça solenemente.
— Não, esses são os restos mortais de Beyonders normais, e não de Beyonders que perderam o controle. Bem, depois de conhecer o método de atuação, percebi que aumentaria a dificuldade de digerir a poção.
— Então por que você ainda continua fazendo isso? — perguntou Klein, chocado.
Dunn colocou a mão no bolso, com a intenção de pegar seu cachimbo, apenas para descobrir que o havia deixado em seu escritório.
Ele balançou a cabeça e soltou um sorriso de censura.
— Eu apenas disse que se tornar mais poderoso não é a razão pela qual eu consumo seus restos mortais.
Dito isto, ele fez uma pausa, seus olhos vagando para o brilho azul da lâmpada a gás a sua frente.
— Eles eram todos meus parceiros… Passamos por muitas coisas juntos. Lidamos juntos na escuridão com monstros e hereges insanos. Alguns deles me salvaram, e eu já salvei uma boa parte deles. Caminhamos juntos pela noite silenciosa. Lutamos juntos em batalhas que não são visíveis ao público em geral. Passamos por perigo juntos. Nós Protegíamos uns aos outros.
— Eu realmente não suporto me separar deles. Lembro-me daquele rapaz, Hitte. Ele caiu em prantos na primeira vez que partimos em uma missão perigosa. Lembro-me de Adelaide, heh, ele era o pai de Rozanne. Uma vez ele bloqueou uma maldição maligna por mim com seu braço. Lembro-me da dama, Dwayne, e de seu temperamento amável que era como o amanhecer. Ela sempre registrava silenciosamente as coisas que encontrávamos. Lembrome de Kenley ser alguém que sabia fazer muitas coisas, como tocar violão de sete cordas, cantar, contar histórias, mesmo não sendo alto. Ele era mais poeta que Leonard… Eu sinto muita falta deles.
— Eu esperava continuar lutando com eles, continuar lidando com os monstros na escuridão, lidar com os hereges loucos, proteger a cidade de Tingen com eles. Por isso, escolhi consumir seus restos mortais.
Os olhos cinzentos de Dunn pareciam cintilar. Sua estável, confiável e fiel persona se quebrou consideravelmente naquele momento.
Seus lábios se arquearam para cima e ele continuou:
— Eles ainda estão comigo em meus sonhos. Adelaide gosta de ler e costuma ler no solário. Ele costuma me dizer para disciplinar Rozanne e fazê-la amadurecer mais rápido, a ponto de Rozanne reclamar que eu me torne cada vez mais parecido com o pai e que tenha medo de mim. Hitte é uma pessoa que não consegue ficar quieta e tem que caçar na floresta todos os dias. Dwayne sempre fica de pé junto à janela do quarto e nos observa conversando. Kenley, que entrou recentemente, criou seu próprio violão de sete cordas e canta enquanto dedilha… Eu realmente sinto muita falta deles.
— Capitão… — Klein murmurou inconscientemente. Seus olhos ficaram borrados e lacrimejantes. Ele não pôde deixar de esfregar os olhos e xingar interiormente. — Droga. Capitão, você está me fazendo chorar…
Mas finalmente entendo o motivo do lento progresso do Capitão, mesmo usando o “método de atuação”… — Klein soltou um suspiro silencioso.
— Infelizmente, o Velho Neil morreu depois de perder o controle. Caso contrário, ele teria trazido muita alegria para nós. — Dunn retraiu o olhar. Ele abaixou a cabeça e massageou a ponte do nariz.
Alguns segundos depois, ele levantou a cabeça e havia um sorriso amargo em seu rosto.
— Esta é uma decisão egoísta.
— Não sei quais eram os verdadeiros desejos de Adelaide, Kenley e do resto, e, assim, egoisticamente, tomei uma decisão por eles.
— Eu realmente sou uma pessoa egoísta.
— Não… — Klein balançou a cabeça.
No sofá na recepção, Leonard observou Megose puxando mechas de cabelo enquanto sua expressão se tornava cada vez mais rígida.
Megose parecia cada vez mais inquieta, enquanto constantemente pegava o copo para beber água. Ela olhou para Leonard com uma expressão contorcida.
— Eu não sei por que, mas de repente me sinto um pouco mal.
Leonard Mitchell estava prestes a responder, quando de repente viu Megose alcançar seu rosto. Ela arrancou um pedaço de carne, um pedaço longo de carne, um pedaço de carne manchado de sangue.
— Meu rosto está coçando um pouco. — Megose sorriu, um pouco envergonhada. A borda de seus lábios se alongou para onde estavam as maçãs do rosto, revelando uma fileira de dentes brancos e gengivas vermelho-vivas.
Porra! — Leonard xingou em silêncio. Ele sentiu que a situação estava piorando rápido demais.
Seus lábios tremendo, Leonard virou-se para ouvir quando sua expressão imediatamente ficou horrível.
Ele forçou um sorriso e pediu desculpas a Megose, que estava arrancando pedaços de sua pele.
— Eu preciso usar o banheiro.
— Tu…do… bem… — O tom de Megose tornou-se etéreo.
Ela esfregou a barriga e disse:
— Minha… criança … está um pouco inquieta…
Leonard não respondeu. Ele apressou os passos e se aproximou da divisória.
Depois de entrar no corredor, Leonard olhou profundamente para a caixa de cinzas nas mãos de Dunn Smith e exalou, exasperado.
Depois disso, sua expressão ficou firme.
— Capitão, eu tenho medo que seja tarde demais. Temos que lidar com Megose e seu bebê imediatamente. Caso contrário, toda Tingen sofrerá perdas terríveis. Isso não é algo que pode ser evitado apenas evacuando os cidadãos ao nosso redor. Eu sei que você já enviou esse telegrama.
Dunn franziu as sobrancelhas e perguntou, anormalmente severo:
— Tem certeza de que a situação piorou tanto assim?
— Sim. Em não mais de três minutos, Megose sofrerá uma mutação e seu filho descerá sobre nós — disse Leonard, sem dúvidas.
Ao mesmo tempo, ele olhou para o grande e grosso vaso sanguíneo enrolado na mão de Klein e disse:
— Artefato Selado 2-105? Deixe-me usá-lo. Eu posso utilizar melhor suas habilidades.
— Tudo bem. — Klein não hesitou em entregar o Ladrão de Vasos Sanguíneos a Leonard, já que era algo que ele pretendia fazer desde o começo.
Naquele momento, Dunn puxou sua gola e bateu no casaco. Ele falou, determinado:
— Vou sair primeiro com as cinzas de Santa Selena. Saiam depois de dez segundos; lembrem-se, saiam somente depois que terminarem de contar até dez. Então, independentemente da minha condição, direcionem seus ataques mais fortes para Megose e seu bebê sem perder tempo.
Com isso dito, ele se virou e caminhou em direção à divisória com a urna de cinzas.
— Capitão… — Klein soltou um grito, seus lábios secos.
— Capitão! — Leonard também gritou.
Ele parou e olhou para trás. Ele tinha uma expressão gentil quando disse com sua voz suave:
— Não se preocupem comigo. Não estou sozinho. Adelaide, Dwayne, Hitte e Kenley estão todos lutando ao meu lado, não importa que tipo de perigo eu enfrente.
Ele parou por um momento antes de falar, seus olhos cinzentos gentis.
— Também não há necessidade de ficarem muito ansiosos. Estamos protegendo a cidade de Tingen.
Seus lábios se arquearam para cima, formando seu sorriso habitual.
Depois de dizer essas palavras, ele não demorou mais. Passando pela divisória com seu casaco preto.
— Capitão! — Klein e Leonard gritaram ao mesmo tempo, lágrimas caindo incontrolavelmente, mas Dunn não diminuiu a velocidade.
Somos guardiões, mas também um bando de bastardos miseráveis constantemente lutando contra ameaças e contra a própria loucura.
Capítulo 208 Capítulo 208 – Choro
Beep! Beep! Beep!
O telegrama instalado no escritório do Capitão de repente ganhou vida, aparentemente tendo recebido um novo telegrama.
Mas Klein e Leonard não podiam se distrair. Eles estavam contando os movimentos do ponteiro dos segundos no relógio enquanto suas lágrimas escorriam de seus olhos vermelhos.
10.
9.
8.
…
Naquele momento, Dunn Smith carregou a caixa prateada quadrada e feita de osso para a recepção, com uma expressão solene.
Megose, que estava puxando mecha após mecha de seus cabelos loiros, abriu uma ferida tão profunda que era possível ver o osso por debaixo da carne. Era como se algo tivesse sido ativado. De repente, ela se levantou e apontou para Dunn Smith em seu casaco preto e gritou:
— Você quer matar meu bebê!
— Você quer matar meu bebê!
Boom!
A voz aguda e aterrorizante reverberou. Klein sentiu como se estivesse sendo atingido na cabeça com uma marreta. Ele esqueceu de contar, pois ficou tonto e com dor de cabeça.
Sua visão ficou vermelha e parecia haver um líquido escorrendo de seu nariz.
Ele subconscientemente olhou de soslaio e viu os olhos de Leonard Mitchell. Seu nariz e os cantos dos lábios estavam cobertos de sangue fresco. Seu rosto estava extremamente pálido e seu corpo tremia como se estivesse prestes a cair.
Provavelmente estou no mesmo estado… — Klein controlou seus pensamentos e continuou a contar em silêncio, pulando dois numeros.
5.
4.
…
Surpreendido pela voz terrivelmente aguda, os olhos cinzentos de Dunn Smith ficaram cheios de veias vermelhas claramente visíveis.
Os vasos sanguíneos em seu rosto também se sobressaíram; cada um era como uma cobra venenosa. Havia também um líquido vermelho escorrendo de seus ouvidos.
Mesmo se sentindo tonto, sua forte força de vontade o levou a manipular a urna de Santa Selena e abrir a tampa.
Dentro da caixa, havia uma escuridão profunda. Na escuridão, havia areia fina e brilhante. A cena era magicamente bonita, como uma noite estrelada sendo armazenada em uma caixa.
O ambiente ficou subitamente escuro, e a escuridão tomou conta de toda a recepção. No ar, havia incontáveis fios pretos, frios e lisos flutuando.
Eles se aproximaram de Megose e a cercou quase instantaneamente.
Não era como uma teia de aranha, mas mais como os tentáculos de uma criatura desconhecida!
Megose já havia arrancado seu globo ocular direito. Ele pendia por um fino cordão de carne sob a órbita ocular. Ela olhou para Dunn Smith com ódio enquanto gritava:
— Você deve morrer!
Bang!
Dunn foi jogado longe por uma força sem forma e bateu com força na parede oposta. A parede rachou e tijolos voaram.
Ele cuspiu um bocado de sangue no chão, mas ambas as mãos ainda estavam segurando firmemente a urna de Santa Selena. Ele a segurou com toda sua força e a impediu de cair no chão.
Esses incontáveis fios pretos, frios e lisos se contraíram e prenderam Megose firmemente no lugar. Não importava quantas chamas malignas surgissem repentinamente ou que sua pele tivesse começado a secretar um líquido que cheirava a enxofre, nenhuma dessas defesas causou danos aos fios que a seguravam.
3.
- 1.
Klein e Leonard correram pela partição simultaneamente. Um deles estava segurando uma peça quente e fina de ouro, e o outro já tinha apontado seus cinco dedos com o Ladrão de Vasos Sanguíneos enrolado em torno de seu pulso esquerdo para Megose.
Megose, que não parecia mais humana, lutava enquanto sua carne crescia nos dois lados de seus ombros. Eram uma mistura de vasos sanguíneos e veias verdes, redondas como a cabeça de uma criança.
Acima das duas cabeças, rachaduras se espalharam rapidamente e se transformaram em pares de olhos.
Megose de repente percebeu perigo se aproximando e abriu a boca. O canto de seus lábios se abriu até os ouvidos.
Ela iria dar a Maldição Profana a todos os inimigos que tentassem prejudicar seu filho!
Naquele momento, Leonard cerrou o punho esquerdo enquanto virava seu pulso.
Seu rosto pálido ficou lívido e os vasos ficaram saltados, como um monte de minúsculos vermes venenosos.
… — A Maldição Profana de Megose parou de repente, e ficou presa em sua garganta.
Ela parecia ter perdido a capacidade de falar e a capacidade de evocar maldições.
Klein aproveitou a oportunidade e murmurou uma palavra antiga em Hermes com uma voz profunda:
— Luz!
Eu quero luz, e haverá luz!
Ele de repente sentiu a fina peça de ouro coberta por simbolos misteriosos ficar quente e emitir uma luz ofuscante, como se tivesse se tornado um sol em miniatura.
Logo depois disso, Klein injetou mais da metade de sua espiritualidade e jogou o charm do Sol Ardente em direção à Megose, que estava presa pelos fios.
A recepção ficou instantaneamente transparente, a escuridão e melancolia desapareceram simultaneamente. Os finos fios pretos que prendiam Megose encolheram como se estivessem instintivamente evitando algo.
Mas antes de Megose obter sua liberdade, ela já havia visto a luz do sol.
Em algum momento da luta, um buraco havia aparecido no teto da Companhia de Segurança Blackthorn, e o buraco ia até o telhado do terceiro andar. O céu azul e a luz do sol apareceram simultaneamente.
A fina peça de ouro se combinou com a luz do sol acima de Megose e imediatamente se expandiu. Foi de uma luz esférica para uma esfera com incontáveis chamas em espiral ao seu redor.
Brrr!
Todo o edifício tremeu vigorosamente e as janelas de vidro nas ruas próximas se estilhaçaram.
No entanto, o poder da luz esférica concentrou sua força em seu núcleo, sem dissipar muito, e envolveu Megose. A luz era tão forte que Klein, Dunn e Leonard não conseguiram abrir os olhos.
Klein conteve as lágrimas e olhou com os olhos semicerrados. Ele viu que a luz havia se dispersado, mas as chamas ainda estavam queimando. Entre elas, havia muitas cinzas negras dançando no ar.
Megose e o bebê em sua barriga não estavam à vista. Assim como a mesa de café, copo d’água, jornal e o sofá da recepção.
Acabou? Acabamos com filho de um deus maligno antes que descesse sobre este mundo, e “Sua” mãe ao mesmo tempo? — Klein ainda não conseguia acreditar.
Sua experiência com videogames lhe dizia que o chefão não podia ser tão fácil assim!
De repente, ele sentiu arrepios por todo corpo. Seus instintos de Palhaço lhe disseram que havia um perigo extremo se aproximando! Sem pensar, Klein rolou para a esquerda abruptamente.
Nesse momento, um braço comprido com uma lâmina de osso branco extremamente afiada apareceu e cortou o local do nada. A monstruosidade tinha uma beleza anormal e flutuava no ar. Era incrivelmente rápida e era quase impossível evitar seus ataques.
Whoosh!
As roupas de Klein no lado direito do peito foram rasgadas; sua pele se rompeu e, sua carne, junto com os ossos, foi dividida em duas!
A ferida era tão profunda que ele quase podia ver um de seus pulmões.
Se não fosse por ele ter sentido o perigo se aproximando de antemão e ter se esquivado a tempo, o golpe o teria cortado ao meio.
Mas, mesmo assim, Klein ficou mais lento. Dor extrema encheu sua cabeça e bagunçou sua consciência.
No final da lâmina de osso branco, uma figura voou rapidamente. Se não fosse pelo inchaço na barriga, talvez ninguém pudesse identificá-la como Megose.
Seu cabelo e vestido estavam completamente queimados. A pele do rosto e do corpo estava carbonizada, preta e descascando, pedaço após pedaço, em flocos. Seu nariz derreteu, deixando apenas dois pequenos buracos negros para trás. Os globos oculares dela não estavam em lugar algum, e havia fracas chamas brancas dançando nas orbitas vazias.
As duas “cabeças” que apareceram dos dois lados dos ombros de Megose foram queimadas. O braço esquerdo dela se tornou a lâmina de osso branco que estava segurando; parecia demoníaca, porém santa.
Crak!
Enquanto o chão tremia, Megose ignorou Dunn e Leonard, assim como os finos fios pretos, frios e lisos que se lançavam sobre ela novamente. Ela foi para cima de Klein, que havia parado depois de rolar para longe, e apontou a lâmina de osso branco para o pescoço de Klein, prestes a cortá-lo.
De repente, ela ouviu uma voz que continha um tom rico em blasfêmia:
— Renda-se.
Leonard levantou a mão esquerda e apontou a palma da mão para Megose. O Artefato Selado 2-105 enrolado em seu pulso havia se transformado de um vaso sanguíneo pálido e manchado de sangue, em um “intestino” carmesim que havia se expandido a ponto de parecer pronto para explodir.
Com a ajuda do Ladrão de Vasos Sanguíneos, Leonard havia roubado com sucesso a Maldição Profana de Megose, e estava tentando usar seu poder para assumir seu controle!
Apenas uma habilidade no nível dela seria eficaz!
Sob a influência da Maldição Profana, Megose dobrou a cintura e seus joelhos tremeram constantemente. Seus movimentos pararam e os fios pretos ao redor a cercaram, como se tivessem encontrado uma presa deliciosa. Klein também aproveitou a oportunidade para rolar na direção oposta, deixando um rastro de sangue carmesim.
No entanto, ele conseguiu algum alívio de sua dor extrema e, enfiando a mão no bolso, pegou o último charm do Sol Ardente; ele aproveitou a oportunidade quando Megose estava parada para acabar com ela, de uma vez por todas!
Se ela aguentasse até o “bebê” nascer, o resultado estaria além da imaginação deles!
Boom!
A cabeça de Megose explodiu por conta própria. Sua pele e carne carbonizada voaram em todas as direções.
Mas seu corpo sem cabeça aproveitou a oportunidade para se livrar do efeito da Maldição Profana!
Boom!
O corpo carbonizado de Megose se transformou em um projétil, que se disparou em direção a Leonard. Já que a Maldição Profana havia sido violentamente interrompida, Leonard ficou temporariamente congelado no local.
Naquele momento, Dunn Smith ainda estava segurando a urna de Santa Selena com força. Seu rosto estava anormalmente pálido, e os fios pretos e frios ainda estavam perto de Megose.
Crak!
Megose trombou em Leonard, jogando-o contra a parede, que desabou com o impacto.
Alguns ossos de Leonard trincaram, e havia sangue saindo de sua boca incessantemente. Sem sequer conseguir pensar, ele desmaiou instantaneamente.
Megose ergueu a lâmina de osso branco, mas os incontáveis fios pretos que emanavam da urna de Santa Selena a envolveram novamente e estavam prestes a prendê-la no chão.
Sem tempo para cuidar de seus ferimentos, Klein rapidamente pegou o fino charm em seu bolso.
No momento em que ele iria recitar o antigo encantamento em Hermes, algo repentinamente soou na sala profunda, escura e silenciosa.
— Waaa!
Era o choro de um bebê.
Capítulo 209 Capítulo 209 – Luz
— Waaa!
O bebê na barriga de Megose chorou. Ele se mexeu, querendo vir a este mundo em uma tentativa de ajudar sua mãe a escapar de sua situação.
Os fios pretos, frios e lisos pareceram sofrer um choque, pois estavam reprimidos por um poder invisível que os fez recuar.
— Waaa!
Dunn e Klein foram atordoados ao mesmo tempo. Eles sentiram a garganta apertar e as passagens aéreas se fechar, os sufocando.
Um líquido vermelho escorreu de suas narinas, olhos e ouvidos. Todos os capilares pareciam ter rompido.
Se não fosse o fato de Klein ter passado pela tortura de ouvir os murmúrios e delírios toda vez que se dirigia ao mundo acima do nevoeiro cinzento, e Dunn estar segurando as cinzas de Santa Selena, eles definitivamente teriam desmaiado, como aconteceu com Leonard Mitchell.
O corpo sem cabeça de Megose virou em direção a Klein, que então pode ver a pele carbonizada descascando e caindo no chão, e a sagrada, mas diabólica lâmina de osso branco.
Tendo escapado de sua influência graças à sua rica experiência, Klein imediatamente sentiu seu couro cabeludo formigar e esqueceu da dor no peito direito. Ele viu o inimigo avançar em sua direção rapidamente, não lhe dando tempo de recitar o encantamento, infundir sua espiritualidade e jogar o charm do Sol Ardente.
Quando estava prestes a se esquivar do ataque, Klein viu Megose parar de repente. Ele viu o casaco preto de Dunn Smith tremulando, e o Capitão do outro lado com a cabeça baixa. Havia vários objetos grossos se contorcendo em suas costas, como se fossem cobras ou tentáculos venenosos, ou monstros!
Dunn estava usando suas habilidades de Pesadelo para forçar Megose a parar.
Bam! Bam! Bam!
Sem se esforçar, Megose fez os grossos objetos semelhantes a tentáculos, que estavam saindo das costas de Dunn, explodirem ao mesmo tempo!
Uma grande quantidade de sangue espirrou em várias direções, cobrindo todos os cantos da sala como chuva.
Dunn não ficou desapontado com o resultado, pois o sangue havia sido absorvido pelos fios pretos criados pelas cinzas de Santa Selena.
Eles foram absorvidos!
Os incontáveis fios frios e lisos que pareciam tentáculos ficaram loucos. Eles avançaram e amarraram Megose com força, envolvendo-se em torno de sua barriga inchada que estava se contorcendo.
Uma oportunidade!
Klein estava tão nervoso quanto empolgado. Ele se preparou para gritar a antiga palavra Hermes para “Luz”.
— Waaa!
— Waaa!
— Waaa!
Os gritos de um bebê puderam ser ouvidos mais uma vez, desta vez mais mais frequentes e incessantes!
Os incontáveis fios pretos pararam de repente, recuando e tremendo de novo, como se tivessem sido atingidos por um raio.
A expressão de Dunn mudou quando ele percebeu que Megose estava prestes a se libertar. Sem hesitar, ele retraiu a mão direita, fez uma garra e perfurou o próprio peito, do lado esquerdo!
Ele rapidamente puxou a mão direita, seus dedos segurando firmemente um coração sangrando. Era um coração ainda pulsante que trazia consigo a serenidade da noite e um sonho.
Capitão… — Klein observou impotente, enquanto Dunn Smith colocava o coração na urna que continha as cinzas de Santa Selena. Sua visão rapidamente ficou turva.
Whoosh! Whoosh! Whoosh!
Um choro que soava como um pesadelo na calada da noite ressoou. Os incontáveis fios frios e serenos mais uma vez retomaram seus esforços e se envolveram firmemente em torno de Megose!
Desta vez, eles não afrouxaram, apesar dos gritos vindos do bebê na barriga de Megose. Na verdade, eles até selaram os sons terríveis dentro do corpo!
As lágrimas de Klein caíram junto com seu sangue. Ele pronunciou um termo simples em Hermes com uma voz grave:
— Luz!
A luz que ilumina a escuridão! A luz que traz calor!
Ele infundiu quase toda sua espiritualidade restante na fina peça de ouro gravada com símbolos misteriosos, fazendo com que sua mente imediatamente ficasse vazia e tonta.
Tendo reunido suas últimas forças, Klein jogou o charm do Sol Ardente em Megose, que ainda estava presa pelos incontáveis fios pretos.
Os fios pretos não se retraíram desta vez, não tendo seguido seus instintos, como se estivessem sendo controlados por alguém.
Tum! Tum!
O coração fresco de Dunn ainda estava batendo dentro da caixa com as cinzas de Santa Selena.
A luz do sol brilhou mais uma vez do buraco no teto, brilhando pelos três andares, direto na Companhia de Segurança Blackthorn, como se fosse um pilar; ele havia sido guiado aqui pelo charm do Sol Ardente, e focou em Megose.
A luz do sol se fundiu com o topo do monstro sem cabeça e depois explodiu como o sol!
Brrr!
No esplendor branco e ardente, Klein fechou os olhos. Esta última cena ficou gravada profundamente em sua mente.
O corpo de Megose perdeu o braço esquerdo, a cabeça e vários pedaços de carne. Seu corpo carbonizado se desintegrou instantaneamente. A criatura meio ilusória e aterrorizante dentro de seu corpo não tinha mais o apoio de um corpo físico e, assim, não conseguiu concluir o último estágio de sua transformação, tornandose uma bola furiosa de gás preto, dissolvendo-se entre a luz e as chamas.
Brrrr!
O prédio inteiro tremeu violentamente, mas isso ocorreu apenas devido à energia liberada pelo charm do Sol Ardente.
O charm era diferente de uma bomba normal. Seus poderes estavam concentrados, mas contidos!
Klein lutou para estabilizar seu corpo. Ele abriu os olhos e olhou para a frente alguns segundos depois.
Ele viu que as paredes haviam desmoronado. Ele viu um círculo carbonizado onde Megose estava. Surpreendentemente, o chão havia derretido apenas um pouco.
Ele viu uma placenta queimada e sangrenta no chão. Ele viu Dunn Smith parado no lugar, ainda usando seu casaco preto. Ele viu o coração na caixa das cinzas de Santa Selena ainda batendo lentamente. Ele viu Leonard Mitchell deitado do lado oposto; seu estado desconhecido.
Klein, exausto, se sentiu satisfeito, e sentiu que ainda podia usar a magia ritualística para salvar o Capitão. Ele sentiu que Megose e seu bebê estavam realmente acabados. Não… era mais preciso dizer que o bebê havia sofrido uma interrupção e foi exorcizado.
Naquele momento, Dunn Smith se virou para olhar para Klein. Seu rosto pálido tinha uma expressão calorosa e relaxada, e sua voz ainda era suave como sempre.
— Nós salvamos Tingen.
Depois de dizer isso, foi como se ele tivesse retornado aos vinte anos. Ele não parecia mais rígido e sério enquanto piscava para Klein com o olho esquerdo.
A expressão de Klein congelou. Ele viu o coração na caixa das cinzas de Santa Selena parar de bater. Ele se transformou em uma bola de luz resplandecente e se dispersou pelos arredores. Ele viu o Capitão cair para trás, seus braços perdendo a força.
Parecia que a cena era composta de uma série de pinturas, mas Klein não pôde fazer nada para impedir.
Tum!
A caixa das cinzas de Santa Selena caiu no chão, exatamente como o coração de Klein.
Tum! Tum!
Mesmo que a caixa não estivesse coberta, a escuridão dentro selava a abertura, impedindo que as cinzas resplandecentes como areia caíssem. A caixa rolou por uma certa distância na direção de Klein.
Dunn Smith caiu no chão, destruído, seus olhos cinzas e profundos perdendo todo seu brilho. Ele estava olhando para o buraco no teto, a luz do sol caindo em seu rosto.
Capitão! — A visão de Klein ficou turva mais uma vez. Ele queria gritar, mas essa palavra e as palavras subsequentes ficaram presas em sua garganta.
Nós também sentimos sua falta…
Naquele momento, a caixa contendo as cinzas de Santa Selena havia rolado até seus pés.
De repente, Klein sentiu uma dor no peito, suas pupilas se contraíram violentamente e ele congelou no lugar.
Ele olhou para baixo e viu uma palma ligeiramente pálida, encharcada de sangue, saindo pelo lado esquerdo do seu peito.
Megose não está morta… Não, é um novo inimigo… O responsável por trás dos bastidores… Eu vou morrer?
Klein rapidamente perdeu a consciência, seus olhos quase perdendo o foco. Seu corpo caiu para o lado.
Sua respiração diminuiu gradualmente e ele finalmente sentiu a mão recuar. Ele viu um par de botas novas de couro e uma mão ligeiramente pálida estendendo-se para baixo para pegar a urna das cinzas de Santa Selena.
A visão de Klein ficou preta e ele perdeu toda a consciência.
…///
Objetos queimados e despedaçados estavam espalhados pela agora destruída Companhia de Segurança Blackthorn, mas não havia um único som, era como um cemitério.
Alguns minutos depois, o corpo de Leonard Mitchell se moveu, seus olhos se abrindo lentamente.
Ele se levantou com dificuldade e examinou os arredores. Ele viu Dunn Smith no chão, e também viu Klein, com os olhos arregalados e uma expressão de choque em seu rosto. Dunn e Klein tinham feridas visíveis no lado esquerdo do peito.
Não… — Leonard forçou a palavra pela garganta e cambaleou em direção ao cadáver de Klein, que não estava longe de Dunn.
Ele checou, indo entre os dois repetidamente, mas tudo o que pôde fazer foi aceitar a verdade irreversível.
Os joelhos de Leonard dobraram e ele caiu de joelhos no chão. Seus olhos verdes estavam cheios de dor enquanto lágrimas escorreram por suas bochechas, lavando o sangue e a poeira.
Ele virou a cabeça e ouviu por dois segundos, e de repente caiu para a frente. Ele soltou um grito de raiva e cerrou os punhos, batendo com força no chão.
Tum! Tum! Tum!
Leonard continuou chorando enquanto batia no chão. Em meio a sua tristeza, havia um sentimento claro de ódio e de raiva de si mesmo
Tum! Tum! Tum!
Erguendo os olhos, Leonard olhou para cima quando ouviu o som de passos apressados e viu os membros dos Punidores a Mandato e Consciência Coletiva que tinham acabado de chegar à cena através de sua visão turva.
Capítulo 210
Capítulo 210 – História
Em um subúrbio de Tingen, havia uma casa com um gramado verde.
A casa tinha um jardim que havia começado a murchar no início de setembro. Anexada à casa havia uma chaminé vermelha.
Havia uma mesa ao lado da janela no quarto daquela casa. Um caderno comum estava aberto sobre a mesa.
Uma mão levemente pálida folheou o caderno para a primeira página e rapidamente a virou.
Quando a folha virou, linhas de palavras apareceram levemente.
“Regence, um membro da Ordem Secreta, vendeu o caderno da família Antigonus como um livro antigo comum por acidente, devido à influência de cansaço e ilusões. Foi uma coincidência que fazia sentido.”
“Afetado pelo chamado da linhagem da família Antigonus, o caderno afeta secretamente quem o possui, um após o outro. Depois de repetidas mudanças de dono, ele chegou a Tingen, caindo nas mãos dos membros da Ordem Aurora: Sirius Arapis e Hanass
Vincent.”
“Depois que folhearam o conteúdo que apareceu temporariamente no caderno e copiaram as fórmulas correspondentes de poções, Sirius e Hanass ficaram preocupados que a Ordem Secreta, que era boa em divinação, os localizasse. Depois de discutir, eles decidiram evitar o risco vendendo-o para outra pessoa.”
“Eles não esperaram pela resposta do Sr. Z; talvez porque ele tenha ficado no porto Enmat.”
“Com a introdução de Sirius, Hanass conheceu Welch McGovern, do Departamento de História da Universidade de Khoy. Então, Hanass vendeu o caderno da família Antigonus para McGovern como um livro antigo comum.”
“Posteriormente, Sirius foi atraído pelo tesouro que se dizia existir no pico principal da cordilheira Hornacis. Ele começou a visitar a Biblioteca Deweyville e pesquisar sobre a montanha. Ele não achou que haveria problemas, então deixou seu endereço e nome reais no cadastro. Isso estava alinhado com sua personalidade.”
“Durante esse processo, ele conheceu Lanevus, que estava lendo informações sobre minas de ferro para planejar um golpe.”
“A loucura e capacidade de trapaça ocultas de Lanevus foram bem apreciadas por Sirius. Ele decidiu iniciá-lo como membro da Ordem
Aurora. Claro, antes disso, uma investigação era inevitável.”
“Sirius secretamente informou Lanevus sobre o ritual maligno de orar ao Verdadeiro Criador para entregar “Sua” semente a este mundo. Mas ele sabia que a possibilidade de Lanevus ter sucesso era muito baixa, porque o nível de dificuldade do ritual era muito alto e os requisitos eram muito rigorosos. No entanto, Sirius expressou forte interesse no assunto, tentado pela possibilidade de obter a aprovação de uma divindade. Ele planejava concluir o ritual enquanto executava os planos de estabelecer sua empresa siderúrgica.”
“O astuto Lanevus percebeu que havia algo suspeito sobre Sirius Arapis. Mas por seu objetivo pessoal, ele não o expôs.”
“Ele visitou Hood Eugen no asilo mais uma vez. Eles se conheciam há muito tempo e sabiam sobre suas respectivas situações.”
“Depois de uma divinação sombria, o caderno da família Antigonus foi despertado completamente. Welch e sua colega de classe morreram. O sobrevivente sortudo, Klein Moretti, enviou o caderno para a casa de Ray Bieber sob sua influência. Foi um final destinado.”
Muitas linhas foram rabiscadas e um novo conteúdo apareceu.
“Por alguma razão e falta de explicações suficientes, Klein não cometeu suicídio depois disso e de alguma forma conseguiu permanecer vivo.”
“Na investigação dos Falcões Noturnos sobre o caso de Welch, ele conheceu Dunn Smith e se juntou aos Falcões Noturnos.”
“O desenvolvimento da história não foi afetado, embora houvesse divergido da descrição de Ince Zangwill.”
“Bacchus e seus irmãos não tiveram sorte. Eles perderam sua última ficha nas mesas de jogo e estavam se afogando em dívidas. Em uma tentativa de obter dinheiro, eles decidiram sequestrar e chantagear indivíduos um tanto ricos.”
“Quando estavam procurando seu esconderijo final, eles se encontraram no quarto em frente ao apartamento de Ray Bieber.”
“Até então, Ray Bieber já estava seduzido pelo poder oferecido pelo caderno da família Antigonus. Ele esperava digerir o presente deixado para trás por seus ancestrais.”
“No entanto, ele estava em um estado semi-insano e não pôde fazer a melhor e mais segura escolha. Ele abandonou sua mãe morta, mas continuou na cidade de Tingen. Ele apenas encontrou um local mais dificil de ser descoberto para realizar seu ritual de digestão. Realmente patético. Se ele tivesse sido um pouco mais esperto, a história poderia ter se tornado ainda mais complicada, mas sua decisão foi tomada com base em seus instintos e seu mal estado mental.”
“Bacchus e companhia compraram armas e planejaram sequestrar Elliot, o filho mais novo do comerciante de tabaco Vickroy, e pediram dinheiro em troca.”
“Finalmente, eles realizaram o sequêstro com sucesso e levaram Elliot de volta ao apartamento em frente ao de Ray Bieber. O mordomo de Vickroy foi encarregado de procurar ajuda de uma empresa de segurança.”
“Por causa da morte misteriosa de Welch, as empresas de segurança estavam com poucos funcionários livres. Klee por acaso encontrou um entregador e descobriu a existência da Companhia de Segurança Blackthorn.”
“Leonard Mitchell e Klein aceitaram o trabalho. Confiando em seus poderes Beyonder, eles rapidamente salvaram o filho do comerciante. Lamentavelmente, Klein não percebeu imediatamente que pistas do caderno da família Antigonus estavam no apartamento em frente a eles.”
“No entanto, sua espiritualidade o lembrou em seu sonho. Então, os
Falcões Noturos de Tingen descobriram as pistas.”
…
“O Artefato Selado 2-049 chegou em Tingen. Com a ajuda do boneco da família Antigonus, Dunn Smith levou os Falcões Noturnos a encontrar Ray Bieber e interromper seu processo de digestão.”
“Ray Bieber se tornou um monstro, e a situação ficou fora de controle.”
“No final, os Falcões Noturnos trabalharam juntos habilmente e cuidaram do Monstro Bieber, mas imediatamente enfrentaram o ataque de um membro da Ordem Secreta.”
Mais linhas foram rabiscadas novamente, e o conteúdo original ficou impossível de ser lido.
“Leonard Mitchell, que possui um segredo, ia acabar com a situação. Antes que ele pudesse, Klein, que deveria estar condenado, matou o membro Sequência 7 da Ordem Secreta de uma maneira inexplicável.”
“Isso não afetou o desenvolvimento da história. Dunn Smith entrou em contato com o caderno da família Antigonus e folheou seu conteúdo. Desse ponto em diante, ele foi secretamente contaminado!”
…
“Tendo terminado todos seus preparativos, Lanevus seduziu Hood Eugen e o usou para ajudá-lo em seu ritual. Eles enganaram a noiva de Lanevus, Megose, para se tornar o receptáculo que carregaria a semente do Verdadeiro Criador.”
“Lanevus quase não tinha possibilidade de sucesso. O problema mais sério era que, embora Megose estivesse protegida pelo poder do ritual, ela não seria capaz de suportar a relação sexual com a projeção ilusória de uma divindade. Isso custaria a vida dela no altar.”
“Naquele momento, o bondoso Ince Zangwill ajudou Lanevus em segredo. Ele separou metade da característica de um descendente da Morte que ele obteve e plantou no corpo de Megose com antecedencia.”
“Hood Eugen fez Megose entrar em um estado semi-inconsciente e a convenceu de que a projeção ilusória do Verdadeiro Criador era Lanevus. Alimentado pelo ressentimento, melancolia e opressão acumulados do distrito fabril, o ritual teve êxito. Megose estava grávida do Verdadeiro Criador. A divindade viu através das coincidências, mas como “Ele” desejava romper as algemas colocadas nele pelas sete divindades, “Ele” não recusou.”
“Hood Eugen estava contaminado.”
“Após o sucesso do ritual, o louco Lanevus recuperou sua racionalidade. Ele sabia claramente que, se a cria da divindade descesse ao mundo, o próprio Lanevus se tornaria uma das ofertas de sacrifício. Como um mortal poderia ser o pai do filho de uma divindade? Isso era uma blasfêmia da mais alta ordem!”
“Lanevus decidiu deixar Tingen e deixou pistas para os Falcões Noturnos, os Punidores a Mandato e a Consciencia Coletiva para que eles pudessem resolver as repercussões de suas ações. Em última análise, havia um preço necessário para a loucura.”
“No entanto, Lanevus não escreveu a carta diretamente para os esquadrões Beyonder. Ele pensou que isso o faria parecer estúpido.”
“Ele decidiu deixar a carta em uma das casas que alugava. Ele fingiu estar jogando um jogo com os Beyonders dos órgãos oficiais. Como tal, ele não mencionou a contaminação de Hood Eugen e trouxe consigo tudo o que havia obtido.”
“Por precaução, ele informou Sirius Arapis da maneira mais segura possível. O qual não acreditava nele, mas podia sentir fracamente a possibilidade de sucesso.”
…
“Selena Wood acidentalmente se deparou com o verdadeiro encantamento de divinação por espelho mágico de seu professor de misticismo, Hanass Vincent.”
“Sua ousada tentativa foi interrompida por Klein Moretti por coincidência. E Klein resolveu com sucesso este incidente sobrenatural que poderia ter causado graves perdas.”
“Os Falcões Noturnos então investigaram Hanass Vincent, que havia sido premiado recentemente. Por isso, Dunn Smith coincidentemente viu uma imagem clara do Verdadeiro Criador em seu sonho e sofreu ferimentos graves.”
“No entanto, ele não foi contaminado por causa do que aconteceu. Isso teria sido notado pelos escalões superiores dos Falcões
Noturnos.”
“O ferimento agravou a contaminação do caderno da família Antigonus de Dunn Smith. Sua distração e esquecimento pioraram e ele estava cada vez mais perto de satisfazer os requisitos de Ince Zangwill.”
…
Muitas linhas foram rabiscadas novamente.
“Realmente inacreditável! Klein Moretti notou a influência secreta de Ince Zangwill e viu a chaminé carmesim.”
“I-Isso é porque ele foi lembrado pelo professor do Departamento de História da Universidade de Khoy, Azik. Ele possui muitos segredos.”
“Mas, mesmo assim, é bastante surpreendente Klein ter descoberto pistas reais. É inexplicável.”
“Independentemente do motivo, Ince Zangwill continuou a agir, e a história continua.”
“Klein encontrou coincidentemente Sirius na biblioteca e não teve escolha a não ser matá-lo. Portanto, as pistas que levavam a Lanevus foram abruptamente cortadas e a descoberta do problema foi adiada.”
…
“Klein conheceu Megose, mas sua espiritualidade o impediu de observá-la de perto. No entanto, ele não notou a anormalidade sutil, o que é razoável. Afinal, nossas histórias não são inventadas aleatoriamente.”
Ele procurou pela chaminé vermelha, mas sempre optou por uma rota que não incluia seu alvo. Talvez em mais dois ou três meses, quando estivesse no último lote, encontrasse a verdadeira chaminé vermelha.”
…
Linhas e linhas de palavras foram rabiscadas, mais do que todas as linhas anteriores somadas.
“O problema de Dunn Smith foi amenizado! Sua condição obviamente ficou melhor! Ele realmente compreendeu o ‘método de atuação’!”
“E isso foi ensinado a ele por Klein Moretti, que encontrou inspiração no exemplo de Daly Simone e velho Neil. Não, Ince Zangwill não acreditava nisso, mas ele só podia mudar um pouco seus planos originais.”
“Novos elementos na história vieram à tona.”
“Azik decidiu ir a Backlund em busca de suas memórias perdidas.”
“Não demorou muito para Klein e Dunn encontrarem pistas de Hood
Eugen.”
…
“A fim de garantir que o Partido Conservador e o Novo Partido de Tingen estivessem em completa oposição, Madame Sharon, que queria desabafar a loucura acumulada após sua transformação, decidiu correr o risco e assassinar o deputado John Maynard.”
“Seu motivo não era forte o suficiente, mas ela agiu de qualquer maneira. Há sempre momentos em que as pessoas não têm a mente clara o suficiente, e aconteceu de ela estar nessa situação. Além disso, ela estava confiante de que não seria descoberta.”
“A esposa de Maynard encontrou a Companhia de Segurança Blackthorn através do comerciante de tabaco, Vickroy. Eles não a decepcionaram e rapidamente descobriram a anormalidade de Madame Sharon.”
“Dunn Smith, que possuía um poder próximo à Sequência 6, decidiu agir primeiro. Ele passou o Artefato Selado 3-0271 para Kenley.”
“Quando os dois e Klein retornaram à residência de Madame Sharon, Dunn tentou puxá-la para um sonho para controlá-la à distância.”
“Era um bom plano, mas, infelizmente, madame Sharon tinha a estátua da Demônia Primordial ao seu lado. Portanto, o plano dos Falcões Noturnos falhou. Kenley refletiu-se no espelho devido ao seu nervosismo e se viu.”
“Kenley morreu e o os dois restantes cuidaram de madame Sharon. Dunn se culpou e consumiu a característica Beyonder de Kenley, como costumava fazer. Seu procedimento de digestão foi interrompido e atrasado, e como resultado, seu estado mental tornou-se instável.”
“Nessas circunstâncias, Leonard e Klein notaram a carta deixada por Lanevus.”
“Megose recebeu uma convocação estranha e foi à rua Zouteland. Ela entrou na Companhia de Segurança Blackthorn; o bebê em sua barriga estava em um ponto crítico em seu desenvolvimento. Ele não conseguiu impedir os impulsos dela.”
“Dunn fez um plano detalhado, um plano que estava correto, mas cometeu um erro. Se ele decidisse prender Megose atrás do Portão Chanis, teria uma chance com a ajuda do ambiente e dos itens presentes. Se quisesse esperar pelo apoio, definitivamente não deveria ter pego a urna de Santa Selena.”
“Infelizmente, a mente de Dunn não estava no lugar certo devido aos eventos recentes, e ele não pensou no ponto mais crítico. O filho de uma divindade seria capaz de sentir a ameaça da urna da Santa. Por isso, foi despertado e começou a absorver a força de sua mãe em uma tentativa de nascer antes do tempo, mesmo que não estivesse exatamente pronto.”
“Azik estava em Backlund, mas ele não era um Viajante, então não podia voltar a tempo.”
Algumas linhas foram rabiscadas.
“Megose se tornou um monstro, e a luta começou. Com a ajuda da urna da Santa, do Ladrão de Vasos Sanguíneos e de dois charms de alto nível que apareceram estranhamente, Megose morreu e o filho da divindade foi exorcizado. Dunn Smith morreu como resultado, e o poder das cinzas de Santa Selena também foi severamente danificado. Isso foi perfeitamente de acordo com as intenções de Ince Zangwill.”
“Ince Zangwill não teve a chance de aparecer, mas isso não o impediu de alcançar seu objetivo.”
“Ele matou Klein Moretti, o sujeito que continuava atrapalhando seus planos, e pegou de Santa Selena.”
“Ince Zangwill montou um ritual com a metade restante da característica do descendente da Morte. Ele consumiu as cinzas de Santa Selena e avançou com sucesso da Sequência 5 do caminho de Sequência da Morte, Guardião dos Portões, para a Sequência 4 do caminho de Sequência da Noite Eterna, Guardião da Noite. Como tal, ele recebeu características divinas e se tornou um Semideus.”
“O sol continua a brilhar intensamente na terra. Quase ninguém na cidade de Tingen percebeu como eles escaparam por pouco de um enorme desastre. O monstro Ademisaul ficaria muito confuso sobre isso.”
O caderno foi virado para a última página. O homem de meia idade que estava segurando o caderno tinha cabelos loiros escuros, olhos azuis escuros quase pretos, um nariz alto e lábios apertados. Suas feições faciais eram como as de uma estátua e não tinham uma única ruga. Ele segurava uma pena clássica com sua mão ligeiramente pálida enquanto escrevia uma linha claramente, sem mergulhar em tinta.
Ele terminou com uma frase simples.
“A história de Tingen termina aqui.”
Os papéis fizeram barulho quando ele fechou o caderno, deixando apenas uma capa marrom visível.
Capítulo 211
Capítulo 211 – Funeral
No subsolo da Catedral de Santa Selena, na sala de guarda do lado de fora do portão Chanis.
Leonard Mitchell estava apoiado no encosto da cadeira, com as pernas na mesa. Seus olhos estavam vazios, sem foco.
Mesmo tendo sido curado usando magia ritualística, ele ainda parecia terrível, como se tivesse se aliviado de uma doença grave mas sem ter se recuperado por completo.
No momento, os poderosos Beyonders enviados pela Catedral Sagrada estavam criando outro selo atrás do Portão Chanis, já que as cinzas de Santa Selena haviam sido perdidas. Eles tinham opiniões conflitantes; alguns querendo preencher a lacuna de poder usando um novo item sagrado, enquanto outros acreditavam que não havia necessidade de passar por todo o trabalho. Afinal, para a Igreja da Deusa da Noite Eterna, itens sagrados eram raros e incrivelmente preciosos. O que eles sugeriram foi diminuir a presença dos Falcões Noturnos em Tingen e transferir os artefatos com características vivas ou difíceis de selar para a sede da Catedral da Serenidade, na diocese de Backlund, deixando apenas para trás aqueles que poderiam ser controlados mais facilmente.
Eles pretendiam enviar um telegrama para propor uma reunião dos superiores, para obter uma votação dos arcebispos e diáconos do alto escalão.
Leonard não estava interessado nesse debate. Ele sentiu como se tivesse se tornado um morto-vivo, sem tristeza, dor, agitação ou animação. Ele estava anormalmente entorpecido. Ele não queria ver ninguém. Tudo o que queria era ficar sozinho em um canto.
Ocasionalmente, ele ficava intrigado com o motivo pelo qual o “assassino” levou apenas a característica Beyonder de Klein e deixou a do Capitão Dunn Smith intacta.
Tum. Tum. Tum.
Passos ecoaram pelo corredor. Seeka Tron, cujo braço direito havia sido enfaixado, apareceu na porta da sala de guarda.
Enquanto Klein e os outros estavam atacando Megose e tentando salvar a Cidade de Tingen, ela e os Guardiões do lado de dentro do Portão Chanis estavam lutando contra uma parte dos Artefatos Selados. Se não fosse pela chegada oportuna dos membros dos Punidores a Mandato e da Consiência Coletiva, ou a eventual chegada dos reforços da Catedral Sagrada, ela também poderia ter perdido a vida.
Mas, mesmo assim, o Guardião idoso não conseguiu aguentar até o fim. Ele lutou até a morte, sob o chamado do dever.
— Leonard, encontrei um telegrama não criptografado no escritório do Capitão. Foi enviado pela Catedral Sagrada — disse Seeka Tron.
Os olhos verdes de Leonard se moveram um pouco, finalmente ganhando vida. Ele lembrou fracamente o som de um novo telegrama chegando, mas a batalha estava prestes a começar. Ele e Klein não tiveram tempo de prestar atenção nisso.
— O que está escrito? — Leonard percebeu que sua voz estava estranhamente rouca.
Seeka Tron, de cabelos brancos e olhos pretos, respondeu sem hesitar:
— Cuidado com Ince Zangwill. Cuidado com o Artefato Selado 0-08.
— Ince Zangwill, o arcebispo que traiu a Igreja, o Guardião dos Portões que falhou em seu avanço… Artefato Selado 0-08, uma pena de aparência comum… — Leonard murmurou a princípio, vasculhando em sua memória, depois inclinou a cabeça para o lado.
De repente, ele estreitou os olhos, os sentimentos de desânimo e tristeza desaparecendo de seu corpo.
— Então foi isso… — Leonard recolheu os pés, que estavam sobre a mesa, e se levantou, seus olhos verdes ardendo de paixão.
Ele olhou para Seeka Tron e disse:
— Pretendo enviar uma solicitação para me juntar às Luvas Vermelhas.
Luvas Vermelhas era o codinome para a equipe de elite dos Falcões Noturnos. Em circunstâncias normais, as equipes de Falcões Noturnos eram situadas localmente e tinham regiões sob sua jurisdição, não tendo permissão para capturar criminosos fora de sua área designada. Como tal, alguns malfeitores mudavam de local após cada crime, tornando-se terrivelmente inconveniente para os Falcões Noturnos.
Para lidar com isso, a Igreja da Deusa da Noite Eterna criou os Luvas Vermelhas. Eles eram elites cuidadosamente selecionadas, alguns até possuindo itens sagrados incompletos. Sua missão era reforçar as equipes dos Falcões Noturnos que pediam ajuda, além de rastrear e prender malfeitores sem nenhuma restrição.
Em alguns círculos, eles também eram chamados de
“Perseguidores” ou “Cães de Caça”.
— Luvas Vermelhas? Mas o requisito mais baixo é ser sequência 7… Além disso, os perigos que os Luvas Vermelhas enfrentam são muitas vezes mais altos que um Esquadrão Falcão Noturno comum — disse Seeka Tron com preocupação e dúvida.
Leonard sorriu friamente.
— Estou perto de avançar.
Seus olhos ficaram frios. Ele cerrou os dentes e disse para si mesmo:
Eu quero vingança!
Ince Zangwill, você tem que viver até o dia em que eu me tornar poderoso o suficiente!
— Tudo bem… — Seeka parecia ter adivinhado os pensamentos de Leonard. Ela suspirou. — Quase metade da nossa equipe será nova. É raro ver uma equipe dos Falcões Noturnos ficar tão devastada assim…
A expressão de Leonard se escureceu. Ele cerrou os dentes e perguntou:
— Os corpos estão prontos?
— Sim. — Seeka assentiu levemente.
Leonard de repente deu um passo em direção à porta.
— Eu notificarei suas famílias.
Vou lidar com a situação com a qual menos queria.
Eu vou…
Na rua Daffodil número 2, Melissa sentou-se no sofá, inspecionando os três ingressos em suas mãos. Ela estava olhando as palavras, a data impressa e os números dos assentos.
Benson estava sentado ao seu lado, observando a irmã com um sorriso. Ele tinha uma postura relaxada.
De repente, eles ouviram a campainha.
Ding dong, ding dong.
Melissa olhou para a empregada Bella, que estava ocupada, depois pegou os três ingressos e se levantou, parecendo um pouco confusa. Ela foi rapidamente para a porta.
Seu cabelo preto estava mais brilhante que antes, seu rosto não era mais magro. Sua pele estava corada, e seus olhos castanhos pareciam mais brilhantes e energéticos.
Girando a maçaneta e abrindo a porta, Melissa congelou por um momento. Ela não reconheceu o visitante.
Era um jovem de cabelos pretos e olhos verdes. Ele era bonito, mas seu rosto estava estranhamente pálido. Escondido em seus olhos havia uma profunda tristeza.
— Quem… é você? — Melissa perguntou, sentindo-se um pouco perdida.
Leonard havia especialmente colocado um casaco preto formal sobre sua camisa branca. Ele disse com a voz rouca:
— Sou colega de trabalho de seu irmão Klein.
O coração de Melissa quase parou. Ela instintivamente ficou na ponta dos pés para olhar para trás de Leonard, mas não viu nada.
Ela disse com um estranho tremor na voz:
— Cadê o Klein?
Leonard fechou os olhos, respirou fundo e respondeu:
— Sinto muito, seu irmão Klein morreu nas mãos de um criminoso maligno enquanto tentava salvar várias pessoas. Ele é um herói, um verdadeiro herói.
Melissa arregalou os olhos lentamente, seu corpo começando a tremer. Os três ingressos em suas mãos caíram no chão desamparadamente.
Os ingressos caíram com a frente para cima, revelando o nome da peça, “O Retorno do Conde”.
…
Sentado na sala de estar da família Moretti, Leonard não ousou olhar diretamente para Melissa e Benson.
Mas ele não conseguia parar de pensar em como eles pareciam estar naquele momento.
Aquela garota cheia de juventude e vibração tinha os olhos arregalados. Ela não falou nada, e seus olhos estavam desfocados.
Seu silêncio a fazia parecer como uma marionete.
O homem que se parecia um pouco com Klein mantinha uma postura normal, mas ele entrava em transe de vez em quando. Suas palavras vieram lentamente.
— Foi isso que aconteceu. Lamento não ter conseguido impedir a tempo. A Companhia de Segurança Blackthorn, o departamento de polícia e aqueles que ele ajudou prometeram uma compensação de luto de cerca de 6000 libras… — Leonard explicou, desviando o olhar.
De repente, Benson o interrompeu. Com sua voz rouca, ele perguntou:
— Onde está o corpo dele? Estou perguntando onde está o corpo de Klein.
Ele franziu os lábios e parou.
— Quando podemos vê-lo?
— Na Companhia. Voces podem vê-lo agora — respondeu Leonard, incapaz de mascarar sua dor.
— Tudo bem. — Benson moveu seus lábios rígidos com grande dificuldade. — Deixe-me primeiro usar o banheiro.
Sem esperar pela resposta de Leonard, ele rapidamente entrou no banheiro e bateu a porta.
Ele ficou na frente da pia e abriu a torneira, deixando a água fluir.
Ele se curvou e jogou água repetidamente em seu rosto.
Ao fazer isso, suas ações repentinamente pararam. Nada mudou por muito tempo, tendo apenas o som da água corrente ecoando no banheiro.
Alguns minutos depois, Benson levantou a cabeça e olhou no espelho. Ele viu que seu rosto estava coberto de gotas de água, a vermelhidão em seus olhos agora impossível esconder.
Alguns dias depois, em um canto do Cemitério de Raphael.
Depois de terminar o funeral de Dunn, a multidão se reuniu diante de uma nova lápide. Nela estava a fotografia em preto e branco de Klein, uma fotografia bastante erudita.
Melissa estava diante do túmulo, seus olhos sem foco. Ao seu lado, Elizabeth continuava enxugando as lágrimas.
Leonard, Benson, Frye e Bredt carregaram o caixão e se aproximaram, abaixando o caixão no túmulo.
Depois que o padre fez a homenagem e as orações individuais, o túmulo foi coberto com terra, cobrindo o caixão preto pouco a pouco.
Nesse momento, Melissa se ajoelhou e jogou o apito de cobre que encontrou no corpo de seu irmão.
Leonard se virou e olhou para a cena, com o coração doendo. No entanto, ele admirava o quão forte essa garota era. Ele sabia que ela não havia chorado depois de receber as más notícias. Em vez disso, ela ficou tristemente quieta.
O túmulo foi nivelado e uma tampa de pedra foi colocada sobre ele. Leonard deu uma olhada final na lápide de Klein. Havia três linhas em seu epitáfio:
“O melhor irmão mais velho,
O melhor irmão mais novo,
O melhor colega de trabalho.”
Sob a atmosfera triste, os membros da Companhia de Segurança Blackthorn foram embora gradualmente. Selena e Elizabeth também se despediram sob a insistência de suas famílias. As únicas pessoas que ficaram para trás foram Benson e Melissa.
— Vou chamar uma carruagem de aluguel… — Benson estava em péssimas condições, era como se não dormisse há muito tempo.
— Tudo bem. — Melissa assentiu.
Depois de ver seu irmão partir, ela se virou para olhar a lápide.
Ela se agachou e apoiou o rosto nos braços.
Depois de algum silêncio, Melissa de repente repreendeu:
— Estúpido!
Ela chorou silenciosamente, suas lágrimas não paravam.
Noite, no Cemitério de Raphael.
O moreno Azik estava em frente ao túmulo de Klein, segurando um buquê de flores brancas. Ele não falou por um longo tempo até que finalmente suspirou e murmurou para si mesmo:
— Sinto muito, cheguei dez minutos atrasado. Mas acho que sei quem foi…
Ele se inclinou e colocou o buquê de flores antes de virar para sair do cemitério. Ele também deixou Tingen, mas não recuperou o apito de cobre.
O lugar estava calmo e sereno sob a iluminação do luar carmesim.
De repente, a tampa de pedra que selava o túmulo foi aberta. Uma mão pálida se estendeu do solo.
Uma mão saiu de lá!
Whoosh!
A lápide foi empurrada para o lado. A tampa do caixão foi aberta. Klein se sentou e olhou em volta, perdido.
Sua memória ainda estava congelada na cena com as botas de couro novas e a palma da mão pegando a urna das cinzas de Santa Selena. Tudo depois disso parecia um sono sem sonhos.
Klein instintivamente abaixou a cabeça e desabotoou a camisa. Ele olhou para o lado esquerdo do peito, apenas para ver que seu ferimento e o coração perdido estavam se contorcendo enquanto se curavam, semelhante à maneira como ele se recuperou do ferimento de bala na têmpora quando olhou no espelho. A única diferença era que, desta vez, a recuperação foi muito mais lenta e muito mais difícil.
Capítulo 212
Capítulo 212 – Vingador
Na parte norte do Reino Loen, a brisa de setembro, que tinha uma certa frieza, soprava pelo cemitério. Estava ainda mais sombrio e frio que o normal.
O frio trouxe Klein de volta aos seus sentidos e ele murmurou com um sorriso triste:
— Parece que ainda existem alguns segredos por trás de minha transmigração…
— Mas parece que só poderei ressuscitar mais duas vezes, no máximo, não mais… E se eu fosse moído ou completamente esmagado, quem sabe se essa capacidade de recuperação que geralmente não aparece seria útil…
…
Depois de meio minuto, Klein abotoou seu terno e percebeu que estava vestindo sua mais nova camisa e smoking, mas agora eles estavam cobertos de terra e sujeira.
…Benson e Melissa realmente não têm ideia de como economizar… — Esse pensamento surgiu em sua cabeça. Ele apoiou seu peso na mão e deu um mortal, percebendo que ainda tinha suas habilidades de Palhaço.
“O melhor irmão mais velho…
O melhor irmão mais novo…
O melhor colega de trabalho…”
Klein olhou para a lápide e leu a inscrição. Ele sentiu o coração doer, pensando nos sentimentos depressivos que Melissa e Benson haviam sentido.
Isso provavelmente é ainda mais deprimente do que ver o Capitão morrer diante de meus olhos… — Ele suspirou e retraiu o olhar. Se agachando, ele fechou a tampa do caixão.
Seus pensamentos ainda estavam confusos, mas Klein sabia que ele tinha que cuidar da cena o mais rápido possível para não deixar ninguém notar.
Ressurreição não era algo que qualquer plebeu pudesse aceitar!
Klein acreditava que ele não teria um bom final se os Falcões Noturnos, os Punidores a Mandato ou a Consciência Coletiva soubessem disso. É claro que, se estivesse na Terra, ele poderia enganar o povo a acreditar que ele era um abençoado de Deus, o salvador, se ele tivesse consumido as poções de Advogado ou Vigarista. No entanto, no mundo em que estava, havia um deus real, um deus real que podia responder a rituais!
Ele arrumou o solo novamente e o cobriu com a tampa de pedra. Klein limpou as mãos e se levantou mais uma vez.
Naquele momento, a cena não parecia estranha. Era como um cavalheiro que veio oferecer suas condolências tarde da noite. A única coisa estranha era que a pessoa na foto da lápide se parecia exatamente como ele.
Durante o processo de preenchimento de seu túmulo, sua espiritualidade notou a existência do apito de cobre de Azik. Então, ele o desenterrou e o limpou.
No entanto, Klein não pretendia convocar o mensageiro imediatamente. Ele decidiu primeiro entender melhor sua situação.
Klein levantou a mão esquerda e viu que o pingente de topázio ainda estava enrolado em seu pulso.
— Então isso é considerado um objeto de enterro? — Ele deu uma olhada e desenrolou o pêndulo. Ele olhou em volta e seu rosto ficou solene. — … Acho que Capitão também deve estar enterrado neste cemitério…
Usando o pêndulo ele mudou de direção duas vezes e finalmente achou a localização da lápide de Dunn.
Com a ajuda do luar, Klein andou e procurou por cerca de quinze minutos até finalmente ver a foto monocromática do Capitão. Ele tinha uma expressão gentil, cabelos finos, olhos cinzentos; nada incomum em comparação com antes.
Sob a foto de Dunn, havia seu nome, data de nascimento, data da morte e epitáfio.
“O verdadeiro guardião,
O parceiro mais confiável,
Eternamente o Capitão.”
Klein ficou em silêncio, atordoado e, por algum motivo, sua visão ficou embaçada. Ele sentiu como se tivesse voltado novamente àquele dia. Ele viu o Capitão virar a cabeça para ele e piscar. Ele falou com uma voz suave e relaxada.
— Salvamos Tingen.
Capitão… — Klein gritou internamente.
Ele ficou lá como uma estátua por alguns minutos, até que de repente disse com um sorriso:
— Capitão, seu estado mental definitivamente não era o melhor naquele dia. Você até disse coisas como trazer o Velho Neil para a terra dos sonhos, se ele não tivesse perdido o controle. Ele era um Espreitador de Mistérios, e você, um Pesadelo. Você não poderia consumir a característica Beyonder que ele deixou para trás. Sim…
Você não me perguntou que ataques ofensivos poderosos eu possuía. Era confiança ou você se esqueceu disso…? Mas você definitivamente adivinhou algo… Eu peguei apenas um Artefato Selado e disse que era para Leonard. Mesmo assim, você poderia imaginar que eu tinha algo com um certo poder ofensivo.
Dito isto, Klein fez uma pausa, depois balançou a cabeça e suspirou.
— Eu não tenho ideia do que sou agora. Talvez eu seja apenas um espírito maligno que voltou do inferno em busca de vingança…
Enquanto falava, ele parou de repente. Suas lágrimas escorreram por suas bochechas e, finalmente, falou suavemente, soluçando:
— Capitão… Nós também sentimos sua falta!
Klein sentiu a brisa fria passar por ele enquando levantava as mãos para enxugar as lágrimas e assoar o nariz.
Ele ficou em silêncio novamente e encontrou um local próximo escondido e então deu quatro passos no sentido anti-horário e entrou no mundo acima do nevoeiro cinzento.
Ele queria encontrar a pessoa que o matou com a ajuda de divinação. Ele queria conhecer o assassino que causou tudo isso!
Como ele já apareceu diante de mim, tenho certeza de que posso divinar algumas informações… — Klein franziu os lábios com força e viu o imponente palácio e a antiga mesa manchada, como sempre.
Ele ocupou o lugar que pertencia ao Louco. Uma pele de cabra marrom-amarelada e uma caneta-tinteiro apareceram diante dele.
Como na realidade seu corpo físico estava sob proteção limitada, Klein não demorou e anotou sua declaração de divinação após um momento de reflexão.
“A pessoa que me matou.”
Ele recitou sete vezes e, recostando-se na cadeira, entrou em seu sonho com a ajuda de cogitação.
No mundo embaçado, havia inúmeros pontos de luz dançando e se reunindo. No final, eles formaram uma cena.
Um par de botas de couro novinhas em folha, um par de mãos um pouco pálidas e a urna da Santa Selena que era segurada por essas mãos.
Ele olhou para cima e Klein viu um homem de meia idade com cabelo loiro escuro e curto.
Ele usava um terno preto de dois botões, e um de seus olhos era obviamente cego enquanto o outro era tão azul que era quase preto. Suas feições faciais eram como as de uma estátua, e seu rosto não tinha rugas.
A imagem despedaçou e Klein acordou de seu sonho. Suas sobrancelhas estavam franzidas. Ele achou seu assassino muito familiar.
Como Vidente, ele rapidamente entendeu de onde vinha esse sentimento de familiaridade. Era porque ele havia visto a foto do homem em um aviso de “procurado”!
O assassino era Ince Zangwill! Ele era o ex-arcebispo da Igreja da Deusa da Noite Eterna que roubou o Artefato Selado 0-08. Ele falhou em avançar para Guardião dos Portões!
— É ele! — Inúmeras imagens passaram pela mente de Klein e finalmente pararam na cena quando Ince Zangwill pegou a urna de Santa Selena.
Tap. Tap. Tap.
Klein estendeu as mãos e bateu levemente na borda da longa mesa de bronze. Ele sentiu que de repente conseguia entender muitas coisas.
— O Capitão disse que um Beyonder que morre normalmente deixaria para trás uma característica Beyonder. Quando reunidas, são equivalentes a uma poção sem os ingredientes complementares.
— Em outras palavras, desde que se conheça os ingredientes complementares correspondentes, se pode avançar usando os “restos”. Obviamente, não se pode consumir se for acima de seu nível, pois isso facilmente levaria à perda de controle ou à loucura. — Hmm… Tornar-se um Beyonder de alta Sequência exigiria o acompanhamento de algum ritual especial. Isso foi mencionado na fórmula incompleta de Sem Sombra… Os avanços subsequentes também exigiriam um ritual…
— Ince Zangwill é um Guardião dos Portões, Sequência 5 do caminho de Sequência da Morte. Ele queria se tornar um Beyonder de alta Sequência, um semideus. Baseado na situação permitida pela troca de sequências, ele tinha três opções. Uma era obviamente a Sequência 4 no caminho de Sequência da Morte, a segundo era a Sequência 4 do caminho de Sequência Sem Sono; e terceiro era a Sequência 4 no caminho de Sequência Deus do Combate, Caçador de Demônios.
— Santa Selena era uma Santa, logo, era Sequência 4 ou Sequência 3. Sua urna corresponde a uma das duas poções de Sequência… Ince Zangwill, que era um ex-arcebispo, sem dúvidas sabia exatamente quem ela era, e definitivamente sabia os ingredientes suplementares necessários…
— O verdadeiro motivo em planejar tudo isso era para obter as cinzas de Santa Selena e avançar para a Sequência 4 no caminho Sem Sono?
— Hmm, o crânio do descendente da Morte pode ser um ingrediente necessário para o ritual especial. Afinal, era do caminho de Sequência da Morte.
— Pelo que parece, seu alvo era o Capitão, e não eu. Ele realmente era o responsável por trás de tudo…
Tendo descoberto isso, Klein escreveu uma nova declaração de divinação correspondente. Ele pegou seu pêndulo e deixou o topázio pendurado acima da superfície do papel.
Depois de recitar a declaração sete vezes, ele abriu os olhos e viu o pingente de topázio girando no sentido horário.
Isso significava que as informações eram suficientes e a divinação foi bem sucedida!
Isso significava que Ince Zangwill havia realmente planejado a série de eventos para obter as cinzas de Santa Selena e avançar para a Sequência 4!
Klein bateu na beira da mesa novamente enquanto refletia sobre uma pergunta diferente.
— Ince Zangwill era apenas um Guardião dos Portões, um Sequência 5. Seria impossível ele sozinho criar tantas coincidências. Por exemplo, para Megose seguir seus “arranjos” e visitar os Falcões Noturnos na hora correta.
— Então, é esse o poder do Artefato Selado 0-08?
— Sua aparência é a de uma pena comum… Sua função é escrever eventos que acontecerão?
— Não, não pode ser tão fácil assim… Caso contrário, Ince Zangwill poderia escrever que a urna de Santa Selena cresceu um par de asas e voou para suas mãos. Então ele poderia ter esperado em casa…
— Deve haver certas restrições…
— 0-08 provavelmente não possui capacidade de combate direto. Caso contrário, Ince Zangwill poderia ter invadido o Portão Chanis de Tingen…
— Como um dos Artefatos Selados mais perigosos, talvez ele possa permitir que as pessoas ajam de acordo com sua descrição sem perceber? Foi essa a razão por trás de todas as coincidências?
— Se isso é realmente verdade, 0-08 é bastante aterrorizante. Até Megose, que estava grávida do filho de um deus maligno, seguiu os seus arranjos… Não é de admirar que os Artefatos Selados de Grau 0 sejam “extremamente perigosos”. Eles são da mais alta importância e da mais alta confidencialidade. Eles não devem ser inquiridos, disseminados, descritos ou espionados…
Klein parou de bater na borda da mesa. Ele divinou seu palpite anterior, mas, infelizmente, falhou devido à falta de informações.
Ele viu que alguns minutos se passaram e planejou voltar ao mundo real o mais rápido possível. Portanto, ele controlou seus pensamentos e escreveu a penúltima declaração de divinação.
“A cidade onde Ince Zangwill está atualmente.”
Devido à existência do Artefato Selado 0-08 e ao fato de Ince Zangwill provavelmente se tornar um semideus, Klein não conseguiria divinar sua localização exata diretamente. Ele só poderia perguntar sobre a região geral.
É claro, se não houvesse um espaço misterioso como o mundo acima do nevoeiro cinzento para eliminar distúrbios, ele definitivamente falharia na divinação, mesmo que fosse uma pergunta geral.
Ele se recostou na cadeira de encosto alto e recitou a declaração de divinação sete vezes. Entrando no mundo embaçado, ele começou a sonhar novamente.
O mundo embaçado de repente se partiu, e então havia um rio largo que estava um pouco escuro.
Havia uma grande ponte acima do rio. Ambos as margens tinham portos alinhados um após o outro. Havia muitas mercadorias e muitos trabalhadores.
À nordeste do rio, havia fileiras e mais fileiras de casas. A maioria delas possuía os estilos arquitetônicos atuais do Reino Loen, como telhados poligênicos, janelas tipo oriel e sem varanda na rua. Fora isso, havia a arquitetura gótica era abundante.
As ruas estavam cheias de pessoas e carruagens. De tempos em tempos, máquinas estranhas podiam ser vistas.
Quanto mais a leste ele foi, mais chaminés havia e mais fumacento ficou. Quando se dirigiu para o oeste, a elevação aumentou e havia casas em azul acinzentado, bege e amarelo claro que subiam em espiral em castelos opulentos e torres de relógio góticas.
Gong!
O badalar de um relógio soou e fez Klein voltar aos seus sentidos. Ele sabia qual cidade tinha visto.
A “Terra da Esperança” e a “Cidade das Cidades”, Backlund!
Capítulo 213
Capítulo 213 – Outro Olhar
Então Ince Zangwill foi para Backlund… Quanto tempo será que ele ficará lá…? Sim… Eu deveria checar isso de vez em quando… — Klein se inclinou para a frente enquanto pensava. Ele apagou o conteúdo da pele de cabra e escreveu uma nova declaração de divinação:
“Localização atual de Lanevus.”
De seu ponto de vista, a pessoa que causou a morte do Capitão e quase causou sua morte era, sem dúvida, Ince Zangwill, mas o lunático Lanevus era definitivamente um cúmplice que não podia ser ignorado. Ele tinha que pagar o preço em sangue!
Depois de recitar a declaração sete vezes, Klein mais uma vez entrou em um sonho. Mas a cena que apareceu depois que o mundo nebuloso se despedaçou foi a mesma que tinha visto antes!
Um rio largo e ligeiramente escuro, incontáveis cais e prédios. Os edifícios eram principalmente no atual estilo arquitetônico de Loen, alguns um pouco mais góticos. Havia ruas lotadas, paisagens florescentes, chaminés que continuamente soltavam fumaça. Havia altos castelos opulentos com suas famosas torres góticas…
Lanevus também estava na “Terra da Esperança”, na “Cidade das Cidades”, em Backlund!
Klein abriu os olhos, um pouco confuso. Ele havia divinado a localização específica de Lanevus, mas o resultado ainda era uma região muito geral e vaga.
Isso me diz que a Sequência de Lanevus deve ser muito mais alta do que eu imaginava… Não, também pode ser que ele tenha ganhado bastante por ajudar o filho do Verdadeiro Criador a descer sobre este mundo. Por exemplo, algumas características divinas, ou algum objeto semelhante à placenta deixada para trás pelo bebê de Megose? Hmm… Ela provavelmente foi levado por Ince Zangwill. — Pensamentos passaram pela mente de Klein e ele murmurava consigo mesmo enquanto fazia suposições.
Depois de confirmar a área em geral onde seus dois inimigos estavam, ele pensou em outro problema. Ele ainda não tinha a capacidade de se vingar!
Mesmo que Lanevus seja apenas Sequência 7, ou mesmo 8, não seria fácil lidar com ele caso realmente tenha recebido uma grande recompensa. Lanevus também é obviamente muito esperto, ele poderia enganar e derrotar Beyonders mais poderoso que ele… Ince Zangwill é ainda mais aterrorizante. Ele é um semideus de Sequência 4 e possui um poderoso Artefato Selado de grau 0… Embora houvesse alguns segredos em torno da minha transmigração, é claro que não posso converter esses segredos em força de combate. É provável que não seja possível por um período bem longo… O único meio que tenho é continuar subindo de Sequência, ou posso coletar itens místicos ainda mais poderosos.
Tenho que usar os dois métodos ao mesmo tempo…
Entre seus pensamentos, Klein decidiu acrescentar outra divinação.
Ele deliberou sobre a declaração antes de escrever solenemente: “Minhas oportunidades de me tornar poderoso”.
Ele gentilmente colocou a caneta sobre a mesa e se recostou, e então fechou os olhos.
Ele recitou a declaração em silêncio e adormeceu com a ajuda de cogitação.
No mundo nebuloso, ele mais uma vez viu a cena que havia visto anteriormente. O rio, cais, chaminés, multidões, castelos, várias máquinas e torres de relógio góticas. Ele viu novamente a capital do Reino Loen, Backlund!
Imediatamente após isso, a cena mudou. Ele viu um pico magnífico atravessando as nuvens e, nele, um majestoso palácio antigo. Ele viu o trono gigante esculpido em pedra, adornado com pedras preciosas e ouro. Ele viu uma estranha pupila vertical formada a partir de inúmeros símbolos misteriosos.
A cena se despedaçou silenciosamente, sem aviso. Klein sentou-se lentamente e bateu na ponta da mesa com os dedos.
Backlund contém as oportunidades para eu me tornar poderoso…
A segunda cena se refere ao pico principal da cordilheira Hornacis, os tesouros deixados para trás pela família Antigonus? A estranha pupila vertical formada por inúmeros símbolos misteriosos que o Boneco de Pano do Infortúnio me mostrou através da corrupção do caderno da família Antigonus é a chave para iniciar tudo…
Muitos pensamentos passaram por sua mente. Klein decidiu não ter pressa em visitar a cordilheira Hornacis. Mesmo um semideus de Sequência 4 pode não ser capaz de lidar com os perigos que lá residiam.
Acho que vou primeiro a Backlund… — Klein suspirou e tomou uma decisão. Ele se envolveu em espiritualidade e simulou uma queda, saindo do espaço misterioso acima do nevoeiro cinzento.
Quando voltou ao mundo material, ele lentamente saiu do seu esconderijo em direção ao túmulo de Dunn Smith.
Ele olhou profundamente para a foto e o epitáfio. Klein lentamente desenhou uma lua carmesim em seu peito e saiu do cemitério.
Como um ex-Falcão Noturno, um Falcão Noturno que tinha que patrulhar regularmente o Cemitério de Raphael, ele estava bastante familiarizado com as rotas dos guardas, bem como com os arredores. Ele conseguiu sair do cemitério facilmente, sem causar nenhum alarme. Ele seguiu a estrada de cascalho até Tingen, usando a sombra das árvores como cobertura.
A noite estava tranquila, e a lua com seu ar onírico usual. Klein andou sozinho, seus pensamentos bagunçados e descontrolados. Ele às vezes considerava seu plano de vingança, às vezes relembrava os tempos que passou com o Capitão, às vezes relembrava a tristeza oculta do velho Neil sob sua fachada humorística…
Inconscientemente, Klein havia entrado na rua mais próxima como um espírito errante, fazendo uma curva após outra.
Duas horas depois, ele se libertou daquele estado e recuperou o controle total de seus pensamentos.
Ele percebeu que estava parado na rua Narciso. Em frente a ele estava a casa que dividia com seu irmão e irmã.
Instintivamente, Klein havia voltado para cá.
Ele deu um passo à frente com clara alegria, mas de repente parou. Ele soltou um sorriso amargo e murmurou com um tom de censura:
— Se eu subisse e batesse na porta, Melissa poderia desmaiar de choque… Benson ficaria tão nervoso que seu cabelo começaria a cair. Ele então tentaria me convencer calmamente, em nome de um babuíno de cabelos encaracolados…
Balançando a cabeça, Klein olhou para a familiar porta por algum tempo antes de ir para a rua Cruz de Ferro.
Isso também é bom… As coisas que eu fizer no futuro não os implicarão. A compensação dada a eles pela equipe dos Falcões Noturnos e pelo departamento de polícia será suficiente para viverem uma vida estável de classe média, mesmo que Melissa não encontre trabalho e Benson perca o emprego…
Klein caminhou em silêncio por um momento antes de começar a sentir fadiga. Mas, como alguém que estava “morto”, ele não tinha outros pertences, exceto as roupas que vestia, o pêndulo de topázio e o apito de cobre de Azik. Ele não tinha libras, nem soli, nem moedas de um centavo.
Devo soprar o apito para enviar uma carta ao Sr. Azik e pedir que ele me ajude? — Klein riu, otimista. — Esquece, eu não deveria entrar em contato com ele por enquanto. Talvez Ince Zangwill ainda o tenha sob vigilância. Vou procurá-lo quando for a hora certa… Para um velho monstro que viveu inúmeras vidas há milhares de anos, ele deve ser capaz de entender sobre ressurreição… Pelo menos não está muito frio esta noite. Por enquanto vou encontrar um lugar temporário para dormir, e amanhã de manhã vou à agência do Banco Backlund em Tingen para sacar o dinheiro da conta anônima.
Como havia muitas coisas a serem feitas, Klein não teve tempo de começar os experimentos envolvendo o ritual de sacrifício. Ele também não havia tocado nas 300 libras da conta anônima.
Isso deve ser suficiente para suportar minhas despesas por um bom tempo. Amanhã comprarei um jornal para confirmar que dia é… Senhorita Justiça e os outros não fizeram novas orações, o que significa que não perdi nenhuma Encontro… — Klein pensou ao encontrar um lugar que não tinha vento. Ele se sentou e tirou o casaco, se apoiou na parede e a usou como um cobertor para dormir.
Não demorou muito para ele adormecer quando de repente foi acordado por alguém. Abrindo os olhos, ele viu um policial segurando um cassetete.
Ele só tem uma única divisa em sua dragona, o policial de mais baixa patente… — Klein olhou para ele para verificar sua identidade.
O policial disse ferozmente:
— Você não pode dormir aqui!
— As ruas e os parques não são para vocês, vagabundos preguiçosos e sem emprego, dormir!
— Esses são os termos da Lei dos Pobres!
É mesmo? — Klein congelou. Dada sua identidade sensível, ele não discutiu com o policial.
Ele pegou seu casaco e continuou andando até o amanhecer.
Logo depois, ele abaixou a cabeça e entrou na agência de Tingen do Banco Backlund. Ele então sacou 200 libras com a senha que havia definido, deixando para trás um terço do dinheiro como “poupança”, em caso de emergência.
Sem dúvida, Klein ouviu “orações” quando escreveu a senha em antigo Hermes.
Klein gastou 38 libras em dois conjuntos de roupas formais: duas camisas, duas calças, dois pares de botas de couro, duas gravatasborboleta, quatro pares de meias, bem como dois grossos casacos trespassado, dois casacos de pele de cor sólida e dois pares de calças grossas em preparação para o inverno. Ele também comprou uma bengala, uma carteira e uma mala de couro.
Depois de concluir sua compra, Klein encontrou um hotel para tomar banho e se trocar. Ele alugou uma carruagem particular diretamente para a estação de trem de Tingen, a fim de evitar encontrar alguém familiar. Ao longo do caminho, ele comprou um jornal e descobriu que era domingo.
Demorou cerca de quatro horas para ir de Tingen à Backlund de trem. Um assento luxuoso de primeira classe custa cerca de tres quartos de libra, ou 15 soli. Um assento de segunda classe custa 10 soli, ou meia libra.
Os assentos de terceira classe lotados e com pouca manutenção eram bastante baratos, apenas 5 soli.
Klein pensou por um momento antes de comprar uma passagem para o trem das duas horas, para um assento de segunda classe.
Klein encontrou um local aleatório para sentar na sala de espera com sua passagem e bagagem em mãos. Passava um pouco das nove da manhã.
Ele ficou feliz que o Reino Loen não tivesse um censo estrito. Ele podia provar sua identidade apenas usando as contas de água e gás, bem como o aluguel dos últimos três meses. Comprar uma passagem de trem era ainda mais fácil, pois tudo o que precisava era de dinheiro.
De repente, Klein teve um sentimento vazio em seu coração enquanto estava sentado, pensando em como ele estava indo de Tingen para Backlund à tarde.
Ele pensou em sua irmã, que sempre tinha uma aura maternal. Ele pensou em seu irmão que gostava de fazer piadas frias. Ele pensou em como eles enchiam tanto o estômago a ponto de não sentirem nem vontade de se mexer…
Recordando essas cenas, Klein de repente riu. Ele riu amargamente, pois pensou na tartaruga que Melissa chamava de “marionete”, e na lamentável entrada cada vez maior do cabelo de Benson.
De repente, ele sentiu um forte desejo. Ele queria ver seus irmãos novamente.
Nesse momento, Klein percebeu subitamente porque não havia pego um trem anterior, mas comprou uma passagem para o trem das duas horas.
Ele carregou sua bagagem e deixou a área de espera rapidamente, pegando uma carruagem alugada de volta à rua Narciso.
Ele então se escondeu em uma área sombreada do lado oposto e olhou para a porta de sua casa. Houve muitas vezes em que ele sentiu vontade de entrar, mas não podia atravessar a larga rua em direção à residencia.
Klein olhou para o outro lado da rua, confuso, se sentindo repentinamente um sem-teto. Ele teve um sentimento semelhante quando havia acabado de transmigrar.
De repente, ele viu a porta da casa se abrir e Melissa e Benson saíram.
Melissa estava usando um vestido preto e um chapéu velado preto. Benson estava de camisa, colete, calça, casaco e chapéu, todos pretos. Ambos tinham expressões entorpecidas e sombrias.
Melissa emagreceu… Por que Benson está tão abatido…? — O coração de Klein estremeceu de dor. Ele abriu a boca, mas não conseguiu gritar seus nomes.
Sem perceber, ele seguiu Benson e Melissa até a praça municipal mais próxima. Ele viu que as tendas haviam sido erguidas novamente. Uma nova trupe de circo estava na cidade para uma apresentação.
Benson pegou um pouco de dinheiro e, comprando os ingressos, levou Melissa ao circo. Ele forçou um sorriso.
— Esta trupe de circo é muito famosa.
Melissa assentiu sem expressão.
— Okay.
De repente, ela escorregou e quase caiu.
Klein, que também estava comprando um ingresso, abriu a boca. Ele queria ajudar sua irmã, mas só pôde retrair a mão que instintivamente havia estendido, e ficou sem saber o que fazer no meio da multidão ocupada.
Benson deu um pulo de susto, mas era tarde demais para ajudar. No entanto, Melissa rapidamente se estabilizou. Ela franziu os lábios e não disse nada.
Nesse momento, os palhaços apareceram, alguns realizando atos de equilíbrio sobre rodas ou grandes bolas de borracha, outros jogando inúmeras bolas de tênis no ar e depois pegando ridiculamente cada uma delas.
Melissa parecia não ligar para os palhaços enquanto assistia a performance. Benson tentou elevar o ânimo de sua irmã aplaudindo, mas sem sucesso. Ele também ficou lentamente triste.
Klein franziu os lábios com força enquanto observava a cena de longe. Ele queria se aproximar, mas não ousou.
De repente, ele tocou a carteira em sua jaqueta e teve uma ideia.
Benson e Melissa continuaram andando, observando silenciosamente as várias apresentações.
Algum tempo depois, eles viram um palhaço correndo em sua direção. Seu rosto estava pintado em várias cores pastéis. A princípio, ele jogou uma bola de tênis no ar e, enquanto a atenção das pessoas ao redor era atraída para o ar, ele conjurou uma flor do nada. Era um crisântemo de Sevilha.
O palhaço levou a flor à frente de Melissa e Benson. A flor era dourada e simbolizava felicidade.
Melissa e Benson olharam para o palhaço, atordoados. Tudo o que viram foi um sorriso largo estampado no rosto pastel. Era um sorriso feliz, um sorriso exagerado, um sorriso ridículo.